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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: TERRA DE SALINAS E SALINEIROS

O estuário do Rio Lima, foi considerado o “maior centro salineiro do litoral do Minho”. Sendo o sal um dos bens mais preciosos, “era de grande importância a posse de salinas, que chegavam a atingir preços proibitivos, como é o caso de dois talhos em Darque que foram trocados em 1085 por uma égua”. (Almeida, 2005).

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SALINAS DE PORTUZELO

A antiguidade da extração do sal na margem direita do rio Lima, entre Meadela e Portuzelo, encontra-se documentada nas Inquirições Afonsinas, que testemunham que esta atividade era realizada, no século XIII, até aos lugares de Portuzelo e mesmo Santa Marta. Na verdade, a área hoje conhecida por salinas foi, pelo menos até finais do século XVIII, designada pelo sugestivo topónimo de Marinhas, correspondendo a um sector de cota baixa, sujeito a inundação regular em função das marés. A exploração salineira era assim possível em virtude da franca entrada das águas do mar nesta área do estuário do Lima, mais tarde dificultada pelo assoreamento progressivo do seu estuário, verificado, pelo menos, desde o século XV, com crescente agravamento a partir do século XVII.

A salina de Portuzelo forma uma pequena lagoa de água salgada na margem direita do Lima tendo já tido aproveitamento desde a época Romana.

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SALINAS DA ARGAÇOSA

O topónimo «Argaçosa», com génese em «argaço» (Almeida Fernandes, 1994, pp. 31 a 33), revela a importância da apanha do sargaço neste local. Quer a recolha do sargaço, quer a extração do sal eram possíveis em virtude da franca entrada das águas do mar nesta área do estuário do Lima, antes do assoreamento progressivo do seu leito, especialmente a partir do século XV.

As salinas são um complexo sistema articulado de valas, canais e tanques de decantação e evaporação das águas. Este sistema é separado por diques e taludes, que são colonizados por vegetação típica do sapal. As espécies mais vulgares são: a salicórnia (Salicornia ramosissima), a gramata (Sarcocornia perennis) e a gramata branca (Halimione portulacoides). Na atualidade, será já difícil observar e interpretar no terreno, este conjunto de componentes das salinas da Argaçosa, que já não se encontram em laboração.

As salinas albergam um biótopo muito importante para as aves limícolas, oferecendo-lhes alimento, mesmo durante a preia-mar, bem como refúgio e abrigo contra o vento.

Entre a Meadela e Santa Marta de Portuzelo encontramos um dos maiores centros salineiros medievais do Minho, conforme demonstrado por Brochado de Almeida (2005).

Fonte: https://www.geoparquelitoralviana.pt/