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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VALENÇA: FEIRA DOS SANTOS DE CERDAL – TAMBÉM CONHECIDA POR FEIRA DOS GALEGOS – ENCONTRA-SE EM VIAS DE SER CLASSIFICADA COMO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL

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A centenária Feira dos Santos de Cerdal, única na sua tipologia em todo o Alto Minho, destaca-se no Noroeste Peninsular pela singularidade das suas caraterísticas: é uma feira/romaria de início do ciclo de inverno; está documentada, desde 1758, desenvolvendo-se, desde então, no mesmo local e espaço, apresentando poucas diferenças na sua tipologia de gestão; apresenta uma área de influência que ultrapassa largamente a NUTS II e abarca toda a Galiza; congrega um conjunto de patrimónios anexos, reconhecidos e valorizados tanto em Portugal como na Galiza.

A Feira dos Santos é uma festividade cíclica e multicultural, cujas práticas sociais, rituais e eventos associados refletem as seculares e históricas relações luso-galaicas características do Alto Minho raiano. Esta Feira anual desenrola-se no Terreiro de São Bento, em Cerdal – Valença, impreterivelmente no dia 1 de novembro, estendendo-se pelo dia 2 do mesmo mês, dias em que a Igreja Católica celebra a Festa de Todos os Santos e o Dia de Fiéis Defuntos. Tradicionalmente, poderá acrescentar-se mais um dia, dependendo da sua posição no calendário – se se encontra, ou não, junto a um fim de semana. Por se realizar em dias tão importantes para a comunidade católica, por estar ligada à esfera da Igreja desde as suas origens e ao culto beneditino, a Feira é provida de missa (outrora com várias sessões), realizada bem cedo, acolhendo espiritualmente e dando as boas-vindas a todos os feirantes e visitantes. Os epítetos utilizados do outro lado da fronteira para designar a Feira dos Santos – “Feira dos Galegos” ou “Mãe de todas as Feiras” – demonstram também a força da feira no ideário cultural galego, atraindo milhares de galegos das quatro províncias da Comunidade Autónoma da Galiza (Pontevedra, Ourense, Lugo e Coruña). Portugueses e espanhóis reúnem-se numa Feira que, não tendo programação festiva, se desenrola num enorme convívio espontâneo ao ar livre de grande importância para a região. Com raízes que se perdem no tempo, surge como manifestação já devidamente consolidada em 1758 aquando das Memórias Paroquiais desse mesmo ano. Porém, investigações recentes parecem apontar para uma génese mais recuada, no século XVII, através de uma provisão do rei Filipe IV de Espanha em favor do Mosteiro de Ganfei que poderá estar ligada a esta manifestação. Conhecida além-fronteiras tanto pela qualidade como pela diversidade dos produtos disponibilizados (na qual se pode “comprar e vender um pouco de tudo”, como diz a gíria popular), tem nos “Perícos dos Santos” o seu produto âncora, e no Cavalo Garrano o elemento de destaque, esta que é uma das três raças equinas nacionais. A Feira dos Santos de Cerdal engloba em si mesma um amplo conjunto de costumes e tradições, de grande valor histórico e cultural, com enorme impacto direto e indireto na comunidade local e na região onde se insere.

Ficha de Património Imaterial | Isilda Manuela Vilela Martins Salvador

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