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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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TEIXEIRA DE QUEIROZ: LIVRO SOBRE O ESCRITOR ARCUENSE FOI APRESENTADO EM VILA REAL

Apresentação livro Família Teixeira de Queiroz - Casa de Cortinhas

Francisco Teixeira de Queiroz - Livro Família, Casa, Obra, Ascendência e Descendência, da autoria do bisneto, Luís Teixeira de Queiroz, foi apresentado em Vila Real no dia 12 de Setembro, acompanhado de sessão literária, sobre a vida e obra do Escritor arcuense.

Para quaisquer considerações e aquisição, através do email lqpinto@sapo.pt.

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SOBRE A FORMAÇÃO LITÚRGICA DOS FIÉIS (3)

Continuo a elencar algumas questões, que considero importantes, relativas à participação dos fiéis nas celebrações da Eucaristia, e reveladoras da respetiva formação/educação litúrgica. Com a ajuda de Deus, terminarei hoje.

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Durante a consagração, ajoelho-me (sendo possível) e mantenho-me em respeitoso silêncio, perante o Mistério que está a acontecer diante de todos nós? Ou distraio-me com facilidade e até contribuo para a distração de outros?

No decorrer da Eucaristia, tenho consciência de que há orações específicas que apenas devem ser ditas pelo presidente da celebração, às quais os fiéis presentes respondem com “Ámen” ou outras palavras ou expressões por todos conhecidas (pelo menos deveriam ser!)? Estou consciente de que as palavras que Jesus disse na Última Ceia, e que são repetidas em todas as Eucaristias, durante a Consagração, apenas devem ser ditas pelo presidente da celebração? E que o mesmo deve acontecer na conclusão da oração eucarística (doxologia final) - ”Por Cristo, com Cristo, em Cristo,…” -, oração que exprime a glorificação de Deus e é ratificada e concluída pela aclamação do povo com o Amén. (IGMR, no 80).

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Lembro-me, sempre, que na Missa, no final da oração do Pai-Nosso não devo dizer “Amén”, porque o presidente da celebração continua a oração sozinho, dizendo “Livrai-nos, Senhor de todo o mal…”. Ou seja, o sacerdote como que desenvolve o último pedido que fazemos no Pai-Nosso “livrai-nos do mal”. E quando ele termina, junto-me aos restantes fiéis, respondendo de forma clara e convincente: “Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre”?

No momento adequando, e apenas se e quando o presidente ou o diácono diz “Saudai-vos na paz de Cristo”, “dou” a paz apenas às pessoas que estão ao meu lado, ou “cumprimento” todas as pessoas que estão ao meu lado, atrás, à frente, e ainda… Depois que o presidente diz “Eis o Cordeiro de Deus…” e os fiéis respondem “Senhor, eu não sou digno…”, permaneço de pé, quer vá ou não comungar, ou sento-me de imediato e começo a conversar com quem está ao meu lado?

Se a minha alma está em condições de ir comungar o Corpo do Senhor, integro-me na procissão (sim, é uma procissão!) e caminho calmamente, meditando sobre o que vou fazer, sem atropelar ninguém, antes cedendo a passagem sempre que necessário? Ou vou distraído, conversando e cumprimentando quem encontro no percurso? Se quero fazer uma reverência a Jesus presente nas hóstias que o ministro distribui aos fiéis, faço-o antes de comungar, de forma singela e sem atrapalhar nada nem ninguém, ou não? Se comungo na mão, faço-o em frente ao ministro ou comungo a caminhar, de volta ao lugar (ou, em direção à porta da rua!), sem ter o cuidado de não deixar cair partícula alguma ao chão? E por aqui me fico.

Por aquilo que se vai vendo em algumas celebrações, penso que é mesmo necessária uma formação/educação litúrgica contínua, particularmente dos que exercem ministérios ou serviços eclesiais: Ministros Extraordinários da Comunhão, Acólitos, Leitores, Salmistas, Catequistas, Zeladores, os que fazem o acolhimento…

E porquê? Por tudo o que já foi dito e para que não volte a acontecer que o altar de uma igreja, apesar de protegido, possa continuar a servir para que alguma zeladora “passe a ferro”, as toalhas, os manustérgios, os sanguíneos…

Fiquem bem, e com a graça de Deus!

José Pinto, Acólito

Texto publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes

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SOBRE A FORMAÇÃO LITÚRGICA DOS FIÉIS (2)

Continuo o meu raciocínio, iniciado na edição anterior, sobre a educação/formação litúrgica dos fiéis, particularmente no que concerne a uma participação ativa e consciente, de todos e de cada um de nós, na Eucaristia. Comecemos, pois, pelo princípio; e, sem intenção de ser exaustivo, levanto algumas questões para reflexão individual.

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Quando os sinos tocam, chamando-nos para a Missa (“o culto mais sublime que oferecemos ao Senhor”), nós fazemos a caminhada, até à igreja, conscientes do que, em comunidade, aí vamos fazer: celebrar a nossa fé em Jesus Cristo; louvar, agradecer e adorar a Deus; pedir perdão pelas nossas contínuas falhas para com Deus e para com os irmãos; ouvir a Palavra do Senhor, sem esquecer de a levar para a vida quotidiana; fazer memória da Paixão do Senhor e celebrar o seu Mistério Pascal? Ou vamos, essencialmente, para nos reencontrarmos e convivermos, durante algum tempo, com os amigos?

Antes de entrarmos na igreja, desligámos o telemóvel? Depois de passarmos a porta de entrada, o que fazemos: ajoelhamo-nos, benzemo-nos e preparamo-nos interiormente para a celebração em que vamos participar? Ou vamos visitar e rezar a todas as imagens dos santos colocados, ou não, nos altares laterais, e passamos rapidamente, sem nos deter, junto ao sacrário? Ou continuamos, alegremente, a nossa conversa iniciada na rua, mesmo depois de já ter começado o cântico de entrada?

Escreveu Romano Guardini, em “Sinais Sagrados”, recentemente reeditado (2ª ed., Set2017) pelo Secretariado Nacional de Liturgia, sobre o acto de nos ajoelharmos: “Quando dobrares o joelho, não o faças apressadamente e de forma descuidada. Dá alma ao teu acto! E que a alma do teu ajoelhar consista em inclinar também o coração diante de Deus, em profunda reverência. Quando entrares ou saíres da igreja ou passares diante do altar, dobra o joelho profunda e lentamente e que todo o teu coração acompanhe este flectir. Isso há-de significar: «Meu Deus altíssimo!...» Isto sim que é humildade e verdade, e fará sempre bem à tua alma.” E sobre o acto de nos benzermos: “Quando fizeres o sinal da cruz, fá-lo bem feito. Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma cruz verdadeira, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro. Sentes como ela te envolve todo?”

Concluída a oração colecta (a oração do presidente da celebração que recolhe as orações de todos os que estão a celebrar a Missa, e que, habitualmente, é dirigida a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo), sentamo-nos de forma adequada e predispostos a escutar a Palavra de Deus? Ou sentamo-nos, displicentemente, de perna cruzada, como quem está numa mesa de café ou num sofá em casa, e sempre curiosos com o que se passa em qualquer local da igreja?

Iniciada a Liturgia da Palavra, estamos atentos a escutar o que Deus nos quer dizer naquele momento, e que pode dar um sentido totalmente novo ao que nos acontece no dia-a-dia?  Ou aproveitamos para comentar tudo e mais alguma coisa, com o vizinho do lado?

Quando toda a assembleia recita o Credo, fazemo-lo calmamente, pensando e acreditando nas palavras que proferimos? “Creio em Deus, Pai… Creio em Jesus Cristo… Creio no Espírito Santo… Creio na Igreja… Professo um só Baptismo… Creio na vida eterna…”. Ou não?

Vou ter de continuar na próxima edição! Fiquem com Deus.

José Pinto, Acólito

Texto publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes

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SOBRE A FORMAÇÃO LITÚRGICA DOS FIÉIS (1)

No dia 4 de Dezembro de 1963, durante a III Sessão pública, o II Concílio Ecuménico do Vaticano aprovou a Constituição «Sacrosanctum Concilium» sobre a Sagrada Liturgia, a qual abriu o caminho para uma profunda reforma da Liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana.

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Foi o primeiro documento a ser votado, e dado o reduzidíssimo número de votos contra (4 non placet), em comparação com os votos a favor (2147 placet), este tema foi o único aprovado sem resistência pelos bispos do Concílio e adoptado quase por unanimidade. Desde então, permanece em contínua transformação, conforme prevê o mesmo documento: «Na verdade, a Liturgia compõe-se duma parte imutável, porque de instituição divina, e de partes susceptíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondam tão bem à natureza íntima da Liturgia ou se tenham tornado menos apropriados.» (SC, 21)

A propósito da educação/formação litúrgica dos fiéis, que é de importância primordial, pode ler-se nesta Constituição: «Procurem os pastores de almas fomentar com persistência e zelo a educação litúrgica e a participação activa dos fiéis, tanto interna como externa, segundo a sua idade, condição, género de vida e grau de cultura religiosa, na convicção de que estão cumprindo um dos mais importantes múnus do dispensador fiel dos mistérios de Deus. (…).» (SC, 19)

Passados quase 54 anos desde a sua aprovação, parece-me que vai sendo tempo de se refletir e tomar consciência sobre qual é, atualmente, o grau de conhecimento dos fiéis sobre a Liturgia. Não sobre assuntos teológicos relacionados com a Liturgia, que poderão exigir alguma formação mais profunda (embora necessária e que não faz mal a ninguém…), mas sim sobre o que poderemos considerar de mais essencial, “mais básico”, (desculpem-me a expressão), para que qualquer baptizado possa celebrar dignamente a Eucaristia e participar noutras celebrações.

Quando não se sabe – porque não se aprendeu ou já se esqueceu - como fazer e/ou porque é que se faz assim e não de outra maneira, quase sempre se faz por ver fazer os outros (repetimos o que vemos), embora, muitas vezes, e lamentavelmente, de forma errada. E em vez de se dar um contributo sério e colaborar para a beleza da Liturgia, e ainda que inconscientemente, estamos a contribuir para que “o culto da majestade divina” (SC, 33) não seja participado e vivido como deve ser, com toda a dignidade e “nobre simplicidade” (SC, 34).

Diz um ditado popular, “Aprender até morrer”! No entanto, estou cada vez mais convencido de que nos assuntos relacionados com a celebração da nossa fé em Jesus Cristo, e depois da caminhada catequética até à recepção do Sacramento do Crisma (se não se interrompeu antes…), a “aprendizagem ao longo da vida” e a “formação contínua” são conceitos ou palavras vãs.

Se o Senhor Diretor da VTM me autorizar, continuarei com o meu raciocínio na próxima edição. Até lá, se Deus quiser, e “façam-me o favor de ser felizes”!

José Pinto, Acólito

Texto publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes