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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: APEADEIRO DE GONTINHÃES PASSOU A DENOMINAR-SE ÂNCORA-PRAIA EM 1927

Em 1927, através da Portaria nº 5:037 publicada em Diário do Governo n.º 209/1927, Série I de 21 de Setembro de 1927, o Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão de Exploração determinou que o apeadeiro de Gontinhães, da linha do Minho, passe a denominar-se Ancora-Praia.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA MOSTRA PREOCUPAÇÃO COM OS DANOS QUE OS TRABALHOS DE DESASSOREAMENTO VÃO CAUSAR NA ÉPOCA BALNEAR

A Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora endereçou ao Presidente da Sociedade Polis Litoral Norte um ofício através do qual manifesta preocupação pelos danos que os trabalhos de desassoreamento do Porto de Mar de Vila Praia de Âncora vão causar na época balnear e a falta de informação existente.

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1ª FASE DO PLANO DE PAVIMENTAÇÕES DE CAMINHA ARRANCA COM REABILITAÇÃO DA ZONA ENVOLVENTE DO MERCADO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Investimento de 300 mil euros junta-se à requalificação de arruamentos em curso desde março

 A Câmara Municipal de Caminha arranca esta segunda-feira com a primeira obra da 1ª fase do Plano de Pavimentações que abrange quatro freguesias do concelho. Este Plano surge como resposta a várias situações de piso irregular ou em degradação que estão assinaladas em diferentes quadrantes do concelho e inicia-se com obras nas freguesias de Vila Praia de Âncora, Caminha e Vilarelho, Moledo e Cristelo e Riba de Âncora.

Abrange um investimento global de 300 mil euros e tem como obra de arranque a intervenção no betuminoso na zona envolvente do Mercado Municipal de Vila Praia de Âncora. A execução destas empreitadas associa-se ao investimento em diversos arruamentos das freguesias de Âncora, Seixas e Vilarelho, num montante de 170 mil euros e representa o primeiro momento de um esforço relevante da autarquia para debelar os problemas mais graves nas vias de comunicação do concelho. Para Miguel Alves, Presidente da Câmara Municipal de Caminha, “esta primeira fase de investimento vai ao limite das possibilidades financeiras do Município. Há muitas situações a precisar de reparação, mas estas são as que conseguimos acomodar para já, num esforço económico que de aproxima do meio milhão de euros. Temos os pisos degradados em Vilar de Mouros, Venade, Azevedo e Âncora, por causa das obras de saneamento, mas esses estão contratualizados e à espera do empreiteiro responsável. Estas são obras sem financiamento comunitário, um investimento 100% municipal que não tem mais alcance porque não temos mais meios disponíveis neste momento”. Para além da obra da envolvente do Mercado de Vila Praia de Âncora que começa hoje, a 1ª fase do Plano de Pavimentações tem como objetivo proceder à reparação da rua 31 de Janeiro, também na maior vila do concelho, da Rua Benemérito Joaquim Rosas em Caminha, na Avenida de Santana em Moledo e na Estrada Municipal 105 em Riba de Âncora.

O Município de Caminha avisa que a realização destas obras poderá estender-se, globalmente, pelos próximos 2 meses e pede desculpas pelos incómodos que podem ser causados.

VILA PRAIA DE ÂNCORA: ESPAÇO CIDADÃO JÁ FEZ MAIS DE 1500 ATENDIMENTOS

Neste espaço pode proceder ao agendamento da vacina contra a COVID19

A Secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa, Fátima Fonseca, esteve ontem em Vila Praia de Âncora, para conhecer o Espaço Cidadão. O Presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, deu a conhecer que aquele espaço, a funcionar desde o dia 11 de maio de 2020, já “prestou mais de 1500 serviços à população do Vale do Âncora, à população do concelho de Viana do Castelo e às pessoas do concelho de Caminha”. O autarca sublinhou a importância da abertura deste espaço em plena pandemia, servindo a população quando a maior parte dos equipamentos estavam fechados ou muito limitados “esta visita é o reconhecimento do esforço que temos vindo a fazer de manter as portas abertas num momento tão difícil da nossa história coletiva”.

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O Espaço Cidadão permite servir melhor o cidadão, de forma mais rápida e próxima, promovendo a literacia digital por via do apoio assistido na prestação dos serviços públicos digitais. Em Vila Praia de Âncora, este balcão único reúne 13 entidades: ADSE, Ministério da Saúde, Caixa Geral de Aposentações, IEFP. Instituto da Mobilidade e Transportes, Autoridade Tributária, entre outros. Aqui, pode tratar da sua Carta de Condução, solicitar nova senha ou uma caderneta predial junto da Autoridade Tributária, apresentar despesas junto da ADSE, tratar de assuntos relativos a emprego e formação profissional, alterar a morada do Cartão de Cidadão, solicitar o Cartão Europeu de Seguro de Doença ou realizar os serviços e-fatura, entre muitos outros. Dos mais de 1500 serviços prestados, o edil caminhense referiu que os mais procurados são a renovação do cartão de cidadão, a renovação da carta de condução e emissão de registo criminal. A grande novidade, é que neste espaço pode também realizar-se o agendamento da vacina contra a COVID19.

A Secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa sublinhou a importância dos serviços prestados por estes espaços em contexto de pandemia e enfatizou o papel das autarquias “as autarquias foram o rosto do Estado durante a pandemia. Estes espaços são um recurso significativo por mérito das autarquias que investiram nestas parcerias para servir todas as pessoas.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA RECEBE AMANHÃ A VISITA DA MINISTRA DA MODERNIZAÇÃO DO ESTADO E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DRª ALEXANDRA LEITÃO

A Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, acompanhada da Secretária de Estado da Inovação e da Modernização Administrativa, Fátima Fonseca, visita amanhã o Espaço Cidadão em Vila Praia de Âncora, no interior do Centro Coordenador de Transportes.

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A visita pretende assinalar a importância do Espaço Cidadão de Vila Praia de Âncora que começou a prestar serviço público a 11 de maio do ano passado, em plena pandemia, servindo a população quando a maior parte dos equipamentos estavam fechados ou muito limitados. Cerca de 1 ano depois, o Governo faz uma visita ao Espaço Cidadão que é gerido pela Câmara Municipal de Caminha para dar conta dos serviços prestados, de forma descentralizada, na vila mais populosa do concelho de Caminha.

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CAMINHA: ASSEMBLEIA MUNICIPAL REÚNE EM VILA PRAIA DE ÂNCORA

A Assembleia Municipal de Caminha vai reunir amanhã, dia 30 de abril, pelas 18h30, no edifício do Cineteatro do Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora. Como é habitual, a sessão será transmitida online.

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Da ordem de trabalhos, entre outras rubricas, conta a revogação dos Protocolos de Apoio às Freguesias e a Atribuição de Subsídio a cada Junta de Freguesia igual ao Montante Pecuniário Constante nos Protocolos Ora Revogados; alteração modificativa ao Orçamento (Inserção de Rubrica); alteração modificativa ao Orçamento; Acordo de Mutação Dominial de Troço da EN13 a Celebrar com as Infraestruturas De Portugal, S.A.; Protocolo de Cooperação e Apoio Financeiro entre o Município de Caminha e a Fundação AMA Autismo no âmbito do Projeto Campus AMA; Concurso Público para Aquisição de Serviços de Comunicações de Voz e Transmissão de Dados; Adesão da Assembleia Municipal de Caminha à ANAM - Associação Nacional de Assembleias Municipais; Regulamento do Cartão Jovem do Município de Caminha; Alteração à Postura de Trânsito e Estacionamento na União de Freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho.

VILA PRAIA DE ÂNCORA INAUGURA TRAVESSIA PEDONAL INFERIOR DA LINHA DO MINHO – A PRAIA FICA MAIS PERTO!

Um dia histórico para Vila Praia de Âncora

A travessia pedonal inferior da Linha do Minho na Travessa do Teatro, em Vila Praia de Âncora, está aberta desde esta tarde. O Ministro Pedro Nuno Santos e o Presidente da Câmara Miguel Alves convergiram naquela que é verdadeiramente a importância da obra, sublinhando por um lado que esta é uma promessa cumprida, que se traduz numa travessia que serve as pessoas, correspondendo à sua vontade.

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O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, frisou que, apesar da dimensão desta intervenção, estamos na presença de uma obra tecnicamente complexa, mas que se justifica porque faz a diferença na vida das pessoas. O responsável admitiu que a intervenção se deve à muita insistência da Câmara Municipal de Caminha e do seu Presidente, e que se traduz numa dupla vitória para o Município, não só porque conseguiu a obra mas porque conseguiu também que ela fosse financeiramente suportada pela Infraestruturas de Portugal e enquadrada na modernização da Linha do Minho.

Miguel Alves, por seu lado, recordou sumariamente o processo, recuando a 2013, quando encontrou o Município de Caminha de relações cortadas com a REFER e sem perspetiva de qualquer diálogo. Não havia plano, não havia projeto, não havia concurso de empreitada, não havia nada, a não ser a vergonha de termos esta via fechada e sem esperança de que a situação se alterasse.

“Vale a pena lutar por aquilo que queremos”, disse ainda o presidente da Câmara, referindo-se à insistência da população de Vila Praia de Âncora na abertura de uma passagem. O diálogo entre Câmara e Governo levaram a que, em 2018 o projeto da travessia pedonal avançasse e a obra arrancasse.

“Estamos a servir as pessoas, a cumprir o que prometemos e esta é a melhor poção para combater a demagogia, o populismo e as notícias falsas”, rematou ainda Miguel Alves.

A abertura da travessia pedonal inferior da Linha do Minho na Travessa do Teatro coincide com as primeiras passagens de comboios elétricos naquela via. A obra em Vila Praia de Âncora acompanhou a empreitada de Modernização da Linha do Minho e hoje é uma realidade. A empreitada de modernização da Linha do Minho no troço Viana-Valença corresponde a um investimento global de 18 milhões de euros e integra a candidatura submetida no âmbito do COMPETE 2020 que prevê um financiamento comunitário de 85%.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA: EM 1928, GOVERNO DEVOLVEU PATRIMÓNIO À IGREJA DE GONTINHÃES

Em 1928, o Ministério da Justiça e dos Cultos - Direcção Geral da Justiça e dos Cultos - 2.ª Repartição (Cultos) fez a cedência de vários bens à corporação encarregada do culto católico na freguesia de Gontinhães (Vila da Praia de Ancora), no concelho de Caminha. A portaria foi publicada em Diário do Governo n.º 294/1928, Série I de 21 de Dezembro de 1928.

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VILA PRAIA DE ÂNCORA JÁ TEM PASSAGEM INFERIOR PEDONAL NA TRAVESSA DO TEATRO

Travessia inferior pedonal da Travessa do Teatro em Vila Praia de Âncora abre ao público no dia 26 de abril

Presidente da Câmara contente por honrar mais um compromisso: “Onde quer que esteja o Zorro, estará tão contente quanto eu!”

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Depois de anos de luta da população de Vila Praia de Âncora, no próximo dia 26 de abril abre ao público a travessia pedonal inferior da Linha do Minho na Travessa do Teatro, em Vila Praia de Âncora, coincidindo com as primeiras passagens de comboios elétricos naquela via. A travessia era um anseio antigo das pessoas de Vila Praia de Âncora que conviviam mal com uma divisão entre a zona da praia e a parte interior da localidade.

Desde 2009, depois de a antiga REFER ter decidido encerrar a passagem pedonal que existia no local, a população demonstrou sempre a sua revolta e, por várias vezes, o muro que separava as duas partes da vila foi derrubado na calada da noite. Ao mesmo tempo a REFER levantava novos muros e a situação foi prolongando-se até março de 2015, data em que o Presidente de Câmara Municipal Miguel Alves reatou as relações com a REFER que tinham sido cortadas pela sua antecessora Júlia Paula Costa e conseguiu o compromisso do Governo de realizar aquela obra num valor superior a meio milhão de euros.

A obra acompanhou a empreitada de Modernização da Linha do Minho e hoje é uma realidade. Para Miguel Alves, “esta é uma história longa com final feliz. E é uma história com duas mensagens claras: vale a pena lutar pelo que acreditamos e o diálogo é sempre mais eficaz do que romper relações ou virar as costas às pessoas que nos podem ajudar. Poucos acreditavam em 2013 quando disse que Vila Praia de Âncora iria conseguir esta passagem inferior em segurança. Hoje, Vila Praia de Âncora conseguiu e está de parabéns! Tenho a certeza de que onde quer que esteja o Zorro, estará tão contente quanto eu!”.

A inauguração da renovada Linha do Minho terá lugar na manhã do próximo dia 26 de abril e estará marcada por uma primeira viagem de comboio entre Viana do Castelo e Valença onde marcarão presença o Primeiro-Ministro António Costa, o Ministro das Infraestruturas e Habitação Pedro Nuno Santos e os Presidentes de Câmara de Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença. A empreitada de modernização da Linha do Minho no troço Viana-Valença corresponde a um investimento global de 18 milhões de euros e integra a candidatura submetida no âmbito do COMPETE 2020 que prevê um financiamento comunitário de 85%.

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CÂMARA DE CAMINHA APOIA FINANCEIRAMENTE BOMBEIROS E IPSS COM SUBSÍDIOS EXTRAORDINÁRIOS QUE RONDAM OS 70 MIL EUROS

Comerciantes dos mercados municipais e da Lota de Vila Praia de Âncora não pagam água, saneamento e recolha de resíduos durante seis meses

As duas corporações de Bombeiros e as IPSS que trabalham nas áreas dos idosos e da infância vão receber subsídios extraordinários por parte da Câmara Municipal de Caminha, tendo em conta a pandemia. Estes apoios serão aprovados hoje, em reunião do Executivo, no âmbito de várias iniciativas de reforço das medidas de combate à disseminação da Covid-19, bem como aos seus efeitos económicos e sociais. Os comerciantes dos mercados municipais e da Lota de Vila Praia de Âncora não foram esquecidos e a Câmara vai assumir, durante os seis primeiros meses de 2021, as despesas com a água, saneamento e recolha de resíduos.

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Lota de Vila Praia de Âncora

Para o Presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, “o esforço tremendo dos nossos Bombeiros e das nossas IPSS merece ser compensado. Sei que a ajuda que damos, não chega para tudo mas contribui na medida da nossa capacidade, juntando-se a todos os apoios que temos podido dar ao longo deste tempo de pandemia. As instituições do concelho têm feito frente a esta doença com total dedicação dos seus trabalhadores e dirigentes e tínhamos que encontrar uma solução que ajudasse a dar liquidez às suas tesourarias. As pessoas estão em primeiro lugar e são muitas as pessoas que sabemos ajudar através destas instituições”.

Aos esforços que, desde o início da pandemia, a Câmara Municipal de Caminha tem vindo a desenvolver apoiando pessoas, empresas e instituições do concelho, muitas delas ainda no terreno, juntam-se assim, a partir de agora, várias outras medidas, designadamente contemplando as IPSS que apoiam a nossa infância e os idosos, seja em regime residencial, seja em sistema de apoio judiciário, os comerciantes dos dois mercados municipais e da Lota de Vila Praia de Âncora e os Bombeiros Voluntários.

Por proposta de Miguel Alves, o Executivo deverá aprovar um subsídio extraordinário para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha e Vila Praia de Âncora no valor de € 12.000,00 por corporação. O subsídio visa corresponder à perda de receita de cada uma das instituições pela realização de serviços durante o período de emergência, bem como ao aumento da despesa em virtude da Covid-19.

Deverá ser também aprovado um subsídio extraordinário de € 5.000,00 para as IPSS que apoiam os idosos em regime residencial ou apoio domiciliário, ou seja, Casa de Repouso da Confraria do Bom Jesus dos Mareantes, Lar de Santa Rita da Santa Casa da Misericórdia de Caminha, Centro de Bem Estar Social de Seixas, Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora, Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação de Vilarelho, Centro Social e Paroquial de Moledo e Centro Paroquial e Social de Santa Maria de Riba de Âncora, num esforço global de € 35.000,00.

Da mesma forma, deverá ser aprovado um subsídio extraordinário de € 5.000,00 às IPSS que apoiam a infância, ou seja, ao Centro Infantil da Santa Casa da Misericórdia de Caminha, ao Patronato Nossa Senhora da Bonança de Vila Praia de Âncora, à Creche Mundo Colorido do Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora e à Creche e Jardim de Infância da Casa do Povo de Lanhelas, num esforço global de € 20.000,00.

Finalmente deverá ser aprovada a comparticipação total do pagamento das faturas de serviço de água e saneamento e isenção do pagamento do serviço de recolha de resíduos urbanos referentes aos primeiros 6 meses do ano de 2021, para os concessionários/comerciantes dos Mercados Municipais de Caminha e Vila Praia de Âncora e da Lota de Vila Praia de Âncora, mediante a apresentação da fatura respetiva. A medida deverá envolver um montante global previsível até € 5.000,00.

Foto: Jornal O Caminhense

CÂMARA DE CAMINHA ASSUME RISCOS E GARANTE DRAGAGEM DO PORTINHO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA E REFORÇO DA DUNA DOS CALDEIRÕES

Proposta de Miguel Alves impede suspensão da empreitada e afasta perigo da obra não vir a acontecer

A Câmara Municipal de Caminha vai assumir os riscos e garantir que a dragagem do Portinho de Vila Praia de Âncora não fique suspensa, tornando assim possível que a obra arranque nas próximas semanas. O Presidente, Miguel Alves, vai propor na próxima reunião do Executivo, terça-feira, dia 6 de abril, que o Município assuma o pagamento de indemnização que eventualmente vier a ser decretada a propósito do processo em curso no âmbito da empreitada dos Caldeirões. De outra forma, a dragagem ficaria para já suspensa e poderia até não vir a acontecer.

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“Não podemos esperar mais e não podemos correr o risco de nunca mais termos dragagem no Portinho de Vila Praia de Âncora. Percebo as cautelas da Polis Litoral Norte e o receio que têm de avançar com o risco de pagar uma indemnização mas os pescadores têm que ir para o mar, as famílias dos pescadores têm que ter ganha-pão, os pescadores desportivos e de lazer têm que poder tirar partido das suas embarcações e tudo em segurança. Suspender agora a empreitada é colocar em risco que ela alguma vez possa acontecer” refere Miguel Alves.

O Presidente da Câmara de Caminha admite que esta não é uma atitude habitual, mas é plenamente justificada por tudo o que está em causa, ou melhor, por tudo o que fica em causa se a Câmara não avança jár: “sei que não é habitual mas, depois de todo o trabalho feito pela Associação de Pescadores, depois do trabalho feito pela Câmara Municipal, depois de termos conseguido o financiamento do Ministério do Ambiente e do Ministério do Mar, temos mesmo de ir em frente! Se tudo correr bem, a obra ainda começa neste mês de abril”.

Na sua proposta, Miguel Alves recorda que, há cerca de dois anos, a Polis Litoral Norte – Sociedade para a Requalificação e Valorização do Litoral Norte, S.A. (PLN) tomou a decisão de contratar a empreitada que foi designada como “Alimentação Artificial, Proteção e Reabilitação do Sistema Costeiro Natural da Duna dos Caldeirões” que, através do reforço daquele cordão dunar, permitirá a dragagem do Portinho de Vila Praia de Âncora, local de onde sairão os inertes que alimentarão os geocilindros a colocar na duna dos Caldeirões.

A adjudicação aconteceu em novembro de 2020, mas, através de uma ação de contencioso pré-contratual interposta no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAF Porto) pela empresa que ficou em segundo lugar no concurso público, foi impugnado o ato em causa.

No texto da proposta informa-se ainda que tal ação não suspende o contrato celebrado, permitindo, assim, a consignação da obra que aconteceu no passado dia 26 de março. De todo o modo, existe a possibilidade da ação ser julgada procedente, vendo-se a Polis na posição de ter que indemnizar a empresa reclamante caso os trabalhos sejam iniciados.

“Perante esta possibilidade, o Conselho de Administração da PLN inclina-se por uma posição de prudência, ou seja, esperar pelo resultado do contencioso em curso no TAF Porto de modo a evitar o risco de pagamento de uma indemnização. Acontece, porém, que a espera por uma decisão obriga ao adiamento da empreitada por um tempo não determinado que poderá ir de dois a seis meses, previsivelmente, o que pode, verdadeiramente, atrasar a obra um ano”. Ou seja, se a decisão só for tomada no final da primavera ou verão deste ano, não é possível avançar com uma empreitada que afeta de modo grave a zona balnear de Vila Praia de Âncora e, mais tarde, a obra não poderá decorrer no inverno por causa da agitação do mar.

Em resumo, ou a empreitada começa agora, ou só teremos empreitada para o próximo ano se os pressupostos do financiamento de mantiverem o que não é seguro. Assim, o risco de adiamento por um ano da empreitada em causa ou, pior, de não realização da obra por perda de financiamento, é uma situação que o Presidente da Câmara de caminha não admite e que a sua proposta acautela.

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QUIM BARREIROS GRAVOU O SEU PRIMEIRO DISCO HÁ 50 ANOS!

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QUIM BARREIROS POR ELE PRÓPRIO!...

Ainda criança, Quim Barreiros bebeu os ensinamentos musicais da grande tradição minhota: os viras, os malhões, as chulas e canas-verdes.

Na adolescência viajou por Portugal inteiro, já a tocar acordeão em ranchos folclóricos com os quais tomou contacto com muitos outros géneros do nosso país. No início da idade adulta, fixou-se em Lisboa, onde frequentou as casas de Fado e começou paralelamente a inscrever o seu nome em dezenas e dezenas de gravações – essencialmente de música tradicional portuguesa mas não só.

E com a descoberta de uma voz própria como cantor, em meados dos anos 70, e a sua vocação para as rimas brejeiras e divertidas – com uma passagem pelo canto de intervenção ao contrário –, estava aberto o caminho a um dos percursos mais sui generis e originais da música portuguesa dos últimos quarenta anos. Aqui ficam as histórias que fizeram de Quim Barreiros... o Quim Barreiros tal como o conhecemos hoje.

Joaquim de Magalhães Fernandes Barreiros nasceu a 19 de Junho de 1947 em Vila Praia de Âncora (no Minho), mesmo em frente do Oceano Atlântico: o imenso mar que, então já com o nome artístico de Quim Barreiros, iria atravessar várias vezes para animar com a sua música as comunidades portuguesas de emigrantes estabelecidas nos Estados Unidos, Canadá, Brasil ou Caraíbas. Filho de Joaquim de Matos Fernandes Barreiros (nascido em S. Paulo, Brasil) e de Margarida de Magalhães de Melo (nascida em Paredes de Viadores, perto de Marco de Canaveses), Quim Barreiros tem duas irmãs mais velhas, Manuela e Rosa, e um irmão mais novo, Cláudio.

A música entrou muito cedo na vida de Quim Barreiros. A mãe não ligava muito, mas o pai tocava acordeão num grupo de baile – o Conjunto Alegria – e em vários ranchos folclóricos. O jovem Joaquim apaixonou-se pela sonoridade dos mesmos instrumentos que o pai tocava e quis aprender a fazer o mesmo. Mas não foi com ele que aprendeu. Quim Barreiros diz que “o pai ensinava à maneira antiga, a lambada” e então foi estudar os princípios do acordeão, com apenas oito anos, junto do sargento-músico, o Sr. Lomba, que ocupava os dias da reforma a ensinar os mais novos. E, curiosamente, não foi acordeão, mas sim bateria, o primeiro instrumento que tocou em público. Quim Barreiros recorda essa aventura que começou quando ele tinha nove anos:

Anos depois, na adolescência, Quim Barreiros começou então a tocar acordeão, já ao lado do pai, no Conjunto Alegria: “Tocávamos marchas populares, paso-dobles – que nós ouvíamos aqui da Galiza a tocar e nós íamos de arrasto –, valsas, tangos, boleros...”. E tudo isto ajudou a formar musicalmente Quim Barreiros mas, ainda mais importante do que o reportório do grupo de baile, foi aquele que aprendeu junto dos ranchos folclóricos da região e nos encontros de tocadores de concertina. Diz Quim Barreiros que, “desde muito pequenino que eu acompanhava o meu pai nos ranchos folclóricos em que ele tocava, em Afife, que é a terra de Pedro Homem de Mello, grande poeta e grande conhecedores das tradições musicais da região. Em todas as festas que o Pedro Homem de Mello fazia, no Convento de Cabanas, que era a casa dele, era o meu pai que animava a festa. E aí o meu pai tocava os viras, as chulas, os malhões, toda aquela música antiga que me ficou registada, como eu costumo dizer, no meu computador, na memória. Em criança, a fazer companhia ao meu pai, e depois já a tocar com ele, percorríamos também todas as grandes festas das redondezas: a Senhora de Agonia de Viana do Castelo, as festas de S. Bartolomeu, de Ponte da Barca, de Ponte de Lima, a romaria de S. João d’Arga, etc. E era nestas festas que se juntavam os tocadores de concertina, os cantadores ao desafio, e eu fui metendo isso tudo na minha cabeça”.

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Quim Barreiros acabou a quarta classe mas, depois, ficou alguns anos sem estudar. Trabalhou numa lojas de fazendas ante de seguir, mais uma vez, as pisadas do pai e de o ter começado a ajudar numa oficina de bicicletas que o Sr. Joaquim tinha em Vila Praia de Âncora. Esse trabalho deu-lhe conhecimentos de mecânica e um jeito para as máquinas que o ajudaria, mais tarde, a desenvencilhar-se melhor quando começou a estudar electromecânica. A mãe morreu cedo, tinha Quim Barreiros apenas dezasseis anos, acontecimento que iria marcá-lo para o resto da vida. E só retomou estudos depois da morte da mãe, quando – com ajuda de professores particulares – conseguiu concluir o antigo quinto ano dos liceus (actual 9.° Ano), tendo já em vista ingressar na Força Aérea, onde entraria com vinte anos.

Mas, apesar de uma vida dura e difícil, logo na adolescência Quim Barreiros tomou contacto com muitas outras músicas e lugares, chegando a actuar várias vezes no estrangeiro, não com o Conjunto Alegria – que tinha um circuito mais restrito e regional – mas com dois ranchos:

Um acervo precioso que iria, anos depois, servir-lhe na perfeição para que – já nos anos 70 – a esmagadora maioria dos temas da sua discografia fossem versões em acordeão de temas tradicionais de Portugal inteiro. “E tanto no Grupo Folclórico de Sta. Marta de Portuzelo como no Grupo Folclórico de Afife, com o qual também toquei, viajei por Portugal e também pelo estrangeiro: Espanha, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, onde havia grandes festivais folclóricos nós estávamos lá.” Quim Barreiros integrou estes dois grupos – paralelamente ao Conjunto Alegria – entre os doze e os vinte anos, quando vai para Lisboa fazer a tropa. E, entre as inúmeras memórias musicais e de vida que guarda desse tempos, há uma que viria a ser premonitória de algo que lhe iria acontecer a seguir: uma fotografia de Quim Barreiros, adolescente, ao lado da diva do Fado, Amália Rodrigues, tirada numa dessas viagens ao estrangeiro com os ranchos.

Aos vinte anos, Quim Barreiros teve que trocar Vila Praia de Âncora por Lisboa, onde foi fazer a tropa. E, aquilo que na altura (segunda metade dos anos 60) poderia vir a ser uma fatalidade para muitos dos jovens portugueses que faziam a recruta em Portugal e depois iam combater para a Guerra Colonial, revelou-se um golpe de sorte para Quim Barreiros: não foi servir no Ultramar e ficou por Lisboa, integrando a Banda da Força Aérea... e começando então a contactar com o circuito das Casas de Fado.

“Quando fui para a Força Aérea”, conta Quim Barreiros, “fui como especialista. Eu estava a tirar o curso na Escola de Electromecânica, em Paços de Arcos, e na tropa puseram-me como mecânico de radar. Quando eu entro para a tropa, soube que havia uma coisa chamada Banda da Força Aérea e aí... cheira-me a música. E se cheira a música, o Quim está lá!”. Mas como é que alguém que toca acordeão entra numa banda militar? “Tocando outros instrumentos. Eu já tinha umas luzes anteriores sobre como se tocava saxofone e clarinete, fiz uns testes, fui aprovado e foram esses instrumentos que eu toquei na banda, tendo tocado também depois bateria. Era no AB1 da Força Aérea – que agora faz parte do Aeroporto da Portela – que estava estacionada a Banda”. E Quim Barreiros adaptou-se rapidamente a um novo reportório, feito de marchas militares e de peças de música clássica. A sua permanência na Banda da Força Aérea permitiu-lhe também não ter que ir fazer a guerra na ex-colónias portuguesas: “Quem fazia parte da Banda ficava em Portugal porque era nossa função tocar em ocasiões especiais, como grandes recepções aos chefes de estado que nos visitavam ou feriados e datas importantes”.

Mas, enquanto de dia estava na Força Aérea, à noite Quim Barreiros passou a frequentar e a tocar nas Casas de Fado, à custa de muitos dias sem dormir. Diz ele: “Comecei a tocar no Solar do Minho, no Timpanas, na Adega Machado, no Solar da Hermínia, que era da Hermínia Silva, na Caverna – que tinha sido A Toca, do fadista Carlos ramos, mas que a Fernanda maria e o marido tinham comprado e mudado de nome –, no Lisboa à Noite, que também era deles, e comecei a dar nas vistas”. Numa entrevista dada por ele em 2011 ao jornal i, Quim Barreiros recordou assim a sua entrada nesse circuito: “Fui ao Solar do Minho, em Alfama, num sábado à noite. A casa estava cheia e nós a beber a nossa sangria numa mesinha. Resolvi pedir au dono para me deixar tocar concertina. Saltei para o palco e toquei uma coisa qualquer do folclore. Quando acabei deixei aquela gente toda em pé de guerra. Sabes como é o fado, tudo muito caladinho. Agora imagina o que é um tipo da borga com uma concertina, um contraste dos diabos. Nos final, veio falar comigo e perguntou-me quem eu era. ‘Você trabalha todos os dias? Não quer vir cá todas as noites?’. “Isso é o meu sonho”, disse-lhe eu. E no dia seguinte estava lá. O homem disse-me: “Não lhe podemos pagar muito, cem escudos por noite, ok?”. Eu fiquei calado, pensei que ele estava a gozar. Na Força Aérea, como soldado músico, ganhava 75 escudos por mês”.

Depois deste episódio, Quim Barreiros começou a entrar no circuito profissional das casas de Fado de Alfama, Alcântara e, principalmente, Bairro Alto, tocando acordeão e concertina. Mas o seu reportório, feito de muitos temas tradicionais do Portugal rural, contrastava com a sisudez e seriedade do Fado. Alguns fadistas e instrumentistas aceitaram-no bem, mas outros torciam o nariz a esta intromissão de um instrumento pagão no meio dos instrumentos sagrados do Fado. Quim Barreiros conta que um dos mais críticos era Alfredo Marceneiro, na altura uma autêntica lenda viva do fado de Lisboa:

E estes eles eram os frequentadores das casas, nacionais e estrangeiros, que viam em Quim Barreiros uma alternativa bem-disposta e bem-vinda ao Fado. E, mesmo no seu seio, Quim Barreiros deixou muitos amigos: “Por exemplo, o Carlos do Carmo, que estava à frente do faia – casa que era da sua mãe, a D. Lucília do Carmo –, ou grandes guitarristas como Jorge Fontes ou o Jaime Santos. Eu nunca fui um acordeonista popular, e tinha a minha característica própria a tocar. E era por isso que eles me apreciavam”.

Assim que começou a ficar conhecido no restrito circuito musical lisboeta, Quim Barreiros foi convidado para gravar com vários artistas e começou também, em 1971, a ter uma produção invejável de discos próprios – numa primeira fase apenas instrumentais e quase sempre preenchidos por temas tradicionais portugueses – e que nunca mais acabaria. E muitas vezes acompanhado por guitarra portuguesa e viola: “O que fazia sentido na minha música era ser acompanhado por um cavaquinho ou uma viola braguesa, mas como ninguém tocava esse instrumentos em Lisboa, lá iam os guitarristas de Fado, muitas vezes a sarrafar (a tocar nas cordas em rasgado, ao contrário do normal dedilhado do Fado) na guitarra portuguesa, para acompanharem o meu acordeão. E era curioso: não era eu que os desafiava a tocar comigo, eram eles que queriam. O Jorge Fontes deu-me um grande empurrão e acompanhou-me muitas vezes. Repare-se numa coisa: muitos dos fadistas e dos grandes instrumentistas de Fado não são de Lisboa. Mas mantiveram uma ligação à música folclórica dos sítios de onde vieram. A própria Amália gravou oitenta por cento de fados, mas os outros vinte por cento são marchas e temas folclóricos”.

Paralelamente, Quim Barreiros fez gravações integrado nas grandes orquestras ligeiras da altura, como a do Maestro Shegundo Galarza – “com o Shegundo Galarza gravei vários LPs: um só com paso-dobles, outro com tangos e outro com valsas”, refere –, a do Maestro Arlindo de Carvalho e outras, para além de ter trabalhado como músico de sessão em inúmeras gravações de outros artistas. Quim Barreiros cruzou-se com o Trio Odemira – cujos elementos o convidavam muitas vezes para tocar na sua casa típica, em Alcântara – e, recorda ainda, “o Trio Guadiana”, com o qual gravei muitos LPs em conjunto. O trio Guadiana era característico da música do Alentejo e foram os grandes responsáveis pela divulgação da música alentejana numa altura, início dos anos 70, em que essa música ainda não era muito conhecida”. A sua passagem pelas casas de Fado levou-o também a atrever-se a gravar fados em acordeão, facto que Quim Barreiros justifica agora porque “havia a Eugénia Lima (grande acordeonista portuguesa que começou a gravar ainda nos anos 40) que já tinha gravado fados e, como era um génrero musical popular, lá gravei uns fados também”.

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Quim Barreiros diz que “o primeiro contrato discográfico que assinei com a Rádio Triunfo era vitalício; quer dizer prendia-me a essa editora para o resto da vida. Meteram-me o contrato à frente, não o li e assinei. Só depois é que me avisaram, eu consegui livrar-me daquilo e comecei a gravar para outras editoras. Gravei muito para o Arnaldo Trindade (responsável pela lendária editora portuguesa Orfeu), gravei para a Sassetti, para a Alvorada, para a Roda, que era uma etiqueta da Valentim de Carvalho; gravei para quase toda a gente. E os contratos eram feitos disco a disco: pagavam-me quinhentos escudos por cada número, se fosse para um single, e três contos por doze números, se fosse para um LP. E como eu tinha muita facilidade em gravar depressa, conseguia fazer um LP numa tarde: papava três continhos em poucas horas de trabalho”.

Logo em 1971, Quim Barreiros grava dois singles e o seu primeiro LP, intitulado apenas Quim Barreiros – Acordeão. Neste álbum, o folclore minhoto está em larga maioria, com muitos temas que celebram a música tradicional da sua região-natal: viras, chulas e rusgas. Mas ainda durante a primeira metade dos anos 70, Quim Barreiros alarga a sua produção à interpretação de temas de muitas outras zonas do país, desde corridinhos e bailes mandados algarvios a chamarritas açorianas, ao malhão de Águeda, à tradição alentejana (nos vários discos, entre singles e LPs, que grava com o Trio Guadiana entre 1973 e 1975), às marchas populares de Lisboa e ao Fado. Uma tendência que se nota nitidamente no seu LP de 1974 Quim Barreiros – Povo Que Canta, uma referência óbvia aos programas da RTP com o mesmo nome em que Michel Giacometti mostrava as suas recolhas de música tradicional de Portugal inteiro. Mas Quim Barreiros também se aventura a gravar outros temas populares e de impacto comercial imediato como o “Parabéns a Você”, “Natal Feliz” ou a “Marcha Nupcial”.

Na segunda metade dos anos 70, e ao mesmo tempo que continuava a editar muitos temas de raiz tradicional, Quim Barreiros, foi desenvolvendo o seu gosto e a sua apetência para a escrita de muitos temas próprios em que um certo teor brejeiro, picante, de letras com duplo-sentido já se faziam sentir como parte fundamental da sua escrita de canções. Para além do já citado “Recebi um convite (à casa da Jóquina)”, temas como “Franguito da Maria”, “Tira Fora que Vem Gente”, “Vais Ter Um de Cada Lado”, “A Fechadura da Rita” (num single em que canta à desgarrada com Armando Marinho) ou “Queres É Levar com o Chouriço” mostram já Quim Barreiros a assinar temas em que usa os ensinamentos que ele tinha recolhido junto dos cantadores ao desafio e da riquíssima tradição oral que trouxe até aos nossos dias muitas rimas picantes e trocadilhos que, muitas vezes, tanto podem ser lidos de trás para a frente como de frente para trás, salvo seja.

E é já armado com um enorme acervo de temas folclóricos, canções populares e composições próprias que Quim Barreiros se atira, a partir de 1976, a uma nova aventura: a conquista do circuito de festas dos emigrantes portugueses nos Estados Unidos e Canadá, numa primeira fase, e no Brasil e na Europa, depois. Um ano depois é editado no mercado norte-americano o álbum Dance com o Famoso Super-Trio. Diz Quim Barreiros: “O que era o Super-Trio? Quando fiz as minhas digressões anteriores na América do Norte, eu percebi que as comunidades portuguesas gostavam muito da minha música e da música do Francisco José, etc, mas faltava ali qualquer coisa. E o que faltava? O bailarico. Então o que é que eu fiz? A partir de 1976, mais coisa menos coisa, arranjei um baterista – o Nucha, que ainda agora me acompanha e um cantor – o Raimundo – e parti para os Estados Unidos e o Canadá, onde fizemos espetáculos para os emigrantes em dezenas de sítios diferentes desses países, de norte a sul, de leste ao oeste. Eu fazia um concerto com o meu reportório normal e, depois, arrumavam-se as cadeiras e as pessoas dançavam, já com o Super-Trio, e era para isso que ia outro cantor: enquanto eu tocava acordeão, o Raimundo cantava êxitos portugueses, brasileiros, latino-americanos...”. Outras parcerias que Quim Barreiros desenvolveu na segunda metade dos anos 70 levaram-no a gravar igualmente com artistas como Pereira d’Apúlia, Dulce de S. Marta, Armando Marinho ou Manel de Samonde.

O início dos anos 80 vai encontrar Quim Barreiros a frequentar ainda esse enorme, embora difícil, circuito da emigração enquanto dá concertos e anima bailaricos pelas feiras e romarias de Portugal. Porque, diz, “era muito mais lucrativo fazer as festas dos emigrantes. Eu alugava um furgão e lá ia com o Trio e os instrumentos de cidade em cidade. Quando estávamos nos Estados Unidos aproveitávamos e também íamos às Caraíbas, às Antilhas Holandesas, a todo o sítio onde houvesse emigrantes portugueses. E na Europa era a mesma coisa: batíamos França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Holanda...”. Em 1981 é editado o álbum Dance com Quim Barreiros e o seu Super-Trio, onde havia versões de temas populares – e muitos deles com um inusitado ritmo disco-sound – como “Canção do Beijinho”, “Amanhã de Manhã” ou “Eu Tenho Dois Amores”.

Mas é também no início dessa década que Quim Barreiros vê a sua música – que até aí era essencialmente e intrinsecamente de inspiração portuguesa – abrigar um outro género, este de origem brasileira: o forró. É ele que nos conta a história: “O facto de usar muitos temas brasileiros, de compositores de forró, deve-se a eu muitas vezes estar em digressão e, quando estou em digressão, não tenho tempo para compor: Uma vez estava no Rio de Janeiro com a minha mulher, no Barril 1800 – um restaurante de um casal nosso amigo, português, na Praia de Ipanema – e o Luís Gonzaga, que é considerado o maior acordeonista brasileiro de sempre, ouviu-me tocar e disse-me: “Você tem que ir ao Nordeste brasileiro, que os sanfoneiros de lá têm uma música que é muito parecida com essa que você toca”. E é verdade: eu fui até lá, fiz amizade com gente do forró e de outros géneros nordestinos, e aquela música tem tudo a ver com a nossa música portuguesa”. A partir daí, muitos dos mais afamados compositores de forró começaram a enviar as suas composições para Quim Barreiros, que as adaptasse – “dou-lhes um ritmo mais português”, diz – e as tornasse suas. O primeiro (e enorme) êxito de Quim Barreiros importado do Brasil foi “Bacalhau à Portuguesa”, editado em 1986, no mesmo álbum em que também apareciam outros clássicos como “Curso de Dactilografia”, “Comprar sem Poder” ou “Picada de Enfermeiro”. Entre os compositores e sanfoneiros brasileiros mais usados por Quim Barreiros contam-se Zenilton (autor de “Bacalhau a Portuguesa” e “O Grilinho”, entre outros), Amazan (autor de “A Cabritinha”) ou Edmar Neves / Jairo Góis (“A Garagem da Vizinha”).

Estes e muitos outros temas cantados por Quim Barreiros – da sua autoria ou não – nas últimas décadas, fizeram dele um dos artistas mais amados do nosso país. Entre dezenas de outros exemplos podem citar-se “Mestre de Culinária”, “Os Bichos da Fazenda”, “A Coisa”, “Dar ao Apito”, “Ela Estava Contusa”, “Nunca Gastes Tudo”, “Quem Pode, Pode”, “Deixa Botar Só a Cabeça”, “Riacho da Pedreira”, “O Ténis”, “Os Pêlos do Coelhinho”, “O Peixe”, “O Poder”, “O Brioche da Sofia” ou o recente e polémico “Casamento Gay”. E, se bem que muitas vezes desprezado pela crítica musical instituída e malvisto por algumas elites culturais, Quim Barreiros é – desde meados dos anos 80 – o artista favorito de muitas associações académicas que, ano após ano, o solicitam para abrilhantar as suas Queima das Fitas e Semanas académicas. Com uma carreira de sucessos imparáveis, que fazem dele ainda hoje uma presença híper-requisitada em inúmeros locais do país e do estrangeiro, Quim Barreiros é capaz de ser também o cantor nacional que mais clones deixou na música portuguesa. E basta ver a quantidade de acordeonistas/cantores que o tentaram imitar – no estilo, na fórmula, nas letras ou até no guarda-roupa – para se aquilatar a sua importância na nossa cultura popular.

Numa entrevista publicada pelo jornal Expresso (em 2004), o musicólogo José Alberto Sardinha – responsável pela recolha e pela catalogação de inúmeras expressões musicais tradicionais portuguesas e autor do polémico livro A Origem do Fado – aponta Quim Barreiros como o legítimo continuador das nossas mais profundas e ancestrais tradições musicais: “Há um fenómeno que merecia um grande estudo que é o caso do Quim Barreiros: um cantor tradicional que herdou toda a tradição da música minhota e que cria de acordo com os parâmetros que lhe foram fornecidos pela tradição. Só que ainda ninguém reparou nisso. Os intelectuais acham aquilo uma «pimbalhada» (aliás, o divórcio entre os intelectuais e o povo permanece - se calhar, se vivessem há cem anos achariam a música popular da época «pimba», embora, agora, como é «antiga», já gostem...), mas ele tem criações onde, por exemplo, se identifica perfeitamente a estrutura musical do malhão do Norte que ele recriou. Com letras, em parte, fornecidas pela tradição. Aquela do «bacalhau», se for ao Leite de Vasconcelos, está lá, é uma quadra popular do fim do século XIX! Era preciso estudar musicalmente tudo isso. Eu tenho discos do Quim Barreiros, comecei a coleccioná-los. E, um dia, se tiver tempo, hei-de escrever sobre isso.”

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