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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO VIRA PRAÇA DO CAVAQUINHO

A Fundação INATEL levará a efeito no dia 16 de Setembro 2018, pelas 17h30, com o apoio do Município de Viana do Castelo, a II edição da PRAÇA DO CAVAQUINHO. O evento decorrerá na Praça da República de Viana do Castelo e conta com a atuação de 3 grupos de cavaquinhos filiados na Fundação INATEL.

A II edição do evento é apadrinhada pelo músico Sérgio Mirra.

Visite Viana do Castelo e a sua PRAÇA DO CAVAQUINHO!

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CASA DO MINHO DO RIO DE JANEIRO ESTEVE EM VIANA DO CASTELO POR OCASIÃO DAS FESTAS DA SENHORA D'AGONIA

Casa do Minho do Rio vai a Viana do Castelo e vê multidão durante festa da Agonia

Perto de um milhão de pessoas estiveram presentes este ano na tradicional festa em honra de Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo. A festividade, considerada a “Rainha das Romarias de Portugal”, aconteceu de 17 a 20 de agosto e contou, além da diversificada programação, com outro grande atrativo: a edição 2018 homenageou a Casa do Minho do Rio de Janeiro. Agostinho dos Santos, presidente dessa entidade luso-brasileira, foi recebido em Viana pelas autoridades portuguesas na condição de presidente da Comissão de Honra das Festas.

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O evento ficou marcado por momentos únicos e de emoção, como o Desfile da Mordomia, que apresentou número recorde de participantes; a Festa do Traje, apresentação única de toda a cultura da região; a Procissão ao Mar, que completou 50 anos de realização; e o Cortejo Histórico e Etnográfico, uma verdadeira mostra da história, usos e costumes do Minho.

Programação eclética

A cidade minhota proporcionou várias atividades no âmbito da festa, como a XVII Exposição e Feira de Artesanato, espetáculos e concertos musicais, Grande Feira, a imponente Revista de Gigantones e Cabeçudos, Festival de Grupos Folclóricos, terceira Regata Internacional, Festival de Concertinas e Cantares ao Desafio, Procissão Solene e a colorida apresentação dos Tapetes Floridos.

Um dos momentos mais aguardados pelo público, a Serenata, foi adiada devido à Declaração de Situação de Alerta decretada pelo Governo português, em virtude das elevadas temperaturas no País, já que havia risco de incêndios florestais com consequências graves. Dessa forma, a Serenata foi realizada no dia 25 de agosto, à meia-noite, num grande espetáculo pirotécnico.

O cartaz da Romaria de 2018, de autoria de Helena da Costa Morais Soares e de Sara Moreira da Costa, foi também um ponto alto da festa. O trabalho apresentou como modelo a jovem Maria João Mimoso Soares, que se trajou de mordoma. Em entrevista à nossa reportagem, Maria João contou estar “muito feliz com essa oportunidade e que é uma honra ser um dos destaques na famosa Romaria”.

Cortejo memorável

Utilizando carros alegóricos, trajes folclóricos, muitas cores, música, alegria e até petiscos locais, o Cortejo Histórico e Etnográfico mostrou uma sociedade unida na preservação da sua cultura. Durante um longo desfile, cada freguesia e grupo folclórico teve a oportunidade de revelar o seu passado, a sua arte e a sua forma de ser, tudo num ambiente de muita descontração e seguido de perto por centenas de pessoas.

Presente nessa celebração, o ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, elogiou o Cortejo e destacou que essa é uma oportunidade de ver “parte importante dos maravilhosos trajes de Viana e do patrimônio extraordinário da região”.

Já o presidente da Câmara Municipal de Viana, José Maria Costa, referiu ter assistido ao Cortejo com muita alegria e entusiasmo, uma vez que este é um momento magnífico da rainha das romarias, marcado por uma grande participação popular. Este responsável assegurou ainda que a estimativa de visitantes ao longo dos quatro dias de festa foi de 1 milhão de pessoas.

Por sua vez, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Viana e presidente da empresa Vianafestas, Maria José Guerreiro, destacou a presença de mais de três mil pessoas somente no Cortejo, que durou mais de duas horas.

Recorde de participantes

O Desfile da Mordomia bateu, este ano, todos os recordes, com a participação de 636 participantes. Pela primeira vez, as inscrições para o Desfile foram feitas através de uma plataforma online, o que permitiu perceber que a idade que garantiu o maior número de inscrições foram os 16 anos, demonstrando o fato de a rainha das romarias ser, cada vez mais, uma festividade que atrai a juventude.

As mais de seis centenas de mulheres participantes são provenientes de Portugal, França, Luxemburgo, Reino Unido e Brasil. De território nacional participaram mulheres de nove distritos: Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Porto, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu.

Segundo fontes, o Desfile da Mordomia é o “cumprimento” da organização da Romaria às entidades oficiais e à população, acontecendo sempre na sexta-feira da festa. As mordomas desfilam pelas principais ruas da cidade, mostrando os mais belos trajes das freguesias de Viana do Castelo. Neste dia, as mordomas usam também variadas peças de ouro, algumas seculares, para admiração de todos aqueles que assistem ao Desfile. Desde 2013 que as mulheres da Ribeira de Viana do Castelo, com os seus trajes de varina, participam também no Desfile da Mordomia, com a mesma postura e orgulho.

Reconhecimento

A nossa reportagem acompanhou Agostinho dos Santos durante o seu deslocamento a Viana do Castelo. Na condição de presidente da Comissão de Honra da Festa, e debaixo de forte calor, Agostinho participou em todos os principais pontos da programação. Acompanhou, a pé, todo o percurso do Desfile da Mordomia, da Procissão Solene e, em terra, da Procissão ao Mar, além de seguir viagem numa embarcação ao lado das autoridades portuguesas. Apesar do cansaço, o presidente da Casa do Minho estava orgulhoso e emocionado com a honraria recebida. Agostinho foi saudado por autarcas, ministros, vereadores e pelos responsáveis religiosos da festa da Agonia. Assistiu na primeira fileira à imponente Festa do Traje, no Centro Cultural de Viana do Castelo, e, da tribuna de honra, ao famoso Cortejo Etnográfico.

Por onde andava, Agostinho encontrava amigos, empresários, membros da comunidade luso-brasileira e nomes ligados ao folclore minhoto. Ouviu diversos elogios sobre a importância da Casa do Minho no cenário de promoção da cultura portuguesa no Brasil.

“Foi muito bom estar em Viana e vivenciar, de uma forma diferente, a festa da Agonia. Poder participar ao lado das autoridades e ver o público reconhecendo o potencial da Casa do Minho no Rio não tem preço. Estou feliz e grato pela oportunidade”, sublinhou Agostinho.

“Agostinho dos Santos é uma pessoa muito querida por nós, já que promove, e bem, a imagem do Minho, em especial a de Viana do Castelo, no Brasil”, sublinhou José Maria Costa.

“Foi importante termos em Viana, durante a festa da Agonia, a presença do senhor Agostinho”, finalizou a vereadora da cultura vianense.

Em visita à Fundação Santoinho, Agostinho dos Santos foi recebido com festa pelo proprietário e empresário Valdemar Cunha, e pela sua família, num encontro de amigos. Valdemar reconhece em Agostinho um defensor contundente da cultura minhota.

“Sei que na Casa do Minho do Rio existe uma grande festa em homenagem à Quinta de Santoinho e isso nos deixa orgulhosos e alegres”, comentou Cunha.

Interesse turístico

A Romaria d’Agonia junta-se à história da igreja d’Agonia. Data de 1674 a história da igreja em honra da padroeira dos pescadores. Na altura, foi edificada uma capela em invocação ao Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário e, um pouco acima, uma capelinha devota a Nossa Senhora da Conceição.

Hoje, o nome da Santa está associado à rainha das romarias e às múltiplas tradições da maior festa popular de Portugal: a romaria em honra de Nossa Senhora da Agonia, nascida em 1772 da devoção dos homens do mar vindos da Galiza e de todo o litoral português para as celebrações religiosas e pagãs, que ainda hoje são repetidas anualmente na semana do dia 20 de agosto, feriado municipal. A Romaria d’Agonia recebeu em 2013 a Declaração de Interesse para o Turismo.

“A Procissão ao Mar e as ruas da Ribeira, enfeitadas com os tapetes floridos, são testemunhos da profunda devoção religiosa. A etnografia tem o seu espaço nos desfiles do Cortejo Etnográfico e na Festa do Traje, onde se pode admirar os belos trajes de noiva, mordoma e lavradeira, vestidos por lindas minhotas que ostentam peitos repletos de autênticas obras de arte em ouro. A festa continua. Tocam as concertinas e os bombos, dançam as lavradeiras. A grandiosa serenata de fogo de artifício ilumina toda a cidade, começando pela ponte de Gustave Eiffel, passando pelo Castelo de Santiago da Barra, até ao Templo, Monumento de Santa Luzia. É um abraço dos vianenses a todos que nos visitam no mês de agosto”, referiram os responsáveis pela festa.

“A Romaria traz-nos, ano após ano, um variado conjunto de momentos únicos, de festa, tradição e amor à nossa cidade e região. Em 2018, para além de assinalarmos os 140 anos da célebre Ponte Eiffel sobre o Rio Lima, que veio reforçar a união entre ambas as margens do concelho, também esta serve como uma ponte entre a romaria do presente e as festas do passado; este ano recordamos também os 50 anos da Procissão ao Mar. Foi no ano de 1968, que se realizou a primeira Procissão ao Mar em Honra de Nossa Sr.ª d’Agonia, no dia da padroeira, a 20 de agosto. A gênese de um dos momentos de maior fé e devoção da romaria atual surge como resposta à imposição de realizar a Procissão Solene na sexta-feira mais próxima ao dia da Santa. Assim, após a iniciativa do Monsenhor Daniel Machado, de organizar a ida ao mar da imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima em 1962, as gentes da Ribeira tomaram a iniciativa de no dia 20 de agosto de 1968 levarem também a sua Santa ao mar. E assim começou a Procissão ao Mar”, contaram os organizadores.

Ligação com outras cidades

Como forma de aproximar Viana do Castelo de outras cidades do mundo com linhas culturais semelhantes, José Maria Costa assinou, durante a festa da Agonia, um acordo de geminação com o Rio de Janeiro, na presença da vereadora luso-brasileira Teresa Bergher.

“A ideia é apostar no intercâmbio em diversos setores, como no turismo, além de ampliar os laços entre as duas cidades e promover programas e projetos de intercâmbio cultural, artístico, musical e desportivo para desenvolver o conhecimento recíproco de atividades que aproximarão os cidadãos”, revelaram José Maria Costa e Teresa Bergher.

O presidente da Câmara de Viana considera a geminação uma “diplomacia entre cidades irmãs” e afirma ser necessário um aprofundamento do setor turístico, identificando formas de cooperação para que “os cariocas visitem Viana do Castelo”.

Esse acordo de geminação foi também assinado no Rio de Janeiro no último mês de março, na Casa do Minho carioca.

Na opinião de Teresa Bergher o encontro em Viana aconteceu numa “fase excepcional no turismo” do concelho e “tem tudo para que haja uma aproximação entre Viana do Castelo e a cidade maravilhosa”.

Ainda durante a festa da Agonia, o município de Viana assinalou os 20 anos de geminação com Hendaye, na França, numa sessão comemorativa na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal da cidade, com a presença do maire de Hendaye.

Imagens feitas na festa da Agonia deste ano serão tratadas em formato de documentário no Brasil e também numa exposição de fotografias no Rio de Janeiro.

Fonte: Igor Lopes / https://www.mundolusiada.com.br/

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FOTÓGRAFO FRANCÊS HENRI CARTIER-BRESSON DEIXOU-NOS REGISTOS DE BARCELOS E VIANA DO CASTELO EM 1955

Mestre Henri Cartier-Bresson visitou Portugal em 1955 e deixou-nos excelentes registos fotográficos de várias regiões do país como Lisboa, Porto, Nazaré, Alentejo e, como não podia deixar de ser, excelentes imagens do Minho, mais concretamente de Barcelos e Viana do Castelo. As fotos pertencem à Fondation Henri Cartier-Bresson, sediada em Paris.

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Nascido em 1908, em Chanteloup-en-Brie, uma comuna francesa da região de Íle-de-France, no seio de uma família abastada ligada à indústria têxtil, Henri Cartien-Bresson veio a interessar-se pela fotografia no início da década de trinta, inspirado na fotografia “Três Rapazes no Lago Tanganica”, da autoria do fotógrafo húngaro Martins Munkácsi, publicada em 1931 na revista “Photographies”

Após a segunda guerra mundial, fundou a agência fotográfica Magnum e passou a trabalhar para revistas de renome como a Life e a Vogue para registar grandes acontecimentos mundiais. São dele, imagens únicas que registam a vida na antiga URSS, após a Revolução Cultural na China, os eunucos chineses que serviam a família do imperador e os últimos dias de vida de Gandhi.

Henri Cartier-Bresson morreu em 2004, aos 95 anos de idade, em Montjustin, uma comuna francesa na região dos Alpes da Alta Provença.

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VIANA DO CASTELO É A PRAÇA DO CAVAQUINHO

A Fundação INATEL leva a efeito no dia 16 de Setembro 2018, pelas 17h30, com o apoio do Município de Viana do Castelo, a II edição da PRAÇA DO CAVAQUINHO.

O evento decorrerá na Praça da República de Viana do Castelo e conta com a atuação de 3 grupos de cavaquinhos filiados na Fundação INATEL, conforme descrito no programa em anexo.

A II edição do evento é apadrinhada pelo músico Sérgio Mirra.

Visite Viana do Castelo e a sua PRAÇA DO CAVAQUINHO!

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HAVEMOS DE IR A VIANA – Ó MEU AMOR DE ALGUM DIA

Ainda se ouve ao longe o estalejar do fogo-de-artifício das festas da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo e não me sai da lembrança os rostos belos e jeitos graciosos das mulheres vianenses, cheias de cheira nos seus trajes tradicionais, desfilando pelas ruas da cidade que um dia alguém a baptizou como a Princesa do Lima.

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Aninhada aos pés de Santa Luzia, tendo a banhar-lhe as águas do rio Lima e do Oceano Atlântico, Viana do Castelo é terra de mil encantos, na sua paisagem, arquitectura, o brilho e a postura – não podia, pois, deixar de deslumbrar o visitante com a beleza e o encanto das suas gentes, a simpatia do povo, o seu espírito festivo e a beleza única das suas moças, porventura as mais belas de Portugal!

Os zés pereiras já rufam ao longe os seus bombos para os lados de Ponte de Lima e Vila Praia de Âncora – são as Feiras Novas e da Nossa Senhora da Bonança a fechar o ciclo das grandes romarias do Alto Minho. Mas, para o ano, como diz o poeta, “Havemos de ir a viana”!

Se o meu sangue náo me engana

Como engana a fantasia

Havemos de ir a viana

Ó meu amor de algum dia

Ó meu amor de algum dia

Havemos de ir a viana

Se o meu sangue não me engana

Havemos de ir a viana

Fotos: Sérgio Moreira & Sílvia Moreira

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AGENDA CULTURAL DE LISBOA DESTACA O TRABALHO QUE O VIANENSE JOÃO ALPUIM BOTELHO ESTÁ A DESENVOLVER COMO DIRECTOR DO MUSEU BORDALO PINHEIRO

“Estamos muito orgulhosos! O nosso excelente director, João Alpuim Botelho, está na Agenda Cultural de Lisboa a sublinhar o trabalho a que se dedica, à cabeça de uma equipa igualmente empenhada em estudar e divulgar, incansavelmente, a obra de Bordalo Pinheiro!

Porque, como nota, "acontece que o Bordalo tem relação praticamente com tudo: através da sua postura e da variedade das suas intervenções no jornalismo, na cerâmica, no desenho e no humor, é muito fácil encontrar pontes para falar de situações actuais".” – é com estas palavras que a equipa de museólogos que trabalha no Museu Bordalo Pinheiro felicita o seu director, o vianense João Alpuim Botelho.

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O Dr. João Alpuim Botelho é actualmente o director do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa. Antes foi o responsável pelo Museu do Traje, em Viana do Castelo. Sempre disponível para colaborar com as gentes minhotas na promoção da nossa região, proferiu no ano passado, em Loures, a convite do Grupo Folclórico Verde Minho, uma conferência subordinada ao tema “O Uso do Traje à Lavradeira: os Afectos e as Regras”.

Editada pela Câmara Municipal de Lisboa, a edição de Setembro da Agenda Cultural de Lisboa – portanto acabadinha de sair! – confere o merecido destaque ao vianense Dr. Alpuim Botelho.

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João Alpuim Botelho nasceu em 1967, em Viana do Castelo. Licenciado em História (FLL, 1989), possui o Mestrado em Museologia, tendo defendido uma tese sobre “Panorama Museológico do Alto Minho” (U.N.L., 2007).

Desde 1991, trabalha na Câmara Municipal de Viana do Castelo e, desde 1999, foi responsável pelo Museu do Traje, criado em 1997, com a gestão e direção da instalação e processo de adesão à Rede Portuguesa de Museus concluído em 2004.

No âmbito da sua atividade no Museu do Traje realizou cerca de 20 exposições de temática etnográfica, ligada à investigação e pesquisa da vida rural tradicional e da identidade alto minhota.

Publicou, entre catálogos e artigos, cerca de 50 trabalhos sobre a mesma temática. Destes trabalhos relevo a edição de Uma Imagem da Nação, O Traje à Vianesa, com Benjamim Pereira e António Medeiros (ed CMVC, 2009)

Ainda no âmbito dos Museus desenvolvi um conjunto de Núcleos Museológicos situados nas freguesias do Concelho de Viana do Castelo, que dispõe de cinco em funcionamento (Moinhos de Vento de Montedor, em Carreço; Moinhos de Água, em S.L. Montaria; do Pão, em Outeiro; do Sargaço, em Castelo de Neiva; das actividades Agro-Marítimas, em Carreço) estando esta rede em permanente alargamento.

Desde Julho de 2009 sou Chefe de Divisão de Museus da Câmara Municipal de Viana do Castelo, tendo a meu cargo dois Museus que integram a Rede Portuguesa de Museus: o Museu de Arte e Arqueologia e o Museu do Traje

Iniciou a sua vida profissional no Centro Nacional de Cultura com Helena Vaz da Silva, no Dep de Divulgação Patrimonial em 1990/91. Entre 1995 e 2002 deu aulas no Curso de Turismo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPVC de História de Artes e Ofícios Tradicionais, Animação Cultural e Património e Museologia.

Entre 2002 e 2005, foi Diretor Executivo da Culturporto – associação de produção cultural privada, financiada pela Câmara Municipal do Porto, responsável pela gestão do Teatro Rivoli e pela Animação da Cidade. Durante este período, e para além da atividade normal do teatro Rivoli, organiza o projeto Bairros - projeto de criação artística com crianças de bairros desfavorecidos, a Festa na Baixa, conjunto de atividades de animação e divulgação do património da Baixa do Porto, o Capicua 2002, Ciclo de programação comissariado por Eduardo Prado Coelho, o Pontapé de Saída, ciclo de programação de encontro entre as artes e o futebol, no âmbito do Euro 2004, Colóquio Encenação do Passado, com Marc Augé, Vítor Oliveira Jorge, Jorge Freitas Branco, Nuno Carinhas, Abertura da Livraria do Rivoli, primeira livraria do Porto dedicada às Artes de Palco, Fundação da Sem Rede, Rede de Programação de Novo Circo, para a divulgação da disciplina de novo circo, integrada por 13 espaços culturais.

Integrou o Grupo de Trabalho para a Animação da Cidade durante o Euro 2004, criado pela Câmara Municipal do Porto para a coordenação da animação da cidade durante o Campeonato Europeu de Futebol e também a Comissão Executiva da exposição Homenagem a Fernando Galhano: 1904 -1994, na Biblioteca Almeida Garrett, em Novembro de 2004.

Realizou a Exposição Sala do Oriente de José Rodrigues Proposta para uma viagem, no Convento de S. Paio, Vila Nova de Cerveira, em Dezembro de 2006.

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VIANA DO CASTELO: SENHORA D’AGONIA CONDUZIU VIANENSES NA PROCISSÃO AO MAR

Foi com emoção e profunda fé religiosa que as gentes de Viana do Castelo seguiram com devoção Nossa Senhora d’Agonia – a Padroeira dos Pescadores, na Procissão ao mar.

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Após solene celebração eucarística presidida pelo Bispo da Diocese de Viana do Castelo. D. Anacleto Cordeiro, saiu do santuário a tradicional procissão dos homens do mar, transportando os andores de Nossa Senhora da Agonia, Nossa Senhora dos Mares e S. Pedro.

A procissão dirigiu-se ao Cais dos Pilotos onde foi dada a Bênção ao Mar e ao Rio. As embarcações de pesca e de recreio, ricamente engalanadas e lotadas de gente, acompanharam a Padroeira numa manifestação de fé.

No regresso, a procissão percorreu as ruas da Ribeira de Viana do Castelo, decoradas com tapetes de sal e flores, numa cerimónia marcada de intensidade religiosa na qual se sentiu à flor da pele a emoção das gentes vianenses e de todos quantos nos visitam.

Fotos: José Carlos Vieira

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VIANA DO CASTELO: ROMANOS REGRESSAM AO RIO LETHES

- O Rio Lima e a Mitologia Greco-Romana

Aproveitando a ocasião dos tradicionais festejos em honra de Nossa Senhora d’Agonia que se realizaram em Viana do Castelo, eis que os romanos estão de volta à nossa região, atraídos pelos encantos do rio Lima ou do esquecimento – o lendário Lethes da mitologia grega e romana.

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De acordo com as suas crenças ancestrais, o Lethes era um dos quatro rios que banhava o Hades – o infernus para os romanos – o qual deveríamos atravessar a bordo de uma barca tripulada pelo barqueiro Caronte, viagem que deveria ser paga. É pois, em virtude desta crença, que nas necrópoles romanas é frequente encontrar-se uma moeda na boca do defunto a fim de pagar ao barqueiro.

Gil Vicente inspirou-se nestas crenças quando escreveu o “Auto da Barca do Inferno”… e, Dante, associando a Geena que era um local onde, às portas de Jerusalém, a população da cidade depositava e icinerava o lixo e se lançavam os cadáveres daqueles que eram considerados indignos, restos de animais e toda a espécie de imundície. O fogo era mantido aceso com recurso a enxofre.

Tendo Jesus recorrido à imagem do local como símbolo da destruição eterna, passou a ser reconhecido como um local de tormento. Porém, antes de adquirir o novo significado, banhado pelo rio Lethes, o Hades – infernus em latin, seol em hebraico – mais não queria dizer do que um lugar ôco debaixo de terra, literalmente uma sepultura.

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Para os antigos gregos e os romanos, a vida constituía um ciclo de perpétuo renascimento, uma constante passagem da vida para a morte e de novo para a vida. A travessia do rio Lethes pressupunha que, ao nascermos de novo, perdíamos o conhecimento da verdade, algo que, segundo Platão, na sua “Apologia de Sócrates”, poderia ser recuperado através da maiêutica socrática que significa “dar à luz”, através de uma dialética partindo do princípio de que “a verdade está latente em todo o ser humano, podendo aflorar aos poucos através de uma série de perguntas simples, quase ingénuas, porém perspicazes”.

No ano 136 AC, marcharam os exércitos romanos comandados pelo Cônsul Décimo Júnio Bruto a caminho da Galiza. Depois de atravessarem os rios Tejo, Zêzere, Mondego, Vouga e Douro, e tendo atingido as margens do rio Lima – também designado por Bélio – em relação ao qual o historiador e geógrafo grego comparou com o lendário Lethes, o rio do Esquecimento, aí estacaram… ninguém ousava atravessá-lo pois o temor dos soldados era de tal ordem que receavam de se esquecerem da sua Pátria, da sua família e amigos. Segundo a sua mitologia, o rio Lethes era a fronteira para o mundo inferior, o mundo dos mortos.

Após muita insistência junto dos centuriões para que estes convencessem os soldados que ainda estariam longe da tal fronteira para o infernus, num impulso tomou de um soldado o estandarte da Legião encimado pela Águia Imperial e, da outra margem, chamou os soldados pelos seus próprios nomes, convencendo-os desse modo de que aquele não era com efeito o rio do Esquecimento – o rio Lethes.

Quanto à localização próxima do sítio de passagem, é de crer que tenha sido naturalmente o local onde depois construíram a ponte que ligava a estrada militar romana de Braga a Astorga e que foi durante muitos séculos a única a atravessar o rio Lima, mais tarde ponto de travessia a pé enxuto dos peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela, devendo-se ao seu cruzamento com a via navegável a origem da vila que lhe tomou o nome – Ponte de Lima!

Decorridos mais de dois milénios da sua chegada às margens do rio Lima, os romanos voltaram, desta feita para desfilar no Cortejo Histórico das Festas em Honra de Nossa Senhora d’Agonia. Porque, apesar do mito, eles realmente nunca esqueceram os seus campos férteis e a paisagem inebriante da nossa região!

Texto: Carlos Gomes / Fotos: José Carlos Vieira

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VIANA DO CASTELO: EM TERRA DE PESCADORES OS TAPETES SÃO DE SAL!

Na Ribeira de Viana do Castelo, as gentes do mar espalharam pelas ruas trinta toneladas de flores e sal, tingidas de cores garridas, apresentando motivos marítimos e religiosos. Trata-se de uma tradição com mais de meio século e a “faina” dura até de madrugada, fazendo lembrar a azáfama dos pescadores noite dentro em alto mar a substituir as redes para trazer o peixe que é o pão destas gentes.

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A rua Frei Bartolomeu dos Mártires dedicou o seu tapete à Senhora d'Agonia, desenhando-a no piso com um manto a cobrir a sua extensão. No Largo Infante D. Henrique, os moradores dispensaram o sal para cobrir o largo de flores. E, após a Procissão ao Mar na qual o andor da Senhora d’Agonia seguiu a bordo da embarcação “Sempre em frente”, os devotos caminharam atrás da Padroeira pisando os tapetes de sal. Tal como de sal é feita a vida das gentes do mar – dos pescadores e marinheiros de Viana do Castelo!

Fotos: José Carlos Vieira

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O ESCUDO REAL NO AVENTAL DA MORDOMA: O BOM EXEMPLO DO DESFILE ETNOGRÁFICO EM VIANA DO CASTELO!

Nos finais do século XIX e começos do seguinte, as bordadeiras vianenses e minhotas em geral reproduziam no traje e outras peças aquilo que viam em seu redor. Inspiravam-se naturalmente nos motivos barrocos que contemplavam nas igrejas – recorde-se que nesse tempo a missa era celebrada em latim! – nos símbolos nacionais e outros elementos decorativos ou emblemáticos em monumentos antigos como sucedeu com o galo de Barcelos.

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As bordadeiras, tal como outros artesãos, jamais podiam reproduzir motivos artísticos que não conheciam, tal como os símbolos heráldicos das freguesias e concelhos na sua forma actual porque estes apenas foram criados a partir da década de trinta do século passado. Não obstante, eles têm surgido de forma cada vez mais frequente em aventais de trajes alegadamente folclóricos, por vezes com um colorido que jamais existiu no traje tradicional.

Não raras as vezes, deparamo-nos com o brasão do concelho ou da freguesia “estampado” num avental de mordoma, copiando grosseiramente o estilo autêntico do traje tradicional. O mesmo se passa por vezes com os dizeres à cintura. Por este andar, se tal tendência não for contrariada, ainda haveremos de ver a publicidade das entidades patrocinadoras expostas nos ditos aventais…

Foto: José Carlos Vieira