Este sábado, no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Viana do Castelo apresentou o livro "Uma viagem sem regresso: Os que pela Pátria deram a vida", publicação sobre os 41 vianenses que sucumbiram por terras africanas.
A obra agora lançada, redigida por Rodrigo André Vitorino Vaz, recorda os combatentes do concelho de Viana do Castelo que morreram na Guerra do Ultramar. Com prefácio de Pedro Lauret, Capitão de Abril e membro do MFA, permite, assim, eternizar, aqueles que de Viana do Castelo partiram e não regressaram.
Na apresentação do livro, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, considerou que a Guerra do Ultramar provou “uma ferida social que continua, ainda hoje, a estar muito presente nas famílias portuguesas”.
“A vida destes militares foi interrompida e, a maioria deles, quando regressou, regressou condicionado a algum nível”, afirmou. Por isso mesmo, o autarca considerou “crucial” interpretar “o que foi esta guerra e as consequências que trouxe para a sociedade portuguesa”.
“Este é um livro de qualidade, de profundidade e enorme dedicação que traz o reconhecimento que faltava aos nossos combatentes”, assegurou ainda.
Já o Vereador da Cultura, Manuel Vitorino, explicou que a obra, cuja apresentação se insere no “Ler em Viana” e no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, foi coordenada por um jovem vianense, Rodrigo Vaz, natural de Castelo do Neiva, com experiência em obras sobre ex-combatentes, já que esta é a sua terceira publicação dedicada ao tema.
O livro "Uma viagem sem regresso: Os que pela Pátria deram a vida" foi apresentado por José Luís Carvalhido da Ponte, ex-combatente na Guiné-Bissau, que expressou a vontade de que esta obra “nos faça pensar e que ajude alguns a fechar esta porta, para que se apaziguem consigo mesmo e com África”.
O autor, Rodrigo Vaz, indicou que, nos treze anos de guerra, entre 1961 e 1974, cerca de 1 milhão de jovens foi mobilizado e cerca de 10.000 portugueses tombaram em África, para além de terem sido registados 30 mil feridos com consequências físicas e traumas de guerra.
“A recolha de testemunhos de portugueses que participaram no conflito é fundamental para compreendermos as experiências de guerra e para registarmos a voz de quem nunca teve voz”, assegurou o escritor, recordando os 40 militares vianenses do Exército e 1 vianense da Marinha que pereceram na guerra.
Em representação do Chefe do Estado-Maior do Exército, o Major-General Francisco Fonseca Rijo realçou “o notável esforço de pesquisa, nomeadamente no Arquivo do Exército, que esta publicação representa, contribuindo para o perpetuar da memória destes militares que serviram Portugal”.
António Lourenço de Sousa Lobato, nascido em 11Mar38 na aldeia minhota de Sante (freguesia de Paderne, no concelho de Melgaço): em 26Jul61, sendo 1º Sargento piloto-aviador da Força Aérea Portuguesa, chega à Guiné e fica colocado no AB2-Bissalanca; na manhã de 22Mai63, quando em missão operacional sobre a região litoral centro-oeste da Guiné, após forçada aterragem no mato, é capturado pelo PAIGC e mantido cativo na República da Guiné-Conackry, vindo a ser em 22Nov70 resgatado - com outros 25 portugueses - no decurso da Operação Mar Verde, após o que regressa a Portugal; actualmente Major da Força Aérea Portuguesa, na situação de reforma.
"Liberdade ou Evasão"
título: "Liberdade ou Evasão - o mais longo cativeiro da guerra"
autor: António Lobato
editor: Erasmos
1ªed. Amadora, 16Dez1995
214 págs (incluindo anexo documental)
24x17cm
preço: (original 2.500$00)
dep.leg: PT-96198/95
ISBN: 972-8301-07-3
Com o subtítulo "O mais longo cativeiro da guerra", este impressionante documento humano relata os longos anos em que o piloto aviador Lobato esteve prisioneiro na Guiné Conakry, após ser capturado pelas forças do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), durante a chamada "Guerra Colonial", que opôs Portugal às suas antigas colónias de África.
Ao longo de 200 páginas, o livro refere o drama físico e psicológico vivido por um jovem militar português, que durante mais de sete anos foi capaz de suportar um isolamento extremo num cubículo de dimensões exíguas, em condições sub-humanas, mas sem perder a esperança de alcançar de novo a liberdade. Aliás, por três vezes se evadiu, tendo a última escapadela durado ainda uma curta semana, mas tão longa para quem durante dias e meses a fio permanecia confinado numa fortaleza sombria e claustrofóbica.
Mas o aspecto talvez mais saliente neste testemunho heróico tem a ver com a reflexão interior que o protagonista deste drama nos dá a conhecer, durante as longas horas que era obrigado a permanecer quase estático num espaço acanhado de quatro por dois passos, na medida do próprio autor. Sem a vastidão ilimitada do céu por onde se habituara a voar, Lobato é forçado, para sobreviver psiquicamente a essa provação extrema, a explorar uma outra dimensão ainda ignota: a do seu próprio ser interior do qual vai aprender a conhecer os limites ou, melhor ainda, a sua infinita transcendência.
Recusando-se a desistir da vida e escudado na promessa que fez à sua jovem esposa, nos oito meses que ambos passaram na Guiné " "Se algum dia desaparecer não te preocupes, voltarei sempre." " o tenente Lobato estabelece consigo próprio um diálogo interior que lhe conserva a lucidez e o vai ajudar a passar os dias sufocantes e sempre solitários. Ao mergulhar nesta outra dimensão, comum afinal a todos nós, o prisioneiro revela não apenas a força inabalável do seu carácter, moldado também na dura disciplina militar, mas dá-nos sobretudo uma lição de sobrevivência e da admirável capacidade que o Ser Humano tem de se adaptar às condições mais inóspitas e adversas. Deste modo, e como ele próprio afirma, foi esta vitória sobre si próprio que o salvou e simultaneamente enriqueceu como Pessoa, fazendo jus às palavras milenares de Buda, que a proclamou como "a maior de todas as vitórias".
O livro baseia-se não só nas recordações do seu autor, mas também nos apontamentos que ele escreveu durante o cativeiro, quando outro preso importante de uma cela contígua lhe forneceu papel e lápis, o que permitiu inclusive o envio clandestino de algumas cartas para a família, e até informações sobre a prisão e várias outras de carácter militar. Parte destes documentos, incluindo desenhos da topografia local e um esboço do Forte de Kindia, encontram-se reproduzidos nas 26 páginas do anexo final do livro.
E é só em Novembro de 1970, que a operação secreta "Mar Verde", durante muito tempo não admitida oficialmente pelo governo português, põe fim ao longo cativeiro de Lobato e outros jovens militares portugueses, entretanto capturados pelos combatentes guineenses.
O regresso à Pátria e à família é apenas ensombrado por essa obrigação de não revelar o "modus operandi" da libertação, a qual é apresentada como uma fuga bem sucedida, já que o segredo de Estado assim o determina. Em suma, trata-se de um relato empolgante pela sua veracidade e que nos revela a faceta oculta da nossa própria humanidade, quando confrontados com situações limite em que apenas nos podemos valer de nós mesmos e de mais ninguém. Uns desistem e abandonam-se ao desespero e à negação, mas outros sempre acalentam o eterno sonho da liberdade recuperada, se não nos espaços exteriores, pelo menos na ampla vastidão do querer indómito de uma alma que não se verga a nenhuma adversidade, porque em si a Vida sabe!
A Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos (APAM) exigiu, em Bissau, “a devolução da nacionalidade portuguesa aos antigos militares nascidos na Guiné-Bissau que serviram o exército português”.
“Eram portugueses e deixaram de o ser depois do 25 de abril de 1974. Quem defendeu e morreu pela sua Pátria, quem jurou a bandeira portuguesa, quem cantou o Hino Nacional, tem todo o direito de ser reconhecido como cidadão português”, disse Manuel Beninger, presidente dessa entidade.
A APAM, com sede em Braga, homenageou, numa cerimónia realizada na sede da Associação dos Ex-Combatentes das Forças Armadas Portuguesas (ADECOFARP), os antigos soldados nascidos na Guiné-Bissau, antiga Guiné Portuguesa.
O ato contou com a presença do representante do Ministério da Defesa do Governo do país, Carlos Costa, do Adido de Defesa da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, Coronel Carlos Silvestre Oliveira, do representante da Liga dos Combatentes, Coronel Danif, e do presidente da ADECOFARP-GB, Amadu Jau.
Estiveram também presentes no evento, em Bissau, mais de duas centenas de antigos combatentes a quem foi entregue a “Medalha de Honra e Glória ao Mérito Militar” instituída pelo organismo monárquico.
Na sua comunicação, Beninger defendeu que “é imperioso que Portugal dignifique todos os portugueses nascidos na Guiné Portuguesa que lutaram do lado de Portugal”.
“Aproximadamente, 17 mil homens nativos da Guiné integraram o Exército Português, juraram fidelidade à bandeira, cantaram o hino e combateram na chamada ‘Guerra do Ultramar’. Uma guerra para onde Portugal recrutou 1.368 milhões de militares, sendo que 433 mil deles eram africanos nativos de Angola, Moçambique e Guiné”, acentuou Beninger, que recordou, ainda, que, “com a independência, e apesar do compromisso assumido no Acordo de Argel em 1974, os militares nascidos na Guiné Portuguesa, atual Guiné-Bissau, que ingressaram nas forças armadas portuguesas, foram “traídos” pelo país que juraram defender. Abandonados, foram obrigados a fugir e a procurar refúgio. Os que foram capturados por aqueles que lutaram pela independência sofreram torturas e muitos foram fuzilados”.
“Foi feita uma grande injustiça a estes militares que se consideravam e se consideram ainda portugueses. Foram humilhados, ostracizados, muito maltratados a todos os níveis. Roubaram-lhes a nacionalidade, e esse é um direito que nunca lhes devia ter sido retirado”.
“Afinal, em oposição à versão da história que é ensinada nas escolas portuguesas, na Revolução dos Cravos houve muito sangue derramado, só que no continente africano. Quase 50 anos depois, a APAM quer dar voz aos militares portugueses africanos que sobreviveram. Estes militares ainda lutam, mas já não é no campo de batalha. Agora, prosseguem o combate pela nacionalidade portuguesa e pelos direitos que lhes continuam a ser negados”, finalizou Beninger.
PRÉ-PUBLICAÇÃO DO PREFÁCIO DE MANUEL TINOCO: "COURA: MEMÓRIAS DA GUERRA EM ÁFRICA", EDIÇÃO DE MÁRIO CLÁUDIO A LANÇAR NO DIA 25 DE ABRIL DE 2023
Estava triste. Tinha tido pesadelos a noite toda. O Tomé estava no centro dos meus pesadelos. Se o apanhasse à frente matava-o. Não se pode falhar um golo daqueles de baliza aberta. E depois até recuei à primeira mão, onde o Carlos Pereira fez o golo do Magdeburgo, um autogolo na baliza norte de Alvalade, o Diniz falhara um penálti, o Chico tivera um ataque de fúria quando desperdiçou um golo de baliza escancarada e a malta suspirava pelo Yazalde que já tinha partido para o estágio da Argentina, à porta que estava o Mundial de 74.
Mas pronto, já estava preparado para aquela quinta-feira de ressaca da jornada europeia, haveria de ter aula de Físico-Química à primeira hora da manhã e depois talvez faltasse a Inglês para jogar uma bilharada no Jardim Cinema e tentar esquecer o raio do jogo da véspera.
Mas eis que tudo se altera.
Estava a comer a minha tigelada de leite com Ovomaltine, que o 55 passava dali a seis minutos na Duque de Loulé, quando entra na taberna o Drack do Diário de Notícias.
Então, hoje não trabalhas? E ele: andas a dormir, puto? Liga a telefonia e ouve o que se está passar. Era o 25 de Abril a dar em directo das ruas de Lisboa logo às oito da matina, o Joaquim Furtado, o Alfredo Alvela, o Orlando Dias Agudo, o Adelino Gomes.
Cuidado, filho, o melhor é não ires ao Liceu, pode ser perigoso. Mas eu descansava a minha Mãe: não te preocupes, se vir a coisa mal-parada venho logo para casa. E fui.
Apesar da chuva molha-tolos, jogámos à bola a manhã inteira, e eu percebi que já não ia para a guerra. Mãe, já não vou para a guerra! E demos um abraço, peguei nela ao colo e acho que lhe senti as lágrimas no meu ombro.
E pronto, 49 anos depois, seria isto que responderia ao Baptista-Bastos. O Pedro Nunes, o meu amigo Drack, a guerra em África e minha Mãe, eis os pontos obrigatórios do meu 25 de Abril.
Muitos dos meus conterrâneos não tiveram a minha sorte. Jovens que nunca haviam saído da sua terra, do seu canto, viram-se atirados para uma guerra que não mereciam.
Mal tinham acabado a quarta classe, dois tostões num bolso e uma sandes de nada no outro, lá foram defender a pátria, a mesma pátria que nunca lhes oferecera uma luz ao fundo do túnel da sua fraca vida.
Trabalhando dia e noite, tratados com desdém, sem tempo sequer para botar uma lágrima de saudade pela terra ou soltar um dorido lamento, vamos lá defender o que nos dizem ser nosso!
Arriscaram a vida, por lá deixaram saúde e por cá ficava quem lhes queria verdadeiramente bem. Uns não voltariam, outros não mais seriam os mesmos, triste sorte a dos filhos deste deus sem dó nem piedade; este que não era o deus em que criam.
Passados tantos anos, a presença dos courenses na guerra em África é algo que ainda nos marca. Marca quem lá esteve e marca os seus filhos e a sua gente, condicionados ainda hoje pela década negra que amputou a esperança do povo courense num futuro que tardou tanto.
Permita-me o leitor: a autoestima nunca foi uma característica que nos compensasse das agruras por que temos passado, chutados para canto pelos senhores do Terreiro do Paço desde Oitocentos e por aí acima, minando-nos o amor-próprio, fazendo-nos crer que, afinal, essa coisa dos portugueses de segunda é muito mais do que um chavão sempre pronto a burilar qualquer prosa em defesa dos menos protegidos, e que é no conformismo da fé e dentro das paredes da igreja que se resolvem todas as injustiças da vida terrena. Por termos a autoestima amassada e a estilhaçar-se de tantas fissuras, julgávamos que os nossos zarpavam para serem capacho dos outros, chapeuzinho na mão e calças coçadas no cu, desdenhados pela outra gente. Mas não.
A nossa gente, os nossos jovens, os que foram mandados para África, como os que haviam sido enviados para a guerra de 14-18 e todos quantos, afinal, se viram empurrados e tiveram que zarpar rumo ao mundo em busca do que o país lhes negara, foram um exemplo de perseverança e capacidade de trabalho, gente ousada e mais forte que a força do destino malvado, a nossa gente, dizia, somou triunfo atrás de triunfo, vida nova à vida fraca.
Eu reclamo-lhes uma estátua, uma memória que torne imorredoura a sua história; a história da forte gente courense que soube transformar a fraca vida em vida que, afinal, teve futuro.
Celebração do 49º aniversário da democracia portuguesa
No próximo dia 25 de abril, terça-feira, pelas 10h00, Melgaço volta a hastear a bandeira da Câmara Municipal em forma de homenagem e comemoração do 49º aniversário da Revolução dos Cravos.
Seguir-se-á, no Salão Nobre da Câmara Municipal, uma sessão solene onde serão homenageados combatentes melgacenses falecidos na Guerra do Ultramar.
As comemorações findam com a inauguração de uma escultura em homenagem aos combatentes, pelas 12h00, na Alameda Inês Negra
PROGRAMA
10h00 – Cerimónia oficial nos Paços do Concelho
11h00 – Missa solene na Igreja Matriz
12h00 – Cerimónia de inauguração da escultura evocativa dos combatentes da Guerra do Ultramar, na Alameda Inês Negra
Os filmes ‘A Guerra’, de Joaquim Furtado, ‘A Costa dos Murmúrios’, de Margarida Cardoso, e ‘A Metamorfose dos Pássaros’, de Catarina Vasconcelos, integram o ciclo de cinema e audiovisual ‘Memórias da Guerra em África’ com que o Centro Mário Cláudio recupera para este fim de semana de 10, 11 e 12 de março, o ciclo ‘A Guerra em África’ com que desde o ano passado tem trazido a Paredes de Coura exposições, debates e exibições, tendo por referência os conflitos que se travaram nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique.
Com encontro marcado para o Centro Cultural de Paredes de Coura, este ciclo de cinema e audiovisual ‘Memórias da Guerra em África’ para além da projeção dos filmes também contempla o encontro de Joaquim Furtado com Jorge Campos, na tarde de sábado, precedido pela projeção de ‘A Guerra’, bem como de curtas-metragens do ESMAD, Escola Superior de Media Artes e Design, do Politécnico do Porto.
Recorde-se que este ciclo ‘A Guerra em África’ tem o apoio do Município de Paredes de Coura e é complementado por um importante acervo documental facultado pelas gentes courenses, que responderam ao desafio colocado pelo Centro Mário Cláudio com a significativa disponibilização de fotografias, cartas e aerogramas, fardamento e condecorações, além de objetos ilustrativos do quotidiano das tropas.
Com estes testemunhos, fica o registo da forma como, nas famílias dos militares, e já não no teatro bélico, se viveram duas décadas que dolorosamente marcaram a nossa história, individual e coletiva, e bem assim todo o imaginário daí resultante, pelo que as iniciativas que vêm desde outubro do ano passado foram pensadas como pretexto de reflexão e relembrança, e de respeitosa homenagem à memória de quem morreu e sofreu.
Ciclo de Cinema e Audiovisual
10, 11 e 12 de março - Centro Cultural de Paredes de Coura
Programa:
10 de março - 21h30
‘A Costa dos Murmúrios’, de Margarida Cardoso
11 de março - 14h00
‘A Guerra’, de Joaquim Furtado | Sessão de 2 episódios
16h30 - Curtas-Metragens ESMAD
17h00 - Encontro de Joaquim Furtado com Jorge Campos
12 de março - 15h00
A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos
A Costa dos Murmúrios
No final dos anos 60, Evita (Beatriz Batarda) chega a Moçambique para casar com Luís, um estudante de matemática que ali cumpre o serviço militar. Evita rapidamente se apercebe que Luís já não é o mesmo e que, perturbado pela guerra, se transformou num triste imitador do seu capitão, Forza Leal. Quando os homens partem para uma grande operação militar no Norte, Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher de Forza Leal. Submissa e humilhada, Helena é prisioneira na sua casa, onde cumpre uma promessa. É ela quem revela a Evita o lado negro de Luís... Perdida num mundo que não é o seu, Evita apercebe-se da violência de um tempo colonial à beira do fim. "A Costa dos Murmúrios", realizado por Margarida Cardoso, é uma adaptação do romance homónimo de Lídia Jorge, a sua obra mais célebre, que aborda um momento ainda doloroso e com muitas feridas abertas da História de Portugal.
Misturando documentário e ficção, este filme parte da história da família de Catarina Vasconcelos, a realizadora, com especial foco na avó paterna, que nunca chegou a conhecer, e na própria mãe. Nas palavras da realizadora, este é um filme “sobre a mãe do meu pai. A minha mãe. As mães. As mães das mães. As mães das mães das mães. Mas também acerca de um determinado período histórico que eu não tinha vivido: um período tão distinto daquele que vivemos hoje e que temos o dever de não esquecer. É um grande privilégio viver em liberdade”.
Estreado no Festival de Berlim, onde recebeu o Prémio da Crítica Internacional, “A Metamorfose dos Pássaros” tem somado distinções em vários festivais, entre eles o Prémio de Melhor Filme no Festival de Vílnius (Lituânia); Prémio Especial do Júri no Festival de Taipei (Taiwan); Prémio de Melhor Filme no Festival Dokufest (Kosovo); Prémio Zabaltegi – Tabakalera, no Festival de Cinema de San Sebastián (Espanha); Prémio do Público no IndieLisboa; e os prémios do público e de contribuição artística no Festival de Cinema de Curitiba (Brasil). Esta é a estreia em longa-metragem de Vasconcelos, depois da curta “Metáfora ou a Tristeza Virada do Avesso” (2014).
Título original: A Metamorfose dos Pássaros
Género: Biografia/Documentário
Realização: Catarina Vasconcelos
Atores: Manuel Rosa, João Móra, Ana Vasconcelos, Henrique Vasconcelos, Inês Melo Campos, Catarina Vasconcelos, Cláudia Varejão, José Manuel Mendes, João Pedro Mamede
Duração (minutos): 111
Classificação: 12 anos
II Fórum do Mundo Rural – Ruralidade nome feminino
Ainda este sábado, Paredes de Coura acolhe o II Fórum do Mundo Rural. Promovido pelo Laboratório Rural, com esta iniciativa procura-se criar um lugar privilegiado de debate e discussão de ideias sobre os desafios, ameaças e oportunidades que a ruralidade enfrenta.
Este Fórum é dedicado às mulheres que escolhem viver e trabalhar no mundo rural ou para o mundo rural, bem como à agricultura familiar, pelo papel fundamental que desempenham na manutenção das comunidades rurais, das atividades agrícolas, na promoção de sistemas alimentares mais justos e mais sustentáveis e na preservação de patrimónios culturais e naturais dos territórios.
Um painel de mulheres rurais estará presente para partilhar a sua experiência de vida pessoal e profissional, contribuindo assim para promover o reconhecimento das mulheres do mundo rural e para inspirar novos projetos no feminino.
Mobilizado para a Guiné, logo no início da guerra, CÂNDIDO LIMA levou consigo o inverosímil: um piano.
Serão as peças então criadas, em pleno cenário bélico, que o compositor nos dará a ouvir, no sábado, 28 de Janeiro, às 17,30 h., no Centro Mário Cláudio, em Venade, Padedes de Coura.
Trata-se de um evento mais, integrado no ciclo MEMÓRIAS DA GUERRA EM ÁFRICA
Fernando Rosas + Jaime Nogueira Pinto + Jorge Teixeira da Cunha
sáb | 10 dez | 17h30 | CENTRO CULTURAL
É já este sábado, 10 de dezembro, pelas 17h30, que o Centro Cultural de Paredes de Coura reúne importantes personalidades do conhecimento, como Fernando Rosas, Jaime Nogueira Pinto e Jorge Teixeira da Cunha, para abordar as ‘Memórias da Guerra em África’, no âmbito do ciclo ‘A Guerra em África’, que até março de 2023 contempla também exposições, debates com escritores que estiveram na guerra, um ciclo de cinema, além de sessões de leitura de textos, e de troca de opiniões sobre os conflitos que se travaram nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique.
Promovido pelo Município de Paredes de Coura e Centro Mário Cláudio, ‘Memórias da Guerra em África’ tem Carlos Magno como moderador, numa iniciativa que é precedida por uma visita guiada, pelas 16h30, à exposição itinerante do Museu Militar do Porto ‘Testemunhos da Guerra’. Esta visita será acompanhada por Alexandra Anjos, técnica superior daquela instituição militar, que facultou a exposição para este ciclo ‘A Guerra em África’.
Recorde-se que no Centro Mário Cláudio, no lugar de Venade, encontra-se também exposto um importante acervo documental facultado pelas gentes de Paredes de Coura, que responderam ao desafio colocado pelo Centro Mário Cláudio com a significativa disponibilização de fotografias, cartas e aerogramas, fardamento e condecorações, além de objetos ilustrativos do quotidiano das tropas.
‘A Guerra em África’ é um ciclo promovido pelo Centro Mário Cláudio e o Município de Paredes de Coura, que conta com as parcerias do Museu Militar do Porto, Editora Leya e Escola Superior de Media Artes e Design, do Politécnico do Porto. As iniciativas prolongam-se até março de 2023 e foram pensadas como pretexto de reflexão e relembrança, e de respeitosa homenagem à memória de quem morreu e sofreu. Daí que o critério adotado, no desenho desses momentos, fosse o do pluralismo ideológico, e o da harmonização democrática.
Jaime Nogueira Pinto + Fernando Rosas + Jorge Teixeira da Cunha
sáb | 10 dez | 17h30 | CENTRO CULTURAL
Jaime Nogueira Pinto, Fernando Rosas e Jorge Teixeira da Cunha são os convidados da iniciativa ‘Memórias da Guerra em África’ agendada para este sábado, 10 de dezembro, pelas 17h30, no Centro Cultural de Paredes de Coura, no âmbito do ciclo ‘A Guerra em África’, promovido pelo Município e Centro Mário Cláudio.
Carlos Magno é o moderador das ‘Memórias da Guerra em África’, que se insere neste ciclo ‘A Guerra em África’ que se prolonga até março do próximo ano, e que traz a Paredes de Coura exposições, debates e exibições, tendo por referência os conflitos que se travaram nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique.
Precede a iniciativa deste sábado, ‘Memórias da Guerra em África’, uma visita guiada, pelas 16h30, no Centro Cultural, à exposição itinerante do Museu Militar do Porto ‘Testemunhos da Guerra’, por Alexandra Anjos, técnica superior daquela instituição militar.
‘A Guerra em África’ é um ciclo promovido pelo Centro Mário Cláudio e o Município de Paredes de Coura, que conta com as parcerias do Museu Militar do Porto, Editora Leya e Escola Superior de Media Artes e Design, do Politécnico do Porto, dispondo paralelamente de um importante acervo documental facultado pelas gentes de Paredes de Coura, que responderam ao desafio colocado pelo Centro Mário Cláudio com a significativa disponibilização de fotografias, cartas e aerogramas, fardamento e condecorações, além de objetos ilustrativos do quotidiano das tropas, que estão expostos no Centro Mário Cláudio, no lugar de Venade,
As iniciativas do ciclo ‘A Guerra em África’ prolongam-se até março de 2023 e foram pensadas como pretexto de reflexão e relembrança, e de respeitosa homenagem à memória de quem morreu e sofreu. Daí que o critério adotado, no desenho desses momentos, fosse o do pluralismo ideológico, e o da harmonização democrática.
‘A Guerra em África’ contempla exposições, debates com escritores que estiveram na guerra, e com historiadores de vários quadrantes políticos, um ciclo de cinema, além de sessões de leitura de textos, e de troca de opiniões.
exposições + literatura + fotografia + cinema + debates + história
sáb | 29 out | 17h00 | Centro Mário Cláudio | Venade
‘A Guerra em África’ é o ciclo promovido pelo Centro Mário Cláudio e o Município de Paredes de Coura, que ao longo de seis meses, até março de 2023, vai trazer a Paredes de Coura exposições, debates e exibições, tendo por referência os conflitos que se travaram nas três frentes, Guiné, Angola e Moçambique.
Com as parcerias do Museu Militar do Porto, da Editora Leya e da Escola Superior de Media Artes e Design, do Politécnico do Porto, o arranque deste ciclo ‘A Guerra em África’ é já este sábado, 29 de outubro, pelas 17h00, em Venade, estando também confirmado o primeiro encontro de escritores para 19 de novembro e que contará com a presença de Lídia Jorge, Manuel Alegre, João de Melo e Mário Cláudio.
Complementa este ciclo um importante acervo documental facultado pelas gentes de Paredes de Coura, que responderam ao desafio colocado pelo Centro Mário Cláudio com a significativa disponibilização de fotografias, cartas e aerogramas, fardamento e condecorações, além de objetos ilustrativos do quotidiano das tropas.
Paralelamente, no Centro Cultural estará patente a exposição temporária do Museu Militar do Porto ‘Testemunhos de Guerra’, com o apoio do Exército Português, que apresenta uma visão das fases que marcaram um período da História de Portugal, que ainda permanece na memória de muitos, onde mais de 10 mil jovens perderam a vida em prol da Pátria.
Com estes testemunhos, fica o registo da forma como, nas famílias dos militares, e já não no teatro bélico, se viveram duas décadas que dolorosamente marcaram a nossa história, individual e coletiva, e bem assim todo o imaginário daí resultante.
As iniciativas, alinhadas entre outubro de 2022 e março de 2023, foram pensadas como pretexto de reflexão e relembrança, e de respeitosa homenagem à memória de quem morreu e sofreu. Daí que o critério adotado, no desenho desses momentos, fosse o do pluralismo ideológico, e o da harmonização democrática.
Haverá exposições, debates com escritores que estiveram na guerra, e com historiadores de vários quadrantes políticos, um ciclo de cinema, além de sessões de leitura de textos, e de troca de opiniões.
ANGOLA HERÓICA 120 dias com os nossos soldados de Artur Maciel
Livraria Bertrand
Capa de José Cândido.
Fotografia de capa: Ricardo Mesquita.
1963 - direitos de tradução e reprodução reservados
Prefácio do autor, no livro:
... AO MAIS HUMILDE E IGNORADO DE TODOS ESSES SOLDADOS, BRANCOS, MESTIÇOS E NEGROS,QUE VI NAS SELVAS DO NOSSO CONGO A DEFENDEREM PORTUGAL - COM A MESMA FÉ, A MESMA ABNEGAÇÃO, O MESMO SILENCIOSO HEROÍSMO DE QUANTOS DOS NOSSOS, ATRAVÉS DOS SÉCULOS, COM A SUA ALMA,O SEU SANGUE E O SEU ESFORÇO DESCOBRIRAM, CRIARAM E ENGRANDECERAM ANGOLA...
Este livro contem imagens únicas, daí a informação publicada nas páginas finais.
... As fotografias reproduzidas extra texto obtiveram-se dos arquivos do Serviço Cartográfico do Exercito, Força Aérea, Secretariado Nacional de Informação, Centro de Informação e Turismo de Angola e «O Comércio de Luanda. Como seus autores, apenas é possivel citar: o jornalista Fernando Farinha e os fotógrafos Joaquim Cabral e Ricardo Mesquita. É deste último a que se aproveitou para a capa. A que vem na dobra, e onde figura o autor deste livro, foi tirada no Colonato de Vale do Loge, pelo alferes miliciano José Eduardo Carpinteiro Albino, do Batalhão de Caçadores Especiais 158, então ali aquartelado...
ANGOLA NORTE
( HÁ 51 ANOS - "POR ESTES DIAS" ).
Imagem do livro de Artur Maciel " ANGOLA HERÓICA" 120 DIAS COM OS NOSSOS SOLDADOS.
Com a legenda ...Os nossos soldados, sem distinção de cor, chamados à defesa da Pátria, desfilam, em Luanda, na Avenida de Paulo Dias Novais.
*A 07 de Julho de 1961. Das unidades mobilizadoras: RI 5 - Caldas da Rainha CCS; RI 1 - Amadora CCAÇ 164; RI 2 - Abrantes CCAÇ 165: RI 3 - Beja CCAÇ 166. Desembarca em Luanda o Batalhão de Caçadores Nº 158 - BCAÇ 158 " Unidos Venceremos"
*A 07 de Julho de 1961. Das unidades mobilizadoras: RI 8 - Braga CCS; RI 4 - Faro CCAÇ 167; RI 6 - Porto CCAÇ 168: RI 7 - Leiria CCAÇ 169. Desembarca em Luanda o Batalhão de Caçadores N º 159 - BCAÇ 159 " S José - Braço de Armas Feito".
- No entanto, e no terreno. No excerto de texto do livro de Artur Maciel " ANGOLA HERÓICA" 120 DIAS COM OS NOSSOS SOLDADOS.
...A 13 de Julho, o "Jornal do Congo" indicava, num dos seus quadros em que já habitualmente ia resumindo a situação, o numero de fazendas assaltadas, saqueadas e muitas delas incendiadas - casas de habitação, armazéns de mantimentos, cortes de gado, locais de máquinas e hortas - desde 30 de Junho a 10 de Julho: Uige, 66; Songo, 12; Negage, 6; Quitexe, 6; Bembe, 1. Total 91. No numero imediato do dia 20, a lista relativa à semana de 11 a 17 de Julho, era esta: Uige, 7; Songo, 6; Negage, 5; Bembe,3. Total, 21. Ao todo, em 27 dias, 112 fazendas destruídas....