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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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TRAJE POPULAR DESFILA EM GONDOMAR

O XXIII Desfile Nacional do Traje Popular Português, acontecerá amanhã pelas 21h30 na cidade de Gondomar.

Estarão presentes trajes de todas as regiões do país, com exceção dos Açores num total de 1220 participantes, registando um pequeno aumento face a 2017.

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Dos 13 quadros que passarão pela bonita passerelle de Gondomar, que este ano terá bancadas para maior conforto do publico, será o quadro do trabalho aquele que mais expressão terá, numa dinâmica de representação de artes e oficios já extintos.

Também outra forma de ser e estar da mulher Portuguesa será abordada, o canto polifónico tradicional, assim como, a vertente do culto religioso, daquilo que o luto representava para a mulher portuguesa, a relação da criança com o trabalho doméstico, entre outras representações, todas elas narradas pela já habitual dupla de apresentadores, Dra. Emília Francisco e Dr. António Gabriel.

Para todos aqueles que ficam em casa devido à distância, o Desfile será transmitido em direto no Facebook pela Rádio do Folclore Português e pela FFP no Youtube, pelo que, deverão procurar os links na página da FFP.

A direção da FFP agradece de forma calorosa a disponibilidade de todos aqueles que irão passar pela passerelle e de todos que constituem a tocata, o apoio do Conselho Técnico Regional do Douro Litoral Norte, e a todo o staff que entre elementos da direção e voluntários alcança quase 50 pessoas, sinal da envergadura que Desfile está a assumir no panorama nacional.

O Desfile encontra-se inserido no Festival da Cultura Mediterrânica, organização da Fundação INATEL e conta com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Gondomar que se mostrou incansável na organização do Desfile deste ano.

O ESCUDO REAL NO AVENTAL DA MORDOMA: O BOM EXEMPLO DO DESFILE ETNOGRÁFICO EM VIANA DO CASTELO!

Nos finais do século XIX e começos do seguinte, as bordadeiras vianenses e minhotas em geral reproduziam no traje e outras peças aquilo que viam em seu redor. Inspiravam-se naturalmente nos motivos barrocos que contemplavam nas igrejas – recorde-se que nesse tempo a missa era celebrada em latim! – nos símbolos nacionais e outros elementos decorativos ou emblemáticos em monumentos antigos como sucedeu com o galo de Barcelos.

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As bordadeiras, tal como outros artesãos, jamais podiam reproduzir motivos artísticos que não conheciam, tal como os símbolos heráldicos das freguesias e concelhos na sua forma actual porque estes apenas foram criados a partir da década de trinta do século passado. Não obstante, eles têm surgido de forma cada vez mais frequente em aventais de trajes alegadamente folclóricos, por vezes com um colorido que jamais existiu no traje tradicional.

Não raras as vezes, deparamo-nos com o brasão do concelho ou da freguesia “estampado” num avental de mordoma, copiando grosseiramente o estilo autêntico do traje tradicional. O mesmo se passa por vezes com os dizeres à cintura. Por este andar, se tal tendência não for contrariada, ainda haveremos de ver a publicidade das entidades patrocinadoras expostas nos ditos aventais…

Foto: José Carlos Vieira

TRAJE MASCULINO DO ALTO MINHO: O BOM EXEMPLO QUE VEM DO LUXEMBURGO!

A imagem que reproduzimos pertence ao Grupo “O Cancioneiro do Alto Minho”, sediado no Grão-Ducado do Luxemburgo, e mostra um autêntico traje masculino domingueiro como outrora se usava no Alto Minho.

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Ao contrário do que frequentemente assistimos sem contestação, a casaca do homem não apresenta fantasias absurdas como a série interminável de botões nas duas abas, as formas arredondadas e toda uma série de invenções que, caso fosse realidade, tornavam aquela peça de vestuário uma verdadeira inutilidade.

Frequentemente deparamos com a ausência de casaca – os pobres, coitados, não dispunham do fato completo! – e até mesmo sem colete, simulando agarrar-se às abas deste ou da casaca, não se agarrando na prática a coisa alguma…

Eis aqui um bom exemplo que nos chega do Luxemburgo, mais precisamente do Grupo “O Cancioneiro do Alto Minho”!

TRAJE À VIANESA “TEM TODAS AS CONDIÇÕES” PARA SER CANDIDATO A PATRIMÓNIO MUNDIAL

- Afirmou o Ministro da Cultura

O ministro da Cultura afirmou este sábado, em Viana do Castelo, onde marcou presença no cortejo da Romaria d' Agonia, que o Traje à Vianesa "tem todas as condições" para integrar a lista indicativa de Portugal a Património Mundial.

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"O traje vianense está muito, muito bem encaminhado. Tem todas as condições para entrar na lista indicativa, que é o primeiro passo para se poder candidatar a património da UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura]", afirmou o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

A certificação no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais do Traje à Vianesa, com origem no século XIX, foi publicada em Diário da República no final de 2016.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Questionado pelos jornalistas, no final do cortejo das festas de Nossa Senhora da Agonia, que durante cerca de três horas percorreu as principais artérias da cidade, o governante explicou que a lista indicativa é feita pela Direção-Geral do Património Cultural e, depois, avaliada pelo Conselho Nacional de Cultura.

"Depois de ser inscrita na lista indicativa, entra para a Comissão Nacional da UNESCO, que está no âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros e começa o seu caminho no sentido de consolidar uma candidatura", referiu, avisando, por já ter sido embaixador na UNESCO, que "mesmo que se tenha um bem muito valioso é preciso trabalhar muito bem a candidatura".

"O traje de Viana está nas nossas prioridades, mas há análises a serem feitas por peritos independentes e especialistas. Penso que é um projeto que está no bom caminho", destacou.

Luís Filipe Castro Mendes referiu que neste processo o "Ministério da Cultura faz apenas a integração do bem na lista indicativa, reconhecendo que o bem tem interesse e merece ser classificado".

"A partir daí é um processo internacional. É apresentar a candidatura junto da UNESCO e ganhá-la", reforçou.

Já quanto à classificação da ponte Eiffel sobre o rio Lima, que em junho completou 140 anos, como monumento nacional, como aspira a câmara da capital do Alto Minho, o ministro da Cultura disse que o processo "merece atenção" do Governo.

"A ponte Eiffel merece a nossa atenção. É interessante. O traje à Vianesa é único. Pontes de Eiffel há muitas. Este é um exemplar muito interessante, muito valioso, merece, sem dúvida, uma classificação, mas eu penso que o grande valor aqui é o traje de Viana do Castelo que é uma maravilha", referiu, na tribuna de honra, onde assistiu ao cortejo, envergando a camisa do traje de Viana do Castelo.

Dedicado aos 140 anos da Ponte Eiffel e aos 50 anos da procissão ao mar, que se cumpre na segunda-feira, o cortejo contou com a participação de mais de 3.000 pessoas.

A Vianafestas, entidade que organiza a Romaria d'Agonia, esgotou os mais de 5.000 bilhetes que tinha disponíveis para o desfile.
O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, estimou em cerca de um milhão o número de visitantes que a cidade irá acolher nos quatro dias de festa.

A romaria começou na sexta-feira com o desfile da mordomia e termina na segunda-feira, feriado municipal dedicado a Nossa Senhora d'Agonia, padroeira dos pescadores.

Fonte: https://www.jn.pt/

FEDERAÇÃO DO FOLCLORE PORTUGUÊS ALARGA PRAZO DE INSCRIÇÃO PARA O DESFILE NACIONAL DO TRAJE POPULAR PORTUGUÊS

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Estimados dirigentes,

Devido aos inúmeros contactos recebidos dando nota que devido ao período de férias existe alguma dificuldade em fazer chegar as inscrições devidamente preenchidas, vimos pelo presente dar nota do alargamento do prazo de inscrição até dia 02 de Setembro.

Realçamos também, que pelo facto da Câmara Municipal de Gondomar querer preparar um prato regional para o jantar (tripas à moda do porto), devem nas fichas assinalar se pretendem este prato ou a opção (carne assada).

Agradecemos o vosso empenho e participação, contando que até dia 02 de Setembro todos estejam devidamente inscritos.

Após esse prazo não temos qualquer hipótese de aceitar inscrições-

Com os melhores cumprimentos,

Fábio Pinto

Comunicação e Imagem da Federação do Folclore Português

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TRAJE À VIANESA CERTIFICADO JÁ ESTÁ NO MERCADO

Primeiros trajes de Viana certificados já estão no mercado

Três unidades de produção de trajes à vianesa, em Viana do Castelo, possuem certificação de produto e já colocaram no mercado os primeiros fatos com garantia de origem na etiqueta.

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A informação foi avançada, terça-feira, pela Câmara Municipal, numa cerimónia que juntou artesãos e responsáveis da "Adere Certifica", entidade responsável que desenvolveu nos últimos três anos o processo para certificar os produtores de traje.

Trajes típicos de Afife, Areosa, Santa Marta de Portuzelo, Geraz do Lima e o azul escuro (ou fato de Dó), vão entrar no mercado etiquetados como "Traje à Vianesa", como garantia para o consumidor de que se cumprem os requisitos estipulados num caderno de especificações previamente aprovados.

No ato simbólico desta terça-feira, foram certificados os primeiros cinco fatos, compostos por nove peças (saia, avental, camisa, colete, lenços de peito e de cabeça, algibeira, meias e chinelas), alguns dos quais já foram vendidos. Um deles para a Casa do Minho no Rio de Janeiro (Brasil).

Segundo Graça Ramos da "Adere Certifica", entidade que também foi responsável pela certificação dos Bordados de Viana há cinco anos, este é um passo que contribuirá para que "um traje emblemático português", obtenha "uma estabilização que não permitirá que este venha a ser abastardado ou adulterado".

"Estamos muito felizes porque temos hoje o nosso traje certificado e o nosso património mais bem resguardado. É disto que se trata: defender o nosso património para o podermos valorizar para as futuras gerações", comentou o Presidente da Câmara de Viana, José Maria Costa.

Fonte: Ana Peixoto Fernandes / https://www.jn.pt/

PINTURA EM LOURES DA AUTORIA DO GRAFITER NORTE-AMERICANO ARCY ILUSTRA CARTAZ DO FOLKLOURES’19

A organização do FolkLoures’19 – Encontro de Culturas Verde Minho – acaba de editar o cartaz do evento e deverá em breve fechar o respectivo programa com todos os grupos participantes assegurados, tudo indicando que irá alcançar um êxito superior ao registado este ano.

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A pedido da “Loures Arte Pública” e sob a denominação genérica “Tradição”, Arcy retratou na parede de um edifício uma bela lavradeira minhota em traje domingueiro, retratada de perfil com os seus magníficos brincos à rainha.

Não podia, pois, o Grupo Folclórico Verde Minho – entidade organizadora do FolkLoures – deixar de destacar esta magnífica obra de arte, com a devida vénia da “Loures Artes Pública”.

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Na sua página pessoal do facebook, Arcy deixou o seguinte comentário:

"Tradição"

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Loures, Portugal - 2018

Muito obrigado aos maravilhosos anfitriões da Loures Arte Pública por todo o seu trabalho árduo e dedicação a preparar para este festival de semanas. Também grandes ups para a Montana Colors por fornecerem a tinta! Até à próxima!

Frequentemente associado a uma cultura suburbana onde pontificam os mais diversos grupos de transgressão das normas sociais, o grafiti, na forma como atualmente se apresenta, tem a sua origem no movimento de contracultura surgido um pouco por toda a Europa por ocasião do levantamento estudantil do maio de 1968, em Paris. Considerado frequentemente como um ato de vandalismo condenado por lei, o próprio ato de produção do grafiti é assumido como um ato de rebeldia em relação à ordem estabelecida.

Convém, antes de mais, estabelecer uma clara distinção entre o mural de grafiti concebido com reconhecida qualidade artística e contendo uma mensagem da reles pichagem que apenas conspurca as paredes e não respeita o direito à propriedade e ao asseio urbano.

Existem grafitis que constituem autênticas obras de arte, transmitindo preocupações de natureza política, social ou ambientais através de representações críticas e emocionais. Com evidentes traços caraterísticos do expressionismo, surrealismo e simbolismo, alguns das pinturas destes murais podem muito bem serem consideradas verdadeiras manifestações estéticas do neoexpressionismo.

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MANNEKEN PIS EM BRUXELAS TRAJADO À MINHOTA

O monumento Manneken Pis – garoto a urinar – é o ex-líbris da cidade de Bruxelas, na Bélgica. Ele representa uma pequena fonte em bronze mostrando uma criança a urinar para a bacia da fonte.

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Na realidade, trata-se na realidade de uma réplica do original, da autoria do escultor Jerôme Duquesnoy, e que actualmente se encontra na Maison du Roi em virtude de, após várias tentativas de roubo por parte dos exércitos francês e britânico em 1745, ter por fim sido roubada por um antigo condenado que a despedaçou.

Por ocasião das festividades locais, a pequena estátua é vestida sob diferentes disfarces, tendo em 28 de Abril de 2007 a comunidade portuguesa radicada na Bélgica decidido trajá-lo com traje domingueiro à moda do Minho. 

Decorrida mais de uma década, os minhotos decidiram voltar a trajá-lo à moda do Minho, conforme se pode ver pela imagem produzida pelo fotógrafo Tony da Luso Produxctions que aqui reproduzimos.

PORTUGUESES NA ARGENTINA ELEGEM RAINHA DA COMUNIDADE PORTUGUESA

Minhotos abrilhantam a festa com os seus trajes tradicionais

A comunidade portuguesa radicada na Argentina elegeu no passado fim-de-semana a Rainha das comunidades portuguesas de Argentina. O evento teve lugar no âmbito do XX Encontro Das Comunidades Portuguesas de Argentina, uma iniciativa que contou com a participação de quase todas as organizações comunitárias portuguesas de Argentina

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A cidade escolhida foi Salliqueló, a 560 kms de Buenos Aires, aliás um dos municípios que integram a Província de Buenos Aires. Ali encontra-se a instituição mais antiga do pais – a Sociedad Portuguesa de Salliqueló, fundada em 5 de Outubro de 1916, actualmente designada por Asociación Portuguesa de Salliqueló, entidade organizadora deste evento.

Na apresentação não faltaram os bonitos e garridos trajes do Minho, com especial realce para o traje domingueiro de lavradeira, vulgo “traje à vianesa”.

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Transcrevemos a seguir as palavras de agradecimento da organização transmitidas a todos os participantes.

“Olá Amigos!!!

Depois de vários dias de árduo trabalho queremos compartilhar com vocês algumas das imagens tiradas durante os dias 7 e 8 de abril em nossa localidade, talvez com um pouco de atraso, mas a tarefa continuou, apesar de os visitantes voltaram a As suas casas.

Esperamos ter estado à altura das circunstâncias e agradecemos a boa vontade e o trabalho de todos aqueles que deram o seu tempo e esforço fazendo deste xx encontro um fato memorável para todos.

O Sr. Embaixador da República de Portugal, Dr. João Ribeiro de Almeida, também nos acompanhou nas jornadas em que durou o encontro e encontramos nele a uma pessoa muito amável e sociável que foi comentário de todo aquele que interagiu com ele.

A todos os que trabalharam com o seu granito de areia novamente, muito obrigado, e aos visitantes também lhes dizemos obrigado por se terem aproximado da nossa humilde instituição. Esperamos que o tenham passado muito bem.

Imensamente devemos agradecer a quem entretenimento o jantar-Show, eles foram o nosso Alfredo Pavana e dulio moreno que fizeram um duo espetacular e com muito nível.

Também agradecemos às pessoas que sem serem descendentes de portugueses se fizeram presentes no jantar show para acompanhar a nossa candidata a rainha nacional, a aclamar as crianças e adultos do corpo de dança de "saudades lusitanas" e que permaneceram até bem entrada a a. Madrugada para saber o resultado da escolha.

Aos integrantes do nosso Rancho Folclórico que começaram seus ensaios em fevereiro e que deram de si o seu maior esforço, e em especial aos mais pequenos que ao lado de seus pais trabalharam incansavelmente para que tudo corra bem.

Como vão ler, são muitos os agradecimentos e, provavelmente, vão escapar-nos alguns.

Todos, absolutamente todos fomos protagonistas, organizadores, colaboradores, patrocinadores, músico, vassalos e bailarinos, visitantes, candidatas, representantes, autoridades, prefeitura, o público no show, a cidade, a absolutamente todos, infinitas obrigado!!!!!!!

Estamos muito gratos com todos vocês!!!!!”

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EM DEFESA DO TRAJO POPULAR

Continuo a ler mil e um disparates a respeito do "trajo civilizado" e igual número de insanidades sobre "trajos de submissão". A questão não é nova, nem se aplica em exclusivo ao véu islâmico; pelo contrário, já foi bem europeia e não só carregava um verdadeiro programa ideológico, como uma lógica capitalista de destruição da economia familiar e regional em favor da expansão da industrialização e do mercado internacional de vestuário.

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Em torno do trajar popular, travou-se em finais do século XIX uma dura e prolongada polémica entre "progressistas" e "conservadores" visando a imposição do trajo burguês e consequente demonstração da inferioridade de formas de vestir consideradas obscurantistas e reaccionárias. Foi então declarada guerra sem quartel às forma de vestir das classes populares: capotes, samarras, biocos, cocas, mantilhas, botas e chapéus foram alvo de verdadeira perseguição. Aparentemente anódina, a polémica escondia um verdadeiro ataque aos ofícios tradicionais e ao trabalho de alfaiates, sapateiros, curtidores, surradores, tintureiros, costureiras, colcheiras, bordadeiras, tecedeiras e chapeleiros, tomados por entraves à expansão das superfícies comerciais que vendiam o "trajo britânico", subentendendo igual ataque às produções locais de mantas, linhos e buréis que impediam a fixação do monopólio das "fazendas" britânicas.

Ontem como hoje, o capitalismo sorridente acenando com uma mão e esmagando com a outra. O nosso Rei Dom Carlos compreendeu perfeitamente o que se passava e passou a exibir com máximo orgulho o trajo das "classes inferiores", não perdendo qualquer oportunidade em fazer chegar às revistas burguesas a imagem de um Rei inteiramente vestido como um qualquer camponês. É evidente que tal só podia enfurecer os burguesitos lisboetas.

Pensemos, pois, duas vezes antes das parvas solturas a respeito das tais "humilhações e submissões". Há sempre um fito comercial abate-fronteiras a espreitar por oportunidades de mercado por detrás das sonoras proclamações de liberdade.

MCB

Fonte: https://www.facebook.com/novaportugalidade/