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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O “NOSSO TRAJAR” EM TEMPOS DE CONFINAMENTO

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  • Crónica de José Luís Carvalho

A sociedade em geral, a cultura em particular e muito especialmente o movimento folclorico estão emersos neste fenómeno global chamado Covid-19 obrigando ao confinamento em casa e à anulação ou adiamento sine die das suas atividades culturais.

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Não significa isto que o movimento folclorico esteja parado ou inoperativo, pelo contrário, muitos dos Grupos, utilizando as redes sociais, aproveitam para publicar vídeos das suas atuações ou tutoriais para bem trajar, fotografias de momentos do trajar, das viagens, recolha de novas peças, etc., etc.

Pessoalmente este confinamento tem-me afetado diretamente já que durante vários dias a sala de casa transformou-se numa autêntica feira de farrapos como vulgarmente se pode considerar a um monte de tecidos do “ano da velha”. Por isso quero partilhar esta feliz “angustia” de ver como as peças guardadas nos guarda-fatos saíram para arejar e de passagem converterem-se em modelos por um dia.

Esta dedicação vem de parte da Mireia e da Cami, filha e esposa respectivamente, que longe do nosso país durante anos tem dedicado parte da sua paixão pelo folclore à recolha, pesquisa e restauro de peças do trajar tradicional do Alto Minho. Saias, saiotes, meias e chinelas, socos, coletes e algibeiras, blusas e camisas, casaquinhas, lenços e xailes passearam por casa e também saem à rua quando o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ apresenta a cultura tradicional ou representa a portugalidade no Principado de Andorra e não só.

A ambição de ambas na obtenção de peças pertencentes ao trajar minhoto que poderiam ir para a fogueira ou para o caixote do lixo, já que para muitos dos seus proprietários carecem de qualquer valor cultural, leva a que grande parte das férias no Alto Minho sejam dedicadas ao folclore.

Não podemos esquecer o valor monetário dispendido para adquirir a maioria dos objetos já que muitos dos seus proprietários não se desfizeram gratuitamente das peças e outros, sabendo que os “farrapos” viraram “moda”, procuram obter importantes sumas monetárias. Estamos portanto na presença de um investimento económico e num investimento cultural e numa preservação histórica que reforça um melhor conhecimento no trajar e no dia-a-dia da sociedade rural de finais do século IXX e primeira metade do século XX.

Para terminar, não podemos obviar o valor sentimental de algumas das peças. Algumas pessoas que conhecem esta dedicação da Mireia e da Cami na recolha, restauro, preservação e utilização das peças, tem-las oferecido com a certeza de que continuarão “vivas” e não acabarão abandonadas ou “mortas” na fogueira. Várias delas guardam histórias de vida, momentos solenes, mas sem dúvida destacaríamos o traje de Noiva datado de 1915 que desempenhou essa função e que contrariamente ao que acontecia com a maioria dos trajes pretos de Noiva, este, não serviu de mortalha e apresenta impecável estado de conservação.

Em tempos de emergência que a todos afeta direta ou indiretamente, não deixa de ser também uma emergência a salvaguarda, nos tempos vindouros, do patrimônio imaterial dos nossos antepassados.

José Luis Carvalho

Principado de Andorra

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TRAJE À VIANESA: PARA QUE SERVE A CERTIFICAÇÃO?

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"Este objeto foi coletado por Stewart Culin (1858-1929) durante uma expedição de coleção em 1922. Culin foi o primeiro Curador de Etnologia do Museu do Brooklyn, servindo de 1903 a 1929.

Possuindo uma curiosidade insaciada e apetite por coletar objetos de todos os tipos, Culin realizou mais de vinte expedições mundiais entre 1901 e 1928. As viagens abrangevam territórios indianos americanos, Nova Inglaterra, Ásia, Índia, Grã-Bretanha e toda a Europa Oriental e Ocidental.

As sete expedições entre 1917 e 1928 foram especificamente focadas na coleta de têxteis regionais e trajes da Europa Oriental e Ocidental e, em menor grau, nova Inglaterra.

As metas de Culin para essas viagens não eram apenas expandir as explorações do Museu, mas também preservar seus contextos culturais. Ele fez isso através da acumulação de fotografias, cadernos e efêmeros que documentaram as circunstâncias sociais, comerciais e culturais em torno de sua aquisição.

Sua filosofia de coleta abraçou peças raras e de alta qualidade, bem como aquelas que representavam o cotidiano ou eram de particular interesse social ou histórico."

Fonte: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/157888