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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO NA PUBLICIDADE DA "SINGER"

Quando nos começos do século XX, a Singer Corporation começou a vender as suas máquinas de costura no nosso país, escolheu precisamente a vianense como alvo da sua publicidade, apresentando-a, laboriosa, com o seu traje domingueiro de lavradeira, sentada junto da máquina de coser da mesma maneira que poderia estar frente ao tear. A Singer conhecia bem as qualidades da mulher de Viana do Castelo!

Na sua obra “As Farpas”, Ramalho Ortigão tece ao talento da mulher vianense rasgados elogios, exaltando os seus dotes artísticos nos seguintes termos:

“A aldeã do distrito de Viana é, por via de regra, tecedeira. É preciso não se confundir o que no Minho se chama tecedeira com o que geralmente se entende por teceloa. A tecedeira de Viana não se emprega numa fábrica nem tem propriamente uma oficina. Sabe simplesmente tecer como a menina de Lisboa sabe fazer crochet; e junto da janela engrinaldada por um pé de videira o seu pequenino tear caseiro, como o da casta Penépole, tem o aspecto decorativo de um puro atributo familiar, como um cavalete de pintura ou um órgão de pedais no recanto de um salão. A tecedeira trabalha mais para si do que para os outros nesse velho tear herdado e transmitido de geração em geração, e não tece servilmente e automaticamente, como nas fábricas, sobre um padrão imposto pelo mestre da oficina, mas livremente, como artista, ao solto capricho da sua fantasia e do seu gosto, combinando as cores segundo os retalhos da lã que dispõe, contrastando os tons e variando os desenhos ao seu arbítrio. Tecer em tais condições é educar a vista e o gosto para a selecção das formas num exercício infinitamente mais útil que o de todas as prendas de mãos com que nos colégios se atrofia a inteligência e se perverte a imaginação das meninas de estimação, ensinando-lhes ao mesmo tempo como se abastarda o trabalho e como se desonra a arte.”

MINHO: MENINAS VESTIDAS DE TRAJE DOMINGUEIRO À LAVRADEIRA NOS COMEÇOS DO SÉCULO XX

PT-AMPL-Casa da Lage-AFCL_0464_m001_dissemination.

PT-AMPL-Casa da Lage-AFCL_0464_m002_dissemination.

Vestidas com trajes regionais do Minho, uma com um cântaro na mão e outra com uma foice (ceifeira).

Contém dedicatória: "Aos meus queridos tios, oferecem como prova de sincera amizade as sobrinhas muito dedicadas: Maria do Carmo e Maria Rosa Peixoto Rêgo e Bourbon".

Data: 3 de Setembro de 1918

Foto: Foto Beleza (Braga) / Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima