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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CONCURSO “COCA DE MONÇÃO`21”

Cerimónia de entrega de prémios e inauguração da exposição, com apresentação de 40 trabalhos selecionados, realiza-se este sábado, 23 de outubro, pelas 16h00, no Museu Monção & Memórias

A secular festividade “Corpo de Deus – Coca de Monção” é um dos acontecimentos mais relevantes do calendário cultural do concelho de Monção, tratando-se de uma celebração secular com caraterísticas muito próprias, onde o sagrado e o profano se cruzam.

Nesta festividade, que valoriza a etnografia popular e afirma a identidade coletiva do povo e do território monçanense, os momentos mais relevantes são a procissão solene do Corpo de Deus e a peleja ancestral entre o Cavaleiro S. Jorge, simbolizando o bem, e o Dragão Coca, simbolizando o mal.

Inspirando-se na “Sardinha das Festas de Lisboa”, a autarquia lançou o concurso “Coca de Monção`21”, procurando estimular a participação do público, com o objetivo de reforçar, ainda mais, a iconicidade da Coca de Monção, o dragão mítico monçanense.

Este sábado, 23 de outubro, pelas 16h00, no Museu Monção & Memórias, Rua da Independência, no centro histórico de Monção, realiza-se a cerimónia de entrega de prémios aos vencedores do concurso “Coca de Monção`21”, seguindo-se a inauguração da exposição desta primeira edição.

Bordalo II apadrinha concurso

Englobada na programação do “Mês do Cordeiro à Moda de Monção”, a exposição mostra uma seleção de 40 trabalhos de autores de várias localidades de Portugal e Espanha, onde são abordadas diferentes formas de interpretação da emblemática figura da Coca, através de múltiplos olhares sobre o mítico dragão monçanense, um dos principais legados da cultura local.   

O concurso, apadrinhado pelo artista Bordalo II, contou com o apoio institucional da Caixa de Crédito Agrícola do Noroeste. O júri de premiação foi constituído por David Santos - Noiserv (músico), Afonso Cruz (escritor e artista multidisciplinar), Acácio Viegas (artista visual contemporâneo), Chelo Matesanz (artista e professora) e Sónia Borges (ilustradora).

MINHOTOS CANTAM EM LOURES AO MENINO JESUS

À semelhança de anos anteriores à pandemia, os minhotos vão regressar a Loures para recriar os tradicionais cantares ao menino Jesus.

A iniciativa, do Grupo de Folclore Verde Minho, está agendada para o próximo dia 18 de Dezembro, contando-se já com o programa encerrado. O Blogue do Minho divulgará em breve os participantes no evento.

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André Gonçalves (1686-1762). Adoração dos Pastores

MINHOTOS RUMAM A LOURES AO TOQUE DA CONCERTINA

O Grupo de Folclore Verde Minho leva a efeito no próximo dia 13 de Novembro o habitual Encontro de Tocadores de Concertina “Zé Cachadinha”, assim denominado em homenagem póstuma ao popular tocador e cantador limiano. E a adesão ao evento revela bem a nostalgia com que os minhotos vivem a tradição.

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Até ao momento, estão asseguradas a participação do Grupo de Bombos Arrufarte, Afinados do Catujal, Somos do Norte(João Mota), Mestre João Tomaz, Concertinas de Carenque, Concertinas da Gracieira, Grupo Montes Hermínios, Amigos da Portela, Ruben Rodrigues, Sons da Concertina Alverca da Beira, Escola Filipe Oliveira, Tocata da Casa do Minho e Tocata Alegria do Minho.

Entretanto, os tradicionais cantares ao menino Jesus, a ter lugar também em Loures, está marcado para o próximo dia 18 de Dezembro, esperando em breve podermos divulgar o seu programa.

VIEIRA DO MINHO: RANCHO FOLCLÓRICO DO MOSTEIRO REALIZA DESFOLHADA TRADICIONAL E MAGUSTO

O Rancho Folclórico do Mosteiro vai promover no próximo, sábado, dia 16 de Outubro, uma Desfolhada Tradicional e um Magusto.

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O momento, vai decorrer na Sede do Rancho Folclórico do Mosteiro, sito na antiga escola primária daquela freguesia, pelas 19h30 e tem por objetivo preservar os usos e costumes da cultura popular associada à ruralidade do concelho.

Trata-se de um atividade marcante da faina agrícola, mas também um momento de festa, onde a vertente social, o trabalho e o festim estão de mãos dadas.

Do programa consta, para além da faina agrícola,  animação musical, porco no espeto e caldo verde.

Será, portanto, uma noite que vai aliar usos e costumes à animação e boa disposição.

Venha reviver tempos antigos, participe nesta desfolhada tradicional.

ENCONTRO DE TOCADORES DE CONCERTINA “ZÉ CACHADINHA” ESTÁ DE REGRESSO A LOURES

O Grupo Folclórico Verde Minho está vivo! No próximo dia 13 de Novembro leva a efeito o habitual Encontro de Tocadores de Concertina “Zé Cachadinha”, assim denominado em homenagem póstuma ao popular tocador e cantador limiano.

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Entre os participantes já confirmados encontram-se João Tomaz, Escola Filipe Oliveira, Os afinados do Catujal e João Mota.

Entretanto, os tradicionais cantares ao menino Jesus, a ter lugar também em Loures, está marcado para o próximo dia 18 de Dezembro.

CABECEIRAS DE BASTO: TRADICIONAL CHEGA DE BOIS ANIMA FESTAS DO CONCELHO

Decorreu hoje a tradicional chega de bois no Centro Hípico de Cabeceiras de Basto, no âmbito da Feira de S. Miguel, as tradicionais festas do concelho

A feira de S. Miguel, é um acontecimento que data da Idade Média, mas foi D. Dinis que lhe atribuiu importância e a engrandeceu, tornando-a numa das mais famosas de Portugal. Começou por ser uma feira franca e foi sempre muito concorrida por forasteiros que a animavam desde o alvorecer do dia 20 até ao dia 30 de Setembro.

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O comércio desenvolveu-se extraordinariamente. Aqui se vendiam as mantas de barroso, o gado bovino e cavalar, mas com o rodar dos séculos, transformou-se também num parque de diversões.

O dia 28 é o dia do grande arraial minhoto que se propaga pela noite dentro, dando lugar às festas da vila no dia 29, dia do padroeiro, Arcanjo São Miguel, notando-se a vistosa e rica procissão, uma das mais afamadas do Minho.

A Feira de S. Miguel teve sempre imensa fama, sobretudo no século XIX, em que muitos forasteiros de diversos concelhos circunvizinhos aqui vinham para armar as suas barracas de comércio. Tal a sua importância, que Camilo Castelo Branco a imortalizou em várias páginas dos seus romances, com numerosas referências. É o caso dos romances «Mistérios de Fafe», «Eusébio Macário», o conto «Como ela o amava» e ainda as célebres «Novelas do Minho».

Para a maioria dos cabeceirenses, a feira e festas tiveram sempre um significado especial. A feira representava o diferente, tudo aquilo o que permitia esquecer por uma hora ou por alguns dias, a rotina do quotidiano e ansiar pelo ano seguinte. A feira anual trazia utensílios requintados que não se vendiam no comércio local, como cutelarias ou instrumentos musicais ou roupa e calçado de melhor qualidade. Trazia as barracas dos jogos e os divertimentos. Faziam-se brincadeiras dignas de ser comentadas todo o ano. Montavam-se barracas de comidas e bebidas onde se podiam comer géneros frescos e a doçaria mais requintada. A feira, tal como a romaria, permitia à mulher a evasão que nas aldeias só lhe era proporcionada pelo ritual religioso, enquanto que os homens tinham oportunidade de tomarem contacto com o mundo exterior através dos mercados mensais. Em Cabeceiras de Basto, este era o único momento e local onde as mulheres exerciam uma função social e eram respeitadas por todos.

Para o imaginário infantil ou adolescente, a feira era os bonecos, os carrinhos, as gaitas, os peões, era, sobretudo a atenção dos adultos.

No mundo rural, todas as distracções andavam ligadas ao convívio entre os dois sexos. As feiras e as romarias eram normalmente assinaladas por bailes, cantares e desgarradas. O espírito da festa parece continuar vivo, para a maioria dos habitantes, enredado na diversidade da região e modulado no decurso dos anos que passam.

Em Cabeceiras de Basto, em torno da feira agregaram-se as “festas do concelho” e hoje, esta terra de características minhotas e frequentes costumes transmontanos, continua a ser durante dez dias, palco de um dos maiores pontos de encontro desta vasta região.

Fonte: Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto

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GRUPO FOLCLÓRICO VERDE MINHO ANIMA DESPEDIDA DO CÍRIO DE NOSSA SENHORA DO CABO ESPICHEL

No próximo dia 16 de Outubro, o Grupo Folclórico Verde Minho, sediado em Loures, vai actuar na despedida de Nossa Senhora do Cabo Espichel que se realizará em Santo Antão do Tojal às 16 horas.

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A Romaria ao Cabo Espichel constitui uma das maiores tradições a juntar os círios da região de Lisboa e da margem sul naquele magnífico promontório situado perto de Sesimbra cuja vista deslumbrante alcança a própria Serra de Sintra.
Costume antiquíssimo que também tinha lugar durante o mês de Agosto e que quase desapareceu, em grande medida em consequência de fanatismos políticos que tiveram o seu tempo, consistia na organização dos círios à Senhora do Cabo que se encontra num templo situado no Cabo Espichel, à Senhora da Nazaré e à Senhora da Atalaia, sempre muito concorridos de gente nomeadamente das localidades ao redor de Lisboa. O círio à Senhora do Cabo que se realizava desde 1430 era organizado por uma confraria que chegou a reunir trinta paróquias, incumbindo a cada uma delas organizar anualmente o respectivo círio. Há alguns anos atrás, coube tal incumbência à paróquia de Rio de Mouro que a realizou após cinquenta anos em relação à última que levou a efeito em virtude do círio não ter sido organizado após o 25 de Abril de 1974. Aliás, devido ao clima anti-religioso vivido durante a vigência da Primeira República que levou inclusive a uma tentativa de destruição verificada na igreja de Carnaxide onde a imagem se guardava, também este círio não se realizou desde 1911 até 1926, ano em que foi instaurada a ditadura militar.
Levando consigo a imagem da Senhora do cabo e o respectivo pendão, o povo de Lisboa e de numerosas paróquias dos actuais concelhos de Oeiras, Sintra, Amadora, Cascais e Loures lá ia em cortejo processional de barco, atravessando o rio Tejo até à outra banda.
Desembarcavam em Porto Brandão e de lá seguiam até ao santuário do Cabo Espichel onde se lhes ajuntava muita gente da margem sul.
A tradição dos círios começou aparentemente entre nós como simples peregrinações organizadas por grupos de romeiros que de uma determinada localidade se deslocavam a um santuário, transportando consigo um círio que depunham no altar do santo da sua devoção. Um costume aliás que se origina dos cultos praticados às divindades locais durante a era pré-cristã e que certamente se encontra na génese das actuais romarias e festas que o nosso povo realiza aos santos padroeiros das suas localidades e ainda àqueles que habitam em pequenas ermidas às quais o povo sempre acorre em alegre peregrinação. É ainda relativo a tais tradições que se conserva o hábito de acender velas nos altares dos santos, embora as mesmas sejam em geral apenas acesas no local ou durante as cerimónias religiosas, costume este que também se encontra ameaçado como as novas técnicas de "velas electrónicas" cada vez mais empregue nos templos.
É aos etruscos geralmente atribuída a invenção das velas ou círios, devendo-se tal facto estar associado aos seus cultos funerários e outros rituais religiosos que marcaram a sua civilização. Também na Roma antiga eram muito utilizados em cerimónias pagãs. Os gregos usavam para o efeito pequenas candeias de azeite, costume aliás ainda praticado entre nós.
Contudo, os círios já eram conhecidos desde os povos da antiguidade que utilizavam para o efeito tochas formadas por paus de madeira resinosa para se alumiarem e prestarem os seus cultos. A designação de círios para identificar as romarias que se realizavam à Senhora da Nazaré, à Senhora da Atalaia e à Senhora do Cabo Espichel apenas se justifica por transportarem consigo o respectivo círio que, tal como os povos da antiguidade, íam depositar aos pés da santa como sinal de devoção. Os círios constituem uma das tradições que melhor caracterizam a identidade religiosa e cultural do povo português, razão pela qual se deveria desenvolver um esforço com vista à recuperação da sua grandeza de outros tempos.

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Foto: ANTT. Em 1937, o círio de Nossa Senhora do Cabo à saída de Belas