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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA EXPÕE OS MAIOS

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Município de Ponte de Lima promove a Exposição “Os Maios”

Ponte de Lima é referência a nível nacional e internacional pela singularidade do seu património, mas também pela unicidade da sua cultura, tradições e costumes.

Esta parceria que se mantem sólida e assente na comemoração e valorização das nossas tradições e costumes, tem proporcionado a realização da Exposição d’Os Maios, no centro histórico da vila, ano após ano e atrai um número elevado de visitantes a Ponte de Lima, que lisonjeiam a forma peculiar e entusiasta de manter vivas as tradições do território.

É importante valorizar este legado de costumes especiais, tão identitários do nosso concelho, sendo estas comemorações e tradições que elevam Ponte de Lima para um pertinente patamar de distinção.

É com muita satisfação e orgulho que o Município de Ponte de Lima, pretende dar continuidade a esta celebração em conjunto com as Juntas de Freguesia, Escolas, IPSS’s e outras entidades do Concelho.

Assim, convida-se a visitarem a Exposição “Os Maios” entre os dias 1 e 5 de maio no exterior do edifício dos Paços do Concelho.

Podem contemplar a criatividade, a forma diversificada de elaboração e imaginação de todos os “Maios” presentes, elaborados pelas diferentes entidades do concelho.

BRAGA FESTEJA O SÃO JOÃO – A FESTA DO SOLSTÍCIO DE VERÃO!

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Aproxima-se o solstício do Verão. Salta-se a fogueira pelo S. João, brinca-se com alcachofras e martelinhos, tréculas e zaquelitraques, canta-se e dança-se. Pela calada da noite, invadem-se os quinteiros, assaltam-se as eiras e roubam-se vasos com plantas, carroças e carros de bois para seguidamente os levar para o centro da povoação. São as festas sãojoaninas, assim designadas em virtude da Igreja Católica ter atribuído a esta data o nascimento de S. João Baptista, uma reminiscência de antiquíssimos rituais pagãos relacionados com o Solstício de Verão e ainda com a adoração do fogo. De resto, o fogo adquiriu desde sempre um carácter sagrado ao ponto de ter sido deificado.

Em Braga, as suas gentes vivem as festas sãojoaninas com particular intensidade. O Barredo e a Ribeira no Porto enchem-se de povo e a alegria e animação dura até tantas da madrugada. Em Lisboa, as festas solsticiais abrangem todo o mês de Junho, associando S. Pedro e S. António aos festejos de S.João. O nascimento de S. António em Lisboa deve ter contribuído para que os festejos lhe tenham sido dedicados, popularizado ao ponto de muitas pessoas pensarem erradamente ser ele o patrono desta cidade.

Desde tempos remotos, o homem celebrava a chegada do Verão acendendo enormes fogueiras, cantando e dançando em seu redor. É a chegada do lume novo, um rito cuja sacralidade original se foi perdendo e que chegou até nós, transmitido de geração em geração, assegurada pela própria tradição.

Entre os gregos e os romanos, competia às Vestais - sacerdotisas dos templos dedicados a Vesta - a tarefa de preservar aceso o fogo sagrado. Entre nós, persiste o costume de acender o lenho na noite de Natal ou na passagem do ano e o círio pela Páscoa. Manda a tradição católica que, à beira da pia batismal, os padrinhos transportam a vela acesa quando o batizado não o pode fazer se ainda for demasiado jovem. Mas, falo-a quando chegar a altura de confirmar o seu batismo cristão. É que o fogo é a luz que nos ilumina e mostra a Verdade e a Vida. É ainda o fogo que nos aquece e afaga a nossa rude existência, elemento purificador que constitui um dos quatro elementos - os outros são a Terra, o Ar e a Água.

Mas o fogo é também festa. Desde a sua descoberta, aprendeu o Homem aprendeu a produzi-lo e manipular ao ponto de conseguir iluminar os céus e a terra com uma verdadeira constelação de alegria, salpicando-o de lágrimas e girândolas de cores e formas variadas, compondo na abóboda celestial um autêntico hino ao Criador. Afinal de contas, foi Ele quem pela primeira vez nos enviou o fogo sob a forma de um raio ou cuspiu das entranhas de um vulcão - eis o gesto primordial da criação que é ritualizado pelo homem desde os tempos em que Adão e Eva foram expulsos do paraíso por um anjo que empunhava uma espada de fogo.

É tempo de proceder à ceifa do trigo, do centeio e da cevada, de sachar o milho, sulfatar a vinha e crestar o mel das colmeias. Mas também é altura de festejar o S. João e saltar a fogueira. Desde o solstício de Verão até ao equinócio do Outono, é tempo de festa, de estúrdia e de arraial. E, a fazer jus à fama da pirotecnia, não há verdadeiramente festa sem o luminoso colorido do fogo-de-artifício e o estardalhaço dos foguetes. O folclore do nosso povo conserva raízes que nos transportam à origem da própria civilização humana.

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PONTE DA BARCA REALIZA FESTA DAS TRADIÇÕES

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Toy é um dos artistas convidados

A Festa das Tradições regressa a Ponte da Barca, no fim-de-semana de 10 a 12 de maio, na Praça Terra da Nóbrega. Este evento, realizado em parceria com Associações e Ranchos Folclóricos do concelho, é uma celebração que reúne as tradições, gastronomia, artesanato local, danças e cantares regionais num ambiente de festa e convívio.

Um dos momentos altos desta festividade será o Concerto de Toy, que promete encantar o público com a alegria contagiante das suas música. Além disso, o espetáculo do grupo Roconorte, a participação dos Ranchos Folclóricos, Bombos, Rusgas, Jogos tradicionais, workshops interativos, exposições variadas, a recriação da fiada do linho, a confeção de pão tradicional e o desfile “O Traje do Povo” são apenas algumas das atividades planeadas para animar os três dias de festa.

A Festa das Tradições oferece um olhar atento sobre as raízes culturais e históricas de Ponte da Barca, e destaca o rico património natural e arquitetónico que faz desta região um destino turístico de eleição.

Junte-se a nós neste fim-de-semana, onde a tradição, a música, a gastronomia e a alegria se unem para celebrar a autenticidade e a identidade de Ponte da Barca.

MONÇÃO: TRADIÇÃO DA LUTA ENTRE SÃO JORGE E A COCA REALIZA-SE NO PRÓXIMO DIA 30 DE MAIO

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No combate entre S. Jorge, padroeiro do reino e que simboliza o bem, e a Coca, dragão que simboliza o mal, o povo anima-se com as investidas e peripécias de ambos. S. Jorge vence se cortar uma orelha e introduzir a lança, por duas vezes, nas goelas da Coca.

Reza a história que, em caso de vitória do cavaleiro, haverá uma boa colheita de vinho Alvarinho. Se ganhar a Coca, os tempos serão adversos e difíceis.

A luta entre São Jorge e a Coca de Monção é um dos momentos mais relevantes do calendário cultural do concelho de Monção e um dos principais motivos de valorização da etnografia popular e afirmação da identidade coletiva do nosso povo, do nosso território.

Nas margens do rio Minho onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm um velho costume que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião dos festejos do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre S. Jorge e o Dragão. A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca - nome pelo qual é aqui designado o dragão! - procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por S. Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois de o guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando S. Jorge o conseguir ferir mortalmente introduzindo-lhe a lança ou a espada na garganta, altura em que de uma bolsa alojada do seu interior escorre uma tinta vermelha que simula o sangue da coca.

Esta tradição que representa a supremacia do Bem sobre o Mal encontra-se intimamente ligada às lutas travadas pela soberania nacional, sendo notória a utilização dos símbolos portugueses por parte de S. Jorge. Com efeito, este culto foi introduzido no nosso país pelos cruzados que vieram combater nas hostes de D. Afonso Henriques nomeadamente a quando da tomada de Lisboa aos mouros. A sua invocação em forma de grito de guerra começou contudo durante o reinado de D. Afonso IV e teve como objetivo demarcar-se da invocação de S. Tiago que era feita pelos exércitos leoneses. Mas foi sobretudo a partir do reinado de D. João I que este culto veio a adquirir verdadeira dimensão nacional, passando a partir de então a sua imagem a integrar a procissão do Corpo de Deus. Ainda hoje, a sua simbologia é empregue nos meios castrenses, principalmente para representar o exército português.

O culto a S. Jorge que ainda se pratica em Portugal e cuja festa da coca que se realiza em Monção constitui um exemplo do seu cunho popular, possui as suas origens em antigas tradições da Síria segundo as quais, S. Jorge foi um valente soldado da Palestina que, por ter confessado a sua fé cristã, veio a ser feito mártir. Na Idade Média vieram a criar-se numerosas lendas à sua volta, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos.

Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao cristianismo. O folclore não se resume à reconstituição das danças e cantares de um povo, do seu traje ou da exemplificação de alguns costumes ligados ao trabalho ou à festa. Ele constitui a história não escrita do povo e engloba toda a sua cultura não assinalada na sua história e na sua religião. Por outras palavras, o folclore ocupa na história de um povo um papel semelhante ao que o costume, ou seja, a lei não escrita, ocupa em relação às leis codificadas.

De origem saxónica, o termo folclore teve o seu aparecimento pela primeira vez há século e meio e quer dizer a ciência ou o saber do povo. Considerada como uma das variantes da Etnografia e frequentemente confundindo-se com esta, o folclore estuda as tradições populares isto é, o traje, as canções, as danças, as lendas, as superstições, os jogos, os adágios, as festas, a religião e até a medicina, nomeadamente a sua própria representação. Estas fazem parte da identidade de um povo - são raízes de Portugal!

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PONTE DE LIMA CORRE VACA DAS CORDAS NO PRÓXIMO DIA 29 DE MAIO

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Ponte de Lima revive no próximo dia 29 de Maio uma das suas tradições mais genuínas: a corrida da Vaca das Cordas. Ao começo da tarde, a vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz. Depois, dá três voltas em torno da igreja e é levada para o areal. O povo apinha-se no Largo de Camões e na ponte para ver os mais ousados correrem à frente da vaca que, por vezes é boi…

Existe deste tempos remotos na vila de Ponte de Lima o peculiar costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás.

Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

Quando soam as trindades, o espectáculo termina e dá lugar aos preparativos dos festejos que vão ocorrer no dia seguinte. As gentes limianas decoram as ruas com um tapete florido feito de pétalas e serrinha por onde a procissão do Corpo de Deus irá passar.

Com atrás se disse, desconhecem-se as verdadeiras origens deste costume antiquíssimo. Contudo, uma tela de Goya que se encontra exposta no Museu do Prado, em Madrid, leva-nos a acreditar que o mesmo era mantido noutras regiões da Península Ibérica. De igual modo, a tradicional corrida à corda que se realiza nos Açores sugere-nos ter este costume sido levado para aquelas ilhas pelos colonos que as povoaram a partir do continente.

Em meados do século dezanove, o cronista pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou uma opinião baseada na mitologia, a qual publicou nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" e que pelo seu interesse a seguir reproduzimos:

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

INTERPRETAÇÃO

ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

TRADUÇÃO

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Acredita-se porém que, no local onde se ergue a igreja matriz de Ponte de Lima existiu outrora um templo pagão onde se prestava culto a uma divindade sob a forma de uma vaca representada num retábulo, o qual era trazido para o exterior e efectuava as referidas voltas ao templo. Em todo o caso e atendendo à elevada importância deste animal na economia doméstica de uma região tão propícia à sua criação em virtude dos seus pastos verdejantes, é perfeitamente natural que a vaca tenha aqui sido venerada como símbolo de fertilidade e de abundância e, desse modo, sido prestado-lhe o devido culto. Não é completamente injustificada a frequente representação deste animal nomeadamente no artesanato da região minhota, ao qual a barrista barcelense lhe deu cores e vivacidade que o ajudaram a tornar-se famoso em todo o mundo.

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A festa tem como um dos pontos altos a multidão a "tourear" o animal no areal da vila, por vezes com alguns populares a ir parar ao hospital com mazelas. Depois de ter sido interrompida durante dois anos por causa da pandemia, regressa agora nos moldes tradicionais, organizada por uma nova associação, a "Defensores da Tradição da Vaca das Cordas de Ponte de Lima", liderada pelo seu organizador há 40 anos, Aníbal Varela. O cartaz foi apresentado esta sexta-feira.

"Não se pode fugir à tradição e por isso a Vaca das Cordas este ano vai ser como de costume. Estamos como sempre na esperança que o animal seja bravo, porque ele é a atração da festa", disse Aníbal Varela, referindo: "Vamos ver. Os touros bravos são como um melão, nunca se sabe o que está dentro".

O animal é escolhido por Aníbal Varela para já no dia 14 servir de atração, principalmente para os alunos das escolas de Ponte de Lima. "Os miúdos fazem uma romaria para ver o touro. Aquilo já começa a ficar entranhado no sangue dos limianos desde pequeninos", comenta o organizador, que há quatro décadas substituiu na função, o seu avô. Alcindo Dantas, antigo jogador profissional do Sporting Clube de Braga, conhecido por "Taretas", esteve à frente da organização durante 60 anos". "Tenho orgulho em fazer a Vaca das Cordas. É uma festa muito bonita. É ao fim da tarde, dura duas horas, mas arrasta multidões", comenta Anibal.

Após o "toureio" do animal, os foliões permanecem em Ponte de Lima e vão pela noite dentro, a beber e a dançar nas ruas e bares da vila.

Fonte: Jornal de Notícias Foto: Rui Manuel Fonseca / Arquivo Global Imagens

Foto: José Vieira

Vaca das Cordas

 

PONTE DE LIMA EXPÕE OS MAIOS

Município de Ponte de Lima promove a Exposição “Os Maios”

Ponte de Lima é referência a nível nacional e internacional pela singularidade do seu património, mas também pela unicidade da sua cultura, tradições e costumes.

Esta parceria que se mantem sólida e assente na comemoração e valorização das nossas tradições e costumes, tem proporcionado a realização da Exposição d’Os Maios, no centro histórico da vila, ano após ano e atrai um número elevado de visitantes a Ponte de Lima, que lisonjeiam a forma peculiar e entusiasta de manter vivas as tradições do território.

É importante valorizar este legado de costumes especiais, tão identitários do nosso concelho, sendo estas comemorações e tradições que elevam Ponte de Lima para um pertinente patamar de distinção.

É com muita satisfação e orgulho que o Município de Ponte de Lima, pretende dar continuidade a esta celebração em conjunto com as Juntas de Freguesia, Escolas, IPSS’s e outras entidades do Concelho.

Assim, convida-se a visitarem a Exposição “Os Maios” entre os dias 1 e 5 de maio no exterior do edifício dos Paços do Concelho.

Podem contemplar a criatividade, a forma diversificada de elaboração e imaginação de todos os “Maios” presentes, elaborados pelas diferentes entidades do concelho.

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VIANA DO CASTELO: FESTA DAS ROSAS DE VILA FRANCA DO LIMA É UMA DAS ROMARIAS MAIS EMBLEMÁTICAS DO MINHO

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Vila Franca do Lima, no concelho de Viana do Castelo, está em festa de 10 a 13 de Maio. Trata-se da Festa das Rosas, uma das mais emblemáticas romarias minhotas, famosa pelo seu desfile de cestos floridos da Festa das Flores, confecionados com caules, folhas, botões e pétalas de flores naturais, que as mordomas transportam à cabeça para oferta a Nossa Senhora do Rosário.

A Festa das Rosas de Vila Franca, em Viana do Castelo, é a primeira grande romaria do calendário festivo do Alto Minho e passou a ser também a primeira festa do concelho a constar no Inventário do Património Cultural e Imaterial nacional.

Remonta a 1622, o costume dos cestos floridos de Vila Franca do Lima, ocasião em que foi constituída a Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Desde então, milhares de romeiros afluem a Vila Franca do Lima, todos os segundos domingos de Maio, em devoção ou simplesmente atraídos pela beleza singular da festa.

Desde há muito tempo que as Festas das Rosas se tornaram um cartaz turístico a atrair visitantes não apenas nacionais como estrangeiros, vindo deslumbrar-se com o colorido e a grandeza de uma das mais belas romarias minhotas.

Os cestos são revestidos e enfeitados com múltiplas flores naturais dos mais variados tons e matizes, pétalas e folhas que apresentam paisagens, monumentos, brasões e outros motivos decorativos que relevam bem o talento e a criatividade das mordomas que os transportam à cabeça e os vão oferecer a Nossa Senhora do Rosário, fixados por milhares de alfinetes de cabeça. Cada cesto florido pode atingir o peso de 50 quilos.

Fotos: https://www.romatours.pt/

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O MINHO PREEPARA-SE PARA A FESTA DOS MAIOS E DAS MAIAS

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Com a entrada do mês de Maio, enfeitam-se de giestas floridas as janelas das casas nas vilas e aldeias do Minho anunciando a chegada da Primavera em todo o seu esplendor e, com ela as flores que contribuem para alegrar a nossa existência, perfumar e dar colorido ao ambiente que nos rodeia. São as maias feitas de ramos de giestas com as suas flores amarelas as quais, por tradição, são colocadas nas portas e carros agrícolas, constituindo este costume uma forma de celebrar o renascimento da vida vegetal. No concelho de Caminha, em pleno Alto Minho, uma das localidades onde a festa é vivida com mais intensidade, as giestas floridas aparecem em todos os sítios.

Atualmente menos divulgada, a festa das maias foi noutras épocas celebrada em todo o país, tendo caído em desuso devido a sucessivas proibições devidas a rixas originadas pelo despique entre localidades ou ainda por motivos religiosos, como sucedeu em 1402 por imposição régia a qual determinava "nõ cantassem mayas, ne Janeiras, e outras cousas q eram contra a ley de deus". A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.

Também entre nós houve em tempos idos o costume de, por esta ocasião, coroar-se de flores uma jovem vestida de branco, prestes a entrar na primavera da vida, qual maia adornada de joias, fitas e flores que nos trazem à lembrança as fogaceiras de Santa Maria da Feira e as moças que levam à cabeça os característicos tabuleiros das festas de Tomar. E, tal como Flora entre os romanos, a jovem maia sentava-se num trono florido a cujos pés o povo dançava durante todo o dia, venerando desse modo a esbelta divindade pagã e celebrando os seus atributos que se permitiam o retorno dos vegetais. Conta ainda uma lenda antiga que em Lagos, no Algarve, tal costume incidia sobre um homem da terra que era adornado com as melhores joias, o qual percorria as ruas da cidade montado num asno. Sucedeu que, em certa ocasião, terminada que foi a volta pela cidade, o maio dirigiu-se para os campos junto da cidade e desapareceu para nunca mais ser visto. Em virtude do ocorrido, o povo que ainda espera o seu regresso com as joias que consigo levou passou a designar o Maio como "o mês que há-de vir"...

E, enquanto o Maio não chega para as gentes de Lagos, é altura de festejarmos as maias, alegrando as janelas com ramos de giestas floridas. Em breve virá a celebração do Corpus Christi e a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, as festas do Espírito Santo e a Coca em Monção, a festa das fogaceiras em terras de Santa Maria da Feira e as fogueiras pelo S. João a evocar o solstício do Verão. A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas e, pelo S. Miguel as desfolhadas ou descamisadas. Para trás fica o entrudus e as festas equinociais e pascais, a Serração da Velha e a Queima do Judas.

Assegurámos através do rito a ininterrupção do ciclo da natureza, participando desse modo na ação criadora dos deuses. Pela tradição, preservamos usos e costumes que chegaram até aos nossos dias e fazem parte do nosso folclore. Festejemos, pois, as maias, fazendo-as ressurgir com o mesmo colorido, alegria e pujança como nos tempos antigos!

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