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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: REDONDEL DA ARGAÇOSA VAI ABAIXO!

Aprovada demolição da praça de touros de Viana do Castelo

A Câmara de Viana do Castelo aprovou hoje por unanimidade a demolição "praticamente integral" da antiga praça de touros, desativada desde 2009, por considerar ser a "opção técnica e economicamente viável" para a reconversão do imóvel em 'campus' desportivo.

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Estamos a utilizar uma prerrogativa prevista no regulamento do Plano de Pormenor do Parque da Cidade (PPPC), que se prende com a alteração do uso. Há necessidade de refuncionalização do edifício e, quer a geometria quer o sistema construtivo trazem constrangimentos. Vamos manter a referência memorial do imóvel, mas vamos criar condições para, parcialmente, fazer ajustes demolindo sempre que necessário", explicou o vereador do Planeamento, Gestão Urbanística, Desenvolvimento Económico, Mobilidade e Coesão Territorial, Luís Nobre.

Em causa está a empreitada de requalificação e refuncionalização da antiga praça de touros da cidade que, em 2009, foi a primeira em Portugal a declarar-se antitourada, para equipamento destinado à função/uso desportivo, nomeadamente de ginástica.

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"Atendendo à exigência do programa a instalar, a implementação do mesmo está profundamente condicionada pela atual geometria do antigo equipamento, sendo cumulativamente agravado pela preexistência estrutural, a opção técnica e economicamente viável remete para uma solução de demolição praticamente integral", lê-se na proposta hoje aprovada em reunião camarária.

O documento refere que, "em consequência e para além da alteração funcional, a nova solução de projeto implica ligeiras alterações ao nível da implantação e volumetria, as quais, e ponderados os interesses subjacentes, considera-se a pretensão adequada, até mesmo desejável, continuando a garantir-se uma composição formal e estética coerente, bem como um correto enquadramento morfotipológico com a envolvente".

O documento será ainda submetido, na sexta-feira, à apreciação da assembleia municipal.

Em junho, o presidente da Câmara de Viana do Castelo disse hoje que a reconversão da antiga praça de touros da cidade em 'campus' desportivo começará em janeiro de 2020, sendo que até final de julho avançará o novo concurso público.

O primeiro concurso público para a execução da reconversão da antiga praça de touros da cidade em campus desportivo, com um investimento inicialmente previsto de 3,5 milhões de euros, foi anulado, em abril de 2018, por ter fechado deserto.

O aviso de abertura do primeiro concurso público para a reconversão da antiga praça de touros em complexo desportivo foi publicado em Diário da República a 21 de dezembro de 2017 e encerrou a 21 de janeiro do ano seguinte, sem qualquer proposta.

A obra de reconversão da antiga praça de touros, desativada desde 2009, ano em que cidade se declarou antitouradas, está integrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), candidatado a fundos comunitários do Portugal 2020.

A intenção da autarquia passa por transformar a antiga arena, com uma área de 3.800 metros quadrados e cerca de 65 metros de diâmetro, numa estrutura multifunções, que sirva o desporto e os jovens do concelho, apta para a prática de várias modalidades em simultâneo, como ginástica, esgrima, patinagem artística e hóquei em patins e basquetebol.

A futura "Praça Viana" será gerida pela Escola Desportiva de Viana (EDV), em regime de comodato, dotando a associação de condições adequadas para as inúmeras modalidades e para a formação dos jovens do concelho". A EDV tem mais de 1.300 atletas.

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com/

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O «DHIRIO» - A CHEGA DE BOIS EM GOA

A tourada, enquanto forma de luta envolvendo touros, é uma atividade desportiva muito popular em Goa, e uma prática ancestral ligada às comunidades agrárias.

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Em concani, é chamada de Dhirio.

Aqui, dois touros brigam entre si, geralmente numa área aberta. Às vezes, a tourada termina em 30 minutos, outras dura até 1 hora, dependendo da capacidade de luta dos touros.

A luta ocorre a qualquer momento, com base no desafio feito por ambos os proprietários dos touros.

Um treino diário é dado aos touros, levando-os para longas caminhadas, o que os mantêm em forma e prontos para a luta.

Estes touros de luta são mantidos separados de outros touros normais.

As lutas de touros são famosas no sul de Goa, e os goeses são loucos por assistirem a elas, em assistências que chegam a alguns milhares de pessoas.

Atualmente, esta manifestação cultural foi legalizada pelo governo indiano a revelia dos goeses, mas não totalmente banida, por continuar na clandestinidade.

A discussão pública mantém-se, com a vontade da comunidade católica em manter esta ancestral atividade à luz do dia.

Fonte: https://www.facebook.com/Galeria-dos-Goeses-Ilustres-290551081112191/?__tn__=kC-R&eid=ARBpvGIDorYWpiQB3OzXTingvsTfUDl-tNVcSwqDTmSo36gMPVx-AOFfLUoBARkmOmw9i89JW3JXHrCA&hc_ref=ARTyw2MQAAm3C4XysiL_93EODSyzaHMpphYjaF4tiL9jDwRkB0lYJ9lkDO_oFPU0OZQ&fref=nf&__xts__[0]=68.ARCh1YtU5udFzpA-CKMTeA4KB6EV_h3jl3mVHqBsf5174_qnviHMRkR9yDh1NE6GT9U7uJqXwrkzA0yly64xZ8Vgjpxyuz023e99dFlBpwC0gViG75Npvq5ELSf4I2i8SklOrRwxLwsUz5GYLgilL92sUI8nyTl6mGMfAFAIbm6b1XVr0ycO_WfQ3HNbRV9K5loUODI0YkTFm79Ztkzyx-ZJTk6GSRw6vnQ5ExRTPbr9Uu4ZVudP8TReDxnZnDgZUINfSv2N1_U8N3bPAHVOmG-UmbL2ePU2BHX75AYRAi1e9q7JsJR8e48zsRYsERH7-M21wR0z5KmOPH7JKRuWKk9JL-vLke4GDDU4wb4ChhjWFRQ2HY_fxMA

GOA PRESERVA TRADIÇÃO DA CHEGA DE BOIS

O tão apreciado sarapatel não é o único elemento cultural que une Goa e, de uma maneira geral, as gentes do antigo Estado Português da Índia à nossa região. Também as tradicionais chegas de bois muito comuns em Cabeceiras de Basto e no planalto barrosão que integra a vila minhota do Salto, são preservadas pelas gentes goesas de raízes católicas, as quais não professam portanto as crenças hindús nomeadamente em relação a estes animais.

Antes de votações, legalização de touradas de volta à agenda em Goa

O candidato do Congresso para o sul de Goa, Francisco Sardinha, que tinha movido uma resolução no Parlamento para a legalização de touradas em Goa durante a sua passagem anterior entre 2009-2014, prometeu levá-lo novamente.

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Apesar de ser banido por uma ordem da alta corte de Bombaim em Goa e mais tarde confirmada pelo Supremo Tribunal, as touradas continuam esporadicamente e é considerado o segredo mais bem guardado de Goa. O esporte que tem raízes na história colonial de Goa é praticado em aldeias dominadas por católicos de Goa. (FOTO HT)

 

A demanda longa de Goa pendente de legalização de touradas está de volta na agenda como as partes procuram superar uns aos outros em sua perseguição para o voto católico potencialmente significativo, que compõe um significativo 26% do eleitorado.

Com margens finas - muitas vezes na faixa de alguns milhares de votos - fazendo a diferença, os candidatos estão ansiosos para ir além do ordinário para garantir que todos os grupos de interesse são atendidos.

O candidato do Congresso para o sul de Goa, Francisco sardinha, que tinha movido uma resolução no Parlamento para a legalização de touradas em Goa durante a sua passagem anterior entre 2009-2014, prometeu levá-lo de novo,

"Eu sou a favor de touradas. Vou levá-la de novo. Quando os seres humanos lutam (boxe) você vê-los... Então, se os touros são feitos para combater o que está errado nele? Sardinha disse ao Hindustan Times.

Candidato BJP para o sul de Goa e sentado MP Narendra Sawaikar muito arremessados para a atividade.

"A tourada é uma coisa tradicional que vem acontecendo em Goa. Na matéria de Jallikattu, o governo da União tinha apoiado o carrinho (do governo do estado). Nós vamos apoiá-lo ", anunciou Sawaikar.

Apesar de ser banido por uma ordem da alta corte de Bombaim em Goa e mais tarde confirmada pelo Supremo Tribunal, touradas continua esporadicamente e é considerado o segredo mais bem guardado de Goa. O esporte que tem raízes na história colonial de Goa é praticado em aldeias dominadas por católicos de Goa.

Goa tem um eleitorado 11,31 lakh-forte que seja dividido ingualmente entre as circunscrições norte e sul de Goa, ambas detidas atualmente pelo BJP. Wooing católicos que compõem 26% do eleitorado do estado-16% no norte de Goa e 36% no sul de Goa-é visto como crucial para as chances de um candidato.

Ao contrário do esporte na Espanha, onde o touro necessariamente morre para acabar com a luta, localmente a luta termina quando um touro foge do local declarando o outro o vencedor, um fato que os apoiantes usam para fortalecer seu argumento.

Entretanto, os peritos legais permaneceram céticos sobre o movimento.

"Se houver uma mudança na lei central (prevenção da crueldade contra os animais Act), então touradas podem ser permitidas. Mas eu não acho que é viável porque foi banido, a proibição foi confirmada pelo HC e SC. Quando algo foi confirmado pelo SC, não vejo nenhuma justificativa para que o Parlamento intervenha e o altere ", afirmou o advogado Cleofato Almeida Coutinho acrescentando que Goa tem apenas dois MPs cuja influência é pouco.

A promessa de legalizar touradas tem sido repetida ao longo de vários anos por políticos com pouco sucesso como tentativas foram stonewalled pelo governo central e do Supremo Tribunal.

Gerard de Souza / https://www.hindustantimes.com/

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HOJE HÁ TOURADA EM PONTE DE LIMA - PROTESTO FOI DESCONVOCADO!

A manifestação de protesto convocada para hoje em Ponte de Lima através da rede social Facebook contra a realização de uma tourada acaba de ser desconvocada, alegadamente por engano na data com que a autarquia foi informada.

Refira-se que desde o 25 de abril de 1974, as manifestações não carecem de autorização, devendo apenas os organizadores informar as autoridades da sua realização por razões de segurança.

Os organizadores do protesto marcam nova convocatória para o próximo dia 8 de Setembro, fazendo coincidir com as Feiras Novas de Ponte de Lima.

Transcreve-se a referida nota publicada no Facebook:

“Boa tarde pessoal, devido a um erro de data no e-mail enviado à câmara municipal e por não ser possível corrigir por falta de tempo disponível por lei, lamento informar que o evento marcado para dia 11 vai ser cancelado...

Ficará desde já marcado e com tudo em ordem, para o dia 8 de setembro de 2019...

Obrigado pela compreensão”

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LIMIANOS SÃO INSULTADOS PELOS “ANTITAURINOS” E AS AUTORIDADES NÃO REAGEM PERANTE A LEI!

As gentes de Ponte de Lima têm vindo a ser sistematicamente insultadas nas redes sociais por pessoas e grupos que não se identificam com as tradições tauromáquicas. Não se trata da liberdade de expressarem os seus pontos de vista mas da forma agressiva, intolerante e sobretudo ofensiva com que se referem às nossas gentes. Não obstante, ainda não foram chamados à responsabilidade como deveriam, uma vez que a sua atitude é intolerável. Fazemos votos para que a autarquia pontelimense saiba defender a honra do seu povo contra os insultos de que tem sido alvo por parte de gente que não sabe o que é o respeito e a democracia. Passamos a transcrever aquilo que de forma insultuosa tem sido referido em relação aos limianos!

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E isto é a maior demonstração do atraso de mentalidade (atraso mental) destes cavernícolas.

OS DE PONTE DE LIMA CONTINUAM CAVERNÍCOLAS, E NEM COM SETE FERIDOS PARA UMA VACA MANSA APRENDEM A SER GENTE CIVILIZADA…

Em Ponte de Lima, a vila mais medievalesca do Norte de Portugal, o Corpo de Deus continua a ser violado pelo que denominam "vaca das cordas", uma prática boçal e primitiva, que o autarca-mor local, à falta de melhor, acha que traz muitos “turistas” e engorda os negócios…

Esquece-se o autarca-mor que tudo isto só desprestigia esta vila, e coloca-a na cauda dos vilarejos mais medievalescos do país.

E o que acontece quando os legisladores desconhecem o sentido da evolução?

Acontece isto:

Daqui saíram sete feridos… e um morto, diz que de morte súbita... (?) (número oficial autorizado, mas podem ser muitos mais). E diz que a vaca era mansa… e até tinha os cornos embolados… E estes sete feridos foram bastante aplaudidos pela turba encharcada de álcool.

E se fossem sete mortos?

Se fossem sete mortos a turba subia aos píncaros, e para a próxima trariam um touro com os cornos desembolados e previamente torturado para parecer “bravo”, o qual, usando do seu direito de defender-se com valentia, da chusma cheia de vinho e cerveja, poderia, com sorte, em vez de sete, mandar o dobro ou mais, desta para melhor.

E a turba, já bastamente “encharcada”, daria vivas aos mortos!

E o autarca-mor ficaria satisfeito pelo sucesso da “festa”, e o Corpo de Deusteria sido honrado com suor, sangue e muito vinho, como manda o costume bárbaro, que de tradição nada tem, pois não dignifica nem a terra, nem o povo.

E é assim que se divertem os broncos, em Ponte de Lima, em pleno século XXI D.C.

E estas imagens correrão mundo, para vergonha de Portugal, mas não para vergonha de quem não tem vergonha na cara.

Isabel A. Ferreira

Fonte: https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/os-de-ponte-de-lima-continuam-801145

VACA DAS CORDAS CORRE AMANHÃ EM PONTE DE LIMA - ESTE ANO A VACA É UM TOIRO DE 450 QUILOS!

Existe deste tempos remotos na vila de Ponte de Lima o peculiar costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás.

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Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

Quando soam as trindades, o espectáculo termina e dá lugar aos preparativos dos festejos que vão ocorrer no dia seguinte. As gentes limianas decoram as ruas com um tapete florido feito de pétalas e serrinha por onde a procissão do Corpo de Deus irá passar.

Com atrás se disse, desconhecem-se as verdadeiras origens deste costume antiquíssimo. Contudo, uma tela de Goya que se encontra exposta no Museu do Prado, em Madrid, leva-nos a acreditar que o mesmo era mantido noutras regiões da Península Ibérica. De igual modo, a tradicional corrida à corda que se realiza nos Açores sugere-nos ter este costume sido levado para aquelas ilhas pelos colonos que as povoaram a partir do continente.

Em meados do século dezanove, o cronista pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou uma opinião baseada na mitologia, a qual publicou nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" e que pelo seu interesse a seguir reproduzimos:

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

INTERPRETAÇÃO
ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

TRADUÇÃO

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Acredita-se porém que, no local onde se ergue a igreja matriz de Ponte de Lima existiu outrora um templo pagão onde se prestava culto a uma divindade sob a forma de uma vaca representada num retábulo, o qual era trazido para o exterior e efectuava as referidas voltas ao templo. Em todo o caso e atendendo à elevada importância deste animal na economia doméstica de uma região tão propícia à sua criação em virtude dos seus pastos verdejantes, é perfeitamente natural que a vaca tenha aqui sido venerada como símbolo de fertilidade e de abundância e, desse modo, sido prestado-lhe o devido culto. Não é completamente injustificada a frequente representação deste animal nomeadamente no artesanato da região minhota, ao qual a barrista barcelense lhe deu cores e vivacidade que o ajudaram a tornar-se famoso em todo o mundo.

Vaca das Cordas

PONTE DE LIMA MANTÉM A TRADIÇÃO DA CORRIDA DA VACA DAS CORDAS

Tradição em Ponte de Lima - Vaca das Cordas. Quarta-feira, 19 de junho / 18 horas

A vila mais bonita de Portugal, Ponte de Lima mantém a tradição da “Vaca das Cordas”.

A tradição é secular e acontece sempre na véspera do feriado religioso do Corpo de Deus, ao final da tarde, numa ação coordenada pela Associação dos Amigos da Vaca das Cordas com o apoio do Municipio de Ponte de Lima.

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 A tradicional corrida da “Vaca das Cordas” começa na rua do Arrabalde, seguindo em direção ao Largo da Matriz, cumprindo a tradição de dar três voltas à igreja. A “corrida” prossegue pelas ruas do Centro Histórico, até ao areal, onde milhares de pessoas tentam “fintar” o animal ou simplesmente assistir a este espetáculo popular. É um dia de festa, que mostra a alma e a tradição do povo.

O Cartaz a anunciar esta emblemática tradição limiana é da autoria do designer limiano, Ricardo Rodrigues com fotografia do conceituado fotógrafo limiano, Amândio Vieira.

Ponte de Lima acolhe milhares de forasteiros que desfrutam a noite a deliciar-se com a saborosa gastronomia e a assistir a este momento cheio de simbolismo e tradição.

A tradição cumpre-se, ainda, durante a noite com a confeção dos tapetes de flores nas ruas do Centro Histórico de Ponte de Lima. Na quinta-feira, 20 de junho, a partir das 16h30 horas, realiza-se a Procissão do Corpo de Deus.