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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O TOTALITARISMO ESPREITA AS NOSSAS TRADIÇÕES!

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Um minúsculo grupo político que ainda tem representação parlamentar - o PAN - veio recentemente a Ponte de Lima, a pretexto da corrida da Vaca das Cordas, anunciar a sua intenção de propôr na Assembleia da República a realização de um referendo à tauromaquia, misturando nela toda a espécie de tradições culturais como as chegas de bois, as touradas à corda dos Açores e as tão caraterísticas corridas da Vaca das Cordas.

Trata-se de uma clara manifestação de totalitarismo – a expressão máxima de autoritarismo – através da qual os seus promotores procuram exercer o controlo sobre todas as formas de vida pública e privada dos cidadãos. O regime totalitário tem como objetivo controlar praticamente todos os aspetos da vida em sociedade, incluindo a economia, educação, arte, ciência, vida privada e valores morais dos cidadãos.

Tal como preconizam, o exercício do direito ao referendo para esses fins levaria à extinção de praticamente todas as manifestações da vida cultural. O teatro, a ópera, o bailado, o folclore, a pesca, as atividades cinegéticas, os parques zoológicos passariam a ser proibidos e os seus promotores perseguidos… pessoa alguma poderia jamais comer um bife sob pena de ser chicoteada em público e o consumo da doutrina totalitária tornar-se-ía obrigatória! E, os minhotos ficariam impedidos de utilizar arados e carros de bois para aceder às leiras íngremes.

- É melhor referendar os totalitarismos enquanto é tempo!

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Fonte: Programa Eleitoral do PAN

VIEIRA DO MINHO: GARRAIADA NA AGRO VIEIRA FOI UM ESPETÁCULO DE SUCESSO

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A Agro Vieira, conhecida pelas suas festividades animadas e eventos emblemáticos, promoveu nesta edição uma garraiada. Tratou-se de um espetáculo que atraiu uma multidão entusiasmada e que cativou uma grande plateia empolgada.

O evento, que ocorreu no Parque dos Moinhos, foi um verdadeiro sucesso que encantou o público de todas as idades.

Com organização da Ganadaria de Campos, a garraiada proporcionou momentos de pura emoção e diversão. A atmosfera foi contagiante, com aplausos e risadas ecoando pelo local enquanto os participantes demonstravam a sua coragem diante dos touros.

A Agro Vieira mais uma vez demonstrou a sua capacidade de criar experiências memoráveis, unindo a comunidade em torno de tradições locais e entretenimento. A garraiada foi mais um exemplo do sucesso e da diversidade de eventos oferecidos por este importante festival agropecuário

VIEIRA DO MINHO: TRADIÇÃO E EMOÇÃO NAS CHEGAS DE BOIS

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No âmbito da Agro Vieira, o Parque dos Moinhos foi o cenário das tradicionais chegas de bois, realizadas no último fim de semana. O evento, que contou com 10 chegas de bois distribuídas entre sábado e domingo, atraiu muitos entusiastas e aficionados pela tradição.

Participaram nas chegas 20 exemplares de raça barrosã, conhecidos pela sua força e imponência, proporcionando um espetáculo empolgante e cheio de emoção para o público presente. Os combates entre os bois barrosões fizeram as delícias dos espetadores, que acompanharam de perto cada momento das disputas.

O Município de Vieira do Minho parabeniza os criadores e produtores pelo excelente espetáculo, reafirmando a qualidade e o compromisso dos envolvidos em manter viva essa tradição. A Agro Vieira continua a ser um evento de destaque, promovendo a cultura local, proporcionando entretenimento de alta qualidade aos seus visitantes.

PONTE DE LIMA: VACA DAS CORDAS ATRAIU ESTE ANO A MAIOR MULTIDÃO DE SEMPRE – FOTOS VIANA TV

Perde-se na origem dos tempos a tradição da corrida da vaca das cordas em Ponte de Lima, naturalmente mesmo muito antes em relação aos seus primeiros registos escritos como geralmente acontece em todos os factos históricos. Mas, a tradição pertence ao presente. E, a cada ano, a adesão do povo é maior. E, este ano, foi seguramente a maior de sempre

Fotos: Viana TV

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APROXIMAÇÃO DO FERIADO DE CORPO DE DEUS AO FIM DE SEMANA VAI TRAZER MILHARES DE VISITANTES A PONTE DE LIMA, CAMINHA E MONÇÃO

Tapetes Floridos - Caminha (1)

A corrida da Vaca das Cordas em Ponte de Lima, a Coca de Monção e os tapetes floridos para a procissão de Corpo de Deus em Caminha e Ponte de Lima constituem a principal atração para milhares de visitantes a estas localidades, a maioria oriunda da Galiza, Lisboa e Trás-os-Montes. 

Junta-se a estes eventos o Festival Internacional de Jardins que já abriu ao público em Ponte de Lima.

A ocorrência do feriado de Corpo de Deus próximo do fim-de-semana e a previsão de dias soalheiros com a temperatura a subir são mais do que convidativos para umas mini-férias no Alto Minho onde não faltam sequer a Coca de Monção. Uma quadra festiva a não perder!

Ponte de Lima (75)

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PONTE DE LIMA CORRE VACA DAS CORDAS E ATRAI MILHARES DE VISITANTES – LIMIANOS AUSENTES REGRESSAM ÀS ORIGENS – 29 DE MAIO

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Ponte de Lima revive no próximo dia 29 de Maio uma das suas tradições mais genuínas: a corrida da Vaca das Cordas. Ao começo da tarde, a vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz. Depois, dá três voltas em torno da igreja e é levada para o areal. O povo apinha-se no Largo de Camões e na ponte para ver os mais ousados correrem à frente da vaca que, por vezes é boi…

Existe deste tempos remotos na vila de Ponte de Lima o peculiar costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás.

Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

Quando soam as trindades, o espectáculo termina e dá lugar aos preparativos dos festejos que vão ocorrer no dia seguinte. As gentes limianas decoram as ruas com um tapete florido feito de pétalas e serrinha por onde a procissão do Corpo de Deus irá passar.

Com atrás se disse, desconhecem-se as verdadeiras origens deste costume antiquíssimo. Contudo, uma tela de Goya que se encontra exposta no Museu do Prado, em Madrid, leva-nos a acreditar que o mesmo era mantido noutras regiões da Península Ibérica. De igual modo, a tradicional corrida à corda que se realiza nos Açores sugere-nos ter este costume sido levado para aquelas ilhas pelos colonos que as povoaram a partir do continente.

Em meados do século dezanove, o cronista pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou uma opinião baseada na mitologia, a qual publicou nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" e que pelo seu interesse a seguir reproduzimos:

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

INTERPRETAÇÃO

ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

TRADUÇÃO

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Acredita-se porém que, no local onde se ergue a igreja matriz de Ponte de Lima existiu outrora um templo pagão onde se prestava culto a uma divindade sob a forma de uma vaca representada num retábulo, o qual era trazido para o exterior e efectuava as referidas voltas ao templo. Em todo o caso e atendendo à elevada importância deste animal na economia doméstica de uma região tão propícia à sua criação em virtude dos seus pastos verdejantes, é perfeitamente natural que a vaca tenha aqui sido venerada como símbolo de fertilidade e de abundância e, desse modo, sido prestado-lhe o devido culto. Não é completamente injustificada a frequente representação deste animal nomeadamente no artesanato da região minhota, ao qual a barrista barcelense lhe deu cores e vivacidade que o ajudaram a tornar-se famoso em todo o mundo.

Vaca das Cordas

A festa tem como um dos pontos altos a multidão a "tourear" o animal no areal da vila, por vezes com alguns populares a ir parar ao hospital com mazelas. Depois de ter sido interrompida durante dois anos por causa da pandemia, regressa agora nos moldes tradicionais, organizada por uma nova associação, a "Defensores da Tradição da Vaca das Cordas de Ponte de Lima", liderada pelo seu organizador há 40 anos, Aníbal Varela. O cartaz foi apresentado esta sexta-feira.

"Não se pode fugir à tradição e por isso a Vaca das Cordas este ano vai ser como de costume. Estamos como sempre na esperança que o animal seja bravo, porque ele é a atração da festa", disse Aníbal Varela, referindo: "Vamos ver. Os touros bravos são como um melão, nunca se sabe o que está dentro".

O animal é escolhido por Aníbal Varela para já no dia 14 servir de atração, principalmente para os alunos das escolas de Ponte de Lima. "Os miúdos fazem uma romaria para ver o touro. Aquilo já começa a ficar entranhado no sangue dos limianos desde pequeninos", comenta o organizador, que há quatro décadas substituiu na função, o seu avô. Alcindo Dantas, antigo jogador profissional do Sporting Clube de Braga, conhecido por "Taretas", esteve à frente da organização durante 60 anos". "Tenho orgulho em fazer a Vaca das Cordas. É uma festa muito bonita. É ao fim da tarde, dura duas horas, mas arrasta multidões", comenta Anibal.

Após o "toureio" do animal, os foliões permanecem em Ponte de Lima e vão pela noite dentro, a beber e a dançar nas ruas e bares da vila.

Fonte: Jornal de Notícias Foto: Rui Manuel Fonseca / Arquivo Global Imagens

PONTE DE LIMA: VACA DAS CORDAS CORRE NO PRÓXIMO DIA 29 DE MAIO

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Ponte de Lima revive no próximo dia 29 de Maio uma das suas tradições mais genuínas: a corrida da Vaca das Cordas. Ao começo da tarde, a vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz. Depois, dá três voltas em torno da igreja e é levada para o areal. O povo apinha-se no Largo de Camões e na ponte para ver os mais ousados correrem à frente da vaca que, por vezes é boi…

Existe deste tempos remotos na vila de Ponte de Lima o peculiar costume de, anualmente na véspera do dia de Corpo de Deus, correr uma vaca preta presa e conduzida pelos ministros da função que assim procedem com o auxílio de três longas cordas. Esse divertimento cuja verdadeira origem se desconhece mas que ainda se mantém e parece ganhar ainda mais popularidade, atraindo à terra numerosos forasteiros, era outrora executada por dois moleiros que a isso eram obrigados sob pena de prisão, conforme determinavam as posturas municipais. Muitos desses moleiros eram oriundos da Freguesia de Rebordões-Santa Maria, localidade que possuía numerosos moinhos e que, com a sua decadência, os moleiros da terra emigraram para o Brasil, fixando-se muitos em Goiás.

Ao começo da tarde, uma vaca preta é presa ao gradeamento da igreja Matriz, aí permanecendo exposta à mercê do povo que outrora, num hábito que com o decorrer do tempo se foi perdendo, por entre aguilhoadas e gritaria procurava embravecer o animal a fim de que ele pudesse proporcionar melhor espectáculo. Invariavelmente, às dezoito horas, lá aparecem os executantes da corrida que, após enlaçarem as cordas nos chifres da vaca, desprendem-na das grades e dão com ela três voltas em pesado trote em redor da igreja após o que a conduzem para a Praça de Camões e finalmente para o extenso areal junto ao rio Lima. E, por entre enorme correria e apupos do povo, alguns recebem a investida do animal aguilhoado e embravecido ou são enredados nas cordas, enquanto as janelas apinham-se de gente entusiasmada com o espectáculo a que assiste.

Quando soam as trindades, o espectáculo termina e dá lugar aos preparativos dos festejos que vão ocorrer no dia seguinte. As gentes limianas decoram as ruas com um tapete florido feito de pétalas e serrinha por onde a procissão do Corpo de Deus irá passar.

Com atrás se disse, desconhecem-se as verdadeiras origens deste costume antiquíssimo. Contudo, uma tela de Goya que se encontra exposta no Museu do Prado, em Madrid, leva-nos a acreditar que o mesmo era mantido noutras regiões da Península Ibérica. De igual modo, a tradicional corrida à corda que se realiza nos Açores sugere-nos ter este costume sido levado para aquelas ilhas pelos colonos que as povoaram a partir do continente.

Em meados do século dezanove, o cronista pontelimense Miguel dos Reys Lemos arriscou uma opinião baseada na mitologia, a qual publicou nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" e que pelo seu interesse a seguir reproduzimos:

"Segundo a mitologia, Io, filha do Rei Inaco e de Ismene - por Formosa e meiga - veio a ser requestada por Júpiter. Juno, irmã e mulher deste apaixonado pai dos deuses, que lia no coração e pensamentos do sublime adúltero e velava de contínuo sobre tudo quanto ele meditava e fazia, resolvera perseguir e desfazer-se da comborça que lhe trazia a cabeça numa dobadoura.

Ele, para salvar da vigilância uxória a sua apaixonada, metamorfoseou-a em vaca: - mas Juno, sabendo-o, mandou do céu à terra um moscardo ou tavão, incumbido de aferroar incessantemente a infeliz Io, feita vaca e de forçá-la a não ter quietação e vaguear por toda a parte.

Io, assim perseguida e em tão desesperada situação, atravessou o Mediterrâneo e penetrou no Egito: aí, restituída por Júpiter à forma natural e primitiva, houve deste um filho, que se chamou Epafo e, seguidamente, o privilégio da imortalidade e Osiris por marido, que veio ter adoração sob o nome de Ápis.

Os egípcios levantaram altares a Io com o nome de Isis e sacrificavam-lhe um pato por intermédio de seus sacerdotes e sacerdotizas: e parece natural que, não desprezando o facto da metamorfose, exibissem nas solenidades da sua predilecta divindade, como seu símbolo, uma vaca aguilhoada e errante, corrida enfim.

Afigura-se-nos que sim e, portanto, que a corrida da vaca, a vaca das cordas, especialmente quanto à primeira parte, as três voltas à roda da Igreja Matriz, seria uma relíquia dos usos da religião egípcia, como o boi bento, na procissão de Corpus-Christi, é representativo do deus Osiris ou Ápis, da mesma religião. E esta foi introduzida com todos os seus símbolos na península hispânica pelos fenícios, aceite pelos romanos que a dominaram, seguida pelos suevos e tolerada pelos cristãos em alguns usos, para não irem de encontro, em absoluto, às enraizadas crenças e costumes populares.

É que essa Ísis, a vaca de Júpiter, a deusa da fecundidade, teve culto especial precisamente na região calaico-bracarense, na área de Entro Douro e Minho; no Convento Bracaraugustano, ou Relação Jurídica dos Bracaraugustanos (povos particulares de Braga), de que era uma pequeníssima dependência administrativo-judicial o distrito dos límicos, prova-o o cipo encravado na face externa dos fundos da vetusta e venerada Sé Arquiepiscopal, - cipo que a seguirtranscrevemos inteirado, conforme a interpretação que em parte, nos ensinou e em parte nos aceitou o eruditíssimo professor do Liceu, Dr. Pereira Caldas:

ISID · AVG · SACRVM LVCRETIAFIDASACERD · PERP · P ROM · ET · AVG

CONVENTVVSBRACARAVG · D ·

INTERPRETAÇÃO

ISIDI AUGUSTAE SACRUM; LUCRETIA FIDA SACERDOS PERPETUA POPULI ROMANI ET AUGUSTI, CONVENTUUS BRACARAUGUSTANORUM DICAT

TRADUÇÃO

"SENDO LUCRÉCIA FIDA SACERDOTISA PERPÉTUA DO POVO ROMANO E DE AUGUSTO, O CONVENTO DOS BRACARAUGUSTIANOS DEDICA A ISIS AUGUSTA (OU: À DEUSA ISIS) ESTE MONUMENTO SAGRADO"

Acredita-se porém que, no local onde se ergue a igreja matriz de Ponte de Lima existiu outrora um templo pagão onde se prestava culto a uma divindade sob a forma de uma vaca representada num retábulo, o qual era trazido para o exterior e efectuava as referidas voltas ao templo. Em todo o caso e atendendo à elevada importância deste animal na economia doméstica de uma região tão propícia à sua criação em virtude dos seus pastos verdejantes, é perfeitamente natural que a vaca tenha aqui sido venerada como símbolo de fertilidade e de abundância e, desse modo, sido prestado-lhe o devido culto. Não é completamente injustificada a frequente representação deste animal nomeadamente no artesanato da região minhota, ao qual a barrista barcelense lhe deu cores e vivacidade que o ajudaram a tornar-se famoso em todo o mundo.

Vaca das Cordas

A festa tem como um dos pontos altos a multidão a "tourear" o animal no areal da vila, por vezes com alguns populares a ir parar ao hospital com mazelas. Depois de ter sido interrompida durante dois anos por causa da pandemia, regressa agora nos moldes tradicionais, organizada por uma nova associação, a "Defensores da Tradição da Vaca das Cordas de Ponte de Lima", liderada pelo seu organizador há 40 anos, Aníbal Varela. O cartaz foi apresentado esta sexta-feira.

"Não se pode fugir à tradição e por isso a Vaca das Cordas este ano vai ser como de costume. Estamos como sempre na esperança que o animal seja bravo, porque ele é a atração da festa", disse Aníbal Varela, referindo: "Vamos ver. Os touros bravos são como um melão, nunca se sabe o que está dentro".

O animal é escolhido por Aníbal Varela para já no dia 14 servir de atração, principalmente para os alunos das escolas de Ponte de Lima. "Os miúdos fazem uma romaria para ver o touro. Aquilo já começa a ficar entranhado no sangue dos limianos desde pequeninos", comenta o organizador, que há quatro décadas substituiu na função, o seu avô. Alcindo Dantas, antigo jogador profissional do Sporting Clube de Braga, conhecido por "Taretas", esteve à frente da organização durante 60 anos". "Tenho orgulho em fazer a Vaca das Cordas. É uma festa muito bonita. É ao fim da tarde, dura duas horas, mas arrasta multidões", comenta Anibal.

Após o "toureio" do animal, os foliões permanecem em Ponte de Lima e vão pela noite dentro, a beber e a dançar nas ruas e bares da vila.

Fonte: Jornal de Notícias Foto: Rui Manuel Fonseca / Arquivo Global Imagens

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