A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez aprovou a abertura de um procedimento concursal para a elaboração dos projetos de arquitetura e especialidades de engenharia com vista à reconstrução de um edifício destinado ao Centro Interpretativo do Corço, em Adrão, na freguesia de Soajo.
O novo centro irá funcionar na antiga Casa Florestal do Areeiro e terá como missão valorizar turisticamente este território, bem como divulgar o património natural e cultural do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).
Este projeto nasce da necessidade de valorizar e proteger um dos símbolos mais emblemáticos do concelho e imagem de marca do PNPG: o corço (Capreolus capreolus). Este pequeno cervídeo, conhecido pela sua elegância e agilidade, representa a biodiversidade e a beleza natural do Parque, sendo um elemento essencial do seu ecossistema.
O Centro Interpretativo do Corço pretende afirmar-se como um espaço de referência na interpretação e conservação desta espécie, promovendo a educação ambiental e o turismo sustentável. Através de uma abordagem interativa e envolvente, os visitantes serão convidados a descobrir a biologia, o comportamento e o habitat do corço, bem como a compreender a sua importância ecológica e cultural.
O projeto assenta em três pilares fundamentais, nomeadamente na Educação e Sensibilização Ambiental: o espaço oferecerá exposições interativas, atividades educativas e programas de sensibilização para todas as idades, com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre o corço e o seu habitat; no Turismo Sustentável: pretende-se promover o turismo de natureza responsável, proporcionando aos visitantes a oportunidade de observar o corço no seu habitat natural, de forma segura e respeitadora; na Comunidade e Cultura: o centro valorizará o património cultural e as tradições locais associadas ao corço, envolvendo a comunidade na sua gestão e promoção.
O Centro Interpretativo do Corço será um espaço vivo e dinâmico, onde ciência, educação e turismo se unem para proteger e celebrar um dos tesouros mais preciosos do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
O documentário “Soajo, uma comunidade multicultural” foi distinguido com quatro prémios no ART&TUR – International Tourism Film Festival 2025, realizado este ano no Fundão. A obra destacou-se tanto na competição internacional como na nacional, reforçando a visibilidade do património cultural português no panorama mundial.
Na vertente internacional, o filme arrecadou os prémios de Best Documentary, 1.º Prémio Environment & Ecology e 1.º Prémio Culture & Heritage (ex-aequo). Já a nível nacional, conquistou o 1.º Lugar Cultura & Património.
Realizado por Tiago Cerveira, com produção de Luísa Pinto e Filipe Morato Gomes, e banda sonora de Daniel Pereira Cristo, o documentário valoriza a diversidade cultural e a identidade do Soajo, em Arcos de Valdevez. O reconhecimento conquistado no festival é também interpretado como um incentivo à missão do projeto Rostos da Aldeia, que procura dar voz e visibilidade às comunidades rurais portuguesas.
IIustração Portuguesa. Lisboa: Empresa do Jornal O Século. N.º 284 (31/07/1911), p. 140. Imagem integrada na reportagem "Como eu visitei as serras do Soajo e da Peneda". Julho de 1911 | Fonte: ANTT
Os espigueiros são construções de arte popular ligadas à cultura do milho
Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural, um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!
Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflete a grandeza da produção que normalmente é efetuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.
Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.
A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.
A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.
Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas retangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.
Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insetos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.
Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efetuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.
Para além dos elementos arquitetónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.
Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.
Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.
A Vila de Soajo voltou a ser palco de grande animação com o regresso da Feira de Artes e Ofícios Tradicionais, que atraiu centenas de visitantes à localidade. O evento, promovido pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e pela ARDAL – Associação Regional para o Desenvolvimento do Alto Lima, em parceria com o Soajo Outdoor Fest, contou ainda com a colaboração da Junta de Freguesia de Soajo, da Assembleia de Compartes dos Baldios de Soajo, dos Ranchos Folclóricos de Vilarinho das Quartas e das Camponesas de Soajo e da Associação EN Cantar Soajo.
O certame ofereceu aos visitantes uma mostra rica de produtos locais e artesanato, bem como uma zona dedicada à gastronomia regional, onde não faltaram petiscos típicos e iguarias tradicionais, harmonizados com o vinho verde da região.
O programa de animação cultural e recreativa foi vasto e diversificado, destacando-se as atuações das Fiadeiras e Cantadeiras de Soajo, as Rusgas Populares, a tradicional malhada do milho na Eira dos Espigueiros e o desfile da tradição. Contou ainda com a presença de 2 ranchos folclóricos de Soajo, cantares ao desafio, atuação de Dj´s na Eira dos Espigueiros, entre os quais, o Dj Eight, Miguel Rendeiro, Jam e Xinobi, a tão aguardada atuação de Quim Barreiros, entre outros projetos musicais e lúdicos.
Além da feira e da vertente gastronómica, esta edição ofereceu ainda uma programação para todas as idades, com workshops criativos, atividades outdoor, observação astronómica, marionetas, música e dança e muito mais.
A Feira de Artes e Ofícios Tradicionais de Soajo afirma-se, assim, como um evento de celebração da cultura popular, aliada à modernidade, das tradições ancestrais e do saber fazer das gentes da região, promovendo o território e dinamizando a economia local.
Não saio dos Arcos sem falar aos turistas no cabrito do Soajo, tenro dos reforços do Mezio, o “cozido à portuguesa” com os enchidos das “verandas”, aqueles charutos de ovos (que divinos), os não menos conhecidos rebuçados dos Arcos e aqueles bacelos de primeira toma da Quinta de “Campos de Lima” que hão-de frutificar na “agulha do saltitante, freco e capitoso vinho verde.
Fonte: Francisco Sampaio in “Alto Minho – Região de Turismo”. Casa do Concelho de Ponte de Lima, Lisboa, 1997.
Este é um evento que celebra a cultura, as tradições e o saber fazer das gentes da Vila de Soajo. A inauguração da Feira será esta sexta-feira, dia 25 de julho, às 20h, no Largo do Eiró.
A Feira de Artes e Ofícios Tradicionais de Soajo é promovida pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e pela ARDAL – Associação Regional para o Desenvolvimento do Alto Lima, em parceria com o Soajo Outdoor Fest. Conta ainda com a cooperação da Junta de Freguesia de Soajo, da Assembleia de Compartes dos Baldios de Soajo, do Rancho Folclórico da Associação de Vilarinho das Quartas e do Rancho Folclórico Camponesas de Soajo, da Associação EN Cantar Soajo, da Casa do Povo de Soajo e do Centro Social e Paroquial de Soajo.
O certame é composto por uma exposição de produtos locais e artesanato, associado a um vasto programa de animação. Na componente exposição, há um espaço destinado para as tasquinhas e os restaurantes da localidade que terão à disposição dos visitantes muitos petiscos e iguarias, acompanhados pelo vinho verde da região.
O programa de animação é variado, com destaque para os eventos de natureza, culturais e tradicionais, tais como as Rusgas Populares, as Fiadeiras e as Cantadeiras de Soajo, a malhada do milho, o desfile da tradição e a atuação de Ranchos Folclóricos. Também irão decorrer iniciativas mais contemporâneas como atuações musicais, atuações de dj´s, workshops, trilhos, escalada, yoga, entre outras atividades.
A destacar no sábado, dia 26 de julho, às 22h, a atuação do cantor popular Quim Barreiros, no Largo do Eiró.
A vila de Soajo é dos destinos concelhios mais procurados. Integrante do Parque Nacional da Peneda Gerês é um dos ex-libris da região, declarado como Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco, chamando à atenção pela sua riqueza cultural e natural.
Fique a conhecer melhor a nossa cultura, as nossas tradições e a nossa gastronomia.
A Câmara Municipal deu início à obra e pavimentação do Caminho do Gião, na freguesia de Soajo, com a consignação dos trabalhos no valor de 142.503,16€.
Esta intervenção tem como principal objetivo melhorar as condições de circulação e segurança para os residentes e utilizadores desta via, contribuindo igualmente para o desenvolvimento infraestrutural da zona envolvente.
A empreitada contempla a pavimentação de uma extensão de aproximadamente 770 metros, substituindo o atual traçado em terra batida por revestimento em cubo de granito – uma solução que conjuga durabilidade, integração paisagística e valorização do espaço público.