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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FAMALICÃO: CDU AFIRMA SER A OPÇÃO QUE VOTO QUE DEFENDE QUEM VIVE DO SEU TRABALHO E A JUSTIÇA SOCIAL

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Os trabalhadores da empresa de transporte e logística Olicargo realizaram uma jornada de luta, com greve e concentração, promovida pelo SITE/Norte - CGTP/IN, em Vila Nova de Famalicão. Os trabalhadores exigem aumento dos salários e condições dignas de trabalho.

Os trabalhadores desta empresa que presta serviços à Continental-Mabor denunciam a redução real dos ordenados a cada ano que passa, apesar de aumento da produção que torna a carga de trabalho diária mais pesada e aumenta os lucros.

A CDU marcou presença solidária. Vítor Rodrigues, candidato ao Parlamento Europeu e vereador da Câmara de Braga, teve oportunidade de se dirigir aos trabalhadores afirmando “é necessário romper com as políticas de compressão salarial, com a redução de direitos sociais e laborais, com a política de referenciais mínimos que procura um nivelamento por baixo das condições de vida e de trabalho, contida no designado «Pilar Europeu dos Direitos Sociais». É necessário romper com o aumento das desigualdades na distribuição da riqueza, com as crescentes injustiças sociais, resultado de sucessivas estratégias desreguladoras e liberalizadoras”.

Para a CDU, os discursos da noite enfatizaram a necessidade de mudança e a importância de uma luta contínua para alcançar um Portugal mais justo e desenvolvido, onde os trabalhadores sejam verdadeiramente valorizados.

Luta que passa pelo reforço da CDU e eleição de deputados comprometidos com o povo, os trabalhadores e o País, cá em Portugal, como em Bruxelas.

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ALEXANDRE VIEIRA AGREDIU O DR. FIDELINO DE FIGUEIREDO (DIRECTOR DA BIBLIOTECA NACIONAL) COM UM TINTEIRO E RESPONDEU PERANTE O TRIBUNAL

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Operário gráfico, tipógrafo e jornalista, Alexandre Vieira destacou-se enquanto figura relevante do movimento operário e do sindicalismo revolucionário nos últimos anos da Monarquia e durante toda a 1.ª República, tendo sido o primeiro director do periódico A Batalha, esbatendo-se a sua intervenção sindical e política a partir da década de 1930.

Filho do ferroviário José Fernandes Vieira, nasceu no Porto, na freguesia de Santo Ildefonso, em 11 de Setembro de 1880, com apenas dez anos era aprendiz de latoeiro em Viana do Castelo e aos quinze iniciou, em Coimbra, a sua vida de tipógrafo, profissão a que ficou sempre associado. 

Dirigiu, em Viana do Castelo, O Lutador, órgão local da Federação das Associações Operárias e filiou-se na Associação dos Compositores Tipográficos quando se fixou em Lisboa.

Conviveu com Adolfo Lima [28/05/1874 - 27/11/1943], António Tomás Pinto Quartin [15/01/1887 - 07/02/1970], Aurélio Pereira da Silva Quintanilha [24/04/1892 - 27/06/1987], Emílio Martins Costa [21/02/1877 - 17/02/1952], João Evangelista Campos Lima [1877 - 1956] e Neno Vasco [09/05/1878 - 15/09/1920], quase todos da sua geração, e tornou-se activista do sindicalismo revolucionário. 

Em 1908, durante escassos seis meses, dirigiu o diário A Greve, em colaboração com o anarquista Pinto Quartin e o socialista Fernandes Alves, periódico substituído, em Novembro de 1910, pelo semanário O Sindicalista.

Alexandre Vieira esteve activo durante os dezasseis anos da 1.ª República: participou no Congresso Operário de 1911 e no Congresso Nacional Operário de Tomar, realizado em Março de 1914, assembleia onde se deliberou a criação da União Operária Nacional e seria eleito secretário-geral da Comissão Executiva; integrou, em 1916/1917, a  Comissão de Sindicalistas que diligenciou junto de Afonso Costa devido à galopante carestia de vida; foi o primeiro director do jornal A Batalha, cujo primeiro número saiu em 23 de Fevereiro de 1919; e interveio como delegado ao II Congresso Operário Nacional, realizado em Setembro de 1919, em Coimbra, reunião que criou a Confederação Geral do Trabalho (CGT) em substituição da União Operária Nacional.

Preso por oito vezes, sem nunca ir a julgamento, passou pelas prisões do Limoeiro e do Governo Civil, tendo também permanecido detido no Forte de Elvas, Alexandre Vieira manteve um trajecto muito peculiar no movimento sindical, não procurando rupturas com os diferentes intervenientes da época e convivendo com alguns dos principais intelectuais republicanos e socialistas.

Chefiou a tipografia da Seara Nova e, depois, a da Biblioteca Nacional quando Jaime Cortesão [29/04/1884 - 14/08/1960] e Raul Proença [10/05/1884 - 20/05/1941] assumiram a sua direcção. Foi aqui que, já depois de instituída a Ditadura Militar e demitidos aqueles, Alexandre Vieira seria preso pela nona vez, na sequência de um conflito laboral com Fidelino de Figueiredo [20/07/1888 - 20/03/1967], o novo director da instituição nomeado em 16 de Fevereiro. 

Em defesa dos direitos laborais que o novo Director resolveu retirar aos gráficos, Alexandre Vieira e mais doze operários foram recebidos por Fidelino de Figueiredo no seu gabinete, em 3 de Março de 1927. Perante a ordem de expulsão de Alexandre Vieira do edifício e a agressividade crescente de Fidelino Figueiredo, aquele, sentindo-se ameaçado fisicamente, deu-lhe dois murros. 

Alexandre Vieira foi detido, juntamente com os doze operários, e levado para o Governo Civil, onde permaneceu uma semana e foi submetido a diversos interrogatórios policiais. Em 10 de Março, passou para o Forte de Monsanto e, em 14 de Maio, seguiu, sozinho, para a Cadeia do Limoeiro, sendo libertado, sob fiança e a aguardar julgamento, dois dias depois.

O julgamento realizou-se no Tribunal da Boa Hora em 23 de Junho de 1927, sendo o advogado de defesa Amílcar da Silva Ramada Curto [06/03/1886 - 15/10/1961] e tendo por testemunhas Afonso Lopes Vieira [26/01/1878 - 25/01/1946], António Augusto Ferreira de Macedo [1887 - 1959], Aurélio Quintanilha e José de Figueiredo [21/12/1872 - 18/12/1937]. Foi condenado a 30 dias de prisão.

No ano seguinte, participou, "como delegado fraternal", no Congresso da Internacional Sindical Vermelha realizado em Moscovo, disso dando conta no livro Delegacia a um congresso sindical [1960].

Alexandre Vieira continuou a intervir civicamente no âmbito da Universidade Popular Portuguesa, conjuntamente com Augusto Carlos Rodrigues, Avelino Henriques da Costa Cunhal [28/10/1887 - 19/12/1966], Bento de Jesus Caraça [18/01/1901 - 25/06/1948], José Carlos de Sousa e Luís Hernâni Dias Amado [19/01/1901 - 22/01/1981]. 

Faleceu em 26 de Dezembro de 1973, com 93 anos de idade e a 4 meses de viver em plena Liberdade.

Fonte: http://silenciosememorias.blogspot.com/ / Foto: ANTT

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ALEXANDRE VIEIRA – MILITANTE SINDICALISTA E VIANENSE POR ADOPÇÃO – FUNDOU O JORNAL “A BATALHA” HÁ 105 ANOS

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No dia 23 de fevereiro, no ano de 1919, era publicado o primeiro número daquele que será o jornal político mais antigo em Portugal, “A Batalha”, que, a partir de setembro, se tornará o órgão oficial da Confederação Geral do Trabalho (CGT), central operária anarcossindicalista.

No seu primeiro número anunciava ao que vinha: “um jornal onde os espezinhados, a cujo número pertencemos, encontrem um defensor apaixonado e a classe poderosa um adversário contumaz das prerrogativas de que goza ilegitimamente”.

Em setembro de 1919, na sequência de um período de grande intensificação das lutas sociais e ainda sob o espectro da Revolução Russa de 1917 e do fim da I Guerra Mundial, seria fundada a CGT. Ao longo da República e da Ditadura Militar, a CGT liderará inúmeras lutas operárias, sofrendo na pele a repressão, prisão e deportação de muitos dos seus militantes.

Já com a Ditadura Militar a publicação de “A Batalha” é interrompida em maio depois de a sua sede ser destruída e saqueada e o equipamento destruído. Durante o Estado Novo, nas décadas de 30 e 40, refletindo o refluxo e perda de capacidade e de influência do anarco-sindicalismo que não consegue adaptar-se às condições da clandestinidade, a frequência de publicação foi reduzida, fazendo-se a partir de tipografias clandestinas

Voltaria a ser publicado após o 25 de Abril pela mão do histórico Emídio Santana. Ao fim de 102 anos continua a sair para as bancas, tendo comemorado em 2019 o seu centenário.

Fonte: Museu do Aljube, Resistência e Liberdade

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GUIMARÃES SAIU À RUA NO 1º DE MAIO DE 1974

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Manifestação promovida pelo Sindicato Têxtil de Guimarães, com sede em Guimarães, com a colaboração da Comissão Concelhia do Movimento Democrático do Distrito de Braga. A concentração teve lugar junto ao Paços dos Duques de Bragança e daí partiu um cortejo cívico pelas ruas da cidade em direção ao Estádio Municipal. Aí discursaram, entre outros, o Dr. Joaquim Santos Simões, o Dr. António Mota Prego e João Oliveira Ribeiro.

Fonte: Arquivo Municipal Alfredo Pimenta

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NO DIA 1º DE MAIO DE 1904, OS TRABALHADORES SAIRAM À RUA EM LISBOA PARA HOMENAGEAR JOSÉ FONTANA

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Dia Internacional do Trabalhador comemora-se em Portugal há mais de um século

Passam precisamente 120 anos sobre a data em que, por ocasião das celebrações do 1º de maio, os trabalhadores saíram à rua em Lisboa e desfilaram até às Picoas onde, frente ao edifício do então matadouro municipal, procedeu ao lançamento da primeira pedra de um monumento a ser erguido em homenagem a José Fontana.

Na ocasião, Azedo Gneco procedeu à entrega ao vereador Sabino de Sousa do martelo “com que havia de bater a pedra fundamental do monumento”, como refere a revista Ilustração Portugueza à época.

Influenciado pelos ideais anarquistas de Proudhon e Bakunine, José Fontana foi um dos pioneiros dos ideários socialistas em Portugal, tendo participado na organização cas conferências do Casino e na fundação do Partido Socialista Português, tendo também participado na redação dos estatutos do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas.

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1º DE MAIO: A DATA QUE SIMBOLIZA O TRABALHO – CRÓNICA DE GONÇALO FAGUNDES MEIRA

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Comemorações do 1º de Maio em Viana do Castelo em 1938

Génese e efeitos

O mundo do trabalho foi sempre insubmisso e determinado, fatores que se podem considerar determinantes na evolução das sociedades, na conquista do progresso e na melhoria das condições de vida de quem vende a sua força de trabalho. Mas assim teria que ser.

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A imagem mostra as comemorações do 1º de Maio de 1977 em Viana do Castelo

Do trabalho, quase sempre escravo, de milhões de operários resultou a construção de impérios, a constituição de grandes grupos económicos, o enriquecimento, por vezes chocante, de uma elite financeira que determinava e geria as economias de acordo com os seus interesses, nem que para isso fosse preciso estabelecer guerras nas quais sucumbiriam milhões de pessoas.

O capital, salvo raras exceções, mostrou-se sempre insensível ao trabalho sem direitos e à pobreza que reduzia populações inteiras à condição de seres vegetantes, desprovidos até de bens essenciais, como são a alimentação e o vestuário. Ainda há praticamente meio século, em Portugal, não faltava gente que, nas aldeias, aceitava trabalhar no campo dos grandes lavradores por pouco mais que a alimentação, parca e de baixa qualidade. Se hoje o trabalho em boa parte do planeta, especialmente nos países mais evoluídos, é mais justamente remunerado, em boa medida se deve à combatividade dos trabalhadores, à sua consciencialização e à sua valorização profissional.

Não é de estranhar por isso que no primeiro dia de maio de 1886, já de forma organizada, na sequência de regulares, e por vezes violentas, agitações que iam acontecendo, especialmente nos locais de trabalho onde havia uma forte concentração de trabalhadores, se decretasse uma greve geral em todos os Estados Unidos e que meio milhão de trabalhadores se manifestasse nas ruas de Chicago, em luta pela jornada das 8 horas de trabalho. Apesar da repressão dos feridos e dos mortos nesta primeira ação devidamente concertada, três anos depois, em 1889, reunido em Paris, o Congresso Operário Internacional decreta o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, considerando-o um dia de homenagem aos caídos, mas também de luta na base de novas reivindicações. No ano seguinte, os trabalhadores americanos festejaram a conquista da jornada de trabalho de oito horas, o mesmo acontecendo em França em 1919 e veio posteriormente a acontecer em vários outros países considerados desenvolvidos.

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Comemorações do 1º de Maio em Viana do Castelo em 1980

1º de Maio em Portugal

Em Portugal o 1º de Maio passou a ser comemorado logo em 1890, sendo estas comemorações vistas com simpatia pelo rei D. Carlos, o “Diplomata”, que tinha assumido o poder precisamente em 1889. Porém, de forma praticamente simbólica e até festiva, a que também se associavam as entidades patronais, por considerarem que o dia também lhes tocava. Contudo, em 1910, o fim da Monarquia e o estabelecimento da República criou novas formas de estar na sociedade portuguesa e animou as reivindicações do movimento operário, ao ponto de, depois de ativas lutas, em 1919, se ter conquistada e consagrado em lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.

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Comemorações do 1º de Maio em Viana do Castelo em 1975

Com a instalação do Estado Novo (1933/1974) e a imposição da doutrina do corporativismo, em que se tentava amalgamar os interesses de todas as classes sociais, como se não houvesse interesses distintos entre estas, todas as manifestações do 1º de Maio foram proibidas, sendo o dia comemorado com caráter oficial todos os anos em local diferente, fazendo-se destas comemorações ações festivas de apologia ao regime em vigor, tentando desta forma abolir a luta de classes e conciliar os interesses de empregados e empregadores. Alguns exemplos de locais das comemorações: 1934 em Braga, 1935 em Guimarães (imag. 1 – revista Ilustração, 16/5/35); 1937 em Famalicão (imag.2 – revista ilustração, 16/5/37); 1938, em Viana do Castelo (imag. 3), neste ano de forma fatídica, já que um autocarro que transportava pessoas vindas de outros locais para as comemorações, foi colhido pelo comboio quando atravessava a passagem de nível situada em frente à igreja do Carmo, tendo do acidente resultado duas dezenas de mortos (imag. 4 – revista Ilustração, 16/5/5/38).

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Mas a ditadura Salazarenta não conseguiu abafar de todo as comemorações do 1º de Maio em contexto combativo e de forte reivindicação, especialmente nos grandes meios operários, industriais, agrícolas e mesmo de serviços, como era o caso dos trabalhadores do comércio, bancários e outros. O Estado Novo sempre procurou, em todos os setores de trabalho, nomear gente alinhada com a situação para constituir e integrar os sindicatos, tornando estes dóceis, facilmente manobráveis e nada apoiantes das lutas dos seus representados. Daí que todas as ações de protesto fossem conduzidas, ou por sindicatos não reconhecidos oficialmente, ou por comités eleitos pelos trabalhadores. Com o início da guerra colonial em Angola, em 1961, e a agitação a crescer de tom, o 1º de Maio recrudesceu de politização, passando a englobar igualmente a luta pela libertação dos povos colonizados. São bem conhecidas as manifestações de 1962, pela dimensão que atingiram particularmente em Lisboa, Porto e Setúbal, com mais de cem mil manifestantes.

O 1º de Maio em Viana do Castelo

Com a fundação dos ENVC em 1944, Viana ganhou um outro nível de consciencialização. A forte concentração operária aí instalada, gente semianalfabeta porque oriunda dos campos, mas enquadrada em ambiente propício à sua politização, em boa medida mercê ainda da consciencialização dos chamados mestres de Lisboa, quase todos oriundos dos Estaleiros da CUF, muitos deles já ativistas políticos, a cidade tornou-se mais agitada politicamente, sendo os trabalhadores dos Estaleiros muito requisitados para integrar as associações existentes e criar outras para os mais diversos fins. Apesar de a empresa contar com agentes da PIDE no seu interior, como ficou provado depois da revolução em 1974, as administrações procuraram sempre alhear-se de questões de ordem politica, mesmo sabendo da necessidade de contar com as boas vontades do Estado para a construção dos navios que serviam as frotas de guerra, mercante, e pesqueira do país. Daí que nos ambientes de trabalho se conspirasse e articulassem ações por melhores condições de trabalho e pela eleição de dirigentes sindicais verdadeiramente representativos dos trabalhadores. Mas as comemorações do 1º de Maio, dada a dificuldade de concentrar gentes em ambiente de província, onde ainda predominava muito atraso, nunca foram além de atividades isoladas.

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Com o advento do Marcelismo, embora a abertura desejada não fosse além da mera cosmética, a atividade sindical recrudesceu e os sindicatos corporativos eram cada vez mais postos em causa. Era o tempo em que praticamente por todo o país as organizações sindicais eram tomadas por verdadeiros sindicalistas, se avançava para as greves sem receios, se negociavam contratos de trabalho respeitadores dos direitos dos trabalhadores e se discutia mais abertamente alterações ao regime vigorante. E foi nesta conjuntura, com este estado de espírito, especialmente das gentes do trabalho por conta de outrem, que se criaram as condições para o saneamento de todos aqueles que nunca foram mais que meros servidores do Estado Novo. Foi assim que o Movimento Sindical foi todo varrido onde era necessário e ocupado por gente devotada e com vontade de servir quem a elegeu. Viana também não ficou de lado nesta dinâmica revolucionária e, com um Movimento Sindical estruturalmente vivo, as primeiras manifestações do 1º de Maio, como mostram as imagens 5, ano de 1975; 6, ano de 1978; e 7, ano de 1980, constituíram grandes concentrações de massas, apostadas em contribuir para uma nova mentalidade social. Hoje, apesar do longo caminho percorrido e da valorização das classes trabalhadoras, e do povo em geral, a apatia parece querer instalar-se de novo. Mas isso é assunto para outras análises, que o espaço agora não comporta. Que perdure a convicção de que o 1º de Maio constitui a mais significativa etapa na vida do Movimento Operário.

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MANUEL CARVALHO DA SILVA – NOME HISTÓRICO DO SINDICALISMO PORTUGUÊS – VEM A VILA VERDE FALAR SOBRE O SINDICALISMO DESDE O ESTADO NOVO ATÉ À ATUALIDADE

Prossegue na próxima sexta-feira, dia 15, o Projeto AQUI HÁ CULTURA!, iniciativa conjunta do Município de Vila Verde e da Escola Profissional Amar Terra Verde, com uma conferência subordinada ao tema “Trabalho e Sindicalismo: grandes questões do Estado Novo ao presente”, proferida por Manuel Carvalho da Silva, figura histórica do sindicalismo português.

A conferência decorrerá às 21h30, na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela.

Manuel Carvalho da Silva foi operário eletricista, planificador de trabalho, sindicalista, coordenador e secretário-geral da CGTP-Intersindical Nacional entre 1986 e 2012. Licenciado e doutorado em Sociologia pelo ISCTE-IUL, é coordenador do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (CoLABOR) e do polo de Lisboa do CES da Universidade de Coimbra. Foi, designadamente, Professor Catedrático convidado da Universidade Lusófona, Vice-Presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho e coordenador do Observatório Sobre Crises e Alternativas. É Membro do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Saúde do Alcoitão. Autor de vários livros e capítulos de livros e de centenas de artigos sobre trabalho, emprego, sindicalismo, Estado Social, Europa, globalização. Tem ampla participação no debate público e académico.

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BLOCO DE ESQUERDA QUER RETRIBUIÇÃO MÍNIMA GARANTIDA AOS PESCADORES

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O Bloco de Esquerda reuniu, na tarde desta quinta-feira, com o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Norte, que representa trabalhadores do setor da pesca de Viana do Castelo, Porto, Braga e Aveiro.

Neste encontro, Adriana Temporão concordou com a necessidade de reforçar os direitos laborais destes trabalhadores e lamentou a precariedade a que estão sujeitos, muitas vezes despedidos no fim da época e recontratados alguns meses depois pela mesma empresa.

A cabeça de lista afirmou ainda ser necessário garantir uma retribuição mínima obrigatória, que lhes garanta um salário digno constante ao longo do ano. A bloquista defende ainda um período de descanso de pelo menos 12 horas, evitando cansaço acumulado que possa comprometer a sua segurança.

Sobre os parques eólicos offshores, o Bloco de Esquerda acompanha a posição do sindicato que recusa receber subsídios ou indemnizações para não trabalhar, uma vez que pode pôr em causa a sustentabilidade deste setor.

VIANA DO CASTELO: BLOCO DE ESQUERDA DEFENDE MAIS DIREITOS PARA TRABALHADORES POR TURNOS E RECUPERAÇÃO DA CONTRATAÇÃO COLETIVA

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A candidatura do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo reuniu, na manhã desta quarta-feira, com a União de Sindicatos de Viana do Castelo, com o objetivo de conhecer as dificuldades que os trabalhadores do Alto Minho enfrentam.

No final do encontro, Adriana Temporão afirmou a urgência dos aumentos dos salários, não só o mínimo, mas também os médios, para que os trabalhadores possam ter uma vida digna. Para isso, a candidata propõe a recuperação da contratação coletiva, reforçando o poder negocial dos trabalhadores, e a implementação da semana de 4 dias e das 35 horas no setor privado.

A cabeça de lista bloquista reforçou ainda as propostas para os trabalhadores por turnos, nomeadamente garantir mais direitos para terem mais tempo para viver, incluindo mais dias de férias e reforma antecipada.

A candidata lamentou as discriminações salariais no setor social de cuidados, quando comparadas as IPSS e as Misericórdias, pelo que entende ser necessário um contrato coletivo que abranja todos estes trabalhadores, na maioria mulheres, e lhes seja reconhecido o valor tão essencial para um fim de vida com mais dignidade.

A bloquista mostrou-se ainda preocupada com o aumento do desemprego no distrito, que atingiu 4977 pessoas em janeiro, e com as ofertas existentes, na maioria para tarefas pouco qualificadas e com baixa remuneração.

Da parte da tarde, a candidatura reunirá ainda com o Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Norte (SRPN). Em cima da mesa estará o impacto das eólicas offshore para a atividade piscatória, o portinho de Vila Praia de Âncora e o funcionamento da Docapesca, empresa responsável pela exploração de portos e lotas.

CDU QUESTIONA GOVERNO SOBRE LAY-OFF NA COINDU EM FAMALICÃO

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CDU marca presença solidária em greve na Amtrol, em Guimarães

A CDU marcou presença no contacto com os trabalhadores da Coindu, em Vila Nova de Famalicão, e na acção de luta dos trabalhadores na Amtrol, em Guimarães. A delegação da CDU contou com a presença de Sandra Cardoso, 1ª candidata pelo círculo de Braga, e João Pimenta Lopes, deputado ao Parlamento Europeu, e de vários candidatos e activistas.

A partir de 16 de Fevereiro, a Coindu, em Vila Nova de Famalicão, vai entrar em lay-off. Ao longo dos anos a empresa tem vindo a concretizar diversos processos de despedimento colectivo, atropelando os direitos dos trabalhadores e tratando estes homens e mulheres de forma descartável. Agora, a empresa anunciou que cerca de 400 trabalhadores da sua unidade de Famalicão e cerca de 100 trabalhadores da sua unidade nos Arcos entrarão em lay-off por 6 meses. A situação de trabalhadores prestadoras de serviços está também posta em causa. Há rumores que podem ainda avançar com dezenas de despedimentos

A concretização deste lay-off implicará uma perda significativa de rendimentos para os trabalhadores afectados, não apenas no que diz respeito ao salário, mas também a subsídios devidos. As consequências são ainda mais graves para casais em que ambos trabalham na Coindu.

O Grupo Parlamentar do PCP entregou uma pergunta escrita na Assembleia da República, que foi entregue em mão aos trabalhadores (em anexo).

A CDU esteve também na acção de luta dos trabalhadores da Amtrol, em Guimarães, que reivindicam o aumento dos salários. A marcação de greve e concentração foi a resposta dos trabalhadores aos aumentos insultuosos, em alguns casos de 5 euros, adiantos pela empresa.

A adesão à greve foi quase total e na concentração, a que se seguiu um desfile, estiveram centenas de trabalhadores.

Nos contactos com os trabalhadores, a CDU procurou expressar a sua solidariedade e reafirmar o seu compromisso com a defesa dos seus direitos.

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CDU REÚNE COM STAL/CGTP-IN EM BRAGA

2ªf, 22 Janeiro, declarações previstas para as 16h15m

Local: Sede do STAL, Travessa da Rua do Caires, 24 - 2.º. Maximinos, Braga

Com o objectivo de abordar as condições de trabalho dos trabalhores da administração local e a situação dos serviços municipais, a CDU reunirá com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local / CGTP-IN esta 2ªf, dia 22 de Janeiro. As declarações estão previstas para as 16h15.

A delegação da CDU integrará Sandra Cardoso, 1ª candidata à AR e membro da Assembleia Municipal de Braga, e Vítor Rodrigues, Vereador da Câmara de Braga.

BRAGA: CDU MOBILIZA TRABALHADORES DO COMPLEXO GRUNDIG PARA DISCUSSÃO DA LEGISLAÇÃO LABORAL NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Uma delegação da CDU com Sandra Cardoso, 1ª candidata pelo Círculo de Braga, esteve em contacto com os trabalhadores do Complexo Grundig, em Braga.

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Neste complexo, que integra as empresas Bosch, Aptiv e Fehst, juntando cerca de 4500 trabalhadores, a CDU divulgou o agendamento potestativo do PCP na Assembleia da República em torno da legislação laboral, no dia 20 de Dezembro. Desta forma, o Grupo Parlamentar do PCP vai levar a discussão e votação um conjunto de matérias sobre legislação laboral, nomeadamente a reposição do tratamento mais favorável do trabalhador, revogação do regime de caducidade da contratação colectiva, o reforço dos direitos dos trabalhadores em regime de trabalho nocturno e por turnos e a reposição dos valores de pagamento do trabalho suplementar para todos dos trabalhadores.

Destacando-se como uma força que assume a defesa dos trabalhadores como uma prioridade e elemento distintivo, a CDU denuncia o agravamento das injustiças e da exploração a que os trabalhares estão sujeitos fruto da convergência do PS com PSD e CDS (partidos a que pertenceram alguns dos principais dirigentes do Chega e IL).

O posicionamento das outras forças políticas na votação das propostas do PCP será um elemento clarificador, que os trabalhadores da região de Braga e do país terão em consideração nas suas opções de voto.

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BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO DEVIDO AO DESPEDIMENTO COLETIVO DE 400 TRABALHADORES EM FAMALICÃO E ARCOS DE VALDEVEZ

O Bloco de Esquerda questionou o Governo, através do deputado José Soeiro sobre o despedimento coletivo que a empresa COINDU se prepara para efetuar. 

A empresa Coindu S.A. foi fundada em 1988 que se dedica à produção de capas para assentos de automóveis de marcas de automóveis como Lamborghini, Audi, BMW, Porsche, Ford, Mini, Suzuki, entre outras. 

Segundo António Cândido Pinto, presidente do conselho de administração, o grupo obteve mais de 700 milhões de euros, só a fábrica de Joane representou metade desta faturação. O administrador, em declarações à imprensa, no ano passado, apelava que precisava de aumentar a capacidade de produção e que não consiga atrair trabalhadores. Mencionava a intenção de expandir as unidades industriais.

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda teve conhecimento que a empresa se prepara um despedimento coletivo de 400 trabalhadores, nas unidades industriais de Joane e Arcos de Valdevez. Sabemos que o sindicato que representa estes trabalhadores já entregou, na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), um pedido de anulação do despedimento coletivo de cerca dos 400 trabalhadores.

O Bloco de Esquerda está solidário com estes trabalhadores e trabalhadoras e considera inaceitável a forma como uma empresa que não só anuncia falta de mão de obra em 2022, como lhe é aprovada uma recapitalização no contexto do Plano de Recuperação e Resiliência Nacional, sendo considerada uma empresa viável, pode vir agora efetuar um despedimento coletivo.

O deputado José Soeiro quer saber se o Governo tem conhecimento da situação, se a Autoridade para as Condições do Trabalho está a acompanhar a situação na empresa? Quais as ações desencadeadas e se foi comunicada à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho algum despedimento coletivo por parte da empresa. 

PCP LEVA À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA DESPEDIMENTO COLECTIVO EM FÁBRICA TÊXTIL DE GUIMARÃES

Despedimento colectivo e ausência de pagamento de subsidio de férias na empresa têxtil BESTITCH, em Guimarães, motivam intervenção do PCP na Assembleia da República

Os trabalhadores da empresa BESTITCH, em Guimarães, estão a atravessar uma situação muito difícil. foram confrontados com uma comunicação de despedimento colectivo, ao que acresce a ausência de pagamento do subsídios de férias.

De acordo com relatos que chegaram ao PCP, esta decisão pode ter como objetivo exclusivo reduzir custos e possivelmente facilitar operações que permitam ao mesmo proprietário manter a actividade liberto de compromissos com os seus trabalhadores e ainda beneficiar de apoios do erário público.

De forma premeditada, a comunicação aos trabalhadores do despedimento colectivo e do não pagamento do subsídio de férias foi feita no passado dia 14 de Agosto, já em pleno gozo de férias dos mesmos.

O despedimento colectivo atinge um total de 60 que ficam assim numa situação de grande incerteza quanto ao seu futuro. A ausência de pagamento do subsídio de férias abrange todos os cerca de 200 trabalhadores da empresa.

A situação acima referida motivou a apresentação das seguintes perguntas escritas de deputados do PCP à Ministra da Presidência, ao Ministro da Economia e do Mar e à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social:

  1. Que informação tem o Governo da situação da empresa BESTITCH, em Guimarães ?
  2. Que acompanhamento está este Ministério a fazer da situação? Esta empresa tem alguma dívida à Segurança Social? Em caso afirmativo, pedimos informação detalhada.
  3. Que apoios públicos, nacionais e comunitários, foram atribuídos a empresas dos mesmos proprietários da empresa BESTITCH nos últimos anos?
  4. Que medidas tomará o Governo para defender os postos de trabalho, bem como os interesses e os direitos dos trabalhadores?