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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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NHÔME COUNTRY LIVING: EM PONTE DE LIMA NASCE UM NOVO ESPAÇO PENSADO PARA QUE POSSA USUFRUIR DE UMA VERDADEIRA EXPERIÊNCIA SENSORIAL DO CAMPO.

Um projeto que respeita a herança de família dedicada à vinha e ao vinho, que nos recorda da profunda importância da ligação à comunidade e à terra. No coração da veiga no Alto-Minho, na Vila mais antiga de Portugal, onde as promessas passam por uma calorosa receção maneira minhota, paisagem a perder de vista, cheiros e sons rurais e pores-do-sol memoráveis.

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A remodelação foi feita sob a orientação da arquiteta Teresa Aroso. Uma preocupação dualista em preservar a memória e inovar, invocando o campo e o conforto, esbatendo as fronteiras entre o interior e a imensidão das vinhas e da serra.

Os quartos expandem-se para o exterior, com zonas privadas de relaxe e contemplação, tendo como pano de fundo as vinhas e a Serra D’Arga. Uma piscina de beiral infinito partilhada pelas seis suites, remata todo o panorama com um design contemporâneo perfeitamente conectado com a natureza.

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CAMINHA: ARTE NA LEIRA, “MORDOMAS”, POLO DA BIENAL E EXPOSIÇÃO DE ARQUEOLOGIA PATENTES NO CONCELHO E DE ACESSO LIVRE

Várias exposições e instalação de arte moderna são propostas para um itinerário de cultura e lazer

Subir a Serra d’Arga ou ficar pelo Centro Histórico da Vila de Caminha, por estes dias, é também sinónimo de aceder a exposições e instalações de excelência, que poderão ser bem uma alternativa para um verão agora mais sisudo. Começar por Arga de Baixo, e concretamente pela Casa do Marco, é provavelmente o primeiro ponto de um itinerário que se recomenda vivamente. Isto porque a Arte na Leira, na sua 23ª edição, já só está patente até 21 de agosto. O Museu Municipal de Caminha tem mesmo de ser visitado mais do que uma vez, isto se se pretender demorar um pouco mais em cada uma das exposições e na instalação que ali se encontram, porque são três as propostas. Em qualquer dos casos, o acesso é gratuito.

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A Arte na Leira abriu portas a 23 julho e fica, como referimos, até 21 de agosto. É a 23ª edição, com organização do artista plástico Mário Rocha e apoio da Câmara Municipal de Caminha. O local é a Casa do Marco, na freguesia de Arga de Baixo e o ambiente é o do costume: reina a informalidade, num lugar em que a arte moderna tem como cenário a natureza da serra e o aconchego de uma casa genuína, como eram as casas e as suas leiras há muitos anos.

A invasão da Ucrânia é um dos temas presentes este ano e logo à entrada da Casa do Marco, a obra “O Fracasso da Gravata” dá as boas vindas aos visitantes e convida a uma reflexão. O painel, de grandes dimensões, é composto por seis partes, inspiradas por imagens que o pintor Mário Rocha foi captando desde que a invasão russa do território ucraniano começou, a 24 de fevereiro. Conforme refere Mário Rocha, “O fracasso da gravata” será suscetível de múltiplas interpretações, quase tantas quantas as pessoas que vão ter oportunidade de a ver, mas para o artista é praticamente um grito de revolta pelo que as “pessoas engravatadas”, os burocratas, fizeram, ou melhor, não fizeram ou deixaram que outros fizessem.

Mas há muito mais para ver na Casa do Marco, que juntou cerca de duas dezenas os artistas convidados este ano, incluindo dois espanhóis, um holandês e uma alemã. Como é também habitual, a pintura é a presença mais forte, mas há um reforço da escultura, com mais peças do que é costume.

No Museu Municipal de Caminha há três propostas. Uma delas é o polo descentralizado da XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira. A exposição pode ser visitada até 11 de setembro. O tema é o da própria Bienal, “We must take action / Devemos agir” e através dele “pretende-se refletir sobre questões urgentes como o ambiente e a sustentabilidade, um desafio que lançamos à comunidade artística e ao público em geral”, diz a organização.

Os artistas representados em Caminha são Elsa César, Graça Martins, Henrique do Vale, José Emídio, Júlia Pintão, Margarida Santos, Maria Melo, Rafael Ibarra, Rui Aguiar, Serafim Sousa e Manuela Bronze.

Até 30 setembro está também patente “Mordomas”, de Cristina Rodrigues. Trata-se de um documentário e instalação de Arte Contemporânea sobre as danças populares e rituais de Caminha, Badajoz e Huelva, no âmbito do Projeto PA2. Touring Cultural – Identidade Cultural do Minho – Apoio ao Processo de Valorização dos Caminhos de Peregrinação. É uma parceria com a Acción Cultural Española.

Estão expostas dezasseis esculturas de grande dimensão e pode ser visto um documentário sobre as danças rituais em territórios dos Caminhos de Santiago. “Mordomas”, da autoria da artista portuense Cristina Rodrigues, abriu a 11 de junho e é também uma homenagem aos bailarinos portugueses e espanhóis de algumas localidades do Caminho de Santiago. Apoiada e dinamizada pelo Município de Caminha, “Mordomas” tem curadoria de Mateo Feijóo, diretor artístico espanhol nascido no Gerês em 1968.

Quanto ao documentário, que reúne elementos de vários grupos etnográficos do território de Caminha, conta as histórias de várias gerações de bailarinos, tendo sido gravado no Valadares Teatro Municipal e no Cineteatro dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora. Participam os grupos caminhenses Etnográfico de Vila Praia de Âncora, Academia de Dança e Música Tradicional de Caminha e Vilarelho, Rancho Folclórico das Lavradeiras de Orbacém, Rancho Folclórico das Lavradeiras de Gondar, Cantares Tradicionais da Sociedade de Instrução e Recreio Ancorense e Grupo de Danças e Cantares Genuínos da Serra D'Arga.

A instalação ficará patente no Museu Municipal de Caminha até 30 de setembro, como referimos, mas pode-se “espreitar” o projeto online, no sítio na Internet: https://mordomas.com/

No Museu Municipal de Caminha está ainda patente a exposição “Arqueologia do Concelho de Caminha”.

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CAMINHA: A ROMARIA DE SÃO JOÃO D’ARGA

A serra d’Arga é um pequeno maciço montanhoso do Noroeste atlântico, situado entre os rios Âncora e Coura, no ponto em que se tocam os concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Paredes de Coura. De constituição fundamentalmente granítica (com alguns xistos nas vertentes orientais), ele é formado por rochas do Maciço Ibérico, prolongando para ocidente o sistema da Peneda, Soajo e Extremo; e a sua altitude máxima não excede os 800 metros. Os solos da serra, sob o ponto de vista agrícola, são extremamente pobres: na sua maioria são bravios, despidos de arborização e apenas com matos rasteiros (alguns dos quais espécies botânicas notáveis) entre afloramentos de granito, onde ainda hoje pulula o lobo, e que servem de locais de pastagem para os rebanhos, que constituíam até há pouco uma das fontes de receita mais importantes da gente serrana. Noutros tempos vinham mesmo gados de Arcos de Valdevez para aqui, deles recebendo o alcaide-mor de Caminha um vintém por cabeça. Hoje, esses terrenos estão, em várias partes, aproveitados para o repovoamento florestal. Junto aos pontos mais altos da serra, espraiam-se três amplas chãs, ou agras (donde teria derivado o nome da montanha), junto das quais se encontram outras tantas aldeias, que representam o povoamento fundamental da serra: as Argas de Cima, a mais agreste de todas, a de Baixo, e a de S. João – as duas primeiras com 415 habitantes em 68 fogos, a última com 126 habitantes em 25 fogos (em 1930). Aí se cultiva algum centeio, milho grosso e, outrora, miúdo, um pouco de castanha e linho; e, como arvoredo, têm o carvalho, o sobreiro, o pinheiro, o castanheiro e o azinheiro.

Em certos pontos da serra vêem-se vestígios de fortificações castrejas, atestando um povoamento muito remoto. Para alguns autores, ela seria o Monte Medulio dos romanos, em cujas faldas teria ficado a cidade de Benis, próximo da junção dos rios Minho e Coura. Na toponímia popular, a serra d’Arga é às vezes chamada a Montanha Santa, justificando-se este nome pela tradição da existência de numerosos ermitas e anacoretas que nela viviam e pelos vários conventos e capelas que subsistem ou de que restam ruínas e vestígios.

Nos últimos anos, os aspectos da vida humana nas povoações da serra d’Arga modificaram-se radicalmente. A ocupação florestal, reduzindo o pastoreio a proporções insignificantes, obrigou essas populações à procura de novos meios de subsistência, que implicaram o abandono das velhas estruturas económico-sociais. É esse facto, estimulado ainda pelo desenvolvimento global do País que caracteriza a época actual, e pela construção de estradas que tomou a serra acessível e as deslocações fáceis, que abalou profundamente a integridade desse mundo, que até há pouco se mantivera fechado nos seus valores tradicionais imutáveis. Hoje, a serra perde pouco a pouco a sua originalidade; e a emigração maciça da gente serrana, para a cidade e sobretudo para o estrangeiro, completa esse movimento de desintegração fundamental.

Em breve, à romaria de S. João d’Arga as pessoas deixarão de ir em rusgas, como dantes, com os seus belos trajes feitos em casa com o pano dos teares, ao som dos seus cantares, que tão bem exprimem a cultura local; e a gente mais nova será já totalmente estranha às subtis graças da «gota».

O pequeno santuário de S. João d’Arga, onde tem lugar a romaria que constitui o objecto deste artigo, fica isolado no meio dos bravios da freguesia de Arga de Baixo, numa plataforma da serra, a meia encosta duma das vertentes do ribeiro de S. João, abertas à largueza do horizonte, que descem para o norte até ao rio Coura.

O seu patrono é S. João Baptista ; mas a sua festa é a 29 de Agosto, com início na véspera e a noitada – o que mostra que se celebra não o nascimento do santo, mas a sua degolação.

A capela do santuário é desse singelo e rústico românico corrente no Norte do País, e sobretudo no Minho, em construções desta natureza, e que se reconhece na cachorrada do beiral e no pórtico do lado norte; o seu próprio frontal, a poente, foi porém substituído no século XVIII por uma fachada de um pós-joanino muito pobre. A capela-mor é um acréscimo recente e incaracterístico, que se prolonga, na fachada sul, por um corpo saliente. Aí se situa a sacristia e uma sala onde os mordomos, no dia da romaria, recebem as promessas e os óbulos, vendem «registos», dão o santo a beijar, alugam «mortalhas», etc. Interiormente, merecem referência um tosco «Baptismo de Cristo», em alto-relevo, policromado, no granito branco da serra, acima do arco do cruzeiro, e as molduras e nichos, também de pedra, com as imagens de S. Sebastião e Santo Oginha (o lendário ladrão da serra que se arrependeu e se fez santo) de cada lado desse arco, que enquadra a capela-mor, onde está a imagem do orago.

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Caminha. S. João d’Arga. A capela em dia de romaria, isolada no coração da serra de Arga.

A capela é cercada por um terreiro irregular, ladeado a norte e a sul por dois edifícios corridos, em granito bem aparelhado, enegrecido pelo tempo, de dois pisos maciços e atarracados, o de cima com acesso por várias escadas de pedra, exteriores, e com uma galeria à frente, entrecortada de pilares que sustentam o telhado e correspondendo a um espaço aberto, no de baixo: os quartéis, que certos autores consideram vestígios de um antiquíssimo mosteiro beneditino que por ali existiu e onde, na ocasião da festa, os romeiros das várias freguesias, mediante um pequeno aluguer anual pago aos festeiros, têm os seus quartos onde deixam os merendeiros e descansam um pouco, durante a noite. No espaço aberto, sob a galeria, no térreo, armam-se, nessa ocasião, tendas de comes e bebes e, à entrada do recinto, um balcão onde um dos mordomos recebe também as ofertas e óbulos para o santo; no lado sul, vê-se a meio uma sepultura de pedra, fazendo de tanque, para onde corre a água que vem por calhas desde uma fonte arcada de mergulho, aberta no monte, a umas dezenas de metros do santuário; entre os dois «quartéis», no lado frontal, a poente, em frente à capela, rasga-se a entrada do terreiro, que, fora, dá para um pequeno largo onde se ergue um cruzeiro; desse largo parte um caminho, largo e plano, que leva a outro cruzeiro, a duas centenas de metros mais ao sul, também a meia encosta: é o caminho da procissão.

O santo taumaturgo é de grande renome local, advogado contra males de toda a espécie e em particular quistos, verrugas e doenças de pele; e, além das práticas e promessas gerais – ex-votos de cera, voltas em tomo da capela, a pé ou de joelhos, com flores (sobretudo cravos), a imagem do santo ou qualquer outra oferenda nas mãos, num circuito estreito que uma guarda de arame separa do terreiro, etc. – há uma promessa específica: sal, que geralmente se leva à cabeça e que se junta às arrobas numa arca, na sacristia, e na dependência dos quartéis. Uma outra promessa, agora desaparecida (e que aliás se encontra em outros lugares, endereçada a santos ou em vista a males diferentes) é a de telhas roubadas.

Com antecedência, ou na manhã, no próprio dia 28, das aldeias próximas vêm, chamados pelos mordomos, em carros ou em carroças (e hoje em automóveis), os armadores encarregados do arranjo dos andores e das decorações, os materiais para se erguerem os coretos da música, a palha fresca para os quartéis, os toldos e bancos com que se armam as tendinhas de vinho, café e doces, flores de papel e quinquilharias, e hoje as instalações da luz e altifalante, que agora triunfa, do alto da frontaria da capela. E, no próprio dia 28, logo de manhã, chegam as duas bandas de música que tocarão nos coretos do recinto, à vez, alternando com o altifalante e até com a música dos ranchos.

Sem estradas até há poucos decénios, só a pé se podia chegar a este santuário, pelas ásperas veredas que trilham a serra. Apesar disso, à festa compareciam romeiros de todas as redondezas, próximas e distantes, da serra e de todo o Alto Minho, dos concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Arcos de Valdevez, etc. (e mesmo do Porto, Lisboa e outras partes mais longínquas). As gentes de fora utilizavam quaisquer transportes de estrada até às povoações do sopé da serra e seguiam depois a pé para cima; as gentes da serra faziam todo o percurso a pé, cada freguesia em grupo, subindo e descendo as encostas, em «rusgas» alegres, ao som dos seus cantares típicos, acompanhados pela concertina – as mulheres com os seus trajes de festa, coloridos e vistosos, não raro descalças, segundo o hábito minhoto, para melhor andarem, o cesto do merendeira à cabeça recoberto por uma toalha branca, bordada e franjada. Havia paragens certas pelo caminho, que se repetiam todos os anos, onde se descansava um pouco; e com frequência se armava logo aí um pequeno bailarico.

Á vista do arraial, as mulheres refrescavam no ribeiro os pés pisados da jornada e calçavam as suas belas meias rendadas e as suas chinelas abertas, hoje já raras. A chegada de um grupo era anunciada com foguetes, e as bandas da música saíam ao seu encontro a recebê-lo, acompanhando-o a tocar para a entrada no recinto e para as três voltas que, ainda em grupo, logo à chegada se dão em tomo da capela, antes das devoções. E pode dizer-se, sem dúvida, que a jornada era mesmo um dos grandes atractivos da festa. Hoje a serra está cortada de estradas florestais; da que leva a Arga de Baixo pela vertente fronteira ao santuário, parte, já perto dele, um curto ramal até à entrada do terreiro, donde parte também o caminho da procissão; e a grande maioria dos romeiros utilizam automóveis (e isto actua como efeito e como poderoso factor de desintegração do seu carácter primitivo). Só das aldeias mais próximas da serra, vai ainda gente a pé à romaria; e as bandas só essa gente vai receber. Em 1970, ano em que foi efectuado este estudo, a música foi esperar apenas o grupo da aldeia a quem pertenciam os mordomos (que era Arga de S. João), que chegou, como outrora, em rusga, cantando ao som da concertina, acompanhada por um pequeno tambor, ferrinhos, pandeiretas e seixos.

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Caminha, S. João d’Arga. Os devotos beijam a cruz que tocou os pés da imagem de S. João.

A romaria, nos seus aspectos religiosos e lúdicos gerais, em nada se distingue das demais romarias nortenhas: as mesmas devoções e promessas, o mesmo género de andores, de procissão, as práticas mágico-religiosas; as ornamentações, foguetes e fogos-de-artifício, música, tendas e diversões, cantares e danças. A mordomia, aqui, pertence, à vez, a cada uma das três aldeias da serra: as Argas de Cima, de Baixo e de São João; em 1970, ela competiu a esta última, como dissemos.

Na mesa da mordomia, à entrada, a salva transborda de moedas, das oferendas, óbulos, compra de registos, pagamentos de promessas, etc. Outrora, viam-se mesmo cordões, peças antigas e outros valores em ouro. Como a imagem do patrono, no altar-mor, fica a uma altura fora de alcance, vêem-se, pousados na mesa do altar, dois crucifixos de madeira; os devotos tocam a imagem com um desses crucifixos, nos pés, mãos ou vestido, e depois beijam-no na parte que encostou ao santo (fig. 18). Mas esta romaria tinha um aspecto que lhe conferia um carácter especial: a qualidade definida e a importância dos seus elementos lúdicos fundamentais, nomeadamente dos trajes, dos cantares e sobretudo das danças dos seus romeiros mais genuínos – as gentes da serra, em particular, e das regiões vizinhas, de uma frequentação tradicional regular. Em todas as romarias se dança, e isso foi e é um dos grandes atractivos dessas celebrações; e onde existam formas próprias da dança popular, elas aparecem nas romarias da respectiva região. O Alto Minho é precisamente uma das grandes áreas portuguesas da dança e do traje feminino; as suas danças típicas – as Gotas, os Viras, as Rosinhas – aliás com variantes de aldeia para aldeia, são sempre de uma grande beleza, e o seu povo tinha – e tem – a paixão de tais danças, e não perdia uma ocasião em que pudesse dançar. Não se pode decerto dizer que cada aldeia preparava as suas danças para esta ou para qualquer romaria, porque a dança era ali uma ocupação normal de todas as ocasiões. Mas o São João d’Arga era um verdadeiro certame ou academia dessas danças, um dos acontecimentos onde por excelência elas se manifestavam na sua forma mais brilhante. Ali se juntava a fina flor dos dançadores, dos tocadores, dos cantadores, que muitas vezes acompanhavam já a caminhadà dos romeiros. E podia dar-se largas a essa paixão pela dança sem restrições, logo após a chegada, durante a tarde e a noite inteiras. Sem dúvida, em grande medida, muita gente ia ao São João d’Arga propositadamente para dançar, não qualquer dança, mas essas danças definidas, Gotas, Viras, Rosinhas, Senhor da Serra e outras, e era isso, tanto como a devoção ao santo, a razão fundamental da jornada. Ainda hoje vêm romeiros de partes muito distantes apenas por esse motivo; vimos mesmo um emigrante que trabalha na Alemanha e que escolheu o mês de Agosto para férias, a fim de poder ir ao São João d’Arga dançar a Gota. Estas danças são portanto, aqui, não um elemento ocasional e arbitrário, mas, em si mesmas, uma razão primordial e concreta da romaria, que, sem elas, na sua forma definida, fica incompleta. Sem dúvida essas danças podem dançar-se com qualquer traje: mas só como belo traje feminino da região elas se realizam na sua expressão estética mais perfeita. Esse traje é um verdadeiro complemento da dança, que a valoriza extraordinariamente e é por ela igualmente valorizado. E a romaria era também uma das ocasiões e das razões mais importantes de ser e de se usar esse traje.

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Caminha, S. João d’Arga. As danças no adro da capela.

Cada grupo dançava à moda da sua terra, e, se as pessoas não se conhecessem, logo se reconheciam pelas próprias danças e pelos trajes – saias verdes e azuis e barras pretas bordadas a cores, e aventais lisos também bordados a cores, da serra: saias vermelhas ou azuis com barra preta bordada a branco e aventais repuxados, de cores, de Outeiro, Perre, Meadela ou Santa Marta; saias vermelhas com barra da mesma cor e aventais repuxados, de cores, da Areosa; saias avergastadas, às riscas pretas e brancas, com aventais vermelhos, de borlas, de Carreço e Afife ; etc. – feitos no tear caseiro e completados com a camisa sem gola e de ombros franzidos e bordados, colete aberto, um lenço cruzado na cabeça e outro pelas costas, meia rendada branca e chinela preta ou bordada – todos exibiam o seu melhor traje, realçado pelo ouro dos cordões, laças, relicários e brincos.

Ao fim da tarde há uma pausa nas danças e diversões, para a procissão, que sai na ordem do costume – a cruz ladeada pelos lampiões a abrir a marcha, e logo depois os pendões, e, cintilantes de flores prateadas e fitas de seda e grinaldas de flores, os andores dos três santos com o patrono em último lugar – e em 1970 apenas os de S. Sebastião e do patrono –, seguidos pelos penitentes e os amortalhados; atrás, o padre, sob o dossel; e, a fechar, as bandas e o cortejo dos fiéis. Aqui, os andores são acompanhados pelas mordomas, geralmente vestidas com os seus trajes mais ricos. O percurso é curto: da capela ao cruzeiro da encosta, que se contorna, e regresso pelo mesmo caminho.

Depois da procissão, é a hora das merendas. Os grupos dispersam-se pelo monte, as mulheres com os seus cestos à cabeça, e cada um procura um sítio propício para abancar. Os merendeiras são apetitosos e fartos, e constituem também um dos atractivos da festa. Come-se e bebe-se à larga, e guarda-se o que sobra para comer durante a noite e no dia seguinte de manhã. Quando começa a escurecer, os velhos e as crianças e aqueles que se sentem cansados instalam-se para a noite, uns nos «quartéis», cada freguesia no seu compartimento, sobre a palha, a maioria ao ar livre, no chão, uns contra os outros, embrulhados em mantas, no terreiro ou no monte, onde calha, entre os demais que deambulam aguardando a noitada. Com o anoitecer, a animação aumenta; numa confusão crescente, por toda a parte se ouvem concertinas, que vão juntando grupos, e recomeçam as danças, hoje alternando ou coexistindo com a vozearia do altifalante. Há naturalmente fluxos e refluxos, toma-se café, bebe-se, come-se qualquer coisa das merendas ou dos doces que se vendem no terreiro; na varanda e escadas dos «quartéis», as pessoas apinham-se contemplando a festa; a meio da noite queima-se o fogo-de-artifício; mas logo prosseguem os cantares e a dança, sem descanso, nos espaços livres que deixa a gente que dorme, ao mesmo tempo que as devoções e as promessas se cumprem em silêncio dentro ou à volta da capela – até ao amanhecer.

Com toda a evidência, é aqui patente o verdadeiro sentido da romaria, nessa coexistência de elementos religiosos e elementos lúdicos, a mistura de danças, cantos e devoções, uns ao lado dos outros, estremados apenas, como que simbolicamente, pelo arame que delimita, à volta da capela, os dois espaços.

A festa, de facto, acaba com a noitada. Para os romeiros da véspera, a manhã do dia 29 é apenas a debandada: no ribeiro, todos se refrescam e lavam antes de partirem, comem-se as sobras dos farnéis e toma-se depois o caminho do regresso, num formigar igual ao da véspera, em sentido inverso: e ouvem-se, a afastar-se, ecos das concertinas pelos montes. Vêm ainda romeiros e cumprem-se devoções e promessas; mas a frequência é muito menor, e há apenas cerimónias religiosas, antes do meio-dia.

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Caminha. S. João d’Arga. A procissão.

BIBLIOGRAFIA

Ernesto Veiga de Oliveira – A Romaria de S. João d’Arga. in « Cultura e Arte » . página cultural de «O Comércio do Porto ». 9.1.1962.

José Augusto Vieira – O Minho Pitoresco. I, págs. 174-176, Lisboa. 1886.

José Rosa de Araújo – Os Santos da Serra d’Arga, in «Arquivo do Alto Minho », vol. II, D. fase. III. Viana do Castelo

  1. António Carvalho da Costa – Corografia Portuguesa.I. págs. 248-250. Braga. 1868.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, s. v. Arga.

NOTaS

1 « Geographica », 28, Lisboa. 1971, págs. 2-17.

Este texto, em versão alemã (trad. de Heidemarie Frank) acompanha o filme realizado em 1970 pelo Instituto do Filme Científico, de Göttingen, em colaboração com o Centro de Estudos de Etnologia. de Lisboa, N.° E 2021, intitulado Kirchfest « Romaria » von S. João de Arga (Minho), e publicado em Institut für den Wissenschftlichen Film, Sektion Ethnologie, Série 8, n.° 1. Göttingen, 1978.

Fonte: https://books.openedition.org/etnograficapress/6018

“CANCIONEIRO DA SERRA D’ARGA” – QUADRAS DE AMOR

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Serra d’Arga. Namorados

Quadras de Amor

A poesia é tão antiga como o homem. Em cada ser humano existe um poeta e não há nada na vida do homem que não escape aos sentimentos mais profundos da alma. O amor é, agora, o tema.

Pela transcendência do assunto, «pelo fácil e pelo difícil» que o envolve, se compreende a seguinte quadra:

Quem me dera dar-te um beijo,
Um beijo não custa a dar;
São duas bocas unidas,
Quatro lábios a beijar.

Noutros tempos, o beijo era tão sagrado que logo havia desordem ou compromisso de casamento, quando observado pelos pais.

Hoje, está tão banalizado que deixou de ser expressão do que era, perdendo o significado sagrado que tinha em épocas mais distantes.

A simplicidade e a imagem a que o povo recorria para transmitir os seus sentimentos ou exaltar alegrias ou paixões, são de uma beleza encantadora

Quando os passarinhos choram
Numa árvore tão pequena,
Que fará meu coração
Cheio de tanta pena?

Nas quadras que se vão seguir pode verificar-se o que diz a filosofia popular a propósito do amor, da traição, do belo e do feio. Aqui está um retrato excelente do amor na sabedoria popular: umas vezes, demasiado pessimista; outras, cheio de lições de moral.

Quadras de Amor    

água daquela serra
Por copos de vidro desce;
Nem a água mata a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abaixo da Serra d’Arga
Onde fica minha aldeia,
Na linda terra de Dem
Onde o meu amor passeia.

A água do ribeirinho
Sobe ao Céu deita pavor;
Só há lágrimas na terra
Por donde anda meu amor.

Abre-te, janela d’oiro,
Tira-te tranca de vidro,
Resolve o teu coração
Que o meu está resolvido.

A água do Rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abre-te, janela d’oiro,
Vira-te, tranca de vidro;
Vem cá fora, meu amor,
Que quero falar contigo.

Abaixa-te Alto do Tapado,
Que eu quero ver Castanheira,
Quero ver o meu amor
Lá nos campos da Lapeira.

Abre-te, peito, e fala,
Ó coração vem cá fora,
Anda ver o teu amor
Que chegou aqui agora.

Abaixa-te ó Serra d’Arga
Abaixa-te um nadinha;
Quero ver o meu amor
No terreiro de Caminha.

A carta que te escrevi
Já ta deitei na varanda;
Só te peço, meu amor,
Que faças o que ela manda.

Recolha levada a efeito na Serra d’Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por Artur Coutinho, transcritas na obra «Cancioneiro da Serra d’Arga».

Fonte: https://folclore.pt/cancioneiro-da-serra-darga-quadras-de-amor/

GEOPARQUE VIANA DO CASTELO PROMOVE VISITAS A MONUMENTOS NATURAIS DE INTERESSE GEOLÓGICO E MINEIRO NA SERRA D’ARGA

No dia 7 e 8 de abril, o Geoparque Viana do Castelo, promove três atividades inseridas na SEMANA DOS PARCEIROS - 2022 do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal. Para o dia 7 de abril estão programadas as visitas às Portas do Geoparque, das 10h às 12h a visita à Porta do Neiva e das 14h30 às 16h30 à Porta de Arga. A saída de campo para visita aos Monumentos Naturais será realizada no dia 8 de abril, das 9h às 13h.

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A SEMANA DOS PARCEIROS, decorre entre 4 e 10 de abril, onde as diversas atividades programadas pelos Parceiros ao longo de todo o território do continente, irão proporcionar experiências variadas e inéditas a todos os interessados, entre as quais visitas especiais aos diferentes locais de interesse geológico ou mineiro; visitas a monumentos e a outro património edificado através de um diferente olhar, visitas a antigas minas romanas, inalteradas há cerca de 2000 anos, entre outras.

O Geoparque Viana do Castelo integra, desde 2019, a rede de parceiros do Roteiro das Minas e Pontos de Interesse Mineiro e Geológico de Portugal promovido pela Direção Geral de Energia e Geologia - DGEG, EDM - Empresa de Desenvolvimento Mineiro SA para promoção e divulgação do seu vasto e importante património geológico e mineiro.

Participe e tenha boas experiências geológicas e mineiras!

Consulte o programa aqui

MUNICÍPIO DE PONTE DE LIMA CONGRATULA-SE COM A EXCLUSÃO DA SERRA D'ARGA DA PROSPEÇÃO DE LÍTIO

Decisão Anunciada pela Direção-Geral de Energia e Geologia

O Município de Ponte de Lima congratula-se com a exclusão da Serra D´Arga da prospeção, pesquisa e exploração de lítio naquela área, segundo avaliação Ambiental Estratégica promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia – DGEG.

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A decisão anunciada ontem quarta-feira pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, concluiu que na área da Serra d’Arga “as restrições ambientais inibem a prospeção e consequente exploração” de lítio, ficando fora do futuro concurso. Ainda segundo a análise da DGEG, na área denominada de “Arga, verifica-se que, perante a sua expectável classificação como Área Protegida, mais de metade da superfície é considerada interdita ou a evitar.”

Para o Municipio de Ponte de Lima esta é a decisão esperada e que vem ao encontro da tomada de posição da autarquia, que desde o primeiro momento estava ao lado da população, considerando que seria atentatória da qualidade de vida e do bem-estar das populações, totalmente incompatível com a estratégia definida para a Serra D´Arga, e colocaria em causa avultados investimentos públicos e privados, de âmbito material e imaterial, já realizados e outros previstos para aquela área.    

A Serra d’Arga que abrange os concelhos de Ponte de Lima, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Viana do Castelo, está atualmente em fase de classificação como Área de Paisagem Protegida de Interesse Regional.

PROSPEÇÃO DE LÍTIO: A EXCLUSÃO DA SERRA D’ARGA É UMA VITÓRIA PARA O NOSSO TERRITÓRIO AFIRMA RUI TEIXEIRA

“Foi uma luta prioritária e que sempre defendi para o nosso território e que agora sai reforçada no relatório da Avaliação Ambiental Estratégica” congratula o autarca.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Rui Teixeira, a exclusão da Serra D’Arga do concurso de pesquisa e prospeção de lítio é uma grande vitória para o território e para todo o seu património ambiental. “Não podíamos permitir que a exploração (nociva ao ambiente) do lítio e de outros minerais, no espaço territorial da freguesia de Covas ou em qualquer outro local do concelho avançasse. Por isso, esta exclusão da Serra D’Arga é uma grande vitória não só para o nosso concelho, mas para todo o território do Alto Minho” afirma o autarca.

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Acrescentando, “a Serra d’Arga, bem como a sua área envolvente, possui paisagens de elevada diversidade, autenticidade e tradição. A paisagem singular deste território e com uma riqueza e diversidade patrimonial natural, histórica e cultural de elevado valor constitui um fator de extrema relevância que não podia ser esquecido, muito menos, destruído”. Para Rui Teixeira “a prospeção e a pesquisa de lítio no território causariam danos irreversíveis não só na paisagem como na vivência das populações”.

Impedir a prospeção e exploração de minérios no concelho foi desde sempre uma prioridade para Rui Teixeira. Recorde-se que, após a consulta pública do Relatório de Avaliação Ambiental Preliminar do Programa de Prospeção e Pesquisa de Lítio das oito potenciais áreas para lançamento de procedimento concursal, a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira emitiu uma pronúncia desfavorável que vinha reforçar a posição que tem vindo já a ser defendida pelo autarca de Cerveira.

A pronúncia levantava questões patrimoniais e ambientais, a necessidade de se equacionar o custo ambiental, social/populacional e económico, mas também alertava para um conjunto de ilegalidades no procedimento, para a perca de investimentos privados avultados que estavam previstos e que tinham sido perdidos, nomeadamente, no setor do turismo, e para a falta de esclarecimento público numa questão tão sensível e com tanto impacto na vida da comunidade.

“Foi uma luta prioritária e que sempre defendi para o nosso território e que agora sai reforçada no relatório da Avaliação Ambiental Estratégica promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia que passou a considerar que «no caso da área denominada “Arga”, verifica-se que, perante a sua expectável classificação como Área Protegida, mais de metade da superfície é considerada interdita ou a evitar»” congratula Rui Teixeira.

MUNICÍPIO DE VIANA DO CASTELO SATISFEITO COM EXCLUSÃO DA SERRA D'ARGA DO CONCURSO DE PESQUISA E PROSPEÇÃO DE LÍTIO

A Câmara Municipal de Viana do Castelo está satisfeita com a exclusão da Serra d’Arga do concurso de pesquisa e prospeção de lítio que está em curso por todo o país. Para o Presidente da Câmara, Luís Nobre, esta notícia é acolhida com muito agrado, já que o Município tem investido na defesa e promoção daquela área.

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De acordo com nota divulgada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a Avaliação Ambiental Estratégica promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia concluiu que na área da Serra d’Arga “as restrições ambientais inibem a prospeção e consequente exploração, ficando assim fora do objeto do futuro concurso”. “No caso da área denominada ‘Arga’ verifica-se que, perante a sua expetável classificação como área protegida, mais de metade da superfície é considerada interdita ou a evitar”, declara a nota.

Luís Nobre garante que sempre teve confiança nas decisões centrais tendo em conta que se trata de uma paisagem que deverá ser classificada como área protegida em breve.

A Serra d'Arga abrange os concelhos de Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura e Ponte de Lima e está atualmente em fase de classificação como Área de Paisagem Protegida de Interesse Regional, tendo como objetivo principal a valorização e divulgação desta paisagem.

Em outubro passado, Luís Nobre marcou presença no protesto contra a prospeção de lítio na Serra d’Arga, sob o lema "Minho Unido contra as Minas", que juntou mais de um milhar de pessoas em Viana do Castelo, entre autarcas, associações e sociedade civil.

Na luta pela defesa da Serra d’Arga, Viana do Castelo promoveu também, no ano passado, um investimento de cerca de 200 mil euros para criar um Observatório Internacional da Serra d’Arga, na freguesia de São Lourenço da Montaria, dinamizando um espaço de investigação científica, com disponibilidade de residência para investigadores.

A Serra d’Arga é também palco do Trail Serra d'Arga, contando com a colaboração dos Municípios de Viana do Castelo, Caminha e Ponte Lima. Viana do Castelo conta ainda com trilhos e percursos que estimulam o turismo ambiental e promovem a paisagem.

A Serra d'Arga abrange uma área de 10 mil hectares nos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura, Viana do Castelo e Ponte de Lima, dos quais 4.280 hectares se encontram classificados como Sítio de Importância Comunitária.  É detentora de recursos naturais ímpares, de uma paisagem singular e com um património material e imaterial de ordem natural, ambiental, histórico e cultural de elevado valor.

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMINHA CLAMA VITÓRIA NA BATALHA PELA SERRA D’ARGA

“Esta é uma vitória de todo o Alto Minho mas é também um triunfo da união, dos argumentos e da credibilidade dos autarcas dos diversos concelhos em defesa das populações” afirma Miguel Alves

A notícia pela qual tantos alto-minhotos esperavam chegou no dia de hoje: a área de Serra d’Arga foi excluída do concurso de pesquisa e prospeção de lítio em curso por todo o país. De acordo com a nota divulgada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a Avaliação Ambiental Estratégica promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia concluiu que na área da Serra d’Arga “as restrições ambientais inibem a prospeção e consequente exploração, ficando assim fora do objeto do futuro concurso. No caso da área denominada “Arga” verifica-se que, perante a sua expetável classificação como área protegida, mais de metade da superfície é considerada interdita ou a evitar”. A mesma Avaliação Ambiental Estratégica considerou que seis dos locais identificados tem condições para que o processo avance tendo, no entanto, “ocorrido uma redução de 49% da área total inicialmente sujeita a Avaliação Ambiental” de acordo com a mesma nota.

Para Miguel Alves, Presidente da Câmara Municipal de Caminha, “esta é uma notícia ansiada mas também esperada, tendo em conta o trabalho que foi feito pelos diversos municípios da Serra d’Arga e o método e racionalidade que imprimimos às nossas posições. Esta é uma vitória de todo o Alto Minho e de todo o concelho de Caminha e quero agradecer a todos por terem acreditado na liderança e na força das autarquias. Este é também um triunfo da união das pessoas com os movimentos cívicos, contra a politiquice que sempre aparece e que chegou a colocar em risco uma decisão favorável para a região, esta é uma vitória do estudo da Serra d’Arga, do trabalho científico feito ao longo dos anos e que consolidou a nossa argumentação neste momento tão importante. Mas tenho que dizer que esta decisão acontece também pela capacidade e credibilidade dos autarcas do Alto Minho que nunca viraram a cara à luta, trabalhando muitas vezes no silêncio dos gabinetes e longe do frenesim das redes sociais. Quando há unidade, há resultados. Parabéns ao povo do Alto Minho” - rematou o autarca de Caminha.

Neste momento está a ser constituída a Associação de Municípios da Serra d’Arga que junta as autarquias de Caminha, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira, tendo como principal intuído a valorização e divulgação da Serra d’Arga através da criação da Área Protegida com Interesse Regional. A decisão agora tornada pública dá um novo impulso ao projeto dos cinco municípios, prevendo-se novidades sobre esta matéria já nos próximos meses.

CÂMARA DE CAMINHA ESTÁ A REQUALIFICAR A ENVOLVENTE À PAREDE DE ESCALADA DE PENICE, EM ARGA DE BAIXO

Investimento superior aos 60 mil euros visa a promoção do turismo e do desporto amigos da natureza

A área envolvente à Parede de Escalada de Penice, em Arga de Baixo, está a ser intervencionada pelo Município, através de um investimento da ordem dos 60 mil euros. O objectivo é a valorização de toda a zona, com limpezas, requalificação de infraestruturas, promoção do turismo e do desporto e criação de melhores condições a um lazer amigo da natureza.

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O projeto prevê a valorização da área envolvente à Parede de Escalada de Penice, incluindo a requalificação de infraestruturas de apoio à actividade, ou seja, reposição e limpeza de acessos pedonais, melhorando as acessibilidades pedonais para os praticantes e para situações de emergência, nomeadamente à zona da base da parede, beneficiação da zona de estacionamento, criação de zona de lazer/merendas, colocação de sinalética informativa e interpretativa, bem como produção de materiais promocionais.

Estão também previstas iniciativas de promoção da prática deste desporto, através de realização de eventos e iniciativas que potenciem a prática da escalada em espaço natural, através do uso sustentável do património natural, usufruindo dos recursos endógenos locais.

Pretende-se criar condições materiais, de segurança, de informação e de comunicação que ofereçam aos turistas que praticam a escalada os melhores cenários possíveis, tornando as experiências inesquecíveis, de elevado valor sensorial e potenciando os recursos endógenos das povoações locais.

Incluem-se ainda no presente projeto a produção de conteúdos interpretativos sobre o património natural, nomeadamente na área da geologia, da fauna, flora e paisagem da área de intervenção em concreto, que serão disponibilizados quer no local quer em formato digital, e que contribuirão para a valorização dos itinerários e para o acréscimo de valor nas experiências de turismo de natureza, num território de características únicas, de elevado valor patrimonial, como é o caso da Serra d’Arga.

A intervenção decorrre no âmbito do projeto Escalada na Serra D'Arga, financiado pelo NORTE 2020/PROVERE, no âmbito das Ações de Qualificação dos Produtos Turísticos Estratégicos do Minho – Touring Cultural / Requalificação das Experiências de Turismo de Natureza no Minho, que prevê um investimento de 60.130,84 euros.

“No ‘coração’ da Serra d’Arga, a poucos quilómetros da fronteira com Espanha, situa-se a Fraga de Penice, um dos recursos endógenos diferenciadores do território, estrutura natural de características únicas que se conjugam com potencialidades de destaque para a prática da modalidade de escalada, nomeadamente para a escalada Desportiva e Bloco.

A zona de escalada de Penice já se encontra instalada há vários anos, e é servida por bons acessos viários, dispõe de vias dos mais diversos graus de dificuldade, o que potencia a visitação e prática deste desporto de natureza em grupo e/ou em família.

Situada num local de grande beleza, pelo seu enquadramento paisagístico, ao qual está associado um local de elevado interesse geológico e geomorfológico, com estruturas e litologias que se sabe serem raras e de alto valor patrimonial e científico, em particular no que respeita à expressão de elementos estruturais e paragéneses mineralógicas metamórficas que não se replicam com esta combinação, conjugação e modo de articulação em nenhum outro local conhecido dos terrenos para-autóctones da Unidade paleogeográfica e tectónica conhecida como do Minho Central.”

Recorde-se que a prática da escalada é considerada um desporto seguro e responsável, que reúne várias gerações e promove a prática familiar, constituindo um grande potencial turístico para a zona e também para a conservação da área, através do uso sustentável do património natural, usufruindo dos recursos endógenos locais.

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TIAGO BRANDÃO RODRIGUES CONVENCIDO QUE NÃO HAVERÁ PROSPEÇÃO E PESQUISA DE LÍTIO NA SERRA D’ARGA

Candidato socialista foi a São Lourenço da Montaria reunir com autarcas e a associação ambientalista Corema.

O cabeça de lista do Partido Socialista pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo, esteve em São Lourenço da Montaria, concelho de Viana do Castelo, onde reuniu com vários autarcas de freguesia da área envolvente da Serra d'Arga e com dirigentes da Corema - Associação de Defesa do Património.

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Tiago Brandão Rodrigues, que se fez acompanhar dos candidatos Marina Gonçalves, José Maria Costa e Elizabete Rodrigues, teve ao seu lado Luís Nobre e Miguel Alves, presidentes de Câmara de Viana do Castelo e Caminha, respetivamente.

No encontro informal que decorreu no largo central da Montaria, Brandão Rodrigues fez questão de lembrar vários episódios de infância e juventude passados na Serra d'Arga.

O socialista sublinhou que a Serra d'Arga nem sempre foi valorizada pelos poderes públicos e pelas pessoas do modo como acontece agora e "isso deve-se, em grande parte, ao trabalho articulado que os Municípios, Freguesias e associações ligadas à cultura, desporto e ambiente têm feito com a população local". O líder da candidatura rosa não fugiu, no entanto, a um dos temas do momento. "Quero ser muito claro: olhando para o Relatório de Avaliação Ambiental Preliminar, tendo estudado os diferentes pareceres das autarquias do Alto Minho e de alguns especialistas, conhecendo bem a Serra d’Arga e os concelhos abrangidos pela possível pesquisa e prospeção de lítio, não vejo como pode ser possível pesquisar ou explorar lítio na nossa região" afirmou o courense.

Perante o interesse dos autarcas e dos ambientalistas, Tiago Brandão Rodrigues não deixou margem para dúvidas, considerando que "pessoalmente, entendo que o potencial da exploração de lítio na Serra d’Arga é consideravelmente inferior ao valor natural – e até económico  - da biodiversidade que comprovadamente existe, ao valor da paisagem, da vivência comunitária, à valia turística do território e ao peso da cultura e das tradições associadas à região".

O candidato do PS reconheceu que a decisão que se segue sobre esta matéria não é sua, nem é do Governo que sair das próximas eleições, mas não hesitou ao afirmar que "se a Direção Geral de Energia e Geologia fizer um raciocínio semelhante ao meu, certamente que não haverá pesquisa, prospeção e exploração de lítio no Alto Minho. É esta a minha profunda convicção".

A comitiva socialista esteve durante o dia de ontem pelo concelho de Vila Nova de Cerveira onde visitou várias instituições. À noite teve lugar mais uma sessão do Fórum 100% Alto Minho, subordinada ao tema "A Cultura como instrumento de centralidade transfronteiriça", que contou com a participação do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira e as intervenções de Sandra Gonzalez, Alcaldesa de Tomiño, Helena Pereira, Diretora Artística da Bienal de Cerveira e António Torres do Secretariado Técnico do Agrupamento Europeu de Cooperação Transfronteiriço do Rio Minho.

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PARTIDO OS VERDES ENTREGOU 1000 POSTAIS AO SECRETÁRIO DE ESTADO ADJUNTO E DA ENERGIA

“NÃO QUERO O MEU FUTURO MINADO! A MINERAÇÃO É UM PRESENTE ENVENENADO! LÍTIO? NÃO. OBRIGADO!”

Uma delegação do Partido Ecologista Os Verdes que integrou os deputados do PEV à Assembleia da República, Mariana Silva e José Luís Ferreira, entregou ao Secretário de Estado Adjunto e da Energia cerca de mil postais (em papel e formato digital) dirigidos ao Ministro do mbiente e da Ação Climática recolhidos nas últimas semanas, em particular nos distritos de Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu onde a população afirma que não quer o seu futuro minado - “A mineração é um presente envenenado!

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Lítio? Não. Obrigado!”

A iniciativa de recolha de postais iniciou-se no dia 16 de novembro simbolicamente na Covilhã, onde foi assinado um contrato de exploração de lítio no passado dia 28 de outubro e terminou no dia 17 de dezembro em Montalegre e Boticas, onde também já foram celebrados contratos de concessão para a exploração de lítio e minerais associados.

Nestas cinco semanas Os Verdes estiveram em cerca de metade dos concelhos onde o Governo pretende levar a cabo a exploração de lítio (Paredes de Coura, Ponte de Lima, Viana do Castelo, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Real, Chaves, Boticas, Montalegre, Covilhã, Guarda, Mangualde, Nelas, Viseu) e também nos distritos de Coimbra e do Porto. A recolha dos postais foi realizada junto a universidades, escolas secundárias e profissionais, e nos centros históricos destas localidades.

A mineração de lítio é um presente envenenado para a população, uma falsa promessa de progresso e desenvolvimento, uma ameaça à qualidade de vida e à sustentabilidade  pretensão do Governo, e de declarar que não quer o seu futuro minado.

1000 postais. Embora este seja um número redondo, encerra uma representação simbólica, pois assinalaram-se 1000 dias, no passado dia 22 de dezembro, em que este Governo assinou o contrato de exploração da mina do Romano, em Montalegre, com a Luso Recursos.

A adesão à iniciativa do PEV veio demonstrar que os cidadãos estão cada vez mais esclarecidos em torno das consequências da mineração de lítio a céu aberto, temem os impactos sociais, económicos e ambientais deste modelo de atividade, e foram unânimes em expressar que neste processo faltou transparência e participação pública, particularmente nos casos em que há já contratos assinados à margem do concurso público para a prospeção e pesquisa, como é o caso de Macedo de Cavaleiros e Mirandela, e também naqueles em que a atividade de prospeção e pesquisa /per se/ deixou já um rasto de negligência e afetação do espaço florestal, dos lençóis de água e dos solos.

O Governo pretende lançar um concurso para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio em 8 áreas do Centro e Norte do país, a juntar àquelas onde já foram celebrados contratos de exploração, como é o caso de Montalegre, do Barroso e da Argemela e de prospeção e pesquisa (Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Vinhais).

NÃO PODEMOS MINAR O NOSSO FUTURO! O FUTURO É VERDE!

Acesso ao vídeo com as declarações da deputada de Os Verdes, Mariana Silva, aquando da entrega dos postais no Ministério do Ambiente.

O Partido Ecologista Os Verdes

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GALIZA SOLIDÁRIA COM MINHOTOS CONTRA A EXPLORAÇÃO DO LÍTIO

O Concello de Tomiño mostra o seu apoio aos municipios portugueses do Alto Minho contra a posible mina de litio na Serra de Arga

Instan á Xunta e ao Goberno que demanden información dunha explotación que pode afectar ao río Miño e ás zonas transfronterizas

O Concello de Tomiño, no pleno celebrado onte, mostrou o seu apoio aos municipios portugueses do Alto Minho no seu rexeitamento a posible mina de litio na Serra de Arga que o Goberno da República Portuguesa someteu a consulta pública o pasado setembro. A alcaldesa, Sandra González, destacou “a ampla oposición que existe a ambas beiras do Miño a calquera tipo de explotación na Serra de Arga que comprometa a súa conservación”, e afirmou que “Tomiño sempre estará do seu lado para conservar o medio natural da zona transfronteiriza”.

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As áreas nas cales está prevista a prospección e pesquisa da mina de litio inclúen, entre outras, o territorio dos concellos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Paredes de Coura, Caminha e Vila Nova de Cerveira, neste último incluén zonas que confrontan co río Miño e co río Coura, principal afluente do Miño nesa marxe. Nestas prospeccións o equipo de Avaliación Ambiental da mina afirma que non extraerán máis de 100 toneladas, pero non deixan claro de onde se retirarán. A concelleira de Medio Ambiente, Ana Belén Casaleiro, afirma que de ser cerca dos marxes do río Miño “podería afectar de forma moi significativa á zona internacional do río”.

Por todo isto o Concello de Tomiño solicita á Xunta de Galicia e ao Goberno de España que estuden as posibles afeccións ás poboacións transfronteirizas. “Instamos a que demanden ser notificados polas autoridades portugueses para que teñan a oportunidade de pronunciarse en canto a estas actividades cerca das zonas transfronterizas”, conclúen.

Tomiño expresa as súas condolencias polo falecemento de Manuel Garcés Estévez

Antes do inicio do pleno o Concello de Tomiño expresou as súas condolencias polo falecemento do veciño e profesor, Manuel Garcés Estévez. A alcaldesa destacou que “foi un mestre querido e admirado polos seus veciños e que formou a varias xeracións de tomiñeses e tomiñesas”.

Manuel Garcés foi o mestre escollido para dar nome ao Centro Rural Agrupado de Tomiño e grazas ao coidado e mimo co que tratou todo o que tiña que ver coa escola, consérvase na parroquia de Estás a Aula Museo Abdón Alonso que garda material didáctico, bibliográfico e documental dos anos 30, dende expedientes académicos de varias xeracións até libros das Misións Pedagóxicas ou mapas da época.

“Manuel Garcés foi un exemplo de Mestre Rural con máis de cincuenta anos de profesión, a súa vida foi a escola e todo o que tiña que ver coa educación. Don Manolo, como se lle coñecía popularmente, era unha boa persoa que deixou fonda pegada na vida de centos de nenos e nenas que pasaron polas súas aulas. Vaia para a súa familia o noso pesar e o noso recoñecemento e admiración pola figura de Manuel Garcés”, destacou a alcaldesa.