MINHOTOS PEDALAM NA SERRA D’ARGA

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De âmbito cultural e de pequena rota, este percurso percorre 8 Km, com um grau de dificuldade moderado a fácil.
Com partida na Capela de Santo Antão, os caminhantes passam por vários caminhos florestais, atravessam o ribeiro de Pombas, para visitarem o Moinho das Pombas de baixo. Passam também pelo Moinho Velho e pelo Moinho Novo. Chegados ao Cabeço do Meio-Dia, os caminheiros encontram-se a uma latitude de 550 metros e seguem para o Moinho de Baixo, pela ponte e moinhos da Gândara. Este percurso termina no Pontão do Lobo, que tem um valor incalculável para o património arquitetónico e etnográfico da Serra d'Arga.
TIPO DE PERCURSO:
Circular por estradas municipais, florestais, trilhos e caminhos da aldeia.
GRAU DE DIFICULDADE:
Moderado a fácil
PONTOS DE INTERESSE:
Paisagem da bucólica Serra D'Arga, diversos moinhos, abrigos de pastores, cabeço do meio-dia com paisagem a perder de vista, típicas construções serranas.
DISTÂNCIA/DURAÇÃO APROXIMADA:
8 km
5 a 6 horas
PONTO DE ENCONTRO / INICIO DA ATIVIDADE:
Capela de Santo Antão, Arga de Cima
https://maps.app.goo.gl/PN5ECpcAnqpyy26R8
DATA E HORA NO PONTO DE ENCONTRO:
28 de Setembro de 2025
8:20h
DATA LIMITE DAS INSCRIÇÕES (Limitadas a 20 participantes):
26/09/2025
12:00H
CUSTO DA ATIVIDADE:
5€ por participante.
Gratuito crianças até aos 12 anos.
(Pagamento no ato da inscrição)
No valor da inscrição está incluído o seguro de acidentes durante a atividade, a oferta
1 água fresca no início, e uma fatia de bolo caseiro no final do trajeto
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Inauguração marcada para as 18h00, na Casa do Marco, em Arga de Baixo, Caminha
A 27ª edição da Arte na Leira, que se realiza de 19 de julho a 17 de agosto de 2025, tem inauguração marcada para este sábado, pelas 18h00, na Casa do Marco, em Arga de Baixo – Caminha.
A menos de três dias da abertura, ainda não sabemos ao certo o que nos espera quando entrarmos no portão da Casa do Marco. Mário Rocha não quer desvendar ou não pode, porque, na verdade, nada está fechado e o processo criativo, a disposição das obras, acontecem até ao último minuto. O artista diz apenas que, na entrada, haverá uma “Porta da Amizade”. É o título de uma obra que é precisamente uma porta, mas não uma porta qualquer. Desde logo porque é centenária, mas também porque a intervenção de Mário Rocha a transformou numa obra que reflete a própria Serra d’Arga e as suas gentes. O resto – que é por certo muito – só vamos descobrir no sábado. “É surpresa”, diz a sorrir.
Novidade é também a imagem da edição 2025, que deu origem ao cartaz e ao catálogo. Trata-se de um desenho de criança, que caberá a cada um interpretar. A autora é a Maria Inês, neta do Mário Rocha, que vem demonstrando interesse e predisposição pelas artes. Nesta edição, o avô tornou-a protagonista.
Não é a primeira vez que Mário Rocha inclui as crianças na Arte na Leira, dando-lhes espaço enquanto criadoras. A Arte na Leira é assim, um espaço sem preconceitos, único, onde todos os talentos podem ter lugar, mesmo os que ainda estão a despontar.
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A tradição ainda é o que era! – milhares de romeiros vão rumar a Arga de S. João para cumprir promessas a S. João ou pedir-lhe ajuda para arranjarem casamento ou cura de verrugas, quistos, doenças de pele e infertilidade. Nem todos vão a pé como antigamente mas poucos são os minhotos que dispensam esta festa pois ela continua a ser uma das mais genuínas de toda a região e do país. E, até da vizinha Galiza não faltam os nossos irmãos galegos a comungar da mesma Fé – e da mesma identidade cultural!
Muitos ainda vão em ranchos como antigamente, subindo a pé o monte, cantarolando aqui e merendando acolá. Pelo caminho, o “penedo do casamento” é sítio obrigatório de paragem no percurso dos romeiros. Os solteiros atiram-lhe uma pedra para que esta fique em cima dele, dependendo o tempo de espera do casamento das tentativas feitas até o conseguir. Reza a lenda que o penedo “arranja testo para qualquer panela”… porém, como os tempos estão difíceis, vão ouvindo-se com frequência cantar os seguintes versos:
Ó meu Senhor S. João
Casai-me que bem podeis
Já tenho teias de aranha
Naquilo que bem sabeis
Uma vez chegado ao local do santuário, situado a cerca de 800 metros de altitude, os peregrinos dão três voltas à capela findas as vão dar uma esmola ao santo… e outra ao diabo!
Cumprida a devoção, a romaria dá lugar ao folguedo. Juntam-se os tocadores de concertina e abrem-se as goelas para os cantares ao desafio. Canta-se e dança-se no terreiro até ao amanhecer. Come-se e bebe-se nas tasquinhas à volta do santuário ou nas lojas dos “quarteis” onde também existe alojamento para pernoitar pois, caso contrário, terá de ser feito ao relento, na área envolvente do mosteiro. Apesar de ainda ser Verão, as noites são frias e, como agasalho, recomenda-se um copito de aguardente com mel, uma especialidade típica da Serra d’Arga.
Um poeta alfacinha de que não recordamos o nome, terá criado estes graciosos versos a repeito de S. João Baptista e de seu primo Jesus a quem baptizou nas águas do rio Jordão:
São João, reparem nisto,
Teve este grande condão;
Ao baptizar Jesus Cristo,
Foi quem fez de Cristo cristão
Mal despontam os primeiros raios de sol, é chegada a altura de regressar a casa. A aldeia regressa à sua habitual pacatez e o silêncio volta à serra. Apenas uma escassa centena de almas habita as pouco mais de duas dezenas de habitações que compõem Arga de S. João, abrangendo uma extensão de treze quilómetros quadrados.
- S. João d’Arga é uma das mais genuínas romarias minhotas. Para o ano lá voltaremos!
Fotos: Município de Caminha

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A Câmara Municipal de Viana do Castelo vai promover, na freguesia de S. Lourenço da Montaria, as I Jornadas de Montanha: a Serra d’Arga em Diálogo com o futuro, nos dias 19 e 20 de julho. A iniciativa coloca a Serra d’Arga no centro do debate sobre desafios e oportunidades destes territórios e inclui atividades diversas de natureza, desporto e cultura.
Este evento pioneiro apresenta uma intensa e diversificada agenda de atividades que visam demonstrar como os valores naturais, o património, a paisagem e a identidade local podem ser valorizados na competitividade dos espaços de montanha e na consolidação de uma oferta turística diferenciada e sustentável. Assim, no dia 19 de julho, entre as 9h e as 16h30, decorrerá o encontro "Serra de Arga - Diálogos sobre o Futuro" que pretende constituir um espaço de reflexão e debate multidisciplinar entre investigadores, técnicos e agentes locais, centrado nos temas estruturantes “A Serra Como Património: (Re)Conhecer Para Valorizar” e a “Multifuncionalidade dos Espaços de Montanha”.
Com esta abordagem integrada, pretende-se promover o reconhecimento da complexidade e riqueza dos territórios de montanha, estimulando a sua valorização numa perspetiva de futuro sustentável, alicerçada na conservação, na inovação, no envolvimento das comunidades e na coesão territorial. Através da participação ativa de universidades, organismos públicos, associações locais e entidades supramunicipais, este encontro posiciona-se como um catalisador de projetos, redes de colaboração e políticas públicas que reconhecem o papel estratégico da montanha na agenda climática, na revitalização das economias locais e no combate à desertificação demográfica.
O programa das I Jornadas de Montanha inclui ainda uma agenda de fim-de-semana pensada para diferentes públicos, com atividades de natureza, desporto e cultura, como o trilho Interpretativo pelo Geossítio das Cascatas da Ferida Má; oficinas de gastronomia tradicional; experiências equestres, incluindo batismo a cavalo e provas equestres tradicionais; um Circuito NGPS (BTT com navegação por GPS); e música tradicional em novas linguagens.
Paralelamente, realiza-se a já emblemática Festa da Broa e do Chouriço, uma celebração enraizada nas tradições locais, promovida pela Junta de Freguesia de São Lourenço da Montaria com a colaboração da comunidade, onde poderá apreciar uma mostra de sabores e produtos regionais com mais de 30 anos de história. De destaque é também o evento MONTARIA.13 – Documentário e Património Rural (https://www.ao-norte.com/montaria.php) , promovido pela AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual, com a exibição de cinema documental ao ar livre, reforçando a valorização da memória coletiva.
Mais do que um evento pontual, as I Jornadas da Montanha inauguram, desta forma, uma plataforma contínua de diálogo, inovação e ação em torno da Serra de Arga e do seu vasto património.
Poderá consultar toda a programação em:
A participação nas diferentes atividades requer inscrição prévia nos seguintes formulários online:
Link de Inscrição - https://forms.gle/FRgjwcUGHvkqQCvh7 (máximo 50 pessoas)
Link de Inscrição - https://forms.gle/ZsXbrf99GCZY2raC7 (máximo 30 pessoas)
Link de Inscrição - SincTime - Circuito NGPS na Serra D'Arga
Link de inscrições: https://forms.gle/h7WKx5y5wHdcbsin9
Prova Jump & Run
Condições de participação e link para formulário de inscrição:
https://forms.gle/aCt7npiYojC4feWn9
Gincana Equestre
Condições de participação e link para formulário de inscrição:
https://forms.gle/jXj5EaFSJoJ5ZfvDA
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A boa notícia chegou no início de abril: o Concelho de Caminha foi um dos vencedores destacados na edição 2025 do Prémio Cinco Estrelas Regiões. Conquistou o Prémio Cinco Estrelas com a Serra d’Arga, na Categoria Serras e Montanhas, e com a Praia de Moledo, na Categoria Praias. A entrega dos Prémios Cinco Estrelas Regiões 2025 aconteceu na passada sexta-feira, 27 de junho, em Sabrosa, num evento largamente participado, que foi também mais uma extraordinária oportunidade de divulgar e dar visibilidade ao concelho de Caminha.
A entrega dos prémios contou com a participação dezenas de representantes de Marcas e de Câmaras Municipais, contribuindo para a promoção das diferentes regiões do país. O Município de Caminha foi representado pela Chefe de Divisão da Cultura da Câmara Municipal, Angelina Esteves.
As distinções dizem respeito à 8ª edição do Prémio Cinco Estrelas Regiões, um sistema de avaliações de âmbito nacional. A informação e imagens sobre os dois ícones premiados já se encontram online no website, em www.cinco-estrelas.pt
A informação sobre a Serra d’Arga está online em https://r.cinco-estrelas.pt/vencedor/serra-darga/ enquanto a Praia de Moledo é dada a conhecer em https://r.cinco-estrelas.pt/vencedor/praia-de-moledo/
Como já referimos, este é mais um galardão que reconhece o nosso território, não apenas pela beleza natural, mas também pelas condições que oferece e pelo trabalho que vem sendo desenvolvido.
Recordamos que, no caso da Serra d’Arga, por exemplo, tem sido realizado um intenso trabalho de investigação, valorização e defesa, sendo um dos resultados a informação reunida, bastante completa, no website https://www.serradarga.pt/ divulgado também, agora, pelo Prémio Cinco Estrelas Regiões. Aqui ficamos a conhecer com pormenor um espaço de excelência: A Serra d’Arga “constitui uma das áreas mais emblemáticas do Alto Minho, não só pela vastidão das paisagens agrestes do seu topo, mas também pela singularidade dos seus valores naturais. Nos pontos mais altos da serra, dominados por imponentes maciços graníticos, existem áreas naturais de pastagem de rara beleza onde ocorrem diversos tipos de matos numa matriz de pastagens com uma diversidade florística notável. Nestes matos e prados alimentam-se cabras, vacas e garranos, coexistindo no mesmo ecossistema do lobo, que tem aqui uma das populações mais próximas do litoral. Perto das pitorescas aldeias que se desenvolvem na transição para o xisto, existem campos de cultivo, lameiros e bosques naturais, atravessados por diversas linhas de água. Outrora, estes rios e ribeiros forneciam a energia aos moinhos, que ainda se podem observar, e onde se fazia a moagem dos cereais cultivados nos campos”.
A distinção atribuída à Praia de Moledo é mais uma confirmação do seu prestígio nacional e internacional. Trata-se de uma praia belíssima e de grande qualidade, reconhecida e galardoada repetidamente.
Os Prémios Cinco Estrelas Regiões são descritos como “um sistema de avaliação que identifica, segundo a população portuguesa, o melhor que existe cada região (18 distritos + 2 regiões autónomas) ao nível de recursos naturais, gastronomia, arte e cultura, património e outros ícones regionais de referência nacional; bem como premeia marcas portuguesas que se destacam a nível regional. Os ícones regionais são identificados anualmente através de uma votação nacional”.
A organização esclarece ainda que “a seleção dos vencedores envolveu um rigoroso processo de avaliação, contando com a participação de 498.660 consumidores, os quais analisaram mais de 1.022 marcas. Destas, apenas 141 alcançaram o estatuto Cinco Estrelas, ou seja, pouco mais de 13% do total analisado. Esta é, pois, a demonstração da sua excelência, por via de um amplo reconhecimento público por parte de quase meio milhão de pessoas, bem como do rigor metodológico por que se rege aquele que o melhor sistema de avaliação nacional. Os Prémios Cinco Estrelas Regiões reforçam, assim, o seu compromisso em distinguir o que de melhor se faz em Portugal, contribuindo para a valorização do património, cultura e tecido empresarial do nosso país”.
Mais informação em: www.cinco-estrelas.pt
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As gentes da serra d’Arga festejam anteontem a São João das Cerejas. A solenidade teve lugar no Mosteiro de S. João d’Arga, no Arciprestado de Caminha.
Apesar de se tratar da festa litúrgica de S. João Batista, na Serra d’Arga, porque a fruta da época é a cereja, o povo chamam-lhe o S. João das Cerejas.
As festas e romarias estão muito presentes no quotidiano e são vividas de forma intensa pelas gentes do nosso concelho.
A Festa de São João das Cerejas é uma prova viva dessa cultura popular e religiosa e todos os anos leva ao Mosteiro de São João de Arga centenas de fieis.
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Prémios Cinco Estrelas implicaram processo de avaliação com a participação de 498.660 consumidores
O Concelho de Caminha é um dos vencedores destacados na edição 2025 do Prémio Cinco Estrelas Regiões. Conquistou o Prémio Cinco Estrelas com a Serra d’Arga, na Categoria Serras e Montanhas, e com a Praia de Moledo, na Categoria Praias. Esta é a 8ª edição do Prémio Cinco Estrelas Regiões, um sistema de avaliações de âmbito nacional, e os vencedores já foram revelados. Informação e imagens sobre os dois ícones premiados já se encontram online no website, em www.cinco-estrelas.pt
A informação sobre a Serra d’Arga está online em Serra d’Arga – Prémio Cinco Estrelas Regiões, enquanto a Praia de Moledo é dada a conhecer em Praia de Moledo – Prémio Cinco Estrelas Regiões
Este é mais um galardão que reconhece o nosso território, não apenas pela beleza natural, mas também pelas condições que oferece e pelo trabalho que vem sendo desenvolvido. No caso da Serra d’Arga, por exemplo, tem sido realizado um intenso trabalho de investigação, valorização e defesa, sendo um dos resultados a informação reunida, bastante completa, no website Serra d'Arga, divulgado também, agora, pelo Prémio Cinco Estrelas Regiões. Aqui ficamos a conhecer com pormenor um espaço de excelência: A Serra d’Arga “constitui uma das áreas mais emblemáticas do Alto Minho, não só pela vastidão das paisagens agrestes do seu topo, mas também pela singularidade dos seus valores naturais. Nos pontos mais altos da serra, dominados por imponentes maciços graníticos, existem áreas naturais de pastagem de rara beleza onde ocorrem diversos tipos de matos numa matriz de pastagens com uma diversidade florística notável. Nestes matos e prados alimentam-se cabras, vacas e garranos, coexistindo no mesmo ecossistema do lobo, que tem aqui uma das populações mais próximas do litoral. Perto das pitorescas aldeias que se desenvolvem na transição para o xisto, existem campos de cultivo, lameiros e bosques naturais, atravessados por diversas linhas de água. Outrora, estes rios e ribeiros forneciam a energia aos moinhos, que ainda se podem observar, e onde se fazia a moagem dos cereais cultivados nos campos”.
A distinção atribuída à Praia de Moledo é mais uma confirmação do seu prestígio nacional e internacional. Trata-se de uma praia belíssima e de grande qualidade, reconhecida e galardoada repetidamente.
O Prémio Cinco Estrelas Regiões é descrito como “um sistema de avaliação que identifica, segundo a população portuguesa, o melhor que existe cada região (18 distritos + 2 regiões autónomas) ao nível de recursos naturais, gastronomia, arte e cultura, património e outros ícones regionais de referência nacional; bem como premeia marcas portuguesas que se destacam a nível regional. Os ícones regionais são identificados anualmente através de uma votação nacional”.
A organização informa que “a seleção dos vencedores envolveu um rigoroso processo de avaliação, contando com a participação de 498.660 consumidores, os quais analisaram mais de 1.022 marcas. Destas, apenas 141 alcançaram o estatuto Cinco Estrelas, ou seja, pouco mais de 13% do total analisado. Esta é, pois, a demonstração da sua excelência, por via de um amplo reconhecimento público por parte de quase meio milhão de pessoas, bem como do rigor metodológico por que se rege aquele que o melhor sistema de avaliação nacional. O Prémio Cinco Estrelas Regiões reforça, assim, o seu compromisso em distinguir o que de melhor se faz em Portugal, contribuindo para a valorização do património, cultura e tecido empresarial do nosso país”.
Mais informação em: www.cinco-estrelas.pt
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Serra d’Arga. Namorados
A poesia é tão antiga como o homem. Em cada ser humano existe um poeta e não há nada na vida do homem que não escape aos sentimentos mais profundos da alma. O amor é, agora, o tema.
Pela transcendência do assunto, «pelo fácil e pelo difícil» que o envolve, se compreende a seguinte quadra:
Quem me dera dar-te um beijo,
Um beijo não custa a dar;
São duas bocas unidas,
Quatro lábios a beijar.
Noutros tempos, o beijo era tão sagrado que logo havia desordem ou compromisso de casamento, quando observado pelos pais.
Hoje, está tão banalizado que deixou de ser expressão do que era, perdendo o significado sagrado que tinha em épocas mais distantes.
A simplicidade e a imagem a que o povo recorria para transmitir os seus sentimentos ou exaltar alegrias ou paixões, são de uma beleza encantadora
Quando os passarinhos choram
Numa árvore tão pequena,
Que fará meu coração
Cheio de tanta pena?
Nas quadras que se vão seguir pode verificar-se o que diz a filosofia popular a propósito do amor, da traição, do belo e do feio. Aqui está um retrato excelente do amor na sabedoria popular: umas vezes, demasiado pessimista; outras, cheio de lições de moral.
A água daquela serra
Por copos de vidro desce;
Nem a água mata a sede
Nem o meu amor me esquece.
Abaixo da Serra d’Arga
Onde fica minha aldeia,
Na linda terra de Dem
Onde o meu amor passeia.
A água do ribeirinho
Sobe ao Céu deita pavor;
Só há lágrimas na terra
Por donde anda meu amor.
Abre-te, janela d’oiro,
Tira-te tranca de vidro,
Resolve o teu coração
Que o meu está resolvido.
A água do Rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.
Abre-te, janela d’oiro,
Vira-te, tranca de vidro;
Vem cá fora, meu amor,
Que quero falar contigo.
Abaixa-te Alto do Tapado,
Que eu quero ver Castanheira,
Quero ver o meu amor
Lá nos campos da Lapeira.
Abre-te, peito, e fala,
Ó coração vem cá fora,
Anda ver o teu amor
Que chegou aqui agora.
Abaixa-te ó Serra d’Arga
Abaixa-te um nadinha;
Quero ver o meu amor
No terreiro de Caminha.
A carta que te escrevi
Já ta deitei na varanda;
Só te peço, meu amor,
Que faças o que ela manda.
Recolha levada a efeito na Serra d’Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por Artur Coutinho, transcritas na obra «Cancioneiro da Serra d’Arga».
Fonte: https://folclore.pt/cancioneiro-da-serra-darga-quadras-de-amor/
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