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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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EM 1985, GEORGES DUSSAUD FOTOGRAFOU SARGACEIROS DA APÚLIA

A imagem mostra a faina do sargaço, na Apúlia, em 1985, registada pelo fotógrafo francês Georges Dussaud. Fez parte da exposição retrospetiva do trabalho do autor “Crónicas portuguesas”, apresentada no edifício da ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto em 2007 e foi adquirida por doação em 2007, pertencendo atualmente ao Centro Português de Fotografia.

CNF4575

Da ficha correspondente, transcreve-se a seguinte descrição biográfica:

Georges Dussaud nasceu em Brou, na região da Bretanha, no ano de 1934. Embora de nacionalidade francesa, as viagens e as imagens que daí regista fazem dele um cidadão do mundo. É notório o seu fascínio pelas cenas do quotidiano. Não se deixa envolver pelas temáticas comuns que outros já captaram. Dussaud gosta do imprevisto, da simplicidade e espontaneidade das coisas do dia-a-dia, seja de que povo for. Tenham sido as reportagens efectuadas na Grécia, na Irlanda, na Índia, em Cuba, em França ou Portugal, o factor humano está sempre presente. Casou com Christine Dussaud, sua incansável companheira de viagens e testemunha ocular de tantos instantes de tempo aprisionados pela sua objectiva. Talvez por isso tenha feito tanto sentido que fosse ela a autora do prefácio de Crónicas Portuguesas. O livro é dedicado aos três filhos do casal, Alexandre, Eric e Tristan, também eles “companheiros de viagem pelos caminhos de Portugal”. O facto de se ter tornado membro da agência parisiense Rapho, em 1986, coloca o seu nome a par de mestres da fotografia como Robert Doisneau, Willy Ronis ou Sabine Weiss. As deslocações frequentes a Portugal resultam também na presença regular em iniciativas como os Encontros de Fotografia de Coimbra e Encontros da Imagem de Braga. As instituições nacionais não têm sido indiferentes ao seu trabalho e a prova disso é que ele está representado, não só na Colecção Nacional de Fotografia do CPF, mas também no Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa e no Museu da Imagem de Braga. No ano de 1997 já as editoras Marval e Assírio & Alvim se haviam associado para publicar Portugal Terra Fria, o “antecessor” de Crónicas Portuguesas. Por ocasião da sua mais recente viagem a Portugal, em 2007/2008 o autor concebeu um portfolio inédito de fotografias, captadas exclusivamente na cidade do Porto, e que deram origem à exposição “Invisões” apresentada no Centro Português de Fotografia em 2009.

COSTUMES DO MINHO: A SARGACEIRA E O JANGAREIRO

Publicou a revista Ilustração Portugueza, na cada da sua edição de 17 de março de 1913, duas interessantes fotografias que mostra os trajes da mulher do Soajo e do jangareiro de Anha ou seja, aquele que conduzia a jangada do sargaço na travessia do rio Lima, envergando a tradicional branqueta do sargaceiro. O texto que acompanha as fotos possui também algumas particularidades curiosas que refletem bem a distância que então separava o jornalista habituado ao meio burguês e citadino em relação à profundeza da vida rural que de mais interessante apenas proporcionava os motivos pitorescos com que ilustrava as páginas dos jornais. Transcreve-se o artigo respeitando-se a grafia original.

Mulher de Castro Laboreiro

Costumes Portugueses

Em luta constante com a natureza, a quem arrancam após porfiadas canceiras as matérias primas que lhe fornecem o fato e o alimento, únicos produtos das rudimentares industrias que exercem: a pastorícia e a agricultura, os montanhezses de Castro Laboreiro são uma pobre gente desconfiada e semi-selvagem.

O vestuário das suas mulheres dá á primeira vista ideia lucida e sugestiva de toda a sua rudeza: capucha ou mantela, o corpete e a saia, é tudo feito de tecido grosseiro de fabrico local a que chamam burel ou picoto. Os tamancos toscos, espécie de sandálias, formadas por rudes madeiros ligados aos pés por correias fortes, chamados chancas ou alabardeiros, completam o vestuário das castrejas, em que as roupas brancas faltam por completo.

Na mesma província do Minho, á beira mar, o fato simples usado pelos jangadeiros d’Anha, emparceira admiravelmente com a rudeza semi-selvagem do vestuário das castrejas.

É muito característico o tipo destes lavradores-marinheiros, que nas costas do norte, principalmente junto a Viana do Castelo, e, por todo o litoral desde Montedor até à costa do sul do Lima, no local denominado Anha, se aventuram ao mar, a fim de colher o sargaço, moliço ou limos, como lhe chamam, com que vão depois fertilizar as suas terras navegando sobre frageis jangadas, formadas por oito troncos de madeira muito leves ligadas a maneira de estrado, tendo lateralmente duas taboas dispostas em forma de borda falsa: os troncos das bordas são mais compridos, e, levantam em forma de rabo d’arado.

Vestem unicamente uma espécie de sobrecasaca de lã grossa e forte, o que chamam branqueta, presa com um cinto e abotoada na frente, uma carapuça vermelha ou um chapéo preto de grandes abas completam tão singular vestimenta.

A. Mesquita de Figueiredo

Um jangadeiro minhoto

(Clichés do distinto amador sr. J. Albino Pereira de Carvalho)