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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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AQUILINO RIBEIRO NASCEU HÁ 140 ANOS! – ESCRITOR LIGADO A PAREDES DE COURA A QUEM DEDICOU O ROMANCE “A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES”

Aquilino Gomes Ribeiro nasceu a 13 de setembro de 1885 em Sernancelhe, Viseu. Porém, ficou intimamente ligado ao concelho de Paredes de Coura. Casou com uma filha do Dr. Bernardino Machado e, entre os seus escritos, legou-nos o seu romance “A Casa Grande de Romarigães”, publicado inicialmente em 1957.

A Casa do Amparo retratada no livro foi morada do ex-Presidente Bernardino Machado e do próprio Aquilino, que se casou com uma filha daquele presidente, na época ainda vivo.

Publicou 69 obras literárias que se distribuem por diversas áreas tais como ficção, cronica, critica literária, jornalismo, estudos da etnologia e história, teatro e literatura infantil. Pertenceu ao grupo que fundou o movimento cívico e cultural Seara Nova, e também fundou a Associação Portuguesa de Escritores, tendo sido eleito seu presidente.

Ligou-se ao movimento republicano e interveio ativamente na revolução, chegando mesmo a ser preso. Exilou-se em Paris e regressou a Portugal depois da primeira eclosão da 1ª grande guerra, exercendo a carreira de professor.

Faleceu em Lisboa, a 27 de maio de 1963.

Os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional em setembro de 2007, 44 anos após a sua morte.

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O escritor Aquilino Ribeiro, porventura o maior romancista português do século XX, descreveu de forma notável a vida rural em Paredes de Coura e o ambiente e sensações vividas na “Casa Grande de Romarigães”, local onde ele próprio residiu.

Situada na Freguesia de Romarigães, a sudoeste do concelho de Paredes de Coura, a limitar com o vizinho concelho de Ponte de Lima, é um edifício oitocentista classificado pelo IPPAR, formado pela casa de habitação propriamente dita por portal armoreado, a Capela de Nossa Senhora do Amparo e diversos conjuntos escultóricos como carrancas, frontões, volutas e outros motivos artísticos.

De uma grande riqueza vocabular, transcreve-se algumas passagens da obra do escritor dedicada àquele espaço.

“Depois de anos e anos em Paris, de correr à deriva como barco num golfo, sem grandes embates nem quebrantos, deixando-se flutuar, Hilário Barrelas veio surdir naquele rincão do Alto Minho. Vira aquela menina dos olhos grandes, castanhos e leais, e amou-a. Quando, por morte do avô conselheiro, visitou a Casa Grande, com as ruínas da gloriosa Nossa senhora do Amparo a consumir-se, mas sempre de imarcescível beleza, ficou deslumbrado. E, uma vez que o património se repartia, e os herdeiros, mais escabreados, testos e absurdos que lobos famintos, se lançavam uns sobre os outros, disse para sua mulher:

- Fica em Romarigães, na bela ruína do Amparo.

Tinha caído o telhado na linda capela, os caseiros queimaram as portas, a talha do altar e do coro, e deixaram desaparecer imagens e painéis. No solar uma das paredes da construção filipina esbarrigara e acabou por dar em terra. Pelos telhados entrava água como por cestos rotos e as tábuas do soalho, se lhes punham em pé em cima, rangiam e estalavam, escancarando-se em precipícios traiçoeiros para as lojas. Para cúmulo, o Estado tomara conta do salão principal para aula de primeiras letras, o salão onde D. Telmo de Montenegro, o verdadeiro, o espanhol, o quixotesco, dera festas de truz às duas fidalguias de Minho e Galiza. Não restava um alizar direito nem uma janela intacta. Os móveis, que eram de estilo, carregara-os um ferro-velho para o Porto por tuta-e-meia. De gorra com um caseiro ladro e tramposo, os netos do Conselheiro haviam alienado águas que pertenciam às quintas e procederam a derrubadas consecutivas na mata, em cujas brenhas se caçara o javali, sempre que tinham necessidade de dinheiro para as suas pândegas, encalvecendo-a miseravelmente. De modo que o homem dos espaços abstractos, o sonhador, o Hilário Barrelas das midinettes da Ru Gay Lussac, só encontrou verdadeiramente incólume o olhar puro de Nossa Senhora do Amparo. Mas tanto bastou, ajudado duma mirada angustiosa do Cristo setecentista, que assistia na fumareda da casa dos caseiros a suas rixas e bodeganas, para se declarar rendido”.

Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães

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“Paredes de Coura: São 7,45 e uma leve bruma leitosa, quase velo de lã muito carmeada, flutua sobre o cume dos montes. Mas essa gaze vadia, a esfiapar-se pouco a pouco, deixa a descoberto toda a modelação dos vales, e os rossios a florir, banhados pelo sol, faíscam e toucam-se, segundo o reflexo das folhas luzidias, dos mais variados cambiantes. Este Alto Minho tem a frescura das pradarias dentre Ave e Cávado, e a majestade da Beira. A serra de Arga parece postada lá adiante a barrar-nos o caminho com as suas escarpas de bronze.

Em chapadas e valeiros procede-se às vessadas da Primavera. Decerto que é este um dos trabalhos mais pitorescos da vida agrícola regional, pela sua envergadura e movimento. Um Sorolha ficaria de boca aberta, deliciado a ver como se desdobra semelhante faina. Ao contrário das Beiras, onde cada lavrador se encontra sozinho no amanho do chã, o minhoto concerta-se com parentes e próximos. Por vezes são cinco, seis juntas a lavrar o mesmo campo. E para gleba além dos dois carros de alqueires, tal concurso não é de mais. Imagine-se o complexo que há na operação de virar a leiva, desterroar, limpar da grama, espalhar os estrumes, dirigir o gado, semear, cobrir!

A mulher, que é no Minho a grande obreira, também aqui tem um lugar de relevo. É ela quem mais se vê. Os espanejamentos claros das suas vestes alegram a arada. O seu lenço vermelho ou versicolor acena de longe e decerto quer dizer: não me acham graça? Que melhor desmentido ao anexim: O arado barbudo e o lavrador barbado?!”

Aquilino Ribeiro, Arcas Encoiradas

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PAREDES DE COURA: ROMARIGÃES LEVA “OS TROVOADA” ÀS FESTAS DA CABRAÇÃO

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As gentes da Cabração, no concelho de Ponte de Lima, vão nos próximos dias 14 e 15 de agosto festejar a Nossa Senhora do Azevedo. No dia 15 de agosto – o principal das festividades – cabe ao grupo de bombos “Os Trovoada”, da vizinha freguesia de Romarigães, no concelho de Paredes de Coura, a missão de abrir a festa com uma valente arruada. Na certeza de que o rufar dos bombos vai fazer eco pelo menos até Santa Rita…

Não existe no Minho romaria que se preze sem uma vibrante arruada dos zés p'reiras. E a festa da Cabração jamais podia fugir à regra.

Os grupos chamados “Zés-Pereiras” são característicos das festas e romarias do Minho ou, para ser mais preciso, de toda a região de Entre-Douro-e-Minho.

Desfilam pelas ruas tocando instrumentos de percussão — caixas de rufo, timbalões e bombos; assim como aerofones melódicos: pífaros e gaita-de-fole, por vezes, acompanhados de gigantones e cabeçudos.

Mais recentemente, pela popularidade alcançada na região, a concertina tem vindo a ser introduzida nestes grupos, acompanhando o ritmo marcial dos bombos e gaitas-de-foles.

No próximo dia 15 de agosto, seguramente gente não vai faltar à festa e nem os santos ficam “em casa”…

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PAREDES DE COURA: HUGO VAN DER DING EVOCA AQUILINO NA CASA GRANDE DE ROMARIGÃES

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sáb_12 jul_18h00 | Casa Grande de Romarigães

Hugo van der Ding, conhecido autor da rubrica Vamos Todos Morrer, nas manhãs da Antena 3, é o convidado deste sábado, 12 de julho, pelas 18h00, das Conversas da Casa Grande, precisamente evocando a memória do escritor Aquilino Ribeiro e autor dessa obra maior da literatura portuguesa A Casa Grande de Romarigães.

Tendo por convidada Mariana Machado, neta do Aquilino, a conversa fluirá na linha do programa Vamos Todos Morrer, onde Hugo van der Ding já chegou a evocar Aquilino Ribeiro pelo aniversário da sua morte (https://antena3.rtp.pt/video/vamos-todos-morrer/aquilino-ribeiro/).

Assim, no espírito do Vamos Todos Morrer, Hugo Van der Ding faz uma viagem pela fascinante história do escritor Aquilino Ribeiro, nos jardins da própria Casa Grande de Romarigães, e, depois, conversa com Mariana Machado, a Marianinha dos livros do seu avô Aquilino.

Recorde-se que evocando os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro, bem como da reabilitação da Quinta do Amparo como espaço de fruição, num centro de literatura e também de cultura, o Município de Paredes de Coura tem promovido as Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa do século XX, como a palavra, e cujo primeiro palestrante foi Ricardo Araújo Pereira aquando da inauguração da obra de reabilitação.

A Casa Grande de Romarigães

A narrativa da Casa Grande de Romarigães constrói-se a partir de manuscritos encontrados no restauro da casa que foi solar dos Meneses e Montenegros e conta-nos a história das sucessivas gerações que, para o bem e para o mal, a habitaram. Uma trama ficcional que começa no tempo dos Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos.

Entrada livre, sujeita à lotação do espaço

PAREDES DE COURA: AQUILINO, A CASA E O SOPRO DE DEUS” ESTE SÁBADO NO CENTRO CULTURAL

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sáb_24 mai_22h00 | Centro Cultural

‘Aquilino, a casa e o sopro de Deus’, dirigido por João Pedro Marnoto e ilustrado musicalmente pelos Space Ensemble, com voz de Marlene Castro, é projetado este sábado, pelas 22h00, no Centro Cultural de Paredes de Coura.

Depois de uma primeira projeção na Casa Grande de Romarigães, em novembro do ano passado, este documentário que tem como mote o processo de restauro do emblemático espaço senhorial em terras de Paredes de Coura e que deu origem à obra homónima do escritor Aquilino Ribeiro, pretende também refletir sobre a própria obra literária, o autor e o território de onde emerge.

A Casa Grande de Romarigães, no espaço da Quinta do Amparo, foi submetida a obras de restauro e recuperação, sendo formalmente inaugurada a 30 de julho de 2023 para dar lugar a uma casa-museu, cuja visita proporciona uma viagem pela história do romance considerado uma das maiores obras da literatura portuguesa.

‘Aquilino, a casa e o sopro de Deus’ surgiu do convite do Município de Paredes de Coura à MediaUtopia, que foi convidada a produzir um documentário que abordasse o processo, como a obra em si, o autor e o território. A estreia do documentário está prevista para a Primavera de 2025 e posterior transmissão na RTP.

"Aquilino, o cidadão" - conversa com João Barroso Soares

Ainda no âmbito da iniciativa Conversas da Casa Grande, a tarde de sábado, a partir das 16h00, é preenchida com uma conversa com João Barroso Soares na Casa Grande de Romarigães, sob o tema "Aquilino, o cidadão".

João Barroso Soares, conhecido como político – foi presidente da Câmara de Lisboa e Ministro da Cultura --, é também editor literário, pelo que esta abordagem ao mundo de Aquilino ganha particular relevo.

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PAREDES DE COURA: “A RURALIDADE” – “CONVERSAS NA CASA GRANDE” COM VÍTOR PAULO PEREIRA E A ARQUITETA PAISAGISTA ANA ISABEL QUEIROZ

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As abordagens sociais, culturais, políticas e económicas da ruralidade em Portugal têm crescido com o contributo de vários investigadores, mas também com o indissociável contributo dos nossos mais notáveis escritores. É neste contexto que a arquiteta paisagista Ana Isabel Queiroz vai conversar com Vitor Paulo Pereira, este sábado, pelas 16h00, no âmbito das Conversas na Casa Grande, em Romarigães.

Sob o tema ‘A Ruralidade’, Ana Isabel Queiroz vai esmiuçar quanto a rica obra de Aquilino Ribeiro contribuiu para descrever a paisagem que nos circunda: “os textos aquilinianos releem-se num quadro ecocrítico, buscando o repositório de ideias e de práticas que se referem ao ambiente e à relação dos humanos com ele”, sugeriu a investigadora no âmbito do seu trabalho “Ecologia da caça, condições de vida e desigualdades”.

Com uma vasta obra no plano académico, como o trabalho desenvolvido em conjunto com Miguel Carmo “FIREUSES — Paisagens de fogo: Uma história política e ambiental dos grandes incêndios em Portugal (1950-2020)”, e que foi acolhido pelo Instituto da História Contemporânea e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, Ana Isabel Queiroz mantém um olhar crítico sobre o elogio do nostálgico, defendendo que “a ideia de passado sustentável, que hoje se encontra em alguns projetos da História, pode configurar um enviesamento narrativo e um uso inapropriado do conceito de sustentabilidade. Que sustentabilidade, quando o referencial compreende a fome, a pobreza, a falta de acesso à saúde e à educação, a desigualdade e a discriminação”, interroga-se no trabalho ‘Ideias sobre um país-paisagem’.

VALTER HUGO MÃE APRESENTA “DEUS NA ESCURIDÃO” EM PAREDES DE COURA

sáb_17 ago_16h00 | Casa Grande de Romarigães

As Conversas na Casa Grande estão de regresso neste mês de agosto com Valter Hugo Mãe, para a apresentação do seu mais recente livro ‘Deus na escuridão’, mais propriamente no próximo sábado, pelas 16h00, na Casa Grande de Romarigães.

“Deus é exatamente como as mães. Liberta Seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos.»

Este livro de Valter Hugo Mãe explora a ideia de que amar é sempre um sentimento que se exerce na escuridão. Uma aposta sem garantia que se pode tornar absoluta. A dúvida está em saber se os irmãos podem amar como as mães que, por sua vez, amam como Deus.

Passada na ilha da Madeira, esta é a história de dois irmãos e da necessidade de cuidar de alguém. Delicado e profundo, ‘Deus Na Escuridão’ é um manifesto de lealdade e resiliência.

Com referências entusiasmantes da crítica, a presença de Valter Hugo Mãe nas Conversas na Casa Grande tem ainda o aliciante de estarmos perante um escritor com alguma afinidade a Paredes de Coura, tanto mais que a sua penúltima obra, ‘As doenças do Brasil’, foi em grande parte escrita na nossa terra.

As Conversas na Casa Grande prosseguem em setembro com a conversa sobre a ‘Ruralidade’, com Vitor Paulo Pereira e a arquiteta paisagista Ana Isabel Queiroz, em outubro a sessão do Clube dos Poetas Vivos, no âmbito da Odisseia Nacional do Teatro D. Maria II em parceria com a Casa Fernando Pessoa, e em novembro a pré-estreia do documentário ‘Aquilino, a casa e o sopro de deus’, com a apresentação de João Pedro Marnoto.

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PAREDES DE COURA: PRIMEIRAS PÁGINAS DO EXTENSO PROCESSO DE MARIA JOSEFA DANTAS –NATURAL DE ROMARIGÃES – NO TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO DE COIMBRA

Maria Josefa Dantas possuía a idade de 41 anos quando, entre 15 de Abril de 1793 e 20 de Novembro de 1796, foi julgada no Tribunal do Santo Ofício – Inquisição de Coimbra, sob a acusação de bigamia.

Era natural de Paredes de Coura, freguesia de Romarigães e residia em Castanheira. Filha de José Filipe Dantas e Maria Josefa que viviam da sua fazenda. Casada com Gaspar Ricardo apresentou-se em tribunal em 1793, tendo sido sentenciada a auto-de-fé privado em 16 de Maio de 1795 por abjuração leve, degredada pelo tempo de três anos para o bispado de Miranda, sujeita a penas e penitências espirituais e a pagamento de custas.

A ré casou segunda vez com José da Silva, sendo ainda vivo o seu primeiro marido.

Fonte: ANTT

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PAREDES DE COURA RECEBE “CONVERSAS NA CASA GRANDE”

Paulo Pinto/Susana Vassalo com Arnaldo Trindade. sáb_11 nov_16h00 | Casa Grande de Romarigães

As Conversas na Casa Grande estão de regresso este sábado, 11 de novembro, pelas 16h00, com Arnaldo Trindade e tendo por interlocutores Paulo Pinto e Susana Vassalo.

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Tendo por ponto de partida a escuta na integra do disco ‘As casas: Romarigães e outras histórias’ -- Sofia Saldanha resgatou uma entrevista de Aquilino Ribeiro onde o escritor refere que acabava de escrever, naquele momento, um novo romance “A casa Grande de Romarigães” –, o editor da Orfeu, Arnaldo Trindade, bem como Paulo Pinto e Susana Vassalo vão mergulhar na obra de um dos autores mais marcantes da literatura portuguesa do século XX.

No ano em que se evoca os 60 anos da morte de Aquilino com a reabilitação da Quinta do Amparo, este espaço de fruição, centro de literatura e também de cultura em Romarigães recupera aspetos que marcaram o percurso do autor de “A Casa Grande de Romarigães” que, curiosamente, também gravou um disco em 1957 onde lê um capítulo da obra “O Malhadinhas”. Arnaldo Trindade foi o responsável pela gravação.

ARNALDO TRINDADE - Em 1958 lança a editora Orfeu e inaugura o registo de obras poéticas e de prosa.  Aquilino Ribeiro, José Régio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Jaime Cortesão, Ferreira de Castro, José Rodrigues Miguéis, Agustina Bessa-Luís, Fernando Namora e Rebordão Navarro são alguns dos nomes que registam em disco vinil a leitura da sua obra. Eunice Muñoz e Mário Viegas trazem as suas vozes para a Orfeu dizendo Mariana Alcoforado, Florbela Espanca, Manuel Alegre, Fernando Pessoa e Alberto Caeiro. Dedicado à música e ignorando ostensivamente a PIDE, Arnaldo Trindade produz o melhor da música portuguesa: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, Fausto, Vitorino, Francisco Fanhais, José Mário Branco. Duas das suas gravações, “Grandola Vila Morena” de José Afonso e “Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho foram as canções que desencadearam o 25 de Abril. A loja Arnaldo Trindade, frente ao Café Majestic, tornou-se, então, um local de culto dos jovens da cidade. Até à data, tem 3 livros de poesia editados, “Jogos de Xadrez e da Vida” (2013), “Commedia Dell’Arte” (2015), “Nuvem sem água, chuva não chora” (2022), todos publicados na editora “Estratégias Criativas”.

MNEMONICA |“discos não pedidos" - A editora MNEMÓNICA foi criada em 2022 com o objetivo de editar discos em vinyl de vozes e poesia lida pelos seus autores, uma prática regular entre as décadas de 50 e 90 em Portugal. Fundada em Paredes de Coura em 2022 por Paulo Pinto e Susana Vassalo, ele realizador e ela arquitecta, baseou-se na prática lançada em Portugal pela editora Orfeu. 1956 foi o ano em que Arnaldo Trindade, na altura proprietário de uma loja de eletrodomésticos na rua de Sta Catarina, Porto, cria um estúdio nas traseiras dessa loja e lança a Orfeu. O primeiro disco de prosa, editado em 1958, é uma gravação de Aquilino Ribeiro a ler um excerto da obra “Malhadinhas”. A editora Mnemónica inspira-se no legado da Orfeu para fazer algo que já foi feito, mas que acredita, deve voltar a existir. A união das várias artes transbordam dos discos para as capas, com artistas a criarem obras plásticas inéditas. O primeiro disco da Mnemónica, editado em formato vinyl, é Arnaldo Trindade a ler a sua poesia, com a capa de Valter Hugo Mãe, e o segundo, “As Casas: Romarigães e outras histórias” de Sofia Saldanha, um áudio documentário criado em volta da Casa Grande de Romarigães, realizado em 2019 com o apoio da Câmara Municipal de Paredes de Coura, com capa de Sebastião Peixoto. 

SOFIA SALDANHA - Sofia Saldanha nasceu em Braga, em 1975. Começou a trabalhar em rádio em 1992 quando ainda frequentava a escola secundária. Durante 15 anos foi uma das vozes da Rádio Universitária do Minho. Completou o Mestrado em Rádio do Goldsmiths College, University of London, no Reino Unido e aprofundou a experiência de documentarista no Salt Institute for Documentary Studies, nos EUA. Ganhou o Best New Artist Award no Third Coast International Audio Festival (EUA, 2010), esteve nomeada para prémios no Prix Europa – The European Broadcasting Festival (Alemanha, 2019), The HearSay Prize – HearSay International Audio Arts Festival (Irlanda, 2019), Prix Marulic – International Radio Festival (Croácia, 2020 e 2022), Prémio Prata na categoria Short Forms do Prix Marulić – International Radio Festival 2021 (Croácia). The Sleeping Fool, The Captain, Não sei o que o amanhã trará – um passeio sonoro na Lisboa de Fernando Pessoa, 1974: o 25 de abril na rádio, To Think There's Nothing Else Out There (for In The Dark's 'Out of The Dark’), A Trovoada, No Escuro e à Escuta - Cultura na Rua, BBC Radio 4 - Short Cuts, Correspondents, A Caixa, O Piano, Vou e Venho, memórias de Miguel Torga, As Casas: Romarigães e Outras Histórias são alguns documentários áudio. A mais recente produção surge depois de um convite realizado pelo projecto “Estilhaços” - com Antonio Rafael, Adolfo Luxúria Canibal, Jorge Coelho e Henrique Fernandes - para criar uma peça áudio para o concerto no Teatro Garrett, que integrou a programação do festival literário Correntes d'Escritas 2022, “As listas de Lilith”. Os seus documentários áudio foram transmitidos na Rádio Antena 2, BBC Rádio 4, e em inúmeros canais de rádio norte-americanos. É parte do In The Dark, uma associação que nasceu em Londres em 2010, dedicada a divulgar documentários áudio inovadores, e que organiza regularmente, em espaços públicos, sessões de escuta áudio no escuro. Em 2018 criou o In The Dark Lisboa. Sofia foi membro do Sindicato de Poesia, uma Associação Cultural que desde outubro de 1996 trabalha o acto performativo de dizer poesia. Faleceu no ano de 2022.

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PAREDES DE COURA PROMOVE CONVERSAS NA CASA GRANDE DE ROMARIGÃES

‘A paisagem’, com Álvaro Domingues e Aquilino Machado. sáb_23 set_16h00 | Romarigães - PAREDES DE COURA

Prossegue no próximo sábado, 23 de setembro, pelas 16h00, mais uma iniciativa no âmbito da recente inauguração da obra de reabilitação de ‘A Casa Grande de Romarigães’, com mais uma sessão das Conversas na Casa Grande, com o palestrante Álvaro Domingues à conversa com Aquilino Machado.

Recorde-se que evocando os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro, o Município de Paredes de Coura promove as Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de A Casa Grande de Romarigães, como a palavra, a paisagem e a arquitetura, tendo para o efeito convidado os palestrantes Ricardo Araújo Pereira que conversou com Vitor Paulo Pereira (na inauguração a 29 julho), Álvaro Domingues com Aquilino Machado (23 setembro, pelas 16h00) e Manuel Cordeiro/Nuno Figueiras tendo por interlocutor Ricardo Pedroso Lima (7 outubro), respetivamente.

Entretanto, com o arranque de um novo ano escolar, e contrariamente ao período de Verão, agora as visitas à Casa Grande Romarigães só se realizam mediante marcação prévia pelo e-mail turismo@paredesdecoura.pt ou pelo telefone 251780100.

A Casa Grande de Romarigães

A narrativa da Casa Grande de Romarigães constrói-se a partir de manuscritos encontrados no restauro da casa que foi solar dos Meneses e Montenegros e conta-nos a história das sucessivas gerações que, para o bem e para o mal, a habitaram. Uma trama ficcional que começa no tempo dos Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos.

Aquilino Machado

Aquilino Machado é geógrafo, Professor Assistente Convidado no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa, e Professor Adjunto Convidado, na Escola Superior de Hotelaria Turismo do Estoril (ESHTE). No Centro de Estudos Geográficos, da Universidade de Lisboa, encontra-se associado aos grupos de Investigação em Turismo, Património e Território (TERRITUR) e de Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais (ZOE). A sua investigação foca-se na geografia literária, na geografia do turismo e em estudos urbanos. Nos últimos anos tem trabalhado como guionista de documentários e desenvolvendo conteúdos para itinerários culturais que nos falam da importância da memória na cidade de Lisboa.

Álvaro Domingues

É geógrafo, doutorado em Geografia Humana pela FLUP e Professor Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), e investigador do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo (CEAU – FAUP).

Entre outras obras, é autor de “Paisagem Portuguesa”, com Duarte Belo (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2022), “Paisagens Transgénicas” (Museu da Paisagem, 2021), “Volta a Portugal”(Contraponto, 2017), “Vida no Campo” (Dafne, 2011) e “A Rua da Estrada” (Dafne,2009).

Publica regularmente (texto e fotografia) em jornais e revistas generalistas e especializadas, e participa em conferências, exposições e eventos de divulgação científica e de performance artística.

Enquanto ensaísta interessa-se sobretudo pela metamorfose recente da sociedade e do território portugueses.

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PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA VISITOU “A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES” EM PAREDES DE COURA

Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, visitou na manhã desta sexta-feira ‘A Casa Grande de Romarigães’, percorrendo todos os espaços da agora reabilitada Quinta de Nossa Senhora do Amparo como centro de literatura e também de cultura, tendo por referência a obra maior de Aquilino Ribeiro.

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“A escrita tem de ser um motivo para viajar. Queremos transformar leitores em turistas que gostam de andar devagar pelo campo”, explicou Vitor Paulo Pereira à segunda figura do Estado português: “queremos que a Casa Grande de Romarigães seja uma casa de literatura, uma casa de cultura que sirva para promover o nosso território e a obra literária de Aquilino Ribeiro”, realçou.

Acompanhado pelo presidente da Câmara, bem como de outros elementos do executivo como os vereadores Tiago Cunha e Maria José, Augusto Santos Silva foi também ciceroneado pelo neto do escritor, Aquilino Machado, que para além de lhe mostrar alguns dos manuscritos pertença de Aquilino Ribeiro, mas também a sua máquina de escrever e caneta, partilhou também memórias do escritor que passou largos períodos nesta casa e sobre a qual projetou a história das sucessivas gerações que a habitaram, tornando-a num dos livros mais marcantes da literatura portuguesa do século XX.

O presidente do Parlamento inteirou-se dos propósitos do Município na reabilitação deste espaço, só possível pela estreita colaboração com a família do escritor Aquilino Ribeiro, detendo-se a contemplar a fachada barroca da capela, como qualquer um dos que visitam esta preciosidade do património edificado no concelho de Paredes de Coura.

Acompanhou Augusto Santos Silva nesta visita à reabilitada Casa Grande de Romarigães o deputado Tiago Brandão Rodrigues, o que releva a importância deste novo espaço cultural, que tanta história transpira sobre este lugar e os courenses, mas também o universo literário de Aquilino Ribeiro e a sua relação com a natureza.

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PAREDES DE COURA: A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES - RICARDO ARAÚJO PEREIRA ABRE AS CONVERSAS NA CASA GRANDE

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A Quinta do Amparo em Paredes de Coura, eternizada por Aquilino Ribeiro na obra maior ‘A Casa Grande de Romarigães’, vai finalmente tornar-se num espaço de fruição, num centro de literatura e também de cultura. A inauguração da obra de reabilitação está agendada para este sábado, dia 29 de julho, pelas 16h00, numa iniciativa que também contempla o início das Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa do século XX, como a palavra, e cujo primeiro palestrante é Ricardo Araújo Pereira.

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Aquilino Ribeiro no terreiro da Casa Grande, nos anos cinquenta

“Esta inauguração só é possível graças a uma estreita colaboração entre Município de Paredes de Coura e a família do escritor Aquilino Ribeiro”, reconhece o presidente da Câmara, Vitor Paulo Pereira, acrescentando que “a reabilitação física e funcional da Quinta de Nossa Senhora do Amparo proporcionará a todos os visitantes uma viagem pela história do romance e pela história do nosso lugar. Pela história daquilo que somos. Paredes de Coura tem muitas ligações à literatura e nós temos de ser capazes de trabalhar esse valioso património”.   

Vitor Paulo Pereira vai mais longe e não esconde, como courense, o orgulho de tão notável autor estar intimamente ligado a este território: “a memória da obra literária de Aquilino e do lugar de Romarigães estará na futura Casa da Escrita que procurará ser um local de referência, onde a literatura se cruzará com arquitetura e o turismo cultural. Queremos que a Casa Grande de Romarigães seja agora um espaço de cultura aberto às escolas, aos amantes da literatura, aos turistas, a toda a gente”, sublinhou o presidente da Câmara, admitindo também que “o turismo literário possibilita uma aproximação direta do visitante ao texto literário, bem como aprofunda as relações entre a ficção e a memória do lugar. São estas relações que contribuem para a divulgação da literatura e para a promoção de um turismo cultural que, como sabemos, é também responsável por criação de riqueza”.  

Coura território literário

É neste âmbito que o município também se propõe promover Paredes de Coura como território literário. Para além desta bela Casa Grande de Romarigães/Quinta do Amparo, o concelho também acolhe o Centro Mário Cláudio, em Venade, da mesma forma que ainda recentemente o escritor Valter Hugo Mãe também escolheu Paredes de Coura para passar um longo período e criar a sua mais recente obra, ‘As doenças do Brasil’.

A nova casa Grande de Romarigães está dividida em três espaços. O Piso 0 propõe-nos, seguindo uma linha de tempo, conhecer melhor a vida e obra de Aquilino Ribeiro, um dos mais relevantes romancistas do século XX em Portugal, sendo mesmo proposto para Prémio Nobel da Literatura. Neste espaço, entre outros elementos, poderá encontrar-se a sua máquina de escrever, a caneta e alguns dos manuscritos pertença do escritor. O Piso 1 leva-nos à Sala de Escrita -- com lousas, máquina de escrever e tablets --, desafiando-nos a explorar as diversas formas de a praticar, e contactar de modo inovador com o universo literário de Aquilino Ribeiro.

Já na capela contígua e dedicada a Nossa Senhora do Amparo, na qual sobressai a interessante fachada barroca, somos convidados a assistir a uma curta-metragem de animação, realizada para este espaço e cujo mote foi a relação de Aquilino Ribeiro com a natureza.

Conversas na Casa Grande

Evocando os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro, o Município de Paredes de Coura também promove as Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de A Casa Grande de Romarigães, como a palavra, a paisagem e a arquitetura, tendo para o efeito convidado os palestrantes Ricardo Araújo Pereira que conversará com Vitor Paulo Pereira (29 julho), Álvaro Domingues com Aquilino Machado (23 setembro) e Manuel Cordeiro/Nuno Figueiras tendo por interlocutor Ricardo Pedroso Lima (7 outubro), respetivamente.

Por sua vez, com a inauguração da obra de reabilitação, acontecerá também o lançamento de ‘A Casa Grande de Romarigães – Um contributo histórico e arquitetónico’, da autoria de Maria Ribeiro Machado Pedroso de Lima.

A reabilitação física e funcional da Quinta do Amparo, na sequência da Candidatura “Casa Grande de Romarigães” aprovada no âmbito do Aviso “Património Cultural” do Programa Operacional regional do Norte (NORTE2020), teve um Investimento total de 508.194,57€, financiado a 85%.

A Casa Grande de Romarigães

A narrativa da Casa Grande de Romarigães constrói-se a partir de manuscritos encontrados no restauro da casa que foi solar dos Meneses e Montenegros e conta-nos a história das sucessivas gerações que, para o bem e para o mal, a habitaram. Uma trama ficcional que começa no tempo dos Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos.

Aquilino Ribeiro

Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963.

Deixou uma vasta obra, na qual cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura.

Em setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.

JOSÉ LUÍS FREITAS, EM NOME DE NOSSAS SAUDOSAS MÃES – CRÓNICA DE MANUEL TINOCO

As nossas saudosas Mães foram as melhores amigas. Nesse tempo, o Zé Luís e eu ainda não havíamos nascido, estando, todavia, certo que esse terá sido o motivo da nossa aproximação, somávamos pouco mais de vinte anos de vida.

Ambos amantes da noite e da escrita, não foi difícil encontrar terreno para desenvolver longa e funda amizade.

Por seu turno, a leonina paixão clubística que ambos praticamos, talvez de modo exacerbado, é outro ponto em comum que nos ocupa horas e horas madrugadas acima, no seu café de Romarigães, hoje como há trinta anos, quando cá chegava de férias e logo corria para o Café Freitas, sequioso de pôr a conversa em dia e, claro, de molhar a palavra.

Numa dessas noites de conversas intermináveis, falei-lhe de um projecto que começava a germinar na minha cabeça e se haveria de chamar Notícias de Coura. Que contava com ele, disse-lhe. Aliás, que o considerava peça indispensável para o sucesso do futuro jornal.

Não concordou logo comigo, demorou algumas noites até aceitar. Vinte anos depois, prova-se agora que eu tinha razão: o Zé Luís é um dos nomes indispensáveis do jornal.

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PAREDES DE COURA REEDITA O ROMANCE “A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES” COM APRESENTAÇÃO EM ROMARIGÃES

Paredes de Coura território literário: A Casa Grande de Romarigães - Aquilino Ribeiro. reedição vai ser apresentada esta 6ª feira, 27 maio | 18h00 | ROMARIGÃES

A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino Ribeiro, unanimemente reconhecido como um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa do século XX e um dos romances históricos mais notáveis da literatura europeia, vai dar à estampa uma nova edição prefaciada por Mário Cláudio e ilustrações de João Abel Manta esta sexta-feira, dia 27 de maio, pelas 18h00, precisamente na Quinta do Amparo, localizada na freguesia de Romarigães, em Paredes de Coura.

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A apresentação da obra estará a cargo de Mário Cláudio e da professora de Literatura Portuguesa Contemporânea Serafina Martins – paralelamente também serão lançadas as edições galega e castelhana, publicadas pela Kalandraka Editora --, numa iniciativa que também promoverá um novo espaço expositivo dedicado à vida e obra de Aquilino Ribeiro que está a nascer dos trabalhos de restauração da Quinta do Amparo, na sequência do protocolo assinado em 2019 com os herdeiros daquele imóvel situado na freguesia de Romarigães.

“Neste momento está a decorrer o projeto da reabilitação física e funcional da Quinta do Amparo mais conhecida como Casa Grande de Romarigães, fruto da obra literária de Aquilino Ribeiro que tornou este local num dos ícones culturais do Norte de Portugal”, recordou Vitor Paulo Pereira, presidente da Câmara de Paredes de Coura, explicando que “entenderam a família proprietária e a Câmara Municipal, ser oportuna a celebração de um acordo de comodato que permite o desenvolvimento de um projeto capaz de preencher várias necessidade que procurarão aprofundar a relação emocional e pessoal do escritor com Paredes de Coura bem como valorizar um Imóvel de Interesse Público devolvendo-lhe a dignidade justa e apostar num projeto de desenvolvimento literário e turístico de Paredes de Coura”.

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Aquilino, Mário Cláudio, Valter Hugo Mãe

O autarca courense sustenta que “através da literatura e das memórias do lugar será possível fomentar o turismo cultural do concelho com uma oferta inovadora e capaz de contribuir para o aumento de visitantes e a atenuação da sazonalidade turística”. Vitor Paulo Pereira não tem dúvidas que “a obra e a bela Casa Grande de Romarigães, bem como o Centro Mário Cláudio fazem parte da estratégia de promovermos Paredes de Coura como território literário”.

Recorde-se que ainda recentemente, o escritor Valter Hugo Mãe também escolheu Paredes de Coura para passar um longo período e criar a sua mais recente obra, ‘As doenças do Brasil’. Já quanto à Casa Grande de Romarigães/Quinta do Amparo – onde viveu Aquilino Ribeiro, fruto do seu casamento com a filha de Bernardino Machado --, está em fase de finalização dos profundos trabalhos de restauro tendo em vista a sua dinamização enquanto polo cultural de Paredes de Coura e deverá estar concluída no mês de setembro.

A reedição da Casa Grande de Romarigães, através de uma parceria com a Bertrand, insere-se na “consolidação da estratégia” promovida pelo Município para dar corpo à ideia de Paredes de Coura como território literário. Num outro âmbito, “a boa relação e o entendimento que estabelecemos com a editora Kalandraka”, como sugere Vitor Paulo Pereira, permitiram também a tradução para galego e castelhano desta obra que agora chegará também aos leitores de Espanha.

A Casa Grande de Romarigães

A narrativa da Casa Grande de Romarigães constrói-se a partir de manuscritos encontrados no restauro da casa que foi solar dos Meneses e Montenegros e conta-nos a história das sucessivas gerações que, para o bem e para o mal, a habitaram. Uma trama ficcional que começa no tempo dos Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos.

Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963.

Deixou uma vasta obra, na qual cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura.

Em setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.

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PAREDES DE COURA APRESENTA A OBRA DE AQUILINO RIBEIRO “A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES”

A Câmara Municipal de Paredes de Coura, a Bertrand Editora e a Kalandraka Editora promovem o lançamento de «A Casa Grande de Romarigães», de Aquilino Ribeiro. Agora também editado em castelhano.

A iniciativa tem lugar no dia 27 de maio, às 18h00, na Casa Grande de Romarigães, em Paredes de Coura.

A apresentação do livro estará a cargo do escritor Mário Cláudio e da professora de Literatura Portuguesa Contemporânea Serafina Martins.

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PAREDES DE COURA: ARROLAMENTO DOS BENS CULTUAIS EM ROMARIGÃES

Arrolamento dos bens cultuais situados na freguesia de Romarigães, concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, constando de: Igreja Matriz de São Tiago de Romarigães; Capela de São Roque, em São Roque. Comissão Juridiscional dos Bens Cultuais. Data: 27 de Setembro de 1911.

Fonte: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças

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PAREDES DE COURA: DEPUTADO JOSÉ MANUEL MENDES (PCP) PROPÔS CLASSIFICAÇÃO PATRIMONIAL DA "CASA GRANDE DE ROMARIGÃES"

Na sessão de 15 de Novembro de 1984, o deputado do PCP, José Manuel Mendes, apresentou no parlamento um requerimento com vista à classificação da “Casa Grande de Romarigães”., a qual veio a ser classificada como Imóvel de Interesse Público em 1986.

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Escritor português, José Manuel Mendes nasceu em setembro de 1948, em Luanda. Elegeu a cidade de Braga para viver, onde, desde a adolescência, se destacou como um lutador contra o poder ditatorial instituído pelo Estado Novo, no seio dos movimentos estudantis, associativos e políticos.

Fez o ensino superior em Coimbra, licenciando-se em Direito. Não exercendo a advocacia, dedicou-se à docência, lecionando no ensino secundário entre 1968 e 1980. Finda esta experiência pedagógico/didática, foi eleito deputado à Assembleia da República, onde, durante 11 anos (1980-1991), sempre soube ser um parlamentar convicto na defesa dos ideais democráticos.

Retomando o ensino, ministra o Curso de Comunicação Social da Universidade do Minho.

Escritor prestigiado no meio intelectual, com cerca de 30 títulos publicados, desde a poesia ao ensaio, o autor manifestou, desde muito jovem, o seu pendor criativo, tendo publicado o seu primeiro livro de poesia aos 15 anos.

Fonte: https://www.wook.pt/

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Requerimento n.' 192/IH (2.*)

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República:

A Casa Grande de Romarigães é hoje, pela escrita admirável de Aquilino Ribeiro, uma obra imperecível da literatura portuguesa.

A casa que lhe serviu de referente, no concelho de Paredes de Coura, vem sendo vitimada pela erosão do tempo e pelo abandono a que foi votada, em termos da sua conservação e valorização patrimonial.

O conjunto em apreço (integrando, nomeadamente, a «Casa Grande» e a capela) aguarda classificação, desde há anos, pelo IPPC. Já com o processo em marcha, foram realizadas alterações no solar, sem prévio parecer favorável do Instituto, que têm suscitado dúvidas e até franca oposição.

Parece fora de causa o interesse público patrimonial deste imóvel, ao qual andam ligados indicadores culturais de extremo relevo e para o qual não faltariam destinos úteis e necessários, numa óptica justa e constitucionalmente conformada.

Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, requeiro ao Governo, através do Ministério da Cultura, me informe:

  • Para quando a decisão do Instituto Português do Património Cultural relativa à classificação da Casa Grande de Romarigães (assim designado o conjunto a que atrás se alude)?
  • Que medidas intentará no sentido da sua preservação e vitalização?

Assembleia da República, 15 de Novembro de 1984 – O Deputado do PCP, José Manuel Mendes

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