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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A ROMARIA DE SÃO JOÃO D’ARGA E AS DANÇAS NO ADRO CAPELA

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Cada grupo dançava à moda da sua terra, e, se as pessoas não se conhecessem, logo se reconheciam pelas próprias danças e pelos trajes – saias verdes e azuis e barras pretas bordadas a cores, e aventais lisos também bordados a cores, da serra: saias vermelhas ou azuis com barra preta bordada a branco e aventais repuxados, de cores, de Outeiro, Perre, Meadela ou Santa Marta; saias vermelhas com barra da mesma cor e aventais repuxados, de cores, da Areosa; saias avergastadas, às riscas pretas e brancas, com aventais vermelhos, de borlas, de Carreço e Afife ; etc. – feitos no tear caseiro e completados com a camisa sem gola e de ombros franzidos e bordados, colete aberto, um lenço cruzado na cabeça e outro pelas costas, meia rendada branca e chinela preta ou bordada – todos exibiam o seu melhor traje, realçado pelo ouro dos cordões, laças, relicários e brincos.

Ao fim da tarde há uma pausa nas danças e diversões, para a procissão, que sai na ordem do costume – a cruz ladeada pelos lampiões a abrir a marcha, e logo depois os pendões, e, cintilantes de flores prateadas e fitas de seda e grinaldas de flores, os andores dos três santos com o patrono em último lugar – e em 1970 apenas os de S. Sebastião e do patrono –, seguidos pelos penitentes e os amortalhados; atrás, o padre, sob o dossel; e, a fechar, as bandas e o cortejo dos fiéis. Aqui, os andores são acompanhados pelas mordomas, geralmente vestidas com os seus trajes mais ricos. O percurso é curto: da capela ao cruzeiro da encosta, que se contorna, e regresso pelo mesmo caminho (fig. 20).

Depois da procissão, é a hora das merendas. Os grupos dispersam-se pelo monte, as mulheres com os seus cestos à cabeça, e cada um procura um sítio propício para abancar. Os merendeiras são apetitosos e fartos, e constituem também um dos atractivos da festa. Come-se e bebe-se à larga, e guarda-se o que sobra para comer durante a noite e no dia seguinte de manhã. Quando começa a escurecer, os velhos e as crianças e aqueles que se sentem cansados instalam-se para a noite, uns nos «quartéis», cada freguesia no seu compartimento, sobre a palha, a maioria ao ar livre, no chão, uns contra os outros, embrulhados em mantas, no terreiro ou no monte, onde calha, entre os demais que deambulam aguardando a noitada. Com o anoitecer, a animação aumenta; numa confusão crescente, por toda a parte se ouvem concertinas, que vão juntando grupos, e recomeçam as danças, hoje alternando ou coexistindo com a vozearia do altifalante. Há naturalmente fluxos e refluxos, toma-se café, bebe-se, come-se qualquer coisa das merendas ou dos doces que se vendem no terreiro; na varanda e escadas dos «quartéis», as pessoas apinham-se contemplando a festa; a meio da noite queima-se o fogo-de-artifício; mas logo prosseguem os cantares e a dança, sem descanso, nos espaços livres que deixa a gente que dorme, ao mesmo tempo que as devoções e as promessas se cumprem em silêncio dentro ou à volta da capela – até ao amanhecer.

Com toda a evidência, é aqui patente o verdadeiro sentido da romaria, nessa coexistência de elementos religiosos e elementos lúdicos, a mistura de danças, cantos e devoções, uns ao lado dos outros, estremados apenas, como que simbolicamente, pelo arame que delimita, à volta da capela, os dois espaços.

A festa, de facto, acaba com a noitada. Para os romeiros da véspera, a manhã do dia 29 é apenas a debandada: no ribeiro, todos se refrescam e lavam antes de partirem, comem-se as sobras dos farnéis e toma-se depois o caminho do regresso, num formigar igual ao da véspera, em sentido inverso: e ouvem-se, a afastar-se, ecos das concertinas pelos montes. Vêm ainda romeiros e cumprem-se devoções e promessas; mas a frequência é muito menor, e há apenas cerimónias religiosas, antes do meio-dia.

Fonte: Ernesto Veiga de Oliveira. Festividades Cíclicas de Portugal.

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CAMINHA: SEIXAS FAZ ROMARIA A SÃO BENTO

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Durante a idade Média os Frades Templários fixaram-se em Seixas, tendo edificado uma Capela dedicada ao culto de S. Bento.

A 5 de Julho de 1848 a monarca D. Maria II resolve dar início ao processo para a emissão do Alvará Régio que instituíra a Confraria de S. Bento de Seixas, a Irmandade tomou a responsabilidade de administrar o património do Santo.

Por degradação da capela primitiva, toma a Irmandade a determinação de erigir uma nova, a qual ficou concluída em 1870, sendo de grandes dimensões e em estilo neoclássico.

S. Bento viveu entre 480 e 543,fundou em Monte Cassino um Mosteiro, tendo aí escrito a Regra da sua ordem em 534,a qual se baseava na Pobreza, na Castidade, na Obediência, na Oração e no Trabalho, sendo seu lema Orar e Trabalhar.

Tinham também a obrigação de hospedar peregrinos e viajantes.

Fonte: https://www.cbeseixas.com/

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VIANA DO CASTELO: FESTA DAS ROSAS DE VILA FRANCA DO LIMA É UMA DAS ROMARIAS MAIS EMBLEMÁTICAS DO MINHO

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Vila Franca do Lima, no concelho de Viana do Castelo, está em festa de 10 a 13 de Maio. Trata-se da Festa das Rosas, uma das mais emblemáticas romarias minhotas, famosa pelo seu desfile de cestos floridos da Festa das Flores, confecionados com caules, folhas, botões e pétalas de flores naturais, que as mordomas transportam à cabeça para oferta a Nossa Senhora do Rosário.

A Festa das Rosas de Vila Franca, em Viana do Castelo, é a primeira grande romaria do calendário festivo do Alto Minho e passou a ser também a primeira festa do concelho a constar no Inventário do Património Cultural e Imaterial nacional.

Remonta a 1622, o costume dos cestos floridos de Vila Franca do Lima, ocasião em que foi constituída a Confraria de Nossa Senhora do Rosário. Desde então, milhares de romeiros afluem a Vila Franca do Lima, todos os segundos domingos de Maio, em devoção ou simplesmente atraídos pela beleza singular da festa.

Desde há muito tempo que as Festas das Rosas se tornaram um cartaz turístico a atrair visitantes não apenas nacionais como estrangeiros, vindo deslumbrar-se com o colorido e a grandeza de uma das mais belas romarias minhotas.

Os cestos são revestidos e enfeitados com múltiplas flores naturais dos mais variados tons e matizes, pétalas e folhas que apresentam paisagens, monumentos, brasões e outros motivos decorativos que relevam bem o talento e a criatividade das mordomas que os transportam à cabeça e os vão oferecer a Nossa Senhora do Rosário, fixados por milhares de alfinetes de cabeça. Cada cesto florido pode atingir o peso de 50 quilos.

Fotos: https://www.romatours.pt/

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VIANA DO CASTELO: ROMARIA D’AGONIA, MUSEU DO TRAJE E SANTUÁRIO DE SANTA LUZIA VENCEM PRÉMIO CINCO ESTRELAS REGIÕES – 2024

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Viana do Castelo volta a estar em destaque na 7ª edição do Prémio Cinco Estrelas Regiões – 2024 ao vencer com três ícones do Município: na categoria Festas / Feiras / Romarias foi vencedora a Romaria Sra. d'Agonia, na categoria Museus venceu o Museu do Traje e na categoria Monumentos o destaque vai para o Santuário de Santa Luzia.

Sobre os vencedores, a Romaria d’Agonia é o expoente máximo do calendário das festas vianenses, grandiosa em programação, no número de visitantes, na força da tradição do traje à vianesa, no peso do ouro que as mordomas exibem ao peito.

A história da festa junta-se à história da Igreja d’Agonia. Data de 1674 a história da igreja em honra da padroeira dos pescadores. Na altura, foi edificada uma capela em invocação ao Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário e, um pouco acima, uma capelinha devota a Nossa Senhora da Conceição. Hoje, o nome da santa está associado à rainha das romarias e às múltiplas tradições da maior festa popular de Portugal, nascida em 1772 da devoção dos homens do mar vindos da Galiza e de todo o litoral português para as celebrações religiosas e pagãs, que ainda hoje são repetidas anualmente na semana do dia 20 de agosto, feriado municipal.

O Museu do Traje, integrado na Rede Portuguesa de Museus desde 2004, localiza-se no centro histórico da cidade, na Praça da República, e está instalado num edifício construído entre 1954 e 1958, com caraterísticas arquitetónicas do “Estado Novo”, onde funcionou até 1996 a delegação nesta cidade do Banco de Portugal.

A criação de um Museu dedicado à etnografia vianense - e muito particularmente ao Traje – onde se pudesse mostrar o arrojo e a criatividade das raparigas da região foi, desde muito cedo, uma aspiração dos vianenses e por ele lutaram nomes como Cláudio Basto, Abel Viana, o Tenente-coronel Afonso do Paço, Manuel Couto Viana, Amadeu Costa, Benjamim Pereira, entre muitos outros. Inaugurado em 1997, o espaço assume a missão de estudar e divulgar a identidade e o património etnográfico vianense através do seu expoente máximo: o Traje à Vianesa.

Já o Santuário Diocesano do Sagrado Coração de Jesus é o verdadeiro ex-libris do concelho, assumindo-se como um dos monumentos mais emblemáticos de Viana do Castelo. É ponto de paragem obrigatória para todos aqueles que visitam a cidade e, subindo ao zimbório, o visitante desfruta de uma das mais deslumbrantes paisagens do mundo.

O Santuário é uma obra de 1898, de um dos arquitetos de maior projeção nacional e internacional à época, Miguel Ventura Terra, e um excelente exemplar da arquitetura revivalista.

O Prémio Cinco Estrelas Regiões é um sistema de avaliação que identifica, segundo a população portuguesa, o melhor que existe em cada uma das 20 regiões (18 distritos + 2 regiões autónomas) ao nível de recursos naturais, gastronomia, arte e cultura, património e outros ícones regionais de referência; bem como premeia marcas portuguesas a nível regional.

Através de uma votação nacional, os portugueses identificam anualmente, para cada região, o que consideram Cinco Estrelas a vários níveis. Tanto a votação dos ícones como a avaliação das marcas foi gerida pela Multidados.com, tendo, para 2024, contado no total com a participação de 454.000 consumidores, e tendo sido avaliadas 1.036 marcas e eleitos 100 ícones regionais.

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VIANA DO CASTELO: FESTA DE SANTA CRUZ EM ALVARÃES – TRÊS SÉCULOS DE HISTÓRIA

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A Festa da Santa Cruz este ano comemora os 300 anos registados da sua existência (1724-2024), e para celebrar esta data marcante e festiva, a nossa inspiração fundamenta-se nos 4 elementos da natureza: Água, Terra, Fogo e Ar.

A origem da festa está numa antiga procissão que se realizava em dia da Ascensão. Os Alvaranenses, ao longo dos séculos, rogavam a Deus para que os campos produzissem em abundância e para que o pão nunca faltasse às mesas de cada lar.

As pétalas presentes no cartaz simbolizam a secular “Devoção da Hora” que, em quinta-feira da Ascensão, são lançadas pelas crianças na igreja no momento da adoração ao Santíssimo Sacramento.

Simbolizam também a confeção dos Andores Floridos. Quando estamos a compor, muitas pétalas são usadas, mas nem todas são escolhidas e, aos nossos pés, vemos um mar de pétalas e de flores, sendo um cenário característico das casas e lugares onde são decorados os nossos 11 andores e 14 cruzes floridas.

O cartaz apresenta ainda as velas do andor da Santa Cruz, simbolizando o vento que levou os nossos marinheiros, pelas águas dos oceanos, até às novas terras. O vento que levou as naus e caravelas simboliza também o Espírito Santo que se comemora este ano no fim-de-semana da nossa festa, no dia de Pentecostes.

Por fim, a Santa Cruz é a representação do Fogo, da luz, da esperança da ressurreição.

Fonte: Festa de Santa Cruz Alvarães