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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VILA VERDE RECEBE VIII ENCONTRO DAS ROMARIAS DO MINHO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Vila Verde acolhe, na próxima sexta-feira, o VIII Encontro das Romarias do Minho.

Organizado pelo Serviço de Ação Cultural do Município de Vila Verde, este encontro conta com a colaboração do Centro em Rede de Investigação de Antropologia da Universidade do Minho.

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A sessão terá lugar na Casa do Conhecimento de Vila Verde e será iniciada às 9h30 pela Vereadora da Cultura, Educação e Ação Social, Drª Júlia Fernandes e, ao longo de todo o dia, vários especialistas convidados irão expor algumas temáticas relacionadas com as “Romarias do Minho” onde haverá, posteriormente, um debate e um momento dedicado a comentários e reflexões.

O principal objetivo desta iniciativa passa por tentar esclarecer dúvidas ligadas à noção de “património imaterial” e ao seu inventário, um procedimento que se encontra, ainda, numa fase incipiente, marcada por diversas dificuldades.

O projeto Romarias do Minho é desenvolvido por vários municípios da região, em moldes de colaboração informal, com a participação de Associações de Festeiros e Confrarias, tendo por objetivo comum a inscrição de algumas das mais representativas destas festividades no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

HAVEMOS DE IR A VIANA – Ó MEU AMOR DE ALGUM DIA

Ainda se ouve ao longe o estalejar do fogo-de-artifício das festas da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo e não me sai da lembrança os rostos belos e jeitos graciosos das mulheres vianenses, cheias de cheira nos seus trajes tradicionais, desfilando pelas ruas da cidade que um dia alguém a baptizou como a Princesa do Lima.

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Aninhada aos pés de Santa Luzia, tendo a banhar-lhe as águas do rio Lima e do Oceano Atlântico, Viana do Castelo é terra de mil encantos, na sua paisagem, arquitectura, o brilho e a postura – não podia, pois, deixar de deslumbrar o visitante com a beleza e o encanto das suas gentes, a simpatia do povo, o seu espírito festivo e a beleza única das suas moças, porventura as mais belas de Portugal!

Os zés pereiras já rufam ao longe os seus bombos para os lados de Ponte de Lima e Vila Praia de Âncora – são as Feiras Novas e da Nossa Senhora da Bonança a fechar o ciclo das grandes romarias do Alto Minho. Mas, para o ano, como diz o poeta, “Havemos de ir a viana”!

Se o meu sangue náo me engana

Como engana a fantasia

Havemos de ir a viana

Ó meu amor de algum dia

Ó meu amor de algum dia

Havemos de ir a viana

Se o meu sangue não me engana

Havemos de ir a viana

Fotos: Sérgio Moreira & Sílvia Moreira

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ROMARIA A SÃO JOÃO D’ARGA É UMA DAS MAIS GENUÍNAS DO MINHO

A tradição ainda é o que era! – milhares de romeiros rumaram a Arga de S. João para cumprir promessas a S. João ou pedir-lhe ajuda para arranjarem casamento ou cura de verrugas, quistos, doenças de pele e infertilidade. Nem todos vão a pé como antigamente mas poucos são os minhotos que dispensam esta festa pois ela continua a ser uma das mais genuínas de toda a região e do país. E, até da vizinha Galiza não faltam os nossos irmãos galegos a comungar da mesma Fé – e da mesma identidade cultural!

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Muitos ainda vêm em ranchos como antigamente, subindo a pé o monte, cantarolando aqui e merendando acolá. Pelo caminho, o “penedo do casamento” é sítio obrigatório de paragem no percurso dos romeiros. Os solteiros atiram-lhe uma pedra para que esta fique em cima dele, dependendo o tempo de espera do casamento das tentativas feitas até o conseguir. Reza a lenda que o penedo “arranja testo para qualquer panela”… porém, como os tempos estão difíceis, vão ouvindo-se com frequência cantar os seguintes versos:

   Ó meu Senhor S. João

   Casai-me que bem podeis

   Já tenho teias de aranha

   Naquilo que bem sabeis

Uma vez chegado ao local do santuário, situado a cerca de 800 metros de altitude, os peregrinos dão três voltas à capela findas as vão dar uma esmola ao santo… e outra ao diabo!

Cumprida a devoção, a romaria dá lugar ao folguedo. Juntam-se os tocadores de concertina e abrem-se as goelas para os cantares ao desafio. Canta-se e dança-se no terreiro até ao amanhecer. Come-se e bebe-se nas tasquinhas à volta do santuário ou nas lojas dos “quarteis” onde também existe alojamento para pernoitar pois, caso contrário, terá de ser feito ao relento, na área envolvente do mosteiro. Apesar de ainda ser Verão, as noites são frias e, como agasalho, recomenda-se um copito de aguardente com mel, uma especialidade típica da Serra d’Arga.

Um poeta alfacinha de que não recordamos o nome, terá criado estes graciosos versos a repeito de S. João Baptista e de seu primo Jesus a quem baptizou nas águas do rio Jordão:

   São João, reparem nisto,

   Teve este grande condão;

   Ao baptizar Jesus Cristo,

   Foi quem fez de Cristo cristão

Mal despontam os primeiros raios de sol, é chegada a altura de regressar a casa. A aldeia regressa à sua habitual pacatez e o silêncio volta à serra. Apenas uma escassa centena de almas habita as pouco mais de duas dezenas de habitações que compõem Arga de S. João, abrangendo uma extensão de treze quilómetros quadrados.

- S. João d’Arga é uma das mais genuínas romarias minhotas. Para o ano lá voltaremos!

Fotos: Município de Caminha

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ARCUENSES MANTÊM AUTENTICIDADE DA ROMARIA DE NOSSA SENHORA DA PENEDA

De 1 a 8 de setembro, decorre a Romaria de N. Sra. da Peneda, na Gavieira, concelho de Arcos de Valdevez, uma festividade de cariz religioso e cultural, muito procurada a nível local, nacional e internacional.

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Para o Município de Arcos de Valdevez e Confraria de N. Sra. da Peneda, esta é uma celebração que “segue a tradição das grandes peregrinações marianas, onde a envolvente paisagística natural, neste caso integrada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, favorece o desenvolvimento de uma ambiência festiva e de um espírito celebrativo muito próprio, fazendo desta romaria uma das maiores e mais fascinantes de todo o Alto Minho”.

Esta celebração em honra de N. Sra. da Peneda e de todos os seus devotos, segue um programa preenchido com várias celebrações religiosas, desde missas, procissões com o Rosário e Oração de Vésperas; Oração de Laudes, Via Sacra e Exposição do Santíssimo). No dia 6, pelas 22h00, terá lugar o “Hino Akathistos em Honra da Virgem, Mãe de Deus (Beijo da imagem) e no dia 8, pelas 11h00, encerra a romaria, com a Eucaristia e Procissão da Festa da Natividade de Maria.

Existe ainda, um programa cultural, onde se destaca, no domingo, 1 de setembro, os “Fados à Senhora”, com a atuação do fadista arcuense Marco Rodrigues e a exposição de fotografia “Peneda: Esculturas e Formas”. No dia 6, pelas 21h00 irá decorrer a “Bênção de Concertinas no Santuário, seguida de desfile até ao recinto do baile popular”.

Esta é uma celebração religiosa e cultural muito importante para o concelho, para os arcuenses e para todos os visitantes, não só pela sua essência religiosa e contemplativa, como também pelo notável património arquitetónico e histórico, desde o Santuário, ao escadório das virtudes e ao monumental escadório e as suas 20 Capelas temáticas, todos eles pontos de passagem obrigatórios, que alienados às magnificas paisagens naturais, fazem da Peneda, um destino turístico de exceção, no itinerário do Parque Nacional Peneda Gerês.

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ARCOS DE VALDEVEZ: SENHORA DA PENEDA ABENÇOA CONCERTINAS E CASTANHOLAS

Os devotos à Senhora da Peneda já não vão de caixão como outrora o faziam…

No próximo dia 6 de Setembro há festa no Santuário de Nossa Senhora da Peneda. Os peregrinos há muitas décadas que já não vão enfiados no caixão… agora levam as concertinas e as castanholas para receberem a bênção da santa!

A bênção das concertinas e das castanholas tem lugar no dia 6 de Setembro, às 21 horas. E, às 22 horas, tem lugar o canto do Akathistos e beijo da imagem da Senhora da Peneda.

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Antigamente, os romeiros que pagavam promessas iam metidos dentro de caixões

A Romaria a Nossa Senhora da Peneda realiza-se entre os próximos dias 1 e 8 de setembro, no seu imponente santuário situado na freguesia da Gavieira, no concelho de Arcos de Valdevez. É uma das mais importantes romarias do Minho, chamando àquele lugar recôndito da serra da Peneda muitos milhares de romeiros que, dos mais variados pontos da nossa região e também da Galiza, fazem-se ao caminho levando consigo a Fé, a alegria e a concertina uma vez que, após o dever cumprido, haverá lugar à folia.

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A partir de 31 de agosto e até 8 de setembro, depois das cinco horas da tarde, realiza-se o terço cantado, percorrendo as capelas da escadaria do santuário. No dia 6 de setembro, os populares cantam e dançam ao som das concertinas durante toda a noite, até às sete horas da manhã.

A festividade assenta num espaço natural e arquitetónico de beleza universal, com um magnífico afloramento rochoso de grande dimensão, uma queda de água e uma envolvente paisagística natural assombrosa. Ali se encontra edificado o magnífico templo cuja construção remonta aos séculos XVIII e XIX, com o seu escadório de vinte capelas temáticas, formando um conjunto de inigualável caracterização, dentro do espaço privilegiado do único Parque Nacional de Portugal: o Parque da Peneda-Gerês.

Ao que se crê, em 5 de Agosto de 1220, terá ali aparecido a Senhora da Peneda sob a forma de pomba branca a uma jovem pastorinha que apascentava o seu rebanho de cabras, voando em seu redor e ordenando-lhe que dissesse às gentes do lugar da Gavieira que ali lhe edificassem uma ermida. A criança falou aos seus pais acerca da aparição da Senhora mas estes não lhe deram crédito.

Voltando a criança àquelas paragens para apascentar o seu rebanho, eis que a Senhora lhe voltou a aparecer. Porém, desta feita, já sob a forma na qual é atualmente venerada. E, vendo que a pastorinha não era bem-sucedida, ordenou-lhe o seguinte:

“-Filha, já que te não querem dar crédito ao que eu mando, vai ao lugar de Roussas (que fica na mesma freguesia de Gavieira, no mesmo termo do então concelho de Soajo) onde está uma mulher entrevada há dezoito anos e diz aos moradores do lugar que tragam à minha presença, para que ela fique de perfeita saúde, e assim te darão crédito ao que eu te ordeno.”

A criança assim o fez e, trazendo a enferma que se chamava Domingas Gregório ao local indicado, esta imediatamente se recompôs, ficando livre de todos os males de que padecia. A partir de então, a Senhora da Peneda passou a ser bastante venerada pelo povo das redondezas que, por baixo da Rocha da Meadinha, lhe ergueram a partir dos finais do século XVIII um imponente santuário de estilo neoclássico, com alguns traços caraterísticos da arquitetura barroca, que é atualmente um dos mais concorridos de toda a região, atraindo milhares de romeiros do Minho e da Galiza.

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Até meados do século passado, era frequente os romeiros que pagavam promessas serem levados à igreja metidos dentro de caixões. Algumas pessoas mais antigas ainda se recordam de tão estranho ritual o qual, secundo se crê, constituiria uma forma dos miraculados exprimirem a sua gratidão pela graça recebida, sugerindo através da sua teatralização o destino que lhes estaria traçado caso a Senhora não intercedesse a seu favor.

Tais cortejos “funerários” percorriam em regra um longo e acidentado trajeto que ia do pórtico situado ao fundo das capelas até ao interior da igreja, incluindo o longo escadório, sucedendo nalguns casos prolongar-se até ao próprio cemitério. Uma vez no interior do templo, era celebrada missa de “corpo presente” a que o “defunto” geralmente assistia ainda deitado na urna geralmente já aberta no local. Por vezes, o “funeral” era acompanhado de banda de música.

O padre Bernardo Pintor, autor do livro “Uma Joia do Alto Minho”, relata-nos a propósito: “Tudo isto observei de pequeno e lembra-me de ouvir falar de uma pessoa que foi até à beira da sepultura, mandada abrir no cemitério, onde lançou a sua roupa exterior, e, também de uma outra que seguia em caixão aberto mas que se impressionou de tal modo ao entrar no templo que saltou fora e rachou a cabeça de encontro aos umbrais da portaria”.

Com efeito, todo este ritual a que muitos devotos se submetiam produz um efeito psíquico de tal intensidade que pode despertar na mente efeitos perturbadores perante novos estados de consciência e meditação acerca da nossa própria existência.

Entretanto, há muito tempo que tal costume desapareceu, não havendo mais lugar a cortejos “fúnebres” de mortos-vivos. Agora, a festa faz-se de alegria sem perda de devoção, bem à maneira das gentes do Minho!

Fotos: Santuário de Nossa Senhora da Peneda

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VIANA DO CASTELO: ROMANOS REGRESSAM AO RIO LETHES

- O Rio Lima e a Mitologia Greco-Romana

Aproveitando a ocasião dos tradicionais festejos em honra de Nossa Senhora d’Agonia que se realizaram em Viana do Castelo, eis que os romanos estão de volta à nossa região, atraídos pelos encantos do rio Lima ou do esquecimento – o lendário Lethes da mitologia grega e romana.

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De acordo com as suas crenças ancestrais, o Lethes era um dos quatro rios que banhava o Hades – o infernus para os romanos – o qual deveríamos atravessar a bordo de uma barca tripulada pelo barqueiro Caronte, viagem que deveria ser paga. É pois, em virtude desta crença, que nas necrópoles romanas é frequente encontrar-se uma moeda na boca do defunto a fim de pagar ao barqueiro.

Gil Vicente inspirou-se nestas crenças quando escreveu o “Auto da Barca do Inferno”… e, Dante, associando a Geena que era um local onde, às portas de Jerusalém, a população da cidade depositava e icinerava o lixo e se lançavam os cadáveres daqueles que eram considerados indignos, restos de animais e toda a espécie de imundície. O fogo era mantido aceso com recurso a enxofre.

Tendo Jesus recorrido à imagem do local como símbolo da destruição eterna, passou a ser reconhecido como um local de tormento. Porém, antes de adquirir o novo significado, banhado pelo rio Lethes, o Hades – infernus em latin, seol em hebraico – mais não queria dizer do que um lugar ôco debaixo de terra, literalmente uma sepultura.

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Para os antigos gregos e os romanos, a vida constituía um ciclo de perpétuo renascimento, uma constante passagem da vida para a morte e de novo para a vida. A travessia do rio Lethes pressupunha que, ao nascermos de novo, perdíamos o conhecimento da verdade, algo que, segundo Platão, na sua “Apologia de Sócrates”, poderia ser recuperado através da maiêutica socrática que significa “dar à luz”, através de uma dialética partindo do princípio de que “a verdade está latente em todo o ser humano, podendo aflorar aos poucos através de uma série de perguntas simples, quase ingénuas, porém perspicazes”.

No ano 136 AC, marcharam os exércitos romanos comandados pelo Cônsul Décimo Júnio Bruto a caminho da Galiza. Depois de atravessarem os rios Tejo, Zêzere, Mondego, Vouga e Douro, e tendo atingido as margens do rio Lima – também designado por Bélio – em relação ao qual o historiador e geógrafo grego comparou com o lendário Lethes, o rio do Esquecimento, aí estacaram… ninguém ousava atravessá-lo pois o temor dos soldados era de tal ordem que receavam de se esquecerem da sua Pátria, da sua família e amigos. Segundo a sua mitologia, o rio Lethes era a fronteira para o mundo inferior, o mundo dos mortos.

Após muita insistência junto dos centuriões para que estes convencessem os soldados que ainda estariam longe da tal fronteira para o infernus, num impulso tomou de um soldado o estandarte da Legião encimado pela Águia Imperial e, da outra margem, chamou os soldados pelos seus próprios nomes, convencendo-os desse modo de que aquele não era com efeito o rio do Esquecimento – o rio Lethes.

Quanto à localização próxima do sítio de passagem, é de crer que tenha sido naturalmente o local onde depois construíram a ponte que ligava a estrada militar romana de Braga a Astorga e que foi durante muitos séculos a única a atravessar o rio Lima, mais tarde ponto de travessia a pé enxuto dos peregrinos que rumavam a Santiago de Compostela, devendo-se ao seu cruzamento com a via navegável a origem da vila que lhe tomou o nome – Ponte de Lima!

Decorridos mais de dois milénios da sua chegada às margens do rio Lima, os romanos voltaram, desta feita para desfilar no Cortejo Histórico das Festas em Honra de Nossa Senhora d’Agonia. Porque, apesar do mito, eles realmente nunca esqueceram os seus campos férteis e a paisagem inebriante da nossa região!

Texto: Carlos Gomes / Fotos: José Carlos Vieira

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VIANA DO CASTELO: EM TERRA DE PESCADORES OS TAPETES SÃO DE SAL!

Na Ribeira de Viana do Castelo, as gentes do mar espalharam pelas ruas trinta toneladas de flores e sal, tingidas de cores garridas, apresentando motivos marítimos e religiosos. Trata-se de uma tradição com mais de meio século e a “faina” dura até de madrugada, fazendo lembrar a azáfama dos pescadores noite dentro em alto mar a substituir as redes para trazer o peixe que é o pão destas gentes.

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A rua Frei Bartolomeu dos Mártires dedicou o seu tapete à Senhora d'Agonia, desenhando-a no piso com um manto a cobrir a sua extensão. No Largo Infante D. Henrique, os moradores dispensaram o sal para cobrir o largo de flores. E, após a Procissão ao Mar na qual o andor da Senhora d’Agonia seguiu a bordo da embarcação “Sempre em frente”, os devotos caminharam atrás da Padroeira pisando os tapetes de sal. Tal como de sal é feita a vida das gentes do mar – dos pescadores e marinheiros de Viana do Castelo!

Fotos: José Carlos Vieira

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HISTÓRIA E TRADIÇÃO DESFILAM EM VIANA DO CASTELO NOS FESTEJOS DE NOSSA SENHORA DA AGONIA

As gentes de Viana do Castelo sairam à rua para contar a História da sua cidade e dar a conhecer as suas tradições mais genuínas. Os períodos mais marcantes do seu passado foram apresentados em quadros alegóricos que mostraram nomeadamente a construção da ponte Eiffel e a chegada do comboio.

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E, como não podia deixar de suceder, a sua participação na grande saga dos Descobrimentos Portugueses e das navegações marítimas que se seguiram, incluindo a pesca do bacalhau nos bancos da Terra Nova.

Ao desfile não faltaram os cabeçudos e gigantones, os grupos de zés pereiras e as bandas filarmónicas, as peixeiras da ribeira de Viana e as lavradeiras das aldeias rurais em redor daquela que outrora era denominada por Viana da Foz do Minho – consagrada como a Princesa do Lima!

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Mas, sobretudo, não faltou o povo, o verdadeiro obreiro da festa que é sua – e da Senhora d’Agonia! E não foi a ausência dos grandiosos espectáculos pirotecnicos tão apreciados pelas nossas gentes que deitaram a festa a perder porque a sua grandiosidade e brilho é suficiente para manter o seu prestígio como a maior romaria de Portugal.

Fotos: José Carlos Vieira

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VIANA DO CASTELO: QUEM GOSTA VEM, QUEM AMA FICA!

Romaria da Senhora d’Agonia é um festival de cor, alegria e tradição!

A Romaria da Senhora d’Agonia em Viana do Castelo é um festival único de rara beleza onde o colorido e a alegria das gentes minhotas atingem o êxtase.

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Pelas ruas do centro histórico da cidade, milhares de pessoas viram desfilar os mais diversos quadros etnográficos, reconstituindo as mais diversas tradições vianenses e da região.

Os ranchos folclóricos e os grupos de música tradicional seguiam juntos, animando o cortejo com as suas concertinas, ao mesmo tempo que os zés-pereiras rufavam os bombos marcando a dança dos cabeçudos e gigantones, destacando-se por entre a multidão.

O imponente cortejo etnográfico é, juntamente com o desfile da mordomia e os espetáculos de pirotecnia, um dos eventos mais apreciados no âmbito dos festejos da Romaria da Senhora d’Agonia. Todos os anos, muitos milhares de pessoas afluem propositadamente a Viana do Castelo para assistirem e participarem nos festejos.

E, a coroar toda a grandiosidade da festa, as moças belas e gentis, garbosas nos seus trajes tradicionais, com as suas reluzentes arrecadas de filigrana, deslumbram quem as vê desfilar, exibindo a beleza ímpar da mulher minhota.

- Todas as pessoas deveriam, ao menos uma vez na vida, visitar Viana do Castelo por ocasião destes tradicionais festejos e viver com intensidade a alegria e felicidade das gentes minhotas!

Fotos: José Carlos Vieira

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VIANA DO CASTELO: GIGANTONES E CABEÇUDOS PASSAM EM REVISTA NA ROMARIA DA SENHORA D’AGONIA

No Minho, são os Zés Pereiras quem anuncia a festa!

Viana do Castelo vibrou hoje ao rufar dos bombos dos grupos de zés pereiras, numa autêntica arruada que até parecia que deitava abaixo a Praça da República. E, como não podiam faltar, os gigantones e cabeçudos passaram em revista, emprestando o seu jeito castiço à romaria da Senhora d’Agonia como manda a tradição.

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Com quase quatro metros de altura, os cabeçudos desfilam em casais, frequentemente rodeados pelos cabeçudos, completando dessa forma a grotesca família que, com o seu aspeto pitoresco e dançar desajeitado, remetem-nos para um tempo mitológico. De resto, datam de 1265, os registos mais antigos até ao momento encontrados que nos dão conta da existência entre nós de tal tradição, neste caso referente à sua participação nas festividades do Corpo de Deus ocorridas na cidade de Évora.

Era usual no Minho, os gigantones serem também conhecidos por Amazonas, tratando-se pois de uma tradição bem portuguesa com forte implantação na nossa região.

Fotos: José Carlos Vieira

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