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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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SENHOR DO BONFIM: QUILÓMETROS A PÉ POR DEVOÇÃO AO SANTO

Celebrada este domingo, 14 de julho, a Festividade em Honra do Senhor do Bonfim, na freguesia de Anhões, é uma das romarias mais conhecidas e concorridas do concelho de Monção. Além de proporcionar diversos momentos festivos, revela uma acentuada componente religiosa com devoção e veneração na figura do Senhor do Bonfim.

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Situado em zona de montanha, sensivelmente a 16 quilómetros da sede do concelho, o Santuário do Senhor do Bonfim é visitado por milhares de pessoas durante o ano. Neste dia, sempre ao segundo domingo de julho, o recinto enche-se de crentes e muitos vendedores ambulantes que, desde tempos distantes, vêm aqui uma oportunidade de negócio. 

A “viagem” começa de madrugada com muita gente a fazer o percurso a pé. Sozinhos ou em grupo. A conversar, a rezar ou em silêncio profundo. Com o olhar preso no horizonte e o coração a transbordar de afeto e devoção. Algumas paragens para saciar a sede. Ou descansar as pernas. 

Muitos caminham descalços. Mais devagar. Cuidadosamente. Fazem-no com o sentimento, puro e verdadeiro, que ultrapassa todas as dificuldades. O objetivo é chegar e abraçar o Senhor do Bonfim. Acender uma vela, rezar em repouso e apreciar o interior do santuário. Adornado com as mais lindas flores. Belo.

Depois da missa e da procissão, que decorre com total recolhimento e fé, as famílias juntam-se à volta da toalha na carvalheira próxima. Depois de saciar a alma, falta saciar o corpo. Das cestas, saem produtos caseiros. Deliciosos. Da geleira, os vinhos mais aromáticos e tranquilizadores. Fresquinhos.

Começa o repasto. Que passa de mão em mão. De toalha em toalha. Fazendo desta romaria um hino à convivência e amizade. Com a banda sonora dos tocadores de concertina que deambulam pelo recinto e, mais tarde, se juntam no palanque para puxar a gente a um pezinho de dança.

Quem gosta, entra na dança. Os outros deixam-se andar por ali, sentindo o fabuloso ar de montanha e admirando a naturalidade das pessoas desta zona. Há quem volte a entrar no santuário. Agora mais desafogado. Para apreciar o altar-mor onde pontificam as imagens de S. Mamede e S. Caetano, e os outros altares, dedicados ao padroeiro e ao Imaculado Coração de Maria.

O regresso às freguesias de Monção, ou outras localidades vizinhas, faz-se à tardinha. Com a sensação interior de enorme plenitude emocional. E à chegada, seja onde for, alguém vai questionar: Que tal correu? A resposta será “bem, muito bem”, seguido da pergunta: ”Sabias que o altar-mor do santuário foi construído em 1868 e a torre em 1958?”, dando início a uma longa e esclarecedora conversa entre amigos.