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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O RIO NEIVA E AS AZENHAS DO CASTELO

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  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Nasce na serra de Oural (Vila Verde). Decorridos 45 quilómetros, vem desaguar ao mar, estabelecendo fronteira entre Antas e Castelo do Neiva, freguesias que sempre souberam ser amigas e de relacionamento fácil. Passa por terras dos concelhos de Vila Verde, Ponte do Lima, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo. Diz quem o percorreu da nascente até à foz que tem belezas de encantar. Não o conhecendo na totalidade, longe disso, ele fica bem definido neste poema que encontrei no Blogue de Jorge Miranda “Pelos Salgueirais do Neiva” e que não resisto a reproduzir: Magia do rio Neiva. Ó pintores da minha terra, / Vinde aqui, vinde pintar .../ Pintai levadas, moinhos, / Açudes a transbordar, / Espuma branca de neve / À luz do Sol a brilhar .../ Pintai azenhas velhinhas / Com as heras a enlaçar, / Pontes, recantos do "Neiva”, / Salgueirais e debruar, / Que motivos para telas / Não vão, por certo, faltar!... / Pintai lindas aguarelas, / Vinde aqui, vinde pintar!...

Mas não vou escrever sobre o rio na sua totalidade, porque isso dava livro, tantas são as histórias e estórias que este caprichoso caudal de água tem. Ademais, sobre o Rio Neiva já existem duas obras: “O Rio Neiva – Monografia” (1978) e “Vale do Neiva – Subsídios Monográficos” (1982). Ambos contaram com o empenho entusiasta de Cândido Neiva de Oliveira Maciel, Natural de Durrães – Barcelos, tal como é referido na introdução da segunda obra. Ficar-me-ei por breves apontamentos na parte do rio que diz respeito ao Castelo do Neiva, que tão bem conheci e tão gratas recordações dele tenho.

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Uma azenha do Rio Neiva em 1928. Foto de Aureliano Carneiro, publicada na revista “Ilustração Portuguesa”, Nº 72

As Azenhas

Todas foram do meu conhecimento, porque todas visitava e com praticamente todos os donos me relacionava, na minha condição de rapaz de travessuras, como era próprio naquela época, que só diferia de épocas vindouras pelos enquadramentos de cada tempo.

Fazer o percurso da foz até à ponte do Neiva em grupo de gente já espigada, não sendo regular, acontecia de vez em quando. Daí o conhecimento de cada azenha e de quem lá passava o tempo em moagem permanente. Mas entre as que se situavam no troço do rio em Castelo do Neiva (Santa Tecla, Sebastião, Palhurdo, Adriano e Caseiro, contando da foz para a nascente), as que mais gratas recordações me deixaram são a do Sebastião, Palhurdo e Adriano. A primeira, porque por lá passava com muita regularidade, em direção a Antas, onde vivia a minha avó paterna. Aquela ponte de pedra, mandada construir em 1930 pelo dono da azenha (data inscrita num pilar da ponte), foi calcorreada vezes sem conta por mim e os meus irmãos; a segunda porque foi onde apreendi a nadar; e a terceira porque a família que a explorava tinha comigo e com a gente da minha casa uma relação de forte empatia.

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Azenha do Sebastião, também conhecida por Azenha do Minante. Foto PR4 – trilho das azenhas de Anta, município de Esposende

Na do Palhurdo, para onde também muitas castelenses se deslocavam para grandes lavagens da roupa de casa, consumi horas sem conta. O rio era a minha perdição. Ainda muito criança, nado já com estilo e aventuro-me pelo largo profundo. Mergulho a profundidades de 4 metros para apanhar objetos que os adultos atiram à água para testar a minha destreza. “Agora é que vamos ver quanto vale o ranhoso”, diziam os marmanjões. Eufórico e ofegante, surgia à tona da água e atirava as tralhas para a margem do rio, como autênticos troféus de caça. Aquilo suava a provocação e aquela turba, fora de si, procurava cada vez mais objetos que não fossem visíveis no fundo do rio e não deixavam sair ninguém da água enquanto os mesmos não fossem encontrados.  Era assim que estava desaparecido tardes inteiras, para desespero dos de casa, que, apesar de tudo, não deixavam de mourejar no campo. Aparecia ao fim do dia junto deles, onde me era aplicada severa punição, para depois se prolongar a jorna, como castigo máximo para mim, mas que se estendia a todos.

Decorridos mais de 20 anos, acompanhado do Rui Alpuim, um amigo pintor, voltei ao Palhurdo, para que o Rui me pintasse a azenha e a sua envolvente de tão gratas recordações. Não podia ter sofrido maior desapontamento. Começou nos caminhos de acesso, que por falta de uso quase se tornaram intransitáveis, e acabou em toda a envolvente da azenha, com um forte matagal que tudo invadia. Todos os espaços onde brincava e de onde mergulhava a petizada quase tinham desaparecido. Isto sem esquecer a forte poluição de que sofria o rio resultante dos resíduos da fábrica de resina, situada junto à ponte do Neiva, que dá acesso a Antas e ao Porto. Bom, sumiu-se a ideia do quadro, que já nada apetecido era. Mas depois de tanto esforço, encomenda feita, lá se pintou. Apesar de bem conseguido, nunca o encarei bem. Transacionou-se mais tarde, mas hoje estou arrependido. Julgo que, na altura, compreendi mal a evolução do tempo e as transformações que este opera nas formas de viver e estar dos povos.

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A azenha do Palhurdo, pintada por Rui Alpuim. A azenha da minha meninice e do meu desencanto quando adulto

As azenhas tinham vida intensa e os moleiros ganhavam para viver eles e a família. Normalmente, os donos tinham casa de lavoura e aproveitavam os carros de vacas para recolher os sacos de milho pela freguesia carreando-os até à azenha. Moído o milho, já sem a maquia a que o moleiro tinha direito, havia que devolver aos respetivos donos os sacos, mas agora com farinha. Este vai e vem socializava as gentes do Castelo. Os contactos eram intensos, as amizades estabeleciam-se e ninguém se queixava, mesmo quando parecia que o milho moído tinha rendido pouco.

Em tempos pensei em fazer um trabalho pormenorizado sobre estas azenhas que vinham da ponte à foz, quase todas propriedade de castelenses. Tinha em mente contar a história de cada uma: o seu nascimento, os donos, o seu funcionamento, particularmente no verão, com água aprisionada pelos açudes, os valores de moagem, etc. Mas o tempo não dá para tudo e, agora, muita desta informação está perdida, por falta de registos e morte das famílias. Pode ser que ainda não seja tarde, mas para alguém mais afoito.

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Mais uma Azenha do Rio Neiva pintada por Rui Alpuim

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

POIS, O RIO ONDE APRENDI A NADAR

Quando as crónicas fazem uma travessia no tempo e nos levam até a um passado que nos deixou marcas, tudo se torna mais fácil. Por vezes, difícil é saber como parar, para não nos tornarmos maçadores, em relação a quem perde tempo a ler-nos.

O Rio Neiva do meu tempo de petiz não tinha só o encanto próprio da meninice. Tinha o encanto das azenhas, dos rios limpos, sem poluição das fábricas e da suinocultura, sem a conspurcação de detritos de toda a ordem, porque naquele tempo tudo se aproveitava e nem detritos havia, tantas e tão grandes eram as dificuldades de vivência dos portugueses.

Naquele tempo os rios estavam isentos de vegetação, porque havia guarda-rios, tal como havia cantoneiros. Infelizmente algumas coisas boas de outros tempos não foram aproveitadas e deviam-no ter sido. O progresso não se faz deitando fora o que de bom e prático havia, tal como não se deve "deitar fora o menino com a água do seu banho", como é usual dizer-se.

Bom mas eu não tenho saudades daquele tempo, porque a nostalgia não pode ser superior a realidades diferentes, em que o progresso tirou tanta e tanta gente da miséria endémica.

MUNICÍPIOS DE ESPOSENDE E DE VIANA DO CASTELO ESTABELECEM COOPERAÇÃO PARA A LIMPEZA E VALORIZAÇÃO DO RIO NEIVA

Os Municípios de Esposende e de Viana do Castelo formalizaram, hoje, um protocolo de cooperação com vista à execução do Projeto de Limpeza e Valorização do Rio Neiva. A sessão, realizada na Casa da Música de Antas, contou com a presença do Vice-presidente da APA – Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, das Diretoras Regionais da ARH Norte e da Direção de Áreas Protegidas do Norte, Inês Andrade e Sandra Sarmento, respetivamente, bem como dos presidentes das Juntas de Freguesia de Antas, Forjães, Castelo de Neiva e de Alvarães.

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Com um investimento estimado a rondar os 700 mil euros, o projeto prevê a intervenção ao longo de uma extensão de dez quilómetros, considerando os troços das duas margens, e contempla a caracterização geral da área envolvente do rio, a identificação e caracterização do património edificado existente ao longo da margem, a identificação e caracterização da fauna e da flora, com particular ênfase na marcação dos locais onde se detete a presença de espécies invasoras. Além do diagnóstico, constituem também grandes eixos do projeto, numa fase posterior, a naturalização dos percursos pedestres ao longo do rio, a limpeza e erradicação de invasoras, a estabilização de troços da margem do rio com recurso a técnicas de engenharia natural, a implementação de medidas que visem o usufruto sustentável dos espaços e, naturalmente, o envolvimento da comunidade em todo o processo como forma de sensibilização e educação para a valorização do Rio, como assinalou o projetista Pedro Teiga, a quem coube a apresentação do projeto.

O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, afirmou estar perante “um dia histórico”, que constitui o “pontapé de saída para a valorização de um dos mais belos rios do país”. Aludindo ao histórico de cooperação entre os dois municípios, o autarca de Esposende vincou que os une uma saudável relação de amizade e a vontade mútua de desenvolvimento dos respetivos territórios, não num contexto de competição mas de complementaridade. “Partilhamos interesses comuns, fronteiras, recursos e pontos de vista sobre o território”, referiu Benjamim Pereira, considerando, pois, natural este projeto de cooperação para valorizar este recurso hidrográfico que delimita os dois municípios e que se insere no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Para o presidente da autarquia de Esposende, o rio Neiva é “um recurso extraordinário” que importa valorizar, constituindo “um ativo turístico, desportivo, ambiental e cultural” da maior relevância. Manifestou-se, assim, certo de que este projeto terá repercussões positivas a vários níveis, entre os quais, numa fase subsequente, também na vertente da Cultura/Património, numa perspetiva de reabilitação vernacular, nomeadamente azenhas e engenhos.

Partilhando do entusiasmo de Benjamim Pereira, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, referiu que, tal como sucedeu no passado noutros projetos de cooperação, os municípios estão em perfeita sintonia e fortemente empenhados na execução deste projeto, que, para além da limpeza e valorização do rio Neiva, “vai dar resposta a um conjunto de problemas”.

O projeto integra várias medidas de conservação e reabilitação da rede hidrográfica e zonas ribeirinhas, previstas na Lei da Água e pretende contribuir para a implementação da Diretiva Quadro da Água, como realçou o Vice-presidente da APA, afirmando que importa adaptar o rio para enfrentar as mudanças resultantes das alterações climáticas.

Pimenta Machado enalteceu a cooperação estabelecida entre os municípios de Esposende e de Viana do Castelo, ao abrigo da qual já foram concretizados projetos de grande valia, apontando, a título de exemplo, a ponte pedonal que liga Antas a Castelo do Neiva inserida no percurso da Ecovia Litoral e executada pela Polis Litoral Norte.

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ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA PEDE APOIO PARA MANTER A SUA CAMPANHA EM DEFESA DO AMBIENTE

A Rio Neiva - Associação de Defesa do Ambiente é uma organização não governamental (ONG), fundada em 17 de novembro de 1989. Está inscrita na Rede Nacional de Associativismo Jovem (RNAJ) sendo também classificada como uma Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) e com Estatuto de Utilidade Pública.

Tem como objetivos essenciais defender e valorizar o ambiente e o património natural e cultural, promover um desenvolvimento regional equilibrado do Vale do rio Neiva, macro otimizar o papel da defesa do ambiente nas suas diferentes valências (proteção, sensibilização, valorização, desporto de natureza).

Para atingir estes objetivos esta associação desenvolve e executa atividades e projetos próprios e em parceria com diversas associações e instituições locais, partilha experiências com outras organizações idênticas e desenvolve ações de educação ambiental. Tem como principal público-alvo a comunidade escolar da área onde atua e a população local residente.

É de salientar o pilar que sustenta esta associação e todas as suas iniciativas: o contributo voluntário de todos os seus membros e comunidade envolvente.

Deste modo a Rio Neiva - Associação de Defesa do Ambiente vem por este meio solicitar apoio para a divulgação ativa desta campanha, que tem o objetivo principal angariar fundos para o custeio do funcionamento desta instituição.

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A PRESENÇA DE CASTELO DO NEIVA NAS FESTAS D’AGONIA

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

A participação da nossa freguesia nestas centenárias Festas remonta a 1936, neste caso, com presença no Cortejo Etnográfico, na altura denominado Parada Regional. A participação na Festa do Traje aconteceu um pouco mais tarde, em 1950, quando esta se afirma categoricamente, com realização no Estádio “Dr. José de Matos”, do SCV. Mas estes dois destacados números da Romaria das Romarias, designação por que é bem conhecida a nível nacional, têm um percurso não isento de contratempos e incertezas.

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Sargaceiras do Castelo do Neiva

O Cortejo Etnográfico, com o nome de Parada Agrícola, iniciou-se em 1908. Reeditou-se em 1909, mas nos 18 anos seguintes nunca constou dos programas da Romaria. Por insistência da imprensa local, voltou em 1926, para que novo interregno acontecesse, agora de 8 anos. Regressou em 1934, ainda com o mesmo nome, mas, em 1935, 36 e 37 já como Parada Regional. A novo interregno, seguiu-se um novo retorno em 1948, ano do centenário da cidade, então já com o nome de Cortejo Etnográfico, e com um programa onde constava a participação de 51 carros, mais de 55 grupos, com cerca de 2000 mil figurantes. Nos dez anos de 1950 ainda tem algumas intermitências, contudo, na década seguinte, o Cortejo Etnográfico instala-se definitivamente como referência maior das Festas.

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Primeira representação de Castelo de Neiva com os seus sargaceiros nas festas da Senhora d’Agonia, em 1936, no local de partida do cortejo. Na estrada da Papanata. Foto de Abel Viana

A Festa do Traje tem o seu primeiro ensaio em 1927. Do programa consta um concurso de trajes regionais, anunciado como “Certame de Costumes”. O resultado é francamente mau, a imprensa não aplaude e a experiência é abandonada. Em 1948, consolida-se com brilhantismo a prática de sortear objetos de ouro pelas lavradeiras vestidas a rigor, iniciada dois anos antes. Daí que, em 195o, o programa da Romaria nos apresente, de forma bem explícita, a realização da Festa do Traje no Estádio do SCV, como atrás referido, para não mais acabar.

casteloneivasfestasviana (4).JPGAno de 1951. Participação na Festa do Traje

A representação dos Castelenses

A convite muito especial da Comissão que tinha a incumbência de realizar o cortejo, a nossa freguesia fez-se representar pela primeira vez em 1936, na então Parada Regional, (para os castelenses, se bem me recordo, sempre se considerou Parada, mesmo quando esta deixou de o ser) reunindo exclusivamente motivos, costumes, indumentária e folclores do distrito de Viana do Castelo, como dá a conhecer o jornal Aurora do Lima, edição de 14/04/1936. A nossa terra apresenta-se, nesse caso, com um grupo de sargaceiros, bem representativo de uma atividade que estava no seu auge, enquadrada na área da Festa Marítima, onde se situavam igualmente as freguesias de Anha e Darque, bem como a Ribeira de Viana, dado também a ligação destas à atividade marítima. A nossa indumentária, sempre igual, é simples e de pouco colorido, contrariamente à de outras paragens, mas tem personalidade e impõe respeito. Assenta no branco e é de fabrico fácil. É constituída pela branqueta feita de lã pura, para que o corpo permaneça quente quando dentro da água, e com sueste feito de pano-cru, banhado com óleo de linhaça, para o tornar impermeável e não se molhar a cabeça quando se enfrenta as ondas. A partir deste ano de 1936, havendo realização, jamais Castelo do Neiva deixou de participar no cortejo.

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Descendo a Av. dos Combatentes no Cortejo Etnográfico de 1963

Igualmente, aconteceu com a Festa do Traje, a partir de 1950, quando oficialmente teve o seu início. Segundo o programa desta iniciativa, neste ano, participaram 15 freguesias e Castelo do Neiva aí consta: “com a gente do campo e do mar; sargaceiros e sargaceiras vestindo de branqueta, traje com que enfrentam o mar sobre primitivas jangadas, jogando a vida sem temor, sempre com uma cantiga a florir nos lábios”, assim “rezava” o dito programa, que citava ainda como responsáveis por esta representação o Prof. Manuel Augusto da Silva Lima e Augusto Alves Bonifácio, gente que ainda conheci.

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Mais uma participação no Cortejo Etnográfico. Anos 50/60

Para se fazerem representar com dignidade em qualquer destes números, os castelenses, muito antes das Festas, tinham longos preparativos, que apesar de se desenrolarem em condições precárias, não arrefeciam ânimos, antes pelo contrário, estimulavam alegria e envolvimento, pese o estilo adotado, com mais ou menos elaboração. Recordo-me, quando miúdo, década de 1950, de assistir aos ensaios do numeroso grupo que nos representaria. Tudo começava, portanto, com largas semanas de antecedência. Na eira da casa de um vizinho, que funcionava como tocador de concertina e ensaiador, aquele conjunto de moças e moços esforçava-se para conseguir uma representação condigna, que prestigiasse a sua terra. À luz de candeeiros, já que não havia energia elétrica (essa só chegou quase vinte anos depois) ensaiava-se uma dança caseira, a acompanhar um coro que entoava a Moda da Carrasquinha, muito popular e de região indefinida. Se bem me recordo, entre várias, tinha esta quadra: carrasquinha sacode a saia/carrasquinha levanta o braço/dá-me um beijo amorzinho/e eu te darei um abraço. Acompanhavam a quadra os bailadores, com as moças a sacudir a saia e a levantar o braço, a que se seguiam os beijinhos e abraços da parte de moços e moças. Mas nem sempre os ensaios resultavam bem, a dança azarava e o ensaiador, homem por vezes de mau humor, ameaçava pôr tudo no olho da rua, acusando os bailadores de falta de responsabilidade e empenho, porém, tudo harmonizava, terminando sempre de forma pacífica.

Nas Festas, os sargaceiros de Castelo do Neiva eram sempre os mais aplaudidos e os mais fotografados, e a imprensa dava-lhes honra de primeira página, descrevendo-os como gente garbosa e representativa de uma comunidade determinada, com absoluto domínio do mar e que deste arrancava o sustento para centenas de famílias. Era uma representação verdadeiramente genuína, tão intensa era a vida de mar dos castelenses e tão significativa era a apanha do sargaço na freguesia. Hoje, Castelo do Neiva mantém a sua representação nesta afamada Romaria, por vezes com pequenas variantes, mas tendo sempre a representação do sargaço como aspeto principal. Contudo, correndo o risco de ser apodado de saudosista, fico com a ideia de que nos tempos de antigamente a nossa representação nos cortejos e festas do traje era mais autêntica e de sentimento profundo.

casteloneivasfestasviana (1).jpgNo Cortejo Etnográfico, na década de 1980, com uma representação vistosa

ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA COMEMORA 30 ANOS A DEFENDER O AMBIENTE

A Rio Neiva - Associação Defesa do Ambiente celebra 30 anos e queremos celebrar com todos os envolvidos até hoje. 

Preparamos um programa para os dias 16 e 17 de Novembro que podes ver em anexo. 

A exposição da história e vida da associação está aberta ao público das 15h00 às 18h00 do dia 16 de Novembro (sábado) na Quinta de Belinho em Antas ( ver mapa

INSCRIÇÕES OBRIGATÓRIAS ATÉ 12 NOVEMBROAQUI 

Podes acompanhar o evento na nossa página de FACEBOOK

Garante o teu lugar, contamos contigo e até já!

A direção

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MEMBROS DO GOVERNO VISITAM OBRAS DA PONTE SOBRE O RIO NEIVA

Ministro do Ambiente e Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza visitam obra da ponte sobre o rio Neiva

A intervenção mais simbólica da futura Ecovia do Litoral Norte foi como o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, classificou a Ponte Pedonal sobre o rio Neiva, que está a ser construída no âmbito do programa Polis Litoral Norte.

PONTE

De visita à obra, em Antas, o governante apontou a travessia, que vai ligar as freguesias de Antas e Castelo de Neiva, os concelhos de Esposende e Viana do Castelo e os distritos de Braga e Viana do Castelo, como uma “obra muito relevante” para a fruição da beleza natural envolvente.

Esta ligação pedonal e ciclável, ao longo de 300 metros, representa um investimento global de 577 mil euros e é financiada a 85% por fundos comunitários do Norte2020, sendo a restante verba suportada pelos Municípios que integram a Sociedade Polis Litoral Norte, Esposende, Viana do Castelo e Caminha. A obra tem conclusão prevista para abril de 2018.

Matos Fernandes fez-se acompanhar da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, e contou com a presença, entre várias outras individualidades, do Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira.

O Ministro do Ambiente realçou a importância da Ecovia do Litoral Norte, não só pela ligação que vai proporcionar entre os vários territórios, como também porque constituirá “espaço de lazer e de contacto com os valores naturais”, com a particularidade de incluir no seu traçado “uma ponte muito bonita que vai acabar por marcar o fim do ciclo da intervenção da Polis”, mas que, afiançou, “não será nunca o fim das intervenções no litoral”. Matos Fernandes referiu, a propósito, que o litoral tem vindo a ser alvo de diversas e variadas intervenções tanto de valorização como de requalificação da orla costeira, no sentido de tornar este território, “o mais frágil da Europa” no que diz respeito às alterações climáticas, mais resistente e mais adaptado à força do mar. O Governante deixou claro que “este é um caminho que não tem fim” e que será necessário continuar a “trabalhar no litoral para garantir a manutenção da fisiografia da linha de costa”. Referiu, a propósito, o projeto de combate às cheias que o Município de Esposende vai executar. “É muito importante que ao mesmo tempo que protegemos estes territórios lhe possamos acrescentar valor e fazer com que um maior número de pessoas o possam usufruir em condições de conforto e segurança”, afirmou.

Notando que que são já várias as intervenções executadas no âmbito do Polis Litoral Norte, o Presidente da Câmara Municipal, Benjamim Pereira, assinalou que a Ecovia, que vai ligar Caminha a Esposende, num percurso total de aproximadamente 73 quilómetros, constituiu “o maior projeto” deste programa. Referindo-se à ponte sobre o Rio Neiva sublinhou o valor do investimento, notando que se trata também da concretização de um sonho antigo das populações de Antas e de Castelo do Neiva de ligação entre as duas freguesias.

Benjamim Pereira realçou que a futura Ecovia do Litoral Norte constituirá “um produto turístico que pode incrementar o desenvolvimento da economia local”. Considerou, aliás, que a opinião é partilhada pela Administração Central, como o comprovam as declarações e a presença sistemática dos governantes ao território.

No âmbito do programa Polis Litoral Norte, Esposende já beneficiou de intervenções no valor global de cerca de 11,5 milhões de euros, estando em curso obras num montante superior a 8 milhões de euros. Contas feitas, em Esposende serão investidos, no total, aproximadamente 20 milhões de euros.

Depois da visita à obra da ponte sobre o rio Neiva, o Ministro do Ambiente e a Secretária de Estado visitaram também as Empreitadas de Requalificação do Cais dos Pescadores de Caminha e de Alimentação artificial dos sistemas dunares de Camarido e Moledo, que estão a ser executadas também no âmbito do programa Polis Litoral Norte.

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ASSOCIAÇÃO AMBIENTALISTA RIO NEIVA DESENVOLVE PROJETO DE CANOAGEM COM CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

Ao longo do terceiro período do ano letivo 2014/2014, a Rio Neiva - Associação de Defesa do Ambiente em parceria com a Unidade de Autismo da Escola Básica de Baixo Neiva , vai levar a cabo um projeto de canoagem como terapia do desenvolvimento junto de crianças com necessidades educativas especiais. Este projeto será financiado na integra pela Rio Neiva, que disponibilizará o transporte, os materiais e os recursos humanos necessários à realização da atividade.

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De abril a junho, uma vez por semana, um grupo de seis crianças com espectro de autismo, acompanhadas pelas professoras, uma monitora/treinadora de canoagem e auxiliares de ação educativa, irão realizar sessões de canoagem com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento destes jovens. Numa só sessão consegue-se promover atividades de desenvolvimento e controlo motor, autonomia, iniciativa e confiança.

A primeira sessão decorreu no dia 10 de abril e o balanço desta foi muito positivo, a adaptação ao meio aquático e materiais da atividade decorreu com normalidade e os alunos participantes demonstraram muito entusiasmo pela atividade a ser desenvolvida e pelo meio envolvente.

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CENTRO DE ESTUDOS REGIONAIS DO ALTO MINHO ORGANIZA CONFERÊNCIA SOBRE OS ENGENHOS DE ÁGUA NO RIO NEIVA

Conferência sobre os engenhos de água do Rio Neiva no ciclo de estudos “Água – património, território e sociedade”

No próximo dia 9 de Abril, no Centro de Mar, às 17 horas, Rogério Barreto apresenta uma comunicação sobre os engenhos de água do Rio Neiva, integrada no ciclo de estudos “Água – património, território e sociedade”, promovido pelo Centro de Estudos Regionais, no âmbito das atividades da sua Academia Sénior.

Rogério Barreto, que colaborará nesta iniciativa em representação da Mó – Associação do Vale do Neiva, é licenciado em Geografia e Mestre em Planeamento Urbano e Regional pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Foi co-fundador da associação “A Mó” e desempenhou, no mandato de 2002-2005, o cargo de vereador da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Tem produzido diversos trabalhos sobre o Vale do Neiva, sendo co-autor do livro “Rio Neiva. Rodas d’agua e agro-sistema tradicional”, editado pela Junta de Freguesia de Barroselas, em 2013.

Pela segunda vez, a conferência do ciclo de estudos “Água – património, território e sociedade” decorrerá no auditório do Centro de Mar - Centro de Interpretação Ambiental e de Documentação do Mar, instalado no Navio Gil Eannes.

ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA LANÇA CAMPANHA DE LIMPEZA DO LITORAL DOS RIOS CÁVADO E NEIVA

A Rio Neiva é uma Associação de Defesa do Ambiente, que completa 25 anos de existência no corrente ano, está sediada na freguesia de Antas, concelho de Esposende, tem por fim defender e valorizar o ambiente e o património cultural, e promover um desenvolvimento regional equilibrado. É uma Associação sem fins lucrativos, inscrita no RNAJ – Registo Nacional de Associações Juvenis. Nestes 25 anos de atividade, a Rio Neiva ADA tem-se destacado na intervenção e proteção do meio ambiente mas também na realização de atividades de educação ambiental junto das crianças em idade escolar, dos jovens e da população em geral.

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Uma das vertentes que a Rio Neiva desenvolve é o desporto em contacto com a natureza, contando para isso com o Departamento de Canoagem, que em setembro de 2013 viu o edifício e os materiais de apoio à prática desportiva serem destruídos num incêndio. Para ajudar a colmatar a falta de materiais de apoio à canoagem e para celebrar os 25 anos da Associação, pretendemos levar a cabo umacampanha de limpeza no dia 22 de Março, que visa a recolha de resíduos plásticos e metais, e a sua possível troca por equipamentos para a prática de canoagem. A campanha irá decorrer nas margens dos rios Cávado e Neiva e na costa marítima entre Esposende e Antas. Esta campanha integrará o Nature Day, que consistirá na realização de várias iniciativas ambientais no concelho de Esposende, promovidas por diversas entidades entre elas a Surfrider, Parque Natural do Litoral Norte, Bandeira Azul e Esposende Ambiente. A esta campanha de limpeza promovida pela Rio Neiva ADA associou-se a junta de freguesia de Castelo do Neiva e as juntas de freguesia do concelho de Esposende que se situam junto ao litoral e junto aos rios, que também irão trabalhar na mobilização das Associações de cada freguesia e pessoas anónimas para que se venham juntar a nós nesse dia de limpeza.   

O lixo que dá à costa tem proporções que as pessoas não imaginam, por isso convidamos toda a população a juntar-se a esta campanha. Estamos certos de que, se todos trabalharmos em conjunto conseguiremos obter resultados e sensibilizar a população para a importância de preservar bens que são de todos: o Ambiente e o meio que nos rodeia.

Podem obter mais informações junto da Associação Rio Neiva e nas juntas de freguesia que se associaram à campanha.

ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA LANÇA CAMPANHA DE LIMPEZA DO LITORAL DOS RIOS CÁVADO E NEIVA

A Rio Neiva é uma Associação de Defesa do Ambiente, que completa 25 anos de existência no corrente ano, está sediada na freguesia de Antas, concelho de Esposende, tem por fim defender e valorizar o ambiente e o património cultural, e promover um desenvolvimento regional equilibrado. É uma Associação sem fins lucrativos, inscrita no RNAJ – Registo Nacional de Associações Juvenis. Nestes 25 anos de atividade, a Rio Neiva ADA tem-se destacado na intervenção e proteção do meio ambiente mas também na realização de atividades de educação ambiental junto das crianças em idade escolar, dos jovens e da população em geral.

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Uma das vertentes que a Rio Neiva desenvolve é o desporto em contacto com a natureza, contando para isso com o Departamento de Canoagem, que em setembro de 2013 viu o edifício e os materiais de apoio à prática desportiva serem destruídos num incêndio. Para ajudar a colmatar a falta de materiais de apoio à canoagem e para celebrar os 25 anos da Associação, pretendemos levar a cabo umacampanha de limpeza no dia 22 de Março, que visa a recolha de resíduos plásticos e metais, e a sua possível troca por equipamentos para a prática de canoagem. A campanha irá decorrer nas margens dos rios Cávado e Neiva e na costa marítima entre Esposende e Antas. Esta campanha integrará o Nature Day, que consistirá na realização de várias iniciativas ambientais no concelho de Esposende, promovidas por diversas entidades entre elas a Surfrider, Parque Natural do Litoral Norte, Bandeira Azul e Esposende Ambiente. A esta campanha de limpeza promovida pela Rio Neiva ADA associou-se a junta de freguesia de Castelo do Neiva e as juntas de freguesia do concelho de Esposende que se situam junto ao litoral e junto aos rios, que também irão trabalhar na mobilização das Associações de cada freguesia e pessoas anónimas para que se venham juntar a nós nesse dia de limpeza.   

O lixo que dá à costa tem proporções que as pessoas não imaginam, por isso convidamos toda a população a juntar-se a esta campanha. Estamos certos de que, se todos trabalharmos em conjunto conseguiremos obter resultados e sensibilizar a população para a importância de preservar bens que são de todos: o Ambiente e o meio que nos rodeia.

Podem obter mais informações junto da Associação Rio Neiva e nas juntas de freguesia que se associaram à campanha. 

ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA PROMOVE CAMINHADA ENTRE VILA VERDE E PONTE DA BARCA

Trilho Rio Neiva dia 23 de Março - Vila Verde

Associação Rio Neiva pelo seu Departamento de Pedestrianismo vai promover no próximo dia 23 de Março de 2014 mais um percurso pedestre.

Vamos caminhar entre os concelhos de Vila Verde e Ponte da Barca. O início do trilho será na Freguesia de Codeceda (Vila Verde), onde iremos subir até ao Monte Oural onde se encontra a nascente do Rio Neiva e apreciar belas paisagens naturais.

Este percurso tem uma duração de cerca 5 horas, uma extensão de 12 Km, um grau de dificuldade Moderada, recomendamos aos participantes levar calçado e roupa adequada para este tipo de desporto.

A concentração e saída serão feitas em frente da Escola Primária de Azevedo em S. Paio de Antas às 08h00 horas e terá um custo por participante de 10€ sócio e 13€ não sócio, o percurso terminará por volta das 17:00 horas no local de saída.

As inscrições podem ser feitas através do mail da associação, página WEB (www.rioneiva.com/pedestrianismo/eventos) ou junto de qualquer responsável (se não for sócio, indicar nome e data de nascimento) até ao dia de 19 Março. Findo este prazo qualquer inscrição fica sujeita a validação.

ASSOCIAÇÃO RIO NEIVA LANÇA CAMPANHA DE LIMPEZA DO LITORAL DOS RIOS CÁVADO E NEIVA

A Rio Neiva é uma Associação de Defesa do Ambiente, que completa 25 anos de existência no corrente ano, está sediada na freguesia de Antas, concelho de Esposende, tem por fim defender e valorizar o ambiente e o património cultural, e promover um desenvolvimento regional equilibrado. É uma Associação sem fins lucrativos, inscrita no RNAJ – Registo Nacional de Associações Juvenis. Nestes 25 anos de atividade, a Rio Neiva ADA tem-se destacado na intervenção e proteção do meio ambiente mas também na realização de atividades de educação ambiental junto das crianças em idade escolar, dos jovens e da população em geral.

CARTAZ LIMPEZA jpeg

Uma das vertentes que a Rio Neiva desenvolve é o desporto em contacto com a natureza, contando para isso com o Departamento de Canoagem, que em setembro de 2013 viu o edifício e os materiais de apoio à prática desportiva serem destruídos num incêndio. Para ajudar a colmatar a falta de materiais de apoio à canoagem e para celebrar os 25 anos da Associação, pretendemos levar a cabo umacampanha de limpeza no dia 22 de Março, que visa a recolha de resíduos plásticos e metais, e a sua possível troca por equipamentos para a prática de canoagem. A campanha irá decorrer nas margens dos rios Cávado e Neiva e na costa marítima entre Esposende e Antas. Esta campanha integrará o Nature Day, que consistirá na realização de várias iniciativas ambientais no concelho de Esposende, promovidas por diversas entidades entre elas a Surfrider, Parque Natural do Litoral Norte, Bandeira Azul e Esposende Ambiente. A esta campanha de limpeza promovida pela Rio Neiva ADA associou-se a junta de freguesia de Castelo do Neiva e as juntas de freguesia do concelho de Esposende que se situam junto ao litoral e junto aos rios, que também irão trabalhar na mobilização das Associações de cada freguesia e pessoas anónimas para que se venham juntar a nós nesse dia de limpeza.   

O lixo que dá à costa tem proporções que as pessoas não imaginam, por isso convidamos toda a população a juntar-se a esta campanha. Estamos certos de que, se todos trabalharmos em conjunto conseguiremos obter resultados e sensibilizar a população para a importância de preservar bens que são de todos: o Ambiente e o meio que nos rodeia.

Podem obter mais informações junto da Associação Rio Neiva e nas juntas de freguesia que se associaram à campanha.