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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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AQUAMUSEU DO RIO MINHO ASSINALA 15 ANOS DE ACTIVIDADE

Aquamuseu do Rio Minho assinala 15 anos entre a tradição e o digital 

Atendendo aos tempos de pandemia, e às orientações para evitar aglomerados populacionais, o Município de Vila Nova de Cerveira vai assinalar o 15º aniversário do Aquamuseu do Rio Minho de forma simbólica, mas com algum impacto para o futuro. Entre esta sexta-feira e domingo, enaltece-se o barco típico o ‘Carocho’ e é lançado nas redes sociais o vídeo promocional deste equipamento de interesse supramunicipal, para além de estarem previstas entradas livres.

A celebração de caráter simples arranca esta sexta-feira, 10 de julho, às 10h30, com a inauguração da exposição “XV anos do Aquamuseu do rio Minho” e uma homenagem ao barco “Carocho”, com um exemplar para ser apreciado in loco. Com um comprimento entre os 6 e os 8 m, o “Carocho” navegava principalmente na zona de influência da maré, mas podia chegar a Monção-Salvaterra do Miño. Por tempos imemoriais confunde-se o seu uso como barco de passagem para o contrabando e para a pesca, acreditando-se que o nome provém do seu aspeto, quando impulsionado por dois pares de remos compridos e encurvados, que o faziam assemelhar-se a uns escaravelhos, as carochas.

Para sábado, 11 de julho, está prevista a divulgação do vídeo promocional do Aquamuseu do rio Minho nas suas plataformas digitais, de forma a impulsionar a posição deste museu além-fronteiras de Portugal e Espanha, onde o seu trabalho na área da investigação e na vertente lúdico-pedagógica já é sobejamente reconhecida, procurando alcançar diversos públicos e mais parcerias.

Do programa, para domingo, estão previstas entradas livres no Aquamuseu no período de funcionamento entre as 10h00 e as 12h30, as 14h00 e as 18h00. Respeitando as recomendações e diretrizes de saúde pública, os interessados podem desfrutar de uma visita em contexto familiar aos espaços de maior relevância como o Aquário, o Lontrário e o Museu de Pescas.

Junto à margem do rio Minho e integrado numa envolvente natural de Vila Nova de Cerveira, o Aquamuseu do rio Minho transporta para dentro de quatro paredes toda a riqueza daquele curso de água internacional. De portas abertas desde 13 de julho de 2005, este espaço público tornou-se num dos maiores polos de atração turística de Vila Nova de Cerveira, alcançando uma média de 25 mil visitantes por ano.

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FERRY RETOMA TRAVESSIAS ENTRE CAMINHA E A GUARDA, HOJE, DIA 1 DE JULHO

Foram hoje retomadas as travessias entre Caminha e A Guarda. A primeira viagem ocorreu partir de Caminha, pelas 09h30. Estão previstas saídas de Caminha às 10h00, 11h00, 12h00, 14h00 e 15h00.

Amanhã, de A Guarda haverá viagens às 09h45, 10h30, 11h30, 12h30, 14h30 e 15h15.

As travessias estão sempre condicionadas às condições de navegabilidade do ferry, por força do assoreamento do canal balizado. Telefone: 258 092 564.

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AQUAMUSEU DO RIO MINHO REABRE AS PORTAS NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA

Quase quatro meses de encerramento devido à pandemia COVID-19, o Aquamuseu do rio Minho volta a reabrir portas ao público, a partir desta quarta-feira, 1 de julho, em horário normal, com a garantia das medidas de segurança emanadas pela Direção Geral de Saúde e pelo Governo.

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Como medida de prevenção e contenção do novo coronavírus, a 9 de março, Vila Nova de Cerveira foi dos primeiros concelhos do distrito a encerrar espaços e equipamentos municipais, e a suspender eventos e atividades da sua responsabilidade. Paulatinamente, e após aprovado pelo Governo o plano de desconfinamento, a autarquia cerveirense foi analisando as condições e a evolução epidemiológica da pandemia, tendo procedido, a 11 de maio, a uma reabertura gradual da Biblioteca Municipal e do Arquivo Municipal.

A 1 de julho, é a vez do Aquamuseu do rio Minho voltar à sua interação com a comunidade. Inaugurado a 13 de julho de 2005, este equipamento de interesse supramunicipal, por apresentar o rio Minho dentro de quatro paredes, tornou-se num dos maiores polos de atração turística de Vila Nova de Cerveira, alcançando uma média de 25 mil visitantes por ano, sem descurar a importante vertente educativa e científica.

O período de funcionamento é de terça-feira a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00. Para esclarecimento de dúvidas ou obter mais informações, podem contactar através do número de telefone 251 708 026 ou pelo correio eletrónico aquamuseu@cm-vncerveira.pt

AQUAMUSEU DO RIO MINHO EXPÕE SOBRE O ROBALO

O Robalo - Exposição bimestral online

Ainda a viver o período de pandemia Covid-19, e mantendo-se de portas fechadas, o Aquamuseu do rio Minho reinventa-se e não deixa os seus utilizadores sem conhecimento. Neste sentido, aquela que seria a próxima exposição bimestral - junho e julho - dedicada ao Robalo (Dicentrarchus labrax) é disponibilizada online, através da página no facebook.

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  • Sabia que:
  • O robalo é um peixe de água salgada que pode aparecer nos estuários em pequenos cardumes, principalmente na época de verão. De corpo alongado, o seu dorso apresenta uma cor acinzentada com reflexos esverdeados e um ventre esbranquiçado. Este peixe tem duas barbatanas dorsais, sendo que a primeira delas é formada por raios espinhosos. O seu opérculo é caracterizado pela presença de uma mancha escura e dois espinhos. Pode atingir os 80 cm de comprimento e viver até 30 anos.
  • Na sua fase juvenil vivem em cardumes de maneira a se protegerem melhor dos predadores. Na sua fase adulta costumam ser animais solitários ainda que por vezes formam cardumes para atacar outros peixes.
  • O seu período de reprodução varia entre dezembro e fim de março, variando um pouco em função da temperatura da água. A sua alimentação baseia-se principalmente em pequenos peixes e crustáceos, especialmente camarões e caranguejos.
  • É comum encontrar juvenis desta espécie na zona do estuário do rio Minho, inclusive nos canais do sapal. Também, e devido à sua capacidade de suportar salinidades muito baixas, na época do verão, é comum chegarem a Vila Nova de Cerveira exemplares de dimensões consideráveis.
  • O robalo tem um alto valor comercial e é muito apreciado pelos pescadores, sendo que os exemplares maiores podem chegar a atingir um valor considerável. Apesar de ser um peixe capaz de viver em águas salobras ou mesmo água doce é muito sensível à poluição.

OS CONCELHOS DO AECT RIO MINHO APOSTAM NA RE-ABERTURA DE NOVAS TRAVESSIAS FRONTEIRIÇAS COMO MEDIDA DE ALÍVIO PARA OS TRABALHADORES TRANSFRONTEIRIÇOS

Destacam ainda a importância de um desconfinamento gradual coordenado entre as duas margens que não crie desequílibrios no território

“É vital que o encerramento de fronteiras não vá muito mais além do fim dos estados de alarme e emergência de Espanha e Portugal”, advertiu Uxío Benítez

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Río Minho, reuniu-se esta terça-feira com os Alcaldes e Presidentes das Câmaras Municipais do território transfronteiriço para analisar conjuntamente o impacto socioeconómico que a pandemia do Covid-19 está a ter nesta região. A reunião, que se desenvolveu em vídeo conferência telemático contou com uma elevada participação e interesse, designadamente da presidente da Deputación de Pontevedra, Carmela Silva, e de representantes da CIM Alto Minho, que demonstraram a sua preocupação com as atuais circunstâncias e ofereçam-se a trasladar a mensagem do AECT Rio Minho juntos das entidades competentes do Governos de Portugal e Espanha.

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A reunião faz parte do estudo promovido pelo AECT Rio Minho e a Deputación de Pontevedra para obter um primeiro diagnóstico da atual situação que enfrenta o território. As conclusões deste trabalho serão transmitidas esta mesma semana aos governos e ministérios competentes de ambos os estados para que sejam analisadas e se possam aplicar as decisões mais adequadas, explicou o Diretor do AECT Rio Minho, Uxío Benítez.

Re-Abertura de novas travessias fronteiriças

Uma das principais ideias sobre a mesa, e que a totalidade dos participantes coincidiu, foi a necessidade de re-abertura de novas travessias fronteiriças como “uma medida de alívio” para as economias locais e sobretudo para “os e as trabalhadoras transfronteiriços que diariamente tem de se deslocar quilómetros para aceder aos seus postos de trabalho”.

Segundo informou o diretor do AECT Rio Minho, Uxío Benítez, neste momento, a única fronteira aberta no território é a da ponte de Tui – Valença, um tramo que agora mesmo “concentra cerca de 44% do total da mobilidade entre Espanha e Portugal”, sendo com elevada diferença o mais transitado do total das 9 travessias fronteiriças permitidas entre os dois estados.

Alguns das trabalhadoras e trabalhadores transfronteiriços deslocam-se obrigatoriamente a “distancias de mais de 60 km entre a ida e volta para poder chegar às zonas industriais ou empresas que ficavam a uma escassa distância dos seus domicílios”, segundo explicou a Alcaldesa de Tomiño, Sandra González. Esta situação, que afeta a uma população “com um nível económico medio baixo, está a provocar que alguns destes trabalhadores se viram obrigados a abandonar os seus postos de trabalho devido ao aumento dos custos de deslocação que são incompatíveis com os seus salários baixos que às vezes não ultrapassam os 600€”, aclarou González, um argumento que foi reforçado pela alcaldesa de Salvaterra, Marta Valcárcel, que propôs como solução imediata “uma abertura parcial, por exemplo, em vários horários”.

Apesar do acordo na necessidade de re-abrir novas travessias fronteiriças, todos os participantes neste encontro assumiram também que esta medida deve ser tomada sob “a aplicação dos devidos meios de controle e segurança, os mesmos que já existem na passagem de Tui – Valença de modo a evitar um retrocesso ou novos confinamentos”, segundo apontou o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista. “Não se trata de abrir as fronteiras para que circule qualquer pessoa”, explicou Benítez, senão de oferecer “uma melhoria” para aquelas pessoas que “mais estão a sofrer o duplo golpe da pandemia por se encontrarem na fronteira e num território fortemente interrelacionado”.

“Devemos assumir que infelizmente esta crise pode-se prolongar no tempo pelo que a seguridade sanitária é imprescindível, advertiu o presidente da Câmara Municipal de Monção, Antonio Barbosa.

Coordenação das medidas de desconfinamento gradual

Outro dos pontos em comum na reunião foi a necessidade de coordenação entre o governo português e o espanhol durante as medidas de desconfinamento gradual. Uxío Benítez lamentou que “um ritmo diferente de desconfinamento gradual possa provocar fricções num território em que a interdependência económica entre ambas as margens do rio é muito forte”. Uma ideia também defendida pelo alcalde de A Guarda, Antonio Lomba, que apontava a necessidade de abrir a mobilidade, a medio prazo, para facilitar as deslocações até ao aeroporto Sá Carneiro de Porto, entre outros.

Esta interdependência é facilmente palpável em alguns centros urbanos como Valença, onde 90% do comércio do concelho está dirigido à população galega, segundo afirmou o presidente da Câmara de Valença, Manuel Lopes. Casos semelhantes são os de Caminha e Vila Nova de Cerveira, onde a economia local e o emprego depende em grande parte desta relação transfronteiriça, designadamente o turismo, a indústria, as

feiras e os mercados locais, de acordo com o Presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, e do Presidente da Câmara e Vice-diretor do AECT Rio Minho, Fernando Nogueira, consciente de que a “logística não é fácil”. Após a saúde, a economia deve ser a prioridade, advertiu o presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vitor Pereira, pensando a medio prazo e na implementação de uma estratégia conjunta.

Outra das preocupações mais repetidas ao longo da reunião foi a de que o encerramento de fronteiras não se prolongue muito mais além da suspensão dos estados de emergência e alarme de Portugal e Espanha, algo que poderia incrementar ainda mais as sequelas da pandemia neste território tão interdependente pelo que se torna necessário uma estratégia conjunta. Neste sentido, a alcaldesa do Rosal, Ánxela Fernandez, reforçou na “importância que as relações de proximidade vão ter a partir de agora, não só a relevância que vão ter as autarquias locais, mas também o nosso entorno mais próximo como espaço para nos relacionarmos”.

A este respeito, Xosé Manuel Rodríguez, Alcalde de As Neves, assinalou a necessidade de realizar um estudo conjunto da economia e da hotelaria no território transfronteiriço e de como se verá afetado e propôs estudar a possibilidade de regulamentar a pesca e a sua venda já que a pandemia afetou fortemente este setor em plena temporada de lampreia.

LAMPREIA NÃO É PEIXE – É CICLÓSTOMO!

Lampreia é uma das mais requintadas iguarias da cozinha tradicional minhota

É frequente a alusão à lampreia como tratando-se de um peixe e à sua captura como pesca. Na realidade, ao contrário dos peixes, a lampreia não respira através de guelras e não possuem escamas pelo que cientificamente não se inscrevem naquele grupo zoológico. A lampreia é um ciclóstomo com aspecto de enguia, sem maxilas, apresentando a boca em forma de ventosa circular com o diâmetro do corpo que actua como bomba de sucção.

A lampreia marinha reproduz-se nos rios onde vão desovar, gerando cada fêmea milhares de pequenos ovos que são depositados no fundo dos rios. A lampreia encontra-se sobretudo em águas temperadas, sendo no nosso país os rios Minho, Lima e Cávado os habitats onde estas espécies mais se desenvolvem e são capturados os exemplares mais apreciados da nossa gastronomia tradicional. De resto, é comercializada a preços bastante elevados e servida como uma iguaria requintada à mesa dos melhores restaurantes.

Trata-se de uma especialidade sazonal, servida desde os finais de Janeiro até meados de Abril, o que também contribui para o seu encarecimento, sendo geralmente confeccionada como Arroz de Lampreia ao jeito de cabidela e ainda à Bordalesa ou seja, guisada com acompanhamento de arroz, podendo ainda ser assada no espeto ou cozinhada em molho de escabeche, portanto temperada em vinagre como era uso dos romanos e cujo costume se tornou muito popular sobretudo no Algarve.

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“Ó lampreia divina, ó divino arroz,

Comidos noite velha, em casa do Julião!

Sem ter ceias assim o que há-de ser de nós? Sofre meu paladar! Chora meu coração!”

Afonso Lopes Vieira

Reza a História que, ao tempo do Condado Portucalense, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, concedeu em 1125 ao Arcebispado de Tui o privilégio de tomar como suas as lampreias que apresassem no rio Minho, a montante da Torre da Lapela, a fim de abastecer os mosteiros e conventos por ocasião dos jejuns quaresmais. Mais recentemente, foi nas estantes da Biblioteca de Nápoles encontrado uma obra-prima da culinária portuguesa, remontando ao século XVI, com o título “Livro de Cozinha da Infanta D. Maria”. Com efeito, são inúmeras as referências históricas a tão afamada especialidade da nossa cozinha tradicional. 

Dentro de pouco tempo, a lampreia subirá os rios Minho, Lima e Cávado para desovar, depositando sob as rochas ou em pequenos ninhos escavados no leito milhares de minúsculos ovos que garantirão a sobrevivência da espécie. E morrem. Após a desova, as larvas permanecem no rio até que, por meio de metamorfose se tornam adultas. Nessa altura, migram para o mar onde permanecem até atingirem a sua maturação sexual. 

A lampreia é um ciclóstomo muito procurado por conceituados gastrónomos e outros apreciadores da nossa culinária. Ela faz os requintes das melhores mesas das mais afamadas unidades hoteleiras, atraindo numeroso público a localidades do nosso país que mantêm a tradição da sua confecção esmerada e o requinte de bem servir. No Minho, a lampreia dos rios Cávado, Lima e Minho constituem o ex-líbris da gastronomia local a promover o desenvolvimento económico daquela região. Não admira, pois, o relevo que lhe é conferido pelas entidades que superintendem a promoção turística e os próprios estabelecimentos de restauração. Mas, também perto de Ourém, o vizinho concelho de Tomar recebe anualmente milhares de visitantes que de longe se deslocam a fim de degustarem um apetitoso e suculento arroz de lampreia regado com os bons vinhos da região. 

A preservação da lampreia nos nossos rios depende também da importância que lhe atribuímos, nomeadamente como parte integrante da nossa alimentação. Ao contrário do que à primeira vista se possa imaginar, não é a pesca mas a poluição das águas e outros atentados ao ambiente que fazem perigar a sua sobrevivência. 

Em virtude do período sazonal da desova, o seu consumo verifica-se geralmente entre Fevereiro e os finais de Abril. A partir daí, a lampreia apenas surge figurada na doçaria da Páscoa sob a forma de “lampreia de ovos”, e evocar as delícias de um prato que apenas pode voltar a ser apreciado no ano seguinte. Não admira, pois, que chegue inicialmente a atingir preços exorbitantes que, no entanto, não constituem razão que baste para desmotivar os melhores apreciadores de tão delicioso pitéu. 

Refastelando-se na sua casa senhorial de Paredes de Coura, Aquilino Ribeiro, na sua obra “A Casa Grande de Romarigães” afirmava: “Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato”. Por seu turno, o poeta e gastrónomo António Manuel Couto Viana, no seu livro “Por horas de comidas e bebidas – crónicas gastronómicas”, dedica um capítulo inteiro à “lampreia divina”, como Afonso Lopes Vieira a designou. Escreveu Couto Viana o seguinte: 

Já a correnteza das águas que jorram da vizinha Espanha se enfeitam com o aparato das estacas e redes, para prenderem, nas suas malhas, noite adiante, o fugidio ciclóstomo, a tentar disfarçar-se aos rés dos seixos do leito; o chupa-pedras tão apreciada por mim, quando de cabidela, afogado no arroz malandrinho, embebido no seu sangue espesso e escuro. 

Também a fisga certeira, atirada, firme, dos altos, se os olhos penetrantes do pescador distinguem bem o vulto ondeante, faz içar a lampreia até às mãos ávidas, e lança-a, depois, para a vastidão de um saco que se quer a abarrotar.

(…)

Soberbo petisco! Com que gula a mastigavam os frades medievos torturados pelos jejuns quaresmais! 

Com que gula a mastigo eu, em mesa que ma apresente opípara no arroz do tacho, em grossos toros aromáticos, ou à bordalesa, ou de escabeche, que nestas três artes se mantém ela tentadora e sápida”. 

Com o talento dos mais consagrados artistas, cozinheiro após pelar a lampreia coloca-a num alguidar deitando sobre ela água a ferver. De seguida, abre-a da cabeça até ao fundo dos buracos e, junto à cauda, desfere-lhe um golpe para lhe retirar a tripa inteira. O sangue é guardado no mesmo recipiente onde a lampreia fica a marinar mergulhada em vinho tinto a que se juntam um ramo de salsa, uma folha de louro, um dente de alho, pimenta, colorau, sal e margarina. No dia seguinte, é feito um refogado onde é colocada a lampreia que fica a cozer durante cerca de quinze minutos, cuidando para que não se desfaça. Após o guisado, retira-se a lampreia. Ao caldo junta-se água no triplo do arroz que vai ao tacho e deixa-se ferver durante mais quinze minutos. Finalmente, serve-se numa travessa funda, cobrindo o arroz com a lampreia, golpeada em troços. 

Apetece exclamar, como o fez o poeta Afonso Lopes Vieira: - Ó lampreia divina!

Confeção lampreia

LAMPREIA À BORDALESA

- Para 6 a 8 pessoas

1 lampreia; 2 cebolas; 2 cenouras; 2 colheres de sopa de banha; 2 colheres de sopa de azeite; 2 dentes de alho; 1 ramo de salsa; 1 folha de louro; 2 dl de vinho tinto; sal; pimenta.

Para o arroz: 600 g de arroz, 1 cebola, 3 colheres de sopa de azeite; salsa; 1 folha de louro; sal; pimenta.

Corta-se a lampreia em pedaços regulares que se colocam numa caçarola com a banha, o azeite, as cenouras e as cebolas cortadas às rodelas grossas, os dentes de alho, a salsa e o louro. Tempera-se com sal e pimenta e leva-se a estufar sobre lume forte.

Quando a lampreia estiver cozida, rega-se com o vinho tinto que, entretanto, serviu para conservar líquido o sangue que escorreu da lampreia enquanto se arranjou e cortou. Deixa-se ferver aproximadamente durante mais 5 minutos.

Preparação do arroz: começa-se por fazer um estrugido com a cebola, o azeite, a salsa e o louro. Depois, rega-se com água (três vezes o volume do arroz), tempera-se com sal e pimenta e, assim que o caldo levantar fervura, adiciona-se o arroz e um pouco do molho da lampreia estufada.

Serve-se a lampreia com o arroz ou sobre fatias de pão frito, sendo neste caso o arroz servido à parte.

Arroz de lampreia

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PESQUEIRAS DO RIO MINHO: APANHA DA LAMPREIA ABRE NO SÁBADO, 15 DE FEVEREIRO

A distinção destas estruturas seculares como Património de Interesse Nacional, processo encabeçado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, encontra-se em fase de ultimação.

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A pesca da lampreia na zona das pesqueiras, construções de pedra nas margens do rio Minho, inicia-se no dia 15 de fevereiro, prolongando-se até 21 de maio. Neste período, centenas de pescadores entre Lapela, em Monção, e o concelho de Melgaço, vão “atirar-se” ao rio para a apanha deste afamado ciclóstomo.

Por força do Regulamento de Pesca no Troço Internacional do Rio Minho, o uso do colete de salvação é obrigatório. Uma medida aprovada pela Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha que visa transmitir mais segurança e proteção aos pescadores.

Mais batidas e esguias, as lampreias apanhadas com utilização das redes colocadas nas pesqueiras são, regra geral, mais rígidas e saborosas. Tal deve-se à perda de gordura na exaustiva “viagem” entre a foz do rio Minho e a zona das pesqueiras.

Desde 15 de janeiro até 15 de abril, decorre a iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”, partilhada pelos seis concelhos do Vale do Minho. No caso de Monção, participam 17 restaurantes localizados no centro histórico da localidade e em várias freguesias do concelho.

Nos dias 29 de fevereiro e 1 de março, o Município de Monção, em colaboração com várias entidades, promove o fim-de-semana gastronómico dedicado à Lampreia do Rio Minho. O objetivo é divulgar este prato singular com tradição no concelho e dinamizar o setor hoteleiro em época baixa.

Pesqueiras do Rio Minho

As pesqueiras do Rio Minho, habilidosos sistemas de muros em pedra construídos a partir das margens, constituem um legado histórico de construções populares que testemunham a destreza, o engenho e a arte da pesca fluvial artesanal.

Hoje, como ontem, os seus proprietários ou arrendatários utilizam-nas, frequentemente, na captura do peixe do rio Minho através de engenhosas armadilhas como o botirão e cabaceira. Uma atividade com centenas de seguidores que ajuda a preservar esta arte de pesca milenar.

As primeiras referências escritas às pesqueiras do Rio Minho datam do século XI, aparecendo em documentos relativos às doações a mosteiros da Ribeira do Minho, sendo possível, a partir daqui, traçar o rumo da sua evolução, quer ao nível da propriedade e gestão, quer ao nível do processo de construção.

Dados recentes da Capitania de Caminha, referem que estão registadas 656 pesqueiras na margem portuguesa, das quais 161 estão licenciadas para a pesca. A distinção destas estruturas seculares como Património de Interesse Nacional, processo encabeçado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, encontra-se em fase de ultimação.

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AQUAMUSEU DO RIO MINHO RECONHECIDO COMO PARCEIRO DA CARTA EUROPEIA DE TURISMO SUSTENTÁVEL

A CIM do Alto Minho promoveu, a 13 de dezembro, o reconhecimento dos primeiros 11 representantes do setor do turismo que, ao longo de 2019, trabalharam em prol da implementação da metodologia para adesão à II Fase da Carta Europeia de Turismo Sustentável - CETS, no âmbito de uma experiência piloto promovida no Território CETS do Alto Minho. O Aquamuseu do rio Minho é uma das entidades distinguidas na vertente das Áreas Protegidas e/ou Classificadas.

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As entidades/empresas “Parceiras da CETS" cumpriram um conjunto de requisitos básicos de acesso e elaboraram um Programa de Atividades a três anos (2020-2022), no qual assumem um conjunto de compromissos para melhorar o desempenho da sua atividade em termos ambientais, sociais e económicos, contribuindo para a sustentabilidade do Alto Minho enquanto destino turístico.

As 11 entidades/empresas reconhecidas trabalharam em conjunto na implementação da metodologia de adesão à II Fase da CETS, sendo que alguns dos compromissos assumidos têm um caráter transversal, o que potenciará o impacto que as mesmas terão no Território CETS do Alto Minho enquanto destino turístico.

ATLETAS CERVEIRENSES INCENTIVAM "A CORRER" CONTRA A POLUIÇÃO DO RIO MINHO

O Cerveira Team Running dinamizou, este domingo, 29 de dezembro, mais uma ação de limpeza das margens do Rio Minho. Com a adesão de cerca de 30 pessoas, entre as quais várias crianças e jovens, a iniciativa resultou na recolha de dezenas de quilos de resíduos poluentes, nomeadamente plásticos e equipamentos de grandes dimensões, entre o Cais do Ligo, em Gondarém, e a Ponte da Amizade, em Lovelhe. Objetivo é promover mais atividades e envolver um maior número de população.

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“Não somos uma associação de cariz ambientalista, mas somos uma equipa de atletas que se preocupa com o meio ambiente e com a sua preservação. Com a mais recente cheia no Rio Minho ficamos alarmados com a enorme quantidade de resíduos que ficaram alojados nas suas margens e decidimos por mãos à obra e fazer a sua total remoção”, sublinha José Gomes, um dos membros fundadores da associação cerveirense.

À limpeza propriamente dita, o Cerveira Team Running pretende sensibilizar e consciencializar as pessoas para o impacto das alterações climáticas no presente e no futuro, alertando para o papel que cada cidadão pode desempenhar na alteração de certos comportamentos abusivos do meio ambiente. Nesse sentido, em 2020 vai ser realizadas mais ações de limpeza, com datas atempadamente divulgadas. “Temos a consciência de que ainda há muito para fazer. Cabe a todos nós enquanto sociedade fazer este trabalho, primeiro de recolha e seguidamente de sensibilização ambiental para a devida utilização e destino dos resíduos”, assegurou o atleta.

O sucesso desta ação resulta da forte adesão das pessoas, mas também do apoio logístico da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, da Junta de freguesia de Loivo, da União de Freguesias Cerveira e Lovelhe e de alguns comerciantes locais.

A paixão pelas belas paisagens naturais que Vila Nova de Cerveira oferece e o entusiasmo pelo trail levou um grupo de cerveirenses a constituir o Cerveira Team Trail – Clube Celtas do Minho, em novembro de 2016. 

São já cerca de 50 ‘trail runners’ que, além da força e vontade de superar desafios pessoais, têm como grande objetivo a promoção de Vila Nova de Ceveira pelo desporto e contacto com a natureza, estimulando o desenvolvimento de práticas de vida saudáveis e dinamizando a partilha de experiências desportivas. Com o slogan ‘razões que nos fazem correr’, a equipa tem participado em várias as provas do Norte e Centro do país, subindo por diversas vezes ao pódio.

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AGRUPAMENTO EUROPEU DE COOPERAÇÃO TERRITORIAL DO RIO MINHO (AECT) APROVA PLANO E ORÇAMENTO PARA 2020

AECT Rio Minho aprova plano de atividades e orçamento para 2020

A Assembleia Geral do AECT Rio Minho reuniu, esta segunda-feira, em Valença, tendo como objetivo a aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para o próximo ano, com investimento global de cerca de 300.000 euros, em parte cofinanciado pelo Programa Interreg V A.

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Em 2020, o AECT Rio Minho vai reforçar o trabalho em rede com as dinâmicas locais de cooperação transfronteiriça das Eurocidades do Rio Minho, através do arranque do projeto “Rede de Apoio às Dinâmicas Locais de Cooperação do Rio Minho Transfronteiriço”_Red_LaB_Minho, e na implementação do projeto Estratégia de Cooperação Inteligente do Rio Minho Transfronteiriço_Smart_Miño, ambos cofinanciados pelo Programa Interreg V A , com destaque neste último para a implementação de projetos piloto de mobilidade suave, no âmbito do Plano de Mobilidade Suave Transfronteiriça, de ações de promoção do património cultural imaterial transfronteiriço e para a dinamização de fóruns culturais com o objetivo de reforçar a coesão dos agentes culturais locais transfronteiriços, na perspetiva da montagem de parcerias para a implementação de projetos culturais em rede.

A identificação de obstáculos à mobilidade transfronteiriça no território do Rio Minho e desenho de propostas de soluções serão também prioridades a ter em conta neste exercício procurando, por um lado, capitalizar os projetos transitados da Uniminho (saúde, transportes e ambiente), e, por outro lado, continuar a participar na iniciativa B-Solutions – Boosting Growth and Cohesion in EU Border Regions - , promovida pela Comissão Europeia e pela Associação de Regiões Fronteiriças da Europa. 

Também no âmbito do projeto “Preservação e valorização do Rio Minho Transfronteiriço”, Visit_Rio_Minho, co-financiado pelo Programa Interreg V A, serão implementadas ações relacionadas com a estruturação e promoção da Marca Rio Minho, designadamente a participação em feiras e a organização de press trips ao território transfronteiriço.

Durante a reunião, a Assembleia Geral do AECT Rio Minho aprovou ainda a submissão de candidaturas do processo das “As Artes da Pesca nas Pesqueiras do Rio Minho” (prosseguindo com o trabalho iniciado pela CIM Alto Minho, também no âmbito do projeto Smart_Miño, co-financiado pelo Programa Interreg V A), a registo no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em Portugal, e às Listas Nacionais de Património Cultural, em Espanha.

O AECT Rio Minho - Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho - é uma pessoa coletiva de direito público, constituída em fevereiro de 2018 pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e pela Deputación Provincial de Pontevedra, com vista a promover a cooperação territorial transfronteiriça.

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MINHO: UM RIO QUE UNE CADA VEZ MAIS

Projeto “Rio Minho: Um Destino Navegável”, apresentado hoje em Monção, vai contribuir para a valorização turística dos quatro municípios, ajudando a cimentar, ainda mais, o relacionamento entre os municípios de Monção, Salvaterra, Valença e Tui.

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Monção e Valença, nesta margem, Salvaterra e Tui, na outra margem. Durante séculos, estiveram de costas voltadas. Nos tempos do contrabando, criaram-se cumplicidades comerciais e amizades inquebráveis. Com a abertura da fronteira, iniciou-se um tímido e desejado desenvolvimento conjunto.

Construíram-se pontes, surgiram negócios conjuntos, potenciaram-se atividades comuns e incrementou-se a mobilidade profissional entre os dois lados.  O novo relacionamento económico, cultural e social levou à constituição de duas Eurocidades, fortalecendo a união e intercâmbio entre ambos os povos.

Uma realidade conhecida por todas as pessoas que habitam neste espaço geográfico transfronteiriço, bem como pelo tecido empresarial dos quatro municípios ribeirinhos que encontram neste território banhado pelo rio Minho o seu habitat económico natural.

Esta constatação, evidente aos olhos de todos, será reforçada nos próximos anos com o projeto conjunto “Rio Minho: Um Destino Navegável”. Apresentado esta manhã no Museu do Alvarinho, em Monção, contou com a presença dos representantes dos municípios e das três entidades envolvidas: Porto e Norte de Portugal, Dirección Xeral do Patrimonio Natural da Xunta de Galicia, e Axencia de Turismo de Galicia.

Inserido no programa INTERREG V–A España – Portugal (POCTEP) 2014-2020, o projeto implica um investimento de 1.1 ME (75% Feder e 25% comparticipação dos parceiros), resultando na efetivação de um conjunto de medidas e atividades focadas na atratividade e sustentabilidade do rio Minho.

Quais são? Por um lado, melhoria da navegabilidade do rio Minho, passeios turísticos em barco, percursos pedestres pelas margens e pesqueiras, visitas programadas às fortalezas, centros históricos, adegas de vinho Alvarinho, e equipamentos culturais.

Por outro, criação de pequenos cais flutuantes nos municípios e centro de interpretação ambiental na ilha de Fillaboa, em Salvaterra. Previsto ainda a realização de ateliês e conferências relacionadas com o rio (passado, presente e futuro) e incentivo à prática de desportos fluviais (kayak, canoagem, stand up paddle…).

Para o autarca monçanense, o projeto “Rio Minho: Um Destino Navegável” garante o reforço de relacionamento entre os parceiros, já bastante positivo, e permite alargar a oferta turística, cultural e patrimonial dos quatro municípios banhados pelo rio Minho.

António Barbosa adiantou que “as vantagens do projeto são grandes quer numa perspetiva de valorização ambiental do rio Minho quer no que respeita à mediatização do território e rentabilização económica dos agentes turísticos, hotelaria e restauração”.

Ciente que o projeto proporcionará um conjunto de experiências e descobertas aos visitantes do território, António Barbosa, acredita que o projeto contribuirá para fazer desta região um espaço privilegiado para a passagem de momentos agradáveis tanto em contexto familiar como em grupos de amigos.

“Rio Minho: Um Destino Navegável” deverá estar no terreno no próximo verão, ajudando a cimentar o conceito “Visit Rio Minho” através do reforço do posicionamento da região no mercado nacional e internacional, assegurando, com isso, uma vantagem competitiva em relação a outros destinos.

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RIO MINHO DEVE TER INTERVENÇÃO TERRITORIAL INTEGRADA

“O Rio Minho Transfronteiriço preenche todos os requisitos para ter uma ITI. Haja vontade política dos Estados-Membros”

O Vice-diretor do AECT Rio Minho e Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira não tem dúvidas de que o território do rio Minho Transfronteiriço deve ser encarado como “um espaço piloto entre Portugal e Espanha para a implementação de um modelo inovador para a aplicação de políticas de desenvolvimento territorial, ou seja, uma Intervenção Territorial Integrada (ITI)”. A convicção foi manifestada, esta segunda-feira, durante as jornadas de trabalho em torno do futuro financiamento da “Estratégia Rio Minho Transfronteiriço 2030” que reuniu, em Tomiño, especialistas estatais, regionais e representantes de todas as entidades locais do território.

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Organizado pela Deputación de Pontevedra e pelo Grupo Ante da Universidade de Compostela, o encontro de dois dias serviu para conhecer e debater a Intervenção Territorial Integrada (ITI), um inovador instrumento impulsionado pela Comissão Europeia durante o período 2014-2020 que, para os autarcas do Vale do Minho Transfronteiriço, poderá ser a chave de financiamento da estratégia comum futura.

Segundo Fernando Nogueira, a constituição do AECT - Rio Minho (CIM Alto Minho e Deputación de Pontevedra), em fevereiro de 2018, e o posterior trabalho no desenvolvimento de uma estratégia sustentada, dota este território de todas as condições para uma efetiva aplicação da figura de uma ITI transfronteiriça, na lógica da Política de Coesão da UE e prevista no Plano Nacional de Coesão Territorial aprovado pelo Governo Português.

Apresentado como “um modelo inovador para a aplicação de políticas de desenvolvimento territorial transfronteiriço que introduzem comprovadamente maiores níveis de eficiência e eficácia na aplicação de fundos comunitários”, o Rio Minho Transfronteiriço apresenta todos os requisitos necessários: “temos um território de intervenção adequado, uma estratégia de desenvolvimento participada, um instrumento de governança robusto (AECT Rio Minho), uma vasta experiência na gestão de projetos apoiados pelos fundos comunitários e, acima de tudo, existe vontade política. Essa mesma vontade a tenham os Estados-membros, Portugal e Espanha”, disse o autarca cerveirense.

O diretor do AECT, Uxío Benítez, sublinhou que “a implementação de uma ITI conta ainda com a existência de um documento estratégico e de um percurso delineado até 2030”, pelo que a criação deste mecanismo para o território transfronteiriço durante o próximo marco comunitário dos Fundos Europeus “encaixa perfeitamente com o projeto do AECT Rio Minho”.

Um dos casos mais significativos apresentados durante a jornada foi o do ITI italoesloveno de Gorizia/Nova Gorica/ Sempeter-Vrtojba, o único caso de uma ITI transfronteiriça na Europa que, segundo explicou a sua representante, Tanja Curto, tem muitas semelhanças com o caso do Rio Minho Transfronteiriço pelas suas características similares.

Também está a participar neste encontro o expert em financiamento europeu e consultor para a Dirección Xeral de Política Rexional e Urbana da Comissão Europeia (DG Regio), Jonatan Paton, o subdirector adjunto de Cooperación Territorial do Goberno español, Moisés Blanco Maceira ademais de especialistas universitários em diferentes matérias.

As jornadas continuaram durante a manhã desta terça-feira, com uma reunião de todos os representantes das eurocidades da fronteira ibérica para o intercâmbio de experiências e boas práticas, na qual participaram entre outros a alcaldesa de Ayamonte, Natalia Santos (Eurocidade do Guadiana); o regedor de Badajoz, Francisco Javier Fragoso (Eurocidade de Badajoz – Elvas); o alcalde de Tui, Enrique Cabaleiro (Eurocidade Valença-Tui); a alcaldesa de Tomiño, Sandra González (Eurocidade Cerveira-Tomiño), o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Monção, João Oliveira e o secretário executivo da Eurocidade Chaves-Verín, Pablo Rivera Búa.

AECT Rio Minho, 19 novembro 2019

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