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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: BARRA E PORTO DO RIO LIMA EM 1886

PORTUGAL. Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos

Plano hydrographico da barra e porto do rio Lima e costa adjacente : Costa Oeste de Portugal : Oceano Atlântico Norte / levantado em 1865 sob a direcção do Cons[elheir]o F. Folque ; pelo Engenheito Hydrographo D. Carlos de Vasconcellos e Noronha ; coadjuvado pelo Tenente do Exercito, A. G. T. Ferreira ; P. Rebello, B. Mesquita, Samora, J. Mesquita e Martins gr[avaram]. - Escala 1:5000. - [Lisboa] : Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos, 1886. - 1 mapa : litografia, p&b ; 76,00x115,50 cm, em folha de 94,00x124,50 cm

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal

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BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO SOBRE DESCARGAS ILEGAIS NO RIO LIMA

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda teve conhecimento de descargas poluentes no rio Lima, junto à Avenida dos Plátanos, em Ponte de Lima.

As denúncias recebidas por este Grupo Parlamentar foram acompanhadas por fotografias a que se pode ter acesso neste link -  https://photos.google.com/share/AF1QipMIATbX9NBvD8S6plPX4ib_1EeN4O2xqAoSb1gFm3xiJ2EhgvR0lWdd-YAi1m9Mvg?key=LVNiRkViNjNvMlF3LUljNXpIN29NcWpQOUJkNndR - tiradas a 25 de agosto de 2020 e que não deixam quaisquer dúvidas sobre o estado do rio.

Segundo o Movimento para a Defesa do Rio Lima (MOLIMA), as descargas nesta zona do rio são recorrentes, o que levou este movimento a apresentar queixas nas entidades competentes. A MOLIMA reitera que “estamos perante um crime de saúde pública em virtude de não haver nenhum aviso a informar da má qualidade das águas, para os praticantes de canoagem do Clube Náutico de Ponte de Lima e dos utentes de uma praia ad-hoc existente na margem direita, a jusante da Ponte N. Srª. da Guia”.

O Bloco de Esquerda considera urgente a ação de inspeção sobre o acontecido e uma punição exemplar para os responsáveis por este atentado. Para além desta atitude reativa, é necessário, igualmente, garantir uma fiscalização apropriada para que estas descargas não se repitam. Entendemos igualmente que a existência de uma zona de lazer junto ao rio e um clube náutico levanta a necessidade de monitorizar a qualidade da água do rio de forma mais consequente, para assegurar que não existe qualquer perigo para a saúde pública. 

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, através da deputada Maria Manuel Rola e do deputado José Maria Cardoso questionou o Governo se tem conhecimento da situação descrita e que medidas vai adotar para solucionar o problema.

Os deputados pretendem saber que  medidas vai o Ministério do Ambiente e da Ação Climática assumir, eventualmente em articulação com o Município de Ponte de Lima, para por cobro às descargas poluidoras e garantir a boa qualidade do rio Lima.

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O RIO LIMA E A VISÃO MÍTICA DO HADES

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  • Crónica de Carlos Gomes

Quando no ano 163 Antes de Cristo, as legiões romanas comandadas por Decimus Julius Brutus chegaram à margem esquerda do rio Lima, elas temeram atravessá-lo por acreditarem tratar-se do mítico rio do esquecimento e, ao transporem-no, esquecerem-se para sempre da sua pátria e de si mesmos. Tal superstição foi desfeita quando o tribuno romano atravessou o rio e, da outra margem, chamou todos os seus soldados pelo seu próprio nome.

PONTE DE LIMA RECONSTRÓI AÇUDE DO RIO LIMA - BLOGUE DO MINHO

O sítio escolhido pelas legiões romanas para atravessar o rio Lima foi naturalmente aquele que entretanto entenderam por mais adequado para construírem a ponte que liga as duas margens, um troço da qual veio a ser reconstruído ao tempo do rei D. Pedro I em virtude de ter sido derrubado pelas fortes correntes.

Foi também o local onde mais tarde veio a nascer a vila de Ponte de Lima – no sítio exacto onde a ponte que servia a estrada militar via XIX que constava do Itinerário de Antonino e que ligava Bracara Augusta (Braga a Astúrica Augusta (Astorga), passando por Lugo e Tui, se cruza com o rio como duas importantes vias de comunicação à época! – e em relação ao qual os romanos baptizaram por Lethes, numa clara alusão ao mítico Lethes, um dos cinco rios que na mitologia grega banhava o Hades, representando a passagem da vida para a morte através de uma barca conduzida por Caronte.

A travessia era paga e, a comprová-lo, as moedas encontradas em muitas sepulturas romanas, colocadas na boca do defunto para garantir o seu pagamento.

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Interpretação do século XIX da travessia do rio Lethes por Caronte, por Alexander Litovchenko.

 

Segundo a mitologia grega, o rio Lethes era um dos cinco rios que banhava o Hades. A passagem da vida para a morte constituía a travessia feita do rio Lethes – o rio do esquecimento – através de uma barca conduzida por Caronte. Foi aliás, baseado nesta crença que Gil Vicente escreveu os seus autos, mormente o Auto da Barca do Inferno.

Também Dante, na Divina Comédia, na segunda parte da obra dedicada ao Purgatório, descreve o Lethes como um rio de cujas águas os pecadores tinham de beber para apagarem da memória os seus pecados cometidos e, desse modo, entrarem no Paraíso.

Porém, uma das mais conhecidas descrições do Hades e, consequentemente do rio Lethes constitui a versão apresentada pelo poeta épico Homero na Ilíada e na Odisseia.

Como é sabido, os romanos assimilaram a cultura dos gregos, atribuindo novas denominações às suas divindades. Na Grécia antiga, Lethes significava literalmente “esquecimento”, constituindo um dos cinco rios que banhavam o Hades. Os demais eram o Aqueronte (rio da dor), Cocito (lamento), Flegetonte (fogo) e Estige (invulnerabilidade), os quais faziam a fronteira entre os mundos superiores e inferiores. Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algea, Limos, Horcos e Ponos.

A origem etimológica da palavra Inferno provém do latim infernum ou inferus e que significa literalmente “profundezas”, “lugares baixos”, aludindo a um local de sepultura. O equivalente ao termo hebraico sheol, não existindo nela qualquer indicação de local de fogo e tormento a que os maus estavam condenados. Aliás, tal ideia só veio a ser concebida por associação com a Geena – o vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém – que era usado como lixeira e onde também eram lançados os cadáveres de pessoas consideradas indignas, sendo utilizado o enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. De resto, o termo Geena ocorre doze vezes nas Escrituras Sagradas, tendo Jesus usado o vale de Hinom para representar a destruição eterna.

Em Lucas (12:5), o evangelista refere-se à Geena com as seguintes palavras: “Mas, eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo temei a Este”. E assim surgiu o Inferno como um local de padecimento!

Para trás ficou – qual rio do Esquecimento! – a crença no mítico rio Lethes que, séculos após a chegada das legiões romanas, passou a ser local de atravessamento de milhares de peregrinos, através da ponte que os romanos ali ergueram, com destino a Compostela para ali venerarem o apóstolo São Tiago Maior que, depois de ter andado pelo Minho – Braga, Guimarães e Rates – a tentar converter os pagãos, veio mais tarde segundo a tradição cristã a ser sepultado no local onde entretanto foi erguida a monumental catedral na Galiza.

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António Feijó

 

Também designado de Belion e pelo historiador e geógrafo grego Estrabão identificado como o mítico Lethes, o rio Lima continua a ser cantado pelos poetas, tendo em António Feijó porventura um dos seus maiores bardos:

 

Nasci á beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo crystal;

D'ahi a angustia que me victima,

D'ahi deriva todo o meu mal.

 

É que nas terras que tenho visto,

por toda a parte por onde andei,

Nunca achei nada mais imprevisto,

Terra mais linda nunca encontrei.

 

São águas claras sempre cantando,

Verdes colinas, alvôr d'areia,

Brancas ermidas, fontes chorando

Na tremulina da lua - cheia...

JORNAL INGLÊS “THE TELEGRAPH” DESTACA O MINHO NA SUA EDIÇÃO DO ...

BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO ACERCA DA CONTAMINAÇÃO DO RIO LIMA NA GALIZA

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a contaminação do Rio Lima na Albufeira galega As Conchas.

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Nos últimos anos, inúmeros meios de comunicação do Estado espanhol têm noticiado a alarmante contaminação da albufeira galega As Conchas, situada a menos de 20 quilómetros da fronteira portuguesa do Lindoso que atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A albufeira As Conchas – constituída por massas de água provenientes do rio Lima e seus afluentes – apresenta níveis elevados de contaminação por nitratos responsáveis pela eutrofização e frequentes blooms de cianobactérias e toxinas nas águas da albufeira.

De acordo com um estudo da Sociedade Galega de História Natural, que recorre a dados do Centro Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) do Estado espanhol, a contaminação da albufeira por nitratos provém das mais de 400 explorações pecuárias de suínos existentes na comarca galega de A Limia.

Considerando que 67 dos 108 quilómetros do rio Lima se situam em território português – e que uma boa parte destes atravessam o Parque Nacional da Peneda-Gerês –, é com grande preocupação que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda acompanha esta situação de possível exportação de contaminantes para a mais importante área protegida do nosso território, bem como para zonas a jusante desta. A exportação de contaminantes através do rio Lima pode originar graves problemas ambientais e de saúde pública no nosso território.

Ora, o rio Lima, tal como os rios Minho, Douro, Tejo e Guadiana, é um rio transfronteiriço cuja bacia hidrográfica é abrangida pela Convenção sobre Cooperação para a Proteção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas – o convénio ratificado por Portugal e pelo Estado espanhol comummente conhecido por Convenção de Albufeira.

Como disposto no n.º 1 do artigo 10.º da Convenção de Albufeira, “as Partes adoptam, individual ou conjuntamente, as medidas técnicas, jurídicas, administrativas ou outras necessárias” para, entre outros, “alcançar o bom estado das águas”, “prevenir a degradação das águas e controlar a poluição”, e “prevenir, eliminar, mitigar ou controlar os efeitos dos incidentes de poluição acidental.” Neste sentido, a Convenção de Albufeira assegura, ao abrigo da Diretiva Quadro da Água (Diretiva 2000/60/CE), a coordenação das medidas previstas nos planos de gestão das regiões hidrográficas internacionais do território comunitário, como é o caso da região hidrográfico na qual se insere o rio Lima

Questionamos o  Governo se tem conhecimento da situação aqui exposta. Se o Governo contactou as autoridades galegas no sentido de prevenir os efeitos da contaminação em território português.

Existem situações confirmadas de contaminação das águas e margens do rio Lima no Parque Nacional da Peneda-Gerês, bem como a jusante da área protegida

E se em caso afirmativo, que medidas tomou o Governo para mitigar e eliminar a contaminação.

Por último, se o Governo considera aplicar medidas previstas no Plano de Gestão de Região Hidrográfica do Minho e Lima, em coordenação com o Estado espanhol, como previsto na Convenção de Albufeira? Em caso afirmativo, que medidas prevê o Governo aplicar e em que datas?

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LAMPREIA NÃO É PEIXE – É CICLÓSTOMO!

Lampreia é uma das mais requintadas iguarias da cozinha tradicional minhota

É frequente a alusão à lampreia como tratando-se de um peixe e à sua captura como pesca. Na realidade, ao contrário dos peixes, a lampreia não respira através de guelras e não possuem escamas pelo que cientificamente não se inscrevem naquele grupo zoológico. A lampreia é um ciclóstomo com aspecto de enguia, sem maxilas, apresentando a boca em forma de ventosa circular com o diâmetro do corpo que actua como bomba de sucção.

A lampreia marinha reproduz-se nos rios onde vão desovar, gerando cada fêmea milhares de pequenos ovos que são depositados no fundo dos rios. A lampreia encontra-se sobretudo em águas temperadas, sendo no nosso país os rios Minho, Lima e Cávado os habitats onde estas espécies mais se desenvolvem e são capturados os exemplares mais apreciados da nossa gastronomia tradicional. De resto, é comercializada a preços bastante elevados e servida como uma iguaria requintada à mesa dos melhores restaurantes.

Trata-se de uma especialidade sazonal, servida desde os finais de Janeiro até meados de Abril, o que também contribui para o seu encarecimento, sendo geralmente confeccionada como Arroz de Lampreia ao jeito de cabidela e ainda à Bordalesa ou seja, guisada com acompanhamento de arroz, podendo ainda ser assada no espeto ou cozinhada em molho de escabeche, portanto temperada em vinagre como era uso dos romanos e cujo costume se tornou muito popular sobretudo no Algarve.

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“Ó lampreia divina, ó divino arroz,

Comidos noite velha, em casa do Julião!

Sem ter ceias assim o que há-de ser de nós? Sofre meu paladar! Chora meu coração!”

Afonso Lopes Vieira

Reza a História que, ao tempo do Condado Portucalense, D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, concedeu em 1125 ao Arcebispado de Tui o privilégio de tomar como suas as lampreias que apresassem no rio Minho, a montante da Torre da Lapela, a fim de abastecer os mosteiros e conventos por ocasião dos jejuns quaresmais. Mais recentemente, foi nas estantes da Biblioteca de Nápoles encontrado uma obra-prima da culinária portuguesa, remontando ao século XVI, com o título “Livro de Cozinha da Infanta D. Maria”. Com efeito, são inúmeras as referências históricas a tão afamada especialidade da nossa cozinha tradicional. 

Dentro de pouco tempo, a lampreia subirá os rios Minho, Lima e Cávado para desovar, depositando sob as rochas ou em pequenos ninhos escavados no leito milhares de minúsculos ovos que garantirão a sobrevivência da espécie. E morrem. Após a desova, as larvas permanecem no rio até que, por meio de metamorfose se tornam adultas. Nessa altura, migram para o mar onde permanecem até atingirem a sua maturação sexual. 

A lampreia é um ciclóstomo muito procurado por conceituados gastrónomos e outros apreciadores da nossa culinária. Ela faz os requintes das melhores mesas das mais afamadas unidades hoteleiras, atraindo numeroso público a localidades do nosso país que mantêm a tradição da sua confecção esmerada e o requinte de bem servir. No Minho, a lampreia dos rios Cávado, Lima e Minho constituem o ex-líbris da gastronomia local a promover o desenvolvimento económico daquela região. Não admira, pois, o relevo que lhe é conferido pelas entidades que superintendem a promoção turística e os próprios estabelecimentos de restauração. Mas, também perto de Ourém, o vizinho concelho de Tomar recebe anualmente milhares de visitantes que de longe se deslocam a fim de degustarem um apetitoso e suculento arroz de lampreia regado com os bons vinhos da região. 

A preservação da lampreia nos nossos rios depende também da importância que lhe atribuímos, nomeadamente como parte integrante da nossa alimentação. Ao contrário do que à primeira vista se possa imaginar, não é a pesca mas a poluição das águas e outros atentados ao ambiente que fazem perigar a sua sobrevivência. 

Em virtude do período sazonal da desova, o seu consumo verifica-se geralmente entre Fevereiro e os finais de Abril. A partir daí, a lampreia apenas surge figurada na doçaria da Páscoa sob a forma de “lampreia de ovos”, e evocar as delícias de um prato que apenas pode voltar a ser apreciado no ano seguinte. Não admira, pois, que chegue inicialmente a atingir preços exorbitantes que, no entanto, não constituem razão que baste para desmotivar os melhores apreciadores de tão delicioso pitéu. 

Refastelando-se na sua casa senhorial de Paredes de Coura, Aquilino Ribeiro, na sua obra “A Casa Grande de Romarigães” afirmava: “Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato”. Por seu turno, o poeta e gastrónomo António Manuel Couto Viana, no seu livro “Por horas de comidas e bebidas – crónicas gastronómicas”, dedica um capítulo inteiro à “lampreia divina”, como Afonso Lopes Vieira a designou. Escreveu Couto Viana o seguinte: 

Já a correnteza das águas que jorram da vizinha Espanha se enfeitam com o aparato das estacas e redes, para prenderem, nas suas malhas, noite adiante, o fugidio ciclóstomo, a tentar disfarçar-se aos rés dos seixos do leito; o chupa-pedras tão apreciada por mim, quando de cabidela, afogado no arroz malandrinho, embebido no seu sangue espesso e escuro. 

Também a fisga certeira, atirada, firme, dos altos, se os olhos penetrantes do pescador distinguem bem o vulto ondeante, faz içar a lampreia até às mãos ávidas, e lança-a, depois, para a vastidão de um saco que se quer a abarrotar.

(…)

Soberbo petisco! Com que gula a mastigavam os frades medievos torturados pelos jejuns quaresmais! 

Com que gula a mastigo eu, em mesa que ma apresente opípara no arroz do tacho, em grossos toros aromáticos, ou à bordalesa, ou de escabeche, que nestas três artes se mantém ela tentadora e sápida”. 

Com o talento dos mais consagrados artistas, cozinheiro após pelar a lampreia coloca-a num alguidar deitando sobre ela água a ferver. De seguida, abre-a da cabeça até ao fundo dos buracos e, junto à cauda, desfere-lhe um golpe para lhe retirar a tripa inteira. O sangue é guardado no mesmo recipiente onde a lampreia fica a marinar mergulhada em vinho tinto a que se juntam um ramo de salsa, uma folha de louro, um dente de alho, pimenta, colorau, sal e margarina. No dia seguinte, é feito um refogado onde é colocada a lampreia que fica a cozer durante cerca de quinze minutos, cuidando para que não se desfaça. Após o guisado, retira-se a lampreia. Ao caldo junta-se água no triplo do arroz que vai ao tacho e deixa-se ferver durante mais quinze minutos. Finalmente, serve-se numa travessa funda, cobrindo o arroz com a lampreia, golpeada em troços. 

Apetece exclamar, como o fez o poeta Afonso Lopes Vieira: - Ó lampreia divina!

Confeção lampreia

LAMPREIA À BORDALESA

- Para 6 a 8 pessoas

1 lampreia; 2 cebolas; 2 cenouras; 2 colheres de sopa de banha; 2 colheres de sopa de azeite; 2 dentes de alho; 1 ramo de salsa; 1 folha de louro; 2 dl de vinho tinto; sal; pimenta.

Para o arroz: 600 g de arroz, 1 cebola, 3 colheres de sopa de azeite; salsa; 1 folha de louro; sal; pimenta.

Corta-se a lampreia em pedaços regulares que se colocam numa caçarola com a banha, o azeite, as cenouras e as cebolas cortadas às rodelas grossas, os dentes de alho, a salsa e o louro. Tempera-se com sal e pimenta e leva-se a estufar sobre lume forte.

Quando a lampreia estiver cozida, rega-se com o vinho tinto que, entretanto, serviu para conservar líquido o sangue que escorreu da lampreia enquanto se arranjou e cortou. Deixa-se ferver aproximadamente durante mais 5 minutos.

Preparação do arroz: começa-se por fazer um estrugido com a cebola, o azeite, a salsa e o louro. Depois, rega-se com água (três vezes o volume do arroz), tempera-se com sal e pimenta e, assim que o caldo levantar fervura, adiciona-se o arroz e um pouco do molho da lampreia estufada.

Serve-se a lampreia com o arroz ou sobre fatias de pão frito, sendo neste caso o arroz servido à parte.

Arroz de lampreia

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BLOCO DE ESQUERDA ESTÁ PREOCUPADO COM QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO LIMA

A deputada do Bloco de Esquerda, Maria Manuel Rola esteve reunida com a Molima – Movimento para a defesa do Rio Lima, para se inteirar da qualidade da água do rio Lima e seus afluentes, nomeadamente o Labruja. A reunião versou também a recente privatização da água, em contraciclo com o que tem vindo a ser a proposta de reversão das privatizações que se faz sentir necessária no país.

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A água é um recurso fundamental para a vida humana e uma componente essencial dos ecossistemas naturais. A sua dinâmica de circulação impõe regras de utilização e medidas específicas de salvaguarda e as lógicas utilitaristas do passado não podem mais presidir ao uso dos recursos como anteriormente.

O aumento do consumo de água a nível agrícola e industrial e o exponencial aumento de poluição determina a degradação do estado da água dos rios, lagos, estuários, aquíferos e águas costeiras. Degradação esta associada à redução dos caudais pelo efeito das alterações climáticas e da artificialização dos cursos de água, associada à descarga de esgotos domésticos e industriais e de águas de rega, com fortes cargas poluentes.

Todos estes problemas se sentem particularmente no Rio Lima. E embora se saiba já que é mais barato e simples prevenir do que remediar, o que se tem feito sai caro ao erário público, com ETAR’s que funcionam mal, descargas ilegais e com um alegado colapso da indústria da pedra e intervenções desastrosas na vida corrente do rio Lima, que dificultam a pesca e o artificializam desnecessariamente.

O Bloco de Esquerda está preocupado com a qualidade da água do Rio Lima e seus afluentes, devido às sucessivas descargas no rio Labruja e o mau funcionamento de algumas estações de tratamento. Está também preocupado com as construções em leito de cheia, nomeadamente a ciclovia e o estacionamento na zona do areal. Tem de existir um avanço no sentido da regressão da ocupação humana dos leitos dos rios, e o Lima é um exemplo dessa necessidade.

Preocupa-nos igualmente o aparecimento de lontras (espécie com proteção legal) e alguns peixes mortos no rio Lima junto à Ecovia em Além Ponte. Questionamos o Ministério do Ambiente e Ação Climática sobre o sucedido e fizemos o requerimento do resultado da análise toxicológica. (Pergunta em anexo).  

Lamentamos, que a autarquia não dê a importância devida ao rio e às suas margens, transformando-as em parque de estacionamento e construindo uma ecopista que não passa de uma "aquapista". O Bloco defende que tem de haver um plano de proteção do rio Lima e seus afluentes, identificando todos os focos de poluição, responsabilizando os infratores, proteger todos a fauna e flora e devolver as margens do rio ao lazer. Condenamos igualmente a privatização da água, que trará aumentos para os munícipes de ponte de lima e da região e, como temos vindo a perceber pela experiência em outros locais, pior qualidade de serviço.

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LIMIANOS ABRAÇAM RIO LIMA

Ponte de Lima - X Abraço ao Rio Lima. 1 de outubro – 12 horas

O Município de Ponte de Lima, através do Serviço Área Protegida, está a preparar mais uma edição do Abraço ao Rio Lima.

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Esta iniciativa, comemorativa do Dia Nacional da Água e do Dia Internacional do Idoso, tem como principal objetivo sensibilizar a comunidade Limiana para a salvaguarda e valorização do principal recurso hídrico do concelho, o rio Lima.

A comemorar uma década desta efeméride, o ‘X Abraço ao rio Lima’ será realizado no próximo dia 1 de outubro, conforme programa em anexo, pelas 12h00, com a larga participação das instituições de ensino e de acolhimento a seniores do concelho e, ao abrigo do protocolo estabelecido com a localidade galega onde nasce o rio Lima, dos alunos de Xinzo de Límia.

O Abraço ao rio Lima tem, ainda, a colaboração dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, da Escola Segura (Polícia de Segurança Pública) e do Destacamento Territorial dos Arcos de Valdevez (Guarda Nacional Republicana).

Como habitual também estará presente o Pinchas, a mascote da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d’Arcos, uma figura muito acarinhada pelos mais pequenos.

Abrace connosco este recurso hídrico tão importante: ao sinal sonoro, de mãos dadas e pelas margens do rio com ligação pela Ponte Medieval, façam-se ouvir com palmas e saudações.

- Programa ‘X Abraço ao Rio Lima’

09h30 | Concentração no Pavilhão de Feiras e Exposições de Ponte de Lima.

10h00m | Mostra dos vários Serviços Educativos do Município de Ponte de Lima.

Receção dos participantes e convidados.

Receção das Entidades: Executivo Municipal de Ponte de Lima, Agrupamento de Escolas E.B. 2,3 António Feijó, Agrupamento de Escolas de Arcozelo, Agrupamento de Escolas de Freixo, Agrupamento de Escolas de Ponte de Lima, Representantes das Escolas de Xinzo de Límia (entidades pertencentes ao protocolo de colaboração), bem como todas as Instituições de Ensino inscritas para a iniciativa.

11h30m | Deslocação para as margens do Rio (mediante mapa a fornecer)

12h00 | X Abraço ao rio Lima nas margens do rio

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PONTE DE LIMA APOSTA NO TURISMO NÁUTICO

Maior Barco de Água Arriba Lançado ao Rio Lima em Viagem Inaugural

Uma réplica do tradicional Barco “Água-Arriba” foi lançada na última sexta-feira ao Rio Lima, no concelho de Ponte de Lima.

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Tendo surgido por iniciativa do Município, esta embarcação construída artesanalmente por Manuel Rocha, mais conhecido como Mestre Caninhas, e por Amélio Pereira, mede 15 metros e tem capacidade para 30 pessoas, pesando 200 toneladas, peso que aumenta em mais 200 a 300 quilos, depois de mergulhado na água.

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Construído ao longo de 117 dias/935 horas de trabalho, este é, nas palavras de Victor Mendes, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, “uma réplica fiel dos antigos barcos (…) e seguramente, do ponto de vista da sua dimensão, o maior barco de água-arriba existente atualmente no Rio Lima”.

Para o autarca, este projeto resulta de um “encontro de vontades”, dado o facto de “o Rio Lima ser desde a altura do Foral, a alma de um povo”.

A embarcação com o nome de “Ponte de Lima” pretende potenciar o turismo náutico, componente que “tem uma importância muito grande do ponto de vista da atratividade e da competitividade turística do Concelho”, afirmou o Presidente da Câmara, dando relevo à “função também pedagógica [da embarcação], nomeadamente com as nossas crianças e com as nossas escolas”.

Nas palavras de Victor Mendes, “o Rio Lima é inquestionavelmente um recurso que pode e deve ser rentabilizado a favor da nossa economia, e nomeadamente do desporto e do turismo náutico”. Esta é uma forma de “homenagear as gentes da Ribeira Lima, e dar a conhecer às gerações mais novas, o património local”, concluiu.

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Ambos os construtores, como o autarca limiano, mostraram vontade em encarar o desafio de “proporcionar formação aos cidadãos que manifestem vontade e o desejo de dirigir, de uma foram segura, este tipo de embarcações para que no futuro possam existir mais na paisagem do Rio Lima”.

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PONTE DE LIMA LANÇA BARCO "AGUA-ARRIBA" ÀS ÁGUAS DO RIO LIMA

Após seis décadas de ausência o tradicional barco de água-arriba volta às águas do Rio Lima

Mais de seis décadas após a sua “extinção”, o Água-arriba, o barco histórico que cruzava as margens do Lima, volta à terra e ao Rio que outrora subiu.

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Fruto da iniciativa do Município de Ponte de Lima, este que é o maior barco do género, no Lima, é lançado à água na próxima sexta-feira, 30 de Agosto, pelas 17h30.

O objetivo passa não só pela implementação de um projeto turístico náutico, mas por fins pedagógicos, e de preservação ativa da tradição, património e cultura limiana, já que são escassos os exemplares deste tipo.

Perde-se no tempo a memória da origem desta embarcação, que partia pela Ribeira Lima, rumo às duas feiras mais importantes: Ponte de Lima e Viana. 

Estes que foram dos mais emblemáticos barcos de trabalho do Rio Lima saíam dos ancoradouros na hora da maré, de leme em mão, para que a corrente pudesse ser aproveitada. A vela era usada sempre que o vento o permitia. Mediam entre 12 a 15 metros, e os seus compartimentos eram ocupados por pessoas, animais e mercadorias.

O novo "água-arriba", construído de forma artesanal com técnicas que passaram ao longo de gerações, respeita a tradição dos materiais e ferramentas. Com 15 metros e capacidade para 30 pessoas, este barco histórico volta, na próxima sexta-feira, a navegar nas águas do Rio Lima.

PONTE DE LIMA RECLAMA CONTROLO DA EROSÃO DAS MARGENS DO RIO LIMA

Controlo da Erosão das Margens do Rio Lima – Intervenção de Proteção de Recursos Hídricos

Considerando que a erosão fluvial que se tem registado de forma significativa nas margens do Rio Lima, agravada sobretudo no período de outono /inverno, constitui um fator de agressão e de desequilíbrio determinante para o mau estado de conservação hidromorfológicas do Rio Lima, foi aprovado recentemente uma intervenção de proteção de recursos hídricos.

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A assinatura do auto de consignação da empreitada realizou-se no passado dia 11 de junho, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ponte de Lima, entre a APA - Agência Portuguesa do Ambiente e a empresa Primus Lean – Engenharia & Construção, Lda.

De acordo com a APA, a intervenção vai centrar-se nos troços mais vulneráveis à Erosão hídrica, no sentido de mitigar os riscos e efeitos de cheias e inundações na zona crítica influente. O Vice-Presidente da APA, Eng.º Pimenta Machado, identificou três troços que se consideram mais vulneráveis e que “...terão intervenção prioritária, nomeadamente em Arcozelo, Correlhã e Fontão.”

As intervenções previstas serão direcionadas para o controlo das situações de degradação verificadas na margem direita e esquerda do Rio Lima, por via de ações que envolvem medidas de estabilização das margens. Neste contexto, o Vice-Presidente da APA salientou que “estas ações têm um triplo objetivo, de renaturalização do curso de água; melhoria das condições de escoamento dos caudais do Rio Lima; e proteção das margens contra o efeito erosivo dos caudais escoados”.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima classificou este projeto “como mais um dos vários já realizados no município e que consideramos fundamentais para a preservação do maior ecossistema que atravessa o concelho”.

O autarca ressalvou a intervenção nas margens do Rio Lima pela APA, destacando que “o projeto foi elaborado com base nas principais preocupações e sugestões do Municipio dentro dos parâmetros e dos objetivos definidos pela candidatura da APA”.

Com um prazo de execução de 120 dias, a empreitada implica o investimento de 303. 756,50€, financiado em 85% pelo POSEUR- Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos.

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