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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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REVOLUÇÃO LIBERAL ACONTECEU HÁ 200 ANOS!

Porto. Era ainda madrugada quando, no dia 24 de Agosto de 1820, os militares dirigiram-se para o Campo de Santo Ovídio com o propósito de desencadear uma revolução com vista à implantação de um regime constitucional – o Liberalismo!

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Por detrás da sublevação encontrava-se o Sinédrio, uma associação secreta destinada a preparar a revolução.

Uma vez chegados ao Campo de Santo Ovídio, actual Praça da República, os militares formaram em parada e assistiram à missa. De seguida, uma salva de artilharia anunciou o levantamento militar.

Às 8 horas da manhã, os revolucionários reuniram-se na Câmara Municipal do Porto e proclamaram a “Junta Provisional do Governo Supremo do Reino”. Entre os seus membros, salientamos os vogais João da Cunha Sotto-Mayor, natural de Viana do Castelo e José Maria Xavier de Araújo, de Arcos de Valdevez, ambos em representação da província do Minho. A Universidade teve como representante o pontelimense Frei Francisco de São Luís (Saraiva), vulgo Cardeal Saraiva.

Na altura, a Corte encontrava-se no Brasil para onde partira na sequência das invasões francesas. A Junta revolucionária exigia o seu retorno e a convocação das Cortes com vista à elaboração de uma Constituição política para o país.

A revolução alastrou a outras cidades, nomeadamente a Lisboa, vindo então os governos do Porto e de Lisboa a fundir-se, constituindo a “Junta Provisional do Supremo Governo do Reino”.

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José Maria Xavier de Araújo foi um jurista e magistrado, bacharel em Cânones pela Universidade de Coimbra, membro do Sinédrio. Exerceu as funções de deputado às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa em 1821-1822, eleito pelo círculo do Minho. Foi membro da Maçonaria. Colaborou em diversos periódicos e é autor de umas memórias sobre a Revolução Liberal do Porto de Agosto de 1820.

Nasceu em Arcos de Valdevez em 1786, numa casa da actual rua Cerqueira Gomes. Era filho do Conselheiro de Fazenda e Desembargador Francisco Xavier de Araújo. Faleceu no Porto em 1858.

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Por seu turno, João da Cunha Sotto-Mayor nasceu em Viana do Castelo a 22 de Setembro de 1767 e faleceu em Monção, em 30 de Novembro de 1850. Foi magistrado, membro da Maçonaria, tendo exercido as funções de Grão.Mestre do Grande Oriente Lusitano entre 1821 e 1823.

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 Frei Francisco de São Luís, vulgo Cardeal Saraiva, foi um dos principais vultos do liberalismo e constitui um dos ícones maiores de Ponte de Lima e do Minho. Nasceu em Ponte de Lima em 1766 e faleceu em Lisboa em 1845. Aos catorze anos de idade, ingressou no Mosteiro de São Martinho de Tibães, da ordem beneditina, tendo daí saído anos mais tarde para o Mosteiro de Santo André de Rendufe e, posteriormente, para a Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra.

Filiado na Maçonaria da qual chegou a ser Grão-mestre, adoptou o nome Condorcet, tendo ainda integrado o Sinédrio que foi a organização responsável pela revolução portuense de 1820. Apesar dos seus ideais, não deixou de combater os invasores franceses pelos quais muitos liberais tomaram partido sem receio de que tal atitude configurasse um acto de traição.

Após a revolução, tornou-se um dos membros da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino e, pelas Cortes Constituintes, nomeado membro do Conselho de Regência. Foi ainda Reitor da Universidade de Coimbra, deputado às Cortes e Presidente da Câmara dos Deputados.

Em 1824, resignou ao episcopado e veio a ser desterrado para o Mosteiro da Serra de Ossa, de onde saiu após a chegada das tropas liberais a Lisboa em 1833. Foi feito Patriarca de Lisboa em 1840 e, em 1843, confirmado no título e pelo Papa Gregório XVI elevado ao cargo cardinalício.

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Os restos mortais do Cardeal Saraiva repousam no Panteão dos Cardeais, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

HISTÓRIA: 28 DE MAIO DE 1926, A REVOLUÇÃO NACIONAL COM EPICENTRO EM BRAGA

Passam no próximo dia 28 de maio precisamente 94 anos sobre a data em que um levantamento militar, com epicentro em Braga e liderado pelo Marechal Gomes da Costa, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caracterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

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Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910, e que apostavam agora na regeneração do próprio regime.
Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.
Pesem embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as circunstâncias da crise financeira de 2008 não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

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Neste local esteve instalado o Regimento de Infantaria nº 8. Junto, o Campo da Vinha onde, em 28 de maio de 1926, sob o comando do general Gomes da Costa, se formaram as tropas para marchar sobre Lisboa, dando início à “Revolução Nacional” que instaurou a ditadura militar.


“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.
Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.
A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).
A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.
A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.
A 28 de Maio, uma Sexta-feira, é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.
Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.


No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas, desde o Porto, pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.
Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.
No Domingo, 30 de Maio, o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.
O Governo, em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.
Na Segunda-feira, dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.
Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.
O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

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A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa. (Imagem: Fundação Mário Soares)


No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.
No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.
No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.
A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.
O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.
No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

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Fonte: Área Militar; Imagens: (0) Joshua Benoliel, (1, 3) Blogue do Minho, (2) Fundação Mário Soares
Obs: Este artigo foi previamente publicado em Blogue do Minho tendo sofrido ligeiras adequações na presente edição.

Estátua do General Gomes da Costa na Praça Conde de Agrolongo, em Braga

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O Lar Conde de Agrolongo situa-se no antigo Convento do Salvador

Igreja do Pópulo

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Neste local formaram as forças militares que em 28 de maio de 1926 marcharam em direção a Lisboa para colocar termo à Primeira República

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O FOLCLORE AO SERVIÇO DA REVOLUÇÃO

  • Crónica de Carlos Gomes

Há quarenta e seis anos, ao golpe militar que derrubou o Estado Novo sucedeu um movimento revolucionário que foi acompanhado e estimulado por um novo género musical – a música de intervenção – assim designada por pretender, através da mensagem que continha, intervir politicamente na transformação da sociedade portuguesa. Por outras palavras, um meio de propaganda com vista a promover um processo revolucionário.

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A imagem regista uma actuação em Sesimbra, no ano de 1976. Foto: João Aldeia

 

A utilização da música popular como veículo destinado a passar uma mensagem política não se cingiu aos temas da Beira Baixa interpretados por Zeca Afonso ao ritmo do adufe e ao melodioso cancioneiro do Alto Alentejo trazido por Vitorino Salomé. Também o traje e as danças com a sua coreografia própria foram trazidas a terreiro com manifesta preocupação política.

Nos finais da década de 70 do século passado, eis que um pequeno grupo muito estilizado que dava pelo nome Grupo de Danças Populares “Servir o Povo” , apresentava-se em palco com fatos que só muito vagamente poderíamos associar ao folclore, bem assim as músicas e danças que interpretavam. E, qual desiderato pleno de simbolismo, cruzavam a foice e o martelo apelando desse modo a uma aliança entre os operários e os camponeses – símbolo universal de todos os partidos comunistas – aqui representadas por umas toscas peças em madeira.

Este grupo estava associado ao então Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) e fazia parte do Departamento de Propaganda daquele partido político, o qual integrava ainda o histórico Cine-Clube Universitário de Lisboa (CCUL), a revista Yenan, o Grupo de Teatro "Mundo Novo", o Coro Popular “O Horizonte é Vermelho” que chegou a efectuar várias gravações em disco, um comité de arquitectura e gráficos responsáveis pela produção de cartazes e pinturas murais.

Na actualidade, esta representação pode-nos parecer absolutamente ridícula e caricata. E é realmente! Porém, devemos compreender os fenómenos dentro do seu contexto histórico. Actualmente ocorrem situações no folclore que, a seu tempo, iremos de igual modo encarar da mesma forma ridícula!

25 DE ABRIL: O POVO É AINDA QUEM MAIS ORDENA?

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Lisboa. Praça do Comércio. Em 1980, ainda as comemorações se faziam com a actuação de ranchos folclóricos...

Nesse ano, foram instalados 4 palcos na Praça do Comércio onde actuaram alternadamente grupos folclóricos provinentes de todos os recantos do país... depois desses festejos, o folclore acabou. O povo deixou de ordenar!

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

DISCURSO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE AMARES NAS CERIMÓNIAS DE COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL

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Amarenses

Assinalamos hoje 46 anos da Revolução dos Cravos de 1974.

Nesta manhã de Abril sentimos falta das presenças humanas que habitualmente enchem de vida, de esperança e cor o largo do município.

O silêncio lembra-nos que vivemos um período excecional da nossa democracia.

Este 25 de Abril ficará marcado pela pandemia provocada pelo Covid-19, provavelmente o maior dos desafio coletivos do período democrático, cujas consequências ainda não somos capazes de antecipar.

Neste momento, o nosso concelho, tal como Portugal, a Europa e o Mundo, ve-se confrontado com muitas questões em torno da preservação da vida humana e depara-se com muitas incertezas face ao futuro.

Cada um de nós questiona o sentido da liberdade individual e a capacidade das instituições darem respostas às necessidades emergentes ao nível da saúde, educação e solidariedade social, numa altura em que o tecido económico se confronta com muitas dificuldades e começam a surgir carências muito concretas nas famílias.

Efetivamente, a revolução de Abril de 1974 marca de forma decisiva toda a trajetória do nosso país e nesta fase difícil com que nos confrontamos vale a pena lembrar com particular relevância as conquistas adquiridas ao longo destes 46 anos da democracia.

Neste Abril, celebramos a existência de um Sistema Nacional de Saúde capaz de se organizar para dar respostas a um vírus de escala mundial; celebramos a aquisição de infraestruturas que melhoraram consideravelmente a higiene e condições de habitação; celebramos a existência de forças de segurança que estão ao serviço do povo; celebramos a democratização do ensino que nos permite ter hoje profissionais altamente qualificados; celebramos a capacidade e direito reivindicativo que temos como cidadãos e, celebramos o poder local que hoje é chamado a assumir um papel determinante na defesa das populações.

Caros amarenses,

A história mundial diz-nos que as pandemias são cíclicas e marcaram vários períodos da história da humanidade, mas a verdade é que, provavelmente, nunca estivemos tão bem preparados e organizados em termos científicos, técnicos e humanos como hoje para vencer um desafio desta ordem.

As autarquias, em articulação com as instituições e poder central, têm estado a desenvolver todos os esforços para minimizar os impactos desta crise. A comunidade científica e técnica tem estado a procurar as melhores soluções e respostas. Um pouco por todo o lado na sociedade civil emerge um espírito solidário verdadeiramente impressionante.

Os valores de Abril - a luta pela igualdade, a união de esforços, a coragem, a solidariedade – são mesmo motes fundamentais nos tempos que vivemos.

Todos somos chamados a exercer uma cidadania ativa e responsável no combate a esta pandemia. E é neste espírito que seremos capazes de ultrapassar este desafio.

Um agradecimento profundo pela maturidade cívica e democrática que tem sido demonstrada pelo povo de amares e por tantas pessoas e instituições que têm estado na linha da frente a trabalhar por todos nós.

Seguimos com esperança.

Vamos continuar Abril. Viva Amares. Viva a Democracia.

DISCURSO DO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE AMARES NAS CERIMÓNIAS DE COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL

Estimados Amarenses.

Falo-vos na qualidade de Presidente da Assembleia Municipal de Amares.

Hoje comemoram-se os 46 anos da revolução de Abril.

Todos os anos marcamos esta data com uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal, em paralelo, com diversas atividades culturais e recreativas, envolvendo escolas, associações e a população em geral.

Este ano, em conjunto, a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal, optaram por alterar o seu formato através desta singela e sóbria mensagem, que vos trago.

E também, com dois momentos simbólicos. O Hastear da Bandeira Nacional e a deposição de uma coroa de flores no monumento evocativo aos nossos ex-combatentes falecidos na guerra de ultramar.

Caros Amarenses

Vivemos um momento excecional em que nos interpelam para uma adequação do nosso modo de vida que põe à prova muitos dos valores conquistados em Abril.

Por isso, temos que ser vigilantes e altruístas, porque é imperioso sairmos desta situação fortalecidos, para conseguirmos galgar um caminho difícil, mas não intransponível.

Uma das lições que aprendemos com este vírus é que a Liberdade, conquistada em Abril, é para ser exercida com responsabilidade.

Mais do que nunca, sabemos que o nosso bem-estar depende do bem-estar do próximo, depende do bem-estar do nosso vizinho, da nossa comunidade, do nosso país e do mundo.

Como comunidade, temos sabido interpretar o espírito dessas exigências.

Penso mesmo, que o nosso confinamento profilático é uma das maiores celebrações que podemos dar à revolução de Abril.

Este esforço contínuo que todos fazemos para não cair na tentação de condicionar a liberdade do outro é uma das maiores provas da nossa maturidade democrática, senão, um dos pilares essenciais da nossa Democracia.

Quero endereçar uma saudação especial e sentida para todos aqueles que atravessam dificuldades ao nível da sua saúde ou que tenham perdido um familiar ou amigo próximo.

A todos os trabalhadores que têm estado na linha da frente na batalha para conter o coronavírus. E todos os que continuam a trabalhar para permitir o acesso dos serviços e bens essenciais à população confinada, em particular aos mais vulneráveis.

Sabemos do seu esforço, sacrifício e risco para muitos deles. Um muito obrigado, em nome da Assembleia Municipal.

Uma mensagem de esperança para o futuro, a todos aqueles, que devido às consequências económicas nefastas, advindas por esta pandemia, e estejam com dificuldades: Unidos vamos conseguir superá-las.

As autarquias, certamente, terão um papel muito importante no contributo para as soluções a adotar na resolução dessas dificuldades.

A Assembleia Municipal de Amares, como órgão representativo de todos os Amarenses, dará eco dessas dificuldades e estará na linha de frente, dentro das suas capacidades e competências, empenhada em ser um veículo solidário e um agente atenuante das assimetrias sociais que serão, por certo, maiores após esta crise pandémica.

Desejo a todos a continuação de uma bom dia. Muito obrigado pelo vosso exemplo. Viva Abril.

AMARES COMEMORA 25 DE ABRIL SEM CERIMÓNIAS PRESENCIAIS

Amares: 25 de Abril sempre, mas comemorado sem cerimónias presenciais

Em tempos de isolamento social e estado de emergência, os 46 anos da Revolução dos Cravos foram assinalados, em Amares, através das plataformas digitais e de um pequeno momento evocativo frente aos Paços do Concelho. O Município de Amares e Assembleia Municipal de Amares quiseram dar exemplo de boas práticas em tempos de pandemia, sem esquecer a comemoração do 25 de abril, data que derrubou  regime ditatorial do Estado Novo.

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O Hastear da Bandeira Nacional e a deposição de uma coroa de flores junto ao monumento evocativo aos ex-combatentes falecidos na guerra do Ultramar, além dos discursos do Presidente da Câmara Municipal de Amares, Manuel Moreira, e da Assembleia Municipal, João Januário, partilhado num vídeo através do Facebook da Autarquia foram alguns dos momentos simbólicos que não deixaram passar em branco a efeméride.

“Nesta manhã de Abril sentimos falta das presenças humanas que habitualmente enchem de vida, de esperança e cor o largo do município. O silêncio lembra-nos que vivemos um período excecional da nossa democracia”, começou por referir Manuel Moreira, Presidente do Município Amarense. Para o autarca, este 25 de Abril ficará marcado pela pandemia provocada pelo Covid-19, “provavelmente o maior dos desafio coletivos do período democrático, cujas consequências ainda não somos capazes de antecipar”, referiu.

Lembrando que, todos os anos, esta data com uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal, em paralelo, com diversas atividades culturais e recreativas, envolvendo escolas, associações e a população em geral, o Presidente da Assembleia Municipal de Amares, João Januário explicou que, em conjunto, a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal, “optaram por alterar o seu formato”.

Para Manuel Moreira Abril é tempo de celebrar conquistas

“Neste Abril, celebramos a existência de um Sistema Nacional de Saúde capaz de se organizar para dar respostas a um vírus de escala mundial; celebramos a aquisição de infraestruturas que melhoraram consideravelmente a higiene e condições de habitação; celebramos a existência de forças de segurança que estão ao serviço do povo; celebramos a democratização do ensino que nos permite ter hoje profissionais altamente qualificados; celebramos a capacidade e direito reivindicativo que temos como cidadãos e, celebramos o poder local que hoje é chamado a assumir um papel determinante na defesa das populações”, destacou o autarca de Amares.

Liberdade de Abril é para ser exercida com “responsabilidade”

“Vivemos um momento excecional em que nos interpelam para uma adequação do nosso modo de vida que põe à prova muitos dos valores conquistados em Abril. Por isso, temos que ser vigilantes e altruístas, porque é imperioso sairmos desta situação fortalecidos, para conseguirmos galgar um caminho difícil, mas não intransponível”, sublinhou João Januário. “Uma das lições que aprendemos com este vírus é que a Liberdade, conquistada em Abril, é para ser exercida com responsabilidade”, acrescentou.

“Valores de Abril são fundamentais nos tempos que vivemos”

Neste momento, em que cada um questiona o sentido da liberdade individual e a capacidade das instituições darem respostas às necessidades emergentes ao nível da saúde, educação e solidariedade social e numa altura em que o tecido económico se confronta com muitas dificuldades e começam a surgir carências muito concretas nas famílias, o presidente da Câmara Municipal de Amares, Manuel Moreira, acredita que “provavelmente, nunca estivemos tão bem preparados e organizados em termos científicos, técnicos e humanos como hoje para vencer um desafio desta ordem” e defende que “vale a pena” lembrar com particular relevância as conquistas adquiridas ao longo destes 46 anos da democracia.

“As autarquias, em articulação com as instituições e poder central, têm estado a desenvolver todos os esforços para minimizar os impactos desta crise. A comunidade científica e técnica tem estado a procurar as melhores soluções e respostas. Um pouco por todo o lado na sociedade civil emerge um espírito solidário verdadeiramente impressionante”, considera Manuel Moreira. “Os valores de Abril - a luta pela igualdade, a união de esforços, a coragem, a solidariedade – são mesmo motes fundamentais nos tempos que vivemos”, salientou o edil que não tem dúvida de que “todos somos chamados a exercer uma cidadania ativa e responsável no combate a esta pandemia”.

Amarenses têm sido exemplo da maturidade cívica

Tanto o presidente da Câmara Municipal como o presidente da Assembleia Municipal considera que os Amarenses, em particular, as intuições e todos aqueles que estão na linha da frente no combate à COVID – 19 têm sido um exemplo de boas práticas, responsabilidade social e entrega.

Manuel Moreira deixa, por isso, “um agradecimento profundo pela maturidade cívica e democrática que tem sido demonstrada pelo povo de amares e por tantas pessoas e instituições que têm estado na linha da frente a trabalhar por todos nós.” “Seguimos com esperança. Vamos continuar Abril. Viva Amares. Viva a Democracia”.

Já João Januário destaca: “Este esforço contínuo que todos fazemos para não cair na tentação de condicionar a liberdade do outro é uma das maiores provas da nossa maturidade democrática, senão, um dos pilares essenciais da nossa Democracia”.

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DISCURSO DA LÍDER PARLAMENTAR DO PAN – PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA, INÊS DE SOUSA REAL

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SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA DO 46.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL DE 1974

Intervenção da Líder Parlamentar e Deputada do PAN - Pessoas-Animais-Natureza Inês de Sousa Real

Sr. Presidente da República,

Sr. Presidente da Assembleia da República,

Sr. Primeiro-Ministro,

Ilustres entidades,

Altas autoridades,

Distintas e distintos convidados,

Sras. e Srs. Deputados

A 25 de Abril de 1974, os jovens capitães iniciaram a concretização do sonho das gerações que os haviam precedido: o derrube de uma ditadura opressora que durava há 48 anos e a construção de um Estado democrático. Este sonho não teria sido possível sem o empenho e a mobilização da sociedade portuguesa, que se organizou para dar resposta aos novos desafios de participação política para a criação de um país livre.

Evocar Abril em 2020 tem de ir além da homenagem àqueles que fizeram a História. Requer a renovação e o fortalecimento dos valores democráticos, reflectindo o presente e a liberdade de construir o futuro.

Contudo, ao constatar o presente e as fragilidades que até aqui persistem, vemos que Abril continua por cumprir!

Abril está por cumprir nos seus princípios fundamentais como o princípio da Igualdade!

Apesar do caminho até aqui feito, nem todas as pessoas têm a mesma dignidade social ou são tratadas como iguais. O rosto da violência doméstica continua a ser marcadamente feminino. Para o desempenho do mesmo trabalho, as mulheres recebem menos que os homens e, apesar de mais habilitadas, têm mais dificuldade em chegar aos lugares de topo e continuam a estar subrepresentadas nos principais cargos políticos.

Abril está por cumprir no combate à pobreza.

Basta olharmos para o nosso país e verificamos que mais de 10% das pessoas se encontram em situação de pobreza, apesar de empregadas. E a vulnerabilidade atinge, sobretudo, as crianças e pessoas idosas, na sua grande maioria mulheres.

Abril está por cumprir no acesso à Justiça.

A defesa dos direitos e interesses protegidos pela Constituição é tratada como um luxo, pondo em causa o acesso ao Direito e, em contrapartida, não investindo num combate sério à corrupção.

Abril está por cumprir nos tempos de resposta do Serviço Nacional de Saúde.

Durante sucessivos governos houve um desinvestimento na Saúde, seja na valorização dos seus recursos humanos, seja nos meios de resposta existentes.

Abril está por cumprir no direito universal à habitação.

No nosso país, são milhares os que não têm uma casa, um tecto, e são muitos mais aqueles que não têm uma habitação digna, com condições de higiene e de conforto.

Abril está por cumprir na protecção de todos os cidadãos na doença, velhice, invalidez e desemprego.

Para com os que não têm dinheiro para aquecer a casa no inverno, para comprar medicamentos ou que não têm um salário ou uma pensão condigna para viver.

Abril está por cumprir na igualdade de acesso à educação com qualidade.

No nosso país ainda falta trilhar um longo caminho para garantirmos uma Educação Inclusiva e que contribua para reduzir o fosso das desigualdades sociais e regionais.

Abril está por cumprir no respeito que devemos também para com os animais.

No nosso país, os animais continuam a ser votados ao abandono, aos maus tratos, à privação da sua liberdade ou à sujeição a actividades cruéis, que ferem os valores humanitários que nos devem nortear.

Abril está por cumprir no direito à qualidade de vida e ambiental.

Vivemos submersos num modelo de um desenvolvimento insustentável, marcado pelo aproveitamento irracional dos recursos naturais e em violação do princípio da solidariedade entre gerações. Neste país, é o interesse económico quem mais ordena, com licença para devastar ecossistemas de valor único, que são ainda um importante motor de combate às alterações climáticas.

Abril está por cumprir no funcionamento das Instituições.

Na própria Casa da Democracia ainda há quem mostre intolerância a desvios ao pensamento único do sistema. Nesta Casa não nos podemos esquecer que a Democracia é de todos e para todos. Não há donos da democracia! Só respeitando a pluralidade democrática e as vozes discordantes que Abril nos permitiu é que se trava o caminho dos populismos e a demagogia crescentes.

À Democracia, de pouco ou nada servirão cerimónias e demais simbologias, que se mostrem alheadas das aspirações e preocupações das pessoas e muito menos das consequências da actual crise sanitária, económica, social e ambiental, ditada por uma doença silenciosa e desconhecida.

Bem sabemos que os próximos tempos permanecerão difíceis. Esta doença pôs um foco sobre as forças e as fragilidades do nosso regime democrático. Ao olhar para elas sabemos que precisamos de uma força redobrada para livremente reerguer o país, promover o bem-estar social e económico e a qualidade de vida das pessoas e de um Estado criador de um novo modelo de desenvolvimento económico mais justo, sustentável e climaticamente neutro e que, acima de tudo, não permita que esta crise se transforme também numa crise humanitária.

São muitos os desafios que nos esperam. Mas neste mar turbulento, provocado por este coronavírus e que ameaça a humanidade, não estamos todos no mesmo barco. Por isso, como bem referiu o Secretário-geral da ONU, o mantra “Não deixar ninguém para trás” importa mais do que nunca.

Precisamos de uma nova alvorada. De um despertar para um novo paradigma.

O nosso país precisa de novas políticas de conciliação do trabalho, família e lazer.

Pensemos no papel do trabalho na nossa sociedade, nas consequências do encerramento de milhares de empresas e de mais de um milhão de cidadãos em Lay-off ou no aumento drástico dos números do desemprego a cada dia. Pensemos na importância das nossas crianças terem não só o direito efectivo de acesso à educação, o direito de ser crianças e de todos termos direito ao desenvolvimento pessoal e ao tempo livre.

O nosso país precisa de novas políticas de apoio à criação cultural e artística.

Pensemos na ironia de viver num país que iniciou uma Revolução com canções de resistência e que nega agora o devido apoio e valorização dos seus artistas.

O nosso país precisa de novas políticas ambientais e de mais empatia e sensibilidade para com os animais.

Pensemos no autofágico modelo de desenvolvimento vigente, assente na produção e consumo desmedidos, que polui e invade ecossistemas intocados, destrói habitats e extingue espécies. A ciência não se cansa de alertar para a necessidade de mudança dos nossos hábitos e comportamentos, caso contrário não conseguiremos achatar a curva das emissões de carbono nem evitar o aumento da temperatura média global. E isto também nos matará, e mais crises como aquela com a qual nos debatemos hoje se seguirão.

O nosso país democrático não sobreviverá sem novas políticas.

Novas políticas que reforcem e aprofundem aquilo que esta crise ainda mais evidenciou: a importância e a necessidade de um Estado social forte, que ponha as pessoas em primeiro plano e que actue na defesa e na protecção do interesse 6 dos seus cidadãos, sem qualquer tipo de distinção ou discriminação e que reforcem o caminho para a igualdade. Recorde-se que em democracia a força de um Estado depende directamente da confiança que os seus cidadãos nele depositam. E não há confiança sem transparência. E a falta dela também alimenta populismos antidemocráticos.

Antes de terminar, não podemos deixar de referir que hoje não podemos todos celebrar o 25 de Abril. Faltam aqueles cujas vidas perdemos e cujo pesar não podemos deixar de manifestar às suas famílias.

Àqueles que estão doentes ou em isolamento social deixamos uma palavra de força e ânimo, assim como para com aqueles que estão em casa a cuidar dos seus ou a zelar pelo cumprimento das regras recomendadas pela Direção-Geral da Saúde.

Começámos esta intervenção agradecendo a quem abriu o caminho da Liberdade. Terminamos enaltecendo a atitude solidária e altruísta de todos os nossos concidadãos e, em particular, aos que têm assegurado o funcionamento do país, garantido a saúde dos que estão doentes, assegurando os cuidados à população, a segurança dos demais, a distribuição dos bens, a recolha dos resíduos e todos os outros serviços essenciais, nas palavras de Ghandi, “cumprindo o nosso dever de cidadãos do mundo”.

São vocês o nosso garante da Liberdade! E que Abril continue a viver em todas e todos nós!

Viva o 25 de Abril!

EDUARDO GAGEIRO FOI O FOTÓGRAFO DA REVOLUÇÃO

Há quarenta e seis anos, mal o sol despontava no horizonte, o fotógrafo Eduardo Gageiro acompanhou as operações militares que levaram ao derrube do anterior regime político. Ele próprio o descreve quando afirma “Fui avisado e avancei”, lembrando que o capitão Salgueiro Maia o autorizou a segui-lo “com risco de vida”.

“O 25 de Abril foi uma esperança. Foi o dia mais feliz da minha vida. Senti que as pessoas iriam ter uma vida melhor, falar livremente. Mas é triste porque aquele dia magnífico foi uma esperança que não se concretizou. Muitas pessoas continuam a viver mesmo muito mal. Outros enriquecem e vivem no luxo. Deixou de haver vergonha", lamenta.

Eduardo Gageiro anda sempre com a máquina fotográfica, uma companhia permanente que hoje, como antes, "continua a ser um instrumento de denúncia e de protesto".

Chegou a ser preso pela PIDE, a polícia política da ditadura de Salazar, por exibir no estrangeiro "imagens dos humildes e da miséria do país", recordou.

"Ainda hoje penso que esta profissão (fotojornalismo) é muito nobre e pode ajudar as pessoas. O que está aqui [na exposição] foi feito com o coração e é o meu contributo", disse, manifestando um agradecimento aos habitantes de Sacavém, onde nasceu, em 1935.

Foi na antiga fábrica de cerâmica local que Gageiro começou a trabalhar, ainda muito jovem, e foi nessa altura que lhe despertou a paixão pela fotografia, captando imagens dos funcionários.

Como fotojornalista iniciou atividade no "Diário Ilustrado", e também colaborou com o "Diário de Notícias" e o "Século Ilustrado". Recebeu mais de 300 prémios de todo o mundo, incluindo o 2º lugar na categoria Retratos do World Press Photo. Em 2004, foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique.

Eduardo Gageiro nasceu em Sacavém, em 1935, tendo começado a sua atividade como repórter fotográfico em 1957 no Diário Ilustrado.

No momento em que se assinala o 40º aniversário do 25 de abril de 1974, é da mais elementar justiça lembrar aqui aquele a quem devemos porventura os melhores registos fotográficos do acontecimento histórico, publicando inclusive uma foto de nossa autoria.

Fonte: http://rr.sapo.pt/

Foto: Carlos Gomes

25 DE DE ABRIL CANCELADO!

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Este ano, por culpa da epidemia provocada pelo coronavirus, as comemorações do 25 de Abril não se realizam com o tradicional desfile em Lisboa. Pela primeira vez ao fim de 46 anos, aquela data não é celebrada na rua como habitualmente acontece. Os organizadores apelam a que os portugueses assomam às janelas e varandas e cantem a “Grândola Vila Morena”.

Em causa poderão estar também as celebrações do 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador.

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM BRUXELAS NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

Na passada sexta-feira (31 de maio), foi apresentada na capital da Europa o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro.), na sessão de apresentação do livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”, ladeado de Elisabete Soares, representante da livraria luso-belga, e de Paulo Pisco, deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa

A obra, concebida e realizada pelo historiador minhoto Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”.

No decurso da sessão, a representante da livraria luso-belga, Elisabete Soares, caracterizou o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, como um fautor de várias iniciativas cívicas para a cidadania ativa, e Paulo Pisco, deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa que apresentou a obra, destacou o trabalho desenvolvido por Daniel Bastos em prol do conhecimento e valorização da emigração portuguesa. E em particular, este novo livro como um importante contributo para a preservação da memória do fotógrafo humanista Gérald Bloncourt, recentemente falecido em Paris, um homem que amou e honrou os portugueses.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

Refira-se que durante o presente mês de junho, o livro vai ser apresentado no dia 7 de junho (sexta-feira), na FNAC em Braga, às 21h00, e no dia 10 de junho (segunda-feira), Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na FNAC-Santa Catarina no Porto, às 17h00. Ainda no dia 22 de junho (sábado), no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, será apresentado às 10h00 na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto.

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QUEM AINDA SE LEMBRA QUANDO HÁ 44 ANOS A AOC QUERIA SUBSTITUIR A ESFERA ARMILAR PELO CASTELO DE GUIMARÃES NA BANDEIRA NACIONAL?

Já lá vão aproximadamente 44 anos. A bandeira nacional era então por alguns sectores políticos apelidada de “colonial-fascista” – apesar de ter sido criada pela Primeira República à imagem da bandeira da Carbonária! – e havia mesmo quem prenonizasse a sua substituição.

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Entre os que tal defendiam, destacou-se um pequeno grupo político maoísta denominado Aliança Operário-Camponesa (AOC) – na realidade uma espécie de heterónimo do PCP (M-L) cujo principal dirigente veio mais tarde a aderir ao PSD.

A sua proposta na altura era, nem mais nem menos, a substituição da esfera armilar e do escudo nacional pelo castelo de Guimarães encimado com a estrela de cinco pontas que simboliza o internacionalismo proletário, identificador de todos os partidos de orientação marxista. Em causa estava sobretudo a esfera armilar, à época entendida como simbolizando o imperialismo colonialista… as ideologias sempre inebriam em todas as épocas!

Fonte: Ephémera

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DANIEL BASTOS VAI A BRUXELAS APRESENTAR A OBRA "GÉRALD BLONCOURT - DIAS DE LIBERDADE EM PORTUGAL"

Bruxelas recebe apresentação do livro “Geráld Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”

No próximo dia 31 de maio (sexta-feira), é apresentado em Bruxelas o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

A obra, concebida pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes mundiais da fotografia humanista, recentemente falecido na capital francesa, é apresentada às 18h30 na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”.

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O historiador Daniel Bastos (esq.) foi em 2015 o responsável pela realização do livro de Gérald Bloncourt (dir.) “O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que retrata a emigração portuguesa nos anos 60 e 70, e que contou com prefácio do ensaísta e pensador Eduardo Lourenço.

 

A apresentação da obra, uma edição trilingue (português, francês e inglês) prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, estará a cargo do deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa, Paulo Pisco.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, uma das instituições de referência do Portugal democrático, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa nos anos 60 e 70, mas que foi também um espectador privilegiado da explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

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Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

A publicação do livro, que contou com a colaboração de Isabelle Repiton, viúva de Gérald Bloncourt, e é enriquecida com memórias e testemunhos do fotojornalista franco-haitiano, representa cerca de meio século após a Revolução de Abril um novo contributo e oportunidade para revisitar a génese da democracia portuguesa.

Segundo Vasco Lourenço, esta obra ilustrada pela lente humanista de Bloncourt, fotógrafo que em 2016 foi agraciado pelo Presidente República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, constitui uma viagem ao “tempo dos sonhos cheios de esperança, da afirmação da cidadania, da construção de uma sociedade mais livre e mais justa, do fim e do regresso de uma guerra sem sentido com a ajuda ao nascimento de novos países independentes, onde a língua portuguesa continuou a ser o principal factor congregador”.

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ARCOS DE VALDEVEZ COMEMORA 45 ANOS DO 25 DE ABRIL

Arcos de Valdevez nunca deixa passar em branco as comemorações do Dia da Liberdade e, de forma a assinalar os 45 anos da revolução dos cravos, preparou um programa específico para o efeito que teve início no passado dia 24 e terminou no dia 27, sábado.

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No dia 24 teve lugar no auditório da Casa das Artes o espetáculo de apresentação do CD “Zeca: 20819 Dias”, da autoria do Coral Himalaya, o qual envolveu dezenas de crianças e várias entidades.

No dia 25 realizou-se uma homenagem aos Combatentes do Ultramar, na Praceta Combatentes do Ultramar (junto ao Centro Escolar Prof. António Melo Machado), com a deposição de uma coroa de flores.

Após este momento, cerca das 09h30, na Praça Municipal, seguiram-se as Cerimónias Oficiais de Comemoração do 25 de Abril com o Hastear das Bandeiras e guarda de honra efetuada pelos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez, pelo Corpo Nacional de Escutas – Agrupº214 e pela Banda da Sociedade Musical Arcuense.

Por último, teve lugar no Auditório da Casa das Artes, o Concerto pela Banda da Sociedade Musical de Arcos de Valdevez o qual contou com a participação do solista Nuno Pinto.

As comemorações terminaram sábado, dia 27 de abril, com um concerto do músico Júlio Pereira, na Casa das Artes. 

Apesar do tempo que se fez sentir, as cerimónias oficiais contaram com muitos arcuenses a assistir.

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AS CELEBRAÇÕES DE ABRIL NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

A Revolução de 25 de Abril de 1974, também conhecida como Revolução dos Cravos, uma data estruturante na história contemporânea portuguesa, porquanto norteou o país na senda da liberdade e da democracia, é uma das principais datas comemorativas de Portugal.

Ainda este ano, no decurso das recentes celebrações evocativas do 45.º aniversário do 25 de Abril foram várias as iniciativas que desde o meio associativo, ao poder local até à sessão solene na Assembleia da República, deram corpo à comemoração desta efeméride por todo o território nacional.

A preservação da memória da Revolução de 25 de Abril de 1974 tem tido igualmente uma considerável dinâmica e impulso no seio das comunidades portuguesas, como manifestam ao longo das últimas décadas as muitas iniciativas que são realizadas nesta época pelos quatro cantos do mundo.

Ainda este ano, um coletivo de músicos de Portugal e do Luxemburgo assinalaram o 25 de Abril com concertos nos dois países, homenageando os "cantautores" da Revolução dos Cravos. No espetáculo "Abri'Lux", que incluiu Fado e jazz, participaram a cantora de jazz Luísa Vieira e músicos do Luxemburgo, que trouxeram ao palco temas de Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, Mário Laginha e Carlos Paredes.

Em Londres, outro dos principais destinos da emigração portuguesa, desde há alguns anos que um coletivo de juventude conhecido por Migrantes Unidos, e um grupo de portugueses a residir em Londres por várias décadas, festejam simbolicamente o 25 de Abril.

A divulgação e defesa dos valores da Revolução dos Cravos estiveram inclusivamente, por exemplo, na base da formação na Suíça da Associação 25 de Abril em Genebra, no passado dia 27 de abril em colaboração com o Atlier-Histoire en mouvement organizaram uma sessão dedicada ao “Balanço das modificações em Portugal 45 anos depois da queda da ditadura e o papel das mulheres no processo revolucionário”.

Na esteira dos valores democráticos e da liberdade, desde 1994 que subsiste em Toronto, onde reside e trabalha uma das maiores comunidades lusas na América do Norte, a Associação Cultural 25 de Abril, que tem como principal missão preservar a memória da revolução portuguesa de Abril de 1974.