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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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QUEM FOI RAIMUNDO ENNES MEIRA – MAJOR DE ARTILHARIA – NATURAL DE AFIFE?

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Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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Raimundo Enes Meira (Viana do Castelo, Afife, 25 de Maio de 1866 — Viana do Castelo, Afife, 30 de Junho de 1946) foi um coronel da Artilharia do Exército Português e político ligado ao Partido Democrático de Afonso Costa. Eleito deputado e senador no Congresso da República entre 1915 e 1926, foi o principal organizador do Partido Democrático no Alto Minho.

Nasceu em Afife em 25 de Maio de 1866, filho de Joaquim Alves Meira e Custódia Enes Ramos Bezerra.

Alistou-se como voluntário no Regimento de Infantaria N.º 3 em 1886.

Foi 1.º Sargento Graduado Cadete no Regimento de Artilharia N.º 2. Concluiu o curso de Artilharia da Escola do Exército em 1893, sendo promovido a 2.º Tenente no mesmo ano. Serviu nos Regimentos de Artilharia N.º 3 e N.º 5.

Promovido a 1.º Tenente em 1895. Foi destacado, em missão de serviço, para o Estado da Índia em Maio de 1896 na brigada de artilharia de montanha, num corpo expedicionário comandado por S.A.R o Infante D. Afonso de Bragança e onde faziam parte Norton de Matos e Alfredo de Sá Cardoso. Retornou à metrópole em Novembro de 1897 para o Regimento de Artilharia N.º 3.

Promovido a Capitão em 1908 e no mesmo ano contrai matrimónio com Laura Pinto de Lemos Pereira. Recebeu a Medalha de Prata Rainha D. Amélia.

Em 1911 é destacado para o grupo de artilharia de montanha que é colocado na Serra do Gerês por motivos da 1ª incursão de Paiva Couceiro.

Nomeado em Junho de 1913, Governador-Civil do Distrito de Viana do Castelo, é destacado durante o mês de Julho para Governador-Civil do Distrito de Coimbra, por motivos de uma greve geral da cidade. Retorna em Agosto a Viana do Castelo, e exerce o cargo até Março de 1914

Eleito deputado por Viana do Castelo em 1915 pelo Partido Democrático.

Promovido a Major em 1916, é colocado no 1º Batalhão de Obuses de Campanha, embarca para França em 1917, integrado na 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português comandado pelo General Simas Machado. Em França passa pelos Regimentos de Artilharia N.º 6 e N.º 11. Promovido a Tenente-Coronel em Fevereiro de 1917, é transferido para o Estado-Maior de Artilharia de Campanha.

É desmobilizado em Outubro de 1918. Regressado a Portugal é nomeado 2.ºcomandante do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 17 de Maio de 1919 é feito Comendador da Ordem Militar de Avis e a 28 de Junho do mesmo ano Comendador da Ordem Militar de Cristo.

É eleito Senador por Viana do Castelo, nas listas do Partido Democrático em 1919, sendo reeleito em 1923 e 1925.

Promovido a Coronel em 1922, assume o comando do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 5 de Outubro de 1923 é elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis. Recebeu ainda a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar.

Nomeado em 16 de outubro de 1924 governador de Timor, reorganiza as finanças da colónia, conseguindo equilibrar o orçamento. Cria o Imposto Predial rústico e urbano, o Imposto Industrial, cria em Díli a primeira feira agrícola-industrial naquela colónia e atribui as primeiras concessões para a prospecção de Petróleo naquela colónia.

Exonerado do cargo em junho de 1926 pelo governo saído da Revolução Nacional, é passado à reserva em fevereiro de 1927. Faleceu em Afife em 30 de junho de 1946.

Fonte: Wikipédia

ESPOSENDE: GOVERNO DEVOLVEU EM 1929 OS BENS ECLESIÁSTICOS À IGREJA QUE HAVIAM SIDO CONFISCADOS PELA PRIMEIRA REPÚBLICA

O Ministério da Justiça e dos Cultos - Direcção Geral da Justiça e dos Cultos - 2.ª Repartição (Cultos), através da Portaria nº. 6154, publicada em Diário do Govêrno n.º 114/1929, Série I de 22 de Maio de 1929, determinou a entrega de vários bens à corporação encarregada do culto católico na freguesia de Esposende, concelho do mesmo nome.

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PONTE DE LIMA: GOVERNO FINANCIOU CENTRO REPUBLICANO PARA MANTER “ESCOLA MÓVEL”

O Ministério de Instrução Pública - Repartição da Instrução Primária e Normal - Repartição das Escolas Móveis, po rmeio de decrecto publicado em Diário do Govêrno n.º 271/1913, Série I de 19 de Novembro de 1913, concedeu um subsídio de 100 escudos ao Centro Republicano de Ponte do Lima, para sustentação duma escola movel.

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PAREDES DE COURA: LEI DA SEPARAÇÃO IMPÔS REFORMA DOS ESTATUTOS DAS CONFRARIAS DE PAREDES, PADORNELO E VASCÕES

Através de Portaria publicada em Diário do Governo n.º 150/1912, Série I de 28 de Junho de 1912, o Ministério do Interior - Direcção Geral de Assistência - 1.ª Repartição, autorizou a Confraria do Santíssimo de Vascões, a desviar dos seus respectivos fundos várias quantias, destinadas a fazer face às despesas com a reforma dos seus estatutos, exigida pela Lei da Separação. O mesmo princípio foi aplicado às confrarias de Paredes e de Padornelo.

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PAREDES DE COURA: NARCISO DA CUNHA INFORMA BERNARDINO MACHADO ACERCA DO CENTRO REPUBLICANO DE ARCOS DE VALDEVEZ

Em 2 de Outubro de 1911, um ano após a implantação da República, Narciso da Cunha informava Bernardino Machado por carta a partir de Paredes de Coura, não ter informações relativas à inauguração do Centro Republicano de Arcos de Valdevez.

Fonte: Fundação Mário Soares

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VIEIRA DO MINHO: MONÁRQUICOS REGRESSAM DO BRASIL PARA CONSPIRAREM CONTRA A REPÚBLICA

Em 16 de Julho de 1913, Justino Cruz na sua qualidade de Governador Civil de Braga, endereçou ao Ministro do Interior um ofício confidencial, enviando cópia de ofício do Administrador de Vieira do Minho de 14 de Julho de 1913, participando o regresso à Galiza de conspiradores que estavam no Brasil. O Governador Civil sugere reforço dos postos da guarda fiscal. Contém "visto" de Rodrigo Rodrigues e indicação para ser dado conhecimento ao Ministério das Finanças.

Fonte: Fundação Mário Soares

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1913 - FESTA DA ÁRVORE EM PONTE DE LIMA. RECORDANDO UM ARTIGO DE LUÍS DANTAS

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De acordo com Zeca Afonso, o seu avô materno e ponte-limense, Domingos José Cerqueira “ (…) introduziu o culto da árvore nas escolas”[1], e outro nome relacionado com esta vila minhota, Delfim Guimarães, é indissociável à Festa da Árvore que, a Portugal, chegara em 1907, por mãos republicanas.

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Em 1913 também o concelho de Ponte de Lima acolheu esta celebração, com relevância para a freguesia de Vitorino de Piães[2]. Num domingo, dia 9 de Março, pelas 13 horas, na escola do sexo feminino, a sessão solene teve início, presidindo a professora oficial, Maria A. Leite Vilaça, e a cargo de João Carvalho, de Braga, ficou a explicação da importância da festa, e a demonstração de “não haver incompatibilidade com a religião”.

Cantou-se o Hino das Escolas e uma menina recitou “uma comovente alocução à árvore”. Em teatralização, as crianças Casimira da Costa e Sousa e Amaro Barreto “mostraram o encanto e utilidade da festa”.

O cortejo que se seguiu, até ao local destinado à plantação, era aberto por um aluno, empunhando a bandeira nacional. Em seguida, um aluno de cada uma das escolas transportando as árvores a serem plantadas, “adornadas com fitas das cores nacionais”, alunas e alunos com pequenas bandeiras nacionais, “diferentes instrumentos agrícolas de madeira”, cedidos pelo professor da Sé, Braga, José Gomes Barros, e, fechando o cortejo, antes “da imensa multidão de povo que assistiu à festa”, a banda musical de Cabaços.

Concluída a plantação, e o uso da palavra pelo professor oficial José Pedro Gonçalves, regressou “o cortejo pela mesma forma à escola”. Depois da recitação do hino da Árvore, pelo menino João Oliveira Caridade, e para conclusão, foi “distribuída pelas crianças uma merenda, constando de pão, figos e vinho”.

O fotógrafo amador João Carvalho tirou “diversas fotografias”[3]

[1] -José Carlos Loureiro (http://anunciadordasfeirasnovas.blogspot.pt/2009/08/proposito-dos-80-anos-de-zeca.html)

[2] - O Comércio do Lima, n.º 331, 15 de Março de 1913.

[3] - Não conhecemos nenhuma.

- José Sousa Vieira

Fonte: http://limianismo.blogspot.com/

A COMEMORAÇÃO DO DIA DA ÁRVORE E DA FLORESTA: SUAS ORIGENS E SIGNIFICADO

O culto da árvore – atualmente celebrado como Dia da Árvore e da Floresta – no qual se insere a festa que lhe era dedicada constituiu uma das iniciativas que os republicanos fomentaram nos começos do século passado com vista à introdução na sociedade portuguesa de novos valores e símbolos com os quais procuraram substituir os valores tradicionais associados à Igreja Católica e ao Cristianismo em geral. Tratava-se, com efeito, de uma campanha de penetração ideológica nos meios rurais, promovida pela própria maçonaria, utilizando para esse meio os seus próprios órgãos de propaganda como era o caso do jornal “O Século Agrícola”, suplemento do jornal “O Século” dirigido por Magalhães Lima que, conforme o próprio título sugere, propunha-se promover a secularização da sociedade.

Tratava-se, com efeito, de criar uma nova liturgia, celebrado por altura do equinócio da Primavera, preconizando o retorno aos antigos ritos pagãos anteriores ao estabelecimento do Cristianismo em detrimento das celebrações da Páscoa e da Ressurreição de Jesus Cristo, crença essencial da fé cristã.

A “Festa da Árvore” realizou-se pela primeira vez no Seixal em 1907, por iniciativa da Liga Nacional de Instrução, tendo nos anos que se seguiram atingido especial visibilidade as que tiveram lugar na Amadora por iniciativa da Liga de Melhoramentos da Amadora, organização de inspiração republicana onde pontificava o escritor Delfim Guimarães.

De uma maneira geral, a realização da “festa da árvore” ocorreu nas localidades onde os republicanos dispunham de maior organização, sobretudo nas regiões mais a sul do país. Porém, é sabido que em Viana do Castelo também dispunham de uma certa influência, mantendo inclusive em funcionamento uma loja maçónica – a Loja Fraternidade – com mais de três dezenas de membros.

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A revista Ilustração Portugueza, de 30 de março de 1914, dá-nos conta da realização nesse ano da festa da árvore em Viana do Castelo, nos seguintes termos: “Em Viana do Castelo a festa da árvore teve o concurso de todas as autoridades civis e militares, escolas oficiais e particulares. No Campo da Agonia foram plantadas duas laranjeiras e duas cerejeiras tendo assistido imenso povo. Falaram o alferes sr. Alpedrinha e o sr. Dr. Rodrigo Abreu sendo o cortejo dirigido pelo capitão sr. Malheiro. As tropas da guarnição da cidade também tomaram parte n’essa encantadora cerimónia em que foi exaltado o culto da árvore que O Século Agrícola tanto tem propagandeado.

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A comemoração do Dia da Árvore manteve-se durante a vigência do Estado Novo, desprovida contudo da carga ideológica que inicialmente encerrava, tendo chegado até aos nossos dias como um ritual que se cumpre anualmente como um aceno à chegada da Primavera.

Não obstante o propósito original de tal iniciativa, a comemoração do Dia da Árvore e da Floresta, dirigida especialmente às crianças em idade escolar, veio cumprir uma função pedagógica e cívica, sensibilizando-os para a necessidade de preservação da floresta e do meio ambiente.

ARROLAMENTO DOS BENS CULTUAIS DA FREGUESIA DE ARCOS DE VALDEVEZ

Entre 7 de Setembro e 5 de Dezembro de 1911, procedeu-se ao arrolamento dos bens cultuais da freguesia e concelho de Arcos de Valdevez, constando da Igreja Paroquial de São Salvador.

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Tratou-se de um procedimento imposto pela Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, um organismo criado a seguir à implantação do regime republicano no ano anterior destinado à expropriação do património eclesiástico.

Refira-se que desde a reforma administrativa de 18 de Julho de 1835 foram criadas as juntas de paróquia para se destacarem da estrutura eclesiástica que remonta à Idade Média, muito embora os seus limites geográficos fossem coincidentes com esta. Com a Lei nº 621, de 23 de Junho de 1916, a estrutura civil das juntas de paróquia passaram a designar-se por juntas de freguesia – de filius ecclesiae – que, ironicamente, quer dizer “filho da Igreja”.

São designados por bens cultuais porque se destinavam ao culto, não devendo serem confundidos com “bens culturais”.

Fonte: ANTT

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AS CELEBRAÇÕES DO 1 DE DEZEMBRO DURANTE A I REPÚBLICA E NO ESTADO NOVO

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Uma semana após a implantação da República em Portugal, mais precisamente em 12 de Outubro de 1910, instituiu o Governo Provisório os feriados do novo regime, contando-se entre eles o dia 1 de Dezembro então identificado como o dia da “Autonomia da Pátria Portuguesa”. Em 30 de Junho de 1911, a 11ª Sessão da Assembleia nacional Constituinte aprovou o Projecto de lei do governo que instituiu os novos feriados, nos seguintes termos:

“Tendo o Governo Provisório da Republica Portuguesa decretado a abolição da consagração official dos dias santificados e estabelecido como feriados, por merecerem a homenagem nacional, os dias 1 e 31 de Janeiro, 5 de Outubro e 1 e 25 de Dezembro, e tendo ainda concedido às câmaras municipaes do país o direito de, a dentro das respectivas municipalidades, estabelecerem um dia feriado á sua escolha, devendo portanto ser considerados extraordinarios todos aquelles que, alem dos já citados, venham a estabelecer-se, a Assembleia Nacional Constituinte dispõe e estatue o seguinte:

Artigo 1.° São só considerados feriados officiaes, para os effeitos do abandono de trabalho durante vinte e quatro horas pelos operarios adventicios do Estado ou dos municipios, os dias já decretados pelo Governo da Republica Portuguesa, e os que tenham sido ou venham a ser estabelecidos pelas differentes municipalidades, isto é, um por município conforme foi decretado.

Art. 2.° Quando porventura se reconheça a necessidade de estabelecer novos feriados, aos operarios a que se refere o artigo anterior ser-lhes-ha facultativo o poderem trabalhar.

§ unico. Quando por qualquer motivo extraordinario não se possa manter a concessão expressa no artigo anterior, os operarios a que se refere o artigo 1.receberão sempre os respectivos vencimentos.”

O regime republicano estabeleceu de imediato uma nova liturgia condizente com o seu próprio ideário, incluindo nela as celebrações de carácter patriótico e de evocação dos feitos republicanos, edificando a partir desse sincretismo uma nova religião cívica que contemplava outros ritos e símbolos como o busto da República, o hino, a divisa “saúde e fraternidade”, o panteão nacional e a Festa da Árvore.

As agremiações culturais e recreativas a que hoje vulgarmente designamos por colectividades de cultura e recreio constituíram um meio privilegiado de intervenção política dos republicanos, de veicularem as suas ideias e, através delas, implantarem a sua organização. Essas entidades foram, em grande medida, a face visível da organização do Partido Republicano, da Carbonária e da própria Maçonaria, não admirando aliás as semelhanças existentes nas suas próprias normas estatutárias. Desse modo, também as celebrações do dia 1 de Dezembro tiveram por base organizativa essas entidades que, um pouco por todo o país, multiplicavam as iniciativas comemorativas com a realização de concertos musicais e festividades populares.

Um pouco por toda a parte mas sobretudo naquelas regiões onde a influência do Partido republicano mais se fazia sentir, surgiram inúmeras associações e bandas filarmónicas, sociedades de instrução e recreio e centros escolares republicanos cuja denominação aludia ao dia 1 de Dezembro. Ainda actualmente é possível encontrar muitas dessas colectividades principalmente nos arredores de Lisboa e nos concelhos da margem sul do rio Tejo.

À medida que a situação política do país se agrava e o regime entra em decadência também as celebrações do 1 de Dezembro vão perdendo o seu fulgor inicial, apenas prosseguindo pela força do hábito criado em tais agremiações e como forma de manter a sua dinâmica cultural, nalguns casos, porém, providas de grande significado local como sucede em Santo Aleixo da Restauração.

Com o advento do Estado Novo na sequência da ditadura militar de 1926, também o Estado Novo criou os seus ritos comemorativos e passou a evocar os lugares de memória que procurava evocar. À altura em que o Estado Novo se estabeleceu, estavam em voga na Europa as ideias fascistas que irradiavam sobretudo de Itália e que encontravam em Portugal numerosos adeptos sobretudo no Nacional-Sindicalismo de Rolão Preto, o qual fazia então grandiosas demonstrações com os seus “camisas azuis”. Avesso a manifestações tão ostensivas e procurando um apaziguamento social a todo o custo, o Prof. Oliveira Salazar baniu o Nacional-Sindicalismo levando ao exílio dos seus principais dirigentes, ao mesmo tempo que criava a Associação Escolar Vanguarda (AEV), antecessora da Mocidade Portuguesa, para esvaziar politicamente os “camisas azuis” do Nacional-Sindicalismo.

A partir de então, foi essencialmente à Mocidade Portuguesa que foi atribuída a responsabilidade pela organização das celebrações do dia 1 de Dezembro, centradas na Praça dos Restauradores e junto ao antigo Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa, com a realização de grandiosas paradas e desfiles. De resto, a própria Mocidade Portuguesa instalou o seu quartel no referido palácio, vulgarmente conhecido por “Palácio da Independência”, tendo-se ali mantido até à altura do 25 de Abril de 1974. De referir que, possuindo as suas estruturas uma implantação em todos os estabelecimentos de ensino nos quais os alunos eram obrigados a participar nas suas actividades, as celebrações do dia 1 de Dezembro representavam um ritual a contribuir para a formação patriótica da juventude.

Durante o governo do Prof. Marcello Caetano, curiosamente um antigo Comandante da Mocidade Portuguesa, aquelas paradas deixaram de se realizar e a actividade da organização foi decrescendo.

Entre a I República e o Estado Novo alteraram-se substancialmente os ritos comemorativos na medida das diferenças ideológicas que os distinguiam. De igual modo, enquanto a I República privilegiou a participação popular baseada nas instituições que controlava, o Estado Novo conferiu-lhe uma nova estética mais guerreira assente na Mocidade Portuguesa, na Milícia e outras organizações paramilitares que faziam parte do regime. Porém, é durante o Estado Novo que os lugares de memória relacionados com a efeméride adquirem uma maior expressão, da mesma forma que o regime se preocupa com a recuperação dos monumentos nacionais, procedendo ao restauro de castelos e igrejas um pouco por todo o país.

GALIZA NON TEN REI: NACIONALISTAS GALEGOS PROTESTAM CONTRA A PRESENÇA DO MONARCA NA CORUÑA

Concentración na Coruña en contra da visita de Felipe VI baixo o lema "Galiza non ten Rei"

Vía Galega protesta así pola presenza do monarca español na apertura do curso universitario.

A plataforma Vía Galega convoca unha concentración o vindeiro 30 de setembro ás 11:00 h. ante a Reitoría da Universidade da Coruña por mor da presenza de Felipe VI no acto institucional de inicio de curso académico no Estado.

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Baixo o lema “Galiza non ten Rei, avante a República Galega”, esta plataforma quere expresar que a monarquía fai parte dun "sistema inxusto, onde prevalecen os privilexios e a herdanza do franquismo", que fomenta o "centralismo e a dependencia de Galiza, ademais de limitar os dereitos para o ensino público galego".

"Desde Vía Galega faise un chamado a participar nesta concentración para rexeitar a presenza do Rei Filipe de Borbón como representante dunha institución anacrónica, como a monarquía española, que nega os dereitos do pobo galego", apunta a entidade nun comunicado.

A plataforma Vía Galega, que integra máis 50 entidades sociais e culturais en defensa dos dereitos nacionais de Galiza, ademais de organizar conmemoracións históricas ten en marcha diversas actividades como a expedición dun pasaporte galego ou a recollida de sinaturas da Carta de Dereitos do Pobo Galego, todas elas encamiñadas á difusión do recoñecemento de Galiza como nación e á reclamación do dereito de autodeterminación.

Fonte: http://www.galiciaconfidencial.com/

MUSEU BERNARDINO MACHADO EM FAMALICÃO RECEBE NOVO CICLO DE CONFERÊNCIAS COM CASA CHEIA

Próxima conferência realiza-se no dia 15 de fevereiro com o tema “A I República Portuguesa no Brasil: do 5 de outubro ao 28 de maio de 1926”

Foi com “casa cheia” que o Museu Bernardino Machado acolheu a primeira conferência do ciclo dedicado às “Relações Portugal – Brasil na I República (1910-1926)”, que decorreu na passada sexta-feira à noite.

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A abrir a maratona de conferências que vai decorrer mensalmente, ao longo de todo o ano de 2019, esteve o professor catedrático Paulo Ferreira da Cunha, com o tema da “Lei fundamental brasileira e a Constituição Portuguesa de 1911”. De acordo com o orador convidado “na conferência apresentou-se uma tentativa de estabelecimento de pontes entre as “magnas cartas” das chamadas primeiras repúblicas ou “repúblicas velhas” dos países irmãos de Língua portuguesa nos dois lados do Oceano Atlântico. Primeiramente fez-se um enquadramento geral sobre o sentido, papel e noção de Constituição, porque frequentemente existem muitos mal-entendidos, depois fez-se ainda um enquadramento histórico-social e político de ambos os complexos normativos constitucionais. E finalmente desceu-se ao concreto do clausulado das constituições formais, para comentar alguns aspetos considerados mais salientes, não apenas para a época, como para o nosso próprio tempo, em Portugal e no Brasil.”

A próxima conferência decorre já no próximo dia 15 de fevereiro, com a professora Heloísa Paulo a debater o tema “A I República Portuguesa no Brasil: do 5 de outubro ao 28 de maio de 1926”.

Refira-se que ao todo irão decorrer nove conferências com a participação de investigadores e académicos especialistas na temática. Os encontros, de entrada livre, vão decorrer nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, setembro, outubro e novembro, habitualmente às sextas-feiras, pelas 21h30, no Museu Bernardino Machado, situado na rua Adriano Pinto Basto, na cidade famalicense.

Para além da divulgação e valorização da figura de Bernardino Machado, um famalicense por adoção que foi Presidente de Portugal por duas vezes durante a I República, o Museu Bernardino Machado tem vindo a destacar-se na organização de diversos eventos e na produção de documentos que têm sido essenciais para investigadores e historiadores, assumindo uma vocação de estudo académico.

O Museu Bernardino Machado que completou em 2017, 15 anos está instalado no Palacete Barão da Trovisqueira, um majestoso edifício do século XIX, localizado bem no centro da cidade de Vila Nova de Famalicão.

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FAFE FESTEJA REPÚBLICA

Câmara de Fafe celebra Implantação da República com sessão solene

O Município de Fafe assinalou, o 108º aniversário da Implantação da República, com uma sessão solene nos Paços do Concelho que homenageou várias personalidades fafenses, com a atribuição de Medalhas de Mérito Concelhio.

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O Executivo Municipal recebeu a Fanfarra dos escuteiros de Regadas no edifício dos Paços do Concelho, onde foi hasteada a bandeira, seguindo-se a sessão solene, no Salão Nobre da Autarquia.

Raul Cunha, Presidente da Câmara Municipal de Fafe, relembrou que “celebrar o 5 de Outubro é continuar a lutar pelo desenvolvimento do nosso concelho, por uma sociedade mais justa, mais igual, mais desenvolvida e mais transparente. São os valores que norteiam a nossa ação em prol de Fafe e de uma sociedade moderna, mas moral e eticamente exemplar.

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Celebrar o 5 de Outubro é continuar a dar mais e melhores condições aos fafenses. Temos desenvolvido um conjunto de políticas sociais dirigidas, sobretudo, às famílias, aos idosos e a todos aqueles que passam por maiores dificuldades.

Queremos também um concelho com mais e melhores condições na educação e na formação dos nossos jovens, com melhores escolas – como temos feito com a requalificações dos equipamentos escolares -, e com a implementação de novos modelos educativos.

Celebramos o 5 de Outubro, porque queremos contribuir para o desenvolvimento do nosso concelho de uma forma harmoniosa e equitativa, pelo que apostamos na transferência de recursos para as freguesias. Porque também reconhecemos o importante papel que as associações e colectividades desempenham no concelho, continuamos a apoiar a sua ação.

Apostamos no desenvolvimento económico e social que projecte a marca Fafe – como muitos dizem, nunca terem visto. Mantemos a promoção e desenvolvimento do turismo.

Não posso também esquecer a intervenção no Bairro da Cumieira, que inicia em breve. Tudo isto, com a preocupação de se manter uma situação financeira saudável e equilibrada, como ainda esta semana, os resultados do anuário financeiro o provam. Continuamos no ranking dos 100 municípios com melhores resultados. Este ano, subimos para o 22º lugar, mais 11 posições em relação ao ano passado.

Celebrar o 5 de Outubro é também homenagear alguns fafenses, cujo mérito é reconhecido por toda a comunidade, como aqui fazemos hoje.

Celebrar o 5 de Outubro é, com a vontade de, em cada dia, de forma empenhada e dedicada, encontrarmos o caminho para o desenvolvimento do nosso concelho.

"Que o amor a Fafe seja mais que simples retórica para se usar em períodos eleitorais.", concluiu o autarca.

O Presidente da Assembleia Municipal, José Ribeiro, usou da palavra para congratular-se por “Fafe ser um dos poucos municípios do país que assinala o 5 de Outubro. É uma tradição de há muitos anos no nosso município e espero que se mantenha e se aprofunde neste formato que hoje celebramos, marcado pela distinção de personalidades fafenses que, na nossa sociedade, se diferenciam pelos seus feitos, empenho e dedicação.”

Nestas distinções, temos a celebração do passado, no seu melhor, com o reconhecimento do Sensei Marinho, um cidadão que introduziu em Fafe, uma modalidade, o karaté, que abraçou e lutou por ela e que Fafe deve-se honrar por tão bons resultados que alcançou para o concelho.

Celebramos, hoje, também o presente na distinção ao piloto Carlos Vieira. Sabemos o quão difícil é conseguir o reconhecimento nacional, no mundo dos automóveis, e o preço que muitas vezes se paga, que é o caso do Carlos. Estamos muito felizes por homenageá-lo pelo seu título, mas, sobretudo, por tê-lo aqui hoje, depois do grande acidente que sofreu.

O futuro celebramos com a atleta Diana Durães, porque seguramente é, no panorama da natação nacional, uma das atletas mais promissoras, somando cada vez mais títulos. É um orgulho para Fafe.

A distinção a Ângelo Medon é também justa. Dele quero distinguir as qualidades humanas. Uma pessoa de extremo bom senso, grande tolerância, um cidadão exemplar com grande empenho e dedicação nas causas que verdadeiramente acreditava.”, concluiu.

Parcidio Summavielle Soares, antigo Presidente da Câmara Municipal de Fafe, relembrou Ângelo Medon, como “um exemplo de cidadania. A sua voz, a sua ponderação, a sua sagacidade empresarial, a sua capacidade de estabelecer pontes e minimizar conflitos foi imprescindível e notável.  

Fafe, terra justa, fica hoje mais justa e mais enriquecida. Este acto, ao decorrer no 5 de Outubro, adquire um significado ainda mais especial, porque Ângelo Medon foi sempre um lutador contra a ditadura, que nunca se vergou perante as opressões e violências. Foi um Homem de grande carácter e convicções. Sempre soube resistir, com dignidade, as desconsiderações e vexames com que perseguiam quem lutava contra o fascismo.”

Recorde-se que o Município de Fafe é o único município do Distrito de Braga a comemorar a Implantação da República Portuguesa.  

Personalidades fafenses homenageados com Medalhas de Mérito Concelhi
Durante a cerimónia, foram várias as personalidades do concelho homenageadas, com a atribuição de Medalha de Mérito Concelhio, aprovada, por unanimidade, em reunião de Câmara. 

O Sensei José Marinho recebeu a Medalha de Ouro de Mérito Concelhio, a título póstumo, pelo trabalho exemplar desenvolvido no desporto, especialmente no Karaté, em prol da comunidade fafense, formando centenas de instrutores, competidores, árbitros, dirigentes, praticantes de todas as faixas etárias. 

A nadadora Diana Durães foi agraciada com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio pela dedicação, excelentes resultados e prestígio nacional e internacional da atleta na modalidade. 

Também o piloto de automóveis, Carlos Vieira, foi distinguido pelo seu percurso desportivo de elevada competência e com resultados brilhantes, coroados com diversos títulos, frutos de uma extraordinária dedicação, garra e fibra. 

Município de Fafe mantém aposta na melhoria de redes viárias 

As comemorações do 5 de Outubro em Fafe ficaram também marcadas pela inauguração da nova Rua Ângelo Medon. Situada por detrás do edifício da Indaqua, a Rua está integrada na empreitada de "Requalificação Parque 1º de Dezembro e arruamentos complementares", cujo valor total de investimento rondou os 319 500, 00 euros. 

Na União de freguesias Antime e Silvares S. Clemente, foi inaugurada, durante a tarde, a obra de beneficiação da Estrada Municipal 615-2m , que passa também pela freguesia de Silvares S. Martinho. 

Uma obra, há muito esperada por ambas as freguesias, e que contou com um investimento por parte do Município de Fafe de mais de 750 mil euros. 
ARPIFAFE tem nova Sede 

No decorrer das comemorações do 5 de Outubro, foi inaugurada a nova sede da ARPIFAFE - Associação dos Reformados, e Idosos de Fafe -. A funcionar na Escola de Trânsito, o novo edifício sofreu obras de requalificação, num investimento, por parte do Município de Fafe, de mais de 165 mil euros. 

O Presidente da Câmara Municipal, Raul Cunha, reconhece que “havia a necessidade de encontrar umas instalações que fossem mais adequadas às características dos associados da ARPIFAFE, nomeadamente que fosse de acessibilidades fáceis, situada no centro da cidade e que respondesse às necessidades que a associação tem.” 

“Aquilo que o Município fez, sempre em parceria com os dirigentes da associação, foi encontrar uma solução rápida. Este é um pequeno passo que resulta numa melhoria significativa daquilo que havia. Vamos, no entanto, estar atentos para avançar com novas melhorias, novos passos, sempre que possível.  

Estas são umas instalações dignas, confortáveis e adequadas. Um edifício partilhado com a Escola de Trânsito, que nos permitiu rentabilizar o espaço que estava sub aproveitado.” 

Recorde-se que a ARPIFAFE tem, actualmente, 800 sócios e desenvolve um papel activo na promoção de várias actividades e iniciativas junto dos seniores do concelho de Fafe.

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EM 1910, IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA LEVA OS MINHOTOS A ABANDONAREM AS SUAS TERRAS PARA SE JUNTAREM AOS MONÁRQUICOS

A implantação do regime republicano em 1910 provocou um autêntico êxodo sobretudo no Minho e em Trás-os-Montes. Descontentes com a nova ordem política, numerosos minhotos seguiram para a vizinha Galiza onde enfileiraram as hostes do comandante Paiva Couceiro que preconizavam a restauração da monarquia.

Visivelmente preocupados com tal situação, os republicanos procuraram adotar medidas que impedissem essa migração em massa. Com esse propósito, o deputado Álvaro Castro apresentou na sessão de 21 de julho de 1911 da Assembleia Nacional Constituinte uma proposta “no sentido de banir do territorio português todos os individuos que attentarem, attentem ou venham a attentar contra as instituições e se encontrem em territorio estrangeiro; de se criar um tribunal para julgamento rapido dos conspiradores que se encontrem em territorio português e de se autorizar os Ministros do Estado a demittirem os funccionarios, sob a sua dependencia, implicados em movimentos contra a Republica”.

Alguns deputados debateram a referida proposta, entre os quais Sousa Fernandes do qual transcrevemos a sua intervenção.

 

O Sr. Sousa Fernandes: - Sr. Presidente, eu podia deixar de tomar a palavra nesta altura da discussão, por isso que o assunto se acha por demais esclarecido. Entretanto, na minha qualidade de representante do circulo n.° 3, eu tenho obrigação de entrar neste debate.

Sr. Presidente, quando ouvi ler a proposta do Sr. Álvaro de Castro fui um dos primeiros que se levantaram a applaudi-la.

Pertenço á provincia do Minho, uma das que mais tem sido prejudicadas pelos maus patriotas, e foi devido a isso que o meu primeiro impulso foi approvar a proposta de S. Exa.

Sr. Presidente, sei que muitos habitantes das provincias do Minho e Trás-os-Montes abandonaram as suas terras e atravessaram a fronteira para se juntarem a estrangeiros e attentarem contra a integridade da nossa patria e sei, pela propria experiência, as enormes difficuldades com que as autoridades do norte do país teem lutado para reprimir esta criminosa tendência. Fala-se ahi na necessidade que temos de não imitar Governos oppressores que tanto nos perseguiram quando procuravamos implantar em Portugal o regime republicano.

Mas nem eu desejo em absoluto que tal imitação se dê, nem me parece que a nossa situação de hoje se possa comparar á d'esses dias ominosos que já pertencem á Historia.

Este momento, Sr. Presidente, é para nós um momento historico excepcional e extraordinario, um momento em que, como muito bem disse o Sr. João de Menezes, temos de defender o que hontem criámos, e envidar todos os esforços para garantir no novo estado de cousas mais harmónico com os nossos interesses, com o nosso progresso e com a nossa dignidade.

A nossa tarefa é uma tarefa de patriotismo, emquanto que a dos nossos adversarios de hontem era uma obra de tyrannia, de desmoralização e injustiça.

Quando nós tratavamos de fazer a nossa propaganda, estabelecemos sempre a nossa luta no terreno em que os nossos adversarios nos podiam combater, e a acção das leis do nosso país e a violência dos nossos maus Governos nos podiam attingir.

Nunca fomos para país estranho conspirar contra a monarchia portuguesa; isso nunca.

Não tem sido esta, Sr. Presidente, a conducta dos tristes restos de apaniguados que a monarchia brigantina nos deixou em Portugal. Nas provincias do Minho e Trás-os-Montes, nestas sobretudo, elles soccorreram-se de um exodo inexplicavel para deixarem a sua patria quando ninguem os perseguia, ninguem os ameaçava, ninguem pretendia molestá-los.

No primeiro momento todos suppusemos que elles fugiam acicatados pelo medo, corridos pela propria pusilaminidade.

Vimos depois que não era só isto: fugiam por poltrões em parte, mas em outra grande parte por perversos! Não era só a abjecção da cobardia que os levava a abandonar a terra em que nasceram e sentiam alma para trair: era tambem a tendencia da infamia que os impellia para terra alheia a fazer causa commum com a jesuitada estrangeira contra a sua propria patria e os seus proprios patricios! Que differença, pois, Sr. Presidente, entre nós que fomos revolucionarios de hontem e estes miseros que são hoje simplesmente traidores!

Então não é preciso castigo para semelhante gente? E e foi por isso que eu prestes applaudi a proposta em discussão.

Noto que alguns dos Srs. Deputados que me precederam na tribuna se deixam levar muito pela decantada brandura dos nossos costumes. E mau isto.

Recordemos que foi um excesso de sentimentalismo semelhante que era 1080 permittiu a venda da patria, só resgatada 60 annos mais tarde por uma geração cheia de heroica energia; relembremos que foi esse mesmo sentimentalismo que comprometteu a paz da republica brasileira, tornando necessaria, a poucos meses do seu advento, aquella sangrenta repressão de que Floriano Peixoto se soccorreu.

E necessario acompanhar a par e passo todos aquelles que, divorciados de nós, conspiram cobardemente contra a integridade do país, e castigá-los com a severidade que o seu crime reclama.

Mas desde que os Srs. Ministros dos Estrangeiros e do Interior dizem que ha dentro do direito commum meios de exercer tal punição, eu não ponho duvida em esperar e acceitar as modificações que se aconselham para a proposta do Sr. Alvaro de Castro.

Foi por tudo isto, Sr. Presidente, que eu me levantei, como meio de justificar o meu voto; e agora, extremadas as razões da minha situação em relação á proposta que se discute, sinto-me conformado com as promessas dos dois illustres membros do Governo. Conformo-me com ellas e com a boa vontade que S. Exas. mostram em castigar os que erram.

 

REPÚBLICA EM PORTUGAL FOI IMPLANTADA HÁ 108 ANOS!

Há 108 anos, José Relvas proclamou a implantação da República a partir da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa. O novo regime político resultou de um golpe revolucionário executado pela Carbonária, braço armado do Partido Republicano Português, secretamente dirigido através da Loja Montanha da Maçonaria Portuguesa.

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Após duas tentativas falhadas – o levantamento do 31 de janeiro de 1891 na cidade do Porto e o plano que envolveu o regicídio de 1 de fevereiro de 1908 – eis que a revolta republicana logra sair vitoriosa na sequência de vários incidentes e equívocos, de entre os quais sobressai o que resulta do armistício destinado a proteger a retirada dos cidadãos estrangeiros, quando os revoltosos confundiram a bandeira branca que aqueles empunhavam com uma inexistente rendição das forças monárquicas instaladas no Rossio.

As imagens da época retratam algumas centenas de pessoas concentradas na Praça do Município, no momento da proclamação do regime republicano, sinal evidente de que a maioria da população recolheu a suas casas durante os confrontos.

 

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Entre as causas habilidosamente exploradas pelos republicanos salienta-se a humilhação britânica resultante do Ultimatum, a crise económica e financeira da monarquia constitucional, a instabilidade política e social resultante do sistema do rotativismo entre o Partido Progressista e o Partido Regenerador, e ainda as acusações que eram feitas em relação ao poder do Clero e os gastos da Família Real constituíram os condimentos do levantamento revolucionário então verificado,

A deslocação para a capital nos dias anteriores à insurreição de centenas de membros da Carbonária, vulgo “revolucionários civis”, as manobras de diversão traduzidas nas proclamações ocorridas no dia anterior, nas localidades de Loures e Montijo, as ações de sabotagem do telégrafo e da linha férrea, constituíram apenas alguns aspetos de uma revolução que foi inclusivamente seguida com atenção pelo revolucionário russo Vladimir Ilitch Ulianov (Lenine), da qual extraiu por certo ensinamentos para a revolução que haveria de desencadear na Rússia apenas sete anos mais tarde.

A hipótese de proclamação do regime monárquico em Portugal é todavia muito anterior à ocorrida em 1910: aquando da restauração da soberania face ao domínio filipino, os conjurados de 1640, confrontados com a hesitação demonstrada por D. João, Duque de Bragança, ameaçaram-no com a possibilidade de virem a implantar uma república de nobres, à semelhança da que existia em Veneza, o que colocava em causa o seu próprio poderio e as propriedades que detinha em todo o país, as quais faziam dele o homem mais rico de toda a Península Ibérica.

 

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O BANQUETE DA REPÚBLICA NO ACAMPAMENTO DA ROTUNDA ACONTECEU HÁ 108 ANOS!

Passam precisamente 108 anos desde a realização do grande banquete que, após os confrontos que levaram à implantação do regime republicano, teve lugar no acampamento da Rotunda onde um punhado de soldados e meia centena de carbonários se entrincheiraram às ordens do Comissário Naval Machado dos Santos.

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A imagem mostra o reduzido número de militares e civis que permaneceram no acampamento da Rotunda nos dias da Revolução

 

Uma vez alcançado o cessar-fogo na manhã do dia 5 de outubro, as hostilidades republicanas dirigiram-se para alvos mais comestíveis e nutritivos. O acampamento manteve-se por mais cinco dias que foram preenchidos com a realização de um autêntico festim que, a avaliar pelas quantidades de alimentos digeridos, reuniu largas centenas de comensais que, não tendo embora participado nos combates, não quiseram deixar os seus créditos de bravura por mãos alheias.

Desse extraordinário sucesso que não deveria ser omitido nas páginas da nossa História contemporânea onde se inscrevem tão gloriosos feitos revolucionários, dá-nos conta a insuspeita revista “Ilustração Portugueza”, na sua edição de 7 de novembro de 1910, sob o curioso título “Subsídios photographicos para a História da Revolução”:

O reducto da Avenida, que foi o verdadeiro baluarte da republica, offereceu aspectos deveras curiosos, mesmo depois de passados os combates. Durante os dias que os soldados e os civis ali se encontraram foi montado um serviço regular de subsistências, confeccionando-se em improvisadas cosinhas, rancho de que partilharam todos os que lá se tinham juntado nos dias da revolta. Na manhã do dia seis foram cozinhadas no acampamento duas mil pescadas em nove fogões de campanha e desde que se estabeleceu o serviço regular até ao dia 10, em que se retiraram os militares e paisanos, consumiu-se dez mil kilos de carne de vacca e quarenta mil kilos de pão, não sendo possível averiguar o numero de pessoas que foram alimentadas durante esse tempo na rotunda que se tornou um logar histórico”.

- Não mencionou o cronista com quantos litros de vinho regaram tão lauto repasto !

 

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A confeção do rancho no acampamento da Rotunda. O corneteiro, ao centro, aguardando ordens para tocar para o rancho...

 

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Os cestos com as duas mil pescadas. Um aspeto da confraternização. À esquerda vê-se um militar agarrado à sua namorada.