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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PAREDES DE COURA: ARROLAMENTO DOS BENS CULTUAIS EM ROMARIGÃES

Arrolamento dos bens cultuais situados na freguesia de Romarigães, concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, constando de: Igreja Matriz de São Tiago de Romarigães; Capela de São Roque, em São Roque. Comissão Juridiscional dos Bens Cultuais. Data: 27 de Setembro de 1911.

Fonte: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças

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ARCOS DE DE VALDEVEZ ASSINALA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA COM FESTIVAL DE MÚSICA

Festival Música e Monumentos com a participação da banda da Sociedade Musical Arcuense

5 de outubro | 15h30. Campo do Trasladário (anfiteatro)

A Banda da Sociedade Musical Arcuense apresenta-se novamente ao público no próximo dia 5 de outubro, pelas 15.30h no Campo do Trasladário (anfiteatro), no âmbito do festival Música e Monumentos.

Este é um evento de âmbito nacional, promovido pela Confederação Musical Portuguesa, apoiado pelo Ministério da Cultura através do programa "Garantir Cultura", e com o alto patrocínio de Sua Excelência o Sr. Presidente da República.

Com este evento, pretende-se assinalar os 111 anos da Implantação da República em Portugal, através da atuação descentralizada de bandas filarmónicas junto a monumentos e sítios históricos em todo o país.

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QUEM FOI RAIMUNDO ENNES MEIRA – MAJOR DE ARTILHARIA – NATURAL DE AFIFE?

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Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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Raimundo Enes Meira (Viana do Castelo, Afife, 25 de Maio de 1866 — Viana do Castelo, Afife, 30 de Junho de 1946) foi um coronel da Artilharia do Exército Português e político ligado ao Partido Democrático de Afonso Costa. Eleito deputado e senador no Congresso da República entre 1915 e 1926, foi o principal organizador do Partido Democrático no Alto Minho.

Nasceu em Afife em 25 de Maio de 1866, filho de Joaquim Alves Meira e Custódia Enes Ramos Bezerra.

Alistou-se como voluntário no Regimento de Infantaria N.º 3 em 1886.

Foi 1.º Sargento Graduado Cadete no Regimento de Artilharia N.º 2. Concluiu o curso de Artilharia da Escola do Exército em 1893, sendo promovido a 2.º Tenente no mesmo ano. Serviu nos Regimentos de Artilharia N.º 3 e N.º 5.

Promovido a 1.º Tenente em 1895. Foi destacado, em missão de serviço, para o Estado da Índia em Maio de 1896 na brigada de artilharia de montanha, num corpo expedicionário comandado por S.A.R o Infante D. Afonso de Bragança e onde faziam parte Norton de Matos e Alfredo de Sá Cardoso. Retornou à metrópole em Novembro de 1897 para o Regimento de Artilharia N.º 3.

Promovido a Capitão em 1908 e no mesmo ano contrai matrimónio com Laura Pinto de Lemos Pereira. Recebeu a Medalha de Prata Rainha D. Amélia.

Em 1911 é destacado para o grupo de artilharia de montanha que é colocado na Serra do Gerês por motivos da 1ª incursão de Paiva Couceiro.

Nomeado em Junho de 1913, Governador-Civil do Distrito de Viana do Castelo, é destacado durante o mês de Julho para Governador-Civil do Distrito de Coimbra, por motivos de uma greve geral da cidade. Retorna em Agosto a Viana do Castelo, e exerce o cargo até Março de 1914

Eleito deputado por Viana do Castelo em 1915 pelo Partido Democrático.

Promovido a Major em 1916, é colocado no 1º Batalhão de Obuses de Campanha, embarca para França em 1917, integrado na 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português comandado pelo General Simas Machado. Em França passa pelos Regimentos de Artilharia N.º 6 e N.º 11. Promovido a Tenente-Coronel em Fevereiro de 1917, é transferido para o Estado-Maior de Artilharia de Campanha.

É desmobilizado em Outubro de 1918. Regressado a Portugal é nomeado 2.ºcomandante do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 17 de Maio de 1919 é feito Comendador da Ordem Militar de Avis e a 28 de Junho do mesmo ano Comendador da Ordem Militar de Cristo.

É eleito Senador por Viana do Castelo, nas listas do Partido Democrático em 1919, sendo reeleito em 1923 e 1925.

Promovido a Coronel em 1922, assume o comando do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 5 de Outubro de 1923 é elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis. Recebeu ainda a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar.

Nomeado em 16 de outubro de 1924 governador de Timor, reorganiza as finanças da colónia, conseguindo equilibrar o orçamento. Cria o Imposto Predial rústico e urbano, o Imposto Industrial, cria em Díli a primeira feira agrícola-industrial naquela colónia e atribui as primeiras concessões para a prospecção de Petróleo naquela colónia.

Exonerado do cargo em junho de 1926 pelo governo saído da Revolução Nacional, é passado à reserva em fevereiro de 1927. Faleceu em Afife em 30 de junho de 1946.

Fonte: Wikipédia

ESPOSENDE: GOVERNO DEVOLVEU EM 1929 OS BENS ECLESIÁSTICOS À IGREJA QUE HAVIAM SIDO CONFISCADOS PELA PRIMEIRA REPÚBLICA

O Ministério da Justiça e dos Cultos - Direcção Geral da Justiça e dos Cultos - 2.ª Repartição (Cultos), através da Portaria nº. 6154, publicada em Diário do Govêrno n.º 114/1929, Série I de 22 de Maio de 1929, determinou a entrega de vários bens à corporação encarregada do culto católico na freguesia de Esposende, concelho do mesmo nome.

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PONTE DE LIMA: GOVERNO FINANCIOU CENTRO REPUBLICANO PARA MANTER “ESCOLA MÓVEL”

O Ministério de Instrução Pública - Repartição da Instrução Primária e Normal - Repartição das Escolas Móveis, po rmeio de decrecto publicado em Diário do Govêrno n.º 271/1913, Série I de 19 de Novembro de 1913, concedeu um subsídio de 100 escudos ao Centro Republicano de Ponte do Lima, para sustentação duma escola movel.

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PAREDES DE COURA: LEI DA SEPARAÇÃO IMPÔS REFORMA DOS ESTATUTOS DAS CONFRARIAS DE PAREDES, PADORNELO E VASCÕES

Através de Portaria publicada em Diário do Governo n.º 150/1912, Série I de 28 de Junho de 1912, o Ministério do Interior - Direcção Geral de Assistência - 1.ª Repartição, autorizou a Confraria do Santíssimo de Vascões, a desviar dos seus respectivos fundos várias quantias, destinadas a fazer face às despesas com a reforma dos seus estatutos, exigida pela Lei da Separação. O mesmo princípio foi aplicado às confrarias de Paredes e de Padornelo.

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PAREDES DE COURA: NARCISO DA CUNHA INFORMA BERNARDINO MACHADO ACERCA DO CENTRO REPUBLICANO DE ARCOS DE VALDEVEZ

Em 2 de Outubro de 1911, um ano após a implantação da República, Narciso da Cunha informava Bernardino Machado por carta a partir de Paredes de Coura, não ter informações relativas à inauguração do Centro Republicano de Arcos de Valdevez.

Fonte: Fundação Mário Soares

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VIEIRA DO MINHO: MONÁRQUICOS REGRESSAM DO BRASIL PARA CONSPIRAREM CONTRA A REPÚBLICA

Em 16 de Julho de 1913, Justino Cruz na sua qualidade de Governador Civil de Braga, endereçou ao Ministro do Interior um ofício confidencial, enviando cópia de ofício do Administrador de Vieira do Minho de 14 de Julho de 1913, participando o regresso à Galiza de conspiradores que estavam no Brasil. O Governador Civil sugere reforço dos postos da guarda fiscal. Contém "visto" de Rodrigo Rodrigues e indicação para ser dado conhecimento ao Ministério das Finanças.

Fonte: Fundação Mário Soares

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1913 - FESTA DA ÁRVORE EM PONTE DE LIMA. RECORDANDO UM ARTIGO DE LUÍS DANTAS

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De acordo com Zeca Afonso, o seu avô materno e ponte-limense, Domingos José Cerqueira “ (…) introduziu o culto da árvore nas escolas”[1], e outro nome relacionado com esta vila minhota, Delfim Guimarães, é indissociável à Festa da Árvore que, a Portugal, chegara em 1907, por mãos republicanas.

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Em 1913 também o concelho de Ponte de Lima acolheu esta celebração, com relevância para a freguesia de Vitorino de Piães[2]. Num domingo, dia 9 de Março, pelas 13 horas, na escola do sexo feminino, a sessão solene teve início, presidindo a professora oficial, Maria A. Leite Vilaça, e a cargo de João Carvalho, de Braga, ficou a explicação da importância da festa, e a demonstração de “não haver incompatibilidade com a religião”.

Cantou-se o Hino das Escolas e uma menina recitou “uma comovente alocução à árvore”. Em teatralização, as crianças Casimira da Costa e Sousa e Amaro Barreto “mostraram o encanto e utilidade da festa”.

O cortejo que se seguiu, até ao local destinado à plantação, era aberto por um aluno, empunhando a bandeira nacional. Em seguida, um aluno de cada uma das escolas transportando as árvores a serem plantadas, “adornadas com fitas das cores nacionais”, alunas e alunos com pequenas bandeiras nacionais, “diferentes instrumentos agrícolas de madeira”, cedidos pelo professor da Sé, Braga, José Gomes Barros, e, fechando o cortejo, antes “da imensa multidão de povo que assistiu à festa”, a banda musical de Cabaços.

Concluída a plantação, e o uso da palavra pelo professor oficial José Pedro Gonçalves, regressou “o cortejo pela mesma forma à escola”. Depois da recitação do hino da Árvore, pelo menino João Oliveira Caridade, e para conclusão, foi “distribuída pelas crianças uma merenda, constando de pão, figos e vinho”.

O fotógrafo amador João Carvalho tirou “diversas fotografias”[3]

[1] -José Carlos Loureiro (http://anunciadordasfeirasnovas.blogspot.pt/2009/08/proposito-dos-80-anos-de-zeca.html)

[2] - O Comércio do Lima, n.º 331, 15 de Março de 1913.

[3] - Não conhecemos nenhuma.

- José Sousa Vieira

Fonte: http://limianismo.blogspot.com/

A COMEMORAÇÃO DO DIA DA ÁRVORE E DA FLORESTA: SUAS ORIGENS E SIGNIFICADO

O culto da árvore – atualmente celebrado como Dia da Árvore e da Floresta – no qual se insere a festa que lhe era dedicada constituiu uma das iniciativas que os republicanos fomentaram nos começos do século passado com vista à introdução na sociedade portuguesa de novos valores e símbolos com os quais procuraram substituir os valores tradicionais associados à Igreja Católica e ao Cristianismo em geral. Tratava-se, com efeito, de uma campanha de penetração ideológica nos meios rurais, promovida pela própria maçonaria, utilizando para esse meio os seus próprios órgãos de propaganda como era o caso do jornal “O Século Agrícola”, suplemento do jornal “O Século” dirigido por Magalhães Lima que, conforme o próprio título sugere, propunha-se promover a secularização da sociedade.

Tratava-se, com efeito, de criar uma nova liturgia, celebrado por altura do equinócio da Primavera, preconizando o retorno aos antigos ritos pagãos anteriores ao estabelecimento do Cristianismo em detrimento das celebrações da Páscoa e da Ressurreição de Jesus Cristo, crença essencial da fé cristã.

A “Festa da Árvore” realizou-se pela primeira vez no Seixal em 1907, por iniciativa da Liga Nacional de Instrução, tendo nos anos que se seguiram atingido especial visibilidade as que tiveram lugar na Amadora por iniciativa da Liga de Melhoramentos da Amadora, organização de inspiração republicana onde pontificava o escritor Delfim Guimarães.

De uma maneira geral, a realização da “festa da árvore” ocorreu nas localidades onde os republicanos dispunham de maior organização, sobretudo nas regiões mais a sul do país. Porém, é sabido que em Viana do Castelo também dispunham de uma certa influência, mantendo inclusive em funcionamento uma loja maçónica – a Loja Fraternidade – com mais de três dezenas de membros.

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A revista Ilustração Portugueza, de 30 de março de 1914, dá-nos conta da realização nesse ano da festa da árvore em Viana do Castelo, nos seguintes termos: “Em Viana do Castelo a festa da árvore teve o concurso de todas as autoridades civis e militares, escolas oficiais e particulares. No Campo da Agonia foram plantadas duas laranjeiras e duas cerejeiras tendo assistido imenso povo. Falaram o alferes sr. Alpedrinha e o sr. Dr. Rodrigo Abreu sendo o cortejo dirigido pelo capitão sr. Malheiro. As tropas da guarnição da cidade também tomaram parte n’essa encantadora cerimónia em que foi exaltado o culto da árvore que O Século Agrícola tanto tem propagandeado.

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A comemoração do Dia da Árvore manteve-se durante a vigência do Estado Novo, desprovida contudo da carga ideológica que inicialmente encerrava, tendo chegado até aos nossos dias como um ritual que se cumpre anualmente como um aceno à chegada da Primavera.

Não obstante o propósito original de tal iniciativa, a comemoração do Dia da Árvore e da Floresta, dirigida especialmente às crianças em idade escolar, veio cumprir uma função pedagógica e cívica, sensibilizando-os para a necessidade de preservação da floresta e do meio ambiente.

ARROLAMENTO DOS BENS CULTUAIS DA FREGUESIA DE ARCOS DE VALDEVEZ

Entre 7 de Setembro e 5 de Dezembro de 1911, procedeu-se ao arrolamento dos bens cultuais da freguesia e concelho de Arcos de Valdevez, constando da Igreja Paroquial de São Salvador.

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Tratou-se de um procedimento imposto pela Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, um organismo criado a seguir à implantação do regime republicano no ano anterior destinado à expropriação do património eclesiástico.

Refira-se que desde a reforma administrativa de 18 de Julho de 1835 foram criadas as juntas de paróquia para se destacarem da estrutura eclesiástica que remonta à Idade Média, muito embora os seus limites geográficos fossem coincidentes com esta. Com a Lei nº 621, de 23 de Junho de 1916, a estrutura civil das juntas de paróquia passaram a designar-se por juntas de freguesia – de filius ecclesiae – que, ironicamente, quer dizer “filho da Igreja”.

São designados por bens cultuais porque se destinavam ao culto, não devendo serem confundidos com “bens culturais”.

Fonte: ANTT

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AS CELEBRAÇÕES DO 1 DE DEZEMBRO DURANTE A I REPÚBLICA E NO ESTADO NOVO

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Uma semana após a implantação da República em Portugal, mais precisamente em 12 de Outubro de 1910, instituiu o Governo Provisório os feriados do novo regime, contando-se entre eles o dia 1 de Dezembro então identificado como o dia da “Autonomia da Pátria Portuguesa”. Em 30 de Junho de 1911, a 11ª Sessão da Assembleia nacional Constituinte aprovou o Projecto de lei do governo que instituiu os novos feriados, nos seguintes termos:

“Tendo o Governo Provisório da Republica Portuguesa decretado a abolição da consagração official dos dias santificados e estabelecido como feriados, por merecerem a homenagem nacional, os dias 1 e 31 de Janeiro, 5 de Outubro e 1 e 25 de Dezembro, e tendo ainda concedido às câmaras municipaes do país o direito de, a dentro das respectivas municipalidades, estabelecerem um dia feriado á sua escolha, devendo portanto ser considerados extraordinarios todos aquelles que, alem dos já citados, venham a estabelecer-se, a Assembleia Nacional Constituinte dispõe e estatue o seguinte:

Artigo 1.° São só considerados feriados officiaes, para os effeitos do abandono de trabalho durante vinte e quatro horas pelos operarios adventicios do Estado ou dos municipios, os dias já decretados pelo Governo da Republica Portuguesa, e os que tenham sido ou venham a ser estabelecidos pelas differentes municipalidades, isto é, um por município conforme foi decretado.

Art. 2.° Quando porventura se reconheça a necessidade de estabelecer novos feriados, aos operarios a que se refere o artigo anterior ser-lhes-ha facultativo o poderem trabalhar.

§ unico. Quando por qualquer motivo extraordinario não se possa manter a concessão expressa no artigo anterior, os operarios a que se refere o artigo 1.receberão sempre os respectivos vencimentos.”

O regime republicano estabeleceu de imediato uma nova liturgia condizente com o seu próprio ideário, incluindo nela as celebrações de carácter patriótico e de evocação dos feitos republicanos, edificando a partir desse sincretismo uma nova religião cívica que contemplava outros ritos e símbolos como o busto da República, o hino, a divisa “saúde e fraternidade”, o panteão nacional e a Festa da Árvore.

As agremiações culturais e recreativas a que hoje vulgarmente designamos por colectividades de cultura e recreio constituíram um meio privilegiado de intervenção política dos republicanos, de veicularem as suas ideias e, através delas, implantarem a sua organização. Essas entidades foram, em grande medida, a face visível da organização do Partido Republicano, da Carbonária e da própria Maçonaria, não admirando aliás as semelhanças existentes nas suas próprias normas estatutárias. Desse modo, também as celebrações do dia 1 de Dezembro tiveram por base organizativa essas entidades que, um pouco por todo o país, multiplicavam as iniciativas comemorativas com a realização de concertos musicais e festividades populares.

Um pouco por toda a parte mas sobretudo naquelas regiões onde a influência do Partido republicano mais se fazia sentir, surgiram inúmeras associações e bandas filarmónicas, sociedades de instrução e recreio e centros escolares republicanos cuja denominação aludia ao dia 1 de Dezembro. Ainda actualmente é possível encontrar muitas dessas colectividades principalmente nos arredores de Lisboa e nos concelhos da margem sul do rio Tejo.

À medida que a situação política do país se agrava e o regime entra em decadência também as celebrações do 1 de Dezembro vão perdendo o seu fulgor inicial, apenas prosseguindo pela força do hábito criado em tais agremiações e como forma de manter a sua dinâmica cultural, nalguns casos, porém, providas de grande significado local como sucede em Santo Aleixo da Restauração.

Com o advento do Estado Novo na sequência da ditadura militar de 1926, também o Estado Novo criou os seus ritos comemorativos e passou a evocar os lugares de memória que procurava evocar. À altura em que o Estado Novo se estabeleceu, estavam em voga na Europa as ideias fascistas que irradiavam sobretudo de Itália e que encontravam em Portugal numerosos adeptos sobretudo no Nacional-Sindicalismo de Rolão Preto, o qual fazia então grandiosas demonstrações com os seus “camisas azuis”. Avesso a manifestações tão ostensivas e procurando um apaziguamento social a todo o custo, o Prof. Oliveira Salazar baniu o Nacional-Sindicalismo levando ao exílio dos seus principais dirigentes, ao mesmo tempo que criava a Associação Escolar Vanguarda (AEV), antecessora da Mocidade Portuguesa, para esvaziar politicamente os “camisas azuis” do Nacional-Sindicalismo.

A partir de então, foi essencialmente à Mocidade Portuguesa que foi atribuída a responsabilidade pela organização das celebrações do dia 1 de Dezembro, centradas na Praça dos Restauradores e junto ao antigo Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa, com a realização de grandiosas paradas e desfiles. De resto, a própria Mocidade Portuguesa instalou o seu quartel no referido palácio, vulgarmente conhecido por “Palácio da Independência”, tendo-se ali mantido até à altura do 25 de Abril de 1974. De referir que, possuindo as suas estruturas uma implantação em todos os estabelecimentos de ensino nos quais os alunos eram obrigados a participar nas suas actividades, as celebrações do dia 1 de Dezembro representavam um ritual a contribuir para a formação patriótica da juventude.

Durante o governo do Prof. Marcello Caetano, curiosamente um antigo Comandante da Mocidade Portuguesa, aquelas paradas deixaram de se realizar e a actividade da organização foi decrescendo.

Entre a I República e o Estado Novo alteraram-se substancialmente os ritos comemorativos na medida das diferenças ideológicas que os distinguiam. De igual modo, enquanto a I República privilegiou a participação popular baseada nas instituições que controlava, o Estado Novo conferiu-lhe uma nova estética mais guerreira assente na Mocidade Portuguesa, na Milícia e outras organizações paramilitares que faziam parte do regime. Porém, é durante o Estado Novo que os lugares de memória relacionados com a efeméride adquirem uma maior expressão, da mesma forma que o regime se preocupa com a recuperação dos monumentos nacionais, procedendo ao restauro de castelos e igrejas um pouco por todo o país.

GALIZA NON TEN REI: NACIONALISTAS GALEGOS PROTESTAM CONTRA A PRESENÇA DO MONARCA NA CORUÑA

Concentración na Coruña en contra da visita de Felipe VI baixo o lema "Galiza non ten Rei"

Vía Galega protesta así pola presenza do monarca español na apertura do curso universitario.

A plataforma Vía Galega convoca unha concentración o vindeiro 30 de setembro ás 11:00 h. ante a Reitoría da Universidade da Coruña por mor da presenza de Felipe VI no acto institucional de inicio de curso académico no Estado.

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Baixo o lema “Galiza non ten Rei, avante a República Galega”, esta plataforma quere expresar que a monarquía fai parte dun "sistema inxusto, onde prevalecen os privilexios e a herdanza do franquismo", que fomenta o "centralismo e a dependencia de Galiza, ademais de limitar os dereitos para o ensino público galego".

"Desde Vía Galega faise un chamado a participar nesta concentración para rexeitar a presenza do Rei Filipe de Borbón como representante dunha institución anacrónica, como a monarquía española, que nega os dereitos do pobo galego", apunta a entidade nun comunicado.

A plataforma Vía Galega, que integra máis 50 entidades sociais e culturais en defensa dos dereitos nacionais de Galiza, ademais de organizar conmemoracións históricas ten en marcha diversas actividades como a expedición dun pasaporte galego ou a recollida de sinaturas da Carta de Dereitos do Pobo Galego, todas elas encamiñadas á difusión do recoñecemento de Galiza como nación e á reclamación do dereito de autodeterminación.

Fonte: http://www.galiciaconfidencial.com/