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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BRAGA É UMA DAS CIDADES FUNDADORAS DA "REDE EUROPEIA DAS CELEBRAÇÕES DA SEMANA SANTA E PÁSCOA"

Arranca a "Rede Europeia das Celebrações da Semana Santa e Páscoa" em Braga

Liderada pela rota andaluza “Camiños de Passión” (Caminhos de Paixão), a nova Rede inicia o seu percurso tendo por sócios fundadores Espanha, Portugal (com a Semana Santa de Braga), Malta, Eslovénia e Itália.

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Hoje, 18 de março, teve lugar, no Palácio do Raio, em Braga, o II Fórum que reuniu pela segunda vez um grupo de entidades europeias. A ocasião serviu para consolidar este projeto (recorda-se que a primeira reunião ocorreu em Lucena, Espanha, no passado mês de setembro), e fundar a nova associação, que é criada para agregar valor às tradições europeias relacionadas com a Semana Santa e Páscoa, e que aspira a apresentar uma candidatura a um futuro Itinerário Cultural Europeu, do Conselho da Europa.

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Na reunião participaram representantes da Espanha, Eslovénia, Itália, Malta e Portugal, num total de nove entidades, que organizam, nas suas diferentes regiões geográficas, cerimónias relacionadas com a Semana Santa e a Páscoa.

Durante a sessão de trabalho foram discutidos e adotados pontos muito importantes e que orientarão o funcionamento e a atividade desta nova entidade: a assinatura do acto fundador da rede, a eleição do Conselho de administração, a criação de um Comité Científico, a adoção de seu plano de trabalho e de financiamento, bem como a organização de sua atividade para a preparação e apresentação do candidatura a um Itinerário Cultural Europeu.

Sobre os Itinerários Culturais do Conselho da Europa

O programa Itinerários Culturais do Conselho da Europa foi lançado em 1987 pelo Conselho da Europa com a finalidade de demonstrar, através da viagem no espaço e no tempo, como o património cultural da Europa se desenvolve através das fronteiras.

Um itinerário cultural europeu é uma rota que abarca países e regiões e que se organiza em torno de um tema cuja história, interesse artístico e cultural é claramente europeu, seja pela sua localização geográfica ou pelo seu conteúdo e significado.

Sobre a "Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa de Páscoa"

Esta rede europeia das Semanas Santas e celebrações da Páscoa é formada como uma associação sem fins lucrativos, aberta a todas as religiões e crenças que comemoram a paixão e ressurreição de Jesus Cristo, e cuja património cultural é um ponto de referência nas suas respetivas regiões e/ou países.

A Associação pretende congregar esforços e aproveitar sinergias na consolidação de um modelo de conservação e difusão do património material e imaterial da Semana Santa e Páscoa, ao mesmo tempo que promove estas expressões, dos diferentes membros e áreas geográficas envolvidas, como destinos turísticos de qualidade.

Esta associação tem, na sua fundação, como sócios fundadores, diferentes entidades, que promovem e acrescentam valor na representação das tradições e festas emblemáticas a nível europeu, e que são os seguintes:

  • A italiana Fundação Frederico II, da Sicília, Itália, em representação dos municípios de Palermo, Caltanissetta e Trapani
  • Os municípios de BirguQormi, por parte de Malta
  • Comissão da Quaresma e Celebrações da Semana Santa de Braga, em Portugal
  • As representações da Paixão de Cristo em Skofja Loka, na Eslovénia
  • A rota andaluza Camiños de Passión, que representa as celebrações da Semana Santa dos municípios de Alcalá la Real, em Jaén; Baena, Cabra, Lucena, Priego de Córdoba e Puente Genil, da província de Córdoba; e ainda Écija, Osuna e Utrera, da província de Sevilha
  • Dentro da geografia espanhola, também integram a Rede as celebrações da Semana Santa de Orihuela(Alicante), Lorca (Múrcia) e Viveiro (Lugo)

Razões da candidatura

Este projeto de Itinerário Cultural é uma formidável oportunidade e uma plataforma para disseminar e dar a conhecer o património relacionado com as celebrações da Semana Santa e Páscoa (onde Braga estará inserida), conferindo-lhe visibilidade a nível europeu e inclusivamente mundial.

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DISCOVER MINHO SPIRITUAL – UMA APLICAÇÃO MOBILE E UM PASSAPORTE DIGITAL

Na perspetiva de contribuir para o desenvolvimento sustentado de toda a região do Minho, designadamente através da dinamização do produto turístico religioso e cultural tornando o destino Minho numa referência de excelência na oferta do turismo religioso e cultural, a ATURMINHO (Associação de Turismo do Minho) e AHET MINHO – Associação de Hotelaria e Empreendimentos Turísticos do MINHO, no âmbito do Programa Operacional Regional do Norte 2020, desenvolveu uma aplicação mobile para turistas.

Com o objetivo de informar, facilitar e fazer da visita ao Minho uma fenomenal experiência, a aplicação mobile Discover Minho Spiritual permitirá aos turistas informação privilegiada sobre o Minho, e estará brevemente disponível no Google Play para download.

Esta aplicação conta com uma curiosidade que tornará a experiência da visita aos altares de fé do Minho algo diferenciador. Para além da informação atualizada e pertinente, existe um Passaporte Digital que regista a viagem individual e a movimentação dos turistas, informando a distância a que está o próximo altar de fé e, após visita, será emitido um carimbo digital que atesta a presença do turista no local e o seu percurso pelo sagrado e profano desta magnífica região.

Para além da aplicação mobile, o projeto tem já em pleno funcionamento as redes sociais Facebook (https://www.facebook.com/discoverminho/) e Instagram (https://www.instagram.com/discoverminho/).

FAMALICÃO APOIA OS PEREGRINOS

“Famalicão em Forma” prepara e dá apoio aos peregrinos famalicenses. A primeira iniciativa decorreu no passado dia 9 de fevereiro com a romagem de quase uma centena de peregrinos até Balazar, no concelho de Guimarães

Apoiar na preparação física dos peregrinos, com a realização de treinos semanais e acompanhamento profissional, e prestar auxílios diversos ao longo de vários percursos religiosos que partem do concelho de Vila Nova de Famalicão é o novo desafio do programa “Famalicão em Forma” promovido pelo pelouro do desporto da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

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A primeira iniciativa decorreu no passado dia 9 de fevereiro com a romagem de quase uma centena de peregrinos até Balazar, no concelho de Guimarães.

Para o dia 23 de março, está já a ser preparada a peregrinação de uma etapa dos Caminhos de Santiago, entre Lousado e Portela. Com um percurso de 20 quilómetros, a jornada arranca pelas 8h30 da Ponte da Lagoncinha e termina em Portela de Santa Marinha. Entretanto, no dia 29 de junho, irá realizar-se romagem até São Bento da Porta Aberta.

As caminhadas inserem-se no novo roteiro religioso promovido no âmbito do programa Famalicão em Forma.

Os peregrinos inscritos no programa beneficiam assim de sessões de treino semanais com acompanhamento especializado e níveis diferenciados, avaliações físicas periódicas e apoio técnico de forma a conseguirem a condição física necessária para realizar a caminhada sem prejudicar a sua saúde.

Durante os percursos, os participantes podem ainda contar com o apoio dos técnicos municipais, nomeadamente através de uma carrinha e um carro de apoio, caixa de primeiros socorros e distribuição de águas. Nos percursos mais longos será também assegurada a presença de enfermeiros e fisioterapeutas.

Refira-se que atualmente são já quase 500, as pessoas que praticam exercício sob a orientação dos técnicos de educação física da autarquia afetos a este programa, promovido pelo município de Famalicão desde maio de 2017 com o objetivo de promover a prática regular de atividade física e a adoção de um estilo de vida saudável da população famalicense, de uma forma acessível e totalmente gratuita.

No fundo, trata-se de avaliar o estado de saúde de cada pessoa, com a realização de uma avaliação inicial que incluiu a análise da composição corporal, da função respiratória e cardiovascular e a caraterização dos comportamentos e estilos de vida adotados; prescrever exercício físico de acordo com as necessidades e características de cada um e acompanhar e orientar os treinos, dando conselhos e dicas, sempre com o auxílio de técnicos especializados.

Para se inscreverem no programa, os interessados devem dirigir-se ao Gabinete de Apoio, junto ao Centro Coordenador de Transportes.

De outubro a abril (horário de inverno), o Gabinete funciona às segundas, quartas e sábados das 09h30 às 12h00, às segundas, quartas e sextas das 17h30 às 19h30 e às terças e quintas das 17h30 às 20h30. De maio a setembro (horário de verão), funciona às segundas, quartas e sábados das 08h30 às 11h00, às segundas, quartas e sextas das 17h30 às 19h30 e às terças e quintas das 17h30 às 20h30.

Atualmente estão definidos dois tipos de treino: outdoor, no Parque da Devesa e no Parque de Sinçães, e indoor, no Pavilhão Municipal das Lameiras.

Recorde-se ainda que os balneários do Parque da Devesa estão também à disposição dos participantes do projeto.

VIANA DO CASTELO: ALVARÃES PREPARA VIA SACRA

40 ANOS da Via Sacra em quadros-vivos da Vila de Alvarães

No âmbito das comemorações dos 40 anos da Via Sacra em quadros-vivos de Alvarães estamos a tentar recolher fotografias destas últimas 4 décadas. Deste modo, apelamos a todas as pessoas que tenham fotografias em sua posse referentes a este evento para que possam partilhá-las connosco.

Pedimos que contactem a Organização para se proceder à recolha e respectiva cópia das fotografias.

Muito obrigado,

A Organização "Julio / Fernanda / Patricia "

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JOSÉ EUSÉBIO, PEREGRINO A SANTIAGO DE COMPOSTELA, REALIZA NA PÓVOA DE VARZIM UMA CONFERÊNCIA PARA NOS CONTAR A SUA EXPERIÊNCIA… E DAR TESTEMUNHO DA SUA FÉ!

José Eusébio, peregrino a Santiago de Compostela, já percorreu 12 vezes itinerários jacobéus. Em conferência a realizar na Póvoa de Varzim, no próximo dia 25 de Janeiro, vai dar testemunho da sua experiência… e da sua Fé!

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Conferência dia 25 em Póvoa do Varzim

“Caminho pela geira é incomparável e constitui uma viagem no tempo”

O Grupo dos Amigos do Caminho de Santiago da Póvoa de Varzim promove na sexta-feira, da 25 de Janeiro, uma conferência intitulada “As Minhas Histórias do Caminho”, com a participação do peregrino José Eusébio, que percorreu uma dúzia de vezes diferentes itinerários jacobeus, o último dos quais o Caminho da Geira Romana e dos Arrieiros.

Na perspetiva de José Eusébio, de 31 anos, este caminho, que liga Braga a Santiago de Compostela, na distância de 240 quilómetros, “é incomparável”, com “paisagens de cortar a respiração e uma tranquilidade inexplicável. Uma viagem no tempo, muito graças ao seu legado romano”.

O peregrino, que já percorreu sete itinerários jacobeus, adianta que “as gentes desta rota demonstram espírito hospitaleiro e estão empenhadas no seu desenvolvimento.  Este caminho é sinónimo de aventura, paz e felicidade”.

Quanto à vontade de associações, como as do Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro e de Codeseda Viva, de oficializar este caminho até ao Ano Santo Jacobeu de 2021, José Eusébio, natural de Póvoa do Varzim e residente em Barcelos, afirma que é “claramente possível” concretizar o objetivo.

“Nesta fase é necessário marcar o caminho, com as famosas setas amarelas e criar as infraestruturas de apoio aos peregrinos, como albergues. Colmatando estas lacunas, o crescimento do número de peregrinos será exponencial”, refere o conferencista, que é instrutor de fitness  e professor de natação.

A conferência decorre no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, a partir das 21h30. A participação é gratuita, mas a inscrição obrigatória, podendo ser feita na página de Facebook do Grupo dos Amigos do Caminho de Santiago da Póvoa de Varzim.

Após a apresentação de José Eusébio, segue-se uma conversa com a assistência e a ideia da organização  - que guarda “uma surpresa para o final”, aconselhando os participantes “a não comerem muito à sobremesa” - é que todos “levem muitas dúvidas” sobre o caminho de Santiago pelo Gerês.

O orador já percorreu os caminhos Central Português, Português da Costa e Variante Espiritual, Português do Interior (bicicleta), Finisterra/Muxia, Primitivo, Inglês e da Geira Romana e dos Arrieiros (concluído a 31 de dezembro de 2018).

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TERRABOURENSE FREI BENTO DOMINGUES É O MAIOR TEÓLOGO PORTUGUÊS DA IGREJA CATÓLICA

Universidade do Minho concede “honoris causa” ao “maior teólogo” português

“O maior teólogo” da Igreja e uma “voz grande da cultura”, justifica Moisés Lemos Martins. Um reconhecimento de um itinerário centrado numa “teologia da periferia”, como diz frei Bento. Ou um nome “marcante na produção teológica em Portugal” e “um dos pilares da sociedade portuguesa”, como dizia há poucos meses, sobre Bento Domingues, o agora arcebispo Tolentino Mendonça.

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Bento Domingues: Um “magistério na cultura portuguesa – no campo religioso e fora dele”, dizia Tolentino Mendonça, em Junho (foto Francisco Marujo)

 

Frei Bento Domingues, frade dominicano, teólogo, colunista do jornal Público e autor do ensaio A Religião dos Portugueses, será doutorado honoris causa pela Universidade do Minho, no próximo dia 15 de Fevereiro, soube o 7MARGENS. Frei Bento é, “por certo, o maior teólogo” da Igreja Católica em Portugal e é uma “voz grande da cultura portuguesa”, diz Moisés Lemos Martins, director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade do Minho (UM), justificando a proposta de doutoramento.

A sugestão partiu do departamento de Ciências da Comunicação e do CECS. O doutoramento, acrescenta o professor catedrático da UM, será feito no âmbito dos Estudos Culturais. “O que me admira é terem tido esta ideia, que acolhi com agrado e reconhecimento, mas não era coisa que me passasse pela cabeça. A Universidade não tem obrigação nenhuma, esta escolha surpreendeu-me. Podia dizer que não queria, mas também seria ser exibicionista”, diz frei Bento ao 7MARGENS, comentando a informação, recebida nos primeiros dias de Janeiro.

Moisés Lemos Martins, que será o padrinho do doutoramento, acrescenta que “a presença permanente de frei Bento no espaço público, atravessando a segunda metade do século XX e já este século”, destaca-o como “homem da Igreja e da cultura, debatendo a condição humana e os desafios que se lhe colocam”. Ele tem sempre “uma palavra de esperança sobre a humanidade, num tempo em que muito se desespera, porque são muitos os desesperados e porque os desequilíbrios sociais não têm a solução que se exige”, acrescenta. Além disso, as suas intervenções, escritas ou faladas, colocam “em confronto permanente o Evangelho com os problemas do mundo e da humanidade”.

“Faço uma teologia da periferia”, diz Bento Domingues. “A única forma de interpretar [esta decisão] é que o estatuto da minha teologia foi sempre marginal. Sempre trabalhei em teologia nas formas mais variadas, mas não dentro de instituições católicas universitárias em Portugal. E a Universidade do Minho também não é confessional.

Prática teológica e inteligência da fé

Frei Bento começou por decidir não fazer doutoramento. “Depois andei em ziguezagues”, conta: ainda na década de 1990, chegou a ser convidado pelo então reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), padre Isidro Alves, para professor da respectiva Faculdade de Teologia e membro da equipa da revista teológica Communio. “Pedi-lhe garantia de que teria plena liberdade de ensino e ele respondeu que não o poderia fazer. Por isso, disse-lhe que não ia. Se fosse, corria o risco de perder um amigo e isso eu não queria.”

“O problema da prática teológica é que, se ela não é feita em liberdade, é um serviço à instituição e não uma inteligência da fé”, diz frei Bento. Apesar disso, e mesmo não tendo estado nunca ligado a uma instituição de forma muito dilatada no tempo, Bento Domingues acabou por ter uma intensa actividade ligada a universidades: leccionou vários anos no Instituto Bartolomeu de las Casas (Peru), na Universidade de São Tomás (Colômbia) e no Instituto Pedro de Córdoba (Chile), além de ter orientado cursos de animação e formação de missionários (Angola e Moçambique).

Em Portugal, o percurso foi idêntico: “Tive sempre relação com universidades, mas as não-confessionais.” Além de centenas de conferências, em muitos sítios, “quase sempre da ordem do acontecimento e não do institucional”, o frade dominicano esteve, por exemplo, nos conselhos gerais do Instituto de Ciências Sociais, de Lisboa e da Universidade do Porto (neste caso, entre 2014-18) e, na década de 1990, foi o responsável, com Alfredo Teixeira, pela criação do curso de Ciências das Religiões, da Universidade Lusófona, que entretanto abandonou. “A ideia era fazer teologia num espaço laico, mas era difícil: como não oferecia carreira, só podia ser para quem pudesse pagar e para pessoas reformadas ou desocupadas.”

Frei Bento tem insistido na ideia de que, desde 1910 e da instauração da República, a teologia tinha desaparecido das universidades públicas portuguesas, com o fim do curso que existia em Coimbra. A situação só ficou remediada com a criação da faculdade na UCP e a criação do Instituto Superior de Estudos Teológicos, ambos no final dos anos 1960. A UCP “nasceu contra o ISET”, que tinha sido criado por várias ordens religiosas e onde frei Bento também se empenhou bastante. Mas a Católica “também evoluiu” nos últimos anos, considera.

Por isso, este doutoramento surge como “um reconhecimento de um itinerário, de um trabalho que não teve espaço nas universidades públicas nem na Católica. Por isso aceitei. E é também uma forma de dizer que não devemos desistir.”

Um “gesto seminal”, um “grande autor”

Para Bento Domingues, a melhor definição do seu modo de fazer teologia foi feita por José Tolentino Mendonça, actual arcebispo e bibliotecário do Vaticano, na apresentação da edição revista e actualizada do seu livro A Religião dos Portugueses, editada em Maio de 2018 pela Temas e Debates (e co-organizada pelo autor deste texto). “Ele entendeu que eu nunca quis desistir da prática teológica e que isso para mim foi o essencial, incluindo com as minhas crónicas no Público ou a direcção da colecção Nova Consciência, no Círculo de Leitores”, publicada na década de 1990.

Nessa intervenção, Tolentino Mendonça considerou A Religião dos Portugueses como um livro “absolutamente marcante na produção teológica em Portugal” e que traduz um “gesto seminal” e uma “mudança de respiração” na teologia. E apontou o seu autor como “um grande artesão da teologia”, que “mostra uma juventude e um saber fazer verdadeiramente incontornável”. E acrescentou: “Temos uma grande dívida para com frei Bento Domingues, no sentido da inquietação e da incitação que ele nos faz ao pensamento.”

Ao mesmo tempo, disse que Bento Domingues tem a “capacidade de penetrar [e ser um] poder de referenciação”, com um “magistério na cultura portuguesa – no campo religioso e fora dele” que evidencia “como, através do pensamento e através da palavra, frei Bento é capaz de mostrar que aquilo que define os portugueses é o coração”. Enfim, considerou o frade dominicano como “um grande autor” e “um dos pilares da sociedade portuguesa”.

Fonte: António Marijo / http://setemargens.com/

SOLSTÍCIO DE INVERNO OCORRE HOJE – É O NATAL DO SOL!

De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, “O Solstício de Inverno ocorrerá no dia 21 de dezembro de 2018 às 22h23min, marcando o início da estação no hemisfério norte (a mais fria apesar da Terra vir a estar o mais perto do sol a 3 de janeiro). O sol neste dia de solstício estará o mais baixo possível no céu em Lisboa e aquando da sua passagem meridiana atingirá a altura mínima de 28°.

A tabela abaixo mostra que a duração do dia no Solstício de Inverno é efetivamente a mais curta. A 21 de dezembro de 2018 o disco solar nascerá às 07:51:04 horas e pôr-se-á às 17:18:07 horas em Lisboa.

A duração do dia será de 09:27:03 horas, o que é apenas 1 segundo a menos do que no dia seguinte.

O Inverno prolonga-se por 88,98 dias até ao próximo Equinócio, a 20 de março de 2019.”

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NATALE SOLIS INVICTI OU O SOLSTÍCIO DE INVERNO

Todo o mundo cristão celebra por esta altura o nascimento de Jesus, não obstante desconhecerem-se quaisquer referências históricas ou bíblicas que mencionem a data em que tal acontecimento se verificou. Por conseguinte, o Natal é festejado a 25 de Dezembro ou a 7 de Janeiro de acordo com as tradições católica ou ortodoxa, em virtude da adopção dos calendários juliano ou gregoriano. Ora, é nesta ocasião que ocorre o solstício do inverno ou nascimento do sol, precisamente a altura em que os raios solares deixam de decrescer e passam de a aumentar, fazendo de novo crescer os dias em relação às noites.

Desde a mais remota antiguidade que o ser humano adorou o sol, deusificando-o e atribuindo-lhe a primazia sobre as demais divindades. Tal sucedeu na Caldeia, na Palestina e no Egipto, aqui adorado sob o nome de Ra. Na antiga Pérsia e na Índia, o deus Sol era designado por Mitra tendo o seu culto dado origem ao mitraísmo que viria mais tarde a rivalizar com o cristianismo a sua influência no Império romano, acabando por vir a sucumbir com a sua queda e mais tarde acabando por desaparecer por completo com o avanço do islamismo na Pérsia. Antes, porém, o mitraísmo fora assimilado pelos gregos e espalhou-se por todo o Império romano. O deus Mitra era geralmente representado por um jovem com um boné frígio, túnica e manto sobre o ombro esquerdo. Esta religião era superiormente dirigida por um sumo pontífice a os seus sacerdotes ostentavam sobre a cabeça uma mitra. Curiosamente, trata-se do chapéu com que os bispos se apresentam quando envergam as vestes pontificais, tendo a sua origem na Pérsia e no Egipto, correspondendo ao turbante e por conseguinte aludindo à adoração de Mitra.

Não admira, pois, que ao culto solar tenha sido sobreposta a adoração ao menino Jesus, sendo-lhe atribuída a data do seu nascimento precisamente numa altura em que os romanos celebravam o natale solis invicti consagrado ao deus Sol, à semelhança do que se verifica com inúmeras festividades pagãs que foram de algum modo adaptadas e "convertidas" à crença cristã. Na mesma ocasião realizavam os romanos as saturnais ou saturnálias que, como o próprio nome indica, eram festividades consagradas a Saturno, trocavam de presentes e organizavam um banquete público, aspectos que de alguma forma podemos relacionar com as tradicionais “festas dos rapazes” em várias localidades de Trás-os-Montes. Aliás, o culto a Saturno chegou a ser muito difundido na Península Ibérica, tendo diversos escritores da antiguidade referido-se à existência de santuários entre os quais se supõe ter havido um na Ínsua do rio Minho, um local onde actualmente as gentes locais vão em peregrinação ao Senhor Jesus dos Mareantes, fazendo festa rija em Agosto. Saturno era o deus protector dos semeadores e das sementes, pelo que os romanos acreditavam que durante as saturnais regressava a abundância, assegurando a fertilidade durante essa época do ano.

Ainda em relação ao mitraísmo, também este possuía extraordinárias semelhanças com o cristianismo, entre as quais a crença no céu e no inferno, na ressurreição, nos pastores que tal como os reis magos ofereciam presentes, no dilúvio, na santificação do domingo, na prática da confissão e da comunhão e, finalmente, a própria celebração do 25 de Dezembro!

A celebração do nascimento de Jesus constitui actualmente uma festa que é vivida com grande grande intensidade pelo povo português e que, apesar da sua significação profundamente religiosa, também não escapa às regras de funcionamento de uma sociedade mercantilizada, virada cada vez mais para os interesses materiais em detrimento dos valores espirituais. Não obstante, as festividades da quadra natalícia encontram-se profundamente enraizadas no nosso folclore revelando-se através das mais diversas manifestações de cariz popular, na gastronomia, na música, nas lendas e de um modo geral em todos os aspectos que envolvem tais celebrações. Não obstante, temos principalmente nos últimos tempos vindo a constatar que tradições oriundas de outros países têm vindo a substituir alguns costumes genuínos do nosso povo, como sucede com a reverência ao "Pai Natal", agora destituído para dar lugar a S. Nicolau, quando outrora as festividades decorriam exclusivamente em torno do "menino Jesus". Da mesma forma que o tradicional presépio cedeu o lugar ao nórdico pinheiro de Natal enfeitado com flocos de neve, mesmo em locais onde jamais nevou...

GOMES, Carlos. http://www.folclore-online.com/

DESCOBRIR O MINHO ATRAVÉS DO SAGRADO E DO PROFANO

A ATURMINHO (Associação de Turismo do Minho) e AHET MINHO – Associação de Hotelaria e Empreendimentos Turísticos do MINHO, no âmbito do Programa Operacional Regional do Norte 2020, encontram-se a desenvolver um conjunto ações que têm como objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentado de toda a região do Minho, designadamente através da dinamização do produto turístico religioso e cultural tornando o destino Minho numa referência de excelência na oferta do turismo religioso e cultural, até ao mês de outubro de 2019.

Com aposta prioritária nos mercados internacionais, o projeto trará aos 24 concelhos dos distritos de Braga e Viana do Castelo turistas e visitantes internacionais que, por via direta e indireta, aumentarão a competitividade empresarial autóctone, e a melhoria de vida generalizada da população minhota.

Após a criação da marca Discover Minho, o projeto tem já em pleno funcionamento as redes sociais Facebook (https://www.facebook.com/discoverminho/) e Instagram (https://www.instagram.com/discoverminho/). Encontram-se em fase de desenvolvimento um portal sobre o Minho, bem como duas aplicações para mobile, uma para turistas e outra para os profissionais do setor, que em breve estarão disponíveis para download, entre outras ações.

O projeto Discover Minho tem tido a adesão de inúmeras entidades, como por exemplo as autarquias, que entendem a utilidade do mesmo, bem como o seu caráter diferenciador (sagrado e profano) como forma de promover a região minhota.

Responsável do Projeto: Dr. Antero Filgueiras

Organização: ATURMINHO e AHET MINHO

Email: comunicacaodiscoverminho@gmail.com

Facebook: https://www.facebook.com/discoverminho/