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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA VAI HOMENAGEAR O BEATO FRANCISCO PACHECO NOS 400 ANOS DO SEU MARTÍRIO NO JAPÃO – 28 DE FEVEREIRO

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Em 20 de Junho de 1626, em Nagasáqui, o padre Francisco Pacheco foi martirizado a fogo lento juntamente com dezassete companheiros da Companhia de Jesus.

Francisco Pacheco era natural de Ponte de Lima e procedia de nobre linhagem. Era filho de Garcia Lopes Pacheco e Maria Borges de Mesquita.

Em 1585, ingressou na Companhia de Jesus e, dois anos depois, partiu para a Índia, de onde passou ao Japão. Sobreveio às perseguições ocorridas em 1614, tendo sido desterrado para Macau, após o que, mudando o trajo, introduziu-se disfarçadamente no Japão, tendo sido nomeado governador do bispado e Superior dos religiosos da Companhia de Jesus que prosseguiam clandestinamente a sua actividade missionária no Japão.

Em 1625, na sequência de denúncia, foi preso e encarcerado em Timabara, tendo posteriormente sido conduzido a Nagasáqui onde foi queimado vivo. Pio IX procedeu à sua beatificação em 7 de Julho de 1867.

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PONTE DE LIMA: JOSÉ PACHECO PEREIRA E O BEATO FRANCISCO PACHECO

Se eu não fosse incréu e quisesse rezar pelos meus múltiplos pecados e pelo destino do mundo, podia fazê-lo para um familiar, o Beato Francisco Pacheco, jesuíta, mártir do Japão e “Pacheco”.

Recordo-me de minha tia-avó Helena conduzir uma campanha para obter a canonização do Beato, sem sucesso, nem mesmo orando na Igreja Matriz de Ponte de Lima, onde há um altar que lhe é dedicado.

Todos os anos também a sua estátua, num andor, vai em procissão pelas ruas de Ponte de Lima, dado que é filho da terra. Mas nem a minha perseverante tia, – e perseverante era ela que ajudou a salvar o filho Esteban do pelotão de fuzilamento, por ter ficado fiel à República na guerra civil espanhola, – o conseguiu.

De uma coisa tenho a certeza, caso o meu familiar Beato me convertesse, milagre maior não havia, e merecia passar a Santo.

Texto: José Pacheco Pereira / https://ephemerajpp.com/

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PONTE DE LIMA: REUNIDOS 5 MILAGRES AO BEATO FRANCISCO PACHECO – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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No âmbito do processo de canonização do Beato Francisco Pacheco (1585?-1626), a decorrer no Vaticano, o Postulador da Causa, o Padre João Caniço recolheu cinco milagres, intenções de santidade provenientes de Ponte de Lima, Custóias, Fornos de Algodres e Toronto (Canadá).

A notícia foi revelada durante um encontro realizado recentemente em Loures com aquele sacerdote, e consta do relatório a enviar pelo ex-Pároco do Lumiar, Lisboa, à Santa Sé. Na reunião, elencamos também as acções realizadas nos últimos dez meses pelo grupo dinamizador do desejo de santificar o ilustre jesuíta e conterrâneo, o Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, que no decorrer de seus eventos na Europa, incluiu a capital italiana. O Padre João Caniço, satisfeito com as actividades já realizadas, salientou ainda que “necessitamos de obter a canonização, daí a existência de milagres a justificar a sua intercessão”.

Assim, recordemos que entre o trabalho de divulgação do missionário, realizou-se na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, uma exposição bio-bibliográfica, com apoio do município e do Pároco, agora também Vigário Geral da diocese de Viana do Castelo, Mons. José Caldas. Igualmente, a devoção ao mártir português no Japão tem sido intensificada, com a entrega da sua imagem, uma escultura de marfinite pintada, na sede da NATO em Bruxelas; na embaixada de Portugal junto da Santa Sé, Roma, e posteriormente a entidades portuguesas nos sectores da diplomacia, cultura e indústria, com sede no Brasil, Canadá e França. A primeira representação iconográfica do mártir foi colocada em Outubro 2021 na Igreja de S. António dos Portugueses em Roma, oferecida pelo grupo limiano ao seu Reitor, Mons. Agostinho Borges, adido eclesiástico de Portugal junto da Santa Sé, e ex-Prelado de Honra do Papa João Paulo II, recorde-se.

Entretanto, um novo encontro terá lugar em Itália com o embaixador de Portugal no Vaticano e outros membros do Dicastério Romano, para balanço de actividades e agendamento de outras. Aqui, podemos informar que está em curso o agendamento duma reunião em Agosto próximo em Ponte de Lima com os ilustres intervenientes na Causa de Canonização, vindos de Roma, de Lisboa e Braga. O programa incluirá ainda uma recepção pelo chefe da edilidade, Vasco Ferraz, pois o município pretende colaborar nos 400 anos do martírio do Beato Pacheco e seus companheiros (1626-2026). A finalizar, podemos ainda referir, que a tradução portuguesa do latim do poema PACIECIDOS, nas mãos da latinista conimbricense Carlota Urbano deverá ser concluída no corrente ano.

HOJE É DIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO – PADROEIRA E RAINHA DE PORTUGAL

Painel de azulejos existente na cidade de Guimarães

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.

Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Álvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Álvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.

A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o Condestável D. Nuno Álvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mestiça que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já a quando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.

Esta espiritualidade imaculistas foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa são acompanhados pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Álvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria e D. João IV, isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

Fonte: O Dia 8 de Dezembro na História de um PovoPadre Francisco Couto, ISTE, Reitor Santuário de Vila Viçosa; Padre Senra Coelho, ISTE, CEHR, APH

NATALE SOLIS INVICTI OU O SOLSTÍCIO DO INVERNO

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Todo o mundo cristão celebra por esta altura o nascimento de Jesus, não obstante desconhecerem-se quaisquer referências históricas ou bíblicas que mencionem a data em que tal acontecimento se verificou. Por conseguinte, o Natal é festejado a 25 de Dezembro ou a 7 de Janeiro de acordo com as tradições católica ou ortodoxa, em virtude da adoção dos calendários juliano ou gregoriano. Ora, é nesta ocasião que ocorre o solstício do inverno ou nascimento do sol, precisamente a altura em que os raios solares deixam de decrescer e passam de a aumentar, fazendo de novo crescer os dias em relação às noites.

Desde a mais remota antiguidade que o ser humano adorou o sol, deificando-o e atribuindo-lhe a primazia sobre as demais divindades. Tal sucedeu na Caldeia, na Palestina e no Egipto, aqui adorado sob o nome de Ra. Na antiga Pérsia e na Índia, o deus Sol era designado por Mitra tendo o seu culto dado origem ao mitraísmo que viria mais tarde a rivalizar com o cristianismo a sua influência no Império romano, acabando por vir a sucumbir com a sua queda e mais tarde acabando por desaparecer por completo com o avanço do islamismo na Pérsia. Antes, porém, o mitraísmo fora assimilado pelos gregos e espalhou-se por todo o Império romano. O deus Mitra era geralmente representado por um jovem com um boné frígio, túnica e manto sobre o ombro esquerdo. Esta religião era superiormente dirigida por um sumo pontífice a os seus sacerdotes ostentavam sobre a cabeça uma mitra. Curiosamente, trata-se do chapéu com que os bispos se apresentam quando envergam as vestes pontificais, tendo a sua origem na Pérsia e no Egipto, correspondendo ao turbante e por conseguinte aludindo à adoração de Mitra.

Não admira, pois, que ao culto solar tenha sido sobreposta a adoração ao menino Jesus, sendo-lhe atribuída a data do seu nascimento precisamente numa altura em que os romanos celebravam o natale solis invicti consagrado ao deus Sol, à semelhança do que se verifica com inúmeras festividades pagãs que foram de algum modo adaptadas e "convertidas" à crença cristã. Na mesma ocasião realizavam os romanos as saturnais ou saturnálias que, como o próprio nome indica, eram festividades consagradas a Saturno, trocavam de presentes e organizavam um banquete público, aspetos que de alguma forma podemos relacionar com as tradicionais "festas dos rapazes" em várias localidades de Trás-os-Montes. Aliás, o culto a Saturno chegou a ser muito difundido na Península Ibérica, tendo diversos escritores da antiguidade referindo-se à existência de santuários entre os quais se supõe ter havido um na Ínsua do rio Minho, um local onde atualmente as gentes locais vão em peregrinação ao Senhor Jesus dos Mareantes, fazendo festa rija em Agosto. Saturno era o deus protetor dos semeadores e das sementes, pelo que os romanos acreditavam que durante as saturnais regressava a abundância, assegurando a fertilidade durante essa época do ano.

Ainda em relação ao mitraísmo, também este possuía extraordinárias semelhanças com o cristianismo, entre as quais a crença no céu e no inferno, na ressurreição, nos pastores que tal como os reis magos ofereciam presentes, no dilúvio, na santificação do domingo, na prática da confissão e da comunhão e, finalmente, a própria celebração do 25 de Dezembro!

A celebração do nascimento de Jesus constitui atualmente uma festa que é vivida com grande intensidade pelo povo português e que, apesar da sua significação profundamente religiosa, também não escapa às regras de funcionamento de uma sociedade mercantilizada, virada cada vez mais para os interesses materiais em detrimento dos valores espirituais. Não obstante, as festividades da quadra natalícia encontram-se profundamente enraizadas no nosso folclore revelando-se através das mais diversas manifestações de cariz popular, na gastronomia, na música, nas lendas e de um modo geral em todos os aspetos que envolvem tais celebrações. Não obstante, temos principalmente nos últimos tempos vindo a constatar que tradições oriundas de outros países têm vindo a substituir alguns costumes genuínos do nosso povo, como sucede com a reverência ao "Pai Natal", agora destituído para dar lugar a S. Nicolau, quando outrora as festividades decorriam exclusivamente em torno do "menino Jesus". Da mesma forma que o tradicional presépio cedeu o lugar ao nórdico pinheiro de Natal enfeitado com flocos de neve, mesmo em locais onde jamais nevou...

COMEÇA AMANHÃ O ADVENTO – QUAIS AS ORIGENS REMOTAS E SIGNIFICADO DA COROA DO ADVENTO?

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A Coroa do Advento constitui um dos símbolos da época do Natal a anunciar o nascimento do Messias. Nos domingos do Advento, considerado o primeiro tempo do Ano Litúrgico correspondendo às quatro semanas que antecedem o Natal, as quais surgem representadas nas quatro velas. A família reúne-se à sua volta para rezar e celebrar. Seguindo a sua liturgia, é acesa a vela que corresponde à respectiva semana, entoando cânticos e fazendo leitura de passagens da Bíblia alusivas ao Advento.

As origens desta tradição remontam a antigos ritos solares praticados pelos povos europeus através dos quais celebravam o nascimento do Sol ou seja, o solstício de Dezembro, os quais vieram mais tarde a dar origem às saturnais romanas.

A sua forma circular representava precisamente a divindade solar que ocupava um lugar central em todos os ritos pagãos e está presente nas danças de roda que os povos sempre executaram desde as suas origens mais remotas.

Durante o inverno, os povos faziam fogueiras que, simbolizando a luz e o calor em cujo regresso se depositavam as esperanças, aparecem simbolizadas nas velas que fazem parte dos rituais da nossa fé.

Com efeito, através do rito, os povos antigos celebravam a acção criadora dos Deuses, assegurando dessa forma a ininterrupção do ciclo da vida e da morte num perpétuo renascimento e conferindo ao ritual um cunho de magia.

Porém, a religiosidade pagã ou seja, do camponês, cedeu o lugar ao Cristianismo e a novas formas de espiritualidade. E, desse modo, também a Coroa do Advento adquiriu uma nova simbologia e um novo significado.

Para o cristão, a infinidade do círculo representado na forma circular da Coroa do Advento representa o amor de Deus e a sua eternidade, bem assim como a aliança entre Deus e o Homem.

Os seus ramos verdes simbolizam a Esperança e a Vida na crença da Vida Eterna e da Ressurreição que constitui precisamente aquilo que distingue o verdadeiro cristão.

IMAGEM PEREGRINA DE FÁTIMA DESPEDE-SE DE ANDORRA – CRÓNICA DE JOSÉ LUÍS CARVALHO

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A Imagem Peregrina de Nª Sra. de Fátima despediu-se ontem, domingo, da comunidade portuguesa no Principado de Andorra, mais concretamente na Igreja de Sant Julià i Sant Germà de Lòria.

A cerimónia de boas-vindas ocorreu no dia 9 de outubro na paróquia de La Massana pela Confraria de Nª Sra. de Fátima, encarregada de organizar a visita da Imagem Peregrina, com a colaboração do Consulado-Geral de Portugal, do Arcebispo Emérito Joan-Enric Vives e o Copríncep Josep-Lluis Serrano. No dia 12 de outubro celebrou-se a procissão de velas ao Santuario-Basílica de Meritxell, cerimónia presidida pelo bispo e Coprincipe de Andorra, Josep-Lluis Serrano. Durante 37 dias, cerca de 10.000 pessoas, membros da sociedade andorrana e muito especialmente a comunidade portuguesa no Principado, puderam venerar a Imagem Peregrina nas igrejas das sete paróquias e em Pas de la Casa, Centro Penitenciário, Colégio Jener e Colégio Sagrada Família e Colónias de Aina. Também visitou os lares de idosos Residencia Clara Rabassa, La Salita e o lar de São Jose na cidade espanhola da Seu d'Urgell onde, antecipadamente se realizou a missa na Catedral de Santa Maria d'Urgell.

As sedes do Grupo de Folclore Casa de Portugal e da Associação dos residentes do Alto Minho acolheram também a Imagem para a devoção dos seus membros e a oração do terço. A Capela do Hospital foi o ponto de encontro com os doentes e por onde passou Nª Sra. de Fátima, em cada visita, era visível a emoção e a fé aos pés da Virgem. Cada celebração eucarística foi acompanhada pelo grupo coral da Confraria que com os seus cânticos dignificou e prestigiou ainda mais a fé e a oração a Nª Sra.

A Imagem Peregrina de Fátima regressa a Portugal e com ela leva muitas orações, intercessões e sobretudo a estimação da comunidade portuguesa e da sociedade andorrana.

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PONTE DA BARCA LEVA ECOS DA FÉ E ARTE AO MOSTEIRO DE VILA NOVA DE MUÍA

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Espetáculo integrou a V Edição do Ciclo de Órgão de Viana do Castelo

O Mosteiro de Vila Nova de Muía, em Ponte da Barca, foi palco na noite de 7 de novembro de um momento de rara beleza musical, no âmbito da V Edição do Ciclo de Órgão de Viana do Castelo, promovido pela Diocese de Viana do Castelo através do Secretariado Diocesano de Liturgia.

Com o apoio do Município de Ponte da Barca, o concerto reuniu o organista Rui Soares e a soprano Fabiana Magalhães, que encantaram o público com um programa que combinou a grandiosidade sonora do órgão de tubos com a expressividade da voz lírica.

Num ambiente de grande valor histórico e espiritual, o repertório destacou a versatilidade do órgão e a sensibilidade dos intérpretes, sendo calorosamente aplaudido pelo público.

O Ciclo de Órgão de Viana do Castelo, que decorre entre 10 de outubro e 30 de novembro, tem vindo a afirmar-se como um projeto de referência na promoção da música sacra e na divulgação dos órgãos históricos da diocese.

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O CULTO DOS MORTOS NO MINHO – FOTO: JOSÉ PINTO

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Igreja Paroquial de Cabração, concelho de Ponte de Lima, vendo-se o cemitério paroquial antigo e novo.

O cemitério – termo proveniente do latim coemeterium, por sua vez derivado do grego Kimitírion – constitui o local onde se depositam os mortos com vista ao seu repouso eterno ou seja, onde se abrem as respectivas sepulturas.

Nos tempos mais remotos, os cemitérios situavam-se geralmente fora dos muros da cidade, distantes das igrejs e outros locais de culto, como sucedia com a Geena às portas de Jerusalém. Na Roma antiga, encontravam-se nas catacumbas que constituíam espaços subterrâneos destinados ao sepultamento, as quais vieram a ser utilizadas pelos cristãos para as suas práticas religiosas com secretismo devido às perseguições de que eram alvo.

Com o tempo, as igrejas vieram a tornar-se locais de sepultamento uma vez que eram considerados como locais sagrados. Porém, sobretudo a partir do século XVIII, o crescimento populacional viria a causar falta de espaço no interior dos templos e nos espaços contíguos. Começaram então para o efeito a serem construídos cemitérios junto do adro das igrejas mas, por via da tradição, esta prática ainda não obtinha grande adesão.

Em 28 de Setembro de 1844, a pretexto de razões sanitárias, o governo de Costa Cabral proíbe os enterros nas igrejas. As famílias passaram a ser obrigadas ao pagamento das despesas do funeral depois do delegado de saúde certificar o óbito. Este constituiu o rastilho para a Revolução da Maria da Fonte, protesto a que se veio juntar a outras reclamações populares em todo o Minho.

A medida sanitária não era imediatamente aplicável por falta de locais destinados exclusivamente ao sepultamento – cemitérios – mas, com o decorrer do tempo, estes foram sendo construídos, as sepulturas abertas no interior das igrejas e os cadáveres transladados para os cemitérios paroquiais. Reduziam-se, desse modo, focos de contaminação no interior das igrejas onde o povo se juntava para o culto e os incensários eram insuficientes para purificar o local.

Nalgumas igrejas ainda se conservam as pedras tumulares identificando personalidades de relevo da comunidade, tal como o local de sepultamento. Noutras, onde não se cuidou da preservação da memória histórica, as sepulturas foram aterradas e o pavimento cimentado. E a memória local perdeu-se!

MINHO: O CULTO DOS MORTOS E A ACÇÃO CRIADORA DOS DEUSES

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Dólmen da Barrosa em Vila Praia de Âncora

Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer.

Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos.

Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando, por conseguinte, que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera.

De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pedra polida, sendo disso testemunho os inúmeros monumentos funerários como os dólmens ou antas, inscrições votivas e outros achados. Não admira, pois, que sejam precisamente os monumentos funerários desde sempre os mais visitados pelo seu interesse artístico e patrimonial, marcando cada época histórica e constituindo roteiros culturais.

Pão por Deus! - pedem as crianças na região saloia, percorrendo as casas em alegre peditório. A ladaínha varia contudo de uma região para outra. Por exemplo, para os lados de Braga é costume dizer-se do seguinte modo: "Bolinhos, bolinhós, / Para mim e para vós / E para quem está debaixo da cruz / Truz truz".

Por esta ocasião, as pessoas cumprem o ritual da visita aos cemitérios e cuidam das sepulturas dos seus entes queridos. Mas, também em casa é costume em muitas localidades, após a ceia, deixar até ao dia seguinte a mesa composta de iguarias para que os defuntos possam banquetear-se.

Nalgumas localidades, na noite de Todos-os-Santos, coloca-se uma mesa com castanhas para os familiares falecidos, as quais ninguém tocará porque ficam “babadas dos defuntos”. Da mesma forma que o azeite que alumia os defuntos jamais alumiará os vivos. Entre alguns povos do leste europeu conserva-se ainda a tradição de organizar o festim no próprio cemitério a fim de que todos em conjunto – mortos e vivos – possam confraternizar!

A partir desta época do ano, as noites das aldeias são povoadas por criaturas extraordinárias que surgem nas encruzilhadas e amedrontam os notívagos. Uivam os lobos nas serranias enquanto as bruxas – quais sacerdotisas do paganismo – reúnem-se sob as pontes em locais ermos.

Aconselha a prudência que ao gado se prendam pequenas saquinhas de amuletos que o resguardem do “mau olhado”. O serão é passado junto à lareira, no afago do lume, escutando aos mais antigos estória que nos embalam num mundo de fantasia povoado por seres sobrenaturais. E, quando finalmente chegada é a hora de dormir, manda o costume fazer o sinal-da-cruz para que o demónio não nos apoquente e a manhã do dia seguinte nasça radiosa a anunciar uma vida nova.

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Dólmen da Barrosa em Vila Praia de Âncora

BRAGA HOMENAGEIA A SUA PADROEIRA – NOSSA SENHORA DA TORRE

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A Irmandade de Nossa Senhora da Torre, padroeira da cidade de Braga, leva a efeito a Procissão em honra de Nossa Senhora da Torre, que se realizará no dia 31 de outubro de 2025, ao final do tríduo preparatório das suas festividades, com início na Igreja da Cividade e destino à Sé Catedral de Braga.

Sob o lema “Com Maria, Mãe e Torre da nossa esperança, caminhamos juntos na fé”, esta procissão pretende reunir todo o Povo de Deus em torno da Mãe do Senhor, símbolo de proteção e esperança para a nossa cidade e arquidiocese.

3º CONGRESSO DA REDE EUROPEIA DE CELEBRAÇÕES DA SEMANA SANTA E PÁSCOA ESTÁ A MENOS DE UM MÊS DE DISTÂNCIA

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  • Sob o tema “Identidades Vivas”, o Congresso irá explorar o valor da autenticidade e os desafios de salvaguardar o património, enquanto fomenta o desenvolvimento do turismo nas celebrações.
  • O evento ocorrerá nas cidades portuguesas de Ovar e Santa Maria da Feira, de 8 a 10 de outubro de 2025.
  • O programa inclui quatro conferências, duas mesas redondas e três painéis temáticos com contribuições de cerca de vinte especialistas de Portugal, Espanha, Eslovênia, Croácia, Polônia e Malta.
  • O evento é organizado em colaboração com a Comissão das Solenidades da Quaresma de Ovar e a Comissão da Semana Santa de Santa Maria da Feira

A Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa está a finalizar os preparativos para a terceira edição do Congresso Europeu da Semana Santa e Páscoa, que ocorrerá de 8 a 10 de outubro nas cidades portuguesas de Ovar e Santa Maria da Feira. Sob o tema "Identidades Vivas", o congresso irá abordar o valor da autenticidade e os desafios da salvaguarda do património e do desenvolvimento do turismo nas celebrações.

Organizado pela Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa, em colaboração com a Comissão das Solenidades da Quaresma de Ovar e a Comissão da Semana Santa de Santa Maria da Feira, tem o apoio do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, Universidade do Porto) e do CEHR (Centro de Estudos de História Religiosa, Universidade Católica Portuguesa).

O programa é estruturado em torno de conferências e mesas redondas lideradas por especialistas de diferentes países, e a inscrição está fixada em 40€, aberta até o dia 6 de outubro.

O Congresso busca abordar a Semana Santa e a Páscoa na Europa a partir de uma perspectiva global, destacando os elementos históricos e rituais compartilhados, assim como examinar o significado atual dessas celebrações dentro do contexto europeu. O objetivo é enfatizar a identidade que permeia as celebrações, tanto nas pessoas quanto nos lugares onde acontecem, em sua continuidade e evolução.

Explorando as Identidades Vivas

Após refletir sobre a "Semana Santa como Patrimônio Comum" no primeiro congresso, e sobre a transição "Do Local ao Universal" no segundo, esta terceira edição propõe explorar as "Identidades Vivas" expressas através das práticas e manifestações da Semana Santa e Páscoa. O objetivo é fomentar a reflexão sobre o valor da autenticidade e os desafios enfrentados por essas celebrações no contexto do desenvolvimento do turismo.

Entre os seus objetivos estão: explicar o conceito de «identidade» e entender como ele se reflete nas comunidades e suas práticas; debater a relevância da interdisciplinaridade no estudo das celebrações, bem como os desafios impostos pelos processos de salvaguarda; explorar as diferentes expressões das práticas e manifestações da Semana Santa e Páscoa, resultado de um processo contínuo de intercâmbio; e discutir e refletir sobre os desafios que o turismo impõe a essas celebrações atualmente.

Programa do Congresso

O congresso inclui quatro conferências e duas mesas redondas, bem como três painéis temáticos com contribuições de cerca de vinte especialistas de Portugal, Espanha, Eslovênia, Croácia, Polônia e Malta. Os painéis são organizados sob os seguintes temas: "Paixão e Identidade", "Religião e Cultura no Espaço Público" e "Cidade, Crenças e Pessoas". Além disso, foram agendadas visitas e atividades culturais para permitir que os participantes descubram as cidades anfitriãs do evento.

O congresso visa reunir especialistas de diferentes nacionalidades para contribuir para o intercâmbio científico e a colaboração sobre um elemento patrimonial que permanece vivo e relevante, e que ano após ano atrai um grande número de fiéis, turistas, estudiosos e o público em geral.

Mais sobre a Rede Europeia

A Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa, estabelecida em 2019, é uma organização dedicada a promover as tradições ligadas à Semana Santa e Páscoa, salvaguardando assim o seu rico património. O seu principal objetivo é contribuir para um entendimento mais profundo dos valores deste vasto legado, que permanece vivo em grande parte da Europa. Um legado que combina notáveis diferenças locais com a sua presença generalizada como um elemento comum em muitas regiões.

CAMINHA: PEREGRINOS JÁ VÃO A CAMINHO DO SÃO JOÃO D’ARGA – LEVAM CONSIGO A FÉ E AGUARDA-OS UMA NOITE DE GRANDE FOLIA!

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A tradição ainda é o que era! – milhares de romeiros já partiram de suas aldeias e, com os seus ranchos, já rumam serra d’Arga acima em direção ao santuário de São João d’Arga. Naturalmente, aqueles que querem manter os antigos costumes e dispensam o conforto do automóvel para o efeito.

Levam consigo a merenda e a manta para pernoitarem no monte porque por aqueles lados não existem hotéis… e poderem dessa forma experimentar a dureza com que viviam os velhos frades do mosteiro.

A meio caminho, o “penedo do casamento” é paragem obrigatória, sobretudo para as moças casadoiras. E, vai de lançar a pedrinha para que fique sobre o dito na esperança de que prenuncie o casamento, dependendo a demora do tempo de espera para o conseguir. Vestígios, seguramente, de antigos ritos de fertilidade. E vai de cantar uma estrofe muito conhecida:

Ó meu Senhor S. João

Casai-me que bem podeis

Já tenho teias de aranha

Naquilo que bem sabeis

E, chegados ao local da festa, já todos sabemos. Cumprem-se as promessas, dá-se a esmola ao santo – e outra ao diabo! – dão-se as três voltas à capela, e o resto é folia até de madrugada. Divirtam-se!

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ARCOS DE VALDEVEZ: À SENHORA DA PENEDA OS DEVOTOS IAM DE CAIXÃO

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Ao santuário da Senhora da Peneda, situado na serra minhota do mesmo nome, onde de 1 a 8 de setembro de todos os anos acorrem muitos milhares de peregrinos, até ao final da primeira metade deste século, os romeiros que pagavam promessas iam metidos dentro de caixões.

Algumas pessoas da região, principalmente as de mais idade, ainda se lembram de tão estranho ritual, o qual tinha a ver com o fato de os miraculados, aos sentirem-se curados por promessa feita à santa, pretenderem demonstrar não só a sua gratidão como teatralizar o que lhe teria acontecido caso os poderes divinos não lhe tivessem dedicado a sua benéfica e misteriosa ação.

Alguns dos “defuntos” da Senhora da Peneda ainda são vivos e o padre Bernardo Pintor, no seu livro sobre este local do culto a que deu o título de “Uma Joia do Alto Minho”, regista fartas referências sobre o insólito e antigo costume de se entrar no santuário devidamente amortalhado em vida.

“Na Peneda muitos romeiros eram levados em caixões como se fossem defuntos – escreve o padre Bernardo Pintor, prosseguindo – e o trajeto era desde o pórtico, lá no fundo das capelas, até á igreja, enquanto alguns iam também de caixão até ao cemitério”.

Cortejo de “mortos” ainda vivos

Os inúmeros cortejos “funerários” tinham, assim, de subir quase duzentos degraus, enquanto o penitente, baldeando-se dentro da urna pela irregularidade continuada do caminho ascendente, por certo teria tempo para meditar e concluir em como são vãs as ilusões, as paixões, o orgulho e as vaidades da vida.

Parecido, em certos pormenores, com os antigos métodos de iniciação, o cortejo dos mortos-vivos era acompanhado, por vezes, pela banda de música e quando chegava ao interior da igreja dizia-se Missa a que alguns assistiam ainda dentro do caixão, em geral já aberto, outros ao lado havendo até quem mandasse cantar ofícios de defunto por si próprio.

O autor de “Uma Joia do Alto Minho”, inclusivamente, recorda: “Tudo isto observei de pequeno e lembra-me de ouvir falar de uma pessoa que foi até à beira da sepultura, mandada abrir no cemitério, onde lançou a sua roupa exterior, e, também de uma outra que seguia em caixão aberto mas que se impressionou de tal modo ao entrar no templo que saltou fora e rachou a cabeça de encontro aos umbrais da portaria”…

Aliás, os sacerdotes do velho Egipto já sabiam que o facto de se permanecer dentro de uma caixa de madeira com certo formato, usualmente destinada a encerrar cadáveres, constitui um paradigma de grande intensidade cuja prática poderá levar a mente dos vivos a processos de meditação sobre as realidades da sua existência capazes de despoletarem estados de consciência mais elevados.

Trata-se de um processo rápido para atingir aquilo a que o investigador contemporâneo Peter Russell chama “contacto com o nível universal do Eu”, aliás conhecido desde tempos imemoriais, mas que tanto pode resultar na iluminação do Ser como no pânico do peregrino, tal como o padre Bernardo Pintor lembra, que saltou do caixão de tal forma apavorado ao ponto de rachar a cabeça de encontro aos umbrais da igreja.

Na natureza nada dá saltos e sendo a carne para os adultos e o leite para as crianças, inevitavelmente que o mesmo remédio tanto pode curar um doente como matar outro, devido aos efeitos secundários…

Victor Mendanha in Correio da Manhã, 19 de julho de 1993

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