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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VILA NOVA DE CERVEIRA: SOLDADO MANUEL AFONSO COELHO – NATURAL DE COVAS – COMBATEU NA FLANDRES E FOI PUNIDO POR TER COMIDO A BOLACHA DA RAÇÃO

Manuel Afonso Coelho - Soldado - Regimento de Infantaria nº3, era natural de Covas, do concelho de Vila Nova de Cerveira.

Destacou para a Flandres em 22 de Abril de 1917 e desembarcou em Lisboa em 4 de Fevereiro de 1919. Foi feito prisioneiro de guerra pelo inimigo, tendo sido internado no campo de Münster II, entregue em 16 de Janeiro de 1919.

Enquanto permaneceu nas trincheiras, foi punido com 10 dias de detenção por não ter apresentado a bolacha da ração que lhe havia sido distribuída com a recomendação de a não comer…

Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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VILA NOVA DE CERVEIRA: SOLDADO JOÃO GONÇALVES – NATURAL DE COVAS – COMBATEU NA FLANDRES E FEZ EXPLODIR GRANADAS DE MÃO NA TRINCHEIRA

João Manuel Gonçalves - Soldado - Regimento de Infantaria nº3, era natural de Covas, do concelho de Vila Nova de Cerveira. Destacou para a Flandres em 15 de Abril de 1917 e foi repatriado em 22 de Junho de 1919. Enquanto permaneceu nas trincheiras, foi punido com 10 dias de prisão disciplinar agravada por alegadamente ter feito explodir granadas de mão numa trincheira.

Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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QUEM FOI RAIMUNDO ENNES MEIRA – MAJOR DE ARTILHARIA – NATURAL DE AFIFE?

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Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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Raimundo Enes Meira (Viana do Castelo, Afife, 25 de Maio de 1866 — Viana do Castelo, Afife, 30 de Junho de 1946) foi um coronel da Artilharia do Exército Português e político ligado ao Partido Democrático de Afonso Costa. Eleito deputado e senador no Congresso da República entre 1915 e 1926, foi o principal organizador do Partido Democrático no Alto Minho.

Nasceu em Afife em 25 de Maio de 1866, filho de Joaquim Alves Meira e Custódia Enes Ramos Bezerra.

Alistou-se como voluntário no Regimento de Infantaria N.º 3 em 1886.

Foi 1.º Sargento Graduado Cadete no Regimento de Artilharia N.º 2. Concluiu o curso de Artilharia da Escola do Exército em 1893, sendo promovido a 2.º Tenente no mesmo ano. Serviu nos Regimentos de Artilharia N.º 3 e N.º 5.

Promovido a 1.º Tenente em 1895. Foi destacado, em missão de serviço, para o Estado da Índia em Maio de 1896 na brigada de artilharia de montanha, num corpo expedicionário comandado por S.A.R o Infante D. Afonso de Bragança e onde faziam parte Norton de Matos e Alfredo de Sá Cardoso. Retornou à metrópole em Novembro de 1897 para o Regimento de Artilharia N.º 3.

Promovido a Capitão em 1908 e no mesmo ano contrai matrimónio com Laura Pinto de Lemos Pereira. Recebeu a Medalha de Prata Rainha D. Amélia.

Em 1911 é destacado para o grupo de artilharia de montanha que é colocado na Serra do Gerês por motivos da 1ª incursão de Paiva Couceiro.

Nomeado em Junho de 1913, Governador-Civil do Distrito de Viana do Castelo, é destacado durante o mês de Julho para Governador-Civil do Distrito de Coimbra, por motivos de uma greve geral da cidade. Retorna em Agosto a Viana do Castelo, e exerce o cargo até Março de 1914

Eleito deputado por Viana do Castelo em 1915 pelo Partido Democrático.

Promovido a Major em 1916, é colocado no 1º Batalhão de Obuses de Campanha, embarca para França em 1917, integrado na 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português comandado pelo General Simas Machado. Em França passa pelos Regimentos de Artilharia N.º 6 e N.º 11. Promovido a Tenente-Coronel em Fevereiro de 1917, é transferido para o Estado-Maior de Artilharia de Campanha.

É desmobilizado em Outubro de 1918. Regressado a Portugal é nomeado 2.ºcomandante do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 17 de Maio de 1919 é feito Comendador da Ordem Militar de Avis e a 28 de Junho do mesmo ano Comendador da Ordem Militar de Cristo.

É eleito Senador por Viana do Castelo, nas listas do Partido Democrático em 1919, sendo reeleito em 1923 e 1925.

Promovido a Coronel em 1922, assume o comando do Regimento de Artilharia N.º 6 (Serra do Pilar). A 5 de Outubro de 1923 é elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis. Recebeu ainda a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar.

Nomeado em 16 de outubro de 1924 governador de Timor, reorganiza as finanças da colónia, conseguindo equilibrar o orçamento. Cria o Imposto Predial rústico e urbano, o Imposto Industrial, cria em Díli a primeira feira agrícola-industrial naquela colónia e atribui as primeiras concessões para a prospecção de Petróleo naquela colónia.

Exonerado do cargo em junho de 1926 pelo governo saído da Revolução Nacional, é passado à reserva em fevereiro de 1927. Faleceu em Afife em 30 de junho de 1946.

Fonte: Wikipédia

VILA NOVA DE CERVEIRA: SOLDADO LUÍS ALVES – UM CERVEIRENSE DE COVAS QUE TOMBOU NA FLANDRES NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA

O Soldado Luís Francisco Braz Alves era um cerveirense natural da Freguesia de Covas que faleceu em 9 de Outubro de 1917, em consequência de graves ferimentos recebidos em combate.

Pertencia ao 1º Batalhão da 4ª Brigada de Infantaria destacada na Flandres na Primeira Grande Guerra.

Fonte: Arquivo Histórico-Militar

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ALFREDO GUIMARÃES – O HERÓI VIMARANENSE DE LA LYS

  • artigo de Álvaro Manuel Nunes

Um dos heróis da Batalha de La Lys, falecido na frente de combate em 9 de abril de 1918, foi o capitão Alfredo Guimarães, vimaranense nascido na freguesia de S. Paio, em 22 de abril de 1884.

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Filho de pais adotivos, João Lopes Cardoso Guimarães e Rita Maria Ribeiro de Castro Guimarães, ambos naturais de Ronfe, Alfredo Guimarães foi, com efeito, um dos milhares de homens que pereceram nessa trágica batalha na Flandres, há mais cem anos atrás e que hoje, como muitos outros, jaz no cemitério português de Richebourg, em França.

De facto, incorporado na Brigada do Minho, enquanto oficial observador do Regimento de Infantaria nº. 29 (embora pertencesse a cavalaria nº.2), Alfredo Guimarães distinguir-se-ia heroicamente nesta fatídica batalha, apesar da desconfiança inicial que despertara entre seus homens, pela sua postura original e singular. De facto, como “trajava uniforme de coiro preto da aviação, desconhecido nas trincheiras e, como era louro e vermelhaço, quiseram ver no seu traje original um disfarce propício a ocultar o papel de espião” - lê-se num artigo da revista “Guerra” intitulado “Um cavaleiro na Flandres”, de autoria do tenente-coronel Francisco Aragão, republicado no periódico vimaranense “A Velha Guarda” de 2 de setembro de 1928. De facto, Alfredo Guimarães tentara altos voos como aviador, na Escola de Guerra, que todavia não concluiria. Deste modo, os seus adejos ater-se-iam tão-somente aos volteios celestiais da honra e da glória, ironicamente conquistados em terra e nas trincheiras, como nos conta a fonte citada:

“Conheci com intimidade Alfredo Guimarães que foi do meu curso na Escola de Guerra e a quem me prenderam depois laços da melhor camaradagem na aviação. E nas longas conversas que tivemos na pista de Vila Nova da Rainha e no meu quarto na Escola – que pouco a pouco se transformou no clube mais concorrido do campo - (…) Era então seu instrutor - e logo passados os primeiros dias de voarmos juntos o desenganei, dizendo-lhe com amiga franqueza o que até aí outros lhe tinham escondido, também por amizade. Era uma pessoa fisicamente incompatível com o serviço da aviação, para o qual, aliás sobejaram tantas qualidades morais “(…)

Qualidades que, prossegue o citado testemunho, o revelavam “inabalável na sua resolução de se chegar à frente fosse como fosse, desse por onde desse” . E assim seria de facto, a 9 de abril de 1918:

“Estava no apoio quando se iniciou o bombardeamento formidável que precedeu o ataque do dia 9. E é já sob a ação terrivelmente destruidora desse bombardeamento que avança com o seu pelotão para a frente a reforçar as forças de infantaria 8 que guarneciam as trincheiras da 1ª. linha. Aí, resiste a luta até à aproximação dos alemães, conseguindo retirar, sempre perseguido pelo fogo dos atacantes que lhe abateu muitos dos seus homens soldados. Mas, a sua energia - que a excitação da luta torna dura e inexorável -, manteve ordenadamente a retirada que se estende até ao posto de comando do batalhão. Lá encontra, impassível perante o esfacelar da Brigada, que se pressente, o intrépido comandante do 29 e dele recebe com palavras de incitamento e de louvor 20 soldados que logo o acompanham e que ele arrasta através da chuva de granadas e de balas até aos postos de apoio. Quando uma hora depois de lá volta, está ferido e o sangue já lhe ensopa a camisa e a farda; mas as suas primeiras palavras para o comandante não são de desânimo, nem de renúncia - pede-lhe de novo soldados para contra-atacar o inimigo! Nem os tinha já o major Xavier da Costa que via

fundidos com metralha ou soterrados nos abrigos 500 homens do efetivo que o batalhão contava. Guimarães é mandado acompanhar a Brigada – para ser devidamente pensado e evacuado. E consegue chegar vivo a Laventie. À entrada da Rua Enfer junto do estaminé que os nossos chamam de Palha, reconhece ocupada por portugueses e ingleses, uma trincheira. E já não pensa no ferimento, nem no penso, nem no posto de socorro. Insistem para que se retire, mas recusa-se a fazê-lo e ali fica a afrontar mais uma vez a morte, que já tanto e tanto o respeitava. Não pude saber como caiu para sempre o Cavaleiro 29 e a sua campa que foi posteriormente encontrada, não conta das horas belas da luta que sustentou e dos momentos dolorosos de sofrimento e de angústia que viveu.

Mas a energia indomável com que cumpriu o seu dever e se excedeu cumprindo-o até morrer, a determinação com que lutou, marchando duas vezes, para a metralha a seu pedido e vendo recusado o seu terceiro oferecimento quando, já ferido, o renovava, e a espontânea decisão com que se junta aos últimos elementos de defesa junto a Laventie, falam bem alto do ardente espírito de lutador, que sempre conservou através de todas as duras circunstâncias desse seu último dia de vida”.

Alfredo Guimarães seria promovido a capitão e condecorado com o grau de Oficial da Torre, do Valor, Lealdade e Mérito e com a Cruz de Guerra da 2ª. Classe pelos seus prestimosos serviços prestados na I Grande Guerra (1914-1918), enquanto militar integrado na Brigada do Minho, formada por infantaria 20 de Guimarães, infantaria 8 e 29 de Braga e infantaria 3 de Viana do Castelo.

Outrossim, a sua cidade berço consagraria seu nome na toponímia urbana, de acordo com uma proposta que seria aprovada por unanimidade na sessão camarária de 15 de agosto de 1924. Concretamente, na Rua Capitão Alfredo Guimarães que proveniente da confluência da Rua Dr. Joaquim de Meira com Avenida General Humberto Delgado, desemboca na rotunda do campus de Azurém da Universidade do Minho.

Nascido e falecido em abril, Alfredo Guimarães é por isso (mais) um dos nossos heróis desses tempos difíceis …

Fonte: https://www.facebook.com/correiodahistoria.pt

O QUE FOI A BRIGADA DO MINHO NA FLANDRES DURANTE A PRIMEIRA GRANDE GUERRA?

A Brigada do Minho – denominação pela qual ficou conhecida e célebre a 4ª Brigada de Infantaria – integrou a 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, teve como missão, desde 7 de Fevereiro de 1918, guarnecer o sector de Fauquissart, na região de Pas-de-Calais, no norte de França.

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As suas forças cooperavam tacticamente com o 6º Grupo de Baterias de Artilharia, o 4º Grupo de Metralhadoras Pesadas e as 4ªs baterias de morteiros médios e morteiros pesados.

A bandeira da Brigada do Minho foi confeccionada e oferecida pelas famílias dos oficiais da Brigada.

Como refere em carta reproduzida neste relatório o Tenente-Coronel João Diogo Guerreiro Telo, “Unificou o seu Quartel General, identificou-o de tal forma com o seu modo de ser, que êle constituiu até ao 9 de Abril um comando verdadeiramente modelar; conseguiu reunir na sua Brigada, e sabe Deus à custa de quantos esforços e de quanta perseverança, os quatro batalhões oriundos do Minho indo assim buscar ao espírito regionalista o primeiro élo da cadeia que tão fortemente os havia de futuro ligar, fazendo dêles um blóco homogénio onde se fundiam todos os esforços qualquer que fôsse a sua região d’origem.

Dados êstes primeiros passos, a fria e inexpressiva designação de 4ª B.I. dava lugar à de “Brigada do Minho” – E este já tinha história, já tinha tradições; tinha a história e as tradições heróicas da sua tão querida província natal, eram os descendentes dos Minhotos de Caminha e da linha do Ave, eram os mantenedores dos loiros dos minhotos de matacães da Guerra Penínsular – e êsses Minhotos quiseram e fôram dignos das suas tradições, bateram-se com denôdo pela Bandeira que o seu Minho, num gesto galante, lhes enviava para os nortear no campo de batalha.”

Quis a História que a capitulação da Rússia ocorrida na sequência da revolução ocorrida no final de 1917 levásse ao fim da frente oriental, o que possibilitou à deslocação massiva para a frente ocidental de todas as forças e meios limitares que ali tinham concentradas. E, como resultado, a tragédia da Batalha de La Lys, porventura a maior derrota militar portuguesa desde a Batalha de Alcácer-Quibir.

Carlos Gomes / Fotos: livro propriedade do autor

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PRISIONEIROS PORTUGUESES DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (FRENTE EUROPEIA - 1917/1918)

  • Crónica de Daniel Bastos

A I Guerra Mundial (1914-1918) ocupa um papel preponderante no seio da historiografia nacional, porquanto além dos efeitos militares repercutiu em Portugal consequências de natureza socioeconómica e política que contribuíram decisivamente para a queda da Primeira República Portuguesa (1910-1926).

Embora desde 1914 existissem confrontos entre patrulhas lusas e germânicas nos territórios moçambicanos e angolanos, dada a proximidade limítrofe das colónias africanas portuguesas com as colónias alemãs, e inclusive tenham perecido no decurso do conflito mais portugueses em Angola e Moçambique do que na Flandres, a entrada do país na frente europeia ocorreu somente em 1917.

Com incontáveis dificuldades para constituir o Corpo Expedicionário Português (CEP), foram mobilizados mais de cinquenta mil soldados para as trincheiras da Flandres, região norte da fronteira franco-belga onde ocorreu a 9 de abril de 1918 a fatídica batalha de Lys em que o exército alemão destroçou o CEP. No desfecho do conflito que consagrou a vitória militar da Inglaterra, França, Estados Unidos e restantes aliados, nos quais se incluíam Portugal, a aritmética nacional era reveladora: mais de 7 mil mortos, mais de 7 mil feridos, quase 6 mil desaparecidos e quase 9 mil incapazes.

As raízes da emigração portuguesa no território francês remontam precisamente a este período, quando milhares de soldados lusos não regressaram a Portugal, optando por se tornarem emigrantes em terras gaulesas. Ainda hoje, existem descendentes destes soldados e emigrantes lusos que preservam a sua memória e zelam o cemitério militar português de Richebourg, no norte de França, um cemitério militar exclusivamente português, que reúne um total de 1831 militares mortos na frente europeia.

É o caso da nonagenária Felicia Assunção Pailleux, filha do soldado e depois emigrante João Assunção, um minhoto de Ponte da Barca, que fez parte da 2ª Divisão do CEP e que como outros compatriotas que optaram no final do conflito bélico por não regressar a Portugal, onde grassava uma profunda crise política, económica e social, fixou-se na zona onde combateu, no Norte-Pas de Calais, uma zona de minas de carvão que absorveu muita mão-de-obra. Ao longo das últimas quatro décadas, Felicia Paileux tem sido a porta-estandarte da bandeira de Portugal nas cerimónias evocativas da Grande Guerra no cemitério de Richebourg e no monumento aos soldados lusos em La Couture, no Norte-Pas de Calais, honrando a memória do seu pai, soldado e emigrante português falecido em 1975, que muito antes da emigração massiva dos anos 60 escolheu como muitos outros antigos companheiros de armas a França para viver, trabalhar e constituir família.

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O historiador Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, acompanhado em 2019 de Felícia Assunção Pailleux, filha do antigo combatente na I Guerra Mundial e depois emigrante em França, João Assunção, no Museu Nacional da História da Imigração em Paris

 

Há poucos anos, a investigadora Maria José Oliveira, autora do livro "Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial, Frente Europeia - 1917/1918", difundiu um novo olhar e importante contributo para a história da participação portuguesa na frente europeia da Grande Guerra, através da elaboração de uma lista inédita de 259 prisioneiros onde é revelado além do nome, data de nascimento e morte, a causa do falecimento e, em 178 casos, o local da sepultura.

Como sustenta a investigadora, cujo avô foi um dos milhares de soldados portugueses que foram feitos prisioneiros na batalha de La Lys, houve vários cativos lusos, com menos de 30 anos, que morreram em campos de internamento e de trabalhos forçados na Alemanha, França, Bélgica e Polónia, vítimas de tuberculose pulmonar, de gripe pneumónica ou ferimentos, tendo a grande maioria sido trasladada para o cemitério militar português de Richebourg.

Segundo a mesma, além deste cemitério, existem ainda portugueses sepultados noutros locais de França como Loisne, Fresnes, Pont du Hem ou os cemitérios militares de Vieille Chapelle e Sainghin-en-Mélantois, sendo que a investigação permitiu encontrar um português em Gadenstedt e em Fort Blucher, na Alemanha, um outro em Ninove, na Bélgica, assim como apreender que alguns ficaram sepultados nos próprios campos onde foram feitos prisioneiros.

PAREDES DE COURA: FORAM MUITOS OS COURENSES QUE INTEGRARAM O CORPO EXPEDICIONÁRIO PORTUGUÊS

Foram muitos os filhos de Paredes de Coura que participaram na Primeira Grande Guerra, incorporados nas fileiras do Corpo Expedicionário Português. Aqui publicamos o boletim individual de alguns dos courenses onde aparece mencionado nomeadamente o seu nome, filiação e localidade de origem.

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Fonte: Arquivo Histórico Militar

JOÃO AFONSO GONÇALVES: UM LIMIANO NO CORPO EXPEDICIONÁRIO PORTUGUÊS FEITO PRISIONEIRO NA ALEMANHA

João Afonso Gonçalves, Soldade nº 323 do Regimento de Infantaria nº 3, natural de Cabração, Ponte de Lima, do 1º Corpo Expedicionário Português, embarcou para a frente em 15 de Abril de 1917 e desembarcou em 18 de Janeiro de 1919.

Desaparecido em 9 de Abril de 1918, foi considerado prisioneiro do inimigo tendo sido encontrado no Campo de Münster, na Alemanha.

Era filho de José Afonso Manuel Gonçalves e Rosa Afonso.

Fonte: Arquivo Histórico Militar

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ABÍLIO JOSÉ DOMINGUES: UM LIMIANO NO CORPO EXPEDICIONÁRIO PORTUGUÊS

Abílio José Domingues, 1º Cabo nº 108 do Regimento de Infantaria nº 9, natural de Cabração, Ponte de Lima, do 1º Corpo Expedicionário Português, embarcou para a frente em 22 de Abril de 1917 e desembarcou em 21 de Fevereiro de 1919. Era filho de José Manuel Domingues e Maria (…) de Matos.

Fonte: Arquivo Histórico Militar

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OS SOLDADOS PORTUGUESES QUE SE TORNARAM EMIGRANTES EM FRANÇA NO FINAL DA GRANDE GUERRA

  • Crónica de Daniel Bastos

A presença da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoas, está historicamente ligada ao processo de reconstrução francês após o fim da segunda Guerra Mundial. Reconstrução, que em parte, foi suportada por um enorme contingente de mão-de-obra portuguesa que motivada pela procura de melhores condições de vida, e nas décadas de 1960-70 pela fuga à Guerra Colonial e à repressão política do Estado Novo, encontrou nos setores da construção civil e de obras públicas da região de Paris o seu principal sustento.

Mas originariamente, a emigração portuguesa para França está ligada à participação do Corpo Expedicionário Português (CEP) na frente europeia da Grande Guerra (1914-1918), acontecimento bélico que levou para França em 1917 cerca de 55 mil portugueses para lutar nas trincheiras dos aliados britânicos contra o inimigo alemão, e do qual milhares de soldados não regressaram, optando por se tornarem emigrantes em terras gaulesas.

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O historiador Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, acompanhado em 2019 de Felícia Assunção Pailleux, filha do antigo combatente na I Guerra Mundial e depois emigrante em França, João Assunção, no Museu Nacional da História da Imigração em Paris

 

Ainda hoje, existem descendentes destes soldados e emigrantes lusos que preservam a sua memória e zelam o cemitério militar português de Richebourg, no norte de França, um cemitério militar exclusivamente português, que reúne um total de 1831 militares mortos na frente europeia. É o caso da nonagenária Felicia Assunção Pailleux, filha do soldado e depois emigrante João Assunção, um minhoto de Ponte da Barca, que fez parte da 2ª Divisão do CEP e que como outros compatriotas que optaram no final do conflito bélico por não regressar a Portugal, onde grassava uma profunda crise política, económica e social, fixou-se na zona onde combateu, no Norte-Pas de Calais, uma zona de minas de carvão que absorveu muita mão-de-obra.

Ao longo das últimas quatro décadas, Felicia Paileux tem sido a porta-estandarte da bandeira de Portugal nas cerimónias evocativas da Grande Guerra no cemitério de Richebourg e no monumento aos soldados lusos em La Couture, no Norte-Pas de Calais, honrando a memória do seu pai, soldado e emigrante português falecido em 1975, que muito antes da emigração maciça dos anos 60 escolheu como muitos outros antigos companheiros de armas a França para viver, trabalhar e constituir família.

PAREDES DE COURA HOMENAGEIA OS COURENSES QUE COMBATERAM NA PRIMEIRA GRANDE GUERRA

Paredes de Coura homenageia com Memorial e livro os seus filhos que intervieram na I Guerra Mundial

6ª feira | 28 jun | 18h00

“Paredes de Coura na I Guerra Mundial - do Armistício à Paz em Versalhes” é evocado esta sexta-feira, dia 28 de junho – data em que se comemora O Tratado de Versalhes, assinado a 28 de junho de 1919, e que inaugurou oficialmente o período de Paz --, com o lançamento do livro inédito ‘O Silêncio e a Voz dos Heróis de Paredes de Coura na I Guerra Mundial’, bem como com a inauguração do Memorial em homenagem aos Combatentes Courenses.

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“Lembrar é antes de mais uma forma de amar. Uma forma de amar aqueles que deram em sacrifício pelo seu país muitos anos das suas vidas. Outros, porém, tiveram menos sorte e deram a vida toda. Mas a morte, como escreveu Camões, nunca será o final para todos aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”, o tributo de Vitor Paulo Pereira, presidente da Câmara de Paredes de Coura, recordando também que “nesse tempo dramático, muitas famílias e aldeias inteiras do concelho tiveram vontade de esquecer tempos tão violentos. Mas hoje é imperioso lembrar aqueles que lutaram pelo seu país e pela democracia. Queremos, por isso, que este livro e o monumento que vamos levantar sejam os lugares da memória dos que lutaram. O que de importante significa para nós permanecerá na memória desse lugar. Permanecer é significar”.

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Lembrar é uma forma de amar

‘O Silêncio e a Voz dos Heróis de Paredes de Coura na I Guerra Mundial’ é uma homenagem aos combatentes courenses que há 100 anos participaram naquele conflito, militares filhos da terra que intervieram nos palcos da Europa e de África, e foi escrito em coautoria por Henrique Rodrigues e Albino Penteado Neiva. Já o Memorial em homenagem aos combatentes courenses tem assinatura do escultor Ricardo Crista e vai permanecer à entrada das Portas de Corno de Bico, na Avenida Cónego Bernardo Chouzal.

“Temos o dever de lembrar que a Europa foi e poderá voltar a ser o mais violento dos continentes. É, por isso, dever cívico combater a força do esquecimento e construir lugares de memória ou de reflexão”, justifica Vitor Paulo Pereira, sublinhando que tanto o livro como o memorial “serão duas pertinentes formas de evocar a memória do altruísmo, do amor e do sacrifício”. Para o autarca, “a História, a permanência, a identidade e grandeza de Portugal estão profundamente ligadas ao contributo valoroso do povo de Coura e dos seus militares. Revemo-nos na ação dos nossos antepassados, nos atos de valentia e de coragem, de abnegação e de patriotismo de todos quantos participaram nessa Grande Guerra”.

Para além destas iniciativas nesta sexta-feira, 28 de junho, no dia seguinte o Arquivo Municipal promove ainda duas conferências temáticas: “Bernardino Machado, a Guerra e a Paz”, da autoria de Norberto Cunha, e “Paredes de Coura na Guerra. Os Heróis Ignorados”, da autoria de Henrique Rodrigues. Entretanto, no Arquivo Municipal, continua patente a exposição “Paredes de Coura na 1ª Grande Guerra”, que foi inaugurada no passado dia 14 de junho.

Recorde-se que o Armistício que pôs fim à I Guerra Mundial ocorreu no dia 11 de novembro de 1918. O Tratado de Versalhes, assinado a 28 de junho de 1919, inaugurou oficialmente o período de Paz.

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