Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

PONTE DE LIMA JÁ POSSUI CENTRO DE RASTREIO DA COVID-19

Abriu o Centro de Rastreio da Covid-19 em Ponte de Lima

Entrou esta segunda-feira, 6 de abril, em funcionamento o Centro de Rastreio da Covid-19, no Pavilhão de Feiras e Exposições da Expolima, em Ponte de Lima, com a capacidade para a realização de 60 testes/dia aproximadamente, assegurado pelo Laboratório Germano de Sousa, em parceria com a ULSAM e a Câmara Municipal de Ponte de Lima.

Centro Rastreio Ponte de Lima_ 2020-04-06 at 10.33

Os testes serão realizados apenas mediante a prescrição pelo médico de Medicina Geral e Familiar do Centro de Saúde. O laboratório é informado pelo médico do caso suspeito, sendo o doente agendado pelo laboratório que após receber SMS se dirige ao Centro de Rastreio.

O doente desloca-se até ao ponto de recolha, de acordo com as orientações do laboratório.

Os resultados do exame serão depois enviados diretamente ao doente, ao médico e às autoridades de saúde pública.

Este Centro de Rastreio vai funcionar tipo Drive thru, ou seja, os utentes referenciados deslocam-se dentro do seu veículo ao ponto de recolha sem entrar em contacto com outras pessoas, reduzindo assim o risco de infeção em cada colheita.

Os testes serão realizados mediante marcação através dos contactos:

- 93 0568014

- covid19.pontedelima@germanodesousa.com

O Horário de funcionamento do Centro de Rastreio de Ponte de Lima é o seguinte:

Às segundas, quartas e sextas das 9h00 às 13h00, e das 14h00 às 16h00, com exceção da sexta-feira santa e da segunda-feira de páscoa.

7dde2bcf-61b5-4a25-a666-76d6ab2f7a0f.JPG

O RIO LIMA E A VISÃO MÍTICA DO HADES

35922660_1749853358428503_3697575518795726848_n.jp

  • Crónica de Carlos Gomes

Quando no ano 163 Antes de Cristo, as legiões romanas comandadas por Decimus Julius Brutus chegaram à margem esquerda do rio Lima, elas temeram atravessá-lo por acreditarem tratar-se do mítico rio do esquecimento e, ao transporem-no, esquecerem-se para sempre da sua pátria e de si mesmos. Tal superstição foi desfeita quando o tribuno romano atravessou o rio e, da outra margem, chamou todos os seus soldados pelo seu próprio nome.

PONTE DE LIMA RECONSTRÓI AÇUDE DO RIO LIMA - BLOGUE DO MINHO

O sítio escolhido pelas legiões romanas para atravessar o rio Lima foi naturalmente aquele que entretanto entenderam por mais adequado para construírem a ponte que liga as duas margens, um troço da qual veio a ser reconstruído ao tempo do rei D. Pedro I em virtude de ter sido derrubado pelas fortes correntes.

Foi também o local onde mais tarde veio a nascer a vila de Ponte de Lima – no sítio exacto onde a ponte que servia a estrada militar via XIX que constava do Itinerário de Antonino e que ligava Bracara Augusta (Braga a Astúrica Augusta (Astorga), passando por Lugo e Tui, se cruza com o rio como duas importantes vias de comunicação à época! – e em relação ao qual os romanos baptizaram por Lethes, numa clara alusão ao mítico Lethes, um dos quatro rios que na mitologia grega banhava o Hades, representando a passagem da vida para a morte através de uma barca conduzida por Caronte.

A travessia era paga e, a comprová-lo, as moedas encontradas em muitas sepulturas romanas, colocadas na boca do defunto para garantir o seu pagamento.

800px-Lytovchenko_Olexandr_Kharon.jpg

Interpretação do século XIX da travessia do rio Lethes por Caronte, por Alexander Litovchenko.

 

Segundo a mitologia grega, o rio Lethes era um dos quatro rios que banhava o Hades. A passagem da vida para a morte constituía a travessia feita do rio Lethes – o rio do esquecimento – através de uma barca conduzida por Caronte. Foi aliás, baseado nesta crença que Gil Vicente escreveu os seus autos, mormente o Auto da Barca do Inferno.

Também Dante, na Divina Comédia, na segunda parte da obra dedicada ao Purgatório, descreve o Lethes como um rio de cujas águas os pecadores tinham de beber para apagarem da memória os seus pecados cometidos e, desse modo, entrarem no Paraíso.

Porém, uma das mais conhecidas descrições do Hades e, consequentemente do rio Lethes constitui a versão apresentada pelo poeta épico Homero na Ilíada e na Odisseia.

Como é sabido, os romanos assimilaram a cultura dos gregos, atribuindo novas denominações às suas divindades. Na Grécia antiga, Lethes significava literalmente “esquecimento”, constituindo um dos cinco rios que banhavam o Hades. Os demais eram o Aqueronte (rio da dor), Cocito (lamento), Flegetonte (fogo) e Estige (invulnerabilidade), os quais faziam a fronteira entre os mundos superiores e inferiores. Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algea, Limos, Horcos e Ponos.

A origem etimológica da palavra Inferno provém do latim infernum ou inferus e que significa literalmente “profundezas”, “lugares baixos”, aludindo a um local de sepultura. O equivalente ao termo hebraico sheol, não existindo nela qualquer indicação de local de fogo e tormento a que os maus estavam condenados. Aliás, tal ideia só veio a ser concebida por associação com a Geena – o vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém – que era usado como lixeira e onde também eram lançados os cadáveres de pessoas consideradas indignas, sendo utilizado o enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. De resto, o termo Geena ocorre doze vezes nas Escrituras Sagradas, tendo Jesus usado o vale de Hinom para representar a destruição eterna.

Em Lucas (12:5), o evangelista refere-se à Geena com as seguintes palavras: “Mas, eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo temei a Este”. E assim surgiu o Inferno como um local de padecimento!

Para trás ficou – qual rio do Esquecimento! – a crença no mítico rio Lethes que, séculos após a chegada das legiões romanas, passou a ser local de atravessamento de milhares de peregrinos, através da ponte que os romanos ali ergueram, com destino a Compostela para ali venerarem o apóstolo São Tiago Maior que, depois de ter andado pelo Minho – Braga, Guimarães e Rates – a tentar converter os pagãos, veio mais tarde segundo a tradição cristã a ser sepultado no local onde entretanto foi erguida a monumental catedral na Galiza.

ANTNIO~1

António Feijó

 

Também designado de Belion e pelo historiador e geógrafo grego Estrabão identificado como o mítico Lethes, o rio Lima continua a ser cantado pelos poetas, tendo em António Feijó porventura um dos seus maiores bardos:

 

Nasci á beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo crystal;

D'ahi a angustia que me victima,

D'ahi deriva todo o meu mal.

 

É que nas terras que tenho visto,

por toda a parte por onde andei,

Nunca achei nada mais imprevisto,

Terra mais linda nunca encontrei.

 

São águas claras sempre cantando,

Verdes colinas, alvôr d'areia,

Brancas ermidas, fontes chorando

Na tremulina da lua - cheia...

JORNAL INGLÊS “THE TELEGRAPH” DESTACA O MINHO NA SUA EDIÇÃO DO ...

O CAMINHO DE SANTIAGO... POR PONTE DE LIMA!

O Camiño de Santiago en Tui (V): peregrinos no século XVI

No ano 1532 Frei Claude de Bronseval e o seu señor o abade don Edme de Salieu culminan en Tui o seu periplo de dificultades por atopar aloxamento como peregrinos: “Tivemos graves problemas para aloxarnos. Os habitantes ríanse de nós, como se fosemos bárbaros ou sarracenos. Ao ver isto dous irmáns da Orde de predicadores levaronnos ante unha anciá a quen lle suplicaron que nos dera aloxamento. Foi o noso último aloxamento en Galicia e dicían que era moi bo, pero en realidade era moi malo”.

imagem_slideshow_D_PedroI_e_Ponte_de_Lima_slide_1_

En 1537 o viaxeiro italiano Nicolás Cleonardo, preceptor dos infantes portugueses, narra a súa viaxe dende Evora ata Compostela; na ida realizou o camiño por Ponte de Lima e Tui, namentras que ao regreso tras cruzar o rio Miño na barca de Tui, voltou a Ponte de Lima pero dende alí visitou Viana do Castelo para retornar ao interior por Barcelos.

Entre 1567 e 1568 Sexismundo Cavalli percorre este roteiro entrando en Portugal por Elvas e dende Braga polo trazado da antiga via romana foi a Ponte de Lima e Valença.

A viaxe que en 1581 realizou Erich Lassota de Stevolovo, un militar polaco de Silesia que serviu a Filipe II de España, “é tamén interesante, porque unha parte fíxose en barco e o resto a través dun itinerario terrestre moi ben documentado” que chegaba a Braga, Ponte de Lima e despois Valença do Minho. No regreso fixo o mesmo itinerario.

Deste mesmo ano se conserva o relato da viaxe realizada por Bartolomé Bourdelot, da República de Venecia enviado por esta onde Filipe II. En 1581 atópase en Lisboa e peregrina a Compostela pola vía clásica que percorrian todos os peregrinos e viaxeiros e que pasaba por Valença – Tui.

Giovanni Battista Confalonieri era un presbítero de Italia que acompañou ao Patriarca de Xerusalen, monseñor Fabio Biondo de Montalto, na sua peregrinación xacobea. Desta viaxe realizada en 1594 deixou un afamado relato con abondosas descricións. Na xornada décimo primeira refire a súa chegada a Valença que erguiase nun outeiro amurallado sobre o río Miño, que tiña de atravesar en barca para chegar a Tui:

Valença en el confin de Portugal; villa situada en una colina, amurallada, en ella se hace el registro del dinero, plata y cabalgaduras. Calle larga, casa pequeñas, a la entrada, un pequeño arrabal, y delante de la puerta un porche monumental. Se sigue bajando y se atraviesa el rio Miño, y, al igual que en Vila do Conde, de la otra parte del río Miño se encuentra inmediatamente Tui, ciudad y principado de Galicia. Es pequeña, amurallada, pobre en gente y en dinero. La Catedral es grande y en ella está el cuerpo de San Telmo, abogado de los marineros, sobre el cual hay una capilla en que se celebra, aunque no está canonizado.

Fonte: https://tudensia.blogspot.com/

CHEF ALEXANDRA RODRIGUES OFERECE AOS LEITORES DO BLOGUE DO MINHO A SUA RECEITA DE “ARROZ DE POLVO COM FEIJÃO E COUVE”

Alexandra Rodrigues – que na arte de bem cozinhar também utiliza o pseudónimo “Maria Germano” – é uma exímia cozinheira e doceira com reconhecimento a nível nacional. Sempre que uma surge a oportunidade, Alexandra Rodrigues não hesita em promover a gastronomia da nossa região. E Ponte de Lima certamente não se esquecerá de reconhecer o seu talento e convidá-la a participar nos maiores eventos gastronómicos que realiza.

Como oportunamente, Alexandra Rodrigues – descendente de limianos da Cabração – participou com duas receitas bem minhotas: Bacalhau à Minhota e Torta de Viana.

46470543_10214109968488536_3628047870948540416_n.jpg

Mas o reconhecimento dos seus talentos culinários não se ficam por aí e certamente fariam a delícia dos seus conterrâneos. Em 2016, foi com um doce alentejano que se evidenciou no concurso e, em 2017 ficou entre as 48 melhores receitas.

Em 2018, na 7ª edição do concurso ficou em 2º lugar na categoria de doçaria, cujo livro o livro sairá do prelo em 2020. Nessa ocasião, apresentou uma receita de um bolo de amêndoa, o bolo real, também conhecido como “bolo das festas”, porque usualmente era por ocasião das festas em honra de Nossa Senhora d’Agonia, da Senhora da Bonança em Vila Praia de Âncora e das Feiras Novas de Ponte de Lima que era confeccionado.

Muitas das suas receitas podem ser encontradas no seu blogue “JOVENS DONAS DE CASA” em https://jovensdonasdecasa.blogspot.com/ 

Desta vez, Alexandra Rodrigues brinda os leitores do BLOGUE DO MINHO com uma receita da sua autoria baseada num prato da cozinha tradicional portuguesa: Arroz de Polvo com Feijão e Couve. Ora, vamos deliciarmo-nos com esta magnífica receita!

ARROZ DE POLVO COM FEIJÃO E COUVE

Ingredientes: 1 polvo cerca de 1,200 kg, 400g de arroz carolino, 8/10 folhas de couve lombarda, 1 lata pequena de feijão encarnado, 1 cebola grande, 2 dentes de alho, 0,5 dl de azeite, 3 tomates maduros, sal e pimenta q.b, 1 folha de louro, 1 raminho de salsa.

Preparação:

  • Comece por arranjar o polvo e leve-o a cozer em água com um fio de azeite. Deixe que fique tenrinho, desligue o lume, tempere com sal e deixe repousar.
  • - Arranje também as folhas de couve lombarda e corte-as em juliana grossa. Reserve.
  • - Pique a cebola e os dentes de alho e coloque num tacho. Adicione o azeite e a folha de louro e deixe refogar uns 5 minutos, em lume brando, mexendo de vez em quando. Adicione depois os tomates limpos de peles e sementes e picados e deixe cozinhar até que fique macio.
  • - Depois escorra a água de cozer o polvo e adicione ao refogado. Quando levantar fervura junte a couve lombarda e deixe cozer 5 minutos, de seguida junte o arroz, mexa para não agarrar e deixe cozer 15 minutos. Se necessário adicione um pouco de água bem quente. Junte o raminho de salsa, tempere com pimenta e retifique o sal, se necessário.
  • - Entretanto corte o polvo aos pedaços pequenos/médios e quando faltarem 5 minutos para o arroz estar cozido, junte o polvo e a lata de feijão. Envolva bem e deixe ao lume mais 5 minutos.

91567198_602579610470583_2208909381209161728_n.jpg

PONTE DE LIMA CANCELA EVENTOS ATÉ AO FINAL DE AGOSTO

O Município de Ponte de Lima decidiu cancelar todos os eventos promovidos diretamente pelo município ou em colaboração com várias entidades, até ao final do mês de agosto.

vila 2003 ctr 2

A decisão foi efetuada na sequência da ativação do Plano de Contingência da Câmara Municipal de Ponte de Lima, face aos riscos do Covid-19, considerando as indicações da Organização Mundial de Saúde e as recomendações das autoridades de saúde nacionais.

O município reforça que a medida é considerada fundamental para conter as possíveis linhas de contágio, e assim controlar a pandemia.

Os eventos cancelados são os seguintes:

Abril

18 a 19 de Abril – Fim de Semana Gastronómico da Lampreia

24 a 26 de Abril – VI Expo Saúde/Juventude

24 de Abril a 3 de Maio – Dinossauria Experience em Ponte de Lima

Maio

9 a 10 de Maio – Expo Canina

15 de Maio – Desafio Jovem

22 a 24 de Maio – XII Feira da Caça, Pesca e Lazer

29 de Maio – Abertura do XVI Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima

30 e 31 de Maio – Recriação Histórica

Junho

6 de Junho – Festa da Família – Dia Mundial da Criança

10 de Junho – Vaca das Cordas

11 de Junho – Tapetes Floridos

12 a 14 de Junho – XXX Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais

14 de Junho – Concurso Regional de Dressage

20 de Junho – Marchas de São João

Julho

2 a 5 de Julho – XIV Feira do Cavalo

4 de Julho a  27 de Setembro – Art’In Lima – Mostra de Arte contemporânea

14 de Julho a 13 de Agosto – Festival Percursos da Música

16 a 19 de Julho – XXV Feira do Livro

Agosto

6 de Agosto – Festival Internacional de Folclore

7 a 9 de Agosto – Concurso de Saltos Internacional

7 a 9 de Agosto – XIV Feira dos Petiscos

13 a 16 de Agosto – IV Jogos Equestres de Ponte de Lima

14 a 16 de Agosto – III Loureiro de Ponte de Lima ConVida.

MENSAGEM DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA

presidente_victor_mendes_1_1024_350-2.jpg

Caros Limianos e Caras Limianas,

Neste momento tão perturbador para todos nós, enquanto comunidade, gostava de agradecer a todos os Limianos o comportamento exemplar e profundamente responsável que de uma forma geral têm manifestado ao acatar as orientações do Governo, da Autarquia e da Direção-Geral da Saúde no combate a esta pandemia.

Agora, entrados já na fase de mitigação desta pandemia e tendo pela frente um período tão complicado cuja duração não podemos ainda vislumbrar, lanço um sentido apelo a todos vós para que continuem a seguir os conselhos de um maior isolamento social, a forma mais eficaz de quebrar as cadeias de contágio.

O período da Páscoa, que se aproxima, costuma felizmente ser sinónimo, nesta nossa Terra, de alargado convívio entre familiares e amigos. É uma época que ajuda a cimentar as relações humanas.

Mas, por muito que isso nos custe, a Páscoa deste ano terá forçosamente que ser diferente, sem cerimónias religiosas nem Compasso Pascal. Não podemos colocar em causa o esforço e os sacrifícios feitos até aqui.

Por muito que isso doa, devemos manter a distância mesmo em relação aos que estão mais perto dos nossos corações, evitando os convívios/almoços mais alargados entre família e amigos.

É nosso dever protegermo-nos uns aos outros e ainda mais os nossos pais e os nossos avós, que são os que correm mais riscos.

Triste ironia a destes tempos, em que o afastamento aos nossos entes mais queridos é a melhor prova de que os amamos!

Consciente da dificuldade deste pedido, mas também da sua necessidade, confio no espírito de missão de todos os Limianos. Só assim poderemos dar a volta a esta situação. Da nossa parte, contem com tudo o que for necessário. Cá estaremos para ajudar nesta luta.

Desejo a todos uma Boa Páscoa, com saúde, EM CASA.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima

Victor Mendes

LISBOA: RUA DE CAMPOLIDE TEM OS DIAS CONTADOS... CASA DE PONTE DE LIMA VIVE FUTURO INCERTO!

Alarga-se um lado, encurta-se o outro: como pouco muda em Lisboa entre grandes mudanças

Se o Jardim da Amnistia Internacional já ficou ligeiramente menos verde, mais cinzento ficará quando o trânsito na Rua de Campolide se intensificar. O projecto servirá para escoar o trânsito da nova Praça de Espanha.

Praca-Espanha-Greenwashing-Shifter_02.jpg

Enquanto a requalificação da Praça de Espanha, em Lisboa, avança com a promessa da criação de um jardim maior que o da Estrela, ali ao lado, a Rua de Campolide está em obras para passar a avenida. Com o encurtamento dos passeios já estreitos, a optimização de zonas mortas e eliminação de algumas áreas verdes, está a ser criado espaço para o automóvel. Duas vias de trânsito em cada sentido vão nascer naquela rua artéria. O projecto servirá para escoar o trânsito da nova Praça de Espanha.

É certo que o verde que se perdeu naquele belo Jardim desenhado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles é insignificante à escala do mesmo, mas não deixa de ser simbólica e irónica essa perda (por mais ínfima que seja) na tão aclamada “Capital Verde Europeia 2020”. A criação de uma avenida no espaço de uma rua parece um contra-senso em relação a todas as restantes intervenções que vão acontecendo no resto da cidade de Lisboa, onde têm sido alargados passeios e criadas ciclovias em detrimento do espaço automóvel. (…)

Fonte: Mário Rui André / https://shifter.sapo.pt/2020/02/praca-de-espanha-greenwashing/

Praca-Espanha-Greenwashing-Shifter_03-800x534.jpg

Praca-Espanha-Greenwashing-Shifter_04-800x534.jpg

COVID-19 LEVA AO CANCELAMENTO DA COCA EM MONÇÃO, VACA DAS CORDAS EM PONTE DE LIMA E FESTA DAS ROSAS EM VILA FRANCA – ESTÃO EM RISCO MUITAS FESTAS E ROMARIAS DO MINHO

Este ano não há Vaca das Cordas em Ponte de Lima, nem Coca em Monção

A Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM) suspendeu hoje todas as festas e romarias no distrito de Viana do Castelo, até ao dia 30 de junho, foi anunciado em comunicado.

10494873_10204399711259403_6841449409352242998_n

Assim, grandes eventos como a Vaca das Cordas, em Ponte de Lima, a Festa da Coca, em Monção, ou a Festa das Rosas, em Vila Franca, no concelho de Viana do Castelo, não se irão realizar.

“Os Municípios do Alto Minho não irão passar qualquer licença para festas, romarias e eventos equiparáveis que decorram até final do mês de junho, face aos graves riscos de saúde pública associados à propagação da pandemia do Covid-19 no Alto Minho”, lê-se num comunicado da CIM.

Fonte: https://ominho.pt/

MoncaoCosaSJorg (6).JPG

PONTE DE LIMA: CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA RESISTE AO COVID-19

CABRAÇÃO E MOREIRA DO LIMA

Largo da Igreja n.º 32

4990 – 670 – Cabração e Moreira do Lima

4-Comunicado COVID-19

A Junta de Freguesia de Cabração e Moreira do Lima, seguindo as orientações emanadas pelo Despacho 2836-A/2020 e as recomendações da Direção Geral de Saúde devido ao COVID-19, deliberou por unanimidade o seguinte:

- A partir da presente data e caso se verifique a necessidade em dar apoio/encaminhamento a todos aqueles que não têm retaguarda familiar suficiente para resolver situações quotidianas do dia-a-dia, principalmente ir à farmácia, para a aquisição de medicamentos ou outros bens de primeira necessidade – Nós vamos...

- Chamar à atenção da população em geral para os falsos profissionais de saúde e de operadoras de telecomunicações (se aparecerem à porta a oferecer os serviços de rastreio ao COVID-19 ou serviços de telecomunicações desconfie e chame a autoridade local GNR)

Contacte os membros do executivo, assim tentaremos satisfazer a sua necessidade o mais rápido possível.

Evite ao máximo as suas saídas de casa! Mantenha-se seguro, por si! Pelos outros!

Agradece-se desde já a compreensão

Cabração e Moreira do Lima, 20 de Março de 2020

O Presidente

Carlos Alberto de Matos Pinheiro

MUNICIPIO DE PONTE DE LIMA DISPONIBILIZA CERCA DE 160 CAMAS NO AMBITO DO PLANO OPERACIONAL MUNICIPAL PARA O CORONAVÍRUS (COVID-19)

No seguimento da aprovação do plano de operações nacional e do plano de operações distrital para o coronavírus, o Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, aprovou o Plano Operacional Municipal para o Coronavírus (POMCov) no dia 26 de Março de 2020.

pacosconcelho_pontedelima2_1_1024_800.jpg

Entre as instruções de definição das estruturas de coordenação politica, as estruturas de coordenação institucional, e as estruturas de comando operacional, bem como a definição das respostas internas e operacionais das várias estruturas definidas, o Plano prevê a criação de alojamento a vários níveis para dar resposta a uma situação de emergência. Entre eles é dada resposta para isolamento social para infetados com necessidades sociais (81 camas), isolamento profilático para trabalhadores de saúde e agentes de proteção civil (77 camas).

Também é criado alojamento para grupos de reforço ou grupos adaptados para as mais variadas situações necessárias com número de camas a definir de acordo com as necessidades, disponibilizando para o efeito seis pavilhões desportivos municipais, pelas suas características nomeadamente a sua dimensão e a existência de balneários.

A TASCA, O MORANGUEIRO E O PERNIL: 50 ANOS DEPOIS, AFINAL QUEM É O DAVID DA BURACA?

Em 16 de Dezembro de 2017, o jornal “O Observador” publicou uma excelente reportagem acerca de um dos estabelecimentos de restauração da região de Lisboa, pertença do limiano David Alves Rodrigues – vulgo “David da Buraca”. O BLOGUE DO MINHO recupera essa publicação.

Capturardavid1.PNG

O famoso restaurante celebra meio século de existência e foi a propósito da data redonda que fomos conhecer a tasca que virou império.

Num dia de muito vento e chuva, a árvore centenária que morava à entrada do David da Buraca, restaurante icónico que celebra o seu 50.º aniversário este sábado, 16 de dezembro, caiu em cima de um camião da Schweppes. A confusão agravou-se: a árvore tinha deitado abaixo uns cabos de eletricidade. No meio da confusão, um senhor que morava umas casas acima decidiu ajudar. Pegou nos cabos sem qualquer tipo de proteção e imediatamente ficou colado, por culpa da corrente elétrica. O homem tentou largar os ditos cabos, mas não havia como. Ao ver este cenário, um dos condutores que estava parado no trânsito saiu do carro, foi à bagageira e tirou de lá um pau enorme. Correu em direção ao eletrocutado e começou a bater-lhe nos braços. “Só assim é que o homem conseguiu soltar-se. Por pouco não morria!”. Esta é uma história que facilmente podia ser contada num filme de Quentin Tarantino mas, como se costuma dizer, a realidade muitas vezes ultrapassa a ficção.

“Tudo isto aconteceu há uns bons anos”, conta ao Observador David Alves Rodrigues, o “David” que aparece no letreiro do restaurante. Hoje, com 78 anos, o empresário recorda este e muitos outros episódios que marcaram a vida deste espaço nos arredores de Lisboa que, só por si, já merecia uma adaptação ao grande ecrã. Superação, postas mirandesas, grandes figuras da história do país e resiliência — não falta nada à biografia deste restaurante que começou como uma pequena tasca e hoje faz parte de um “império” que inclui uma quinta em Caneças, uma cafetaria e outras três casas onde quem manda é a comida tradicional portuguesa.

De Ponte de Lima ao Príncipe Real

O relógio batia nas dez e meia da manhã quando o Observador chegou ao número 20 da Estrada da Buraca. O parque de estacionamento estava praticamente vazio, pouco se passava neste trecho de alcatrão por onde “toda a gente tinha de passar”, antes da construção da 2.ª Circular, artéria importante de acesso ao centro alfacinha. Contudo, mesmo à porta do restaurante, a uns poucos metros de onde tínhamos estacionado, já se via alguma movimentação. “Não pá, não quero comprar caracóis”, dizia um senhor de cabelo branco meio curvado. O rapaz que tentava impingir os seus gastrópodes atirou a toalha ao chão e nós seguimos atrás do ancião.

scanner-40david2.jpg

Era assim a primeira cozinha do David da Buraca, algures no final dos anos 60, início os anos 70. ©Fotografia cedida por David Alves Rodrigues

 

Já dentro do restaurante — um impressionante complexo com seis salas de refeição espalhadas por dois edifícios grandes e uma espécie de pavilhão –, a pergunta inevitável: o senhor é que é o David da Buraca? “Sou sim, muito prazer”, respondeu o velhote com uma voz muito calma, tímida e com uns quantos decibéis a menos, dado o barulho que já vinha da cozinha. Panelas enormes fumegavam, dois recipientes transbordavam com pernis assados e, no meio disto tudo, carrinhas de fornecedores não paravam de chegar. “Aquele senhor leva ali uns quilos que porco preto”, dizia David referindo-se a um jovem que transportava sobre o ombro uma enorme secção de carne embalada em plástico. Rapidamente começamos um tour pelo gigante onde todos os dias comem duzentas pessoas, “mais coisa menos coisa”, e que celebra o seu 50.º aniversário este sábado, 16 de dezembro. Enquanto caminhávamos, o nosso cicerone ia falando da sua vida.

“Eu não sou de cá [Lisboa], vim de Ponte de Lima sozinho quando tinha 12 anos”, vai contando. “Vinham uns para Lisboa e nós queríamos seguir o mesmo caminho, sabe como é”, conta. Os que já tinham assentado arraiais na capital prometiam integração facilitada e emprego e isso foi o que bastou para David deixar “a terra”. “Saí na estação do Rossio, subi as escadinhas do Duque e segui para o Príncipe Real”, explica. À sua espera estava um emprego como carvoeiro, os rapazes que andavam de porta em porta a vender carvão, combustível muito procurado, principalmente por restaurantes e casas de pasto. “Foi assim que comecei a entrar em contacto com o mundo da restauração”, acrescenta.

img_1434_1280x720_acf_croppedDavid3.jpg

"O" David da Buraca no seu escritório.

 

A adaptação à nova vida não foi fácil e David não esconde isso: “No início chorava muito, queria voltar para a minha terra, mas depois foi passando.” O que ajudou a atenuar esse sentimento? A rotina, claro, mas o tio, familiar com quem vivia, também deu uma ajuda. “Uma vez disse-me: ‘Se falas mais em voltar para a tua terra dou-te tantas chapadas como cabelos brancos tenho na cabeça!’… E ele já tinha o cabelo todo grisalho!”, sorri.

Aos poucos foi conciliando o trabalho do carvão com o da comida, começando a trabalhar “em algumas casas de pasto” por Lisboa. Depois de ter passado por duas ou três, estabeleceu-se numa que ficava “no fundo da Calçada dos Mestres, em Campolide”. O tempo tinha passado e David, já com “26 ou 27 anos”, começou a ser “chateado” por Domingos Duarte, um “primo de uns primos” que o queria envolver num negócio. “Já fiquei com aquilo na Buraca”, dizia-lhe. Domingos queria que David aceitasse ser sócio dele numa pequena tasca nesta zona perto de Benfica. Depois de alguma hesitação, o sim definitivo surgiu e no dia 16 de dezembro de 1967 o David da Buraca abria portas — “lembro-me perfeitamente, fizemos a escritura na rua Rodrigo da Fonseca”.

E o sócio não levou a mal que o restaurante ficasse só com o seu nome? A resposta surpreendeu: “Foi uma espécie de medida de marketing. Sempre que tinha mudado de casa, antes, montes de clientes vinham atrás de mim para o novo sítio. Achámos que fazia sentido o meu nome aparecer, que traria mais clientes”, explica o septuagenário. A verdade é que foi isso mesmo que aconteceu.

O David da Buraca original ocupava um pequeno espaço que hoje corresponde à sala de refeições que fica do outro lado da rua do Panças, outro conhecido restaurante de comida tradicional. Havia um balcão que percorria todo o lado esquerdo (de quem entra vindo da rua) e umas quantas mesas soltas. Nessa fase inicial os clientes vinham mais “para beber um copito”, mas aos poucos David começou a cozinhar petiscos como filetes de bacalhau ou um caldinho de camarão (“vendíamos carradas disso!”). Algum tempo depois da inauguração a mulher juntou-se no restaurante e desde então nunca mais deixaram de trabalhar juntos (“olhe que já estamos casados há 54 anos”, diz com orgulho).

A fama foi crescendo a ritmo acelerado, este “era um bairro antigo, muita gente morava aqui mesmo ao lado” e muitas outras pessoas passavam-lhe à porta todos os dias, estivessem elas a caminho do futebol — “o pessoal do Casa Pia ou do Benfica, por exemplo, vinha cá comer antes do jogo e depois regressava no fim, para picar qualquer coisa”. O Cardeal Cerejeira, por exemplo, era uma das pessoas que ali passava todos os dias. Não ia ao restaurante com muita frequência — “o chauffeur dele é que vinha cá muitas vezes, gostava muito de morangueiro [um tipo de vinho muito aromático e refrescante que é tido como sendo de baixa qualidade]” — mas numa das visitas brindou Maria Matos, a mulher de David, com uma bênção original: “Uma vez, antes de se ir embora, disse-lhe ‘Que Deus te abençoe e que de um ovo faças muitos bifes’ “, conta, entre gargalhadas.

Na altura da mudança para o novo emprego, David foi viver com a mulher e o filho de dois anos para “um quartinho muito pequeno” que havia dentro do restaurante. Não havia muitas casas disponíveis ali perto e ir morar para mais longe “estava fora de questão”. Só mais tarde se mudaram para umas águas furtadas ao lado do restaurante.

img_1398.jpg

A cozinha do David da Buraca

 

Dois anos depois da inauguração, David decide comprar o espaço do lado e aumentar o restaurante. A clientela não parava de crescer, trabalhavam todos os dias das sete e meia da manhã às duas, três da madrugada (“a minha mulher até lavava a roupa dos empregados!”) e isso foi motivo suficiente para se dar a primeira expansão do David da Buraca. Antes disso, porém, a vida deste limiense sofreu uma reviravolta trágica e inesperada.

“Comprámos o segundo edifício pouco depois do falecimento do meu filho”, disse David. Subitamente, a sua cara mudou e ficou com um semblante mais pesado. “Ele tinha 21 anos quando faleceu… e um filho de seis meses”, conta. De forma súbita, o primogénito da família Matos adoeceu e não conseguiu superar a misteriosa enfermidade. “Fomos abaixo um bocadinho, mas foi preciso continuar”, contou David.

Os novos edifícios, os banquetes e os casamentos

“Epá, vamos ter de ter cuidado com a cabeça aqui!”, disse David enquanto nos guiava pelas escadas que dão acesso ao piso superior do David da Buraca. No topo da escadaria estava um andaime improvisado com tábuas: “Mudámos e pintámos todos os telhados, estamos ainda a acabar de arrumar tudo”, explica o cicerone.

scanner-43_1280x720_acf_cropped.jpg

Na antiga sala de refeições, empregados do David da Buraca almoçam antes de servirem um casamento

 

“Tínhamos um terraço muito grande e quisemos aproveitá-lo também”, conta, antes de explicar que assim que essa obra ficou concluída (“Algures em 75, não me recordo bem”) o David da Buraca passou a organizar banquetes e casamentos (área que viria a explorar ainda mais, principalmente depois de comprar a Quinta da Estrela, em Caneças). Uns anos mais tarde era concluída a última fase de expansão: foi comprado um terreno vizinho e isso permitiu a construção de um pavilhão novo, feito de raiz, e o parque de estacionamento.

No meio de tudo isto, David não quis perder a ligação “à terra” e decide abrir um pequeno café e restaurante em Ponte de Lima. Trabalhava todos os dias da semana e às sextas-feiras seguia rumo ao Norte para trabalhar mais um pouco. “Era duro”, admite, mas ao menos essas viagens faziam com que regressasse a Lisboa com alguns ingredientes que só “lá em cima” é que conseguia encontrar. “Tinha lá um talho muito bom” e quando havia falta de bacalhau comprava-o em Aveiro, a caminho de Lisboa.

Hoje já não faz estas viagens, mas não é por isso que deixou de receber produtos limianos: “Ainda me trazem umas vitelas de vez em quando”, explica. A conversa divergia cada vez mais para a comida e por isso mesmo foi impossível não perguntar se David tinha algum prato favorito na sua ementa. A resposta foi diplomática, “gosto de tudo”, mas não é grande apreciador de açorda e bacalhau com natas. Os clientes, por sua vez, tendem a gravitar em volta do pernil assado (“vendo daquilo às toneladas!”), do arroz de polvo ou até do javali.

img_1423_1280x720_acf_cropped.jpgDavid (à dir.) e o filho Paulo (à esq.)

 

São muitas as histórias de celebridades e políticos que por aqui já passaram e o próprio David orgulha-se de enumerar alguns. Começa por falar de Marcelo Rebelo de Sousa, o “senhor professor” que sempre foi muito simpático e que “organizou muitos jantares de grupo” nos tempos em que lecionava. “Vinha cá muitas vezes com os alunos”, explica, entusiasmado. A última vez que por aqui passou, recorda, foi antes de se candidatar à Presidência da República (PR). David admite que já pensou muitas vezes em convidá-lo a lá passar, mas não o quer “maçar” porque “ele tem muito que fazer”.

“O pessoal do Benfica” também é presença recorrente no seu restaurante. Recorda com alguma saudade os tempos em que Eusébio, Humberto Coelho, António Simões e Toni se juntavam para grandes almoçaradas. O “Pantera Negra” até tinha uma mesa favorita, num dos cantos da sala de refeições principal.

Qual é o segredo do sucesso?

Trabalham 25 pessoas todos os dias no David da Buraca. Há quem lá esteja há 40 anos e muitos funcionários já se “estabeleceram” em restaurantes próprios.

A pequena tasca dos anos 60 transformou-se no Grupo David da Buraca, aglomerado de vários negócios de restauração que foram distribuídos por diferentes membros da família. Paulo, o segundo filho de David e Maria Matos, está no restaurante original desde 87. “Quando não te safas na escola, tens de trabalhar”, contou o herdeiro. Atualmente, é ele quem gere este espaço, o pai já lhe passou o testemunho apesar de ainda lá estar todos os dias. Vera Rodrigues, a única filha do casal, ficou encarregue de gerir a cafetaria do grupo, um pequeno espaço chamado Jardins de Benfica.

As redondezas do restaurante já mudaram muito. Não há um terço do tráfego que havia antes, os descampados que rodeavam o negócio (e onde punham os cozinheiros novos “a caçar gambuzinos” à noite, em jeito de brincadeira) deram lugar a enormes urbanizações, mas o David da Buraca continua firme. “Ainda nos visitam clientes que frequentavam a tasca onde tudo começou”, diz David. “Há quem já traga os bisnetos, veja lá!”

Quando questionado sobre como foi possível garantir este nível de sucesso, o empresário é humilde: “Muito esforço, a ajuda dos meus empregados e, especialmente, da minha mulher, que sempre me acompanhou”, explica.

“Há uns tempos”, conta, “tentaram comprar-me isto tudo, uns brasileiros que não paravam de andar atrás de mim…”. Cheio de orgulho, David explica que não aceitou e nunca aceitará. “Sabe, para trabalhar na restauração é preciso ter-se muito gosto por esta vida… Eu sinto-me confiante, gosto muito de tudo isto e vou continuar a vir cá sempre que puder.”

Fonte: Diogo Lopes / https://observador.pt/

scanner-41_1280x720_acf_cropped.jpg

O senhor da esquerda é o que interessa: porque é o verdadeiro David e por causa daquele bigode

1913 - FESTA DA ÁRVORE EM PONTE DE LIMA. RECORDANDO UM ARTIGO DE LUÍS DANTAS

big_117697053.jpg

De acordo com Zeca Afonso, o seu avô materno e ponte-limense, Domingos José Cerqueira “ (…) introduziu o culto da árvore nas escolas”[1], e outro nome relacionado com esta vila minhota, Delfim Guimarães, é indissociável à Festa da Árvore que, a Portugal, chegara em 1907, por mãos republicanas.

Festa_da_arvore (1).jpg

Em 1913 também o concelho de Ponte de Lima acolheu esta celebração, com relevância para a freguesia de Vitorino de Piães[2]. Num domingo, dia 9 de Março, pelas 13 horas, na escola do sexo feminino, a sessão solene teve início, presidindo a professora oficial, Maria A. Leite Vilaça, e a cargo de João Carvalho, de Braga, ficou a explicação da importância da festa, e a demonstração de “não haver incompatibilidade com a religião”.

Cantou-se o Hino das Escolas e uma menina recitou “uma comovente alocução à árvore”. Em teatralização, as crianças Casimira da Costa e Sousa e Amaro Barreto “mostraram o encanto e utilidade da festa”.

O cortejo que se seguiu, até ao local destinado à plantação, era aberto por um aluno, empunhando a bandeira nacional. Em seguida, um aluno de cada uma das escolas transportando as árvores a serem plantadas, “adornadas com fitas das cores nacionais”, alunas e alunos com pequenas bandeiras nacionais, “diferentes instrumentos agrícolas de madeira”, cedidos pelo professor da Sé, Braga, José Gomes Barros, e, fechando o cortejo, antes “da imensa multidão de povo que assistiu à festa”, a banda musical de Cabaços.

Concluída a plantação, e o uso da palavra pelo professor oficial José Pedro Gonçalves, regressou “o cortejo pela mesma forma à escola”. Depois da recitação do hino da Árvore, pelo menino João Oliveira Caridade, e para conclusão, foi “distribuída pelas crianças uma merenda, constando de pão, figos e vinho”.

O fotógrafo amador João Carvalho tirou “diversas fotografias”[3]

[1] -José Carlos Loureiro (http://anunciadordasfeirasnovas.blogspot.pt/2009/08/proposito-dos-80-anos-de-zeca.html)

[2] - O Comércio do Lima, n.º 331, 15 de Março de 1913.

[3] - Não conhecemos nenhuma.

- José Sousa Vieira

Fonte: http://limianismo.blogspot.com/

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA, ENGº VICTOR MENDES, SAÚDA FOLKLOURES’20

Em artigo expressamente oferecido para a próxima edição da revista “FolkLoures” que acompanha o evento com o mesmo nome a ter lugar no próximo dia 4 de Julho – caso as medidas de contenção do novo coronavírus não venham a prejudicar a sua realização este ano! – e que contará com a participação do Grupo Etno-folclórico de Refoios do Lima, o Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Engº Victor Alves, saúda a organização do evento. O BLOGUE DO MINHO tem o privilégio de poder transcrever antecipadamente a referida mensagem.

14245816_HdfoL.jpeg

É com grande honra que Ponte de Lima se associa ao FolkLoures’20 – XXVII Encontro de Culturas, organizado pelo Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares “Verde Minho”. E fá-lo de uma maneira dupla, quer através destas minhas singelas palavras, quer, sobretudo, através da participação, na edição deste ano, do Grupo Etno-folclórico de Refoios do Lima.

Estou certo que este grupo limiano, com a sua alegria contagiante e a variedade dos seus trajes, será um notável embaixador das tradições e costumes deste território e contribuirá de modo brilhante para a dignificação e engrandecimento deste excelente evento cultural organizado em Loures, que contará, de resto, com uma presença significativa da região do Alto Minho.

A nós, enquanto representantes do Poder Local, cabe-nos incentivar e apoiar todo este fervoroso movimento associativo e felicitar os envolvidos na organização deste certame, que constitui uma excelente oportunidade para o convívio fraterno entre a comunidade portuguesa, para a troca de experiências culturais e para levar ao público o trabalho desenvolvido sempre com afinco e persistência pelas nossas associações.

Convicto já do assinalável êxito que vai ser este Encontro de Culturas, resta-me agradecer o convite endereçado pela organização a Ponte de Lima e desejar uma vida longa ao FolkLoures.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima

Victor Mendes

3 Munic_pio Ponte d Lima.png

83109533_2485712248412791_3095702763556831232_n (7).jpg

FRANCISCO DE ABREU LIMA PUBLICA "NARRATIVAS DA MINHA VIDA"

FRANCISCO DE ABREU DE LIMA: Revelações inéditas em “Narrativas da minha vida”

  • Adelino Silva

Francisco Maia de Abreu de Lima (FAL), um dos mais proeminentes “senadores” da vida política e social limiana, presenteou Ponte de Lima (PL) — e o País — com a publicação do seu primeiro livro, ao qual atribuiu o título de “Narrativas da Minha Vida”.

foto-1-_-foto-obrigatoria-para-o-artigo.jpg

Esta obra, que seguramente fará história, apresenta-nos ao longo de 167 páginas, 76 narrativas sedutoras e muito bem contadas, que ilustram, numa prosa genuína, transparente e frontal, as diversas circunstâncias dos tempos que o autor viveu, com quem conviveu e quem conheceu, chamando à luz do dia episódios relevantes em que esteve envolvido.

É uma obra-prima irrepetível, um inestimável tesouro literário, histórico, sociológico, antropológico e ético, a merecer a atenção do País e das escolas — porque a identidade de um povo também se faz de memórias —, escrito por uma das personalidades mais íntegras e mais estimadas em PL.

foto-2_-capa-suplementar-se-necessaro.jpg

O autor, através de um relato desassombrado, construído numa estética expressiva, cristalina e cativante, com esplêndidos fragmentos de fino humor, nada nos oculta: a simpatia pelo Estado Novo e pelo regime monárquico; o respeito por quem pensa de forma diferente; a inesgotável dedicação ao País; o sólido espírito independente; a coerência pessoal e política; a dedicação, sem limites, ao serviço público; os fortes vínculos aos assuntos sociais, humanos e sindicalistas.

UMA SINFONIA LITERÁRIA

O autor nasceu em PL (com quem mantém uma ardente e infinita paixão), numa distinta família aristocrática; brincou e cresceu junto dos jovens das classes populares; frequentou a escola primária da velha vila medieval; conclui o seu percurso académico na mítica cidade do Mondego.

Já licenciado em Direito — e instalado em Lisboa — iniciou a atividade profissional como Secretário do Ministro das Corporações e Previdência Social, tendo exercido funções, até ao “25 de Abril”, em diversas estruturas do Estado (muitas vezes em acumulação e pro bono).

Conheceu, como profissional, o Estado Novo por dentro; sofreu — injustamente e injustificadamente —  os “excessos revolucionários” e os “saneamentos arbitrários” no “pós-25 de Abril”, apesar de ser reconhecido, por todos, como um homem íntegro; trabalhou no setor privado (SAPEC); presidiu à Câmara Municipal de PL e à Segurança Social do Alto Minho.

Antes do “25 de Abril”, o seu altruísmo puro depressa se disseminou, sendo procurado, durante anos a fio, por muitos cidadãos, sobretudo limianos, para lhe solicitarem um emprego no Estado.

Na sua obra, FAL conta que, quando cessou funções no Ministério, um seu assessor, lhe transmitiu que “tinha conseguido dar satisfação a mais de duzentos pedidos”.

Mas FAL, no seu estilo autêntico e assertivo, recorda, sem filtros, as “facadas” de ingratidão de que foi alvo, no “pós-25 de Abril”, provenientes de muitos dos que generosamente socorreu e auxiliou!…

Redigida num estilo extraordinariamente esplendente, esta obra deslumbra pela profundidade das verdades e das histórias que transmite e enfeitiça o leitor pela beleza e refinamento da tessitura da narrativa — uma encantadora sinfonia literária, urdida numa trama muito bem burilada!

Ao longo de décadas, FAL teve uma companhia inseparável — sua esposa, Maria Corina A. Vieira Lisboa (já falecida) — e, em jeito de homenagem a essa apreciada união, publica-se um registo fotográfico do Arquivo da Casa do Antepaço.

É uma honra para PL ser a “vila mátria” de Francisco de Abreu de Lima, figura que irradia uma insofismável grandeza humana e que conquistou, como intelectual, um lugar distinto no “mundo das letras”.

578087_442609552486230_1187675705_n

“Um dos limianos pelo qual mais admiro e respeito! Estou imensamente grato pela confiança que em mim depositou quando me propus reunir os limianos em Lisboa! Jamais esquecerei!”

Carlos Gomes

CÂMARA MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA ENCERRA ESPAÇOS MUNICIPAIS ATÉ 31 DE MARÇO

No seguimento do Plano de Contingência da Câmara Municipal de Ponte de Lima, e do Despacho 2836-A/2020, como medida preventiva à doença provocada pelo Covid-19, está encerrado até ao final do mês de março o Gabinete de Atendimento ao Munícipe – GAM.

Ponte de Lima - Capa (Medium).jpg

De referir que os funcionários afetos aos vários serviços continuarão a exercer as suas funções no respetivo local de trabalho.

Assim, solicita-se aos munícipes que apenas procurem os serviços municipais para situações urgentes, privilegiando o contacto telefónico e correio eletrónico, através dos seguintes contactos:

- contactos gerais:

            - telefone geral: 258 900 400

            - correio eletrónico: geral@cm-pontedelima.pt

- contactos dos serviços municipais:

            - Secretaria da DOU: 258 900 404

            - Secretaria da DAF/Feiras: 258 900 406

            - Secretaria da DAF/Geral: 258 900 415

            - GAM: 258 900 423

            - Tesouraria: 258 900 409

            - GIP/Serviço Social: 258 240 205

            - DSU/Secretaria: 258 900 417

            - Divisão de Estudos e Planeamento: 258 900 403

            - Biblioteca: 258 900 411

            - Gabinete Terra: 258 900 401

            - Arquivo: 258 900 425

            - Teatro: 258 900 414

            - Lagoas: 258 240 201

            - Turismo: 258 240 208

Estas medidas em vigor até ao final de março, serão reavaliadas no final do mês, de acordo com o desenrolar da situação e seguindo as orientações emanadas pela DGS e pelo Governo.

PONTE DE LIMA ENCERRA ESPAÇOS CULTURAIS

Câmara Municipal de Ponte de Lima Encerra espaços Municipais até 31 de março

vila 2003 ctr 2

No seguimento do Plano de Contingência da Câmara Municipal de Ponte de Lima, e do Despacho 2836-A/2020, como medida preventiva à doença provocada pelo Covid 19, estão encerrados até ao final do mês de março os seguintes espaços municipais:

- Museus e Centros de Interpretação

- Biblioteca Municipal

- Espaço Internet

- Parque de Campismo e unidades de alojamento do Serviço da Área Protegida

- Centro de Interpretação e Quinta Pedagógica da área de Paisagem Protegida

- Arquivo Municipal

De referir que os funcionários afetos aos vários serviços continuarão a exercer as suas funções no respetivo local de trabalho.

Foi ainda aprovado o encerramento do Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima, entre os dias 13 e 31 de março.

Estas medidas em vigor até ao final de março, serão reavaliadas no final do mês, de acordo com o desenrolar da situação e seguindo as orientações emanadas pela DGS e pelo Governo.

PONTE DE LIMA REALIZA CONCURSO DE CURTAS METRAGENS

Ponte de Lima - I Concurso de Curtas-Metragens para Jovens Cineastas

O Município de Ponte de Lima promove o I Concurso de Curtas-Metragens para Jovens Cineastas subordinado ao tema Caminhos: o território, as gentes e os costumes limianos.

Cartazplimacurtasmetrag.jpg

O concurso tem como objetivo a divulgação e partilha de curtas-metragens e micro vídeos que promovam e divulguem o território, as gentes e os costumes limianos, promovendo a criatividade e competências técnicas na área da Indústria do Cinema e Audiovisual.

A inscrição é gratuita e o prémio para os vencedores do concurso para cada uma das categorias, consistirá na inscrição gratuita na 3.ª edição do Curso de Extensão Universitária de Cinema – Do Pensamento à Ação, promovido pela Universidade Aberta, em colaboração com o Município de Ponte de Lima, a decorrer entre outubro de 2020 e julho de 2021 em Ponte de Lima.

As inscrições decorrem de 16 de março a 11 de setembro para professores de ensino secundário, profissional e académico; estudantes do ensino secundário, profissional e superior; animadores culturais e sociais; amadores e profissionais de cinema, vídeo e audiovisual; profissionais da área da comunicação; empreendedores e cidadãos em geral.