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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PONTE DE LIMA VAI RECUPERAR CASARÃO DO CHOCOLATE – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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“Finalmente surgiu um comprador, o prédio vai ser restaurado”, ouvimos há dias a moradores na antiga Rua do Arrabalde de São João de Fóra, essa frase caracterizada de contentamento e alegria!

Referimo – nos a uma intervenção total por parte do novo proprietário, um promotor turístico residente em Lisboa, que vai transformar o edifício onde há uns oitenta anos funcionou uma pequena fábrica de chocolate por iniciativa de dois galegos ou espanhóis, e depois foi sede dos “Almeida & Fernandes”, uma sociedade comercial nos sectores da distribuição de cerveja nacional, tabacos e mercearia.

Conhecido por “prédio dos azeiteiros”, pois esta foi a primeira actividade comercial destes últimos empreendedores no histórico edifício, contudo há mais notas históricas sobre tal património como seguidamente informamos.

Construção do último quartel do século XIX, posterior a 1880, iniciativa da família Dantas, residentes em Salvador da Bahia, Brasil, a casa não ficou concluída. Uma nova volumetria adquiriu a residência com a compra em 1916 pelo grande benemérito local e capitalista João Francisco Rodrigues de Morais, fundador do palacete Villa Moraes e falecido vinte anos depois. No seu interior, destacavam-se artes decorativas da época aúrea do torna – viagem do outro lado do Atlântico: escadaria em madeira e balaústres torneados, caixas de escada com claraboias de vidro multicolor, tectos em estuque artístico, já numa transição para o estilo Belle Époque, testemunhos artísticos que o gabinete do arquitecto Limiano Duarte Cerqueira (foto) pretende recuperar, reconstruir, na medida do possível, asseverou – nos em conversa.

O destino da construção neogótica, em destaque perante suas vizinhas pela elegante fachada de cantaria com bases ornamentadas com almofadas, e marcenaria de portas de excelente qualidade, será um alojamento turístico de padrões invulgares de qualidade. Na recuperação de toda a área construída ou existente, está incluído o antigo armazém ou garagens, situado nas traseiras ou quintal da propriedade, pelo que todo o espaço urbano será transformado em quartos e suítes para lazer de quem nos visita.

A necessidade de um outro destino ao “casarão do chocolate e da cerveja “ em Ponte de Lima, que não a ruína, vem ao encontro da última visita que a ele efectuamos há meses, registada nas imagens da notícia. A deslocação integrou os amigos e manos Nuno Abreu e Lima, secretário da embaixada de Portugal na Venezuela e Leonel, arquitecto que reparte sua actividade  entre Madrid e o Porto, além de desenhador como o testemunhou nessa magnífica obra do dedicado investigador Miguel Ayres de Campos -Tovar, À Descoberta dos Solares da Ribeira Lima e editado em 2023, para umas explicações históricas sobre um icónico monumento neogótico no nosso concelho.

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PONTE DE LIMA ATRAI MILHARES DE VISITANTES NO FIM DE SEMANA GASTRONÓMICO DO ARROZ DE SARRABULHO… E NÃO VÃO FALTAR OS CANTARES AO DESAFIO!

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O arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima constitui uma das maiores atrações gastronómicas do Minho, atraindo à nossa região milhares de visitantes que procuram degustar esta especialidade da nossa cozinha tradicional, confecionada com o maior rigor. Não admira, pois, que se tenha tornado numa das iguarias mais emblemáticas e responsável pela manutenção de muitos postos de trabalho, fator de afirmação do turismo e do crescimento económico.

Com efeito, as Papas de Sarrabulho e o Arroz de Sarrabulho constituem dois pratos emblemáticos da nossa região que têm as delícias do porco como elemento central da sua confecção. Encontram-se, por conseguinte, associados à matança do porco, animal que constitui desde sempre uma das principais fontes de rendimento do agricultor, razão pela qual ele simboliza o mealheiro.

Em termos genéricos, o sarrabulho caracteriza-se por se tratar de um guisado com as miudezas do porco com sangue associado à farinha de milho ou ao arroz, tal como foi inventado em Ponte de Lima.

Acredita-se que as origens do sarrabulho remontem à Idade Média, por ocasião da crise ocorrida no século XIV. À escassez de bens alimentares devido à ocorrência de secas prolongadas nos campos, faziam do pão praticamente o único alimento da população nas zonas rurais. Porém, como a necessidade aguça o engenho, passaram a juntar-lhe o sangue e as miudezas que, por caridade, eram pelas famílias mais abastadas oferecidas aos mais necessitados sempre que efectuavam uma matança… e assim nasceram as papas de sarrabulho!

À época ainda não existia o milho na nossa região uma vez que a introdução do mesmo no noroeste peninsular se deve ao Descobrimento da América por Cristóvão Colombo, cereal que inicialmente era designado por “trigo índio”. Por conseguinte, deveria ter sido o centeio o cereal até então produzido e inicialmente utilizado na confecção das papas de sarrabulho.

Por sua vez, a expansão da cultura do arroz em Portugal regista-se nos começos do século XX, muito embora a sua introdução remonte ao início do século VIII, trazido pelos árabes aquando da sua conquista da Península Ibérica em 711. Contudo, durante muito tempo, este alimento era apenas acessível às famílias mais abastadas, razão pela qual demorou muito tempo a ser incorporado na culinária tradicional de cariz popular. Além disso, o seu cultivo estava limitado às “terras alagadiças dos vales do Vouga, Mondego, Sado, Mira e Guadiana”, o que não era o caso de Ponte de Lima.

Uma vez substituída a farinha pelo arroz na confecção do sarrabulho, Ponte de Lima inaugurou um novo prato que foi ao longo dos anos adquirindo cada vez maior número de apreciadores a tal ponto que passou a constituir a sua principal referência gastronómica – o arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima!

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QUEM FOI CLARA PENHA – GRANDE REFERÊNCIA DA ORIGEM DO ARROZ DE SARRABULHO À MODA DE PONTE DE LIMA?

Clara Penha (1836–1924) é considerada a pioneira da restauração contemporânea de Ponte de Lima e a grande referência da origem do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima.

No início do século XX, pela intervenção de Clara Penha, dona de uma das mais importantes pensões de Ponte de Lima, o Sarrabulho, de cozinha étnica e familiar, rico de ingredientes e sabores, passou a ser servido nos mais diversos restaurantes da Ribeira Lima.

Conhece-se o profissionalismo de Clara Penha, que alguns textos registaram para o futuro, como acontece com o testemunho de um dos primórdios momentos de restauração do Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima, na Missa Nova do Cónego Barbosa Correia:

Tocavam os sinos… Fatos domingueiros, argolas e fios a reluzir… A Matriz enchia-se, nesse primeiro dia de 1916, para ver Manuel José Barbosa Correia, o filho do Mestre-de-obras do rico brasileiro da Villa Morais a celebrar a sua Missa Nova.

Clara comandava um regimento de mulheres a preparar o repasto para o jovem padre, fidalgos, clero e ricos-homens do Vale do Lima. Cozia-se o arroz, fritava-se a beloura, alourava-se os rojões, enfim preparava-se o Sarrabulho enquanto a pequena sobrinha, vaidosa nos socos novos, namoriscava o leite-creme e a aletria...

Sua sobrinha, Belozinda Penha Varela (1908-2002), deu seguimento ao seu labor, o qual se foi proliferando na restauração de Ponte de Lima, pelas ligações matrimoniais com outras famílias ligadas à gastronomia limiana, sobretudo a de Rosa de Sá, bem como através de muitas cozinheiras afamadas, originando um notável conjunto de restaurantes que dão continuidade ao trabalho iniciado por todas aquelas precursoras.

O emblemático edifício onde funcionou o Restaurante Clara Penha, na Rua General Norton de Matos, em Ponte de Lima, foi recuperado pelo Município de Ponte de Lima em 2013, sendo actualmente um espaço (Clara Penha – Casa dos Sabores) destinado a promover e a valorizar a cozinha do Alto Minho, nomeadamente o típico e genuíno Arroz de Sarrabulho, bem como a desenvolver acções de defesa e promoção da gastronomia tradicional limiana, funcionando também como centro de formação na área gastronómica.

Fonte: Sarrabulho de Ponte de Lima – A Gastronomia da Tradição, 2011 (via: Ponte de Lima Cultural)

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Edifício onde funcionou o Restaurante Clara Penha (Fotografia: Amândio de Sousa Vieira)

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PONTE DE LIMA: MUSEU DOS TERCEIROS INAUGURA EXPOSIÇÃO “D. TERESA E A FUNDAÇÃO DE PONTE DE LIMA”

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O Museu dos Terceiros inaugura, no próximo dia 16 de janeiro, às 18h, a exposição temporária D. Teresa e a Fundação de Ponte de Lima.

A presente exposição, integrada no vasto programa cultural das celebrações dos 900 Anos da Fundação de Ponte de Lima, pretende evocar este acontecimento primordial e determinante na história desta Terra, prestando um tributo à personagem central em todo este processo, D. Teresa, abordando também a sua ligação a este território, alguma da iconografia relativa à rainha que foi sendo produzida com andar dos séculos, assim como, por parte dos limianos, a reabilitação e valorização mais recente do papel fulcral da fundadora.

Com entrada livre, estará patente ao público até 30 de abril, no horário habitual do Museu dos Terceiros, de terça a domingo, das 10h às 12h30 e das 14h às 18h.

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CLUBE DE GASTRONOMIA PONTE DE LIMA (JÁ) COM 12 EVENTOS EM 2026 – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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O Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, inicia no próximo mês de Fevereiro na região de Lisboa, as suas actividades promocionais, nomeadamente das produções agropecuárias do concelho e região do Minho.

Na sequência do encontro realizado anteontem no Morgado´ s com dois consultores internacionais em comeres tradicionais e vinhos, foi aumentada a agenda para o corrente ano, agora com uma dúzia de propostas ou pedidos de participação. A lista contém eventos ou presenças em Portugal, Europa (Bélgica, França, Luxemburgo, Inglaterra, Suécia e Itália), mas outros mais longe estão para confirmar: é o caso do Brasil e de Taiwan.

Com uma equipa de cozinha especializada na apresentação de pratos tradicionais como o Arroz de Sarrabulho de Ponte de Lima, várias receitas de bacalhau, carnes e doçaria, há também pedidos de mais parcerias, mas “ de momento estamos bem servidos”, foi a conclusão do encontro do passado domingo no manjar na Feitosa. Outro receituário encontra-se em testes, como o Bacalhau à Margarida da Praça, icónico em Viana do Castelo, entregue ao chef Domingos Gomes, do seu “Rio Lima” em Cardielos, ou dois pudins da tia de Eça de Queirós, trabalhinho para o colega Filipe Morgado e Thomas Egger.

 O Ontem já foi, o Presente decorre bem, e o Futuro continua a ser promissor, pois para 2027 também já foi solicitada a nossa colaboração numa cerimónia internacional a realizar no norte de França, onde governantes, diplomatas e outras figuras públicas participam.

Mas, é tempo de actualizar umas linhas sobre este grupo de amigos, com coordenação de equipa de cozinha entregue ao chef Paulo Santos, da Casa de São Sebastião, em Ponte de Lima.

A recolha foi realizada em duas referências na IA (Inteligência Artificial) e traduz-se num enumerar de nossos objectivos , como segue:

“ O Clube de Gastronomia de Ponte de Lima é um grupo informal de amigos e apreciadores que se dedica a promover a enogastronomia portuguesa, com foco nos pratos regionais e vinhos do concelho, tanto a nível nacional como internacional, e não um restaurante ou local físico específico.”

E, num segundo registo, a nota: 

 “O Clube de Gastronomia de Ponte de Lima é um grupo ativo na promoção da rica cultura gastronómica do Minho, com presença frequente no BLOGUE DO MINHO (do Sapo), que documenta eventos como provas enogastronómicas, degustações com chefs e missões internacionais (como no Parlamento Europeu e Londres), destacando pratos regionais, queijos locais e vinhos, utilizando receitas tradicionais e promovendo a identidade culinária do Minho e Galiza.

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PONTE DE LIMA REALIZA PROVA ENOGASTRONÓMICA NO MORGADO’S TAVERN PARA MICHELINS DE LONDRES – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Uma prova invulgar, pelos vinhos e pela comida, por participação de companheiros conhecedores do mundo da enogastronomia no mundo em que vivemos, que vieram até Ponte de Lima conviver, conhecer para divulgar o que temos de melhor para algum do melhor da restauração em Londres: restaurantes Michelin!.

Amizades de ontem, outras de hoje, e mais para juntar ao amanhã, pois foram três entendidos nas artes culinárias, as visitas que ontem Domingo recebemos com colegas do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, num espaço de referência, considerado um laboratório de gastronomia: o Morgado´ s Tavern, na rotunda da Feitosa, ao entrar na sede do concelho.

O triunvirato era liderado por Gonçalo, que mais o amigo Martim, residente em Odessa, Ucrânia, têm percorrido nos últimos dez anos parte dos continentes do planeta como consultores e promotores gastronómicos: Portugal, Espanha, Alemanha, Suíça, Ucrânia, Roménia, Estónia, Moldávia, Lituânia, Letónia, Croácia, Bielorússia, Polónia, Egipto, Arábia, Iraque, Brasil, México, entre outros. A comitiva completava-se com o Francisco Vinhas, um jovem empresário fornecedor no Portugal de Norte a Sul de equipamentos e material de higiene e segurança alimentar.

A viagem de sabores pelo mundo começou com uma dúzia de entradas, um acordo entre o chef Filipe Morgado e o chefinho João Leonardo Matos. As escolhas propiciou os seguintes aperitivos: pimento piquillo recheado, originário do Perú; tâmaras de Israel enroladas em presunto de Gijón, Espanha, no forno; camarão  de Moçambique á moda da China, isto é, crocante e panado com alho, sal, gengibre e ovo; mexilhões á espanhola; alheira da MinhoFumeiro, grelhada; queijos portugueses variados, como os de ovelha, produzido na Serra da Estrela, e da Aromas 4 You: o flamengo ou Limianinho, os Miquinhas, amanteigado, o de cura especial picante e o de cabra; com base na quiche Lorraine de França, a versão Ponte de Lima, pois o recheio é de alheira de galo, ovos, toucinho, noz moscada e chouriça de carne da Arte do Fumeiro, explica João Leonardo Matos. Fechou a primeira parte do evento, outra receita da jovem estrela de cozinha regional: as favas guisadas com toucinho, barriga, chouriça de carne, cuja charcutaria é produção da Arte do Fumeiro ou Talho Miguel.

Toda a panóplia de produtos foi acompanhada com brancos e tintos do Douro, com explicações do enólogo Gonçalo Coutinho, e comentários de provadores como : chef Paulo Santos, da Casa de S. Sebastião, Ponte de Lima; Avelino Matos, produtor de Loureiro e Vinhão em Vila Franca do Lima, e confrade da Confraria Gastrónomos do Minho; Francisco Remy, ex-gestor de reservas do maior grupo hoteleiro de termas em Portugal: Miguel Amorim e Filipe Matos, gerente e o responsável de sala do restaurante Fátima Amorim, na Correlhã, Ponte de Lima;  Alberto Silva e Joaquim Loureiro, conterrâneos, e apreciadores vinícolas nacionais, e Acácio Fernandes, Presidente da Junta de Arcozelo, terra natal dos dois cozinheiros do manjar.

Novo intervalo, e nova substância líquida para apreciar: tinto do Dão, território demarcado no centro do país, designada da “Borgonha portuguesa” com seus vinhos aveludados e encorpados.

Seguiu-se o abrir da tertúlia entre conhecedores, amantes e curiosos do néctar das duas regiões em causa, com avaliação organoléptica de cada rótulo, assim como dos sabores apresentados no começo do jantar.

Retomaram-se os lugares á mesa, e  colocam-se os últimos copos para encher! Mais dois tintos durienses para acompanhar o prato quente da noite: pernil de porco assado com batatinha alourada e arroz com especiarias indianas. O chef Morgado inicia o corte meticuloso da peça volumosa, sem antes dar umas explicações e técnicas sobre o pedaço de carcaça suína. O patrão – cozinheiro, aproveitou recordar alguns de seus banquetes onde El – Rei o porco, (com licença), era presença festivamente assinalada nas suas lideranças de cozinha em Newark, EUA, e na vizinha Espanha, em Madrid e Barcelona.

Finalmente, a deslocação á mesa de sobremesas: um soufflé de frutas e sorvete de morango e de baunilha, para além de doces variados da Confeitaria Havaneza: coquinhos, limonete, doce de gema e cavaquinhas de Tentúgal.

Quatro horas depois, escutava – se na sala a principal nota da refeição elaborada por encomenda: quando agendamos a segunda sessão de Prova enogastronómica para a capital do Reino Unido?

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PONTE DE LIMA É CAPITAL DO ARROZ DE SARRABULHO - 23 A 25 DE JANEIRO

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Permanecem insondáveis e indecifráveis os designíos que levaram o navegador Cristóvão Colombo até ao continente americano – terra onde não encontrou as tão ambicionadas especiarias nem os árabes que até então as negociavam! – abrindo caminho à celebração do Tratado de Tordesilhas e, como ele, ao caminho marítimo para a Índia por parte dos portugueses. Mas, o que se sabe é que foi graças à colonização da América que a cultura do milho, até então denominada por “trigo índio”, chegou até nós desde os finais do século XIV e, beneficiando das condições ambientais implantou-se no Minho e em todo o noroeste peninsular.

A abundância de água foi determinante e fez com que o milho depressa entrasse na nossa dieta alimentar, desde a confecção da brôa ao caldo – aquilo a que usualmente designamos por “papas de sarrabulho”. E, a adesão do minhoto a este novo alimento foi a tal ponto que, por onde passasse, passou a ser apelidado de “pica-milho”.

Por seu turno, apesar do arroz ter sido introduzido na Península Ibérica pelos muçulmanos e os portugueses terem tido contacto com esta cultura no Japão de onde era originária, desde meados do século XVI, só a partir do século XVIII surge documentação a seu respeito registando o seu cultivo nos campos alagadiços do Ribatejo.

Também aqui intervêm o clima e a orografia que neste caso dificultam o cultivo do arroz na nossa região, tornando as planícies junto aos rios Mondego, Tejo, Sorraia, Sado e Mira as suas áreas preferidas. Isso determinou que a introdução do arroz nos hábitos alimentares dos minhotos tivésse sido relativamente recente.

Porém, tal não impediu que, do tradicional caldo, os limianos não reinventassem com êxito tão sublime iguaria que faz a delícia dos melhores apreciadores da nossa cozinha tradicional – o arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima!

Foi em meados do século XIX que, pelas mãos hábeis da cozinheira Clara Penha esta magnífica tela de sabores foi criada, tendo passado o testemunho a Belozinda Varela. E, desde então, não deixou de aumentar o número de devotos que anualmente acorrem a Ponte de Lima ou promovem mesmo em terras distantes a degustação desta especialidade gastronómica, com rituais de uma verdadeira liturgia.

A sua denominação oficial é Sarrabulho à moda de Ponte de Lima. E, para além da travessa com o arroz de sarrabulho propriamente dito, servido rigorosamente no ponto da cozedura, outro prato acompanha com as miudezas, as batatas assadas, belouras, tripa de farinha, fígado fatiado, chouriça de cebola ou sarrabulha… tudo bem regado com uma malga do melhor vinho verde da nossa região!

Quem nunca degustou o Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima jamais conhece um dos mais divinais paladares gastronómicos do Minho!

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Porém, o Concelho de Ponte de Lima é terra de velhos pergaminhos que honra a História e preserva a tradição. Por conseguinte, por maior que seja o sucesso que logra alcançar com esta especialidade gastronómica, jamais poderá olvidar as suas origens e as autênticas raízes da sua cozinha tradicional É que, em Ponte de Lima, noutros tempos, também se comiam papas de sarrabulho!

Sucede que o milho foi trazido para a Europa na sequência da colonização da América iniciada no século XVI, após a chegada de Cristóvão Colombo e, enquanto a sua cultura se implantou no noroeste peninsular desde essa altura, tirando partido das excelentes condições hidrológicas e climáticas da região, o arroz apenas se tornou conhecido na nossa região a partir dos finais do século XIX graças ao desenvolvimento das vias de comunicação. Até então, o seu cultivo apenas era feito a partir nas margens dos rios, do Mondego para o Sul onde as temperaturas são mais amenas e, por conseguinte, mais propícias a esta cultura.

Ao longo de cinco séculos, a cultura do milho marcou de tal forma os hábitos e a paisagem rural do Minho que se tornou indissociável do modo de ser do minhoto. Desde os caraterísticos espigueiros ao folclore e à culinária, o milho está sempre presente na nossa cultura tradicional. E Ponte de Lima não é exceção!

Tal como outrora sucedia noutras terras em redor, também em Ponte de Lima o sarrabulho era servido com farinha de milho, formando as afamadas “papas de sarrabulho”. De resto, é o próprio historiador Adelino Tito de Morais, membro da Confraria do Arroz de Sarrabulho de Ponte de Lima, que o afirma: “o sarrabulho deu lugar ao arroz de sarrabulho na Vila de Ponte de Lima, após o casamento de Pedro Joaquim dos Santos com Clara Rosa Penha. Manuel Dias vai, antes, para duas famílias de apelidos Lima, oriunda da Feitosa e Barros, talvez de Brandara, que lançaram as fortes raízes no final do séc. XIX”.

Quer isto dizer que em Ponte de Lima não existe apenas “arroz de sarrabulho” – ela é também a terra das “papas de sarrabulho” e, como tal, deveria preservar a sua tradição!

Ao forasteiro que visita deve ser-lhe apresentado aquilo que realmente a terra possui para lhe oferecer, incluindo as antigas iguarias da nossa culinária, muitas das quais já desaparecidas na voragem do tempo como sucede com a castanha que foi em tempos idos a base da nossa alimentação. Ponte de Lima possui uma cozinha extraordinariamente rica que também faz parte do nosso património cultural.

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PONTE DE LIMA: DR. JOÃO DE ABREU MAIA NASCEU HÁ 300 ANOS

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Estatutos da Sociedade Económica dos Bons Compatriotas Amigos do Bem Público, 1780

300 anos do nascimento do Dr. João de Abreu Maia (1726–1811)

Assinalaram-se, a 11 de janeiro, 300 anos do nascimento do Dr. João de Abreu Maia (1726–1811), uma das figuras marcantes da história de Ponte de Lima. Natural da vila de Ponte de Lima, nasceu numa família de grande prestígio local, sendo filho do Capitão António Rodrigues da Maia e de D. Ana Maria de Abreu.

Formado em Direito Canónico na Universidade de Coimbra, regressou a Ponte de Lima, onde exerceu advocacia e desempenhou diversos cargos civis, militares e religiosos, dedicando grande parte da sua vida ao serviço público e ao desenvolvimento da sua terra natal.

Em 1776, foi um dos principais impulsionadores da Sociedade Económica dos Bons Compatriotas Amigos do Bem Público, uma iniciativa pioneira que colocou Ponte de Lima na vanguarda do reformismo ilustrado português. Através desta Sociedade, promoveu o desenvolvimento da agricultura, das artes e da indústria, incentivou a inovação técnica, a instrução prática e a criação de escolas gratuitas de artes e ofícios, com impacto duradouro na comunidade.

A ação de João de Abreu Maia, da sua família e da Sociedade Económica deixou uma marca profunda no desenvolvimento económico, social e cultural de Ponte de Lima, afirmando-o como uma referência incontornável da história local.

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

QUEM QUER PROVAR O ARROZ DE SARRABULHO À MANEIRA VEM A PONTE DE LIMA ENTRE 23 E 25 DE JANEIRO

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Permanecem insondáveis e indecifráveis os designíos que levaram o navegador Cristóvão Colombo até ao continente americano – terra onde não encontrou as tão ambicionadas especiarias nem os árabes que até então as negociavam! – abrindo caminho à celebração do Tratado de Tordesilhas e, como ele, ao caminho marítimo para a Índia por parte dos portugueses. Mas, o que se sabe é que foi graças à colonização da América que a cultura do milho, até então denominada por “trigo índio”, chegou até nós desde os finais do século XIV e, beneficiando das condições ambientais implantou-se no Minho e em todo o noroeste peninsular.

A abundância de água foi determinante e fez com que o milho depressa entrasse na nossa dieta alimentar, desde a confecção da brôa ao caldo – aquilo a que usualmente designamos por “papas de sarrabulho”. E, a adesão do minhoto a este novo alimento foi a tal ponto que, por onde passasse, passou a ser apelidado de “pica-milho”.

Por seu turno, apesar do arroz ter sido introduzido na Península Ibérica pelos muçulmanos e os portugueses terem tido contacto com esta cultura no Japão de onde era originária, desde meados do século XVI, só a partir do século XVIII surge documentação a seu respeito registando o seu cultivo nos campos alagadiços do Ribatejo.

Também aqui intervêm o clima e a orografia que neste caso dificultam o cultivo do arroz na nossa região, tornando as planícies junto aos rios Mondego, Tejo, Sorraia, Sado e Mira as suas áreas preferidas. Isso determinou que a introdução do arroz nos hábitos alimentares dos minhotos tivésse sido relativamente recente.

Porém, tal não impediu que, do tradicional caldo, os limianos não reinventassem com êxito tão sublime iguaria que faz a delícia dos melhores apreciadores da nossa cozinha tradicional – o arroz de sarrabulho com rojões à moda de Ponte de Lima!

Foi em meados do século XIX que, pelas mãos hábeis da cozinheira Clara Penha esta magnífica tela de sabores foi criada, tendo passado o testemunho a Belozinda Varela. E, desde então, não deixou de aumentar o número de devotos que anualmente acorrem a Ponte de Lima ou promovem mesmo em terras distantes a degustação desta especialidade gastronómica, com rituais de uma verdadeira liturgia.

A sua denominação oficial é Sarrabulho à moda de Ponte de Lima. E, para além da travessa com o arroz de sarrabulho propriamente dito, servido rigorosamente no ponto da cozedura, outro prato acompanha com as miudezas, as batatas assadas, belouras, tripa de farinha, fígado fatiado, chouriça de cebola ou sarrabulha… tudo bem regado com uma malga do melhor vinho verde da nossa região!

Quem nunca degustou o Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima jamais conhece um dos mais divinais paladares gastronómicos do Minho!

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Porém, o Concelho de Ponte de Lima é terra de velhos pergaminhos que honra a História e preserva a tradição. Por conseguinte, por maior que seja o sucesso que logra alcançar com esta especialidade gastronómica, jamais poderá olvidar as suas origens e as autênticas raízes da sua cozinha tradicional É que, em Ponte de Lima, noutros tempos, também se comiam papas de sarrabulho!

Sucede que o milho foi trazido para a Europa na sequência da colonização da América iniciada no século XVI, após a chegada de Cristóvão Colombo e, enquanto a sua cultura se implantou no noroeste peninsular desde essa altura, tirando partido das excelentes condições hidrológicas e climáticas da região, o arroz apenas se tornou conhecido na nossa região a partir dos finais do século XIX graças ao desenvolvimento das vias de comunicação. Até então, o seu cultivo apenas era feito a partir nas margens dos rios, do Mondego para o Sul onde as temperaturas são mais amenas e, por conseguinte, mais propícias a esta cultura.

Ao longo de cinco séculos, a cultura do milho marcou de tal forma os hábitos e a paisagem rural do Minho que se tornou indissociável do modo de ser do minhoto. Desde os caraterísticos espigueiros ao folclore e à culinária, o milho está sempre presente na nossa cultura tradicional. E Ponte de Lima não é exceção!

Tal como outrora sucedia noutras terras em redor, também em Ponte de Lima o sarrabulho era servido com farinha de milho, formando as afamadas “papas de sarrabulho”. De resto, é o próprio historiador Adelino Tito de Morais, membro da Confraria do Arroz de Sarrabulho de Ponte de Lima, que o afirma: “o sarrabulho deu lugar ao arroz de sarrabulho na Vila de Ponte de Lima, após o casamento de Pedro Joaquim dos Santos com Clara Rosa Penha. Manuel Dias vai, antes, para duas famílias de apelidos Lima, oriunda da Feitosa e Barros, talvez de Brandara, que lançaram as fortes raízes no final do séc. XIX”.

Quer isto dizer que em Ponte de Lima não existe apenas “arroz de sarrabulho” – ela é também a terra das “papas de sarrabulho” e, como tal, deveria preservar a sua tradição!

Ao forasteiro que visita deve ser-lhe apresentado aquilo que realmente a terra possui para lhe oferecer, incluindo as antigas iguarias da nossa culinária, muitas das quais já desaparecidas na voragem do tempo como sucede com a castanha que foi em tempos idos a base da nossa alimentação. Ponte de Lima possui uma cozinha extraordinariamente rica que também faz parte do nosso património cultural.

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QUEM FOI ADRIANO XAVIER CORDEIRO – UM LIMIANO QUE FOI UM DOS MENTORES DO INTEGRALISMO LUSITANO?

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A 9 de Janeiro de 1880, nasce Adriano Xavier Cordeiro, que integrou o Integralismo Lusitano.

"Uma grande fé colectiva emerge dos caos das incertezas em que nos afundámos e cria o ambiente psíquico que torna possíveis as redenções.

O milagre da Ressurreição vai dar-se; - preparem-se as gerações moças e eu creio nele com a firmeza de quem crê e de quem quer.

Todos os milagres são possíveis, desde que os gere a força propulsora da fé.

Quando a Alma Portuguesa tiver atingido esse elevado grau de potência volitiva, nada teremos a temer da cobiça estranha.

Nada há que mais nos imponha ao respeito dos outros, que a confiança em nós próprios.

Minhas Senhoras e meus Senhores: - radicai do vosso espírito e no dos vossos filhos esta grande certeza que é também uma grande verdade filosófica, e tereis assegurado a independência da Terra dos nossos avós.

E quando todos pensarmos assim e todos assim quisermos, repetir-se-á, sempre que for preciso, o Milagre de Valverde. "

Por Deus, Pátria e Rei

Foto de Estudos Portugueses | Fonte: Causa Tradicionalista

PONTE DE LIMA: JANTAR ESPECIAL DO CHEFINHO COM SABORES EUROPEUS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Mais uma vez o nosso Chefinho João Leonardo Matos, surpreendeu grupo de 18 apreciadores da cozinha regional portuguesa com um dos seus pratos já símbolo de apreciação além concelho.

O jovem cozinheiro de Arcozelo apresentou no Pipa de Sabores na vila de Ponte de Lima, o Arroz de pato no forno com cobertura de queijo gratinado, considerado já por seus devotados apreciadores, um dos predilectos pratos do número dois da Cozinha do Na Brasa, em Subportela, Viana do Castelo.

Mas, se esse era o principal produto do convívio gastronómico, outros sabores predominaram na noite que João matos proporcionou aos amigos e mais convidados. No grupo, há a sublinhar a presença dos Presidentes da Associação Empresarial de Ponte de Lima, do Núcleo da Liga dos Combatentes de Portugal e da Junta de Freguesia de Arcozelo, respectivamente Nuno Armada, Manuel Pereira e Acácio Fernandes. Presença também de representações de França, com Margarida Pereira, Presidente da Ronda Típica de Challete-Sur-Loing, Orléans, e de Rui Santos, um conhecedor de petiscos lusitanos, residente em Lausanne, Suíça, e do Brasil, a líder da Casa do Minho no Rio de Janeiro, em véspera de regresso a casa.

Os paladares da Europa foram assinalados com queijos de cabra e de vaca, fabricados na Bélgica, França, Itália, Irlanda, Suíça e Portugal. Aqui, a escolha foi pela prata da casa: o amanteigado Miquinhas, da Aromas 4 You, queijaria inaugurada há pouco mais de um ano em Estorãos, Ponte de Lima. A sugestão do nosso mais novo elemento da equipa de cozinha do Clube de Gastronomia de Ponte de Lima foi bem acolhida, substituindo assim as habituais entradas de rissóis e bolinhos de bacalhau.

Mas, como Joãozinho é dedicado á sua arte, os caloiros em seu receituário e os repetentes gostaram e repetiram também outros petiscos que antecederam a chegada das travessas do forno.

Outras delícias culinárias desfilaram pela mesa: favas guisadas com toucinho e chouriça de carne, cogumelos recheados com alheira, paios …

Foi assim mais um serão de comer, conversar e  satisfação com a felicidade do chefinho em partilhar seu gosto de trabalho com colegas, admiradores e amigos.

E, quanto a vinhos, o mais pretendido veio de Vila Franca do Lima: o vinhão da Quinta da Estivada, para além de Loureiro e tinto maduro do Douro.

Outro teste a comeres lusitanos, cujas receitas e confecção aguardam luz verde para viajarem até ao Rio de Janeiro, Bruxelas, e outras localidades a agendar.

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