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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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QUEM FOI A POETISA VIANENSE MARIA MANUELA COUTO VIANA?

Maria Manuela Couto Viana. (Viana do Castelo, 1919 - Lisboa, 1983)

Poetisa, romancista, dramaturga, cronista e tradutora.

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Estudou no liceu de Viana do Castelo, cidade onde, aos treze anos, fez a sua estreia literária publicando contos nos jornais locais e, simultaneamente, a sua estreia como declamadora, carreira que prosseguiria com a apresentação, em Madrid e Barcelona, de poetas portugueses em versão castelhana e com recitais de poesia em português e em galego na Galiza, em Viana do Castelo, no Porto e em Lisboa.

Fez parte do elenco dos filmes portugueses Revolução de Maio (1937), Rosa do Adro (1938) e Aqui, Portugal (1947) e, integrando um grupo folclórico da sua terra, interpretou o principal papel do Auto das Oferendas de António Correia de Oliveira. Veio depois a dedicar-se à rádio, quer escrevendo e interpretando teatro radiofónico, quer produzindo e apresentando programas no Emissor Regional do Norte da Emissora Nacional.

A sua estreia em livro ocorreu em 1942, ao obter o primeiro prémio do concurso «Procura-se um romancista...», organizado pelo Grémio Nacional dos Editores e Livreiros, com o romance Raízes Que Não Secam... Colaborou com poemas em português e em galego em revistas literárias de Portugal, Galiza e Brasil. Foi também colaboradora das folhas de poesia Távola Redonda, onde Fernanda Botelho publicou uma introdução à sua arte poética. Está incluída em várias antologias, nomeadamente na Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, de António Salvado.

Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997

“SALMO DA DIVINA MISERICÓRDIA” – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

Cantai as boas obras do Senhor, Nosso Deus;

A Ele pertencemos; Toquem nossas vozes no coração do Senhor,

E alegre-se a Humanidade inteira;

Com o Senhor vêm os anjos e os santos rejubilam de alegria,

Não há formosura maior do que o louvor,

Debaixo dos nossos pés só o pó em que nos tornaremos;

Prepara-te, ó minha alma, para Jerusalém celestial,

Lá onde o sol não se põe e as trevas não chegam,

Onde as nossas candeias sempre iluminarão

A Justa Cidade Eterna;

A vida aqui é um martírio, um sopro, mero instante,

Mas se porém, a Alma se levanta, logo posso estar ao pé de Jesus,

Contemplando os Seus Sagrados Pés!

Toca-Me, ó Deus, a minha alma;

Anjos e arcanjos velai,

Quero cantar ao som das celestes trombetas,

E dizer a todos o quanto Deus é Misericordioso!

Márcia Passos

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QUEM FOI O POETA ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA QUE VIVEU EM ESPOSENDE?

António Correia de Oliveira ou António Corrêa d’Oliveira (São Pedro do Sul, 30 de julho de 1878 — Belinho, Antas, Esposende, 20 de fevereiro de 1960) foi um poeta português. Começando no final do século XIX foi publicando as primeira vez em 1933 por vinte membros da Academia Real das Ciências e sendo o recordista nacional com um total de quinze nomeações.

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Convictamente monárquico, transforma-se num dos poetas oficiosos do Estado Novo, com inúmeros textos escolhidos para os livros únicos de língua portuguesa do sistema de ensino primário e secundário.

Correia de Oliveira foi indicado para o Prémio Nobel da Literatura, pela primeira vez em 1933, sendo-o depois de também desse ano a 1940 e em 1942. A vencedora de 1945, a chilena Gabriela Mistral, que desempenhara as funções de Adida Cultural em Lisboa, declarou publicamente, no acto solene, que não merecia o prémio, estando presente o autor do Verbo Ser e Verbo Amar. Foi o terceiro português a ser indicado para o Nobel da Literatura, depois de João da Câmara em 1901 e de João Bonança em 1907, mas é o português a quem se conhece o maior número de nomeações, ultrapassado neste valor Maria Madalena de Martel Patrício que tem catorze.

Foi pai de José Gonçalo Correia de Oliveira (1921—1976), Ministro da Economia entre 1965 e 1968.

António Correia de Oliveira faleceu na freguesia de Antas, Esposende, no distrito de Braga, em 1960.

Fonte: Wikipédia

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Fonte: Vida Mundial Ilustrada, Ano I, nº 34, 8 Janeiro 1942 / Hemeroteca Municipal de Lisboa

POETA SEBASTIÃO PEREIRA DA CUNHA: REVISTA "BRANCO E NEGRO" PUBLICOU A NOTÍCIA NECROLÓGICA

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Fonte: Branco e Negro – Semanário Ilustrado. nº 26. 27 Setembro 1896 / Hemeroteca Municipal de Lisboa

QUEM FOI SEBASTIÃO PEREIRA DA CUNHA?

Sebastião Maria do Carmo Filomena Pereira da Cunha e Castro Lobo (9 de Fevereiro de 1850 - 16 de Setembro de 1896) ou simplesmente Sebastião Pereira da Cunha como era assim que assinava, fidalgo-cavaleiro da Casa Real, deputado da Nação, morador no palácio e castelo de Portuzelo na freguesia de Santa Marta de Portuzelo e 11.º senhor da Casa Grande em Paredes de Coura, foi um político e poeta português.

Era convicto "legitimista" como seu pai.

Terá sido um dos últimos poetas românticos, reuniu várias vezes em sua casa, Guerra Junqueiro, António Feijó e outros desse movimento romântico, e terá se exprimido através de um lirismo historicizante.

Ppr altura do seu falecimento a revista O Occidente dedica-lhe as seguintes palavras:

  • “Sebastião Pereira da Cunha era uma d’estas figuras que se impunham pela forma insinuante da voz, pela naturalidade do gesto e pelo olhar franco, leal, digno; e o modo elegante de dizer era sublinhado por um jogo de phisionomia tão expontaneo que, agradando, deliciava e interessava todos os que fruíam o encanto de com elle privarem".
  • «Saio de Malha», drama (1893).
  • «A Cidade Vermelha», poema hispano-árabe (1894).
  • «Serões de Portuzelo»

Ainda terá escritos «Primeiro Alvor», a «Tarde de um César», o poemeto «Heroes d’Africa» e «Minho».

Dirigiu a publicação literária e cientifica "Pero Galego", ao lado de Alberto da Rocha Páris e de João Caetano da Silva Campos. Colaborou igualmente n´A Civilização, revista da estudantil da Imprensa da Universidade de Coimbra.

Filho de António Pereira da Cunha e Castro (Viana do Castelo, 9 de Abril de 1819 - Lisboa, 18 de abril de 1890), Fidalgo da Casa Real (Alvará de 4 de Fevereiro de 1825), senhor da Casa Grande e da Torre da Cunha em Paredes de Coura, do Morgado dos Lobos em Monção. Sócio do Instituto de Coimbra, membro do Conservatório Real de Lisboa, presidente da Sociedade Artística de Musica de Viana do Castelo, deputado da nação em 1856 (que não tomou posse por se recusar, como outros partidários de el-rei D. Miguel, em prestar o juramento estabelecido na Lei), casado em 26 de Abril de 1848 com D. Maria Ana Isabel Apolónia Machado de Mendonça Eça Castelo Branco (Palácio de Santo André, Lisboa, 9 de fevereiro de 1826 - Lisboa, 26 de Junho de 1907), filha dos 1.ºs condes da Figueira.

Casado, na freguesia de Arroios (Lisboa), a 19 de Outubro de 1869, com sua prima co-irmã:

  • Maria Amália das Necessidades de Almada Pereira Cirne Peixoto (18 de Outubro de 1847 - 3 de Março de 1881), filha dos 3.ºs Condes de Almada, Lourenço José Maria de Almada Abreu Pereira Cirne (5 de Dezembro de 1818 — 7 de Setembro de 1874) e Maria Rita Machado de Castelo-Branco Mendonça e Vasconcelos[, filha terceira dos 1.ºs conde da Figueira, D. José Maria Rita de Castelo Branco e de D. Maria Amália Machado Eça Castro e Vasconcelos Magalhães Orosco e Ribera), filha dos 3.ºs Condes de Almada.

Tiveram:

  • Maria Rita Pereira da Cunha (22 de Setembro de 1870).
  • Lourenço Pereira da Cunha (m.m.).
  • António Pereira da Cunha (15 de Agosto de 1874 - 1879).
  • Lourenço (no crisma António) Pereira da Cunha Lobo e Castro (19 de Dezembro de 1875), casado em 28 de Janeiro de 1905 com Maria Ana de Cabedo e Vasconcelos (23 de Maio de 1884), filha dos viscondes do Zambujal. Com geração.
  • Maria da Conceição Pereira da Cunha (23 de Janeiro de 1877), casada em 27 de Maio de 1905, com Tomás de Ataíde de Almeida Cayola (23 de Março de 1880), oficial do exército, filho de Tomás de Almeida Cayola, major da Administração Militar, e de Júlia de Lima. Com geração.
  • Sebastião Maria da Conceição Pereira da Cunha (8 de Julho de 1879 - 7 de Setembro de 1906), casado com sua prima Maria Rita de Carvalho Daun e Lorena (Pombal) e de Maria Amália Machado (Figueira).

Fonte: Wikipédia

O BLOGUE DO MINHO remete para outro artigo acerca de Sebastião Pereira da Cunha publicado aqui

PONTE DA BARCA, / SEMPRE FORMOSA E CONTENTE! / É TANTA A GRAÇA QUE CATIVA TODA A GENTE! …

Ponte da Barca é um concelho de contrastes, situada no Alto Minho deve o seu topónimo à “barca” que fazia a ligação entre as duas margens do Rio Lima, muitas vezes peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, sendo a “ponte” construída em meados do séc. XIV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).

Ponte da Barca, com as suas pesqueiras no Rio Lima (pesca da lampreia), possui ainda coutos de caça, desportos náuticos, praia fluvial, bons restaurantes e infra-estruturas hoteleiras, artesanato e folclore.

Texto e fotos: Fernando Araújo

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VIZELA TEM VENCEDORES DO CONCURSO CURTAS POÉTICAS 2020

A Câmara Municipal de Vizela, através da Biblioteca Municipal de Vizela, promoveu este ano, mais uma edição do Concurso Curtas Poéticas, subordinado ao tema SONHO.

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Apresentaram-se ao Concurso Curtas Poéticas projetos individuais, num total de 326 participações, inclusive a de uma escola de Dili, em Timor Leste, demonstrando a relevante projeção deste Concurso.

De destacar que este concurso integra três categorias: infantil – até aos doze anos; juvenil – dos 12 aos 18 anos; e adulto – mais de 18 anos, sendo que os poemas mais votados serão agora selecionados para fazerem parte de um livro, que a Câmara Municipal de Vizela publicará em data a informar.

Assim, os vencedores por categorias são:

Na categoria infantil:

            1º Classificado- Ana Clara, 4ºH EB Enxertos

2º Classificado- Jorge Oliveira, 4ºG EB Enxertos

3º Classificado- Beatriz Oliveira – 4ºG EB Enxertos

Na categoria juvenil:

1.º Classificado -Ana Sofia Lemos – 10º A- EB 2,3 S Infias

2º Classificado - Maria Inês Alves - 10º D - Escola Secundária de Vizela

3º Classificado - Maria Eduarda Cunha

Na categoria adulto:

1º Classificado - Sílvia Oliveira

2º Classificado - Joaquim Ribeiro

3º Classificado - Joaquim Ribeiro

A Câmara Municipal de Vizela agradece a participação de todos, bem como o empenho na arte da escrita, sendo que, atendendo às limitações que vivemos e que este ano não se realizará a Feira do Livro, os vencedores serão brevemente contactados para fazer o levantamento dos respetivos prémios.

"RAIAS POÉTICAS" REGRESSAM A FAMALICÃO

Raias Poéticas decorrem online de 19 de julho a 7 de agosto

As Raias Poéticas, que todos os anos colocam a cidade de Vila Nova de Famalicão na rota internacional da arte e do pensamento, regressam de 19 de julho a 7 de agosto para uma nona edição totalmente online.

Serão vinte dias, com vinte painéis que contarão com a participação de académicos, ensaístas, escritores e investigadores oriundos de diversas geografias ibero-afro-americanas.

Os debates serão transmitidos através da plataforma StreamYard e da página de Facebook da Associação Raias Poéticas, em www.facebook.com/raiaspoeticas/.

A iniciativa é organizada pela Associação Raias Poéticas, com o apoio da autarquia famalicense, e conta com curadoria do famalicense Luís Serguilha e do poeta, crítico e performer brasileiro, Marcelo Ariel.

O MENSAGEIRO DA VIDA – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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O mensageiro da vida

 

Que a paz seja o pão-nosso de cada dia,

E que as flores renasçam, de novo, com a madrugada

Das flores silvestres.

O sol sempre será, enquanto for dia,

O nosso astro-rei, mensageiro da paz,

Autor principal da vida.

Paz, sol, água e pão, será sempre a minha oração.

Márcia Passos

OUTONO NA PALAVRA - UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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“Outono na Palavra”

 

No caminho cheio de folhas,

Nos ouriços cacheiros, vi

A árvore...

 

Contemplei-a devagar,

Era outono, no cimo do ramo,

A revelar, estava o ninho do sonho.

 

As estações mudaram,

Chegara o outono, e o castanho,

Era agora a cor vinda.

 

Com os sete ventos a soprar,

E o frio a vir, era hora de sonhar!

Porque não podemos ficar

Na caduquez da vida.

 

Márcia Passos

Pintura: Lara Passos

POETA ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA DEIXOU-NOS HÁ 10 ANOS!

Passam no próximo dia 8 de Junho precisamente 10 anos sobre a data do falecimento de um dos insignes poetas portugueses do século XX – António Manuel Couto Viana. O poeta nasceu a 24 de Janeiro de 1923 em Viana do Castelo.

Com uma vastíssima obra em vários domínios da arte e da literalira, António Manuel Couto Viana foi também encenador, tradutor, dramatirgo e ensaísta. Foi ainda empresário e director do Teatro do Gerifalto e esteve sempre ligado a companhias de teatro para a infância. Estreou-se por intermédio de David Mourão-Ferreira como actor e figurinista em 1946 no Teatro Estúdio do Salitre, em Lisboa. Pertenceu à Direcção do Teatro da Mocidade, Teatro de Ensaio (Teatro Monumental), foi diretor e empresário da Companhia Nacional de Teatro (Teatro da Trindade) e orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra. Igualmente encenou e dirigiu as companhias de ópera, como mestre de cena, do Teatro Nacional de São Carlos, do Círculo Portuense de Ópera e da Companhia Portuguesa de Ópera. Ainda muito jovem, recebera como herança do avô o teatro Aá de Miranda, em Viana do Castelo.

A sua carreira literária teve início em 1948 com a publicação do seu primeiro livro de poemas “O Avestruz Lírico”. Desde então, nunca mais parou de publicar, encontrando-se a sua vasta obra traduzida em francês, inglês, castelhano, mandarim, alemão e russo.

Dirigiu várias publicações literárias e de cultura como a revista infanto-juvenil “Camarada”, os cadernos de poesia “Graal”, “Távola Redonda” e “Tempo Presente”.

Lecciou em Lisboa no Liceu Rainha D. Leonor e, em Macau, no Instituto Cultural de Macau.

António Manuel Couto Viana à conversa com o Engº Manuel de Sá Coutinho (Aurora) e Carlos Gomes (Administrador do BLOGUE DO MINHO).

 

Da sua obra literária salientamos:

  • O Avestruz Lírico(1948)
  • No Sossego da Hora(1949)
  • O Caminho É por Aqui(1949)
  • Era uma Vez... Um Dragão(1950)
  • O Coração e a Espada(1951)
  • Em Louvor do Teatro Infantil(1951)
  • Auto das Três Costureiras(1952)
  • A Face Nua(1954)
  • O Fidalgo Aprendiz(1955)
  • A Tentação do Reino(1956)
  • O Acto e o Destino(1957)
  • Um Espinho da Flor(1959)
  • Mancha Solar(1959)
  • O Milagre de Ourique(1959)
  • A Rosa Sibilina(1960)
  • Do Cimo desse Telhado(1962)
  • Relatório Secreto(1963)
  • Poesia (1948/1963)(1965)
  • O Teatro ao Serviço da Criança(1967)
  • Desesperadamente Vigilante(1968)
  • Antígona, Ajax e Rei Édipo(1970)
  • O Avarento(1971)
  • O Senhor de Pourceaugnac(1971)
  • Pátria Exausta(1971)
  • Em Redor da Mesa(1972)
  • 10 Poesias de Agustin de Foxá(1973)
  • Raiz da Lágrima(1973)
  • O Almada Que Eu Conheci(1974)
  • 2 "Modernistas" do Alto Minho(1976)
  • 709 Poesias de Reclamo à Casa Brasileira(1977)
  • Coração Arquivista(1977)
  • Nado Nada(1977)
  • Voo Doméstico(1978)
  • João de Deus e um Século de Literatura Infantil em Portugal(1978)
  • As Pedras do Céu(1979)
  • Júlio de Lemos, num Retrato Breve e Leve(1979)
  • Retábulo para Um Íntimo Natal(1980)
  • As (E)vocações Literárias(1980)
  • Morte e Glória de Narciso no Poeta Alfredo Pimenta(1982)
  • Frei Luís de Sousa à Luz de Novas Luzes(1982)
  • Ponto de Não Regresso(1982)
  • Para um Encontro com o Poeta Alfredo Pimenta(1983)
  • Versos de Cacaracá(1984)
  • Uma Vez uma Voz: Poesia Completa - 1948-1983(1985)
  • as antologias “Tesouros da Poesia Popular Portuguesa”(1984)
  • Postais de Viana(1986)
  • O Senhor de Si(1991)
  • Café de Subúrbio(1991)
  • Colegial de Letras e Lembranças(1994)
  • A Gastronomia no Teatro e na Poesia Portuguesa(1994)
  • Bom Garfo e Bom Copo(1997)
  • Por Outras Palavras(1997)
  • Comeres em Lisboa: Roteiro Gastronómico(1998)
  • Prefiro Pátria às Rosas(1998)
  • Dez Peças de Teatro Infantil
  • Teatro Português d'Outrora Agora
  • Restos de Quase Nada(2007)
  • Disse e Repito(2008)
  • Bichos diversos em verso(2008)
  • Que é que eu tenho Maria Arnalda?(2009)
  • Cancioneiro do Rio Lima(2001).
  • 60 anos de poesia(2 vols.) (2004)

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A poesia está comigo

 

                                 Queres cantar fados, ler sinas

                                 Por ruas tortas, escusas?

                                 Ou tens pretensões mais finas?

                                 - Não me esperem nas esquinas:

                                 Não marco encontros a musas.

                                

                                 Cantem outros a desgraça

                                 Em quadras fáceis, banais,

                                 Cheias de mofo e de traça:

                                 Soluços de fim de raça,

                                 Com vinho, amor, ódios, ais.

                                

                                 E dos parques silenciosos

                                 De estátuas, buxo e luar,

                                 Cresçam sonetos cheirosos,

                                 Requintados, vaporosos

                                 Qual uma renda de altar.

                                

                                 Para mim basta o que tenho:

                                 Umas rimas sem valia,

                                 Mas próprias, do meu amanho;

                                 Minha colheita, meu ganho

                                 - Poesia! Poesia!

António Manuel Couto Viana

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No ano do seu falecimento, a Câmara Municipal de Viana do Castelo instituiu em sua homenagem o “Prémio Escolar António Manuel Couto Viana. O Concurso, dinamizado pela Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, tem por finalidade dar a conhecer a obra literária do autor e de premiar produções literárias e artísticas da população estudantil Infanto‐Juvenil da comunidade escolar vianense, sob as modalidades de Conto, de Ensaio, de Ilustração e de Poesia, e conta com o apoio dos Professores Bibliotecários dos estabelecimentos de ensino público e privado, que com a Biblioteca Municipal, são os dinamizadores junto das várias escolas do concelho.

Com este concurso, e fazendo eco das palavras do Presidente da Câmara, na 1.ª edição, pretende-se incentivar os “escritores e ilustradores mais novos de Viana” a mostrarem as suas qualidades literárias e artísticas, estimulando o gosto pela leitura, escrita e arte, com trabalhos criativos e inéditos, na modalidade de Poesia e Conto, e a partir da obra literária de António Manuel Couto Viana, no caso das modalidades de Ensaio e Ilustração.

ESCRITO NO SANGUE

ESCRITO NO SANGUE

 

Para os meus sobrinhos Mió e Eugénio

 

Foste, às praias d`outrora, ver partir uma nave?
Vai vê-la regressar, fremente, aos aeroportos.
Tem, agora, o perfil triunfal de uma ave,
Mas nas entranhas traz cinco séculos mortos!

 

Deixou, no além-mar, um farrapo de pragas,
A memória do ódio, o turbilhão das fugas.
Traz, oculto, a sangrar por vinte e cinco chagas,
Um pavilhão de medo e envergonhadas rugas.

 

Esperava-a o pó, os fétidos detritos,
O crime da indiferença e a fome das crianças.
Antes tudo acabar numa explosão de gritos
Do que este tropeçar no gume das vinganças!

 

Foste, às praias d`outrora, ver partir um navio?
Vai vê-lo regressar, sem glória, aos aeroportos.
Antes fosse vazio e viesse vazio.
Mas nas entranhas traz cinco séculos mortos!

 

António Manuel Couto Viana
(21.11.1976)
In “Sou quem fui – Antologia Poética”, p. 127. Edições Ática,2000.

(Publicado por Nonas)

Via: https://www.facebook.com/raquel.s.guedes.3

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ONDE MORA A SAUDADE - UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

Onde mora a saudade

Na velha casa, mora a saudade;
As persianas como olhos cerrados, relembram o acordar de uma família;
O jardim com um velho baloiço feito de um pneu, ainda embala a velha criança
Que já não volta… mas que o tempo eternizou;
A lareira antes para aquecer uma família, hoje fala do vazio que se escuta,
Os quadros, antes para se contemplar, hoje choram rios de tinta;
Os móveis empalideceram, misturados com a brancura do silêncio,
Esqueceu-se o abre e fecha apressado dos armários;
O relógio que antes marcava as horas, hoje apenas marca as horas da eternidade;
Apenas se contempla, numa parede esquecida, uma cruz e ali, ao lado, uma santa;
As molduras que antes serviam para lembrar pessoas e bons momentos,
Hoje parecem que gritam ou que imploram que os tirem dali;
As tralhas e as desarrumações que antes marcavam e testemunhavam a Vida,
Hoje são apenas e só tralhas que se foram acumulando.
Um velho urso e uma boneca de trapos, que antes fora a alegria de uma menina de tranças,
Hoje choram e desesperam pelo toque de outras mãos;
O velho soalho, antes limpo e brilhante, acumulou pó;
As rosas, colocadas numa jarra de louça de Viana, murcharam,
Desmotivadas pela ausência; a cama antes objeto de uso, hoje apenas marcam
Com os seus lençóis brancos, a ausência de movimentos de corpos,
Por onde se comungava em fraternidade a palavra amor;
Antes a casa era assim, alegre e cheia de vida,
Por entre os livros deixados nas estantes, procuram-se palavras,
Mas a tinta das caligrafias secou.
Hoje a casa apenas nos fala de saudade… por todos os cantos é possível sentir
A ausência… e o velho mapa, antes usado para conhecer os países, as culturas,
Hoje apenas nos indica o rumo…do nada.
E cansada de tanta ausência… a casa apenas espera que um dia,
As crianças voltem…porque assim como as andorinhas,
Também a vida renasce…a cada primavera cantada.

Márcia Passos

Foto: Raquel Pereira

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GENTES DE ESPOSENDE: MÓNICA DIAS CARDOSO É A POETISA DA NOSSA TERRA!

Mónica Maria Dias Cardoso, nasceu a 10 de Abril de 1974 em Fão pelas mãos do Dr. Juvenal, é a filha mais velha de quatro irmãos do nosso conhecido, Sérgio do Fôjo.

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Cresceu e viveu em Esposende e Fão. Em Esposende concluiu o ensino secundário, praticou desporto, nomeadamente Andebol e Karaté.

A sua infância e adolescência foram passadas no Bar Fôjo em Fão, explorado pela família.

Nos anos 90, o Fôjo era um epicentro de cultura onde nas suas longas noites se recitava poesia, cantavam-se fados, trocavam-se impressões, opiniões filosóficas e todos ficavam a ganhar mais conhecimento.

A poetisa, Monica Cardoso, herdou de seu pai esta veia artística, inspirou-se no Fôjo e no povo para as suas poesias.

Mónica Cardoso foi sempre uma mulher de armas, acompanhando também o pai e irmãos nas noites frias e solitárias no Cávado na pesca da enguia branca que garantia o sustento para os meses menos bons.

É uma mulher de fortes convicções, daquelas  que não vira a cara ao debate. Possui a hombridade em admitir quando não tem razão.E, de vez em quando, dá-nos o prazer de saborear a sua poesia que tanto nos identifica.

Muito obrigado e continua. São muitos os livros que se publicam… mas era um de tua autoria que eu tanto desejaria ler!

Luís Eiras

DESTINO FINAL – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

“Destino Final”

 

A solidão veio

Como chuva batendo no vidro,

De uma alma só.

 

Confinada a um lugar,

Onde a imaginação floresce,

Para esquecermo-nos de que somos humanos.

 

Criamos deuses na mente, e pensamos neles,

Como histórias de embalar para esquecer o medo do escuro.

 

Sentimos vontade de proteção e por isso,

Visitamos as igrejas, e quando isso acontece,

É porque a nossa vulnerabilidade está à flor da pele,

E sentimos medo de sermos apenas nós e o nosso destino fatal.

 

Não há pior solidão do que essa... a do Homem encontrar-se, sem proteção,

Com o seu Destino Final!

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ROSA DESFOLHADA – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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“Rosa desfolhada”

 

Dá-me asas

Para que eu possa voar,

Até à raiz dos sonhos,

Onde se plantam as rosas que ainda nascerão

Antes do nascer do sol.

 

Dá-me a esperança

De um sol duradouro,

Onde se podem plantar

Sonhos de outrora, a toda a hora!

 

Depois, eu prometo-te,

Percorreremos todos os recantos à casa,

Até encontrarmos um lugar seguro e alto,

Onde depositaremos a nossa fé...

 

Centelha divina entre o nascer e a nossa partida,

Sítio seguro, onde há espaço, para nos sentirmos seguros

Mesmo nas nossas maiores vulnerabilidades.

 

Afinal...O amor é uma rosa desfolhada aos nossos pés.

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