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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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“CANCIONEIRO DA SERRA D’ARGA” – QUADRAS DE AMOR

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Serra d’Arga. Namorados

Quadras de Amor

A poesia é tão antiga como o homem. Em cada ser humano existe um poeta e não há nada na vida do homem que não escape aos sentimentos mais profundos da alma. O amor é, agora, o tema.

Pela transcendência do assunto, «pelo fácil e pelo difícil» que o envolve, se compreende a seguinte quadra:

Quem me dera dar-te um beijo,
Um beijo não custa a dar;
São duas bocas unidas,
Quatro lábios a beijar.

Noutros tempos, o beijo era tão sagrado que logo havia desordem ou compromisso de casamento, quando observado pelos pais.

Hoje, está tão banalizado que deixou de ser expressão do que era, perdendo o significado sagrado que tinha em épocas mais distantes.

A simplicidade e a imagem a que o povo recorria para transmitir os seus sentimentos ou exaltar alegrias ou paixões, são de uma beleza encantadora

Quando os passarinhos choram
Numa árvore tão pequena,
Que fará meu coração
Cheio de tanta pena?

Nas quadras que se vão seguir pode verificar-se o que diz a filosofia popular a propósito do amor, da traição, do belo e do feio. Aqui está um retrato excelente do amor na sabedoria popular: umas vezes, demasiado pessimista; outras, cheio de lições de moral.

Quadras de Amor    

água daquela serra
Por copos de vidro desce;
Nem a água mata a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abaixo da Serra d’Arga
Onde fica minha aldeia,
Na linda terra de Dem
Onde o meu amor passeia.

A água do ribeirinho
Sobe ao Céu deita pavor;
Só há lágrimas na terra
Por donde anda meu amor.

Abre-te, janela d’oiro,
Tira-te tranca de vidro,
Resolve o teu coração
Que o meu está resolvido.

A água do Rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abre-te, janela d’oiro,
Vira-te, tranca de vidro;
Vem cá fora, meu amor,
Que quero falar contigo.

Abaixa-te Alto do Tapado,
Que eu quero ver Castanheira,
Quero ver o meu amor
Lá nos campos da Lapeira.

Abre-te, peito, e fala,
Ó coração vem cá fora,
Anda ver o teu amor
Que chegou aqui agora.

Abaixa-te ó Serra d’Arga
Abaixa-te um nadinha;
Quero ver o meu amor
No terreiro de Caminha.

A carta que te escrevi
Já ta deitei na varanda;
Só te peço, meu amor,
Que faças o que ela manda.

Recolha levada a efeito na Serra d’Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por Artur Coutinho, transcritas na obra «Cancioneiro da Serra d’Arga».

Fonte: https://folclore.pt/cancioneiro-da-serra-darga-quadras-de-amor/

VIANA DO CASTELO / MOÇA DE PERRE: OS TEUS OLHOS AZUIS SÃO DA COR DO CÉU – POEMA DE FERNANDO PESSOA / FOTO DE SÉRGIO MOREIRA

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Os teus olhos azuis são cor do céu

 

Os teus olhos azuis são cor do céu

E são por isso cor do paraíso.

Vejo-os e passa no coração meu

Como uma saudade o seu sorriso.

 

Estrelas matutinas no acordar

Do meu amor, azul do céu distante…

E eu, se os olho, fico sempre a olhar,

E a olhar esqueço minha dor constante...

 

Olhos azuis cuja alegria é a flor

Da minha dor tornada comoção...

Flori de aurora a minha negra dor…

Só com olhar-me abri-me o coração…

 

Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.

ESCRITOR ARCUENSE TOMAZ DE FIGUEIREDO: SONETOS DA CASA AMARELA

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Há nos meus olhos barcos afundados,

há andorinhas mortas de secura,

há mãos paradas, mãos de sepultura,

anjos em transe, lírios profanados.

Há fantasmas de sonhos encantados,

há ontens cujo instante ainda perdura,

há, murcha, a flórea luz da alvura,

há corações de amor, apunhalados.

Há passado, entusiamo e lutas,

há luarentas e fechadas grutas,

há o golpe de navalhas assassinas.

Há tudo, sem que neles haja nada.

Há, até, sobre a cauda, a fria naja

que lhes picou as cândidas meninas.

em Sonetos da Casa Amarela

Tomaz de Figueiredo, escritor, nasceu há 120 anos neste dia 6 de julho.

Foto: DR / Fonte: EGEAC Cultura em Lisboa

PONTE DE LIMA HOMENAGEIA POETA ANÍBAL MARINHO

O Município de Ponte de Lima e a Associação de Escritores, Jornalista e Produtores Culturais de Ponte de Lima vão homenagear o poeta Aníbal Marinho no ano em que se comemora 120 anos do seu nascimento.

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Evoca-se desta forma o distinto homem, poeta, político, músico e publicista divulgando a sua vida e obra através da exposição intitulada "Aníbal Marinho, o Homem e as Ideias", que estará patente na Biblioteca Municipal de 8 de julho a 31 de agosto de 2022.

Esta ilustre figura limiana herdou o gosto pela liberdade e fomentou, ao longo da sua vida, a cultura democrática e humanista.

Conviveu com limianos de excecional valor e de elevado espírito intelectual que contribuíram para o enaltecimento dos seus conhecimentos e para a sua formação cultural e artística.

Colaborou nos periódicos locais da época e publicou o livro de sua autoria intitulado “Homens e Ideias”. Foi ainda um exímio tocador de viola e de guitarra.

Associe-se a esta comemoração que assinala a vida e obra de um limiano vanguardista.

Uma exposição a não perder.

Visite a exposição: 2.ª feira das 14h00 às 18h00 | 3.ª feira a 6.ª feira das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 | Sábados das 9h30 às 12h30.

BARCELOS: CONCURSO “PEQUENOS GRANDES POETAS” CONTOU COM 90 PARTICIPANTES E JÁ SÃO CONHECIDOS OS VENCEDORES

Já são conhecidos os vencedores do concurso “Pequenos Grandes Poetas”, promovido pelo Município de Barcelos, através da Biblioteca Municipal e da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares. O concurso desenrolou-se ontem, em duas sessões, e contou com a participação de cerca de 90 alunos de todos os estabelecimentos escolares concelhios, nos diferentes graus de ensino, desde o pré-escolar ao secundário.

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Presente nos dois momentos do concurso, a vereadora dos pelouros da Educação e da Juventude saudou os participantes e mostrou-se feliz e entusiasmada pela forte adesão dos alunos e das escolas. Mariana Carvalho agradeceu o empenho dos professores na motivação dos alunos, e fez questão de sublinhar a importância da escrita poética e da declamação na formação dos alunos. Terminou desejando sucessos a todos os presentes nesta iniciativa.

Recorde-se que o concurso “Pequenos Grandes Poetas” está estruturado em duas modalidades: poemas inéditos declamados pelos autores; e a modalidade de declamadores.

À edição deste ano concorreram 90 alunos. Na sessão da tarde, participaram os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e, na sessão noturna, estiveram presentes os alunos do 2.º e 3.ºciclos do ensino básico e secundário.

Este concurso tem como objetivos promover hábitos de leitura e de escrita, incentivar o gosto pela poesia e pela escrita criativa, e estimular a manifestação artística e a criatividade. O público-alvo são todos os alunos do concelho de Barcelos, que frequentam o ensino obrigatório.

Vencedores da edição 2022 do concurso “Pequenos Grandes Poetas”

DECLAMAÇÃO

Pré-escolar

Gonçalo Faria Falcão Barbosa e Rodrigo Costa Sá | Jardim de Infância de Fonte Coberta

O Senhor Vento / Maria Alberta Menéres

1º Ciclo

Jaime Faria Moreira | Centro Escolar de Viatodos

Mais respeito, eu sou criança / Pedro Bandeira

2º Ciclo

Dinis Durão Cepa Castelo | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

O Mostrengo / Fernando Pessoa

3º Ciclo

João Bernardo Costa Fernandes | Colégio La Salle

Cântico Negro / José Régio

Ensino Secundário

Rute Carolina Martins Miranda | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

Quatro em Pessoa (Fernando Pessoa e heterónimos)

POEMA INÉDITO

1º Ciclo

A Paz no Mundo / Guilherme José Lobarinhas Garrido dos Santos | Escola Básica de Vila Boa

2º Ciclo

Mateus Garim Ferreira / Escrever como quem pinta | Escola Básica e Secundária Vale do Tamel

3º Ciclo

Gonçalo Eiras Miranda / Canoa da vida | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

Ensino Secundário

João Guilherme Cardoso Gomes de Carvalho / E quando Portugal estiver em cinzas | Escola Básica e Secundária de Vale D'Este, Viatodos

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MONÇÃO: MEMORIAL DE POEMAS E OUTRAS PRIMAVERAS

Dias/horas 10, sexta, 21h30 | 11, sábado, 16h00 Local Cine Teatro João Verde Preço 6,00 €

Criação original de Valdemar Santos, inspirada na sua residência artística em Monção, “Memorial de Poemas e Outras Primaveras” é uma leitura encenada de poemas do próprio e do poeta monçanense, João Verde.

A história de um personagem que sabe de alguém, um poeta, que deixa espalhados pela vila os seus poemas, pensamentos e pequenas histórias, nunca antes publicadas. Toda uma viagem pela poesia, narrativa, imagens, cumplicidades, que termina no Cine Teatro João Verde, em comunhão com a plateia.

Autor Valdemar Santos Audiovisual Paulo Pinto Música elementos da Banda Musical de Monção Aconselhamento Artístico Gonçalo Fonseca

Depois do espetáculo de sábado, decorre o lançamento do livro.

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CONCURSO “PEQUENOS GRANDES POETAS” CONGREGA ALUNOS DE BARCELOS EM VOLTA DA POESIA

O Município de Barcelos, através da Biblioteca Municipal e da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares, promove, no dia 8 de junho, no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, o concurso “Pequenos Grandes Poetas”.

O concurso, que conta com a participação de todos os estabelecimentos concelhios nos diferentes graus de ensino, desde o 1.º ciclo ao secundário, num total de 90 alunos, inclui a modalidade de poemas inéditos declamados pelos autores e a modalidade de declamadores.

O concurso inicia às 18h30 com os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e, às 21h30, é a vez do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário.

Este concurso tem como objetivos promover hábitos de leitura e de escrita, incentivar o gosto pela poesia e pela escrita criativa, e estimular a manifestação artística e a criatividade, sendo dirigido a todos os alunos dos agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas do concelho de Barcelos.

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AMARES REVISITOU POETA SÁ DE MIRANDA

Colóquio Internacional “Sá de Miranda e a História Literária'' revisitou um “poeta inesgotável”

O colóquio internacional “Sá de Miranda e a História Literária”, promovido recentemente online pelo Centro de Estudos Mirandinos (CEM), na senda do primeiro ("Repensar Sá de Miranda e o Renascimento"), reuniu perto de meia centena de pessoas e foi a ocasião para reavaliar a fortuna crítica de Sá de Miranda ao longo da nossa história literária.

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A Vice-Presidente e Vereadora da Cultura do Município de Amares, Cidália Abreu, sublinha o modo a obra e a figura de Sá de Miranda continua “a marcar e a despertar a atenção de sucessivas gerações de autores e investigadores”, reconhecendo a este propósito a importância deste género de iniciativas para perpetuar a obra e vida do poeta. Cidália Abreu manifestou, ainda, a sua satisfação pela adesão ao colóquio que contou com a participação de investigadores portugueses e estrangeiros.

A sua realização faz parte de uma estratégia do CEM para, de maneira coerente e contínua, promover investigação científica de alto nível sobre a obra mirandina e, mais latamente, sobre o século XVI.

“Vamos continuar no CEM, tirando o máximo partido do mundo tecnológico, a realizar conferências avulsas em plataformas digitais (as que temos realizado têm conseguido uma assinalável presença de pessoas dos quatro cantos do mundo); e vamos, se possível a curto prazo, tratar de editar as atas deste último colóquio e do do ano passado. E talvez em 2024 consigamos realizar um colóquio internacional e presencial, não apenas sobre Sá de Miranda, mas sobre o século XVI numa perspetiva ibérica”, refere o Diretor do Centro de Estudos Mirandinos, Sérgio Guimarães de Sousa.

O CEM assume-se, neste sentido, como uma ponte entre os investigadores da obra de Sá de Miranda e a sociedade civil para o estudo, partilha e descoberta de um autor “inesgotável”, como aconteceu a título de exemplo com a ‘Poesia de Sá de Miranda’, uma edição monumental da obra do poeta nas suas múltiplas variantes, coordenada por de José Camões e Filipa Freitas, apresentada no colóquio da passada sexta-feira.

Está prevista a publicação de um volume com as comunicações do evento.

ETNOGRÁFICO DE PONTE DA BARCA: SEMPRE FORMOSA E CONTENTE!

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MARCHA DA BARCA

 

Quando o mundo Deus formou,

Caiu do céu uma estrela,

Bendita! que de luz tudo brilhou

E aqui ficou

Para quem pretender vê-la!

 

Ponte da Barca,

Sempre formosa e contente!

É tanta a graça

Que cativa toda a gente!…

Tem como sina,

Que linda é!

Ser só traquina,

Loira menina

P’ra dar ao pé!…

 

Senhora nobre e hospitaleira,

Tem sobre ela o sol doirado,

Quando à tarde se penteia

E se meneia

P’ró Lima seu namorado!…

 

Disseram poetas, os cantores,

Que musa assim não há igual!

Será porque todas as flores

São os amores

Dum jardim de Portugal?!

 

Manuel Parada

In “Pegadas do Meu Caminho”

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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“A minha Pátria é a língua portuguesa” (Luiz Vaz de Camões)

Já na heróica vitória depois do naufrágio,

Tu viestes cansado e cativo, derrotado o Adamastor,

No olho, fiel poeta, ficaste ferido.

 

No chão do nosso país, não és mais tema de conversa,

Ficaste quasi esquecido, não por mim, mas pela Pátria.

Os jornais recordam as cruzes que ninguém tem culpa,

E se se liga a televisão, guerras sangrentas, são assunto de discussão.

 

A um canto só, o livro, a bravura,

O amor e a sua loucura em ré maior.

Mas ninguém se aproxima do livro, ninguém quer ler,

E a um canto, esquecido, a nossa epopeia.

 

Já o belo poeta morre, não de vida, mas de poesia,

Ferido de morte, ninguém mais (exceto eu), canta a sua lírica.

Cantarei como tu, porque não me falta engenho e arte.

Camões, estás para mim, em toda a parte!

 

Márcia Passos, 5 de Maio de 2022

(Dia Mundial da Língua Portuguesa)

CASA DAS ARTES DE FAMALICÃO APRESENTA POÉTICA DA PALAVRA

Poética da Palavra, de 23 março a 9 abril, Casa das Artes de Famalicão

Entre 23 de março e 9 de abril, a Casa das Artes de Famalicão, realiza a quarta edição de “Poética da Palavra”, uma proposta artística que reduz a milenar arte do Teatro à sua essência: o texto, a palavra, a voz e o trabalho de ator.

Momento alto da programação anual deste teatro municipal, a Poética da Palavra quer evidenciar este universo de elementos cúmplices, aquilo que entendemos como a essência, a ontologia, do teatro. Pretendemos destacar a interpretação, a relação entre técnica, sentimento íntimo e subjetivo de convicção criadora e a consolidação da personagem, como um processo indissociável de um exigente trabalho pessoal, que é físico e de estudo profundo e inesgotável.

Os encontros de teatro iniciam, a 23 de março, com o espetáculo "Ninguém", de António Capelo/Teatro do Bolhão. Trata-se do primeiro monólogo de António Capelo, com mais de 45 anos de carreira, que questiona sobre o que é ser ator, através da sua vida pessoal.

A 26 e 27 de março vai a cena "Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua Patroa", de Sara Barros Leitão/Cassandra. É uma criação original, escrita, encenada e interpretada por Sara Barros Leitão a partir de um processo de investigação sobre o Serviço Doméstico em Portugal.

Nos dias 1, 2 e 3 de abril, estreia a leitura encenada "Quem matou o meu Pai", de Édouard Louis"/Teatro Nova Europa. O texto relata o reencontro possível entre pai e filho, sob o pano de um cenário de poder político responsável por condenar a uma morte precoce as classes mais baixas da sociedade.

Ainda a 1 e 2 de abril, estreia também "FábulaMãe", de Teresa Arcanjo/Grua Crua. “A conquista de um espaço que quero ter e ocupar no teatro enquanto criadora”, nas palavras da encenadora e atriz do projeto, Teresa Arcanjo.

No dia 8 de abril, é apresentada "Língua de Cão e Litania” por Pedro Frias/Assédio Teatro. Partindo da situação criada pelo primeiro confinamento, em 2020, as ruas desertas e o silêncio ensurdecedor das ruas desertas, Francisco Luís Parreira propõe-nos uma reflexão acerca do homem na sua posição terminal.

A 9 de abril, é apresentado "Um Fio de Jogo", da Narrativensaio-AC. Trata-se de um monólogo com texto de Carlos Tê, que versa sobre o fenómeno do futebol, os seus pequenos mitos que ajudaram à sua implantação planetária como desporto de massas que extravasa a própria condição desportiva.

No fim de cada noite de apresentação, o público terá uma conversa com os atores que protagonizam cada projeto teatral, no sentido de poder conhecer o trabalho, concreto, sobre o texto, a palavra e a sua relação com o corpo (que lhe dá voz), e o processo de construção de cada personagem.

A “Poética da Palavra” propõe ainda três mesas-redondas, sobre: Dramaturgia; Encenação; Teatro e Educação Artística, reunindo nomes como: Luís Mestre; Carlos Costa; Ivo Saraiva e Silva; Jorge Palinhos; João Castro; Sílvia Pinto Ferreira; Magda Henriques; Cristina Carvalhal; Helena Machado; Sílvia Correia; António Capelo; e David Antunes.

A Casa das Artes de Famalicão é membro da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.

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MINHO PREPARA-SE PARA CELEBRAR NO PRÓXIMO ANO O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO POETA E ESCRITOR ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA

António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo a 24 de Janeiro de 1923, filho de um ilustre minhoto e de uma asturiana, e faleceu em Lisboa a 8 de Junho de 2010. Poeta, dramaturgo, contista, ensaísta, memorialista, tradutor, gastrólogo e autor de livros para crianças, foi também empresário teatral, director artístico, encenador e ator.

Com vasta obra publicada nas mais variadas vertentes literárias, António Manuel Couto Viana foi um dos maiores poetas do nosso tempo. Ensaísta, poeta, dramaturgo, tradutor e encenador, O livro de poemas O Avestruz Lírico, publicado em 1948, marca o início da sua carreira literária.

Ao longo da sua vasta carreira literária e artística, publicou mais de uma centena de livros, muitos dos quais traduzidos para inglês, francês, castelhano e mandarim, vulgo chinês. Encenou e dirigiu companhias de Ópera do Teatro Nacional de São Carlos, do Círculo Portuense de Ópera e da Companhia Portuguesa de Ópera. A sua paixão pelo teatro começa desde muito novo, quando recebeu por herança o Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, mantendo-se sempre durante toda a vida ligado a companhias de teatro para a infância.

António Manuel Couto Viana à conversa com o Engº Manuel de Sá Coutinho (Aurora) e Carlos Gomes (Administrador do BLOGUE DO MINHO).

A BELEZA DAS COISAS – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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Se eu “fosse” só “Doutora”

Nunca poderia ver a beleza das coisas,

Porque a beleza das coisas só se veem

Com a Humildade.

 

Quão triste então seria o meu mundo!

Porque a arrogância faz com que as flores,

Os pássaros e o belo Céu,

Percam a cor.

 

Mas, de tudo o que eu poderia ser,

Escolhi ser “canalizadora” das Graças de Deus!

Tudo quanto possuo, tudo quanto sou,

Quanto ainda serei, devo a Deus.

 

Sou uma “capela” que anda,

Fala, sente, vê e ouve.

Mesmo com tantas dificuldades,

Escolhi o caminho dos Justos,

A herança dos Verdadeiros,

O caminho dos Pequenos,

A Paz das Rotinas.

 

Se é fácil sermos Oração num Mundo de Guerras?

Não.

Mas é possível.

 

A paz não é sobre quanto terços rezas,

É sobre o que és… no teu dia a dia.

Porque Deus, está: nas mãos de um idoso,

No olhar de uma criança,

Num abraço reconfortante,

Numa lareira acesa,

Numa música calma.

 

Se Deus estivesse só nas igrejas,

Que tristes e amargurados seriam os meus dias!

Mas Ele enche-se de cor,

Ele é o ar que respiro,

E é a força que me faz lutar e querer crescer.

BRAGA CELEBRA MÊS DA POESIA COM MÚSICA, ILUSTRAÇÃO, RECITAIS E MUITO MAIS

“Poesia ao Centro” decorre de 14 a 21 de março em vários espaços da cidade e escolas

Março é o mês da poesia e Braga vai colocar a “Poesia ao Centro”, com uma iniciativa inspiradora que promete despertar sentimentos artísticos no público mais jovem e sensibilizar todos para a arte e para a criatividade.

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Promovido pela Câmara Municipal em colaboração com a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, o evento “Poesia ao Centro” arranca no próximo dia 14, segunda-feira, com atividades para o público mais jovem nas escolas, mas o grande destaque será o espetáculo musicado Poetas de Trás-Os-Montes, com Ana Deus e Alexandre Soares, que se vai realizar no Teatro Sá de Miranda, no dia 19, pelas 21h30. No dia 21, celebra-se o Dia Mundial da Poesia.

“Poesia ao Centro” dedica esta edição ao cruzamento das diferentes sinergias artísticas com a palavra poética, através de um programa que engloba música, ilustração, oficinas comunitárias, spoken words, recitais e apresentações, que pretende levar a espaços distintos as diferentes formas de poetizar.

Nos dias 14, 16 e 18, decorre uma Oficina de Ilustração Tipográfica nas escolas intitulada “Litegrafia”, tendo como formadores a ilustradora Karla Ruas e o designer gráfico Jefferson Rib.

No dia 19, o Teatro Sá de Miranda acolhe o espetáculo de poesia Poetas de Trás-Os-Montes, com Ana Deus e Alexandre Soares. Os autores transmontanos, da palavra dita à cantada, do português ao mirandês sobrevoando épocas e lugares. A entrada é livre, mas sujeita à reserva de bilhetes em http://cmbcultura.eventbrite.com. Durante o espetáculo será ainda proporcionada uma surpresa evocando a obra dos poetas bracarenses.

No dia 20, pelas 11h00, os Jardins do Museu dos Biscainhos são o cenário perfeito para o evento “As Histórias têm Música e as Músicas contam Histórias”, com a participação da harpista Eleonor Picas e do percussionista Jorge Cientista Carvalho. Com entrada livre, pretende-se através da música contada e cantada, servir a palavra através do som e do ritmo partindo de obras de autores portugueses como Luísa Ducla Soares ou Manuel António Pina.

À tarde, pelas 14h30, a Sala do Terreiro do Museu dos Biscainhos acolhe a exposição “Metamorfosis”. Uma mostra onde através de um repto lançado à comunidade, se edifica uma exposição onde as pessoas são tela para composições plásticas e onde o produto final alia a colagem à música, o vídeo à poesia. Jefferson Rib e Marta Moreira são os artistas convidados.

Nesse mesmo dia, pelas 18h00, o Grupo de Poesia da Universidade do Minho dá voz à poesia com um concerto nos Jardins do Museu dos Biscainhos.

A Praça Mestre Veiga foi o palco escolhido para celebrar o Dia Mundial da Poesia, a 21 de março, com a performance “Entre Mim e o Meu Silêncio”, com direção e interpretação de Marta Moreira. Uma performance vanguardista de spoken word, que cruza as fronteiras entre o diseur e o ator. Em “Entre mim e o Meu Silêncio” os poemas ganham existência própria e assentam morada numa narrativa construída em torno da busca pelo indizível.

PROGRAMA COMPLETO:

14, 16 E 18 DE MARÇO | 10H00 E 14H00 | ESPAÇO ESCOLA

 LITEGRAFIA - Oficina de Ilustração Tipográfica, com Jefferson Rib e Karla Ruas

19 DE MARÇO | 21h30 | TEATRO E.S. SÁ DE MIRANDA

«POETAS DE TRÁS-OS-MONTES», de Ana Deus e Alexandre Soares  

20 DE MARÇO | MUSEU DOS BISCAINHOS

11h00 «AS HISTÓRIAS TÊM MÚSICA E AS MÚSICAS CONTAM HISTÓRIAS», de Eleonor Picas 

14h30 «METAMORFOSIS» Inauguração de exposição com performance de piano

18h00 Atuação GRUPO DE POESIA DA UNIVERSIDADE DO MINHO 

21 DE MARÇO | PRAÇA MESTRE VEIGA (AV. CENTRAL)

18h00 “ENTRE MIM E O MEU SILÊNCIO” (PERFORMANCE SPOKEN WORD), de Marta Moreira

21h30 LITEGRAFIA - Divulgação dos resultados da oficina desenvolvida em espaço-escola