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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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POETISA GALEGA ROSALÍA DE CASTRO NASCEU HÁ 187 ANOS

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Rosalía de Castro é justamente considerada a fundadora da moderna literatura galega ou seja, o movimento cultural do rexurdimento que está na origem do nacionalismo galego. A poetisa nasceu em Santiago de Compostela, em 23 de fevereiro de 1837, e faleceu em Padrón, em 15 de julho de 1885.

Escrita em galego e castelhano, a sua poesia inspira-se na lírica popular trovadoresca, tendo publicado em galego “Cantares Gallegos” e “Folhas Novas” e, em castelhano, “En las Orillas del Sar”. A Galiza celebra o Dia das Letras Galegas em 17 de Maio, invocando a edição de “Cantares Gallegos”, a sua primeira obra em galego.

VAGUEDÁS

II

Bem sei que non hai nada

Novo en baixo do ceo,

Que antes outros pensaron

As cousas que ora eu penso.

 

E bem, ¿para que escribo?

E bem, porque así semos,

Relox que repetimos

Eternamente o mesmo.

 

III

Tal como as nubes

Que impele o vento,

I agora asombran, i agora alegran

Os espazos inmensos do ceo,

Así as ideas

Loucas que eu teño,

As imaxes de múltiples formas,

De estranas feituras, de cores incertos,

Agora asombran,

Agora acraran

O fondo sin fondo do meu pensamento.

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Estátua a Rosalía de Castro, no Porto

SOLEDADE SUMMAVIELLE, POETISA FAFENSE MAIOR COM EXPRESSÃO NACIONAL

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Soledade Summavielle na década de 40 do século XX

  • Crónica de Artur Coimbra

Neste dia 7 de Fevereiro, evocamos a figura da maior poetisa fafense de todos os tempos, Soledade Summavielle, a propósito do seu falecimento, já lá vão 24 anos.

Soledade Summavielle Soares nasceu em Fafe, em 7 de Dezembro de 1907 e faleceu na capital portuguesa, no dia 7 de Fevereiro de 2000. É um nome cimeiro da literatura fafense, com expressão nacional, já que viveu grande parte da sua vida em Lisboa.

Uma existência longa dedicada inteiramente à arte, esta a de Soledade: foi cantora e ceramista, mas seria na poesia que mais se salientaria a sua actividade artística.

A sua faceta de cantora lírica é porventura a menos conhecida, conquanto tenha atingido nela elevada notoriedade. Lembremos que Soledade cantou no Teatro-Cinema de Fafe e em locais de culto da época: no Teatro S. João do Porto, no Casino da Póvoa de Varzim, no Salão Nobre do Orfeão do Porto e no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa. Colaborou em diversos concertos do pianista-compositor Thomaz de Lima, em Serões de Outono na ex-Emissora Nacional, ao lado do pianista Sequeira Costa e em recitais de música portuguesa na Radiodifusão francesa, em Paris.

Atraída ainda pelas artes plásticas, a notável e saudosa artista fafense foi aluna do pintor Marques de Oliveira, tendo-se dedicado particularmente à cerâmica.

Simultaneamente, revelou-se como poetisa, a partir dos anos 60, publicando uma dezena de obras que a singularizam como uma das vozes mais fortes e sentimentais da poesia portuguesa.

Publicou o seu primeiro livro, Sol Nocturno, em 1963. Seguiram-se Tumulto (1966), Âmago (1967), Canto Incerto (1969, Prémio da Academia de Ciências de Lisboa), Búzio (1971), Sagitário (1973), Tempo Inviolado (1977), Movimento de Asas (1984) e Escrínio (1987). Em 1988, reuniu toda a sua obra poética no volume 25 Anos de Poesia. Em 1991, publicou aquela que seria a sua última obra poética vinda a público, com o título Jardim Secreto.

Tem poemas em diversas antologias, designadamente, as colectâneas 800 Anos de Poesia Portuguesa (1973), Poetas de Fafe (1985) e Olhares (1997). Além disso, deixou colaboração dispersa por vários jornais e revistas (entre os quais, diversas publicações da sua terra natal), salientando-se a que prestou ao “Suplemento Literário” do Diário de Notícias, de que foi directora a poetisa e sua amiga Natércia Freire.

Em prosa, publicou as obras para crianças O Pirilampo do Bairro (1972) e Brisa – História de uma Andorinha (1979). Traduziu A Estrela do fundo dos Mares, de Jacques Chabar, A Princesa da Lua, de Patrick Saint Lambert e A Estrela de Carlina, de Dielette.

O Cenáculo Artístico e Literário “Tábua Rasa” distinguiu-a, em 21 de Janeiro de 1971, com um jantar de homenagem a que se associaram figuras altamente representativas das artes e das letras nacionais, como eram os casos de Hernâni Cidade, Natália Correia, Natércia Freire e João Maia, entre outros.

Analisaram e enalteceram a sua poesia figuras maiores da literatura nacional, como Jacinto do Prado Coelho, João Gaspar Simões, Hernâni Cidade, Luís Forjaz Trigueiros, Natércia Freire, António Quadros, João de Araújo Correia, Guedes de Amorim e Amândio César, entre outros.

Soledade Summavielle foi co-fundadora do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, em 1990. Por isso, esta associação cultural lhe prestou várias homenagens após o seu falecimento além de ter instituído há mais de uma década o Prémio de Poesia Soledade Summavielle, em sua memória, que teve já três edições, e que inclui um premio pecuniário e a edição da obra premiada.

Para dar a conhecer a sua vida e obra o Núcleo de Artes e Letras de Fafe editou em Dezembro a obra "Soledade Summavielle - Obra Completa".

A obra inclui uma introdução inicial que sintetiza a vida e obra artística da poetisa, reproduzindo os dez livros de poesia publicados por Soledade Summavielle ao longo da sua vida literária, entre 1963 e 1991, num total de 314 poemas, a que se acrescentam mais 5 poemas publicados em jornais e coletâneas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe. Acrescentam-se nove textos em prosa, que alargam a dimensão do labor literário de Soledade Summavielle, para campos diferentes do exercício da poesia.

São cerca de 500 páginas, em louvor da decana dos poetas fafenses.

Este livro, que cremos representar um notável contributo para o conhecimento, valorização e divulgação da vida e sobretudo da obra de Soledade Summavielle, tem em seu propósito constituir uma homenagem ao nome maior das letras fafenses e do mesmo passo fixar o seu nome luminoso no património imaterial do concelho e do país!

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Soledade Summavielle na década de 30 do século XX

Soledade cantou o Minho e a sua terra natal, Fafe, que nunca esqueceu e a que regressava regularmente, para temporadas na sua casa de família.

Um dos poemas mais emblemáticos da excelsa poetisa fafense tem o título

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BIOGRAFIA

Sou Poetisa. Por força do destino

E porque foi no Minho que nasci.

Gerei-me entre giestas, rosmaninho,

Bebi nas suas fontes, recolhi

Na íris dos meus olhos, o fulgor,

Da paisagem mais verde que já vi.

Este meu jeito de cantar, ficou-me

Dos pássaros cantores que lá ouvi.

 

Povo do meu País: levai meus Poemas.

Apertai-os nas rudes mãos calosas.

Ungi-os do perfume acre da terra,

Mais denso que o das rosas.

 

Lede-os ao sol, aos campos, às colinas.

Decorai-os depois, naturalmente,

E bebei-lhes o amor da vossa sede.

Sofrei também, sofrei fraternalmente,

O travo do amargor das minhas queixas,

Os sonhos que sonhei e não vivi.

Beijai-me neles, que me exaltareis.

Foi para todos vós que os escrevi.

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Poetisa fafense irrenegável, cantou a sua terra, como ninguém, com vários textos e poemas, entre os quais o seguinte:

FAFE

 

Embandeiro em arco as verdes áleas

Da terra onde nasci, para a cantar.

Ternura de pensar-te berço quente,

De embalar.

 

Raiz daquela árvore fragrante

De que um dia flori, de onde me vem

Uma saudade doce e comovida –

Minha Mãe.

 

Sob a polpa macia dos teus dedos

Me ressoam acordes de cetim...

Terra ondulante, um dia serás leve,

Sobre mim.

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 Soledade Summavielle está justamente perenizada na toponímia da sua cidade natal desde 2021.

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Soledade Summavielle em Leça da Palmeira em 1943

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POETA MONÇANENSE JOÃO VERDE FALECEU HÁ 90 ANOS!

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Passam precisamente 90 anos sobre a data de falecimento de João Verde – o poeta monçanense que dedicou muitos dos seus versos à irmanação do Minho e Galiza.

João Verde, pseudónimo de José Rodrigues Vale, poeta maior das letras monçanenses, nasceu a 2 de novembro de 1866, no Largo da Palma, e faleceu a 7 de fevereiro de 1934, na “Casa do Arco”, Rua Conselheiro Adriano Machado, conhecida localmente como Rua Direita.

Exercendo como secretário da Câmara Municipal de Monção, desde 22 de julho de 1891 até à data do seu falecimento, a vida literária de João Verde distribuiu-se pela criação poética em verso e em prosa e pelo jornalismo, publicando textos seus nos jornais “Aurora do Lima”, “A Terra Minhota”, “Alto Minho”, “Monsanense” e “Independente”. Em 1901, funda “O Regional” (1901 – 1918).João Verde estreou-se na poesia com a publicação de “Musa Minhota”, 1887, seguindo-se “N`Aldeia”, 1890. A sua obra mais conhecida, “Ares da Raia”, foi impressa em Vigo e lançada em 1902. A tiragem foi de 700 exemplares, 500 para Portugal e 200 para a Galiza. Por incluir dois poemas em galego, João Verde foi inscrito, mais tarde, na catedrática Santiago de Compostela como o XV poeta galego.

A memória de João Verde está viva na memória de todos os monçanenses através das reedições em poesia e prosa das suas obras, do busto em bronze e mural com o poema “Vendo-os assim tão pertinho”, na Avenida General Humberto Delgado, conhecida como Avenida dos Néris, do nome atribuído à principal sala de espetáculos de Monção, Cine Teatro João Verde, bem como na designação da ponte internacional entre Monção e Salvaterra de Miño: Ponte Internacional João Verde/Amador Saavedra.  Na publicação “João Verde: Vida e Obra”, 1961, Gentil de Valadares referiu-se ao poeta desta forma: “O nome de João Verde – nome que consubstancia o português de lei, o regionalista fervoroso, o poeta d`a Galiza e mail`o Minho, o funcionário por excelência serviçal, o cidadão amigo do semelhante -, brilhará em letras de oiro, com incontestável direito, legitimamente, no pergaminho monçanense. Quanto dariam outras terras por ter o amor de tal filho!”

Fonte: Câmara Municipal de Monção

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São da sua lavra estes versos:

“Vendo-os assim tão pertinho,

A Galiza mail'o o Minho

São como dois namorados

Que o rio traz separados

Quasi desde o nascimento.

Deixalos, pois, namorar

Já que os pais para casar

Lhes não dão consentimento.”

Na outra margem do rio Minho – da vizinha e irmã Galiza – replicou o poeta galego Amador Saavedra que respondeu nos seguintes termos:

 “Se Dios os fixo de cote

Um p’ra outro e teñem dote

Em terras emparexadas,

Pol'a mesma auga regadas

Com ou sem consentimento

D'os pais o tempo a chegar

Em que teñam que pensar

Em facer o casamento.”

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REI D. SEBASTIÃO NASCEU HÁ 470 ANOS – POETA MINHOTO DIOGO BERNARDES ESCREVEU O EPITÁFIO DO TÚMULO DO REI D. SEBASTIÃO QUE SE ENCONTRA NO MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS A MANDO DE FILIPE I – MITO OU REALIDADE?

“Se pudermos dar crédito à fama, este túmulo conserva os restos de Sebastião,

Morto nas plagas africanas

Mas não digas que é falsa a opinião dos que acreditam que ele ainda é vivo,

Porque a glória lhe assegura a imortalidade”

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D. Sebastião nasceu em 1554, há precisamente 467 anos, no dia 20 de Janeiro de 1554. E, quando morreu?

O seu tio, Filipe II de Espanha, chamou a si a organização das exéquias fúnebres que foram grandiosas como convinha e ordenou ao poeta Diogo Bernardes que produzisse o epitáfio que se encontra inscrito no seu túmulo. E, desse modo a seu ver, ficava legitimada perante o povo português a sua pretensão ao trono de Portugal.

“Mas não digas que é falsa a opinião dos que acreditam que ele ainda é vivo” – disse o poeta!

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Fotos: Wikipédia

QUEM FOI O ESCRITOR E POETA DELFIM GUIMARÃES A QUEM PONTE DE LIMA DEVE MUITOS DOS SEUS VERSOS?

O seu nome está ainda ligado à cidade do Porto onde nasceu, a Lisboa onde exerceu a sua atividade profissional e à Amadora onde viveu e concretizou muitas das suas realizações cívicas. Teve limianos como antepassados e algumas das suas descendentes nasceram em Ponte de Lima onde aliás também viveu.

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A Lisboa onde trabalhou e fundou a editora “Guimarães, Libânio e Cª” que viria mais tarde a adoptar a denominação de Guimarães Editores, atualmente pertencente ao grupo Leya. A Ponte de Lima à qual dedicou grande parte dos seus versos e também alguns dos seus romances, para além da sua enorme ligação familiar do qual foi inclusive Administrador do Concelho. E ainda à cidade da Amadora onde viveu e deixou importante obra cívica da qual salientamos a criação da Liga dos Melhoramentos da Amadora, responsável pela instituição da Escola Alexandre Herculano.

O nome de Delfim Guimarães encontra-se consagrado na toponímia de Lisboa, de Ponte de Lima e também da cidade da Amadora onde, aliás, dá o nome ao jardim que constitui a sua sala de visitas e aí tem erigido um busto. Apenas o Porto, cidade onde nasceu, não lhe prestou até ao momento a devida homenagem. A efeméride que este ano se assinala constitui uma excelente oportunidade para conhecer a vida e a obra deste escritor.

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“Delfim Guimarães. O Poeta da Amadora” é o título da melhor biografia até ao momento produzida acerca da vida e obra do poeta e escritor Delfim Guimarães. Da autoria de Lopes Vieira, o livro é uma edição da Câmara Municipal da Amadora, publicado em 1989 e encontra-se actualmente esgotado. A passagem dos 150 anos sobre a data do seu nascimento justificaria seguramente uma segunda edição desta obra.

Neste livro, o autor traça de uma forma admirável o perfil do escritor Delfim Guimarães, acrescentando à sua biografia a sua obra literária e a sua intervenção cívica, não apenas no domínio profissional como ainda como cidadão interventivo na sua época que deixou uma obra cujos frutos continuam a ser colhidos pelas actuais gerações. Referimo-nos principalmente à sua acção política e cívica naquela localidade que viria a ser o actual Concelho da Amadora, nomeadamente através da criação da Liga de Melhoramentos que, entre outras iniciativas, foi responsável pela fundação das Escolas Alexandre Herculano.

Lopes Vieira convida-nos a uma digressão através da obra literária do escritor Delfim Guimarães, apresentando-nos muitos dos seus poemas, grande parte dos quais dedicados ao Ponte de Lima, facto que por si só justificaria o seu reconhecimento como “O Poeta de Ponte de Lima” – se foi na Amadora que ele viveu grande parte da sua vida e pelo seu progresso social se bateu, não restam dúvidas de que foi a Ponte de Lima que dedicou os seus versos!

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Rua Delfim de Brito Guimarães (Lisboa)

Poeta 1872 - 1933

Freguesia(s): Campolide

Início do Arruamento: Rua Basílio Teles

Fim do Arruamento: Rua José Malhoa

Data de Deliberação Camarária: 08/02/1995

Data do Edital: 17/02/1995

Data do Edital do Governo Civil:

Data do Edital do Governo Civil:

Designação(ões) Anterior(es): Troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa.

Historial: “Aos vinte e três dias do mês de Setembro de mil novecentos e noventa e quatro pelas dezasseis horas, numa das salas dos Paços do Concelho, reuniu a Comissão Municipal de Toponímia (...) Seguiu-se a leitura de uma carta da casa do Concelho de Ponte Lima, solicitando que o nome do poeta Delfim Guimarães, seja atribuído a uma rua de Campolide, situada nas imediações da sede da referida Instituição.

A Comissão emitiu parecer favorável, designando para o efeito o troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa que, assim, passará a denominar-se: Rua Delfim De Brito Guimarães/Poeta/1872 – 1933”.

Delfim de Brito Guimarães nasceu no Porto em 4 de Agosto de 1872 e faleceu na Amadora, em 6 de Julho de 1933. De filiação republicana e maçónica, estudioso das Letras Portuguesas, cavaleiro apaixonado pela Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, em querelas com Teófilo Braga ou em franca e admirativa correspondência com D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, conforme transcreveu no seu «Arquivo Literário». A sua paixão romântica pela política (União Republicana), levou-o às polémicas sobre as cores e os símbolos da bandeira nacional. Em 1889, veio para Lisboa e com apenas dezanove anos começou a trabalhar como guarda-livros no Século, onde passou a administrador. Ali permaneceu por dez anos mas foi obrigado

a retirar-se, pois a Administração não via com bons olhos a sua actividade literária. Fundou e consolidou uma importante Casa Editora – a Guimarães Editores, que ainda hoje existe na Rua da Misericórdia. Através desta editora, trouxe ao nosso conhecimento, autores estrangeiros notáveis em cuidadas traduções. Poeta, novelista, crítico, erudito, dramaturgo, investigador literário, Delfim de Brito Guimarães prestou valiosos serviços às letras portuguesas. Iniciou a sua carreira de escritor em 1893 com Alma Dorida, um livro de poemas escritos em prosa, dedicado à sua mãe. Nesse mesmo ano escreveu também Lisboa Negra, versos que dedicou à Capital, revelando a sua difícil adaptação a esta cidade. Confidências, um novo livro de poemas, é publicado em 1894 e, no ano seguinte, sai um livro de «orações», em verso, intitulado Evangelho. Em 1902, escreve uma comédia denominada Juramento Sagrado e neste mesmo ano, escreve um poema inspirado em ambientes medievais e de cariz romântico, chamado A Virgem do Castelo. No ano em que abre a Livraria, em 1903, publicou Outonais, obra em poesia dedicada ao amor e, em 1916, durante a Grande Guerra, por publicou uma colectânea de poemas de diversas métricas e estilos, intitulada A Alma Portuguesa. Deixou um património editorial inestimável, quer pelo fundo editorial acumulado, quer pelos serviços que prestou à cultura portuguesa.

Fonte: http://www.cm-lisboa.pt/

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A imagem mostra os descendentes do escritor Delfim Guimarães por ocasião da atribuição do seu nome a uma artéria de Lisboa.

Delfim Guimarães nasceu em Santo Ildefonso, no Porto e viveu grande parte da sua vida na Amadora, nos arredores de Lisboa, onde teve grande intervenção cívica e política. Porém, as suas raízes familiares encontram-se em Ponte de Lima, terra em relação à qual consagrou muitos dos seus poemas.

Em Lisboa fundou em 1899 a editora “Guimarães, Libânio e Cª”, actualmente conhecida como Guimarães Editores.

Na Amadora onde viveu e veio a falecer, em 6 de Julho de 1933, foi o grande impulsionador da Liga dos Melhoramentos da Amadora e das escolas Alexandre Herculano. Esta cidade consagrou-lhe um jardim em pleno centro, atribuindo-lhe o seu nome e aí descerrando o busto cuja imagem junto se reproduz. Autêntica sala de visitas da Amadora onde se realizam os principais eventos culturais, o Parque Delfim Guimarães foi inaugurado em 1937 pelo então Presidente da República, General Óscar Carmona.

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Delfim de Brito Monteiro Guimarães (Porto, 4 de Agosto de 1872 - Amadora, 6 de Julho de 1933) foi um poeta, ensaísta, bibliófilo e tradutor português.

Trabalhou na área comercial onde desempenhou funções de contabilista e de administrador de diversas empresas, mas ficou conhecido pela sua produção literária, nomeadamente poesia, ensaio, conto, teatro e história, tendo sido fundador da editora «Guimarães, Libânio e C.ª» em 1899, atualmente conhecida como Guimarães Editores.

Tem colaboração em publicações periódicas, como é o caso das revistas Branco e Negro (1896-1898), Ave Azul (1899-1900), A Sátira (1911), Atlântida (1915-1920) e na Revista de turismo iniciada em 1916.

Foi iniciado na Maçonaria na Loja O Futuro, em Lisboa, com o nome simbólico de Bakunine.

A 17 de maio de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Fonte: Wikipédia

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Exemplar com dedicatória oferecido ao jornalista Rocha Martins, aqui tratado por “ilustre camarada”, em 5 de Abril de 1921.

“Á Memória de Herculano” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1910, por ocasião da “celebração do centenário do nascimento do egrégio historiador português” ocorrida em 28 de março daquele ano, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.

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Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.

O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido a Henrique Marques, na dedicatória tratado como “bom amigo e camarada”.

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“Asas de Portugal” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1922, por ocasião da primeira travessia aérea do Atlântico Sul levada a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no contexto das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil.

O poema foi escrito na Amadora, terra com grandes tradições aeronáuticas, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.

Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.

O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido à Redação do jornal Diário de Notícias.

O Parque Delfim Guimarães situa-se no centro da Amadora, na zona mais antiga da cidade, entre a Avenida Elias Garcia e a linha de caminho de ferro que, desde finais do século XIX, contribuiu decisivamente para a expansão do primitivo aglomerado urbano designado como Porcalhota.

Correspondendo ao mais antigo e emblemático espaço verde do concelho, construído na década de 30 do século XX, por iniciativa da então estrutura municipal sediada em Oeiras foi primeiro apelidado de Jardim-Parque da Amadora, ocupando os terrenos agrícolas situados nas imediações do bairro Santos Mattos, primeiro conjunto habitacional da cidade.

O espaço integrado no Parque organiza-se a partir de uma pérgola central, dotada de fonte e bancos em redor. A partir deste espaço definem-se caminhos sinuosos, pontuados por canteiros de roseiras e herbáceas. O jardim possui, igualmente, alguns elementos importantes para a história local como o busto do poeta Delfim Guimarães que deu o nome ao espaço e que se encontra implantado numa rotunda intermédia assim como algumas lápides comemorativas de efemérides locais.

Inicialmente o parque integrou um tradicional espaço com areia balouços e escorregas, conjunto que, depois de ter sido reformulado, se transformou num moderno parque infantil obedecendo às novas normas de segurança. Igualmente numa intervenção mais recente foi criada uma "zona de estadia formal", dotada de bancos e cadeiras.

História

O Parque Delfim Guimarães deve o seu nome ao poeta que viveu e faleceu na cidade (1872-1933) tendo contribuído para esta iniciativa o tenente Cândido Pinheiro, vereador da Câmara de Oeiras, residente na então freguesia da Amadora. O conjunto ajardinado foi inaugurado a 27 de Junho de 1937, na presença do Presidente da República, General Óscar Carmona, escassos dias depois de a Amadora ter sido elevada à categoria de vila. Em 1997 o jardim foi sujeito a obras de reconversão a cargo da Arquiteta Paisagista Patrícia França, tendo estas sido parcialmente concluídas em 2002. Em 2015 o espaço foi novamente objeto de uma intervenção, apostando-se desta vez numa poda algo radical das árvores existentes, intervenção esta com impactos negativos no valor paisagístico do conjunto, tendo sido reduzidas as áreas de sombra e a bela mancha verde que caraterizava o local. De notar que este é um dos poucos espaços verdes existentes na zona central da cidade tão intensamente urbanizada, algo que hoje se sabe ser indispensável para a melhoria da qualidade de vida da população.

Paulo Fernandes/IPPAR/2007. Atualizada por Maria Ramalho/DGPC/2015.

Fonte: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/

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Placa toponímica no Parque Delfim Guimarães, na Amadora, exibindo a heráldica do concelho de Oeiras em relação à qual a Amadora pertencia à época.

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Escultura no Parque Delfim Guimarães, na cidade da Amadora

PONTE DO LIMA

 

Ponte do Lima, berço de meu Pae,

Jardim encantador do nosso Minho,

É para ti que grande parte vae

Do meu carinho…

 

Tam engraçada, tam risonha e clara,

Toda em vinhedos, milharaes, pomares,

- Labruja, Freixo, Rebordões, Seara –

Que belos ares!

 

Tuas montanhas, rudes serranias,

Não teem inveja, á serra do Marão;

Tuas ermidas e alvas casarias

Lindas que são!

 

Fazes lembrar-me ás vezes, deslumbrante,

A nobre Coimbra – em ponto pequenino…

Beija-te os pés o Lima sussurrante

E cristalino…

 

És a mais bela, a mais fagueira estância

De quantas formam o diadema astral

D’esta pátria gentil, toda fragância,

Que é Portugal…

 

O teu viçoso campo-santo encerra

Cinzas queridas de parentes meus…

Bem hajas sempre, carinhosa terra,

Benza-te Deus!

 

Ali repousa meu avô paterno,

E à sua beira, em níveo caixãozinho,

Dormindo um sono sossegado, eterno,

Tenho um anjinho…

 

Assim, velando o sono da inocente

Filhinha que perdi de tenra idade,

Vejo, sorrindo, o bravo combatente

Da Liberdade.

 

Ai! Não te esqueço, terra sonhadora,

De frescas sombras, de saudável clima;

Castelã senhoril, dominadora,

Do rio Lima!

 

Se não é como filho que te quero,

Porque ao Porto consagro eu esse afecto,

A ti voto eu também culto sincero,

Amor de neto…

 

Amor de neto? Não; maior ainda!…

Dei-te uma filha à terra, ao chão de abrolhos,

E outra ahi me nasceu, graciosa e linda,

Luz dos meus olhos!

 

Se a minha filha, com amor filial,

Recorda a terra amada em que nasceu,

Com que feição ardente e paternal

Te quero eu!…

 

Ponte do Lima, berço de meu Pae,

Jardim encantador do nosso Minho,

É para ti que grande parte vae

Do meu carinho…

LUÍS VAZ DE CAMÕES NASCEU HÁ 500 ANOS – O POETA DA GRANDIOSA GESTA PORTUGUESA TINHA RAÍZES GALEGAS!

Portugal assinala no próximo ano 500 anos sobre a data de nascimento do seu maior poeta – Luís Vaz de Camões – que representa também um elo de ligação à nação irmã da Galiza.

Luís Vaz de Camões, o poeta que Portugal celebra no próximo ano 500 anos sobre a sua data de nascimento, tinha raízes familiares galegas. Os seus ancestrais eram oriundos da Galiza, próximo do Cabo Finisterra.

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O autor de “Os Lusíadas” descendia, pela via paterna, de Vasco Pires de Camões, trovador galego que se transferiu para Portugal em 1370. Entre os seus antepassados conta-se Antão Vaz de Camões, filho do trovador Vasco Pires de Camões, o qual veio a casar com D. Guiomar da Gama, fidalga aparentada do grande navegador Vasco da Gama. Deles descendem Simão Vaz de Camões que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia e Bento Vaz de Camões que ingressou no Mosteiro de Santa Cruz dos Agostinhos.

Simão Vaz de Camões casou com D. Ana Sá de Macedo de cuja ligação nasceu Luís Vaz de Camões. Desconhece-se em rigor a data e o local do seu nascimento, presumindo-se que tenha sido em Lisboa, em 1524. As suas ligações à região de Santarém provêm do lado materno.

VIANA DO CASTELO: SANTA MARTA SAIAS NEGRAS / TEM VIDRILHOS DE LUAR – FOTO DE SÉRGIO MOREIRA & SÍLVIA MOREIRA

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A minha terra é Viana

Sou do monte e sou do mar

Só dou o nome de terra

Onde o da minha chegar.

 

Ó minha terra vestida

De cor de folha de rosa

Ó brancos saios de Perre

Vermelhinhos de Areosa

 

Virei costas à Galiza

Voltei-me antes para o mar

Santa Marta saias negras

Tem vidrilhos de luar.

 

Dancei a gota em Carreço

O Verde Gaio em Afife

Dancei-o devagarinho

Como a lei manda bailar

Como a lei manda bailar

 

Dancei em fila a Tirana

E dancei em todo o Minho

E quem diz Minho diz Viana.

 

Virei costas à Galiza

Voltei-me então para o Sul

Santa Marta saias verdes

Deram-lhe o nome de azul.

 

A minha terra é Viana

São estas ruas estreitas

São os navios que partem

E são as pedras que ficam.

È este sol que me abrasa

Este amor que não engana

Estas sombras que me assustam

A minha terra é Viana.

 

Virei costas à Galiza

Pus-me a remar contra o vento

Santa Marta saias rubras

Da cor do meu pensamento.

 

Poema de Pedro Homem de Mello

NÚCLEO DE ARTES DE FAFE APRESENTA OBRA COMPLETA DE SOLEDADE SUMMAVIELLE

Obra completa de Soledade Summavielle apresentada em 7 de Dezembro na Biblioteca Municipal

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe promove a apresentação do livro "Soledade Summavielle - Obra completa (poesia e prosa)", edição do NALF, com recolha, introdução e notas de Artur Ferreira Coimbra, na próxima quinta-feira, dia 7 de Dezembro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Fafe.

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A anteceder, regista-se a abertura da exposição "Fios de Poesia", sobre Soledade e um momento musical a cargo da Academia de Música José Atalaya.

A apresentação da obra completa de Soledade, um projecto acalentado pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe há alguns anos, surge a propósito da data do nascimento da poetisa maior do universo fafense. Soledade Summavielle nasceu em 7 de Dezembro de 1907, há 116 anos e faleceu em 7 de Fevereiro de 2000, aos 92 anos.

Data redonda é também a evocação dos 60 anos sobre a publicação do seu primeiro livro de poesia, "Sol Nocturno", em 1963.

A longa existência de Soledade foi dedicada inteiramente à arte: foi cantora lírica, tendo actuado em grandes palcos nacionais, e também ceramista, mas seria na poesia que mais se salientaria a sua actividade artística.

É dos poetas fafenses a única que atingiu verdadeira expressão nacional, em resultado da qualidade da sua obra poética que se dispersa por cerca de três décadas e uma dezena de obras publicadas que a singularizam como uma das vozes mais fortes, únicas, autênticas e emotivas da poesia portuguesa.

Analisaram e enalteceram a sua poesia figuras cimeiras da literatura nacional, como Jacinto do Prado Coelho, João Gaspar Simões, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natércia Freire, Ferreira de Castro, António Gedeão, Ana Hatherly, Lauro António, Urbano Tavares Rodrigues ou João de Araújo Correia, entre muitas outras.

A obra agora publicada inclui uma introdução inicial que sintetiza a vida e obra artística de Soledade, reproduzindo os dez livros de poesia publicados por Soledade Summavielle ao longo da sua vida literária, entre 1963 e 1991, num total de 314 poemas, a que se acrescentam mais 5 poemas publicados em jornais e coletâneas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe.

Acrescentam-se nove textos em prosa, que alargam a dimensão do labor literário de Soledade Summavielle, para campos diferentes do exercício da poesia.

São cerca de 500 páginas, em louvor da decana dos poetas fafenses.

Este livro, que cremos representar um notável contributo para o conhecimento, valorização e divulgação da vida e sobretudo da obra de Soledade Summavielle, tem em seu propósito constituir uma homenagem ao nome maior das letras fafenses e do mesmo passo fixar o seu nome luminoso no património imaterial do concelho e do país!

Além da apresentação da obra que sintetiza toda a vida literária da poetisa, serão lidos poemas de Soledade Summavielle!!!

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POETA LIMIANO AMÂNDIO SOUSA DANTAS NASCEU HÁ 79 ANOS

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  • Crónica de José Sousa Vieira

[Neste dia (1 de dezembro) há 79 anos nasceu, na vila de Ponte de Lima, Amândio Sousa Dantas]

Andada a Amândio Sousa Dantas

Nasceu, e cresceu,

encantado pelo rio

nele fez o seu caminho

nem torneiras, nem barragens…

água, talvez genuína,

revolta, paisagem,

uma simples pedra

a ornar a passagem.

José Sousa Vieira (Dissipações)

AMÂNDIO SOUSA DANTAS (1944-2022)

Nasceu na rua Vasco da Gama (Arrabalde), na vila de Ponte de Lima, a 1 de Dezembro de 1944. De seu nome completo, Amândio de Sousa Pereira Dantas começou a publicar poesia nas páginas do semanário Cardeal Saraiva, de Ponte de Lima, como a. dantas, em 1971 (também nesse ano, e no mesmo jornal, surge poesia satírica, assinada por ERA DANTES que, em rigor, desconhecemos se é da sua autoria). Em 1972 divulga ainda como a. dantas e Sousa Dantas que mantém até o ano seguinte aquando na sua emigração para a Alemanha. Então, de lá, e sempre para o mesmo periódico, do que conhecemos, envia poemas subscritos por Amândio Sousa Dantas, estabilizando assim a sua assinatura poética.

No ano do seu regresso definitivo (em fins de 1984) a prosa (publicista, cronista, crítico literário) aparece na sua produção divulgada em Portugal. No Cardeal Saraiva, n.º 3081, de 14 de Setembro de 1984, é incluído o texto “Teatro Diogo Bernardes: Hoje é Armazém em Ponte de Lima!”, como A. Dantas (talvez o primeiro de muitos que foi escrevendo durante cerca de 38 anos).

Entretanto, no ano anterior (1983), ainda a viver e a trabalhar na Alemanha, é editado o seu primeiro livro de poemas: Sentimento da Ausência, com o patrocínio do departamento Cultural da cidade de Osnabrück. Bilingue, a tradução para alemão é da responsabilidade de Margit Scharfe Poças. É o início de um importante número de títulos, o último dos quais O Silêncio das Nuvens, de 2019, e todos listados abaixo.

Essa sua inicial obra mereceu significativo interesse no seu país de acolhimento, sendo o primeiro estrangeiro a participar em “Literatura pelo Telefone”, iniciativa cultural da cidade de Osnabrück. Também o canal televisivo ZDF, no programa “Vizinhos da Europa”, emitiu um espaço de 10 minutos dedicado à obra do poeta.

Em Portugal o despertar para a importância deste autor foi crescendo em função das edições e activando a atenção, entre outros, de Daniel Lacerda, Pedro Alvim, Luís Fagundes Duarte, Luciano Caetano Rosa, Paulo Brito e Abreu, Fernando Morais, José Cândido Oliveira Martins, Porfírio Pereira da Silva, Fernando Melim, Cláudio Lima, seu irmão Luís Dantas.

Em resumo, Daniel Lacerda (Latitudes, n.º 7, Dez/1999 – Jan. 2000) escreveu que “Amândio Sousa Dantas afirma-se hoje como uma voz poética original e de autêntico temperamento”, e J. Cândido Martins (O Anunciador das Feiras Novas, 2002), ”a poesia de Amândio Dantas evoca-nos uma longa tradição, sobre a forma de canto órfico, grito de denúncia, verbo incontido, indomado, incómodo, expressão primitiva e hodierna dos mais fundos anseios do ser humano…”

- Livros de poesia de autoria de Amândio Sousa Dantas

ano Título Prefácio

1983 SENTIMENTO DA AUSÊNCIA Margret Poggemeier

1985 POEMAS DA IMIGRAÇÃO -

1987 NA CIDADE ESTRANGEIRA -

1991 EMIGRAR NA PRIMAVERA -

1994 PERFEITO CHÃO DE VOAR José Sousa Vieira

1997 SOMBRAS E RAMOS SOBRE O PEITO -

1998 INFINITA É TODA A NASCENTE -

2000 HÁ UMA ETERNA LIBERDADE Paulo Brito e Abreu

2001 O INSTANTE É A TUA FACE NO POEMA Daniel Lacerda

2003 POUSADO NO SILÊNCIO -

2006 NO OMBRO O ORVALHO -

2010 POEMAS DA EMIGRAÇÃO Daniel Lacerda

2010 ALTO AMOR EM ALTO RIO -

2011 POEMA SEM FIM Amândio Sousa Dantas

2012 SENTIMENTO DO POEMA -

2019 O SILÊNCIO DAS NUVENS Fernando Pereira (Director Jornal Alto Minho)

- Participa, pelo menos, nas seguintes Obras Colectivas:

1985 - A Emigração na Literatura Portuguesa: uma colectânea de Textos - A. M. Pires Cabral

1989 – A Diáspora em Letra Viva: 100 artistas lavram a punho a marcha das suas criações

- Participa em numerosas obras tituladas por outros autores.

- Escreve Prefácio para:

2003 – Viagem Oculto, Meireles, Fátima

- Colabora:

nas Revistas:

Peregrinação - Revista das Artes e Letras de expressão emigrante

Anschlage: Kunst und Kultur

Latitudes – Cahiers Lusophones

Limiana - Revista de Informação, Cultura e Turismo

O Anunciador das Feiras Novas

Entre outros, nos Jornais (poesia e prosa):

Cardeal Saraiva

Aurora do Lima

Foz do Lima

Alto Minho

- A sua criação poética é utilizada em trabalhos académicos, como:

2016, Maria Leonor Nunes Raposo do Cabo Pita (Mestrado em Estudos de Língua Portuguesa): Literatura e emigração: olhares cruzados (Nita Clímaco, Assis Esperança, Olga Gonçalves e Amândio Sousa Dantas) – Estudo comparatista para utilização desta temática no Ensino Secundário.

Vida profissional (em Ponte de Lima e Alemanha):

Profissionalmente, antes do sua vida militar (esteve na guerra, na Guiné, de 1966 a 1968), trabalhou em alfaiataria; depois e antes de emigrar, nos serviços florestais; na Alemanha, entre outras ocupações, foi operário fabril; regressado a Portugal, em diversas actividades, entre elas alfaiataria.

Na sua actividade social e política recordamos:

- Em 1972 participou na comissão que Bernardo Vilas Boas criou para organizar a vinda, ao Teatro Diogo Bernardes a 8 de Dezembro, do Grupo de Teatro do Atlético Clube de Campolide, com a peça A Vida do grande D. Quixote de La Mancha e do gordo Sancho Pança.

- Em 1973, em Junho, convidado por Carlos Novo (um dos fundadores do Partido criado na Alemanha em 19 de Abril desse ano), adere ao Partido Socialista.

- Em 1976, terá sido um dos fundadores dos Trabalhadores Portugueses da Cidade de Osnabruck, cuja finalidade era a divulgação e a defesa da Língua Portuguesa (não temos dados documentais).

- Durante o biénio de 1979/80 foi dirigente associativo do Centro Português de Osnabrück.

- Em 1985, é eleito nas eleições para as autarquias locais desse ano (15 de Dezembro) e representa a APU (Aliança Povo Unido- coligação do Partido Comunista Português, MDP/CDE e PEV - Partido Ecologista os Verdes) na Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima (mandato 1985-1989).

- Em 1986, é um dos pioneiros da Rádio local em Ponte de Lima.

- Em 1993, é um dos principais contestatários à prevista localização de Matadouro Regional do Alto-Minho, em Padreiro, Arcos de Valdevez, muito perto das margens do rio Lima.

- Em 1994, é o principal impulsionador e um dos fundadores, em Ponte do Lima, da MOLIMA (Movimento para a Defesa do Rio Lima). Nesta associação vem a desempenhar vários cargos dirigentes, sendo presidente da direcção muitos anos.

Deixou-nos a 22 de Dezembro de 2022. Respeitando a sua vontade, a sua sobrinha Ana Catarina doou a sua biblioteca particular (3194 monografias, 184 periódicos e 222 outros) à Biblioteca Municipal de Ponte de Lima.¨

ARCOS DE VALDEVEZ APRESENTA POESIA DE ADRIANA FIGUEIREDO

Livro de poesia “Paleta de Sonhos” de Adriana Figueiredo, apresentado na Biblioteca Municipal

Decorreu, no passado dia 11 de novembro na Biblioteca Municipal Tomaz de Figueiredo, a sessão de apresentação do primeiro livro da autora Adriana Figueiredo “Paleta de Sonhos”.

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O livro, constitui uma seleção de poemas que a autora tem escrito ao longo dos anos, e com especial incidência nos anos da pandemia. 

Na sessão estiveram presentes em representação da autarquia, Nuno Soares, Chefe de Divisão de Desenvolvimento Sociocultural e três amigos de longa data da autora, os docentes Gabriela Menezes, Lúcia Ribeiro e Renato Ferreira. A este último coube a responsabilidade de apresentar a autora e o livro, escrutinando nos poemas contidos no livro as mensagens profundas que perduram para lá de uma primeira leitura: “a mensagem que está em cada poema vai além do que à primeira vista nos é apresentado, pela sua extrema sensibilidade e ternura”.

A autora consegue prender o leitor através das viagens que pinta com tonalidades diversas que fazem deste, um livro perfeito para conhecer o seu mundo interior.

Adriana Figueiredo é natural de Peso da Régua, cresceu na cidade da Maia onde viveu até iniciar o percurso profissional. Tendo como Formação o Curso de Pintura pela Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis do Porto, e frequência de Mestrado em Educação Artística da Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, dedicou a vida ao ensino sendo Professora de Educação Visual em várias Escolas.

No entanto sempre teve como duas grandes paixões a pintura e a escrita em forma de poesia. Embora o seu percurso profissional fosse dedicado ao ensino, que abraçou com entusiasmo, sempre usou a escrita como forma de refúgio para guardar todas as emoções (e batalhas) que a vida se lhe foi deparando.

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SOCIEDADE HISTÓRICA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL HOMENAGEOU O POETA ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA

Teve ontem lugar em Lisboa, no Palácio dos Condes de Almada, vulgo Palácio da Independência, uma homenagem ao poeta vianense António Manuel Couto Viana, a assinalar o centenário do seu nascimento.

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A sessão foi aberta pelo Presidente da Instituição, Dr. José Ribeiro e Castro, e teve como oradores António Leite da Costa, Artur Anselmo, Isabel Ponce de Leão, Jorge Rangel, José Carlos Seabra Pereira, José Valle de Figueiredo, Manuel Bernardo e Renato Epifânio, tendo a moderação estado a cargo de Victor Machado Borges.

Na mesa da sessão, vemos da esquerda para a direita: Dr. António Leite da Costa, Coronel Comando A. Manuel Bernardo, Dr. Victor Borges, Dr. Juan Soutullo (filho do homenageado) e Doutro rernato Epifânio.

O evento contou com atuação musical de José Campos e Sousa e Manuel Sobral Torres.

Na sala anexa ao salão nobre teve lugar uma mostra bibliográfica do homenageado, justamente considerado um dos maiores poetas portugueses do século XX.

Fotos: SHIP

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PONTE DE LIMA JAMAIS PERDE O SEU ENCANTO… MESMO EM DIA DE CHEIAS! – FOTOS DE CARLOS VIEIRA

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Nasci à beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo cristal;

Daí a angústia que me vitima,

Daí deriva todo o meu mal.

 

É que nas terras que tenho visto,

Por toda a parte por onde andei,

Nunca achei nada mais imprevisto,

Terra mais linda nunca encontrei.

 

São águas claras sempre cantando,

Verdes colinas, alvor de areia,

Brancas ermidas, fontes chorando

Na tremulina da lua cheia…

 

É funda a mágoa que me exaspera,

Negra a saudade que me devora…

Anos inteiros sem primavera,

Manhãs escuras sem luz de aurora!

António Feijó ( 1859 - 1917 )

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BARCELOS PROMOVE 2º ENCONTRO “POETA À SOLTA”

“Poeta à Solta” durante dois dias – sexta e sábado (20 e 21) – é o Encontro que vai marcar a programação cultural promovida pelo Município do de Barcelos no próximo fim de semana.

Trata-se da 2.ª edição desta iniciativa, no decorrer da qual vão ser evocadas as memórias de dois poetas minhotos: Eduardo Lourenço (1923-2020 - no âmbito da celebração do centenário do seu nascimento); e Rui Nunes será homenageado, num encontro que contará com a presença de outros cinco poetas.

Encontro traz a Barcelos cinco poetas contemporâneos

Esta 2.ª edição do Encontro “POETA À SOLTA” tem como convidados cinco poetas contemporâneos: Joaquim Félix de Carvalho, investigador e docente na Universidade Católica Portuguesa, e que pertence ao clero da Arquidiocese de Braga; Jorge Melícias, poeta; Nieves Neira Roca, jornalista e poeta galega; Raquel Patriarca, mediadora de leitura para o público mais jovem e professora de alunos pós-reformados; e Ruy Ventura, escritor.

Este encontro, promovido pela Câmara Municipal de Barcelos em parceria com o projeto editoria Officium Lectionis, com coordenação científica da Cátedra de Sophia (da Universidade Católica do Porto), vai decorrer no Theatro Gil Vicente, na próxima sexta feira, das 17h00 às 20h00, e no sábado, das 15h00 às 20h00.

Programa – Encontros de Poesia

A programação do 2.º Encontro "Poeta à Solta" decorre na sala de espetáculos do Theatro Gil Vicente, sexta-feira ao final da tarde e sábado ao longo do dia.

20 out. | sexta-feira

17h00| abertura

17h15| Tempo e Poesia [Eduardo Lourenço]

17h45| conversa com Joaquim Félix de Carvalho, Jorge Melícias e Ruy Ventura

19h15| leituras de poesia

21 out. | sábado

15h00 | conversa com Nieves Neira Roca e Raquel Patriarca

16h30| intervalo

17h00| Escrevo à sombra do som da morte: monólogo sobre Rui Nunes [José Rui Teixeira]

17h30| Grito [curta-metragem de Luís Costa]

18h00| conversa Rui Nunes e Luís Costa

19h00| leitura de poesia

19h15| encerramento.

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PAREDES DE COURA INAUGURA EXPOSIÇÃO EVOCATIVA DE MÁRIO MONTENEGRO

“O Coração das Coisas. Mário Montenegro, um Poeta em Paredes de Coura” é o título da Exposição bio-bibliográfica que será inaugurada no dia 5 de agosto, sábado, às 16h30, no Centro Mário Cláudio, em Venade, Paredes de Coura.

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Esta Exposição tem por objetivo evocar e homenagear a vida e a obra de Mário Montenegro (1948 – 2004). Para isso, reúne um variado conjunto documental, exposto em diversas secções temáticas, de modo a recriar o percurso de vida de um homem político e intelectual, com obra literária publicada (poesia, narrativa, crónica e colaboração jornalística), no âmbito da sua intervenção política, cívica e cultural.

A sessão de abertura da Exposição no dia 5 de agosto, 16h30, contará com algumas intervenções breves, desde logo do Presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira; do Diretor do Centro Mário Cláudio, Cândido Oliveira Martins; e da filha do autor homenageado, Tânia Montenegro, em representação da família. De seguida, haverá uma visita guiada à Exposição, que também integra trabalhos de pintura de Eliz Barbosa sobre poemas de Mário Montenegro.

Esta sessão de Abertura é também enriquecida por um momento musical, com voz de Carlos Tavares (ex-ministro da Economia; ex-presidente da CMVM e do Banco Montepio) e guitarra de João Santos; e ainda pela leitura de poesia (por Marlene Castro). Na ocasião será ainda servido um Verde de Honra.

Este evento cultural sobre a vida e obra de Mário Montenegro, iniciado com esta Exposição, contará ainda com outras iniciativas posteriores, a serem comunicadas oportunamente.