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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MUTES FAZ CAPA DO LIVRO DE POESIA DE CARINA FLOR ARAÚJO

Carina Flor Pereira Fontes Araújo, nasceu a 20 de agosto de 1980. Nasceu na Póvoa de Varzim, mas residiu sempre no concelho de Vizela. A poesia faz parte da sua vida desde tenra idade. Desde muito cedo, para compensar o seu perfil introvertido e reservado, Carina Flor tem vindo a expressar o seu EU através da escrita, nomeadamente através da poesia, por ser o “idioma do seu pensamento”.

Mutes e Carina conheceram-se durante o ano de 2012, numa exposição de pintura com poesia, na fundação Jorge Antunes em Vizela. O gosto pela poesia e pintura sempre esteve presente em cada um deles, e desta amizade e admiração pelo trabalho de parte a parte, surgiu o convite para a realização da capa deste livro de poesia.MEDULA, o mais recente livro de poesia, uma edição bilingue - português/inglês  editado pela Artelogy.

Este é um livro que integra poemas escritos ao longo de anos de introspeção, que convidam o leitor em embarcar numa viagem para dentro, em direção àquilo que há de mais primitivo em nós.

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VIANA DO CASTELO: ALICE NETO DE SOUSA APRESENTA “INQUIETAÇÕES POÉTICAS” A 2 DE DEZEMBRO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL

A 2 de dezembro, às 21h30, a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo acolhe a sessão de poesia “Inquietações poéticas”, por Alice Neto de Sousa. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal, em parceria com a Associação de Sociólogos do Alto Minho, apresenta a poeta portuguesa com raízes em Angola nascida em 1993.

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Alice Neto de Sousa ganhou notoriedade no início do ano de 2022, após a declamação do poema autoral “Poeta” emitido no programa “Bem-Vindos”, na RTP África, ter conquistado as redes sociais e voado pelo mundo. Foi ainda poeta convidada para a abertura solene das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de abril, onde apresentou o poema “Março”, escrito a propósito da ocasião.

Atualmente, para além de ser presença assídua no programa “Bem-Vindos”, faz parte da bolsa de poetas e dizedores da associação cultural “A Palavra”, escreve poemas do quotidiano para o jornal digital “Mensagem de Lisboa” e dedica o seu tempo nos palcos a aprimorar a palavra e poesia para ser dita, procurando “afiar a língua” para temas sociais emergentes.

Inquieta por natureza nas palavras e nas escolhas, gosta de liberdade de pensar e de sentir.

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1º ENCONTRO “POESIA À SOLTA” EM BARCELOS

“A poesia diz respeito a toda a gente”

“Quem vence esse primeiro medo, essa timidez, em relação à força da poesia, acaba por descobrir que a poesia diz respeito a toda a gente.” Esta foi uma das mensagens que Valter Hugo-Mãe deixou no rescaldo do primeiro encontro “Poeta à Solta”, que decorreu na cidade de Barcelos no passado fim de semana. Hugo-Mãe falava após a inauguração da exposição antológica de pintura, desenho e colagem "O que é uma casa senão um parente extraordinário", que mostra trabalhos do artista, e que está patente na Galeria Municipal de Arte, até ao dia 11 de dezembro.

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Antes, na abertura do evento, a vereadora do pelouro da Cultura mostrou-se muito feliz pela realização deste projeto, salientando que se trata de uma “semente, o primeiro verso de muitos mais que queremos escrever pelos anos vindouros, para que daqui a algum tempo possamos dizer que ponto a ponto, palavra a palavra, verso a verso, em plena liberdade fomos construindo o nosso poema.”

Evento contou com Valter Hugo Mãe, Chus Pato, João Vasco Rodrigues, Jaime Rocha, Miriam Reyes

Promovido pelo Município de Barcelos, o evento resultou de uma parceria com o projeto editorial Officium Lectionis, com coordenação científica da Cátedra de Sophia (da Universidade Católica do Porto): a iniciativa, que decorreu sexta e sábado, evocou a memória de dois poetas minhotos: Guilherme de Faria (Guimarães, 1907- 1929), que viveu apenas 21 anos, mas deixou uma obra poética referencial do neorromantismo lusitanista; e António Pedro (1909-1966), um dos mais admiráveis criadores da história da cultura portuguesa, que se destacou na poesia, na pintura, no teatro e em tantas outras expressões estéticas, sempre com um inconformado sentido de busca.

Nesta 1ª edição do Encontro “Poeta à Solta”, participaram cinco poetas contemporâneos: Chus Pato; João Vasco Rodrigues; Jaime Rocha; Miriam Reyes; e Valter Hugo Mãe, este último que recentemente mudou a sua residência para a freguesia de Faria, Barcelos.

Chus Pato, uma das vozes mais importantes da poesia galega do nosso tempo, que vive perto da fraga de Catasós, onde silenciosamente crescem os mais antigos castanheiros da Europa; João Vasco Rodrigues, que publicou agora o seu primeiro livro de poesia, no qual pressentimos bem mais do que um rumor de promessa; Jaime Rocha, cuja obra poética se entretece nos últimos cinquenta anos, num dos mais fascinantes universos da poesia portuguesa contemporânea; Miriam Reyes, poeta que tem explorado a escrita audiovisual e o recital multimédia, e que acaba de reunir num volume os seis livros que publicou nos últimos vinte anos; e Valter Hugo Mãe, cuja reconhecida obra no âmbito da ficção presentifica a condição de poeta que aqui celebramos de dois modos: com a sua poesia e com a sua impressiva deriva pelas artes plásticas.

Do programa, constou também a exibição da curta-metragem “O nosso reino”, do realizador Luís Costa, inspirada na obra homónima de Valter Hugo Mãe.

O testemunho de Valter Hugo Mãe

“Eu não poderia deixar de aceitar o convite e de estar presente neste evento, e de felicitar a organização porque considero isto, de facto, um levantamento de uma prática democrática e humanista.

Acredito muito em fóruns de discussão e debate de ideias, acredito muito que a cidadania se constrói e se fortalece a partir do encontro de expressão livre, e quando propomos às pessoas que venham discutir poesia não significa que estejamos a propor às pessoas que saiam da realidade e discutam alguma coisa que não nos sirva ou que não nos seja útil para os dias, muito pelo contrário, estamos a propor às pessoas que se reúnam numa espécie de força coletiva para encontrarmos soluções comuns, e portanto, eu acho que as autarquias que têm a coragem de sugerir às pessoas que se juntem para conversar são autarquias profundamente democráticas, são autarquias que constroem futuro.

A poesia é considerada o parente pobre da literatura e das livrarias, e isso acontece porque as pessoas são levadas por conceitos e preconceitos, e por isso tendem a achar que a poesia é um universo de dificuldade, que não lhes diz respeito por essa opacidade, mas a poesia está em toda a parte e tudo contém algo poético. E depois é uma codificação que pode ir sendo quebrada para aumentar a nossa capacidade de pensamento e imaginação. Por isso é que a poesia está ao serviço e à disposição de toda a gente. Quem vence esse primeiro medo, essa timidez, em relação à força da poesia, acaba por descobrir que a poesia diz respeito a toda a gente.”

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BARCELOS PROMOVE 1º ENCONTRO “POETA À SOLTA”

Valter Hugo Mãe, Chus Pato, João Vasco Rodrigues, Jaime Rocha, Miriam Reyes

O Município de Barcelos promove no próximo fim-de-semana – sexta e sábado – o primeiro encontro "Poeta à Solta", no decorrer do qual vai evocar a memória de dois poetas minhotos: Guilherme de Faria (Guimarães, 1907- 1929), que viveu apenas 21 anos, mas deixou uma obra poética referencial do neorromantismo lusitanista; e António Pedro (1909-1966), um dos mais admiráveis criadores da história da cultura portuguesa, que se destacou na poesia, na pintura, no teatro e em tantas outras expressões estéticas, sempre com um inconformado sentido de busca.

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Encontro traz a Barcelos cinco poetas contemporâneos

Para esta 1ª edição do Encontro “POETA À SOLTA” foram convidados cinco poetas contemporâneos: Chus Pato, uma das vozes mais importantes da poesia galega do nosso tempo, que vive perto da fraga de Catasós, onde silenciosamente crescem os mais antigos castanheiros da Europa; João Vasco Rodrigues, que publicou agora o seu primeiro livro de poesia, no qual pressentimos bem mais do que um rumor de promessa; Jaime Rocha, cuja obra poética se entretece nos últimos cinquenta anos, num dos mais fascinantes universos da poesia portuguesa contemporânea; Miriam Reyes, poeta que tem explorado a escrita audiovisual e o recital multimédia, e que acaba de reunir num volume os seis livros que publicou nos últimos vinte anos; e Valter Hugo Mãe, que por estes dias mudou a sua residência para Faria, Barcelos, e cuja reconhecida obra no âmbito da ficção presentifica a condição de poeta que aqui celebramos de dois modos: com a sua poesia e com a sua impressiva deriva pelas artes plásticas.

Em “Poeta à Solta”, vamos acolher também o realizador Luís Costa, que nos traz a curta-metragem “O nosso reino”, inspirada na obra homónima de Valter Hugo Mãe.

Este encontro, promovido pela Câmara Municipal de Barcelos em parceria com o projeto editorial Officium Lectionis, com coordenação científica da Cátedra de Sophia (da Universidade Católica do Porto), realiza-se no Theatro Gil Vicente, em cujo átrio os visitantes são acolhidos pelos Poetas, conjunto escultórico de José Rodrigues que, neste ano, celebra o seu vigésimo aniversário.

Programa - Encontros de Poesia

A programação do 1º Encontro POETA À SOLTA decorre na sala de espetáculos do Theatro Gil Vicente, sexta-feira à noite e sábado ao longo do dia. Entretanto, na sexta-feira à noite, pelas 21h30, é inaugurada, na Galeria Municipal de Arte, a exposição antológica de pintura, desenho e colagem "O que é uma casa senão um parente extraordinário", de Valter Hugo Mãe.

21 out.| sexta-feira

15:00 | abertura

15:45 | conversa com João Vasco Rodrigues e Miriam Reyes

17:15 | conversa com Chus Pato e Jaime Rocha

18:15 | evocação da memória de Guilherme de Faria e António Pedro

18:45 | leituras

21:30 | inauguração da exposição antológica de pintura, desenho e colagem "O que é uma casa senão um parente extraordinário", de Valter Hugo Mãe [Galeria Municipal de Arte]

22 out.| sábado

15:00 | conversa com Jaime Rocha, João Vasco Rodrigues e Valter Hugo Mãe

16:30 | exibição da curta-metragem "O nosso reino", de Luís Costa, inspirado na obra homónima de Valter Hugo Mãe, seguida de conversa entre o realizador e o escritor

18:00 | conversa com Chus Pato e Miriam Reyes

19:00 | leituras

19:45 | encerramento

PONTE DA BARCA: ANTÓNIO FRANCO ALEXANDRE VENCE A 1ª EDIÇÃO DO GRANDE PRÉMIO DE POESIA DIOGO BERNARDES

Já é conhecido o  vencedor da  1.ª edição do  Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes. O galardão, que foi atribuído ao livro Poemas (Assírio & Alvim), a António Franco Alexandre, vai ser entregue no dia 24 de Outubro, Dia do Município de Ponte da Barca. A decisão foi tomada por unanimidade pelo júri constituído por Cândido Oliveira Martins, José Manuel de Vasconcelos e Rita Patrício que, nesta primeira edição, a título excecional, contemplou obras saídas nos anos de 2019, 2020 e 2021.

O valor do Grande Prémio é de  12.500,00€.

Recorde-se que o Grande Prémio de Poesia Diogo Bernardes com a coordenação da Associação Portuguesa de Escritores e com o patrocínio da Câmara Municipal de Ponte da Barca, pretende conferir uma maior divulgação do poeta barquense, Diogo Bernardes que é um dos mestres da nossa Literatura clássica, e destina-se a galardoar anualmente uma obra em português e de autor português, publicada integralmente e em 1.ª edição, obras completas de poesia ou antologias poéticas de autor. 

Sobre o vencedor:

António Franco Alexandre nasceu a 17 de junho de 1944, em Viseu. Fez os seus estudos académicos nas áreas de Matemática e Filosofia em França (primeiro, em Toulouse, depois em Paris) e nos EUA (Harvard). Após o seu regresso a Portugal, em 1975, é convidado para professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde lecionou até meados de 2009. Embora se tenha estreado como poeta ainda na década de sessenta, é sobretudo a partir da publicação de Sem Palavras nem Coisas (1974) que a sua obra se afirmou. Uma voz incontornável no nosso panorama literário, são suas algumas das obras mais significativas da poesia portuguesa contemporânea: Os Objectos Principais (1979), A Pequena Face (1983 – Grande Prémio de Poesia do PEN Clube Português), Quatro Caprichos (1999 – Prémio Luís Miguel Nava, Grande Prémio APE de Poesia), Duende (2002 – Prémio D. Dinis e Prémio Correntes d'Escritas), Aracne (2004).

AMARES EVOCA POETA SÁ DE MIRANDA

535ºAniversário de Sá de Miranda, um dos nomes maiores da nossa literatura de Quinhentos (nasceu em Coimbra a 28 de agosto, ao que se crê, em 1487).

O Poeta do Neiva viveu nas lindíssimas terras de Amares, casou com Briolanja de Azevedo e viveram na Casa da Tapada. Os restos mortas do poeta encontram-se no túmulo da família na Igreja Paroquial de Carrazedo, em Amares.

A grande poesia de um poeta nunca morre!

Partilhe connosco um ou mais que um, dos seus poemas preferidos de SÁ DE MIRANDA, é uma belíssima forma de homenagearmos este grande poeta!

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“CANCIONEIRO DA SERRA D’ARGA” – QUADRAS DE AMOR

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Serra d’Arga. Namorados

Quadras de Amor

A poesia é tão antiga como o homem. Em cada ser humano existe um poeta e não há nada na vida do homem que não escape aos sentimentos mais profundos da alma. O amor é, agora, o tema.

Pela transcendência do assunto, «pelo fácil e pelo difícil» que o envolve, se compreende a seguinte quadra:

Quem me dera dar-te um beijo,
Um beijo não custa a dar;
São duas bocas unidas,
Quatro lábios a beijar.

Noutros tempos, o beijo era tão sagrado que logo havia desordem ou compromisso de casamento, quando observado pelos pais.

Hoje, está tão banalizado que deixou de ser expressão do que era, perdendo o significado sagrado que tinha em épocas mais distantes.

A simplicidade e a imagem a que o povo recorria para transmitir os seus sentimentos ou exaltar alegrias ou paixões, são de uma beleza encantadora

Quando os passarinhos choram
Numa árvore tão pequena,
Que fará meu coração
Cheio de tanta pena?

Nas quadras que se vão seguir pode verificar-se o que diz a filosofia popular a propósito do amor, da traição, do belo e do feio. Aqui está um retrato excelente do amor na sabedoria popular: umas vezes, demasiado pessimista; outras, cheio de lições de moral.

Quadras de Amor    

água daquela serra
Por copos de vidro desce;
Nem a água mata a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abaixo da Serra d’Arga
Onde fica minha aldeia,
Na linda terra de Dem
Onde o meu amor passeia.

A água do ribeirinho
Sobe ao Céu deita pavor;
Só há lágrimas na terra
Por donde anda meu amor.

Abre-te, janela d’oiro,
Tira-te tranca de vidro,
Resolve o teu coração
Que o meu está resolvido.

A água do Rio Lima
Foge que desaparece;
Nem a água apaga a sede
Nem o meu amor me esquece.

Abre-te, janela d’oiro,
Vira-te, tranca de vidro;
Vem cá fora, meu amor,
Que quero falar contigo.

Abaixa-te Alto do Tapado,
Que eu quero ver Castanheira,
Quero ver o meu amor
Lá nos campos da Lapeira.

Abre-te, peito, e fala,
Ó coração vem cá fora,
Anda ver o teu amor
Que chegou aqui agora.

Abaixa-te ó Serra d’Arga
Abaixa-te um nadinha;
Quero ver o meu amor
No terreiro de Caminha.

A carta que te escrevi
Já ta deitei na varanda;
Só te peço, meu amor,
Que faças o que ela manda.

Recolha levada a efeito na Serra d’Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por Artur Coutinho, transcritas na obra «Cancioneiro da Serra d’Arga».

Fonte: https://folclore.pt/cancioneiro-da-serra-darga-quadras-de-amor/

VIANA DO CASTELO / MOÇA DE PERRE: OS TEUS OLHOS AZUIS SÃO DA COR DO CÉU – POEMA DE FERNANDO PESSOA / FOTO DE SÉRGIO MOREIRA

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Os teus olhos azuis são cor do céu

 

Os teus olhos azuis são cor do céu

E são por isso cor do paraíso.

Vejo-os e passa no coração meu

Como uma saudade o seu sorriso.

 

Estrelas matutinas no acordar

Do meu amor, azul do céu distante…

E eu, se os olho, fico sempre a olhar,

E a olhar esqueço minha dor constante...

 

Olhos azuis cuja alegria é a flor

Da minha dor tornada comoção...

Flori de aurora a minha negra dor…

Só com olhar-me abri-me o coração…

 

Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.

ESCRITOR ARCUENSE TOMAZ DE FIGUEIREDO: SONETOS DA CASA AMARELA

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Há nos meus olhos barcos afundados,

há andorinhas mortas de secura,

há mãos paradas, mãos de sepultura,

anjos em transe, lírios profanados.

Há fantasmas de sonhos encantados,

há ontens cujo instante ainda perdura,

há, murcha, a flórea luz da alvura,

há corações de amor, apunhalados.

Há passado, entusiamo e lutas,

há luarentas e fechadas grutas,

há o golpe de navalhas assassinas.

Há tudo, sem que neles haja nada.

Há, até, sobre a cauda, a fria naja

que lhes picou as cândidas meninas.

em Sonetos da Casa Amarela

Tomaz de Figueiredo, escritor, nasceu há 120 anos neste dia 6 de julho.

Foto: DR / Fonte: EGEAC Cultura em Lisboa

PONTE DE LIMA HOMENAGEIA POETA ANÍBAL MARINHO

O Município de Ponte de Lima e a Associação de Escritores, Jornalista e Produtores Culturais de Ponte de Lima vão homenagear o poeta Aníbal Marinho no ano em que se comemora 120 anos do seu nascimento.

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Evoca-se desta forma o distinto homem, poeta, político, músico e publicista divulgando a sua vida e obra através da exposição intitulada "Aníbal Marinho, o Homem e as Ideias", que estará patente na Biblioteca Municipal de 8 de julho a 31 de agosto de 2022.

Esta ilustre figura limiana herdou o gosto pela liberdade e fomentou, ao longo da sua vida, a cultura democrática e humanista.

Conviveu com limianos de excecional valor e de elevado espírito intelectual que contribuíram para o enaltecimento dos seus conhecimentos e para a sua formação cultural e artística.

Colaborou nos periódicos locais da época e publicou o livro de sua autoria intitulado “Homens e Ideias”. Foi ainda um exímio tocador de viola e de guitarra.

Associe-se a esta comemoração que assinala a vida e obra de um limiano vanguardista.

Uma exposição a não perder.

Visite a exposição: 2.ª feira das 14h00 às 18h00 | 3.ª feira a 6.ª feira das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 | Sábados das 9h30 às 12h30.

BARCELOS: CONCURSO “PEQUENOS GRANDES POETAS” CONTOU COM 90 PARTICIPANTES E JÁ SÃO CONHECIDOS OS VENCEDORES

Já são conhecidos os vencedores do concurso “Pequenos Grandes Poetas”, promovido pelo Município de Barcelos, através da Biblioteca Municipal e da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares. O concurso desenrolou-se ontem, em duas sessões, e contou com a participação de cerca de 90 alunos de todos os estabelecimentos escolares concelhios, nos diferentes graus de ensino, desde o pré-escolar ao secundário.

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Presente nos dois momentos do concurso, a vereadora dos pelouros da Educação e da Juventude saudou os participantes e mostrou-se feliz e entusiasmada pela forte adesão dos alunos e das escolas. Mariana Carvalho agradeceu o empenho dos professores na motivação dos alunos, e fez questão de sublinhar a importância da escrita poética e da declamação na formação dos alunos. Terminou desejando sucessos a todos os presentes nesta iniciativa.

Recorde-se que o concurso “Pequenos Grandes Poetas” está estruturado em duas modalidades: poemas inéditos declamados pelos autores; e a modalidade de declamadores.

À edição deste ano concorreram 90 alunos. Na sessão da tarde, participaram os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e, na sessão noturna, estiveram presentes os alunos do 2.º e 3.ºciclos do ensino básico e secundário.

Este concurso tem como objetivos promover hábitos de leitura e de escrita, incentivar o gosto pela poesia e pela escrita criativa, e estimular a manifestação artística e a criatividade. O público-alvo são todos os alunos do concelho de Barcelos, que frequentam o ensino obrigatório.

Vencedores da edição 2022 do concurso “Pequenos Grandes Poetas”

DECLAMAÇÃO

Pré-escolar

Gonçalo Faria Falcão Barbosa e Rodrigo Costa Sá | Jardim de Infância de Fonte Coberta

O Senhor Vento / Maria Alberta Menéres

1º Ciclo

Jaime Faria Moreira | Centro Escolar de Viatodos

Mais respeito, eu sou criança / Pedro Bandeira

2º Ciclo

Dinis Durão Cepa Castelo | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

O Mostrengo / Fernando Pessoa

3º Ciclo

João Bernardo Costa Fernandes | Colégio La Salle

Cântico Negro / José Régio

Ensino Secundário

Rute Carolina Martins Miranda | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

Quatro em Pessoa (Fernando Pessoa e heterónimos)

POEMA INÉDITO

1º Ciclo

A Paz no Mundo / Guilherme José Lobarinhas Garrido dos Santos | Escola Básica de Vila Boa

2º Ciclo

Mateus Garim Ferreira / Escrever como quem pinta | Escola Básica e Secundária Vale do Tamel

3º Ciclo

Gonçalo Eiras Miranda / Canoa da vida | Escola Básica e Secundária de Vila Cova

Ensino Secundário

João Guilherme Cardoso Gomes de Carvalho / E quando Portugal estiver em cinzas | Escola Básica e Secundária de Vale D'Este, Viatodos

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MONÇÃO: MEMORIAL DE POEMAS E OUTRAS PRIMAVERAS

Dias/horas 10, sexta, 21h30 | 11, sábado, 16h00 Local Cine Teatro João Verde Preço 6,00 €

Criação original de Valdemar Santos, inspirada na sua residência artística em Monção, “Memorial de Poemas e Outras Primaveras” é uma leitura encenada de poemas do próprio e do poeta monçanense, João Verde.

A história de um personagem que sabe de alguém, um poeta, que deixa espalhados pela vila os seus poemas, pensamentos e pequenas histórias, nunca antes publicadas. Toda uma viagem pela poesia, narrativa, imagens, cumplicidades, que termina no Cine Teatro João Verde, em comunhão com a plateia.

Autor Valdemar Santos Audiovisual Paulo Pinto Música elementos da Banda Musical de Monção Aconselhamento Artístico Gonçalo Fonseca

Depois do espetáculo de sábado, decorre o lançamento do livro.

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CONCURSO “PEQUENOS GRANDES POETAS” CONGREGA ALUNOS DE BARCELOS EM VOLTA DA POESIA

O Município de Barcelos, através da Biblioteca Municipal e da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares, promove, no dia 8 de junho, no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, o concurso “Pequenos Grandes Poetas”.

O concurso, que conta com a participação de todos os estabelecimentos concelhios nos diferentes graus de ensino, desde o 1.º ciclo ao secundário, num total de 90 alunos, inclui a modalidade de poemas inéditos declamados pelos autores e a modalidade de declamadores.

O concurso inicia às 18h30 com os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e, às 21h30, é a vez do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário.

Este concurso tem como objetivos promover hábitos de leitura e de escrita, incentivar o gosto pela poesia e pela escrita criativa, e estimular a manifestação artística e a criatividade, sendo dirigido a todos os alunos dos agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas do concelho de Barcelos.

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AMARES REVISITOU POETA SÁ DE MIRANDA

Colóquio Internacional “Sá de Miranda e a História Literária'' revisitou um “poeta inesgotável”

O colóquio internacional “Sá de Miranda e a História Literária”, promovido recentemente online pelo Centro de Estudos Mirandinos (CEM), na senda do primeiro ("Repensar Sá de Miranda e o Renascimento"), reuniu perto de meia centena de pessoas e foi a ocasião para reavaliar a fortuna crítica de Sá de Miranda ao longo da nossa história literária.

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A Vice-Presidente e Vereadora da Cultura do Município de Amares, Cidália Abreu, sublinha o modo a obra e a figura de Sá de Miranda continua “a marcar e a despertar a atenção de sucessivas gerações de autores e investigadores”, reconhecendo a este propósito a importância deste género de iniciativas para perpetuar a obra e vida do poeta. Cidália Abreu manifestou, ainda, a sua satisfação pela adesão ao colóquio que contou com a participação de investigadores portugueses e estrangeiros.

A sua realização faz parte de uma estratégia do CEM para, de maneira coerente e contínua, promover investigação científica de alto nível sobre a obra mirandina e, mais latamente, sobre o século XVI.

“Vamos continuar no CEM, tirando o máximo partido do mundo tecnológico, a realizar conferências avulsas em plataformas digitais (as que temos realizado têm conseguido uma assinalável presença de pessoas dos quatro cantos do mundo); e vamos, se possível a curto prazo, tratar de editar as atas deste último colóquio e do do ano passado. E talvez em 2024 consigamos realizar um colóquio internacional e presencial, não apenas sobre Sá de Miranda, mas sobre o século XVI numa perspetiva ibérica”, refere o Diretor do Centro de Estudos Mirandinos, Sérgio Guimarães de Sousa.

O CEM assume-se, neste sentido, como uma ponte entre os investigadores da obra de Sá de Miranda e a sociedade civil para o estudo, partilha e descoberta de um autor “inesgotável”, como aconteceu a título de exemplo com a ‘Poesia de Sá de Miranda’, uma edição monumental da obra do poeta nas suas múltiplas variantes, coordenada por de José Camões e Filipa Freitas, apresentada no colóquio da passada sexta-feira.

Está prevista a publicação de um volume com as comunicações do evento.

ETNOGRÁFICO DE PONTE DA BARCA: SEMPRE FORMOSA E CONTENTE!

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MARCHA DA BARCA

 

Quando o mundo Deus formou,

Caiu do céu uma estrela,

Bendita! que de luz tudo brilhou

E aqui ficou

Para quem pretender vê-la!

 

Ponte da Barca,

Sempre formosa e contente!

É tanta a graça

Que cativa toda a gente!…

Tem como sina,

Que linda é!

Ser só traquina,

Loira menina

P’ra dar ao pé!…

 

Senhora nobre e hospitaleira,

Tem sobre ela o sol doirado,

Quando à tarde se penteia

E se meneia

P’ró Lima seu namorado!…

 

Disseram poetas, os cantores,

Que musa assim não há igual!

Será porque todas as flores

São os amores

Dum jardim de Portugal?!

 

Manuel Parada

In “Pegadas do Meu Caminho”

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA – UM POEMA DE MÁRCIA PASSOS

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“A minha Pátria é a língua portuguesa” (Luiz Vaz de Camões)

Já na heróica vitória depois do naufrágio,

Tu viestes cansado e cativo, derrotado o Adamastor,

No olho, fiel poeta, ficaste ferido.

 

No chão do nosso país, não és mais tema de conversa,

Ficaste quasi esquecido, não por mim, mas pela Pátria.

Os jornais recordam as cruzes que ninguém tem culpa,

E se se liga a televisão, guerras sangrentas, são assunto de discussão.

 

A um canto só, o livro, a bravura,

O amor e a sua loucura em ré maior.

Mas ninguém se aproxima do livro, ninguém quer ler,

E a um canto, esquecido, a nossa epopeia.

 

Já o belo poeta morre, não de vida, mas de poesia,

Ferido de morte, ninguém mais (exceto eu), canta a sua lírica.

Cantarei como tu, porque não me falta engenho e arte.

Camões, estás para mim, em toda a parte!

 

Márcia Passos, 5 de Maio de 2022

(Dia Mundial da Língua Portuguesa)

CASA DAS ARTES DE FAMALICÃO APRESENTA POÉTICA DA PALAVRA

Poética da Palavra, de 23 março a 9 abril, Casa das Artes de Famalicão

Entre 23 de março e 9 de abril, a Casa das Artes de Famalicão, realiza a quarta edição de “Poética da Palavra”, uma proposta artística que reduz a milenar arte do Teatro à sua essência: o texto, a palavra, a voz e o trabalho de ator.

Momento alto da programação anual deste teatro municipal, a Poética da Palavra quer evidenciar este universo de elementos cúmplices, aquilo que entendemos como a essência, a ontologia, do teatro. Pretendemos destacar a interpretação, a relação entre técnica, sentimento íntimo e subjetivo de convicção criadora e a consolidação da personagem, como um processo indissociável de um exigente trabalho pessoal, que é físico e de estudo profundo e inesgotável.

Os encontros de teatro iniciam, a 23 de março, com o espetáculo "Ninguém", de António Capelo/Teatro do Bolhão. Trata-se do primeiro monólogo de António Capelo, com mais de 45 anos de carreira, que questiona sobre o que é ser ator, através da sua vida pessoal.

A 26 e 27 de março vai a cena "Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua Patroa", de Sara Barros Leitão/Cassandra. É uma criação original, escrita, encenada e interpretada por Sara Barros Leitão a partir de um processo de investigação sobre o Serviço Doméstico em Portugal.

Nos dias 1, 2 e 3 de abril, estreia a leitura encenada "Quem matou o meu Pai", de Édouard Louis"/Teatro Nova Europa. O texto relata o reencontro possível entre pai e filho, sob o pano de um cenário de poder político responsável por condenar a uma morte precoce as classes mais baixas da sociedade.

Ainda a 1 e 2 de abril, estreia também "FábulaMãe", de Teresa Arcanjo/Grua Crua. “A conquista de um espaço que quero ter e ocupar no teatro enquanto criadora”, nas palavras da encenadora e atriz do projeto, Teresa Arcanjo.

No dia 8 de abril, é apresentada "Língua de Cão e Litania” por Pedro Frias/Assédio Teatro. Partindo da situação criada pelo primeiro confinamento, em 2020, as ruas desertas e o silêncio ensurdecedor das ruas desertas, Francisco Luís Parreira propõe-nos uma reflexão acerca do homem na sua posição terminal.

A 9 de abril, é apresentado "Um Fio de Jogo", da Narrativensaio-AC. Trata-se de um monólogo com texto de Carlos Tê, que versa sobre o fenómeno do futebol, os seus pequenos mitos que ajudaram à sua implantação planetária como desporto de massas que extravasa a própria condição desportiva.

No fim de cada noite de apresentação, o público terá uma conversa com os atores que protagonizam cada projeto teatral, no sentido de poder conhecer o trabalho, concreto, sobre o texto, a palavra e a sua relação com o corpo (que lhe dá voz), e o processo de construção de cada personagem.

A “Poética da Palavra” propõe ainda três mesas-redondas, sobre: Dramaturgia; Encenação; Teatro e Educação Artística, reunindo nomes como: Luís Mestre; Carlos Costa; Ivo Saraiva e Silva; Jorge Palinhos; João Castro; Sílvia Pinto Ferreira; Magda Henriques; Cristina Carvalhal; Helena Machado; Sílvia Correia; António Capelo; e David Antunes.

A Casa das Artes de Famalicão é membro da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.

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