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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GENTES DE ESPOSENDE: HUGO EIRAS E CARLOS VILAS BOAS – DOIS PESCADORES QUE CONTINUAM NA FAINA

Em Esposende, a pesca constitui uma actividade em vias de extinção. Trata-se de uma profissão de elevado risco e vencimento incerto. A classe piscatória envelhece. Escasseiam os jovens que estejam dispostos que se queiram dedicar à faina. Acresce a isto a extrema perigosidade da barra de Esposende.

Capturar2PESCEspos.PNGHugo Eiras e Carlos Vilas Boas são dois pescadores que resistem à extinção da pesca em Esposende

 

Existem, porém, dois homens que não baixam os braços. São eles Hugo Eiras e Carlos Vilas Boas que tem feito todos os esforços para cativar pessoal para a pesca. E, como em Esposende não conseguem arranjar tripulação, são forçados a recorrer ás aldeias circundantes, motivando e criando as condições favoráveis para a sua prática.

Estes dois homens acreditam que ainda e possível, reavivar, rejuvenescer e que a actividade continua a ser viável. Ultimamente têm adquirido algumas embarcações, resultantes da desistência de alguns pescadores que não conseguem arranjar tripulação ou já se encontram em idade de reforma. Algumas dessas embarcações podem custar acima de 20 mi euros.

Neste momento, estava a decorrer um novo curso que habilitava à emissão da cédula marítima a 15 jovens, alguns dos quais iriam ser canalizados para a pesca. Seriam por eles apoiados através da disponibilização das embarcações e aparelhos de pesca para o seu arranque a troco de uma mensalidade muito suave.

Com a chegada deste novo vírus, ficou sem se saber quando será retomada esta iniciativa de tão enorme importância para que a pesca profissional em Esposende não se extinga a curto prazo. Trata-se de uma iniciativa louvável, tanto mais que Esposende e a suas gentes estão intimamente ligadas ao mar.

O mar é um desígnio nacional – a pesca a razão de existência de Esposende e o pão das suas gentes!

Luís Eiras

GENTES DE ESPOSENDE: MESTRE LUÍS ANDRÉ EIRAS COMEU O PÃO QUE O DIABO AMASSOU!

Luís André Eiras nasceu em Esposende em 7 de agosto de 1937. Porém só foi registado o seu nascimento em março do ano seguinte. Nesse tempo, era necessário pagar para efectuar o registo e não havia dinheiro, sabe Deus para comer… era já o presságio das dificuldades de uma vida que o aguardava!

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Estávamos em vésperas de eclodir a Segunda Guerra Mundial e, embora o nosso país não fosse directamente envolvido no conflito armado, às agruras da fome não escapou, nem aos perigos que para os pescadores representava afastarem-se da costa para pescar.

Luis Eiras, passou uma infância muito difícil, viveu numa casa alugada muito pequena com os irmãos e a mãe. Rapazes com raparigas dormiam todos no chão e o travesseio eram pedras ou tijolos. Filho de “pai incógnito”, embora na realidade o tenha conhecido e com ele vivido e sempre convivido.

O seu pai era marinheiro e esteve no Brasil. Mas, devido ao facto de se ter perdido para o alcool – um flagêlo nomeadamente entre pescadores e marinheiros – a sua espôsa separou-se dele.

Luís Eiras tem irmãos e meias-irmãs, todos filhos da mesma mãe. Segundo ele nos conta, a sua mãe era uma mulher formosa, muito bonita, o que a tornava bastante cobiçada.

Na sua infância, ajudou a sua mãe como podia a apanhar faúlha que depois era vendida para o sustento da família. Também andou na extracção do volfrâmio, em Vila Chã, o qual se destinava à construção de armamento para a Segunda Guerra Mundial.

Teve uma infância muito amarga. Recorria muitas vezes à porta de pessoas para a pedir um prato de sopa e, enquanto esperava na fila pela sua vez, não raramente desmaiava com a fraqueza devido à fome.

Quando ocasionalmente alguém ía na rua a comer uma maçã, a canalha seguia atrás para apanhar o carôço que era atirado ao chão e chegavam a andar à pancada entre eles para ver quem conseguia ficar com ele.

O seu primeiro casamento deu-se quando tinha 23 anos e conta que quando disse á sua mãe que ía casar, levou um valente estalo. A sua mãe contava com ele para ajudar a família. Não obstante. Luís Eiras foi muito feliz com o casamento. Dele tiveram 5 filhos: 3 raparigas e 2 rapazes.

O sol parecia raiar de novo e trazer-lhes novas esperanças. A sua vida melhorou. Chegou a ser mestre de uma das maiores embarcações de pesca de Esposende e sócio de outra. A partir de então, morou numa casa alugada no centro de Esposende, na Rua Conde Castro.

Teve ainda uma breve passagem por a França, quase um ano, na qual entrou por salto. Passado pouco tempo mandou ir ter com ele a esposa e duas filhas. Trabalhava então numa fábrica de tijolo. A vida até estava a correr muito bem até que a sua esposa adoeceu. O médico recomendou-lhes que voltassem ao paíis de origem pois onde se encontravam era muito frio e húmido, o que agravava o seu estado de saúde pois sofria muito de bronquite. A sua esposa acabaria por falecer passados dois ou três anos, vítima de doença oncológica.

Luís André Eiras voltou a casar. E, deste casamento nasceram 4 filhos: 1 rapaz e 3 raparigas.

No mar era ladino, desenrascado. Apesar de não ter andado na escola, sempre se revelou um homem inteligente, muito direto, honesto e honrado.

Actualmente é viúvo e vive com uma filha que é a sua âncora de salvação. Apesar dos seus 83 anos de idade, continua irrequieto. Sempre que o tempo e o mar o permitem, segue para a lota de manhã cêdo onde ajuda os pescadores que também lhe retribuem com a oferta de alguns peixinhos que depois distribui com os filhos.

Dos seus camaradas de mar que já partiram guarda grandes saudades. Houve um, porém, que a sua morte o marcou tão profundamente que chegou a ficar vários dias sem comer, beber e dormir, tão grande era a sua dor. Esse seu amigo – o seu mestre, José Nibra – era mais do que um irmão para ele.

Luís André Eiras é um homem sem posses. Mas recorda que se não fossem as agruras da vida, poderia estar muito bem de vida. Atualmente vive na companhia de uma filha com uma pequena reforma num bairro de Habitação Social. O que vale é a pequena renda e, apesar da idade, a felicidade de não ficar doente. Os seus genes continuam nas veias do seu neto Hugo Eiras que não desiste da pesca profissional em extinção em Esposende. Comeu o pão que o diabo amassou mas jamais se vergou perante as agruras da vida!

Luís Eiras

BLOCO QUER PROTEÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA PESCA QUE CESSARAM ATIVIDADE NO ÂMBITO DA PANDEMIA DA COVID-19

A situação epidemiológica relativa ao novo Coronavírus – COVID 19 obrigou uma grande parte dos profissionais da pesca a cessar temporariamente a sua atividade piscatória.

Apesar de o Governo ter decretado algumas medidas de apoio ao setor (suspensão da taxa de acostagem, linha de crédito a empresas), entendemos que estas medidas são manifestamente insuficientes para dar resposta aos profissionais da pesca que se encontram em terra e que se viram privados de qualquer fonte de rendimento.

Por isso, propusemos que todos os profissionais da pesca que cessaram temporariamente a sua atividade possam aceder ao Fundo de Compensação Salarial a partir do primeiro dia da declaração de estado de emergência prorrogado por mais um mês após o término do estado de emergência.

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GENTES DE ESPOSENDE: ESPÔSA DE TI GINGA INSPIROU OBRA DE ALEXANDRE FARTO

Quem passa junto do Centro de Actividades Náuticas, na zona sul da marginal de Esposende, depara com uma magnífica obra de arte produzida pelo escultor Alexandre Farto Aka Vhils, em homenagem às mulheres de Esposende.

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Alexandre Farto é um artista urbano nascido em Lisboa que desde cedo se dedicou à pintura e ao grafiti, concluiu os seus estudos na Universidade de Artes em Londres. Possui obra espalhada por diversas localidades do nosso país e um pouco por todo o mundo, nomeadamente em cidades como Londres, Moscovo, Nova Iorque, Los Angeles e Grottaglie, no sul de Itália.

Na obra que deixou aos esposendenses vemos à esquerda a peixeira Lurdes, espôsa do Ti Ginga, cuja representação foi inspirada na foto que aqui se publica. O marido – o Ti Ginga como era conhecido entre a comunidade piscatória esposendense – foi pescador e mais tarde dedicou-se à apanha de ísca para os pescadores amadores. Diz com quem ele lidou que era uma pessoa extremamente calma e bondosa. Era esposendense!

Luís Eiras

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GENTES DE ESPOSENDE: ANTÓNIO FERNANDES DA CRUZ

Disse o sábio grego Platão que no mundo existem três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar.

Esposende é terra de gente que anda no mar. Quantas vezes enfrentando com galhardia os perigos que o mar encerra. Jamais deixando-se encantar pelo melodioso canto da sereia. As mulheres aguardam ansiosas no areal da praia o regresso dos seus maridos. Mais além, para os lados da Apúlia, os sargaceiros fazem-se à rebentação para do mar retirar o sargaço que vai adubar as suas terras. E, porque o mais importante de Esposende são as pessoas, vamos no BLOGUE DO MINHO dar a conhecer algumas delas.

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Começo por apresentar o meu avô paterno, António Fernandes da Cruz. Trabalhou para a Empresa de Pescas de Viana. A sua vida foi feita a labutar na pesca do bacalhau pelos bancos da Terra Nova, Gronelândia e Brasil. A vida a bordo durava quase meio ano. E, apesar de tantos perigos e vicissitudes, veio a falecer no rio Cávado, perto da sua terra natal.

Morreu afogado ainda muito jovem. Contava apenas 42 anos de idade. Fazia então o transporte do sargaço para os agricultores estrumarem as terras. Estes exigiam cada vez mais carga pelo mesmo dinheiro. Eram tempos difíceis!

O naufrágio ocorreu há mais de 50 anos. A travessia do rio era feita à vara. A embarcação seguia com uma carga completa e as bordas quase a beijar o rio. Veio o temporal e o barco virou.

Apenas 3 dias decorridos o corpo apareceu. E foi o meu pai que o encontrou. Já sem botas nem a roupa de oleado que trazia vestido. Debaixo de água ainda conseguiu libertar-se da roupa. Mas, o cansaço venceu-o!

Dizem quem com ele lidou por perto que nadava como um peixe. Esposende é terra de gente que não teme o mar!

Luís Eiras

LUGRE “RIO LIMA: UM NAVIO CONSTRUÍDO EM VIANA DO CASTELO DESTINADO À PESCA DO BACALHAU NOS MARES DA TERRA NOVA

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Lugre bacalhoeiro de bandeira verde-rubra construído, em 1919/1920 (foi lançado à água no dia 22 de Janeiro desse último ano), nos estaleiros do Campo da Feira, em Viana do Castelo, e pertença, ao tempo, da Parceria de Pescarias de Viana. Os trabalhos de realização deste veleiro decorreram sob a supervisão do mestre carpinteiro José Lopes Pereira Maiato. O «Rio Lima» era um navio com casco em madeira, de 3 mastros, que apresentava uma arqueação bruta de 317,33 toneladas. O seu comprimento (entre perpendiculares) era de 48 metros, a boca media 9,80 metros e o pontal 4,47 metros. Só em 1934 foi equipado com 1 máquina. A equipagem deste bacalhoeiro -destinado à pesca longínqua era, geralmente constituída por 41 homens, incluindo marinheiros e os pescadores dos dóris. Durante a sua vida activa, o «Rio Lima» teve vários capitães, sendo o primeiro de todos eles José Francisco Carrapichano; que o comandou de 1920 a 1922. Este navio cumpriu a sua missão de pesqueiro nos mares da Terra Nova até ao dia 6 de Maio de 1951, data em que naufragou, com água aberta, nos Grandes Bancos canadianos. Não há notícias de ter havido vítimas entre os seus tripulantes. Na altura da sua perda, o navio já navegava com as cores da Empresa de Pesca de Viana. Que, na lista dos seus armadores, sucedeu à Companhia Marítima de Transportes e Pescas, Lda., também ela sedeada na bonita cidade da foz do Lima.

Fonte: http://alernavios.blogspot.com/

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Convés do Lugre Rio Lima

 

Em 12 de Setembro de 1919 o jornal "A Aurora do Lima" fazia referência ao início da construção do lugre "Rio Lima", destinado à pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova para a Parceria de Pescarias de Viana. O Rio Lima era o terceiro navio daquela empresa construído para esse efeito, em resultado do cumprimento do plano inicial de aquisição de três navios que só agora foi possível pôr em execução devido à guerra.

O lugre "Rio Lima" foi construído nos estaleiros da Parceria, no Largo 5 de Outubro e lançado à água no dia 22-01-1920, cerca das 15:20 horas perante numerosa assistência vinda dos mais recônditos locais de Viana e arredores, como era hábito em acontecimentos semelhantes.

Este belo navio foi construído sob orientação do mestre construtor naval sr. José Lopes Ferreira Maiato e tinha como características principais: Tonelagem de arqueação bruta 317,33 tons; tonelagem de arqueação líquida 264,42 tons; comprimento entre perpendiculares 48,00 metros; boca (1) 9,80 metros; pontal (2) 4,47 metros e alojamentos para 41 tripulantes.

A curiosidade que despertava nas pessoas o lançamento à água de um navio novo, especialmente para a pesca do bacalhau, como nos dá conta "A Aurora do Lima", é disso digno de registo "... fez com que em toda a margem, desde a Alfândega até à doca, os caes se coalhassem de gente da cidade e das aldeias próximas, e no rio uma grande porção de barcos que vogavam cheios de espectadores concorria para a bellesa d'aquelle espectáculo sugestivo e brilhante, que oxalá repetisse por muitas vezes".

Estes eventos, importantes na vida de uma empresa, eram aproveitados para festejar com autoridades, amigos e trabalhadores, que de uma forma ou de outra contribuíram para o processo, trocando impressões uns, outros dando largas à sua fogosidade e animação num convívio retemperador de energias para novas tarefas.

O momento do bota- abaixo é sempre precedido de alguma expectativa e ansiedade, mas, logo que se cortam as amarras que prendem o navio ao berço que o viu nascer e crescer, e o volume inerte desliza nos carris e mergulha nas águas calmas do Lima, estralejam os foguetes, as businas e apitos dos navios surtos no porto vibram incessantemente; assobios, palmas, clamores de alegria soam por todo o lado onde as pessoas se amontoam para ver tão importante como estranho fenómeno para muitos um "milagre", tão incrédula é a sua visão.

Um acontecimento desta natureza numa cidade da província onde tão poucas coisas dignas de monta acontecem, é sempre aproveitado para comemorar com "opíparo" banquete, como aconteceu com o lançamento à água do lugre "Rio Lima".

A casa da D. Anna Malheiro Pitta de Vasconcellos, contígua ao estaleiro, por gentileza desta senhora, foi aproveitada pela Parceria, para oferecer um lanche que foi muito concorrido por grande número de pessoas da mais alta sociedade Vianense que aos brindes dos srs. Dr. Jesus Araújo, Rodrigo de Abreu e Lima e Álvaro de Araújo desejaram as maiores prosperidades à Parceria e ao comércio em geral, agradecendo no final, em nome da empresa o sr. João Baptista Ferreira.

Terminado o lanche, nos escritórios da firma, que ficavam situados nos baixos do prédio onde este decorreu (3), foi inaugurado um "... excellente retrato do nosso ilustre amigo sr. dr. Gaspar Teixeira de Queiroz, integérrimo Juiz de Direito, que foi sem dúvida alguma, a alma mater da creação d'aquella sociedade mercantil.",como refere o "A Aurora do Lima" de 23-01-1920.

A apologia do ilustre homenageado foi feita pelo gerente da Parceria o sr. João Baptista Ferreira, também ele um fundador, enaltecendo as qualidades morais e o dinamismo e empenho que o homenageado devotou a Viana do Castelo e ao seu crescimento e engrandecimento (4).

Neste acontecimento tão importante para os Estaleiros, Parceria de Pesca de Viana e para a cidade, não podiam ficar de fora os principais intervenientes, os que deram corpo e forma a tão belo como robusto navio, dando o melhor do seu saber e do seu esforço, quantas vezes suportando riscos que a profissão comporta, que são os trabalhadores. Também para eles houve reconhecimento da Parceria que na carpintaria dos Estaleiros mandou montar uma longa mesa, onde coubessem todos, belíssimamente decorada e onde não faltou comida com abundância para todo o pessoal.

Para rematar tão brilhante festa, que movimentou muita gente na cidade, especialmente a Confeitaria Brasileira, que serviu o banquete, realizou-se nas salas do palacete, uma animadíssima e concorrida festa onde se dançou até cerca das três horas da madrugada.

Eram assim naquele tempo os "bota-abaixo" dos navios da Parceria, que primava e fazia jus em assinalar de forma impressiva tão importantes datas.

Glossário:

(1) Boca - largura máxima

(2) Pontal - altura da quilha ao convés

(3) Local onde se situa actualmente o restaurante "Casa de Armas"

(4) O Dr. Gaspar Teixeira de Queiroz era natural dos Arcos de Valdevez

Fontes:

"A Aurora do Lima": 12-09-1918;23-01-1920

Viana do Castelo, 2010-05-07

Manuel de Oliveira Martins

Fonte: https://maolmar.blogs.sapo.pt/

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Tripulantes do Lugre Rio Lima

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O Capitão do Lugre Rio Lima, João Pereira Cajeiro

PESQUEIRAS DO RIO MINHO: APANHA DA LAMPREIA ABRE NO SÁBADO, 15 DE FEVEREIRO

A distinção destas estruturas seculares como Património de Interesse Nacional, processo encabeçado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, encontra-se em fase de ultimação.

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A pesca da lampreia na zona das pesqueiras, construções de pedra nas margens do rio Minho, inicia-se no dia 15 de fevereiro, prolongando-se até 21 de maio. Neste período, centenas de pescadores entre Lapela, em Monção, e o concelho de Melgaço, vão “atirar-se” ao rio para a apanha deste afamado ciclóstomo.

Por força do Regulamento de Pesca no Troço Internacional do Rio Minho, o uso do colete de salvação é obrigatório. Uma medida aprovada pela Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha que visa transmitir mais segurança e proteção aos pescadores.

Mais batidas e esguias, as lampreias apanhadas com utilização das redes colocadas nas pesqueiras são, regra geral, mais rígidas e saborosas. Tal deve-se à perda de gordura na exaustiva “viagem” entre a foz do rio Minho e a zona das pesqueiras.

Desde 15 de janeiro até 15 de abril, decorre a iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”, partilhada pelos seis concelhos do Vale do Minho. No caso de Monção, participam 17 restaurantes localizados no centro histórico da localidade e em várias freguesias do concelho.

Nos dias 29 de fevereiro e 1 de março, o Município de Monção, em colaboração com várias entidades, promove o fim-de-semana gastronómico dedicado à Lampreia do Rio Minho. O objetivo é divulgar este prato singular com tradição no concelho e dinamizar o setor hoteleiro em época baixa.

Pesqueiras do Rio Minho

As pesqueiras do Rio Minho, habilidosos sistemas de muros em pedra construídos a partir das margens, constituem um legado histórico de construções populares que testemunham a destreza, o engenho e a arte da pesca fluvial artesanal.

Hoje, como ontem, os seus proprietários ou arrendatários utilizam-nas, frequentemente, na captura do peixe do rio Minho através de engenhosas armadilhas como o botirão e cabaceira. Uma atividade com centenas de seguidores que ajuda a preservar esta arte de pesca milenar.

As primeiras referências escritas às pesqueiras do Rio Minho datam do século XI, aparecendo em documentos relativos às doações a mosteiros da Ribeira do Minho, sendo possível, a partir daqui, traçar o rumo da sua evolução, quer ao nível da propriedade e gestão, quer ao nível do processo de construção.

Dados recentes da Capitania de Caminha, referem que estão registadas 656 pesqueiras na margem portuguesa, das quais 161 estão licenciadas para a pesca. A distinção destas estruturas seculares como Património de Interesse Nacional, processo encabeçado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, encontra-se em fase de ultimação.

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ESPOSENDE RECLAMA SOLUÇÃO PARA A BARRA

Município de Esposende reclama solução urgente e definitiva para a barra

Na sequência do agravamento das condições da barra de Esposende, que impede o desenvolvimento da atividade piscatória local, o Município de Esposende está a desenvolver esforços na busca de uma solução para este problema.

Neste sentido, e tal como tinha sido adiantado pelo Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, o Município aprovou hoje, em reunião do executivo e por unanimidade, uma proposta a solicitar a intervenção do Ministério do Ambiente, com vista a uma solução definitiva, e a solicitar o reconhecimento do interesse estratégico do rio Cávado para a região, bem como a urgência das intervenções solicitadas, por parte da Comunidade Intermunicipal do Cávado e Conselho Regional do Norte, órgão consultivo da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). A proposta, que remetemos em anexo, será submetida à aprovação da Assembleia Municipal de Esposende, na sessão que decorrerá na próxima segunda-feira, dia 25 de novembro, às 21h00.

O objetivo é congregar forças de todas as partes interessadas, tanto a nível local, como regional e nacional, que permita a implementação urgente de uma intervenção que dê garantias de estabilidade e durabilidade, no sentido de assegurar a salvaguarda da atividade económica local, a segurança de pessoas e bens e a proteção dos valores paisagísticos e ambientais. Com efeito, além da atividade piscatória, está também em causa a segurança da própria cidade, pelo que o Município entendeu encomendar, por sua conta e no âmbito de uma candidatura ao POSEUR (Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos), um estudo/projeto que preconize a solução definitiva que se impõe.

No âmbito das diligências do Município, foi agendada para o próximo dia 13 de dezembro, às 10h00, a audiência solicitada ao Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, reunião na qual participarão o Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, o Presidente da Associação dos Pescadores Profissionais do Concelho de Esposende, Augusto Silva, o Capitão do Porto de Viana do Castelo, Sameiro Matias, e o Vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado.

DESCONTENTAMENTO DOS PESCADORES DE CAMINHA, VILA PRAIA DE ÂNCORA E CASTELO DO NEIVA PODE LEVAR A PROTESTO NO COMÍCIO DO PS EM VIANA DO CASTELO

Pescadores de Caminha, Vila Praia de Âncora e Castelo do Neiva denunciam desigualdade de tratamento e ameaçam com protesto no comício do PS em Viana do Castelo da próxima sexta-feira, dia 27 de Setembro

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Mestres e tripulantes de 49 embarcações locais estiveram reunidos com Presidente da Câmara Municipal de Caminha

O Presidente da Câmara Municipal de Caminha recebeu ontem cerca de meia centena de pescadores de Caminha, Vila Praia de Âncora e Castelo do Neiva que se mostram indignados com o tratamento desigual dado pelos responsáveis do empreendimento eólico Windfloat Atlantic (WFA) às embarcações que pescam no local agora ocupado pela obras de construção do parque eólico. Recorde-se que a WFA é um projeto de central eólica offshore orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP Renováveis e que integra como parceiros a Principle Power, a Repsol, a Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

O novo parque eólico cria uma zona de interdição de pesca ao longo do cabo submarino que liga a plataforma à costa (meio quilómetro para cada lado do cabo) numa extensão de várias quilómetros. O facto, impede as embarcações de exercerem a sua atividade e aumenta a procura nas zonas envolventes. É este facto que indigna os pescadores de 49 embarcações locais de Caminha, Vila Praia de Âncora e Castelo do Neiva esquecidos nas negociações que os responsáveis pelo consórcio, sob mediação do Governo, fizeram com algumas outras embarcações sem que se conheça o critério dessa exclusão. De acordo com os pescadores, 16 embarcações costeiras, primeiro, foram privilegiados com 1 milhão de euros e outras 28 embarcações locais, depois, foram beneficiadas com 500 mil euros de novas compensações, tendo sido postas de lado 49 embarcações locais que têm direitos de pesca sobre a mesma zona e vão ver, áreas mais próximas dos seus portos, afetadas pelo aumento do esforço provocado pela interdição.

Os pescadores uniram-se e vieram pedir apoio ao autarca de Caminha, Miguel Alves, no sentido de fazerem ouvir a sua voz junto do consórcio e do Governo. A indignação pelo esquecimento das suas embarcações e das suas famílias é maior por não se conhecerem os critérios da preferência de umas embarcações pelas outras, de não serem ouvidos pelas entidades públicas e privadas, de terem um duplo prejuízo pela diminuição da área de pesca e de estarem centenas de postos de trabalho em risco. O sentimento de injustiça é ainda maior pela percepção que há que aqueles que sempre estiveram de boa fé no processo não têm direito a nada e aqueles que, sem razão, ameaçaram boicotar festas e a prossecução da obra saíram beneficiados com 1.5 milhões de euros. Neste momento, sem soluções, os pescadores admitem várias formas de protesto e uma delas passa por marcar presença no comício do PS em Viana do Castelo, do dia 27 de setembro, sexta-feira, que se realizará no Largo da Estação às 21H e contará com a presença de António Costa. A colocação de uma providência cautelar e o boicote às próximas eleições legislativas são outras das ações em ponderação pela classe piscatória.

O Presidente da Câmara Municipal de Caminha, que tem vindo a acompanhar a situação, com muita preocupação, ao longo das últimas semanas, ouviu as reivindicações dos pescadores ao lado do Comandante da Capitania de Caminha e prometeu colocar a questão ao Governo de modo a que se possa encontrar uma solução justa, rápida e eficaz para esta situação e evitar qualquer ação mais intempestiva por parte dos pescadores indignados.

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PONTE DE LIMA ABRE FEIRA DA CAÇA

XI Feira da Caça, Pesca e Lazer, 21 a 23 de junho, no Pavilhão de Feiras e Exposições de Ponte de Lima

O Município de Ponte de Lima, em parceria com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima, aposta novamente na promoção e divulgação de todos os serviços e atividades ligadas ao setor da Caça, da Pesca e do Lazer, como também aos recursos cinegéticos do concelho.

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O concelho limiano dispõe de um numeroso conjunto de recursos de caça e pesca, que juntamente com o lazer formam um forte alvo de investimento e de procura. Assim, diversas empresas e associações dedicam-se a estas atividades e temáticas, promovendo o desenvolvimento do concelho. Desta forma, o evento pretende constituir-se como um fator de dinamização destes sectores, promovendo os recursos cinegéticos, as potencialidades para a pesca desportiva de água doce e o património natural e cultural do concelho associada à divulgação das diversas componentes turísticas do território.

Esta edição é feita em moldes semelhantes ao ano anterior, visto que tem respondido às exigências e às necessidades dos setores envolvidos, potenciando o seu encontro, com vantagens recíprocas.

A XI Feira da Caça, Pesca e Lazer tem assinatura do Município de Ponte de Lima, contando com a colaboração das Federações de âmbito nacional, de Associações do concelho, e de vários sectores que vão além da Caça e da Pesca, à Apicultura, Desporto, Floresta, Recreação, e Lazer, acrescentando novas dinâmicas ao certame.

Neste contexto, convidamos o Vosso Órgão de comunicação para a abertura oficial, na sexta-feira, às 17 horas.

Confira o programa da XI Feira de Caça, Pesca e Lazer de Ponte de Lima, a realizar de 21 a 23 de junho, no Pavilhão de Feiras e Exposições de Ponte de Lima:

21 Sexta-feira

16h00 - Colóquio da Fencaça | “Compatibilização da Atividade Cinegética com as Atividades Turísticas Emergentes no Mundo Rural”

17h00 - Cerimónia de Inauguração

18h00 - Apresentação Pública de Novos Produtos de Artesanato

20h00 - Animação Musical

20h30 - Festa do Caçador (mediante inscrição prévia)

21h00 - Prova de Vinhos “A Casta Loureiro na Sub-região do Lima”

21h30 - Animação Musical

22h00 - Concerto - Sons do Minho

00h00 - Encerramento

22 Sábado

10h00 - Abertura da Feira

            Concurso de Pesca do Rio Lima

            Exposição de Matilhas

11h00 - Corrida de Galgos

12h00 - Animação Musical

14h30 - Concurso de Beleza de Podengos de Matilha

            Corrida de Galgos

15h30 - Showcooking: “À Caça do Codorniz”, com o Chef Daniel Pinheiro do Restaurante Casa do Provedor

16h00 - Concurso de Beleza de Cães de Presa

17h00 - Entrega de Prémios

17h30 - Demonstração de Traje Juvenil, Feminino e Masculino

18h00 - Concurso de Toque de Búzio

            Harmonização do Vinho Verde e Mel com a Pastelaria Limiana

20h00 - Animação Musical

21h00 - Prova de Vinhos Loureiro de Ponte de Lima

23h00 - Concerto - Andrea Pousa

00h30 - Encerramento

23 Domingo

07h00 - VI Troféu de Santo Huberto (Concentração na Expolima)

10h00 - Abertura da Feira

11h00 - Reunião de Esclarecimento | “Legislação e Importância das Matilhas de Caça Maior” - APMCM

12h00 - Animação Musical

15h00 - Concurso de Beleza de Cães de Rasto

            À Descoberta do Vinho Verde com Chocolate

15h30 - Concurso de Cães de Parar

16h00 - Concurso de Beleza do Podengo Português

            Concurso de Mel

16h30 - Entrega de Prémios

19h00 - Encerramento

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PONTE DE LIMA REALIZA FEIRA DA CAÇA, PESCA E LAZER

Ponte de Lima realiza de 21 a 23 de junho a XI Feira da Caça, Pesca e Lazer

O Município de Ponte de Lima em parceria com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima organizam a Feira de Caça, Pesca e Lazer de 21 a 23 de junho de 2019, na Expolima.

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A completar a XI edição, o certame aposta na promoção dos recursos cinegéticos do concelho, assim como as suas potencialidades transversais aos campos da pesca desportiva de água doce, da caça, e do turismo, numa estreita ligação com o património natural e cultural, alicerçada numa forte aposta turística do concelho de Ponte de Lima.

Há semelhança das edições anteriores, este evento conta com a colaboração das federações de âmbito nacional e associações do concelho, de vários setores que vão além da Caça e da Pesca, à Apicultura, Desporto, Floresta, Recreação, e Lazer e que acrescentam novas dinâmicas ao certame.

Esta feira, com mais de uma década de existência, vai contar com várias áreas de exposição de artigos da especialidade, demonstrações de aves de cetraria, mostras de espécies cinegéticas, tasquinhas com pratos e petiscos, e como não poderia deixar de ser, provas de caça, pesca, e um leque diverso de outras atividades de desporto, lazer e muita animação musical.

O concelho limiano dispõe de um numeroso conjunto de recursos de caça e pesca, que juntamente com o lazer formam um forte alvo de investimento e de procura. Assim, diversas empresas e associações dedicam-se a estas atividades e temáticas, permitindo satisfazer as exigências dos que procuram o lazer e uma maneira distinta de passar as suas férias ou um fim-de-semana prolongado, possibilitando a fruição de dias diferentes, longe do bulício das grandes cidades. Em simultâneo esta dinâmica acrescenta valor e sustentabilidade ao desenvolvimento do concelho através da promoção do turismo ativo e de natureza.

Para mais informação, consultar: https://www.visitepontedelima.pt/pt/turismo/xi-feira-de-caca-pesca-e-lazer/

FAFE DINAMIZA CAÇA E PESCA

Município de Fafe celebra protocolo para dinamização de atividades de caça e pesca no concelho

A Câmara Municipal de Fafe assinou protocolos de colaboração com a Associação de Caça e Pesca Montes de Fafe e o Clube de Amadores de Caça e Pesca de Fafe, para a dinamização de atividades no concelho, ao longo do ano.

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As duas entidades comprometem-se, através dos protocolos estabelecidos, a colaborar nos eventos que o Município de Fafe promova, relacionados com a caça e a pesca desportiva, promover a largada de perdizes para aumento do seu efetivo, promover uma atividade de largada de trutas, efetuar o repovoamento de trutas nos cursos de água do concelho de Fafe e ainda a dinamizar ações de sensibilização sobre boas praticas ambientais, junto dos caçadores em geral e associados em particular.

O Presidente da Câmara, Raul Cunha, revelou na ocasião que “a assinatura destes dois protocolos reflete o bom relacionamento e a parceria que mantemos com estas associações e que tem gerado bons resultados, como comprovamos, por exemplo, na organização exemplar da Montaria ao Javali.

Aproveito a ocasião para agradecer o empenho e o apoio que nos dão na caça e na pesca, áreas importantes para o Município e para a a comunidade fafense que se revê e gosta deste tipo de atividades.

A caça e pesca são atividades que nos enriquecem e que permitem atrair muitos visitantes e, uma vez que a estrutura autárquica não tem técnicos especialistas nesta área, é fundamental esta parceria estreita com estas duas associações que representam os fafenses praticantes destas modalidades.

Faço votos que este bom entendimento se estenda por muitos e bons anos, consolidando esta relação próxima. Estamos abertos a sugestões que nos queira transmitir, como sempre.”

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JOSÉ MANUEL SOBRAL VAI AO NAVIO GIL EANES FALAR SOBRE O BACALHAU

Ciclo de Estudos “Gastronomia e Cultura”: José Manuel Sobral fala sobre o “fiel amigo” no Navio Gil Eannes

No próximo dia 28de fevereiro (quinta-feira), José Sobral apresenta a comunicação “O bacalhau: de peixe a Fiel Amigo”, integrada no Ciclo de Estudos “Gastronomia e Cultura”, iniciativa do Centro de Estudos Regionais.A conferência tem lugar no Navio Gil Eannes, às 17.00 horas. A entrada é livre.

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José Manuel Sobral é licenciado em História e Doutor em Antropologia. Ensinou históriamedieval e contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, antes de sededicar à antropologia, com uma tese realizada no centro de Portugal – publicada comolivro, Trajetos: o Passado e o Presente na Vida de uma Freguesia da Beira (1999) – emque se combina a observação antropológica com a reconstituição histórica.Mantendo uma perspetiva interdisciplinar, em que a antropologia se articula com ahistória e a sociologia, prosseguiu o seu trabalho em domínios como a etnicidade e onacionalismo, o racismo, a memória social, as epidemias, a história da antropologiaportuguesa, a alimentação e a cozinha.Os últimos projetos em que tem trabalhadoabordam uma análise genealógica do papel social e icónico do bacalhau em Portugal, asrelações entre alimentação, cozinha e identidade e o “nacionalismo à distância” deimigrantes em Portugal.Foi Presidente da Associação Portuguesa de Antropologia e é o diretor atual da revistaAnálise Social. Tem desenvolvido uma ampla atividade como docente e supervisorcientífico. Coordenou o Doutoramento em Antropologia e foi presidente da Comissão dePós-Graduação do ICS-UL. Tem uma ampla obra publicada, em artigos e livros. 

O Ciclo de Estudos “Gastronomia e Cultura” é organizado pelo Centro de Estudos Regionais, no âmbito das atividades da sua Academia Sénior, contando nesta conferência com o apoio da Fundação Gil Eannes.         

A direção do Centro de Estudos Regionais

Viana do Castelo, 25de fevereiro de 2019

APANHA DA LAMPREIA NAS PESQUEIRAS ABRE AMANHÃ NAS MARGENS DO RIO MINHO

A pesca da lampreia na zona das pesqueiras, construções de pedra nas margens do rio Minho, inicia-se amanhã, 15 de fevereiro, prolongando-se até meados de abril. Neste período, centenas de pescadores entre Lapela, em Monção, e o concelho de Melgaço, vão “atirar-se” ao rio para a apanha deste afamado ciclóstomo.

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Por força do Regulamento de Pesca no Troço Internacional do Rio Minho, o uso do colete de salvação é obrigatório. Uma medida aprovada pela Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha, surgindo na sequência de dois acidentes mortais registados no último ano.

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Mais batidas e esguias, as lampreias apanhadas com utilização das redes colocadas nas pesqueiras são, regra geral, mais rígidas e saborosas. Tal deve-se à perda de gordura na exaustiva “viagem” entre a foz do rio Minho e a zona das pesqueiras.

Desde 15 de janeiro até 15 de abril, decorre a iniciativa “Lampreia do Rio Minho – Um Prato de Excelência”, partilhada pelos seis concelhos do Vale do Minho. No caso de Monção, participam 23 restaurantes localizados no centro histórico da localidade e em várias freguesias do concelho.

Com tradição, requinte e inovação, disponibilizam a afamada Lampreia do Rio Minho, apresentando, nas respetivas ementas, o tradicional arroz de lampreia ou à bordalesa, bem como opções mais contemporâneas: sushi, escabeche ou empanada. Para acompanhar, uma garrafa de Alvarinho, um dos melhores vinhos brancos do mundo.

Neste período, o Município de Monção disponibiliza um programa complementar que engloba visitas a locais de interesse cultural, percursos por lugares naturais e patrimoniais e atividades de desporto e lazer. O ponto alto acontece no fim de semana, 23 e 24 de fevereiro, com a realização do Rali à Lampreia. Este ano, com a novidade de uma prova de qualificação noturna.

Dados recentes da Capitania de Caminha, referem que estão registadas 660 pesqueiras na margem portuguesa, das quais 130 estão ativas. Presentemente, decorre o processo, encabeçado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, para distinguir aquelas estruturas seculares como Património de Interesse Nacional.

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