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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A GAIVOTA É UMA FIGURA EMBLEMÁTICA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA QUE MERECIA A MAIOR ATENÇÃO POR PARTE DO ARTESANATO TRADICIONAL – FOTO DE CARLOS VIEIRA

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Ainda os primeiros raios de sol não despontam no horizonte e já os pescadores de Vila Praia de Âncora fazem-se ao mar para recolher as redes – e lançar outras – que hão-de trazer o peixe que se tranforma no pão que vai à sua mesa. As mulheres aguardam ansiosamente a sua chegada junto à lota. Já não receiam os perigos que no portinho espreitavam a entrada da barra… e agora persistem com o constante assoreamento.

À distância avistam-se as gaivotas esvoaçando em torno da embarcação, sinal de que vem farta de peixe. Os pescadores partilham com elas os restos da pescaria que não aproveita aos clientes.

Ao final do dia, as gaivotas animam o extenso areal que vai até à Gelfa. E, à noitinha, desaparecem num ápice para os seus aposentos para só voltarem às lides quando os mais madrugadores partirem para a faina.

A gaivota é um ex-líbris de Vila Praia de Âncora. Estranha-se, pois, que ainda não tenha sido lembrada por aqueles que do artesanato fazem a promoção da nossa região!

COMEÇOU A ÉPOCA DA LAMPREIA NO ALTO MINHO

Começou a época por excelência da pesca à lampreia, uma iguaria com muita tradição no Alto Minho e que todos os anos atrai muita gente à região.

Este ciclóstomo que nasce no rio, cresce e desenvolve-se no mar, regressa mais tarde ao seu local de origem para procriar onde acaba por morrer. A pesca da lampreia é feita através de várias artes, as estacadas, as lampreeiras (rede de emalhar), ou as antigas e famosas pesqueiras. São várias as regras e condições para a sua pesca com referências, por exemplo, às Ordenanças Manuelinas ou Filipinas. O governo central bem como o local sempre tiveram especial atenção na regulamentação da pesca desta e de outras iguarias que “saíam” dos rios, impondo épocas e apetrechos para a sua pesca.

Partilhamos as imagens de dois Processos do Fundo Secção Hidráulica de Viana do Castelo.

O processo sobre o pedido de licença requerida por Jorge Pereira de Queirós Lacerda e Melo em 1886, para colocar estacada para pesca de lampreia, no sítio denominado de Canal da Mata de Baixo, no rio Lima em Ponte da Barca. (https://digitarq.advct.arquivos.pt/details?id=1080796)

O processo de 1897 sobre a “resolução sobre a pesca de noite, das lampreias e enguias, segundo o §1º do art.º 47 do regulamento dos serviços aquícolas, e de toda a pesca em geral”, relativo a licenças de pesca nocturna de enguias e lampreias e à posterior proibição de pesca nos rios, ribeiros e demais águas interiores daquelas espécies e todas as restantes, excepto truta, salmão e peixes que vivem interpolados em água doce e salgada. (https://digitarq.advct.arquivos.pt/details?id=1083461)

Pode encontrar estas e outras referencias à pesca da lampreia em https://digitarq.advct.arquivos.pt/results...

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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ESPOSENDE: TERRA DE PESCADORES - GENTE DE FÉ!

A pesca é porventura um dos mais antigos meios de sobrevivência do ser humano, a par da caça e anteriormente à criação da agricultura.

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São inúmeras as referências bíblicas à pesca e ao peixe. E, foi precisamente um pescador – Simão, chamado Pedro! – que Jesus escolheu de entre os doze apóstolos para sobre ele edificar a Igreja. “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18).

E foi ainda de “pescadores de homens” que Jesus fez os seus apóstolos, levando-os a pregar pelo mundo inteiro. Tal como foi aos peixes que Santo António pregou. Não admira, pois, que o peixe tornou-se o símbolo do Cristianismo dede os seus primórdios.

Os pescadores de Esposende – os pescadores em geral – são os descendentes desses primitivos cristãos que do mar tomam o peixe como o seu próprio pão!

Fotos: Luís Eiras / Esposende Altruísta

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PESCADORES DE ESPOSENDE SÃO OS QUE ANDAM NO MAR!

Como disse o sábio grego Platão, existem no mundo três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar.

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«Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens”» (Mateus 5, 18-19).

Fotos: Luís Eiras / Esposende Altruísta

MUNICÍPIO DE ESPOSENDE E POLIS LITORAL NORTE MODERNIZAM PORTINHO DE APÚLIA

Investimento superior a meio milhão de euros

Já há luz verde para a concretização da intervenção de requalificação e modernização do portinho de pesca de Apúlia, que será levada a cabo pela Polis Litoral Norte.

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A obra visa dotar este portinho de pesca de infraestruturas renovadas e necessárias ao seu funcionamento e traduz-se num investimento estimado de cerca de 530 mil euros, que será financiado pelo Município de Esposende e Programa Operacional Mar 2020.

Atendendo ao estado de degradação a que esta área foi sujeita nos últimos anos, por força das investidas marítimas, esta intervenção reveste-se de caráter de urgência, razão pela qual a Polis Litoral Norte solicitou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a dispensa total do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiente (AIA), a qual recebeu parecer favorável. A isenção de AIA, processo muito demorado, teve ontem, dia 11 de janeiro, a sua conclusão, ao ser publicado no Diário da República, o que permite avançar, desde já, com a obra prevista há mais de dois anos. Em causa está a minimização dos riscos costeiros sobre pessoas e bens, bem como a valorização do portinho de pesca, nas suas vertentes ambientais, económicas e sociais.

A intervenção contempla a beneficiação do edifício de arrumos de aprestos e apoio aos pescadores, nomeadamente a beneficiação das fachadas; revisão geral e reparação do revestimento de piso da cobertura plana e sua impermeabilização; execução de caleira periférica; tratamento/substituição de guardas metálicas da cobertura; beneficiação dos balneários e dos sanitários dos arrumos; e instalação de novas bancadas de trabalho/exposição. Os trabalhos integram também o prolongamento para norte do muro de defesa e proteção existente a sul, a instalação de plataformas laváveis e amovíveis para deposição das artes de pesca, de iluminação exterior e sistema de videovigilância, de sistema de depósito de resíduos diferenciados e a reparação generalizada da rampa de acesso ao mar.

O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, sublinha que esta obra se reveste da maior relevância, na medida em que visa dotar este espaço de melhores condições, nomeadamente para o desenvolvimento da atividade da comunidade piscatória que ali opera. O autarca salienta o elevado investimento desta intervenção, notando que o plano de investimentos do Município contempla um conjunto de intervenções e projetos em todas as freguesias do concelho, cumprindo aquilo que são os anseios e as necessidades das populações.

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BARCO DE PESCA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA NAUFRAGA EM VIANA DO CASTELO

Estação Salva-vidas de Viana do Castelo auxilia sete tripulantes de uma embarcação de pesca que afundou em Viana do Castelo.

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Os elementos da Estação Salva-vidas de Viana do Castelo auxiliaram, durante a madrugada de hoje, sete tripulantes que seguiam a bordo de uma embarcação de pesca que se encontrava a afundar, a cerca de 16,6 milhas náuticas (cerca de 30km) de Viana do Castelo.

O alerta foi recebido pelas 02h55 através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa), após uma embarcação de pesca que navegava perto do local ter informado que se encontrava uma outra embarcação a afundar com sete tripulantes a bordo ao largo de Viana do Castelo, tendo sido ativada de imediato para o local a embarcação da Estação Salva-vidas de Viana do Castelo.

No local, os elementos da Estação Salva-vidas constataram que os sete tripulantes se encontravam a bordo da embarcação de pesca que deu o alerta, tendo procedido ao transbordo e transporte dos mesmos até Viana do Castelo, onde o mestre da embarcação acidentada acabou por ser encaminhado para uma unidade hospitalar por se queixar de fortes dores num braço. Os restantes tripulantes não necessitaram de assistência médica.

A embarcação de pesca acabou por afundar pelas 04h45, tendo sido efetuado o respetivo aviso à navegação com a localização da mesma.

O Comando-local da Polícia Marítima de Viana do Castelo tomou conta da ocorrência, desconhecendo-se para já as causas que tiveram na origem do acidente.

Texto e foto: Autoridade Marítima Nacional

BLOCO DE ESQUERDA RECLAMA DESASSOREAMENTO DO PORTO DE PESCA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Porto de pesca de Vila Praia de Âncora necessita de desassoreamento urgente

No dia 17 de novembro, deputadas do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda visitaram o porto de pesca de Vila Praia de Âncora, em Caminha, e reuniram com a associação de pescadores local, tendo confirmado as más condições de navegabilidade enfrentadas pelos profissionais daquela comunidade piscatória.

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O assoreamento do porto de pesca de Vila Praia de Âncora é um problema que se arrasta há anos, sem que o Governo atue de forma célere para que sejam realizadas as necessárias dragagens de manutenção e repostas as condições para a navegação em segurança.

As más condições de navegabilidade no porto de pesca têm impedido os pescadores de sair para o mar em muitos dias nos quais as condições climatéricas são propícias para a sua atividade. Esta situação resulta na redução dos rendimentos dos pescadores e das suas famílias e impede a chegada de pescado fresco à lota local com maior frequência.

Representantes da Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora informaram as deputadas do Bloco de Esquerda que, no passado, o porto de pesca assoreou de novo rapidamente após operações de dragagem. Os pescadores locais entendem que tal se deve à configuração dos molhes que delimitam o porto, exigindo, por isso, a reavaliação do posicionamento daquelas estruturas.

O Bloco de Esquerda entende que o Governo deve atuar de forma célere para resolver os problemas de navegabilidade no porto de pesca de Vila Praia de Âncora para que os profissionais da pesca possam exercer a sua atividade em segurança.

Durante a após as necessárias dragagens de manutenção e a eventual reconfiguração dos molhes, o Governo deve garantir a salvaguarda dos valores ambientais daquela faixa litoral.

O Grupo  Parlamentar do Bloco de Esquerda querem saber para quando está previsto o início das dragagens de manutenção no porto de Vila Praia de Âncora e qual é o tempo de duração, estimado pelo Governo, da manutenção das boas condições de navegabilidade no porto de pesca de Vila Praia de Âncora, após as operações de dragagem. 

Por ultimo, os deputados perguntam se dada a necessidade frequente de desassoreamento de barras e portos nacionais, de investimentos avultados nas concessões das operações de dragagem a empresas privadas e dada a necessidade de se salvaguardar os valores ambientais durante e após as intervenções, considera o Governo criar uma empresa pública de dragagens para dar uma resposta adequada a estas necessidades.

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NAVIO GIL EANNES: ASSISTÊNCIA A BORDO AOS PESCADORES NOS BANCOS DA TERRA NOVA

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Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

O Navio Hospital

O Comandante Mário Esteves, falecido em 2015, assumiu a responsabilidade maior do Gil Eannes durante 16 anos, no período 1955/1971. Em entrevistas ou em escritos que fez, o Comandante Esteves narra com abundância de detalhe as grandezas deste hospital flutuante.

Em 1996, quando o Gil Eannes agoniava na doca do Espanhol, em Alcântara-Mar, o Comandante deu uma entrevista sentida ao Jornal de Notícias, louvando o impressionante desempenho do navio polivalente no apoio à nossa frota bacalhoeira. Segundo o mesmo, no plano da saúde, este proporcionava por época de pesca cerca de 1500 consultas e por campanha ficavam internados a bordo cerca de 400 doentes acidentados. Também por época, eram efetuadas cerca de sete dezenas de intervenções de grande cirurgia e faziam-se mais de duas centenas de extrações dentárias.

O Gil Eannes tinha muitas outras e nobres funções, mas foi no apoio à saúde dos nossos pescadores bacalhoeiros que ele mais se notabilizou, como é bem patente nesta sequência de imagens.

ARCEBISPO MANUEL TRINDADE SANGUEIRO PRESIDE À BENÇÃO DOS BACALHOEIROS EM 1944 E 1958 CONTANDO COM A PRESENÇA DO ALMIRANTE HENRIQUE TENREIRO

As imagens registam a cerimónia da Benção dos bacalheiros em 1944 e 1958, com o Arcebispo Manuel Trindade Sangueiro, grande amigo do Almirante Henrique Tenreiro e dos pescadores.

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Manuel Trindade Sangueiro nasceu em Ílhavo a 28 de setembro de 1898, filho de gente humilde, ficou órfão de pai muito novo (seu pai perdeu a vida no mar, como tantos dos nossos conterrâneos), fez a instrução primária num colégio de religiosos. Estudou no Seminário de Coimbra, sendo ordenado sacerdote em 1921. Na Universidade de Estrasburgo licenciou-se em Direito Canónico e doutorou-se em teologia.

Em Coimbra foi professor no Seminário e na Faculdade de Letras, até ser nomeado bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa em 1941. Arcebispo de Mitilene desde 1949, em 1955 passou a Arcebispo de Évora. A Escola de Pesca, o Bairro dos Pescadores e o Centro Paroquial são algumas das obras do seu legado a Ílhavo.

São suas obras principais: "La Doctrine de Saint Augustim sur la Grâce d'après le traité à Simplicien" (1925), "Papel da Vontade na Educação" (1933), "Pureza e Sensualismo" (1938), "Conhecimento Intelectual na Filosofia de Frei João de São Tomás" (1940), "Inspiração Espiritual das Misericórdias" (1958) e "Fundamentos Teológicos da apostolado dos Leigos" (1959).

Faleceu em Ílhavo a 19 de setembro de 1965.

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Gentileza: Dr. Henrique Marçal

VIANA DO CASTELO: REVISTA LUSO-BRASILEIRA PUBLICOU EM 1956 UMA EXTENSA REPORTAGEM SOBRE O NAVIO GIL EANNES

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Fonte: Dua Pátrias – Revista Documentário Luso-Brasileira. Nº 2. 1955-1956

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

Nossa Senhora de Fátima

Quando se fez ao mar ruma às terras do bacalhau, a 12 de maio de 1955, o Gil Eannes, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que os pescadores portugueses fizeram questão de ofertar à comunidade católica de St John´s.

Logo que o navio aportou, a cerimónia que se seguiu, rodeada do aparato próprio dos grandes eventos religiosos, foi vivida com desmedida emoção. Ângelo Silva, um Senhor no conhecimento da pesca do Bacalhau, que foi enfermeiro no Gil Eannes, diz que a descrição não chega para retratar a comoção com que se viveu o acontecimento. Só estando lá.

Os pescadores, regra geral, são pessoas de fé profunda. A sua atividade profissional, com a vida permanentemente em perigo, muito contribui para tal. Na pesca do bacalhau, essa ligação à religiosidade, pelo que ainda hoje se ouve a antigos pescadores, era ainda mais enraizada. Não é por acaso que o Gil Eannes dispunha de todas as condições para o culto religioso.

O estado de êxtase que se devia ter vivido naquela cerimónia rodeada de sentimento de irmanação entre povos, que sendo diferentes viviam em grande proximidade, é por isso compreensível. Com esta cerimónia de componentes religiosa e profana estava feito o acolhimento ao “navio da esperança”, como muitos o apelidavam.