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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MUNICÍPIO DE ESPOSENDE E POLIS LITORAL NORTE MODERNIZAM PORTINHO DE APÚLIA

Investimento superior a meio milhão de euros

Já há luz verde para a concretização da intervenção de requalificação e modernização do portinho de pesca de Apúlia, que será levada a cabo pela Polis Litoral Norte.

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A obra visa dotar este portinho de pesca de infraestruturas renovadas e necessárias ao seu funcionamento e traduz-se num investimento estimado de cerca de 530 mil euros, que será financiado pelo Município de Esposende e Programa Operacional Mar 2020.

Atendendo ao estado de degradação a que esta área foi sujeita nos últimos anos, por força das investidas marítimas, esta intervenção reveste-se de caráter de urgência, razão pela qual a Polis Litoral Norte solicitou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a dispensa total do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiente (AIA), a qual recebeu parecer favorável. A isenção de AIA, processo muito demorado, teve ontem, dia 11 de janeiro, a sua conclusão, ao ser publicado no Diário da República, o que permite avançar, desde já, com a obra prevista há mais de dois anos. Em causa está a minimização dos riscos costeiros sobre pessoas e bens, bem como a valorização do portinho de pesca, nas suas vertentes ambientais, económicas e sociais.

A intervenção contempla a beneficiação do edifício de arrumos de aprestos e apoio aos pescadores, nomeadamente a beneficiação das fachadas; revisão geral e reparação do revestimento de piso da cobertura plana e sua impermeabilização; execução de caleira periférica; tratamento/substituição de guardas metálicas da cobertura; beneficiação dos balneários e dos sanitários dos arrumos; e instalação de novas bancadas de trabalho/exposição. Os trabalhos integram também o prolongamento para norte do muro de defesa e proteção existente a sul, a instalação de plataformas laváveis e amovíveis para deposição das artes de pesca, de iluminação exterior e sistema de videovigilância, de sistema de depósito de resíduos diferenciados e a reparação generalizada da rampa de acesso ao mar.

O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, sublinha que esta obra se reveste da maior relevância, na medida em que visa dotar este espaço de melhores condições, nomeadamente para o desenvolvimento da atividade da comunidade piscatória que ali opera. O autarca salienta o elevado investimento desta intervenção, notando que o plano de investimentos do Município contempla um conjunto de intervenções e projetos em todas as freguesias do concelho, cumprindo aquilo que são os anseios e as necessidades das populações.

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BARCO DE PESCA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA NAUFRAGA EM VIANA DO CASTELO

Estação Salva-vidas de Viana do Castelo auxilia sete tripulantes de uma embarcação de pesca que afundou em Viana do Castelo.

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Os elementos da Estação Salva-vidas de Viana do Castelo auxiliaram, durante a madrugada de hoje, sete tripulantes que seguiam a bordo de uma embarcação de pesca que se encontrava a afundar, a cerca de 16,6 milhas náuticas (cerca de 30km) de Viana do Castelo.

O alerta foi recebido pelas 02h55 através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa), após uma embarcação de pesca que navegava perto do local ter informado que se encontrava uma outra embarcação a afundar com sete tripulantes a bordo ao largo de Viana do Castelo, tendo sido ativada de imediato para o local a embarcação da Estação Salva-vidas de Viana do Castelo.

No local, os elementos da Estação Salva-vidas constataram que os sete tripulantes se encontravam a bordo da embarcação de pesca que deu o alerta, tendo procedido ao transbordo e transporte dos mesmos até Viana do Castelo, onde o mestre da embarcação acidentada acabou por ser encaminhado para uma unidade hospitalar por se queixar de fortes dores num braço. Os restantes tripulantes não necessitaram de assistência médica.

A embarcação de pesca acabou por afundar pelas 04h45, tendo sido efetuado o respetivo aviso à navegação com a localização da mesma.

O Comando-local da Polícia Marítima de Viana do Castelo tomou conta da ocorrência, desconhecendo-se para já as causas que tiveram na origem do acidente.

Texto e foto: Autoridade Marítima Nacional

BLOCO DE ESQUERDA RECLAMA DESASSOREAMENTO DO PORTO DE PESCA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Porto de pesca de Vila Praia de Âncora necessita de desassoreamento urgente

No dia 17 de novembro, deputadas do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda visitaram o porto de pesca de Vila Praia de Âncora, em Caminha, e reuniram com a associação de pescadores local, tendo confirmado as más condições de navegabilidade enfrentadas pelos profissionais daquela comunidade piscatória.

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O assoreamento do porto de pesca de Vila Praia de Âncora é um problema que se arrasta há anos, sem que o Governo atue de forma célere para que sejam realizadas as necessárias dragagens de manutenção e repostas as condições para a navegação em segurança.

As más condições de navegabilidade no porto de pesca têm impedido os pescadores de sair para o mar em muitos dias nos quais as condições climatéricas são propícias para a sua atividade. Esta situação resulta na redução dos rendimentos dos pescadores e das suas famílias e impede a chegada de pescado fresco à lota local com maior frequência.

Representantes da Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora informaram as deputadas do Bloco de Esquerda que, no passado, o porto de pesca assoreou de novo rapidamente após operações de dragagem. Os pescadores locais entendem que tal se deve à configuração dos molhes que delimitam o porto, exigindo, por isso, a reavaliação do posicionamento daquelas estruturas.

O Bloco de Esquerda entende que o Governo deve atuar de forma célere para resolver os problemas de navegabilidade no porto de pesca de Vila Praia de Âncora para que os profissionais da pesca possam exercer a sua atividade em segurança.

Durante a após as necessárias dragagens de manutenção e a eventual reconfiguração dos molhes, o Governo deve garantir a salvaguarda dos valores ambientais daquela faixa litoral.

O Grupo  Parlamentar do Bloco de Esquerda querem saber para quando está previsto o início das dragagens de manutenção no porto de Vila Praia de Âncora e qual é o tempo de duração, estimado pelo Governo, da manutenção das boas condições de navegabilidade no porto de pesca de Vila Praia de Âncora, após as operações de dragagem. 

Por ultimo, os deputados perguntam se dada a necessidade frequente de desassoreamento de barras e portos nacionais, de investimentos avultados nas concessões das operações de dragagem a empresas privadas e dada a necessidade de se salvaguardar os valores ambientais durante e após as intervenções, considera o Governo criar uma empresa pública de dragagens para dar uma resposta adequada a estas necessidades.

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NAVIO GIL EANNES: ASSISTÊNCIA A BORDO AOS PESCADORES NOS BANCOS DA TERRA NOVA

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Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

O Navio Hospital

O Comandante Mário Esteves, falecido em 2015, assumiu a responsabilidade maior do Gil Eannes durante 16 anos, no período 1955/1971. Em entrevistas ou em escritos que fez, o Comandante Esteves narra com abundância de detalhe as grandezas deste hospital flutuante.

Em 1996, quando o Gil Eannes agoniava na doca do Espanhol, em Alcântara-Mar, o Comandante deu uma entrevista sentida ao Jornal de Notícias, louvando o impressionante desempenho do navio polivalente no apoio à nossa frota bacalhoeira. Segundo o mesmo, no plano da saúde, este proporcionava por época de pesca cerca de 1500 consultas e por campanha ficavam internados a bordo cerca de 400 doentes acidentados. Também por época, eram efetuadas cerca de sete dezenas de intervenções de grande cirurgia e faziam-se mais de duas centenas de extrações dentárias.

O Gil Eannes tinha muitas outras e nobres funções, mas foi no apoio à saúde dos nossos pescadores bacalhoeiros que ele mais se notabilizou, como é bem patente nesta sequência de imagens.

ARCEBISPO MANUEL TRINDADE SANGUEIRO PRESIDE À BENÇÃO DOS BACALHOEIROS EM 1944 E 1958 CONTANDO COM A PRESENÇA DO ALMIRANTE HENRIQUE TENREIRO

As imagens registam a cerimónia da Benção dos bacalheiros em 1944 e 1958, com o Arcebispo Manuel Trindade Sangueiro, grande amigo do Almirante Henrique Tenreiro e dos pescadores.

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Manuel Trindade Sangueiro nasceu em Ílhavo a 28 de setembro de 1898, filho de gente humilde, ficou órfão de pai muito novo (seu pai perdeu a vida no mar, como tantos dos nossos conterrâneos), fez a instrução primária num colégio de religiosos. Estudou no Seminário de Coimbra, sendo ordenado sacerdote em 1921. Na Universidade de Estrasburgo licenciou-se em Direito Canónico e doutorou-se em teologia.

Em Coimbra foi professor no Seminário e na Faculdade de Letras, até ser nomeado bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa em 1941. Arcebispo de Mitilene desde 1949, em 1955 passou a Arcebispo de Évora. A Escola de Pesca, o Bairro dos Pescadores e o Centro Paroquial são algumas das obras do seu legado a Ílhavo.

São suas obras principais: "La Doctrine de Saint Augustim sur la Grâce d'après le traité à Simplicien" (1925), "Papel da Vontade na Educação" (1933), "Pureza e Sensualismo" (1938), "Conhecimento Intelectual na Filosofia de Frei João de São Tomás" (1940), "Inspiração Espiritual das Misericórdias" (1958) e "Fundamentos Teológicos da apostolado dos Leigos" (1959).

Faleceu em Ílhavo a 19 de setembro de 1965.

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Gentileza: Dr. Henrique Marçal

VIANA DO CASTELO: REVISTA LUSO-BRASILEIRA PUBLICOU EM 1956 UMA EXTENSA REPORTAGEM SOBRE O NAVIO GIL EANNES

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Fonte: Dua Pátrias – Revista Documentário Luso-Brasileira. Nº 2. 1955-1956

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

Nossa Senhora de Fátima

Quando se fez ao mar ruma às terras do bacalhau, a 12 de maio de 1955, o Gil Eannes, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que os pescadores portugueses fizeram questão de ofertar à comunidade católica de St John´s.

Logo que o navio aportou, a cerimónia que se seguiu, rodeada do aparato próprio dos grandes eventos religiosos, foi vivida com desmedida emoção. Ângelo Silva, um Senhor no conhecimento da pesca do Bacalhau, que foi enfermeiro no Gil Eannes, diz que a descrição não chega para retratar a comoção com que se viveu o acontecimento. Só estando lá.

Os pescadores, regra geral, são pessoas de fé profunda. A sua atividade profissional, com a vida permanentemente em perigo, muito contribui para tal. Na pesca do bacalhau, essa ligação à religiosidade, pelo que ainda hoje se ouve a antigos pescadores, era ainda mais enraizada. Não é por acaso que o Gil Eannes dispunha de todas as condições para o culto religioso.

O estado de êxtase que se devia ter vivido naquela cerimónia rodeada de sentimento de irmanação entre povos, que sendo diferentes viviam em grande proximidade, é por isso compreensível. Com esta cerimónia de componentes religiosa e profana estava feito o acolhimento ao “navio da esperança”, como muitos o apelidavam.

NAVIO GIL EANNES - O NOVO E O VELHO

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Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

O Gil Eannes

Em 1927, depois de uma primeira experiência com o navio Carvalho Araújo, de apenas uma viagem, os nossos pescadores bacalhoeiros na Terra Nova e na Gronelândia voltam de novo a ter auxílio nos mares do bacalhau. O navio que lhes levou socorro, o primitivo Gil Eannes, alemão de origem e com o nome Lahneck, tinha sido aprisionado pelo governo português em 23 de Fevereiro de 1916, no auge da 1ª guerra mundial, tal como aconteceu com todas as embarcações de pavilhão germânico em águas portuguesas.

O velho Gil Eannes, antes de desempenhar a sua mais nobre missão nos naqueles mares longínquos, armado em cruzador auxiliar, ainda fez várias viagens no transporte de tropas para os Açores e Macau. Para o objetivo com que terminou a sua atividade no apoio à frota da pesca do bacalhau, foi transformado na Holanda em navio hospital. Contudo, ao longo de uma década, o seu desempenho nesta missão pautou-se pela intermitência. Com trabalho efetivo ao serviço dos bacalhoeiros e das suas tripulações esteve no período 1937/1954.

Depois, construído nos ENVC no período 1952/1955, entra em atividade o novo Gil Eannes. Um navio que desempenhou múltiplas funções, mas que se tornou referência no apoio hospitalar, não só aos pescadores portugueses, mas a várias frotas presentes nos mares daquelas terras. Não menos referência é hoje como navio museu na nossa cidade.

MASSEIRA É A EMBARCAÇÃO TÍPICA DE VILA PRAIA DE ÂNCORA

Masseira ou gamela é uma embarcação rudimentar usada na pesca, na recolha de algas e pilado e como auxiliar de embarcações maiores. A sua área de difusão é toda a costa desde o Minho até ao Lima com extensão para Sul (Buarcos). Tem dimensões máximas de 4,70 x 1,90 x 0,70m, com comprimento mínimo de 2,60m.

Tem a forma de uma caixa de fundo chato e abaulado, com os lados curvos e tampos trapezoidais um tanto inclinados. Propulsão por vela poveira (bastardo), remos poveiros. Tripulação de 2 a 3 pessoas.

Data: 1961 / Fonte: Centro Português de Fotografia

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