Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

VIANA DO CASTELO: JOVENS DE PERRE BÁRBARA CAVADAS E GONÇALO PERES VENCEM DISTRITAIS DE XADREZ

13729.jpg

Os dois jovens xadrezistas perrenses brilharam nos campeonatos distritais jovens de partidas semi-rápidas: Bárbara Cavadas ao renovar o título feminino do seu escalão etário, enquanto Gonçalo Peres conquistou o seu primeiro título distrital neste ritmo. 

As instalações da Instituto Nun’Alvares, em Santo Tirso, acolheram, no último dia 20 de dezembro, os Campeonatos Distritais de Jovens Individual e por Equipas em partidas semi-rápidas de Xadrez, organizados pela Associação de Xadrez do Distrito de Braga.

A Associação Desportiva e Cultural de Perre marcou presença naquelas competições com uma dezena de xadrezistas nas provas individuais e uma equipa no escalão competitivo sub14 a Sub-20 da competição coletiva.

Na prova por equipas, alinhando com Rodrigo Peres, Pedro Parente, Gabriel Sá, Gaspar Oliveira e Tomás Silva, o clube vianense subiu pela primeira vez ao pódio, terminando na terceira posição atrás do Vitória SC e do clube anfitrião.

Nas provas individuais, os grandes destaques foram para as participações da sub8 Bárbara Cavadas, que renovou o título feminino deste ritmo, a que juntou a quarta posição na classificação absoluta do seu escalão competitivo; e Gonçalo Peres, que conquistou o título distrital deste ritmo no escalão competitivo de sub10.

Em excelente plano estiveram igualmente, Pedro Parente, quarto do ranking inicial de sub-20, que, depois de liderar a competição durante praticamente todo o torneio, cedeu um empate na última ronda e viu fugir o título da categoria; Leandro Garcia, que se estreava em competições federadas e que surpreendentemente se sagrou vice-campeão de sub-14, beneficiado pelos critérios de desempate; e Gaspar Oliveira que, partindo da quarta posição do ranking inicial no escalão de sub-16 com menos 200 pontos de ELO FIDE que o ultimo dos favoritos ao pódio, terminou na terceira posição.

Na cerimónia de encerramento da competição Fernando Azevedo, Presidente da AXDB, realçou o excelente ambiente competitivo e a crescente vitalidade da modalidade em todos os pontos da área de influência daquela associação, bem patente no crescimento sustentado do número de atletas participantes e do nível competitivo nas competições distritais, e sublinhou a importância do papel dos clubes na nova dinâmica da associação.

13717.jpg

13720.jpg

VIANA DO CASTELO: QUEM ERA E O QUE FAZIA O RAPÃO – UMA DAS FIGURAS TÍPICAS DE CARREÇO?

0001_Mrapãoperre (2).jpg

O rapão era um moço de lavoura que se ocupava preferencialmente no trabalho de adubação das terras com estrume produzido nas cortes dos animais, nos detritos, tojos e ervagens que se roçavam nas bouças, mas sobretudo com a escória que recolhiam nas embarcações e esgotos no cais de Viana do Castelo e que, pelo incómodo que causavam, eram obrigados a transportar durante a noite.

Como utênsilios de trabalho empregavam nomalmente sacholas e forquilhas, por vezes também outrora designadas por rapão em virtude da sua função.

Fotos: Arquivo Municipal de Viana do Castelo

0001_Mrapõesperre (5).jpg

0001_Mrapões2 (7).jpg

0001_Mrapao (1).jpg

FOLCLORE: QUAIS AS ORIGENS DA CONTRADANÇA?

22086974_gAtLw.jpeg

O Grupo de Danças e Cantares de Perre, inaugurou em 2021 por ocasião das comemorações do seu 36º aniversário, um monumento alusivo à Contradança, da autoria do pintor Mário Rocha.

Uma das danças que se tornou característica em Portugal e é interpretada por numerosos grupos folclóricos é aquela que se designa por contradança. Esta dança é interpretada nomeadamente pelo Grupo de Danças e Cantares de Perre, de Viana do Castelo. Trata-se de uma dança ou, para falar com mais propriedade uma mistura de várias danças com melodias diversas, obedecendo os seus executantes à voz de um mandador, qual "baile mandado" que de algum modo nos faz lembrar a tradicional dança algarvia com aquele nome. Tendo dado origem às quadrilhas, foi a contradança uma dança muito apreciada nos bailes que se organizavam nos finais do século passado, nomeadamente no Palácio das Laranjeiras, no dos Condes de Farrobo e até na corte então instalada no Palácio da Ajuda. É que, à semelhança do que sucedeu com o folclore austríaco que viu as suas valsas invadirem os salões aristocráticos, também a contradança acabaria por animar os bailes da corte e da nobreza europeias e inclusive inspirar grandes compositores como Mozart e Wagner.

Em Malaqueijo, no concelho de Rio Maior é uma das localidades portugueses onde tal costume se encontra mais arreigado, sobretudo pelo modo como toda a comunidade revive esta tradição desde há muitas décadas, sempre por ocasião dos festejos em honra do seu padroeiro, dançando colectivamente a contradança nas ruas da terra. Dizem as suas gentes que aquela dança entrou nos costumes locais desde que um mancebo da terra que o serviço militar o levou para a combater em França por ocasião da primeira guerra mundial, trouxe para a sua terra a tradicional moda francesa que rapidamente foi adoptada pelo povo de Malaqueijo.

Na realidade e sem pretender contestar à influência que nalguns casos poderão ter exercido os soldados portugueses que regressaram de França e das trincheiras da Flandres, integrados no Corpo Expedicionário Português, tudo leva a crer que a contradança aparece no nosso país por altura das invasões francesas e ainda, muito provavelmente, em virtude dos numerosos portugueses que ingressaram as tropas napoleónicas. De acordo com a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, a "contradança" era originariamente um música popular inglesa cuja designação "country dance" que quer dizer "dança nacional" veio por corrupção a ser denominada "contredanse" desde que, no século XVII foi introduzida em França, e finalmente contradança com o seu aportuguesamento. Assim sendo, a própria designação contradança não constitui mais do que um equívoco resultante de uma deficiente tradução.

Em todo o caso é inquestionável a influência francesa nas origens da contradança no nosso folclore, como aliás atestam algumas expressões empregues pelo mandador aquando da sua execução. Contudo, não é de excluir por completo alguma influência que de igual forma poderão ter exercido os militares ingleses que então combateram ao lado dos portugueses o invasor napoleónico e por cá permaneceram enquanto a corte de D. João VI esteve exilada no Brasil. É que, afinal de contas, era aos nossos "amigos de Peniche" que originariamente pertencia a "country dance" e que com toda a certeza a executavam com maior requinte e perfeição.