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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PAREDES DE COURA: DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO A FAMILIAR DO SANTO OFÍCIO DE ANTÓNIO LUÍS DE FREITAS

Pretendente a familiar, proprietário, solteiro, natural e morador de Infesta, concelho de Paredes de Coura. Obteve carta de familiar a 12 de Julho de 1747.

Na impossibilidade de publicar todo o extenso processo de habilitação, deixamos aqui as páginas iniciais do mesmo.

Convém lembrar que os factos devem ser comreendidos no seu contexto histórico. Como referiu Oliveira Marques em “História de Portugal”, tomo I, página 393: “(…) a Inquisição surge como uma instituição muito complexa, com objetivos ideológicos, económicos e sociais, consciente e inconscientemente expressos. A sua atividade, rigor e coerência variaram consoante a época.”

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Fonte: ANTT

CENTRO CULTURAL DE PAREDES DE COURA RECONVERTIDO EM CENTRO DE VACINAÇÃO

Paredes de Coura inicia esta quinta-feira a vacinação contra a Covid-19 na comunidade, de acordo com o Plano Nacional de Vacinação. O Centro Cultural, que tantas vezes acolheu os mais diversos espetáculos, foi o espaço reconvertido pelo Município para a instalação do Centro de Vacinação na Comunidade e que vai receber por dia 400 pessoas com mais de 80 anos para a toma das desejadas vacinas.

“Garantimos todas as condições para que as pessoas possam ser vacinadas em Paredes de Coura e com segurança. No entanto, devemos pensar que a vacinação não vai resolver de imediato os nossos problemas. Teremos de continuar a ser cuidadosos, responsáveis e vigilantes”, alertou o presidente da Câmara, Vitor Paulo Pereira, acreditando que com esta nova etapa um previsível regresso à normalidade estará mais próximo.

“Quando iniciarmos a vacinação dos nossos velhinhos, dos nossos queridos pais e avós, abrimos uma porta ao otimismo e ganharemos esperança num mundo diferente que não nos obrigará a amar à distância. Todos temos saudade do mundo velho dos afetos. Todos temos saudade de um abraço apertado e sentido”, reconheceu Vitor Paulo Pereira, acreditando, gradualmente, em dias melhores: “Tenho a convicção de que, progressivamente, a vacinação reforçará as defesas dos nossos entes queridos de mais idade e trará uma maior segurança e paz a todas as famílias. Com calma e serenidade vamos esperar pela nossa vez. Até lá, proteja-se e tenha cuidado”.

400 pessoas por dia com mais de 80 anos

Nesta nova fase das nossas vidas, e depois do Centro Cultural também já ter sido na primeira vaga da pandemia reconvertido em Hospital de Retaguarda que felizmente não foi necessário utilizar, agora o espaço dedicado ao Centro de Vacinação na Comunidade também foi projetado no sentido de satisfazer todas as necessidades dos nossos concidadãos.

Assim, tendo em conta a necessidade de garantir as acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida -- cadeiras de rodas, macas ou pessoas que usem bengala ou muletas --, a entrada no espaço será feita pela porta de cargas existente junto ao parque de estacionamento das traseiras do Centro Cultural, através da rampa de acesso existente. Num outro âmbito, toda a circulação interior no edifício, incluindo o acesso às casas de banho, será feita ao mesmo nível, sem qualquer degrau ou desnível. Por sua vez, dentro do Centro de Vacinação na Comunidade está disponível uma área de receção, registo e encaminhamento, bem como espaços individuais para administração da vacina e duas salas de vigilância onde, após a toma da vacina, as pessoas possam ficar sob acompanhamento médico caso façam alguma reação adversa à vacina.

Nesta fase são convocadas as pessoas maiores de 80 anos após agendamento prévio pelo Centro de Saúde – Unidade de Cuidados à Comunidade -- e, seguidamente, as pessoas maiores de 50 anos com doenças associadas (diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, obesidade, hipertensão arterial, etc.). Estima-se que estarão abrangidos neste grupo de risco cerca de 1300 courenses, cuja vacinação será levada a cabo em pouco mais de uma semana. O Município em articulação com as Juntas de Freguesia também se disponibilizou para fazer os contactos e agendamentos necessários da população, tal como já havia acontecido anteriormente com a vacina da gripe.

VISCONDES DE VILA NOVA DE CERVEIRA E MARQUESES DE PONTE DE LIMA EM PAREDES DE COURA: “ROL DOS PAPÉIS QUE ESTÃO NOS BUFETES PEQUENOS DA SECRETARIA QUE PODEM EMPRESTAR ALGUM DIA” PROVAVELMENTE DO SÉCULO XVIII

Refere "escritura de dote que meus avós deram a minha mãe quando casou com meu pai, uma petição de meu avô o senhor visconde a el rei para que lhe mande paasar uma tuitiva para a Igreja de Santa Maria de Insalde, concelho de Coura [Paredes de Coura], uma quitação de 375$475 reis e que se pagaram na alfândega um maço de quitações as mais delas das missas que se dizem em São Lourenço e em Santa Cruz do Castelo e das tenças de minhas tias freiras na Rosa, um maço de escrituras da fazenda da Índia, um maço com testamentos de meu avô o senhor visconde; uma transação de minha avó a senhora D. Maria feita a meu pai e algumas escrituras de fazendas de Alfândega da Fé e um papel dos linhos de Torres Vedras, um maço de feitos sobre a fazenda de Alfândega da Fé e uma sentença contra o marquês de Gouveia para se lhe pagar jugada da Alfândega da Fé e umas cartas de partilha de meus avós e a doação dos linhos de Torres Vedras". Em baixo está escrito: "igoanha". Na segunda folha está está escrito "Corte do Lobo / róis".

Fonte: ANTT

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PAREDES DE COURA: DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO A FAMILIAR DO SANTO OFÍCIO DE ANTÓNIO SOARES BRANDÃO

António Soares Brandão, casado com Ana Maria dos Reis pretendente a familiar, cirurgião, natural de São Pedro de Rubiães, concelho de Paredes de Coura, morador em Lisboa. Obteve carta de Familiar do Santo Ofício a 27 de Junho de 1732.

Na impossibilidade de publicar todo o extenso processo de habilitação, deixamos aqui as páginas iniciais do mesmo.

A pertença à família do Santo Ofício representava um privilégio uma vez que conferia estatuto social aos seus membros. Para ingressar na família do Santo Ofício ou na vida religiosa os candidatos eram submetidos a um processo de habilitação através do qual tinham de justificar a sua pureza de sangue. Os seus antepassados não podiam ser negros, judeus, mouros ou ciganos e a sua conduta cívica, moral e religiosa deveria ser irrepreensível.

As principais funções dos Familiares do Santo Ofício encontravam-se ligadas à sua máquina, cabendo-lhes executar as prisões de suspeitos de heresia, sequestrar os bens dos condenados, nos crimes em que coubesse confisco, e efetuar diligências a mando dos inquisidores. Havia ainda Familiares médicos, que examinavam os presos e avaliavam sua resistência à tortura. Exerciam, também, função precípua nos célebres Autos-de-fé, trajados com pompa, ladeando os penitentes em procissão e os condenados até o cadafalso.

Fonte: ANTT / Wikipédia

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REVISTA "VISÃO": FÁBRICA DE VACINAS EM PAREDES DE COURA JÁ DAQUI A UM ANO

Fábrica de vacinas em Paredes de Coura já daqui a um ano, um projeto que “declara morte à geografia”

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Ao captar para o seu território a farmacêutica galega Zendal, Paredes de Coura pode ser o único sítio onde se fabricarão vacinas víricas em Portugal, com a porta aberta ao combate à Covid-19.

 

É com entusiasmo que o presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira, tem mostrado a sua mais recente conquista: a construção, no parque industrial de Formariz, da primeira etapa de uma fábrica de vacinas víricas que começará a produzir em janeiro do próximo ano. O autarca ostenta “adrenalina” pelo investimento captado e orgulho por ver que “a paixão que se põe nas coisas” proporciona a tão ambicionada “rapidez nos processos”. E este investimento pode ser uma grande mais-valia para o seu município. “Isto aqui a trabalhar é a Champions League. E ganhamos 5 a 0”, atira, mais tarde, já no seu gabinete, satisfeito pelo trabalho realizado pela sua equipa. “O festival não nasce aqui por acaso. A primeira coisa que digo aos empresários é a verdade. Não se brinca. Se não posso, não posso. Se não consigo, não consigo.” Desta vez, conseguiu.

A seu lado, mais discreto, está o galego Andrés Fernández, CEO da Zendal, a farmacêutica que será uma das que, na Europa, fabricarão as vacinas Covid para a multinacional norte-americana Novavax e que ali investiu agora 15 milhões de euros. Valor que pode crescer até aos 80 milhões quando completar as cinco fases do seu plano de expansão. Para já, a vacina contra a Covid-19 não passa por Paredes de Coura, mas a porta fica aberta para o futuro. É visível a cumplicidade, as “relações de lealdade” e a “familiaridade” que unem o gestor a Vítor, sobretudo quando sorri com o olhar a cada momento em que o autarca fala. “Somos uma companhia familiar” – vai explicando – “e, por isso, é muito mais fácil investir num lugar como este, de baixa densidade, do que ir para Madrid, com quatro milhões de habitantes. São pequenas coisas que parece que não têm importância, mas para nós têm.”

Paredes de Coura, para onde muitos rumam durante o festival de verão, tem 9 198 habitantes e, por isso, o estatuto de baixa densidade que lhe proporciona alguma competitividade na captação de investimento estrangeiro. Do ponto de vista fiscal, os impostos são mais baratos, quer em relação a concelhos vizinhos quer em relação a Espanha. Mas Andrés Fernández rejeita liminarmente ter sido essa a razão da escolha. “Isso está sempre a mudar. Hoje é 23, amanhã 25, depois passa para 29… E eu que faço? Vou embora?”, questiona, argumentando de seguida que “uma das vantagens das unidades industriais é que se enraízam nas povoações”, sendo difícil mudá-las de lugar depois. “Finalmente a Europa está a mudar e a perceber que é importante ter indústria e que esta é um benefício para a comunidade. Não podemos desenvolver territórios de baixa densidade só com agricultura.”

O “namoro” entre Vítor e Andrés tem dois anos. Foram apresentados por “amigos em comum” quando a Zendal, uma PME espanhola, instalada em Porriño, a meia hora de distância de Paredes de Coura, começou a procurar um novo lugar para erguer uma segunda fábrica de vacinas. Procurou em França, Espanha, noutros concelhos portugueses. Acabou por se fixar em Paredes de Coura.

“Começámos a falar em setembro de 2018. Estabelecemos uma relação de confiança. E o primeiro acordo de cedência do terreno foi no seu escritório, em Espanha, em agosto de 2019”, conta à VISÃO o autarca de Paredes de Coura. Andrés Fernández recorda: “A primeira coisa que lhe disse foi: ‘Vítor, preciso de água, muita água.’ E ele disse que aqui teria toda a que quisesse. A água é o mais importante para o fabrico de vacinas. Depois acrescentei: ‘Preciso de gás natural.’ E ele disse: ‘Gás não tenho, mas arranjo’.”

“Vamos ter gás em agosto”, atira Vítor Paulo Pereira, satisfeito e divertido. “A Portgás, que tem a concessão, tinha obrigações e prazos legais para cumprir connosco, até para trazer o gás para consumo doméstico. Mas como não era apetecível, tinha-se esquecido”, ironiza. “Quando lhe falámos desta empresa, já foi ouro sobre azul. E a partir do momento em que o gás chega à zona industrial também chega aos consumidores domésticos.”

O autarca sente que este foi mais um golo baliza adentro. Assim como tem o compromisso de ter uma via rápida construída até ao final do ano que ligará a zona industrial à A3, evitando as duas dezenas de quilómetros da estreita estrada recheada de curvas e contracurvas do presente. “Mas, atenção. Vendemos-lhe o terreno de cinco hectares por 300 mil euros. Não foi dado, como muitos julgam. E vai pagar derrama, que aqui não perdoamos.”

O edifício agora construído ocupa 2 800 metros quadrados. “Temos um plano a longo prazo, em cinco fases. Inicialmente, empregaremos 30 pessoas, mas a intenção é chegar às 250. Começaremos com a produção de vacinas víricas de três tipos diferentes. Se levarmos tudo adiante, haverá poucas instalações na Europa deste nível. E com investigação própria”, promete o CEO galego.

E os olhos de Vítor brilham novamente, fazendo conta à contribuição do município para os valores da exportação: “Em 2013, tínhamos sete milhões, dois anos depois já tínhamos 50. Hoje estamos nos 100 milhões e, com a Zendal, vamos aumentar ainda mais.” Atualmente, a fábrica de calçado Kyaia, da portuguesa Fly London, e a Doureca, ligada à indústria automóvel, são alguns dos exemplos das indústrias exportadoras da vila.

Com a Zendal, fica também a promessa da criação de um “centro de empreendimento biotecnológico”, para a Galiza e o Norte de Portugal, atraindo assim emprego qualificado. “Estamos em contacto com as universidades para desenvolver projetos: com o laboratório ICVS-3B’s da Universidade do Minho, o politécnico de Viana do Castelo, e o i3s, ex-Ipatimup, do Porto”, adianta Andrés Fernández, explicando que investem cerca de 10% das vendas em investigação, tendo a tradição de criar sempre parcerias.

Tal exigirá um novo perfil de licenciados, muito centrados no conhecimento. O autarca sonha: “É também uma forma de fixar talento no território. Por isso, já temos um projeto de 27 casas a custos controlados e a construção de mais 50 noutra zona. É preciso criar condições para habitação, assim como criar um ambiente cultural.” Ele bem sabe que “o emprego é a única forma de as terras sobreviverem”. Remata: “Trazer esta empresa é uma declaração de morte à geografia e ao discurso triste do ‘estamos aqui e ninguém nos liga’.”

Cesaltina Pinto / Visão

Foto: LM

QUEM É FLÁVIO RODRIGUES – ADMINISTRADOR DA PÁGINA “PAREDES DE COURA: TERRA AMADA”?

Flávio Brito da Cunha Rodrigues de seu nome completo, nasceu em Castanheira, no concelho de Paredes de Coura, em 1962, terra onde viveu até aos 24 anos.

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Nos finais dos anos 70 trabalhou na distribuição da rede elétrica em algumas das freguesias do nosso concelho. Nos anos 80 trabalhou como assalariado nas telecomunicações e, em 83, foi para Portalegre e mais tarde para Lisboa onde cumpriu o serviço militar obrigatório.

Regressou a Castanheira onde iniciou uma curta carreira de vendedor de géneros alimentícios, mais exatamente na área da confeitaria. Entretanto, um pouquinho com a ilusão própria da juventude levou-o em Abril de 1987 a emigrar para o Canadá onde vivo e detenho uma pequena sociedade com o meu irmão Jorge Rodrigues, no ramo da construção civil – a Castanheira R.R.Carpentry.

Em 1991, casou no Registo Civil e, em 1992 com celebração na Igreja Católica, com a courense Helena Ramalho, fruto do qual têm uma filha – a Flávia – que, tal como os pais, adora Paredes de Coura.

Flávio Rodrigues confessa: “Felizmente tive sempre muita ligação á terra mãe, quando tive a oportunidade criei um álbum de fotos na minha página pessoal do Facebook com o nome de “Paredes de Coura minha terra”. Mas logo começaram a surgir comentários a perguntar o porquê de minha e não nossa terra. Foi aí que surgiu a ideia de formar um grupo onde todos poderiam participar.” E, ainda segundo as suas próprias palavras e em consequência desse repto, “lancei o desafio de formar um grupo ao qual tive logo o apoio e o incentivo da minha querida amiga Cecília Pereira. Eu e ela demos início ao que é hoje a grande família “PAREDES DE COURA Terra Amada”.

E a este respeito conclui: “Aproveito para agradecer a todos aqueles que ao longo dos anos também fizeram parte da administração e que por diferentes motivos saíram . Atualmente temos além do grupo uma página de apoio ao grupo, estamos também no Instagram e, no Youtube administrados por mim, pela Cecília Pereira, pelo Eduardo Daniel e pela Sandra Silva”

A página “Paredes de Coura: Terra Amada” pode ser acedida através do endereço: https://www.facebook.com/groups/374668199307579

PAREDES DE COURA: IRMANDADE DA MISERICÓRDIA APROVOU EM 1905 VOTO DE PESAR PELO FALECIMENTO DO CONSELHEIRO MIGUEL DANTAS

Em 9 de Junho de 1905, a Irmandade da Misericórdia de Paredes de Coura reuniu em sessão e lavrou em acta um voto de pesar pelo falecimento de Miguel Dantas Gonçalves Pereira, provedor da Misericórdia.

A cópia está assinada por Tomás Joaquim Alves, secretário da Irmandade.

Fonte: Fundação Mário Soares

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MULHER DA MINHA TERRA

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  • Crónica de Manuel Tinoco

Mulher força da natureza, és a mulher da minha terra, o chão onde medra a minha vida, és a minha mulher. És mulher doce quando trazes na boca os silêncios do amor e na garganta as palavras que nem é preciso dizer.

Deste-me luz e colo, pão e valores. Cuidas de mim, saras-me, hora a hora, as feridas e ensinas-me a carne.

Nos teus olhos vejo a bússola que me dá norte ao espírito e sinto-lhes o fogo santo que põe fim às trevas e abre horizontes ao meu caminho.

Tens um sol inteiro no coração, uma bola mágica que me dás para agarrar – e apertar com a força que tu quiseres.

O teu sangue tem a cor da esperança sempre que me vês vacilar, olhas em frente ou fazes cálculos, então eu aprendo a medir os tempos, a sopesar a coerência – que a coerência também se deve sopesar, garantiste-me um dia.

Se a coerência não for sopesada morre. A coerência é como uma flor, é como tu, minha mulher, não deve ser forçada, deve seguir o seu caminho – que ela, ao fim e ao cabo, como tu, sabe sempre o caminho.

A mulher da minha terra é mulher o dia inteiro, dia e noite, noite e dia, na fábrica, no campo, no escritório. É mulher emancipada por natureza, tem pêlo na venta e açúcar nos sentidos, dispensa a batuta quando rege o que a rodeia, na cama, em casa, na aldeia, no seu mundo. A mulher da minha terra não se impõe, nunca se impôs, é ela, ponto, a minha mulher, parágrafo.

Manuel Tinoco

QUEM É MANUEL TINOCO – UM DOS FUNDADORES DA CASA COURENSE EM LISBOA E ACTUAL DIRECTOR DO "NOTÍCIAS DE COURA"?

Manuel Tinoco – personalidade bastante conhecida e estimada da comunidade courense e minhota em geral radicada na região de Lisboa - foi um dos fundadores da Casa Courense em Lisboa e seu vice-presidente. E é actualmente director do jornal "Notícias de Coura".

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Foi também investigador durante três décadas da presença da comunidade courense na capital, tendo efectuado o levantamento dos courenses na indústria hoteleira em Lisboa, trabalho vertido em livro editado pela ADASPACO (Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Paredes de Coura).

Manuel Tinoco nasceu em Rubiães porque era tradição as mães virem ter os filhos à terra, a casa de seus pais. E, com pouco mais de um mês já estava em Lisboa. A mãe levou-o ao colo e, já sem pai que morreu de doença súbito no dia do seu baptismo em Rubiães (veio cá ver-me pela primeira vez, deixando a taberna de Santa Marta por uns dias, e morreu). E, juntamente com a sua mãe, Manuel Tinoco transformou a velha taberna no conceituado restaurante Alto Minho, um estabelecimento muito visitado  pelos minhotos que residem em Lisboa.

O jornalismo foi sempre a sua grande paixão o que levou a acalentar a vontade de regresso às origens – Paredes de Coura! – sonho que acabou por concretizar por volta dos quarenta anos de idade.

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Manuel Tinoco, ao lado do Dr. Jorge Sampaio, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, durante um almoço da Casa Courense em Lisboa

 

Fruto dessa paixão pela terra, não obstante ser já de uma geração diferente dos cabouqueiros da Casa Courense em Lisboa, e tendo uma ligação à terra cimentada por uma veia romantizada, ao contrário de quem por cá comeu o pão que o diabo amassou, integrou a equipa fundadora daquela instituição regionalista.

E, ao voltar para Paredes de Coura, a chama do jornalismo que lhe corria nas veias concretizou-se com a fundação do jornal “Notícias de Coura”, uma referência da Imprensa da nossa região. Mas, pelo caminho não lhe faltou a veia poética

Além das suas ligações nomeadamente à Casa Courense e ao jornal “Notícias de Coura, Manuel Tinoco foi presidente da Associação Cultural de Rubiães e também vice-presidente do Núcleo de Andebol do Liceu Pedro Nunes – clube federado português que movimentava mais atletas na década de oitenta.

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CARMINDA GONÇALVES DA COSTA – A MÃE DE MANUEL TINOCO

Foi para Lisboa em 1957, após o casamento. Nada sabia do ramo; tudo aprendeu num abrir e fechar de olhos, mal o marido faleceu, corria 1959. Com pouco mais de vinte anos de idade, com o bebé ao colo, passou então a manobrar o leme da taberna e carvoaria que era do casal. Trabalhou, trabalhou sempre, sete dias por semana, dezoito horas por dia, foi mulher, foi Mãe e Pai ao mesmo tempo, minha Heroína, gestora de uma vida de negócios de sucesso, uma vida da qual tinha um nunca disfarçado orgulho. Fez da taberna de Santa Marta a mais afreguesada da zona; mais tarde, nos idos de 1981, transformá-la-ia em restaurante. O trabalho redobrou e o talento para a cozinha ganhou asas de tamanho desmedido, de tal forma que do restaurante Alto Minho fez um verdadeiro santuário gastronómico da nossa terra. A sua terá sido das primeiras cozinhas, mesmo ainda no período anterior ao restaurante (pela década de sessenta acima), a reabilitar a culinária das casas dos lavradores de Rubiães, isto, sublinhe-se, num tempo em que um certo preconceito evitava preservar e dar importância à mesa do mundo rural. As receitas da sua avó Josefina tiveram então palco para brilharem às mãos milagrosas de minha Mãe. Em 2001, minha Mãe haveria de regressar à sua Rubiães, à sua Costa, ao Crasto. E nunca viria a morrer porque foi sempre muito maior do que a vida. Apenas passou a viver dentro de mim desde o mais gelado de todos os Janeiros, já lá vão quatro anos.

Texto: Manuel Tinoco

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