Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

VIANA DO CASTELO: O QUE PARA NÓS - MINHOTOS - É UM PEITILHO, PARA OUTROS É UM... BABETE!

39398706_2051633631528166_1345253670584844288_n.jpg

“Mordomas de Santa Marta, são diferentes das mordomas das outras festas da freguesia, como a festa da Sra. do Livramento, a festa da Sra. das Dores, a festa das Colheitas, entre outras. As mordomas são as rainhas da Romaria, que transportam o traje preto, bordado a vidrilhos com casaca. O traje da mordoma de Santa Marta distingue-se dos trajes das outras freguesias, pelo uso do véu com tiara e com as pontas enroladas e presas com alfinetes de ouro. Envergam um peitilho de ouro bem distribuído, sem exagero no peso e na quantidade. O ouro ao peito da Mordoma de Santa Marta representa também o peitilho de ouro da padroeira, que é constituído pelo ouro das oferendas dos penitentes. A nossa Mordoma leva na mão uma vela votiva, como símbolo da virgindade da moça que deve ser de idade casadoira.”

- in “Regulamento do Desfile da Mordomia de Santa Marta de Portuzelo, na cidade de Viana do Castelo”

Fotos: Sérgio Moreira

51771384_779299972437517_4068709840480894976_n.jpg

52351656_351266432394555_2749799253021818880_n.jpg

CORAÇÕES DE VIANA EM VÉSPERA DO DIA DE S. VALENTIM

E em véspera do dia de São Valentim, um pouco da história dos Corações de Viana.

“Os corações de Viana têm origem marcadamente religiosa. Na antiguidade clássica o coração representava o centro da vida, da solidariedade, fraternidade e amor, sendo estas as características mais salientes na vida dos santos, por isso eram representados com o coração fora do peito.

51915475_2154882117934445_4911000670082957312_n.jpg

Estes corações sublinhavam o calor do amor com as chamas que brotavam da parte superior, sendo esta parte uma estilização dessas mesmas chamas, por isso chamarem-se corações flamejantes ou duplos.

Apareceram em Portugal com o culto ao Sagrado Coração de Jesus e daí o povo gostar de o usar ao peito como símbolo sagrado , com formas mais simplificadas.

Podem ser em chapa (ocos), filigrana ou chapa abatida e gravada.

Opados - ocos e bojudos, fabricam-se em chapa muito fina , decorados com finos fios de filigrana ou um granulado , com motivos de amor, florais ou religiosos . Podem ser flamejantes ou chamados duplos, por terem como que um duplo coração por cima do maior, mais não sendo que a estilização de chamas... Eram estes os mais usados pela mulher vianesa.

Em chapa – São em tudo semelhantes às “borboletas”, mas sempre flamejantes.

Os corações de filigrana, que aparecem hoje muitas vezes ao peito da vianesa, não eram usados noutros tempos com tal frequência, por causa da sua grande mão - de – obra e porque normalmente eram feitos em prata dourada, metal utilizado na maior parte dos que actualmente se fabricam.”

Manuel Freitas

Fonte: Maria Helena Evangelista / https://www.facebook.com/helenaevangelista?__tn__=%2CdC-R-R&eid=ARCz2fiv2GIFJf1DxFocMqp3L3cGXCXWHczMDm6rkk3QsgZIX4FjfSCku8rF1H15zmn53McoQ0-qRPUb&hc_ref=ARSVWDIiO-5ETnR8Jx8PFSmZbzRugnXE_IDbJRah03-TH5wpDKxn7mfsV1KAqE1a39k&fref=nf

51706790_2154882017934455_48467426035105792_n (1).jpg

51730894_2154882077934449_3605585050256539648_n (1).jpg

51989173_2154882114601112_7143437289434120192_n.jpg

52038596_2154882007934456_8909296931222585344_n.jpg

52072609_2154882071267783_7695297302289711104_n.jpg

52100180_2154882181267772_4618906017365753856_n (1).jpg

POLÍCIA E SEGURANÇA PRIVADA VIGIAM 30 MILHÕES EM OURO NAS FESTAS D’AGONIA

Não é fácil calcular com rigor o valor do ouro que às 16 horas de sexta-feira vai sair às ruas de Viana do Castelo, ao peito de 636 mulheres, no Desfile da Mordomia das Festas d'Agonia. Mas o ourives Vítor Coutinho, descendente de uma família que já vai na sexta geração dedicada à ourivesaria naquela cidade, assegura que vale "30 milhões de euros".

image5

Uma cifra calculada a partir do preço actual de mercado (28 euros a grama) e do peso médio carregado pelas cada vez mais mordomas. O desfile será vigiado por um "exército" de polícias fardados e à paisana, seguranças privados e também familiares e amigos, zelosos dos valiosos dotes das "raparigas".

Fonte: Ana Peixoto Fernandes / https://www.jn.pt/

image1

image2

Viana do Castelo: Romaria da Agonia 2017

image4

image6

image7

transferir10

LETIZIA USA BRINCOS OFERECIDOS POR MARCELO REBELO DE SOUSA

A rainha de Espanha mostrou ao Presidente português que apreciou o presente durante o jantar realizado em Madrid esta terça-feira, dia 17.

2018-04-18-1

Em visita oficial a Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu a tradição de trocar presentes com os seus anfitriões, neste caso os reis Felipe VI e Letizia. Para a rainha, Marcelo escolheu uns brincos em filigrana, peças tradicionais da joalharia portuguesa que transmitem um pouco da cultura e história do nosso país.

Encantada com a oferta, Letizia usou os brincos durante o jantar organizado pelo Presidente da República de Portugal esta terça-feira, dia 17, no Palácio El Pardo, em Madrid, em homenagem aos monarcas. Os brincos completaram e deram brilho ao visual da rainha, que para essa noite escolheu usar um look preto total graças a um vestido Carolina Herrera. A imprensa internacional tem feito fortes elogios a Letizia pela indumentária eleita para este evento.

Os brincos escolhidos por Marcelo para presentear Letizia vêm da Ourivesaria Freitas, uma casa criada em 1920 em Viana do Castelo.

Fonte: http://caras.sapo.pt/

RAINHA LETÍZIA DE ESPANHA EXIBE BRINCOS À RAINHA DE VIANA DO CASTELO

Marcelo escolhe brincos à Rainha da Ourivesaria Freitas para oferecer a dona Letízia

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa escolheu um brincos à Rainha da Ourivesaria Freitas, em Viana do Castelo, para oferecer a Dona Letízia, no âmbito da visita de Estado que de três dias a Espanha, que termina hoje.

Capturar1

A oferta do chefe de Estado de Portugal  à rainha de Espanha foi noticiada pela imprensa espanhola que refere que “os brincos de dona Letízia provêm da firma Ourivesaria Freitas, que foi criada em 1920 por Joaquim Simões de Frei. Sua loja encontra-se na localidade de Viana do castelo, situada na região do Minho, bastante perto da Galiza, onde se trabalha a filigrana de ouro há décadas”.

Texto: Andrea Cruz / http://radioaltominho.pt/

Foto: Vanitatis El Confidencial

los-pendientes-de-ourivesaria-freitas-400x308

PORQUE EXIBEM AS MINHOTAS O OURO DE FORMA TÃO EXUBERANTE?

É frequente algumas pessoas de diferentes regiões do país, ligadas ao meio folclórico, questionarem-se acerca da exuberante exibição do ouro em terras minhotas, lembrando as dificuldades com que o povo outrora vivia.

A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota. Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma exlicação bem mais recente!

No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam, sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.

Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que partiam de Viana do Castelo ou outros portos.

Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em contraste com outras regiões do país!

Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

Foi também esta procura pelos objectos de adorno em ouro que permitiu o desenvolvimento da ourivesaria sobretudo em Gondomar e Póvoa de Lanhoso, fazendo desta arte um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.

Carlos Gomes

Foto: José Carlos R. Vieira

PÓVOA DE LANHOSO TEM CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DA ARTE DA FILIGRANA

Câmara Municipal inaugura Sala de Interpretação da Filigrana e lança Rede de Monumentos e Sítios

No próximo dia 17 de junho, pelas 17h00, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso inaugura a Sala de Interpretação da Filigrana (SIF) e lança a Rede de Monumentos e Sítios, na Casa da Botica.

Filigrana 1.jpg

"Este Executivo reconhece a importância e o valor que a arte de trabalhar a Filigrana representa para a Póvoa de Lanhoso e para o país. Fruto desse reconhecimento, vários passos estão a ser dados no sentido do seu engrandecimento, a SIF é mais um deles", começa por referir o Vereador da Cultura e Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, André Rodrigues. "A Póvoa de Lanhoso é um recanto do Minho, pleno de história, património, cultura e tradição. A par disso temos a nossa gastronomia e hospitalidade e a união de todos estes elementos identitários resulta agora na constituição de uma rede, que pretende salvaguardar e valorizar toda a nossa herança patrimonial, projetando também o nosso concelho a nível nacional", acrescenta ainda a respeito da Rede de Monumentos e Sítios.

A ourivesaria constitui-se como a atividade artesanal mais representativa da identidade Povoense, sendo que a arte da filigrana é o expoente máximo deste complexo processo de trabalhar o ouro.

Nesse sentido, a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso apresenta nesta data a Sala de Interpretação da Filigrana, um espaço expositivo capaz de dar a conhecer os processos de fabrico da filigrana.

Este equipamento representa ainda uma merecida homenagem aos mestres filigraneiros, engrandecendo e fortalecendo a própria identidade do concelho da Póvoa de Lanhoso, enquanto polo da ourivesaria marcadamente artesanal.

De seguida, é lançada a Rede de Monumentos e Sítios da Póvoa de Lanhoso, no mesmo local.

A Rede de Monumentos e Sítios da Póvoa de Lanhoso visa promover turisticamente o seu património cultural, ao integrar num só projeto os sítios e monumentos de relevo histórico, arquitetónico e paisagístico do concelho, oferecendo ao turista uma imagem de distinto valor patrimonial, com um significado histórico singular.

Pretende desenvolver projetos de cooperação entre os monumentos e sítios da rede e promover ações das quais resultem maior eficácia e economia de meios, através da partilha equilibrada e objetiva dos recursos disponíveis.

Aspira também fomentar a dimensão imaterial do seu património ao valorizar a paisagem e as manifestações tradicionais como lendas, festas populares e a gastronomia. 

MINHO APOSTA NA CERTIFICAÇÃO DA FILIGRANA

Póvoa de Lanhoso e Gondomar dão mais um passo rumo à certificação da “Filigrana de Portugal”

Filigraneiros da Póvoa de Lanhoso e de Gondomar bem como a associação “Portugal à Mão” reuniram na Adere-Minho – Associação para o Desenvolvimento Regional do Minho, em Braga, com o objetivo de apresentar a versão final do caderno de especificações que unificará a definição de filigrana, sendo esta, e por isso, uma peça essencial no âmbito da certificação da “Filigrana de Portugal”.

Evento em Vila Verde 0.JPG

“Este é o culminar do primeiro passo que vai permitir certificar e elevar a Filigrana”, salienta o Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, André Rodrigues. “Os nossos agradecimentos ao Município de Gondomar por esta parceria e aos nossos artesãos pelo seu envolvimento e empenho neste projeto”, destaca ainda o mesmo responsável.

Este processo arrancou no passado mês de março, com a assinatura de um protocolo de colaboração e compromisso mútuo, como pedra basilar de todo este processo, entre a Póvoa de Lanhoso e Gondomar, dois concelhos de artesãos e mestres da arte da filigrana por excelência, que irá visar num futuro cada vez mais próximo a “promoção conjunta de uma candidatura a Património da Humanidade”.

A “Filigrana de Portugal”, marca registada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, propriedade de ambos os municípios, abre portas para o tão acalentado sonho de levar a filigrana, como técnica específica, registada e regulamentada, além-fronteiras.

Para tal, o fecho do caderno de especificações que teve lugar no passado dia 8 de abril, que tem como objetivo definir as normas e os trâmites a que esta arte terá de obedecer, para poder ser designada por “Filigrana de Portugal”, vai permitir uma utilização mais fidedigna e segura da filigrana nas mais variadas peças, desde a joalharia ao vestuário, à decoração e aos mais diversos e originais artigos.

Visto que a técnica prevalece essencialmente a Norte, no nosso País, onde já é reconhecida como identidade geográfica da região, Póvoa de Lanhoso e Gondomar uniram-se, apesar das suas particularidades, para darem o primeiro grande passo que, num futuro cada vez mais palpável, levará a filigrana, agora “Filigrana de Portugal”, numa longa viagem à conquista do Mundo, de novos apreciadores  e de mercados cada vez mais internacionais.

Evento em Vila Verde 1.JPG

Evento em Vila Verde 2.JPG

PÓVOA DE LANHOSO E GONDOMAR CANDIDATAM FILIGRANA A PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Os municípios da Póvoa de Lanhoso e de Gondomar assinaram, ontem, dia 22 de março, um protocolo de colaboração e compromisso que visa a promoção conjunta de uma candidatura a Património da Humanidade.

Assinatura protocolo filigrana (1).JPG

O documento foi assinado pelos respetivos Presidentes, Manuel Baptista e Marco Martins, seguindo-se o registo da marca “Filigrana de Portugal” no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que será propriedade de ambos os municípios.

Também ontem seguiu para o Ministério dos Negócios Estrangeiros um pedido de registo da filigrana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, “cujo intuito máximo será depois candidatar este bem a Património Imaterial da Humanidade”.

Na sua intervenção, o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel Baptista, destacou a importância desta parceria para os dois municípios, “pois é um exemplo do que os municípios podem fazer, neste caso, que certifiquem e valorizem aquilo que os une”.

Já o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, sublinhou: “É importante que juntos enfrentemos este desafio para que a marca da filigrana, que une os dois concelhos, seja uma marca de Portugal”.

O protocolo prevê a “apresentação conjunta de uma candidatura tendente à certificação da Filigrana Portuguesa produzida nos dois concelhos”, a “inscrição no Património Imaterial” e, ainda, a “definição em conjunto de uma estratégia de comunicação adequada aos fins em vista”.

“A filigrana portuguesa representa a excelência da qualidade de produção manufaturada, reconhecida além-fronteiras, independentemente de ser produzida nos concelhos de Gondomar ou Póvoa de Lanhoso”, assumem aqueles municípios. Para ambos os concelhos, “o mais importante é preservar e valorizar esta arte ancestral para oferecer ao mundo o que de melhor e mais único se produz em Portugal no setor da ourivesaria”, já que “a filigrana portuguesa simboliza a história, a tradição e a herança que fazem parte integrante da nossa identidade cultural”.

A filigrana é uma arte milenar, muito meticulosa, exigindo dos artesãos um trabalho de minúcia muito paciente, imaginativo e de grande destreza. Trata-se de uma arte que trabalha finíssimos fios de ouro ou prata, subtilmente torcidos, que são depois aplicados a estruturas com várias formas, preenchendo-as com um rendilhado delicado, dando origem a obras de elevada complexidade, forma e riqueza estética. Os artesãos que trabalham nesta arte/ofício fazem-no, por norma, em pequenos ateliers, produzindo as peças de filigrana mais fina e mais bem elaborada em todo o mundo, destinadas maioritariamente à ornamentação pessoal, mas também à decoração de interiores.

A filigrana tradicional portuguesa tem dois núcleos de produção identificados territorialmente com os municípios de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso com séculos de tradição. Os poderes políticos autárquicos devem empenhar-se na preservação, promoção e divulgação deste valiosíssimo património imaterial, bem como no incentivo à criação de valor deste setor por forma a aumentar a sua atratividade para as novas gerações.

Assinatura protocolo filigrana.JPG

A ARTE POPULAR E OS “DIREITOS DE AUTOR” DOS ARTISTAS QUE DELA SE APROPRIAM

A arte da filigrana do Minho constitui uma das vertentes da ourivesaria tradicional portuguesa cujas origens se perdem nos tempos e cuja autoria pertence ao povo, à semelhança do que sucede com outras manifestações da nossa cultura popular e que fazem parte do nosso património coletivo, material e imaterial.

19414621_dnuqd

Sucede que, revelando um défice de criatividade, alguns artistas geralmente muito zelosos dos direitos que lhes assistem – os chamados “direitos de autor” – não se coíbem de usar a criatividade do nosso povo em benefício próprio e vão ao ponto de despudoradamente assinar a arte como se tivesse sido criação sua.

Vem isto a propósito da emissão pela Imprensa Nacional Casa da Moeda de uma moeda de coleção com o valor facial de 2 euros, representando num dos lados o tradicional coração de filigrana que constitui uma das marcas de identidade das gentes do Minho, junto ao qual aparece o nome do artista que supostamente criou a referida representação. Resta-nos saber se os ciosos cobradores dos “direitos de autor” tencionam deslocar-se à Póvoa de Lanhoso e a outras localidades da nossa região para reclamar os “direitos” da artista que indevidamente se apropriou da arte que pertence ao nosso povo?

ROSA MARIA MOTA MINISTRA CURSO SOBRE “OURO POPULAR PORTUGUÊS: DO ADORNO AO VALOR E AO SENTIMENTO” NA SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS ARTES

A Professora Doutora Rosa Maria Mota é autora dos melhores estudos sobre a ourivesaria tradicional portuguesa, nomeadamente da nossa região, tendo já publicado dois livros que constituem absolutas referências acerca desta temática, um dos quais constituindo o resultado da sua tese de doutoramento, o qual foi apresentado no Museu do Traje de Viana do Castelo.

Prepara para breve um trabalho sobre ourivesaria tradicional da Galiza que, como é sabido, possui inúmeras afinidades do ponto de vista artístico com a ourivesaria minhota dadas as origens históricas de tal tradição.