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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PÓVOA DE LANHOSO PROMOVE FORMAÇÃO EM “TÉCNICAS DE FILIGRANA SIMPLES”

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Formação em “Técnicas de Filigrana Simples” – Município Povoense continua apostado na valorização da Arte da Filigrana

Teve início na passada segunda-feira, no Pólo da Póvoa de Lanhoso do CINDOR, mais uma formação certificada, em “Técnicas de Filigrana Simples”.

Com formandos/as oriundos/as maioritariamente da Póvoa de Lanhoso, também pessoas vindas de Braga e de Vieira do Minho decidiram inscrever-se e participar nesta formação.

Esta é a segunda formação que resulta de uma parceria estabelecida entre a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e o CINDOR – Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria. Estas duas entidades assinaram no passado dia 11 de junho, um protocolo de implementação de Formação Especializada em Filigrana, marcando o surgimento de um novo Pólo do CINDOR, na Póvoa de Lanhoso.

A Vice-Presidente e Vereadora da Cultura, Fátima Moreira, esteve presente na sessão de abertura e enfatizou "esta iniciativa representa não apenas a preservação de um saber ancestral, mas também uma oportunidade concreta de emprego e de valorização do talento local, numa área em que há necessidades reais e potencial de crescimento. Que este percurso seja um ponto de encontro entre o passado e o futuro, e que daqui nasçam novas mãos criadoras que levem a filigrana portuguesa ainda mais longe."

Com orientação especializada de uma formadora que começou ainda em criança a trabalhar nesta arte, os/as formandos/as vão aprender a dominar as técnicas essenciais que vão desde a fundição da liga metálica até à preparação do fio de filigrana, utilizando os equipamentos e processos adequados.

A primeira formação que decorreu de 14 a 31 de Julho e na qual participaram 20 pessoas, teve uma duração total de 200 horas. O objetivo, além da “Iniciação às Técnicas da Filigrana” era proporcionar uma aprendizagem prática desta arte tradicional tão minuciosa.

Estão a decorrer as inscrições para uma terceira formação, esta em horário pós-laboral, às terças e quintas-feiras, das 19h30 às 23h30, destinada a pessoas com 18 anos ou mais e 9.º ano de escolaridade ou superior, empregados/as ou desempregados/as. O foco da aprendizagem, nesta ação, é a “Preparação de fio para peças com Filigrana”.

O Município da Póvoa de Lanhoso reforça, assim a estratégia de contribuir para a valorização e perpetuação da arte ancestral da Filigrana no território, dando passos decisivos para a qualificação de novos/as profissionais e para o fortalecimento do setor da ourivesaria, joalharia e relojoaria.

De relembrar que a Arte da Filigrana foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em Maio de 2023. Este era um reconhecimento há muito almejado pois a filigrana é uma nobre tradição que afirma a memória e a identidade povoense.

PONTE DE LIMA: COMO OURAVA A MULHER MINHOTA QUANDO ÍA ÀS FEIRAS NOVAS? – FOTO DE SÉRGIO MOREIRA & SÍLVIA MOREIRA

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A minhota abusa extraordinariamente das jóias e trá-las com ela, sempre que para isso se lhe oferece pretexto. O seu dote fica assim patente, sobre o seio criador, em volta do pescoço, pendente das orelhas, como num mostruário de ourivesaria. Traz de tudo: trabalhos em filigrana, laminados e granitados, contas de oiro, fios, gargantilhas, cruzes, borboletas, broches e medalhões. Nas orelhas, um, dois e mais pares de arrecadas, brincos, pingentes, argolas, brincos de fuso ou de campainhas, e argolas à rainha. As arrecadas, as mais antigas jóias do Minho, circulares ou em crescente, são formadas de uma a várias lúnulas, achatadas, espiraladas, granuladas, foliáceas, rosáceas ou roliças. Os brincos à rainha são arrecadas anulares, em filigrana, com anexos superiores dispostos como borboletas. Os brincos fuso são, como o seu nome indica, pingentes fusiformes, tendo a meia altura um anel granulado. As argolas são... argolas, ocas ou maciças, com travessão liso ou curvo. Como inovação há os brincos esmaltados. Para adornar o peito e o pescoço não faltam os grilhões maciços, os fios de contas esféricas ou ovaladas, os cordões de trança ou trancelins, as cadeias de grandes argolas, de onde pendem crucifixos aureolados. relicários em urna ou com edículas filigranadas, imagens de casca de oiro, cruzes de Malta, borboletas, medalhas com imagens esmaltada, e os infalíveis corações.

Fonte: João da Rocha, Ilustração Portuguesa, n. 216, Lisboa, 11 de Abril de 1910

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VIANA DO CASTELO: PORQUE OURA A MULHER DO MINHO DE FORMA TÃO EXUBERANTE? – FOTO DE SÉRGIO MOREIRA & SÍLVIA MOREIRA

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É frequente algumas pessoas de diferentes regiões do país, ligadas ao meio folclórico, questionarem-se acerca da exuberante exibição do ouro em terras minhotas, lembrando as dificuldades com que o povo outrora vivia.

A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota. Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma exlicação bem mais recente!

No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam, sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.

Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que partiam de Viana do Castelo ou outros portos.

Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em contraste com outras regiões do país!

Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

Foi também esta procura pelos objectos de adorno em ouro que permitiu o desenvolvimento da ourivesaria sobretudo em Gondomar e Póvoa de Lanhoso, fazendo desta arte um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.

VIANA DO CASTELO: É O CORAÇÃO QUE NA ARTE E NA VIDA A MULHER DO MINHO MAIS APRECIA – FOTO DE SÉRGIO MOREIRA & SÍLVIA MOREIRA

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Na arte como na vida, o coração e o que a mulher minhota mais aprecia. Não e apenas uma joia: é uma mania. A sanguidalha castrenha aproxima-se da forma de um coração. Desenha-se o coração em certas arrecadas; borda-se nas barras das saias e nos linteus dos aventais; estampa-se nas guarnições dos lenços que põem sobre os ombros e traçam ante o peito. Os xailes que trazem as das vilas, dobrados em diagonal e mais descaídos nas costas do que nos ombros, ainda vistos de traz se assemelham a corações. Algumas candeias e algumas rocas querem imitar corações. As algibeiras são corações. As pregadeiras são corações. As espadelas são corações. E os pesos dos teares corações são. Ai! O coração da minhota não tem sossego. Com ele brinca, mas por ele sofre. As da serra, muito ariscas, trazem-no encolhido, apertado no peito, bem agasalhadinho no seu mantéu. É um coração pequenino, que não sente o mundo, e todo se compraz no conchego do lar, entre a roca onde se fia a estopa, e o fuso, onde se enrola o fio. Coração de Penélope caseira. Por cá, pelo litoral, o coração é vasto como o vasto mar. Não cabe no peito. Sobe à cabeça, desce ao avental. Coração de Vénus amorosa, saída das ondas do mar. Uma voz canta:

Toma lá meu coração.

Retalha-o em três pedaços...

E o coração da ribeirinha anda retalhado, à mercê de Deus. Segue-lhe os caprichos, mas não o abandona nunca. Quer vê-lo, senti-lo, encontrá-lo em tudo o que toca. quando espadela o seu linho, quando borda o seu bragal, quando tece a sua teia, quando cose, quando fia, quando conta, quando ao lume cisma no que há-de vir. Pelas estradas, ao entardecer religioso dos domingos campestres, os pares de conversados suspendem-se num doce enleio: ela, de cabeça inclinada, tenteando com os dedos a franja do avental, e ele, a distância de respeito, voltado para ela, apoiado ao varapau, sorrindo, com uma flor na mão... Já o sol se vai sumindo, já as vidraças não reluzem, já o balar das ovelhas parece mais distante e dormente... Os pássaros recolhem aos ninhos. A branca estrada escurece. A crista dos montes esfuminha-se no céu. Hora profunda, indecisa... Profundo e indeciso amor... Mal se ouve a voz cantar ao longe

Um que vá, outro que venha,

Outro que siga os teus passos.

Não te fiques assim parada, cachopinha. Regressa ao lar. Olha que o amor tem setas. Diverte-te, mas não te tentes. Repara na cruz que trazes no peito. Não é para rezar, pois não? É para enfeite... Ah! É. Ora a vaidosa!

Tu dizes que não tens cruz

Para rezar o rosário...

Pois pensa bem no resto da cantiga:

Casa-te, minha menina

E terás cruz e calvário.

Fonte: João da Rocha, Ilustração Portuguesa, n. 216, Lisboa, 11 de Abril de 1910

PORQUE EXIBEM AS MINHOTAS O OURO DE FORMA TÃO EXUBERANTE? – FOTO DE CARLOS VIEIRA

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É frequente algumas pessoas de diferentes regiões do país, ligadas ao meio folclórico, questionarem-se acerca da exuberante exibição do ouro em terras minhotas, lembrando as dificuldades com que o povo outrora vivia.

A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota. Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma exlicação bem mais recente!

No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam, sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.

Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que partiam de Viana do Castelo ou outros portos.

Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em contraste com outras regiões do país!

Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

Foi também esta procura pelos objectos de adorno em ouro que permitiu o desenvolvimento da ourivesaria sobretudo em Gondomar e Póvoa de Lanhoso, fazendo desta arte um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.

TRAJE À VIANESA: O QUE SIGNIFICAM AS TRÊS LIBRAS QUE A JOVEM MINHOTA EXIBE AO PEITO?

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Quase toda a gente já ouviu falar nos “três vinténs” – moeda que foi mandada cunhar pelo rei D. Pedro II – e que passou a ser utilizada para identificar a moça enquanto solteira, exibindo-a ao pescoço, um uso que foi com o tempo dando origem a expressões jocosas. Os três vinténs era uma pequena moeda de prata que valia 60 reis, que neste caso servia de amuleto e significava pureza e virgindade. Era feito um furo por onde se introduzia um cordão para a moeda ficar apensa.

Com o tempo, este costume foi sendo substituído pelo anel de aliança, neste caso para identificar uma situação de compromisso já assumida ou seja, o casamento. Em qualquer dos casos, prevenia situações desagradáveis que, um atrevimento por desconhecimento poderia redundar numa situação de pancadaria entre famílias.

No Minho, a moça casadoira exibia 3 libras do lado esquerdo do peito – o lado do coração. Está bem de ver que, sendo moça jovem e solteira – à época o casamento entre pessoas idosas não era bem-visto pela sociedade e dava origem a frequentes assuadas – trajava o seu melhor fato domingueiro, em regra de cores vivas e alegres.

Sucede que assistimos com certa frequência grupos folclóricos nos quais velhas matriarcas trajam com as cores mais garridas como se de moçoilas tratassem e, para cúmulo do ridículo, chegam a exibir as 3 libras – por vezes até mesmo 6 libras, 3 de cada lado do peito! Alguém porventura sabe o seu significado?

Foto: Traje à Vianesa – Viana do Castelo (Caderno de Especificações para a Certificação)

GONDOMAR E PÓVOA DE LANHOSO CANDIDATAM FILIGRANA DE PORTUGAL A PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

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Os Municípios de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso, únicos centros de produção da filigrana em Portugal, formalizaram a candidatura da “Filigrana de Portugal” à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

A candidatura pretende salvaguardar e valorizar esta arte milenar de ourivesaria, que transforma finos fios de ouro e prata em peças de rendilhado de extraordinária beleza e complexidade, sendo hoje símbolo da excelência artesanal portuguesa. Transmitida de geração em geração, a filigrana constitui um legado vivo, mantido por mestres artesãos cuja dedicação continua a enriquecer o património cultural nacional.

“A submissão da candidatura da Filigrana de Portugal à UNESCO constitui um compromisso com a salvaguarda e valorização de um legado cultural de excecional importância. É igualmente o reconhecimento do trabalho e do saber acumulado de gerações de mestres filigraneiros, cuja dedicação e excelência merecem ser preservadas, promovidas e transmitidas às futuras gerações”, afirmam os Municípios de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso, que destacam a filigrana como um elemento identitário dos seus territórios e de Portugal.

A candidatura conjunta resulta de um trabalho de cooperação institucional iniciado com o protocolo assinado entre os dois Municípios em 2016, que conduziu à certificação oficial desta técnica em 2018 e à sua inclusão, em 2023, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Com esta candidatura, Gondomar e Póvoa de Lanhoso reforçam o seu papel como guardiões de uma das mais refinadas expressões da ourivesaria tradicional portuguesa, promovendo a sua preservação e reconhecimento à escala internacional.

MUNICÍPIO DA PÓVOA DE LANHOSO E CINDOR ASSINAM PROTOCOLO PARA FORMAÇÃO ESPECIALIZADA EM FILIGRANA

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O Município da Póvoa de Lanhoso e o CINDOR – Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria realizam, no próximo dia 11 de junho, às 11h00, a assinatura do protocolo de implementação de Formação Especializada em Filigrana, que marca o início do novo polo do CINDOR, na Póvoa de Lanhoso. A cerimónia decorre no Theatro Club, seguindo-se uma visita à sala de formação (no segundo piso do Centro Comercial da Calva).

O evento assinala um momento de extrema importância para a valorização, formação e perpetuação da arte ancestral da Filigrana no território, num passo decisivo para a qualificação de novos/as profissionais e para o fortalecimento do setor da ourivesaria, joalharia e relojoaria.

Toda a comunidade, em especial, formandos/as, ex-formandos/as e profissionais do setor estão convidados/as para presenciar este marco histórico para o futuro da filigrana na região.

Durante o dia 11 de junho, entre as 9h30 e as 17h30, haverá atividades de experimentação de Filigrana, na sala de formação de Filigrana.

FILIGRANA DE VIANA DO CASTELO CHEGOU AO GUIA MICHELIN

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A filigrana de Viana do Castelo é uma das mais impressionantes expressões da criatividade e técnica tradicional do Norte de Portugal. Com influências mouriscas e romanas, consolidou-se ao longo dos séculos como uma arte de excelência na região. Criada com fios de ouro ou prata finamente entrelaçados, a filigrana dá origem a peças delicadas e intricadas, como o famoso Coração de Viana, símbolo de devoção e identidade cultural. O processo é inteiramente artesanal, exigindo uma destreza única por parte dos ourives, que transformam metais preciosos em obras-primas cheias de significado. É mais um testemunho da história e da herança cultural do Porto e Norte e uma inspiração para todos os autores gastronómicos.

No dia 25 de Fevereiro não perca a Gala Michelin 2025 — numa das regiões-estrela da gastronomia portuguesa.

Fonte: Guia Michelin

OURIVESARIA TRADICIONAL DE VIANA DO CASTELO ESTÁ NA MODA… FEMININA! – FOTOS DE CARLOS VIEIRA

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Não há atualmente mulher que se preze e, sobretudo, se for portuguesa e bela, que não exiba com chieira o seu par de brincos à rainha ou à princesa – as famosas arrecadas de ouro que tanto envaidecem as minhotas. E não são somente as portuguesas que o fazem mas também famosas celebridades de todos os países que cobiçam a arte e mestria dos nossos ourives.

Elas são artistas, modelos, comentadoras e com as mais variadas profissões porque sabem que a ourivesaria minhota realça ainda mais a sua beleza natural. É a mais fina arte que se conjuga numa obra magistral digna de ser elevada pelos nossos maiores poetas.

- Não deixar, pois, mulheres do Minho, de mostrar com vaidade o ouro que os nossos antepassados vos legaram, abrilhantos as nossas mais alegres romarias!

A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota. Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma exlicação bem mais recente!

No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam, sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.

Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que partiam de Viana do Castelo ou outros portos.

Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em contraste com outras regiões do país!

Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

Foi também esta procura pelos objectos de adorno em ouro que permitiu o desenvolvimento da ourivesaria sobretudo em Gondomar e Póvoa de Lanhoso, fazendo desta arte um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.

PÓVOA DE LANHOSO FOI ANFITRIÃ DA REUNIÃO DA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DA CERTIFICAÇÃO DA FILIGRANA DE PORTUGAL

Póvoa de Lanhoso foi a anfitriã da reunião da Comissão de Acompanhamento da Certificação - Filigrana de Portugal.jpg

A reunião Comissão de Acompanhamento da Certificação da Filigrana de Portugal, que se realiza anualmente, decorreu desta feita na Póvoa de Lanhoso, nos Paços do Concelho.

A reunião, bastante participada, contou com a presença do Vereador do Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Ricardo Alves, da Vereadora do Turismo da autarquia de Gondomar, Sandra Almeida, e de representantes da A. Certifica, do Cindor, da Portugal à Mão, da CEARTE e dos artesãos de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso.

Dos assuntos previstos na ordem de trabalhos destaca-se a análise do ponto de situação do processo de certificação, bem como o debate em torno dos resultados do protocolo estabelecido com a Contrastaria da Imprensa Nacional - Casa da Moeda. Este processo inclui todas as fases de visam garantir ao consumidor que o produto adquire uma peça única, produzida de forma artesanal.

Relembre-se que a Arte da Filigrana foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial no ano passado, um reconhecimento legítimo há muito esperado - a filigrana é uma nobre tradição que afirma a memória e a identidade povoenses, que se querem manter vivas e perpetuar para o futuro.

RAINHA DA DINAMARCA EXIBE “BRINCOS À RAÍNHA” EM VISITA AO BRASIL

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Rainha Mary da Dinamarca brilha no Brasil com peça icónica da ourivesaria portuguesa

Numa recepção no Teatro de Manus, na Amazónia, a mulher do rei Federico X deu nas vistas com uns brincos bem portugueses.

Rainha Mary da Dinamarca está a cumprir uma viagem oficial à Amazónia, no Brasil. A mulher de Federico X está acompanhada pelo ministro do Clima, Energia e Abastecimento, Lars Aagaard, já que a visita centra-se na cooperação dinamarquesa-brasileira em biodiversidade, saúde e combate à violência contra as mulheres.

Mary escolheu uns brincos em filigrana portuguesa. Tratam-se dos famosos "brincos à rainha" de Viana do Castelo. Segundo a história, ofereceram um par de brincos à rainha D. Maria II aquando da sua visita a Viana do Castelo e rapidamente o popular modelo recebeu o seu nome real desde essa altura.

Fonte: https://www.flash.pt/

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O “CORAÇÃO DE VIANA” – CRÓNICA DE MANUELA LOBO

Esta magnifica joia, foi criada nos finais do século XVIII, quando a Raínha D. Maria I (1734-1816) que, grata pelo nascimento do seu filho varão, pediu que lhe fosse feito um coração em ouro em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus.

Esta peça foi concebida numa forma de coração que se tornou icónica, e no topo, tem uma "coroa" com cornucópias que simbolizam as chamas que brotam desse símbolo cristão. Todo ele é preenchido com finos e delicados fios de filigrana.

Durante muito tempo, esta joia foi usada como símbolo religioso de dedicação e culto ao Sagrado Coração de Jesus, mas com o tempo, a sua popularidade conotou-a com o amor profano, passando a ser um símbolo de amor romântico.

Peça do Museu de Ourivesaria Tradicional de Viana do Castelo

Referências:

  1. Museu da Ourivesaria de Viana do Castelo
  2. Filigrana da Póvoa do Lanhoso – Coração de Viana

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VIANA DO CASTELO: O OURO É A NOSSA TRADIÇÃO!

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A atracção das gentes minhotas por esse metal tão belo quanto precioso remete-nos para os confins da História, a um tempo em que as mulheres – ancestrais das actuais minhotas – se adornavam com torques e braceletes que agora inspiram os designers da moderna ourivesaria minhota.

A esse tempo, já os romanos que aqui se estabeleceram exploraram as jazidas auríferas existentes na nossa região. Porém, a sua importância no costume minhoto tem influências bem mais recentes!

Entretanto, chegado sobretudo ao século XIX, muitos foram o camponeses  na região de Entre-o-Douro e Minho forçados a emigrar para o Brasil a fim de escapar à miséria que então assolava os campos. A filoxera que atingiu as vinhas e a indústrialização fomentada pela governação de Fontes Pereira de Melo constituíram alguns dos factores que estiveram na sua origem.

Não raras as vezes, os nossos conterrâneo se ocultaram nos porões dos navios que de Viana do Castelo zarpaval rumo a terras de Vera Cruz. E, uma vez chegados ao porto de Santos, no Brasil, esgueiravam-se sem qualquer registo para depois se aventurarem numa vida de glória ou de miséria.

Muitos dos nossos compatriotas enriqueceram e assim regressaram. Construíram as suas mansões  - as chamadas casas dos brasileiros – ao longo do litoral minhoto. Eram eles os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma certa ostentação do ouro nesta região!

Por conseguinte, este tornou-se um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade, que combina bem com a sua natureza exuberante e maneira de estar. Algo que não é facilmente compreendido por pessoas de outras regiões do nosso país…

Distante da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e ridente onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. O minhoto é jovial e alegre. E, em todos os momentos da sua vida, mesmo nos mais difíceis, encara-os de frente e enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa!

Foi essa sua paixão pelo ouro e a filigrana em geral que impulsionou a arte da ourivesaria, principalmente em Gondomar e Póvoa de Lanhoso. E, dela fez um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.

Fotos: Amadeu Ferrari / AML

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RESTOS MORTAIS DE D. AFONSO DE PORTUGAL, 1º MARQUÊS DE VALENÇA, REPOUSAM NA COLEGIADA DE OURÉM

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Os restos mortais de D. Afonso de Portugal, 1º Marquês de Valença e 4º Conde de Ourém, repousam na cripta da Colegiada de Ourém, em pleno burgo medieval, por si mandada construir em 1445.

Foto: Museu Municipal de Ourém

Túmulo do Marquês de Valença, na Igreja da Colegiada, para onde foram trasladados em 1487.

No seu túmulo, magnífica obra de arte gótica da autoria do escultor Diogo Pires-o-Velho, pode ler-se o seguinte epitáfio: “Aqui jaz o Ilustre Príncipe D. Afonso, Marquês de Valença, conde de Ourém, primogênito de D. Afonso, Duque de Bragança, e conde de Barcelos, e neto del Rei D. João de gloriosa memória, e do virtuoso, e de grandes virtudes D. Nuno Alvares Pereira, Condestável de Portugal. Faleceu em vida de seu pai, antes de lhe dar a dita herança, de que era herdeiro, o qual foi fundador desta Igreja, em que jaz, cuja fama e feitos este dia florescem. Finou-se a 29 de agosto do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1460 anos.”

Os restos mortais do IV Conde de Ourém repousam na cripta da Igreja da Colegiada, em Ourém.

Conforme refere o Portal da História em (http://www.arqnet.pt/), o 1º Marquês de Valença “Era filho primogénito do 1.º duque de Bragança, D. Afonso filho de D. João I, e de sua mulher D. Brites Pereira, condessa de Ourém, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Nasceu em Lisboa, faleceu em Tomar a 29 de Agosto de 1460.

Depois de cultivar os estudos próprios da sua hierarquia, tornou se distinto pelas suas virtudes morais e políticas, pelas quais mereceu ser estimado dos príncipes do seu tempo. Seu tio, o rei D. Duarte, resolvido a mandar um embaixador ao concílio de Basileia, que se tinha congregado para pacificar as largas discórdias entre a Igreja Grega e a Latina, que depois foi transferido por Eugénio IV para Ferrara, o nomeou a ele, confiando na sua profunda capacidade, que felizmente desempenharia as obrigações do seu cargo. Com outros companheiros e mais comitiva, saiu de Lisboa a 21 de Janeiro de 1435, e chegando a Bolonha a 24 de Julho do mesmo ano, foi recebido pelo papa com as manifestações de paternal benevolência. Concluído o concilio, foi à Palestina visitar os lugares santos, regressando depois a Lisboa Mais tarde, também teve a incumbência de acompanhar D. Leonor, quando esta infanta, sua prima, foi desposar Frederico III, imperador da Alemanha. Saiu de Lisboa a 20 de Outubro de 1451, como general da armada que a conduziu a Leorne. Desta cidade caminhou até Sena, despertando todas as atenções pela numerosa e magnífica comitiva que os acompanhava Chegando a Roma, procedeu à coroação dos dois esposos o papa Nicolau V. Terminada a cerimónia, o imperador o armou cavaleiro.

Em 1415 fundou a importante colegiada de Ourém, consignando lho copiosas rendas para sustentação das dignidades e cónegos, de que ela se compunha. Edificou também N. Sr.ª das Misericórdias, de Ourém, sumptuoso templo e sede da referida colegiada. D. Afonso V, por decreto de 11 de Outubro de 1451, lhe fez doação da vila de Valença, com todos os seus termos e limites, concedendo-lhe também o título de marquês de Valença, sendo este o primeiro marquesado que houve em Portugal. O seu corpo foi trasladado para Ourém, em 1487, sendo sepultado na capela debaixo do coro da Igreja da colegiada, num soberbo mausoléu, em que se gravou um longo epitáfio.

Dizem alguns antigos escritores, que D. Afonso foi casado ocultamente com D. Brites de Sousa, filha de Martim Afonso de Sousa, senhor de Mortágua, de cujo matrimónio houve um filho, D. Afonso de Portugal, que pretendeu suceder na casa de seu avô, o que se não pôde provar, mas o que não padece dúvida é a existência desse filho, a quem, segundo a tradição, D. João II obrigou a ser clérigo, ainda em curta idade, e foi bispo de Évora do a 24 de Abril de 1552. O marquês de Valença compôs: Itinerario ao Concilio de Basileia no anno de 1435, que saiu impresso no tomo V das Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, por D. António Caetano de Sousa, pág. 573.”

Tendo sido o primeiro título de marquês concedido em Portugal, este foi criado pelo rei D. Afonso V, através de carta régia de 11 de Outubro de 1451, em favor de D. Afonso de Portugal, constituindo um título nobiliárquico de juro e herdade.

Ao que tudo indica e segundo teoria avançada por José de Figueiredo, seguindo a observação de Virgílio Correia em 1924, da semelhança existente com a respectiva estátua jazente que se encontra na Colegiada de Ourém, a segunda figura de opa verde com colar é identificada com D. Afonso de Bragança, IV Conde de Ourém e Marquês de Valença, no painel dos cavaleiros.

Entretanto, a cripta e o túmulo do Marquês de Valença foram classificados na categoria de Arquitectura Religiosa, através do Decreto n.º 37366, publicado no Diário do Governo n.º 70, de 5 de Abril de 1949.

A este respeito, publicou o IGESPAR a seguinte nota Histórico-Artística:

“Edificada na Igreja Matriz de Ourém, a cripta de D. Afonso, conde de Ourém e Marquês de Valença, é o único exemplar desta tipologia, construída durante o período final do gótico, que subsiste actualmente.

Apresenta semelhanças estruturais e acústicas com a Sinagoga de Tomar (SIMÕES, 1992), desenvolvendo-se em planimetria quadrangular, formada por três naves de três tramos definidos pelas colunas que suportam a abóbada de arestas que cobre o espaço.

Ao centro foi erigida a arca tumular do Marquês de Valença, em pedra de Ançã, com jacente. Os frontais são totalmente decorados com motivos vegetalistas em relevo, integrando o escudo de armas do marquês; sob a tampa foi gravada uma inscrição biográfica de D. Afonso.

A tampa é rodeada por cinta lavrada com rosetas que alastram para a parte superior, onde se dispõe a estátua jacente de mãos postas, repousando a cabeça sobre almofadas, com pés assentes numa mísula. A figura do marquês enverga túnica comprida pregueada, tendo a cabeça coberta por barrete.

A arca tumular foi executada cerca de 1485-1487, tendo sido neste último ano que D. Afonso, que havia falecido em Tomar em 1460, foi trasladado para Ourém. A obra escultórica insere-se no gosto do Gótico final, sendo atribuída às oficinas coimbrãs, nomeadamente ao cinzel de Diogo Pires o Velho. A sua tipologia apresenta muitas semelhanças com o túmulo de Fernão Teles de Menezes, erigido na Igreja de São Marcos de Coimbra.

Catarina Oliveira

IPPAR/2006”

A D. Afonso de Portugal, Marquês de Valença e 4º Conde de Ourém, deve o burgo medieval grande parte da sua histórica grandeza e progresso que só veio a ser interrompido em consequência do terramoto de 1755 e, cerca de meio século depois, as invasões francesas que a pilharam e incendiaram às ordens do general Massena. Não obstante, ainda se conserva o castelo e o palácio que foram do Marquês de Valença e o túmulo onde repousam os seus restos mortais, a convidar a uma visita sobretudo dos valencianos, a escassa distância do Santuário de Fátima.

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Túmulo do Marquês de Valença, na Igreja da Colegiada, para onde foram trasladados em 1487.

No seu túmulo, magnífica obra de arte gótica da autoria do escultor Diogo Pires-o-Velho, pode ler-se o seguinte epitáfio: “Aqui jaz o Ilustre Príncipe D. Afonso, Marquês de Valença, conde de Ourém, primogênito de D. Afonso, Duque de Bragança, e conde de Barcelos, e neto del Rei D. João de gloriosa memória, e do virtuoso, e de grandes virtudes D. Nuno Alvares Pereira, Condestável de Portugal. Faleceu em vida de seu pai, antes de lhe dar a dita herança, de que era herdeiro, o qual foi fundador desta Igreja, em que jaz, cuja fama e feitos este dia florescem. Finou-se a 29 de agosto do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1460 anos.”

Os restos mortais do IV Conde de Ourém repousam na cripta da Igreja da Colegiada, em Ourém.

Conforme refere o Portal da História em (http://www.arqnet.pt/), o 1º Marquês de Valença “Era filho primogénito do 1.º duque de Bragança, D. Afonso filho de D. João I, e de sua mulher D. Brites Pereira, condessa de Ourém, filha do condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Nasceu em Lisboa, faleceu em Tomar a 29 de Agosto de 1460.

Depois de cultivar os estudos próprios da sua hierarquia, tornou se distinto pelas suas virtudes morais e políticas, pelas quais mereceu ser estimado dos príncipes do seu tempo. Seu tio, o rei D. Duarte, resolvido a mandar um embaixador ao concílio de Basileia, que se tinha congregado para pacificar as largas discórdias entre a Igreja Grega e a Latina, que depois foi transferido por Eugénio IV para Ferrara, o nomeou a ele, confiando na sua profunda capacidade, que felizmente desempenharia as obrigações do seu cargo. Com outros companheiros e mais comitiva, saiu de Lisboa a 21 de Janeiro de 1435, e chegando a Bolonha a 24 de Julho do mesmo ano, foi recebido pelo papa com as manifestações de paternal benevolência. Concluído o concilio, foi à Palestina visitar os lugares santos, regressando depois a Lisboa Mais tarde, também teve a incumbência de acompanhar D. Leonor, quando esta infanta, sua prima, foi desposar Frederico III, imperador da Alemanha. Saiu de Lisboa a 20 de Outubro de 1451, como general da armada que a conduziu a Leorne. Desta cidade caminhou até Sena, despertando todas as atenções pela numerosa e magnífica comitiva que os acompanhava Chegando a Roma, procedeu à coroação dos dois esposos o papa Nicolau V. Terminada a cerimónia, o imperador o armou cavaleiro.

Em 1415 fundou a importante colegiada de Ourém, consignando lho copiosas rendas para sustentação das dignidades e cónegos, de que ela se compunha. Edificou também N. Sr.ª das Misericórdias, de Ourém, sumptuoso templo e sede da referida colegiada. D. Afonso V, por decreto de 11 de Outubro de 1451, lhe fez doação da vila de Valença, com todos os seus termos e limites, concedendo-lhe também o título de marquês de Valença, sendo este o primeiro marquesado que houve em Portugal. O seu corpo foi trasladado para Ourém, em 1487, sendo sepultado na capela debaixo do coro da Igreja da colegiada, num soberbo mausoléu, em que se gravou um longo epitáfio.

Dizem alguns antigos escritores, que D. Afonso foi casado ocultamente com D. Brites de Sousa, filha de Martim Afonso de Sousa, senhor de Mortágua, de cujo matrimónio houve um filho, D. Afonso de Portugal, que pretendeu suceder na casa de seu avô, o que se não pôde provar, mas o que não padece dúvida é a existência desse filho, a quem, segundo a tradição, D. João II obrigou a ser clérigo, ainda em curta idade, e foi bispo de Évora do a 24 de Abril de 1552. O marquês de Valença compôs: Itinerario ao Concilio de Basileia no anno de 1435, que saiu impresso no tomo V das Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, por D. António Caetano de Sousa, pág. 573.”

Tendo sido o primeiro título de marquês concedido em Portugal, este foi criado pelo rei D. Afonso V, através de carta régia de 11 de Outubro de 1451, em favor de D. Afonso de Portugal, constituindo um título nobiliárquico de juro e herdade.

Ao que tudo indica e segundo teoria avançada por José de Figueiredo, seguindo a observação de Virgílio Correia em 1924, da semelhança existente com a respectiva estátua jazente que se encontra na Colegiada de Ourém, a segunda figura de opa verde com colar é identificada com D. Afonso de Bragança, IV Conde de Ourém e Marquês de Valença, no painel dos cavaleiros.

Entretanto, a cripta e o túmulo do Marquês de Valença foram classificados na categoria de Arquitectura Religiosa, através do Decreto n.º 37366, publicado no Diário do Governo n.º 70, de 5 de Abril de 1949.

A este respeito, publicou o IGESPAR a seguinte nota Histórico-Artística:

“Edificada na Igreja Matriz de Ourém, a cripta de D. Afonso, conde de Ourém e Marquês de Valença, é o único exemplar desta tipologia, construída durante o período final do gótico, que subsiste actualmente.

Apresenta semelhanças estruturais e acústicas com a Sinagoga de Tomar (SIMÕES, 1992), desenvolvendo-se em planimetria quadrangular, formada por três naves de três tramos definidos pelas colunas que suportam a abóbada de arestas que cobre o espaço.

Ao centro foi erigida a arca tumular do Marquês de Valença, em pedra de Ançã, com jacente. Os frontais são totalmente decorados com motivos vegetalistas em relevo, integrando o escudo de armas do marquês; sob a tampa foi gravada uma inscrição biográfica de D. Afonso.

A tampa é rodeada por cinta lavrada com rosetas que alastram para a parte superior, onde se dispõe a estátua jacente de mãos postas, repousando a cabeça sobre almofadas, com pés assentes numa mísula. A figura do marquês enverga túnica comprida pregueada, tendo a cabeça coberta por barrete.

A arca tumular foi executada cerca de 1485-1487, tendo sido neste último ano que D. Afonso, que havia falecido em Tomar em 1460, foi trasladado para Ourém. A obra escultórica insere-se no gosto do Gótico final, sendo atribuída às oficinas coimbrãs, nomeadamente ao cinzel de Diogo Pires o Velho. A sua tipologia apresenta muitas semelhanças com o túmulo de Fernão Teles de Menezes, erigido na Igreja de São Marcos de Coimbra.

Catarina Oliveira

IPPAR/2006”

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Pormenor do túmulo do princípe Dom Afonso, Conde de Ourém e Marquês de Valença, primogénito de D. Afonso Duque de Bragança, fundador da igreja em que jaz, Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias. Situada no Largo de Santa Teresa de Ourém.

Fonte: Arquivo Municipal do Porto

SERÁ QUE ESTÁ DE REGRESSO O EXAGERO NA EXIBIÇÃO DO OURO NOS TRAJES DE MORDOMOMA MINHOTA COMO SUCEDIA EM MEADOS DO SÉCULO PASSADO PARA TURISTA VER?

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Temos vindo a constatar uma exibição em crescendo da quantidade de ouro que as mordomas transportam nos desfiles das nossas romarias, aproximando-se do que acontecia em meados do século passado.

Correspondendo ao “apelo” do turismo, a própria imprensa não se cansa de contabilizar o peso e o valor do ouro que as mordomas levarão no desfile da mordomia em Viana do Castelo como se tal fosse o aspeto mais relevante da festa.

É uma espécie de canto de sereia que acaba por desvirtuar a tradição de ourar na nossa região e que é a verdadeira. Importa corrigir e evitar a tentação de repetir os erros do passado.

O QUE SIGNIFICAM AS TRÊS LIBRAS QUE A JOVEM MINHOTA EXIBE AO PEITO?

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A exibição de libras a esmo, não raras as vezes por respeitáveis matriarcas, é algo de ridículo que não devia acontecer

Quase toda a gente já ouviu falar nos “três vinténs” – moeda que foi mandada cunhar pelo rei D. Pedro II – e que passou a ser utilizada para identificar a moça enquanto solteira, exibindo-a ao pescoço, um uso que foi com o tempo dando origem a expressões jocosas. Os três vinténs era uma pequena moeda de prata que valia 60 reis, que neste caso servia de amuleto e significava pureza e virgindade. Era feito um furo por onde se introduzia um cordão para a moeda ficar apensa.

Com o tempo, este costume foi sendo substituído pelo anel de aliança, neste caso para identificar uma situação de compromisso já assumida ou seja, o casamento. Em qualquer dos casos, prevenia situações desagradáveis que, um atrevimento por desconhecimento poderia redundar numa situação de pancadaria entre famílias.

No Minho, a moça casadoira exibia 3 libras do lado esquerdo do peito – o lado do coração. Está bem de ver que, sendo moça jovem e solteira – à época o casamento entre pessoas idosas não era bem-visto pela sociedade e dava origem a frequentes assuadas – trajava o seu melhor fato domingueiro, em regra de cores vivas e alegres.

Sucede que assistimos com certa frequência grupos folclóricos nos quais velhas matriarcas trajam com as cores mais garridas como se de moçoilas tratassem e, para cúmulo do ridículo, chegam a exibir as 3 libras – por vezes até mesmo 6 libras, 3 de cada lado do peito! Alguém porventura sabe o seu significado?

Foto: Traje à Vianesa – Viana do Castelo (Caderno de Especificações para a Certificação)

PORQUE EXIBE A MULHER MINHOTA O OURO DE FORMA TÃO EXUBERANTE? – FOTO DE CARLOS VIEIRA

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É frequente algumas pessoas de diferentes regiões do país, ligadas ao meio folclórico, questionarem-se acerca da exuberante exibição do ouro em terras minhotas, lembrando as dificuldades com que o povo outrora vivia.

A atracção das nossas gentes por esse metal tão bonito quanto precioso remete-se aos confins da nossa História, ao tempo em que as nossas mulheres se adornavam com torques e braceletes que inspiram a moderna ourivesaria minhota. Os próprios romanos chegaram a explorar as abundantes jazidas existentes na nossa região. Contudo, a importância do ouro na tradição minhota possui uma exlicação bem mais recente!

No meio rural, aliás à semelhança do meio urbano, existiam várias classes sociais de camponeses (na cidade, de burgueses!) ou seja, havia desde os mais abastados até àqueles quem praticamente nem propriedade para cultivar possuíam, sendo por isso forçados a trabalhar ao jornal por conta de outrem.

Na região de Entre-o-Douro e Minho, muitos camponeses foram obrigados a emigrar para o Brasil para escapar à miséria que então assolava os campos. Não raras as vezes escapavam clandestinamente escondidos nos porões dos navios que partiam de Viana do Castelo ou outros portos.

Porém, muitos deles regressaram ricos, construíram os seus solares e casas apalaçadas, as chamadas as casas dos brasileiros, sobretudo ao longo do litoral minhoto. Eram os “brasileiros de torna-viagem”.

Do seu bolso ajudaram a construir escolas, beneficiaram igrejas e de um modo geral contribuíram para o progresso das suas terras de origem. Mas também não esqueceram as suas afilhadas, oferecendo-lhes geralmente um rico dote em oiro para que também elas viessem a conseguir um bom casamento... é isso que em grande medida explica uma exibição mais exuberante do ouro nesta região em contraste com outras regiões do país!

Em relação à exuberância, tal constitui um traço do carácter minhoto que define bem a sua personalidade. Longe da monotonia de outras terras, o minhoto vive desde que nasceu rodeado de uma paisagem alegre e deslumbrante onde a grandeza das montanhas contrasta com a doçura verdejante das suas veigas. Por isso, ele é jovial e alegre. E, todos os momentos da vida, incluindo os mais difíceis, enfrenta-os com um sorriso nos lábios. O trabalho, a religião e a própria gastronomia são vividos em festa! A sua enorme paixão pelo fogo-de-artifício e a forma como decora os arcos de romaria são disso um exemplo… como poderia ser de outro modo o seu gosto pela ourivesaria?

Foi também esta procura pelos objectos de adorno em ouro que permitiu o desenvolvimento da ourivesaria sobretudo em Gondomar e Póvoa de Lanhoso, fazendo desta arte um dos ex-líbris de Portugal mundialmente reconhecido.