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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.   

Como apontam Miguel Monteiro e Maria Beatriz da Rocha-Trindade no artigo “Emigração e Retorno”, o processo de musealização da memória histórica e social da emigração nacional, além de fomentar o conhecimento e a investigação, promove igualmente “a pesquisa do papel dos emigrantes nos territórios de emigração e de retorno na arquitetura, indústria, comércio, filantropia, jornalismo, associativismo, artes, no trânsito das ideias em Portugal e nos territórios de destino”.

"QUANDO O TELEFONE TOCA"

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Há anos, lembro-me de ver na televisão uma enorme fila de adeptos de um dos clubes grandes de Lisboa (não me recordo de qual) esperando horas, pacientemente, para eleger os corpos sociais da sua agremiação. Alguns, questionados pelos repórteres sobre idêntico comportamento em eleições para órgãos governamentais, logo se apressaram a dizer que não se dispunham a tal sacrifício para esse fim. Pode chocar mas esta é a realidade que temos. Espera-se tempo infinito para eleger gente pouco recomendável, que vai dirigir clubes de futebol cheios de vícios, mas não se pode perder tempo para escolher quem nos governe. Não é por acaso que os abstencionistas vão crescendo em cada eleição da governação do país. Mas também não admira que os melhores da sociedade não queiram ser governantes, já que, mais bem remunerados e livres de enxovalhos, podem exercer funções no privado. Se há políticos a portarem-se mal e por isso sujeitos a críticas, esta prática de destratar quem nos governa só facilita os inimigos da democracia.

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Momento alto das Festas d’Agonia nos anos 30/40 do século passado. O Cortejo Etnográfico na antiga Rua Cândido dos Reis, hoje Passeio das Mordomas da Romaria.

 

Ora é com esta cultura instalada que temos que contar, sabendo o que devemos fazer em muitas situações onde o populismo impõe regras em prejuízo dos valores e da verdade. As televisões, por razões puramente comerciais, promovem todo o tipo de concursos e convidam os espectadores a telefonar para escolherem o que se entende como melhor. Assim aconteceu recentemente com a iniciativa “Sete Maravilhas da Cultura Popular”, à qual concorreu a Romaria d’Agonia, opção que, perante a realidade que expus, nunca devia ter sido tomada. Que verdade nos oferece um concurso em que os espectadores fazem valer bairrismos em detrimento da valia dos motivos em concurso?

Já sabemos que quando se quer vestir a camisola do bairro todos os argumentos são bons para mobilizar gente a votar no tema da terrinha, independentemente do interesse que o mesmo tenha. Organizam-se movimentos, estimulam-se brios, fala-se ao coração e toda a população vota, se fizer falta até o cão, o gato e o periquito. Desta forma, nestas maravilhas em que nos metemos, ou meteram a mais afamada romaria de Portugal, sai como vencedora distrital a Romaria de São Bartolomeu da Ponte da Barca, que bem conheço e considero uma romaria como tantas outras do Alto Minho. E, desta forma, uma romaria criada em 1772, com um alto nível cultural, que, estima-se, atrai a Viana um milhão de forasteiros – já mobilizava largos milhares no século XIX –, se vê ultrapassada por uma romaria vulgar. Mal, muito mal, é dar crédito a este tipo de iniciativas. A grandeza da nossa Romaria não é compatível com estes concursos de pacotilha para fazer o jogo dos canais televisivos.

CARLOS MATOS, UM EMPRESÁRIO PORTUGUÊS DA DIÁSPORA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

Nos vários exemplos de empresários portugueses da Diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do empresário Carlos de Matos.

Originário da freguesia de Carvide, no concelho de Leiria, Carlos de Matos emigrou “a salto” para França em 1969, então com 18 anos, após uma transição entre a infância e a idade adulta marcada por experiências como moço de recados e operário numa fábrica de vidro. Como grande parte dos portugueses que vivenciaram a epopeia da emigração para França nos anos 60, o leiriense chegou à região parisiense com uma mão à frente e outra atrás, conseguindo o seu primeiro trabalho como eletricista e a sua primeira solução de habitação no bidonville (bairro de lata) de Champigny.

As dificuldades de adaptação e o desejo de conhecer África, trouxeram ainda em 1972 Carlos de Matos ao torrão natal para fazer a tropa, da qual tinha fugido, e ser mandado para a guerra colonial em Moçambique. Após o 25 de Abril e depois de uma curta experiência ao volante de um dos táxis do pai em Leiria, voltou para França onde foi eletricista por uns anos, até se tornar no alvorecer dos anos 80 dono da sua primeira empresa, que batizou de ERA, especializada em reboco, e que através da sua vontade de vencer e dedicação ao trabalho se tornaria a maior empresa do ramo no território gaulês.

As vicissitudes da vida levaram o empresário e empreendedor luso nos anos 90 a criar o Grupo Saint Germain, direcionado para o ramo imobiliário, que em pleno séc. XXI viria a ser o responsável pelo gigantesco centro de negócios “Paris-Ásia Center”, junto ao aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, destinado a promover trocas comerciais e profissionais entre a França, a Europa e a China.

Nunca abdicando da coragem, frontalidade e audácia de pensar, dizer e fazer, Carlos de Matos tem ao longo dos últimos anos contribuído igualmente para o impulso da economia nacional, revelando a importância e potencialidade dos empresários das Comunidades Portuguesas no desenvolvimento do país.

Presentemente, o empresário luso-francês que parece seguir o lema do célebre magnata Jean Paul Getty: “O empresário verdadeiramente bem-sucedido é essencialmente um dissidente, um rebelde que raramente ou nunca está satisfeito com o status quo”-, prepara-se para levar a cabo dois relevantes projetos imobiliários em Portugal, num investimento global que ronda dos 90 milhões de euros. Um é no concelho do Barreiro, onde o Grupo Saint Germain vai reabilitar a Quinta Braamcamp, o outro é em Monte Gordo, no Algarve, um dos melhores destinos de férias da Europa.

OS INTERESSES DA CRISTINA

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Nunca vi com muita simpatia a mudança dos profissionais de televisão entre as diversas estações, já que considero haver valores maiores para além do vil metal. Mas não pensa assim quem sabe vender qualidades de que se julga possuidor no exercício da função. Porém, julgo que quando se muda de estação televisiva – talvez aqui com uma força especial – fica claro que é mesmo o dinheiro que está na origem de tudo, esquecendo-se a ponderação de outras razões, especialmente as de respeito pelos espectadores.

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Uma cena do princípio do século XX. Uma boa alternativa à televisão da atualidade.

 

A televisão, para mim, vai pouco além do espaço noticioso. Parafraseando Jorge Sampaio, o nosso ex-presidente da República (um presidente bom e de grande seriedade), que dizia “haver mais vida para além da crise”, também eu acho que há mais vida para além do pequeno ecrã. Mas, fugidiamente, vou-me apercebendo de quem por lá anda, o que faz e como se transmuta, perante a sedução remuneratória.

Os canais de televisão sobrevivem na base das audiências. Por isso, quem prender o grosso dos espectadores terá mais possibilidades de apresentar melhores resultados financeiros e solidificar a sua presença no mercado. E para ter audiências tudo se faz, tudo se alicia e de tudo se deita mão. E aqui é que a “porca torce o rabo”. Como, para mal da cultura, não somos um povo exigente e nos damos bem com a banalidade, é por aí que as televisões caminham. Nem mesmo a oficial RTP, que vive em parte dos nossos impostos, corta radicalmente com esta prática.

O folhetim Cristina Ferreira, a vestir a pele do macaco em cada dia, é simplesmente deplorável, já que, em meu entender, se trata de manipulação e aproveitamento de massas a um nível que só pode merecer repulsa. As suas trivialidades, estridência e exibicionismo, incompreensivelmente, granjearam-lhe audiências que ela vende como negócio de feira. “Hoje e amanhã, quem melhor me pagar, é que me leva, porque eu também levo os meus espectadores”, pensará. E os pobres lá vão atrás dela.

Mas não me admira que o povo assim se comporte, porque, particularmente, até os nossos políticos lhe fazem pela vida, inclusive Jerónimo de Sousa, que, na sua bondade, lá foi ao seu programa expor um pouco da sua vida privada. Mas, já antes, logo no primeiro dia na SIC, o beijoqueiro do nosso Presidente da República lhe tinha telefonado, para lhe fazer um miminho, como tinha prometido em resposta às muitas solicitações dela. E o nosso Primeiro-Ministro, coitado, até lá foi mostrar dotes culinários. Mas, Jerónimo, os fretes são para quem são e em política não vale tudo. Neste país de crédulos, também à boleia dos políticos e do seu eleitoralismo é a que a Cristina ganha milhões.

goncalofagundes@gmail.com

CAMÕES RÁDIO & TV, UMA ESTAÇÃO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Ao longo do anos a comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes na nação canadiana, tem sido palco de uma notável multiplicidade de meios de comunicação social produzidos pelos emigrantes lusos e seus descendentes.

Como destaca a investigadora Sónia Ferreira em A emigração portuguesa e os seus meios de comunicação social: breve caraterização, no termo da primeira década do séc. XXI “existiam na província do Ontário cerca de seis rádios com difusão em português: cinco estações consideradas portuguesas e uma estação multicultural que dispõe de programação em língua portuguesa. Em termos de imprensa portuguesa foram contabilizados, para o Canadá, 22 publicações. O Canadá apresenta-se mesmo como um exemplo relevante pela multiplicidade de meios de comunicação social migrantes existentes”.

No profícuo campo dos órgãos de comunicação social luso-canadianos, uma das estações que mais se tem destacado ao longo da última década tem sido indubitavelmente a Camões Radio & TV. Uma estação radiofónica e televisiva integrada na empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade portuguesa, inclusive lusófona, no território canadiano.

Ao longo da última década a Camões Radio & TV tem-se destacado no panorama da imprensa luso-canadiana em Toronto através do lançamento de novos programas de rádio e televisão, novas secções de informação temática e novos conteúdos, inovando e seguindo os principais desafios da comunicação social da Diáspora. Prosseguindo uma missão e visão ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto, a Camões Radio & TV destaca-se atualmente por produzir informação de qualidade, de forma ética e independente, que ajuda a promover a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana.

A dimensão social, estreitamente ligada à solidariedade, é mesmo uma das marcas mais características da Camões Radio & TV, indelevelmente ligadas aos valores preconizados, em geral, pela MDC Media Group, e em particular pelo seu presidente, o comendador Manuel da Costa.

Presentemente, nestes tempos difíceis que atravessamos devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise mundial sem precedentes, e que também afetou a comunidade luso-canadiana, a Camões Radio & TV, em linha com a MDC Media Group, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada, procurando assim ajudar a minimizar os efeitos da crise socioeconómica que bateu à porta de muitos concidadãos. Uma campanha de solidariedade, entre várias outras já dinamizadas pela Camões Radio & TV ao longo dos anos, que sublima a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.

PÔR A CABEÇA NO CEPO

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Lentamente, a justiça lá vai fazendo o seu caminho. E não é de agora que o afirmo. Ainda bem, antes a lentidão do que a inação. Quem já viveu algumas décadas, se atento, não tem dúvidas de que o poder judicial vai mexendo com os poderosos. A opinião pública vai contribuindo, mas a aceitação do descaramento e da maldade também em nada abonariam aqueles que velam pelo direito.

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A banca, quando gerida na base da seriedade, torna-se num instrumento vivo de promoção do desenvolvimento económico e, simultaneamente, da melhoria das condições de vida das populações. Viana tem bancos instalados no seu seio desde tempos imemoriais. O Banco Agrícola e Industrial Vianense já cá estava no princípio de Século XX, instalado no rés-do-chão da Santa Casa da Misericórdia, na Praça da Rainha, atual Praça da República.

 

No tão comentado caso BES, a justiça deu mais um passo em frente, esperançando-nos a que o rigor, puro e duro, prevaleça nos chamados crimes de colarinho branco. Sobre o assunto já quase tudo se disse, não faltando especialistas a pormenorizar contornos e colunistas sabidos a dizer de sua razão. Está visto que estamos perante um dos mais escabrosos casos de que há memória no pequeno mundo da banca portuguesa, de enormes consequências para a economia do país. O seu custo, para a sociedade em geral, estima-se em cerca de 12 mil milhões de euros, bem mais que os custos anuais com a nossa saúde: 10.293,1 milhões em 1980, segundo dados da “Pordata”.

Mas há detalhes, dos quais tantos analistas pouco ou nada dizem, que era bom abordar. E o principal está no conceito de que se tratou de um crime bem montado, que iludiu todos os poderes e que quando veio à luz do dia já nada haveria a fazer. Nicolau Santos, jornalista especializado em assuntos económicos, dizia há dias em debate televisivo que também cabem fortes críticas à imprensa, por tão adormecida ter andado em relação a este assunto. Tem razão, já que os jornalistas não podem fazer da sua profissão uma atividade de rotina nem se podem deixar enredar em “cantos de sereia”. Mas que não hajam dúvidas, os poderes, diretos e indiretos, são os grandes culpados desta monumental vigarice, como são de tantas outras. Há quantos anos ouvíamos dizer que Ricardo Salgado era o DDT (Dono Disto Tudo), porque influenciava e manipulava a governação de forma indecorosa?

Este crime provou, mais uma vez, que vivíamos, e ainda vivemos, numa sociedade chocantemente doente – apesar de aberta e democrática –, contrariamente a uma sociedade participada e gerida por padrões de responsabilidade coletiva. E não venham agora alguns colunistas e pequenos políticos gabar a firmeza de Pedro Passos Coelho (PPC) ao não autorizar a CGD a socorrer o universo BES. PPC já era primeiro-ministro há 4 anos quando o BES entrou em agonia. Foi tempo demais a permitir a existência do monstro, para mais num período em que os crimes cometidos por este foram incontáveis. Quando PPC fechou a porta a Ricardo Salgado já só tinha esta solução. Qualquer outra significaria pôr a cabeça no cepo.

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VALORIZAR OS PORTUGUESES NO MUNDO

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O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, na sessão de apresentação em 2019 na Livraria Lello, do livro “Valorizar os Portugueses no Mundo”, do antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro (dir.)

 

  • Crónica de Daniel Bastos

Há sensivelmente um ano foi apresentado na Livraria Lello, um emblemático espaço da cidade do Porto e uma das mais afamadas livrarias do mundo, o livro “Valorizar os Portugueses no Mundo: Por uma visão estratégica partilhada 2015-2019”, da autoria de José Luís Carneiro, então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

A obra, que tinha sido já lançada na Biblioteca da Imprensa Nacional em Lisboa, e que é prefaciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, constitui-se como um relatório de balanço do mandato entre 2015-2019 do ex-governante na Secretaria de Estado das Comunidades, estrutura governativa que foi no início da atual legislatura assumida pela antiga autarca de Alfândega da Fé, Berta Nunes.

O livro inclui cinco capítulos dedicados às áreas de ação e prioridade política empreendida pela Secretaria de Estado das Comunidades durante o mandato de José Luís Carneiro. Nomeadamente, “A rede consular do MNE”, “As prioridades de política da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, “Iniciativas promovidas pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas em cooperação com outras áreas governativas”, “Alguns eventos promovidos pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, e “As visitas ao estrangeiro e o contacto com as comunidades portuguesas no mundo”.

Como garante nas palavras de abertura, com “a profunda convicção de que os Portugueses nas comunidades vivem a sua relação com Portugal de modo muito especial”, o então governante ao longo da obra sintetiza um conjunto de medidas políticas que foram delineadas durante o seu mandato e que procuraram conferir às comunidades lusas espalhadas pelo mundo “uma mais ampla cidadania e uma mais forte vinculação a Portugal”.

Além um original meio de prestação de contas do seu mandato, uma prática que ainda não é seguida por todos os governantes, o livro assinado pelo antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, tem o condão de recordar-nos a importância da Diáspora. Como sustenta Manuel Filipe Correia de Jesus em “Comunidades Portuguesas – um novo enfoque”, estas além “da sua importância cultural, económica e social nos respectivos países de acolhimento, suscitam uma vasta e complexa rede de relações bilaterais, multilaterais e até mesmo supranacionais, cujo acompanhamento não pode ser dissociado da actuação do Ministério dos Negócios Estrangeiros”.

AFETOS E DESAFETOS

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Em trabalho publicado recentemente no jornal “Expresso”, diz-se que Portugal tem 5,8 milhões de animais domésticos, distribuídos por 54% dos lares do país, com um custo de tratamento que pesa 15% no orçamento familiar. Nesta abordagem também se dá a conhecer que boa parte daqueles que os adotaram como companhia os consideram membros integrantes da família, recaindo a predileção nos cães (36%), a que se seguem os pássaros (25%) e logo de seguida os gatos (21%).

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Contudo, ainda nos situamos um pouco abaixo da média de um conjunto de 23 países do mundo, onde a Argentina surge na dianteira, quase a duplicar a nossa percentagem. Caso curioso, os três primeiros países nesta enumeração situam-se no continente americano, com o México em 2º e o Brasil em 3º lugar. Bem enganados estavam os que presumiam que era na Europa que mais se manifestava a vontade de ter bichos de estimação. O melhor que temos no nosso continente é o enquadramento da Itália em 7º lugar.

Gostar de animais, se estimados, no mínimo não os tratando mal, é salutar e demonstra riqueza de afetos da parte de quem os tem. Cá em casa não os há, não por razões de desafeto, mas antes por falta de tempo para lhes dar o tratamento que merecem. Por outro lado, tive o grato prazer de ter gato durante bastante tempo, mas também tive a ingrata experiência de o perder e sentir vincada tristeza quando tal aconteceu.

Ver gente a passear com um cão bem tratado, escovado, luzidio e devidamente atrelado para não incomodar terceiros, é um regalo. Melhor ainda se quem os passeia evita que estes façam sujidade nos passeios ou, se tal acontecer, procede à conveniente limpeza, evitando que alguém, especialmente idosos, se estatele no chão, como tantas vezes acontece. Ainda há pouco tempo tive que socorrer uma anciã que, caminhando com dificuldade, caiu depois de escorregar em dejetos, não conseguindo levantar-se. Naturalmente, as pragas caíram nos pobres dos bichos, mas estes não são culpados, porque também eles têm necessidades fisiológicas, necessitando apenas que alguém lhes facilite a vida.

Estimar os animais, está provado, é cada vez mais uma evidência dos povos. Mas este enraizamento de afeto por cães e gatos não pode funcionar em prejuízo de familiares próximos. São cada vez mais os idosos a ser colocados nos lares de terceira idade e, tantas vezes, aí esquecidos. Consagrar toda a afeição a seres adotados e ficar em débito para com os familiares diretos, especialmente os progenitores, é algo pouco salutar. Se fossem seres pensantes, até os animais nos condenariam por tal.

goncalofagundes@gmail.com

LIVRARIA TFM – UM ESPAÇO EMBLEMÁTICO DA CULTURA LUSÓFONA NA ALEMANHA

  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada no dia 2 de maio de 1980 na cidade de Frankfurt, uma das maiores cidades da Alemanha, pela ação visionária do português nascido em Moçambique, Teo Ferrer de Mesquita, a livraria TFM - Centro do Livro e do Disco de Língua Portuguesa, permanece ao longo das últimas quatro décadas como um espaço emblemático da cultura lusófona no coração da Europa.

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A viver no território germânico há mais de meio século, o provecto livreiro além de responsável pela criação da primeira livraria lusa na Alemanha, tem sido ao longo dos anos um prodigioso dinamizador e mobilizador cultural. Ativismo expresso, por exemplo, no seu trabalho durante mais de 20 anos com a Alte Oper de Frankfurt, que permitiu levar ao público alemão grandes nomes da música portuguesa, entre eles, Amália Rodrigues, Carlos Paredes e José Mário Branco.

Assim como na presença lusa na Feira do Livro de Frankfurt, o maior encontro mundial do setor editorial, contexto que levou a que em 1998 estivesse no certame ao lado de José Saramago, quando este recebeu a notícia do Prémio Nobel da Literatura, e tenha estado a convite do mesmo na cerimónia de entrega do galardão em Estocolmo.

Este dinamismo impulsionou a TFM na organização de várias leituras com escritores de referência da língua portuguesa, como José Saramago, António Lobo Antunes ou José Cardoso Pires. Mas também a assumir inclusive uma vertente editorial no seio do espaço lusófono, que esteve já na base de edições bilingues, português e alemão, de consagrados autores brasileiros, como Manoel de Barros ou João Ubaldo Ribeiro.

Atualmente gerida por Petra Noack, colaboradora de longa data de Teo Ferrer de Mesquita, a TFM prossegue como um espaço de referência da cultura lusófona na Alemanha, colaborando por exemplo, regularmente com o Camões – Centro Cultural Português em Berlim na organização de leituras com autores como Patrícia Portela, Rui Cardoso Martins, Kalaf Epalanga, Isabela Figueiredo ou João Paulo Cuenca.

O papel de relevo e promoção cultural desempenhado pela Livraria TFM ao longo das últimas quatro décadas na Alemanha concorreu para que em 2015, este verdadeiro baluarte da língua portuguesa no coração da Europa, fosse distinguido com o Prémio Alemão das Livrarias, que distingue pequenas livrarias germânicas  com uma oferta literária selecionada e uma programação cultural especial.

A VELHA ALIANÇA

  • Crónica de Gonçalo Fagunde Meira

Fomos rotulados como destino de risco para turistas, mas não exorcizamos tristezas invocando velhas alianças. Neste salve-se quem puder para minimizar efeitos pandémicos ninguém se respeita nem se solidariza. Se nem a União Europeia, um espaço de sofrível unidade, consegue uma política comum para enfrentar o inimigo invisível, como podemos esperar que o mundo em geral o faça?

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Na verdade, temos com os Ingleses uma aliança que data de 1373 e se reforçou em 1386 com o tratado de Windsor, depois da vitória na batalha de Aljubarrota, em que contamos com a ajuda das suas tropas. Mas disponibilizar-nos alguns combatentes para ajudar a esconjurar inimigos diz pouco. Daquelas bandas, houve sempre interesses económicos a justificar solidariedades. Atente-se no apelidado acordo dos panos e dos vinhos de 1703 (Tratado Methwen) no qual, segundo os especialistas, só saímos a perder. Por isso o anulamos em 1836, quando se desejava eterno. Também nos ajudaram a expulsar as tropas de Napoleão de Bonaparte na Guerra Peninsular, mas depois esmoreceu a vontade de sair de Portugal, sendo preciso conspirar para os mandar de volta.

Mas isso é outra história. Atente-se antes no presente e nas estórias de Boris Johnson. Começou por desvalorizar a pandemia e apostou na imunidade de grupo. Intrépido, acabou no hospital, onde, segundo ele, um enfermeiro português ajudou a salvar-lhe a vida. Recuperou, mas mais de 44.000 dos seus concidadãos não tiveram a mesma sorte. E a situação está longe de controlada. No dia 3 do mês corrente, por exemplo, infelizmente, faleceram 137 pessoas no Reino Unido, sendo a esmagadora maioria de Inglaterra. O convencimento e o individualismo perante um inimigo desconhecido tem este triste fim.

Como bem diz António Guterres, o mundo não está preparado para enfrentar este flagelo da Covid 19 e o que deveria fazer era, com humildade, unir esforços para acertar uma estratégia comum que enfrentasse o mal. Mas, olhando para o panorama mundial, o que vemos é cada um por si e um pouco todos contra todos, tentando, em pânico, evitar o naufrágio e o consequente colapso económico, mesmo que para isso tenha que se fazer batota na divulgação de mortos e infetados.

Portugal, como todos, tem os seus problemas e tem aspetos de sérias apreensões, que, está provado, foram desvalorizados. Mas tem evitado dramas, contornando dificuldades melhor que a esmagadora maioria dos países, com o feito heroico de proteger os mais idosos, algo que outros bem mais desenvolvidos não conseguiram ou não quiseram. Colocar-nos na lista de países de risco também é muito para encobrir dificuldades próprias, com despeito à mistura.

goncalofagundes@gmail.com

RÁDIO ALFA, A EMISSORA DOS PORTUGUESES EM PARIS

  • Crónica de Daniel Bastos

No ar desde 5 de outubro de 1987, a Rádio Alfa, uma estação de rádio lusófona situada em Paris e dirigida à comunidade portuguesa em França, a maior comunidade de portugueses no estrangeiro, desempenha um papel fundamental na manutenção e promoção da identidade lusa em terras gaulesas.

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Localizada atualmente em Créteil, é consensualmente reconhecida como a emissora mais popular dos portugueses em Paris, para o que muito contribui o facto de ser a única rádio da comunidade portuguesa que abrange a região de França, 24 horas por dia.

Se tivermos em linha de conta que os dados mais recentes apontam para que vivam em França mais de meio milhão de portugueses e que, se considerarmos a comunidade contando com os descendentes de segunda e terceira geração, o número sobe para quase um milhão e meio, elevando-a assim à maior comunidade estrangeira a viver em França, percebe-se que a Rádio Alfa além de emitir para um enorme auditório, constitui-se como a voz de intervenção da comunidade portuguesa na Cidade Luz.  

Enquanto palco privilegiado de intervenção, a grelha da estação emite programas que dedicam espaços à resolução de problemas, à promoção da música, cultura e língua portuguesa, à divulgação das atividades realizadas pelo meio associativo e à difusão de notícias que visam a informação junto da comunidade portuguesa em França.

Como sustenta Carla Laureano, na tese “A rádio Alfa e a comunidade portuguesa em França: estudo de caso sobre a relação entre média e identidades”, a emissora ao desempenhar um papel importante junto da comunidade portuguesa em terras gaulesas, impulsiona a “partilha de uma identidade cultural portuguesa entre os emigrantes”. Particularmente junto da primeira geração, uma geração que se encontra intimamente ligada à Rádio Alfa, pelo que a emissora deve ter como uma das prioridades e desafios para o futuro a sua interligação com os lusodescendentes, de modo a conseguir “fazer um cruzamento de culturas e tentar direcionar-se para as diferentes expectativas dos seus diferentes ouvintes”.

Uma outra importante faceta da Rádio Alfa é a sua dimensão solidária, ainda recentemente expressa nestes tempos difíceis que atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, e que também afetou duramente a comunidade portuguesa em França. No decurso deste contexto, em meados do mês passado a emissora promoveu a iniciativa “Todos juntos”, tendo conseguido através da mesma recolher junto comunidade lusa na capital francesa, dez toneladas de alimentos, 50 caixotes de roupa e mais de 10 mil euros em donativos para ajudar compatriotas que neste momento sofrem os efeitos da covid-19 na região de Paris.

No passado, e sobretudo no presente e no futuro, a Rádio Alfa continuará a ser a antena da comunidade portuguesa em Paris, ou como salientou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no 30.º aniversário da estação, a “Rádio Alfa é Portugal”.

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CTQuê?

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

A situação era crítica: bolsos vazios e o desespero a rondar-nos a casa. Era assim em 2011. Como solução, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas assumiu, com afinco, a política do empobrecimento. “Só damos a volta à crise empobrecendo”, era a máxima então adotada. Esse objetivo nunca foi descuidado, até com aprofundamento das medidas dimanadas da Troika. E assim nos aproximamos da penúria, particularmente a classe média do país. O “rapanço” foi tal que ainda hoje parte dos portugueses são credores de direitos confiscados ao longo desse consulado de quatro anos.

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Depois de concluída em 1919, a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra ainda estava em fase de urbanização. Após a construção de vários edifícios, entre eles a sede da Cruz Vermelha local (1920) e a Escola Dr. Alfredo Magalhães (1933), a 1/12/1934, é inaugurado o edifício dos CTT em Viana do Castelo. Imponente para a época e emblemático para uma empresa que apostava na modernidade. Longe vai o tempo da eficácia.

 

Paralelamente, pôs-se à venda o pouco que havia e fundamental na gestão do país. EDP, REN, CTT, e ANA, são as empresas mais conhecidas. Tudo enaltecido como negócio gordo para aliviar o sufoco das contas públicas. Contudo, há um ano, no portal “Dinheiro Vivo” era notícia o resultado de uma auditoria do Tribunal de Contas concluída em 2015. Aí se dizia que as privatizações foram apressadas e aconteceram num enquadramento económico negativo, inviabilizando benefícios futuros, que foram distribuídos pelos investidores. No caso da EDP, os dividendos recebidos pela Chinesa “Three Gorges” já pagavam 40% do valor que a mesma pagou pela participação na elétrica portuguesa. Na REN, o pagamento aos acionistas “State Grid” e Oman Oil já correspondia a metade do investimento que estes fizeram em 2012. Sem comentários.

Especificamente, falemos do negócio dos CTT, uma empresa com quase 500 anos de serviço público, tal como ainda hoje acontece em boa parte do mundo. Os compradores pagaram 922 milhões de euros e o negócio de privatização foi considerado excecional. Pois, e até havia um caderno de encargos a prestar publicamente. Mas os portugueses já sabem como é o cumprimento de encargos para os privados.

De forma célere, era preciso rentabilizar o investimento, entregando lucros a investidores e pagando bem a gestores. Fez-se pois o que os nossos ilustres gerentes adoram fazer: reduzir custos eliminando postos de trabalho, fragilizando serviços e despedindo trabalhadores. Gerir com visão de futuro, melhorando produtividades e respeitando direitos não é com esta rapaziada. Não vale a pena falar no que são hoje os CTT, já que todos sentimos na pele os efeitos de tal. Há dias chegou-me uma encomenda expedida no dia 13/5, que eu já dava como perdida; com muita sorte, no mesmo dia, entregaram-me outra enviada no dia 9/6; e dia 29/6, apareceu-me correio despachado no dia 5/6. Por receber, tenho outro expedido no dia 13/6 (entretanto chegou (2/7). Já não nos bastava a covid19. Para desgraça nossa, não faltam outros males semelhantes no país.

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DEIXEM AS ESTÁTUAS EM PAZ

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Fugidiamente, já aqui abordei o chamado “cumprimento de serviço militar obrigatório em defesa da pátria”, esse chavão canhestro que o Estado Novo adotou para legitimar um conflito que contrariava toda a lógica do mundo moderno. Quando a maioria dos países colonizadores deixavam de o ser, acautelando os interesses de todas as partes, quem nos governava decidiu, quixotescamente, enredar-se numa guerra sem sentido, apenas em proveito de alguns.

ImagemGFMMilitar.jpg1972. A alegria dos que se libertavam da guerra colonial, por “missão cumprida”, contrariamente à tristeza dos que tinham acabado de chegar.

 

Os minimamente esclarecidos sabiam que iriamos pagar caro esta aventura. E o resultado foi a ruina para centenas de milhares de pessoas, que na hora da independência se viram obrigados a fugir com pouco mais que a roupa do corpo. Mas o pequeno grupo de famílias detentoras do poder económico nesses lugares, defendidos à custa de mortos e estropiados incontáveis, não saiu de lá com uma mão atrás e outra à frente, tal como aconteceu à “legião” dos chamado retornados.

Mas outras análises podem e devem ser feitas. Alguém que tenha observado com atenção a vida social nas colónias, mesmo sabendo que a guerra que se travava era injusta e de fim duvidoso, constatou, entre outras realidades, que se havia gente de cor explorada, também havia brancos que o eram (o racismo é da mesma forma uma realidade entre classes sociais); que havia colonos que tratavam bem os seus empregados, independentemente da cor da pele; que as raças se foram cruzando, com muitos brancos a constituírem famílias estáveis casando com mulheres negras e vice-versa; e que muitos colonos levaram o progresso às regiões mais recônditas, construindo e desenvolvendo vilas e cidades em todo o universo colonial. Como bem diz Miguel Sousa Tavares, o pior erro da colonização foi não ter sabido preparar uma elite para governar as independências, evitando assim os descalabros a que estamos a assistir.

Também é à luz de algumas destas evidências do passado recente, ou de há séculos atrás, que a história tem que ser feita. O mundo sempre esteve em permanente mudança e em cada tempo os comportamentos de colonizadores e colonizados, bem como das populações em geral, ajustaram-se às culturas desse mesmo tempo. Daí que a história não se respeite derrubando estátuas ou escondendo-as envergonhadamente. A história valoriza-se e aprofunda-se com as estátuas no seu lugar, porque em cada uma há um passado e uma vida que a história tem que julgar, louvando o que de melhor representa e condenando o que de pior se fez. O tempo presente, por si só, rejeita o pior do passado, tal como o futuro haverá de rejeitar o mal presente.

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A INCESSANTE GENEROSIDADE DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM TEMPO DE CORONAVÍRUS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nestes tempos difíceis que todos atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, a generosidade das comunidades portuguesas tem sido a todos os títulos notável e inspiradora.

Uma generosidade que perpassa a geografia universal das várias comunidades lusas, e que se revela fundamental para mitigar o espectro de desemprego, as perdas de rendimento e as grandes dificuldades de vida que bateram à porta de muitos compatriotas.

Os exemplos deste sentimento coletivo de solidariedade são muitos e variados. Na semana passada, por exemplo, a comunidade portuguesa em Paris, seguramente, a maior comunidade lusa no estrangeiro, recolheu através da iniciativa “Todos juntos” da Rádio Alfa, a emissora mais popular dos portugueses na capital francesa, dez toneladas de alimentos, 50 caixotes de roupa e mais de 10 mil euros em donativos para ajudar compatriotas que neste momento sofrem os efeitos da covid-19 na região de Paris.

Por esta altura, mas em Toronto, a maior cidade do Canadá, onde reside uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas da América do Norte, uma outra relevante plataforma de comunicação social lusa. Designadamente, a MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários luso-canadianos, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada.

Ainda na América do Norte, mais concretamente em Newark, Nova Jérsia, onde vive uma das maiores comunidades portuguesas nos Estados Unidos, o Sport Club Português de Newark, um dos mais antigos e dinâmicos dos EUA, tem presentemente através dos seus dirigentes colaborado regularmente na distribuição de cabazes por várias famílias luso-americanas.

Estes exemplos de generosidade, e muitos outros que estão atualmente a ser dinamizados no seio das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, provam que a pandemia de coronavírus não impede a solidariedade, antes pelo contrário, e que todos nós podemos contribuir, na medida das nossas possibilidades e disponibilidade, para o bem comum.

SEM VACINA CONTRA O COVID-19, EM 2021 NÃO HAVERÁ FOLCLORE, FESTAS E ROMARIAS

  • Crónica de Carlos Gomes

Ainda não foi criada até ao momento a vacina contra o Covid-19 e não existe previsão de que a mesma venha a ser inventada pelo menos até meados do próximo ano. Entretanto, somos alertados cada vez com mais insistência para a eventualidade de um novo surto da epidemia e, consequentemente, a necessidade de se virem a tomar novas medidas de confinamento, mais rigorosas e repressivas… e já se apontam culpados: os grupos de jovens que indisciplinadamente se juntam nas praias para se divertirem!

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Considerações à parte no que respeita à “responsabilidade” do surto epidémico que há-de vir, uma coisa é certa: o vírus vai propagar-se e, por conseguinte, continuarão canceladas uma série de actividades como festivais de folclore, associativismo, festas e romarias.

Perante este cenário, inúmeras colectividades e grupos folclóricos correm o risco de desaparecerem. Quanto às romarias e outros eventos de carácter religioso, certamente sobreviverão apesar das proibições, tal como sobreviveram aquelas que foram reprimidas pela fúria anti-clerical ao tempo da Primeira República, simplesmente porque se encontram enraizadas na alma do povo.

Pese embora a discriminação cada vez mais flagrante que já revela laivos de uma ditadura, o associativismo popular não reage. Os grupos folclóricos estão adormecidos. O povo está anestesiado. Estão criadas as condições básicas para a imposição de um regime autoritário que não respeita as liberdades individuais e colectivas. Estas tornam-se um privilégio de alguns – partidos políticos, comunicação social, artistas e sindicatos que são financiados pelo sistema – enquanto os outros estão condenados à asfixia!

- A festa acabou!

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Foto: José Carlos R. Vieira

HOSPITAIS E SAÚDE NO OITOCENTOS: DIÁLOGOS ENTRE BRASIL E PORTUGAL

  • Crónica de Daniel Bastos

Há sensivelmente dois anos, a editora Fiocruz, que concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, e uma das principais instituições mundiais de pesquisa em saúde pública, localizada no Rio de Janeiro, lançou o livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”.

Organizado pelo arquiteto Renato Gama-Rosa, investigador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e Cybelle Miranda, investigadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), o livro é constituído por sete capítulos. Designadamente, “Edifícios da Saúde no Rio de Janeiro Oitocentista” de Inês El-Jaick Andrade, Renato da Gama-Rosa Costa e Éric Alves Gallo; “Hospitais na Belém Oitocentista: classicismo e diálogo entre matrizes luso-brasileiras” de Cybelle Salvador Miranda; “Da Instituição Asilar ao Movimento Antimanicomial: a reconstituição da memória do Hospital Juliano Moreira do Pará” de Emanuella da Silva Piani Godinho e Cybelle Salvador Miranda; “Arquitetura da Saúde como Patrimônio: Hospital D. Luiz I da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará” de Cibelly Alessandra Rodrigues Figueiredo; “A Casa da Misericórdia no Contexto da Arquitetura Portuguesa da Saúde na Centúria do Oitocentos em Portugal”  de Joana Balsa de Pinho e Fernando Grilo; “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX” de Daniel Bastos; e “A Arquitetura Assistencial em Portugal no Início do Século XX: o Sanatório de Sant’Ana” de Maria João Bonina e Fernando Grilo.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação em junho de 2019, do livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”, na Santa Casa da Misericórdia de Fafe, acompanhado do arquiteto e urbanista brasileiro Renato Gama-Rosa

 

Ao longo dos sete capítulos do livro, que no decurso dos últimos dois anos foi já apresentado em diversas cidades brasileiras e portuguesas, os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de hospitais e associações de beneficência, que emigrantes portugueses na transição do séc.XIX para o séc. XX construíram em várias localidades brasileiras, principal destino da emigração lusa na época, que originalmente se destinavam à ajuda mútua entre os sócios, membros da comunidade portuguesa, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil e na América do Sul. Assim como o contributo da filantropia dos “brasileiros de torna-viagem”, emigrantes portugueses enriquecidos no Brasil, que no alvorecer do séc. XX estiveram, entre outras obras beneméritas, na base da construção de hospitais nas suas terras de origem, e que na atualidade, numa época tão marcada pela pandemia de coronavírus que afeta o mundo, como é o caso das comunidades portuguesas, não podem deixar de ser recordados como exemplos inspiradores de solidariedade.

SOCIEDADE AREJADA SÓ COM MENTES SÃS

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Também acredito que somos um povo de bem e que nos pautamos por elevados índices de urbanidade. Não há sociedades perfeitas e estas devem ser medidas pelos padrões mais gerais das suas virtudes e defeitos, caso contrário, como é comum dizer-se, estamos a “ver a floresta pela árvore”. E as nossas práticas comportamentais definem-nos como um povo ordeiro, educado, e solidário.

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Carolino Ramos (1897/1961) era um vianense de gema. Amava tudo o que era Viana, mas distanciava-se de tudo o que era emoção. Enquanto assistia a qualquer espetáculo, desportivo, recreativo ou cultural, presencialmente ou pela rádio, entretinha-se a desenhar. O seu mundo era o da pacatez e da arte. Era o seu mundo; o mundo que desejava para todos.

 

Mas também não podemos aderir a esta abordagem bondosa e simpática omitindo comportamentos que, mesmo isolados e pontuais, são merecedores de repulsa. Silenciar ou justificar o crime é ser conivente com ele. Não há meios-termos: um delito é um ato condenável e tudo deve ser feito para que ele não se pratique. Há crimes e crimes, costuma dizer-se. É verdade que há graus diferentes de apreciação nas condutas reprováveis. Não podemos comparar uma briga de amigos, por exemplo, com uma emboscada com o intuito de agredir cidadãos, tantas vezes até à morte.

O cometimento grave, para além de revelar a natureza e formação dos indivíduos que o praticam, infelizmente, cada vez mais acontecem por fanatismo ideológico, desportivo ou outro. E isso é preocupante. Manifesta intolerância em relação a terceiros e, fundamentalmente, falta de controlo emocional. Um cidadão manietado por um qualquer credo deixa de ser livre, dai perigoso para a sociedade. Será, acima de tudo, um personagem dependente de alguém e que alguém facilmente o subjuga.

Entre nós o fanatismo mais exacerbado acontece no mundo do futebol. A equipa do coração não ganha, logo as culpas recaem sobre a arbitragem, a falta de empenho dos jogadores, as manobras de secretaria ou tantas outras desculpas anedóticas. A cegueira do adepto clubístico nunca o deixa raciocinar de forma pragmática, compreendendo que a sua equipa, por qualquer motivo, jogou mal, que o adversário foi melhor ou se houve outros azares que não se esperavam.

O que temos visto recentemente é este espetáculo triste de insulto e agressão a jogadores que ontem se idolatravam e se beijavam como santos. Quem assim se comporta acaba abertamente a fazer um outro jogo, que é o de apoio a dirigentes que apostam em governar clubes de acordo com agendas próprias. Nos tempos presentes, tenho para mim que o futebol, concretamente, em termos de manipulação de mentes, tem caminho aberto para retratar mal a comunidade que somos. É pena, porque um desporto tão bonito e agradável de se ver, que também nos representa briosamente extrafronteiras, não merecia esta imagem pobre que dele estão a dar.

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CÂNDIDO FARIA: EMPRESÁRIO E BENEMÉRITO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM FRANÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso da semana passada, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento em Paris do empresário Cândido Faria, um dos mais destacados empresários e beneméritos da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas no Velho Continente, rondando um milhão de pessoas.

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Natural de Riba de Ave, vila do concelho minhoto de Famalicão, Manuel Cândido Faria chegou França aos 12 anos, onde começou a trabalhar no ramo da construção civil aos 16 anos, tendo pouco tempo depois, aos 22 anos, adquirido a empresa onde obteve o seu primeiro trabalho.

Exemplo genuíno de um self-made man, o sucesso que alcançou ao longo das décadas no mundo dos negócios foi constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa no território gaulês. Como foi o caso das obras da Casa de Portugal em Paris, construída na década de 1960, por iniciativa de Azeredo Perdigão, então diretor da Fundação Calouste Gulbenkian, e recentemente renovada, graças entre outros, a Cândido Faria cuja filantropia revelou-se decisiva na renovação das salas Fernando Pessoa e Vieira da Silva que acolhem anualmente mais de uma centena de eventos culturais.

A dimensão benemérita do empresário português radicado em França beneficiou ainda ultimamente a renovação da igreja de Gentilly, no sul de Paris, entregue no final dos anos 70 à comunidade portuguesa, e encontra-se igualmente plasmada na construção da Casa de Portugal em Plaisir, nos arredores de Paris, e na Casa do Benfica na capital francesa.

A trajetória de sucesso e o cariz altruísta de Cândido Faria foram reconhecidas em 2016, durante as comemorações oficiais do 10 de junho em Paris, tendo o empresário recebido das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o grau de oficial da Ordem de Mérito.

Numa época em que as comunidades portuguesas enfrentam dificuldades devido à pandemia, evocar o exemplo e memória de Cândido Faria constitui um lampejo de esperança e de empenho coletivo na construção de um futuro melhor assente em princípios basilares de entreajuda, progresso e solidariedade.

O ENTRECRUZAMENTO DA GUERRA COLONIAL COM A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

A Guerra Colonial (1961-1974), época de confrontos bélicos entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, representa um dos acontecimentos mais marcantes da história nacional e africana de expressão portuguesa do séc. XX.

Conflito bélico dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de portugueses, que prestaram serviço militar nas três frentes de combate, onde tombaram cerca de 8.300 soldados, assim como para as populações angolanas, guineenses e moçambicanas, cujo número total de vítimas, entre guerrilheiros e civis, terá sido superior a 100 mil mortos, a Guerra do Ultramar ou Guerra da Libertação desencadeou profundas alterações demográficas, económicas, sociais, culturais e politicas.

Em Portugal, o desgaste provocado pela Guerra Colonial, que esteve na base do derrube do regime ditatorial salazarista que imperou entre 1933 e 1974, entrecruzou-se com o fenómeno da emigração. Nas décadas de 1960-70, a miséria, a pobreza e a fuga ao serviço militar de milhares de jovens como forma de escapar à incorporação na Guerra do Ultramar, impeliram a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao centro da Europa, em particular para França.  

O fim da Guerra Colonial e a descolonização recrudesceriam o fenómeno migratório, não só por via da chegada ao território nacional de mais de meio milhão de portugueses de África, conhecidos como “retornados”. Mas também, pelo facto da independência das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, terem tornado no final dos anos 70, a África do Sul como o principal destino dos portugueses em África.

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Em 2019, o historiador Daniel Bastos (dir), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, visitou o monumento de homenagem aos militares portugueses e canadianos mortos em situações de guerra no cemitério Glen Oak Memorial Garden, na cidade de Oakville, junto a Toronto, na companhia do ex-combatente da Guerra Colonial, Artur Jesus (esq.), e atual Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural 25 de Abril em Toronto

 

No entanto, no campo historiográfico do entrecruzamento da Guerra Colonial com a emigração portuguesa, existe ainda uma dimensão de conhecimento pouco ou nada estudada, designadamente a emigração nos anos 70 e 80 de milhares de antigos combatentes da Guerra do Ultramar. O impacto da emigração, ainda pouco conhecido, de milhares de homens que estiveram na Guerra Colonial, pode ser aferido pelo papel de assistência e preservação de memória dinamizado pela Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, a segunda maior província do Canadá onde vivem cerca de meio milhão de portugueses, entre eles, mais de 20 mil antigos combatentes da Guerra do Ultramar, segundo dados veiculados pelo Núcleo de Ontário.

A MORTE NO APARO DA CANETA

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Escrever é um exercício arriscado, particularmente quando se abraça a carreira de profissional da comunicação. Compor umas crónicas leves e simpáticas até pode ser agradável e proporcionar satisfação pessoal, para além de facilitar o esbatimento de divergências de opinião e a criação de novas amizades. Mas isso não pode ser confundido com a condição de jornalista a tempo inteiro; e por inteiro.

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Para além de ter habilitações próprias, a par de um forte inclinação para a função, a um profissional de imprensa impõe-se-lhe seriedade, determinação e independência em relação a todo o tipo de poderes, paralelamente a uma boa dose de arrojo. Felizmente, no mundo inteiro, não faltam bons profissionais na área do jornalismo para fazer o que é a sua obrigação: informar com seriedade, sem nunca abdicar de apreciação própria entre o bem e o mal. Escrever sobre um crime, independentemente do seu tipo, não manifestando repúdio pelo ato, mesmo que implicitamente, não é praticar bom jornalismo.

Os bons e corajosos redatores sabem disso e assumem-no. Daí que sejam continuamente acossados, ameaçados e até liquidados por poderes políticos, económicos, de seitas e outros. Segundo o relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), no ano de 2019, foram mortos quarenta e nove profissionais de imprensa. Mesmo assim, diz a RSF, um número baixo, se comparado com a média de 80 mortes por ano registadas nas últimas duas décadas. Até nos países pacíficos e tolerantes o número de mortos em 2019, tal como no ano anterior, atingiu a dezena. Perante estes valores, o que se pode concluir é que o jornalismo é demasiado incómodo, daí o ódio a que está sujeito, especialmente pelo mundo do crime e por aqueles que querem à viva força ganhar o poder ou perpetuar-se nele, independentemente do espaço político em que se alinham ou proclamam alinhar-se.

Culpar, injuriar e perseguir órgãos de comunicação social e os redatores responsáveis pelos conteúdos que lhe dão vida é uma constante que nem sequer se disfarça. Veja-se o que vem acontecendo nos EUA e no Brasil. Isto com a agravante do recurso permanente às fake news (notícias falsas) através das redes sociais, por parte dos detratores da livre imprensa, numa despudorada manipulação de consciências.

A liberdade de imprensa é um dos mais sagrados direitos dos povos. Com uma imprensa manietada e sem jornalistas verdadeiramente livres não passaremos de sociedades sitiadas, sujeitas ao arbítrio e sem vida social.

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