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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O CRESCIMENTO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NOS PAÍSES NÓRDICOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Os dados mais recentes sobre a emigração portuguesa apontam que os países nórdicos, uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta por países como a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, ao longo do ano de 2018 atraíram cada vez mais portugueses. 

Comumente considerados como dos melhores países do mundo para se viver e trabalhar, como sustentam os seus elevados índices de qualidade de vida, democracia e competitividade. Os números revelam que a emigração lusa para a Noruega aumentou 20%, para a Dinamarca (19%), para a Suécia (9%), para a Islândia (23%) e para a Finlândia, ainda que não sejam conhecidos os valores do ano transato, os dados de 2017 revelam que nesse período as entradas de portugueses tiveram um incremento na casa dos 10%.

No caso, por exemplo, da emigração portuguesa para a Noruega, as autoridades estatísticas da nação que amiúde lidera o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, indicam que embora seja um fenómeno recente e represente apenas 1% da imigração neste país nórdico, a entrada de portugueses chegou em 2018 aos 450 cidadãos.

No conjunto dos países nórdicos que o longo da última década tem acolhido cidadãos nacionais, a Suécia, o mais populoso e o maior país nórdico, revela uma clara tendência de crescimento desde o início do séc. XXI. Nos últimos anos a Embaixada de Portugal em Estocolmo contabiliza a presença de mais de quatro milhares de portugueses na nação escandinava, muitos deles profissionais qualificados a desempenhar funções nas áreas das tecnologias de informação e comunicação (TIC), saúde, engenharias, arquitetura e investigação.

O recente crescimento da presença portuguesa nos países nórdicos, como é o caso da Suécia, deve-se também em grande medida ao número de estudantes lusos envolvidos em programas de pós-graduação e programas de mobilidade. Como o programa Erasmus, que contempla um conjunto de atividades onde se inclui a mobilidade de estudantes universitários para efetuar um período de estudos ou estágio em países da União Europeia e outros países associados ao projeto, e cuja experiência formativa no domínio pessoal e profissional, é uma indubitável mais-valia no mercado laboral.

O QUE DIZ A ATRIZ MARIA VIEIRA ACERCA DO PRÉDIO DO COUTINHO?

A atriz Maria Vieira, actualmente a residir no Brasil, colocou recentemente na sua página do Facebook a sua opinião acerca da questão do prédio do Coutinho, em Viana do Castelo. Polémica, como sempre, aqui deixamos a sua opinião sem qualquer interferência…

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Este caso inenarrável e surrealista do Prédio Coutinho, que o governo socialista e o autarca socialista de Viana do Castelo querem ver demolido à força (não nos esqueçamos que a empresa «VianaPolis» é detida em 60% pelo Estado e em 40% pela Câmara de Viana do Castelo) é uma vergonha nacional e um atentado à propriedade privada e à liberdade individual dos legítimos proprietários dos apartamentos do prédio em causa e uma prova de que o povo português é refém deste governo não eleito que continua usurpando o poder depois de ter perdido as eleições em 2015!

Alegadamente e segundo a «VianaPolis», o Prédio Coutinho configura «Poluição Visual» e por esse motivo deverá ser demolido para dar lugar a um mercado municipal, já os lindos prédios do Bairro da Jamaica que constituem um belo exemplo da melhor e mais moderna "Arquitectura de Favela" continuam de pé, competindo assim com o que de melhor se faz no género, em cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Joanesburgo ou Bombaim! Mas o mais caricato é testemunharmos a ausência e o desprezo das autoridades nacionais, nomeadamente do Marcelo Rebelo de Sousa que, num gesto de "solidariedade populista", fartou-se de tirar "selfies" com os habitantes do Bairro da Jamaica, do António Costa, que governa um país cada vez mais falido, mais caótico e mais abandonado à sua sorte, dos fofinhos do Bloco de Esquerda e da sua líder Catarina Martins que tanto se preocupam com as injustiças sociais e de toda essa malta dos Direitos Humanos que até aqui têm ignorado os humanos que continuam, sem água, sem luz e sem gás, a viver sob condições desumanas no Prédio Coutinho, sob constante pressão do governo e da autarquia e com a polícia à porta de casa como se fossem um bando de criminosos!

É este Presidente da Républica das Bananas, este governo socialista/bloquista/comunista e autarcas socialistas como o de Viana do Castelo que se preparam para ser reeleitos por forma a continuarem a fazer com o país, aquilo que estão fazendo com os habitantes do Prédio Coutinho e cabe-nos a nós, portugueses, não nos esquecermos disso mesmo nas próximas eleições legislativas, presidenciais e autárquicas para que nos possamos livrar definitivamente de toda esta gente que governa Portugal como se fosse uma coutada do Terceiro Mundo!

ALTO MINHO VOTA SERRA D'ARGA

O BLOGUE DO MINHO endereçou recentemente a todos os partidos políticos com representação na Assembleia da República e organização no Distrito de Viana do Castelo, o pedido para darem conhecimento público da sua posição a respeito da exploração do lítio na serra d’Arga.

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Pretende-se tão simplesmente saber quais os seus pontos de vista – o que respeitamos! – e quem está com as populações na defesa do património natural e da sua qualidade de vida. Consoante as respostas que recebermos – ou não recebermos! – ficaremos a saber de que lado estão, as suas razões e, sobretudo, se têm opinião e interesse em relação a esta temática que é do maior interesse do Minho e dos minhotos.

Até ao momento não recebemos ainda qualquer comunicação de quaisquer dos partidos contactados. E foram eles o PS, PSD, CDS, CDU, BE e PAN do Distrito de Viana do Castelo. Não queremos deduzir que seja por falta de opinião ou interesse e muito menos para não se comprometerem com a causa da defesa da serra d'Arga...

Convém lembrar que, nas próximas eleições que irão decorrer em breve, qualquer que seja o sentido de voto dos eleitores na nossa região, eles vão votar pela serra d’Arga!

Foto: SOS Serra d'Arga

PROSPECÇÃO DO LÍTIO NA SERRA D’ARGA: VAMOS SABER QUEM ESTÁ COM AS POPULAÇÕES NA DEFESA DO AMBIENTE!

O BLOGUE DO MINHO endereçou a todos os partidos políticos com representação na Assembleia da República e organização no Distrito de Viana do Castelo, o pedido para darem conhecimento público da sua posição a respeito da exploração do lítio na serra d’Arga.

Queremos saber quais os seus pontos de vista – o que respeitamos! – e quem está com as populações na defesa do património natural e da sua qualidade de vida. Consoante as respostas que recebermos – ou não recebermos! – ficaremos a saber de que lado estão, as suas razões e, sobretudo, se têm opinião e interesse em relação a esta temática que é do maior interesse do Minho e dos minhotos.

- Os minhotos vão saber com quem poderão contar!

O CASO DO PRÉDIO COUTINHO

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  • Crónica no jornal I de Luís Meneses Leitão

Mesmo que o contrato já tenha terminado e o inquilino não tenha qualquer direito a permanecer no imóvel, o despejo tem de ser realizado pelos meios legais, não sendo aceitável num Estado de direito o recurso a meios de pressão ilegítimos para obrigar à saída dos habitantes de um prédio.

Começo por esclarecer que sou contra a construção de mamarrachos e que bem me aflige estar a ver as tradicionais avenidas das nossas cidades serem totalmente descaracterizadas pela aprovação da construção de edifícios absurdos por autarcas, cuja função deveria ser antes a protecção do património tradicional. No entanto, estamos num Estado de direito e, quando é licenciado um edifício e se permite a sua comercialização aos cidadãos, que nele investem as suas poupanças com o fim de lá residirem toda a sua vida e transmitirem a sua propriedade aos seus herdeiros, constitui uma verdadeira violência que o Estado queira voltar atrás na sua decisão e pôr em causa esse projecto de vida das pessoas que nele confiaram.

Efectivamente, a Constituição, no seu art.o 62.o, garante a todos o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou por morte, esclarecendo que a requisição e a expropriação por utilidade pública só podem fazer-se nos termos legais e mediante justa indemnização. E garante também, no seu art.o 34.o, a inviolabilidade do domicílio, estabelecendo que a entrada no mesmo só pode ser ordenada por autoridade judicial competente, nos casos e segundo as formas previstas na lei. Face a esta regra constitucional, mesmo no caso de arrendamento e empréstimo temporário de habitações, os proprietários não podem recuperar as suas casas a não ser recorrendo aos meios legais.

Precisamente em virtude dos fenómenos de bullying imobiliário ocorridos nos últimos tempos, o Parlamento aprovou a lei 12/2019, de 12 de Fevereiro, que pune o assédio no arrendamento, considerando como tal qualquer comportamento do senhorio ou de terceiro interessado na comercialização do imóvel que sujeite os seus habitantes a um ambiente intimidativo, hostil, degradante, perigoso, humilhante, desestabilizador ou ofensivo, ou impeça ou prejudique gravemente o acesso e a fruição do imóvel. Entre esses comportamentos incluem-se expressamente a prática de actos que possam causar prejuízo à saúde das pessoas que residam no locado ou que impeçam as ligações às redes de água, electricidade, gás ou esgotos. Mesmo que o contrato já tenha terminado e o inquilino não tenha qualquer direito a permanecer no imóvel, o despejo tem de ser realizado pelos meios legais, não sendo aceitável num Estado de direito o recurso a meios de pressão ilegítimos para obrigar à saída dos habitantes de um prédio.

Mas se o Estado exige este comportamento aos proprietários que arrendaram apenas temporariamente um imóvel e, portanto, têm o direito de o recuperar findo o contrato, parece que se acha, pelo contrário, completamente livre para adoptar comportamentos semelhantes relativamente a um imóvel que expropriou, seja porque achava o imóvel feio, seja porque entendeu construir um mercado lá. É assim que assistimos com estupefacção a notícias de que foi ordenado o corte de electricidade e de água, e que foi iniciada a demolição do prédio ainda com habitantes lá dentro. E é especialmente escandaloso que tenha sido impedido durante algum tempo aos habitantes que lá se encontram a possibilidade de receber a visita dos seus advogados, em clara violação do art.o 20.o, n.o 2 da Constituição. Na verdade, nem se alguém estivesse na prisão poderia ver negado o seu direito a contactar com um advogado, quanto mais se estiver no seu domicílio.

Mas perante este verdadeiro escândalo, o que diz o ministro do Ambiente? Diz que neste processo o interesse público é o principal lesado e que as vítimas de abuso são eles, os poderes públicos. Não tenha dúvidas, senhor ministro, a lesão que os poderes públicos tiveram é muito maior do que o que sofrem os comuns cidadãos dentro do Prédio Coutinho, sem acesso a água, a luz e inicialmente impedidos de ter apoio dos seus advogados, por decisão de uma empresa pública sob a sua tutela. E é muito estranho o silêncio ensurdecedor de certos deputados ao Parlamento, que andaram durante tanto tempo a defender o direito à habitação e a atacar o direito dos senhorios à sua propriedade para agora se calarem perante o que se passa no Prédio Coutinho.

O Parlamento vai votar uma lei de bases da habitação onde, entre outras coisas, se proclama enfaticamente que “os imóveis ou fracções habitacionais detidas por entidades públicas ou privadas participam, de acordo com a lei, no objectivo nacional de garantir a todos o direito a uma habitação condigna” (art.o 4.o, n.o 2). Temos aqui o exemplo de como, actualmente, o Estado cumpre o “objectivo nacional de garantir a todos o direito a uma habitação condigna”: expropria um edifício habitacional para construir um mercado e pretende iniciar a demolição desse edifício com pessoas lá dentro, a quem entretanto corta a água e a luz. Há sempre uma grande diferença entre as proclamações enfáticas na lei e a dura realidade do nosso país.

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Fonte: https://ionline.sapo.pt/

JORNAL "PÚBLICO" DEDICA EDITORIAL AO "PRÉDIO DO COUTINHO" EM VIANA DO CASTELO

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A falha que mais importa na “novela Coutinho”

Sendo um drama de pessoas concretas, a novela do prédio é também uma história das fragilidades da democracia e do estado de direito. Convém não o esquecer.

Há 20 anos que os vianenses acompanham, episódio a episódio, a interminável novela do Prédio Coutinho e tudo indica que não vão conhecer o fim em breve. Na fealdade da sua silhueta, na indecisão dos tribunais, na obstinação de uns poucos ou na paixão que muitos devotam aos resistentes, o mamarracho pode muito bem ser o símbolo deste país que ora ata, ora desata, sem nunca decidir uma coisa ou outra.

Enquanto a novela durar, enquanto houver nove famílias com fôlego suficiente para resistir ao que uma certa direita designa por “opressão” do Estado, o prédio servirá como entretenimento perfeito. Pessoas isoladas, alimentadas com balde e cordas, um tribunal que decidiu baralhar e dar de novo, uns bons, outros vilões, são ingredientes que funcionam sempre. Ao entretermo-nos assim, porém, esquecemos o essencial.

A luta dos resistentes é comovente e há na sua causa argumentos a considerar - do ponto de vista formal eles compraram legalmente uma casa e lá viveram legalmente. Mas, num estado de direito, as decisões dos órgãos democráticos, o Governo ou, no caso, a autarquia de Viana, prevalecem sobre os interesses particulares – desde que sustentadas na lei.

Pouco interessa se foi a sua horrenda figura, que, concordemos, estraga o perfil de uma das mais belas cidades do país, a determinar a história; pouco conta se foi a imposição de critérios estéticos de uns sobre outros a impor a demolição. O que é importante notar é que foi um governo e uma autarquia eleitos pela maioria que decidiram abater o edifício em nome de uma certa interpretação do interesse público.

Podemos contestar a decisão, mas querer subvertê-la só por força do recurso aos tribunais. Ora, salvo a aceitação esporádica de providências cautelares, os tribunais sempre sustentaram essa decisão.

Fica bem manifestar solidariedade aos resistentes – e os jornais, como o PÚBLICO, têm o dever de respeitar o seu direito à resistência, de exigir compensações justas ou de recusar qualquer gesto autoritário que os expulse com violência. Mas, se temos de considerar o seu protesto, não podemos esquecer os 290 habitantes no prédio que, por força da lei, mudaram de vida. Ou os interesses da VianaPolis que espera há anos pelo convencimento dos resistentes.

Podemos introduzir na conversa os habituais “e então os outros mamarrachos?”, “então e o bairro da Jamaica?” que nem isso serve para superar a questão fundamental: uma democracia é um jogo formal onde, em última instância, as escolhas de fazem em eleições e os conflitos se dirimem na Justiça.

É por isso que, sendo um drama de pessoas concretas, a novela do prédio é também uma história das fragilidades da democracia e do estado de direito. Convém não o esquecer.

Foto: Jornal Público

A COMUNIDADE PORTUGUESA NA ÁFRICA DO SUL

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso das últimas Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o primeiro-ministro António Costa confirmou que as comemorações do 10 de Junho em 2020, além de se celebrarem oficialmente na Madeira, decorrerão igualmente junto da comunidade portuguesa na África do Sul, possibilidade que tinha sido já aludida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A confirmação da decisão pelas mais altas instâncias da Nação tem desde logo o condão de destacar o papel e a importância da numerosa comunidade portuguesa que vive e trabalha no país mais meridional do continente africano. Segundo a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, estima-se que atualmente a comunidade portuguesa e de luso-descendentes na África do Sul, ronde o meio milhão de pessoas, na sua maioria com raízes madeirenses e estabelecida em Joanesburgo, a maior cidade sul-africana.

Ainda que como revele o investigador Paulo Bessa na obra “A Comunidade Lusíada em Joanesburgo”, a presença portuguesa na Nação Arco-Íris remonte “aos Descobrimentos, existindo contactos há mais de meio milénio, materializados nas viagens transoceânicas e na proximidade das colónias lusas”, o primeiro grande momento da emigração lusa, particularmente madeirense, para a África do Sul iniciou-se durante a década de 1940, durante a II Guerra Mundial, devido ao acentuar de privações geradas pelo conflito militar.

Foi neste contexto, que os pioneiros madeirenses se instalaram no alvorecer da segunda metade do séc. XX na África do Sul, passando a dedicarem-se à agricultura, em grandes quintas, e ao comércio, abrindo, mais tarde, lojas para venda dos produtos cultivados e supermercados. Sendo que, o segundo grande momento de emigração lusa para a África do Sul, ocorreu no início do quarto quartel do séc. XX, com a independência das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, período em que a África do Sul se tornou o principal destino dos portugueses em África.

As comemorações oficiais do Dia de Portugal em 2020 na Madeira e na África do Sul, são assim um momento simbólico de valorização da língua e cultura lusa no continente africano, elos antigos, atuais e vindouros da ligação umbilical portuguesa a África.

O QUE ESTÁ EM CAUSA NO CASO DO "PRÉDIO DO COUTINHO" EM VIANA DO CASTELO?

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  • Crónica de Carlos da Torre

Falar sobre o “Prédio do Coutinho” nesta altura é mais difícil do que nunca. É também mais necessário. E mais abrangente.

O que está em discussão é muito mais do que a reposição de um equilíbrio visual que uma licença emitida ainda no tempo da ditadura, em 1973, na altura por uma decisão política contra o parecer do Director de Obras da Câmara Municipal de Viana do Castelo, permitiu que acontecesse. E cujo processo conseguiu contornar também o estar no âmbito da Zona Arqueológica de Viana do Castelo.

O diploma que cria essa zona obrigava todos os projectos naquela zona a aprovação da Direcção-Geral dos Assuntos Culturais. Por isso, a Direcção-Geral dos Assuntos Culturais questionou a autarquia sobre o licenciamento da construção do edifício de 13 andares e chegou a exigir a suspensão das obras. Isto no início de 74, ainda antes do 25 de Abril. Resumindo: foi de facto um licenciamento camarário duvidoso aquele que deu sustentação legal à construção. Mas serviu para o investidor comprar em hasta pública um terreno para uma construção de 6 andares e construir 13 com a respectiva licença aprovada pela câmara.

Certo é que este prédio desfigurou completamente o centro histórico da cidade, afectando a vista sob todas as perspectivas principais e sendo motivo de chacota grosseira desde que foi construído, impedindo, inclusive, a candidatura da cidade a património mundial.

Houve diversas tentativas de resolver o problema, vinda de diversos quadrantes em diferentes ocasiões. Desde logo, a Comissão Administrativa que dirigiu o município até às primeiras eleições democráticas, liderada por Alexandre Marta, que acabou por desistir por falta de meios financeiros para indemnizar o dono da obra. Depois foi um executivo municipal de maioria PSD, com a presidência de Branco de Morais, que tentou mas também acabou por não conseguir. Mais tarde, no final do segundo mandato de Defensor Moura (PS), é apresentado um Plano Estratégico para a cidade em que a demolição do edifício volta a ser colocada como um propósito explicito.

Esse foi o momento da politização exacerbada deste assunto. O PSD e o CDS acharam que podiam fazer disso tema central das eleições autárquicas que aconteciam nesse ano. E fizeram. Coligaram-se e convidaram Teresa Almeida Garrett Lucas Pires para liderar uma candidatura completamente focada nesse assunto. Defensor Moura teve a maior votação de sempre.

O Polis permitiu a Defensor Moura condições que ninguém antes tinha tido para resolver o problema. No âmbito do Polis foram construídos edifícios (em zonas muito próximas) para os moradores do Prédio Coutinho. Seguiram-se as normais negociações em que creio tinham sempre como alternativa a nova habitação ou um valor de indemnização adequado. A maioria dos moradores chegaram a acordo. Apenas não aceitaram um pequeno número, que aparece aos olhos da cidade como indisponíveis para qualquer acordo, pessoas, muitas delas com motivações políticas, legitimas obviamente, e com capacidade para recorrer aos tribunais até às últimas consequências. E foi o que fizeram. O assunto, de instância em instância, chegou ao Tribunal Constitucional. Perderam. Depois disso ainda utilizaram uma Providência Cautelar, que também não resultou. Depois esperaram pela momento do despejo anunciado para utilizarem novamente uma Providência Cautelar. Que por mais alguns dias, meses, ou anos, sei lá... poderão continuar a usar expedientes legais para contrariarem uma decisão que não querem que se concretize, mas que o máximo que conseguem é arrastá-la com prejuízo para todos... até para eles.

Por tudo isto, falar sobre o caminho que colocou este assunto sob os holofotes dos média e das redes sociais, é falar sobre democracia, respeito pelas suas regras, privilégio de quem tem recursos financeiros para ter um acesso permanente à Justiça, enviesamento político, falta de informação, jornalismo sensacionalista, jogo de influências e de poder... etc, etc.

Claro que me preocupa que alguns dos protagonistas directos (porque há muitos outros indirectos pouco preocupados com isso), agora, depois de duas décadas a arrastar intencionalmente este processo, estejam em idades que inspiram cuidados reais sobre a forma como a sua saúde resiste a este embate final (que eles escolheram antes e agora, porque suponho que ninguém quer pôr em causa a sua lucidez, diga-se). Mas daí até não se perceber que foi feita uma chantagem emocional perigosa para todos, explorada muito para além da realidade e fácil de compreender para quem vive em Viana e conheça minimamente as pessoas em causa... Ou seja, não estamos a falar de pessoas que estão a ser retiradas de uma casa para a rua, como parte do país estará a pensar neste momento. Se fosse assim, pouca gente se tinha mobilizado para mostrar consternação!

Carlos da Torre

Foto: https://www.altominho.tv/

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LÍTIO E SÍTIO - A OPINIÃO DE ANTÓNIO ROLEIRA MARINHO

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Assim como da noite para o dia, como convém às surpresas, boas ou más, surgiu, de sopetão, lá nos livros  que os Governos usam para ditar “as suas leis”,(Diário da República), a publicação de que aqui e acolá iriam avançar prospecções no sentido de localizar/ detectar filões de lítio, o ouro dos novos tempos!

Pelo que se vai constatando todos os Órgãos do Poder Local estavam “a leste” de tais trabalhos e, por isso, só começaram a reagir quando quase tudo estava cozinhado e quando no terreno já apareciam movimentações e sinais de que algo iria acontecer!

Todos sabemos que o sub-solo não é propriedade privada e que sobre o mesmo só o poder central tem capacidade decisória, mas oh gente, os tempos sucedem-se e trazem novas exigências e novas formas de actuar que obrigam ao respeito pelos agentes políticos locais e pelos direitos dos cidadãos, quer se  trate de direitos morais ou patrimoniais ou mesmo de outra ordem como sejam os direitos ambientais e de respeito pelas condições de saúde, de trabalho ou de habitação, numa ordem que a própria democracia impõe!

Ora, pelos vistos, nada disto foi respeitado, o Governo, lá do alto da sua tribuna decidiu autorizar que se dessem os primeiros passos e depois logo se vê!

Pelo que vamos lendo um dos sítios a esventrar e a destruir é o “pulmão” da Serra d`Arga já há algumas décadas atrás palco da desenfreada exploração do volfrâmio que deixou mais destruição do que riqueza na região, a par das doenças que muitos daqueles que aí trabalharam contraíram!

É pois com muita preocupação que acompanhamos todos aqueles que, de um modo ou de outro, se têm manifestado contra este possível atentado ambiental, sem que ninguém se mostre preocupado com as consequências que podem surgir se tal atentado for cometido!

É lamentável que antes das autorizações já concedidas pelo Governo não se tivessem auscultado os Autarcas, Assembleias e Câmaras Municipais e mesmo os Órgãos de Freguesia, quer para saber das suas objecções ao projecto, quer mesmo esclarecendo dúvidas e receios sobre o mesmo!

Para além disso sempre que tais projectos vão aparecendo e se vão concretizando, as “mais valias” são sempre muito mais aproveitadas por outros que por aqueles que são os localmente afectados, e mesmo por economias terceiras que não as do nosso próprio País!

Deixo as minhas dúvidas, mas também a minha opinião, de que esta não é a via para o desenvolvimento e progresso da Região do Alto Minho que tanto ambicionamos e que decerto merecemos no contexto do País que estamos e queremos ajudar a crescer e a melhorar.

Campos, 24 de Junho de 2019

António Roleira Marinho

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QUEM É ANTÓNIO ROLEIRA MARINHO?

António Roleira Marinho de seu nome completo era funcionário bancário. Vive em Campos, no concelho de Vila Nova de Cerveira, terra onde nasceu em 1942 e à qual dedica o seu mais profundo dos afectos.

É actualmente Presidente do Centro de Cultura de Campos e sócio fundador; membro da Comissão para os Assuntos Económicos da Igreja de Campos;.Presidente da Assembleia Geral da UNISENIOR- Universidade Sénior de V. N. Cerveira (2005/2007 e 2007/2009 e 2009/2011 e 2011/2013/ e 2013/2015/ e 2015/2017 e 2017/2019 e 2019/2021) e sócio fundador.

Desempenhou os cargos de Deputado à Assembleia Constituinte; Deputado à Assembleia da República nas II, III, IV, V, VI, VII Legislaturas, com suspensão de mandato nas V e VI Legislaturas para exercer o cargo de Governador Civil de Viana do Castelo.

Foi Governador Civil de Viana do Castelo de 18/05/89 a 26/07/91 e de 16/12/91 a 02/08/95; Presidente da Assembleia Distrital de Viana do Castelo (1989/91), enquanto Governador Civil de Viana do Castelo; Presidente do Serviço Distrital de Protecção Civil (inerente ao cargo de Governador Civil): Presidente da Comissão Distrital de Segurança Rodoviária (inerente ao cargo de Governador Civil); Presidente da Comissão Distrital de Luta contra a Sida (inerente ao cargo de Governador Civil); Vereador da Câmara Municipal de V. Cerveira (1976/79- 1979/1982- 1982/85- 1985/89. Membro da Assembleia Municipal de V. N. Cerveira; (coordenador Grupo do PSD); membro da Assembleia Intermunicipal do Minho Lima (CIM), sendo coordenador do Grupo do PSD; membro do Lions Clube de V. N. Cerveira (sócio fundador).

Foi Vice- Secretário da Mesa da Assembleia da República na III Legislatura; Vogal da Comissão Política Distrital do PSD de Viana do Castelo 1982/87; Presidente da Assembleia Distrital do PSD de Viana do Castelo de 1987 a 1999; Presidente da Secção Concelhia do PSD de V. N. Cerveira de 1975/91; Delegado aos Congressos do PSD do 1.º ao 18.º; Membro das seguintes Comissões Parlamentares ao longo das Legislaturas:  da Administração do Território, Poder Local e Ambiente (sendo coordenador do Grupo de Deputados do PSD); Regimento e Mandatos; Agricultura e Pescas (sendo Vice- Coordenador do Grupo de Deputados do PSD); da Defesa Nacional; da Valorização do Património da A. R.; e Comissões  Eventuais para “Acompanhamento da situação em Timor Leste”; “Luso- Brasileira para as Comemorações dos 500 anos da Descoberta do Brasil”; e “eventual para as comemorações  dos 75 anos da Constituição de 1911”.

Foi membro da Delegação de Deputados que acompanhou os trabalhos dos “Estados Gerais do Poder Local no Conselho da Europa”, em Turim – Itália, no período da III Legislatura. Foi também membro integrante da Comissão que acompanhou o Presidente da Assembleia da República à União Soviética (1987); membro do Grupo de Deputados que acompanhou as visitas do Presidente da República à Venezuela; e membro do Grupo de Deputados que acompanhou o Presidente da República à Eslovénia e à Hungria.

Além destes, desempenhou ainda o cargos de Presidente da Direcção da Associação Desportiva de Campos (1975/77); Presidente da Assembleia Geral da Associação Desportiva de Campos (1977/81) e sócio fundador; Presidente da Assembleia Geral da Rádio Cultural de Cerveira (1987/91) e sócio fundador; Delegado Sindical; Sócio do Sindicato Bancários do Norte e diversas vezes Delegado ao Congresso dos Bancários do Norte; Delegado da Comissão de Trabalhadores do BBI em diversos mandatos; Oficial Miliciano (Tenente) da Força Aérea Portuguesa, com o curso da Manutenção de Material Terrestre e o Curso Básico de Pilotagem; membro da Associação para a Amizade e Cooperação Portugal/Brasil (sócio fundador); membro do Instituto de Desenvolvimento das Ciências Humanas (sócio fundador); e Presidente do Conselho Geral da Casa do Minho em Lisboa.

Foi Presidente do Lions Clube de V. N. Cerveira 2003/4 do qual é sócio fundador; Membro do Conselho de Opinião da RDP 2002/04.

Recebeu a condecoração da Cruz de Agradecimento 1.ª Classe (Grau Ouro), do Corpo Nacional de Escutas e o Louvor Público de Sua Excelência o Senhor Ministro da Administração Interna, de 27/10/95, pelo desempenho das funções de Governador Civil.

Reconhecido como Deputado Honorário, por deliberação da Assembleia da República de 31/03/16.

É Sócio de Honra da UMATI (Universidade Minhota do Autodidacta e da Terceira Idade); Sócio de Mérito do Sport Clube Vianense; Sócio de Mérito da Casa do Minho do Rio de Janeiro; sócio Honorário da Casa do Minho em Lisboa.

Colabora com diversos Jornais Locais e Regionais e é autor do opúsculo sobre Regionalização, editado pela Casa de Ponte de Lima- Lisboa 1995.

A MEMÓRIA HISTÓRICA DOS “BIDONVILLES” PORTUGUESES EM FRANÇA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Um dos capítulos mais marcantes da história da emigração portuguesa é seguramente o ciclo da emigração lusa para França nos anos 60, derivado ao processo de reconstrução gaulês do pós-guerra. Que em parte, foi suportado por um enorme contingente de mão-de-obra portuguesa pouco qualificada, que encontrou nos setores da construção civil e de obras públicas da região de Paris o seu principal sustento.

Num país estruturalmente condicionado pelo regime autoritário e conservador que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, a miséria rural, a ausência de liberdade, a fuga ao serviço militar e a procura de melhores condições de vida, impeliram entre 1954 e 1974, a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao território francês

Essencialmente masculino e oriundo das regiões rurais do norte e centro do país, o fluxo migratório em massa com destino à França, ficou desde logo assinalado pela vida difícil dos portugueses nos “bidonvilles” dos arredores de Paris. Enormes bairros de lata, com condições de habitalidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil, como os de Saint-Denis ou Champigny, que na década de 60 albergou mais de uma dezena de milhares de portugueses, tornando-se um dos principais centros de distribuição de trabalhadores de nacionalidade lusa em França.

Embora os “bidonvilles” não tenham constituído a residência predominante dos emigrantes lusitanos em território francês, como aponta o investigador em Geografia Humana, Hélder Diogo, “menos de 20% dos portugueses chegaram a viver nestes espaços”, a crise do alojamento francês no pós-guerra, e o projeto pessoal do emigrante de amealhar e poupar o máximo para regressar à terra de origem com o sonho de construir uma casa, esta forma de habitação e acolhimento marcou a primeira fase de chegada dos emigrantes portugueses a França.

O vislumbre dos tempos em que muitos portugueses viveram nos “bidonvilles”, constituiu na atualidade um dever de memória e de homenagem aqueles que com sacrifício alcançaram o direito a uma vida melhor, e um alerta à consciência das novas gerações lusas que não se podem afastar do espirito de solidariedade entre os povos e nações, porquanto essa é uma marca indelével da mundividência dos seus antepassados.

O ACERVO BIBLIOGRÁFICO SOBRE A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno emigratório nacional tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto diversificado de documentos que ampliam o estudo e conhecimento sobre a relevância da emigração portuguesa.

Neste conjunto diversificado de trabalhos, onde se cruzam os olhares interdisciplinares das ciências sociais, encontram-se livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas, artigos em atas de congressos, conferências e outros tipos de encontros científicos, relatórios, assim como dissertações de licenciatura, mestrado e doutoramento. 

Como sustentam os vários investigadores sociais responsáveis pelo levantamento bibliográfico “Emigração portuguesa: bibliografia comentada (1980-2013)”, este relevante acervo documental “constitui um contributo importante para o conhecimento da emigração”.

Dentro da categoria temática dos livros, que na linha de pensamento do ensaísta Jorge Luis Borges, são “a grande memória dos séculos... se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”, são vários os exemplos que asseveram a importância que muitas publicações têm tido na compreensão e enriquecimento do fenómeno emigratório nacional.

É o caso, por exemplo, da obra “Portugal Querido”, um livro da autoria do argentino Mario dos Santos Lopes, filho de um português emigrante, que foi lançado em 2014 na Argentina. Uma edição que tem o condão de retratar as vivências dos portugueses no segundo maior país da América do Sul, através de testemunhos reais, e que recupera a memória de milhares de compatriotas provenientes na sua maioria dos distritos do Algarve e da Guarda, que durante a primeira metade do séc. XX se estabeleceram na Argentina, à época dos países mais ricos do mundo, em busca de uma vida melhor.

Ainda nesta esteira, enquadram-se dois livros lançados em 2015, designadamente, “A Vida numa Mala – Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias”, e “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que resgatam da penumbra do esquecimento, respetivamente, a epopeia da emigração portuguesa para a Alemanha e França nos anos 60.

O PASSEIO DA FAMA DE PORTUGUESES NO CANADÁ

No âmbito das comemorações do 10 de junho, uma vez mais assinalaram-se um pouco por todo o mundo, as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

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Este ano as comemorações do Dia de Portugal, abriram oficialmente em Portalegre, capital de distrito do Alto Alentejo, e na senda dos três anos de mandato do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estenderam-se às comunidades portugueses, mormente a Cabo Verde, arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental, onde residem quase 20 mil compatriotas.

A singularidade das comemorações do Dia de Portugal junto das comunidades lusas, além de reveladora do papel essencial da Diáspora na afirmação da pátria de Camões, é um justo e merecido reconhecimento às trajetórias de vida dos inúmeros compatriotas que pelos quatro cantos do mundo alteiam o amor pátrio. 

Um destes prodigiosos exemplos de amor pátrio e exaltação da cultura e língua portuguesa além-fronteiras encontra-se nas celebrações do Dia de Portugal promovido pela comunidade portuguesa de Toronto, no Canadá. Território na América do Norte, onde uma vez mais, milhares de participantes e espectadores participaram na Parada de Portugal, uma das maiores manifestações de orgulho luso, no Mundo.

É também no seio da comunidade lusa em Toronto, estimada em cerca de 300 mil portugueses e luso-descendentes, que desde 2013, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, se assinala o Portuguese Canadian Walk of Fame. Uma iniciativa carregada de enorme simbolismo, impulsionada pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que tem como principal objetivo realçar os percursos de sucesso de luso-canadianos para que sirvam de inspiração às gerações vindouras.

O passeio da fama de portugueses no Canadá, localizado na Camões Square, onde pontifica uma estátua em homenagem ao poeta da epopeia dos descobrimentos, em pleno âmago de uma nação diversa e multicultural, espelha publicamente a notável capacidade de afirmação da comunidade lusa no Canadá. Um dos maiores países do mundo, onde os portugueses através da argamassa da cultura e língua de Camões, honram o seu passado, constroem o seu presente e projetam o seu futuro.

CHINA ABRE A PRIMEIRA FACULDADE DEDICADA À LÍNGUA PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Recentemente, a imprensa nacional e lusófona destacou nas páginas dos seus órgãos de informação, que a China, o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com mais de 1,38 bilhão de habitantes, quase um quinto da população da Terra, e presentemente a segunda maior economia do mundial, abriu no seu território continental a primeira Faculdade dedicada à Língua Portuguesa.

Designadamente, a Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. Ainda que, fosse já na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, uma das universidades de estudos estrangeiros mais antigas e prestigiadas da China, que estivesse implementado o mais antigo departamento de ensino do português na China continental, aberto na década de 1960, este redimensionamento académico permite desde logo um aumento do orçamento para contratação de corpo docente, e um incremento na organização de atividades e palestras.

Contexto que vai seguramente impulsionar, ainda mais, que milhares de chineses aprendam português, atualmente a quarta língua mais falada no mundo. Como aponta Guiming Sun na sua tese de tese de mestrado “Estudantes universitários chineses de Português Língua Estrangeira: Percursos de estudo, escolhas e desafios no mercado de trabalho”, nos últimos anos “devido ao desenvolvimento do mercado dos negócios sino-lusófonos, as relações de cooperação mútua têm vindo a ficar cada vez mais estreitas entre a China e os países lusófonos, o que provoca uma grande procura de pessoas que falem simultaneamente mandarim e português”.

De facto, o crescente papel da China no desenvolvimento global, como por exemplo em Portugal, o sétimo país europeu em termos de investimento chinês na Europa e que se constitui como uma porta de entrada chinesa no Velho Continente. Assim como na América Latina, como é o caso do Brasil, o maior país lusófono, e o reforço do envolvimento económico chinês em Angola, a maior economia lusófona africana, tem levado milhares de jovens chineses a aprenderem português, uma língua que se começa a assumir como indispensável para o sucesso no numeroso mercado de emprego chinês.

A Língua Portuguesa representa deste modo um ativo estratégico no reforço dos laços económicos, mas também socioculturais, entre o mundo lusófono e a China, laços que reavivam cada vez mais a expressão pessoana a “Minha pátria é a língua portuguesa”.

O QUE É UM FESTIVAL?

O termo festival provém do latim festivu que significa festa e possui tradução semelhante em francês e inglês.

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Trata-se, naturalmente, de um evento ou uma série de eventos de índole artística, cultural ou desportiva que decorre num período determinado de tempo, sendo pela sua natureza associado à ideia de uma grande festa. Por outras palavras, o festival transporta em si uma ideia de grandeza geralmente associada à participação de muitos artistas.

O termo festival é comumente usado no meio folclórico para identificar pequenos encontros com dois ou três grupos ou ranchos… e lá temos um Festival de folclore!

A maior parte desses espectáculo utiliza sempre a mesma receita durante décadas a fio e não é capaz de inovar, resumindo as nossas tradições populares à actuação dos ranchos e a sua apresentação a uma espécie de cassete de fita magnética já tão gasta e imperceptível de tanto uso.

Não obstante, nalguns destes casos são pessoas que se armam em especialistas do folclore e que, antes de exercerem a sua autocrítica, não hesitam em apontar o dedo aos outros, mesmo quando não entendem da sua organização e criatividade… é que a sua alegada sabedoria também não passa de um disco vinil de audição muito roufenha! Mas o ruído que produzem só faz mal ao folclore…

MONUMENTOS AO EMIGRANTE EM PORTUGAL

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  • Crónica de Daniel Bastos

A dimensão e relevância da emigração no território nacional, uma constante estrutural da sociedade portuguesa, têm impelido a construção nos últimos anos, um pouco por todo o país, de vários monumentos ao emigrante, com o objetivo de reconhecer e homenagear o contributo que prestam ao desenvolvimento das suas terras de origem.

Como observam as sociólogas Alice Tomé e Teresa Carreira, este fenómeno de construção de monumentos ao emigrante “marca na atualidade a paisagem portuguesa”, sendo em grande medida o reflexo da “alma de um povo lutador, trabalhador, fazedor de mitos que, pelas mais variadas razões, não hesita em dobrar fronteiras”.

São muitos e variados os exemplos de monumentos aos emigrantes que povoam a paisagem portuguesa, como facilmente se comprova através de uma simples pesquisa na Internet. No Minho, por exemplo, alfobre tradicional da emigração portuguesa, ainda no ano passado foi inaugurado na freguesia de Belinho, concelho de Esposende, uma estátua que celebra os emigrantes da povoação, e cuja simbologia alarga-se ao município numa homenagem a todos aqueles que "deram novos mundos ao mundo".

No concelho de Ourém, um município localizado na região do Centro que se construiu com a emigração, ergueu-se no início da presente década, na freguesia de Espite, num território que é conhecido como o “berço” dos franceses, um monumento ao emigrante. No Funchal, capital do arquipélago da Madeira, região indelevelmente marcada pelo fenómeno da emigração, desde a década de 1980 que subsiste um monumento ao emigrante madeirense, e que homenageia os emigrantes naturais da “Pérola do Atlântico” instalados por todo o mundo. Na mesma esteira, em Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, existe desde o fim do séc. XX, um monumento aos emigrantes e que laureia o povo açoriano disperso pelo mundo.

Nesta última região autónoma, foi lançado recentemente na Ribeira Grande, um concurso público para a obra de construção da Praça do Emigrante, um futuro espaço de homenagem aos emigrantes açorianos que partiram em busca de melhores condições de vida. Uma praça, cujo centro será ocupado por uma peça de arte pública intitulada “Saudades da Terra”, expressão que Gaspar Frutuoso, personagem insigne do passado da Ilha de São Miguel utilizou no século XVI, para resumir um sentimento maior, comum não só aos emigrantes açorianos, mas a todos os emigrantes portugueses.

NÓS CIDADÃOS (DO MINHO) COM PAULO MORAIS E INÁCIO FARIA

  • Tito Morais

Os apoios repercutem-se, as ideias dos candidatos são aplaudidas, a amizade está ao de cima, e claro em tempo de balanço positivo das actividades realizadas durante um ano, também oportuna é a notícia!

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Mário Frota (Mandatário), Teresa Serrenho, Inácio Faria e Paulo Morais (Candidatos)

 

Assim o ouvimos a empresários da restauração e de outras áreas de negócios conexos, na região do Minho, referindo-se ao trabalho de eurodeputados portugueses.

A presença de José Inácio Faria, natural de Vila Franca, Viana do Castelo, em Bruxelas, como membro das comissões parlamentares de Saúde Pública, Segurança Alimentar e Ambiente, permitiu realizar em Portugal e na Bélgica, uma série de eventos gastronómicos, proporcionando a maior promoção do sector jamais realizada na sede da Europa, referiram - nos alguns participantes e fontes das instituições envolvidas.

A afirmação do nosso país e do Norte em particular, tiveram com José Inácio Faria um interlocutor e um amigo, uma voz e um rosto do Portugal também interior! Foram centenas os aderentes a Show Cookings, a Provas de Vinhos, de doces, de enchidos e fumados, a sessões de informação sobre funcionamento das instâncias comunitárias e do Mundo Rural e seus produtos únicos deste estado membro da Europa ocidental.

Empresários, cozinheiros, restaurantes, comunicação social, todos agradecem mais uma vez, a oportunidade de participarem em várias actividades que estiveram envolvidos. Integrando essas listas de convidados, realce para Figuras públicas lusitanas, mundiais, no domínio da canoagem, da culinária, do automobilismo, da economia social, da música e das letras.

Associado a esse projecto de continuidade, desejando impor – lhe ainda mais dinâmica e convicção, surge agora o Prof. Paulo Morais, cabeça de lista do NÓS CIDADÃOS às eleições europeias de Domingo próximo, seguido do experiente Inácio Faria.

É então a hora de Nós Cidadãos (do Minho), um grupo de eleitores e profissionais em vários sectores, que pelas razões acima referidas lança o desafio a amigos e familiares, para que se associem ao reforço da imagem de Portugal lá fóra, afincadamente na sede da democracia europeia, no contexto turístico e económico, votando na Lista encabeçada pelo Prof. Paulo Morais.

Fonte: https://www.luso.eu/

A ASSOCIAÇÃO DE APOIO À COMUNIDADE PORTUGUESA NA SUÍÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

Dentro do espaço europeu, a Suíça, oficialmente Confederação Suíça, uma república federal composta por vinte e seis estados, chamados de cantões, perdura como um dos principais destinos da emigração portuguesa, como comprovam os mais de 200 mil lusos que vivem e trabalham no território helvético, essencialmente na hotelaria, restauração, construção civil, indústria manufaturada, serviços de limpeza e agricultura.

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A dinâmica da emigração portuguesa na Suíça, que se desenvolveu, sobretudo, a partir de meados dos anos 80, está patente na existência de mais de duas centenas de associações lusas disseminadas pelo território helvético. Como listou há poucos anos o investigador Eduardo Araújo na sua tese de mestrado "Transnacionalismo e Etnicidade. O Movimento Associativo Português na Suíça".

Na última década, no seio do numeroso movimento associativo luso-suíço, tem-se destacado o papel ativo da Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa na Suíça (AACP). Uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2011, que tem como principais objetivos defender os interesses dos emigrantes portugueses na Suíça, favorecer, informar e orientar a integração dos emigrantes, divulgar a língua e a cultura portuguesa, e criar iniciativas para reforçar a compreensão e a colaboração intercultural.

Presidida atualmente pelo diligente dirigente associativo luso-suíço Nuno Domingos, e com instalações e várias valências recentemente inauguradas em Vevey, uma cidade localizada no Cantão de Vaud, a Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa na Suíça tem prestado um valioso auxílio a compatriotas que vivem com dificuldades no território helvético. O inestimável apoio social, jurídico, psicológico e alimentar que a AACP presta a vários portugueses na Suíça, como por exemplo, a compatriotas que se encontram detidos em prisões helvéticas, revela a existência de vários casos de dificuldades e insucesso da emigração portuguesa.

Situações de insucesso, que no caso helvético muitas das vezes são olvidadas pela imagem de Eldorado da Suíça, designadamente de país onde as oportunidades de emprego são grandes e os salários são altos. No entanto, a realidade quotidiana luso-suíça é também marcada pela precariedade, desemprego e elevado custo de vida, contexto que demanda um reforço do apoio das autoridades portuguesa e helvéticas às estruturas associativas que como a AACP lidam diariamente com as dificuldades reais.

VIDAS COM SENTIDO – 225 HSTÓRIAS DE EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do presente mês, foi apresentada na capital portuguesa a obra “Vidas Com Sentido - 225 histórias de emigração”, um livro que retrata mais de duas centenas de histórias de emigrantes portugueses nos Estados Unidos, uma por cada um dos anos do consulado luso em Nova Iorque, e que é coordenado pela antiga cônsul-geral de Portugal do estado americano, Manuela Bairos.

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A conceção e realização da obra provieram da comemoração do 225.º aniversário do Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque, uma avoenga estrutura consular lusa cujo percurso histórico e diplomático é revelador da presença portuguesa nos Estados Unidos.

Estima-se, que desde o primeiro quartel do séc. XIX, até ao último quartel do séc. XX, tenham emigrado para a América cerca de meio milhão de portugueses, a maior parte deles oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, e que ao nível socioeconómico se inseriram em atividades ligadas à pesca, indústria têxtil, pecuária e pequena indústria. Atualmente, a população luso-americana ultrapassará já um milhão de pessoas, estando a maioria concentrada na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia.

O recente projeto editorial, que foi desenvolvido durante dois anos, e contou com a colaboração do coordenador-adjunto do ensino de Português nos Estados Unidos da América, de professores e alunos de três escolas comunitárias portuguesas (Farmingville, Brentwood e Mineola), assim como de vários membros de clubes portugueses, assentou na recolha de testemunhos de emigrantes lusos, em particular das mais antigas gerações de emigrantes portugueses em Nova Iorque. Segundo a diplomata, atualmente embaixadora de Portugal no Chipre, o foco principal deste trabalho foi concentrado na primeira geração de emigrantes portugueses em Nova Iorque, porque “era muito importante fixar estas histórias” de compatriotas que “estão a acabar”.

Um trabalho que a mesma caracterizou como “comovente”, dado que permitiu aos filhos e netos conhecer melhor os percursos migratórios e de vida dos seus pais e avós, e que simultaneamente demonstra como as representações diplomáticas e consulares são fundamentais para a dinamização da história, cultura e língua portuguesa no mundo.

“LIBERDADE PARA PENSAR”: O “EXPRESSO” QUE NÃO EXPRESSA

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Na década de 1990, julgo, aconteceu-me estar a participar num encontro nacional de comunicação empresarial e aproveitar um dos intervalos para adquirir o semanário “Expresso”. Acompanhava-me um dos vários colegas com quem tinha feito parceria na fundação da Associação Portuguesa de Comunicação Empresarial, que, surpreso, me perguntou se ainda me restava paciência para ler este semanário. Agarrando o mote, respondi-lhe que era leitor permanente do mesmo desde a sua fundação, ademais, não havia imprensa independente nem isenta de erros. Nós próprios, à nossa pequena escala, nas nossas empresas, também nem sempre produzíamos a mais feliz e objetiva informação. “Pois, mas procuramos informar na base de fontes fidedignas e de factos reais. Se não estamos suficientemente informados não noticiamos. Esse deve ser sempre o nosso princípio capital”, respondeu-me.

Continuei a manter-me fiel a este jornal, como acontece com várias outras publicações. Contudo, em 2009, quando deparo com uma manchete de primeira página no “Expresso” sobre a construção nos ENVC do tão propalado navio “Atlântida”, tive a sensação do vazio e o alerta do meu colega veio-me de imediato à memória. Não queria acreditar. Conhecendo, por dever de função, com particular minúcia os meandros de todo este folhetim que, no mínimo, se pode considerar hediondo, confronto-me com uma notícia feita na base de fontes não identificadas, incongruente e cheia de inverdades, que enxovalhava um construtor naval com provas dadas no mundo inteiro, com um número significativo de navios premiados, quase todos para Armadores estrangeiros.

Já ao fim do dia, recebo um telefonema do meu amigo, que me quer manifestar toda a sua solidariedade, dado conhecer muito bem a real valia da empresa onde trabalhava há décadas, acabando a dizer-me: “bem o alertei para a pouca fiabilidade desta gente, apesar dos ares de grandeza a que se dão. Eles precisam como pão para a boca de notícias aparatosas para a primeira página, e esta, à falta de melhor, deu-lhes jeito. Quando na hora de fecho da edição, por falta de uma notícia de encher o olho, atingem o desespero, caem nestas tentações, sem cuidar de saber as consequências de tal. E não vale a pena desmentir seja o que for. A verdade deles é que vai prevalecer”. De facto, perante um processo kafkiano como foi o caso do Atlântida que, com uma justiça decente, devia condenar muita gente a duras penas de prisão, o “Expresso” nunca mais recuou na sua posição noticiosa. Não ouviu ninguém, nada indagou, não apreciou documentos, enfim, nada fez no sentido de prestar uma informação séria aos seus leitores e, informando, ajudar até a justiça a fazer o seu trabalho. Continuei a ser seu leitor, até porque aprecio a escrita de alguns dos seus cronistas, mas as minhas reservas em relação à dita informação de referência passaram a ser cada vez maiores.

Há algumas semanas Luís Montenegro escreveu no “Expresso” uma crónica sobre o êxito da solução que Aguiar Branco encontrou para os ENVC. Como senti que no escrito havia muito de fantasioso e inverídico, escrevi uma curta carta para o Correio dos Leitores do jornal, onde tentava clarificar alguns factos. Já sabia, obviamente, que o destino da mesma era o caixote do lixo, apesar da lisura do texto, já suficientemente preparado para a “tesoura” que quase sempre utilizam, com a alegação de caracteres em excesso. Felizmente, o país não tem só o “Expresso”. Pouco tempo antes, também sobre os ENVC, o Jornal de Notícias tinha-me publicado uma carta bem longa a clarificar igualmente várias inverdades do seu cronista Nuno Melo. Só que na nossa imprensa ainda temos estas “vacas sagradas”, em que se arma o “Expresso”.

Aqui chegados, perguntará o leitor se os jornais são para ler ou abater? Penso que são mesmo para ler. Devemos lê-los e o maior número possível. Só assim estaremos preparados para distinguir a boa da má imprensa e compreender melhor o curto fundo de verdade que, tantas vezes, uma notícia dita grandiosa comporta em relação à realidade. Por outro lado, uma democracia não se consolida sem imprensa, seja ela séria ou menos séria. Mas a menos verdadeira convém sempre denunciá-la, para que a boa imprensa marque permanentemente presença.

Gonçalo Fagundes

goncalofagundes@gmail.com