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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O MOVIMENTO ASSOCIATIVO E OS SEUS DIRIGENTES – CRÓNICA DE HÉLDER CARDOSO

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O movimento associativo constitui uma das principais riquezas sobre as quais assenta a identidade de qualquer concelho. Não só porque promove a integração social, mas também porque assume um papel determinante na promoção cultural, desportiva, recreativa e social, na formação cívica dos jovens, no desenvolvimento local e no bem-estar e qualidade de vida das populações, substituindo, muitas vezes, a própria intervenção do Estado.

As associações desenvolvem um trabalho primordial e único em termos de criação e dinamização de iniciativas locais, da formação dos jovens, da promoção da cultura e do desporto, da preservação do património e das tradições, da melhoria da qualidade de vida das populações, entre muitas outras áreas de intervenção.

Contribuem também para a divulgação e promoção das localidades e dos seus concelhos no país e na diáspora, sendo uma importante ponte de ligação afetiva com os portugueses espalhados pelo mundo.

Contudo, é cada vez mais difícil mobilizar a participação ativa na vida associativa. O associativismo exige dedicação voluntária, muitas vezes ao fim de um dia de trabalho, sem que os esforços sejam devidamente reconhecidos pelas entidades que gerem os destinos das comunidades. Não é uma tarefa fácil e muitos evitam assumir responsabilidades.

Neste contexto, compete aos municípios promover a mobilização, o fortalecimento e a valorização do tecido associativo, incentivando o diálogo, a proximidade e o intercâmbio institucional entre autarquias, órgãos sociais das associações e, sempre que necessário, o próprio Estado central. Só assim se cria uma postura participativa num meio que precisa urgentemente de ver reconhecidas as suas melhores iniciativas. É fundamental que associações e municípios partilhem objetivos comuns, alinhados na promoção de valores que são parte integrante da identidade de cada concelho.

Uma forma eficaz de enriquecer esta cooperação, que deve ser estreita e sólida, passa pela criação de um Gabinete de Apoio ao Associativismo, transversal aos vários pelouros das autarquias e que reporte diretamente aos vereadores responsáveis. Um espaço sem intermediários, capaz de apoiar associações desportivas, culturais, IPSS, de pais, de jovens, entre outras.

Este Gabinete deve proceder à recolha e informatização de todos os elementos identificativos e caracterizadores da realidade associativa, criando uma base de dados – o Registo Municipal das Associações e Coletividades Concelhias – que sirva de suporte à análise e decisão dos órgãos municipais na atribuição de apoios e subsídios, de forma criteriosa, justa e sistematizada.

De igual modo, compete-lhe acompanhar, divulgar e registar as atividades programadas e desenvolvidas pelas associações, contribuindo para a promoção e dinamização dos espaços e eventos socioculturais e desportivos, incentivando e valorizando o empenho voluntário de todos aqueles que dedicam o seu tempo e a sua vida ao bem comum.

Para muitos cidadãos, o associativismo representa a única forma de acesso a atividades desportivas, culturais, recreativas ou de ação social. Além disso, é através do exercício do direito de associação que se concretizam formas de participação cívica de enorme relevância para a coesão social e o desenvolvimento comunitário.

É inquestionável que as associações promovem a integração social e desempenham um papel determinante na promoção da cultura, do desporto e da ação social, substituindo, em muitas situações, a intervenção do próprio Estado.

Neste quadro, assumem particular importância os dirigentes associativos. O associativismo exige aprendizagem, preparação e sobretudo uma postura de partilha, respeito e serviço. Trata-se de uma dimensão cultural que deve merecer a melhor atenção de todos quantos se disponibilizam para exercer cargos associativos.

Os dirigentes são, por excelência, os dinamizadores das comunidades e aqueles que melhor conhecem a sua realidade. Contudo, desempenhar estas funções implica uma permanente conciliação entre a vida profissional, familiar e associativa, traduzindo-se em escolhas difíceis e em sacrifícios pessoais que nem sempre são visíveis ou devidamente reconhecidos.

O exercício de cargos dirigentes requer capacidade de liderança, sentido de responsabilidade e preparação adequada. Se, por um lado, estes cargos podem proporcionar maior visibilidade, por outro acarretam igualmente exigências, preocupações e trabalho constante. Quando essa preparação falha, pode comprometer-se o esforço coletivo de anos, colocando em risco a credibilidade e a continuidade das instituições. E quando assim não é, e se procura apenas o reconhecimento pessoal, todos perdem: pessoas, instituições e comunidade.

Felizmente, a maioria dos dirigentes associativos distingue-se pela entrega e pelo exemplo que dão. São homens e mulheres que, de forma silenciosa, constroem diariamente as suas comunidades, orientando-se pelo respeito, pela cooperação e pelo espírito de serviço. São líderes que assumem responsabilidades de forma gradual, consolidando um percurso de confiança e de trabalho reconhecido.

O associativismo, enquanto escola de cidadania e participação cívica, encontra nos seus dirigentes os principais embaixadores das comunidades que representam. O trabalho que desenvolvem, muitas vezes sem procurar reconhecimento pessoal, constitui o verdadeiro cartão de visita das suas coletividades e, em muitos casos, do próprio concelho.

Importa também sublinhar que o associativismo não deve ser confundido com palco de protagonismos pessoais. As instituições não existem para servir interesses individuais, mas para fortalecer comunidades. Quando prevalece a busca de visibilidade ou a falta de cooperação, todos saem a perder: pessoas, associações e concelhos. Só o espírito de serviço, de partilha e de cooperação garante a credibilidade e a continuidade deste património coletivo.

O futuro do associativismo depende, em grande medida, da capacidade de valorizar o trabalho realizado, de apoiar quem se entrega a esta causa e de reconhecer nas associações uma verdadeira escola de cidadania. Cabe a todos – dirigentes, associados, municípios e comunidade em geral – manter vivo este património coletivo, que é também a expressão mais genuína da identidade e da força de cada concelho.

ALERTA QUE NÃO PODE SER IGNORADO – CRÓNICA DE CARLOS SAMPAIO

Este é daqueles temas em que, infelizmente, só na desgraça é que vamos ver os interlocutores a correr, com as calças na mão.

Não quero ser mais um “especialista” em fogos, como tantos que aparecem na televisão, mas não posso deixar de partilhar algumas observações e preocupações.

Alguém tem dúvidas de que, aqui nos concelhos de 𝐂𝐞𝐫𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, 𝐂𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐞 𝐕𝐢𝐚𝐧𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐞𝐥𝐨, estamos à beira de enfrentar uma desgraça igual ou ainda pior do que aquilo que já está a acontecer noutras zonas do país?

Muitos de nós percorremos a 𝐀𝟐𝟖, 𝐍𝟏𝟑, 𝐟𝐚𝐳𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐢𝐥 𝐫𝐮𝐧𝐧𝐢𝐧𝐠, 𝐁𝐓𝐓 𝐨𝐮 𝐜𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝐝𝐚𝐬 nestas montanhas. E quem anda no terreno vê bem: do monte de Cerveira até Viana do Castelo, a situação é alarmante.

O que mais me inquieta é a zona entre a 𝐟𝐫𝐞𝐠𝐮𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐀̂𝐧𝐜𝐨𝐫𝐚 𝐞 𝐚 𝐟𝐫𝐞𝐠𝐮𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐀𝐫𝐞𝐨𝐬𝐚.

O monte de Santa Luzia, sendo um santuário, pode estar mais protegido, com o protocolo com o exército, mas e o resto?

Já repararam como está o monte visível ao longo da 𝐄𝐍𝟏𝟑, 𝐝𝐞𝐬𝐝𝐞 𝐀̂𝐧𝐜𝐨𝐫𝐚 𝐚𝐭𝐞́ 𝐚̀ 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐚𝐧𝐚? Alguém pode, com seriedade, dizer que não estamos perante uma tragédia anunciada?

E não se trata de um risco teórico.

𝐎 𝐦𝐚𝐩𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐥𝐡𝐨 𝐦𝐨𝐬𝐭𝐫𝐚 𝐚 𝐚́𝐫𝐞𝐚 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐭𝐚̂𝐧𝐠𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐯𝐞𝐫𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐬,que corresponde à 𝐦𝐚𝐧𝐜𝐡𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐫𝐝𝐞𝐮 𝐡𝐚́ 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞 𝐝𝐞́𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐞 𝐦𝐞𝐢𝐚.

Foi nesse grande incêndio que quase se teve de evacuar o 𝐇𝐨𝐬𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐚𝐧𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐞𝐥𝐨 com o fogo a avançar desde Espanha / Cerveira, atravessando rios, autoestradas e vales. Muitos ainda recordam que as chamas terão cruzado o 𝐫𝐢𝐨 𝐌𝐢𝐧𝐡𝐨, 𝐚 𝐚𝐮𝐭𝐨𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐀𝟐𝟖, 𝐨 𝐫𝐢𝐨 𝐂𝐨𝐮𝐫𝐚 𝐞 𝐨 𝐫𝐢𝐨 𝐀̂𝐧𝐜𝐨𝐫𝐚, num fogo que poderá ter tido origem em Espanha

E aqui está o essencial: 𝐮𝐦𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐠𝐞́𝐝𝐢𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞 𝐭𝐞𝐫 𝐬𝐞𝐠𝐮𝐧𝐝𝐚 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.Se voltar a acontecer, não é azar nem fatalidade. É 𝐧𝐞𝐠𝐥𝐢𝐠𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

Se não houver prevenção séria, vamos repetir a história. E desta vez pode ser pior.

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O VALOR DO “O POVERELLO”: UM FAROL DE DIGNIDADE E HUMANIDADE EM BRAGA – CRÓNICA DE FILIPE AGUIAR*

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Visitar o centro de acolhimento “O Poverello”, em Braga, é confrontar-se com o essencial: a vida, nos seus momentos mais frágeis, permanece merecedora de respeito, compaixão e dignidade. É impossível cruzar aqueles corredores sem sentir a viva presença dos valores que norteiam esta instituição — princípios cristãos, compromisso social, equidade, humanização, ética e uma transparência que se vê, sente e respira.

Em pleno coração do distrito de Braga, “O Poverello” ergue-se como exemplo raro de excelência na prestação de cuidados continuados e paliativos, reconhecido pelo Serviço Nacional de Saúde pela qualidade rigorosa com que acompanha quem mais precisa. Contudo, mais do que paredes, equipamentos ou números, há ali uma filosofia inquestionável: cuidar até ao último sopro, sem nunca desistir da vida.

Quem defende a dignidade do fim da vida, resiste à tentativa fácil de esquecimento ou à pressão de atalhos fúnebres. “O Poverello” insiste na alternativa natural e cristã aos extremos do abandono e da eutanásia, mostrando como o final pode ser acompanhado de doçura, clemência, e, sobretudo, sentido de responsabilidade. Não podemos evitar o fim, mas podemos—devemos!— evitar a dor e o desamparo.

No entanto, é impossível não sentir indignação perante a contraposição gritante entre a procura que existe por estes cuidados e os obstáculos colocados pelo Estado. Braga está cronicamente deficitária em camas para cuidados continuados, com instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Braga a manter camas fechadas por questões contratuais, enquanto “O Poverello” comprova que, se duplicasse ou triplicasse o espaço, não faltariam usuários para ocupar cada quarto. E, mesmo assim, vê os seus esforços trabalhados por regras na alocação de camas e na celebração de contratos com a Segurança Social e o Ministério da Saúde.

É ainda de assinalar o insólito: o Hospital de Braga não referencia doentes para o “O Poverello”, e metade dos seus utilizadores são provenientes de outros distritos vizinhos. A realidade é clara — as necessidades superam em muito as respostas oferecidas, mas quem quer servir de verdade é impedido. Entre burocracias e opções políticas, a defesa da vida e das pessoas mais frágeis é secundária, como ficou patente com o encerramento de centros de cuidados continuados durante mandatos recentes e o subfinanciamento crônico da Rede Nacional.

Mesmo com estes constrangimentos, “O Poverello” mantém-se fiel ao seu propósito. Quem passa por lá testemunha instalações íntegras, limpas, modernas, um ambiente de alegria discreta e serenidade. Profissionais dedicados — cuidadores, fisioterapeutas, voluntários — trabalham com paixão, conscientes da sua missão. Sair dali sem uma renovação é impossível; sair sem admiração, um erro.

Mais tocante ainda é a humildade dos seus desejos: enquanto tantos sonham com verbos e melhorias opulentas, “O Poverello” pede apenas algo tão simples e comunitário quanto um autocarro (TUB) que suba a Montariol duas vezes por dia, e manifesta, acima de tudo, desejo de proximidade com jovens e crianças para lhes ensinar o valor supremo da vida — desde o primeiro ao último instante.

No tempo em que a política e a burocracia tantas vezes se esquecem do que mais precisa, “O Poverello” grita pelo direito à dignidade. A experiência de servir ali é emotiva, educativa, e, acima de tudo, transformadora. É urgente que toda a sociedade, e em particular quem tem responsabilidades públicas, renove o compromisso com a vida e com os valores humanos mais essenciais. Porque só assim poderemos, como comunidade, garantir a cada pessoa o final que todos merecem: com dignidade, carinho e humanidade.

Esta é a lição maior de “O Poverello” — um farol de bem, num tempo que tanto precisa de exemplos luminosos. Braga, Portugal e o mundo social só têm a ganhar se ouvirem e protegerem quem cuida com este espírito. Nós, do CHEGA, defendemos a vida. Sempre.

  • Candidato do CHEGA à Câmara Municipal de Braga

VAMOS FALAR DE POLÍTICA! – CRÓNICA DE CARLOS DA TORRE

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Vamos falar de política! De um modo simples, como conversa prévia, importa falarmos da qualidade da nossa democracia e do que deve mudar radicalmente para bem de todos, como resposta à nossa necessidade colectiva de uma política criativa, humana, em que todos sejamos solidários para com todos.

A política não pode ser um desfile de vaidades e de jogos de poder permeáveis a todo o tipo de egoísmos e interesses de uma elite interesseira. Muito menos precisa de salvadores de pátrias, destiladores de ódio, políticos encartados pela competência para a habilidade de se manterem impecavelmente enfatuados enquanto afogam tudo e todos em ambientes pestilentos.

Antes de tudo o mais, precisamos de: Menos propaganda e mais informação. Menos espaço para a influência interesseira e mais espaço para a participação interessada no bem comum. Menos pobreza e mais respostas sociais efectivas. Menos elitismo e exclusão e mais sentido de comunidade e preocupação em que todos se sintam incluídos e respeitados. Menos obsessão pelo protagonismo dos “nossos políticos” e mais estímulos, consideração e respeito pelo trabalho, pela iniciativa empresarial, pelo associativo social, cultural e desportivo. Menos ignorância estéril e castradora e mais cultura viva e expandida para a qualidade de vida de todos. Menos tolerância com a especulação e mais políticas que devolvam pessoas ao coração da cidade e que combatam em todo o concelho o flagelo das carências de teto digno para todos.

Precisamos de mais participação, de mais cidadania exigente! Ao contrário da onda que a falta de memória histórica tem feito crescer em aceitação popular, não precisamos de menos democracia. Precisamos de mais e melhor democracia!

* Candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Viana do Castelo

BRAGA: “HABITAR O FUTURO” É UMA PREOCUPAÇÃO DE TODOS E UM DESÍGNIO DO CHEGA – CRÓNICA DE FILIPE AGUIAR

“T2 em S. Vicente, 275 mil €”: assim estavam publicitados 100 m² em Braga. As perguntas que tenho vontade de fazer são: quantos filhos pode ter uma jovem família em 100 m²? Quantas jovens famílias podem adquirir um apartamento por 275 mil euros?

O que aconteceu à nossa cidade para que hoje as famílias não consigam adquirir casa? Braga apresenta um crescente défice habitacional, sobretudo para famílias jovens e das classes baixa e média. Como passámos de uma cidade atraente, com preços habitacionais equilibrados, que em 1970 ascendeu a terceira maior cidade do país, para uma realidade bracarense em 2025 onde faltam casas e, consequentemente, o mercado se hiperinflacionou?

A Câmara Municipal de Braga informa números recorde de pedidos de licenciamento, mas mesmo assim faltam casas.

Podemos fingir que não vemos…, mas o CHEGA escolherá sempre ver e ouvir o povo, e fazê-lo é entender que a pressão demográfica exercida em Braga pelas vagas contínuas de imigração não permite que se atinja o equilíbrio entre a construção e as necessidades reais. O que temos é mais e mais procura, para uma oferta escassa e que custa a aparecer.

Não podemos fingir que não sabemos que a maioria dos contratos de arrendamento não renovados a nativos tem apenas uma leitura: retirar famílias bracarenses da sua habitação habitual, sob a capa de um aumento “normal” da renda, para as substituir e colocar no mesmo espaço 10, 12… ou 20 imigrantes empilhados em beliches. Sim, é a desumanidade da locação a imigrantes amontoados que está a inflacionar os preços, a colocar pressão no mercado e a impossibilitar um número cada vez maior de bracarenses de encontrar casa.

Uma família bracarense não pode pagar 1.000 (ou mais) euros por um T2, mas 12 imigrantes amontoados no mesmo espaço podem. Não podemos continuar ideologicamente cegos!

E a habitação social? O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, mostrou-se orgulhoso com o gasto de 2,2 milhões de euros na aquisição de 15 habitações, mas nós perguntamos: qual deverá ser o papel da Câmara perante os problemas habitacionais? Comprar casas no mercado, diminuindo a oferta e colocando mais pressão nos preços? Ou implementar planos de construção (social) que aumentem a oferta e possam influenciar a baixa de preços?

Estamos a completar oito anos de Ricardo Rio, oito anos de PSD e CDS, e não vimos a cidade crescer em espaço habitacional com infraestruturas e redes de mobilidade consistentes com as necessidades de quem escolhe morar em Braga.

Não só Ricardo Rio não criou espaços habitacionais funcionais, como tem realizado convites continuados para que comunidades estrangeiras continuem a rumar a Braga.

A continuar assim, não há como colocar os bracarenses a “habitar o Futuro”.

Filipe Aguiar

Presidente Concelhio do CHEGA Braga

REVISÃO CONSTITUCIONAL À VISTA: PORQUE NÃO EXISTE APENAS UM CÍRCULO NACIONAL ÚNICO UMA VEZ QUE ACABARAM COM OS DISTRITOS?

“Os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos” – Artigo 152º, alínea 2 da Constituição da República Portuguesa

  • Crónica de Carlos Gomes

Foram extintos os distritos e deixaram de ser nomeados pelo governo os respectivos governadores civis. Mas, a mesma lógica não foi aplicada à área de circunscrição dos círculos eleitorais. Inexplicavelmente… ou talvez não!

O nosso sistema eleitoral, baseado no método de Hondt, possibilita a formação de maiorias parlamentares que nem sempre corresponde a uma maioria de votos expressos nas urnas. E tal entorse resulta do facto de ser permitido o estabelecimento de coligações pré-eleitorais que em cada círculo vão disputar os chamados “restos” com partidos de menor representação. E, sempre que assim sucede, podem tais coligações somar mais um punhado de deputados nos vários círculos eleitorais, o que de outra forma não aconteceria.

Sucede que, tal como refere na alinea 2 do Artigo 152, “Os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos”. Assim sendo, não existe nada que justifique a manutenção de vários círculos eleitorais, tal como actualmente se apresentam, correspondendo à área de circunscrição dos distritos entretanto extintos, sem a sua substituição pelas regiões administrativas como estava constitucionalmente previsto. De resto, muitos dos candidatos, a começar pelos próprios cabeças-de-lista, concorrem na maior parte das vezes em distritos com os quais não possuem qualquer espécie de relacionamento ou identificação, apenas obedecendo a critérios partidários como a hierarquia interna.

Reza a alinea 1 do Artigo 149º da Constituição da República Portuguesa que “Os Deputados são eleitos por círculos eleitorais geograficamente definidos na lei, a qual pode determinar a existência de círculos plurinominais e uninominais, bem como a respetiva natureza e complementaridade, por forma a assegurar o sistema de representação proporcional e o método da média mais alta de Hondt na conversão dos votos em número de mandatos.”

Sucede que, a não ser que a lei impedisse a formação de tais coligações pré-eleitorais, obrigando os partidos políticos a concorrerem cada um por si, nada se alteraria em relação à situação actual. E, neste caso, a menção na Constituição à criação de “círculos plurinominais e uninominais” é uma balela em tudo semelhante à que permite a eleição de apenas 180 deputados (Artigo 148º da Constituição da República Portuguesa) apesar de um órgão deliberativo dever contar com número ímpar de componentes.

A criação de um círculo eleitoral único em território nacional constituiria uma forma de corrigir a entorse que a aplicação do método de Hondt cria nestas circunstâncias. Se acabaram com os distritos, porque será que os mantêm para eleger deputados?

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA DIVULGAÇÃO DO FOLCLORE E DAS ROMARIAS

Na era da Inteligência Artificial (IA), eis que nem os processos de divulgação da nossa cultura tradicional escapam à nova tecnologia. É mais fácil e barato mas retira o que de genuíno e humano existe na nossa cultura.

Já não bastava a adulteração das cores originais para conferir à imagem uma sensação de antiguidade, agora a IA transforma as pessoas numa espécie de bonecos animados.

Os cartazes, produzidos muitas vezes a partir de magníficos trabalhos em pintura ou fotografia, marcando diferentes estilos artísticos, estão a transfomar-se em imagens estereotipadas incapazes de transmitir a alegria e o sentimento humano que é revelado nos rostos humanos autênticos.

A juntar a tanta mentira, só nos faltava mesmo a Inteligência Artificial!

VILA PRAIA DE ÂNCORA: COMPROMISSO! – CRÓNICA DE CARLOS SAMPAIO

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Palavra bonita. Mas… cumpre-se?

Prometer é assumir responsabilidade. É dar continuidade. É respeitar as populações e a palavra dada.

Maio de 2021. O então Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, anunciou e concretizou o estudo de requalificação do Porto de Mar de Vila Praia de Âncora. Um passo importante, há muito aguardado, que permitiu sonhar com um futuro mais digno para a nossa comunidade piscatória.

Dezembro de 2024. O atual Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes assumiu publicamente o compromisso de que os três estudos em falta: impacto ambiental, análise custo-benefício e projeto de engenharia iriam avançar e tornar-se uma realidade.

Dois Governos e dois Ministros, com cores políticas diferentes, partilharam o mesmo propósito: a requalificação do nosso Porto de Mar. Esse consenso deve ser valorizado — e, sobretudo, concretizado.

Estamos convictos de que os compromissos públicos não são meros anúncios – são obrigações.

A República deve ser respeitada.

E as palavras ditas em seu nome devem ser honrada

Com a serenidade de quem acompanha este processo há muitos anos.

E com a firmeza de quem não esquece.

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ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS VERSUS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS: O HISTERISMO E A DESVALORIZAÇÃO DO PODER LOCAL – CRÓNICA DE CARLOS SAMPAIO

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O histerismo em torno das eleições presidenciais de 2026 está a abafar completamente um ato eleitoral muito mais próximo e com impacto direto na vida dos cidadãos: as eleições autárquicas de setembro de 2025.

Todos os dias, assistimos ao espetáculo mediático dos comentadores políticos, dos partidos e dos próprios potenciais candidatos à Presidência da República, numa espécie de corrida para ver "quem tem a pila maior”, como se diz na gíria popular. Um verdadeiro circo de egos onde a prioridade parece ser marcar território, quando, na verdade, estamos a dois anos das presidenciais e a escassos sete meses das autárquicas.

A questão que se impõe é simples: será isto uma manobra de diversão para esconder a falta de candidatos fortes e preparados para as eleições autárquicas”

O Poder Local: A Política de Proximidade Esquecida

As eleições autárquicas são o verdadeiro exercício de democracia. É nelas que se decidem os destinos das freguesias e concelhos, onde o poder está mais próximo das pessoas e onde se gere o dia a dia dos cidadãos. É aqui que se faz a gestão do território, se decide o futuro dos municípios, se constrói (ou destrói) a qualidade de vida das populações.

E, no entanto, os "histéricos" das presidenciais parecem ignorar esta realidade. Onde estão os debates sobre os candidatos às Câmaras Municipais e às Juntas de Freguesia? Onde estão as discussões sobre as propostas para o desenvolvimento das comunidades locais?

Mais grave ainda, muitas vilas e cidades estão presas a décadas de domínio pelo mesmo partido, como se fossem pequenas monarquias, sem renovação, sem visão e sem espaço para novas alternativas. Será que aqueles que se dizem tão preocupados com o país não veem que é ao nível local que muitas das políticas nacionais se concretizam ou falham?

Autarquias, Desenvolvimento Regional e o Papel das CIM

Além das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia, há outro nível de poder local que influencia diretamente odesenvolvimento dos territórios: as Comunidades Intermunicipais (CIM). Estas estruturas coordenam vários municípios dentro de uma mesma região, definindo estratégias comuns para mobilidade, ambiente, economia e gestão de fundos europeus.

A articulação entre as autarquias e as CIM pode ser determinante para o futuro dos territórios, garantindo que os investimentos não fiquem bloqueados por disputas políticas e que as populações tenham acesso a melhores infraestruturas e serviços. No entanto, quantos eleitores sabem realmente quem lidera a sua CIM ou que projetos estão em curso na sua região?

Este desconhecimento reflete bem a forma como a política de proximidade tem sido desvalorizada. Enquanto se discutem as presidenciais até à exaustão, pouco ou nada se fala sobre aqueles que vão decidir, nos próximos anos, a gestão do território de norte a sul do país.

As Autárquicas Importam Mais do que o Circo Presidencial

É, no mínimo, lamentável que todos os dias se fale mais de António, Manuel ou Joaquim que podem ser candidatos a Belém, quando ainda não sabemos um décimo dos candidatos que vão lutar pelo poder local – esse sim, o verdadeiro rosto do Estado no dia a dia das pessoas.

O Presidente da República não asfalta estradas, não requalifica escolas, não cria zonas industriais, não decide os transportes públicos nem resolve os problemas dos hospitais e dos Centros de Saúde. São os autarcas que fazem isso.

Mas enquanto a histeria mediática continuar focada em quem será o próximo chefe de Estado, continuaremos a ignorar aqueles que realmente fazem a diferença: os Presidentes de Câmara, os Presidentes de Junta e aqueles que coordenam as políticas regionais.

Talvez seja tempo de parar de alimentar este espetáculo de vaidades e começar a olhar para o que realmente importa: quem vai governar as nossas terras nos próximos quatro anos.

O DILEMA DAS FAMÍLIAS: EMPREGO OU FILHOS? – CRÓNICA DE FILIPE AGUIAR *

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Entendo que o verdadeiro feminismo consciente não é “despirmos as vestes” na TV e nas manifestações a falar dos direitos das mulheres e depois despedi-las quando são mães.

Não serve alegar pressão económica e política, conforme fez o BE, um partido politico não é apenas mais um agente empregador. Um partido politico tem uma responsabilidade maior: deve dar o exemplo e honrar cada voto popular!

Sou conservador e como conservador se me perguntarem qual o valor maior que deve ser conservado, a minha resposta seria inequivocamente A FAMíLIA!

A família sempre foi a base da sociedade, base como relações de equidade entre pares, base na aprendizagem das relações inter geracionais, base na transmissão de valores e tradições.

A família, enquanto unidade social independente do estado, foi despojada da sua soberania pelas políticas de esquerda durante décadas. Temos famílias menores não apenas no tamanho, mas na capacidade de ter suporte económico face às exigências.

Falamos tanto de natalidade, mas parece esquecermos que as crianças nascem no seio das famílias.

O diagnóstico está feito: insegurança no emprego e rendimentos, pressão para adquirir mais educação, habitação cara, redução dos benefícios para o parto e criação de filhos, aumento da incerteza nas relações conjugais e a pressão para estar totalmente disponibilidade para a carreira contribuem para o adiamento da maternidade.

É, para mim claro, que devemos reposicionar a FAMÍLIA no topo das nossas preocupações e dar-lhes condições de serem grandes em valor e tamanho. Uma sociedade sustentável necessita de famílias fortes e grandes.

É para mim claro que a política local, nacional e europeia deve promover políticas consistentes, contínuas e assertivas no sentido de elevar a posição da mulher na sociedade, enquanto cidadã capaz de gerar vida ao mesmo tempo que trabalha e gera riqueza.

Como homem assumo: “o futuro da nossa sociedade está na mão das mulheres e é por isso que devemos organizar o mundo laboral por forma a que elas consigam ser mães e esposas ao mesmo tempo que constróem suas carreiras profissionais”. É assim que valorizamos as mulheres.

* Presidente concelhio do Partido CHEGA em Braga

JANEIRAS E REIS NO NORTE DE PORTUGAL – CRÓNICA DE FÁBIO PINTO

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A convite do diretor deste espaço, Sr. Carlos Gomes, a quem agradeço, irei deixar algumas palavras a todos quantos se predispõem a ler este razorado de questões e visões sobre algo que muito me tem vindo a preocupar.

De forma indiscutível, no norte de Portugal, a tradição dos Cânticos ao Menino teve uma abrangência geográfica e social quase nula. 

Nos trabalhos que me tenho predisposto realizar para o Orfeão da Feira, descobrimos recentemente que na Freguesia de Sanfins e Rio Meão, em termos religiosos, existiam novenas pelas 06h00 da manhã, na igreja, onde o terço se rezava e caso houvesse gente com alma para tal, alguns momentos eram cantados. Esta tradição ter-se-á perdido por volta da década de 50 do século passado. 

Curioso o facto da hora e do ajuntamento da comunidade ser muito semelhante ao que ainda hoje se vive com enorme fervor na Madeira, com as Missas do Parto. 

Avançando do religioso para o profano, algo me começa a doer e a causar incómodo. A realização de encontros de Janeiras e Reis dentro de templos religiosos. 

É um tema sensível, dado muitos defenderem que com a retirada do Santíssimo do Sacrário, o templo se transforma numa sala de espetáculo, contudo, na minha forma de ver, esta questão está a provocar nos Grupos sérios problemas que passarei a enumerar para mais fácil análise:

Uma mentira contada muitas vezes, torna-se uma verdade ao fim de algum tempo. Estamos a transmitir para as gerações vindouras que os cânticos de Janeiras e Reis não eram cantados, de porta em porta por grupos, unicamente constituídos por homens, mas sim, nas igrejas e com belos arranjos musicais nada chegados à característica do povo d'antanho. 

É impossível dar as boas festas e pedir a esmola do fumeiro ao patrão da casa, com ele pregado na cruz diante do altar. 

À época de representação, a Igreja, era, ao contrário de hoje, extremamente rígida com a música litúrgica e os instrumentos que eram autorizados para o culto religioso. As formas da Viola Braguesa eram comparadas ao corpo desnudo de uma mulher, pelo que, a sua entrada nos templos religiosos era proibida. Hoje, vemos surgir, com ou sem Santíssimo no Sacrário a festada completa. 

A invenção. Temos todos de ser muito honestos neste meio, mas infelizmente não o somos. De ano para ano, cada vez são mais os Grupos a organizar os seus encontros em templos religiosos e como as questões acima enumeradas começam a ser pensadas, à boa maneira portuguesa, dá-se um jeitinho no problema. Grande parte do reportório apresentado nestes encontros, ou é de autor, não sendo assim Folclore ou então são recolhas de Janeiras e Reis "suavizadas" para poderem estar presentes nestes encontros. 

Recordo com saudade o Encontro de Janeiras e Reis do Rancho Regional Recordar é Viver de Paramos - Espinho, onde uma cozinha de lavrador com tudo que esta merece, e uma equipa de gente com uma queda incrível para o Teatro Etnográfico, faziam-nos transportar para o início do séc. XX e ali ouvíamos as belas ladaínhas das saudações acompanhadas pela viola, testos, pinhas e demais instrumentos que o povo improvisava, os cânticos já dentro de casa a vozes, e as despedidas. 

Somos povo.

A dignidade do espetáculo não fica ferida se o espaço onde o realizarmos tiver condições, quer para o público, quer para os grupos não se verem obrigados a alterar aquilo que absorveram do povo que dizem representar.

Para remate, nada tenho contra os encontros nas igrejas, nas localidades e com grupos que tenham tido nas suas comunidades estas tradições.

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PORQUE NÃO TEMOS UM MINISTRO DO MAR? – CRÓNICA DE CARLOS SAMPAIO

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No meu entender, e com base na experiência anterior e na estratégia que o mar representa para Portugal, devíamos ter um Ministro do Mar.

O mar é um dos pilares mais importantes da identidade e da economia nacional, desempenhando um papel fundamental na pesca, aquacultura, transporte marítimo, energia azul, turismo costeiro, investigação científica, preservação ambiental e, claro, na segurança marítima. Apesar disso, o setor tem enfrentado desafios complexos, como a 𝗳𝗮𝗹𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝗶𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮𝗶𝘀, 𝗮 𝗱𝗲𝗴𝗿𝗮𝗱𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗿𝘁𝗼𝘀 𝗲 𝗶𝗻𝗳𝗿𝗮𝗲𝘀𝘁𝗿𝘂𝘁𝘂𝗿𝗮𝘀, 𝗲 𝗮 𝗻𝗲𝗰𝗲𝘀𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗿𝗲𝗴𝘂𝗹𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘁𝗲𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗮𝗺𝗯𝗶𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹.

A existência de um Ministério do Mar permitiria:

  1. 𝗠𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗻𝗼𝗺𝗶𝗮 𝗽𝗼𝗹𝗶́𝘁𝗶𝗰𝗮 𝗲 𝗼𝗿𝗰̧𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹 para implementar uma estratégia nacional para os recursos marítimos.
  2. 𝗣𝗿𝗼𝗺𝗼𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗶𝗻𝗼𝘃𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝘁𝗲𝗰𝗻𝗼𝗹𝗼́𝗴𝗶𝗰𝗮 para melhorar a eficiência e sustentabilidade das pescas, aquacultura e outras atividades marítimas.
  3. 𝗖𝗼𝗼𝗿𝗱𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘀𝗲𝘁𝗼𝗿𝗶𝗮𝗹 entre economia, turismo, ambiente, e ciência, maximizando o impacto positivo do mar no desenvolvimento sustentável.
  4. 𝗗𝗲𝗳𝗲𝘀𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗲𝘀 𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗶𝘀 em fóruns internacionais, especialmente no que diz respeito à extensão da plataforma continental e à regulação da pesca no Atlântico.
  5. 𝗜𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗲𝗺 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗲 𝗲𝗱𝘂𝗰𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝗿𝗶́𝘁𝗶𝗺𝗮, preparando as novas gerações para o potencial económico e cultural do setor.
  6. 𝗥𝗲𝘀𝗼𝗹𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮𝘀 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗶𝘀, como o assoreamento de portos (𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗻𝗼 𝗰𝗮𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗩𝗶𝗹𝗮 𝗣𝗿𝗮𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗔̂𝗻𝗰𝗼𝗿𝗮), a criação de infraestruturas modernas, e a revitalização das comunidades piscatórias.

A falta de um ministério dedicado reflete uma visão limitada do enorme potencial que o mar representa. Ao contrário, um Ministro do Mar com competências bem definidas teria capacidade para colocar o mar no centro das políticas públicas, aproveitando-o como alavanca para o crescimento económico e para a afirmação de Portugal como potência marítima.

Deveríamos apostar numa política de longo prazo que transforme o mar numa 𝗽𝗿𝗶𝗼𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗲́𝗴𝗶𝗰𝗮 𝗻𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 com enfoque em sustentabilidade, inovação e preservação do património natural e cultural ligado ao oceano.

O QUE É O “FOLCLORE-MIX” – A NOVA TENDÊNCIA NO FOLCLORE?

A música e os trajes do Minho foram desde sempre muito apreciciados em virtude de serem em geral muito vistosos. Não admira, pois, que tenham virado um figurino preferido dos vendilhões do folclore, sujeitos a constantes adulterações, da mesma forma que no passado foi utilizado como fato carnavalesco. E, de entre eles, sobressai o traje domingueiro de lavradeira, vulgo traje à vianesa.

Faltava-lhe, porém, o ritmo das castanholas e do sapateado em jeito de picadinho como em Arcos de Valdevez se executa mas exibindo diferentes trajes. Importava impressionar o público mesmo que o menu não passasse de uma autêntica aldrabice…

Assim, para que o fantoche ficasse mais completo, era preciso misturar o que vai na gamela e, com artes de rapão, toca a misturar o traje da Ribeira Lima com a forma de executar a dança, o picadinho e as castanholas com coreografias que não condizem. É aquilo que poderíamos chamar de folclore-mix porque não podemos adjetivar de outra maneira!

MINISTRO DA AGRICULTURA REALIZOU MAS DE UMA CENTENA DE VISITAS EM 100 DIAS DE GOVERNO

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  • Crónica de Tito Morais

O Ministro da Agricultura e Pescas, realizou mais de 100 Visitas, nos 100 dias de governo, o que se traduz num aproximar de políticas agrícolas do sector aos agricultores e empresários, às instituições públicas e privadas, com decisões, sugestões e conclusões, na ordem do dia.

Exercendo anteriormente as funções de eurodeputado, Bruxelas e Estrasburgo foram para José Manuel Fernandes palco de várias intervenções enquanto elemento integrante e activo em vários pelouros ou áreas parlamentares, traduzindo-se numa mais valia para a Europa comunitária, e Portugal em particular. Do seu conhecimento de dossiers, da sua agenda e de suas negociações, beneficiou o país, numa dinâmica que deseja prosseguir, canalizando verbas e projectos para o desenvolvimento agrícola, o que tem motivado algumas das suas deslocações para conhecer o – Portugal de perto – no contexto da sua acção governativa.

Recordemos, que entre a centena de deslocações oficiais do litoral ao interior do país, no Alto Minho, três mereceram a apreciação do antigo Presidente de Vila Verde, e enaltecimento dos  produtos e produtores: a Feira do Alvarinho em Monção, e em Ponte de Lima, o encerramento do II Simpósio Internacional de Gastronomia (foto) e abertura oficial da Feira do Cavalo.

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BÉLGICA / BRUGES: 600 ANOS DE AMIZADE COM PORTUGAL

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  • Crónica de Tito Morais

Retomando a nossa deslocação no último fim de semana á Bélgica, uma escapadela cultural preencheu o domingo; a visita, com família e como tal particular, desta vez integrou Bruges no roteiro, a multisecular cidade de trocas comerciais com Portugal, localizada a uma centena de quilómetros ao norte de Bruxelas, classificada como Património Mundial pela UNESCO e em 2002 foi a Capital Europeia da Cultura.

Chegados à Praça Grande (Grote Markt) ou principal, com uma área de um hectare, o percurso começou pela Torre Belfort (foto), começada a construir pelo ano de 1240 e concluída no de 1487. O monumento com seus 83 metros, permite disfrutar duma magnífica vista da cidade depois de subir o equivalente aos dias do ano (os seus 366 degraus), equipada com um carrilhão de 47 sinos, funcionou já como arquivo municipal e posto de vigia para incêndios.

Documentado antes da viagem, no seguimento da palestra em janeiro último Relações Socioeconómicas de Portugal com a Flandres (1183-1559) proferida no Almoço (com produtos) do Mar, na Casa de S. Sebastião, Ponte de Lima, eis que aprofundamos as pesquisas.

Deste modo, recuemos ao verão de 1183, ao mês de Agosto, para assinalar o casamento de Teresa de Portugal, filha do fundador D. Afonso Henriques, com o Conde da Flandres, Filipe “de Alsácia”, celebrado na catedral Nª Sª da Tournay, em Bruges. Na cidade residia já em 1395 uma colónia de mercadores portugueses que possuía também seus armazéns, em Ridderstraat, mudando-se depois dessa rua para a de Winkel Straat. Uma trintena de anos volvidos (1430), destacava-se na comunidade portuguesa fixada na capital da Flandres Ocidental, Pedro Eanes, feitor régio nomeado por D. Afonso V, cujas trocas comerciais eclodiram, de tal forma que em 1445, é construído em Bruges o edifício da Feitoria de Portugal. A antepassada da nossa alfandega, marítima, designada então de Feitoria é transferida em 1499 para Antuérpia, onde funcionou até 1794. Era entreposto comercial de produtos do Oriente, das Ilhas e de África. Um Secretário da Feitoria  conhecido foi Damião de Góis, nomeado em 1523 por D. João III. Por esses tempos, a Corte importava para Lisboa, entre outras mercadorias: armas, joalharia, pólvora e cobre. Com o aumento demográfico lusitano naquelas paragens da Europa do Norte, houve necessidade de encontrar um local de culto e sepultamento dos compatriotas: a escolha, no ano de 410, foi a Capela de Santa Cruz.

No alvorecer de quinhentos, o grupo de agentes mercantis lusitanos em Bruges seria já considerado, pois o rei D. Manuel I, por carta de 22 de Abril de 1512, guardada na Torre do Tombo, aprova – lhes, o Regimento da capela da nação portuguesa. Mas, a aristocracia de referência tinha sua última morada em locais de elite; é o caso de João Vasques, falecido em 1487 que seria inumado na Catedral de S. Salvador, que visitamos já no período da tarde. O nobre desempenhara funções de secretário pessoal da duquesa Isabel da Borgonha, filha do nosso rei D. João I, e exercia também actividade de mercância e possuía casa própria (foto), construção gótica, recuperada há anos atrás.

Nos séculos seguintes, há registo de outros artigos exportados para a Flandres. Por exemplo, no ano de 1622 um navio transportou vinho e bacalhau; no regresso, carregou panos, sarjas, holandas. Em 1641, um outro despacho marítimo, enumera exportações de açúcar para Bruges, e um outro de figos e uvas passas, portanto já do Reino do Algarve.

Evocação do Alto Minho

No âmbito de parte do destino turístico escolhido para mini – férias, o nosso trabalho de casa incluiu também investigação sobre referências ao Alto Minho naquele pedaço da actual Bélgica. Assim, ao recordar  Jan Van Eyck (1390?-1441), que dizem foi o inventor da pintura a óleo, veio-me á memória conversa e recortes de jornais, do saudoso titular do Paço de Calheiros! O motivo, foi a existência de um pequeno quadro atribuído ao mestre de Bruges, (do tamanho duma cigarreira, asseverou-me certo dia), que existira no seu solar, e depois de cerca de 1972, o ceder a um amigo para avaliação, levou sumiço, ao que parece suriria mais tarde numa conhecida leiloeira londrina…

Outra citação documental, é Filiph Blanqueat, nascido em Bruges, que em 1641 era correspondente de açúcar de Jacques de Patcher, residente em Viana do Castelo entre os anos de 1628 e 1642,. Também, a correspondência diplomática no conturbado período no segundo quartel do século XIX, solicita empenhamento da casa Real dos Países Baixos para 355 expatriados portugueses que escolheram Bruges como destino. Trata-se de uma carta enviada de Londres a 10 de Julho de 1829 pelo Duque de Palmela ao Conde da Carreira (Luiz António de Abreu e Lima), informando do pedido de asilo formulado por tais patrícios.

Como balanço duma permanência por motivos familiares e culturais, deixamos mais umas sugestões, porque o roteiro as justificou: conhecer o parque Mimmewater e seu lago do Amor, a Igreja de Nossa Senhora com sua Pietá ou Madonna de Miguel Ângelo (a única fóra de Itália), a Câmara Municipal e o Tribunal, este já em estilo neogótico tal como a Casa do Rei, na Grand Place em Bruxelas, e deambular pelas ruas, ruelas e azinhagas da urbe medieval que chegaram a nossos dias, e um passeio pelos canais!

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EM QUE DIA NASCEU PORTUGAL? RESPONDA QUEM SOUBER ....

  • Crónica de Florentino Cardoso

É um dado incontroverso e incontrovertível que Portugal nasceu, se tomarmos o verbo nascer no sentido literal de "passar a ter existência". E não será difícil a qualquer leigo na matéria apontar o século XII como o período de tempo em que esse nascimento se verificou.

Considerando que o feriado nacional adotado para celebrar o Dia de Portugal (10 de junho) não tem qualquer correlação histórica com a fundação de Portugal e que antes do século XX não há notícia de alguma vez ter existido uma grande comemoração nacional a propósito da passagem de qualquer dos vários centenários de Portugal, é legítimo perguntar se os portugueses consideram a data de nascimento de Portugal como um elemento identitário merecedor de averiguação e reconhecimento.

Mesmo que se responda afirmativamente a esta pergunta, a verdade é que não é fácil encontrar resposta  para a questão de saber se Portugal nasceu num dia certo e determinado, ou se o seu nascimento se desenvolveu num prolongado período de tempo balizado por duas datas, 24 de junho de 1128 (Batalha de S. Mamede) e 23 de maio de 1179 (Bula Manifestis Probatum).

Ora, para os vimaranenses esta dicotomia não é indiferente, pois se prevalecer a premissa de que a criação de Portugal foi processada através de uma série de atos balizados no tempo, Guimarães perde legitimidade para ostentar a inscrição "Aqui nasceu Portugal", porque ela pressupõe o nascimento de Portugal num dia certo e determinado, mais exatamente no dia 24 de junho de 1128.

Com efeito, nesta frase inscrita na Torre da Alfândega em que Portugal figura como sujeito, o verbo nascer precisa de ser acompanhado de mais complementos para adquirir um significado histórico completo. Apesar de ser intransitivo, não basta que o verbo nascer esteja precedido do advérbio "Aqui" para referir a terra de Guimarães como lugar de nascimento. Torna-se imperioso que as circunstâncias de tempo (24 de junho de 1128) e modo (batalha de S. Mamede) também se afirmem e se inscrevam, pelo menos, na mente dos portugueses. Ou seja, é necessário sustentar que a batalha de S. Mamede se revestiu de caráter constitutivo para a génese do reino de Portugal. De outro modo, a frase lapidar que tanto orgulha os vimaranenses não passa de uma metáfora!

Como se sabe, ao longo dos séculos os historiadores têm apontado várias datas para o nascimento de Portugal como estado soberano:

  • O dia 25 de julho de 1139 (Batalha de Ourique);
  • O dia 05 de outubro de 1143 (Tratado de Zamora);
  • O dia 23 de maio de 1179 (Bula Manifestis Probatum);
  • O dia 24 de junho de 1128 (Batalha de S. Mamede).

Se considerarmos que, por definição, a independência de Portugal foi adquirida no momento em que a Terra Portucalense se desmembrou do reino de Leão, o elemento decisivo para deslindar esta polémica consistirá em determinar qual destes factos políticos teve esse efeito e se esse efeito foi constitutivo ou meramente declarativo em relação à aquisição da independência.

No Congresso Histórico realizado em Guimarães para comemorar o 850ª aniversário da batalha de S. Mamede, o ilustre jurista e historiador FRANZ-PAUL DE ALMEIDA LANGHANS apresentou uma dissertação com o título "NA ORIGEM E ESPECIFICIDADE INSTITUCIONAL DA SOBERANIA PORTUGUESA NO CONSPECTO HISPÂNICO DA RECONQUISTA", em que apontou a doação da Terra Portucalense feita por Afonso VI (1047-1109) a sua filha e genro, D. Teresa e D. Henrique, como um facto patrimonial jurídico e político, finalizando, entre outras, com as seguintes conclusões:

"1ª - A génese da soberania portuguesa desenvolveu-se a partir da especificidade institucional de um património político que nasceu de uma concessão hereditária de direito e não de mera tenência amovível;

2º - A especificidade desse património, no conspecto dos Estados Hispânicos da Reconquista, garantiu e consolidou a independência do Reino;

3ª - Especificidade fortemente caracterizada pelo enérgico e latente desejo de autonomia dos povos e senhorios da frente atlântica ocidental da Hispânia que uma estrutura jurídico-política veio institucionalizar antes mesmo da independência, de jure, ser alcançada".

Estas palavras são indutoras de que o direito à soberania (propriedade e governo) de Portugal se enquadrou na concessão hereditária da Terra Portucalense feita por Afonso VI a D. Teresa e ao Conde D. Henrique em 1096.

Assim, pode surgir aqui uma pista que permita alcançar uma explicação jurídica alternativa para a fundação do reino de Portugal e que, designadamente, consinta atribuir efeito constitutivo ao "conflito sucessório" ocorrido entre D. Afonso Henriques e D. Teresa no Campo de S. Mamede, no dia em que o nosso primeiro rei adjudicou por força das armas a propriedade e o governo da Terra Portucalense (24 de junho de 1128).

O município de Guimarães criou uma Comissão Científica constituida por mais de uma dezena de historiadores medievais, nacionais e espanhóis, que certamente não irão deixar por mãos alheias o tratamento deste nebuloso aspeto da história da fundação de Portugal.

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O FOLCLORE E A MENTALIDADE MINIFUNDISTA

Primeiro foi a criação artificial da província do Douro Litoral subtraindo-a à vetusta Comarca de Entre-Douro-e-Minho, caraterizada pelas mesmas afinidades históricas e geo-etnográficas em relação ao Minho, uma das “obras” implementadas pelo Estado Novo que na realidade jamais teve aplicação prática.

Depois ergueram muros entre os distritos de Braga e Viana do Castelo – herança da monarquia constitucional ao jeito da administração napoleónica – passando a classificá-los respetivamente de Alto e Baixo Minho.

Não satisfeitos com a visão estreita do nosso património, eis que retalharam mais ainda em pequenas courelas como a Ribeira Lima, o Alto Lima, o Alto Minho Interior, as Terras da Nóbrega, o Alto Douro e o Baixo Douro Litoral, e agora… até o Alto Ribatejo!

Isto é, quem não tem mais para inventar faz colheres de pau!

Desde o rio Minho ao rio Douro, o Minho é todo ele uma região única com a mesma identidade cultural e a diversidade que sempre carateriza uma região de terra para terra. Dispensa a prosápia dos “pedreiros” que mais não sabem dos que erguer muros à entrada das cortes do gado!

GEMINAÇÃO CRIA PONTE ENTRE VIANA DO CASTELO E ANDORRA LA VELLA

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  • Crónica de José Luís Carvalho

Foi hoje assinado na capital do Principado de Andorra, Andorra la Vella, o protocolo de geminação entre a cidade portuguesa de Viana do Castelo e a cidade de Andorra la Vella. As autoridades andorranas, Sergi González, Cònsol Major (Presidente da Câmara) na companhia da Cònsol Menor ( Vice-presidente), Olalla Losada, receberam às 9 horas na sala de atos do Comú, como se designa no país a Câmara Municipal, Manuel Vitorino, Vice-presidente da Câmara de Viana do Castelo e esposa assim como o Consul Honorario de Portugal, Jose Manuel da Silva.

Um ato ao qual tive o privilégio de assistir e no qual pude constatar a importância do acordo celebrado, manifestado de forma bilateral pelos dois mandatários.

Andorra sempre foi terra de acolhimento com mais de 100 nacionalidades num território do tamanho do concelho de Arcos de Valdevez. E a comunidade portuguesa, com mais de 9.000 nacionais é, depois da comunidade espanhola, a mais numerosa representando cerca de 11% da população e na qual os vianenses e os naturais do distrito de Viana do Castelo são o principal força migratória. Esta evidencia levou-me no ano 2004, aquando da minha eleição como Conselheiro da Comunidade Portuguesa (CCP) no Principado a fomentar a aproximação entre Portugal e Andorra com finalidade de promover o conhecimento mutuo e a primeira geminação entre ambos. A partir dessa data e nos anos vindouros, vários foram os intercâmbios que fomentei entre a cidade de Viana do Castelo e a cidade andorrana de Encamp com o beneplácito de Flora Passos Silva, Vereadora do Município de Viana do Castelo e Miquel Alís, Cónsol Major de Encamp. As mudanças políticas, principalmente do lado andorrano e no CCP levaram ao arrefecimento dos intercâmbios culturais mas, felizmente, o movimento associativo e principalmente o Grupo de Folclore Casa de Portugal sediado no Principado souberam manter o sentimento de pertença reafirmando-se como improvisados embaixadores da portugalidade. Sem desistir do proposito de aproximação dos povos, mantive sempre o contato com a cidade de Viana do Castelo e na figura do seu Presidente da Câmara, José Maria Costa, foram retomadas as conversas bilaterais de forma a que em 2019 fosse convidada a Cònsol Major Conxita Marsol para assitir à Romaria d’Agonia. Após a pandemia, tivemos o privilégio de receber na Festa Major de Andorra la Vella de 2021 a visita de José Maria Costa de forma a retribuir a visita que tinha efetuado a edil andorrana a Viana do Castelo. Estavam assim criadas as bases do conhecimento mutuo e da vontade de estreitar laços entre as duas cidades. E os atos eleitorais em ambos municípios não foram desta vez pretexto para que o sonho de uma geminação se diluísse.

No ano seguinte, a Romaria d’Agonia de 2023 recebia David Astrié, Cònsol Major d’Andorra la Vella e esposa a convite de Luis Nobre, Presidente da Câmara de Viana do Castelo, também conhecedor da realidade da comunidade portuguesa no Principado enquanto vereador do município vianense. Também ele sensível a esta questão acedeu de seguida à minha proposta de geminação e articulou com o município a promessa feita a David Astrié o qual faria o mesmo no seu regresso a Andorra. Meses depois, as eleições municipais em Andorra viriam a impedir David Astrié de dar continuidade ao seu mandato sendo substituído por Sergi González, Cònsol Major. Conhecedor da importância da comunidade portuguesa na construção da Andorra moderna dos dias de hoje, acedeu de seguida à proposta e em consonância com a Cònsol Menor, Olalla Losada, articularam todos os mecanismos para que hoje, a geminação entre as duas cidades seja uma realidade.

Este acontecimento coincidiu também com as celebrações da Festa da cidade de Andorra la Vella tendo como São João e o solstício de verão o ponto alto das celebrações. Um vasto programa de atividades foi preparado pelo Comú de Andorra la Vella para receber Manuel Vitorino, destacando as atividades relacionadas com o fogo de São Joao a assinatura do livro de ouro da cidade, a participação num almoço popular e a assistência à sessão do concelho de Comú onde seria aprovado, por unanimidade, a geminação entre as duas cidades.

A sessão de assinatura desta manhã concluiu com o convite formal para que Sergi González e Olalla Losada visitem Viana do Castelo no próximo mês de agosto, aquando da Romaria d’Agonia que com certeza, uma vez mais, contará com as participação de mordomas luso descendentes originárias dos vales de Andorra. E uma vez mais, já na qualidade de Presidente do Grupo de Folclore Casa de Portugal, continuaremos a promover os intercâmbios entre as dias cidades, desta vez inaugurando no dia 16 de agosto, nos antigos Passos do Concelho de Viana do Castelo, a exposição fotográfica INTEGRADOS, realizada pelos membros do grupo nos espaços emblemáticos do Principado envergando o traje popular português.

Fotos: Comú d’Andorra la Vella/Tony Lara

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NÃO HÁ FUTURO PARA A LIBERDADE SEM A MEMÓRIA DA FALTA DELA!

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  • Crónica de Domingos Chaves

Não há futuro para a liberdade, sem a memória da falta dela…

Durante os 48 anos que durou a ditadura, os portugueses viveram condicionados por uma longa lista de proibições, que hoje, sobretudo aos olhos de quem nasceu em Liberdade, parecem inconcebíveis.

Às proibições legais, juntavam-se igualmente outras de natureza moral, num país e num território, onde o conservadorismo e o subdesenvolvimento eram elogiados pelo discurso oficial, sob a tríade, “Deus, pátria e família”.

Vivia-se um clima de medo, um clima, que funcionava como poderoso instrumento político de censura – incluindo a autocensura – e de controlo. Era a miséria absoluta – de que nesta revista se dá conta - com a pobreza, o analfabetismo e a ignorância a falarem mais alto…

No momento em que se assinalam os 50 anos de Liberdade e Democracia, recordam-se então nesta edição especial, algumas proibições que só tiveram fim depois do 25 de Abril. E sendo assim, é por isso que é necessário conhecer a história, imprescindível que é, para compreender o presente e para construir o futuro.

Nesta data, deixo ainda aqui registada, a minha homenagem a todos aqueles e aquelas que construíram um Portugal livre e democrático, muitos dos quais, protagonistas sem lugar numa História que não lhes registou nem nome, nem acção, mas que na lúgubre noite do salazarismo acenderam luzes para que este país encontrasse os caminhos de uma revolução que colocou ponto final a uma ditadura bafienta de 48 anos.

De igual modo e para além desses, só nos fica também bem, lembrar e resgatar igualmente a memória colectiva dos munícipes, que nos anos decisivos de 1974, 1975 e 1976, defenderam as nobres causas do desenvolvimento do território concelhio e em particular das nossas aldeias, desde sempre votadas a um abandono ignóbil.

É também por esses e por quem se lhes seguiu, caminhando com coragem e determinação por entre a escuridão, que devemos celebrar, sublinhar e gritar, que apesar de todas as imperfeições, só a democracia e as garantias de total usufruto dos nossos direitos cívicos nos permitem ser cidadãos de corpo inteiro.

O mínimo que todos devemos fazer, é não defraudar a memória dos Capitães de Abril, que na madrugada de 25 de Abril de 1974, nos entregaram as sementes de um novo país.

VIVA A LIBERDADE!

IN MEMORIAM COMENDADOR ANTÓNIO FERNANDES BARROS – UM FAFENSE NO BRASIL

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 19 de outubro, assinalou-se o 98.º aniversário natalício do saudoso Comendador António Fernandes Barros (1925-2015), uma das figuras mais reconhecidas do associativismo de matriz minhota na comunidade portuguesa em São Paulo.

Natural da freguesia de Antime, município de Fafe, na região do Baixo Minho, onde concluiu a instrução primária, e trabalhou durante a adolescência na Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, antiga fábrica têxtil que chegou a ser uma das maiores do Norte com mais de 2000 operários, António Fernandes Barros emigrou para o Brasil em 1957.

Tendo-se estabelecido em São Paulo, a maior cidade do Brasil, onde iniciou um percurso empresarial de sucesso na área das transações comerciais, foi, no entanto, no campo associativo, cultural e na promoção da língua portuguesa, sempre em interligação com o seu torrão natal, que o emigrante fafense se tornou uma das figuras mais gradas da comunidade portuguesa na capital paulista.

No seu profícuo currículo associativo e cultural luso-brasileiro, destaca-se, entre outros, a ligação ao Centro de Estudos Históricos Pedro Álvares Cabral, ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Pesquisas Hospitalares, ao Centro de Estudos Fernando Pessoa, à Casa de Portugal de São Paulo, à Associação Portuguesa de Desportos e ao Elos Clube de São Paulo.

A sua impagável experiência associativa e cultural luso-brasileira, em consonância com um profundo apego à terra que o viu nascer, foi de enorme importância para a fundação nos anos 90, da Casa da Cultura Portuguesa de Porto Seguro, que contou então com apoio do Município de Fafe. Edificada no objetivo principal de proporcionar um espaço privilegiado para pesquisas, projetos culturais e de aprofundamento das relações entre Portugal e o Brasil, a Casa da Cultura Portuguesa de Porto Seguro é constituída por um anfiteatro, biblioteca, museu e o Panteão de Cabral, o primeiro navegador a chegar a terras brasileiras, mormente a Porto Seguro em 22 de abril de 1500.

O seu comprometimento e a constante dinamização das relações culturais luso-brasileiras estão na base, nesse período, da atribuição pelo então Presidente da República, Mário Soares, da Ordem de Mérito no Grau de Comendador, destinada a galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade. Assim como do título de Cidadão Honorário de Porto Seguro – Estado da Baía, e da Medalha de Prata de Mérito Concelhio da Câmara Municipal de Fafe.

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Comendador António Fernandes Barros (1925-2015)

De facto, uma das suas características marcantes era a forte ligação que mantinha com as suas raízes, expressa em várias viagens à Sala de Visitas do Minho, e que concorreram para que tenha oferecido uma bola autografada de Pelé, um dos maiores jogadores da história do futebol, ao Operário Futebol Clube (OFC) de Antime, coletividade da qual foi sócio fundador, juntamente com camisolas do Santos Clube Futebol, um dos maiores clubes de futebol do Brasil. Bem como, tenha doado ainda em vida, o distintivo da Ordem de Mérito ao Museu das Migrações e das Comunidades.

Um espaço museológico, sediado em Fafe, cuja missão assenta no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

Uma das figuras mais gradas da comunidade portuguesa em São Paulo, o percurso de vida e o inestimável contributo do saudoso Comendador António Fernandes Barros para o aprofundamento das relações culturais Brasil – Portugal, rememora a ligação umbilical entre os dois povos irmãos, singularmente anotada por Eça de Queirós: “O Brasileiro é o Português – dilatado pelo calor”.