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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ESPOSENDE PARTICIPOU NO WORKSHOP "INDICADORES DE MONOTORIZAÇÃO DE ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS"

Esposende apresentou projeto OMARE em workshop de Áreas Marinhas Protegidas

O Município de Esposende, promotor do projeto OMARE – Observatório Marinho de Esposende, marcou presença no Workshop “Indicadores de Monotorização de Áreas Marinhas Protegidas”, que decorreu no dia 11 de fevereiro, no Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, em Faro.

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O Município esteve representado pelo seu consultor para este projeto, Vasco Ferreira, que apresentou o programa de monitorização do Observatório Marinho de Esposende, e contou com a participação da Universidade do Minho, do Instituto de Sistemas e Robótica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e com Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, também da Universidade do Porto.

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Este evento foi promovido em parceria pelos projetos OMARE, MARSW e INFORBIOMARES, aprovados no âmbito do Aviso POSEUR-15-2016-54, destinados ao ensaio de sistemas de monitorização da biodiversidade marinha das áreas classificadas do Litoral Norte, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e Arrábida, respetivamente. O ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, é parceiro dos três projetos e irá implementar, no futuro, o modelo desenvolvido.

Os programas de monitorização decorrem individualmente em cada área e estão a ser desenvolvidos tendo em conta as especificidades de cada uma das áreas classificadas, mas serão interoperáveis e coerentes.

Este workshop, o primeiro de três previstos, teve como intuito o desenvolvimento de um modelo de monitorização que avalie o estado de conservação das espécies e habitats naturais em Rede Natura 2000 para o meio marinho, incluindo a avaliação dos seus limites no mar. Pretende-se que o modelo seja aplicável a diferentes áreas marinhas e que se crie um guia de boas práticas para a monitoração e gestão e de áreas marinhas protegidas onde se incluam propostas de indicadores de monotorização eficientes, face às necessidades da administração pública.

O projeto OMARE constitui uma fulcral oportunidade deste Município em contribuir para o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente para o ODS 14 – Oceanos, Mares e Recursos Marinhos e para o ODS 17 – Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável.

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ESPOSENDE ASSINALOU DIA DOS OCEANOS

O Município de Esposende, através da Esposende Ambiente, assinalou o Dia Mundial dos Oceanos, através da realização de um conjunto de iniciativas dedicadas a esta temática.

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No âmbito dos Planos de Atividades do Centro de Educação Ambiental e do Programa de Educação para a Sustentabilidade, a Esposende Ambiente promoveu a realização do espetáculo de marionetas “Viagem ao Fundo do Mar”, um jogo ambiental dedicado à biodiversidade marinha, e participou na Ação Nacional de Limpeza de Praias que a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) e o Pingo Doce promoveram por todo o país, e que, no concelho de Esposende, se centrou na Praia do Fagil, em Apúlia.

O Dia Mundial dos Oceanos assinalou-se este ano sob o tema "Oceanos - Sensibilizar para agir, proteger para valorizar", com o objetivo de alertar os cidadãos para o problema da poluição dos oceanos nas suas mais variadas vertentes, em particular o plástico, e incentivar os países a definirem e implementarem soluções para um mar mais saudável.

A celebração dos oceanos teve origem na Conferência da ONU realizada na cidade de Rio de Janeiro em 1992 sobre Ambiente. Em 2008, as Nações Unidas tomaram a decisão de designar o dia 8 de junho como a data oficial do Dia Mundial dos Oceanos.

Os oceanos e mares ocupam dois terços da superfície do planeta e para além de serem o habitat de um vastíssimo número de plantas e animais, fornecem comida, energia, oxigénio e múltiplos recursos aos seres humanos. São igualmente essenciais no clima e na regulação térmica do planeta absorvendo um terço do dióxido de carbono libertado pelas atividades humanas nas condições climatéricas do planeta.

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VAIVÉM OCEANÁRIO JÁ CHEGOU A FAFE

Mais de 1700 alunos esperados para visitar o espaço

O Vaivém Oceanário já chegou a Fafe. Durante esta manhã, mais de 150 alunos tiveram oportunidade de visitar, explorar e conhecer o maior ecossistema do nosso planeta, onde residem mais de 238 mil espécies marinhas.

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Durante esta semana, na Praça 25 de Abril, está instalado um camião gigante que qualquer pessoa poderá visitar. Para a comunidade escolar, estão reservados, nos dias 24, 26, 27 e 30 de Abril, Workshops para alunos e professores sobre esta temática. Mais de 1700 alunos do concelho vão visitar o Vaivém Oceanário.

Nos dias 25, 28, 29 de Abril e 1 de Maio, o camião está aberto para toda a população.

Esta é uma iniciativa, de entrada livre, promovida pelo Oceanário de Lisboa, com o apoio da Fundação Oceano Azul e da Câmara Municipal de Fafe.

Recorde-se que o Vaivém Oceanário espalha pelo país a literacia do oceano para que todos compreendam a sua importância e a urgência de agir pela sua conservação. A conservação da natureza toca a todos, ninguém fica de fora. A organização garante que “é só receber o Vaivém e observar o que traz de novo para ajudar a adoptar comportamentos mais responsáveis para com o planeta que habitamos.”

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Os Vereadores dos Município de Fafe, Márcia Barros e Pompeu Martins, marcarm presença no momento da abertura do Vaivém Oceanário e aproveitaram a ocasião para destacar a importância da iniciativa em diferentes áreas.

O Vaivém Oceanário é mais uma iniciativa para a comunidade escolar que vem reforçar o papel de Fafe como ‘Cidade Educadora’. É esperada a visita de mais de 1700 alunos neste espaço, o que comprova o sucesso que o Vaivém terá em Fafe.”revela Pompeu Martins, Vereador da Educação do Município de Fafe.

Márcia Barros, Vereadora do Ambiente da Câmara Municipal, enaltece o valorização da consciencialização ambiental promovida pela iniciativa.

O ‘Vaivém Oceanário’ vai alertar, mais um vez, os nossos jovens e a população em geral, para a necessidade crescente de adoptar comportamentos que protejam a Natureza. É uma iniciativa interessante que lhes permitirá um contacto mais próximo com a problemática da poluição nos oceanos. ”

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MINHO E GALIZA CELEBRAM DIA MUNDIAL DOS PEIXES MIGRADORES

Aquamuseu e Estação Hidrobioloxía “Encoro do Con” celebram o Dia Mundial dos Peixes Migradores

Com o lema "Ligando Peixes, Rios e Pessoas", é celebrado no próximo sábado, 21 de abril, o "Dia Mundial dos Peixes Migradores" (WFMD: World Fish Migration Day). Com caráter transfronteiriço, o Aquamuseu do Rio Minho, de Vila Nova de Cerveira e a Estación Hidrobiológica “Encoro do Con”, da Universidade de Santiago de Compostela estão a desenvolver em conjunto uma ação de sensibilização alargada no terreno para dar a conhecer os peixes migradores do Baixo Minho e o efeito dos obstáculos nas suas migrações.

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Várias organizações vão comemorar este dia organizando mais de 400 atividades em todo o mundo, tendo como objetivo consciencializar a sociedade das necessidades dos peixes migradores, garantindo que as redes fluviais naturais permaneçam conectadas, e que seja intermediária para que as que estão fragmentadas possam ser restauradas.

Desta forma, o Aquamuseu do Rio Minho, de Vila Nova de Cerveira e a Estación Hidrobiológica “Encoro do Con”, da Universidade de Santiago de Compostela, que desenvolvem em conjunto o projecto POCTEP Migra Miño-Minho, organizam uma atividade no rio Furnia incidirá sobre o impacto das barreiras na migração de peixes. Vai-se proceder à captura de peixes por pesca elétrica e conhecer as atividades que estão a ser realizadas no projeto Migra Miño-Minho. No Aquamuseu será realizada uma visita aos aquários e ao museu das pescas, que recria todo o percurso do Minho, as suas espécies e as tradições e atividades associadas à pesca, dando a conhecer os peixes migratórios, sua importância e ameaças.

A atividade começará no rio Furnia (Tomiño) às 15h15 e vai terminar no Aquamuseu (Vila Nova de Cerveira) às 18h30. Os participantes terão um autocarro gratuito em Vila Nova de Cerveira (14h00 no Centro de Coordenação de Transporte), em Tui (14h30 na Praça de Galicia) e em Tomiño (14h55, na Praça do Concelho) para levá-los ao rio Furnia e ao Aquamuseu, trazendo-os de regresso após conclusão da atividade.

O Projeto POCTEP Migra Miño-Minho (Proteção e Conservação das Populações de Peixes Migradores no troço internacional do rio Minho e seus afluentes) é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Interreg VA Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020. Procura melhorar a proteção e conservação do habitat fluvial da sub-bacia do troço internacional do rio Minho, desde a barragem de Freira até à foz com ações de requalificação dos canais fluviais e das espécies de peixes migradores presentes no rio Minho e seus afluentes; também promove a cooperação transfronteiriça entre autoridades e instituições com responsabilidades comuns na gestão da pesca fluvial.

A construção de barreiras transversais (barragens e açudes) tornou-se um dos principais fatores que provocaram a diminuição da população de peixes que habitam estes rios, pois tem um efeito direto sobre os movimentos migratórios dos peixes, impedindo-os de se mover livremente para completar os seus ciclos reprodutivos, acesso a áreas de alimentos ou, simplesmente, passar para outras seções da rede fluvial. Além dessas estruturas artificiais, interrompe-se o regime fluvial natural, fundamental para a reprodução dos peixes. O efeito desta fragmentação fluvial é sentido, especialmente, em espécies que preferem migrar para o mar ou para as seções superiores dos rios para completar seu ciclo de vida, o que as colocou em grave perigo de sobrevivência.

http://www.worldfishmigrationday.com

O VAIVÉM OCEANÁRIO CHEGA A FAFE

Educação Ambiental em Movimento

É já este mês que o Vaivém Oceanário chega a Fafe. A partir de 24 de Abril, toda a população terá oportunidade de visitar, explorar e conhecer o maior ecossistema do nosso planeta, onde residem mais de 238 mil espécies marinhas. A iniciativa procura também alertar e envolver a comunidade para a problemática da poluição nos oceanos.

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O Vaivém Oceanário espalha pelo país a literacia do oceano para que todos compreendam a sua importância e a urgência de agir pela sua conservação. A conservação da natureza toca a todos, ninguém fica de fora. A organização garante que “é só receber o Vaivém e observar o que traz de novo para ajudar a adotar comportamentos mais responsáveis para com o planeta que habitamos.”

Na Praça 25 de Abril estará, nos dias 25, 28, 29 de Abril e 1 de Maio, uma camião gigante, que qualquer pessoa poderá visitar para ficar a conhecer um pouco mais deste mundo.

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Para a comunidade escolar, estão reservados, nos dias 24, 26, 27 e 30 de Abril, Workshops para alunos e professores sobre esta temática.

Esta é mais uma iniciativa direccionada para a comunidade escolar que vem reforçar o papel de Fafe como ‘Cidade Educadora’. Estou certo de que será uma mais valia para os alunos e uma experiência a não esquecer, não só do ponto de vista educativo, como também ambiental.”, revela Pompeu Martins, Vereador da Educação do Município de Fafe.

Márcia Barros, Vereadora do Ambiente da Câmara Municipal, vem destacar “a consciencialização ambiental promovida nesta iniciativa. O ‘Vaivém Oceanário’ vai permitir que os nossos jovens e toda a comunidade possam conhecer e ter um contacto mais próximo com a problemática da poluição nos oceanos, alertando-os mais uma vez para a necessidade crescente de adoptar comportamentos que protejam e salvaguardem a Natureza.”

Esta é uma iniciativa, de entrada livre, promovida pelo Oceanário de Lisboa, com o apoio da Fundação Oceano Azul e da Câmara Municipal de Fafe.

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AQUAMUSEU DO RIO MINHO FUNDEIA BÓIA DE MONITORIAZAÇÃO JUNTO À ILHA DOS AMORES

Porque é importante monitorizar em prol do conhecimento, o Aquamuseu do Rio Minho colocou uma boia no estuário do rio Minho, junto à ilha dos Amores, com o objetivo de registar parâmetros físico-químicos da água.

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Integrada no projeto MIGRA MIÑO-MINHO, a aquisição deste equipamento foi efetuada por um dos parceiros do projeto - Agência Portuguesa do Ambiente (APA), de forma a que, muito em breve, se possa receber dados em tempo real de uma secção do rio sobre a qual há pouca informação com estas caraterísticas.

Candidatado ao Interreg Espanha-Portugal, o projeto MIGRA MIÑO-MINHO tem como principal desafio melhorar a proteção e a gestão sustentável do espaço natural de fronteira que forma a sub-bacia internacional do rio Minho, desde a barragem de Frieira (província de Ourense) até a sua desembocadura, com atuações de melhoria do estado de conservação dos leitos fluviais e das espécies de peixes migradores presentes no rio Minho e nos seus afluentes.

TERRAS DE BOURO DEBATE OCEANOGRAFIA E AMBIENTE

Workshop sobre “A vida nos Oceanos, Rios, Ribeiros e Lagoas – Causas e Consequências da Poluição” em Terras de Bouro

O Centro Municipal de Valências de Terras de Bouro realizou, no dia 10 de maio, um workshop sobre a temática “A vida nos Oceanos, Rios, Ribeiros e Lagoas – Causas e Consequências da Poluição” .

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Este atividade, que se destinou aos 112 alunos do 1.º ciclo e dos Jardins de Infância de Rio Caldo, do Gerês e de Valdosende, teve por objetivo demonstrar aos alunos que a água é fundamental para a vida no planeta e que, por isso, manter uma boa qualidade da água (água potável) deve ser uma das principais preocupações da sociedade. O uso irracional e a poluição de rios, oceanos, mares e lagos, podem ocasionar, muito em breve, a falta de água potável, caso não ocorra uma mudança drástica na forma como o ser humano usa e trata este bem tão precioso.

Ainda durante a atividade as crianças foram sensibilizadas para os principais fatores de poluição dos rios, mares, lagos e oceanos, designadamente a poluição e contaminação por produtos químicos, esgotos, lixo, etc.

Por fim, explicou-se e frisou-se o facto de milhões de pessoas no mundo não terem acesso a água potável, ficando por isso, expostas a diversas epidemias e doenças como a diarreia, leptospirose, esquistossomose, hepatite e febre tifoide, que matam mais de 5 milhões de pessoas por ano.

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FALECEU O INSIGNE OCEANÓGRAFO MÁRIO RUIVO

O Prof. Doutor Mário Ruivo foi um insigne cientista dedicado ao estudo e defesa dos oceanos e ao lançamento das temáticas ambientais no nosso país. De seu nome completo Mário João de Oliveira Ruivo, nasceu em Campo Maior em 1927 e faleceu hoje em Lisboa.

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É longa a sua carreira nomeadamente como investigador científico. Na década de 1940, foi dirigente da Direcção Universitária de Lisboa, do MUD Juvenil, tendo sido preso em 1947 devido ao seu envolvimento político.

Em 1950, formou-se em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especializou-se em Oceanografia Biológica e gestão dos recursos vivos na Universidade Paris-Sorbonne.

Entre 1974 e 1979, dirigiu a Divisão de >Recursos Aquáticos e do Ambiente do Departamento de Pescas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros no V Governo Provisório e Secretário de Estado das Pescas nos II, III e IV governos provisórios. Entre 1975 e 1979, foi também Director-geral dos Recursos Aquáticos e do Ambiente do Ministério da Agricultura e Pescas.

Entre os numerosos cargos que exerceu, foi ainda Chefe da Delegação Portuguesa à Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1974-78); Ppresidente do Comité para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (1980-88), membro do Conselho Consultivo da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica - SFCT (1986-95) e presidente da Comissão de Avaliação e Controle Independente - Projecto COMBO, MEPAT (1996-97). Foi também coordenador da Comissão Mundial Independente para os Oceanos (1995-98) e membro da Comissão Estratégica dos Oceanos, bem como conselheiro científico da Expo’98. Foi também presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial do Ministério da Educação e Ciência, Presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e Presidente do Fórum Permanente para os Assuntos do Mar.

FOTÓGRAFO LUÍS QUINTA EXPÕE PORTUGAL SUBAQUÁTICO NO AQUAMUSEU DO RIO MINHO

O reconhecido fotógrafo português, Luís Quinta,apresenta, entre esta terça-feira e o 12 de junho, no Aquamuseu do rio Minho, uma exposição itinerante intitulada ‘Portugal Subaquático’. A mostra exibe uma pequena parte da beleza do mundo subaquático que compõe a biodiversidade associada ao vasto património natural de Portugal.

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Tendo como missãoa promoção e divulgação do património natural da bacia hidrográfica do rio Minho, o Aquamuseu, em colaboração com CMIA de Viana do Castelo, acolhe uma exposição de âmbito nacional que aborda uma riqueza subaquático à qual dificilmente temos acesso.

A objetiva de Luís Quinta tem captado alguns animais marinhos em águas portuguesas, cuja vida está diretamente relacionada com o fundo do mar (bentónicos), ou que vivem no seio de massas de água e dependem das suas propriedades físico-químicas e alimento nelas existentes (pelágicos). A mostra versa igualmente sobre um universo de organismos vegetais que permitem a existência desta diversidade animal marinha tão significativa.

Luís Quinta é um fotógrafo português de renome com diversos trabalhos publicados e que, em Novembro de 2004, foi homenageado pelo Governo Português pelo seu trabalho na área da fotografia subaquática, sendo designado um dos "Novos Heróis do Mar". Em 2009 integrou o “DreamTeam" de fotógrafos de natureza no maior projeto de fotografia sobre o mundo natural - WildWondersofEurope.

Esta exposição ‘Portugal Subaquático’ pretende ser mais um passo no gosto e respeito por espécies mais desconhecidas, o que levará a descobrir novas formas de preservar os seus habitas naturais. Estará patente no Aquamsueu do rio Minho, em Vila Nova de Cerveira, entre esta terça-feira e o dia 12 de junho, no período de funcionamento daquele equipamento.

MUNICÍPIO DE ESPOSENDE E UMINHO ESTABELECEM PARCERIA NA ÁREA DA INVESTIGAÇÃO E TECNOLOGIA MARINHAS

Equipamentos a criar ocuparão Estação Rádio Naval de Apúlia e Forte de S. João Baptista

A Câmara Municipal de Esposende e a Universidade do Minho formalizaram, hoje, um Protocolo de Cooperação, com vista à instalação, no concelho de Esposende, de duas unidades dedicadas à investigação e tecnologia marinhas. Trata-se do Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha (IMCTM), a instalar nos terrenos da antiga Estação Rádio Naval de Apúlia, e do Centro de Divulgação Científica de Atividades Marinhas (CDCAM), que ficará sediado no Forte de S. João Baptista.

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O Presidente da Câmara Municipal, Benjamim Pereira, considerou esta parceria “extremamente importante para o Município”, na medida em que possibilitará a reabilitação de dois imóveis que se encontram em estado de abandono e degradação, mas, sobretudo, porque possibilitará a implementação de dois projetos da maior relevância no campo das atividades marinhas.

Benjamim Pereira explicou que a intenção do Município sempre foi manter estes edifícios ao serviço público, razão pela qual só agora irá efetivar as negociações com a Administração Central, com vista à sua aquisição e/ou cedência, sendo certo que tem já em mãos uma proposta concreta. Referiu que o Município avaliou diversas possibilidades de parceria, nomeadamente propostas de privados, tendo optado por firmar cooperação com a Universidade do Minho, considerando ser “o parceiro ideal”.

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Sobre o Centro de Divulgação Científica de Atividades Marinhas, a instalar no Forte de S. João Baptista, o Autarca esclareceu que a intenção é agregar outros parceiros, como é o caso do Forum Esposendense, com quem o Município mantém colaboração noutros projetos, do Parque Natural do Litoral Norte e da Universidade do Porto.

O Autarca mostrou-se otimista e convicto de que a médio/longo prazo Esposende colherá os benefícios da implantação destas duas unidades dedicadas à investigação e tecnologia marinhas.

O Reitor da Universidade do Minho, António Cunha, saudou a parceria com o Município de Esposende, considerando “muito importante e muito gratificante”, tanto mais que se enquadra no Programa Europa 2020, e realçou a importância de ambos os projetos. Regozijou-se com a revitalização de um “edifício singular, localizado num sítio muito particular”, o Forte de S. João Baptista, para acolher o Centro de Divulgação Científica de Atividades Marinhas, equipamento que “terá um papel relevante na divulgação da ciência ligada ao mar e às questões científicas ligadas a Esposende, onde pontifica o valioso património da costa marítima”.

Sobre o Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha, que irá nascer na antiga Estação Rádio Naval de Apúlia, António Cunha considerou-o “um projeto ambicioso”, que exigirá concentração de esforços e o apoio do poder político e de vários parceiros. “Queremos trazer a este projeto vários parceiros internacionais”, afirmou.

Terminou a intervenção, manifestando “total empenho” da Universidade do Minho na parceria e agradeceu à Câmara Municipal a confiança depositada na instituição.

O Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha traduzir-se-á numa infraestrutura de investigação, desenvolvimento e inovação, que promoverá investigação básica e aplicada com um forte enfoque na criação, proteção e valorização de conhecimento em diversas áreas científicas que se enquadram no domínio da ciência e tecnologias marinhas. O IMCTM desenvolverá, assim, atividades ao nível da monitorização e erosão costeira, da biotecnologia marinha, da valorização de Recursos e Subprodutos de origem marinha e da utilização de recursos de origem marinha para aplicações biomédicas nomeadamente em engenharia de tecidos e medicina regenerativa, cosmética, nutracêutica e farmacêutica. No seu âmbito de atividade enquadra-se também a biologia, biodiversidade, genética e ecologia marinha, a exploração sustentável de recursos marinhos e proteção de recursos selvagens ameaçados ou em extinção, a segurança alimentar de alimentos de origem marinha e novas aplicações na indústria alimentar de materiais marinhos, os modelos animais de origem marinha para estudar compostos para aplicações biomédicas e farmacêuticas, a economia do mar e o direito do mar. Para a operacionalização deste Instituto, a Câmara Municipal cederá as antigas instalações da Estação Rádio Naval à Universidade do Minho por 30 anos.

O Centro de Divulgação Científica de Atividades Marinhas, cuja gestão será assumida pela Autarquia, com o apoio científico da Universidade, irá divulgar atividades de ciência e tecnologia marinha, atividades ligadas à arqueologia e história naval, atividades pesqueiras, entre outras.

Com a instalação do Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha e do Centro de Divulgação Científica de Atividades Marinhas pretende-se potenciar o empreendedorismo de base tecnológica e a ligação a empresas, nacionais e internacionais, criar um número substancial de empregos qualificados de base tecnológica, assim como criar sinergias e promover cooperações entre as instituições proponentes de modo a potenciar o uso das estratégias desenvolvidas em diversas aplicações. Estes projetos visam também impulsionar o desenvolvimento de uma nova geração de investigadores multidisciplinares e fortalecer a capacidade de atrair financiamento competitivo, a nível nacional e internacional, através de uma política de colaboração ativa interinstitucional envolvendo diferentes instituições de investigação e agências de financiamento. São ainda objetivos destes projetos fornecer formação avançada e cursos de pós-graduação voltados para as áreas da Ciência e Tecnologia Marinhas e de divulgação científica, reforçar o impacto das instituições supra citadas na sociedade, consolidando-as como um núcleo de apoio ao desenvolvimento de uma política nacional para a investigação científica, empreendedorismo de base tecnológica e emprego baseado no conhecimento, em diversas das áreas, estabelecer colaborações com outras entidades nacionais, nomeadamente com Instituto Hidrográfico de forma a potenciar a investigação na área da monitorização e erosão costeira, e, ainda, promover a divulgação científica nas áreas de atuação do Centro a instalar no Forte de S. João Baptista.

Através desta parceria, o Município e a Universidade do Minho comprometem-se a uma intensa colaboração para concretizar estes projetos, nomeadamente no planeamento, na obtenção de condições físicas e financeiras e na sua implementação. Deste modo, trabalharão em conjunto para obter com as entidades responsáveis, nomeadamente o Ministério da Defesa Nacional, os terrenos e imóveis, ou o direito à sua utilização por um alargado período de tempo, sendo que a Câmara Municipal assumirá os custos respetivos relativos à compra ou arrendamento.

É intenção concorrer ao Programa Portugal 2020 da Região Norte e/ou outros programas para financiar a instalação destas infraestruturas, bem como o respetivo mobiliário, equipamento científico e de divulgação. Caberá à Universidade do Minho procurar fontes de financiamento para suportar os salários e bolsas de investigadores que exercerão atividade no Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha, bem como todos os respetivos custos de funcionamento. A Universidade compromete-se, também, a instalar no Instituto Multidisciplinar de Ciência e Tecnologia Marinha a sede do Centro Multipolar de Valorização de Recursos Marinhos, que corresponde atualmente a uma rede de 16 Grupos de Investigação de 4 países diferentes.

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CENTRO DE ESTUDOS REGIONAIS DO ALTO MINHO PROMOVE CONFERÊNCIA SOBRE BIOLOGIA MARINHA

Pedro Gomes revela-nos “O que se esconde para lá da rebentação…”

No próximo dia 19 de Março, no Centro de Mar, às 17 horas, o biólogo Pedro Gomes apresenta a comunicação intitulada “O que se esconde para lá da rebentação…”, integrada no ciclo de estudos “Água – património, território e sociedade”, promovido pelo Centro de Estudos Regionais, no âmbito das atividades da sua Academia Sénior.

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Pedro Gomes é licenciado em Biologia pela Universidade do Porto e Doutorado em Ciências pela Universidade do Minho. Professor Auxiliar no Departamento de Biologia da Universidade do Minho e investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental, Pedro Gomes tem centrado a investigação em sistemas costeiros, nomeadamente sistemas dunares, estuário, praia rochosa e ambiente subtidal (zona permanentemente submersa de baixa profundidade ou near shore), com especial interesse quer no estudo da variabilidade dos padrões de colonização e dos processos populacionais das comunidades de invertebrados aquáticos e terrestres nesses ambientes costeiros, quer na dinâmica temporal e espacial dos sistemas costeiros.

A quinta conferência do ciclo de estudos “Água – património, território e sociedade” decorrerá no auditório do Centro de Mar - Centro de Interpretação Ambiental e de Documentação do Mar, instalado no Navio Gil Eannes. A entrada é livre.

REI D. CARLOS FOI ASSASSINADO HÁ 107 ANOS

 Passa hoje precisamente 107 anos sobre a data em que o rei D. Carlos foi assassinado no Terreiro do Paço.

Nascido em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de setembro de 1863, D. Carlos I foi o pioneiro da Oceanografia em Portugal. Ele é, pois, a agulha que norteia todos quantos se dedicam ao estudo e investigação na área das ciências do mar.

A História dos povos não é obra do acaso. Portugal, nação de marinheiros, quatro séculos decorridos das grandes navegações quinhentistas, regressa de novo ao mar, desta feita partindo à descoberta das profundezas do oceano. E, tal como no passado, jamais os portugueses poderiam ter outro timoneiro que não fosse o seu próprio Rei!

Desde 1889 até ao seu falecimento, D. Carlos I foi Rei de Portugal. Foi também diplomata, pintor, aguarelista e desportista. Mas é, sobretudo, como homem de ciência que emerge em toda a sua grandeza. A ele deve Portugal o grande contributo para o lançamento das bases da oceanografia portuguesa ao impulsionar de forma sistemática o estudo e investigação científica do mar.

O Rei D. Carlos I era um espírito atento e aberto às ideias do tempo e às realizações da ciência. Acolhia sempre com grande interesse as novidades do progresso, vendo nelas as vantagens que proporcionavam para o quotidiano. Com o aparecimento da luz elétrica, fez planos para a eletrificação da iluminação pública das ruas de Lisboa e procedeu à sua instalação no Palácio das Necessidades.

Como português, sentiu naturalmente o apelo do mar que se transformou numa verdadeira paixão. O seu interesse pela oceanografia herdou-o provavelmente de seu pai, o Rei D. Luís I que também foi um importante patrocinador de diversos projetos científicos nesta área. Porém, as profundas transformações sociais que então o país registava, deverão ter sido decisivas para a sua entrega empenhada à investigação do mar.

Mas, também como pintor, D. Carlos I encontra-se entre os maiores vultos do seu tempo no que se refere à pintura naturalista. Porém, não cultivou a arte pela arte. Antes a colocou ao serviço da ciência. As suas aguarelas representam objetos realistas num cenário natural, documentando o que via procurando retratar a natureza com a maior exatidão possível, descrevendo na tela as cores e a luminosidade. É isso que explica o fato dos seus diários e relatórios serem simultaneamente obras de arte repletas de aguarelas e despertarem idêntico interesse também entre os estudiosos e apreciadores de arte.

A partir da segunda metade do século XIX, Portugal recuperava de um certo atraso económico devido às guerras liberais e à Patuleia. Os governos de Fontes Pereira de Melo imprimiram ao país um período de grande desenvolvimento, industrialização e fomento de obras públicas. A população quase duplicou, passando a concentrar-se sobretudo nas grandes cidades. Havia, pois, que providenciar o acesso a novos recursos alimentares para uma população cada vez mais numerosa. E, uma vez mais, qual viveiro aparentemente inesgotável, o mar apresentava-se como o nosso desígnio.

Mas não era apenas o fomento das pescas que movia o Rei D. Carlos I. O conhecimento do mar podia fornecer respostas para inúmeras preocupações de ordem científica que então interessavam os investigadores. As questões relacionadas com a origem da vida e a evolução das espécies, a existência provável de vida e de fosseis vivos nas profundidades abissais, as relações entre os fosseis de animais invertebrados e a fauna então existente encontram-se entre as preocupações que então despertavam o interesse dos cientistas na Europa e nos Estados Unidos da América.

Havia ainda mais: o estudo do oceano poderia proporcionar um conhecimento mais exato da agitação marítima e outros aspetos relacionados com as condições do mar, de modo a possibilitar uma navegação mais segura e o salvamento de náufragos.

A visão do Rei D. Carlos I não podia ser mais acertada e atual. O mar não é somente um viveiro de recursos piscícolas como guarda ainda no seu ventre enormes riquezas, matérias-primas e fontes de energia que fazem falta aos países mais industrializados. Não admira, pois, que decorrido pouco mais de um século desde a realização das campanhas oceanográficas dirigidas por D. Carlos I, os portugueses se façam uma vez mais ao mar, desta feita para desvendar os segredos da Plataforma Continental e, das suas entranhas, resgatar as imensas riquezas que lá se escondem.

Durante milhares de anos, o mar era apenas encarado como um espaço onde se desenvolviam as rotas comerciais e um palco onde se travavam grandiosas batalhas navais com vista a proteger os navios mercantes e assegurar o seu domínio. Apesar do enorme avanço das ciências náuticas, sobretudo à época dos Descobrimentos Portugueses, o mar continuava a ser um completo desconhecido.

Carlos I patrocinou, organizou e dirigiu então a realização de campanhas oceanográficas, nas quais ele próprio participou. Desse trabalho de investigação procurou tirar o melhor partido do desenvolvimento técnico e científico que já então se verificava no domínio da oceanografia.

Ao iniciar a publicação dos resultados preliminares do seu primeiro cruzeiro, o Rei D. Carlos I deixou as seguintes e elucidativas palavras: «As numerosas investigações oceanographicas, que as nações estrangeiras têem realizado n’estes últimos annos, com tão profícuos resultados, a importancia que esta ordem de estudos tem para a industria da pesca, uma das principaes do nosso paiz, e a excepcional variedade de condições bathymetricas, que apresenta o mar que banha as nossas costas, sugeriram-nos no anno findo a idéa de explorar scientificamente o nosso mar, e o dar a conhecer, por meio de um estudo regular, não só a fauna do nosso plan’alto continental, mas também a dos abysmos, que, exemplo quasi unico na Europa, se encontram em certos pontos, a poucas milhas da costa.»

Entre 1896 e 1907, D. Carlos I reuniu à sua volta uma equipa de cientistas que estudaram a fauna marinha na costa portuguesa. Sob a sua sábia orientação, realizaram levantamentos hidrográficos que levaram ao reconhecimento de profundos vales submarinos próximo do Cabo Espichel. Efetuaram colheitas de plâncton. Realizaram ensaios com flutuadores para o estudo das correntes de superfície e procederam ao inventário metódico de aves e espécies piscícolas.

Os estudos efetuados abrangeram domínios tão diversos como a hidrografia e o estudo das correntes oceânicas, colheita de sedimentos e medição de temperaturas, a captura de espécies marinhas e ornitológicas. Analisaram-se as correntes e a topografia dos fundos oceânicos.

O objetivo principal era o conhecimento exaustivo da fauna marítima, especialmente aquela que apresentava maior valor económico para a pesca. Esperava-se também, por via do estudo das espécies, desenvolver métodos mais eficazes de captura do pescado.

Uma vez que não era viável instalar todos os aparelhos a bordo com vista ao tratamento das espécies recolhidas e de outras amostras, D. Carlos I criou em Cascais o Laboratório de Biologia Marítima, devidamente equipado com aquários e dotado de água corrente do mar, para apoio às suas pesquisas.

À medida que o trabalho se desenvolvia e os meios navais disponíveis se tornavam mais limitados, D. Carlos I promovia a substituição do próprio iate por outro que, possuindo maiores dimensões, dispusesse de capacidade para ser utilizado nas missões. Os investigadores puderam, desse modo, contar sucessivamente com a utilização de quatro navios aos quais foi sempre atribuído o nome da sua própria esposa, a Rainha D. Amélia de Orleães e Bragança.

Como sábio que era, o Rei D. Carlos I tinha a plena consciência da necessidade de dotar a investigação científica dos meios necessários ao seu desenvolvimento, sem os quais o país não poderia alcançar os resultados esperados.

Entre 1896 e 1907, realizaram-se 12 campanhas oceanográficas a bordo dos iates “Amélia”. Fizeram-se ensaios com flutuadores para o estudo das correntes de superfície. Efetuaram-se colheitas de plâncton. Inventariou-se a fauna e alguns dos biótipos mais característicos da Baía de Cascais, das zonas lodosas da costa, da foz do rio Tejo e dos vales submarinos do Cabo Espichel. Estudou-se os problemas relacionados com a pesca do atum no Algarve. Promoveu-se o inventário e a classificação das espécies que povoam os mares portugueses.

Em resultado das suas pesquisas, D. Carlos I reuniu uma coleção zoológica de incalculável valor histórico e científico que tem vindo a servir de base à realização de diversos estudos, nomeadamente sobre peixes e crustáceos. As suas mostras marcaram presença em muitos salões internacionais, com os exemplares mais curiosos e raros da nossa fauna marinha. De novo, os cientistas e marinheiros portugueses deslumbraram o mundo com as suas descobertas!

A sua coleção inclui também os instrumentos utilizados nas suas campanhas oceanográficas, numerosas aguarelas de sua autoria e vasta documentação e bibliografia relacionada com a atividade científica que empreendeu.

O Rei D. Carlos I guardava este precioso acervo no Palácio das Necessidades. Tencionava aí criar um Museu Oceanográfico cuja grandiosidade seguramente em nada ficaria a dever ao Museu Oceanográfico do Mónaco, criado pelo Príncipe Alberto I, com quem partilhou o interesse pela oceanografia.

Mas os tempos eram já conturbados e nem sempre as ambições políticas levam em consideração o interesse nacional. Nesses anos longínquos do início do século XX, enquanto o Rei D. Carlos I trabalhava com afinco para dotar o país de meios científicos que permitissem suprir as dificuldades, a situação política deteriorava-se. E, com ela, o país mergulhava numa grave crise económica.

Procurando retirar o país da situação em que se encontrava, o Rei acabaria por ser atingido no fogo cruzado do ódio e lutas partidárias. O regicídio veio interromper de forma abrupta a obra que D. Carlos I vinha realizando.

Após a sua morte, as coleções que o soberano reuniu ficaram à guarda da Liga Naval Portuguesa que, no Museu de Marinha, criou a Secção Oceanográfica D. Carlos I. Encontrava-se então instalado no Palácio do Calhariz, em Lisboa, pertencente aos Duques de Palmela.

Em 1929, foi extinta a Liga Naval Portuguesa e as coleções transitaram para o Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais. E, só em 1935, foram doadas ao Aquário Vasco da Gama-Estação de Biologia Marítima. Na mesma altura, foi também oferecida ao Aquário Vasco da Gama a Biblioteca Científica do Rei D. Carlos I.

Pelo caminho, muitos foram os exemplares e outras peças de elevado interesse que se perderam ou se degradaram. Deveu-se este atribulado percurso à instabilidade vivida em Portugal nas primeiras décadas do século XX. Apesar de tudo, chegou até aos nossos dias um legado de incalculável valor histórico e científico, estreitamente ligado ao nascimento da moderna oceanografia em Portugal.

Carlos I deixou-nos também obra publicada cujo mérito científico é unanimemente reconhecido. São exemplo:

“Yacht Amélia. Campanha oceanográfica de 1896”, publicado em 1897;

“Pescas marítimas, I - A pesca do atum no Algarve em 1898. Resultados das Investigações scientificas feitas a bordo do yacht “Amélia” e sob a direcção de D. Carlos de Bragança”, publicado em 1899;

Ichthyologia. II - Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as campanhas de 1896 a 1903. Resultados das Investigações scientificas feitas a bordo do yacht “Amélia” e sob a direcção de D. Carlos de Bragança, publicado em 1904.

Para além do seu exemplo pioneiro e dos estudos que nos legou, D. Carlos I deixou-nos ainda as ferramentas com que se prosseguiram os trabalhos de investigação por si iniciados. Foi a bordo do iate “Amélia”, entretanto rebatizado com o nome “5 de Outubro”, que a partir de 1913, foram retomados os cruzeiros oceanográficos com vista à realização de estudos no âmbito da cartografia e dos sedimentos. E, em 1923, sob a orientação técnica do Dr. Magalhães Ramalho, da Estação de Biologia Marítima de Lisboa, efetuou-se o reconhecimento geral e sistemático das condições oceanográficas ao largo da costa de Portugal.

Por fim, o Rei D. Carlos I legou-nos a perceção da pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade das ciências e técnicas do mar. E, acima de tudo, uma enorme paixão pelo mar!

A PESCA DA SARDINHA NA COSTA PORTUGUESA

No S. João, a sardinha pinga no pão” – diz o povo imbuído na sua sabedoria empírica. Com efeito, é por esta altura que a sardinha é mais gorda, devendo-se tal facto a circunstâncias de ordem climática e geofísica únicas na costa portuguesa que fazem desta espécie um exemplar único em toda a Península Ibérica.

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De origens remotas, a sardinha era tradicionalmente pescada por meio da arte xávega, método este que consistia numa forma de pesca por cerco. Deixando uma extremidade em terra, as redes são levadas a bordo de uma embarcação que as vai largando e, uma vez terminada esta tarefa, a outra extremidade é trazida para terra. Então, o saco é puxado a partir da praia, outrora recorrendo ao auxílio de juntas de bois, actualmente por meio de tracção do guincho ou de tractores. Entretanto, as modernas embarcações de arrasto vieram a ditar a morte da arte xávega e, simultaneamente, a ameaçar a sobrevivência das próprias espécies piscícolas, colocando em causa o rendimento familiar dos próprios pescadores.

A sardinha constitui um das suas principais fontes de rendimento, representando quase metade do peixe, calculado em peso, que passa nas lotas portuguesas. Matosinhos, Sesimbra e Peniche são os principais portos pesqueiros de sardinha em todo o país.

Quando, no início da Primavera, o vento sopra insistentemente de norte durante vários dias, os pescadores adivinham um verão farto na pesca da sardinha, do carapau, da cavala e outras espécies que são pescadas na costa portuguesa. A razão é simples e explica-se de forma científica: esta época do ano é caracterizada por um sistema de altas pressões sobre o oceano Atlântico, vulgo anticiclone dos Açores, o qual se reflecte na observância de elevadas temperaturas atmosféricas, humidade reduzida e céu limpo. Verifica-se então uma acentuada descida das massas de ar que resultam no aumento da pressão atmosférica junto à superfície e a origem de ventos anticiclónicos que circulam no sentido dos ponteiros do relógio em torno do centro de alta pressão, afastando os sistemas depressionários. Em virtude da situação geográfica de Portugal continental relativamente ao anticiclone, estes ventos adquirem uma orientação a partir de norte ou noroeste, habitualmente designado por “nortada”.

Sucede que, por acção do vento norte sobre a superfície do mar e ainda do efeito de rotação da Terra, as massas de água superficiais afastam-se para o largo, levando a que simultaneamente se registe um afloramento de águas de camadas mais profundas, mais frias e ricas em nutrientes que, graças à penetração dos raios solares, permite a realização da fotossíntese pelo fito plâncton que constitui a base da cadeia alimentar no meio marinho. Em resultado deste fenómeno, aumentam os cardumes de sardinha e outras espécies levando a um maior número de capturas. E, claro está, o peixe torna-se mais robusto e apetecível.

O mês de Junho, altura em que outrora se celebrava o solstício de Verão e agora se festejam os chamados"Santos Populares" – Santo António, São João e São Pedro – é, por assim dizer, a altura em que a sardinha é mais apreciada e faz as delícias do povo nas animações de rua. Estendida sobre um naco de pão, a sardinha adquire um paladar mais característico, genuinamente à maneira portuguesa.

Por esta altura, muitos são os estrangeiros que nos visitam e, entre eles, os ingleses que possuem a particularidade de a fazerem acompanhar com batata frita, causando frequente estranheza entre nós. Sucede que, o “fish and chips” ou seja, peixe frito com batatas fritas, actualmente bastante popular na Grã-bretanha, teve a sua origem na culinária portuguesa, tendo sido levado para a Inglaterra e a Holanda pelos judeus portugueses, dando mais tarde origem à tempura que constitui uma das especialidades gastronómicas mais afamadas do Japão.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com

Fotos: Luís Eiras / http://esposendealtruista.blogspot.pt/

PORTUGAL E GALIZA COOPERAM NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

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Carlos Gomes

In jornal “NOVO PANORAMA” nº. 69, de 17 de maio de 2012

O mar está a unir o que mais de oito séculos de História não foram capazes de o fazer – Portugal e a Galiza – em torno de um objectivo comum: o estudo e investigação das ciências do mar com o objectivo de promover o desenvolvimento de um observatório do oceano e de uma plataforma oceano-meteorológica na plataforma costeira na área compreendida entre o Norte de Portugal e a Galiza. Trata-se do Projecto “RAIA – Observatório Oceanográfico” que conta com a participação de diversas entidades de ambos os países, entre as quais figuram o Instituto Español de Oceanografía (IEO), o Centro Tecnológico del Mar (CETMAR), o Instituto Hidrográfico, INEGI, INESC Porto e o FEUP.

Este projecto é financiado pelo FEDER no âmbito do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP) para 2007-2013 e visa criar uma rede de monitorização e recolha de dados meteorológicos, oceanográficos e biológicos que permitirão o conhecimento do estado do mar em tempo real. Os seus resultados são do maior interesse a nível económico e de segurança da navegação, nomeadamente para os transportes marítimos, actividade piscatória, navegação turística e de recreio, áreas consideradas importantes na nossa região em virtude da sua situação geográfica.

Ao longo de toda a faixa costeira, têm vindo a ser fundeadas bóias oceânicas multi-paramétricas dotadas de sensores que permitem determinar a pressão atmosférica, temperatura, condições do vento e humidade relativa do ar, oxigénio dissolvido e clorofila à superfície do mar, bem assim a estrutura vertical da corrente e de agitação marítima fora da área de influência das massas de água continentais e dos pequenos fundos da plataforma continental.

A investigação do oceano e das condições meteorológicas na plataforma costeira do noroeste peninsular vem lançando as bases de uma maior aproximação entre o Minho e a Galiza também no domínio científico. Por outras palavras, trata-se de uma aposta que revela a existência de pontos de interesse comum que vão além das afinidades históricas e culturais que irmanam as duas regiões. Mais do que um passado e uma língua comum, Portugal e a Galiza têm um futuro a partilhar.

A integração do Minho e da Galiza deve passar pelo desenvolvimento das componentes científica, cultural, económica e social, respeitando embora as suas diferenças naturais. Contudo, ela jamais deve ser entendida como um processo de assimilação de qualquer das partes e, muito menos, de absorção de Portugal por parte de Espanha o que, a verificar-se, defraudaria as expectativas de uma Galiza livre e soberana.

A proximidade geográfica em relação à Galiza, a ligação ao mar e a sua localização no corredor que a liga a Porto e Lisboa colocam Viana do Castelo numa posição estratégica na implementação das mais diversas iniciativas que permitam influenciar a aproximação entre a Galiza e Portugal. E, tais iniciativas passam necessariamente pelo desenvolvimento da indústria, comércio, turismo e de projectos científicos ligados à investigação do mar como sucede com o Projecto “RAIA – Observatório Oceanográfico.

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