NAVIO-HOSPITAL GIL EANNES ABASTECENDO-SE EM 1956 NO CAIS DA SONAP EM PORTO BRANDÃO (ALMADA)

Fonte: Diário Popular nº. 4765 de 12 de Janeiro de 1956
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fonte: Diário Popular nº. 4765 de 12 de Janeiro de 1956



Passei por lá para observar nova exposição de fotografia, desta vez do José Pastor, que tal como a anterior do Egídio Santos, é uma exposição de visita aconselhada. Também esta tem, em boa parte, como tema central o mar: os estaleiros, o porto e a costa marítima. São imagens captadas e trabalhadas por alguém que tem um grande domínio da arte de fotografar, daí a grandeza do trabalho que se mostra, mercê dos pormenores e ângulos fotografados, jogos de luzes, em função das horas em que as imagens foram conseguidas, do realce que se dá às pequenas coisas, da grandeza dos planos e tantas outras combinações. Mas o livro do José Pastor recentemente apresentado diz bem do seu mérito.

A entrega ao Armador do Gil Eannes aconteceu a 20/03/1955. Provavelmente, esta imagem é do dia anterior. Limpava-se a doca nº 1 (151 x 18,5 metros), ordenavam-se e enfeitavam-se os espaços por onde as autoridades e o povo iria circular e colocava-se cordas nos toros que equilibravam o navio, para retirar estes na hora da flutuação. Seria a última tarefa a que obrigaria o Gil Eannes antes da sua saída.
Vista a exposição, eu e o Carlos Vieira, ambos tocados pelos navios, tivemos o grato prazer de sermos acompanhados em mais uma visita ao Gil Eannes pelo homem que se tem empenhado na sua recuperação. Nicolau Alves, prestavelmente, mostrou-nos o resultado do trabalho árduo desenvolvido, surpreendente para quem conheceu este Navio Hospital quando ele, em adiantado estado de degradação, entrou novamente nos ENVC para uma primeira solidária recuperação.
Com o objetivo de alertar na revista “Roda do Leme” para a lenta agonia do Gil Eannes, acompanhado pelo António Basto, tive a oportunidade de visitar o navio em setembro de 1996, quando o mesmo apodrecia no Cais de Alcântara. Pessoalmente, confesso que tinha poucas esperanças de que o apelo publicado resultasse em ação alguma com vista à sua recuperação. No entanto, mercê da iniciativa do nosso Município, presidido por Defensor Moura, Viana, com muitos entusiastas, onde também me integrei, fez regressar esta nobre embarcação ao local em que foi construída.
Hoje, ao visitar este “Hospital Marítimo”, não posso deixar de admirar quem tão bem o tem tratado, respeitando escrupulosamente as funcionalidades que tinha quando partiu para a Terra Nova. Não falta muito, talvez, cerca de 30% de todas as áreas, para que se apresente tal como era em 20 de março de 1955, quando deixou Viana. Para mais, enriquecido com pormenores da sua atividade hospitalar. Recuperadas brilhantemente, na parte de assistência hospitalar, lá estão a sala de operações, a enfermaria, os gabinetes de atendimento dos doentes, o Raio X, a farmácia, etc. Depois, os aposentos de todo o pessoal que dava vida a este “Anjo do Mar”, do comandante e pessoal médico ao capelão, passando pelas mais diversas especialidades, onde tudo foi resposto, para que tudo fosse como há meio século passado. Mas há muitas outras áreas recuperadas que se torna exaustivo citá-las. Referência obrigatória para a estação do TSF, uma obra de arte. Trabalha-se agora na recuperação da casa das máquinas, com boa parte já realizada, um mundo grandioso que encanta quem ama os navios. A tudo isto temos que juntar um sistema de proteção que foi montado, para que os visitantes tudo possam ver, mas em nada mexer, degradar ou roubar, como regularmente acontecia.
Ao felicitar Nicolau Alves por tão brilhante serviço prestado, este logo teve o cuidado de afirmar que com ele está mais gente, que são especialmente os colegas, que durante o dia não regateiam esforços para o êxito que está à vista de todos. Vale a pena visitar de novo o Gil Eannes. E quem nunca lá foi tem agora mais razões para o visitar.

Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa



























































NA CERIMÓNIA DE ENTREGA DO GIL EANNES, A BÊNÇÃO DA CAPELA FOI O PRIMEIRO ATO
No dia seguinte à cerimónia (20/03/1955 - domingo), dizia a imprensa: (…) Na cerimónia de ontem à tarde nos Estaleiros de Viana do Castelo, de nada valeu a ventania agreste, soprada violentamente do quadrante Sudoeste, e a chuva que em tremendas bátegas o acompanhou frequentes vezes. A fúria dos elementos quebrou-se, mais uma vez, contra a vontade férrea dos marinheiros indómitos.
A multidão manteve-se firme no seu posto, como se em cada homem, em cada mulher, em cada criança palpitasse o coração de um verdadeiro marinheiro português.
Os membros do Governo, o Sr. Arcebispo de Metilene e demais individualidades, depois de receberem os cumprimentos das autoridades, dirigiram-se para os estaleiros. Antes da bênção normal do navio, procedeu-se à bênção da capela no seu interior. Procedeu a este ato religioso o bispo de Metilene, D. Manuel Trindade Salgueiro, acompanhado pelo capelão do navio, Rev. Sá Rosa.
Seguiu-se a cerimónia mais importante, com a madrinha, esposa do Sr. Presidente da República, a lançar as garrafas de champanhe contra o casco do navio e a retirar a bandeira nacional que cobria o nome deste. Foi altura para mais uma girândola de foguetes e para ouvir a fanfarra da Marinha a tocar o hino nacional. Depois foi a debandada até às instalações da Sala do Risco, para que as cerimónias pudessem prosseguir, mas já abrigadas do temporal.
Nas instalações da Sala do Risco prosseguiram as cerimónias em clima festivo. Os ranchos folclóricos de Viana do castelo, da Póvoa de Varzim e Ovar fizeram-se exibir, arrancando largos aplausos das muitas centenas de pessoas presentes. Vibrante, a poetisa Manuela Couto Viana declamou a canção de Viana de Pedro Homem de Melo. Depois de um lanche bem servido, com o espumante a fervilhar nas taças, foi tempo de discursos (…).
(…) Iniciou a série o Sr. Jacques de Lacerda”. «Não se trata, somente, de comemorar a construção de mais dois navios, pois isso constitui Já um ato de rotina na vida deste estaleiro. A cerimónia de hoje é alguma coisa mais do que isso. O «Gil Eannes», que acaba de ser posto a flutuar, não sendo embora o maior navio até agora construído em Portugal, é todavia, de quantos se fizeram, o de construção mais complexa e delicada e que maior gama de dificuldades técnicas oferecia. Este navio, inteiramente concebido e executado por engenheiros, técnicos e operários portugueses, é a afirmação cabal do seu saber e competência, da perfeição do seu trabalho, dos recursos e possibilidades dos Estaleiros e representa, afinal, mais uma prova de que se podem confiar à nossa indústria de construção naval, os empreendimentos mais arrojados e do maior vulto. Esta a lição que a construção deste navio comporta e que o Governo e as altas personalidades interessadas nos destinos da Indústria quiseram solenemente assinalar».
O Sr. Presidente da Câmara afirmaria, por sua vez, “que os anais de Viana registavam a sua hora alta de festa com as cerimónias da flutuação do novo navio-apoio da nossa frota bacalhoeira (…).
Depois, o Gil Eannes rumou às terras do bacalhau, a 13 de maio de 1955, como já referido, transportando também uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que os pescadores portugueses fizeram questão de ofertar à comunidade católica de St John´s. Logo que o navio aportou, a cerimónia que se seguiu, rodeada do aparato próprio dos grandes eventos religiosos, foi vivida com desmedida emoção, como boa parte das imagens aqui plasmadas mostram.

Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico
O VELHO GIL EANNES
Embora de forma rudimentar, o apoio à frota portuguesa da pesca do bacalhau inicia-se em 1923. Com a missão de assistir os nossos barcos bacalhoeiros, nesse mesmo ano, desloca-se pela primeira vez aos mares da Terra Nova o navio cruzador Carvalho Araújo. Até esta data os pescadores portugueses tinham que se socorrer de navios de apoio a frotas de pesca de outros países, especialmente os navios que apoiavam os pescadores franceses. E nessas condições se mantiveram, porque o Carvalho Araújo ficou-se por esta viagem, para, depois de passar por navio-aviso, ser transformado em navio-hidrográfico e, a partir de 1940, operar no estudo dos oceanos nas províncias ultramarinas.
Depois de um longo período de 4 anos, em 1927, os nossos pescadores voltam a ter auxílio nos mares do bacalhau. O navio que lhes levou socorro, o primitivo Gil Eannes, alemão de origem e com o nome Lahneck, tinha sido aprisionado pelo governo português em 23 de Fevereiro de 1916, no auge da Primeira Guerra Mundial, tal como aconteceu com todas as embarcações de pavilhão germânico em águas portuguesas.
O velho Gil Eannes, antes de desempenhar a sua mais nobre missão nos mares da Terra Nova, armado em cruzador auxiliar, ainda fez várias viagens no transporte de tropas para os Açores e Macau. Para o objetivo com que terminou a sua atividade no apoio à frota da pesca do bacalhau, foi transformado na Holanda em navio-hospital. Contudo, ao longo de uma década, o seu desempenho nesta missão pautou-se pela intermitência. Com trabalho efetivo ao serviço dos bacalhoeiros e das suas tripulações esteve no período 1937/1954.
O ex-Lahneck, cansado e já insuficiente para as necessidades da nossa frota bacalhoeira, em contínuo crescimento, deu por finda a sua atividade em 1955, com a entrada em funções do novo Gil Eannes, uma embarcação soberba, concebida e construída especificamente para servir com grandeza todos aqueles que longinquamente, em duras condições, trabalhavam para trazer para os seus conterrâneos o “fiel amigo”, o tão desejado e apreciado bacalhau.
Alan John Villiers nasceu em Melbourne, na Austrália, em 1903. Foi oficial de Marinha e repórter de temas marítimos, tendo granjeado fama no National Geographic Magazine e em diversos jornais australianos e britânicos.
Fascinado pela vela transatlântica, realizou filmes documentais como a “Moby Dick” e “Billy Budd” e escreveu mais de uma dezena de crónicas de viagens marítimas. Editados na Grã-Bretanha e nos EUA, os seus livros conheceram traduções em diversas línguas.
Em 1951 deu a conhecer ao mundo a pesca do bacalhau por homens e navios portugueses. The Quest of The Schooner Argus, cuja tradução portuguesa – “A Odisseia do Argus” – publicada no mesmo ano constituiu uma das suas principais obras.
Resultado de uma encomenda das autoridades portuguesas, o livro narra uma campanha de pesca do lugre Argus nos tempos áureos da pesca à linha com dóris de um só homem.
Alan Villiers faleceu em Oxford em 1982.


Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico

Alan Villiers em 1929, a bordo do Grace Harwar (Foto: Wikipédia)





Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico





















Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico
O Navio Hospital
O Comandante Mário Esteves, falecido em 2015, assumiu a responsabilidade maior do Gil Eannes durante 16 anos, no período 1955/1971. Em entrevistas ou em escritos que fez, o Comandante Esteves narra com abundância de detalhe as grandezas deste hospital flutuante.
Em 1996, quando o Gil Eannes agoniava na doca do Espanhol, em Alcântara-Mar, o Comandante deu uma entrevista sentida ao Jornal de Notícias, louvando o impressionante desempenho do navio polivalente no apoio à nossa frota bacalhoeira. Segundo o mesmo, no plano da saúde, este proporcionava por época de pesca cerca de 1500 consultas e por campanha ficavam internados a bordo cerca de 400 doentes acidentados. Também por época, eram efetuadas cerca de sete dezenas de intervenções de grande cirurgia e faziam-se mais de duas centenas de extrações dentárias.
O Gil Eannes tinha muitas outras e nobres funções, mas foi no apoio à saúde dos nossos pescadores bacalhoeiros que ele mais se notabilizou, como é bem patente nesta sequência de imagens.

Fonte: ANTT

Fonte: ANTT

Fonte: ANTT








Fonte: Dua Pátrias – Revista Documentário Luso-Brasileira. Nº 2. 1955-1956
Nossa Senhora de Fátima
Quando se fez ao mar ruma às terras do bacalhau, a 12 de maio de 1955, o Gil Eannes, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que os pescadores portugueses fizeram questão de ofertar à comunidade católica de St John´s.
Logo que o navio aportou, a cerimónia que se seguiu, rodeada do aparato próprio dos grandes eventos religiosos, foi vivida com desmedida emoção. Ângelo Silva, um Senhor no conhecimento da pesca do Bacalhau, que foi enfermeiro no Gil Eannes, diz que a descrição não chega para retratar a comoção com que se viveu o acontecimento. Só estando lá.
Os pescadores, regra geral, são pessoas de fé profunda. A sua atividade profissional, com a vida permanentemente em perigo, muito contribui para tal. Na pesca do bacalhau, essa ligação à religiosidade, pelo que ainda hoje se ouve a antigos pescadores, era ainda mais enraizada. Não é por acaso que o Gil Eannes dispunha de todas as condições para o culto religioso.
O estado de êxtase que se devia ter vivido naquela cerimónia rodeada de sentimento de irmanação entre povos, que sendo diferentes viviam em grande proximidade, é por isso compreensível. Com esta cerimónia de componentes religiosa e profana estava feito o acolhimento ao “navio da esperança”, como muitos o apelidavam.


























Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico
O Gil Eannes 2
No dia 20 de março de 1955, um domingo chuvoso e de forte temporal, segundo noticia a imprensa da época, com a pompa própria dos grandes momentos, procedeu-se à solenidade que dava o navio como efetivamente concluído. Oriundas da capital, destacadas personalidades deslocaram-se aos ENVC.
Como era habitual em cerimónias do género, também os vianenses, especialmente os mais humildes, se enquadraram na festa com naturalidade, dada a rotina estabelecida com situações similares desde que os ENVC foram fundados. Com o Campo da Agonia profusamente engalanado com centenas de bandeiras e milhares de pessoas concentradas frente à entrada dos Estaleiros, quando o comboio especial chegou até próximo do portão principal ao longo da linha que atravessava o campo para servir a zona portuária, instalou-se o delírio. Eram os sinos das igrejas próximas que repicavam, dezenas de foguetes que subiam aos céus, coloridos ranchos folclóricos que desfilavam e abriam alas para personalidades passar, vivas e palmas que não se regateavam a quem de tão longe vinha, apesar da chuva tempestuosa que teimava em permanecer. Aí estava uma festa estrondosamente participada, emotiva, vibrante, mas muito molhada.
O Gil Eannes foi oficialmente entregue ao armador a 3 de maio de 1955, com ordem de partida para os mares da Terra Nova e da Gronelândia no dia 12 do mesmo mês. Entretanto, também o Presidente da República, General Craveiro Lopes, sentiu curiosidade e a obrigação de visitar o navio hospital, um prodígio da técnica, como então expressava a comunicação social. Depois de demorada visita a todas as dependências da embarcação, acompanhado pelos Ministros da Marinha, da Economia e das Corporações, pelo comandante Henrique Tenreiro e Jacques de Lacerda, administrador dos ENVC, o mais alto magistrado da nação deixou exarada no livro de visitas uma mensagem de felicitações ao construtor, traduzida nas seguintes palavras: felicito sinceramente os Estaleiros Navais pela magnífica obra produzida, construindo um navio que, pela sua função especial, já pela sua própria categoria, constituirá um título de orgulho e um motivo de propaganda do nosso país em todos os mares onde for visto ou em todos os portos onde chegar.





























Fonte: Biblioteca Central de Marinha / Arquivo Histórico
O Gil Eannes
Em 1927, depois de uma primeira experiência com o navio Carvalho Araújo, de apenas uma viagem, os nossos pescadores bacalhoeiros na Terra Nova e na Gronelândia voltam de novo a ter auxílio nos mares do bacalhau. O navio que lhes levou socorro, o primitivo Gil Eannes, alemão de origem e com o nome Lahneck, tinha sido aprisionado pelo governo português em 23 de Fevereiro de 1916, no auge da 1ª guerra mundial, tal como aconteceu com todas as embarcações de pavilhão germânico em águas portuguesas.
O velho Gil Eannes, antes de desempenhar a sua mais nobre missão nos naqueles mares longínquos, armado em cruzador auxiliar, ainda fez várias viagens no transporte de tropas para os Açores e Macau. Para o objetivo com que terminou a sua atividade no apoio à frota da pesca do bacalhau, foi transformado na Holanda em navio hospital. Contudo, ao longo de uma década, o seu desempenho nesta missão pautou-se pela intermitência. Com trabalho efetivo ao serviço dos bacalhoeiros e das suas tripulações esteve no período 1937/1954.
Depois, construído nos ENVC no período 1952/1955, entra em atividade o novo Gil Eannes. Um navio que desempenhou múltiplas funções, mas que se tornou referência no apoio hospitalar, não só aos pescadores portugueses, mas a várias frotas presentes nos mares daquelas terras. Não menos referência é hoje como navio museu na nossa cidade.

Foto: Casa Fotográfica Gercia Nunes / Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa
"SOS ARGUS" é um Grupo internacional que liga Portugal, Espanha, Holanda e Inglaterra, pois muitos ilustres cidadãos destes países, tem um objetivo comum - Salvar o ARGUS!

O lugre-motor ARGUS (1939-1974), agora com o nome de POLYNESIA, está a viver dias muito difíceis no cais dos bacalhoeiros, na Gafanha da Nazaré em Ílhavo. É preciso muito dinheiro mas acima de tudo muita força de vontade para o recuperar e trazer de novo o glorioso e icónico ARGUS, um dos navios mais ilustres e bonitos da frota bacalhoeira portuguesa.
Seremos sempre poucos para alcançar esse objetivo, mas começar é já um bom princípio!
Tragam amigos e vamos fazer muito "ruído" saudável à volta deste navio emblemático!...
Para saber mais, aceder à página https://www.facebook.com/groups/2533909086847531/about/
