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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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AS CELEBRAÇÕES DO 1 DE DEZEMBRO DURANTE A I REPÚBLICA E NO ESTADO NOVO

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Uma semana após a implantação da República em Portugal, mais precisamente em 12 de Outubro de 1910, instituiu o Governo Provisório os feriados do novo regime, contando-se entre eles o dia 1 de Dezembro então identificado como o dia da “Autonomia da Pátria Portuguesa”. Em 30 de Junho de 1911, a 11ª Sessão da Assembleia nacional Constituinte aprovou o Projecto de lei do governo que instituiu os novos feriados, nos seguintes termos:

“Tendo o Governo Provisório da Republica Portuguesa decretado a abolição da consagração official dos dias santificados e estabelecido como feriados, por merecerem a homenagem nacional, os dias 1 e 31 de Janeiro, 5 de Outubro e 1 e 25 de Dezembro, e tendo ainda concedido às câmaras municipaes do país o direito de, a dentro das respectivas municipalidades, estabelecerem um dia feriado á sua escolha, devendo portanto ser considerados extraordinarios todos aquelles que, alem dos já citados, venham a estabelecer-se, a Assembleia Nacional Constituinte dispõe e estatue o seguinte:

Artigo 1.° São só considerados feriados officiaes, para os effeitos do abandono de trabalho durante vinte e quatro horas pelos operarios adventicios do Estado ou dos municipios, os dias já decretados pelo Governo da Republica Portuguesa, e os que tenham sido ou venham a ser estabelecidos pelas differentes municipalidades, isto é, um por município conforme foi decretado.

Art. 2.° Quando porventura se reconheça a necessidade de estabelecer novos feriados, aos operarios a que se refere o artigo anterior ser-lhes-ha facultativo o poderem trabalhar.

§ unico. Quando por qualquer motivo extraordinario não se possa manter a concessão expressa no artigo anterior, os operarios a que se refere o artigo 1.receberão sempre os respectivos vencimentos.”

O regime republicano estabeleceu de imediato uma nova liturgia condizente com o seu próprio ideário, incluindo nela as celebrações de carácter patriótico e de evocação dos feitos republicanos, edificando a partir desse sincretismo uma nova religião cívica que contemplava outros ritos e símbolos como o busto da República, o hino, a divisa “saúde e fraternidade”, o panteão nacional e a Festa da Árvore.

As agremiações culturais e recreativas a que hoje vulgarmente designamos por colectividades de cultura e recreio constituíram um meio privilegiado de intervenção política dos republicanos, de veicularem as suas ideias e, através delas, implantarem a sua organização. Essas entidades foram, em grande medida, a face visível da organização do Partido Republicano, da Carbonária e da própria Maçonaria, não admirando aliás as semelhanças existentes nas suas próprias normas estatutárias. Desse modo, também as celebrações do dia 1 de Dezembro tiveram por base organizativa essas entidades que, um pouco por todo o país, multiplicavam as iniciativas comemorativas com a realização de concertos musicais e festividades populares.

Um pouco por toda a parte mas sobretudo naquelas regiões onde a influência do Partido republicano mais se fazia sentir, surgiram inúmeras associações e bandas filarmónicas, sociedades de instrução e recreio e centros escolares republicanos cuja denominação aludia ao dia 1 de Dezembro. Ainda actualmente é possível encontrar muitas dessas colectividades principalmente nos arredores de Lisboa e nos concelhos da margem sul do rio Tejo.

À medida que a situação política do país se agrava e o regime entra em decadência também as celebrações do 1 de Dezembro vão perdendo o seu fulgor inicial, apenas prosseguindo pela força do hábito criado em tais agremiações e como forma de manter a sua dinâmica cultural, nalguns casos, porém, providas de grande significado local como sucede em Santo Aleixo da Restauração.

Com o advento do Estado Novo na sequência da ditadura militar de 1926, também o Estado Novo criou os seus ritos comemorativos e passou a evocar os lugares de memória que procurava evocar. À altura em que o Estado Novo se estabeleceu, estavam em voga na Europa as ideias fascistas que irradiavam sobretudo de Itália e que encontravam em Portugal numerosos adeptos sobretudo no Nacional-Sindicalismo de Rolão Preto, o qual fazia então grandiosas demonstrações com os seus “camisas azuis”. Avesso a manifestações tão ostensivas e procurando um apaziguamento social a todo o custo, o Prof. Oliveira Salazar baniu o Nacional-Sindicalismo levando ao exílio dos seus principais dirigentes, ao mesmo tempo que criava a Associação Escolar Vanguarda (AEV), antecessora da Mocidade Portuguesa, para esvaziar politicamente os “camisas azuis” do Nacional-Sindicalismo.

A partir de então, foi essencialmente à Mocidade Portuguesa que foi atribuída a responsabilidade pela organização das celebrações do dia 1 de Dezembro, centradas na Praça dos Restauradores e junto ao antigo Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa, com a realização de grandiosas paradas e desfiles. De resto, a própria Mocidade Portuguesa instalou o seu quartel no referido palácio, vulgarmente conhecido por “Palácio da Independência”, tendo-se ali mantido até à altura do 25 de Abril de 1974. De referir que, possuindo as suas estruturas uma implantação em todos os estabelecimentos de ensino nos quais os alunos eram obrigados a participar nas suas actividades, as celebrações do dia 1 de Dezembro representavam um ritual a contribuir para a formação patriótica da juventude.

Durante o governo do Prof. Marcello Caetano, curiosamente um antigo Comandante da Mocidade Portuguesa, aquelas paradas deixaram de se realizar e a actividade da organização foi decrescendo.

Entre a I República e o Estado Novo alteraram-se substancialmente os ritos comemorativos na medida das diferenças ideológicas que os distinguiam. De igual modo, enquanto a I República privilegiou a participação popular baseada nas instituições que controlava, o Estado Novo conferiu-lhe uma nova estética mais guerreira assente na Mocidade Portuguesa, na Milícia e outras organizações paramilitares que faziam parte do regime. Porém, é durante o Estado Novo que os lugares de memória relacionados com a efeméride adquirem uma maior expressão, da mesma forma que o regime se preocupa com a recuperação dos monumentos nacionais, procedendo ao restauro de castelos e igrejas um pouco por todo o país.

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL FOI HÁ 379 ANOS!

Portugal e a Catalunha estão unidas por laços históricos!

Passam 379 anos desde a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio dos reis de Espanha. Um punhado de portugueses tomou de assalto o Paço da Ribeira, aprisionaram a Duquesa de Mântua e defenestraram o traidor Miguel de Vasconcelos. Estava proclamada a restauração da independência.

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Seguiu-se a aclamação de D. João IV, Duque de Bragança, como rei de Portugal e dava-se início a uma sucessão de batalhas militares que duraram 28 anos, com vista a consolidar a independência, as quais culminaram com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. Este tratado, celebrado entre Afonso VI, de Portugal e Carlos II, de Espanha, pôs fim à Guerra da Restauração, dando lugar nomeadamente à devolução de Olivença que esteve durante 11 anos sob ocupação espanhola. Apenas a praça de Ceuta ficou na posse de Espanha.

Para o sucesso do golpe palaciano contribuíram diversos fatores internos como o descontentamento dos nobres que haviam perdido os seus privilégios e eram preteridos relativamente à nobreza castelhana; a burguesia que via o seu negócio prejudicado pela concorrência dos comerciantes ingleses, holandeses e franceses e também os constantes ataques aos navios que transportavam os seus produtos e, finalmente, o povo sobre quem recaíam cada vez mais pesados impostos.

Mas, puderam os conjurados de 1640 também contar com diversos fatores externos que se revelaram favoráveis, de entre os quais se salienta a revolta que eclodira na Catalunha em 7 de junho daquele ano, contra o centralismo imposto pelo Conde-Duque de Olivares e a presença de tropas castelhanas em território catalão. Tratou-se da “Guerra dos Segadores”, assim denominada por ter tido origem imediata na morte de um ceifeiro, a qual teve lugar entre 1640 e 1652.

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Os catalães proclamam a República Catalã em 26 de janeiro de 1641. Porém, o falecimento do seu principal chefe Pau Claris, leva a um desenvolvimento do conflito do qual resulta na incorporação de parte da Catalunha no território da França.

Tanto a revolta da Catalunha como a Restauração da Independência de Portugal contaram com o apoio do Cardeal Richelieu, o que aliás explica a defenestração – termo originado de fenêtre – de Miguel de Vasconcelos, prática muito em voga à época em todas as revoltas que ocorreram noutros países europeus. Deste modo, conseguia a França alargar as suas fronteiras políticas, fazendo-as coincidir com acidentes naturais como os Pirinéus a ocidente, o rio Reno e os Alpes a oriente, de maneira a melhor defender-se do poderio da Casa de Áustria de onde descendiam os reis de Espanha cujos domínios, no continente europeu, incluía Portugal, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Ilhas Canárias, Maiorca, Rossilhão, Franco-Condado, para além dos reinos de Castela, Leão, Valência, Aragão e a Catalunha propriamente dita.

Com o casamento em 1469, do rei Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, a Catalunha vinha perdendo as suas liberdades enquanto nação soberana e jogava agora a sua oportunidade de recuperar a independência política.

Dando prioridade ao esmagamento da revolta catalã, o rei Filipe IV, de Espanha, ordena ao Duque de Bragança e a muitos nobres portugueses que o acompanhem na repressão à Catalunha, tendo-se a maior parte deles recusado a obedecer.

Enquanto a Catalunha sucumbiu perante o poderio castelhano, Portugal conseguiu sair vitorioso da guerra travada contra a Espanha que durou 28 anos e veio a confirmar a nossa independência como nação soberana, em grande medida graças à revolta catalã. Por conseguinte, possuem os portugueses uma dívida histórica aos catalães na medida em que a sua sublevação foi bem-sucedida em grande medida devido à revolta dos segadores da Catalunha.

É a privação da liberdade nacional que nos leva a atribuir-lhe maior valor, parecendo por vezes que a desprezamos sempre que a damos como garantida!

Decorridos que são 375 anos sobre tais acontecimentos históricos, eis que a Catalunha volta a aspirar à sua própria independência política. Em coerência, não podemos nós, portugueses, deixarmos de reconhecer à Catalunha e ao povo catalão o direito à liberdade que em 1 de dezembro de 1640 lográmos alcançar. Portugal e a Catalunha estão unidas por laços históricos!

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PORTUGAL É PÁTRIA DOS GALEGOS

"O galego na diáspora é solidário, na Galiza é um malandro"

É um namoro antigo, o dos galegos com Lisboa. Hoje, a Xuventude da Galicia, o porto seguro desta gente migrante, luta pela sobrevivência. Fomos ouvir galegos e descendentes de galegos que fizeram de Lisboa a sua cidade.

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José, Amâncio, Alfonso e Manolo, quatro amigos galegos na baixa de Lisboa. © Gerardo Santos/Global Imagens

 

"Fui gerado em Lisboa, mas os meus pais, como bons galegos, foram-me desovar lá. Subi o rio Minho como a lampreia e fui nascer quase em frente a Monção, numa aldeola que é As Neves. E depois vim para cá, há 65 anos e... nove meses." José António Castro, sentado à mesa no final de um almoço bem regado, com três amigos de raízes comuns: Amâncio Dominguez, Alfonso Mateo e Manolo Bello. Estão todos na casa dos 60 e a vida corre-lhes bem. O almoço-algazarra, em que contam as novidades e recordam as cumplicidades, é um privilégio de quem pode andar mais devagar.

José Castro é proprietário da Funerária Gil, a mais antiga do país, fundada em 1873. Fez toda a vida em Lisboa, nos bairros de Alfama e do Castelo e, ao contrário dos amigos, andou na escola portuguesa onde... "era o espanhol". Não tinha sotaque e só o Suaréz do nome denunciava a viagem à Galiza que os pais fizeram a poucos dias do seu nascimento. "Galego sempre me senti, lisboeta também. Nunca me senti estrangeiro aqui." Trabalhou 25 anos, em contabilidade até à morte da avó, que era quem geria a funerária. Depois tomou conta do negócio. "Tinha a experiência de toda a vida ali na agência, sabia como aquilo funcionava. É como a série da televisão." Ri-se. Os amigos não perdem a oportunidade para voltar à velha brincadeira. Dizem que a Gil fez o funeral de todos os galegos de Lisboa, e José Castro não diz que não: "Os galegos procuravam a agência, claro, era a única que havia. Agora há a Servilusa." O filho anda pela agência, mas José não tem a certeza de que este seja o caminho dele. "Se ele não quiser fecha-se a porta, e pronto."

Do almoço restam os copos quase vazios, chegam os cafés e os digestivos. Parecem estar em casa. E pelo menos um deles é como se estivesse. Amâncio Dominguez é o sócio do Hotel Santa Justa, na Baixa de Lisboa, onde se reúnem todos. Começou por trabalhar numa carvoaria e na tasca do pai no Cais do Sodré. Veio com 7 anos, em 1960, para Lisboa. "Vivia no Cais do Sodré, a família tinha ali as tascas todas e as carvoarias. Agora já está tudo alterado, morreram uns, outros reformaram-se. Os filhos já cá nasceram, estudaram e já têm outra atividade." Por isso, a tradicional ligação dos galegos à restauração está-se a perder. "Já não vêm os galegos com vontade de trabalhar que vinham antes, antigamente vinham por necessidade e agarravam-se aos negócios que ninguém queria. Até vendiam água!", diz Amâncio. "Hoje, por exemplo, temos aqui a diretora [do hotel] que é galega, é gente que vem mais preparada e agarra outras profissões.

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Paula Ferro, diretora do hotel Santa Justa: o filho nasceu em Lisboa e é por cá que ela quer ficar. © António Pedro Santos/Global Imagens

 

Paula Ferro acede e junta-se à conversa. Veio de Padrón, a terra dos famosos pimentos, há quatro anos. Formara-se no Centro Superior de Hotelaria da Galiza e calhou saber que o hotel de Amâncio precisava de uma diretora. O marido já cá estava e Paula veio também. Tem 34 anos e o primeiro filho, de 9 meses, nasceu em Lisboa. "Nós não temos cá família, não temos pais, não temos primos. Tenho saudades da família, mas nunca me senti fora de casa como podemos sentir-nos, se calhar, noutras cidades de Espanha, que são mais fechadas. O português e as pessoas de Lisboa são muito acolhedoras."

Paula é o que Álvaro Moreira Muiños chama de "galegos de pouca duração". O presidente da Xuventude da Galicia - Centro Galego de Lisboa considera que "a Galiza teve três momentos de emigração: entre o século XVII e princípios do XX, que eram galegos com profissões nómadas que vinham porque lá não tinham meios de subsistência. Depois houve a emigração do tempo da guerra [civil] e hoje há a emigração em comissão, por exemplo, os funcionários do El Corte Inglés, dos bancos ou das empresas. São galegos de pouca duração".

Muiños lembra "os galegos iniciais que inundaram isto tudo de tascas e restaurantes". E os amoladores, que vinham de Ourense. Como o pai do senhor Garcia, que está a amolar uma faca de pastelaria enquanto no rádio toca o Purple Rain. Não chovia naquela manhã, ou o número 173C da Av. Almirante Reis seria um corrupio de gente com emergências relacionadas com chapéus de chuva, que também ali se reparam. O pai de António Garcia abriu a Casa Garcia em 1943, quando o negócio do carrinho de madeira do amolador com que calcorreava a cidade permitiu. Foi o sustento da família, até agora. "É uma coisa que não dá para enriquecer. Para trabalhar e viver desafogadamente tudo bem, agora para enriquecer não dá. Continuei aqui porque comecei a gostar disto e a coisa correu bem. Para quem não gosta é difícil." O caso do seu filho. Não se adaptou. Quando António, de 72 anos, parar de dar uso à roda de esmeril, a Casa Garcia fecha.

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Aula de gaita de foles de Paulo Marinho no Centro Galego de Lisboa. © António Pedro Santos/Global Imagens

 

Tal como os amigos à mesa de almoço, também os Garcia eram habitués na Xuventude da Galicia. Atualmente, a associação habita um palacete cor-de-rosa ao lado do Jardim do Torel. Na juventude destes galegos era na Rua da Madalena que se faziam as "comezainas" e as atividades. "Comemorávamos tudo", diz Muiños, as festas portuguesas, as espanholas e as galegas. Agora a Xuventude da Galicia tem três a quatro atividades por mês e 560 sócios, dos quais 370 são efetivos (têm alguma ligação familiar à Galiza) e os restantes são simpatizantes (sem ligação à Galiza são, na maioria, os alunos das atividades). Pagam uma quota de cinco euros por mês. "Não dá para nada", desabafa o presidente. Em 1988 receberam o palacete de um outro galego com jeito para o negócio, Manuel Cordo Boullosa. Começou como aguadeiro e carvoeiro e acabou dono de uma petrolífera, a Sonap. Doou a casa para a associação promover o intercâmbio entre a cultura galega e a cultura portuguesa. "Foi assim que nasceu este palacete e temos de o aguentar com dificuldade. É nosso enquanto a Xuventude da Galicia cumprir os estatutos", diz Muiños.

Nos últimos anos, a associação - declarada de utilidade pública em 1980 - perdeu vida. Os anos 1990, em que tinha 900 sócios, já lá vão. "O decréscimo deve-se às pessoas que se reformaram e regressaram à Galiza, outros morreram, os herdeiros que vinham cá e deixaram de vir." A vida agora é diferente, mudaram as comunicações, se antes demoravam 12 horas a chegar à Galiza, agora vão lá de fim de semana e já não se procuram tanto uns aos outros. Apesar disso, o Muiños não acredita que a instituição esteja em risco, até porque tem muitas atividades dirigidas à população. Mostra-nos a aula de guitarra, depois a de gaita-de-foles, mais tarde a de sevilhanas.

Na Baixa, os quatro galegos vão contando histórias que, irremediavelmente, passam pelo centro galego. "É a grande mútua mundial", onde há sempre apoio para quando é preciso. É Manolo Bello quem traz o tema da solidariedade para a conversa. O jornalista e produtor acabava de chegar ao fim da sua atribulada história de vida, resumindo esta condição de não ser estrangeiro na cidade que escolheu para viver. A face mais visível da sua carreira aconteceu na SIC, como produtor. Agora está reformado. Demorou dois anos a perceber que é dono do seu tempo e que não vai continuar a acordar com os números das audiências. Dizia ele: "O galego na diáspora é solidário, o galego na Galiza é um malandro, há muita inveja, muita trica, são uns bufos. Na diáspora são amigos." Alfonso Mateo não descansa enquanto não conta a sua história. "Um dia estávamos aqui a almoçar e roubaram-me um saco de bacalhau. Foi num dia de Santo António, tinha comprado para levar de prenda. Quando me apercebi, este levantou-se, não disse nada a ninguém, foi comprar e dividiram entre todos." Aponta para Amâncio, caladinho do outro lado da mesa. E dias depois, diz José, ele [Alfonso] apareceu-nos com um cabrito para cada um e até trouxe bacalhau. E assim continua a acontecer. "Esta é a essência do galego fora da Galiza", diz, orgulhoso, Alfonso.

Fonte: https://www.dn.pt/

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BANDA MUSICAL DE OLIVEIRA (BARCELOS) REPRESENTA O MINHO EM LISBOA NO DESFILE DE BANDAS FILARMÓNICAS NAS COMEMORAÇÕES DO 1º DE DEZEMBRO DE 1640

O Movimento 1º de Dezembro lançou a ideia deste grandioso Desfile e mobilizou por todo o país, com o apoio dos seus delegados e da Confederação Musical Portuguesa, diferentes bandas e municípios.

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É possível realizá-lo graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e à capacidade de organização da EGEAC.

A iniciativa conta também com o endosso da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que o incluiu no Programa Oficial das Comemorações do 1º de Dezembro, e com a colaboração da CMP – Confederação Musical Portuguesa. Agradecemos também o apoio facultado pelo "Recheio" e pelo "Amanhecer", assim como a cobertura e transmissão pela RTP.

O Desfile Nacional de Bandas Filarmónicas "1º de Dezembro" foi um êxito em 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018. Será êxito maior em 2019.

14h30 - Concentração junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade (ao Cinema S. Jorge)

15h00 - Início do Desfile

16h30 - Concentração final, na Praça dos Restauradores, e Apoteose Final com interpretação conjunta por 2.000 músicos dos três hinos: Hino da Maria da Fonte, Hino da Restauração e Hino Nacional.

17h00 - Fecho e desmobilização das bandas

Nesta 8ª edição, desfilarão as seguintes bandas e grupos, aqui ordenados por géneros e por ordem alfabética dos distritos e concelhos respectivos:

GRUPOS DE PERCUSSÃO:

  • Grupo de Bombos de Atei (Mondim de Basto)

BANDA NACIONAL:

  • Banda Sinfónica do Exército

BANDAS FILARMÓNICAS:

  • La Filarmónica de Olivenza (Olivença)
  • Banda Nova de Fermentelos (Águeda)
  • Banda Musical de Oliveira (Barcelos)
  • Banda da Sociedade Filarmónica União Mourense "Os Amarelos" (Moura)
  • Banda Filarmónica de Odemira (Odemira)
  • Banda Filarmónica de Carviçais (Torre de Moncorvo)
  • Banda Filarmónica de Felgar (Torre de Moncorvo)
  • Sociedade Filarmónica de Louriçal do Campo (Castelo Branco)
  • Orfeão de Castelo Branco (Castelo Branco)
  • Banda Filarmónica da União de Aldeia de João Pires (Sociedade Recreativa e Musical) - com o Grupo de Cantares de Pedrógão de São Pedro (Adufes) (Penamacor)
  • Sociedade Filarmónica de Educação e Beneficência Fratelense (Vila Velha de Ródão)
  • Associação Filarmónica Progresso Pátria Nova de Coja (Arganil - Coja)
  • Associação Filarmónica União Verridense (Montemor-o-Velho)
  • Sociedade Filarmónica Sangianense (Oliveira do Hospital)
  • Banda Filarmónica da Casa do Povo de Penacova (Penacova)
  • Sociedade Filarmónica Penelense (Penela)
  • Sociedade Filarmónica Municipal Redondense (Redondo)
  • Banda Filarmónica União Montoitense (Redondo)
  • SUA - Sociedade União Alcaçovense (Viana do Alentejo)
  • Banda Torroselense Estrela D'Alva (Seia)
  • Sociedade Filarmónica Alvaiazerense de Santa Cecília (Alvaiázere)
  • Banda Comércio e Indústria (Caldas da Rainha)
  • Banda da Escola de Música da Juventude de Mafra (Mafra)
  • Sociedade Filarmónica Galveense (Ponte de Sôr)
  • Banda Musical Leverense (Gaia)
  • Sociedade da Banda Republicana Marcial Nabantina (Tomar)
  • Sociedade Velha Filarmónica Riachense (Torres Novas - Riachos)
  • Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo (Palmela)
  • Banda Musical Rerizense (Castro Daire)
  • Associação Filarmónica, Cultural, Recreativa e Humanitária de Nagoselo do Douro (S. João da Pesqueira)
  • Banda de Música de Sendim (Tabuaço)
  • Sociedade Filarmónica Tondelense (Tondela)
  • Banda Municipal de Santana (Madeira - Santana)
  • SFUCO – Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense (Lisboa)

Será um total de 36 entidades, integrando 1 grupo de percussão, 1 grupo coral, 1 banda nacional militar e 33 bandas filarmónicas civis.

Cerca de 2.000 músicos, provenientes dos mais diversos pontos do país, irão descer a Avenida da Liberdade para celebrar Portugal, a Independência nacional e a Restauração, através de uma merecida homenagem a esta prática musical e à importante acção formativa e cívica das bandas filarmónicas.

Tendo como ponto de partida o monumento aos Mortos da Grande Guerra, o desfile descerá até à Praça dos Restauradores, para uma interpretação conjunta final das Bandas participantes, sob a direcção do Maestro Major Alexandre Coelho, da Banda Sinfónica do Exército.

Ao longo do desfile, serão interpretadas várias marchas.

A apoteose final, com os músicos de todas as bandas formados em parada junto ao Monumento aos Restauradores, consiste na interpretação sequencial, como se de uma só orquestra se tratasse, dos Hino da Maria da Fonte, Hino da Restauração e Hino Nacional.

A Banda Musical de Oliveira foi fundada em 1782 por António Gomes Ferraz, por ocasião dos festejos organizados para celebrar a conclusão das obras da reconstrução da Igreja Paroquial de Oliveira.

Nesse tempo, era pároco da freguesia o padre João Machado da Silva Ribeiro, que promoveu a apresentação da Banda de Música. Após a sua fundação, a Banda Musical de Oliveira esteve sempre em actividade, embora só a 15 de Novembro de 1965 tenham sido elaborado os seus estatutos, que a definem como uma a associação cultural, musical, artística e recreativa, inscrita nas Federações de Música e nos organismos oficiais da cultura.

Em Janeiro de 1982, comemorou-se o Bicentenário da Banda Musical de Oliveira, sob a regência de Cândido Alberto Capela Bastos, com um vasto programa que incluiu inúmeras actuações que encerraram com uma homenagem ao Fundador. É desde esse ano sócio honorário dos Bombeiros Voluntários de Barcelinhos. Em 1983, é-lhe atribuída pela Liga dos Bombeiros Portugueses a Medalha de Ouro – Serviços distintos.

Em 1995, por altura das comemorações do Dia Mundial da Música, em Barcelos, a Banda Musical de Oliveira foi condecorada com a Medalha de Mérito Cultural pelo Governo Português. Em 2007 comemorou 225 anos ao serviço da Musica.

Actualmente, a Banda Musical de Oliveira é regida por Hugo Ribeiro e tem em funcionamento uma Escola de Música, com actividades diárias, onde presta serviço no campo do ensino da música, a cerca de 60 jovens, de ambos os sexos e de todas as idades.

GALIZA NON TEN REI: NACIONALISTAS GALEGOS PROTESTAM CONTRA A PRESENÇA DO MONARCA NA CORUÑA

Concentración na Coruña en contra da visita de Felipe VI baixo o lema "Galiza non ten Rei"

Vía Galega protesta así pola presenza do monarca español na apertura do curso universitario.

A plataforma Vía Galega convoca unha concentración o vindeiro 30 de setembro ás 11:00 h. ante a Reitoría da Universidade da Coruña por mor da presenza de Felipe VI no acto institucional de inicio de curso académico no Estado.

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Baixo o lema “Galiza non ten Rei, avante a República Galega”, esta plataforma quere expresar que a monarquía fai parte dun "sistema inxusto, onde prevalecen os privilexios e a herdanza do franquismo", que fomenta o "centralismo e a dependencia de Galiza, ademais de limitar os dereitos para o ensino público galego".

"Desde Vía Galega faise un chamado a participar nesta concentración para rexeitar a presenza do Rei Filipe de Borbón como representante dunha institución anacrónica, como a monarquía española, que nega os dereitos do pobo galego", apunta a entidade nun comunicado.

A plataforma Vía Galega, que integra máis 50 entidades sociais e culturais en defensa dos dereitos nacionais de Galiza, ademais de organizar conmemoracións históricas ten en marcha diversas actividades como a expedición dun pasaporte galego ou a recollida de sinaturas da Carta de Dereitos do Pobo Galego, todas elas encamiñadas á difusión do recoñecemento de Galiza como nación e á reclamación do dereito de autodeterminación.

Fonte: http://www.galiciaconfidencial.com/

DIA DA PÁTRIA GALEGA FOI UMA GRANDIOSA JORNADA DE LUTA PELA SOBERANIA E INDEPENDÊNCIA DA GALIZA

O Día da Patria Galega en imaxes

Milleiros de galegas e galegos saíron ás rúas reivindicar e celebrar o Día da Patria Galega. 

Compostela acolleu a manifestación nacional do BNG e a de Causa Galiza e os actos de En Marea, Anova, Agora Galiza e Compromiso. O PSdeG estivo en Rianxo, Podemos en Marín e Esquerda Unida en Mugardos.

Texto e fotos: https://www.sermosgaliza.gal/

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GALIZA CELEBRA DIA DA PÁTRIA

O BNG dirixe a campaña do Día da Patria Galega á cidadanía que quere abrir un novo ciclo político en 2020

Baixo o lema Galiza, un novo impulso, o Bloque arranca a campaña de celebración do Día da Patria cun cento de actos por todo o país para conmemorar unha data emblemática para o nacionalismo galego, que culminará coa manifestación nacional do 25X en Santiago, manifestación que un  BNG á alza espera histórica e que constitúe, en palabras do secretario de Comunicación, Xavier Campos, “o maior acto social de celebración da nación galega”.

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Este 25X, subliñou, ten a particularidade de celebrarse tras saír de dúas citas coas urnas e encarando ás eleccións galegas, cun BNG á alza e convencido de que unha maioría social quere abrir un novo tempo político.

“Somos unha forza que medra e sabemos que hoxe hai unha maioría de galegos e galegas que queren abrir un novo ciclo político, que queren ver a Feixóo e a o PP na oposición, que miran ao Bloque e a súa portavoz nacional, Ana Pontón, con simpatía e ilusión. A esa maioría social queremos dirixirnos con esta campaña cunha idea clara: sumar co BNG para darlle un impulso a Galiza e avanzar no país próspero, soberano e con futuro que queremos”.

Campos foi o encargado de presentar a campaña, graficamente sintetizada nun mapa de Galiza debuxado a base de pegadas dactilares de distintos tamaños e cores, “para simbolizar que este é un país plural, diverso, con persoas que temos diferentes formas de pensar, de sentir e de vivir o noso país”. Unha pluralidade, recalcou, que hoxe conforma a sociedade galega á que o BNG lle propón “un novo proxecto de avance colectivo para impulsar a Galiza aberta, próspera, inclusiva e con dereitos, coa aspiración de decidir plenamente sobre todo o que nos afecta”.

O Bloque quere aproveitar a celebración do Día da Patria para reforzar a súa estrutura interna, desenvolvendo en paralelo unha campaña de afiliación co obxectivo de incrementar en 500 o número de militantes. Hai que ter en conta, explicou Campos, “que imos celebrar máis dun cento de actos, conferencias, mesas de debate, festas, encontros por todo o país, o que nos da a oportunidade de falar directamente con moitas persoas”.

“Somos unha forza coas portas abertas e a man tendida”, destacou o secretario de Comunicación e, nun momento no que a formación nacionalista está claramente á alza, “queremos que moitas máis persoas que levan Galiza na cabeza e no corazón dea o paso de activarse, que se sumen ao BNG para axudar a construír un país mellor”.

Como dato, Campos lembrou que dos 4.000 galegos e galegas que participaron nas candidaturas municipais do Bloque, o 50% non era militante, “hai un gran potencial de medre”, concluíu.

Himno a ritmo de hip-hop

Como é habitual tanto nas campañas electorais como na campaña do 25X, o BNG fai unha aposta polo talento creativo do país, incluíndo entre o material divulgativo da celebración do Día da Patria un tema musical a modo de himno reivindicativo, como xa fixo en 2017 e 2018, que nesta ocasión corre a cargo do grupo de hip-hop Son da Rúa, que será lanzado en formato vídeo nas redes sociais nos próximos días e que se utilizará como banda sonora nos actos de celebración previos a manifestación nacional en Compostela.

Fonte: https://www.bng.gal/

25 DE JULHO: HOJE É O DIA DA PÁTRIA GALEGA - O BLOGUE DO MINHO ESTENDE UM ABRAÇO FRATERNO AOS IRMÃOS DA GALIZA!

Dia da Pátria Galega foi instituído há 100 anos pelas Irmandades da Fala

Remonta a 1919 a escolha do dia 25 de julho para celebrar o Dia da Pátria Galega, decisão que foi aprovada em Assembleia das Irmandades da Fala, reunidas em Santiago de Compostela. Refira-se que se trata do dia da festa litúrgica de Santiago Maior, Patrono da Galiza.

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Em 1979, a Xunta de Galícia instituiu por decreto o dia 25 de julho como Dia Nacional da Galiza.

Hoje, centenas de formações políticas, sociais e culturais do povo galego saem à rua para celebrar o Dia da Pátria Galega e refletir acerca da atual situação económica e política com vista à construção da soberania e da liberdade da Galiza.

Em face das afinidades culturais que nos unem e fazem de nós uma só nação, os portugueses em geral e os minhotos em particular saúdam as gentes da Galiza no dia da celebração da sua Pátria. Os galegos são nossos irmãos!

Guimarães (24)

Por um compreensível desconhecimento, grande parte dos folcloristas portugueses possui um entendimento errado em relação ao folclore das gentes galegas, classificando-o de "espanhol" e confundindo-o com os usos e costumes dos demais povos peninsulares. Aliás, tal como sucede em relação à língua portuguesa que é o idioma da Galiza e que também é erradamente confundida com o castelhano que é a língua oficial de Espanha, também ela impropriamente por vezes designada por "espanhol". Na realidade e para além dos portugueses, a Península Ibérica é habitada por gentes de culturas e idiomas tão distintos como os vascos, os catalães, os asturianos e finalmente, os galegos e portugueses que possuem uma língua e uma identidade cultural comum, apenas separados em consequência das vicissitudes da História. A Espanha, afinal de contas, não representa mais do que uma realidade supranacional, cada vez mais ameaçada pelas aspirações independentistas dos povos que a integram.

Com as suas quatro províncias - Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra - e ainda alguns concelhos integrados na vizinha Astúrias, a Galiza constitui com Portugal a mesma unidade geográfica, cultural e linguística, o que as tornam numa única nação, embora ainda por concretizar a sua unidade política. Entre ambas existe uma homogeneidade que vai desde a cultura megalítica e da tradição céltica à vetusta Gallaécia e ao conventus bracarensis, passando pelo reino suevo, a lírica galaico-portuguesa, o condado portucalense e as sucessivas alianças com os reis portugueses, as raízes étnicas e, sobretudo, o idioma que nos é comum - a língua portuguesa. Ramon Otero Pedrayo, considerado um dos maiores escritores do reintegracionismo galego, afirmou um dia na sua qualidade de deputado do parlamento espanhol que "a Galiza, tanto etnográfica como geograficamente e desde o aspeto linguístico, é um prolongamento de Portugal; ou Portugal um prolongamento da Galiza, tanto faz". Teixeira de Pascoaes foi ainda mais longe quando disse que "...a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela". Não nos esqueçamos que foi precisamente na altura em que as naus portuguesas partiam à descoberta do mundo que a Galiza viveu a sua maior repressão, tendo-lhe inclusivamente sido negada o uso da língua galaico-portuguesa em toda a sua vida social, incluindo na liturgia, naturalmente pelo receio de Castela em perder o seu domínio e poder assistir à sua aproximação a Portugal.

No que respeita à sua caracterização geográfica e parafraseando o historiador Oliveira Martins, "A Galiza d'Aquém e d'além Minho" possui a mesma morfologia, o que naturalmente determinou uma espiritualidade e modos de vida social diferenciados em relação ao resto da Península, bem assim como uma diferenciação linguística evidente. Desse modo, a faixa atlântica e a meseta ibérica deram lugar a duas civilizações diferentes, dando a primeira origem ao galaico-português de onde derivou o português moderno e a segunda ao leonês de onde proveio o castelhano, atualmente designado por "espanhol" por ter sido imposta como língua oficial de Espanha, mas consignado na constituição espanhola como "castelhano". Não foi naturalmente por acaso que Luís Vaz de Camões, justamente considerado o nosso maior poeta possuía as suas raízes na Galiza. Também não é sem sentido que também o poeta Fernando Pessoa que defendeu abertamente a "anexação da Galiza", afirmou que "A minha Pátria é a Língua Portuguesa".

De igual modo, também do ponto de vista étnico as raízes são comuns a todo o território que compreende a Galiza e o nosso país, com as naturais variantes regionais que criam os seus particularismos, obviamente mais próximas do Minho, do Douro Litoral e em parte de Trás-os-Montes do que em relação ao Alentejo e ao Algarve, mas infinitamente mais distanciados relativamente a Castela e outras regiões de Espanha.

No seu livro "A Galiza, o galego e Portugal", Manuel Rodrigues Lapa afirma que "Portugal não pára nas margens do Minho: estende-se naturalmente, nos domínios da língua e da cultura, até às costas do Cantábrico. O mesmo se pode dizer da Galiza: que não acaba no Minho, mas se prolonga, suavemente, até às margens do Mondego". Torna-se, pois, incompreensível que continuemos a tratar o folclore e a etnografia galega como se de "espanhola" se tratasse, conferindo-lhe estatuto de representação estrangeira em festivais de folclore que se pretendem de âmbito internacional, quando na realidade deveria constituir uma participação assídua nos denominados festivais nacionais. Mais ainda, vai sendo tempo das estruturas representativas do folclore português e galego se entenderem, contribuindo para um melhor conhecimento mútuo e uma maior aproximação entre as gentes irmãs da Galiza e de Portugal. O mesmo princípio aliás, deve ser seguido pelos nossos compatriotas radicados no estrangeiro, nomeadamente nos países da América do Sul onde as comunidades portuguesas e galegas possuem uma considerável representatividade numérica. Uma aproximação e um entendimento que passa inclusivamente pelo cyberespaço e para a qual a comunidade folclórica na internet pode e deve prestar um inestimável contributo.

Afirmou o escritor galego Vilar Ponte na revista literária "A Nossa Terra" que "os galegos que não amarem Portugal tão pouco amarão a Galiza". Amemos, pois, também nós, portugueses, como um pedaço do nosso sagrado solo pátrio, essa ridente terra que se exprime na Língua de Camões - a Galiza!

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