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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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- "ESTÓRIAS DO ARCO DA VELHA": - COMO E DE QUE VIVIA “A GENTE BARROSÔ NOS COMEÇOS E DURANTE AS PRIMEIRAS DEZENAS DE ANOS DO SÉCULO PASSADO!...

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              * Crónica de Domingos Chaves

Corria o ano de 1910!... Enquanto as tropas monárquicas com as suas luzidias espadas e os seus cavalos em passo de “caracol”, desciam pelas encostas do Larouco, tentando recuperar posições face ao avanço dos repúblicanos, dois meninos, a Maria Carneira* e o seu irmão Begia#, guardavam uma junta de vacas, ali para os lados do Castelo do Romão!...

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Assustados co`a “guerra”, esconderam-se por entre o arvoredo e os muitos penedos ali existentes, de onde só saíriam com a chegada do seu pai, que entretanto havia ido ao seu encontro. Pareciam coisas do “outro mundo” e era preciso serenar as crianças!... Crianças que cedo despertavam para a vida!...

No único aposento da casa, coberta de colmo esburacado, de rudes paredes de pedra sobreposta, por cujas fendas entrava o frio e o vento, nasciam essas crianças, nestas aldeias remotas e “perdidas no tempo. Nasciam sem assistência médica e só raras vezes com o auxilio de uma parteira improvisada, no mesmo leito e tosco e bárbaro do noivado.

O ritual era sempre o mesmo!... Momentos antes de dar á luz, a futura mãe colocava junto ao fogo do lar o pote de ferro com água para o banho. O marido, esse andava pelos campos a sachar, a lavrar ou a arrancar ervas. Acontecia por vezes uma vizinha chamá-lo para ver o filho que havia nascido.

Quatro ou cinco dias depois, a mãe aparecia pela primeira vez após o parto na rua com o filho ao colo, e uma semana depois já o levava para o monte. Neste “meio tempo” tem também lugar o baptizado...

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Durante dois anos – ás vezes mais – a criança alimentava-se do leite materno. Por vezes já comia pão e ainda mamava. Exposta ás intempéries da vida, ao calor e ao frio, ao sol e á chuva, como um “animalzinho bravio” nascido no monte sob uma lapa, a criança ou sucumbe ou fortalece. Eram as agruras do tempo e da época. A maioria das vezes cria-se bem resistente e forte, nesse severo regime de selecção natural.

Apartada do leite, é então invariavelmente abandonada á educação do próprio instinto. Aos cinco anos ensinam-lhe a rezar e aos sete, já lhe confiam a guarda das vacas e das ovelhas. Até eu sei como era!... Muitas vezes, a criança passa já os dias no monte, solitária, pastoreando o gado. O monte é a sua primeira escola e quase sempre a única.

Aos dez anos, começa a preparar-se para a comunhão, "indo á doutrina". Era assim que o “senhor padre” queria e determinava. Quem não seguisse a regra, entrava em “pecado”.

Aos doze anos comunga. E a vida de trabalho ininterrupto principia.Rapaz ou rapariga e de comunhão feita, é já uma criatura emancipada. Se os pais são pobres, vão “servir”. Se são filhos de um lavrador remediado, fazem em casa o tirocínio árduo da lavoura.

O “criado de servir” começa por ganhar o que come e bebe, bem como os “usos da casa”. Raros são aqueles que têm direito a “jorna”, e quando tal acontece, não ultrapassa os dois mil réis por ano.

Mais tarde - dos dezoito aos vinte anos - os mais diligentes e ao serviço de lavradores mais abastados, chegam a ganhar três moedas. Mas este salário é um fenómeno.

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Os usos variam também com a idade dos “criados”!... Uma a três camisas de estopa, um ou dois pares de calças de cotim ou saias de riscado, um colete e um par de sócos, é o prémio pelo seu trabalho.

Aos rapazes, as patroas remendam-lhes e lavam-lhes a roupa.

As raparigas fazem-no por conta própria.

As relações entre estes “servos pobres” e estes amos tão pobres como eles são quase familiares mas sempre com a noção inata da hierarquia.

Por volta dos vinte e dois, vinte e três anos, o moço de lavoura, tendo concluído a sua aprendizagem e livre de “ser soldado”, casa-se. É tão raro ficar um lavrador sem casar, como haver moço que não lute tenazmente, para se furtar ao tributo do sangue.

O casamento era por estas terras funcionava como base essencial á independência. Moço ou moça que não case fica condenado a servir toda a vida ou a trabalhar para os “bezinhos”.

O casamento é a aspiração unânime, o fim para que tendem todos os esforços, o prémio conquistado com as canseiras mais indescritíveis. O idilio, meio sensual e meio lírico, iniciado nas segadas, nas malhadas, no arranque das batatas, ou até no adro da Igreja, termina com a boda para se converter numa obstinada refrega pelo pão.

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Ordinariamente, a noiva leva para o casal um cordão e umas argolas de ouro e o noivo as alfaias indispensáveis para o granjeio das terras. Os parentes e os amigos oferecem aos esposados, alguns duas galinhas, outros uma raza de centeio, outros dois pedaços de pano de linho, um pote, meia dúzia de tigelas ou de pratos de barro, meio alqueire de pão, a pá para o forno ou um carro de lenha.

Se um deles é filho de lavrador abastado, este abona-lhes o gado!... Uma junta de “bacas” medianas para principiar e raras vezes um bezerro para a engorda. Algumas vezes, também raras, levam ainda em dote uma “céba” de porcos e um “odre” de vinho.

O primeiro dia de casados é para os noivos pobres o primeiro dia de trabalho árduo. Vão tratar os dois umas terras a “mêas”, que tomam a algum “bezinho”. Desde o nascer do dia até noite fechada, trabalham ambos no campo ou na eira. À noite, até altas horas, a mulher fia junto da lareira, a teia com que há de fazer as primeiras camisas e os primeiros lençóis. O homem descansa da labuta do dia, ajudando a mulher a dobar o fiado.

Feitas as sementeiras e antes das colheitas, quando a lavoura abranda, o homem vai ás feiras, vende os bezerros e ás vezes as “bacas”, compra outras mais baratas e vai ganhando alguns favores em carretos de pedra, de lenha ou de estrume. A mulher, no entanto, cora a teia, lança ninhadas de frangos e galinhas e engorda os porcos para sustento no ano que se segue.

Mas esses pobres têm uma riqueza: São independentes!... Enquanto pagarem com o que a terra lhes dá, essa terra que eles lavram cavam e semeiam pertence-lhes. É dessa terra, adubada com o seu suor, que lhes vem com o sustento, o orgulho de um domínio que se lhes afigura sem partilha. São deles as aguas, os campos, as árvores, os montes, as eiras e as casas. Não existe para eles, como para o operário citadino, um patrão dominador e imperativo. Só eles mandam na “sua fabrica”.

No ínicio do século passado, o alimento destes casais, reduz-se a pouco mais do que a caldo e pão. O homem que trabalha de manhã até á noite, a mulher que o acompanha na sua lida incessante, comem menos do que hoje as crianças da cidade. Mas se a gravidez a não deformou, é uma mocetona corada e jovial de larga bacia, de grandes seios e de roliços braços de trabalhadora. O homem é musculoso e rijo. Ambos cantam enquanto sacham. Nenhuma tristeza perturbam esses casais pacificos e laboriosos, que não conhecem o dinheiro. Gozam amplamente os dois saúdes humanas: a moral e a física, de cuja união resultam as felicidades perfeitas. O trabalho é o seu regime moral.

O caldo destes trabalhadores infatigáveis reduz-se a algumas couves galegas, apanhadas na horta, a alguns feijões e a um magro fio de azeite, ou um “bocado de unto” como adubo. O pão é de centeio, cozido em grandes fornadas no forno do povo para durar uma ou duas semanas. O cozer pão a miúdo é prejudicial á economia. Porque come-se mais enquanto é fresco e quantas mais vezes se acende o forno, mais lenha se consome. Raras, muito raras vezes, há sardinhas ao jantar ou à ceia. Petiscos como este só de longe a longe. Quando o sardinheiro as vende a mais de 5 ao vintém, a mulher aventura-se a gastar dez réis nesse luxo supérfluo.

Um quartilho de azeite, podia custar seis ou sete vinténs e durava a um casal pobre, de 15 dias a um mês. Anos há, em que o pão (centeio) escasseia e a caixa (arca) se esgota. Aí surgem de Montalegre os compradores, oferecendo oito tostões por alqueire.

Á salgadeira – os que a têm – vão apenas pelas festas do ano: no Entrudo, na Pascoa e no Natal, ou em dias de trabalho extraordinário, quando não podem de todo, sozinhos, granjear as terras, e rogam o auxílio dos vizinhos que vêem ajudar, sem direito a “jorna” e só pelo favor e pela mantença.

Nestes tempos, uma família de lavradores, que não satisfeita com as dádivas generosas da terra - pão, batatas, hortaliça, feijão e lenha, gasta em alimentação, vestuário e demais necessidades da vida para cima de dez tostões por mês, ou é rica ou está perdida.

Parecendo á primeira vista impossível que tão insignificante quantia possa chegar ao orçamento de uma casa, verifica-se, que ele é suficiente e não é mesmo atingido na maior parte das das vezes.

O exíguo "orçamento" de um casal de lavradores no inicio do século passado por terras de Barroso para as primeiras necessidades, assentava fundamentalmente em quatro modestísimas verbas: 240 réis para o azeite, 100 para as sardinhas, 20 para sal e 60 para sabão.

Fora do "orçamento", ficam as despesas de vestuário. Uma “andança” de roupa para homem, que pode custar aproximadamente 8 réis, dura entre 5 e 10 anos. Quase sempre usando “sócos”, o lavrador não chega a romper um por ano. A boina, que custa de seis a dez tostões, serve apenas para usar nos dias de feira ou nas festas. No trabalho diário, o lavrador usa uma capucha de burel no Inverno e um lenço da mão no verão.

As mulheres gastam ainda menos do que os homens!... Uma saia de chita, um avental com barras a enfeitar e um lenço para a cabeça, são as peças essenciais e que duram “uma vida”.

Roupa branca, lençóis, toalhas e ainda as calças de uso dos homens saem do linho, da estopa ou dos tomentos – da teia fiada em casa. O gado, é considerado fortuna comum.

A própria doença, parece respeitar todo este culto sagrado da economia dos lavradores de Gralhas e de outras aldeias vizinhas. Só a velhice mata esta gente...

Quando entram na agonia, a família manda chamar o padre para os confessar e ungir. Depois do padre, vem então o médico - se o houver - que raro receita e as mais das vezes chega a tempo de verificar o óbito.

E assim morreu economicamente todo este mundo e toda esta gente. Exactamente, como economicamente nasceram e viveram.Só a emigração a partir da década 60, mudaria os hábitos e o "bem-estar" destas gentes...

* Avó do signatário

# Tio-Avô

Domingos Chaves

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TRAIL ADVENTURE PERCORRE PENEDA E GERÊS

Peneda-Gerês Trail Adventure de 12 a 19 de maio

A prova Peneda-Gerês Trail Adventure®, que decorrerá de 12 a 19 de maio, é uma organização do Carlos Sá Nature Events, com o apoio do Município de Terras de Bouro, da ADERE Peneda-Gerês e das Câmaras Municipais de Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca, Montalegre e com a autorização do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG).

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Peneda Geres Trail Adventure

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Peneda Geres Trail Adventure

ATLETAS PORTUGUESES E GALEGOS PEDALAM DE MONTALEGRE A ESPOSENDE

TransCávado BTT-GPS 2017: 400 atletas pedalam de Montalegre a Esposende no próximo fim-de-semana

Quatrocentos atletas, oriundos de todo o país e da vizinha Galiza, em Espanha, vão participar, no próximo fim-de-semana, dias 16 e 17 de setembro, na segunda edição do TransCávado BTT-GPS, promovido pela empresa municipal Esposende 2000, em parceria com os Municípios de Esposende, Barcelos, Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho e Montalegre. Este evento de lazer e aventura foi apresentado, esta manhã, em sessão pública no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, em Esposende.

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Após o sucesso da edição de 2016, que uniu a foz à nascente do rio Cávado, o TransCávado lança um novo desafio e outra perspetiva, ligando a nascente, no Larouco, à foz, em Esposende. Com passagem pela terceira maior elevação de Portugal, a serra do Larouco com os seus imponentes 1 525 metros de altitude, o evento tem como cenário o rio Cávado e a sua esplêndida natureza, abraça o majestoso Parque Nacional da Peneda-Gerês e prolonga-se até ao Parque Natural do Litoral Norte, numa extensão total de 160 quilómetros.

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“O TransCávado 2017 é a afirmação de uma região hidrográfica através do ciclismo de aventura e natureza que congrega dois distritos - Braga e Vila Real, e sete municípios, desenhando percursos e histórias de pura superação entre a nascente e a foz do Cávado, ao longo das suas margens através de antigos caminhos rurais, maioritariamente em terra, e fabulosos trilhos”, assinalou o Presidente do Conselho de Administração da Esposende 2000 e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Esposende, António Maranhão Peixoto.

Maranhão Peixoto destacou a elevada adesão de participantes, obrigando ao encerramento das inscrições muito antes do prazo previsto, dizendo que tal é ilustrativo do sucesso desde evento que, na primeira edição, superou todas as expetativas. Entre os inscritos estão dois reconhecidos atletas esposendenses, o ciclista João Benta e o atleta olímpico de canoagem João Ribeiro.

Considerando que “há margem de progressão”, Maranhão Peixoto referiu que é intenção dar continuidade ao evento e fazê-lo crescer, revestindo-o de maior envolvência e afirmando, de forma ainda mais vincada e abrangente, o território do Cávado.

O Presidente do Conselho de Administração da Esposende 2000 notou que a realização de um evento desta natureza e dimensão se reveste de grande complexidade e logística e sublinhou o papel determinante dos mais de meia centena de voluntários, agradecendo a todos quantos estão envolvidos na organização, bem como aos patrocinadores. Destacou, por outro lado, a componente ecológica associada à TransCávado, em respeito pela natureza e pelo ambiente. 

Numa simbiose perfeita entre o lazer e o prazer de um grande desafio, o Transcávado integra duas etapas, nomeadamente uma mais lúdica, o Slow Race, que, no primeiro dia ligará Montalegre a Vieira do Minho e, no dia seguinte, Vieira do Minho a Esposende, e o segmento Race, com um cariz mais competitivo, em duplas ou individual, a efetuar apenas num dia, num percurso de 160 quilómetros de pura adrenalina e aventura. Esta é uma prova de superação para os mais audazes, motivados pela oportunidade de elevar os seus limites em plena harmonia com a natureza no seu estado mais puro e selvagem.

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PRESIDENTE DO MUNICÍPIO CABECEIRENSE PARTICIPA NOS ENCONTROS DE BASTO E BARROSO

Presidente da Câmara na sessão de encerramento dos Encontros de Basto e Barroso na Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto

A 20ª edição dos Encontros de Basto e Barroso chegaram quarta-feira, dia 14 de junho, ao fim, depois de um mês e meio de conferências, um encontro desportivo e da realização da Assembleia Nacional da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP). Organizados pelo Centro de Formação de Basto, os Encontros de Basto e Barroso tiveram no seio do debate o ‘Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar’ num conjunto de cinco conferências que ocorreram nos cinco concelhos da área de abrangência destes Encontros – Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Montalegre.

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Na sessão de encerramento que aconteceu na quarta-feira, na Casa do Tempo, marcaram presença o presidente das Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves; o presidente da Câmara de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira; a vereadora da Educação da Câmara de Montalegre, Fátima Alves; o delegado regional do Norte do IEFP, Dr. António Leite; o presidente da Comissão Diretiva do POCH - Programa Operacional Capital Humano, Dr. Joaquim Bernardo; a diretora do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto, Dra. Céu Caridade; o diretor do Centro de Formação de Basto, Prof. Doutor João Carlos Sousa; entre muitos professores e outros convidados.

Na sua intervenção, o presidente das Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves, deu os “Parabéns” ao Centro de Formação de Basto por, ao longo destas duas décadas, ter contribuído para “a promoção da reflexão sobre as mais variadas questões ligadas à Educação e à Cultura, bem como para a divulgação das mais atuais e modernas práticas educativas nos concelhos de Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto, Ribeira de Pena e Montalegre” e destacou “somam-se já vinte anos a impulsionar o trabalho em rede e o aprofundamento dos conhecimentos, sobretudo, ao nível dos setores educativo e cultural”.

Francisco Alves felicitou todos os promotores desta iniciativa de âmbito regional por não terem esmorecido ao longo destes anos “e por se manterem firmes na defesa da escola, do ensino, da aprendizagem mas também da formação”.

Os Encontros de Basto e Barroso têm “contribuído para o intercâmbio de experiências e partilha de ideias e de saberes entre alunos e professores destes cinco concelhos – quatro da região de Basto e um da região de Barroso”, disse Francisco Alves, assegurando que “os Encontros de Basto e Barroso são uma iniciativa de sucesso que marca a agenda educativa e cultural dos concelhos de Basto e de Montalegre”.

Nas suas palavras e elogiando o trabalho realizado pelo Centro de Formação de Basto nestes últimos 20 anos de Encontros de Basto e Barroso, o delegado regional do Norte do IEFP, Dr. António Leite, desafiou a organização deste evento a continuar o “bom” trabalho realizado até hoje em torno de tão importantes temáticas relacionadas com a Educação.

PARQUE NACIONAL DA PENEDA-GERÊS VAI TER COBERTURA DE REDE MÓVEL

Formalizado Projeto de Interesse Público para a Melhoria da Cobertura de Comunicações Eletrónicas Móveis no PNPG

O Ministro do Ambiente, Eng.º. João Pedro Matos Fernandes, garantiu na passada sexta-feira, dia 5 de maio, que o Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), o único parque nacional, vai ter rede móvel em praticamente toda a sua área, até dia 30 de junho.

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Em Lamas de Mouro, aquando da cerimónia de formalização do Projeto de Interesse Público para a Melhoria da Cobertura de Comunicações Eletrónicas Móveis no PNPG, uma medida que integra o plano-piloto de prevenção de incêndios florestais e de valorização e recuperação de habitats naturais no PNPG e que envolve um investimento de cerca de oito milhões e meio de euros em, aproximadamente, seis anos, o senhor ministro afirmou que o projeto resulta de uma parceria entre as três maiores operadoras de telecomunicações – MEO, NOS e VODAFONE, a EDP distribuição, os municípios de Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Vieira do Minho, e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com o objetivo de melhorar as comunicações, facilitando assim situações de socorro, como incêndios, mas também oferecer uma melhor qualidade a quem visita a região.

Os incêndios florestais que afetaram o país em 2016 e que assolaram o PNPG na última década desencadearam a adoção de um conjunto de iniciativas pelo Governo, com destaque para a melhoria dos instrumentos de prevenção e redução do risco de incêndios, tendo assumido a forma do ‘Plano-Piloto de prevenção de incêndios florestais e de valorização e recuperação de habitats naturais no Parque Nacional da Peneda-Gerês’.

Assim, serão criadas quatro novas estações – Gerês 3 (P.E. Picos), Castro Laboreiro, Porta do Mezio e Gerês 4 (Leonte); e reforçadas outras quatro – Gerês 1 (Louriça), Gerês 2 (Gavieira), Rio Caldo e Paradela, tendo como foco essencial o nível de cobertura garantido, dividindo-se em duas fases. Assim, na 1ª Fase, os Projetos com Grau de Complexidade mais Reduzida serão Gerês 1 (Louriça), Gerês 2 (Gavieira), Paradela, Rio Caldo, Castro Laboreiro e Porta do Mezio, cuja meta é este ano. Para 2018, e numa 2ª fase, os Projetos com Grau de Complexidade mais Alta são Gerês 3 (P. Eólico de Picos) e Gerês 4 (Leonte).

O Protocolo foi assinado por várias entidades: Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes; Rogério Paulo Rodrigues, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF); dos Presidentes de Câmara João Manuel do Amaral Esteves (Arcos de Valdevez), Manoel Calçada Pombal Batista (Melgaço), Manuel Orlando Fernandes Alves (Montalegre), António Vassalo Abreu (Ponte da Barca), Joaquim José Cracel Viana (Terras de Bouro) e de António Cardoso Barbosa (Vieira do Minho); Alexandre Filipe Fonseca (MEO); José João Pardelhas Rivera (Vodafone); Paulo Manuel Moura Ribeiro (NOS); e Ângelo Manuel de Melo Sarmento (EDP, Distribuição). O Protocolo de Colaboração Técnica e Financeira foi assinado por Alexandra Carvalho, do Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente; Alexandre Filipe Fonseca (MEO); Ângelo Manuel de Melo Sarmento (EDP, Distribuição); Paulo Manuel Moura Ribeiro (NOS); e José João Pardelhas Rivera (Vodafone).

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ADEMAR PEREIRA VENCE RALICROSS EM DIA DE ANIVERSÁRIO

Com o Nacional de Ralicross já na sua recta final, Montalegre recebeu a penúltima jornada da competição após a paragem de Verão.

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Como habitualmente, a Recirosa Competições marcou presença com Patrícia Pereira ao volante do Renault Clio Williams na Divisão “Super Nacional” e Ademar Pereira a bordo do seu BMW 325 IX a disputar da Divisão 2 dos “Supercars”.

Para Ademar Pereira, o objectivo desta segunda visita a Montalegre passava por repetir o resultado conseguido em Julho quando o piloto natural de Lanheses alcançava a vitória.

Contando com um fiável BMW preparado pela A. Pereira Competições, Ademar Pereira efectuava as 4 corridas de qualificação em bom plano conseguindo duas vitórias. Para a Final disputada no domingo, dia de aniversário do piloto, a palavra de ordem era atacar e Ademar Pereira não poupou esforços numa corrida que viria a vencer novamente entre os concorrentes da Divisão.

“Foi uma corrida perfeita para mim. Consegui vencer novamente e esta é sem duvida uma excelente prenda de anos. Falta-nos agora apenas uma prova que se vai disputar em Sever do Vouga e queremos fechar a época com mais um bom resultado, pelo que a motivação é enorme!” resumia Ademar Pereira.

PATRICIA PEREIRA EM EVOLUÇÃO CONSTANTE

Naquela que foi a sua segunda vez a competir na desafiante pista de Montalegre, Patrícia Pereira prosseguiu a sua aprendizagem numa prova em que a jovem piloto se mostrou algo desagradada com as incidências da prova.

Como nos relata Patrícia Pereira “efetuei as corridas de qualificação dentro do previsto chegando à semi-final com boas hipóteses de conseguir o apuramento para a final, mas na ultima volta, quando estava em luta pela quarta posição e consequente apuramento, acabei por ser abalroada por um adversário que arrumou de vez as minhas esperanças e as esperanças de toda a equipa, acabando este por ser um resultado frustrante. Infelizmente, este acabou por ser considerado mais um “normal toque de corrida” dos muitos que cada vez mais se vão vendo na modalidade.”

Apesar do desfecho inglório, a jovem piloto revelou-se mais à vontade e com mais confiança ao volante mostrando uma evolução constante, tendo concluído o fim-de-semana no 10º lugar final, segunda entre as Senhoras.

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QUAIS AS CAUSAS DA DECADÊNCIA DO REGIONALISMO MINHOTO EM LISBOA?

Passam precisamente 30 anos desde que o autor destas linhas, após uma passagem meteórica pela Direção da Casa do Minho onde pugnou pela criação de “comissões concelhias” com vista à dinamização daquela associação e após ver rejeitadas as suas propostas, iniciou o processo com vista à constituição em Lisboa da Casa do Concelho de Ponte de Lima, o qual se registou num ambiente de uma inevitável polémica.

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Essa iniciativa teve no Almoço Limiano então realizado o primeiro passo de arranque, depois de contar com o apoio indefetível do então Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Dr. Francisco Maia de Abreu de Lima. Escassos dois meses decorridos, mais precisamente em 2 de fevereiro de 1987, era legalmente constituída em Lisboa aquela associação regionalista. Três décadas decorridas, importa fazer o balanço e, sobretudo, procurar compreender as causas da decadência do regionalismo minhoto em Lisboa.

Até meados da década de oitenta do século passado, existiam em Lisboa apenas a Casa do Minho, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez e, com constituição recente, a Liga dos Amigos do Concelho de Valença. Além destas associações regionalistas, contava-se ainda a existência do Grupo Excursionista e Recreativo Os Amigos do Minho fundado em 8 de maio de 1950 e com sede na rua do Bemformoso, e ainda o Grupo Folclórico do Centro Cultural dos Trabalhadores do Circulo de Leitores que consiste no atual Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho, considerado um dos mais representativos agrupamentos de folclore da nossa região.

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A Casa do Minho que já vinha atravessando uma existência difícil desde o falecimento do jornalista Artur Maciel, viveu a partir de meados da década de 80 uma vida particularmente atribulada que por pouco não ditou a sua extinção. E, quando tudo fazia prever o seu desaparecimento, eis que o súbito envolvimento de novos associados, desprovidos da arrogância e atitudes preconceituosas de antigos dirigentes, permitiu travar a queda e até estabelecer um relacionamento saudável com as demais associações regionalistas. Apesar disso, a sua atividade não vai além da atuação do seu rancho folclórico e da realização de alguns almoços regionalistas, concretamente os almoços da lampreia e a couvada à minhota.

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Por seu turno, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, graças ao empenhamento de um arcuense que ainda atualmente se mantém à frente dos destinos daquela associação, começava a recuperar de uma letargia de várias décadas e é atualmente a mais dinâmica associação regionalista minhota sediada na capital lisboeta. A sua atividade desdobra-se entre as atuações do seu rancho folclórico e algumas iniciativas culturais e gastronómicas, sendo contudo de realçar o seu empenho e liderança no âmbito do associativismo regionalista, concretamente através da Associação das Casas Regionais em Lisboa (ACRL).

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Desde a sua criação em 6 de junho de 1982, a Liga dos Amigos do Concelho de Valença concentrou a sua atividade quase exclusivamente na realização anual de um Almoço de Confraternização, para além dos esforços desenvolvidos com vista à aquisição de sede própria, na área de Campolide.

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Sem nunca ter tido existência legal, existiu também durante vários anos a Casa Cerveirense cuja atividade se resumiu à realização anual do chamado Almoço Cerveirense. Mais recentemente, um grupo de cerveirenses veio a tomar em mãos a sua constituição legal, não se adivinhando porém que venham a ter sede própria e outra atividade para além do almoço regionalista e da participação em iniciativas no âmbito da ACRL.

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Na sequência do II Almoço Limiano realizado em novembro de 1986, foi em 2 de fevereiro de 1987 constituída legalmente em Lisboa a Casa do Concelho de Ponte de Lima. O seu aparecimento marcou um período de forte dinamização cultural e regionalista que influenciou inclusivamente o aparecimento de outras associações regionalistas minhotas de âmbito concelhio como se verificou com a Casa Courense em Lisboa, a Casa do Concelho de Ponte da Barca e, outras que por vicissitudes várias não chegaram a constituir-se como a Casa do Concelho de Caminha e a Casa do Concelho de Terras de Bouro, apesar da extraordinária adesão que sobretudo esta última registou. De notar que a sua influência estendeu-se ainda aos concelhos de Montalegre e Alijó que vieram então a criar as suas próprias associações regionalistas.

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Constituída em 8 de maio de 1990, a Casa Courense em Lisboa debateu-se ao longo de muitos anos pela obtenção de instalações próprias, o que veio a conseguir na zona de Campolide. Porém, a sua atividade resume-se no essencial à realização de almoços regionalistas e ao apoio a algumas iniciativas de entidades courenses como a colheita benévola de sangue promovida pela ADAPASCO.

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Quatro anos decorridos, mais concretamente em 12 de março de 1994, um punhado de barquenses fundou em Lisboa a Casa do Concelho de Ponte de Barca. Ao longo da sua curta existência, levou a efeito algumas iniciativas que alcançaram então alguma notoriedade como se verificou com os espetáculos de folclore que realizou nos teatros do Parque Mayer, contando para o efeito com o apoio da atriz barquense Rosa do Canto e outros empresários e artistas sobretudo ligados ao teatro de revista à portuguesa. Porém, a orientação tomada pelos seus responsáveis ditou o seu rápido desaparecimento. Pelo caminho ficaram também a Casa do Concelho de Caminha a que não foram alheias declarações públicas desmotivadoras então proferidas através da Imprensa regional pelo então presidente do município de Caminha e a Casa do Concelho de Terras de Bouro, em consequência do falecimento do seu principal impulsionador.

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Recuando um pouco no tempo, a Casa do Concelho de Ponte de Lima marcou uma época que se caracterizou pelo aparecimento de numerosas associações regionalistas de âmbito concelhio. Durante uma década, a sua atuação traduziu-se na realização de grandes eventos dos quais a chamada “Festa de Portugal” foi o mais relevante. Seguiu critérios rigorosos na divulgação da gastronomia tradicional da sua região, promoveu eventos culturais de cariz marcadamente regionalista incluindo a realização de conferências e a sua publicação em livro. Deu a conhecer em Lisboa tradições limianas como a Queima do Judas e a Vaca das Cordas. E, tudo isso sem jamais perder de vista o seu objetivo de promover Ponte de Lima e o de garantir que os destinos da associação jamais deixassem de permanecer nas mãos de gente ligada ao concelho de Ponte de Lima, se não por razão de nascimento ao menos pelos laços de descendência ou afinidade.

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Porém, esta associação deixou de discriminar nos seus estatutos os sócios em função da sua ligação ao concelho, possibilitando dessa forma que a mesma venha um dia a ser gerida por estranhos, aliás à semelhança do que sucedeu com o Grupo Excursionista e Recreativo Amigos do Minho que há vários anos desapareceu enquanto tal. Os almoços ditos regionalistas incorporam iguarias estranhas à nossa culinária como sucedeu com queijos franceses e outros acepipes servidos no Almoço Limiano e a atividade associativa passou a girar sobretudo em torno de figuras públicas do meio televisivo de momento menos ocupadas. Os eventos mais recentes registam uma autêntica deserção por parte dos seus associados, dos limianos e minhotos em geral, o que aliás ficou bem patente no piquenique realizado na mata de Monsanto há pouco mais de um mês.

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Tendo abandonado o projeto delineado pelos seus fundadores, a Casa do Concelho de Ponte de Lima arrisca-se inclusivamente em breve a perder a sua sede social, uma vez que as demolições há muito tempo previstas já chegaram à sua porta…

Reflexo da incapacidade de inclusão revelada pela maior parte das casas regionais, registe-se a existência de 13 ranchos folclóricos minhotos na região de Lisboa, de entre os quais apenas 3 integram associações regionalistas: a Casa do Minho, a Casa do Concelho de Arcos de Valdevez e a Casa do Concelho de Ponte de Lima.

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O regionalismo não pode nem deve restringir-se à realização de almoços ou à atuação de grupos folclóricos. Antes pelo contrário, a sua atuação deverá pautar-se pelos interesses regionais os quais têm a ver com todos os aspetos respeitantes à vida das respetivas regiões, sejam eles do plano económico, social ou cultural. Por conseguinte, as chamadas “casas regionais” não podem – ou não devem! – cingir-se a meras coletividades de cultura e recreio.

A condução dos seus destinos jamais deve ser entregue às mãos de pessoas inteiramente estranhas às respetivas regiões por mais honestas e empenhadas que sejam. E, muito menos, deverão ser utilizadas como passerelles para desfile de vaidades!

O regionalismo minhoto em Lisboa está a atravessar uma grave crise. As autarquias locais continuam a investir em projetos que não constituem uma mais-valia para os seus concelhos como se esperava. A Casa do Concelho de Arcos de Valdevez representa atualmente um baluarte do nosso regionalismo. E, ironicamente, a Casa do Minho uma esperança de sobrevivência do associativismo minhoto em Lisboa.

Carlos Gomes

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DANIEL BASTOS APRESENTA EM MONTALEGRE o LIVRO "GÉRALD BLONCOURT - O OLHAR DE COMPROMISSO COM OS FILHOS DOS GRANDES DESCOBRIDORES"

Terras de Barroso receberam apresentação do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”

No passado domingo (8 de maio), foi apresentada nas Terras de Barroso o livro Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

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A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos 60, foi apresentada no Centro Interpretativo das Minas da Borralha, em Salto, concelho de Montalegre, numa sessão muito concorrida que contou com a presença do presidente do Município de Montalegre, Orlando Alves, do presidente da Junta de Freguesia de Salto, Alberto Fernandes, e da Diretora da Biblioteca Municipal de Montalegre, Gorete Afonso.

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Com chancela da Editora Converso, o livro traduzido para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, e prefaciado pelo pensador Eduardo Lourenço, reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século.

No decurso da sessão promovida pela Associação Recreativa e Cultural das Minas da Borralha, e que esteve a cargo do antropólogo João Azenha, coordenador do Centro Interpretativo das Minas da Borralha-Ecomuseu do Barroso, quer o autarca montalegrense e como o responsável cultural assinalaram a importância da obra no contexto da história da emigração portuguesa. Realçando o simbolismo da apresentação da mesma numa antiga localidade mineira que é fortemente marcada pelo fenómeno migratório.

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Refira-se que na próxima quinta-feira (12 maio), o livro será apresentado no Consulado de Portugal em Paris, às 18h30, numa sessão aberta à numerosa comunidade portuguesa radicada na capital francesa, e que contará com a presença do fotógrafo que seguiu durante trinta anos a vida dos portugueses em França.

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ESCRITOR FAFENSE DANIEL BASTOS VAI A MONTALEGRE APRESENTAR O LIVRO "GÉRALD BLONCOURT - O OLHAR DE COMPROMISSO COM OS FILHOS DOS GRANDES DESCOBRIDORES"

Apresentação do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” nas Terras de Barroso

No próximo dia 8 de maio (domingo), é apresentado nas Terras de Barroso a obra Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

O livro, concebido pelo escritor e historiador Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 15h00 no Centro Interpretativo das Minas da Borralha, em Salto, concelho de Montalegre.

A apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com prefácio do ensaísta Eduardo Lourenço, estará a cargo do antropólogo João Azenha, coordenador Centro Interpretativo das Minas da Borralha, um polo temático do Ecomuseu do Barroso.

Além das fotografias históricas que Gérald Bloncourt captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles dos arredores de Paris, a obra reúne igualmente memórias, testemunhos e imagens originais que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves, assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes portugueses além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa.

Refira-se que o Centro Interpretativo das Minas da Borralha, insere-se num projeto cultural que visa recuperar e divulgar o património mineiro desta antiga localidade mineira que é fortemente marcada pela emigração.

BARROSO!... A HISTÓRIA DE UMA REGIÃO, QUE NÃO ACABA AQUI...

"Ser Barrosão é uma condição própria, não é uma pátria mas é uma honra

José Hermano Saraiva

A região de Barroso, reparte-se actualmente por duas zonas distintas: o Alto e o Baixo Barroso, a que correspondem administrativamente dois concelhos:a sul, o de Boticas, que ocupa a região dos vales fundos e escavados dos rios Tâmega, Beça, Terva e Covas - é o chamado Baixo Barroso. A norte, onde se incluem as serras do Gerês, do Larouco e do Barroso, formando uma zona natural de serras, carvalhais, rios e ribeiros, o de Montalegre – o qual se designa como o do Alto Barroso.

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Por estas terras, habitaram Lusitanos, Celtas, Visigodos, Suevos e Romanos, que deixaram um importante património arqueológico, tendo sido posteriormente uma terra importante na Idade Média, dado a sua localização estratégica.

Talvez pelo seu passado - a que porventura não serão alheias razões históricas -, para os barrosões, são indiferentes estas divisões e classificações. Sejam do “baixo” ou do “alto”, todos são de Barroso, e quanto ao resto, fale-se de politica, de agricultura, de bruxas, de bois ou de vacas, nada os fáz mudar de opinião.

Mas porque a “estória” não acaba aqui, é justo que se diga também, que além de Boticas e Montalegre, as terras de Barroso ainda cobrem a freguesia de Soutelinho da Raia, no concelho de Chaves, bem como algumas freguesias dos concelhos de Vieira do Minho e de Cabeceiras de Basto.

Esta identidade geográfica barrosã, actualmente apenas histórica em função da Reforma Administrativa operada a partir de 1836, tem porém uma grande tradição autonómica regional: corresponde à antiga terra de Barroso, dotada de foral em 1273 por D. Sancho II, aí se incluindo o actual concelho de Montalegre e de Boticas, mas também o antigo concelho minhoto de Vilar de Vacas - do qual faziam parte as terras de Arco, Botica, Espindo, Frades, Paradinha, Ponte, Quintã, Roca, Soutelos, Santa Leocádia, Vale, Vila e Zebral - localidade hoje designada por Ruivães, uma freguesia situada na margem esquerda do rio Rabagão, nas fraldas da Serra da Cabreira, parte do concelho de Vieira do Minho.

Como todas as regiões, também a “região natural barrosã” tinha e tem ainda nos dias que correm, tradições, características, psicologias próprias e hábitos ancestrais, herdados e transmitidos tantas vezes de viva voz, através das sucessivas gerações. Desde as terras flavienses de Soutelinho da Raia, até à minhota Ermida, fronteiriça a Fafião, passando por terras de Ruivães até à região de Basto, muito próxima da vila montalegrense de Salto, o modus vivendi deste povo tradicional e em muitos casos ainda comunitário, depara-se-nos com uma cultura secular, um «falar» próprio e uma sabedoria que se arrasta desde tempos imemoriais que urge preservar, reavivar e transmitir às gerações vindouras. Uma singularidade de usos e costumes, de crenças, de superstições, de certos rituais, e de um “falar local” que dentro da própria região, incluindo o léxico, mesmo variando de aldeia para aldeia, de concelho para concelho, não pode ser apagado da memória barrosã. Entre outros, os hábitos ancestrais de vida comunitária agro-pastoril, o folclore, os romances medievais, os provérbios do povo sábio, as cantigas de amigo e saudade e até a pronúncia a que já tive oportunidade de me referir, formam um conjunto de manifestações culturais, que devem ser preservadas e tomadas na devida conta.

Em termos económicos, Barroso foi sempre uma região pobre!... Como principais actividades, predominou em toda a sua vasta área e desde tempos longinquos, a agricultura de subsistência, realçando-se o cultivo da batata e do centeio, a criação de gado bovino de raça preferencialmente barrosã, ovino, caprino, suíno, e só mais recentemente, a construção civil, a pequena e média indústria, o comércio, os serviços e o turismo, começaram a dar os primeiros passos.

Os trabalhos árduos no campo, de sol a sol, com a ajuda dos animais, deixavam pouco tempo aos habitantes das aldeias para grandes folias, já que o lema do homem desta região sempre foi o de trabalhar para viver e viver para trabalhar. Porém, ao domingo, dia de ócio e de “ida à missa”, realizavam-se de modo recorrente e entusiasta, as tão apreciadas “chegas de bois”, que ontem como hoje, ainda que nos nossos dias com uma prática bem mais reduzida, constituíam uma forma de reunião e convívio entre os barrosões. Um povo trabalhador, humilde, unido, recto, bom anfitrião e leal às suas raízes culturais e que persiste em falar dos saberes e práticas ancestrais através dos tempos, suscitando mormente a curiosidade, o interesse e a atenção de estudiosos, jornalistas e escritores. Um povo também essencialmente crente e arreigado, que segue fielmente os costumes e as tradições herdadas,  estritamente católico e pioneiro na instituição do comunitarismo, hoje em vias de extinção, e que era visível nas fainas agrícolas, designadamente no arranque das batatas, carretos da lenhas, desfolhadas do milho, vindimas, malhadas, segadas do centeio e do feno, que de certo modo contribuiam para a manutenção do folclore local, bem como para a rega, conservação de caminhos, dos moinhos, das vezeiras, do forno, ponto de encontro entre os habitantes das aldeias, hoje  ultrapassado pelos cafés e também do “boi do pobo”, sinal particular e supremo de cada aldeia.

Definir a cultura barrosã, será um pouco como “olhar para a nossa alma, a nossa identidade, a nossa maneira de ser, de viver, de estar no mundo” e de dizer – nós somos Barrosões com muito orgulho. Este é pois o resultado de um processo histórico, é o povo Barrosão em movimento, são as nossas raízes e como se espera, que seja também o “passaporte válido para o futuro”...

Domingos Chaves

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