CAMINHA: MOINHOS DE VENTO EM MOLEDO DO MINHO NOS COMEÇOS DO SÉCULO XX


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Quem já alguma vez teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que são comuns às duas atividades, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as atividades.
À semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!
Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as atividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.
Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.
O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.
Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e refletiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.
Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno glossário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico
Andadeira –Mó de cima. Corredor.
Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.
Braços – Varas, Vergas.
Búzio – Alcatruz. Pequeno objeto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.
Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.
Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efetuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.
Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.
Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.
Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma retilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.
Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.
Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.
Eixo – Mastro.
Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.
Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.
Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.
Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.
Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.
Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.
Mó – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.
Moageiro – Aquele que produz moagem.
Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura
Moedura – Moagem.
Moega – Canoura. Tremonha.
Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.
Moenga – Moenda
Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.
Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.
Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.
Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.
Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.
Picão – Picadeira.
Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.
Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.
Quelha – Calha.
Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.
Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.
Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.
Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.
Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.
Tremonha – Canoura. Moega.
Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.
Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a ação do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.
Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.
Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.
Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.
Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.
Bibliografia: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.
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Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.
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Nos dias 5, 6 e 7 de abril, para assinalar o Dia Nacional dos Moinhos Abertos, diversos moinhos do concelho de Viana do Castelo vão estar disponíveis para visita gratuita do público.
Assim, estarão de portas abertas, em horários distintos, o Moinho de Vento de Marinheiro (Carreço), o Moinho de Vento de Cima (Carreço), o Moinho de Vento de Petisco (Carreço), o Moinho de Água de Espantar (São Lourenço da Montaria), a Azenha d’Almerinda (Alvarães), Azenha do Maral (Outeiro), Moinho de Água do Inácio (Vila de Punhe) e o Moinho de Maré das Azenhas de D. Prior (Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental - CMIA).
No Moinho de Água do Inácio, a visita gratuita ao interior e ao espaço exterior do Moinho conta com possibilidade de degustação de broa com mel. Neste espaço, o horário de visitas está definido para 5 de abril, sábado, das 14h00 às 17h00; domingo, 6 de abril, das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 17h00; e, segunda-feira, 7 de abril, Dia Nacional dos Moinhos, das 14h00 às 17h00.
No CMIA, o Moinho de Maré – Azenha de D. Prior é conhecido localmente por Azenhas de D. Prior e é hoje um testemunho singular do aproveitamento da energia das marés para a atividade moageira, em funcionamento provavelmente até aos anos 30 do século XX.
Referências escritas atestam a existência, em 1809, deste moinho de maré, que chegou a laborar com 8 pares de mós para moer vários tipos de cereais e também enxofre. É o “único exemplo conhecido em Portugal da existência de uma serração hidráulica associada a um moinho de maré” (Silveira, 2022) e “o caso até agora único da aplicação de turbinas hidráulicas à moagem num moinho de maré” (Custódio, 1989).
As Azenhas de D. Prior configuram um testemunho único do património histórico-cultural de Viana do Castelo, porquanto refletem uma memória da sapiente exploração do ritmo das marés para a atividade produtiva da moagem e tanoaria.
A Rede Portuguesa de Moinhos, com o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia, organiza a iniciativa "Moinhos Abertos de Portugal", no âmbito do Dia Nacional dos Moinhos que se assinala, anualmente, a 7 de abril.
O Dia dos Moinhos Abertos pretende fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país. Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais.
A iniciativa pretende motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.
Desde 2008 que o Município de Viana do Castelo integra a Rede Portuguesa de Moinhos.
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DIA NACIONAL DOS MOINHOS | 7 de abril
O Ecomuseu Natural e Cultural da Serra da Labruja vai assinalar o Dia Nacional dos Moinhos com um programa especial para toda a família. Por antecipação à celebração – cuja data coincide este ano com o dia de encerramento do espaço, segunda-feira –, dedicamos o fim de semana de 5 e 6 de abril a atividades associadas ao património molinológico local e ao ciclo do milho.
No sábado haverá uma “Caça ao Tesouro” pelo trilho da Várzea e uma apetecível broa caseira para degustação e, no domingo, realizar-se-á uma moagem ao vivo seguida da confeção do tradicional caldo de farinha em pote de ferro.
As atividades são gratuitas, mas requerem marcação prévia através do sítio do Ecomuseu (https://ecomuseu.labruja.pt/.../dia-nacional-dos-moinhos-2/), do e-mail geral@ecomuseu.labruja.pt ou do telefone 258 757 166.
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A Casa da Azenha da Ponte Medieval mereceu destaque na reportagem “International Molinology”, publicada no “Journal of The International Molinological Society”, N.º 109, de dezembro do ano passado.
Esta referência internacional praticamente coincidiu com os trabalhos de colocação de uma nova roda na Casa da Azenha, construída agora em madeira exótica capaz de suportar melhor as condições climatéricas.
Entretanto, a roda da Azenha começará a funcionar logo que estejam concluídos os trabalhos técnicos e de musealização no interior do edifício, sendo depois aberta ao público.
A Casa da Azenha é um edifício recuperado na margem do Rio Cávado e junto à ponte medieval de Barcelos, onde antigamente funcionava uma moagem, com a respetiva habitação dos moleiros. É um dos edifícios mais emblemáticos do casco velho da cidade, já que integra as vistas pitorescas que de Barcelinhos se fazem para o conjunto histórico de Barcelos, juntamente com a ponte, o Paço dos Condes, a igreja Matriz e o Solar dos Pinheiros.
Esta casa é o resultado de um “sonho”, inicialmente megalómano, que demorou mais de dez anos a concretizar-se, desde 1886 até cerca de 1896, data do seu registo notarial. A sua aprovação pela Câmara Municipal de Barcelos remonta ao ano de 1891.
Foi mandada construir por António José da Silva, tendo mudado de proprietário várias vezes ao longo dos anos, laborando até ao início dos anos setenta do século XX, não resistindo aos novos tempos, concorrência dos moinhos industriais.
O edifício foi adquirido pelo Município de Barcelos, em 1993, tendo-se promovido a sua recuperação, concluída em 2003.
Veja as fotos dos trabalhos de colocação e montagem da nova Roda da Azenha.
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Quem já alguma vez teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que são comuns às duas atividades, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as atividades.
À semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!
Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as atividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.
Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.
O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.
Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e refletiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.
Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico
Andadeira –Mó de cima. Corredor.
Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.
Braços – Varas, Vergas.
Búzio – Alcatruz. Pequeno objeto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.
Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.
Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efetuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.
Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.
Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.
Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma retilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.
Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.
Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.
Eixo – Mastro.
Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.
Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.
Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.
Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.
Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.
Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.
Mó – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.
Moageiro – Aquele que produz moagem.
Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura
Moedura – Moagem.
Moega – Canoura. Tremonha.
Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.
Moenga – Moenda
Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.
Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.
Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.
Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.
Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.
Picão – Picadeira.
Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.
Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.
Quelha – Calha.
Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.
Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.
Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.
Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.
Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.
Tremonha – Canoura. Moega.
Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.
Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a ação do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.
Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.
Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.
Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.
Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.
Bibliografia: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.
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Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.
O Ecomuseu Natural e Cultural da Serra da Labruja vai dinamizar visitas noturnas ao núcleo moageiro da Várzea no âmbito do Dia Internacional dos Museus 2024. O belíssimo espaço, rasgado pelas águas cristalinas do ribeiro de São João, integra dez engenhos hidráulicos, três deles totalmente recuperados e em pleno funcionamento, passadiços de madeira dispostos ao longo do percurso e duas pontes suspensas para contemplação da deleitosa paisagem circundante.
Associe-se às celebrações e visite-nos no dia 17 de maio, entre as 21h00 e as 23h00
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O Ecomuseu Natural e Cultural da Serra da Labruja vai dinamizar visitas noturnas ao núcleo moageiro da Várzea no âmbito do Dia Internacional dos Museus 2024. O belíssimo espaço, rasgado pelas águas cristalinas do ribeiro de São João, integra dez engenhos hidráulicos, três deles totalmente recuperados e em pleno funcionamento, passadiços de madeira dispostos ao longo do percurso e duas pontes suspensas para contemplação da deleitosa paisagem circundante.
Associe-se às celebrações e visite-nos no dia 17 de maio, entre as 21h00 e as 23h00
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Domingo, dia 7 de abril, comemora-se o Dia Nacional dos Moinhos. Para assinalar a data, será possível visitar alguns dos mais emblemáticos exemplares de moinhos de água do concelho de Caminha: os Moinhos da Gandra, em Arga de Cima e os Moinhos de A’Pardal, em Riba de Âncora.
Os moinhos irão estar abertos das 10h às 17h, para visita livre.
Esta iniciativa pretende evidenciar o elevado valor patrimonial dos moinhos tradicionais e a sua importância para a história, cultura e identidade das comunidades locais, e tem o apoio da Freguesia de Riba de Âncora e da União de Freguesias de Arga (Baixo, Cima e São João).
Sessão de Assinatura do Acordo de Colaboração de Adesão à Rede Portuguesa do Turismo Industrial do Moinho de Maré | 07 de abril | 10H00
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Dia 7 de abril, Celorico de Basto vai “cozer pão à moda antiga” na casa do Moleiro, para celebrar o Dia Nacional dos Moinhos.
O Dia Nacional dos Moinhos existe com a intenção de preservar e valorizar este património histórico e cultural. Em Celorico de Basto “existe um valor incalculável de moinhos, que mantêm preservadas as técnicas tradicionais de moagem de cereais e que foram, em tempos, símbolos da agricultura, da economia local e do desenvolvimento das comunidades. Hoje, com o desenvolvimento tecnológico estas técnicas tradicionais de moagem são usadas quase d forma demonstrativa para que o saber fazer não se perca e se perpetue no tempo assim como este património e tudo o que lhe está associado” aferiu o Presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, José Peixoto Lima.
A celebração do dia Nacional dos Moinhos começa logo pela manhã com a visita ao moinho de Perre, em S. Romão do Corgo. À tarde, a comunidade é convidada a meter “as mãos na massa” com o “cozer do pão à moda antiga”, na Casa do Moleiro, no Parque Urbano do Freixieiro, momento dinamizado pelo Rancho Folclórico de Santa Maria de Canedo.
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Quem já alguma vez teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que são comuns às duas atividades, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as atividades.
À semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!
Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as atividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.
Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.
O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.
Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e refletiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.
Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico
Andadeira –Mó de cima. Corredor.
Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.
Braços – Varas, Vergas.
Búzio – Alcatruz. Pequeno objeto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.
Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.
Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efetuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.
Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.
Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.
Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma retilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.
Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.
Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.
Eixo – Mastro.
Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.
Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.
Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.
Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.
Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.
Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.
Mó – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.
Moageiro – Aquele que produz moagem.
Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura
Moedura – Moagem.
Moega – Canoura. Tremonha.
Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.
Moenga – Moenda
Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.
Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.
Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.
Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.
Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.
Picão – Picadeira.
Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.
Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.
Quelha – Calha.
Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.
Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.
Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.
Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.
Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.
Tremonha – Canoura. Moega.
Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.
Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a ação do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.
Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.
Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.
Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.
Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.
Bibliografia: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.
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Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.
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Dia Nacional dos Moinhos (7 de Abril) – Moinhos Abertos (6 e 7 de Abril; sábado e domingo)
É já no próximo fim de semana: Os moinhos voltam a estar de portas abertas GRATUITAMENTE em todo o País pelo 18º Ano Consecutivo!
Em resultado deste amplo movimento de cidadania, de mobilização e voluntariado pelos moinhos da nossa identidade, estarão à disposição de todos:
O que é o “Dia dos Moinhos Abertos”?
O conceito desta atividade é extremamente simples:
Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!
Quem participa?
Todos: Moinhos Abertos é uma iniciativa aberta e gratuita!
Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos. Promovida desde 2007 pela Etnoideia esta iniciativa tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia sendo divulgada internacionalmente por todo o mundo.
Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projetos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de ativistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.
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Quem já teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que lhes são comuns, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as actividades.

Com efeito, à semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direcção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!
Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as actividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.
Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.
O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.
Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e reflectiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.
Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico.
Andadeira –Mó de cima. Corredor.
Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.
Braços – Varas, Vergas.
Búzio – Alcatruz. Pequeno objecto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.
Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.
Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efectuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.
Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.
Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.
Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direcção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma rectilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.
Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.
Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.
Eixo – Mastro.
Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.
Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.
Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.
Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.
Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.
Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.
Mó – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.
Moageiro – Aquele que produz moagem.
Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura
Moedura – Moagem.
Moega – Canoura. Tremonha.
Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.
Moenga – Moenda
Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.
Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.
Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.
Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.
Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.
Picão – Picadeira.
Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.
Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.
Quelha – Calha.
Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.
Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.
Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.
Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.
Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.
Tremonha – Canoura. Moega.
Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.
Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a acção do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.
Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.
Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.
Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.
Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.
Fonte: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.

Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.
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Nos dias 7, 15 e 16 de abril, para assinalar o Dia Nacional dos Moinhos Abertos, diversos moinhos do concelho de Viana do Castelo vão estar disponíveis para visita gratuita.
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Assim, estarão de portas abertas, em horários distintos, os Moinhos de Vento, em Carreço, o Moinho de Água do Inácio, em Vila de Punhe, o Moinho de Água de Espantar, em São Lourenço da Montaria, a Azenha do Maral, em Outeiro, e o Moinho de Maré das Azenhas de D. Prior, no Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA), em Viana do Castelo. Consultar programa completo em www.moinhosdeportugal.org.
Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação que tem como principal intuito apelar ao inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.
A Rede Portuguesa de Moinhos, com o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia, organiza a iniciativa "Moinhos Abertos de Portugal", no âmbito do Dia Nacional dos Moinhos que se assinala, anualmente, a 7 de abril.
Desde 2008 que o Município de Viana do Castelo integra a Rede Portuguesa de Moinhos e, como em anos anteriores, irá fazer parte desta iniciativa.
O Moinho de Maré das Azenhas de D. Prior é o único Moinho de Maré existente no concelho de Viana do Castelo. Tal como no caso das azenhas, é um edifício robusto, com necessidade de uma preparação do local de implementação, uma vez que funciona com a diferença entre a preia-mar e a baixa-mar, precisa de condições específicas: proximidade da costa, geralmente no estuário dos rios, no local onde as águas do rio, sob a pressão da maré-alta, crescem para a margem, alargando-a.
Este moinho foi mandado construir pelo Abade de Lobrigos, no início do século XIX, para o abastecimento de farinha à cidade. No início do XX, o comerciante Jules Deveze substituiu o mecanismo de madeira por outro de ferro, que é o que podemos ver hoje. Deixou de funcionar nos anos 30.
O Moinho de Maré pode ser visitado nos dias 15 e 16 de abril, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.