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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CAMINHA COMEMORA DIA NACIONAL DOS MOINHOS

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Domingo, dia 7 de abril, comemora-se o Dia Nacional dos Moinhos. Para assinalar a data, será possível visitar alguns dos mais emblemáticos exemplares de moinhos de água do concelho de Caminha: os Moinhos da Gandra, em Arga de Cima e os Moinhos de A’Pardal, em Riba de Âncora.

Os moinhos irão estar abertos das 10h às 17h, para visita livre.

Esta iniciativa pretende evidenciar o elevado valor patrimonial dos moinhos tradicionais e a sua importância para a história, cultura e identidade das comunidades locais, e tem o apoio da Freguesia de Riba de Âncora e da União de Freguesias de Arga (Baixo, Cima e São João).

CELORICO DE BASTO CELEBRA O DIA NACIONAL DOS MOINHOS

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Dia 7 de abril, Celorico de Basto vai “cozer pão à moda antiga” na casa do Moleiro, para celebrar o Dia Nacional dos Moinhos.

O Dia Nacional dos Moinhos existe com a intenção de preservar e valorizar este património histórico e cultural. Em Celorico de Basto “existe um valor incalculável de moinhos, que mantêm preservadas as técnicas tradicionais de moagem de cereais e que foram, em tempos, símbolos da agricultura, da economia local e do desenvolvimento das comunidades. Hoje, com o desenvolvimento tecnológico estas técnicas tradicionais de moagem são usadas quase d forma demonstrativa para que o saber fazer não se perca e se perpetue no tempo assim como este património e tudo o que lhe está associado” aferiu o Presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, José Peixoto Lima.

A celebração do dia Nacional dos Moinhos começa logo pela manhã com a visita ao moinho de Perre, em S. Romão do Corgo. À tarde, a comunidade é convidada a meter “as mãos na massa” com o “cozer do pão à moda antiga”, na Casa do Moleiro, no Parque Urbano do Freixieiro, momento dinamizado pelo Rancho Folclórico de Santa Maria de Canedo.

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A ARTE DE MARINHEIRO E O OFÍCIO DOS MOLEIROS DOS MOINHOS DE VENTO

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Quem já alguma vez teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que são comuns às duas atividades, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as atividades.

À semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!

Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as atividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.

Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.

O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.

Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e refletiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.

Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico

Andadeira –Mó de cima. Corredor.

Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.

Braços – Varas, Vergas.

Búzio – Alcatruz. Pequeno objeto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.

Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.

Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efetuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.

Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.

Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.

Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma retilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.

Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.

Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.

Eixo – Mastro.

Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.

Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.

Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.

Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.

Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.

Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.

 – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.

Moageiro – Aquele que produz moagem.

Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura

Moedura – Moagem.

Moega – Canoura. Tremonha.

Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.

Moenga – Moenda

Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.

Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.

Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.

Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.

Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.

Picão – Picadeira.

Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.

Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.

Quelha – Calha.

Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.

Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.

Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.

Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.

Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.

Tremonha – Canoura. Moega.

Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.

Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a ação do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.

Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.

Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.

Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.

Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.

Bibliografia: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.

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Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.

VIANA DO CASTELO COMEMORA DIA NACIONAL DOS MOINHOS ABERTOS QUE SE ASSINALA NO PRÓXIMO FIM-DE-SEMANA

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Dia Nacional dos Moinhos (7 de Abril) – Moinhos Abertos (6 e 7 de Abril; sábado e domingo)

É já no próximo fim de semana: Os moinhos voltam a estar de portas abertas GRATUITAMENTE em todo o País pelo 18º Ano Consecutivo!

Em resultado deste amplo movimento de cidadania, de mobilização e voluntariado pelos moinhos da nossa identidade, estarão à disposição de todos:  

  • 219 Moinhos
  • 104 núcleos moageiros
  • 71 Municípios
  • Todos os 18 Distritos de Portugal Continental
  • 2 Ilhas da Região Autónoma dos Açores

O que é o “Dia dos Moinhos Abertos”?

O conceito desta atividade é extremamente simples:

Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!

  Quem participa?

Todos: Moinhos Abertos é uma iniciativa aberta e gratuita!

Esta é uma  iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.  Promovida desde 2007 pela Etnoideia esta iniciativa tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia sendo divulgada internacionalmente por todo o mundo.

Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projetos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de ativistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.

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A ARTE DE MARINHEIRO E O OFÍCIO DOS MOLEIROS DOS MOINHOS DE VENTO – TEXTO E FOTOS DE CARLOS GOMES

Quem já teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que lhes são comuns, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as actividades.

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Com efeito, à semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direcção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!

Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as actividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.

Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.

O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.

Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e reflectiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.

Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico.

Andadeira –Mó de cima. Corredor.

Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.

Braços – Varas, Vergas.

Búzio – Alcatruz. Pequeno objecto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.

Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.

Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efectuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.

Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.

Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.

Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direcção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma rectilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.

Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.

Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.

Eixo – Mastro.

Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.

Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.

Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.

Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.

Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.

Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.

 – Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.

Moageiro – Aquele que produz moagem.

Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura

Moedura – Moagem.

Moega – Canoura. Tremonha.

Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.

Moenga – Moenda

Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.

Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.

Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.

Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.

Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.

Picão – Picadeira.

Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.

Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.

Quelha – Calha.

Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.

Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.

Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.

Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.

Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.

Tremonha – Canoura. Moega.

Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.

Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a acção do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.

Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.

Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.

Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.

Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.

Fonte: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.

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Moinhos de Cima e do Marinheiro, em Carreço, no Concelho de Viana do Castelo.

MOINHOS DE VIANA DO CASTELO DISPONÍVEIS PARA VISITA PARA CELEBRAR DIA NACIONAL DOS MOINHOS ABERTOS

Nos dias 7, 15 e 16 de abril, para assinalar o Dia Nacional dos Moinhos Abertos, diversos moinhos do concelho de Viana do Castelo vão estar disponíveis para visita gratuita.

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Assim, estarão de portas abertas, em horários distintos, os Moinhos de Vento, em Carreço, o Moinho de Água do Inácio, em Vila de Punhe, o Moinho de Água de Espantar, em São Lourenço da Montaria, a Azenha do Maral, em Outeiro, e o Moinho de Maré das Azenhas de D. Prior, no Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA), em Viana do Castelo. Consultar programa completo em www.moinhosdeportugal.org.

Esta é uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação que tem como principal intuito apelar ao inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.

A Rede Portuguesa de Moinhos, com o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia, organiza a iniciativa "Moinhos Abertos de Portugal", no âmbito do Dia Nacional dos Moinhos que se assinala, anualmente, a 7 de abril.

Desde 2008 que o Município de Viana do Castelo integra a Rede Portuguesa de Moinhos e, como em anos anteriores, irá fazer parte desta iniciativa.

O Moinho de Maré das Azenhas de D. Prior é o único Moinho de Maré existente no concelho de Viana do Castelo. Tal como no caso das azenhas, é um edifício robusto, com necessidade de uma preparação do local de implementação, uma vez que funciona com a diferença entre a preia-mar e a baixa-mar, precisa de condições específicas: proximidade da costa, geralmente no estuário dos rios, no local onde as águas do rio, sob a pressão da maré-alta, crescem para a margem, alargando-a.

Este moinho foi mandado construir pelo Abade de Lobrigos, no início do século XIX, para o abastecimento de farinha à cidade. No início do XX, o comerciante Jules Deveze substituiu o mecanismo de madeira por outro de ferro, que é o que podemos ver hoje. Deixou de funcionar nos anos 30. 

O Moinho de Maré pode ser visitado nos dias 15 e 16 de abril, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

MUNICÍPIO DE FAFE CELEBRA DIA NACIONAL DOS MOINHOS

Atividades pensadas para todas as idades decorrem de 7 a 16 de abril e visam celebrar o valor patrimonial dos moinhos tradicionais.

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Esta sexta-feira, 7 de abril, assinala-se o Dia Nacional dos Moinhos. Nesse contexto, o Município de Fafe promove, integra e apoia um conjunto de iniciativas que visam chamar a atenção para o inestimável valor patrimonial dos moinhos tradicionais, destacando em concreto os moinhos existentes no concelho: o Moinho de Vento de Aboim, o Moinho de Casca de Carvalho, o Moinho de Água de Cepães e o Moinho da Aldeia do Pontido.

Fafe integrará o evento “Dia dos Moinhos Abertos” que tem como conceito base fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país. Neste âmbito, o Município convida a participar na visita gratuita orientada ao Museu do Moinho e do Povo de Aboim - Centro Interpretativo Aldeia Pedagógica da Montanha e do Centeio, no dia 7 de abril. Esta atividade promovida pela Junta de Freguesia de Aboim deve ser agendada previamente através do número 964 799 753.

Agentes turísticos de Fafe promovem visitas “À Volta dos Moinhos”

O Município apoia igualmente a iniciativa “À Volta dos Moinhos”, um conjunto de visitas guiadas pelos moinhos do concelho, promovidas por um grupo de agentes turísticos (Authentik Tours em parceria com a CountingStars, Casa do Penedo, Gud Artesanal, A Nightingale Sings e ERF), nos dias 7, 8, 14, 15 e 16 de abril.

Os programas pretendem dar a conhecer a dimensão e importância dos moinhos de Fafe, destacando a indústria de criação de taninos com o moinho de casca de carvalho e a criação da farinha para a cozedura do pão, ainda hoje base da alimentação portuguesa. As inscrições podem ser realizadas através do e-mail reservas@authentiktours.com.

PROGRAMA “DIA DOS MOINHOS ABERTOS”

7 de Abril (sexta-feira)

10h00 às 12h00 e das 15h00 às 17h00 | Visita gratuita orientada ao Museu do Moinho e do Povo de Aboim- Centro Interpretativo Aldeia Pedagógica da Montanha e do Centeio.

Inscrições: Através do número 964 799 753

PROGRAMA “À VOLTA DOS MOINHOS”

7 de abril (sexta-feira)

Atividade 1: Moinhos Sob as Estrelas – observação de estrelas com sessão de contos tradicionais; Horário: 21:00-23:00; Ponto de encontro: Moinho de Vento de Aboim

8 de abril (sábado)

Atividade 2: À Volta dos Moinhos Pontido – Caminhada e Oficina “Mãos na Massa” – caminhada pela Aldeia do Pontido com visita ao moinho e pisão e oficina de amassar o bolo tradicional minhoto em forno de lenha; Horário: 14:20-18:30; Inclui merenda com produtos locais; Ponto de Encontro: Restaurante da Aldeia do Pontido

Atividade 3: À Volta dos Moinhos Pontido – Jantar gastronómico e espetáculo de fado com artista Cristina Lima e Rui Beirão na guitarra portuguesa e Diogo Rato na viola de fado; Jantar inclui entradas, prato principal, sobremesa, bebidas e café; Horário: 20:30-23:30; Ponto de Encontro: Restaurante da Aldeia do Pontido

14 de abril (sexta-feira)

Atividade 4: Moinhos Sob as Estrelas – observação de estrelas com sessão de contos tradicionais; Horário: 21:00-23:00; Ponto de encontro: Moinho de Vento de Aboim

15 de abril (sábado)

Atividade 5: À Volta dos Moinhos Aboim – Caminhada e Oficina “Mãos na Massa” – caminhada pela freguesia de Aboim com visita aos moinhos de vento e de casca de carvalho e oficina de amassar o bolo tradicional minhoto em forno de lenha; Horário: 9:30-13:30; Inclui degustação do bolo com produtos locais; Ponto de Encontro: Antiga Escola Primária de Aboim/Museu do Moinho e Povo de Aboim

Atividade 6: À Volta dos Moinhos Moreira de Rei – Visita à Casa do Penedo e à Quinta Biológica do Confurco; Horário: 14:30-18:30; Inclui merenda com produtos locais; Ponto de Encontro: Ermida de Nossa Senhora da Guia

16 de abril (domingo)

Atividade 7: À Volta dos Moinhos Cepães – Caminhada e Visualização do Jogo do Pau; Horário: 10:00-14:30; Inclui almoço com entradas, prato principal, sobremesa, bebidas e café incluídos; Ponto de Encontro: Complexo Turístico de Rilhadas

Inscrições: Através do e-mail reservas@authentiktours.com ou do número +351 936 261 358.

MOINHOS ABERTOS - 2022

7 de Abril (quinta feira) ->  Dia Nacional dos Moinhos)  +++  9 e 10 de Abril (sábado e domingo) -> Dias dos Moinhos Abertos

É já no próximo fim de semana: Os moinhos voltam a estar de portas abertas em todo o País!

Em resultado deste amplo movimento de mobilização pelos moinhos da nossa identidade estarão à disposição de todos:  

  • 307 Moinhos
  • 26 núcleos moageiros
  • 53 Municípios
  • 17  Distritos (Continente e Açores)

Desfrute dos Moinhos de Portugal, eles têm um valor cultural inestimável. Contribua para a sua salvaguarda!

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MUNICÍPIO DE ESPOSENDE CONVIDA A VISITAR MOINHOS DO CONCELHO

Dia Nacional dos Moinhos

Como forma de assinalar o Dia Nacional dos Moinhos, que se comemora a 7 de abril, o Município de Esposende vai promover, nesse dia, um roteiro de visita aos moinhos da Abelheira-Marinhas e de Apúlia, que inclui também a visita à Casa das Marinhas.

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A participação é gratuita, contudo carece de inscrição prévia, até 6 de abril, através do email turismo@cm-esposende.pt. O ponto de partida será no Centro de Informação Turística de Esposende, pelas 10h00, garantindo o Município o transporte aos participantes.

O roteiro inicia com a visita à Casa das Marinhas, inspirada, arquitetada e construída a partir de um moinho em habitação pelo conceituado arquiteto esposendense Viana de Lima.

O projeto do Parque Temático dos Moinhos de Abelheira, em Marinhas, que se encontra em execução, é o ponto seguinte do roteiro, sendo a visita orientada por técnicos da autarquia, da Etnoideia, empresa responsável pelo projeto de recuperação e apetrechamento dos três moinhos de vento que são propriedade da Câmara Municipal de Esposende, e por Fernando Morgado e Edite Morgado, antiga moleira neste local. Os visitantes terão oportunidade de perceber as funcionalidades dos equipamentos em reconstrução. Os moinhos fixos de torre, à semelhança de outros exemplares do norte litoral, mantêm a sua capucha móvel acionada através do rabo, direcionando sempre a vela contra o vento. Segue-se, no itinerário de visita no mesmo local, a intervenção de Maria Augusta Fernandes, proprietária de um dos sete moinhos de vento deste complexo.

O roteiro terminará sobre o mar de Apúlia, com a visita a um dos moinhos de Apúlia implantados junto à praia e que foi transformado também numa habitação de três pisos, mantendo, contudo, a sua traça original. 

Serão distribuídos bilhetes-postais, onde, através de imagem, os visitantes poderão verificar a implantação destes moinhos, no passado e no presente. Refira-se que o Município tem em perspetiva a edição de uma publicação alusiva aos moinhos eólicos e hidráulicos existentes no concelho, bem como a criação de um roteiro turístico de visita para dar a conhecer este património. Entre os núcleos dos engenhos de moagem movidos pela força do vento, estão referenciados os de Abelheira e os de Cedovém, em Apúlia

A preservação das Etnoctecnologias, e esta ação em concreto, enquadra-se no Plano de Ação para a Sustentabilidade, Crescimento e Competitividade do Turismo em Esposende – 2018_2022. Associado a este objetivo está o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, que o Município verteu para o seu plano de ação.

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CELORICO DE BASTO ASSOCIA-SE À COMEMORAÇÃO DO DIA NACIONAL DOS MOINHOS

Nos dias 7 e 10 de abril, o Município de Celorico de Basto irá promover um conjunto de atividades para a celebração desta data, com a realização de visitas guiadas e a produção e pão à moda antiga.

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O dia nacional dos moinhos, celebrado a 7 de abril, terá este ano uma celebração especial em Celorico de Basto. O Município tem preparado um conjunto de atividades que visam a divulgação e promoção do vasto património de moinhos de água existentes no concelho.

Do programa de festividades fazem parte as visitas guiadas a um conjunto de moinhos públicos, mas também particulares que se associaram ao município nesta iniciativa.

No dia 7 de abril, as atividades são direcionadas à comunidade escolar, envolvendo também os utentes do programa “Celorico a mexer”, que irão recriar o ciclo do pão com produção de pão à moda antiga, promovendo assim um encontro intergeracional que transmitirá saber e tradição aos mais novos. A iniciativa repete-se no dia 10, domingo, com a realização do evento aberto a toda a comunidade.

José Peixoto Lima, Presidente da autarquia destaca “a importância desta iniciativa, como forma de divulgar o património do concelho, com um interessante conjunto de moinhos e circuitos de moinhos ancestrais, que espelham a ligação deste território ao aproveitamento da água na produção de cereais e transformação de matérias-primas”. “Esta será também uma oportunidade de juntar duas gerações, promovendo a transmissão de saberes que se vão perdendo, nomeadamente o ciclo do pão e a sua produção à moda antiga, criando um momento de convívio, aberto à comunidade escolar no dia 7 e a toda a comunidade no dia domingo dia 10”, concluiu.

Abertos para visita estará o circuito de moinhos de Argontim na freguesia do Rego, a Azenha de Barrega, na Freguesia de Borba e o circuito de moinhos do Freixieiro, instalados no Parque Lúdico da sede do concelho. A visita guiada aos moinhos poderá ser feita de forma gratuita mediante pré-inscrição na Loja de Turismo, através do telefone 255320300 ou email turismo@mun-celoricodebasto.pt. A recriação do ciclo do pão, com a produção de pão à moda antiga terá lugar no Parque Lúdico do Freixieiro, junto ao moinho do Damas. O evento será aberto ao público no domingo, dia 10, com produção e prova de pão e animação com música tradicional a cargo dos Cavaquinhos da Escola Profissional Agrícola de Fermil, Eng.º Silva Nunes, a partir das 14h30.

ESTAMOS DE VOLTA! 7ABR22 - DIA NACIONAL dos MOINHOS - 9/10ABR22 - MOINHOS ABERTOS 2022

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Finalmente estamos de volta e  a preparar novamente  os Moinhos Abertos!

Mais um ano em que esperamos uma grande participação e repetir o êxito da nossa atividade conjunta e em que  pretendemos reeditar, pelo 14º ANO a iniciativa Moinhos Abertos de Portugal.

Nos anos pré-pandemia conseguimos em conjunto, ano a pós ano, mais de 350 moinhos abertos e mais de 30.000 visitantes por edição.

Pelos pedidos que nos chegam, em 2022, ultrapassaremos estes números.

 O que é o “Dia dos Moinhos Abertos”?

O conceito desta atividade é extremamente simples:

Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!

Quem pode participar na organização?

Todos: Moinhos Abertos é uma iniciativa aberta e gratuita!

Esta é uma  iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o único objetivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, autarquias locais, museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.  Promovida desde 2007 pela Etnoideia esta iniciativa tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia sendo divulgada internacionalmente por todo o mundo.

Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projetos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc.) com a participação de ativistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.

Por isso, apelamos à sua participação ativa, através do seu envolvimento pessoal e das organizações a que pertence ou com as quais se relaciona.

Como otimizar os seus impactos?

Você:

  • Mobilizando antecipadamente entusiastas, amigos dos moinhos, instituições e moinhos cujos proprietários e moleiros podem ser contactados por cada um de nós (contamos consigo também para o fazer).
  • Durante este dia, cada moinho deverá estar aberto e se possível a funcionar, sendo desejável a organização de algumas atividades como as sugeridas na ficha de programação em anexo, ou outras.
  • Divulgando pelos seus contactos e redes sociais o Cartaz “Moinhos Abertos”, em anexo  e afixando-os nos moinhos e locais adequados (JPEG para impressão e afixação local);
  • Reencaminhando a informação da brochura e programa final logo que disponível para a sua rede de contactos. Acreditamos desta forma vir a alcançar uma ampla divulgação e impacto público.

A organização:

  • Irá divulgar junto da comunicação social nacional e regional, redes sociais e mailing a todas as pessoas e organizações constantes dos nossos ficheiros. No site da Rede ficarão disponíveis todas aas informações e por correio eletrónico serão enviados materiais de divulgação para todas as Câmaras Municipais e para todas as Juntas de Freguesia do País.
  • Irá paginar uma brochura ilustrada com informações sobre os moinhos, horários e como visitar ao longo de todo o ano que ficará disponível permanentemente online em moinhosdeportugal.org.

Como participar na organização?

Esta participação é livre, espontânea e aberta a todos pelo que pode participar na organização das seguintes formas:

  • Dinamização da abertura, nos dias 7 (Dia Nacional dos Moinhos, 5ª feira)  e/ou 9 e 10 de Abril (Sábado e Domingo), dos moinhos a que está ligado, se possível organizando atividades e animações e congregando moleiros, amigos, Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Museus, etc.
  • Convite a outros moinhos e pessoas para participar.
  • Para isso terá que enviar até 4  de Março:
    • Ficha de programação Excel com informações sobre os moinhos que vão estar abertos (ficha em anexo a preencher no ficheiro Excel com todos os moinhos, identificando um a um e enviando uma foto por cada moinho com o nome do moinho no nome do ficheiro. Esta ficha inclui todas as informações necessárias para a identificação dos moinhos e respetivo programa de atividades, organizadores, indicações úteis, etc).

IMPORTANTE: NÃO SERÃO ACEITES OUTROS FORMATOS OU INFORMAÇÕES NÃO CONSTANTES NA FICHA DADO QUE ISSO PROVOCA PROBLEMAS NA PAGINAÇÃO).

  • Declaração de consentimento ao abrigo do RGPD(Regulamento Geral de Proteção de Dados) depois de assinada e digitalizada. Um exemplar por cada indivíduo do qual constarem dados pessoais na ficha do moinho respetivo nos Moinhos Abertos 2019.

ATENÇÃO: POR IMPERATIVOS LEGAIS NÃO PODERÃO SER ACEITES INSCRIÇÕES DE MOINHOS QUE CONTENHAM DADOS PESSOAIS SEM A RESPETIVA AUTIRIZAÇÃO DO INDIVIDUO A QUE REFEREM. QUAISQUER DADOS PESSOAIS QUE CONSTEM DA FICHA DE PROGRAMAÇÃO EXCEL SEM DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO ASSINADA SERÃO APAGADOS NA BROCHURA FINAL PODENDO PREJUDICAR O CONTACTO COM OS ORGANIZADORES.

Jorge Miranda

Rede Portuguesa de Moinhos

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CARLOS GOMES – ADMINISTRADOR DO “BLOGUE DO MINHO” – PRESTOU DEPOIMENTO AO JORNALISTA AMADEU ARAÚJO DO JORNAL “EXPRESSO” ACERCA DOS MOINHOS

O caderno “Economia” da edição desta semana do jornal “Expresso” publica uma reportagem da autoria do jornalista Amadeu Araújo acerca da crescente procura de moinhos desactivados para habitação de férias. É o caso da localidade da Apúlia, no concelho de Esposende, tirando partido da sua excelente localização com vista para o mar.

Porém, a necessidade de obter espaço no seu interior para o efeito – ao invés dos moinhos de maré, o interior dos moinhos de vento é geralmente exíguo – leva a que seja frequentemente desmontado o engenho ou seja, o moinho propriamente dito, o capelo e até os mastros e velas, ficando a restar apenas a torre, o que vai contra a ideia de preservação.

Situados geralmente nas cumeadas e tirando partido dos “canais de vento”, as tradições ligadas aos moinhos revelam-nos conhecimentos importantes acerca da nossa História e cultura, como é o caso de alguns rituais praticados pelos moleiros, o uso de um vocabulário que se assemelha surpreendentemente ao praticado pelos marinheiros e ainda a sua localização a indicar nomeadamente os trajectos dos caminhos de Santiago. Além, naturalmente, do estudo dos ventos e dos ciclos das marés.

Nesta edição, Carlos Gomes, Administrador do “Blogue do Minho” prestou depoimento ao autor da referida reportagem.

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O RIO NEIVA E AS AZENHAS DO CASTELO

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  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Nasce na serra de Oural (Vila Verde). Decorridos 45 quilómetros, vem desaguar ao mar, estabelecendo fronteira entre Antas e Castelo do Neiva, freguesias que sempre souberam ser amigas e de relacionamento fácil. Passa por terras dos concelhos de Vila Verde, Ponte do Lima, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo. Diz quem o percorreu da nascente até à foz que tem belezas de encantar. Não o conhecendo na totalidade, longe disso, ele fica bem definido neste poema que encontrei no Blogue de Jorge Miranda “Pelos Salgueirais do Neiva” e que não resisto a reproduzir: Magia do rio Neiva. Ó pintores da minha terra, / Vinde aqui, vinde pintar .../ Pintai levadas, moinhos, / Açudes a transbordar, / Espuma branca de neve / À luz do Sol a brilhar .../ Pintai azenhas velhinhas / Com as heras a enlaçar, / Pontes, recantos do "Neiva”, / Salgueirais e debruar, / Que motivos para telas / Não vão, por certo, faltar!... / Pintai lindas aguarelas, / Vinde aqui, vinde pintar!...

Mas não vou escrever sobre o rio na sua totalidade, porque isso dava livro, tantas são as histórias e estórias que este caprichoso caudal de água tem. Ademais, sobre o Rio Neiva já existem duas obras: “O Rio Neiva – Monografia” (1978) e “Vale do Neiva – Subsídios Monográficos” (1982). Ambos contaram com o empenho entusiasta de Cândido Neiva de Oliveira Maciel, Natural de Durrães – Barcelos, tal como é referido na introdução da segunda obra. Ficar-me-ei por breves apontamentos na parte do rio que diz respeito ao Castelo do Neiva, que tão bem conheci e tão gratas recordações dele tenho.

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Uma azenha do Rio Neiva em 1928. Foto de Aureliano Carneiro, publicada na revista “Ilustração Portuguesa”, Nº 72

As Azenhas

Todas foram do meu conhecimento, porque todas visitava e com praticamente todos os donos me relacionava, na minha condição de rapaz de travessuras, como era próprio naquela época, que só diferia de épocas vindouras pelos enquadramentos de cada tempo.

Fazer o percurso da foz até à ponte do Neiva em grupo de gente já espigada, não sendo regular, acontecia de vez em quando. Daí o conhecimento de cada azenha e de quem lá passava o tempo em moagem permanente. Mas entre as que se situavam no troço do rio em Castelo do Neiva (Santa Tecla, Sebastião, Palhurdo, Adriano e Caseiro, contando da foz para a nascente), as que mais gratas recordações me deixaram são a do Sebastião, Palhurdo e Adriano. A primeira, porque por lá passava com muita regularidade, em direção a Antas, onde vivia a minha avó paterna. Aquela ponte de pedra, mandada construir em 1930 pelo dono da azenha (data inscrita num pilar da ponte), foi calcorreada vezes sem conta por mim e os meus irmãos; a segunda porque foi onde apreendi a nadar; e a terceira porque a família que a explorava tinha comigo e com a gente da minha casa uma relação de forte empatia.

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Azenha do Sebastião, também conhecida por Azenha do Minante. Foto PR4 – trilho das azenhas de Anta, município de Esposende

Na do Palhurdo, para onde também muitas castelenses se deslocavam para grandes lavagens da roupa de casa, consumi horas sem conta. O rio era a minha perdição. Ainda muito criança, nado já com estilo e aventuro-me pelo largo profundo. Mergulho a profundidades de 4 metros para apanhar objetos que os adultos atiram à água para testar a minha destreza. “Agora é que vamos ver quanto vale o ranhoso”, diziam os marmanjões. Eufórico e ofegante, surgia à tona da água e atirava as tralhas para a margem do rio, como autênticos troféus de caça. Aquilo suava a provocação e aquela turba, fora de si, procurava cada vez mais objetos que não fossem visíveis no fundo do rio e não deixavam sair ninguém da água enquanto os mesmos não fossem encontrados.  Era assim que estava desaparecido tardes inteiras, para desespero dos de casa, que, apesar de tudo, não deixavam de mourejar no campo. Aparecia ao fim do dia junto deles, onde me era aplicada severa punição, para depois se prolongar a jorna, como castigo máximo para mim, mas que se estendia a todos.

Decorridos mais de 20 anos, acompanhado do Rui Alpuim, um amigo pintor, voltei ao Palhurdo, para que o Rui me pintasse a azenha e a sua envolvente de tão gratas recordações. Não podia ter sofrido maior desapontamento. Começou nos caminhos de acesso, que por falta de uso quase se tornaram intransitáveis, e acabou em toda a envolvente da azenha, com um forte matagal que tudo invadia. Todos os espaços onde brincava e de onde mergulhava a petizada quase tinham desaparecido. Isto sem esquecer a forte poluição de que sofria o rio resultante dos resíduos da fábrica de resina, situada junto à ponte do Neiva, que dá acesso a Antas e ao Porto. Bom, sumiu-se a ideia do quadro, que já nada apetecido era. Mas depois de tanto esforço, encomenda feita, lá se pintou. Apesar de bem conseguido, nunca o encarei bem. Transacionou-se mais tarde, mas hoje estou arrependido. Julgo que, na altura, compreendi mal a evolução do tempo e as transformações que este opera nas formas de viver e estar dos povos.

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A azenha do Palhurdo, pintada por Rui Alpuim. A azenha da minha meninice e do meu desencanto quando adulto

As azenhas tinham vida intensa e os moleiros ganhavam para viver eles e a família. Normalmente, os donos tinham casa de lavoura e aproveitavam os carros de vacas para recolher os sacos de milho pela freguesia carreando-os até à azenha. Moído o milho, já sem a maquia a que o moleiro tinha direito, havia que devolver aos respetivos donos os sacos, mas agora com farinha. Este vai e vem socializava as gentes do Castelo. Os contactos eram intensos, as amizades estabeleciam-se e ninguém se queixava, mesmo quando parecia que o milho moído tinha rendido pouco.

Em tempos pensei em fazer um trabalho pormenorizado sobre estas azenhas que vinham da ponte à foz, quase todas propriedade de castelenses. Tinha em mente contar a história de cada uma: o seu nascimento, os donos, o seu funcionamento, particularmente no verão, com água aprisionada pelos açudes, os valores de moagem, etc. Mas o tempo não dá para tudo e, agora, muita desta informação está perdida, por falta de registos e morte das famílias. Pode ser que ainda não seja tarde, mas para alguém mais afoito.

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Mais uma Azenha do Rio Neiva pintada por Rui Alpuim

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

POIS, O RIO ONDE APRENDI A NADAR

Quando as crónicas fazem uma travessia no tempo e nos levam até a um passado que nos deixou marcas, tudo se torna mais fácil. Por vezes, difícil é saber como parar, para não nos tornarmos maçadores, em relação a quem perde tempo a ler-nos.

O Rio Neiva do meu tempo de petiz não tinha só o encanto próprio da meninice. Tinha o encanto das azenhas, dos rios limpos, sem poluição das fábricas e da suinocultura, sem a conspurcação de detritos de toda a ordem, porque naquele tempo tudo se aproveitava e nem detritos havia, tantas e tão grandes eram as dificuldades de vivência dos portugueses.

Naquele tempo os rios estavam isentos de vegetação, porque havia guarda-rios, tal como havia cantoneiros. Infelizmente algumas coisas boas de outros tempos não foram aproveitadas e deviam-no ter sido. O progresso não se faz deitando fora o que de bom e prático havia, tal como não se deve "deitar fora o menino com a água do seu banho", como é usual dizer-se.

Bom mas eu não tenho saudades daquele tempo, porque a nostalgia não pode ser superior a realidades diferentes, em que o progresso tirou tanta e tanta gente da miséria endémica.