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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MOINHOS DO FREIXIEIRO VANDALIZADOS EM CELORICO DE BASTO

Dois moinhos do circuito do Freixieiro foram vandalizados durante as festividades da passagem de ano. A situação é recorrente e o Município de Celorico de Basto apresentou queixa na GNR.

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Ao longo do fim-de-semana em que se celebrou a passagem do ano, dois edifícios, integrantes do circuito de moinhos do Freixieiro, localizados no centro da sede do concelho, foram vandalizados, verificando-se o arrombamento de várias portas. Este conjunto de moinhos representa um importante património, integrado no Parque Lúdico do Freixieiro onde está a decorrer uma ação de restauro e recuperação, de forma a valorizar estes equipamentos.

A situação é recorrente neste espaço. Ao longo dos anos, vários destes moinhos têm sofrido vários atos de vandalismo, nomeadamente com graffitis, arrombamento de portas, destruição do interior destes núcleos museológicos e até mesmo a realização de fogueiras que deram origem a incêndios.

Além da queixa junto das autoridades, o Município está a preparar um conjunto de ações para reforçar a vigilância destes espaços públicos e uma campanha de sensibilização junto dos mais novos de forma a diminuir este tipo de ocorrências.

Para José Peixoto Lima, Presidente da Autarquia “Este é um acontecimento lamentável, que destrói o nosso património e memória coletiva. Além disso, obriga o Município a canalizar recursos humanos e financeiros que poderiam ser colocados ao serviço da população. É, infelizmente, recorrente este tipo de atos de vandalismo no espaço público, o Município irá, por isso, tomar medidas para reforçar a segurança destes equipamentos, dissuadir estas atitudes e facilitar as forças de autoridade na identificação dos infratores, bem como a realização de uma campanha de sensibilização, sobretudo junto dos mais novos, para a valorização do bem comum e proteção do património público. O autarca lembrou ainda que “este é um espaço de todos e que todos têm o dever de preservar”, concluiu.

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CARLOS GOMES – ADMINISTRADOR DO “BLOGUE DO MINHO” – PRESTOU DEPOIMENTO AO JORNALISTA AMADEU ARAÚJO DO JORNAL “EXPRESSO” ACERCA DOS MOINHOS

O caderno “Economia” da edição desta semana do jornal “Expresso” publica uma reportagem da autoria do jornalista Amadeu Araújo acerca da crescente procura de moinhos desactivados para habitação de férias. É o caso da localidade da Apúlia, no concelho de Esposende, tirando partido da sua excelente localização com vista para o mar.

Porém, a necessidade de obter espaço no seu interior para o efeito – ao invés dos moinhos de maré, o interior dos moinhos de vento é geralmente exíguo – leva a que seja frequentemente desmontado o engenho ou seja, o moinho propriamente dito, o capelo e até os mastros e velas, ficando a restar apenas a torre, o que vai contra a ideia de preservação.

Situados geralmente nas cumeadas e tirando partido dos “canais de vento”, as tradições ligadas aos moinhos revelam-nos conhecimentos importantes acerca da nossa História e cultura, como é o caso de alguns rituais praticados pelos moleiros, o uso de um vocabulário que se assemelha surpreendentemente ao praticado pelos marinheiros e ainda a sua localização a indicar nomeadamente os trajectos dos caminhos de Santiago. Além, naturalmente, do estudo dos ventos e dos ciclos das marés.

Nesta edição, Carlos Gomes, Administrador do “Blogue do Minho” prestou depoimento ao autor da referida reportagem.

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O RIO NEIVA E AS AZENHAS DO CASTELO

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  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Nasce na serra de Oural (Vila Verde). Decorridos 45 quilómetros, vem desaguar ao mar, estabelecendo fronteira entre Antas e Castelo do Neiva, freguesias que sempre souberam ser amigas e de relacionamento fácil. Passa por terras dos concelhos de Vila Verde, Ponte do Lima, Barcelos, Esposende e Viana do Castelo. Diz quem o percorreu da nascente até à foz que tem belezas de encantar. Não o conhecendo na totalidade, longe disso, ele fica bem definido neste poema que encontrei no Blogue de Jorge Miranda “Pelos Salgueirais do Neiva” e que não resisto a reproduzir: Magia do rio Neiva. Ó pintores da minha terra, / Vinde aqui, vinde pintar .../ Pintai levadas, moinhos, / Açudes a transbordar, / Espuma branca de neve / À luz do Sol a brilhar .../ Pintai azenhas velhinhas / Com as heras a enlaçar, / Pontes, recantos do "Neiva”, / Salgueirais e debruar, / Que motivos para telas / Não vão, por certo, faltar!... / Pintai lindas aguarelas, / Vinde aqui, vinde pintar!...

Mas não vou escrever sobre o rio na sua totalidade, porque isso dava livro, tantas são as histórias e estórias que este caprichoso caudal de água tem. Ademais, sobre o Rio Neiva já existem duas obras: “O Rio Neiva – Monografia” (1978) e “Vale do Neiva – Subsídios Monográficos” (1982). Ambos contaram com o empenho entusiasta de Cândido Neiva de Oliveira Maciel, Natural de Durrães – Barcelos, tal como é referido na introdução da segunda obra. Ficar-me-ei por breves apontamentos na parte do rio que diz respeito ao Castelo do Neiva, que tão bem conheci e tão gratas recordações dele tenho.

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Uma azenha do Rio Neiva em 1928. Foto de Aureliano Carneiro, publicada na revista “Ilustração Portuguesa”, Nº 72

As Azenhas

Todas foram do meu conhecimento, porque todas visitava e com praticamente todos os donos me relacionava, na minha condição de rapaz de travessuras, como era próprio naquela época, que só diferia de épocas vindouras pelos enquadramentos de cada tempo.

Fazer o percurso da foz até à ponte do Neiva em grupo de gente já espigada, não sendo regular, acontecia de vez em quando. Daí o conhecimento de cada azenha e de quem lá passava o tempo em moagem permanente. Mas entre as que se situavam no troço do rio em Castelo do Neiva (Santa Tecla, Sebastião, Palhurdo, Adriano e Caseiro, contando da foz para a nascente), as que mais gratas recordações me deixaram são a do Sebastião, Palhurdo e Adriano. A primeira, porque por lá passava com muita regularidade, em direção a Antas, onde vivia a minha avó paterna. Aquela ponte de pedra, mandada construir em 1930 pelo dono da azenha (data inscrita num pilar da ponte), foi calcorreada vezes sem conta por mim e os meus irmãos; a segunda porque foi onde apreendi a nadar; e a terceira porque a família que a explorava tinha comigo e com a gente da minha casa uma relação de forte empatia.

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Azenha do Sebastião, também conhecida por Azenha do Minante. Foto PR4 – trilho das azenhas de Anta, município de Esposende

Na do Palhurdo, para onde também muitas castelenses se deslocavam para grandes lavagens da roupa de casa, consumi horas sem conta. O rio era a minha perdição. Ainda muito criança, nado já com estilo e aventuro-me pelo largo profundo. Mergulho a profundidades de 4 metros para apanhar objetos que os adultos atiram à água para testar a minha destreza. “Agora é que vamos ver quanto vale o ranhoso”, diziam os marmanjões. Eufórico e ofegante, surgia à tona da água e atirava as tralhas para a margem do rio, como autênticos troféus de caça. Aquilo suava a provocação e aquela turba, fora de si, procurava cada vez mais objetos que não fossem visíveis no fundo do rio e não deixavam sair ninguém da água enquanto os mesmos não fossem encontrados.  Era assim que estava desaparecido tardes inteiras, para desespero dos de casa, que, apesar de tudo, não deixavam de mourejar no campo. Aparecia ao fim do dia junto deles, onde me era aplicada severa punição, para depois se prolongar a jorna, como castigo máximo para mim, mas que se estendia a todos.

Decorridos mais de 20 anos, acompanhado do Rui Alpuim, um amigo pintor, voltei ao Palhurdo, para que o Rui me pintasse a azenha e a sua envolvente de tão gratas recordações. Não podia ter sofrido maior desapontamento. Começou nos caminhos de acesso, que por falta de uso quase se tornaram intransitáveis, e acabou em toda a envolvente da azenha, com um forte matagal que tudo invadia. Todos os espaços onde brincava e de onde mergulhava a petizada quase tinham desaparecido. Isto sem esquecer a forte poluição de que sofria o rio resultante dos resíduos da fábrica de resina, situada junto à ponte do Neiva, que dá acesso a Antas e ao Porto. Bom, sumiu-se a ideia do quadro, que já nada apetecido era. Mas depois de tanto esforço, encomenda feita, lá se pintou. Apesar de bem conseguido, nunca o encarei bem. Transacionou-se mais tarde, mas hoje estou arrependido. Julgo que, na altura, compreendi mal a evolução do tempo e as transformações que este opera nas formas de viver e estar dos povos.

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A azenha do Palhurdo, pintada por Rui Alpuim. A azenha da minha meninice e do meu desencanto quando adulto

As azenhas tinham vida intensa e os moleiros ganhavam para viver eles e a família. Normalmente, os donos tinham casa de lavoura e aproveitavam os carros de vacas para recolher os sacos de milho pela freguesia carreando-os até à azenha. Moído o milho, já sem a maquia a que o moleiro tinha direito, havia que devolver aos respetivos donos os sacos, mas agora com farinha. Este vai e vem socializava as gentes do Castelo. Os contactos eram intensos, as amizades estabeleciam-se e ninguém se queixava, mesmo quando parecia que o milho moído tinha rendido pouco.

Em tempos pensei em fazer um trabalho pormenorizado sobre estas azenhas que vinham da ponte à foz, quase todas propriedade de castelenses. Tinha em mente contar a história de cada uma: o seu nascimento, os donos, o seu funcionamento, particularmente no verão, com água aprisionada pelos açudes, os valores de moagem, etc. Mas o tempo não dá para tudo e, agora, muita desta informação está perdida, por falta de registos e morte das famílias. Pode ser que ainda não seja tarde, mas para alguém mais afoito.

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Mais uma Azenha do Rio Neiva pintada por Rui Alpuim

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

POIS, O RIO ONDE APRENDI A NADAR

Quando as crónicas fazem uma travessia no tempo e nos levam até a um passado que nos deixou marcas, tudo se torna mais fácil. Por vezes, difícil é saber como parar, para não nos tornarmos maçadores, em relação a quem perde tempo a ler-nos.

O Rio Neiva do meu tempo de petiz não tinha só o encanto próprio da meninice. Tinha o encanto das azenhas, dos rios limpos, sem poluição das fábricas e da suinocultura, sem a conspurcação de detritos de toda a ordem, porque naquele tempo tudo se aproveitava e nem detritos havia, tantas e tão grandes eram as dificuldades de vivência dos portugueses.

Naquele tempo os rios estavam isentos de vegetação, porque havia guarda-rios, tal como havia cantoneiros. Infelizmente algumas coisas boas de outros tempos não foram aproveitadas e deviam-no ter sido. O progresso não se faz deitando fora o que de bom e prático havia, tal como não se deve "deitar fora o menino com a água do seu banho", como é usual dizer-se.

Bom mas eu não tenho saudades daquele tempo, porque a nostalgia não pode ser superior a realidades diferentes, em que o progresso tirou tanta e tanta gente da miséria endémica.

ESPOSENDE: INICIARAM AS OBRAS DA 1ª FASE DO PARQUE TEMÁTICO DOS MOINHOS DE VENTO DA ABELHEIRA

Dando cumprimento a um anseio antigo da população e da freguesia de Marinhas, o Município deu início à execução da 1.ª fase do Parque Temático dos Moinhos de Vento da Abelheira.

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O projeto será executado faseadamente, sendo que numa primeira fase vai ser concretizada a recuperação de três moinhos de vento, que são propriedade do Município. A intervenção corresponde a um investimento de 153 500 euros, sendo financiada a 85% através da candidatura “Qualificação das Experiências de Turismo da Natureza no Minho - Redes de Visitação da Natureza”, integrada na Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE. A este investimento soma-se o valor de aquisição dos moinhos, que orçou 62 500 euros.

Pretende-se, assim, recuperar e colocar ao serviço da comunidade este conjunto de azenhas e moinhos de vento, classificado como de Interesse Municipal, transformando-o num parque temático ligado às energias renováveis e ao ciclo do pão. Nesta primeira fase serão intervencionados os moinhos de vento números "3", "6" e "7", mas o futuro parque temático abrange sete espaços expositivos, onde será apresentado todo o processo que envolve a sementeira e a recolha do grão, assim como os diversos processos necessários à sua preparação para a moagem. Aos moinhos estarão associados os temas da eletricidade; do ciclo do pão e da etnografia a ele associado; das questões ambientais do uso de energias; das respostas sensoriais que a cultura do cereal permite experimentar através do tato, olfato e visão, às questões sobre os cereais híbridos ou geneticamente modificados. Um dos espaços, distinto pelo aspeto arquitetónico vanguardista, abordará o futuro da energia.

Relativamente ao moinho "3", pretende-se fazer a recuperação funcional a partir dos vestígios remanescentes no local, recuperando toda a informação tecnológica e capitalizando os resultados na reconstituição fidedigna do moinho, por exemplo no que respeita a materiais, técnicas construtivas, volumes e soluções tecnológicas tradicionais. Nos outros dois moinhos, será executada uma recuperação parcial, garantindo emprego de técnicas não invasivas e consequentemente a preservação da integridade dos elementos existentes, salvaguardando-os, uma vez que se trada de Património Classificado ao nível concelhio.

Esta ação integra-se na estratégia de promoção turística do território concelhio, através da valorização e preservação do seu património material e imaterial, interligando-se também com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, assumidos para o programa de ação municipal.

Consciente da importância deste projeto, particularmente para Marinhas, mas de relevante interesse no contexto concelhio e até regional, o Município empenhou-se na sua concretização, pelo que, apesar de ainda não ser detentor da totalidade dos moinhos, resolveu avançar com a execução, de forma faseada.

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ESPOSENDE RECUPERA MOINHOS DE VENTO

Município lança primeira fase da obra do Parque temático dos Moinhos de vento da Abelheira

O Município de Esposende vai arrancar com a obra de recuperação de três moinhos de vento, propriedades do Município, iniciando assim a primeira fase do processo de constituição do Parque Temático dos Moinhos de Vento da Abelheira, em Marinhas. A recuperação dos moinhos insere-se no âmbito da candidatura Qualificação das Experiências de Turismo da Natureza no Minho – Redes de Visitação da Natureza – Moinhos da Abelheira/Esposende, integrada na Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE, financiada a 85% e terá um investimento de 155.000 euros.

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Esta ação integra-se na estratégia de promoção do Turismo no Município de Esposende através da valorização e preservação do seu património material e imaterial. A intervenção global está prevista para os sete moinhos, mas nesta fase avançaremos com a recuperação dos três edifícios que são propriedade da Câmara Municipal. No futuro ficará ali implantado o parque temático ligado às energias renováveis e ao ciclo do pão”, refere Benjamim Pereira, presidente da Câmara Municipal de Esposende.

As obras de conservação abrangem os moinhos de vento números "3", "6" e "7", os quais são já propriedade do município, mas o futuro parque temático abrange sete espaços expositivos, onde será apresentado todo o processo que envolve a sementeira e a recolha do grão, assim como os diversos processos necessários à sua preparação para a moagem. Aos moinhos estarão associados os temas da eletricidade; do ciclo do pão e da etnografia a ele associado; das questões ambientais do uso de energias; das respostas sensoriais que a cultura do cereal permite experimentar através do tato, olfato e visão, às questões sobre os cereais híbridos ou geneticamente modificados. Um dos espaços, distinto pelo aspeto arquitetónico vanguardista, abordará o futuro da energia.

Relativamente ao moinho "3", pretende-se fazer a recuperação funcional a partir dos vestígios remanescentes no local, recuperando toda a informação tecnológica e capitalizando os resultados na reconstituição fidedigna do moinho (no que respeita a materiais, técnicas construtivas, volumes, paleta de cores, soluções tecnológicas tradicionais e molinologia local).

No que se refere aos outros dois moinhos, pretende-se uma recuperação parcial, garantindo emprego de técnicas não invasivas e consequentemente a preservação da integridade dos elementos existentes.

Esposende reúne vários moinhos eólicos e hidráulicos. Entre os núcleos dos engenhos de moagem movidos pela força do vento, além dos de Abelheira estão referenciados os de Cedovém em Apúlia, entre outras unidades disseminadas pelo concelho. Refira-se que a Casa das Marinhas, foi inspirada, arquitetada e construída a partir de um moinho e transformada em habitação, pelo conceituado arquiteto esposendense Viana de Lima. Portugal assinala o Dia Nacional dos Moinhos a 7 de abril.

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