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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PORTUGUESES DE MALACA TRAJAM E DANÇAM À MODA DO MINHO... DENTRO DO POSSÍVEL!

Salvando o crioulo português centenário da Península Malaia

Na Península Malaia, uma pequena comunidade de falantes do crioulo português sobreviveu quase quatro séculos desde que os europeus do sul foram expulsos da região. À beira da extinção, há pessoas trabalhando para preservar esta língua e cultura raras

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Esta di Papia Kristang (Kristang Language Festival 2017). Foto: Kodrah Kristang

 

Em 2015, meio chinês, meio português-eurasiano Kevin Martens Wong começou a pesquisar para um artigo sobre línguas ameaçadas de extinção no Sudeste Asiático quando topou com Kristang. (...)

Fonte: https://southeastasiaglobe.com/

CENTRO ARTÍSTICO DE FAMALICÃO E LUSODESCENDENTES VÃO ETERNIZAR FERNÃO DE MAGALHÃES EM PINTURA MURAL NO BAIRRO PORTUGUÊS EM MALAC

Sob a orientação do centro artístico famalicense A CASA AO LADO, os lusodescendentes e a população local a residir no Bairro Português em Malaca (Malásia) vão, este fim de semana (7 a 9 de fevereiro), prestar homenagem ao navegador Fernão de Magalhães, através de uma pintura mural baseada na azulejaria portuguesa a realizar num muro com 10 metros de comprimento por 3 metros de altura, situado no centro do Bairro Português em Malaca.

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Designado “Um TRAÇO por Magalhães”, o projeto desenvolvido pelo centro artístico A CASA AO LADO, em parceria com a Associação Coração de Malaca, o Instituto Camões e o Movimento Internacional Lusófono (MIL), surge no âmbito das comemorações do quinto centenário da Primeira Volta ao Mundo, tendo como missão deixar uma “marca” da identidade portuguesa em diferentes comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

“Além de ajudar a requalificar o património municipal e local, a intervenção artística a realizar no Bairro Português em Malaca tem como objetivo criar um polo de referência turística que integre os roteiros da arte urbana do próprio bairro”, explica Joana Brito, diretora artística d’A CASA AO LADO. 

“Com este projeto pretendemos também ajudar a potenciar o empreendedorismo local, ensinando os participantes a produzir peças artesanais através de técnicas simples de reprodução gráfica, tirando assim partido da imagem criada no mural artístico, para que posteriormente possam vender as peças a turistas”, reforça Joana Brito.

A mesma responsável considera que “o facto de este projeto de arte urbana envolver a participação ativa da comunidade local proporciona não apenas o acesso à experimentação artística a jovens com condições socioeconómicas vulneráveis, mas também a integração de jovens em risco de exclusão social e o desenvolvimento da consciência cívica, pela promoção da cidadania e participação na comunidade”.

Ainda no âmbito do projeto ‘Um TRAÇO por Magalhães’, refira-se que A CASA AO LADO já realizou, nos últimos meses, intervenções semelhantes (pinturas murais) em Portugal, envolvendo as comunidades locais em Matosinhos, Leça da Palmeira e Ponte da Barca.

Recorde-se que, em maio do último ano, A CASA AO LADO envolveu cerca de 150 emigrantes e lusodescendentes a residir no bairro nova-iorquino do Soho na criação de um vitral baseado nos padrões da azulejaria portuguesa, num projeto integrado no evento ‘Portugal in Soho’, organizado pelo Arte Institute, e que marcou o arranque do processo de internacionalização d’A CASA AO LADO.

Vocacionado para procurar o envolvimento em projetos que, partindo de uma educação/formação artística de base, permitam assegurar o cunho artístico interventivo nas comunidades, consagrando a sua marca e primando pela autenticidade, o centro artístico A CASA AO LADO foi fundado em 2005, em Vila Nova de Famalicão, pelo traço dos artistas plásticos Joana Brito e Ricardo Miranda, integrando desde 2018 a rede de Clubes UNESCO no campo da intervenção e criação artística.

Para 2020, A CASA AO LADO tem já asseguradas intervenções artísticas a realizar em conjunto com as comunidades portuguesas a residir em Cabo Verde, na cidade da Praia, e no Brasil, em Brasília, ao abrigo de uma parceria com o Movimento Internacional Lusófono (MIL), um movimento cultural e cívico internacional que visa a promoção da cultura lusófona no mundo.

PORTUGUESES DE MALACA DANÇAM FOLCLORE DO MINHO

À semelhança do que se verifica nomeadamente em Goa e na Tailândia, existe em Malaca uma comunidade que resulta do cruzamento de povos e culturas promovido pela expansão marítima dos portugueses nas longínquas paragens da Ásia. São eles os “portugueses de Malaca”, descendentes dos navegadores portugueses e da sua miscigenação com malaios, goeses e chineses.

Orgulhosos das suas origens, os portugueses de Malaca procuram preservar a sua identidade, reproduzindo como podem a língua e as tradições portuguesas. Eles celebram as festas tradicionais portuguesas, preservam a religião, conservam hábitos alimentares. E, sempre que uma oportunidade se lhes apresenta, nomeadamente quando o Navio-Escola Sagres aporta num porto próximo, exibindo ufano as suas velas com a Cruz de Cristo, apressam-se por visitá-lo e rodear os nossos marinheiros com o seu carinho, revelando um patriotismo a todos os títulos surpreendente, sobretudo se tivermos em consideração que a sua esmagadora maioria jamais visitou a pátria dos seus antepassados ao longo de cinco séculos.

Não esperem, pois, os puristas do folclore encontrar aqui uma autenticidade que por vezes não existe sequer nos grupos folclóricos constituídos nas próprias regiões de origem. Registe-se, tão simplesmente, o apego que, gentes de origem portuguesa, tão distantes no espaço e no tempo, conservam pelas nossas raízes culturais, constituindo por si mesmo um exemplo para os que nunca tiveram a desdita de emigrar.

O MINHO NA HERANÇA CULTURAL DOS PORTUGUESES DE MALACA

Malaca fica situada no litoral sul da Península Malaia, entre Kuala Lumpur e Singapura, a milhares de quilómetros de distância de Portugal. Muitos dos seus habitantes descendem dos descobridores portugueses e de suas famílias miscigenadas, nomeadamente com gentes da antiga Índia Portuguesa e do antigo Reino do Sião, atual Tailândia, onde também se estabeleceram. Em 1511, já lá vão mais de quinhentos anos, Afonso de Albuquerque ali aportou conjuntamente com um milhar de homens. Falam o papiá Kristáng que é como quem diz “fala cristã” e que constitui um crioulo português utilizado na Malásia e em Singapura. São conhecidos como os portugueses de Malaca.

Esta comunidade é atualmente constituída por cerca de cinco mil falantes a viver em Malaca e teve a sua origem nos casamentos celebrados entre navegadores portugueses e migrantes goeses, também eles de ascendência indo-portuguesa, com mulheres malaias.

Com o objetivo de dominar o comércio das especiarias provenientes das Filipinas, Timor, Macau e Ilhas Molucas, os portugueses apoderaram-se de Malaca e ali mantiveram o seu domínio durante quase século e meio até cair em mãos holandesas quando estes, rivalizando com a Espanha e aproveitando-se da situação difícil em que Portugal se encontrava após a proclamação da Restauração da Independência, lograram tomar o território que viria mais tarde a passar ao domínio britânico.

Apesar de jamais terem visitado Portugal e serem escassos os contactos com a cultura e as entidades portuguesas desde o fim da soberania portuguesa naquele território ocorrida no século XVII, os portugueses de Malaca procuram por todos os meios preservar a sua herança cultural e identificar-se o mais possível com os símbolos e até as regiões portuguesas como se nelas tivessem nascido de facto. A manutenção desta identidade tem sido fundamental para assegurar um estatuto próprio e conferir uma autoestima a um povo que, afinal, possui um passado que resulta da grande epopeia realizada pelos portugueses que aproximou povos e criou novas identidades.

Um dos aspetos curiosos da maneira de ser dos portugueses de Malaca consiste na forma como executam danças tradicionais portuguesas como o “Vira di Santa Marta”, o “Verdi Gayo” e a “Ti Anika”, algumas das quais introduzidas em meados do século passado por missionários portugueses enviados com o propósito de lhes prestar assistência religiosa. Existe, porém, quem acredite que algumas daquelas dançam foram levadas pelos navegadores portugueses ao tempo das caravelas.

Os trajes que exibem são naturalmente estilizados e constituem cópias aproximadas dos trajes mais genuínos. As danças são executadas a um ritmo porventura alterado. As cores e formas exuberantes dos trajes minhotos encontram-se entre as suas preferidas. Mas, não se questiona aqui o rigor etnográfico dos seus trajes nem a autenticidade do seu reportório mas a sinceridade dos seus sentimentos que os levam a orgulharem-se das suas origens portuguesas e do legado deixado pelos seus ancestrais, apesar de nunca terem experimentado a felicidade de pisar a terra que viu nascer os seus antepassados antes de partirem nas naus para cumprirem um desígnio e uma missão que foi o de estabelecer o predomínio dos portugueses nos mares do Oriente.

É, naturalmente, algo de bastante comovente quando vemos que, apesar da distância temporal e geográfica que os separa de Portugal, continuam a sentir-se espiritualmente ligados a esta Pátria que a consideram como sua, mantêm a identidade que os identifica por todos os meios ao seu alcance e sem usufruir de quaisquer apoios por parte das entidades portuguesas, orgulhando-se da sua herança cultural e conservando-a com a dignidade que lhes é devida como portugueses. E, envergando fatos que de alguma forma procuram sugerir os nossos trajes tradicionais, exibidos com muito garbo e carinho, vemo-los a executar danças com designações tão sugestivas como “Ao nosso Algarve”, “O Vira vamos”, “Fado di Coimbra” e “Kantu sen fazé fabor”. Trata-se, com efeito, de um extraordinário exemplo de portuguesismo que convida à reflexão por parte daqueles que jamais tiveram a necessidade de viver distante da sua Pátria.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/ (Adaptado)

Apesar da distância geográfica e dos quinhentos anos decorridos desde a chegada dos portugueses a Malaca, os seus descendentes conservam como podem a sua identidade cultural.