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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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VIANA DO CASTELO: ROMANCE “A QUINTA DO CEDRO” VENCE 3ª EDIÇÃO DO PRÉMIO LITERÁRIO LUÍS MIGUEL ROCHA

O romance “A Quinta do Cedro”, de António Manuel de Melo Breda Carvalho, foi o vencedor da 3ª edição do Prémio Literário Luís Miguel Rocha, destacando-se entre os 61 trabalhos concorrentes.

O júri decidiu escolher por unanimidade o romance “A Quinta do Cedro”, apresentado com o pseudónimo Martim Cruz, “pela originalidade e consistência da trama narrativa, evocando um certo Portugal do Estado Novo até ao momento da Revolução de 1974, com apreciável poder de reconstituição de ambientes; também pelo assinalável domínio da língua portuguesa e pelas suas capacidades de expressão”. 

“No ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de abril, esta memória do passado e os ventos de mudança que atravessam o romance, mais do que uma simples coincidência, não deixam de ser um contributo celebrativo”, considerou o júri composto por Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica), Isabel Mateus (Universidade do Minho) e Cláudia Gomes (Direção Editorial da Porto Editora).

O vencedor receberá da Câmara Municipal de Viana do Castelo o prémio no valor de 6.000 euros e a obra será editada pela Porto Editora.

Sobre o vencedor, António Breda Carvalho nasceu na Mealhada, em 1960. É professor e publicou o seu primeiro livro em 1990. Autor de várias obras, incluindo estudos regionais, foi distinguido com inúmeros prémios de conto e de romance, o último dos quais o Prémio Literário Carlos de Oliveira (2018), da Câmara Municipal de Cantanhede, atribuído ao romance A Odisseia do Espírito Santo, publicado em 2019. Romances publicados: As Portas do Céu (Menção de Honra no Prémio Literário António Feliciano de Castilho, 2000); O Fotógrafo da Madeira (vencedor do Prémio Literário João Gaspar Simões, 2010); Os Azares de Valdemar Sorte Grande (Menção de Honra no Prémio Literário João Gaspar Simões, 2012); Os Filhos de Salazar, 2016; O Crime de Serrazes, 2017; Morrer na Outra Margem, 2018.

Recorde-se que, desde a sua criação, o Prémio Literário Luís Miguel Rocha destina-se a galardoar uma obra inédita de ficção literária, na área do romance, que não tenha sido premiada em outro concurso.

O desafio foi criado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, em parceria com a Porto Editora, para incentivar a criatividade literária, bem como o gosto pela leitura e pela escrita, atividades essenciais ao desenvolvimento intelectual do indivíduo e cultural da região e do país.

Simultaneamente, o Prémio visa homenagear e divulgar o escritor “vianense” Luís Miguel Rocha pela sua fulgurante produção literária. Luís Miguel Rocha nasceu na cidade do Porto em 1976 e veio cedo para Viana do Castelo, onde fez os seus estudos no ensino básico e secundário. Desde jovem que dedicou em exclusivo à escrita, tendo publicado seis títulos que se encontram traduzidos em mais de 30 países.

Uma das suas obras, “O Último Papa”, figurou no top do The New York Times e vendeu meio milhão de exemplares em todo o mundo. Na sequência de doença prolongada, Luís Miguel Rocha morreu a 26 de março de 2015, em Viana do Castelo. Postumamente, em fevereiro de 2016, foi publicado o seu livro “Curiosidades do Vaticano”.

CAMINHA: "UM LIVRO, UMA CONVERSA E ÀS VEZES UM FILME" APRESENTA LIVRO “GALLAECIA, UM POUCO A NORTE” DE JOÃO PEDRO MÉSSEDER

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Sessão terá lugar dia 12 de abril, pelas 18H00

"Um livro, uma Conversa e às vezes um filme" vai apresentar já na sexta-feira, dia 12 de abril, o livro “Gallaecia, um pouco a Norte”, de João Pedro Mésseder. Este livro “é um livro de poesia trilingue e uma homenagem à Galiza” e vai ser apresentado pela galega Helena Pousa Ortega. A sessão conta com a presença do autor e terá lugar pelas 18H00, na Biblioteca Municipal de Caminha. Esta iniciativa está integrada na programação da VI Festa do Livro e conta com um recital a cargo da Academia Sénior.

Para além de apresentar o livro em causa, João Pedro Mésseder também vai fazer a leitura dramatizada da sua obra “Romance do 25 de Abril”, para os alunos do 2º ciclo do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, nas Bibliotecas de Caminha e de Vila Praia de Âncora.

Para nós, o autor escreveu um poema especial e que passamos a citar:

 

“Canção de Caminha e de Vila Praia de Âncora

 

Muito minha

a beleza de Caminha?

Muito tua

a de Vila Praia de Âncora?

Nem uma é minha,

nem outra é tua.

 

São ambas do vento,

são ambas do mar,

são ambas do céu

e das suas nuvens,

são ambas dos rios,

são ambas dos montes.

 

E, não duvides,

são da Serra d’Arga

de António Pedro,

e à hora do banho

são de Cesariny

a escrever o Romance

da Praia de Moledo”.

 

João Pedro Mésseder

 

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João Pedro Mésseder (Porto, 1957), nome literário de José António Gomes, é escritor, vive no Porto e publicou numerosas obras quer para adultos quer para os mais jovens. Ganhou quatro prémios pelos seus livros de poesia Fissura (2000), Uma Pequena Luz Vermelha (2000), Clube Mediterrâneo: doze fotogramas e uma devoração (2017) e Estação dos Líquidos (2021), e publicou mais de duas dezenas de obras para adultos. Cinco dos seus livros infanto-juvenis (Pequeno Livro das Coisas, 2012, De Umas Coisas Nascem Outras, 2016, Caras, 2022, e outros) foram igualmente distinguidos. O seu Romance do 25 de Abril atinge, em 2024, a 6.a edição. Três dos últimos títulos que publicou: Espanta-espíritos (2020), A Quem Pertence a Linha do Horizonte? (2020) e As Casas das Coisas (2023). Em 2023, foi distinguido pelo município com a Medalha de Mérito da cidade do Porto. Livros seus foram traduzidos para espanhol, galego e francês. É doutorado pela Universidade Nova de Lisboa, professor do ensino superior politécnico e investigador na área da literatura.

Como já referimos e se pode ler na sinopse da obra “este é um livro de poesia trilingue e uma homenagem à Galiza: ao povo e à terra, à sua língua, cultura e identidade. Pode ser lido como uma pequena viagem poética a uma região de singular encanto - irmã de Portugal -, de cujo idioma medievo (veículo de grande poesia trovadoresca) brotaram dois: as línguas a que hoje chamamos Galego e Português.

Além de se apresentarem na sua língua original, os versos de João Pedro Mésseder surgem aqui traduzidos para Galego e para Castelhano por Isabel Soto López, uma das mais reconhecidas tradutoras da Galiza, também crítica literária e editora”.

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Para apresentar o seu livro, João Pedro Mésseder convidou Helena Pousa Ortega, nascida na Galiza, em Goián (Tominho). Estudou Filologia Galego-Portuguesa na Universidade de Santiago. Foi professora no IES Sampaio de Tui e deu aulas de galego e de português.

Investigou aspetos relativos às soluções lingüísticas da denominada “raia molhada”,  nomeadamente no Baixo Minho galego e parte do Alto Minho português. Já leva recolhidos mais de 7.000 nomes de lugar na microtoponimia de várias freguesias dos concelhos do Baixo Minho e O Condado ( Goián, As Eiras, Enteza, Areas etc.), para o Proxecto Toponimia de Galicia, agora denominado Galicia nomeada.

Colabora também em investigações e publicações sobre a repressão da mulher na guerra civil espanhola: Mulleres represaliadas no cárcere de Tui (1936-1939).

Atualmente colabora no jornal Nós Diário e na revista Nova Ardentia com artigos sobre a raia molhada, as suas características e as suas analogias.

BRAGA EVOCA A ESCRITORA BRACARENSE MARIA ONDINA BRAGA

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Braga evoca Maria Ondina em Colóquio Internacional “Cartografia(s) da Memória e das Emoções”

“Cartografia(s) da Memória e das Emoções” é o título do III Colóquio Internacional Maria Ondina Braga, que vai realizar-se Sexta-feira e Sábado, 12 e 13 de Abril, no Museu Nogueira da Silva, em Braga.

Organizado pelo Museu Nogueira da Silva e pelas universidades do Minho e Católica, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e Município de Braga, o III Colóquio Internacional Maria Ondina Braga é oportunidade para se reunirem especialistas portugueses e estrangeiros em torno da obra de Maria Ondina Braga (falecida em 2003), marcada pelas viagens que a escritora realizou pelo Mundo.

Os interessados devem efectuar a sua inscrição no Museu Nogueira da Silva, sito na Av. Central, 61, 4710-228 Braga, através do email sec@mns.uminho.pt ou do contacto telefónico 253 601 275. O valor da inscrição é de 15 euros para o público geral e cinco euros para estudantes.

Solitária e discreta, Maria Ondina cruzou culturas e percorreu os quatro cantos do mundo, viajando entre o ocidente e o oriente, sentindo sempre o ímpeto da partida e o desencanto da chegada. “Partir é bom, mas, pensar em partir, melhor ainda. Quanto a mim, acho que tenho sempre chegado. Partir é esperança. Chegar, desencanto”.

As cartografias literárias e pessoais de Maria Ondina dão o mote para a iniciativa que vai reunir diversos escritores, poetas, actores, artistas plásticos, académicos literários e outros oradores, entre os quais Lídia Jorge, Pedro Mexia, Mónica Baldaque e António Durães.

O Congresso arranca pelas 10h00, com os temas «Paisagens olfactivas de Macau e de Braga: reconstrução de memórias, afectos, emoções em Estátua de Sal e Vidas Vencidas», de Dora Gago e «Emoção e autoficção» de Cândido Oliveira Martins. A moderação está a cargo de António Gonçalves.

Pelas 11h30, Carlos Corais modera a conversa entre Rita Patrício que vai abordar «Janelas Falsas»; Duarte Drummond Braga com «Errâncias inter e intra-coloniais em Eu vim para ver a terra» e Michela Graziani que vai apresentar «Sinto em minha alma ânsias infinitas de criar». A sensibilidade poética de Maria Ondina Braga.

À tarde, pelas 14h30, o evento conta com as comunicações de Claire Williams «Vidas memorializadas» e Isabel Mateus «Ilhas desconhecidas: memória, sensação e crónica em Maria Ondina Braga», com moderação de Carlos Mendes de Sousa.

Pelas 16h30, irá realizar uma Mesa-Redonda com o tema Testemunhos, com moderação de Helena Trindade e participações de José António Barreiros; José Miguel Braga; Jorge Ulisses e Adelina Vieira.

No sábado, 13 de Abril, a iniciativa abre pelas 9h30, com uma nova Mesa-redonda com Lídia Jorge; Pedro Mexia e Mónica Baldaque e moderação de Isabel Cristina Mateus e Cândido Oliveira Martins.

Pelas 11h30, irá decorrer um momento cultural com Luís Pipa a apresentar, Ondina - Composição original para piano solo e a leitura de textos de António Durães.

Nascida em Braga, a escritora Maria Ondina Braga tornou-se uma cidadã do mundo, face à sua vocação cosmopolita, viajando e trabalhando em vários continentes e países – da Europa (França, Inglaterra), passando pelo Brasil, por Angola e por Goa, com destaque para Macau e para a China. A sua obra multifacetada (contos, romances, crónicas, memórias) mostra-se profundamente marcada pela congenial vocação para a viagem e para o diálogo intercultural.

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Maria Ondina Braga (Braga, 13 de Janeiro de 1922 – Braga, 14 de Março de 2003), foi uma escritora e tradutora portuguesa.

Maria Ondina abandonou sua cidade natal, Braga, nos anos de 1950 para estudar línguas em Paris e Londres, onde se licenciou em literatura Inglesa pela Royal Asiatic Society of Arts. Prosseguiu os seus estudos em França e na Inglaterra, trabalhando como enfermeira. Regressou a Portugal em 1964, depois de ter sido professora, sucessivamente, em Angola, Goa e Macau. Desenvolveu também a atividade de tradutora, traduzindo obras deErskine Caldwell, Graham Greene, Bertrand Russell, Herbert Marcuse e Tzvetan Todorov. Colaborou em várias publicações periódicas como Diário de Notícias, Diário Popular, A Capital, Panorama, Colóquio/Letras e Mulher.

Incluindo na sua bibliografia a poesia e as crónicas de viagem, Maria Ondina Braga afirmou-se como ficcionista, sendo considerada um dos grandes nomes femininos da narrativa portuguesa contemporânea. Depois de ter vivido em Lisboa por muitos anos, voltou a Braga, onde morreu em 14 de Março de 2003.

Fonte: Wikipédia

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AUTOR DE PONTE DE LIMA APRESENTA LIVRO EM LONDRES – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Miguel Ayres de Campos – Tovar, é um investigador contemporâneo com vários trabalhos publicados sobre temática regional, afincadamente da Ribeira Lima e Braga, com a residência alternada entre Londres, onde exerce a função de gestor de coleções privadas e consultadoria de arte, e os seus solares, berços de família nas freguesias de Sá, em Ponte de Lima e Abade do Neiva, em Barcelos.

Mas, desta vez, haverá um regresso, curto, à capital britânica para apresentação do seu último estudo; o livro reúne a colecção de escultura Sam Fogg, um colecionador nascido nos Estados Unidos da América, mas cujo acervo se reparte por Hong Kong e Londres. Assim, no próximo dia 9 de Abril, pelas 17,30 horas, com um vernissage será tornado público a pesquisa e dedicação durante longo tempo a essas peças provenientes de várias pontos do mundo, incluindo Portugal, reunidas em três pisos da residência, por um milionário amante da arte!

A fechar, umas palavras sobre o autor, nosso amigo, bibliófilo que certo dia rumou a Inglaterra para seu trajecto académico, nos graus de licenciatura e doutoramento, por  Oxford e capital do Reino Unido, fixando - se depois durante parte do ano em Ponte de Lima. Aqui radicado, Miguel Ayres de Campos proporcionou-nos há um ano atrás, a edição com quase três centenas de páginas de um precioso, completo historial dos solares ou casas senhoriais do Vale do Lima.

Para os próximos meses, há a elencar mais produção científico – limiana com entidades locais como: município, Santa Casa da Misericórdia, Instituto Limiano – Museu dos Terceiros e o Clube de Gastronomia de Ponte de Lima.

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ESPOSENDE: ESCRITORA ILSE LOSA NASCEU HÁ 111 ANOS

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Ilse Lieblich Losa nasceu a 20 de Março de 1913, em Bauer, na Alemanha. Perseguida pelo regime nazi em virtude da sua ascendência judaica, veio para Portugal em 1934, radicando-se no Porto, onde conheceu o marido, o arquiteto esposendense Arménio Losa.

É nesta cidade que Ilse Losa inicia a escrita literária com a obra “O Mundo em que vivi” (1949) e se consagra como escritora.

Escreveu livros para crianças e para adultos e colaborou com diversos jornais e revistas portuguesas e alemãs, tendo sido distinguida com vários prémios literários, entre os quais o “Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças – Melhor Texto”, de 1980-1981, pelo livro “Na Quinta das Cerejeiras”, e o “Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças”, em 1984, pelo conjunto da sua obra. Ilse Losa faleceu em Janeiro de 2006, na sua casa do Porto.

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Esta fotografia reproduz a imagem de Ilse Losa [1913-2006] a passear no pinhal da sua casa de Esposende, em 1970. Ilse, nascida na Alemanha, casou com Arménio Losa [1908-1988], prestigiado arquiteto português, natural de Esposende, onde entre vários obras, projetou a sua casa de férias, mantendo assim raízes próximas com a sua terra de nascimento

Fonte: Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura

“CABRAL – O DESCONHECIDO” DESEMBARCA NO BRASIL PELQS MÃOS DO ESCRITOR JOÃO MORGADO

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  • Crónica de Ígor Lopes

O premiado escritor português João Morgado estará de visita ao Brasil para uma série de eventos que marcarão o lançamento da sua obra mais recente: "CABRAL - O Desconhecido".

A visita, programada para o período de 22 de março a 7 de abril, passa pelo Rio de Janeiro, Macaé, São Paulo, Porto Alegre, Canoas e Florianópolis. Terá ainda uma passagem pelo Uruguai, por Montevideu e Punta del Este.

No Rio de Janeiro, sexta-feira, 22 de março, pelas 15h, o autor estará na Biblioteca da Marinha do Rio de Janeiro, numa cerimónia em conjunto com a Academia Luso-Brasileira de Letras, que o empossará como académico correspondente. Às 19h, estará presente na Casa do Minho, como convidado especial das comemorações do centenário desta instituição, uma iniciativa que prevê a participação de autoridades do Brasil e de Portugal, como membros das autarquias de Viana do Castelo e de Braga, além do embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos. No dia seguinte, sábado, 23, visitará oficialmente o Real Gabinete de Leitura. No dia 26 de março, terça-feira, pelas 18h, apresentará o livro no Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, no Palácio São Clemente, na presença oficial da Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, a embaixadora Gabriela de Albergaria.

Já em São Paulo, dia 27 de março, quarta-feira, será recebido na Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística e, no dia 28, estará presente no tradicional “Almoço das Quintas” na Casa de Portugal. Mais tarde, às 18h, apresenta o livro no Salão Saramago da mesma instituição.

João Morgado deverá passar a Páscoa junto da Comunidade Portuguesa de Montevidéu. Dia 30 de março será recebido pelo embaixador de Portugal no país, João Pedro Antunes, e, pelas 15h, falará dos 500 anos do Nascimento de Camões na Casa de Portugal de Montevideo. Além do seu livro “Cielo del Mar” (Em Espanhol), apresentará ainda a obra “O Pássaro dos Segredos”, sobre o “25 de Abril”, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos. Domingo de Páscoa estará de visita a Punta del Este, onde falará na sede da “Liga de Punta del Este, Fomento y Turismo”.

Em Porto Alegre, no dia 1 de abril, segunda-feira, tem agendada uma participação num jantar palestra promovido pelo Conselho das Comunidades Portuguesas, através do Conselho Regional das Américas Central e do Sul (CRACS).

Em Canoas, também no Sul do Brasil, a 2 de abril, terça-feira, começa cedo o dia, as sete da manhã, num “Café com Cultura”, a convite da Câmara de Indústria, Comércio de Serviços de Canoas, numa organização conjunta com os Rotary Club de Canoas Industrial.

Em Florianópolis, dia 3, pelas 16h, João Morgado apresenta o livro no Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. No dia 4 de abril, o autor estará presente na FIN Brasil - Feira Internacional de Negócios. João Morgado está convidado como presidente da Casa do Brasil - Terras de Cabral, em Portugal, e apresentará também o livro no palco principal da feira.

Dia 5 e 6 de abril, João Morgado estará no Brasil em contacto com a comunidade portuguesa, mais precisamente no Rio de Janeiro.

“CABRAL - O DESCONHECIDO”

A obra em destaque é uma edição brasileira do original "Vera Cruz", que recebeu a "Medalha do Mérito Literário da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral”, em 2017. "CABRAL" é um romance biográfico que mergulha na vida do navegador que oficializou as terras do atual Brasil para a coroa portuguesa. O livro é resultado de uma extensa pesquisa sobre essa figura histórica tão significativa.

A Editora Clube de Autores apresenta a obra "CABRAL", no Brasil. O autor questiona: “o que conhece de Pedro Álvares Cabral, antes e depois de 1500?” A obra apresenta aspetos pouco conhecidos da vida do navegador, como a sua rivalidade com Vasco da Gama, as suas batalhas nos desertos de África, a liderança e humanismo em Terras de Vera Cruz em contraste com o seu perfil bélico que levou à destruição de uma cidade nas Índias, e ainda o arrependimento dos feitos ao virar as costas ao rei.

João Morgado, além de escritor, é presidente da Casa do Brasil - Terras de Cabral, em Belmonte, Portugal. O seu trabalho de investigação sobre Pedro Álvares Cabral tem sido amplamente reconhecido, sendo agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cívico e Cultural pela República Federativa do Brasil. O autor também recebeu o Troféu "Cristo Redentor" da Academia de Letras e Artes de Paranapuã, no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao seu empenho na promoção da rica cultura luso-brasileira.  A sua participação em instituições como o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e a Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina demonstra o seu compromisso com a preservação e divulgação da história e cultura. No Rio de Janeiro, será recebido como académico da Academia Luso-Brasileira de Letras.

João Morgado recebeu os seguintes prémios literários: Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca 2020 :: Prémio Literário Ferreira de Castro 2019 :: Prémio "Medalha do Mérito Literário da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral”, 2017 :: Prémio Literário António Gaspar Serrano, 2016 :: Prémio Nacional de Literatura LIONS 2015 :: Prémio Literário de Poesia Arandis - Manuel Neto dos Santos, 2015 :: Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’ Escritas, 2015 :: Prémio Literário António Alçada Baptista 2014 :: Prémio Literário Virgílio Ferreira 2012.

O trabalho do autor pode ser conhecido em: www.joaomorgado.net

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A MULHER DE VIANA DO CASTELO – SEGUNDO O ESCRITOR RAMALHO ORTIGÃO – FOTOS DE CARLOS VIEIRA

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A aldeã do distrito de Viana é, por via de regra, tecedeira. É preciso não se confundir o que no Minho se chama tecedeira com o que geralmente se entende por teceloa. A tecedeira de Viana não se emprega numa fábrica nem tem propriamente uma oficina. Sabe simplesmente tecer como a menina de Lisboa sabe fazer crochet; e junto da janela engrinaldada por um pé de videira o seu pequenino tear caseiro, como o da casta Penépole, tem o aspecto decorativo de um puro atributo familiar, como um cavalete de pintura ou um órgão de pedais no recanto de um salão. A tecedeira trabalha mais para si do que para os outros nesse velho tear herdado e transmitido de geração em geração, e não tece servilmente e automaticamente, como nas fábricas, sobre um padrão imposto pelo mestre da oficina, mas livremente, como artista, ao solto capricho da sua fantasia e do seu gosto, combinando as cores segundo os retalhos da lã de que dispõe, contrastando os tons e variando os desenhos ao seu arbítrio. Tecer em tais condições é educar a vista e o gosto para a selecção das formas num exercício infinitamente mais útil que o de todas as prendas de mãos com que nos colégios se atrofia a inteligência e se perverte a imaginação das meninas de estimação, ensinando-lhes ao mesmo tempo como se abastarda o trabalho e como se desonra a arte.

(…) O marido minhoto, por mais boçal e mais grosseiro que seja, tem pela mulher assim produtiva um respeito de subalterno para superior, e não a explora tão rudemente aqui como em outras regiões onde a fêmea do campónio se embrutece de espírito e proporcionalmente se desforma de corpo acompanhando o homem na lavra, na sacha e na escava, acarretando o estrume, rachando a lenha, matando o porco, pegando à soga dos bois ou à rabiça do arado, e fazendo zoar o mangual nas eiras, sob o sol a pino, à malha ciclópica da espiga zaburra.

Fonte: Ramalho Ortigão in As Farpas

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NÚCLEO DE ARTES E LETRAS DE FAFE COMEMORA 34 ANOS DE ACTIVIDADE

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O Núcleo de Artes e Letras de Fafe comemorou este sábado 34 anos de existência, porquanto foi oficialmente fundado em 2 de Março de 1990 e teve os seus estatutos publicados no Diário da República em 12 de Abril do mesmo ano.

Foram seus fundadores os escritores Artur Ferreira Coimbra (sócio nº 1 e presidente da direcção desde a fundação), Armindo Freitas Magalhães e Manuel Ribeiro, outorgantes da escritura, além de mais de uma dezena de artistas e homens de letras locais.

São seus objectivos básicos a promoção da arte, da literatura, da cultura e dos valores locais, bem como a defesa da língua e da cultura portuguesa, o que tem concretizado através da realização de conferências, colóquios, exposições, prémios literários, edição de livros e revistas e visitas de estudo para os associados.

Destinado a artistas e homens de letras, que tenham exposto ou publicado obras de sua autoria, e tenham nascido ou residam em Fafe, o Núcleo integra mais de quatro dezenas de associados maioritariamente gente da área das letras, ligada sobretudo à literatura e ao jornalismo, sendo os restantes artistas plásticos, alguns de grande projecção nacional e até internacional, como é o caso de Orlando Pompeu.

A primeira grande realização da instituição foi a organização dos Encontros Literários Fafe/90, durante dois dias, em torno de Camilo Castelo Branco e com a participação, entre outros, dos maiores especialistas camilianos, entretanto falecidos, Alexandre Cabral e o P.e Manuel Simões.

A actividade mais permanente do Núcleo de Artes e Letras tem sido a área das publicações.

Em 1992 era publicado o 1.º número da Perfil – Revista de artes e letras, com a participação de autores locais e de nomes consagrados das letras portuguesas (Eugénio de Andrade, Mário Cláudio, José Augusto Seabra, Ana Hatherly, Melo e Castro e José Manuel Mendes, entre outros). Quatro anos depois, editou-se o segundo número da revista, com o qual se interrompeu a sua publicação.

Entretanto, em 1993, havia-se publicado a colectânea Nascentes Plurais, com textos em prosa e verso e reprodução de obras de autores locais. No mesmo ano, saía a Obra Póstuma de Manuel Ribeiro, co-fundador do NALF, falecido em Outubro daquele ano. Em 1997, foi publicada a colectânea Olhares e em 2002 Vozes Várias. Depois, Mar de Manhãs em 2005 e Palavras de Cristal, em 2011. Em 2015, foi editada a colectânea Dias de Prata, comemorativa dos 25 anos de vida da instituição.

Em 2001, o Núcleo editou um grande trabalho com o título Dicionário de Fafenses, de Artur Coimbra, reeditado em 2010. Entretanto, em co-edição, publicou Fafe – Crónicas e Rostos, de Teixeira e Castro (2000) e Isto é Poesia (2004).

Entretanto, desenvolveu outras actividades, como organização de exposições de artes plásticas de artistas locais, concursos literários e artísticos e organização de debates e de recitais de poesia.

Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe realizou uma importante iniciativa, em 22 de Abril de 2004, no centro da cidade, no sentido de promover a leitura. Designada Poesia na Rua”, a iniciativa constou da selecção de poemas de 15 autores locais, os quais foram implantados nos jardins da Praça 25 de Abril, Rua Monsenhor Vieira de Castro, Rua António Saldanha, Praceta Egas Moniz, Largo Ferreira de Melo e jardim da Estação, em placas que visam perpetuar o louvor à poesia.

Mais recentemente, em 2013, o NALF instituiu um prémio de poesia para a língua portuguesa, o Prémio de Poesia Soledade Summavielle, homenageando esta poetisa maior do concelho, já com várias edições.

Outra das iniciativas que tem tido continuidade é a realização dos cursos livres de História Local, que dão origem a obras de investigação historiográfica.

Em 2010, o curso versou as incidências da I República em Fafe. Em 2012, o Núcleo de Artes e Letras promoveu a apresentação da publicação, com o título A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história, da autoria dos historiadores Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.

O II Curso Livre de História Local, sobre a temática do impacto da Guerra Colonial (1961-1974) no concelho de Fafe, realizou-se em 2013.

No ano seguinte, seria publicada a obra O Concelho de Fafe e a Guerra Colonial (1961-1974) – Contributos para a sua história, da autoria dos investigadores Artur Ferreira Coimbra, Artur Magalhães Leite, Daniel Bastos, José Manuel Lages e Jaime Bonifácio Marques da Silva.

Em 2016, o Núcleo de Artes e Letras organizou o seu terceiro Curso Livre de História Local, em torno da temática do Poder Local Democrático em Fafe, a propósito das primeiras eleições autárquicas de 12 de Dezembro de 1976. Participaram nele os historiadores Daniel Bastos, Artur Magalhães Leite, António Cândido de Oliveira e Artur Ferreira Coimbra, seguido de um espaço de “Testemunhos e Experiências dos Protagonistas”, com os quatro presidentes de câmara do pós-25 de Abril.

O quarto Curso Livre de História Local, em 2019, teve como tema “Viagens pelo Séc. XX em Fafe”, da Monarquia do Norte à desagregação do Estado Novo e ao surgimento do 25 de Abril de 1974, tendo como oradores Artur Ferreira Coimbra, Artur Magalhães Leite e Daniel Bastos.

Além da co-edição com a Labirinto de várias edições da colectânea Cintilações da Sombra (2013, 2014 e 2015), depois transformada em revista literária, de que saíram já três números, o NALF publicou em 2014 a obra Diz-lhes que não falarei nem que me matem, de Marta Freitas, sobre a biografia prisional de Carlos Costa e em 2016 a obra Assim o faço, do Cónego Valdemar Gonçalves.

De relevar ainda a realização dos Encontros Literários de Fafe, sob o tema “A Literatura e as Artes”, em 20 e 21 de Maio de 2016, e que tiveram a intervenção dos docentes universitários Cândido Oliveira Martins, João Amadeu Carvalho e  Pedro Eiras, bem como do escritor Vergílio Alberto Vieira.

Todos os anos o NALF promove actividades e eventos no âmbito do Dia Mundial da Poesia.

Ao longo dos anos, o NALF tem homenageado figuras das artes e das letras locais, como Manuel Ribeiro, Ruy Monte ou Soledade Summavielle, promovendo ainda a apresentação de diversas obras literárias de autores locais (e não só), concursos literários, de artes e fotografia, entre outros.

Mais recentemente, além de colectâneas de autores locais, debates, intervenções em escolas, recitais poéticos, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe tem organizado encontros literários, e publicações, a mais recente das quais data de Dezembro de 2023, a obra completa de Soledade Summavielle, de que já aqui demos notícia.

30. A PRIMEIRA REPÚBLICA EM FAFE - ELEMENTOS PARA A SUA HISTÓRIA, EM COLABORAÇÃO (2012).jpg

31. FAFE, MEU AMOR. TEXTOS E IMAGENS SOBRE O CONCELHO (ANTOLOGIA, 2013).jpg

52. Soledade Summavielle Obra Completa (2023).jpg

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ROSALÍA DE CASTRO: PIONEIRA DO REXURDIMENTO CULTURAL DA GALIZA

Rosalía de Castro é justamente considerada a fundadora da moderna literatura galega ou seja, o movimento cultural do rexurdimento que está na origem do nacionalismo galego. A poetisa nasceu em Santiago de Compostela, em 21 de fevereiro de 1837, e faleceu em Padrón, em 15 de julho de 1885.

Escrita em galego e castelhano, a sua poesia inspira-se na lírica popular trovadoresca, tendo publicado em galego “Cantares Gallegos” e “Folhas Novas” e, em castelhano, “En las Orillas del Sar”. A Galiza celebra o Dia das Letras Galegas em 17 de Maio, invocando a edição de “Cantares Gallegos”, a sua primeira obra em galego.

Rosalia

 San Antonio bendito,

                                          dádeme um home,

                                           anque me mate,

                                 anque me esfole.

 

                                     Meu santo San Antonio,

                                 daime um homiño,

                                 anque o tamaño teña

                                 dun gran de millo.

                                 Daimo, meu santo,

                                 anque os pés teña coxos,

                                 mancos os brazos.

 

                                     Uma mller sin home...,

                                 ίsanto bendito!,

                                 é corpiño sin alma,

                                 festa sin trigo,

                                 pau viradoiro

                                 que onda queira que vaia

                                 troncho que troncho.

 

                                     Mais, em tendo um homiño,

                                 ίVirxe do Carme!,

                                 non hai mundo que chegue

                                 pra um folgarse.

                                 Que, zambo ou trenco,

                                 sempre é bo ter un home

                                 para um remédio.

 

                                     Eu sei dum que cobisa

                                 causa miralo,

                                 lanzaliño de corpo,

                                 roxo e encarnado,

                                 caniñas de manteiga,

                                 e palavras tan doces

                                 qual mentireiras.

 

                                 Por el peno de día,

                                 de noite peno,

                                 pensando nos seus ollos

                                 color de ceo;

                                 mais el, xá doito,

                                 de amoriños entende,

                                 de casar pouco.

 

                                     Facé, meu Sant Antonio,

                                 que onda min veña

                                 para casar conmigo,

                                 nena solteir

                                 que levo en dote

                                 uma culler de ferro,

                                 carro de boxe,

 

                                     un irmanciño novo

                                 que xá tem dentes,

                                 unha vaquiña vella

                                 que non dá leite...

                                 ίAi, meu santiño!:

                                 face que tal suceda

                                 cal volo pido.

 

                                     San Antonio bendito,

                                 dádeme um home,

                                 anque me mate,

                                 anque me esfole,

                                 que, zambo ou trenco,

                                 sempre é bo ter un home

                                 para um remédio.

ÁRVORE DAS VIRTUDES 60 ANOS – COOPERATIVA ÁRVORE APRESENTADO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CAMINHA

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Apresentação terá lugar dia 17 de fevereiro, pelas 17H00

Em fevereiro, “Uma Conversa, Um Livro e às vezes um Filme” vai apresentar o livro “Árvore das virtudes 60 anos – Cooperativa Árvore”, no dia 17, pelas 17H00, na Biblioteca Municipal de Caminha. A apresentação terá como convidados José Emídio, Isabel Ponce de Leão e Manuel Cabral.  É organizada pela Câmara Municipal e Amigos da Rede de Bibliotecas de Caminha.

O livro “Árvore das virtudes 60 anos – Cooperativa Árvore” retrata os 60 anos daquela que é uma instituição incontornável da cidade do Porto e do país, através de uma retrospetiva pelos momentos mais marcantes da Árvore, dos artistas e atividades que têm contribuído para a sua atividade cultural: desde Eugénio de Andrade, ao escultor José Rodrigues, passando por Nadir Afonso, Álvaro Siza, Manoel de Oliveira, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cláudio, entre outros.

Em Caminha, a apresentação do livro conta com a presença de José Emídio, Presidente do Conselho de Administração da Árvore, Cooperativa de Atividades Artísticas, CRL; Isabel Ponce de Leão, coordenadora do livro e vogal do Conselho de Administração da Cooperativa Árvore e, ainda, Manuel Cabral, presidente do Conselho de Administração da Fundação Museu Nacional Ferroviário.

A iniciativa “Uma Conversa, Um Livro e às vezes um Filme” decorre regularmente na Biblioteca Municipal de Caminha e é organizada pela Câmara Municipal e Amigos da Rede de Bibliotecas de Caminha.

José Emídio

Nasceu em Matosinhos, em 1956.

Licenciatura em Artes Plásticas, pela ESBAP, em 1981.

Professor efetivo do ensino secundário de 1979 a 2000.

Professor do Ensino Superior, no Curso Superior de Desenho da ESAP de 1982 a 1997, inicialmente como assistente do Pintor Rolando Sá Nogueira e posteriormente como Diretor do referido curso.

Foi Presidente da Direção da Cooperativa de Ensino Superior Artístico do Porto - CESAP, desde janeiro de 1991, a fevereiro de 1997 (dois mandatos).

Membro da Direção da Árvore Cooperativa de Atividades Artísticas, CRL, na qualidade de vogal da Direção, de 1989 a 2009.

Vice-Presidente da mesma instituição de 2009 a 2018.

É atualmente Presidente do Conselho de Administração da Árvore, Cooperativa de Atividades Artísticas, CRL, com mandato renovado até 2025.

A partir de 1976, desenvolve a atividade de pintor, participando em inúmeras exposições coletivas, realizando regularmente exposições individuais, no país e no estrangeiro.

Tem participado em diversas publicações literárias, com reprodução de trabalhos seus, na área da ilustração, bem como, em conferências e seminários como orador e ainda, trabalho como responsável de exposições e projetos artísticos, designadamente em inúmeros projetos de obra pública.

 Tem ainda desenvolvido trabalho nas tecnologias da cerâmica, designadamente, painéis cerâmicos, do vitral e de obra gráfica em gravura, litografia e serigrafia.

Isabel Ponce de Leão

Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal, membro do Centro de Estudos Globais (CEG – U. Aberta), do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS – U. Minho), do Círculo de Estudos do Centralismo (CEC) e do INfAST; vogal do Conselho de Administração da Cooperativa Árvore e vice-presidente do Centro de Estudos Regianos. Como docente e investigadora colabora com outras instituições de ensino superior, em Portugal, América Latina, sobretudo Brasil, e vários países Europeus. Faz parte do conselho editorial e / ou científico de várias revistas, jornais e outras publicações e integra comissões científicas de colóquios, congressos e outros eventos, que também promove, bem como júris académicos e de prémios literários aos níveis nacional e internacional. A sua atividade estende-se à comunidade civil cooperando com diversas Câmaras Municipais, particularmente com a do Porto, onde é Presidente da Comissão de Toponímia. Áreas de investigação: Jornalismo Cultural, Antropoceno, Ecocrítica, Estudos Globais, Literatura Moderna e Contemporânea e Interartes. É autora de inúmeras publicações, particularmente nas três últimas áreas referenciadas. (cf. https://www.cienciavitae.pt/portal/E314-D183-0B42).

Manuel Cabral

Jurista, tem tido a oportunidade de intervir na administração pública e na atividade económica e cultural. Atualmente, preside a Fundação Museu Nacional Ferroviário.

ESCRITORA MONÇANENSE DANIELA PEREIRA LANÇA VRO “AS HISTÓRIAS ARCO-ÍRIS”

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Primeiro livro de Daniela Pereira está à venda na Fnac, Bertrand e Wook, encontrando-se disponível nas livrarias de Monção. É um livro didático, colorido e enriquecedor, amigo da natureza e dos animais, que os mais pequenos vão adorar.

No final do ano passado, Daniela Pereira, natural de Merufe, lançou o livro “As Histórias Arco-Íris”. Esta manhã, foi recebida por António Barbosa. Ambos falaram da importância da leitura na infância, dos motivos que estiveram na génese da criação do livro e do percurso feito até à sua impressão e disponibilização ao público.

Com chancela da editora Cordel d`Prata, “As Histórias Arco-Íris” apresentam oito contos, cada um “envolvido” numa personagem e numa cor do arco-íris. Primeiro, surgem as aventuras da joaninha Estrelinha, seguindo-se a laranjeira encantada, a rã amarela no mundo dos dinossauros e um sapo especial e charmoso, chamado Nestor.

Neste livro, colorido ao olhar e entretido ao ler, exploramos o fundo do oceano com o peixinho Brilhante, todo azul, conhecemos o dragão Índigo, cuja missão é salvar o planeta, e escutamos, deliciosamente, Violeta, a flor cantora.  O último conto é a compilação de todas as cores, onde é possível “tocar” nos sonhos e “caminhar” pelo arco-íris.

Gosto pela leitura e paixão pelas crianças

O gosto de Daniela Pereira, hoje com 39 anos, pelo universo imaginário trazido pelas personagens e cenários dos livros, começou em França, pais de acolhimento dos seus pais, onde viveu entre os 3 e os 18 anos de idade, frequentando o ensino básico e secundário.

Durante esse período de infância e adolescência, sempre teve um livro na mesa de cabeceira da cama ou na mala de viagem, para folhear nas viagens familiares à nossa terra. A afeição pela escrita e as primeiras incursões no mundo das letras, só aconteceram quando “veio de vez” para Portugal.

No nosso país, Daniela Pereira licenciou-se em Educação de Infância, tendo, nesse período, enveredado pelo caminho da escrita, juntando a afinidade pela leitura com a paixão pelas crianças. Duas direções que se cruzam, carinhosamente, no interior criativo e afetivo de Daniela Pereira.

Neste percurso, a escritora salienta o apoio e incentivo do professor Manuel Couto, a quem dedicou o seu livro de estreia, bem como a inspiração dos livros da coletânea infanto-juvenil “Uma aventura”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, todos incluídos no Plano Nacional de Leitura.  

O nome “As Histórias Arco-Íris”, deve-se, segundo a autora, à tranquilidade de espírito que lhe proporciona a imagem das cores celestes e à necessidade da sociedade em construir pontes coloridas de afeto e cumplicidade, valorizando aspetos como a convivência, a amizade e a sustentabilidade.

Emoções, cores e ensinamentos

No preâmbulo, Karina Ferreira, refere que não existem antídotos para o desejo ardente de, em algum momento da nossa vida, regressarmos à infância, mas existem livros, como este, que nos reavivam a memória, transportando-nos para um mundo confabulado repleto de emoções, cores e ensinamentos. “Um livro delicioso de se ler, tanto para miúdos como graúdos” assinala.

Apesar do pouco tempo nos escaparetes físicos e virtuais das livrarias Fnac, Bertrand e Wook, bem como nas papelarias/livrarias de Monção, a receção tem sido positiva e as apreciações favoráveis. Satisfeita com o arranque, Daniela Pereira está confiante no futuro deste projeto editorial, cuja proximidade ao público acontece de diferentes formas.

E, se tal acontecer, como acredita, uma nova publicação pode estar a caminho: “A pandemia deu-me tempo para escrever e trouxe-me outros motivos de inspiração. Não fugindo à literatura infantil, a minha vontade é continuar a mostrar o meu trabalho. A primeira impressão dos leitores é fundamental. Vamos ver. Tenho esperança”.

Ler é voar mais alto.

Se tivermos um arco-íris no horizonte, a viagem será, ainda mais, apetecível e enriquecedora.

SOLEDADE SUMMAVIELLE, POETISA FAFENSE MAIOR COM EXPRESSÃO NACIONAL

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Soledade Summavielle na década de 40 do século XX

  • Crónica de Artur Coimbra

Neste dia 7 de Fevereiro, evocamos a figura da maior poetisa fafense de todos os tempos, Soledade Summavielle, a propósito do seu falecimento, já lá vão 24 anos.

Soledade Summavielle Soares nasceu em Fafe, em 7 de Dezembro de 1907 e faleceu na capital portuguesa, no dia 7 de Fevereiro de 2000. É um nome cimeiro da literatura fafense, com expressão nacional, já que viveu grande parte da sua vida em Lisboa.

Uma existência longa dedicada inteiramente à arte, esta a de Soledade: foi cantora e ceramista, mas seria na poesia que mais se salientaria a sua actividade artística.

A sua faceta de cantora lírica é porventura a menos conhecida, conquanto tenha atingido nela elevada notoriedade. Lembremos que Soledade cantou no Teatro-Cinema de Fafe e em locais de culto da época: no Teatro S. João do Porto, no Casino da Póvoa de Varzim, no Salão Nobre do Orfeão do Porto e no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa. Colaborou em diversos concertos do pianista-compositor Thomaz de Lima, em Serões de Outono na ex-Emissora Nacional, ao lado do pianista Sequeira Costa e em recitais de música portuguesa na Radiodifusão francesa, em Paris.

Atraída ainda pelas artes plásticas, a notável e saudosa artista fafense foi aluna do pintor Marques de Oliveira, tendo-se dedicado particularmente à cerâmica.

Simultaneamente, revelou-se como poetisa, a partir dos anos 60, publicando uma dezena de obras que a singularizam como uma das vozes mais fortes e sentimentais da poesia portuguesa.

Publicou o seu primeiro livro, Sol Nocturno, em 1963. Seguiram-se Tumulto (1966), Âmago (1967), Canto Incerto (1969, Prémio da Academia de Ciências de Lisboa), Búzio (1971), Sagitário (1973), Tempo Inviolado (1977), Movimento de Asas (1984) e Escrínio (1987). Em 1988, reuniu toda a sua obra poética no volume 25 Anos de Poesia. Em 1991, publicou aquela que seria a sua última obra poética vinda a público, com o título Jardim Secreto.

Tem poemas em diversas antologias, designadamente, as colectâneas 800 Anos de Poesia Portuguesa (1973), Poetas de Fafe (1985) e Olhares (1997). Além disso, deixou colaboração dispersa por vários jornais e revistas (entre os quais, diversas publicações da sua terra natal), salientando-se a que prestou ao “Suplemento Literário” do Diário de Notícias, de que foi directora a poetisa e sua amiga Natércia Freire.

Em prosa, publicou as obras para crianças O Pirilampo do Bairro (1972) e Brisa – História de uma Andorinha (1979). Traduziu A Estrela do fundo dos Mares, de Jacques Chabar, A Princesa da Lua, de Patrick Saint Lambert e A Estrela de Carlina, de Dielette.

O Cenáculo Artístico e Literário “Tábua Rasa” distinguiu-a, em 21 de Janeiro de 1971, com um jantar de homenagem a que se associaram figuras altamente representativas das artes e das letras nacionais, como eram os casos de Hernâni Cidade, Natália Correia, Natércia Freire e João Maia, entre outros.

Analisaram e enalteceram a sua poesia figuras maiores da literatura nacional, como Jacinto do Prado Coelho, João Gaspar Simões, Hernâni Cidade, Luís Forjaz Trigueiros, Natércia Freire, António Quadros, João de Araújo Correia, Guedes de Amorim e Amândio César, entre outros.

Soledade Summavielle foi co-fundadora do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, em 1990. Por isso, esta associação cultural lhe prestou várias homenagens após o seu falecimento além de ter instituído há mais de uma década o Prémio de Poesia Soledade Summavielle, em sua memória, que teve já três edições, e que inclui um premio pecuniário e a edição da obra premiada.

Para dar a conhecer a sua vida e obra o Núcleo de Artes e Letras de Fafe editou em Dezembro a obra "Soledade Summavielle - Obra Completa".

A obra inclui uma introdução inicial que sintetiza a vida e obra artística da poetisa, reproduzindo os dez livros de poesia publicados por Soledade Summavielle ao longo da sua vida literária, entre 1963 e 1991, num total de 314 poemas, a que se acrescentam mais 5 poemas publicados em jornais e coletâneas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe. Acrescentam-se nove textos em prosa, que alargam a dimensão do labor literário de Soledade Summavielle, para campos diferentes do exercício da poesia.

São cerca de 500 páginas, em louvor da decana dos poetas fafenses.

Este livro, que cremos representar um notável contributo para o conhecimento, valorização e divulgação da vida e sobretudo da obra de Soledade Summavielle, tem em seu propósito constituir uma homenagem ao nome maior das letras fafenses e do mesmo passo fixar o seu nome luminoso no património imaterial do concelho e do país!

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Soledade Summavielle na década de 30 do século XX

Soledade cantou o Minho e a sua terra natal, Fafe, que nunca esqueceu e a que regressava regularmente, para temporadas na sua casa de família.

Um dos poemas mais emblemáticos da excelsa poetisa fafense tem o título

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BIOGRAFIA

Sou Poetisa. Por força do destino

E porque foi no Minho que nasci.

Gerei-me entre giestas, rosmaninho,

Bebi nas suas fontes, recolhi

Na íris dos meus olhos, o fulgor,

Da paisagem mais verde que já vi.

Este meu jeito de cantar, ficou-me

Dos pássaros cantores que lá ouvi.

 

Povo do meu País: levai meus Poemas.

Apertai-os nas rudes mãos calosas.

Ungi-os do perfume acre da terra,

Mais denso que o das rosas.

 

Lede-os ao sol, aos campos, às colinas.

Decorai-os depois, naturalmente,

E bebei-lhes o amor da vossa sede.

Sofrei também, sofrei fraternalmente,

O travo do amargor das minhas queixas,

Os sonhos que sonhei e não vivi.

Beijai-me neles, que me exaltareis.

Foi para todos vós que os escrevi.

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Poetisa fafense irrenegável, cantou a sua terra, como ninguém, com vários textos e poemas, entre os quais o seguinte:

FAFE

 

Embandeiro em arco as verdes áleas

Da terra onde nasci, para a cantar.

Ternura de pensar-te berço quente,

De embalar.

 

Raiz daquela árvore fragrante

De que um dia flori, de onde me vem

Uma saudade doce e comovida –

Minha Mãe.

 

Sob a polpa macia dos teus dedos

Me ressoam acordes de cetim...

Terra ondulante, um dia serás leve,

Sobre mim.

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 Soledade Summavielle está justamente perenizada na toponímia da sua cidade natal desde 2021.

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Leça da Palmeira, 14.03.1943 - 4.JPG

Soledade Summavielle em Leça da Palmeira em 1943

2.1- SOL NOCTURNO - 1963 - PRIMEIRO LIVRO.jpg

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2.10. JARDIM SECRETO - 1991 - ÚLTIMO LIVRO.jpg

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AMARES APRESENTA LIVRO “SÁ DE MIRANDA E A HISTÓRIA LITERÁRIA”

O Município de Amares e a Direção do Centro de Estudos Mirandinos apresentam o livro "Sá de Miranda e a História Literária", em sessão que se realizará no próximo dia 25 de janeiro, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda. A apresentação da obra está a cargo de Sérgio Guimarães de Sousa, Diretor do Centro de Estudos Mirandinos.

"Sá de Miranda e a História Literária" é o segundo volume da coleção “Estudos Mirandinos”, que visa promover e divulgar a investigação em torno da figura e da obra de Francisco de Sá de Miranda, aprofundando, com isso, a compreensão do lugar canónico do poeta na história da literatura portuguesa.

No seguimento da sessão será realizada a tomada de posse dos membros da Direção do Centro de Estudos Mirandinos para o próximo quadriénio 2024-2027.

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QUEM FOI O ESCRITOR E POETA DELFIM GUIMARÃES A QUEM PONTE DE LIMA DEVE MUITOS DOS SEUS VERSOS?

O seu nome está ainda ligado à cidade do Porto onde nasceu, a Lisboa onde exerceu a sua atividade profissional e à Amadora onde viveu e concretizou muitas das suas realizações cívicas. Teve limianos como antepassados e algumas das suas descendentes nasceram em Ponte de Lima onde aliás também viveu.

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A Lisboa onde trabalhou e fundou a editora “Guimarães, Libânio e Cª” que viria mais tarde a adoptar a denominação de Guimarães Editores, atualmente pertencente ao grupo Leya. A Ponte de Lima à qual dedicou grande parte dos seus versos e também alguns dos seus romances, para além da sua enorme ligação familiar do qual foi inclusive Administrador do Concelho. E ainda à cidade da Amadora onde viveu e deixou importante obra cívica da qual salientamos a criação da Liga dos Melhoramentos da Amadora, responsável pela instituição da Escola Alexandre Herculano.

O nome de Delfim Guimarães encontra-se consagrado na toponímia de Lisboa, de Ponte de Lima e também da cidade da Amadora onde, aliás, dá o nome ao jardim que constitui a sua sala de visitas e aí tem erigido um busto. Apenas o Porto, cidade onde nasceu, não lhe prestou até ao momento a devida homenagem. A efeméride que este ano se assinala constitui uma excelente oportunidade para conhecer a vida e a obra deste escritor.

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“Delfim Guimarães. O Poeta da Amadora” é o título da melhor biografia até ao momento produzida acerca da vida e obra do poeta e escritor Delfim Guimarães. Da autoria de Lopes Vieira, o livro é uma edição da Câmara Municipal da Amadora, publicado em 1989 e encontra-se actualmente esgotado. A passagem dos 150 anos sobre a data do seu nascimento justificaria seguramente uma segunda edição desta obra.

Neste livro, o autor traça de uma forma admirável o perfil do escritor Delfim Guimarães, acrescentando à sua biografia a sua obra literária e a sua intervenção cívica, não apenas no domínio profissional como ainda como cidadão interventivo na sua época que deixou uma obra cujos frutos continuam a ser colhidos pelas actuais gerações. Referimo-nos principalmente à sua acção política e cívica naquela localidade que viria a ser o actual Concelho da Amadora, nomeadamente através da criação da Liga de Melhoramentos que, entre outras iniciativas, foi responsável pela fundação das Escolas Alexandre Herculano.

Lopes Vieira convida-nos a uma digressão através da obra literária do escritor Delfim Guimarães, apresentando-nos muitos dos seus poemas, grande parte dos quais dedicados ao Ponte de Lima, facto que por si só justificaria o seu reconhecimento como “O Poeta de Ponte de Lima” – se foi na Amadora que ele viveu grande parte da sua vida e pelo seu progresso social se bateu, não restam dúvidas de que foi a Ponte de Lima que dedicou os seus versos!

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Rua Delfim de Brito Guimarães (Lisboa)

Poeta 1872 - 1933

Freguesia(s): Campolide

Início do Arruamento: Rua Basílio Teles

Fim do Arruamento: Rua José Malhoa

Data de Deliberação Camarária: 08/02/1995

Data do Edital: 17/02/1995

Data do Edital do Governo Civil:

Data do Edital do Governo Civil:

Designação(ões) Anterior(es): Troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa.

Historial: “Aos vinte e três dias do mês de Setembro de mil novecentos e noventa e quatro pelas dezasseis horas, numa das salas dos Paços do Concelho, reuniu a Comissão Municipal de Toponímia (...) Seguiu-se a leitura de uma carta da casa do Concelho de Ponte Lima, solicitando que o nome do poeta Delfim Guimarães, seja atribuído a uma rua de Campolide, situada nas imediações da sede da referida Instituição.

A Comissão emitiu parecer favorável, designando para o efeito o troço da Rua A à Avenida José Malhoa, compreendido entre a Rua Basílio Teles e a Avenida José Malhoa que, assim, passará a denominar-se: Rua Delfim De Brito Guimarães/Poeta/1872 – 1933”.

Delfim de Brito Guimarães nasceu no Porto em 4 de Agosto de 1872 e faleceu na Amadora, em 6 de Julho de 1933. De filiação republicana e maçónica, estudioso das Letras Portuguesas, cavaleiro apaixonado pela Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, em querelas com Teófilo Braga ou em franca e admirativa correspondência com D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, conforme transcreveu no seu «Arquivo Literário». A sua paixão romântica pela política (União Republicana), levou-o às polémicas sobre as cores e os símbolos da bandeira nacional. Em 1889, veio para Lisboa e com apenas dezanove anos começou a trabalhar como guarda-livros no Século, onde passou a administrador. Ali permaneceu por dez anos mas foi obrigado

a retirar-se, pois a Administração não via com bons olhos a sua actividade literária. Fundou e consolidou uma importante Casa Editora – a Guimarães Editores, que ainda hoje existe na Rua da Misericórdia. Através desta editora, trouxe ao nosso conhecimento, autores estrangeiros notáveis em cuidadas traduções. Poeta, novelista, crítico, erudito, dramaturgo, investigador literário, Delfim de Brito Guimarães prestou valiosos serviços às letras portuguesas. Iniciou a sua carreira de escritor em 1893 com Alma Dorida, um livro de poemas escritos em prosa, dedicado à sua mãe. Nesse mesmo ano escreveu também Lisboa Negra, versos que dedicou à Capital, revelando a sua difícil adaptação a esta cidade. Confidências, um novo livro de poemas, é publicado em 1894 e, no ano seguinte, sai um livro de «orações», em verso, intitulado Evangelho. Em 1902, escreve uma comédia denominada Juramento Sagrado e neste mesmo ano, escreve um poema inspirado em ambientes medievais e de cariz romântico, chamado A Virgem do Castelo. No ano em que abre a Livraria, em 1903, publicou Outonais, obra em poesia dedicada ao amor e, em 1916, durante a Grande Guerra, por publicou uma colectânea de poemas de diversas métricas e estilos, intitulada A Alma Portuguesa. Deixou um património editorial inestimável, quer pelo fundo editorial acumulado, quer pelos serviços que prestou à cultura portuguesa.

Fonte: http://www.cm-lisboa.pt/

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A imagem mostra os descendentes do escritor Delfim Guimarães por ocasião da atribuição do seu nome a uma artéria de Lisboa.

Delfim Guimarães nasceu em Santo Ildefonso, no Porto e viveu grande parte da sua vida na Amadora, nos arredores de Lisboa, onde teve grande intervenção cívica e política. Porém, as suas raízes familiares encontram-se em Ponte de Lima, terra em relação à qual consagrou muitos dos seus poemas.

Em Lisboa fundou em 1899 a editora “Guimarães, Libânio e Cª”, actualmente conhecida como Guimarães Editores.

Na Amadora onde viveu e veio a falecer, em 6 de Julho de 1933, foi o grande impulsionador da Liga dos Melhoramentos da Amadora e das escolas Alexandre Herculano. Esta cidade consagrou-lhe um jardim em pleno centro, atribuindo-lhe o seu nome e aí descerrando o busto cuja imagem junto se reproduz. Autêntica sala de visitas da Amadora onde se realizam os principais eventos culturais, o Parque Delfim Guimarães foi inaugurado em 1937 pelo então Presidente da República, General Óscar Carmona.

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Delfim de Brito Monteiro Guimarães (Porto, 4 de Agosto de 1872 - Amadora, 6 de Julho de 1933) foi um poeta, ensaísta, bibliófilo e tradutor português.

Trabalhou na área comercial onde desempenhou funções de contabilista e de administrador de diversas empresas, mas ficou conhecido pela sua produção literária, nomeadamente poesia, ensaio, conto, teatro e história, tendo sido fundador da editora «Guimarães, Libânio e C.ª» em 1899, atualmente conhecida como Guimarães Editores.

Tem colaboração em publicações periódicas, como é o caso das revistas Branco e Negro (1896-1898), Ave Azul (1899-1900), A Sátira (1911), Atlântida (1915-1920) e na Revista de turismo iniciada em 1916.

Foi iniciado na Maçonaria na Loja O Futuro, em Lisboa, com o nome simbólico de Bakunine.

A 17 de maio de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Fonte: Wikipédia

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Exemplar com dedicatória oferecido ao jornalista Rocha Martins, aqui tratado por “ilustre camarada”, em 5 de Abril de 1921.

“Á Memória de Herculano” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1910, por ocasião da “celebração do centenário do nascimento do egrégio historiador português” ocorrida em 28 de março daquele ano, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.

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Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.

O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido a Henrique Marques, na dedicatória tratado como “bom amigo e camarada”.

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“Asas de Portugal” é o título de um poema de cariz patriótico da autoria do escritor e poeta Delfim Guimarães, publicado em 1922, por ocasião da primeira travessia aérea do Atlântico Sul levada a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no contexto das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil.

O poema foi escrito na Amadora, terra com grandes tradições aeronáuticas, e editado pela Livraria Editora Guimarães & Cª, editora fundada pelo próprio autor.

Com vasta obra literária, o escritor Delfim Guimarães nasceu no Porto em 4 de agosto de 1872, encontrando-se também ligado a Ponte de Lima, terra à qual dedicou a maioria dos seus versos e ainda á cidade da Amadora onde viveu e veio a falecer em 6 de julho de 1933.

O livro cuja imagem reproduz foi pelo autor oferecido à Redação do jornal Diário de Notícias.

O Parque Delfim Guimarães situa-se no centro da Amadora, na zona mais antiga da cidade, entre a Avenida Elias Garcia e a linha de caminho de ferro que, desde finais do século XIX, contribuiu decisivamente para a expansão do primitivo aglomerado urbano designado como Porcalhota.

Correspondendo ao mais antigo e emblemático espaço verde do concelho, construído na década de 30 do século XX, por iniciativa da então estrutura municipal sediada em Oeiras foi primeiro apelidado de Jardim-Parque da Amadora, ocupando os terrenos agrícolas situados nas imediações do bairro Santos Mattos, primeiro conjunto habitacional da cidade.

O espaço integrado no Parque organiza-se a partir de uma pérgola central, dotada de fonte e bancos em redor. A partir deste espaço definem-se caminhos sinuosos, pontuados por canteiros de roseiras e herbáceas. O jardim possui, igualmente, alguns elementos importantes para a história local como o busto do poeta Delfim Guimarães que deu o nome ao espaço e que se encontra implantado numa rotunda intermédia assim como algumas lápides comemorativas de efemérides locais.

Inicialmente o parque integrou um tradicional espaço com areia balouços e escorregas, conjunto que, depois de ter sido reformulado, se transformou num moderno parque infantil obedecendo às novas normas de segurança. Igualmente numa intervenção mais recente foi criada uma "zona de estadia formal", dotada de bancos e cadeiras.

História

O Parque Delfim Guimarães deve o seu nome ao poeta que viveu e faleceu na cidade (1872-1933) tendo contribuído para esta iniciativa o tenente Cândido Pinheiro, vereador da Câmara de Oeiras, residente na então freguesia da Amadora. O conjunto ajardinado foi inaugurado a 27 de Junho de 1937, na presença do Presidente da República, General Óscar Carmona, escassos dias depois de a Amadora ter sido elevada à categoria de vila. Em 1997 o jardim foi sujeito a obras de reconversão a cargo da Arquiteta Paisagista Patrícia França, tendo estas sido parcialmente concluídas em 2002. Em 2015 o espaço foi novamente objeto de uma intervenção, apostando-se desta vez numa poda algo radical das árvores existentes, intervenção esta com impactos negativos no valor paisagístico do conjunto, tendo sido reduzidas as áreas de sombra e a bela mancha verde que caraterizava o local. De notar que este é um dos poucos espaços verdes existentes na zona central da cidade tão intensamente urbanizada, algo que hoje se sabe ser indispensável para a melhoria da qualidade de vida da população.

Paulo Fernandes/IPPAR/2007. Atualizada por Maria Ramalho/DGPC/2015.

Fonte: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/

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Placa toponímica no Parque Delfim Guimarães, na Amadora, exibindo a heráldica do concelho de Oeiras em relação à qual a Amadora pertencia à época.

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Escultura no Parque Delfim Guimarães, na cidade da Amadora

PONTE DO LIMA

 

Ponte do Lima, berço de meu Pae,

Jardim encantador do nosso Minho,

É para ti que grande parte vae

Do meu carinho…

 

Tam engraçada, tam risonha e clara,

Toda em vinhedos, milharaes, pomares,

- Labruja, Freixo, Rebordões, Seara –

Que belos ares!

 

Tuas montanhas, rudes serranias,

Não teem inveja, á serra do Marão;

Tuas ermidas e alvas casarias

Lindas que são!

 

Fazes lembrar-me ás vezes, deslumbrante,

A nobre Coimbra – em ponto pequenino…

Beija-te os pés o Lima sussurrante

E cristalino…

 

És a mais bela, a mais fagueira estância

De quantas formam o diadema astral

D’esta pátria gentil, toda fragância,

Que é Portugal…

 

O teu viçoso campo-santo encerra

Cinzas queridas de parentes meus…

Bem hajas sempre, carinhosa terra,

Benza-te Deus!

 

Ali repousa meu avô paterno,

E à sua beira, em níveo caixãozinho,

Dormindo um sono sossegado, eterno,

Tenho um anjinho…

 

Assim, velando o sono da inocente

Filhinha que perdi de tenra idade,

Vejo, sorrindo, o bravo combatente

Da Liberdade.

 

Ai! Não te esqueço, terra sonhadora,

De frescas sombras, de saudável clima;

Castelã senhoril, dominadora,

Do rio Lima!

 

Se não é como filho que te quero,

Porque ao Porto consagro eu esse afecto,

A ti voto eu também culto sincero,

Amor de neto…

 

Amor de neto? Não; maior ainda!…

Dei-te uma filha à terra, ao chão de abrolhos,

E outra ahi me nasceu, graciosa e linda,

Luz dos meus olhos!

 

Se a minha filha, com amor filial,

Recorda a terra amada em que nasceu,

Com que feição ardente e paternal

Te quero eu!…

 

Ponte do Lima, berço de meu Pae,

Jardim encantador do nosso Minho,

É para ti que grande parte vae

Do meu carinho…

JORNALISTA HELENA VASCONCELOS APRESENTA EM BRAGA SEGUNDO VOLUME DAS OBRAS COMPLETAS DE MARIA ONDINA BRAGA

Amanhã, Sexta-feira, dia 12 de Janeiro, pelas 18h00, no Museu Nogueira da Silva, Braga

O Município de Braga promove a apresentação amanhã Do segundo volume das Obras Completas de Maria Ondina Braga intitulado “Biografias no Feminino: Mulheres Escritoras. Retratos com Sombras. Dispersos e Inéditos” de Maria Ondina Braga (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2023), um projecto editorial que conta com o apoio da Câmara Municipal de Braga. A cerimónia decorre amanhã, Sexta-feira, dia 12 de Janeiro, pelas 18h00, no Museu Nogueira da Silva, em Braga.

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A iniciativa conta com a presença de Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, e do administrador executivo da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Duarte Azinheira.

A apresentação do livro estará a cargo de Helena Vasconcelos (jornalista do Público) e de Margarida Pereira (UM/ELACH). Contará também com um momento musical de Luís Pipa, que tocará ao piano excertos da peça “Ondina”, a partir de “Ondine” de Ravel e de Debussy, originalmente composta para o espectáculo de encerramento das Comemorações de Maria Ondina Braga, que teve lugar no Theatro Circo, em Janeiro de 2023.

Este volume, além de reunir as biografias de Mulheres Escritoras, dá a conhecer as oito biografias de Retratos com Sombras, até agora inédito. Entre as escritoras biografadas contam-se nomes como Virginia Woolf, Katherine Mansfield, Selma Lagerlöf, Lou Andreas-Salomé, Teresa Margarida Silva Orta, Colette, Irene Lisboa, Anaïs Nin, Carson McCullers, Ana Plácido e Rosalía de Castro. O volume dá ainda a conhecer uma recolha de vários textos dispersos em jornais e revistas, publicados a partir de Abril de 1974, com particular destaque para a colaboração de Maria Ondina Braga na revista Modas e Bordados, bem como um conjunto significativo de textos inéditos que trazem à luz uma faceta desconhecida da escritora bracarense que foi também a escritora portuguesa mais cosmopolita do século XX.

PORQUE MIGUEL TORGA NÃO GOSTAVA DO MINHO?

Dizia o insígne escritor Miguel Torga que “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – como transmontano que era, dos pés à cabeça, desconhecia o escritor que o Minho também possuía outras cores como o branco da neve que a tempos cobre as serranias de Castro Laboreiro!

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"Desanimado, meti para Castro Laboreiro à procura dum Minho com menos milho, menos couves, menos erva, menos videiras de enforcado e mais meu. Um Minho que o não fosse, afinal. Encontrei-o logo dois passos adiante, severo, de curcelo e carapuça.

A relva dera finalmente lugar à terra nua que, parda como o burel, tinha ossos e chagas. O colmo de centeio, curtido pelos nevões, perdera o riso alvar das malhadas. Identificara-se com o panorama humano, e cobria pudicamente a dor do frio e da fome. Um rebanho de ovelhas silenciosas retouçava as pedras da fortaleza desmantelada. E uma velha muito velha, desmemoriada como uma coruja das catacumbas, vigiava a porta do baluarte, a fiar o tempo. Era a pré-história ao natural, à espera da neta.

Ó castrejinha do monte,

Que deitas no teu cabelo?

Deito-lhe água da fonte

E rama de tormentelo.

Bonita, esbofeteada do frio, a cachopa vinha à frente dum carro de bois carregado de canhotas. Preparava a casa de inverno para quandochegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves.

– Conhece esta cantiga?

– Ãhn?

Falava uma língua estranha, alheia ao Diário de Noticias, mas próxima do Livro de Linhagens do Conde de Barcelos.

– É legitimo este cão?

– É cadela.

Negro, mal encarado, o bicho, olhou-me por baixo, a ver se eu insistia na ofensa. O matriarcado teimava ainda...

– A Peneda?

A moça apontou a vara. E, como ao gesto de um prestidigitador, foram- se desvendando a meus olhos mistérios sucessivos. Todo o grande maciço de pedra se abriu como uma rosa. A Peneda, o Suajo e o Lindoso.Um nunca mais acabar de espinhaços e de abismos, de encostas e planaltos. Um mundo de primária beleza, de inviolada intimidade, que ora fugia esquivo pelas brenhas, tímido e secreto, ora sorria dum postigo, acolhedor e fraterno.

Quando dei conta, estava no topo da Serra Amarela a merendar com a solidão. Tinham desaparecido de vez as cangas lavradas e coloridas que ofendiam as molhelhas do suor verdadeiro. A zanguizarra dos pandeiros festivos e as lágrimas dos foguetes já não encandeavam a lucidez dos sentidos. Os aventais de chita garrida davam lugar aos de estopa encardida. Nem contratos pré-nupciais ardilosos, nem torres feudais, nem rebanhos de homens pequeninos, dóceis, a cantar o Avé atrás do cura da freguesia. Pisava, realmente, a alta e livre terra dos pastores, dos contrabandistas e das urzes. As pernas de granito dum velho fojo abriam-se num grande V, como as dum gigante no sono da sesta. E saltou-me vivo à lembrança o instantâneo de Joaquim Vicente Araújo, quando no seu Diário Filosófico da Viagem ao Gerês fala duma batida aos lobos, que presenciou, e em que toda a população masculina do lugar colaborara: «Era cousa de ver a má catadura duns e a presteza de todos, que descalços, outros de socos, armados desciam pelas fragas». Sem a coragem dos avós, agora os habitantes comunitârios de Vilarinho da Furna atacavam as alcateias a estricnina e caçavam corças furtivamente. Mas mesmo assim nao faziam má figura ao lado do rio Homem, que, talvez a querer justificar um nome que a etimologia lhe nega, parecia um lavrador numa leira de pedras, tenaz em todo o percurso, e sempre límpido, a espelhar o céu. Na margem de lá, o Pé do Cabril, solene, esperava a abraço duma ascensão. E coma a desafiar aquela pétrea majestade, arrogante e lustroso, o toira do lugar roncou de uma chã. Símbolo tangível da virilidade e da fecundação, nenhum outro deus, ali, tinha forças para o destronar. Plenitude encarnada do instinto natural de preservação da seiva capaz de se multiplicar em cada acto de amor, era ele o pólo de todos os cultos cuItos e desvelos. Rei já no tempo das casarotas megalíticas que me rodeavam, continuava a sê-lo ainda no presente por exigência e graça da própria vida.

Atravessada a ponte em corcova, galgados os muros ciclópicos da Calcedónia, numa erudiçao feita à custa dos pés, e guiado pelos miliários imperiais, segui a geira romana até chegar à Portela do Homem, onde as legiões invasoras pareciam aquarteladas. Mas foi a guarda fiscal, vigilante, que me recebeu.

A uma sombra tutelar, pouco depois, num minuto de descanso, a Historia recente da Pátria avivou-se.

– Uma das incursoes monarquicas foi por aqui...

– Tentaram... Tentaram...

– Este Minho! Este Minho!...

– Tem uma costela talassa, tem...

Mas recusei-me a reintegrar, por simples razões partidárias, aquelas viris penedias no planisfério verdurengo de onde a própria natureza as libertara. Tranquei as portas da memória e, pela margem do rio, subi aos Carris. Uma multidão minava as fragas à procura de volfrâmio, por conta da guerra e de quem a fazia. Teixos e carvalhos centenários acompanharam-me quase todo o caminho. Só desistiram quando me aproximei do cume da montanha, onde a vida, já sem raizes, tenta levantar voo.

Agora, sim! Agora podia, em perfeita paz de espírito, estender a minha ternura lusíada por toda a portuguesa Galiza percorrida. Pano de fundo, o mar de terras baixas era apenas um cenário esfumado; à boca do palco reflectiam-se nas várias albufeiras do Cávado a redonda pureza da Cabreira e a beleza sem par do Gerês. E o espectador emotivo já não tinha necessidade de brigar com o cavador instintivo que havia também dentro de mim. Embora através da magia agreste dos relevos, talvez por contraste, impunha-se-me com outra significação a abundância dos canastros, o optimismo dos semeadores e a própria embriaguez que anestesiava cada acto, no fundo necessária à saúde dos corpos individuais e colectivos. Integrava o alegrete perpétuo no meu caleidoscópio telúrico. Bem vistas as coisas, se ele não existisse faria falta no arranjo final do ramalhete corográfico português.

Em acção de graças por esta conclusão pacificadora, rezei orações pagãs no Altar de Cabrões, antes de subir à Nevosa e aos Cornos da Fonte Fria a experimentar como se tremem maleitas em pleno Agosto.

Estava exausto, mas o corpo recusava-se a parar. Pitões acenava-me lá longe, de tectos colmados e de chancas ferradas. Não obstante pisar o mais belo pedaço de chão pátrio, queria repousar em terra real e consubstancialmente minha. Ansiava por estender os ossos nos tomentos de Barroso, onde, apesar de tudo, era mais seguro adormecer. Quem me garantia a mim que, mesmo alcandorado nos carrapitos doirados da Borrajeira, não voltaria a ter pela noite fora um pesadelo verde?"

QUEM FOI O LIMIANO MANUEL DE LIMA BEZERRA?

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Passam hoje 297 anos desde que o ilustre médico limiano Manuel Lima Bezerra nasceu. O seu nome faz parte da toponímia de Viana do Castelo e de Ponte de Lima. Se em Ponte de Lima o seu nome está associado à rua onde nasceu, em Viana do Castelo está junto à urbanização Capitães de Abril.

Médico e cientista de referência; Académico; Escritor; Autor da obra “Os Estrangeiros no Lima” e, como tal, um dos percursores das monografias regionalistas em Portugal – nascido em Santa Marinha de Arcozelo, Ponte de Lima, a 4 de Janeiro de 1727, faleceu na sua Quinta do Outeiro, em Fornelos, Ponte de Lima, a 6 de Março de 1806, estando sepultado na capela de Nossa Senhora da Luz, na vila de Arcozelo.

Manuel Lima Bezerra, filho de João Gomes de Lima e Rosa da Silva Bezerra, filha natural de Manuel Gomes de Mesquita, senhor da Torre de São Gil de Perre (Concelho de Viana do Castelo), foi um verdadeiro Homem do Século das Luzes, um erudito a quem nenhuma área do saber referente ao homem e à sociedade era indiferente, um intelectual de saberes e aplicações científicas especializadas, com particular realce na cirurgia e medicina, que se entregou a uma intensa actividade de associativismo, intercâmbio, renovação e divulgação científica.

Destacou-se ainda como sócio e correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e de diferentes sociedades científicas estrangeiras.

Por Portaria de 20 de Março de 1797 foi nomeado Médico de Número da Casa Real e, passados sete anos, foi agraciado com o simples Hábito de Cristo.

Nas imagens seguintes encontram o seu Assento de Baptismo, de 12 de Janeiro de 1727, bem como a representação conhecida dele presente no livro Os Estrangeiros da Ribeira Lima.

Fonte: Arquivo Distrital de Viana do Castelo

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A Biblioteca do Exército Português possui a primeira edição completa da obra “Os Estrangeiros no Lima”

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Fotografia da casa onde terá nascido Manuel Gomes de Lima Bezerra, na rua de Além da Ponte, atual rua Manuel Lima Bezerra. c. 1980
Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

PAREDES DE COURA NA PERSPETIVA DE AQUILINO RIBEIRO

Aquilino Ribeiro era beirão de nascimento mas ficou ligado ao concelho de Paredes de Coura. Casou com uma filha do Dr. Bernardino Machado e, entre os seus escritos, legou-nos o seu romance “A Casa Grande de Romarigães”.

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“Paredes de Coura: São 7,45 e uma leve bruma leitosa, quase velo de lã muito carmeada, flutua sobre o cume dos montes. Mas essa gaze vadia, a esfiapar-se pouco a pouco, deixa a descoberto toda a modelação dos vales, e os rossios a florir, banhados pelo sol, faíscam e toucam-se, segundo o reflexo das folhas luzidias, dos mais variados cambiantes. Este Alto Minho tem a frescura das pradarias dentre Ave e Cávado, e a majestade da Beira. A serra de Arga parece postada lá adiante a barrar-nos o caminho com as suas escarpas de bronze.

Em chapadas e valeiros procede-se às vessadas da Primavera. Decerto que é este um dos trabalhos mais pitorescos da vida agrícola regional, pela sua envergadura e movimento. Um Sorolha ficaria de boca aberta, deliciado a ver como se desdobra semelhante faina. Ao contrário das Beiras, onde cada lavrador se encontra sozinho no amanho do chã, o minhoto concerta-se com parentes e próximos. Por vezes são cinco, seis juntas a lavrar o mesmo campo. E para gleba além dos dois carros de alqueires, tal concurso não é de mais. Imagine-se o complexo que há na operação de virar a leiva, desterroar, limpar da grama, espalhar os estrumes, dirigir o gado, semear, cobrir!

A mulher, que é no Minho a grande obreira, também aqui tem um lugar de relevo. É ela quem mais se vê. Os espanejamentos claros das suas vestes alegram a arada. O seu lenço vermelho ou versicolor acena de longe e decerto quer dizer: não me acham graça? Que melhor desmentido ao anexim: O arado barbudo e o lavrador barbado?!”

Aquilino Ribeiro, Arcas Encoiradas

GUIMARÃES: PCP REALIZA “ROTEIRO DO LIVRO INSUBMISSO” COM APRESENTAÇÃO DA OBRAS “OS PESCADORES” DE RAUL BRANDÃO

Arranque do Roteiro do Livro Insubmisso com apresentação pública de “Os Pescadores” de Raul Brandão em Guimarães

Realizou-se em Guimarães, na Biblioteca Raul Brandão, a primeira iniciativa do Roteiro do Livro Insubmisso, promovido pela Direcção da Organização Regional de Braga do PCP, que, ao longo de vários meses, vai percorrer vários concelhos da região de Braga com a divulgação de obras que falam da resistência ao fascismo, da revolução de Abril, da luta do PCP e das mudanças do mundo em que vivemos.

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Roteiro arrancou com a apresentação pública da edição comemorativa do centenário do livro "Os Pescadores" de Raul Brandrão, da Editora Página a Página.

A mesa foi composta por Rui Mota, da Editora Página a Página, João Delgado, autor do prefácio e presidente da Mútua dos Pescadores, e Simão Fernandes, do Comité Central do PCP.

Rui Mota enquadrou os objectivos da editora na publicação desta obra, nomeadamente contribuir para a promoção da leitura do autor, cujas obras constituem relativos vivos da dureza da vida do povo e dos trabalhadores e da força das camadas populares. Segundo Rui  Mota, esta obra é um retrato da gente do mar, da sua vida e da sua faina, da autoria de um grande pintor em prosa com profunda ligação a Guimarães.

O autor do prefácio, João Delgado, realçou o sentido de oportunidade desta edição especial também porque a realidade impõe que se discuta a importância do sector das pescas no nosso país. Citando vários exemplos concretos, João Delgado referiu que desde 1986, o ano de adesão de Portugal à então CEE, o sector das pescas passou de 41 mil postos de trabalho directos para apenas 14 mil actualmente.

Caracterizando “Os Pescadores” como uma obra quase cinematográfica, cuja leitura permite "sentir o odor do pescado e a dureza da vida das comunidades piscatórias", João Delgado lembrou que Raul Brandão conhecia bem esta realidade e que chegou mesmo a perder um avô em alto mar na pesca.

No debate que decorreu foi destacado que, pese embora a evolução positiva em várias dimensões, a vida das comunidades piscatórias continua a ser muito dura.

Foi também referido que os preços especulativos do pescado na grande distribuição são inaceitáveis e que contrastam com os rendimentos dos pescadores.

Foi sublinhado ainda que a ditadura fascista procurou apagar a obra de Raul Brandão, tendo em conta o seu elogio à força da classes populares.

No fecho da apresentação, Simão Fernandes destacou a ligação entre a obra de Raul Brandão e os 50 anos da Revolução do 25 de Abril, sublinhado a distância temporal entre a publicação da obra e a revolução, ao mesmo tempo que esta carrega muitos dos valores e ideais de Abril. "Hoje como há cem anos, não importa mudar os exploradores, mas sim acabar com a exploração, lutar por essa terra sem amos" concluiu.

O Roteiro do Livro Insubmisso vai prosseguir com as seguintes apresentações públicas:

Março 2024 – FAFE

"Elas Estiveram nas Prisões do Fascismo" da União de Resistentes Antifascistas Portugueses

Abril 2024 – BRAGA

VII tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal"

Edições Avante!

Maio 2024 - VN FAMALICÃO

"25 de Abril, Uma Revolução em Perspectiva"

Edições Avante!

Junho 2024 – Esposende

"Apontamentos sobre os Ataques Terroristas contra o PCP e os Comunistas no Alto Minho 1975/1976"

Editorial Avante!

Julho 2024 – Barcelos

"O Mundo Velho está a morrer. O novo ainda não nasceu. Este é o tempo dos monstros" de António Avelãs Nunes

Editora Página a Página

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