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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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LITERATURA INFANTIL E DANÇA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA DA FAMÍLIA EM FAMALICÃO

Data é assinalada este sábado, 15 de maio, no Centro de Estudos Camilianos

O Dia Internacional da Família é assinalado este sábado, dia 15 de maio, e em Vila Nova de Famalicão a data vai ser comemorada com uma tarde cultural no auditório do Centro de Estudos Camilianos, em Seide S. Miguel.

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As comemorações, organizadas pelo pelouro da Família do Município de Vila Nova de Famalicão, arrancam pelas 16h30 com a intervenção da vereadora da Família da autarquia, Sofia Fernandes, e continuam com a apresentação de um bailado pela academia famalicense de ballet clássico e dança contemporânea ARTIS-Academia de Bailado.

Depois da dança, a literatura. A tarde comemorativa do Dia Internacional da Família vai também contar com a apresentação do livro infantojuvenil “Era uma vez uma abelha… Délia a abelha cor de canela”.

A obra, da autoria da famalicense Maria Andrade Paiva e com ilustrações de Francisco Zamith, é editada pela Flamingo Edições e é “um misto de aventura, superação, adaptação e desafio ao medo”.

Trata-se de uma história “que adapta um cenário de personagens infantojuvenis retratando situações do mundo real. Um olhar e reflexão sobre o “EU”, as emoções e a simplicidade das relações interpessoais. Uma leitura que encantando, torna presente que temos a capacidade de transformar os nossos medos em desafios, encontrando nas potencialidades forma de ultrapassar certas dificuldades”, pode ler-se na sinopse da obra.

Refira-se que Maria Andrade Paiva nasceu em 1991, em Vila Nova de Famalicão. É no seu trabalho como psicóloga que encontra a inspiração e criatividade para a sua escrita. Depois de “Era uma vez uma abelha…Délia a abelha cor de canela”, a autora está atualmente a trabalhar numa nova história e obra em edição.

Recorde-se que em 2020 o Município de Vila Nova de Famalicão foi destacado, pelo nono ano e oitavo consecutivo, pelo Observatório dos Municípios Familiarmente Responsáveis como “Autarquia Mais Familiarmente Responsável”. Mais recentemente viu oficializada a sua adesão à Confederação Europeia das Famílias Numerosas que reconheceu as políticas de apoio às famílias e as boas práticas adotadas nesta matéria pelo executivo famalicense.

AMARES: A RIQUEZA DA OBRA DE SÁ DE MIRANDA REVISITADA EM ENCONTRO INTERNACIONAL

Colóquio dedicado ao Poeta da Tapada reuniu especialistas de várias universidades

Realizou-se nos dias 29 e 30 de abril o “Colóquio Internacional Repensar Francisco Sá de Miranda e o Renascimento”, uma iniciativa do Centro de Estudos Mirandinos. Inteiramente online, devido à atual situação sanitária, o evento, que contou com cerca de 80 participantes, reuniu especialistas sobre Sá de Miranda e sobre o século XVI de várias universidades portuguesas e estrangeiras, entre os quais os professores José Augusto Bernardes (Universidade de Coimbra), Marcia Arruda Franco (Universidade de São Paulo), Vanda Anastácio (Universidade de Lisboa), Orlando Grossegesse (Universidade do Minho), André Corrêa de Sá (Universidade de Santa Barbara, Califórnia), Jorge Vicente Valentim (Universidade de São Carlos), José Camões (Universidade de Lisboa) ou anda Isabel Morán Cabanas (Universidade de Santiago de Compostela).

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Durante dois dias, a obra de Sá de Miranda foi, assim, reexaminada sob diversos ângulos interpretativos, o que permitiu destacar a sua forte densidade semântica e a riqueza de caminhos que nela é possível percorrer.

“Francisco de Sá de Miranda é uma das maiores figuras da nossa história literária e este colóquio veio reafirmar isso mesmo. Quando nos propusemos organizar esta iniciativa tínhamos um único objetivo: dar a conhecer a obra do Poeta, revisitando-a criticamente, nas vertentes filosófica e estética e nas suas várias modalidades expressivas, assim como analisar o Renascimento enquanto manifestação de uma nova forma de conceber e ver o mundo”, começou por referir o Vereador da Cultura do Município de Amares, Isidro Araújo. “Na verdade, todos os oradores honraram, de forma brilhante, este nosso propósito. Assistimos a comunicações fabulosas e muito enriquecedoras do ponto de vista cultural, académico e científico e é com muito orgulho que constato que conseguimos manter online, durante dois dias, cerca de 80 pessoas no objetivo comum de dar voz a este grande vulto das letras”, acrescentou o vereador da Cultura.

Manifestando a sua satisfação com os resultados do colóquio, Isidro Araújo, deixou um agradecimento muito especial à comissão organizadora e a toda a equipa científica, técnica e logística, do evento pela “excelência” do colóquio.

CEM antecipa possibilidade de novo encontro científico

A avaliar pelos participantes do colóquio, os objetivos do encontro foram plenamente atingidos. Tratava-se de chamar a atenção da obra de Sá de Miranda e, mais latamente, da constelação estética, cultural e ideológica do Renascimento. Tanto pela diversidade dos temas abordados como pelos debates e pelas discussões científicas em torno de temas e tópicos apresentados, a organização do evento não tem dúvidas em afirmar que o colóquio foi um momento marcante para os estudos mirandinos. Levantaram-se várias questões científicas de grande pertinência, apontaram-se novos caminhos de estudo da obra mirandina, problematizaram-se assuntos. Outro objetivo cumprido do evento foi alargar o seu âmbito de incidência aos professores do ensino secundário, a quem cabe a importante tarefa de iniciar as crianças e os jovens à leitura do poeta do Neiva. Foram várias dezenas a participarem e a interagirem nos momentos de debate e discussão. “Ler, pensar e falar de Sá de Miranda”, como refere Sérgio Guimarães de Sousa, diretor do Centro de Estudos Mirandinos, entidade organizadora do colóquio, “não significa apenas recuar ao século XVI. O poeta é, pois, suficientemente denso e significativo para nos levar a refletir sobre problemáticas ainda hoje atuais, como é o caso, só para mencionar um exemplo, da questão da relação do direito e da justiça com o poder”.

O sucesso desde primeiro colóquio promovido pelo Centro de Estudos Mirandinos deixa antever a possibilidade, segundo Sérgio Sousa, de se realizar no próximo ano um segundo encontro científico.

TERRAS DE BOURO PROMOVE A POESIA

Apresentação e oferta aos alunos do livro de poemas “Palavras em verso” e do livro de atividades da Educação Literária do Plano Nacional de Leitura

No âmbito do projeto “Ter + Sucesso na leitura e na escrita”, projeto da responsabilidade da autarquia, a professora bibliotecária do  agrupamento de escolas elaborou um livro de apoio à exploração de algumas obras da Educação Literária e do Plano Nacional de Leitura – A vida mágica da sementinha, A fada Oriana, A viúva e o papagaio, Os heróis do 6ºF, Ulisses, Pedro Alecrim e Rosa, minha irmã Rosa.

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A senhora Vereadora da Educação, Dr.ª Ana Genoveva Araújo, esteve presente no dia 9 de Abril na Escola Básica de Rio Caldo e no dia 14 de Abril  na Escola Básica e Secundária de Terras de Bouro, para realizar a oferta do livro “Palavras em verso” a todos os alunos que aceitaram o desafio de escreverem um poema e a oferta do livro de atividades da Educação Literária e do Plano Nacional de Leitura a todos os alunos do 2º ciclo.

O prefácio do livro foi escrito pela Sra. Vereadora que aproveitou o ensejo para agradecer a todos os alunos a participação, assim como lhes pediu que façam do livro o seu melhor amigo, incentivando os alunos a lerem.

O livro de poemas “Palavras em verso” apresenta a compilação de poemas elaborados pelos alunos do segundo e terceiros ciclos e secundário do nosso agrupamento, em resposta ao desafio lançado na Semana da Leitura 2020 (ano letivo 2019/2020). Desafio esse que incitou os alunos a escreverem um poema original. A elaboração dos poemas pelos alunos contribuiu, sem qualquer dúvida, para o treino das competências de escrita e para a aplicação de conhecimentos adquiridos nas aulas de Português.

Por sua vez, o livro de atividades permitirá aos alunos, do 2º ciclo, o maior conhecimento das obras, a aplicação dos conhecimentos adquiridos nas aulas de Português e nas oficinas de leitura e de escrita com a professora e contadora de histórias Estefânia Surreira.

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AMARES PROMOVE OBRA COMPLETA DE FRANCISCO DE SÁ DE MIRANDA

Foi recentemente publicada a Obra Completa de Francisco de Sá de Miranda, numa parceria entre a editora Assírio & Alvim e a Câmara Municipal de Amares, através do Centro de Estudos Mirandinos.

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O volume de 680 páginas foi organizado por Sérgio Guimarães de Sousa (Diretor do Centro de Estudos Mirandinos), João Paulo Braga (Universidade Católica) e Luciana Braga (Centro de Estudos Mirandinos).

Os organizadores, além de procederem ao estabelecimento de texto, recorrendo às primeiras edições da obra mirandina (sobretudo a de 1595 e a de 1614), apetrecharam o livro com centenas de notas explicativas, de modo a facilitar a compreensão do texto do poeta do Neiva.

A obra deverá ser apresentada, em Amares, a 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

CÂMARA DE VIZELA ASSINALA DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL

No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen e a partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

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Para assinalar esta data, a Câmara Municipal terá um dia de atividades dedicado a esta comemoração, numa mensagem de incentivo à leitura, que começa desde tenra idade.

Assim, neste dia, a Câmara Municipal, irá promover várias atividades na sua página de facebook, direcionadas ao público mais jovem, entre elas: “Faz-te ao Livro”, sugestão de livros infantis da nossa Biblioteca, um Quiz sobre literatura infantil e uma oficina de expressão dramática dirigida ao público escolar.

O objetivo destas atividades é assinalar a data e, ao mesmo tempo, fazer com que as crianças tenham cada vez mais a noção que o livro é um amigo que abre as asas.

FERREIRA DE CASTRO EM GUIMARÃES

FERREIRA DE CASTRO (foto de Santos Simões e Ferreira de Castro num jantar no Teatro Jordão a seguir à inauguração do seu bustono dia a 17 de Abril de 1971). Texto de Álvaro Nunes.

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José Maria Ferreira de Castro (1898-1974), insigne escritor e conceituado jornalista, encontra-se imortalizado no concelho vimaranense, quer na sua toponímia local, quer pelo busto inaugurado nas Caldas das Taipas, em 19 de Abril de 1971, já lá vão 50 anos.

Com efeito, naquela data, o Círculo de Arte e Recreio, presidido por J. Santos Simões, promoveria uma homenagem ao escritor, que assiduamente veraneava naquela amada vila taipense. Realmente, “A terra onde a lua fala”, assim a denominou e titulou o escritor em artigo publicado do “Notícias de Guimarães” de 29 de Setembro de 1963, foi um dos seus espaços sentimentais em que “o senhor do chapéu” conviveria e faria amizades, quer entre o povo anónimo rendido à sua simplicidade e bonomia, quer entre admiradores da sua obra, ora pelo poder cativante da sua mensagem em prol dos deserdados ora pelo seu humanismo social novo.

Evocar Ferreira de Castro (FC) neste terno preito de há 50 anos, é por conseguinte não só um modo de ressuscitá-lo para além da sua (re)leitura, como também presentificar a história local mais recente, que o busto do escultor António Duarte perpetua. De facto, nesse dia, presente na cerimónia, acompanhado da sua esposa, Ferreira de Castro, sempre avesso a homenagens, comover-se-ia com as palavras alusivas de Santos Simões, José de Oliveira (Presidente da Junta de Caldelas) e do crítico Arsénio Mota, bem como da mensagem de saudação do grande amigo e escritor brasileiro Jorge Amado, que não pudera estar presente.

Ora, Ferreira de Castro foi de facto um dos proeminentes escritores portugueses do século XX, que soube ficcionar e plasmar como poucos a sua experiência pessoal de lutador e deserdado. Com efeito, nascido de pais pobres em Ossela (Oliveira de Azeméis) e órfão de pai ainda criança, cedo seria forçado a emigrar para o Brasil, com o objetivo conquistar o pão que o diabo amassou. Aí, no inferno verde da selva amazónica, no seringal do Paraíso e posteriormente em Belém do Pará, subsistindo em biscates como a colagem de cartazes ou embarcadiço da carreira fluvial do Oiapoque, cresceria e se fez homem. Um crescimento que faria a pulso e às suas próprias custas, com a simples instrução primária no alforge e muita vontade de se autoeducar, de moldes a almejar com anelo o seu sonho de ser jornalista.

Autodidata por educação, lutador determinado por natureza e sonhador sem limites, Ferreira de Castro acabaria por publicar no Brasil os primeiros textos jornalísticos e o primeiro livro “Criminoso por Ambição” (1916), que distribuiria porta a porta.

Vicissitudes similares passaria também em Portugal, quando regressa em 1919. Na verdade, como ilustre desconhecido nos meios jornalísticos, onde pretende trabalhar, vive os anos iniciais com dificuldades, em esporádicas colaborações dispersas em revistas e jornais nacionais que, como diz, representavam “ o forno de onde me vinha o pão(…) me punha a mesa sóbria, substituía os fatos e os sapatos quando muito usados, me pagava os cigarros e os cafés”.

O jornalismo seria porém, além de fonte de sobrevivência, o caminho inicial para a literatura, em especial a partir de meados da década de 20 e inícios dos anos 30. Efetivamente após colaborações diversas no jornal “O Luso” e na revista “A Hora”, na qual escreve um artigo elogioso sobre Raul Brandão, bem como no suplemento literário do jornal operário “A Batalha” da Confederação Geral do Trabalho, FC passaria em 1927 a integrar a seção internacional do jornal “O Século” e a assumir a presidência do Sindicato de Profissionais da Imprensa de Lisboa; e, anos mais tarde, a assumir a direção do hebdomadário “O Diabo”, periódico de crítica literária e artística de oposição ao Estado Novo, no qual colaboraria também o vimaranense Abel Salazar, editando o seu “Pensamento Positivo Contemporâneo”, que divulgaria paulatinamente, em 51 artigos, os novos ideias do empirismo lógico europeu.

Ora, seria esta faceta de jornalista excelente, engajado e interventivo, que seria também motivo de outra homenagem nas Caldas das Taipas em 26 de Novembro de 1983, por parte do Gabinete de Imprensa de Guimarães, presidido por Luís Caldas, no âmbito do XII Encontro de Imprensa Regional.

Deveras, como Jornalista, legar-nos-ia peças imemoriais como as Constituintes da II República Espanhola, a Revolta da Andaluzia e o plebiscito da Catalunha, ou a entrevista ao líder republicano irlandês Eamon de Valere, assim como preciosos trabalhos sobre o mutualismo, os albergues noturnos, as condições de vida nas minas de S. Domingos, ou as prisões portuguesas, como o Limoeiro, onde se infiltrara com a conivência dos reclusos. Peças únicas que muitas vezes seriam proibidas pela censura, ainda que algumas hajam sido recuperadas postumamente na obre “Os Fragmentos – um romance e algumas evocações” (1974).

Aliás, o combate à censura foi um dos seus porfiados cavalos de batalha, que o levaria anos mais tarde, desencantado, a abandonar o mister de jornalista. Reconhece-lhe todavia algo positivo; “ a censura tem, porém, uma virtude: é demonstrar quanto vale ser homem livre, um povo livre”

No entanto, a luta de Ferreira de Castro passaria também pela sua intervenção política em torno do Movimento de Unidade Democrática (MUD), em prol da democracia, pela defesa testemunhal de antifascistas perseguidos pelo salazarismo, bem como pelo apoio a várias candidaturas oposicionistas, que inclusive o levariam a ser sondado para a candidatura à Presidência da República em 1958, que humildemente recusaria.

Todavia, é na sua obra que FC melhor espelha a sua matriz ideológica. De facto, embora defenda que “a literatura não tem obrigação de lutar e nem de salvar ninguém (…) não tem de estar vinculada a qualquer ismo”, ela assume-se do ponto de vista ético-social, na obra do autor, como um espelho fiel dos sentimentos e inquietações da época, numa expressão precursora do humanismo social, em prol dos humilhados e ofendidos.

E de facto assim seria com as obras de consagração. Em primeiro lugar, “Emigrantes” (1928) que através do protagonista Manuel da Bouça, se torna “ o romance de todos os emigrantes”, e também dele próprio, que o sentiu na pele, pois como disse “o problema da emigração é dolorosamente familiar e que eu fui mesmo, porventura, o primeiro romancista português a tratá-lo com experiência própria”. Depois “A Selva” (1930), livro de duas pátrias (Portugal e Brasil),” pelo muito que sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu pra o resto da vida (…) que há de registar a tremenda caminhada dos deserdados através dos séculos em busca do pão e da justiça”.

Livro que teria adaptações a cinema e série televisiva que a UNESCO anunciaria, em 1973, encontrar-se entre os dez romances mais lidos em todo o mundo.

No mesmo rumo seguir-se-iam “Eternidade” (1933) centrado na luta dos camponeses, operários e bordadeiras da Madeira, “Terra Fria” (1934), galardoado com o Prémio Ricardo Malheiro, focalizado nas pobres condições de vida das gentes barrosãs sujeitas à canga do “feudalismo” dos poderosos ou “A Lã e a Neve”(1947) que se assume como uma epopeia do trabalho do povo têxtil e do pastoreio da Serra da Estrela.

A este ciclo segue-se ainda um período de literatura de viagens, entre as quais se destacam “Pequenos Mundos e Velhas Civilizações”(1937), “A Volta ao Mundo” (1944) e “As Maravilhas Artísticas do Mundo”(1959), que em 1963 seria distinguido pela Academia de Belas Ares de Paris.

A esta fase segue-se uma outra direcionada para as realidades sociais e históricas, entre as quais publica obras como “A Curva da Estrada” (1950), “A Missão” (1954) e “Instinto Supremo” (1968) que o faz regressar à amazónia e que presumivelmente terá sido escrito parcialmente nas Caldas das Taipas.

Porém, uma vida e uma obra ímpar que o levaria à presidência da Sociedade Portuguesa de Escritores (1962), à receção de galardões como o Grande Prémio Águia de Outo do Festival do Livro de Nice (1970), cujo valor pecuniário investe na Biblioteca de Ossela, e ao Prémio da Academia do Mundo Latino (1971) em parceria com Eugenio Montale e Jorge Amado. Ademais, a ajuntar, duas indigitações para o Prémio Nobel da Literatura: em1951 e em1968, este último em companhia de Jorge Amado, apresentado pela União Brasileira de Escritores.

Em súmula, uma vida e obra que se complementam coerentemente e que terminaria em 29 de Junho de 1974. Porém, uma existência vivida em plenitude que perenemente se evoca nas Caldas das Taipas, quer na simples condição de homem apaixonado pela terra, quer como cidadão exemplar dos valores de Abril, que ainda viveria o primeiro 1º. de Maio a gritar: ”Escrever é lutar! Escrever é lutar”.

Assim, como afirmaria o poeta José Gomes Ferreira, no decurso do seu elogio fúnebre “Quando um amigo morre, que nos resta senão ressuscitá-lo?

A evocação histórica do 17 de Abril de 1971, nas Caldas das Taipas, é uma forma de ressuscitação, que a leitura da sua obra e visita às suas casas-museus em Ossela e Sintra poderão complementar.

Fonte: https://www.facebook.com/correiodahistoria.pt

AS MULHERES DO CASTELO DO NEIVA EM “AS MULHERES DO MEU PAÍS"

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Maria Lamas (1893/1983) foi uma personalidade evidente na área da literatura e de forte combatividade na luta pela emancipação da mulher, particularmente em Portugal, se bem que a sua ação não reconhecesse fronteiras. Para ela, a mulher, em todo o mundo, deveria libertar-se da condição inferior a que estava submetida pelas sociedades, contexto que, infelizmente, ainda hoje é patente em imensas zonas do planeta. Como escritora, quase sempre os seus livros tinham a mulher como referência principal. Nesta vertente, o seu livro mais conhecido e que mais destaque lhe deu foi “As mulheres do meu país”, editado em 1950 por uma editora e distribuidora que se criou para o efeito, a “Actuális, Lda”, uma vez que, dada a animosidade que o Estado Novo lhe manifestava, era-lhe praticamente vedado o acesso às editoras existentes em Portugal. Os 15 fascículos que compunham a obra foram vendidos, individualmente, ao preço de 15,00 escudos (na época, praticamente o salário diário de um operário qualificado), com pagamento adiantado, o custo total era de 200,00 escudos. Este trabalho, pela sua dimensão, que obrigaram a escritora a percorrer o país de extremo a extremo, consumiu cerca de dois anos. Em 2002 a Editorial Caminho, com uma tiragem de 3000 exemplares, reeditou o livro (tipo álbum), cópia fiel do primeiro, com um custo de que não me recordo bem, mas, julgo, próximo dos 20 mil escudos. Esgotadíssimo que está, é hoje vendido a preços proibitivos. Felizmente adquiri-o e é a partir dele que extraio algumas passagens sobre a apreciação que a autora faz à época das mulheres do Castelo do Neiva.

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Uma sargaceira do Castelo do Neiva com a roupa do mar

Com as gentes do Castelo

Maria Lamas era uma cidadã de forte sensibilidade, daí também a forma sentida como descrevia a vida das mulheres, que, segundo ela, não se poupavam a esforços, já que para além da gestão do lar, sempre com a preocupação de cuidar bem dos filhos e do marido, tinham outras atividades, particularmente no campo e no mar. A escritora refere o Castelo do Neiva como uma freguesia com muita proximidade a Viana, que fica junto da estrada, com todas as características de freguesia rural, configurada com campos rasos, correspondentes à veiga de Afife, que vão até aos fieiros e ao mar, distanciados a uns três quilómetros. “Fieiros são as dunas, onde se erguem os palheiros de sargaço, semelhantes a pequenas cabanas, cobertos de colmos, com retângulos de lousas, suspensos em volta, a pesar, dando ao longe a impressão de janelinhas claras”, diz a autora.

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Uma camponesa e sargaceira do Castelo do Neiva com a croça, caroça ou palhoça, que se usa em todo o Minho quando chove. Tem na cabeça o chapéu de oleado, de ir ao mar

 

Maria Lamas afirma que as mulheres castelenses, aloiradas, sardentas, com acentuado tipo nórdico, tal como em geral as robustas mulheres de entre Lima e Cávado, transpõem diariamente, mais de uma vez, aquela distância (povoado/mar) no tempo do sargaço e do mexoalho ou pilado – caranguejos pequenos de grande valor no adubamento das terras – fazendo-o sem grande esforço, tão habituadas estão a vencer quilómetros, nas suas lides quotidianas.

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Com seis anos de idade, esta pequenita do Castelo do Neiva parece uma mulherzinha e trabalha como tal. Ficou assustada quando a fotografaram, na ocasião em que ela condizia dois boizinhos à pastagem

 

Sobre a vida do mar, regista a escritora que homens em barcos minúsculos navegam para tentar a sorte da pesca, muitos deles não sendo verdadeiramente pescadores, já que trabalham simultaneamente na terra, ambicionando, os que são novos e vigorosos, arranjar trabalho como banquistas na frota bacalhoeira de Viana do Castelo. Mas nesta vida de mar as mulheres ajudam-nos tanto quanto podem na faina, esperando-os no areal para puxar os barcos para o areal, quase sempre sozinhas, sendo mais uma achega nas dificuldades do pão diário. Mas, relata Maria Lamas, é na terra que a compensação é maior, com o sargaço e o pilado com rendimento apreciável. “Por isso nenhuma foge à canseira de o recolher e lá estão depois, igualmente, ajudando às carrilas, no transporte do adubo para os fieiros ou para o carro dos bois.

Definindo as sargaceiras castelenses, Maria Lamas escreve que usam casaco e saia de tecido branco, de lã, grosso, a que chamam branqueta. “Vão descalças, como andam sempre. Na cabeça põem um chapéu de oleado. Mudam de roupa nas barracas da praia e são menos cuidadosas com o seu aspeto do que as moças de Viana do Castelo para cima”

O terreno, segundo a escritora, é mais áspero e exige-lhes maior dispêndio de forças, pela distância e grande ondulação dos fieiros, que encobre o mar em Castelo do Neiva. “Desaparecem aqui as cores vistosas que fazem realmente a mocidade das raparigas e a gente tem aspeto mais rude, embora a dureza da vida se iguale”.

Mas os homens também não escapam à observação atenta da escritora, dizendo que estes quando falam a estranhos sobre as mulheres, principalmente quando são homens com certas preocupações de civilizados, as referem como esposas, adivinhando-se que o fazem mais em atenção à pessoa a quem se dirigem do que à sua companheira.

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Duas vendedeiras de peixe do Castelo do Neiva. Elas e as companheiras andam léguas por dia, de verão e de Inverno, levando a sardinha e outro peixe miúdo aos lugarejos mais isolados. Raramente chegam a obter dez escudos de lucro diário. Como todas as mulheres do Minho Litoral que se dedicam a este negócio, não deixam de trabalhar na faina rural e têm os mesmos costumes que as camponesas

 

Numa apreciação mais pessoal Maria Lamas diz que as mulheres, sem se diferenciarem das outras mulheres do Minho Litoral, pela variedade das atividades a que são forçadas, revelam-se expedientes e demonstram vivacidade invulgares. “Simultaneamente camponesas e sargaceiras, familiarizadas com as incertezas e perigos da pesca, elas afirmam a sua personalidade como sabem e podem: discutindo, defendendo-se daqueles que desconfiam e, até, sendo ardilosas se tanto for preciso para governar a vida”

As vendeiras de peixe pelas aldeias também merecem a atenção da autora, que refere as caminhadas que abrangem léguas, sempre descalças, sem fadiga aparente, sempre de canastra à cabeça.  Refere as filhas pequenitas, que acompanham as mulheres nestas andanças, parecendo miniaturas das mães: vestindo como elas, caminhando como elas, copiam-lhes os movimentos, as expressões e a maneira de pensar. “Mas não são só as mulheres da beira-mar que se dedicam à venda do peixe; muitas vêm de Darque e outras povoações distantes do litoral, comprar na lota o peixe miúdo para o seu negócio e voltam depois carregadas, até onde têm freguesia”.

Maria Lamas descreve alargadamente e com sentido realista as vivências das gentes castelenses, muito particularmente das mulheres, mas esta realidade está bem presente ainda na memória de muita gente viva. Ainda malnascido, quando a escritora calcorreou os nossos caminhos, os nossos campos e a nossa praia para privar com muitos e ver in loco as realidades daquele tempo, muito do que ela diz não me é estranho.

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BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ESPOSENDE PROMOVE HORAS DO CONTO ONLINE PARA OS MAIS NOVOS

Durante este período de isolamento social, por força do estado pandémico motivado pela Covid 19, a Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, de Esposende, proporciona aos mais jovens Horas do Conto online, em contexto educativo, através do projeto “As histórias encontram-te!”.

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Estas horas do conto dirigem-se à população escolar da Educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico e abordarão temáticas específicas, como a importância do livro, a alimentação, a poluição, a pandemia, o espaço, entre outras.

Semanalmente, a Biblioteca Municipal enviará aos Professores Coordenadores de cada estabelecimento escolar o link de acesso a estas Horas do Conto, de modo a que os educadores/professores interessados possam utilizá-las no decurso das suas atividades letivas. Pretende-se, assim, providenciar mais ferramentas para que os mais jovens contactem com outras estratégias de aprendizagem, ainda que virtuais. 

Será desta forma, adaptando-se às contingências atuais, que a Biblioteca Municipal Manuel irá assinalar a Semana da Leitura, que decorrerá de 8 a 12 de março, em versão online. Este evento é promovido pela Rede de Bibliotecas Escolares do Concelho de Esposende, onde se inclui a Biblioteca Municipal Manuel de Boaventura, em parceria com os estabelecimentos de educação e ensino dos vários agrupamentos concelhios, sendo que, este ano, tem como lema “Ler! Em qualquer hora! Em qualquer lugar!”.

Apesar de se iniciar na Semana da Leitura, este projeto irá manter-se até ao final do presente ano letivo. Pretende-se, assim, promover mais esta dinâmica educativa para celebrar o livro, incutindo hábitos de leitura contínuos, despertando interesse por assuntos variados e desenvolvendo as capacidades cognitivas das crianças. De resto, esta atividade pode e deve funcionar como medida terapêutica ao nível da saúde mental, neste momento particular, de isolamento social.

O desenvolvimento deste projeto enquadra-se nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, que o Município de Esposende verteu para o seu programa de ação.

ESPOSENDE: MIA COUTO VENCE PRÉMIO LITERÁRIO MANUEL DE BOAVENTURA 2021

O escritor moçambicano Mia Couto, com o romance “O Mapeador de Ausências”, foi o vencedor da edição de 2021 do Prémio Literário Manuel de Boaventura, promovido pelo Município de Esposende.

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A decisão, tomada por maioria do júri, que hoje, dia 25 de fevereiro, reuniu por videoconferência, é justificada “por se tratar de uma narrativa de elevada maturidade literária que, com particular sensibilidade, consegue cruzar tempos distintos da realidade moçambicana, oferecendo ao leitor uma expressiva representação do país no período colonial e pós-colonial”.

Nesta edição, em conformidade com o Regulamento em vigor, apresentaram-se a concurso 104 obras provenientes de vários países de língua portuguesa, 13 das quais do Brasil. O júri, composto pelos professores Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade do Minho, na qualidade de presidente, e Pedro Eiras, da Universidade do Porto, na qualidade de vogal, e, ainda, a bibliotecária Maria Luísa Leite da Silva, da Câmara Municipal de Esposende, na qualidade de vogal, manifestou satisfação por tão elevado número de obras a concurso.

Não sendo o Prémio atribuído por unanimidade, o júri entende revelar a posição do professor Pedro Eiras, que votou na obra As Telefones, de Djaimilia Pereira de Almeida, pela criativa exploração da sensibilidade de duas mulheres, mãe e filha, afastadas pela distância e unidas pela mais densa intimidade.

O Prémio Literário Manuel de Boaventura foi instituído pela Câmara Municipal de Esposende, com o intuito de homenagear e divulgar este escritor e homem de cultura, natural de Vila Chã, Esposende. De periodicidade bienal e com o valor pecuniário de 7 500 euros, contempla a modalidade da criação narrativa de Romances ou de Contos da autoria de escritores de língua portuguesa.

Na primeira edição, em 2017, o Prémio foi ganho pela escritora Ana Margarida de Carvalho com a obra “Não se pode morar nos olhos de um gato” e, em 2019, por Filipa Martins, com o livro “Na Memória dos Rouxinóis”. Mia Couto vence a edição de 2021 com a obra “O Mapeador de Ausências”, que retrata a história do regresso de Diogo Santiago, prestigiado e respeitado intelectual moçambicano, professor universitário e poeta, à sua terra natal, a cidade da Beira, nas vésperas do ciclone que a arrasou em 2019, para receber uma homenagem que os seus concidadãos lhe querem prestar.

Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Foi jornalista e professor, e é, atualmente, biólogo e escritor. Está traduzido em diversas línguas e conta com vários prémios e distinções.

A entrega do Prémio ocorrerá em Esposende, em data a determinar.

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FAMALICÃO: ESTÃO ABERTAS AS CANDIDATURAS AO GRANDE PRÉMIO DE CONTO CAMILO CASTELO BRANCO

Período decorre até 5 de abril

Está a decorrer até ao dia 5 de abril de 2021, o período de candidaturas ao Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e patrocinado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão. O Prémio destina-se a galardoar anualmente uma obra em português, de autor português ou de país africano de expressão portuguesa, publicada em livro em primeira edição no ano de 2020.

José Viale Moutinho e Francisco Duarte Mangas for

De acordo com o regulamento do prémio disponível no site do município em www.famalicao.pt “de cada livro concorrente, devem ser enviados cinco exemplares para a sede da APE”, destinados aos membros do júri e à biblioteca. Não serão admitidos a concurso livros póstumos, nem de índole infanto-juvenil. O valor pecuniário do prémio é de 7.500 euros.

Instituído em 1991, o galardão distinguiu já escritores como Hélia Correia, Mário de Carvalho, Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho, Miguel Miranda, Luísa Costa Gomes, José Jorge Letria e José Eduardo Agualusa. José Viale Moutinho, António Mega Ferreira, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel Jorge Marmelo, Paulo Kellerman, Gonçalo M. Tavares, Ondjaki, Afonso Cruz, A.M. Pires Cabral e Eduardo Palaio, entre outros.

MUNICÍPIO DE BARCELOS PROMOVE 14ª EDIÇÃO DO CONCURSO NACIONAL DE LEITURA

A Câmara Municipal de Barcelos promove nos dias 18 e 20 de fevereiro a 14.ª edição do Concurso Nacional de Leitura – Fase Municipal de Barcelos, através da Biblioteca Municipal de Barcelos e da Rede de Bibliotecas de Barcelos.

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A iniciativa organizada pelo Plano Nacional de Leitura tem como objetivo estimular o gosto e o prazer da leitura, melhorar o domínio da língua portuguesa e a sua compreensão.

Nesta fase, participam 58 alunos, representantes de todos os agrupamentos de escolas do concelho, nas várias categorias, desde o 1º Ciclo do Ensino Básico ao Ensino Secundário.

A fase Municipal é composta por dois momentos: uma prova escrita, a realizar-se dia 18 de fevereiro, às 10h00 e uma prova oral, a decorrer no dia 22 de fevereiro, para os seis alunos selecionados, por ciclo de ensino, na prova anterior.

O Concurso Nacional de Leitura, em Barcelos, tem como júri o professor José Campinho, a Coordenadora Interconcelhia da RBE, Fernanda Freitas e o escritor Miguel Borges.

O concurso será organizado em formato online, através da plataforma Google, para a realização da prova escrita e da plataforma Zoom, para a realização da prova oral.

Os 4 alunos vencedores, por cada ciclo de ensino, irão representar o Município de Barcelos na Fase Intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura, que decorrerá no mês de abril, em Vila Verde.

A final será realizada em Oeiras e transmitida pela RTP, dia 5 de junho.

Este concurso, organizado pelo Plano Nacional de Leitura, em colaboração com a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, realiza-se com propósito de celebrar a leitura e o prazer de ler, reforçando o seu caráter universal.

PAREDES DE COURA: AQUILINO RIBEIRO E O ROMANCE "A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES" FORAM REFERIDOS NA ASSEMBLEIA NACIONAL EM 1971

Na sessão legislativa de 28 de Julho de 1971, da Assembleia Nacional, no contexto da discussão na generalidade da proposta e projecto de lei sobre a liberdade de imprensa que na ocasião teve lugar, o deputado Aguiar e Silva, a meio de uma longa intervenção enaltece o escritor Aquilino Ribeiro e a sua obra “A Casa Grande de Romarigães”, nos seguintes termos:

O Orador: - Depois, é necessário reconhecer, como há diais escrevia Virgílio Ferreira em A Capital, que há muitos e grandes escritores que foram e são politicamente «reaccianarias», não sofreado contestação que o teor de uma ideologia é um factor não pertinente no universo dos valores estéticos, por muito que pese aos marxistas dogmáticos e aos intolerantes provincianos que apenas sagram com o sinete do talento ou do génio os camaradas de trincheira e os confrades de «capela».

Apesar de todos os prejuízos e resultados nocivos advenientes, repito, do regime de censura, Aquilino Ribeiro escreveu e publicou obras-primas como essa cáustica e irreverente Casa Grande de Romarigães, Miguel Torga e José Régio escreveram alguns dos mais belos poemas da língua portuguesa, e afirmou-se, nos últimos vinte anos, uma magnífica plêiade de romancistas e poetas.

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ESCRITOR AQUILINO RIBEIRO E GENERAL NORTON DE MATTOS TROCARAM CORRESPONDÊNCIA EM 1951

Em 1951, o escritor Aquilino Ribeiro endereçou a partir de Viseu uma carta ao General Norton de Matos, recebida em Ponte de Lima, a agradecer a oferta e os termos da dedicatória. Referiu ainda na mesma aspectos relacionados com a sua obra intitulada “Via Sinuosa”.

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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ESCRITOR MIGUEL TORGA MORREU HÁ 26 ANOS!

Dizia o insígne escritor Miguel Torga que “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – como transmontano que era, dos pés à cabeça, desconhecia o escritor que o Minho também possuía outras cores como o branco da neve que a tempos cobre as serranias de Castro Laboreiro!

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“17 de janeiro de 1995 - Morre o escritor Miguel Torga, pseudónimo do médico Adolfo Correia da Rocha

Foi há 26 anos que morreu, em Coimbra, Adolfo Correia da Rocha, um dos mais expressivos valores das Letras Portuguesas, mais conhecido pelo pseudónimo de Miguel Torga.

Nascido em São Martinho das Antas (1907), no cenário natural e agreste das serranias transmontanas (ambiente que influenciará de forma marcante a sua escrita), deixou a sua terra natal com dez anos. Na sua adolescência, esteve emigrado no Brasil. Após voltar para Portugal, formou-se em medicina na Universidade de Coimbra, ao mesmo tempo que participava nos movimentos literários académicos da sua geração. Acabaria por se fixar nesta cidade universitária, onde viveria até ao final da sua vida.

É autor de uma vasta e diversificada obra, compreendendo poesia, diário, ficção (contos e romances), teatro, ensaios e textos doutrinários.

Estreou-se com “Ansiedade”, destacando-se no domínio da poesia com “Orfeu Rebelde”, “Cântico do Homem”, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu “Diário”. Na obra de ficção, saliente-se “A Criação do Mundo”, “Bichos”, “Novos Contos da Montanha”, entre outros. O “Diário” ocupa lugar de relevo na sua obra. Como escritor dramático, também publicou três obras intituladas “Terra Firme”, “Mar” e “O Paraíso”.”

Fonte: Sociedade Histórica da Independência Nacional

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"Desanimado, meti para Castro Laboreiro à procura dum Minho com menos milho, menos couves, menos erva, menos videiras de enforcado e mais meu. Um Minho que o não fosse, afinal. Encontrei-o logo dois passos adiante, severo, de curcelo e carapuça.

A relva dera finalmente lugar à terra nua que, parda como o burel, tinha ossos e chagas. O colmo de centeio, curtido pelos nevões, perdera o riso alvar das malhadas. Identificara-se com o panorama humano, e cobria pudicamente a dor do frio e da fome. Um rebanho de ovelhas silenciosas retouçava as pedras da fortaleza desmantelada. E uma velha muito velha, desmemoriada como uma coruja das catacumbas, vigiava a porta do baluarte, a fiar o tempo. Era a pré-história ao natural, à espera da neta.

 

Ó castrejinha do monte,

Que deitas no teu cabelo?

Deito-lhe água da fonte

E rama de tormentelo.

 

Bonita, esbofeteada do frio, a cachopa vinha à frente dum carro de bois carregado de canhotas. Preparava a casa de inverno para quandochegasse a hora da transumância e toda a família —pais, irmãos, gados, pulgas e percevejos— descesse dos cortelhos da montanha para os cortelhos do vale, abrigados das neves.

 

– Conhece esta cantiga?

– Ãhn?

 

Falava uma língua estranha, alheia ao Diário de Noticias, mas próxima do Livro de Linhagens do Conde de Barcelos.

 

– É legitimo este cão?

– É cadela.

 

Negro, mal encarado, o bicho, olhou-me por baixo, a ver se eu insistia na ofensa. O matriarcado teimava ainda...

 

– A Peneda?

 

A moça apontou a vara. E, como ao gesto de um prestidigitador, foram- se desvendando a meus olhos mistérios sucessivos. Todo o grande maciço de pedra se abriu como uma rosa. A Peneda, o Suajo e o Lindoso.Um nunca mais acabar de espinhaços e de abismos, de encostas e planaltos. Um mundo de primária beleza, de inviolada intimidade, que ora fugia esquivo pelas brenhas, tímido e secreto, ora sorria dum postigo, acolhedor e fraterno.

 

Quando dei conta, estava no topo da Serra Amarela a merendar com a solidão. Tinham desaparecido de vez as cangas lavradas e coloridas que ofendiam as molhelhas do suor verdadeiro. A zanguizarra dos pandeiros festivos e as lágrimas dos foguetes já não encandeavam a lucidez dos sentidos. Os aventais de chita garrida davam lugar aos de estopa encardida. Nem contratos pré-nupciais ardilosos, nem torres feudais, nem rebanhos de homens pequeninos, dóceis, a cantar o Avé atrás do cura da freguesia. Pisava, realmente, a alta e livre terra dos pastores, dos contrabandistas e das urzes. As pernas de granito dum velho fojo abriam-se num grande V, como as dum gigante no sono da sesta. E saltou-me vivo à lembrança o instantâneo de Joaquim Vicente Araújo, quando no seu Diário Filosófico da Viagem ao Gerês fala duma batida aos lobos, que presenciou, e em que toda a população masculina do lugar colaborara: «Era cousa de ver a má catadura duns e a presteza de todos, que descalços, outros de socos, armados desciam pelas fragas». Sem a coragem dos avós, agora os habitantes comunitârios de Vilarinho da Furna atacavam as alcateias a estricnina e caçavam corças furtivamente. Mas mesmo assim nao faziam má figura ao lado do rio Homem, que, talvez a querer justificar um nome que a etimologia lhe nega, parecia um lavrador numa leira de pedras, tenaz em todo o percurso, e sempre límpido, a espelhar o céu. Na margem de lá, o Pé do Cabril, solene, esperava a abraço duma ascensão. E coma a desafiar aquela pétrea majestade, arrogante e lustroso, o toira do lugar roncou de uma chã. Símbolo tangível da virilidade e da fecundação, nenhum outro deus, ali, tinha forças para o destronar. Plenitude encarnada do instinto natural de preservação da seiva capaz de se multiplicar em cada acto de amor, era ele o pólo de todos os cultos cuItos e desvelos. Rei já no tempo das casarotas megalíticas que me rodeavam, continuava a sê-lo ainda no presente por exigência e graça da própria vida.

 

Atravessada a ponte em corcova, galgados os muros ciclópicos da Calcedónia, numa erudiçao feita à custa dos pés, e guiado pelos miliários imperiais, segui a geira romana até chegar à Portela do Homem, onde as legiões invasoras pareciam aquarteladas. Mas foi a guarda fiscal, vigilante, que me recebeu.

 

A uma sombra tutelar, pouco depois, num minuto de descanso, a Historia recente da Pátria avivou-se.

 

– Uma das incursoes monarquicas foi por aqui...

– Tentaram... Tentaram...

– Este Minho! Este Minho!...

– Tem uma costela talassa, tem...

 

Mas recusei-me a reintegrar, por simples razões partidárias, aquelas viris penedias no planisfério verdurengo de onde a própria natureza as libertara. Tranquei as portas da memória e, pela margem do rio, subi aos Carris. Uma multidão minava as fragas à procura de volfrâmio, por conta da guerra e de quem a fazia. Teixos e carvalhos centenários acompanharam-me quase todo o caminho. Só desistiram quando me aproximei do cume da montanha, onde a vida, já sem raizes, tenta levantar voo.

 

Agora, sim! Agora podia, em perfeita paz de espírito, estender a minha ternura lusíada por toda a portuguesa Galiza percorrida. Pano de fundo, o mar de terras baixas era apenas um cenário esfumado; à boca do palco reflectiam-se nas várias albufeiras do Cávado a redonda pureza da Cabreira e a beleza sem par do Gerês. E o espectador emotivo já não tinha necessidade de brigar com o cavador instintivo que havia também dentro de mim. Embora através da magia agreste dos relevos, talvez por contraste, impunha-se-me com outra significação a abundância dos canastros, o optimismo dos semeadores e a própria embriaguez que anestesiava cada acto, no fundo necessária à saúde dos corpos individuais e colectivos. Integrava o alegrete perpétuo no meu caleidoscópio telúrico. Bem vistas as coisas, se ele não existisse faria falta no arranjo final do ramalhete corográfico português.

 

Em acção de graças por esta conclusão pacificadora, rezei orações pagãs no Altar de Cabrões, antes de subir à Nevosa e aos Cornos da Fonte Fria a experimentar como se tremem maleitas em pleno Agosto.

 

Estava exausto, mas o corpo recusava-se a parar. Pitões acenava-me lá longe, de tectos colmados e de chancas ferradas. Não obstante pisar o mais belo pedaço de chão pátrio, queria repousar em terra real e consubstancialmente minha. Ansiava por estender os ossos nos tomentos de Barroso, onde, apesar de tudo, era mais seguro adormecer. Quem me garantia a mim que, mesmo alcandorado nos carrapitos doirados da Borrajeira, não voltaria a ter pela noite fora um pesadelo verde?"

RETRATOS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NA LITERATURA INFANTO-JUVENIL

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nas últimas décadas a literatura infanto-juvenil, um ramo da literatura dedicado especialmente às crianças e jovens adolescentes, tem-se assumido como um dos géneros mais apreciados no panorama editorial português e uma relevante ferramenta para a criação de hábitos leitura.

Impulsionados por programas públicos, como o Plano Nacional de Leitura (PNL) e a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) que têm contribuído decisivamente em Portugal para o desenvolvimento de uma estratégia de promoção da literacia no público mais jovem, cada vez mais escritores, ilustradores e projetos editoriais têm apostado na conceção de livros destinados a crianças e jovens adolescentes.

Entre as várias temáticas abordadas, o fenómeno da emigração, uma realidade socio-histórica incontornável no território nacional, tem sido alvo de múltiplas abordagens por parte de autores de literatura para crianças e jovens. É o caso, por exemplo, de António Mota, um dos mais conhecidos autores de literatura juvenil que em 2012 lançou a obra O Agosto que Nunca Esqueci, um livro recomendado pelo PNL para leitores fluentes dos 12 aos 14 anos, que constitui um retrato da emigração portuguesa dos anos 60.

Em 2017, a famalicense Marta Pinto assinou o livro infantil Emigração. Que palavra esquisita!. Uma obra ilustrada por Natacha Lourosa, e cuja narrativa percorre a história de Clara, uma menina como tantas outras que vê o pai ter de viajar para longe, para outro país, para trabalhar, e que aguarda ansiosa pelo seu regresso.

No ocaso do ano de 2019, a Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA), cuja sede funciona nas instalações do Museu da Emigração Açoriana, na Ribeira Grande, ilha de São Miguel, lançou o livro infanto-juvenil Açores, uma caça ao sonho americano, que narra a história dos primeiros açorianos que chegaram aos Estados Unidos da América, por via da caça à baleia, no século XVIII. Com pesquisa de Rui Faria, textos de Patrícia Carreiro, ilustrações de Romeu Cruz e tradução de Cristina Oliveira, o livro bilingue que se encontra traduzido para inglês, ficou disponível na costa Leste dos Estados Unidos a partir do início do ano seguinte, sendo que as receitas das suas vendas revertem para a edição de um novo livro sobre a história da emigração açoriana para o Canadá, outro dos principais destinos da diáspora açoriana.

Já no decurso do ano transato, e no seio das comunidades portuguesas, a empresária lusodescendente de terceira geração na Califórnia e dirigente do Conselho de Liderança Luso-americano (PALCUS), Ângela Simões, lançou o livro bilingue “Maria and Joao go to the Festa! A Maria e o João vão à Festa!”. Com ilustrações da luso-americana Hélia Borges Sousa e tradução portuguesa do professor luso-americano Diniz Borges, natural da ilha Terceira, nos Açores, e diretor do Portuguese Beyond Borders Institute da Universidade de Fresno State, na Califórnia, o livro direcionado para crianças dos 6 aos 12 anos, narra uma história que retrata a tradição das "Festas" das comunidades portuguesas nos Estados Unidos, e que imerge assim na génese dos emigrantes portugueses na América.

Porquanto as crianças são o presente e futuro do mundo, a conceção e realização de obras no campo da literatura infanto-juvenil, com enfoque no fenómeno migratório, uma constante estrutural da história portuguesa, é simultaneamente, um importante contributo para a aprendizagem. Assim como para o processo educativo, mormente a educação para a cidadania, que visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo.

MUNICÍPIO DE PONTE DE LIMA APOSTA NO DESENVOLVIMENTO DO CONCURSO CONCELHIO DE LEITURA

Apesar dos condicionalismos impostos pela atual pandemia o Município de Ponte de Lima decidiu avançar com o Concurso Concelhio de Leitura, que decorrerá, este ano, no auditório rio Lima, no dia 18 de fevereiro.

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Através de uma aposta clara na promoção de competências de literacia na comunidade escolar e na valorização e consolidação de hábitos de leitura na população limiana, a Rede de Bibliotecas de Ponte de Lima, em parceria com os Agrupamentos de Escolas do concelho, dinamizará mais uma edição deste concurso que dará acesso ao Concurso Nacional de Leitura.

Após o desenvolvimento da primeira fase do concurso nas escolas, os participantes apurados transitam para esta fase municipal - constituída por uma prova escrita digital e por uma prova oral, desafiando os alunos a subirem ao palco e a prepararem-se para a próxima fase do Concurso Nacional de Leitura, que decorrerá nos mesmos moldes -.

Os livros selecionados para esta etapa adequam-se às várias faixas etárias e níveis de ensino e versam sobre os seguintes autores e obras:

1.º Ciclo – 3.º e 4.º ano

Título e autor: O avô tem uma borracha na cabeça / Rui ZinK ; il. Paula Delecave ; Porto Editora

2.º Ciclo – 5.º e 6.º ano

Título e autor: O país das Laranjas / Rosário Alçada Araújo; Edições Asa

3.º Ciclo – 7.º, 8.º e 9º ano

Título e autor: As aventuras de Tom Sawyer / Mark Towain ; trad. João Reis; Edição Fábula

Ensino Secundário

Título e autor: As Vinhas da Ira / John Steinbeck

Todos os concorrentes serão galardoados com certificados e aos vencedores, por cada nível de ensino, serão oferecidos prémios.

TRIBUTO À MULHER

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  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Iniciamos 2021. Naturalmente, todos aspiramos a que seja suficientemente melhor o ano que se inicia do que o agora terminado.  Para tal, basta que nos libertemos desta famigerada pandemia que nos atormenta e nos tolhe a todos os níveis. Mas sobre essa eventual nova realidade o futuro nos esclarecerá.

Uma entrevista à Escritora chilena Isabel Allende (prima de Salvador Allende, Presidente do Chile morto no golpe militar levado a cabo por Pinochet em 1973), publicada na revista do Expresso de 18/12/2020, deu-me o mote para a primeira crónica do ano.  Na língua espanhola, Isabel Allende está considerada como a escritora mais lida no mundo. Tem 20 romances publicados e mais de 70 milhões de livros vendidos. Acaba de lançar “Mulheres da Minha Alma”, onde procura dar novo fôlego ao feminismo que sempre advogou.

Desta escritora famosa, que se lê com prazer e nos encanta pela alma que põe nas entrevistas que dá, li apenas “A casa dos espíritos”, um livro que, pela sua grandeza, está recomendado como sugestão de leitura para o Ensino Secundário. Nesta entrevista que deu à jornalista Luciana Leiderfarbarb, Isabel explica porque continua a sua luta pela emancipação das mulheres. Diz-se feminista desde os 5 anos, quando o pai abandonou a mãe com três crianças, sendo ela a mais velha, com três anos apenas. A situação da mãe, sem trabalho, virou suplício, porque, à época, as mulheres praticamente não trabalhavam e uma mulher separada expunha-se a todo o tipo de boatos. Isabel nasceu em 1942.

Partindo da sua experiência, a Escritora desfia um rol de desgraças para a maior parte dos seres femininos. “O mundo inteiro vive num patriarcado, que é um sistema de opressão permanente contra a outra parte da Humanidade”, confessa. Depois justifica a sua asserção com variadíssimos exemplos e chega a afirmar que a mulher, em muitos países, vale menos que gado; onde um pai pode casar uma filha ainda criança ou trocá-la por duas vacas. Sobre o combate a tais situações, diz: “o feminismo começa por erradicar o medo, protegendo a mulher contra a violência sistemática a que está sujeita. Depois, uma mulher tem que ter controle sobre o seu corpo. E tem de ter um salário, porque se depende dos outros, não há feminismo que lhe valha”. Quando lhe é perguntado se são as mulheres fortes que inspiram a sua escrita, diz que sim e que não as inventa, porque não as há fracas.

Isabel Allende criou uma Fundação para proteger as crianças do sexo feminino em muitas partes do mundo, já que são rejeitadas pelos progenitores, só porque são meninas. Quando lemos ou ouvimos esta Escritora chilena, se divulgarmos a sua ação, os seus conceitos e alertas, quase estamos isentos de dissertar sobre a superior importância da mulher na sociedade, até porque muitos o fazem para sossegar a dor que lhes vai na alma. Um amigo que muito estimo, feminista assumido, se me ler dirá de imediato: mulheres ao poder.

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Capa da última obra de Isabel Allende, apresentada em Portugal em Novembro de 2020

FAMALICÃO E APE DISTINGUEM JOSÉ VIALE MOUTINHO, FRANCISCO DUARTE MANGAS E HELENA CARVALHÃO BUESCU

Grandes Prémios de Conto Camilo Castelo Branco 2018 e 2019 e o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2019 foram entregues nesta segunda-feira, em Lisboa

Os escritores José Viale Moutinho, Francisco Duarte Mangas e Helena Carvalhão Buescu receberam esta segunda-feira, os Grandes Prémios de Conto Camilo Castelo Branco 2018 e 2019 e o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2019, respetivamente.  A cerimónia decorreu na sede da Associação Portuguesa de Escritores (APE), em Lisboa, e contou ainda com as presenças do presidente da APE, José Manuel Mendes e do vereador da Cultura e da Educação do município de Vila Nova de Famalicão, Leonel Rocha.

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José Viale Moutinho foi galardoado com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, em 2018, pela obra "Monstruosidades do Tempo do Infortúnio", enquanto Francisco Duarte Mangas venceu a edição de 2019 com "Pavese café Ceuta". Já Helena Buescu conquistou o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho com "O Poeta na cidade - A Literatura na História".

Numa cerimónia, praticamente sem convidados e sem jornalistas, num ano completamente atípico, marcado pela pandemia da Covid 19, José Manuel Mendes abriu a sessão referindo que “esta é uma cerimónia singular e, ao que se deseja, irrepetível”, pelo “inusitado contexto pandémico”.

Apesar disso, a sessão não deixou de se realizar e os vencedores “aplaudidos e reconhecidos”, como afirmou José Manuel Mendes. O responsável da APE sublinhou ainda a parceria entre “a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, cujo incremento de notáveis realizações nas áreas criativas é bem reconhecido à escala do país, patrocinadora dos Grandes Prémios do Conto e de Ensaio Camilo Castelo Branco e Eduardo do Prado Coelho, e a Associação Portuguesa de Escritores, validando, prosseguindo, enriquecendo um diálogo muito cordial que vai tateando os 30 anos”.

Por sua vez, Leonel Rocha destacou a importância da cultura e da educação em contexto Covid 19. O autarca referiu que o município de Famalicão “tem insistido nesta aposta reconhecendo a sua relevância para o território e para os famalicenses”. “Somos inegavelmente um concelho industrializado, mas representamos ao mesmo tempo um cluster cultural e artístico de grande relevo. Temos no concelho quatro companhias de teatro profissional, companhias de circo e de dança, bandas de música de renome, escolas artísticas. Temos uma programação cultural contínua através da Casa das Artes, da Casa de Camilo e da Fundação Cupertino de Miranda e vamos continuar sempre a investir e a insistir na cultura”, afirmou.

Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Grande Prémio do Conto destina-se a galardoar uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa, com um prémio de 7.500 euros.

O Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho tem como objetivo recordar a importância do escritor no debate de ideias o seu contributo na promoção da cultura e o seu exemplo de cidadania. Ao mesmo tempo, incentivar a criação de trabalhos na área do ensaio literário, mobilizando os meios académicos e literários do nosso País. Foi instituído em 2010 e tem o valor pecuniário de 7.500 euros.