Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

SOPRANO VIMARANENSE ELISABETE MATOS SOBE AO PALCO NO TEATRO SÃO CARLOS PARA INTERPRETAR O PAPEL DE GIORGETTA EM IL TABARRO

Elisabete Matos é Giorgetta em Il tabarro e diz-nos: «grande música, com um grande elenco». Para ver, ao vivo, em São Carlos, a 18, 20 e 22 de maio.

Na estreia absoluta de Elisabete Matos no papel de Giorgetta, contracena com Kiril Manolov (Barítono), especialista em repertório verdiano, no papel de Michelle; Marco Berti é Luigi; Maria Luísa de Freitas é Frugola, Marco Alves dos Santos é Tinca, José Corvelo interpreta Talpa e Bruno Almeida interpreta o Vendedor de canções e um dos namorados, com Susana Vieira.

Com direção musical de Antonio Pirolli, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Elisabete Matos nasceu em Guimarães onde estudou canto e violino. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, mudou-se para Espanha a fim de completar a sua formação com Ángeles Chamorro, Marimí del Pozo, Félix Lavilla e Miguel Zanetti.

Depois da sua estreia na Ópera de Hamburgo como Alice Ford (Falstaff) e Donna Elvira (Don Giovanni), papel que voltou a cantar em Lisboa, Las Palmas e Santander, participou, em 1997, na inauguração do Teatro Real de Madrid, interpretando Marigaila na estreia mundial de Divinas Palabras, de Antón García Abril, ao lado de Plácido Domingo. Imediatamente, é convidada por Domingo para estrear o papel de Dolly na Washington Opera, numa nova produção de Sly, de Wolf-Ferrari, com José Carreras como protagonista. De seguida, interpretou o mesmo papel no Teatro Regio de Turim, no Japão (com a Washington Opera) e na Ópera de Roma, desta vez com Plácido Domingo no elenco.

Interpretou, entre outros papéis, Chimène em Le Cid, de Jules Massenet, no Teatro de la Maestranza de Sevilha e na Washington Opera, com Plácido Domingo; a protagonista de Margarita la Tornera, também com Plácido Domingo, no Teatro Real de Madrid; Elsa em Lohengrin, na sua estreia no Gran Teatre del Liceu de Barcelona; Mimí em La Boheme, no Teatro de São Carlos de Lisboa; La Voix Humaine, na Maestranza; Zaza, no Teatro Regio de Turim e na Opéra de Nice; Elisabetta, numa nova produção de Don Carlo no Teatro Real de Madrid e em Palermo; La Battaglia di Legnano, no Teatro Massimo Bellini de Catânia; Freia em Das Rheingold, em Turim, Ópera de Roma e Liceu de Barcelona; o papel titular de Suor Angelica, no Palau de les Arts de Valência; Tosca, no La Fenice de Veneza, Teatro Massimo Bellini de Catania, em Chipre (com a Arena de Verona), Porto, Messina, no Festival de Macerata, em Tóquio, Lisboa e Cardiff (com a Welsh National Opera); La Vida Breve, em Lisboa; Amelia Grimaldi de Simon Boccanegra, no Teatro Real e Catania; Sieglinde em Die Walküre, na Maestranza, Centro Cultural de Belém e Liceu de Barcelona; Senta em O Navio Fantasma, em Nápoles, Sevilha e Madrid; Katia Kabanova e Els Pirineus, no Liceu de Barcelona; Madame Lidoine de Os Diálogos das Carmelitas, no La Scala de Milão, dirigida por Ricardo Muti; o papel titular de La Dolores, no Teatro Real de Madrid; Gutrune (Götterdämerung) e Rosa (Gaudi) no Liceu de Barcelona; Amélia de O Baile de Máscaras em Nápoles e em Bari; Condessa de Capriccio, no Centro Cultural de Belém; Santuzza de Cavalleria Rusticana, no São Carlos de Lisboa e no San Carlo de Nápoles; Abigaille (Nabucco), em Toulon; a protagonista de Norma, no Festival de Mérida e no Teatro Villamarta de Jerez; Elisabeth de Tannhäuser, no Liceu de Barcelona; Iphigénie en Tauride, no Teatro Campoamor de Oviedo; Turandot, em Antuérpia, Gante, Jerez e Valência (no Palau de les Arts, sob a batuta de Lorin Maazel); La Gioconda, em Tóquio; Minnie de La Fanciulla del West, em Lucca (com o Maggio Musicale Fiorentino).

Entre os seus compromissos mais recentes destacam-se Gutrune (Götterdämmerung), com Zubin Metha, e Cassandre (Les Troyens), com Valery Gergiev, ambos no Palau de les Arts de Valência.

Após o seu êxito como Senta (O Navio Fantasma) no Teatro Real de Madrid, cabe referir entre os compromissos futuros de Elisabete Matos a estreia como Lady Macbeth, na Ópera Nacional do Reno (Estrasburgo), e Isolda (Tristão e Isolda), no Campoamor de Oviedo, além de Iphigénie en Tauride, no Liceu de Barcelona, e da sua estreia na Metropolitan Opera de Nova Iorque como Minnie de La Fanciulla del West.

Para além dos teatros líricos, Elisabete Matos apresenta-se com frequência nas salas de concerto, interpretando habitualmente lied e concerto sinfónico, num vasto repertório que vai desde Bach até à música contemporânea. Destacam-se um recital de canções russas na Fundação Gulbenkian de Lisboa e no Festival de A Corunha; a Nona Sinfonia de Beethoven em Cagliari, dirigida por Lorin Maazel (com quem actuou também em Milão), no Auditório Nacional de Madrid (sob a direcção de López Cobos) e na Gulbenkian; O Chapéu de Três Bicos de Manuel de Falla, com a Chicago Simphony Orchestra, dirigida por Daniel Baremboim; um concerto de árias de Mozart com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida por Giuliano Carella; Offrandes, de Varèse, dirigida por C. Walmar; e os Wesendonk Lieder em Lisboa. Em Março de 2001, participou com Plácido Domingo, José Carreras e Mariella Devia, entre outros cantores de renome, no concerto que Zubin Mehta dirigiu em Parma em memória de Verdi, e que foi transmitido para todo o mundo.

Gravou o Requiem de Suppé com o Coro e Orquestra da Fundação Gulbenkian de Lisboa, sob a direcção de Michel Corboz, para a Virgin Classics; o papel titular de La Dolores, de Bretón, para a Decca, pelo qual foi galardoada com um Grammy em 2000; e Margarita la Tornera, de R. Chapí, para a RTVE, ambas com Plácido Domingo. Também com Domingo gravou em DVD a ópera Le Cid, de Massenet, com a Washington Opera. Recentemente, foi lançado em DVD O Chapéu de Três Bicos, de Manuel de Falla, com a Chicago Simphony Orchestra, dirigida por Daniel Baremboim.

Elisabete Matos foi nomeada Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa.

Foi galardoada com a Medalha de Ouro por Mérito Artístico da Cidade de Guimarães.

Entretanto, a soprano vimaranense Elisabete Matos sucedeu a Patrick Dickie na direcção artística do Teatro Nacional de São Carlos.

GOVERNO APROVOU EM 1932 OS SÍMBOLOS HERÁLDICOS DO GRÉMIO DO MINHO – ACTUAL CASA DO MINHO – EM LISBOA

Em 1932, o Ministério do Interior - Direcção Geral de Administração Política e Civil aprovou a constituição do emblema e da bandeira a usar pelo Grémio do Minho, com sede em Lisboa, actualmente designada por Casa do Minho. A portaria foi publicada em Diário do Govêrno n.º 45/1932, Série I de 23 de Fevereiro de 1932.

Capturargremiodominhodgov.JPG

Capturargreminh2.JPG

CP GARANTE LIGAÇÃO DIRECTA DE LISBOA A VALENÇA

A 25 de abril, entram em funcionamento novos horários na Linha do Minho, após conclusão da segunda fase de modernização da linha, entre Viana do Castelo e Valença.

valenca-minho-g.jpg

Linha do Minho - alteração ao horário - 25 de abril

Informamos que, a partir de 25 de abril de 2021 haverá alteração ao horário em vigor na Linha do Minho com o objetivo de conferir maior conforto, rapidez e mobilidade, assente nos benefícios da eletrificação total da linha até Valença. 

Principais melhorias a destacar: 

  • Prolongamento do serviço Intercidades até Valença. 
  • Nova ligação Coimbra <> Valença com 2 InterRegionais diários (um em cada sentido)
  • Redução de transbordos e de tempo de percurso. 
  • Maior conforto na viagem por alteração de material circulante.
  • Reforço da oferta Regional ao fim de semana através de 1 comboio Viana do Castelo/Valença aos sábados e 2 comboios Viana do Castelo/Valença aos domingos. 
  • Reforço da oferta na área urbana com 2 comboios InterRegionais (um em cada sentido) com origem/destino em Porto São Bento e extensão de um comboio Regional, de Nine a Porto São Bento, no período de ponta da manhã.
  • Transporte ecológico, maior sustentabilidade.

Fonte: https://www.cp.pt/passageiros/pt

ARCUENSES SOFREM DERROTA INGLÓRIA EM LISBOA

A equipa do C.R. Arcos de Valdevez viu-se batida em casa do S.L. Benfica por uns pesados 64-11, num resultado que espelha a supremacia que a equipa encarnada teve, mas que castiga a equipa minhota, que não merecia um resultado tão expressivo.

158292484_3662336940552827_4727523821354701620_n.j

O jogo, desenrolado no sábado 17 de abril no complexo desportivo de São João de Brito, propriedade do CR São Miguel, que emprestou a sua casa ao Benfica, era aguardado com alguma expectativa. Por um lado, a equipa da casa vinha de duas derrotas consecutivas, e uma terceira poderia por o S.L. Benfica em maus lençóis:  uma vitória dos visitantes poria a equipas das águias numa posição perigosa relativamente à manutenção no Campeonato Nacional da Honra, escalão máxima da modalidade. Por outro lado, a equipa de Arcos de Valdevez tem mostrado um ascendente exibicional que poderia aproveitar alguma eventual intranquilidade dos da casa.

O jogo iniciou-se numa toada equilibrada. Foi a equipa minhota que começou com sinal mais, “encostando” o Benfica no seu meio campo, porém sem conseguir pontos. Entretanto, os lisboetas sacudiram essa pressão dos minutos iniciais e jogo entrou em alternância entre os dois extremos do campo. Porém, mais experiente e poderosa fisicamente, a equipa da casa logo percebeu o ponto fraco dos arcuenses, os alinhamentos. Com efeito, foram duas as formas com que o Benfica garantiu os quatro ensaios que marcou na primeira parte: ou por progressão em “maul” a partir dos alinhamentos, ou por perfuração do “pack” avançado, onde o poder físico de alguns jogadores, que por erro tático dos visitantes, recebiam a bola embalados, provocando estragos irrecuperáveis na defesa adversária. Contudo, o CRAV, que deixou de contar com a opção tática dos alinhamentos, reagia como pôde, conseguindo marcar duas penalidades, que ditaram o resultado ao intervalo em 24-6 favorável aos da casa.

A segunda parte iniciou-se com uma réplica da primeira, com o Benfica a impor o seu poder físico e a marcar um ensaio nos primeiros minutos, que “arrumou” o jogo (31-5). Entretanto, o CRAV deixou de acreditar na vitória: continuou a lutar mas perdeu ânimo e sobretudo eficácia. Para além disso, foram importantes as mexidas que a equipa sofreu sobretudo ao nível da primeira linha (saída por lesão de Matias Ferrario), que fez com que, para além dos alinhamentos, deixasse de contar com as formações ordenadas, onde perdeu repetidamente a posse de bola. Condenada à posse de bola apenas em recuperações, o CRAV foi defendendo e atacando, conseguindo inclusivamente um ensaio. No entanto, o desgaste foi-se acumulando, a equipa foi sendo mexida e desorganizou-se, também pelas muitas substituições que efetuou. Por isso, nos 10 minutos finais foi o número 8 da equipa da casa, o internacional português Frederico Couto, que marcou quatro ensaios consecutivos em jogadas individuais que exploraram a debilidade da já quebrada defensiva arcuense, selando o resultado nuns expressivos 64-11, que premiaram a eficácia encarnada mas que foram muito duros para a prestação da equipa arcuense, que não conseguiu impor-se mas “deu luta” durante a maior parte do jogo.

158315289_3662339503885904_590327390700075432_n.jp

158636496_3662335823886272_8119845861043491915_n.j

GRAFITER STYLER RETRATA O AMARENSE ANTÓNIO VARIAÇÕES NO TAGUS PARK

O grafiter Styler acaba de retratar o artista amarense António Variações numa das paredes do Tagus Park. Styler a.k.a. João Cavalheiro nasceu em França nos anos 90. Iniciou a pintura mural em meados de 2004. Com o graffiti adquiriu a sua experiência / técnica e hoje expressa maioritariamente a sua arte em spray sobre murais.

170979631_4040035999368410_1190512126184583397_n.j

Frequentemente associado a uma cultura suburbana onde pontificam os mais diversos grupos de transgressão das normas sociais, o grafiti, na forma como atualmente se apresenta, tem a sua origem no movimento de contracultura surgido um pouco por toda a Europa por ocasião do levantamento estudantil do maio de 1968, em Paris. Considerado frequentemente como um ato de vandalismo condenado por lei, o próprio ato de produção do grafiti é assumido como um ato de rebeldia em relação à ordem estabelecida.

Convém, antes de mais, estabelecer uma clara distinção entre o mural de grafiti concebido com reconhecida qualidade artística e contendo uma mensagem da reles pichagem que apenas conspurca as paredes e não respeita o direito à propriedade e ao asseio urbano.

Existem grafitis que constituem autênticas obras de arte, transmitindo preocupações de natureza política, social ou ambientais através de representações críticas e emocionais. Com evidentes traços caraterísticos do expressionismo, surrealismo e simbolismo, alguns das pinturas destes murais podem muito bem serem consideradas verdadeiras manifestações estéticas do neoexpressionismo.

FALECEU ARMANDO ROCHA – NATURAL DE PÓVOA DE LANHOSO – FOI UM DOS MAIS PRESTIGIADOS DIRECTORES E ENSAIADORES DO RANCHO FOLCLÓRICO DA CASA DO MINHO EM LISBOA

Acabamos de tomar conheceimento do falecimento na semana passada de Armando Rocha, um prestigiado folclorista que foi durante muito tempo director e ensaiador do Rancho Folclórico da Casa do Minho, em Lisboa.

93173453_101536094861946_121799551618121728_n (2).jpg

Natural da Póvoa de Lanhoso, Armando Rocha viveu em Angola, tendo estado ligado à Casa do Minho em Luanda.

O Rancho Folclórico da Casa do Minho foi constituído em 3 de Setembro 1943, no seio daquela agremiação regionalista à época denominada Casa de Entre-o-Douro-e-Minho. Entretanto, mudanças sociais e políticas que se verificaram e também o inesperado desaparecimento do grande obreiro da Casa do Minho, o jornalista Artur Maciel, levaram a um prolongado interregno da actividade do rancho folclórico.

Ultrapassada a fase mais atribulada que o país viveu, eis que nos finais da década de setenta do século passado, o Rancho Folclórico da Casa do Minho retoma a sua actividade sob a batuta experiente de um lanhosense conhecido e estimado pelos minhotos radicados em Lisboa – o Armando Rocha.

Os minhotos radicados na região de Lisboa vêm agora partir um conterrâneo dos que foi por eles sempre mais estimado, apesar de se encontrar desde há muito tempo retirado na sua terra natal.

AS "COMÉDIAS DO MINHO" LEVARAM A CARRINHA VELHA ATÉ AO PALÁCIO DE BELÉM

Depois de meses a criar para o ‘digital’, os atores das Comédias do Minho interromperam o seu jejum de palco com uma atuação para Marcelo Rebelo de Sousa. A convite da Presidência da República, e no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro, Luís Filipe Silva e Joana Magalhães apresentaram A Carrinha Velha, de Tânia Almeida.

210327-prmrs-ro-0215-4787.jpg

A Carrinha Velha ganhou um corpo e revelou ao Presidente o que observou ao longo de anos nas estradas minhotas, ao serviço desta companhia de teatro itinerante. É esta Fiat que faz de carro de som e anuncia os espetáculos pelas aldeias. É nela que se transportam cenários e figurinos, por montanhas e vales, para chegar às aldeias mais isoladas do território. Pelo caminho, acontecem romances e desavenças. No fim do dia, muitas vezes são os seus faróis que permitem a desmontagem do espetáculo, “embora agora já não haja espetáculos há muito tempo”, acrescentou Luís Filipe Silva. 

A proposta, levada ao palco do Jardim da Cascata do Palácio de Belém no passado dia 27 de março, partiu de um episódio do podcast ficcional “A Tua Mesa Odeia-te”.  Criado durante o atual confinamento para a Rádio Comédias e integrado na programação digital ‘Comédias Takeaway’, o podcast consiste em entrevistas a objetos inanimados que fazem parte da história das Comédias do Minho. Em início de desconfinamento, adapta-se o ’digital’ ao ‘presencial’. 

Quando parecia que o espetáculo tinha acabado, os atores colocaram uma coluna de som em palco, porque ela “pediu para falar”: Estes têm sido tempos muito difíceis para as atuações ao vivo. Muitos artistas e técnicos, meus queridos, têm lutado pela sua profissão, já de si carregada de insegurança. (...) A bela cultura do teatro viverá enquanto eles ficarem aqui. (...) E como coluna que já tem saudades de ser usada, só me resta dizer: Mal posso esperar!

Nas palavras de Magda Henriques, Diretora Artística das Comédias do Minho, “não é de pouca importância termos sido nós, Comédias do Minho, a receber este convite. Somos uma estrutura localizada num território que não coincide com os ditos ‘grandes centros’ e este é um gesto relevante. As escolhas importam. Afirmar formalmente as periferias como ‘centrais’ tem significado, porque descentralizar não chega. Importa olhar para o país como um território complexo, diversificado, composto de múltiplas realidades e centralidades. Cabe-nos assim, também, celebrar o teatro e todos aqueles que o tornam possível. São tantas as estruturas culturais, mais ou menos invisíveis, que existem por esse país fora. Tantas pessoas. Tantos profissionais. É o teatro que está no centro desta celebração e com ele, necessariamente, todos aqueles que o tornam possível. Todos são imprescindíveis.”

As ‘Comédias do Minho’ são fruto do esforço colaborativo dos municípios de Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira. Depois de garantidas as ditas necessidades básicas, era preciso dotar o Vale do Minho de um projeto cultural próprio, adaptado à realidade socioeconómica e com um enfoque especial no envolvimento das populações. Há dezassete anos que a Companhia de Teatro profissional leva as suas criações às vilas e aldeias do território. Hoje, há também um Projeto Pedagógico que trabalha as artes performativas com toda a comunidade educativa da região. As associações locais e grupos de teatro de amadores são abrangidos pelo Projeto Comunitário. Esta estrutura cultural foi o exemplo que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quis destacar no Dia Mundial do Teatro, afirmando que "Portugal não é Lisboa e há muita coisa a fazer para levar mais longe a descentralização, que está nas leis, mas que tem de passar para a vida das pessoas". O Presidente aprofundou, dizendo que “descentralizar não é apenas fazer leis a dizer que se dá mais poderes, é dar mais meios para se exercerem esses poderes. Não é apenas reconhecer o papel das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia, é permitir que se unam, que ganhem força, que tenham massa crítica para poderem levar mais longe a descentralização", disse, apontando este como um "desafio dos próximos tempos". Na sua curta intervenção, o Presidente da República considerou que a cultura "foi talvez a atividade mais sacrificada pela pandemia" de covid-19. Já Magda Henriques recusou alongar-se “em considerações sobre o estado atual de muitos profissionais da área. A situação é sobejamente conhecida. O contexto em que vivemos só tornou visível e radicalizou o que já estava aí.” As salas de espetáculos voltam a abrir no próximo dia 19 de Abril.

210327-prmrs-ro-0206-4775.jpg

210327-prmrs-ro-0207-4790.jpg

210327-prmrs-ro-0213-4660.jpg

OS COURENSES E AS “CASAS DE PASTO” EM LISBOA

De entre os minhotos em geral, são os courenses aqueles que porventura têm uma maior presença no comércio de restauração na região de Lisboa. A eles seguem-se os limianos e os cerveirenses, alguns monçanenses e barquenses.

54515927_10216440952649764_452180831302057984_n.jp

O desenvolvimento industrial registado na segunda metade do século XIX – designado por Fontismo ou Regeneração – foi determinante para a deslocação das populações do interior sobretudo para Lisboa à procura de trabalho e melhores condições de vida. A esse fenómeno também não é alheio a construção da linha-férrea a encurtar distâncias outrora difíceis de vencer. E, quem não migrava para Lisboa, fazia-o para o Brasil.

Antes, porém, dos modernos restaurantes, marisqueiras e cervejarias, apenas existiam as velhas tabernas, carvoarias, retiros e casas de pasto, a maior parte das quais pertencentes aos nossos irmãos galegos.

A taberna – termo de origem latina que significa abrigo ou oficina – constitui um local de venda a retalho de vinho e outras bebidas alcoólicas, razão pela qual se tornou local de acolhimento de mercadores e viajantes à mistura com ébrios e outros vagabundos em virtude da regulamentação insuficiente da hora de encerramento, prolongando-se não raras as vezes pela noite fora. Para acompanhar o vinho, serviam-se geralmente uns petiscos para afagar a fome dos miseráveis clientes. Nos meios rurais, geralmente integrados na venda, constituía um local de convívio dos habitantes locais.

A par das tabernas, existiam as chamadas casas de pasto, assim designadas por serem destinadas a darem o pasto aos animais enquanto os seus donos feiravam, razão pela qual a maior parte situava-se em locais de realização das feiras ou no trajecto dos almocreves e outros mercadores faziam. O antigo “Retiro do Quebra Bilhas” no Campo Grande, junto à velha feira e da linha-férrea do Laramanjat, é disso um exemplo.

Com o tempo, os donos das casas de pasto viram aí uma oportunidade de também servirem o pasto aos donos dos animais. E, as velhas manjedouras dos animais cederam espaço às toscas mesas onde à sua volta se reuniam os novos clientes…

Entretanto, muitos lisboetas procuravam no ambiente rústico e pitoresco que a cidade não lhes proporcionava. Surgião então o costume da ida às hortas ou seja, aos retiros dos arredores da cidade onde se almoçava e ouvia-se cantar o fado, daí derivando o termo alfacinha pelo qual os lisboetas são identificados.

Também a organização das “excursões” às hortas foram sendo organizadas nas velhas tarbernas com a criação de grupos excursionistas e almoçaristas, com número limitado de membros e direito à exibição do respectivo quadro na parede do estabelecimento. Da fusão de destes grupos vieram a nascer algumas das colectividades de bairro que ainda perduram.

Geralmente associadas às tabernas, funcionavam separadamente as carvoarias com as suas grandes tulhas onde além do armazenamento também se faziam as “bolas” com o aproveiramento do cisco para alimentar os fogareiros. E também se vendia o petróleo para os pequenos fogões em uso à época.

Com o tempo e a adopção de novas regras de salubridade, o fim das antigas feiras e das romarias dos arredores da cidade, foram desaparecendo os antigos pregões e alterando os costumes dos lisboetas que passaram a virar-se para o futebol dominical e as matinés de cinema – o teatro de revista sempre foi mais caro! – os passeios nos jardins a ida à Feira Popular.

Entretanto, os enormes tóneis de vinho e as cartolas de aguardentes outrora existentes foram removidas e o vinho – e os seus consumidores! – deixaram de ser enxofrados. As sombrias tabernas e casas de pasto deram lugar aos novos restaurantes e cervejarias. E, durante algumas décadas, a cerveja chegou a destronar o hábito de beber vinho, tendência que tem vindo a ser revertida com a exigência e conhecimento dos novos consumidores.

Como protagonistas desta história que também faz parte da História de Lisboa e da sua vida social encontram-se os courenses e muitos minhotos em geral.

Texto: Carlos Gomes / Foto: Propriedade do autor (Família de limianos em Lisboa)

VIANENSE JOÃO ALPUIM BOTELHO – DIRECTOR DO MUSEU BORDALO PINHEIRO – É O ORADOR DA PRÓXIMA SESSÃO DO CICLO “O HUMOR EM BORDALO”

Joao Alpuim Botelho, aqui sob o olhar atento de Bordalo Pinheiro, é o orador da próxima sessão do ciclo O Humor em Bordalo | Ciclo de palestras nos 175 anos do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro.

164923911_3911227745604747_1982775549485007914_o.j

O diretor do Museu Bordalo Pinheiro estará aqui em direto no domingo, 28 de março, pelas 18h, para nos apresentar "Ter Razão e ter Graça, para uma gramática do humor em Rafael Bordalo Pinheiro".

Nesta apresentação, João Alpuim Botelho propõe uma viagem sobre o humor de Bordalo Pinheiro, desmontando algumas das suas técnicas e explicando como pode ser uma ferramenta de leitura da vida política e social do final do século XIX.

Mais informações em https://museubordalopinheiro.pt/ativi.../o-humor-em-bordalo/

[Imagem: João Alpuim Botelho no Museu Bordalo Pinheiro. Fotografia de Ana Carvalho/Blog "No Mundo dos Museus".]

QUEM SÃO OS NOSSOS CANTADORES AO DESAFIO? – DANIEL SOUSA

Daniel Sousa é um exímio tocador de concertina e popular cantador ao desafio. Na região de Lisboa onde vive não existe minhoto que não o conheça e aprecie os seus dotes artísticos aliados à sua simplicidade.

danielsousa1.PNG

Desde tenra idade, integra o Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, terra que o viu nascer e em relação à qual mantém a sua ligação indefectível.

Fundou a empresa de que é proprietário e ostenta o seu nome e é professor na empresa Escola de Concertinas Daniel Sousa, um autêntico viveiro do novos tocadores de concertina.

39177621_10212394933524208_2673825924415225856_n.jpg

QUEM FOI ÂNGELO FRONDONI – O AUTOR DO HINO DA MARIA DA FONTE?

Angelo Maria Frondoni (Zibello, Emilia-Romagna, 26 de fevereiro de 1809 —Santos-o-Velho, Lisboa, 4 de junho de 1891) foi um músico, maestro, compositor, poeta e crítico de arte, de origem italiana que fez carreira em Portugal.

Angelo_Frondoni_-_O_Occidente_(1Jul1891).png

Retrato de Angelo Frondoni - O Occidente (1891)

Angelo Maria Frondoni nasceu a 26 de fevereiro de 1809, na pequena aldeia de Pieveottoville, na comuna de Zibello, província de Parma, na região da Emilia-Romagna, em Itália, filho de Paolo Frondoni e de Maddalena Marchi. Outras fontes sugerem o ano de 1812.

Radicou-se no nosso país no ano de 1838, com cerca de 26 anos, quando veio para Portugal para ser maestro do Teatro de São Carlos, contratado pelo 1.º Conde de Farrobo. As suas primeiras composições em Portugal foram dois bailados – A Ilha dos Portentos e A Volta de Pedro o Grande de Moscovo – exibidos em 1839. O seu sucesso veio de operetas e revistas populares.

No Teatro da Rua dos Condes alcançou muito êxito com a farsa O Beijo, estreada em 26 de novembro de 1844, tendo a música sido publicada pelo editor Sassetti dada a sua grande popularidade.

Mas o que tornou Ângelo Frondoni mais famoso foi em 1846 ter composto o Hino do Minho, com letra de Paulo Midosi, que ficou conhecido popularmente como Hino da Maria da Fonte. Esta música patriótica teve larga divulgação e chegou mesmo a ser aceite nos últimos tempos da Monarquia quase como um hino nacional. No entanto, como era contra o Cabralismo e Cartismo e tinha enorme popularidade, o governo de Costa Cabral, proibiu-a. Na sequência da Revolução da Maria de Fonte, Costa Cabral havia sido demitido em 20 de maio de 1846 e exilou-se em Espanha, mas D. Maria II que sempre o apoiou voltou a nomeá-lo para governar o país em 18 de junho de 1849 (que durou até 1 de maio de 1851). Ângelo Frondoni teve dissabores nesses anos, a ponto de se ver obrigado a esconder-se para não ser preso e, ao contrário do que fazia com outros artistas, D. Maria II nunca o recebeu no Paço Real.

O Conde de Farrobo que sempre estimou Frondoni,  encomendou-lhe então uma opereta para o Teatro das Laranjeiras, Mademoiselle de Mérange, em francês,  que se cantou a 11 de junho de 1847. Dedicou-se também a ser professor de Canto, para além de escrever música para muitas comédias e dramas, tendo mesmo dirigido uma companhia de ópera-cómica italiana que em 1859 se organizou no Teatro D. Fernando.

A 11 de junho de 1859, na Igreja do Loreto, ao Chiado, casou com Maria José de Almeida, natural de Lisboa, freguesia de Santa Marinha, filha de Manuel Cristóvão de Almeida e de Severina Maria da Pena. Foi pai de Madalena Frondoni Lacombe, médium da elite lisboeta, sua única filha.[1]

Quando se construiu o Teatro da Trindade, Francisco Palha quis explorar a ópera cómica burlesca e chamou Frondoni para maestro, onde trabalhou desde O Barba Azul de 1868 até 1873. Também para o próximo Teatro Gymnasio musicou o drama Evangelho em acção (1870) e na época de 1873/74 voltou para o São Carlos, como maestro, para em 1874 apresentar a ópera burlesca O filho da senhora Angot, no Teatro do Príncipe Real.

Ângelo Frondoni também se empenhou em difundir o canto coral, para o que publicou artigos em jornais, solicitou ajuda a pessoas importantes e das sociedades de canto coral de Paris e da Bélgica e abriu até um curso gratuito, tentando concretizar a ideia sem sucesso, em Lisboa e depois, no Porto.

Interessado em literatura publicou dois folhetins na Revolução de Setembro – Da Poética em música (1854) e Efeitos de música (1867), um soneto em italiano à memória de D. Pedro V (1861) na Revista Contemporânea e a composição para canto Camões e o Jau, a partir de fragmentos de poesia de António Feliciano de Castilho, elaborada por ocasião das festas do centenário de Camões de 1880.

Angelo Frondoni faleceu aos 82 anos (outras fontes sugerem 79 e 83 anos), à 1 hora da madrugada de 4 de junho de 1891, na sua residência, o 2.º andar do número 460 da Rua 24 de Julho (hoje Avenida), freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, já no estado de viúvo. Encontra-se sepultado em jazigo de família no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

O acontecimento é noticiado em vários jornais da época, podendo ler-se no Diário Illustrado (edição de 5 de junho de 1891): "Falleceu hontem, com 79 annos de edade, o maestro Angelo Frondoni, que estava em Portugal desde 1838. Veio contractado pelo conde de Farrobo para o theatro das Larangeiras, e desde então nunca mais sahira de Portugal (...) Frondoni era um excentrico, sempre muito abstracto, muito esquecido. Passeava philosophicamente de cachimbo na bocca, bengala atraz das costas. Comquanto estivesse longos annos em Portugal, não conseguiu nunca fallar bem o portuguez. Assim, na sua linguagem pittorescamente estrangeirada, dava a razão de fumar sempre cachimbo: porque era «une coise munte bom para o peita.» As suas producções musicaes eram vivas, animadas, brilhantes. Ficavam no ouvido do povo (...) Frondoni deixa uma filha casada com o sr. Leon Lacombe, engenheiro da Empreza Industrial Portugueza."

O nome de Frondoni está na toponímia de Belém, da Póvoa do Lanhoso – onde começou a Revolução da Maria da Fonte –  e da cidade do Porto

Fonte: Wikipédia

Capturarruaagelofrondoni1.JPG

Ângelo Frondoni na toponímia de Lisboa

ELZIRA DANTAS MACHADO E A CRUZADA DAS MULHERES PORTUGUESAS

Em 8 de Novembro de 1917, a dirigente sufragista Ana de Castro Osório, Presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, endereçou a Elzira Dantas Machado, à altura instalada no Palácio de Belém, correspondência dando conta da actividade da Cruzada das Mulheres Portuguesas, organização que fundaram e de que faziam parte.

Fonte: Fundação Mário Soares

cruzadamp1.png

cruzadamp2.png

cruzadamp3.png

O QUE FOI O BANCO DO MINHO?

O Banco do Minho foi fundado há 157 anos

O Banco do Minho foi instituído por carta de lei de 14 de Abril de 1864, com sede em Braga, e iniciou a sua atividade em Junho de 1865. O capital inicial foi de 600 contos de réis, elevado a 1200 contos de réis em 1918. O Banco do Minho nasceu na época do boom das remessas financeiras dos emigrantes no Brasil.

Sediado inicialmente na R. de S. João, 15, em Braga, passou a ter sede própria, construída entre 1873 e 1877, na Rua do Teatro São Geraldo daquela cidade. Possuiu uma agência em Guimarães e filiais no Porto e em Lisboa.

O ‘Banco do Minho’ viria a ter filiais também no Brasil, nos estados de S. Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Pará e Manaus, sendo a mais importante a de S. Paulo.

Sobreviveu às crises do sector ocorridas no final do séc. XIX, aceitou à priori uma proposta de fusão com o ‘Banco Comercial de Braga’, do qual era credor, negócio que não se viria a concretizar, tendo aquele banco falido pouco depois.

A partir de 1918, desenvolve uma estratégia de participação em empresas industriais, comerciais e financeiras. Entre as empresas não financeiras contam-se a ‘Companhia Fabril do Minho’, a ‘Companhia das Águas do Gerês’, a ‘Companhia Metalúrgica do Norte’ e a ‘Perfumaria Confiança’. Foi acionista maioritário da Sociedade Bancária do Minho, criada em 24 de Maio de 1924, em S. Paulo, no Brasil, destinada a servir de agência local do banco e a ter atividade própria. Apesar de um início de actividade promissor, a situação financeira desta sociedade derrapou e acabou por ser liquidada em 1927.

Podia-se ler num artigo de 1925: «(...) dedicando-se a operações bancárias de todo o género, cambiais e de ordens de Bolsa, possuindo na sede e nas filiais óptimas instalações de cofres fortes para alugar. O seu agente geral no Brasil a "Sociedade Bancária do Minho", na Rua da Quitanda, 117, e seus correspondentes em S. Paulo, os nossos prezados amigos Srs. Garcia da Silva & Cª., proprietários da "Loja do Japão", à Rua de S. Bento, tendo naquele grande país montado um serviço especial de cobrança de juros e dividendos, administração de propriedades, liquidação de heranças, etc

O ‘Banco do Minho’ juntamente com o ‘Banco Comercial do Porto’, ‘Banco Aliança’, ‘Banco Comercial de Braga’ e o ‘Banco União do Porto’, consegue autorização para emitir notas bancárias.

Em 1926, algumas das empresas em que o ‘Banco do Minho’ tinha participação apresentam prejuízos e em 1927 os dividendos desta instituição são bastante reduzidos. A situação económica e financeira agravou-se nos anos seguintes. O ‘Banco do Minho’ não resiste à Grande Depressão de 1929 nos EUA, a par do ‘Banco Comercial do Porto’, ambos vítimas de uma corrida aos depósitos e da sua incapacidade de cobertura.

Em 21 de Outubro de 1930 é nomeada uma Comissão Administrativa para gerir o ‘Banco do Minho’. Na sequência do relatório desta comissão, datado de 14 de Abril de 1931, é decretada a liquidação do banco. A Comissão Liquidatária nomeada pelo Estado encerrou atividades em 31 de Dezembro de 1939. O ‘Banco do Minho’, durante a sua vida de 64 anos, que chegou a ser dos bancos mais importantes do país, contribuiu para fomentar e desenvolver o comércio, a indústria e a região. O seu encerramento, por colapso financeiro, acarretou prejuízos cuja dimensão verdadeira continua por estudar.

Fonte: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

161700492_2948147028845681_5642173706313318627_n.j

Delegação do Banco do Minho na rua do Ouro, em Lisboa

Com sede em Braga, na Praça da República, a autorização para a fundação do Banco do Minho remonta a 15 de junho de 1864, onde uma Carta de Lei desta data estabelece a sua criação, concedendo-lhe o privilégio de emitir notas. Este privilégio manteve-se até 1891 quando o Decreto de 9 de julho estabelece a cessão da faculdade de emissão de notas para os bancos do Norte.

Os estatutos datam de 27 de junho de 1864, realizados através de escritura no cartório de Agostinho Monteiro da Silva, de Braga, tendo sido publicados em Decreto régio de 31 de agosto desse ano.

A criação desta instituição está intimamente ligada com a tendência empreendedora do País à época, com o aumento da circulação monetária e, principalmente, com os proventos da emigração minhota que afluíam com maior intensidade ao norte do País. Como forma de dar resposta aos desejos expressos de um grupo de pessoas notáveis da região que viam na criação da instituição largos benefícios para a economia local e regional, o Banco do Minho viria a revelar-se num valioso instrumento de crédito no auxílio à agricultura e indústria da região.

Os diplomas da sua criação determinavam que o banco teria que respeitar o capital inicial de 600 contos de réis, capital que foi gradualmente realizado até 1867. No dia 04 de junho de 1865, após a receção das prestações mínimas obrigatórias das ações subscritas e a consequente fiscalização oficial, o Banco do Minho recebe o Alvará de licença para iniciar as suas operações.

Devido à natureza das operações realizadas e à necessidade constante de aproximação da instituição ao cliente, o Banco do Minho vai estender a sua presença ao território nacional com a abertura de filiais no Porto (01 de julho de 1874) e Lisboa (15 de setembro de 1919), e duas agências, uma na Covilhã (1920) e outra em Guimarães (1923). Também a rede de correspondentes no país e estrangeiro vai acompanhar o expansionismo do banco. No ano de 1924 é criada uma casa bancária na cidade do Rio de Janeiro denominada “Sociedade Bancária do Minho, Braga e Companhia, Limitada”, em tudo semelhante a um banco, mas que terá uma duração efémera, encerrando dois anos depois, devido aos avultados prejuízos obtidos.

Procurando dar resposta às crescentes necessidades de crédito na região e ao desenvolvimento da instituição, em 1917 foi aprovada a elevação do capital para 1.200 contos; em 1918, foi elevado para 2.000 contos; em 1920, passou a ser de 4.000 contos; em 1922, de 6.000 contos e, em 1924, o capital social do banco era já de 10.000 contos.

Em 1925 começam os primeiros problemas: algum ambiente de crise nos mercados interno e externo, a falta de numerário, a diminuição da velocidade de circulação monetária e a consequente estagnação dos negócios. A pesada estrutura, fruto do expansionismo dos anos anteriores, os pesados juros a pagar por conta dos depósitos em carteira, a concorrência crescente de outros estabelecimentos bancários bem como o aumento da fiscalidade e dos dividendos a distribuir pelos acionistas, eram motivos de constantes preocupações.

Em 1928, em Assembleia Geral Extraordinária, é deliberado reduzir o capital do banco para 8.000 contos, para assim diminuir o volume de impostos e de dividendos a pagar. O ano de 1929, com o estalar da crise económica e financeira mundial, foi fulminante para o Banco do Minho, assistindo-se à desenfreada corrida dos populares à instituição para levantamento dos seus depósitos. A somar ao facto, corriam boatos pondo em causa a solidez financeira e credibilidade da instituição.

Face à situação criada - o decréscimo anómalo de depósitos e a saída rápida de dinheiro dos cofres do banco -, em 1930 é solicitado apoio ao Ministério das Finanças, que encaminha o pedido de auxílio para os institutos oficiais adequados: o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos. Após uma auditoria e parecer negativo às contas da instituição, por parte do Banco de Portugal, em 21 de outubro de 1930 é publicado no Diário do Governo nº 245, o Decreto nº 18946 que manda substituir a direção do banco por uma comissão administrativa, com poderes acumulados de todos os órgãos administrativos do Banco do Minho. Esta comissão era composta por três elementos representando as três entidades oficiais - o Estado, o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos – e tinha por objetivo evitar o agravamento da crise no País e maiores danos para os credores do banco.

Já com o Banco do Minho em regime de falência, o Decreto nº 19583, de 13 de abril de 1931, dissolve-o e ordena a sua liquidação. Tratou-se de um processo moroso e complexo, que se arrastou até 27 de fevereiro de 1940 (data da entrega do relatório final da liquidação).

Fonte: Arquivo Histórico do Banco de Portugal

Cédula fiduciária emitida pelo Banco do Minho

capture15

Agência do Banco do Minho em São Paulo, no Brasil (Fonte: Illustração Portugueza, 2ª Série, nº. 407, 8 Dezembro 1913 / Hemeroteca Municipal de Lisboa)

22041875_qP1Ut.jpeg

Delegação do Banco do Minho na rua do Ouro, em Lisboa

PT-TT-EPJS-SF-008-05512_m0001.JPG

Em Dezembro de 1908, aquando da sua visita ao norte do país, o Rei D. Manuel II ficou hospedado em Braga no edifício do Banco do Minho. (Foto: Joshua Benoliel / ANTT)