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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PORTUGAL É A PÁTRIA DOS GALEGOS

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["Fui gerado em Lisboa, mas os meus pais, como bons galegos, foram-me desovar lá. Subi o rio Minho como a lampreia e fui nascer quase em frente a Monção, numa aldeola que é As Neves. E depois vim para cá, há 65 anos e... nove meses." José António Castro, sentado à mesa no final de um almoço bem regado, com três amigos de raízes comuns: Amâncio Dominguez, Alfonso Mateo e Manolo Bello.

Estão todos na casa dos 60 e a vida corre-lhes bem. O almoço-algazarra, em que contam as novidades e recordam as cumplicidades, é um privilégio de quem pode andar mais devagar.

José Castro é proprietário da Funerária Gil, a mais antiga do país, fundada em 1873. Fez toda a vida em Lisboa, nos bairros de Alfama e do Castelo e, ao contrário dos amigos, andou na escola portuguesa onde... "era o espanhol". Não tinha sotaque e só o Suaréz do nome denunciava a viagem à Galiza que os pais fizeram a poucos dias do seu nascimento.

"Galego sempre me senti, lisboeta também. Nunca me senti estrangeiro aqui." Trabalhou 25 anos, em contabilidade até à morte da avó, que era quem geria a funerária. Depois tomou conta do negócio. "Tinha a experiência de toda a vida ali na agência, sabia como aquilo funcionava. É como a série da televisão." Ri-se.

Os amigos não perdem a oportunidade para voltar à velha brincadeira. Dizem que a Gil fez o funeral de todos os galegos de Lisboa, e José Castro não diz que não: "Os galegos procuravam a agência, claro, era a única que havia. Agora há a Servilusa." O filho anda pela agência, mas José não tem a certeza de que este seja o caminho dele. "Se ele não quiser fecha-se a porta, e pronto."

Do almoço restam os copos quase vazios, chegam os cafés e os digestivos. Parecem estar em casa. E pelo menos um deles é como se estivesse. Amâncio Dominguez é o sócio do Hotel Santa Justa, na Baixa de Lisboa, onde se reúnem todos. Começou por trabalhar numa carvoaria e na tasca do pai no Cais do Sodré. Veio com 7 anos, em 1960, para Lisboa. "Vivia no Cais do Sodré, a família tinha ali as tascas todas e as carvoarias. Agora já está tudo alterado, morreram uns, outros reformaram-se.

Os filhos já cá nasceram, estudaram e já têm outra atividade." Por isso, a tradicional ligação dos galegos à restauração está-se a perder. "Já não vêm os galegos com vontade de trabalhar que vinham antes, antigamente vinham por necessidade e agarravam-se aos negócios que ninguém queria. Até vendiam água!", diz Amâncio. "Hoje, por exemplo, temos aqui a diretora [do hotel] que é galega, é gente que vem mais preparada e agarra outras profissões.

Paula Ferro acede e junta-se à conversa. Veio de Padrón, a terra dos famosos pimentos, há quatro anos. Formara-se no Centro Superior de Hotelaria da Galiza e calhou saber que o hotel de Amâncio precisava de uma diretora. O marido já cá estava e Paula veio também. Tem 34 anos e o primeiro filho, de 9 meses, nasceu em Lisboa. "Nós não temos cá família, não temos pais, não temos primos. Tenho saudades da família, mas nunca me senti fora de casa como podemos sentir-nos, se calhar, noutras cidades de Espanha, que são mais fechadas. O português e as pessoas de Lisboa são muito acolhedoras."

Paula é o que Álvaro Moreira Muiños chama de "galegos de pouca duração". O presidente da Xuventude da Galicia - Centro Galego de Lisboa considera que "a Galiza teve três momentos de emigração: entre o século XVII e princípios do XX, que eram galegos com profissões nómadas que vinham porque lá não tinham meios de subsistência. Depois houve a emigração do tempo da guerra [civil] e hoje há a emigração em comissão, por exemplo, os funcionários do El Corte Inglés, dos bancos ou das empresas. São galegos de pouca duração".

Muiños lembra "os galegos iniciais que inundaram isto tudo de tascas e restaurantes". E os amoladores, que vinham de Ourense. Como o pai do senhor Garcia, que está a amolar uma faca de pastelaria enquanto no rádio toca o Purple Rain. Não chovia naquela manhã, ou o número 173C da Av. Almirante Reis seria um corrupio de gente com emergências relacionadas com chapéus de chuva, que também ali se reparam.

O pai de António Garcia abriu a Casa Garcia em 1943, quando o negócio do carrinho de madeira do amolador com que calcorreava a cidade permitiu. Foi o sustento da família, até agora. "É uma coisa que não dá para enriquecer. Para trabalhar e viver desafogadamente tudo bem, agora para enriquecer não dá. Continuei aqui porque comecei a gostar disto e a coisa correu bem. Para quem não gosta é difícil." O caso do seu filho. Não se adaptou. Quando António, de 72 anos, parar de dar uso à roda de esmeril, a Casa Garcia fecha.

Tal como os amigos à mesa de almoço, também os Garcia eram habitués na Xuventude da Galicia. Atualmente, a associação habita um palacete cor-de-rosa ao lado do Jardim do Torel. Na juventude destes galegos era na Rua da Madalena que se faziam as "comezainas" e as atividades. "Comemorávamos tudo", diz Muiños, as festas portuguesas, as espanholas e as galegas.

Agora a Xuventude da Galicia tem três a quatro atividades por mês e 560 sócios, dos quais 370 são efetivos (têm alguma ligação familiar à Galiza) e os restantes são simpatizantes (sem ligação à Galiza são, na maioria, os alunos das atividades).

Pagam uma quota de cinco euros por mês. "Não dá para nada", desabafa o presidente. Em 1988 receberam o palacete de um outro galego com jeito para o negócio, Manuel Cordo Boullosa. Começou como aguadeiro e carvoeiro e acabou dono de uma petrolífera, a Sonap. Doou a casa para a associação promover o intercâmbio entre a cultura galega e a cultura portuguesa. "Foi assim que nasceu este palacete e temos de o aguentar com dificuldade. É nosso enquanto a Xuventude da Galicia cumprir os estatutos", diz Muiños.

Nos últimos anos, a associação - declarada de utilidade pública em 1980 - perdeu vida. Os anos 1990, em que tinha 900 sócios, já lá vão. "O decréscimo deve-se às pessoas que se reformaram e regressaram à Galiza, outros morreram, os herdeiros que vinham cá e deixaram de vir." A vida agora é diferente, mudaram as comunicações, se antes demoravam 12 horas a chegar à Galiza, agora vão lá de fim de semana e já não se procuram tanto uns aos outros.

Apesar disso, o Muiños não acredita que a instituição esteja em risco, até porque tem muitas atividades dirigidas à população. Mostra-nos a aula de guitarra, depois a de gaita-de-foles, mais tarde a de SEVILHANAS.

Na Baixa, os quatro galegos vão contando histórias que, irremediavelmente, passam pelo centro galego. "É a grande mútua mundial", onde há sempre apoio para quando é preciso. É Manolo Bello quem traz o tema da solidariedade para a conversa.

O jornalista e produtor acabava de chegar ao fim da sua atribulada história de vida, resumindo esta condição de não ser estrangeiro na cidade que escolheu para viver. A face mais visível da sua carreira aconteceu na SIC, como produtor. Agora está reformado. Demorou dois anos a perceber que é dono do seu tempo e que não vai continuar a acordar com os números das audiências. Dizia ele: "O galego na diáspora é solidário, o galego na Galiza é um malandro, há muita inveja, muita trica, são uns bufos. Na diáspora são amigos."

Alfonso Mateo não descansa enquanto não conta a sua história. "Um dia estávamos aqui a almoçar e roubaram-me um saco de bacalhau. Foi num dia de Santo António, tinha comprado para levar de prenda. Quando me apercebi, este levantou-se, não disse nada a ninguém, foi comprar e dividiram entre todos." Aponta para Amâncio, caladinho do outro lado da mesa. E dias depois, diz José, ele [Alfonso] apareceu-nos com um cabrito para cada um e até trouxe bacalhau. E assim continua a acontecer. "Esta é a essência do galego fora da Galiza", diz, orgulhoso, Alfonso.]

Fonte: Portugaliza 112

OS TABERNEIROS MINHOTOS EM LISBOA E O ZÉ POVINHO DE RAFAEL BORDALO PINHEIRO: QUERES FIADO… TOMA!

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Foto: Museu Bordalo Pinheiro

A figura do Zé Povinho foi durante muitas décadas – a par de Santo António – um ícone nas tabernas de Lisboa, que tinham invariavelmente como donos galegos ou minhotos, com especial predominância para os oriundos de Ponte de Lima e Paredes de Coura.

“Um ramo de louro à porta / Indicava uma taberna / À noite era uma lanterna / Com sua luz quase morta” – tal como canta a barcelense Gisela João.

Lá dentro, em lugar cimeiro, Santo António segurava o menino dentro da sua capelinha e, a seu lado, a figura rústica do Zé Povinho garantia: Queres fiado… toma!

O taberneiro, qual sacerdote de Dionysos, perfila-se diante do balcão como se da ara dos ritos sacrificiais se tratasse, presidindo à liturgia pagã do vinho junto dos seus ungidos. E, no seu subido altar, nas suas funções de Baco, Zé Povinho assegurava o cumprimento do dever dos fiéis não deixarem de cumprir a sua obrigação do pagamento da despesa. Isto acontecia outrora quando existiam tabernas dos minhotos em Lisboa.

TABERNA MINHOTA SERVE KEBAB EM LISBOA

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Especialidades turcas e do Médio Oriente como o kebab, a pita falafel e o durum são algumas das especialidades da “Taberna Minhota”, sita no Bairro Alto, em Lisboa. Especialidades portuguesas só mesmo o bitoque e a costela de novilho!

Quem diria, há algum tempo atrás, que viria a ter a oportunidade de vir um dia a deliciar-se com um kebab... à moda do Minho?

Sujeita repentinamente a uma grande pressão devida ao extraordinário fluxo de turismo, este constitui um caso paradigmático do que se está a passar em Lisboa e noutras regiões do país: a necessidade de corresponder à elevada procura, a oferta não está a acautelar a preservação do património e a identidade das cidades, a sua própria cultura e arrisca-se em breve a matar a galinha dos ovos de oiro.

Imagine-se a reação de um turista turco ou conhecedor da culinária daquela região, ao deparar com a apresentação de um kebab como se de uma especialidade minhota se tratasse!...

Foto: João Alpuim Botelho

SANTO AMARO É O PADROEIRO DOS GALEGOS EM PORTUGAL

É bastante antiga a devoção dos galegos radicados em Portugal a Santo Amaro. Reza a história que, em 1549, numa colina outrora sobranceira ao rio Tejo, ergueram os galegos uma pequena ermida em cumprimento de uma promessa feita por frades da Ordem de Cristo que, numa viagem de regresso de Roma, a nau em que vinham foi acometida de temporal no mar e, perante o receio de naufrágio à entrada da barra, prometeram construir uma capela no local onde aportassem sãos e salvos.

A esta invocação certamente não foi alheio o sucesso do frade beneditino, nascido em Roma no século VI, segundo o qual certa vez, obedecendo às ordens de São Bento que teve a visão de que São Plácido corria o risco de afogamento no açude de Subiaco, conseguiu salvar o irmão religioso caminhando sobre as águas sem se afogar, agarrando-o pelos cabelos e puxando-o para a margem.

A devoção dos galegos a Santo Amaro, cuja festa litúrgica se celebra a 15 de janeiro, deu origem à Capela de Santo Amaro, situada no cimo de uma colina no sítio de Alcântara, tornando-se local de festas e romaria, onde se cantava e dançava a noite inteira xotas e muiñeiras, ao som de gaita-de-foles, castanholas e pandeiretas, à boa maneira das festas tradicionais da Galiza.

Conta-nos o historiador olisiponense Augusto Vieira da Silva que “Nela se faziam antigamente grandes festas ao seu patrono, que começavam em 15 de Janeiro e se prolongavam ordinariamente até 2 de Fevereiro. No seu adro organizavam os galegos das companhias de aguadeiros de Lisboa, um arraial e danças ao som de gaitas de foles, e nele apareciam, além dos vendedores dos artigos que era uso negociarem-se em todas as festanças populares portuguesas, mulheres vendendo rosários de pinhões de Leiria”.

Na sequência do ambiente religioso que se seguiu à implantação do regime republicano em Portugal deixou esta feira de se realizar em 1911. Seguiu-se um longo período de abandono no qual a capela chegou a ser saqueada e a ser utilizada como carvoaria. Em 1927, foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.

A Capela de Santo Amaro encontra-se atualmente aberta ao culto no primeiro domingo de cada mês, às 10 horas, para a celebração da Eucaristia dominical.

Situada ao cimo da calçada de Santo Amaro, trata-se de um templo de estilo Renascentista, de planta centralizada em redor de um átrio semicircular, construído segundo o projeto de Diogo de Torralva, considerado um dos melhores arquitetos do século XVI. O edifício encontra-se desde 16 de julho de 1910 classificado como Monumento Nacional.

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São notáveis os painéis de azulejos polícromos tardo-maneiristas alusivos a Santo Amaro que revestem as paredes do átrio, as pinturas a óleo que revestem o teto da sacristia, os três magníficos portões de ferro forjado do século XVII e o conjunto formado pelo adro e o escadório que, na parte superior, sugere a proa de um barco virado ao Tejo.

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Em meados do século passado, os galegos passaram a realizar conjuntamente com os minhotos uma pequena festa em honra de São Tiago, em torno de uma pequena capelinha situada no Alto da Boa Viagem, junto ao farol do Esteiro, na localidade de Caxias. Mas, lamentavelmente, essa fraternidade foi sol de pouca dura. E também Santo Amaro deixou de reunir junto á sua ermida os seus devotos galegos!

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XUVENTUDE DE GALICIA – CENTRO GALEGO DE LISBOA REALIZA FIESTA REYES MAGOS

Esperamos hayan tenido un estupendo fin de año y comenzado este 2026 con alegría

Por ello queremos informaros de un evento familiar muy especial dedicado a los Reyes Magos, que tendrá lugar el día 5 de enero en nuestra sede de la Xuventude de Galicia-Centro Galego de Lisboa, con recepción a partir de las 17:00h.

Será una tarde pensada para disfrutar en familia, con un programa variado que incluye actuaciones de gaita, coro y sevillanas, con la participación de la Escuela de Música Tradicional, además de diversas actividades para niñas y niños a lo largo de la tarde, como cuentacuentos y otras propuestas infantiles.

18.00.19.00h -Taller de expresiones para celebrar la llegada de los Reyes Magos

Los Reyes Magos están cerca! Como serán? Cual será el más simpático? Y el más cascarrabias?

Dentro del universo creativo de la llegada los Reyes Magos, en este taller vamos a explorar de manera expresiva el cuerpo, las emociones, el humor y los caracteres imaginados de los tres Reyes Magos! A través de juegos, dinámicas de grupo y momentos de imaginación colectiva!

(A partir de los 5 años / Con la actriz, bailarina y coreógrafa Marta Jardim)

También habrá merienda con roscón, panettone y dulces, patrocinada por El Corte Inglés. Para quienes lo deseen, existirá la posibilidad de cenar o tomar algo en el restaurante situado en el centro, por cuenta de cada familia.

Os animamos a no perderos esta oportunidad para vivir la magia de los Reyes Magos, especialmente pensada para aquellos niños y niñas que todavía no han podido entregar su carta.

Un cordial saludo y un estupendo ano 2026

FRANCISCO SAMPAIO – UM DOS MAIS LÍDIMOS DEFENSORES DA ETNOGRAFIA E DO TURISMO DO ALTO MINHO – DEIXOU-NOS HÁ 4 ANOS!

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Detentor de um curriculum invejável, Francisco Sampaio dedicou a sua vida ao turismo. Tem mais de quatro dezenas de obras publicadas nas áreas da sociologia e do turismo e viu o seu mérito reconhecido cerca de duas dezenas de vezes. Com provas dadas no associativismo,foi diretor artístico e maestro do Grupo Coral do Orfeão de Vila Praia de Âncora, presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, fundador do Lions Clube de Vila Praia de Âncora, presidente da Assembleia Geral do Centro Cultural e Social de Vila Praia de Âncora e presidente da Comissão de Festas de Nossa Senhora da Bonança.

Foi ainda presidente da Assembleia Municipal de Caminha e um grande impulsionador do desenvolvimento de produtos turísticos na região do Alto Minho, como por exemplo os Caminhos de Santiago, a Rota do Românico da Ribeira Minho, o artesanato, a gastronomia e vinhos e ainda teve um papel ativo na recuperação e remodelação do património, como foi o caso do Castelo de Santiago da Barra, em Viana do Castelo.

O Dr Francisco Sampaio foi desde 1980 Presidente da Região de Turismo do Alto Minho e a ele se deve em grande medida a promoção do Minho também nas suas vertentes económica, cultural e paisagística, nomeadamente o seu folclore e o turismo rural.

Conceituado estudioso e defensor da gastronomia tradicional minhota, a sua atividade científica tem sido marcada pelos inúmeros trabalhos que tem produzido na área do turismo, marketing e definição do produto turístico do Alto Minho. Esclareça-se que, neste conceito geográfico, a Região de Turismo do Alto Minho abrangeu, para além dos concelhos do distrito de Viana do Castelo, ainda os de Terras de Bouro, Barcelos e Esposende, no distrito de Braga.

Presença assídua em programas televisivos e em todos os fóruns que poderiam constituir uma oportunidade de promoção turística da nossa região, ela é atualmente em grande medida resultado da estratégia delineada e perseguida pelo Dr. Francisco Sampaio.

Para além da sua atividade como investigador e divulgador das potencialidades turísticas do Minho, integrou desde sempre numerosas instituições da nossa região, mormente do concelho de Caminha onde tem vive, entre as quais se salienta a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora e o Orfeão de Vila Praia de Âncora onde foi coralista e maestro. Tem ainda integrado muitas Comissões de Festas como as de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, e Nossa Senhora da Bonança, em Vila Praia de Âncora.

O seu trabalho em prol do Minho e do país tem merecido público reconhecimento por parte de inúmeras entidades oficiais das quais destacamos a Secretaria de Estado do Turismo que, em 1996, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Turístico, a Xunta de Galiza com a Medalha de Honra em 2003, a Secretaria de Estado do Turismo com a Medalha de Honra em 2005 e, ainda no mesmo ano, a atribuição da Comenda de Mérito do Presidente da República.

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A imagem mostra o Dr. Francisco Sampaio, desfilando em Lisboa na avenida da Liberdade, em 2014, juntamente com milhares de minhotos que ali foram reclamar contra a extinção das freguesias. (Foto: Carlos Gomes)

Francisco José Torres Sampaio (Barcelos, 7 de Junho de 1937 - 31 de dezembro de 2021), também conhecido como Senhor Turismo e Noivo do Minho, foi um professor português. Foi fundador e antigo presidente da Região de Turismo do Alto Minho, sendo considerado uma referência do turismo da região do Alto Minho, e uma das maiores figuras do turismo de Portugal.

Nasceu em Barcelos, a 7 de Junho de 1937, residindo em Afife durante a infância e juventude. Licenciou-se em Ciências Históricas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, obtendo uma pós-graduação em Programa de Direção de Empresas, pelo Instituto de Estudos Superiores da Empresa.

Exerceu funções docentes no ensino secundário, no Instituto Superior de Turismo e Empresas, tendo sido membro da Comissão Instaladora da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, onde foi professor e coordenador do curso superior de Turismo, assim como presidente do Conselho Pedagógico, entre 1993 e 2000.

Entre 1973 a 1979 presidiu à Junta de Turismo de Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha, onde residia.Participou no processo de constituição da Região de Turismo do Alto Minho, que presidiu de sde 1980 até se reformar, em 2009, defendendo a instalação da sede no Castelo Santiago da Barra, onde continua até hoje.

Foi fundador da Confraria dos Gastrónomos do Minho,[4] da qual foi juiz entre 1984 e 2012, tendo, neste âmbito, sido responsável pela organização de uma quinzena de Congressos de Gastronomia, assumindo a publicação de diversas obras no âmbito da Gastronomia e Vinhos, produto turístico reconhecido em 2007 em grande medida pelo trabalho que desenvolveu tanto como docente, como Presidente da Região de Turismo.

Ao longo de 40 anos foi responsável pelas Festas da Senhora da Agonia, nas quais se destacava como organizador do cortejo histórico etnográfico. Era tido como um dos maiores conhecedores das tradições da Romaria d'Agonia, tendo redigido a Declaração de Interesse para o Turismo da Romaria d'Agonia, aprovada em 2013. Desenvolveu um trabalho semelhante nas Festas da Senhora da Bonança, em Vila Praia de Âncora.

É autor de cerca de 50 livros sobre temas de caráter histórico, arqueológico, turístico, etnográfico e gastronómico, sendo também colaborador de várias publicações do Alto Minho e de centenas de pequenas publicações em jornais e revistas.

Morreu a 31 de dezembro de 2022, aos 84 anos. A Câmara Municipal de Viana do Castelo divulgou no mesmo dia um voto de pesar pela sua morte.

Em 1996, foi condecorado com a Medalha de Mérito Turístico – Grau Prata, da Secretaria de Estado do Turismo.

Em 2000, recebeu a Medalha de Ouro ao Mérito Turístico, do Comércio de Pontevedra 2000.

Em 2003, foi agraciado com a Medalha de Honra – Grau Prata, da Junta da Galiza, recebendo em 2004 o título de Cidadão de Mérito de Viana do Castelo pela Câmara Municipal da mesma cidade.

Em 2005, recebeu a Medalha de Mérito Turístico – Grau Ouro, da Secretaria de Estado de Turismo, e em 2007, a Medalha da Academia Portuguesa de Gastronomia.

Em junho de 2019, o Município de Viana do Castelo atribuiu o nome de Francisco Sampaio à galeria do piso 0 do Museu do Traje.

Em outubro de 2021, foi homenageado numa cerimónia que contou com a presença dos presidentes da Entidade de Turismo do Porto e Norte (ETPN), da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Durante a homenagem, foi atribuído o nome de Francisco Sampaio ao Centro de Congressos do Castelo Santiago da Barra, em Viana do Castelo.

Fonte: Wikipédia

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ARTUR AGOSTINHO NASCEU HÁ 105 ANOS – AS SUAS ORIGENS ERAM DA CORRELHÃ EM PONTE DE LIMA

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Artur Agostinho - o "Leão da Estrela" - tinha raízes limianas, na freguesia de Correlhã. Se fosse vivo completaria hoje 105 anos

Passam hoje precisamente 105 anos sobre a data do nascimento do famoso jornalista, escritor e radialista Artur Agostinho. Lisboeta de nascimento, as suas raízes eram porém limianas, mais precisamente da Correlhã, onde ainda possui familiares.

A sua carreira jornalística começou no longínquo ano de 1938, aos microfones da Rádio Luz. Seguiu-se o Clube Radiofónico de Portugal, a Voz de Lisboa, Rádio Peninsular e o Rádio Clube Português, até ingressar na então Emissora Nacional em 1945. Na década de 80 passou para a Rádio Renascença onde fez parte do Departamento Desportivo, área em que desde sempre se destacou como relator desportivo.

Dirigiu o jornal desportivo “Record” entre 1963 e 1974, foi director do jornal do Sporting Clube de Portugal e proprietário da agência de publicidade Sonarte.

Participou em numerosos filmes e telenovelas, de entre os quais destacamos o célebre “O Leão da Estrela” que a maior parte dos portugueses recordam, muito ao jeito das suas simpatias clubísticas.

Lisboeta de nacimento, Artur Fernandes Agostinho possuía raízes em Ponte de Lima, mais propriamente na Correlhã, terra que visitava frequentemente. E sempre que podia disponibilizava-se para relatar os jogos locais para a Rádio Ondas do Lima. Tal como sucedia com eventos que a comunidade limiana em Lisboa levava a efeito como, a título de exemplo, a apresentação da edição de 1994 da Festa de Portugal. Veio a falecer em 22 de Março de 2011.

Artur Agostinho era uma pessoa muito gentil e de fino trato que os limianos guardam no seu coração.

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A contar da esquerda, o então Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, engº Daniel Campelo, Artur Lopes (primo) e Artur Agostinho, na apresentação da Festa de Portugal em 1994.

Em 2010, foi agraciado no Palácio de Belém pelo Presidente da República com a Ordem Militar de Santiago da Espada, um reconhecimento do Estado pelo seu contributo à cultura e à comunicação social em Portugal.

Após o seu falecimento, o Presidente Aníbal Cavaco Silva lembrou-o como «um homem bom e digno, cuja morte entristece o país»

Fonte e foto: Museu da Presidência da República

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HISTÓRIA SIMPLES DE UM MINHOTO EXEMPLAR – NARRADA PELO POETA SILVA NUNES

O poeta Silva Nunes foi uma das figuras incontornáveis da cultura alfacinha e das marchas populares. Durante décadas a fio, escreveu as letras para a maior parte das marchas dos bairros lisboetas. Parafraseando outro poeta, Silva Nunes é o poeta que canta Lisboa sempre que Lisboa canta.

Desaparecido do nosso convívio em 18de março de 1999, Lisboa não prestou ainda a devida homenagem àquele que foi um dos seus maiores bardos. Entretanto, recuperamos um dos escritos que, em 1991, teve a amabilidade de nos oferecer.

Na década dos anos 40, ainda em plena Guerra Mundial entre Alemães e Aliados, Lisboa acordava pacificamente com os pregões da “fava-rica”, da “vivinha da Costa” e do “carapau do Alto”…

As tabernas, de então, eram casas de bons vinhos, petiscos e locais de cavaqueira.

Foi num destes estabelecimentos incrustado no topo da rua do Socorro, ali para as bandas do Teatro Apolo, que encontrámos um minhoto de meia idade, residente na Capital desde os 14 anos.

Depois de trabalho penoso em carvoarias e casas de pasto, tomara, por trespasse, a taberna onde a sua esposa trabalhava na cozinha.

Todos tratavam-nos por Ti-Zé. Era flexível nas palavras, lhano no trato e tinha como principio respeitar para ser respeitado.

A clientela era diversificada: lembra-nos ter visto por lá o jornalista Sanze Vieira; os poetas da antologia do fado Carlos Conde e Francisco Radamanto; guitarristas; cultivadores do fado; pessoal do Hospital de S. José; ciganos e mulheres da noite.

Na azáfama do balcão, o Ti-Zé tinha sempre na boca um vocabulário acolhedor, e por vezes, doseado de filosofia.

Numa tarde, abeirou-se dele uma infeliz mulher da noite que, em surdina, lhe pediu um “papo-seco” com presunto e meio copo de vinho branco com um pirolito, dizendo ainda que, no momento, não tinha dinheiro…

Como se tratasse de qualquer outro cliente, serviu o “papo-seco” num pires e a bebida.

Depois de comer retirou-se, dizendo: obrigado, até logo.

Um freguês atento ao diálogo, interrogou o proprietário:

- O senhor não aponta a despesa?... olhe que ela nunca mais cá põe os pés.

E o Ti-Zé respondeu, de pronto:

- Não faz mal. Pagam os que podem para os que precisam.

Era assim o minhoto com quem contactámos há meio século atrás.

A dominante tónica das suas palavras lembrava-nos um pensamento de Robert Raynolds – “amar não é ganhar, nem perder mas ajudar e ser ajudado”.

Por vezes falava do poeta Gabriel Marujo que imortalizara, numa cantiga, a Rosa maria da rua do Capelão…

Para competir com o “bacalhau assado” do “Quebra-Bilhas” com as “tripas à moda do porto”, do “Palmeiras” e com outras casas com cardápios de especialidades, tinha sempre bom presunto, rojões conservados na banha, pataniscas e caracóis.

No Dia de S. Martinho engalanava a porta da sua “taberna” com uma palma aberta em arco e oferecia aos clientes habituais um copinho de “água-pé” com duas castanhas cozidas.

Pelo Natal, brindava os fregueses com um copinho de “abafado” e uma fatia de “Bolo-Rei”.

…….

Estavamos em 1945, a II Guerra Mundial havia terminado com a derrota incondicional da Alemanha…

A Humanidade chorava os seus mortos…

Num passeio pela Baixa Pombalina, pensámos ir beber um refresco à taberna do Ti-Zé: três homens, encostados ao balcão, profectizavam o futuro do Mundo após a guerra…

Ao balcão, de barba crescida, olhar triste e camisa negra, atendeu-nos, como se fossemos um estranho.

Já não tinha os mesmos petiscos, as suas palavras eram soletradas com amargura. Tinha falecido a mulher que o ajudara nas horas boas e más na grande batalha da vida…

Meses depois, alguém nos disse que “A Taberna do Ti-Zé” tinha encerrado as portas para sempre…

Meditando nos caminhos e descaminhos da vida, o poeta retratou, à sua maneira, a última noite de Natal na “Taberna do Ti-Zé:

              NATAL DOS FALA-SÓS

              Naquela tasca velhinha

              É tudo tão natural

              Que há consoada de vinho

              P’rós que não têm Natal!...

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Ao lado do escaparate,

              Num calendário velhinho

              Está uma mulher nua

              P’ra abrir apetite… ao vinho.

              E por dentro do balcão,

              Um taberneiro, sem par,

              Mostra um sorriso nos lábios

              Com vontade de chorar…

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Bebem todos p’ra esquecer;

              - Tipo rasca, tipo fino…

              São os fala-sós da vida

              Na lixeira do destino!

              Vencidos pelo Deus baco,

              Na hora da consoada,

              Partem os copos no chão,

              Falam de tudo e de nada…

 

              Entram ali marginais,

              Mulher’s nocturnas, profectas,

              Contrabandistas, malandros,

              Alguns doutor’s e poetas…

 

              Quando a noite já vai longa,

              Os fregueses vão p’rá rua

              E agarrados uns aos outros

              Atiram pedras à Lua!...

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PONTE DE LIMA: FREI FRANCISCO DE S. LUÍS (CARDEAL SARAIVA) NASCEU HÁ 260 ANOS!

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Passam no próximo dia 26 de janeiro 260 anos sobre a data do nascimento de D. Frei Francisco de São Luís, vulgo Cardeal Saraiva, um dos principais vultos do liberalismo e um dos ícones maiores de Ponte de Lima e do Minho.

Os seus restos mortais repousam no Panteão dos Cardeal o Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa, junto dos demais cardeais da Igreja Católica. Numa sala contígua encontra-se o Panteão dos reis da Dinastia de Bragança.

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Frei Francisco de S. Luís, aliás Francisco Justiniano Saraiva, nasceu em Ponte de Lima em 26 de janeiro de 1766 e faleceu em Lisboa em 7 de maio de 1845. Aos catorze anos de idade, ingressou no Mosteiro de São Martinho de Tibães, da ordem beneditina, tendo daí saído anos mais tarde para o Mosteiro de Santo André de Rendufe e, posteriormente, para a Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra.

Filiado na Maçonaria da qual chegou a ser Grão-mestre, adoptou o nome Condorcet, tendo ainda integrado o Sinédrio que foi a organização responsável pela revolução portuense de 1820. Apesar dos seus ideais, não deixou de combater os invasores franceses pelos quais muitos liberais tomaram partido sem receio de que tal atitude configurasse um acto de traição.

Após a revolução, tornou-se um dos membros da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino e, pelas Cortes Constituintes, nomeado membro do Conselho de Regência. Foi ainda Reitor da Universidade de Coimbra, deputado às Cortes e Presidente da Câmara dos Deputados.

Em 1824, resignou ao episcopado e veio a ser desterrado para o Mosteiro da Serra de Ossa, de onde saiu após a chegada das tropas liberais a Lisboa em 1833. Foi feito Patriarca de Lisboa em 1840 e, em 1843, confirmado no título e pelo Papa Gregório XVI elevado ao cargo cardinalício.

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Na imagem, Carlos Gomes, atual administrador do BLOGUE DO MINHO, discursa junto ao túmulo de Cardeal Saraiva

Há cerca de três décadas, um grupo de naturais de Ponte de Lima radicados na região de Lisboa resolveu prestar-lhe simbólica homenagem com a realização de uma romagem ao seu túmulo, tendo a mesma contado com a presença do então Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, sr. Fernando Calheiros. Uma celebração que lamentavelmente não teve continuidade.

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HOJE É DIA DE SANTA LUZIA – CELEBRAÇÃO REMONTA EM PORTUGAL AO SÉCULO XV SOB A INVOCAÇÃO DE NOSSA SENHORA DA LUZ - O ESCRITOR LIMIANO MANUEL GOMES DE LIMA BEZERRA DESCREVEU-NOS O CULTO EM ARCOZELO

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Sob as mais variadas evocações e datas de celebração, o Dia de Santa Luzia – santa Lúcia de Siracusa – celebra-se a 13 de Dezembro de acordo com a tradição cristã de confissão católica. Não obstante, possui bastantes tradições na Escandinávia e nalgumas partes dos Estados Unidos da América, o que denuncia a sua influência protestante.

A sua celebração ocorre próximo do Solstício de Inverno, o que a relaciona com o Natal ou seja, o nascimento do Sol e consequentemente da Luz. De resto, antes da reforma do Calendário Gregoriano que ocorreu no século XVI, a data da sua celebração encontrava-se no calendário ainda mais perto do Solstício de Inverno.

Entre nós, o culto a Nossa Senhora da Luz remonta ao século XV, altura em que, segundo reza a tradição, na localidade de Carnide, um devoto a Nossa Senhora encontrou, graças a uma estranha luz, uma imagem da Mãe de Deus.

A sua ocorrência veio a dar origem à construção de um convento e uma igreja em torno da qual ainda se realiza uma das feiras mais pitorescas dos arredores de Lisboa. O culto expandiu-se um pouco por todo o país graças ao patrocínio da Infanta D. Maria e de D. Leonor de Áustria, respetivamente a filha e a terceira esposa do rei D. Manuel I.

O culto a Nossa Senhora da Luz propagou-se ainda a todo o Império Português e é ainda invocado, consoante os lugares, sob os nomes de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora da Purificação e Nossa Senhora das Candeias, ocorrendo geralmente a 2 de Fevereiro a data da sua celebração.

A respeito da veneração a Nossa Senhora da Luz praticada na vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, Manuel Gomes de Lima Bezerra * descreve-nos o seguinte: “Esta capela é notável na nossa História devido a uma bela imagem, que tem em Nossa Senhora o seu título. O Padre Carvalho recomendada desta maneira: "Aqui mesmo - diz ele falando da freguesia - está na capela de Nossa Senhora da Luz, a mais formosa imagem da Virgem, que pode haver: grandes diligências fizeram os religiosos da Ordem de Cristo para a levarem para o convento de Nossa Senhora da Luz de Lisboa, e que foi evitado pelo Cónego Baltasar de Araújo Franco". Ora se aqueles religiosos que possuem uma imagem muito perfeita da Senhora no seu convento da Luz em Carnide, junto a Lisboa, cujo aparecimento, beleza e milagres descreveu em difusão o Rev. Fr. Roque de Soveral na História, que compôs e imprimiu no ano de 1610; se aqueles religiosos, digo, julgaram a imagem desta capela de tal perfeição que a queriam levar para o seu convento de Lisboa, onde veneram a sobredita; parece-me que bastantes provas nos deixaram com o seu projecto da excelência da imagem, que se venera nesta freguesia e nesta capela. O certo é, que os naturais da terra, para perpetuarem o culto da Senhora, erigiram uma devota confraria com estatutos, que confirmou o bispo de Uranapolis, coadjutor do Arcebispado Primaz, por provisão de 27 de Agosto de 1723.”

Manuel Gomes de Lima Bezerra, in Os Estrangeiros no Lima, Tomo 1, 1785

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Santuário de Santa Luzia e a Foz do Rio Lima em Viana do Castelo numa pintura de Mota Urgueiro

CAMINHENSE SIDÓNIO PAIS INSTAUROU A “REPÚBLICA NOVA” HÁ 108 ANOS -BERNARDINO MACHADO PAGAVA 100 ESCUDOS DE RENDA PARA HABITAR O PALÁCIO DE BELÉM

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A 5 de dezembro de 1917, Portugal viveu um dos momentos mais marcantes da sua história republicana.

Nessa madrugada, Sidónio Pais liderou uma revolução militar que reuniu forças na zona da Rotunda, em Lisboa, desencadeando combates intensos que se estenderam até 8 de dezembro. A queda do governo de Afonso Costa e a deposição do Presidente Bernardino Machado abriram caminho à «República Nova», um regime presidencialista, com forte concentração de poder na figura do Chefe do Estado.

Num período de grande convulsão, Sidónio Pais procurou estabilizar o país através de um modelo autoritário e centrado no culto da sua liderança. A sua morte, um ano depois, mostrou como regimes dependentes de uma única figura política podem ser frágeis e gerar instabilidade.

O Palácio de Belém foi, também, palco destes acontecimentos: da resistência de Elzira Dantas Machado, mulher de Bernardino Machado, à assinatura do decreto de exílio do Presidente, os documentos preservados pelo Museu revelam como a revolução atingiu diretamente a Presidência da República.

Um episódio que nos recorda como mudanças profundas na distribuição do poder exigem reflexão cuidadosa e memória histórica.

Fonte: Museu da Presidência da República | Fotos: Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Coleção Particular Bento Machado e Arquivo Histórico da Presidência da República.

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LIVRO “CASA DE BERTIANDOS. RECEITAS DA COPA E COZINHA” VAI SER AMANHÃ APRESENTADO EM LISBOA NO CINEMA EUROPA… E DEPOIS EM PONTE DE LIMA!

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Sandra Fernandes Morais, associou-se a Ana Marques Pereira, autora com extensa obra publicada, para trazer a público Casa de Bertiandos. Receitas da Copa e Cozinha. Este novo trabalho oferece uma perspetiva do quadro alimentar oitocentista de uma importante casa senhorial minhota, mais concretamente limiana. 

O  livro debruça-se sobre o manuscrito “Receitas da Coppa e Cozinha para o uzo da Caza do Ill.mo e Ex.mo Senr. Visconde de Bertiandos” (1841), legado de José Leite de Vasconcelos à guarda da Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia e cujo paradeiro José Quitério interrogava já na década de 1980.

O volume transcreve e contextualiza cerca de 200 receitas, acompanhadas de notas e comentários que situam no tempo ingredientes, técnicas e utensílios. Paralelamente, as autoras cruzaram o receituário com documentação de arquivos e bibliografia especializada, para reconstituir práticas culinárias, serviço, etiqueta e interessantes aspetos de gestão doméstica de uma importante casa senhorial minhota no século XIX

O lançamento realiza-se em Lisboa, no próximo dia 22 de novembro, na Biblioteca/Espaço Cultural Cinema Europa (Campo de Ourique) e está prevista apresentação da obra em Ponte de Lima.

Em Paredes de Coura, o livro estará disponível na Livraria Gomes e pode ser encomendado, com entrega em todo o país, através dos sites das autoras.

LIVRO “CASA DE BERTIANDOS. RECEITAS DA COPA E COZINHA” VAI SER APRESENTADO EM LISBOA NO CINEMA EUROPA… E DEPOIS EM PONTE DE LIMA!

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Sandra Fernandes Morais, associou-se a Ana Marques Pereira, autora com extensa obra publicada, para trazer a público Casa de Bertiandos. Receitas da Copa e Cozinha. Este novo trabalho oferece uma perspetiva do quadro alimentar oitocentista de uma importante casa senhorial minhota, mais concretamente limiana. 

O  livro debruça-se sobre o manuscrito “Receitas da Coppa e Cozinha para o uzo da Caza do Ill.mo e Ex.mo Senr. Visconde de Bertiandos” (1841), legado de José Leite de Vasconcelos à guarda da Biblioteca do Museu Nacional de Arqueologia e cujo paradeiro José Quitério interrogava já na década de 1980.

O volume transcreve e contextualiza cerca de 200 receitas, acompanhadas de notas e comentários que situam no tempo ingredientes, técnicas e utensílios. Paralelamente, as autoras cruzaram o receituário com documentação de arquivos e bibliografia especializada, para reconstituir práticas culinárias, serviço, etiqueta e interessantes aspetos de gestão doméstica de uma importante casa senhorial minhota no século XIX

O lançamento realiza-se em Lisboa, no próximo dia 22 de novembro, na Biblioteca/Espaço Cultural Cinema Europa (Campo de Ourique) e está prevista apresentação da obra em Ponte de Lima.

Em Paredes de Coura, o livro estará disponível na Livraria Gomes e pode ser encomendado, com entrega em todo o país, através dos sites das autoras.

GALIZA DANÇA EM LISBOA – GRUPO FOLCLÓRICO COLEXIATA DO SAR ATUA NO CENTRO GALEGO

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O Grupo Folclórico Colexiata do Sar, proveniente de Santiago de Compostela, vai no próximo dia 22 de novembro deslocar-se a Lisboa a fim de participar nas comemorações dos 117 anos da Xuventud de Galicia – Centro Galego de Lisboa onde, além da atuação prevista, atuará também durante a celebração da missa solene.

De acordo com a sua apresentação oficial, “A Agrupación Folclórica Colexiata do Sar e a súa Escola de Danza e Música Tradicional fundáronse no ano 1980 no barrio de Sar (Santiago de Compostela), co obxectivo de difundir o folclore, a danza, a música e a vestimenta tradicional de Galicia.”

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CENTRO GALEGO DE LISBOA FOI FUNDADO HÁ 117 ANOS – É A EMBAIXADA DA CULTURA E TRADIÇÕES GALEGAS EM PORTUGAL

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A Xuventude de Galiza – Centro Galego de Lisboa foi fundada em 10 de Novembro de 1908, precisamente num período marcante do associativismo popular caracterizado pelo surgimento de numerosas associações, incluindo os primeiros grémios regionalistas, posteriormente designados por casas regionais. As celebrações vão ter lugar no próximo dia 23 de novembro.

As afinidades étnicas, históricas e culturais que nos ligam à Galiza e ao povo galego não nos podiam deixar indiferentes à sua presença nomeadamente em Lisboa onde a colaboração entre minhotos e galegos deveria, em nosso entender, ser mais estreita.

A presença de galegos entre nós remonta aos primórdios da Reconquista e da formação da nacionalidade. Porém, o fenómeno da imigração galega entendida enquanto tal teve o seu começo a partir do século XVII, facto a que não é certamente alheia a situação política da época caracterizada pela dominação filipina. Vinham sobretudo para a lides dos campos, ocupar-se em trabalhos sazonais, procurando obter o indispensável para regressarem às origens e providenciarem o sustento da família. Mas também havia os que se estabeleciam nas cidades, nomeadamente em Lisboa, dedicando-se às mais variadas profissões e ofícios.

Por essa altura, no alto de uma colina do sítio de Alcântara já se encontrava construída a Capela de Santo Amaro que viria a tornar-se o local mais concorrido dos galegos que viviam em Lisboa, tornando-se palco de festas e romarias em homenagem àquele que se tornara o seu padroeiro nesta cidade. Com efeito, a pequena ermida foi erguida na sequência de uma promessa feita por frades da Ordem de Cristo que, numa viagem de regresso de Roma, a nau em que vinham foi acometida de temporal no mar e, perante o receio de naufrágio, prometeram construir uma capela no local onde aportassem sãos e salvos.

De traça renascentista, a ermida apresenta forma circular e é rodeada por um átrio. A capela original foi construída em 1549 e constitui, muito provavelmente, a atual sacristia. A Capela de Santo Amaro está classificada como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Julho de 1910.

Com o tempo, a presença de galegos foi crescendo em número, tendo passado a concentrar-se preferencialmente nas cidades de Lisboa e Porto. Por altura da “Guerra das Laranjas” ocorrida em 1801, altura em que perdemos Olivença, chegou a ser aventada a possibilidade da sua expulsão a qual, proposta que contou com a oposição do Intendente da Polícia porque tal resultaria em deixar de ter “quem servisse as cidades de Lisboa e Porto”. Acredita-se, porém, que em consequência do crescimento económico verificado a partir da segunda metade do século XIX, a comunidade galega tenha atingido perto de trinta mil indivíduos, a maioria dos quais a viver em Lisboa.

Como costuma dizer-se, os galegos eram então pau para toda a obra. Havia entre eles taberneiros e carvoeiros, moços de fretes e hospedeiros. Eça de Queirós, na sua obra “Os Maias”, faz-lhes frequentes alusões, confundindo-os embora com espanhóis. Porém, é a profissão de aguadeiro que mais o identifica e fica associado na vida lisboeta. Com a sua indumentária característica e a respetiva chapa de identificação municipal no boné, o aguadeiro galego percorria a cidade vendendo a água em barris. E era vê-los a abastecer-se nos chafarizes e fontes do Aqueduto das Águas Livres, nas bicas que lhes estavam reservadas pelo município a fim de evitar as brigas que frequentemente ocorriam. De referir que, até ao início do século XX, a maioria da população lisboeta era forçada a recorrer aos fontenários uma vez que poucas eram as habitações que dispunham de água canalizada. Os aguadeiros organizavam-se em companhias e, uma vez que tinham a primazia do abastecimento de água, eram ainda obrigados a participar no combate aos incêndios.

Outra das atividades pela qual ficaram particularmente conhecidos consistiu na venda dos palitos fosfóricos, então feitos de enxofre que tinham de ser mergulhados num pequeno frasco de ácido sulfúrico. Dada a sua utilização demorada e ainda pouco prática, os palitos fosfóricos ficaram então conhecidos por “espera-galego”, criando-se desse modo uma imagem que passou a conotar de forma algo injusta os próprios galegos, sugerindo tratarem-se de mandriões. Porém, a colónia galega não se ocupava apenas das profissões mais labregas, por assim dizer humildes, mas destacava-se em todas as áreas sociais, muitas das quais de grande relevo, tendo nomeadamente eleito vereadores para a edilidade lisboeta como sucedeu com o escritor Carlos Selvagem. É, aliás, no início do século que surge na zona da Graça, em Lisboa, por iniciativa de um empresário galego, um bairro para os trabalhadores da sua fábrica que desperta ainda grande curiosidade devido à simbologia ali sempre presente – o Bairro Estrela d’Ouro.

Todos os anos, por ocasião do dia que é consagrado a Santo Amaro e que ocorre em meados do mês de Janeiro, uma autêntica multidão acorria à Romaria de Santo Amaro para festejar o seu padroeiro. Rezam as crónicas da época que, em redor da capela, era um ver de gaitas-de-foles e pandeiretas e um nunca mais acabar de xotas e muiñeiras, carballesas e foliadas. Contudo, esta festa foi perdendo o seu fulgor e deixou de realizar-se. A própria capela veio a encontrar-se ao abandono, chegando uma das suas dependências a ser utilizada como armazém de carvão.

Entretanto, em 1908, os galegos que vivem em Lisboa constituíram a sua própria associação – a Xuventude de Galicia (Centro Galego de Lisboa). E, em meados do século passado, passaram a celebrar o dia 25 de Julho em homenagem a S. Tiago, Padroeiro da Galiza. E, para o festejar, escolhiam então uma velha capelinha atualmente em ruína, situada no Alto da Boa Viagem, junto ao farol do Esteiro, em Caxias, e para lá acorriam juntamente com os minhotos, o mesmo é dizer os “galegos d’aquém Minho”. Mas, à semelhança do que antes sucedera com a Romaria de Santo Amaro, também esta acabou votada ao esquecimento e deixou de ser celebrada. Também, há pouco mais de meio século, criaram o grupo “Os Anaquiños da Terra” que procura manter e divulgar as tradições folclóricas das gentes da Galiza.

Em virtude da sua identidade cultural e sobretudo linguística, a comunidade galega encontra-se presentemente integrada na sociedade portuguesa a tal ponto que não se faz notar pela forma de estar ou de se exprimir. Pese embora os acontecimentos históricos terem determinado a separação política de um povo que possui raízes comuns, portugueses e galegos continuam irmanados do mesmo sentimento que os une e do supremo ideal de virem ainda um dia a construir uma só nação. Como disse Ramón Cabanillas, no seu poema “Saúdo aos escolares Lusitanos”:

    Irmáns no sentimento saudoso!

   Mocedade da pátria portuguesa!

   Este homilde fogar galego é voso.

   É voso este casal,

   onde vive a soñar, orante, acesa,

   a alma da Galiza e Portugal!

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