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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ESCRITORA LÍDIA JORGE APRESENTOU OBRAS DE MARIA ONDINA BRAGA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

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No passado dia 14 de Junho, Sexta-feira, teve lugar, na Feira do Livro de Lisboa, a sessão de lançamento do vol. 2 das Obras de Maria Ondina Braga, intitulado Biografias no Feminino. Este volume mais recente é da responsabilidade das investigadoras Isabel Cristina Mateus (UMinho /CEHUM) e Claire Williams (Universidade de Oxford). A coordenação da Obra Completa da autora é de Isabel Cristina Mateus e Cândido Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa / CEFH).

Na sessão, interveio o director da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Duarte Azinheiro, enquadrando a oportunidade desta edição das obras completas de Maria Ondina Braga no plano da editora do Estado, de pleno direito, face à qualidade da obra em questão, sem deixar de sublinhar o apoio do Município de Braga.

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QUEM FOI A ESCRITORA BRACARENSE MARIA ONDINA BRAGA?

Maria Ondina Braga (Braga, 13 de Janeiro de 1922 – Braga, 14 de Março de 2003), foi uma escritora e tradutora portuguesa.

Maria Ondina abandonou sua cidade natal, Braga, nos anos de 1950 para estudar línguas em Paris e Londres, onde se licenciou em literatura Inglesa pela Royal Asiatic Society of Arts. Prosseguiu os seus estudos em França e na Inglaterra, trabalhando como enfermeira. Regressou a Portugal em 1964, depois de ter sido professora, sucessivamente, em Angola, Goa e Macau. Desenvolveu também a atividade de tradutora, traduzindo obras deErskine Caldwell, Graham Greene, Bertrand Russell, Herbert Marcuse e Tzvetan Todorov. Colaborou em várias publicações periódicas como Diário de Notícias, Diário Popular, A Capital, Panorama, Colóquio/Letras e Mulher.

Incluindo na sua bibliografia a poesia e as crónicas de viagem, Maria Ondina Braga afirmou-se como ficcionista, sendo considerada um dos grandes nomes femininos da narrativa portuguesa contemporânea. Depois de ter vivido em Lisboa por muitos anos, voltou a Braga, onde morreu em 14 de Março de 2003.

Fonte: Wikipédia

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SATA: PARTICIPAÇÃO NOTÁVEL DE MONÇÃO NA TAÇA DE PORTUGAL

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Monção deixa marca na competição. Nuno Carneiro vence em Recurvo Homens e Miguel Alves alcança medalha de prata em Campound Homens.

A primeira edição da Taça de Portugal de Tiro com Arco, realizou-se, ontem, no Estádio do Jamor, em Oeiras. De pontaria afinada, Monção deixou marca na competição com uma prestação notável da Subzone – Academia de Tiro com Arco (SATA).

Com organização da Federação Portuguesa de Tiro com Arco, Nuno Carneiro, em Recurvo Homens, ascendeu ao lugar mais alto do pódio, e Miguel Alves, em Campound Homens, conquistou a medalha de prata. Por sua vez, Gabriel Alves, em Recurvo Homens, classificou-se em 9º lugar.

O Município de Monção congratula-se com os resultados obtidos e enaltece a competência técnica e capacidade competitiva dos atletas e diretores da SATA. Muitos parabéns e obrigado por erguerem bem alto, mais uma vez, a bandeira de Monção.

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MUTES EXPÕE NA CORDOARIA NACIONAL

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No passado dia 7 de Junho, e a convite da São Rafael Galleries, Mutes esteve presente numa exposição coletiva, a Vision Art Fair, levada a cabo na Cordoaria Nacional em Lisboa. Mais de uma centena de Aristas de várias nacionalidades estiveram presentes nesta exposição de grande renome, que acontece nas grandes capitais Europeias. Mutes nesta exposição apresentou um trabalho diferente do costume, ao invés de uma explosão de cores, cingiu-se a trabalhos de apenas 3 cores.

“Apresentei nesta exposição, desenhos curvos e bidimensionais com a envolvente geometral e escultórica, através de diversos exercícios experimentais, onde aprofundei as formas numa fusão entre o traço surrealista e Cubista, que funcionou muito bem, onde a critica não se poupou em elogios nesta sua nova abordagem” – afirmou o pintor Mutes

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O MINHO FOI HÁ 92 ANOS O TEMA DA MARCHA DE CAMPO DE OURIQUE – UMA DAS VENCEDORAS DA PRIMEIRA EDIÇÃO DAS MARCHAS DE LISBOA

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Passam precisamente 90 anos desde que pela primeira vez saíram à rua as marchas dos bairros típicos de Lisboa. O seu criador, tal como as conhecemos hoje, foi José Leitão de Barros a que se associou Norberto de Araújo, em 1932. Os festejos populares dedicados a Santo António foram a inspiração deste evento.

O "Notícias Ilustrado" e o "Diário de Lisboa" dinamizaram esta iniciativa, com o apoio do Parque Mayer.

No primeiro ano concorreram três bairros, Alto do Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique, com a participação de Alcântara, Alfama e Madragoa. Desfilaram por algumas ruas de Lisboa e terminaram a atuação no Capitólio.

O Bairro Alto ganhou o prémio da Alegria, Campo de Ourique o prémio da imponência e Alto do Pina o prémio do Pitoresco.

in "Dicionário da História de Lisboa", Direção de Francisco Santana e Eduardo Sucena Notícias Ilustrado de 5 Junho de 1932 | Hemeroteca Municipal de Lisboa

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JORNALISTA ÍGOR LOPES LEVOU À FEIRA DO LIVRO DE LISBOA O LIVRO “FESTAS DA AGONIA – VIANA DO CASTELO – PARA BRASILEIROS E LUSODESCENDENTES”

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Feira do Livro de Lisboa recebeu lançamento especial do livro de Ígor Lopes

Após uma digressão pela América do Sul para apresentar o seu livro "Festas da Agonia – Viana do Castelo – para brasileiros e lusodescendentes", o jornalista e escritor Ígor Lopes lançou a obra na Feira do Livro de Lisboa, que decorre de 29 de maio a 16 de junho, com a promessa de atingir a sua capacidade máxima com 350 pavilhões.

O evento foi inaugurado oficialmente no dia 29 de maio, às 20h, e contou com a presença do presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, da ministra da Cultura de Portugal, Dalila Rodrigues, e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

A Feira do Livro de Lisboa deste ano promete ser a maior de sempre, com duas novas praças, horários alargados e um forte compromisso com a acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.

A 94.ª edição da Feira do Livro de Lisboa (FLL), que irá decorrer no Parque Eduardo VII, vai abrir mais cedo. De segunda a sexta-feira e nas vésperas de feriado, abrirá às 12h00, e aos sábados, domingos e feriados, às 10h00. O encerramento será às 22h00 de segunda a quinta-feira, domingos e feriados, e às 23h00 nas sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado.

Com 140 participantes representando 960 editoras, a Feira vai contar com 350 pavilhões, mais dez do que no ano anterior, que atraiu cerca de 895 mil visitantes.

Lançamento Especial de Ígor Lopes

No início do certame, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes lançou sobre as “Festas da Agonia”, com o apoio da In-Finita Editorial, um livro rico em fotografias e que retrata o passado e as tradições sobre as festas maiores de Viana do Castelo.

A obra, que resulta de dois anos de reflexões do autor, explora a história devocional e social da Romaria da Senhora da Agonia.

“Foi mais um dia emblemático. Estive na Feira do Livro de Lisboa a apresentar o livro "Festas da Agonia - para brasileiros e luso descendentes", diante de amigos leitores, e com o apoio da In-Finita Editorial, através da querida Adriana Mayrink. Um final de tarde onde a leitura e a conexão Brasil-Portugal ganharam espaço. Esta foi uma das últimas apresentações de uma obra que já foi esteve em destaque em diversas cidades de Portugal, do Brasil e do Uruguai”, disse Ígor Lopes.

Por seu turno, Adriana Mayrink, da In-Finita Editorial, ressaltou o percurso do escritor e explicou a parceria literária que existe entre a editora que representa e a Agência de notícias Incomparáveis, liderada por Ígor Lopes.

A Feira do Livro de Lisboa, realizada anualmente, tem uma história que remonta a 1906, quando se realizou um mercado de livros na Feira de Agosto, nos terrenos onde agora se encontra a estátua do Marquês de Pombal. Desde então, a feira evoluiu significativamente, tornando-se num evento essencial para a cultura literária de Lisboa e um símbolo da cidade.

Este ano, a feira não só celebra os livros e a literatura, mas também a inovação e a inclusão, prometendo ser um evento inesquecível para todos os visitantes.

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JORNALISTA ÍGOR LOPES APRESENTA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA O SEU LIVRO “FESTAS DA AGONIA” – 29 DE MAIO

Depois de uma intensa passagem pela América do Sul, nos últimos meses, para apresentar o livro “Festas da Agonia”, chegou a hora de Ígor Lopes levar esta obra, voltada para brasileiros e lusodescendentes, à capital portuguesa, num dos cenários mais marcantes da literatura internacional e em língua portuguesa.

A iniciativa conta com o apoio da editora Infinita.

Dia 29/05, quarta-feira, às 19h – Apresentação do livro

Dia 29/05, quarta-feira, às 20h – Sessão de Autógrafos

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AQUILINO RIBEIRO FOI HOJE HOMENAGEADO NO PANTEÃO NACIONAL

“A Organização das Comemorações dos 60 Anos da Morte de Aquilino Ribeiro, constituída pelos Municípios de Sernancelhe, Moimenta da Beira, Paredes de Coura, Vila Nova de Paiva, a Família do Escritor e a Bertrand Editora realizam a Cerimónia de Encerramento do Programa de Homenagens a Aquilino Ribeiro, no dia 25 de maio, pelas 17:00 horas, no Panteão Nacional, em Lisboa.

Durante o espaço de um ano, foi realizada uma programação descentralizada, em sintonia com a geografia sentimental do escritor beirão.

Nalguns aspectos que vale a pena realçar, aquilo que se tentou desenvolver foi um conjunto de actividades que beneficiassem o papel da cultura enquanto motor de coesão territorial. A título de exemplo, e enumerando algumas acções de maior simbolismo, foram realizadas três republicações da sua obra, sob chancela da Bertrand Editora, bem como o lançamento de um par de edições evocativas, e patrocinadas pelos municípios das Terras do Demo. Em Romarigães, Alto Minho, foi inaugurada uma Casa da Escrita dedicada à comunidade, contendo um centro de interpretação da paisagem literária da Casa Grande, e onde a literatura se cruza com diversas artes e o turismo cultural.

No elenco de reuniões científicas, a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), o Instituto de Geografia de Ordenamento do Território (IGOT), Universidade de Lisboa e a Universidade do Algarve, realizaram as Primeiras Jornadas de Turismo Literário, explorando os territórios literários ficcionais e não ficcionais, em contextos rurais e urbanos. Já o Centro Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) e o mesmo IGOT reflectiram, numa Jornada Internacional, sobre a relação da literatura com a geografia. Por fim, a autarquia de Sernancelhe e a Universidade de Aveiro debateram, num congresso, a temática “Académicos, Escritores, Pintores, Políticos e Santos”.

No fundo, quisemos falar de um autor que avança a passos fortes, já a caminho do meio do século XXI, moderno e fortíssimo (Gonçalo M. Tavares, 2020). Por certo, continuaremos a segui-lo neste trajecto encantador e sem limites.” – Aquilino Machado

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PONTE DE LIMA: UMA CARTA DE TARQUÍNIO VIEIRA (COM 90 ANOS) – CRÓNICA DE JOSÉ SOUSA VIEIRA

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Uma carta (com 90 anos)

Carta de Tarquínio Vieira, publicada no jornal Cardeal Saraiva, n.º 978, de 28 de Maio de 1934, já, então, o actor era profissional há 14 anos e tinha trabalhado, por exemplo, com Maria Matos, Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Ester Leão, Ilda Stichini:

Lisboa, 23-V-934

Meu caro Avelino:

Soube há dias, com grande espanto, que se tinha formado em Ponte do Lima um grupo dramático chamado “Tarquínio Vieira”.

Não fui consultado para tal baptismo; e, embora a ideia de me fazerem seu patrono traduza carinho por mim, acho que os elementos do simpático grupo da minha terra não procederam acertadamente. Não falta quem seja merecedor de tão subida honra. E, se a minha opinião pode ter algum valor, que me seja permitido lembrar um artista que se impôs no Teatro pelo fulgor do seu talento, artista que Ponte do Lima muito aplaudiu e admirou, e que a classe operária idolatrava – José Ricardo. Só nomes de prestígio podem honrar os grupos cénicos e nunca o de quem, como eu, ainda usa bibe e possivelmente não irá além das primeiras letras na arte de comediante...

A escolha foi, pois, precipitada; mas ainda estão a tempo de bater no peito o “mea culpa” prestando homenagem a quem de direito – que melhor os inspirará na difícil arte, a que por “diletantismo” se dedicam...

Queira ser, meu caro Avelino, o intérprete das minhas palavras no seu “Cardial Saraiva”, para destruir possíveis insinuações que, porventura, possam atingir-me.

Abraça-o reconhecidamente o velho amigo que brevemente o visitará

Tarquínio S. Vieira.

[Em outra ocasião, partilharei o que sei desse grupo]

BRAGA: HÁ 98 ANOS AS TROPAS CHEFIADAS PELO GENERAL GOMES DA COSTA PARTIRAM DO MINHO EM DIREÇÃO A LISBOA E INSTAURARAM A DITADURA MILITAR QUE ABRIU CAMINHO AO ESTADO NOVO

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O movimento designou-se por Revolução Nacional e abriu caminho à instauração do Estado Novo

Passam no próximo dia 28 de maio precisamente 97 anos sobre a data em que um levantamento militar, com epicentro em Braga e liderado pelo Marechal Gomes da Costa, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caracterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910, e que apostavam agora na regeneração do próprio regime.
Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.
Pesem embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as circunstâncias da crise financeira de 2008 não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

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Neste local esteve instalado o Regimento de Infantaria nº 8. Junto, o Campo da Vinha onde, em 28 de maio de 1926, sob o comando do general Gomes da Costa, se formaram as tropas para marchar sobre Lisboa, dando início à “Revolução Nacional” que instaurou a ditadura militar.

“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.
Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.
A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).
A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.
A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.
A 28 de Maio, uma Sexta-feira, é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.
Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.

No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas, desde o Porto, pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.
Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.
No Domingo, 30 de Maio, o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.
O Governo, em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.
Na Segunda-feira, dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.
Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.
O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

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A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa. (Imagem: Fundação Mário Soares)

No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.
No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.
No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.
A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.
O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.
No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

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Fonte: Área Militar; Imagens: (0) Joshua Benoliel, (1, 3) Blogue do Minho, (2) Fundação Mário Soares
Obs: Este artigo foi previamente publicado em Blogue do Minho tendo sofrido ligeiras adequações na presente edição.

Estátua do General Gomes da Costa na Praça Conde de Agrolongo, em Braga

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O Lar Conde de Agrolongo situa-se no antigo Convento do Salvador

Igreja do Pópulo

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Neste local formaram as forças militares que em 28 de maio de 1926 marcharam em direção a Lisboa para colocar termo à Primeira República

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LIMIANOS REALIZARAM PELA PRIMEIRA VEZ HÁ VINTE E NOVE ANOS UMA DEMONSTRAÇÃO DA CORRIDA DA VACAS DAS CORDAS EM LISBOA – NO ANO SEGUINTE, OS "ANIMALISTAS" CONJUGADOS COM O GOVERNO CIVIL IMPEDIRAM A SUA REALIZAÇÃO!

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… desde então, a afluência anual do público à corrida da Vaca das Cordas em Ponte de Lima não mais parou de crescer!

A Casa do Concelho de Ponte de Lima viu em 1996 impedida a realização em Lisboa de uma demonstração da corrida da Vaca das Cordas, procurando por esse meio divulgar a tradição de Ponte de Lima. A iniciativa deveria ocorrer no dia 2 de junho daquele ano, junto à igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, e contava nomeadamente com o apoio da respetiva Junta de Freguesia.

Apesar de se tratar de uma manifestação cultural que não integra qualquer ato de crueldade em relação aos animais e terem sido acautelas todas as necessárias medidas de segurança, uma alegada e praticamente desconhecida associação de defesa dos animais à qual, os jornalistas, por dificuldades de melhor identificação, a designaram de “protectora dos animais” logrou convencer o governo civil dos seus intentos ao ponto daquela entidade mobilizar para o local o corpo de intervenção. Não satisfeitos, procuraram de seguida inviabilizar a corrida da vaca das cordas em Ponte de Lima, o que resultou em vão.

Tais associações estão claramente contra as mais genuínas tradições do Minho!

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O FOLCLORE E AS MARCHAS POPULARES – O ESTADO NOVO E AS TRADIÇÕES SÃOJOANINAS

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A celebração do Solstício de Verão que ocorre no dia 21 de Junho marca as tradições são-joaninas – ou juninas – que levam o povo a festejar os chamados “santos populares”. Nas regiões mais a norte, os festejos são predominantemente dedicados a São João enquanto as comunidades piscatórias, por afinidade de ofício, celebram a São Pedro. Em Lisboa, terra onde nasceu Fernando de Bulhões que haveria de ficar consagrado como Santo António, a devoção popular adquiriu tal dimensão que S. Vicente, padroeiro da cidade, acabou por ser remetido ao esquecimento.

As marchas populares de Lisboa, tal como atualmente as conhecemos, datam a sua origem de 1932, altura em que desfilaram na avenida da Liberdade os primeiros “ranchos” como então se diziam. Porém, pelo menos desde o século XVIII que as mesmas se realizavam, inserindo-se nas tradições são-joaninas que têm lugar um pouco por todo o país, com as suas características fogueiras e festões, manjericos e alho-porro. À semelhança de outras festividades que ocorrem noutras épocas do ano, a escolha do dia 24 para celebrar o S. João é devido ao calendário juliano.

As marchas populares foram naturalmente influenciadas pelas quadrilhas que geralmente tinham lugar por ocasião dos festejos a Santo António e que se formavam de pequenos grupos constituídos por cerca de quarenta participantes que percorriam as ruas da cidade e se detinham em frente aos palácios aristocráticos ou de outras famílias abastadas onde, ao som do apito do marcador, se exibiam de forma ruidosa e sem grandes preocupações em relação à coreografia. Este ritual que também nos remete para a “marche aux flambeaux” ou seja, a marcha dos archotes que ocorria em França, foi levado pelos portugueses para o Brasil onde, sobretudo nas regiões do nordeste, se popularizou e veio a misturar com as danças brasileiras já existentes à época

São precisamente as quadrilhas que, de um modo geral, com as modificações que lhe foram introduzidas, acabariam por dar a forma às marchas populares e aos próprios corsos carnavalescos que antecedem a chegada da Primavera. Caracterizada originalmente como uma dança a quatro pares, a quadrilha constituiu uma adaptação da countrydance inglesa, impropriamente traduzida para o francês como “contredance” e, finalmente, vertida para a Língua portuguesa como “contradança”.

No entanto, tais celebrações possuem origens bem mais remotas e perdem-se nos confins dos tempos. Desde sempre, o Homem procurou celebrar através do rito a ação criadora dos deuses, constituindo um ritual mágico destinado a perpetuar o gesto primordial da sua criação. Desse modo, ao celebrar a chegada do Verão por altura do solstício, o Homem assegurava que o ciclo da Natureza jamais seria interrompido, dando continuidade à vida num perpétuo ciclo de constante renascimento. E, à semelhança do que sucedia com a generalidade das celebrações pagãs, esta constitui a essência das festividades solsticiais que entretanto foram cristianizadas e, nesse contexto, dedicadas a São João Baptista.

Conta uma velha lenda cristã que, por comum acordo das primas Maria e Isabel, esta terá acendido uma enorme fogueira sobre um monte para avisar Maria do nascimento de São João Baptista e, desse modo, obter a sua ajuda por ocasião do parto. E, assim, pode a tradicional fogueira que os povos pagãos da Europa acendiam nomeadamente por ocasião do solstício de Verão ser assimilada pela nova religião então emergente. Na realidade, era também habitual acender fogueiras por altura da Páscoa e do Natal, tendo dado origem ao madeiro que se queima no largo da aldeia e ao círio pascal, bem assim às numerosas representações feitas nomeadamente na doçaria tradicional.

É ainda nas fogueiras de São João que têm origem as exuberantes exibições de fogo-de-artifício e os balões iluminados com que se enfeitam as ruas dos bairros e se penduram nos arcos festivos que são levados pelos marchantes que desfilam na noite de Santo António. Era ainda usual, na noite de São João, atarem-se aos balões, antes de os elevarem nos céus, pequenos papéis contendo desejos e pedidos, à semelhança das quadras feitas a Santo António que se colocam sobre os vasos de manjericos, tradição que remete para rituais ancestrais ligados à fertilidade e à vida. Estes festejos celebram-se também em diversos países europeus e, por influência da cultura portuguesa, no nordeste brasileiro onde tem lugar o casamento fictício no baile da quadrilha. Entre nós, este costume veio em 1958 a dar origem aos chamados “casamentos de Santo António”.

De um modo geral, pelo simbolismo que as caracterizam e a coreografia a que estão associadas, as festas solsticiais estão ligadas às chamadas “danças de roda” representadas desde a mais remota antiguidade. Perfilando-se geralmente em torno da fogueira ou do mastro de São João, a mocidade dá as mãos, canta e dança em seu redor, num ritual que denuncia o seu misticismo primordial. Esta constitui, aliás, uma das tradições mais arreigadas entre os povos germânicos e, sobretudo, na Suécia onde chega a ser considerada a sua maior festa nacional. O hábito de inicialmente nele se suspenderem coroas ou ramos de flores veio a dar origem a outros divertimentos como o pau ensebado no cimo do qual é colocado uma folha de bacalhau para premiar aquele que o consiga alcançar.

À semelhança do que se verificou com outras manifestações da nossa cultura tradicional, também os festejos são-joaninos da cidade de Lisboa registaram a intervenção dos teóricos do Estado Novo e vieram a adquirir formas estilizadas, mais de acordo com o género da revista à portuguesa que já então animava os teatros do Parque Mayer. Foi então que, sob a batuta de Leitão de Barros e Norberto de Araújo, passou em Lisboa a realizar-se o concurso das denominadas “marchas populares”. Envergando o traje à vianesa, o bairro de Campo de Ourique foi o vencedor da primeira edição, facto que o levou a repetir o tema em 1997.

Organizados pelas coletividades de cultura e recreio, as “marchas populares” passaram a escolher preferencialmente temas relacionados com os aspetos pitorescos e a História dos seus bairros, dando ênfase a uma vivência predominantemente urbana e associada ao ambiente boémio e fadista. Nalguns casos, porém, era dado um particular realce ao elemento etnográfico como sucedia com as tradições saloias dos bairros de Benfica e Olivais ou então, ao carácter peculiar da colónia ovarina que habita o pitoresco bairro da Madragoa. Em relação à coreografia e à indumentária, caracterizam-se invariavelmente pela fantasia e a teatralidade, não revelando em qualquer dos casos quaisquer preocupações de natureza folclórica e etnográfica, pelo menos na sua perspetiva museológica ou seja, de preservação da sua autenticidade.

Possuindo as suas raízes mais próximas nas tradições joaninas, as “marchas populares” depressa obtiveram a adesão popular. Em 1936, quatro anos após o primeiro desfile organizado em Lisboa, saíram à rua na cidade de Setúbal para, com o decorrer dos anos, iniciativas semelhantes se estenderem a todo o país

Em Lisboa, a “marcha popular” é constituída por vinte e quatro pares de marchantes a que se juntam quatro aguadeiros e um “cavalinho” composto por oito elementos, tocando um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo e uma caixa. Para além daqueles, podem ainda ser incorporados o porta-estandarte, duas crianças como mascotes, um par de padrinhos e dois ensaiadores. Todas as marchas devem incluir o festão e o balão ou o manjerico e exibir o “Trono de Santo António” ou o “Arraial”.

Constituindo o folclore o saber do povo, é este que cria a sua própria festa e constrói o saber à maneira do seu carácter, à sua feição e modo de entender o mundo que o rodeia, adaptando-o sempre a novas realidades. Embora influenciado através da intervenção feita em determinadas épocas históricas, a criação popular não cristaliza porquanto o povo ainda não constitui um objeto fossilizado – ela renasce sempre que reacende a fogueira de São João!

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CASA DO CONCELHO DE ARCOS DE VALDEVEZ EM LISBOA COMEMOROU 69 ANOS AO SERVIÇO DO REGIONALISMO ARCUENSE

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Vereador Olegário Gonçalves participou nas comemorações em representação da Câmara Municipal, para apoiar a Associação, demonstrando o forte apreço sentido pela comunidade arcuense espalhada pelo País e estrangeiro.

O Vereador Olegário Gonçalves esteve presente neste evento comemorativo para demonstrar o forte apreço sentido pela comunidade arcuense espalhada pelo País e pelo estrangeiro, destacando o trabalho que estas Casas Regionais realizam ao nível da aproximação e apoio dado aos conterrâneos.

A Casa do Concelho de Arcos de Valdevez em Lisboa pretende ser a casa de todos os arcuenses na capital portuguesa, através de diversas iniciativas ao longo do ano. Possui uma Secção Desportiva; um Grupo de Cavaquinhos e um Rancho Folclórico, com bastantes atuações em todo o País e junto das comunidades de França, por isso o município apoia a sua atividade através da celebração de um protocolo anual, no valor de 3500,00€.

O dia não podia ter corrido pelo melhor, já que houve muito convívio, animação e espaço para as habituais atuações do Rancho Folclórico e Grupo de Cavaquinhos da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez em Lisboa.

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CENTRO GALEGO DE LISBOA DEDICA O ÚLTIMO NÚMERO DO SEU BOLETIM À ESCRITORA GALEGA LUÍSA VILLALTA

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QUEM FOI A ESCRITORA GALEGA LUÍSA VILLALTA?

Luísa Villalta Gómez, nada na Coruña o 15 de xullo de 1957 e finada na mesma cidade o 6 de marzo de 2004, foi unha escritora, filóloga e violinista galega. Escribiu poesía, teatro, narrativa de ficción, ensaio, articulismo e tradución.

O colectivo A Sega acordou dedicarlle o Día das Galegas nas Letras do ano 2022: "celebrámoste desde a complexidade da épica ao publicismo, deste ti, desde o teu pensar, lúcida e comprometida, sempre na construción dun pobo". A Real Academia Galega dedicoulle o Día das Letras Galegas do ano 2024, destacando dela que foi a "creadora dunha obra singular e sólida que a converteu nunha das grandes figuras da literatura galega que emerxeron na segunda metade dos anos 80 e primeiros 90". Esta proposta estivo encabezada pola tamén escritora Ana Romaní e respaldada por Chus Pato, Marilar Aleixandre, Fina Casalderrey, Margarita Ledo Andión, Manuel Rivas, María López Sández, Euloxio R. Ruibal, Dolores Sánchez Palomino, Manuel González González e a xa mencionada Ana Romaní.

Naceu na Coruña, na rúa Vila de Laxe. Estudou no colexio das Xosefinas da rúa Juan Flórez e mais no IES Eusebio da Guarda. Licenciada en Filoloxía Hispánica e Filoloxía Galego-Portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela, foi tamén titulada superior en violín. Formou parte da Orquestra de Santiago de Compostela desde 1985 e, máis tarde, da Xove Orquestra de Galicia, así como de diversos grupos de cámara galegos. En 1988 aprobou as oposicións de docente de Lingua e Literatura Galegas, e deu clase no IES Xosé Neira Vilas (Perillo, Oleiros), IES Canido (Ferrol) e no IES Isaac Díaz Pardo de Sada.

Desenvolveu unha intensa actividade cultural: deu seminarios, recitais de poesía e palestras, entre outros. Colaborou en varias publicacións, entre elas, Man ComúnA Nosa TerraFesta da Palabra SilenciadaTempos NovosGrialLuzes de GalizaAgáliaBoletín Galego de LiteraturaA Trabe de OuroEnclave ou Página abierta.

O seus artigos publicados entre o 4 de xaneiro do 2002 e o 4 de marzo de 2004 en A Nosa Terra, foron compilados no Libro das colunas (2005)

Participou en entidades como a Asociación de Escritores en Lingua Galega, o Foro da Cultura Galega ou A Mesa pola Normalización Lingüística. Finou o 6 de marzo de 2004 por unha meninxite, aos 46 anos de idade. Os seus restos mortais descansan no cemiterio de Santo Amaro da cidade herculina. Ao rematar a cerimonia relixiosa un nutrido grupo de escritores e poetas de toda Galicia como Manuel María ou Manuel Rivas despedírona nun acto laico con poemas e música de violín, ó acto tamén acudiron políticos como Xosé Manuel Beiras e Anxo Quintana.

Fonte: Wikipédia

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QUEM FOI O ESCRITOR BRACARENSE TOMÁS DE FIGUEIREDO CUJA VIDA E OBRA O LIGAM A ARCOS DE VALDEVEZ?

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Tomás Xavier de Azevedo Cardoso de Figueiredo (em grafia antiga Tomaz) (Braga, 6 de Julho de 1902 — Lisboa, 29 de Abril de 1970) foi um escritor português. Tem uma biblioteca com o seu nome em Arcos de Valdevez.

Nasce em Braga a 6 de Julho de 1902, na rua de santo André freguesia de São Vicente, na mesma casa onde Carlos Amarante tinha nascido. Filho de Gustavo de Araújo e Silva Figueiredo e de Maria da Soledade de Azevedo Araújo Costa Lobo e Mendonça.

Passados poucos meses vai, com seus pais, residir em Arcos de Valdevez, para a Casa de Casares, construída pelo seu avô materno, e onde ainda viviam algumas das suas tias solteiras. A ida, tão infante, para os Arcos, justifica o sentimento que o leva a considerar essa vila como "terra minha pela memória e pelo amor".

Aos doze anos vai cursar preparatórios para o Colégio dos Jesuítas, em La Guardia, na Galiza, em Espanha. Aí se vai já destacar na disciplina de Português, obtendo altas classificações. Em 1920, ingressa, em Coimbra, no Curso de Ciências Jurídicas, má escolha pela certa, porque o atirará para uma vida profissional que lhe será extremamente adversa. Em Coimbra, é contemporâneo e amigo do grupo “presencista”, afirmando mais tarde:

"Passeei em Coimbra com o chamado grupo da Presença, do qual em verdade não fiz parte, umas vezes aceitando e outras recusando, outras até ensinando e guiando, pois, independente e selvagem como era e me conservo – por graça de Deus! – impossível deixar-me arrebanhar, aceitar qualquer diácono ou pontífice".

A sua passagem por Coimbra (1920-1925) irá inspirar-lhe não só o romance “a clef” Nó Cego, que retrata o ambiente literário e ideológico coimbrão dessa época, mas ainda Conversa Com O Silêncio, monólogo com o companheiro e poeta Alexandre de Aragão, falecido precocemente, por suicídio, aos 27 anos, e a novela Reconstrução da Cidade, integrada na obra Vida de Cão (1951), que relata primorosamente o confronto entre a “cidade nova” e a memória da velha cidade do seu tempo.

Após concluído o curso jurídico na Universidade de Lisboa, em 1928, e já casado (1930), vai para Tarouca como notário, mudando-se, sucessivamente, para a Nazaré, Ponte da Barca e Estarreja. Faz, na sua actividade de notário, um interregno de seis anos, durante os quais, em Lisboa, ocupa o cargo de Vice-Presidente da Junta Nacional dos Resinosos. Em Estarreja (1957), é afectado por grave doença do foro psicológico, que o obriga a internamento hospitalar e a prolongados tratamentos, ficando seriamente afectado. Após esses dois anos, um verdadeiro calvário que relembra em muitos dos seus poemas, regressa ao cartório de Estarreja, solicitando a reforma, que lhe é concedida.

Finalmente livre das entediantes ocupações burocráticas, volta à sua casa de Lisboa para, durante dez anos (1960-1970), se entregar por inteiro à vida que verdadeiramente lhe apraz: escrever, conviver com os amigos, ser assíduo frequentador d'A Brasileira do Chiado, do Café Aviz, das livrarias Bertrand e Guimarães, ainda que profundamente amargurado com a separação do casal, entretanto ocorrida. Da sua vida de “funcionário público” diz: "Os cargos oficiais que desempenhei, tão exteriores a mim, considero-os violência de vida'"'. Escrever, apenas escrever, totalmente livre para escrever, e vivendo da sua escrita, tal o sonho que a vida lhe negou.

Morre em Lisboa, em sua casa, a 29 de Abril de 1970. Sentidamente, recorda Bigotte Chorão:

"... o corpo foi dado à terra em Arcos de Valdevez, no Cemitério de S. Bento. Mal chegou à câmara-ardente, o Padre António de Magalhães (que parecia trazer ainda no rosto o espanto de algum diálogo sibilino com Pascoaes ou Leonardo) entrou a cantar com uma veemência e uma convicção como só a Fé as pode inspirar – a Fé que faz violência aos Céus para que se abram a quem muito sofreu neste mundo."

O primeiro soneto encontrado no seu espólio data de 1917 e foi escrito enquanto aluno do Colégio de A Guarda. No entanto, a actividade literária, diz-nos o escritor, tê-la-há iniciado num jornalzinho dos Arcos, O Realista, em 1925, com académicos sonetos que muito exasperavam e escandalizavam os “intelectuais” da terra.

Anuncia-se verdadeiramente no semanário Fradique, em 1934, com novelas e contos, que levam o director da revista, Thomaz Ribeiro Colaço, a considerá-lo "chafariz de novelas, cintilantes como água pura. Espanta a clareza de estilo, com o seu talento (...) enovelesco. Desbanca o mais pintado moedeiro falso na arte de fazer contos (...) verdadeiros."

  • Em 1947 publica o seu primeiro romance, A Toca do Lobo, Prémio Eça de Queiroz (1948), em que faz reviver a sua infância e juventude, seus pais, as tias velhas, todo um universo afectivo que para sempre lhe perdurou na memória.
  • Em 1950, Nó CegoCarta ao Júri do Prémio Eça de Queiroz.
  • Em 1952, Uma Noite na Toca do Lobo, em que retoma o ambiente do seu primeiro livro – esta “fuga romântica” é como que o 2º volume de um “Ciclo de Tocas”, que a morte o impediu de efectivar.
  • Em 1953, traduz A Vagabunda, de Colette.
  • Em 1954, a novela Procissão dos Defuntos.
  • Em 1956, Guitarra, treze romances em verso, alguns dos quais recriam ambientes lisboetas.
  • Em 1960, Conversa Com o Silêncio.
  • Em 1961, o romance A Gata Borralheira, Prémio Diário de Notícias (1963).
  • Em 1962, o 1º volume da "Crónica Heróica" Dom Tanas de Barbatanas – O Doutor Geral.
  • Em 1963, Vida de Cão.
  • Em 1964, o 2º volume de Dom Tanas de Barbatanas – O Magnífico Sem Par.
  • Em 1965, o 1º volume de Monólogo em Elsenor – Noite das Oliveira', monólogo que se irá espraiar por quatro volumes de uma “prosa poética”, muitas vezes dorida, muitas vezes satírica, mas sempre, como diz Fernanda Botelho, “num estilo vigoroso, trabalhado, ora truculento, ora lírico, sempre encadeado por extremismos de paixão e de barroquismo.”. No mesmo ano, o 1º volume de Teatro, com as peças A Rapariga da LorenaO Visitador Extraordinário, e A Barba do Menino Jesus.
  • Em 1966, Tiros de Espingarda, Prémio Nacional de Novelística (1966).
  • Em 1968, o longo poema Viagens No Meu Reino.
  • Em 1969, o 2º volume de Monólogo em Elsenor – A Má Estrela.
  • Em 1970, A Outra Cidade.

Postumamente, são publicados Dicionário Falado (1970) e o 3º volume de Monólogo em Elsenor – Túnica de Nesso (1989).

Por ocasião do centenário do nascimento do escritor, os seus herdeiros e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda celebraram um contrato para a publicação das suas Obras Completas, o que permitiu reeditar obras esgotadas e dar à estampa muitos dos trabalhos ainda inéditos de Tomaz de Figueiredo.

Edições IN-CM

  • 2002- Nó Cego
  • 2003- Teatro. A Rapariga de Lorena - O Visitador Extraordinário - A Barba do Menino Jesus - Os Lírios Brancos ou a Salvação Universal - O Homem do Quiosque* - A Nobre Cauda* - O Embate - Loiros de Morte ou, talvez, Quarto Minguante (fragmento) - O Morto e os Vivos (fragmento)
  • 2003- Poesia I. Volumes de poemas: Guitarra - Viagens no Meu Reino - Consumatum Est* - Poço da Noite* - Sangue de Cristo* - Caixa de Música* - Orfeu e Eurídice*
  • 2003- Poesia II. Volumes de poemas: Coroa de Ferro* - Moto Contínuo* - Viagem Estática* - Jardim Antigo* - Espada de Fogo* - As Mãos Vazias* - Malho Rodeiro* - Aos Amigos* - Poesia Diversa* - Traduções*: de 21 poemas de Reinhold Schneider; de oito Sonetos Ingleses de Fernando Pessoa; de um poema de Gerard Mauley Hopkins; de um soneto de Lope de Vega; de um poema de Ricarda Huch
  • 2005- A Toca do Lobo - Fim* - Uma Noite na Toca o Lobo
  • 2006- Novelas e Contos I. Procissão dos Defuntos - Vida de Cão
  • 2006- Novelas e Contos II. Tiros de Espingarda - A Outra Cidade
  • 2007- Monólogo em Elsenor I. Noite das Oliveiras - A Má Estrela
  • 2007- Monólogo em Elsenor II. Túnica de Nesso - Memória de Ariel*
  • O documentário "A Toca do Lobo" é um filme, dedicado ao escritor e seu avô materno, realizado por Catarina Mourão, vencedor do Prémio do Público para Longa Metragem no IndieLisboa 2015 e Melhor Documentário Português no festival Filmes do Homem 2016.

Fonte: Wikipédia

ESCRITOR TOMÁS DE FIGUEIREDO ESTÁ CONSAGRADO NA TOPONÍMIA DE LISBOA

Rua Tomás de Figueiredo

Escritor - 1902 - 1970

Freguesia(s): Benfica

Início do Arruamento: Rua da Casquilha

Fim do Arruamento: Rua Engº Nobre Guedes ( Acesso Pedonal)

Data de Deliberação Camarária:

Data do Edital: 20/05/1970

Data do Edital do Governo Civil:

Data do Edital do Governo Civil:

Designação(ões) Anterior(es): Era a Rua D, à Rua da Casquilha.

Historial: Tomás de Figueiredo , escritor, nasceu em Braga em 6.7.1902 e faleceu em 1970. Com poucos meses de vida seus pais levaram-no para Arcos de Valdevez, por ele considerada a sua terra natal. Cursou Direito em Coimbra e Lisboa, onde se formou. Até 1960 exerceu funcões notariais em diversas zonas do País. Nessa data fixou-se em Lisboa, entregue apenas à actividade literária.Publicou romamces, novelas, poesia e peças de teatro. Com a sua tardia estreia, A toca do Lobo, 1947, obteve o prémio Eça de Queirós. Tiros de Espingarda, 1996 mereceu o prémio Nacional de Novelística.

Tomás de Figueiredo contribuiu para o ressurgimento da tradição romanesca acmiliana, sendo as suas obras caracterizadas por um estilo onde o casticismo se funde com o lirismo e por uma técnica narrativa singularmente moderna.

Fonte: http://www.cm-lisboa.pt/

PONTE DE LIMA: CARTA DE ANTÓNIO EMÍLIO DA COSTA A DOMINGOS TARROZO ACERCA DA SITUAÇÃO MILITAR DE TRACIANO DA COSTA, NATURAL DE SÃO JOÃO D’ARGA

Carta enviada por António [Emílio da Costa] a Domingos Tarrozo a transcrever as informações que constam no livro do recenseamento militar sobre Traciano da Costa, nascido a 26 de março de 1897 em São João d'Arga, freguesia de Santa Maria Maior, filho natural de Maria das Neves Matos da Costa, residente na rua Leandro Braga, Campolide, Lisboa. Datada de 18 de Março de 1917.

Sublinho: “os gajos d'aqui averiguaram tudo…”

Domingos Tarrozo (Domingos José da Silva Tarrozo Júnior) nasceu na vila de Ponte de Lima, em 22 de Maio de 1860, e faleceu em Viana do Castelo, em 24 de Agosto de 1933.

Foi um Filósofo eminente; Membro da Sociedade de Geografia; Escrivão de Direito em Ponte de Lima e em Lisboa; Deputado; Secretário do Ministro da Fazenda; Presidente do antigo Instituto Histórico do Minho, em Viana do Castelo; Publicista.

Foi distinguido pela Câmara Municipal de Ponte de Lima com a atribuição do seu nome a uma rua de Ponte de Lima (Rua Domingos Tarroso).

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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