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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CASA DA EIRA EM LANHELAS APRESENTA AS AVENTURA DE ROBINSON CRUSOE

ROBINSON CRUSOE, imagens literárias e imaginação gráfica

À passagem do tricentenário da publicação, em 1719, em Londres, do romance de aventuras ROBINSON CRUSOE, da autoria de Daniel Defoe, a CASA DA EIRA, em LANHELAS, promove uma exposição/debate a partir de um núcleo de antigas e modernas edições da exótica e famosíssima narrativa que tantos encómios suscitou a grandes figuras do olimpo cultural dos últimos séculos.

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Para além da contextualização histórica da ficção defoneana - depois da Bíblia tida como o texto mais difundido universalmente -, e considerada a sua centralidade no âmbito da literatura de viagens e as especulações que suscitou na esfera da teoria económica e, ultimamente, emergindo como alvo de ásperas polémicas e anátemas enquanto alegoria do sistema colonial (com os temas incandescentes da aculturação forçada e do confronto entre a civilização ocidental e as etnias dos "tristes trópicos" na mira da miltância pós-colonial mais aguerrida), na habitual troca de ideias a que a circunstância convida, prestar-se-á ainda uma especial atenção ao comentário gráfico de diferentes episódios e descrições do livro, com mais evidente interesse plástico ou espessura emotiva, a ilustrarem muitas das suas edições.

Obviamente uma tradução gráfica que representa um atractivo suplementar para o leitor e a exigir uma curta sinopse acerca dos processos de composição tipográfica e uma reflexão sobre a actual e crescente permuta de sentidos entre a literatura e a arte. Uma interligação que, por meados do século XIX, com a descoberta e divulgação da fotografia, permitiu à imagem visual assumir um progressivo e avassalador protagonismo estético decorrente sobretudo da multiplicação dos jornais diários, de revistas e folhetos envolvendo enormes ou mesmo gigantescas tiragens. Em certos casos superando várias centenas de milhar e até o milhão de exemplares. Com o uso da cor ganhando depois a ilustração de um texto uma outra vivacidade e sedução. E com o advento do mercado da banda desenhada, com a aparição da publicidade sonora e visual, e, por fim, com o êxito fulminante da arte cinematográfica, vindo rapidamente a imagem em movimento a dominar absolutamente os consumos da área do simbólico. E aliás, nas décadas mais recentes, dada a explosiva captação e difusão de registos visuais por via digital, agora à escala das centenas de milhões de imagens/dia, verificando-se inclusive um claro retraimento da esfera da comunicação através da expressão escrita. E assim, com este inédito refluxo, a ficar perigosamente ameaçada a função racional na elaboração, comunicação e adopção de ideias e valores entre os humanos.

Neste quadro de uma meditação sobre a solitária experiência de um náufrago, de um europeu perdido numa ilha selvagem do fim do mundo, de um homem inteiramente livre no seu diálogo com a natureza, Robinson Crusoe, e este a recriar um mundo no qual é o único agente e único senhor - como depois a reencontrar outros seres humanos e outros variados e complexos mundos -, não se omitirá uma reflexão relativamente às polémicas travadas em torno das liberdades públicas e da mordaça e entraves que uma pesada ou totalitária intromissão do Estado poderá impor ao cidadão. Como da evocação deste universo ficcional imaginado por Defoe, bem como de outras experiências literárias semelhantes difundidas por via do texto impresso e graficamente ornamentado, se pretende concluir o evento com uma meditação sobre a hipertrofia dos contactos em rede que hoje nos vai absorvendo a mente, a alma e os dias. Um conúbio desnaturalizado entre indivíduos, entre multidões anónimas de interlocutores virtuais, todos inadevertidamente presos nesse proliferante vespeiro, à imediatez da vida, ofuscados e sufocados pelo império e o fascínio da imagem.

É claro que será feita uma prévia e sumária alusão à biografia do militante político e publicista D. Defoe, como se há-de esclarecer a aventura real vivida por Alexander Selkrik, o navegante escocês que, na sequência de um naufrágio real, terá vivido solitariamente durante vários anos (1704-1708) numa ilha do Oceano Pacífico, algures na costa do Chile actual. Episódio que terá inspirado a Defoe a sua mítica figura de Robinson Crusoe. E a propósito é de notar que recentes escavações arqueológicas na ilha de Aguas Buenas parecem comprovar uma presença europeia no seu território pelos inícios do século XVIII. E daí ter sido rebaptizada a ilha com o nome de "Ilha de Robinson Crusoe". Embora a que foi idealizada por Defoe se situe nas imediações da foz do Orenoco, e assim no Oceano Atlântico.

CÂMARA DE CAMINHA INAUGURA OBRA DE ARTE ‘ABRIGO’ NA BEIRADA DO RIO EM LANHELAS

Cerimónia terá lugar sábado, dia 15 de dezembro, pelas 11H00

A Câmara Municipal de Caminha e a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho vão inaugurar a peça artística ‘Abrigo’, da dupla FAHR 021.3, no âmbito do projeto DESENCAMINHARTE (DES 18), no dia 15 de dezembro, pelas 11H00, na beirada do rio, em Lanhelas.Esta obra pertence a um conjunto de 10 projetos propostos pelo DESENCAMINHARTE, que tem como missão criar sinergias entre território, arte, cultura e população, numa dinâmica de envolvimento intermunicipal. A cerimónia conta com a presença de Guilherme Lagido Domingos, presidente em exercício do Município de Caminha, e de Josefina Covinha, presidente da Junta de Freguesia de Lanhelas.

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Segundo os autores, que são também coordenadores da edição deste ano do DESENCAMINHARTE, “Abrigo” é um “objeto pousado na margem, um banco, um abrigo, um barracão vazio, um recorte na paisagem. Este direciona o olhar para as águas do Minho e para a outra margem, gerando na sua forma um espaço sagrado de contemplação e de retiro. A sua modelação sugere a maturação de uma pedra que se moldou ao tempo daquele lugar, onde tudo parece ser mais lento, mais calmo, mais emocional.”

O DESENCAMINHARTE é um programa que visa promover a criação artística no Alto Minho através de uma dinâmica em rede que estimule o reconhecimento da sua identidade. A edição de 2018, com programação a cargo do coletivo HODOS, centra-se no desenvolvimento de dispositivos que contribuem para a valorização do património cultural e natural da região. Dez autores relevantes no panorama artístico e arquitetónico contemporâneo foram desafiados a intervir na paisagem singular de cada um dos dez municípios. A partir de uma leitura sensível e afetiva do lugar, estas obras serão construídas até ao final do ano, num diálogo aberto entre território, arte, cultura e população.

HODOS é um coletivo constituído por FAHR 021.3, depAArchitects e StillUrban Design, com o objetivo de valorizar os percursos pedestres em Portugal, afirmando-os como elementos de integração ou dissociação na paisagem. Através da identificação e tratamento de pontos de interesse nesses percursos, HODOS pretende reformular a experiência da caminhada com recurso à criação de peças de arte e arquitetura.

FAHR 021.3 é um coletivo fundado em 2012 por Filipa Frois Almeida e Hugo Reis. Ambos formados em arquitetura pela Escola Superior Artística do Porto, os seus percursos foram sendo marcados por interseções da arte com a arquitetura. O estúdio FAHR 021.3 assume-se assim pelo cruzamento dos seus fundadores, em procura de uma identidade evolutiva e inquietante em torno de processos experimentais com especial foco no cruzamento entre a arte e a arquitetura em espaço público. Esta dupla tem sido distinguida nacional e internacionalmente por um conjunto de projetos que se caracterizam pela sua abordagem formal e provocadora como Hairchitecture, Metamorfose, Eclipse e NAPPE (2016-19 em Taiwan).

CASA DA EIRA EM LANHELAS REALIZA EXPOSIÇÃO E PROMOVE DEBATE AOBRE SIDÓNIO PAIS

Sidónio, “o presidente-rei”, a República e a Grande Guerra

Na viragem para o século XX, a 2ª Revolução Industrial pôs à disposição da Humanidade uma larga cópia de recursos tecnocientíficos e culturais. A saber, o uso do petróleo e da energia eléctrica, avanços espectaculares no domínio da física, da química e da medicina, a aparição do automóvel e do aeroplano, a divulgação do telégrafo e da cinematografia, não esquecendo as novas modalidades de lazer, de expressão literária e artística. Um espantoso surto de criatividade a deixar antever uma era de inusitada prosperidade e de paz. As elites urbanas, em alguns países ocidentais, podiam inclusive rever-se na fórmula que a imprensa vulgarizava para realçar esse dinâmico e eufórico momento histórico: La Belle Époque.

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Todavia, fruto de um pujante crescimento demográfico e urbano, e de um correlativo extremar de posições entre as ideologias conservadoras, liberais, socialistas, libertárias e comunistas, as lutas sociais, fortemente desestabilizadoras da ordem pública, demarcavam-se por um grau superior de virulência. Teorizava-se e proclamava-se a legitimidade da perseguição e da expedita eliminação dos adversários. Alastrava a agitação social e a repressão, como igualmente se exacerbavam as rivalidades entre os impérios que dominavam o planeta, dia a dia militarmente mais poderosos e agressivos.

Eis, pois, o contexto em que os portugueses, à vista das nuvens acasteladas em torno da sua aventura colonial, como cientes da atávica miséria que os perseguia, numa escala menos entusiástica ou mesmo tingida de angústias e temores, viram o dealbar do novo século. A maior parte, naturalmente, indiferente, outra apenas receosa, alguns a temer o acercar da desgraça. Porém, a limitada parcela que contribuiu para o desmoronar da multissecular e obsoleta ordem monárquica e a subsequente implantação de um inflexível regime republicano, em Outubro de 1910, essa, ilusoriamente triunfante.

No decorrer de um não muito longo mas intenso itinerário de vida e de empenhamento cívico, o cidadão caminhense Sidónio Pais(1872-1918), partidário dessa traumática ruptura histórica, pôde vivenciar como poucos dos seus compatriotas, no país e no exterior, aquelas peculiares e contrastantes percepções de uma Europa no auge do seu poderio, mas dividida por fracturantes tensões entre as suas principais componentes estaduais, a fragilizá-la e arrastando-a inelutavelmente para o abismo.

Major de artilharia, um lente e juvenil reitor da Universidade de Coimbra, matemático brilhante com adicional formação filosófica, Sidónio Pais logo foi incumbido de diversas missões de notória responsabilidade político-administrativa. Entretanto, a integração na maçonaria veio facilitar-lhe o desempenho de cargos de maior relevância e depressa ascendeu à esfera governativa.

Neste quadro, da Assembleia Constituinte onde exerceu o cargo de deputado por Aveiro, então como membro do Partido Unionista, passa em 1911 a soçobrar a pasta do ministério do Fomento e depois do ministério das Finanças. Em Setembro do ano seguinte, decerto por vontade própria e esquivando-se a responsabilidades familiares que pouco o atormentavam, e tendo em conta as suas múltiplas faculdades intelectuais e políticas, é enviado em funções diplomáticas para Berlim. Missão de particular sensibilidade dadas as ambições coloniais do império germânico, uma alarmante ameaça para a continuidade dos domínios africanos de Portugal, agravada seguidamente com a eclosão do conflito armado em 1914. Contudo, o diplomata português só em Março de 1916 regressará ao país após a declaração de guerra a Portugal formulada pela Alemanha.

Se os portugueses se batiam em África desde 1914, com a deslocação em 1917 do Corpo Expedicionário Português para a frente de batalha na Flandres, então subordinado à direcção britânica e em muito más condições logísticas, sanitárias e de preparação técnica, enfrenta doravante o formidável poder de fogo das forças da coligação dos impérios alemão e austro-húngaro. Ocorrendo assim um enorme salto qualitativo no plano da beligerância. E isto com forte incidência no país a nível sócio-económico e político. Impulsionando como nunca as querelas entre partidos e intra-partidárias e um mal-estar geral acentuado mais tarde com o desastre militar do Lys, em Abril de 1918, e o martírio, na lama e no terror das trincheiras, de cerca de 10. 000 dos nossos soldados.

Germanófilo, simplesmente pacifista ou sobretudo decidido opositor do anti-clerical e jacobino governo do partido Democrático, Sidónio, ainda a exercer funções do foro diplomático, tirando proveito da sua ligação ao exército e de um enorme descontentamento popular que envolvia as próprias hostes republicanas, foi capaz de organizar e dirigir no terreno uma conspiração que, em 5 Dezembro de 1917, se converteu em golpe de estado sangrento. Do seu êxito decorre o afastamento do chefe do governo, Afonso Costa, bem como do Presidente da República, Bernardino Machado e dos seus seguidores.

A proclamada “República Nova” de Sidónio rapidamente conquista a adesão das populações mais distantes da capital e dos círculos do poder, e até disputa aliados entre as mais politizadas massas proletárias. Ora não será este sucesso, mau grado as boas intenções republicanas, uma prova do irrealismo e da dogmática irresponsabilidade dos costistas e da sua gerontocrática e azeda governação?

Eleito mais tarde Presidente da República por sufrágio universal, Sidónio mantém-se arredado da intriga e dos conciliábulos partidários, e sai frequentemente do palácio de Belém. Viaja pelo país, visita instituições, envolve-se afectivamente com os mais deserdados. Surpreendentemente, o frequentador de paradas, de claustros académicos e de salões diplomáticos, convive sem esforço com o povo e vai-se elevando à categoria de grande sedutor de multidões. A imprensa fotográfica, com destaque para a revista A Ilustração Portuguesa, dá por sua vez um evidente contributo nesta reapropriação mediática das antigas, amáveis e tradicionais confrontações do príncipe com os seus súbditos.

Sidónio pressente um inesperado empoderamento a movê-lo rumo a uma perigosa auto-suficiência política. Altera a Constituição, rejuvenesce o regime e, paulatinamente, desloca-o para um modelo de pendor presidencialista senão autoritário. Na sombra, os seus adversários não abandonam a luta. Desenham conspirações. A agitação recrudesce nos passos perdidos e nas lojas menos translúcidas. Os peões do campo dos ressentidos que conseguem escapar à prisão não desistem de visar quem lhes entravava aspirações, benesses e ideais. Em 14 de Dezembro de 1918, depois de um primeiro atentado fracassado a 5 do mesmo mês, Sidónio Pais, o popular monarca redivivo é varado por uma bala assassina no interior da Estação do Rossio, em Lisboa.

Surpresa? Decerto não. Com efeito, o que esperará alguém que terá muito provavelmente exultado com o magnicídio de D. Carlos e de seu filho friamente abatidos no Terreiro do Paço em Lisboa? E de alguém que identicamente chega ao poder pela via do recurso às armas, pese embora ulteriores e plebiscitárias aclamações, depois de haver tirado proveito de um regime, a República, que, também pelas armas, e não pela via democrática do voto popular, se estabeleceu na governação do país?

A pretexto desta exposição foto-bibliográfica que rememora o extraordinário itinerário de um caminhense - seguramente o mais reconhecido que o município viu nascer -, não apenas se procederá a um debate centrado na sua pessoa e labor cívico-político. Paralelamente, como se impõe, será a própria natureza do regime republicano português e a participação de Portugal no conflito que abrasou o mundo entre 1914 e 1918 que serão igualmente objecto de controvérsia e esclarecimento. Esta última dimensão do evento encerra, aliás, em simultâneo, o ciclo de três exposições-debate sobre a Grande Guerra iniciado em 2014 pela Casa da Eira.

Quanto a Sidónio e ao seu ímpar e trágico destino, o fragmento da coroa de louros que poderemos aqui depor em sua memória foi Fernando Pessoa que o compôs:

“[…] No mistério onde a Morte some/Aquilo a que a alma chama vida, /Que resta dele a nós – só o nome/ E a fé perdida? //

Se Deus o havia de levar, / Para que foi que no-lo trouxe/Cavaleiro leal, do olhar/Altivo e doce? //

Soldado-rei que oculta sorte/Como em braços da Pátria ergueu, /E passou como o vento norte/Sob o ermo céu//

Mas a alma acesa não aceita /Essa morte absoluta, o nada/De quem foi Pátria, e fé eleita, / E ungida espada. //

[…] Quem ele foi sabe-o a Sorte/Sabe-o o Mistério e a sua lei/A Vida fê-lo herói, e a Morte/ O sagrou Rei! […]”

  1. S. Depois de Camões ter saudado como heróis tantos antigos soldados portugueses, mereceria Sidónio, do heteronímico e genial Pessoa, tão messiânica, sebástica e grandiloquente homenagem?

E nós? Mereceremos nós ouvir Pessoa a lembrar-nos estes insondáveis e enigmáticos mistérios? Fugidias sombras esculpidas na pedra de uma língua poderosa, mas decerto tão efémera como todos os relâmpagos e a própria vida.

LANHELAS ACOLHE A PRÓXIMA REUNIÃO DESCENTRALIZADA DO EXECUTIVO CAMINHENSE

Sessão terá lugar dia 31 de outubro, pelas 18H30,no edifício da Casa da Banda

Este mês, o executivo vai deslocar-se à freguesia de Lanhelas para realizar mais uma reunião de Câmara descentralizada. A reunião terá lugar no dia 31, pelas 18H30, no edifício da Casa da Banda.

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As reuniões públicas descentralizadas são um instrumento de participação que os munícipes têm à disposição para dialogar diretamente com os decisores políticos concelhios. Estas reuniões favorecerem a proximidade junto da população e permitem ao presidente e vereadores da Câmara Municipal ouvir, esclarecer e prestar contas da gestão municipal, contribuindo assim para uma democracia local mais participativa.

Recorda-se que estas reuniões apresentam como único ponto da ordem de trabalhos a audição dos munícipes. Assim, os munícipes interessados em intervir deverão proceder à respetiva inscrição, com uma antecedência mínima de 48 horas, na Câmara Municipal, através do telefone 258 710 300 ou do e-mail geral@cm-caminha.pt

Ainda o podem fazer na sede da Junta de Freguesia de Lanhelas. É de realçar que, no momento da inscrição, os munícipes deverão indicar o contacto telefónico e o assunto a tratar. Será dada prioridade aos assuntos relacionados com as freguesias em questão e de interesse coletivo e/ou público.

CAMINHA: LANHELAS FESTEJOU À SENHORA DA SAÚDE E A SANTA RITA DE CÁSSIA – É A FESTA DAS SOLHAS!

A localidade de Lanhelas, no concelho de Caminha, festejou no passado fim-de-semana em honra do Senhor da Saúde e de Santa Rita de Cássia. É a Festa das Solhas, assim designada em virtude das famosas solhas secas que os lanhelenses passaram a incluir no cardápio gastronómico por altura das festas.

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Todos os anos, milhares de visitantes afluem ao Jardim de São Gregório para se deliciarem com tão saborosa iguaria.

O programa das festividades incluem naturalmente as celebrações religiosas cujo ponto alto é a solene procissão pelas ruas da povoação e ainda os grandiosos espectáculos de pirotecnia.

Fotos: Município de Caminha

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“A CURVA” DE TANKRED DORST ESTREIA SÁBADO NO VALADARES, TEATRO MUNICIPAL DE CAMINHA

Câmara de Caminha e Krisálida voltam a levar o teatro às freguesias do Concelho

O Valadares, Teatro Municipal de Caminha foi o local escolhido para mais uma grande estreia. Sábado, dia 26 de maio, pelas 22H00, vai receber a estreia da peça de teatro “A Curva”, de Tankred Dorst apresentada pela Krisálida – Associação Cultural do Alto Minho. Depois da estreia, e à semelhança de anos anteriores, esta peça de teatro vai entrar em digressão pelas freguesias do concelho. Um ano depois, a Krisálida – Associação Cultural do Alto Minho e a Câmara Municipal voltam a levar o teatro às freguesias do concelho. A entrada é gratuita.

Esta peça de teatro é promovida no âmbito de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Caminha e a Krisálida – Associação Cultural do Alto Minho que garante que, à semelhança de anos anteriores, a Krisálida levará um espetáculo às 14 freguesias do concelho, conduzindo o teatro ao encontro do público nas salas das juntas de freguesia, nas ruas e nas pequenas praças, ao mesmo tempo que prosseguirá o projeto pedagógico em íntima articulação com a criação e produção artísticas, dirigidos às comunidades de crianças, jovens e suas famílias.

“A Curva” é uma farsa sobre a comercialização da morte. Sobre a peça, diz-se ‘dois irmãos vivem num lugar remoto junto a uma curva perigosa onde já aconteceram muitos acidentes mortais: 24 mais precisamente. Os irmãos encontraram formas engenhosas de conviver bem com esta situação e a vida decorre com relativa tranquilidade. Até que um dia o inesperado acontece…’.

“A Curva” apresenta na direção artística e produção Carla Magalhães; na encenação Nelma Nunes; na interpretação Alexandre Martins, Nuno J. Loureiro e Rui Barbosa; na cenografia e figurinos Grácia Cordeiro e no desenho de luz Rui Gonçalves.

A partir de 1 de junho, esta peça vai percorrer as várias freguesias do concelho, sempre pelas 22H00. Em junho, no dia 1, sobe ao placo do Centro Social Paroquial de Moledo; no dia 2 no Cineteatro do Bombeiros de Vila Praia de Âncora; no dia 15, no Centro Cultural de Gondar; no dia 16, no Centro Cultural de Argela; no dia 22, na Sociedade de Instrução e Recreio Ancorense, em Âncora; no dia 29, no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense e, no dia 30, no Centro Cultural de Dem. Em julho, no dia 6, a peça está em exibição na Junta de Freguesia de Arga de Cima e no dia 7, na Casa do Povo de Lanhelas.

CASA DA EIRA EM LANHELAS RECEBE O MAIO DE 68 DE FRANÇA

Maio de 68, uma França convulsa: cartazes, fotos, livros

No decurso do último meio século multiplicaram-se as teorias avançadas por sociólogos, especialistas em psicologia e política, historiadores e pensadores de outras áreas, relativamente às ocupações de universidades, às sucessivas manifestações estudantis e aos desacatos que, a partir de Paris, alastraram por diferentes povoações francesas nos meses de Maio e Junho de 1968. Movimento de contestação conseguindo transmitir um surpreendente ímpeto subversivo, de norte a sul do país, ao conjunto do sector operário e a um variado naipe de grupos sociais. E neste clima pré-revolucionário, a dar origem à greve de maior expressão sindical e potencial político da história de França, bem como à mais longa paralisação dos sectores nevrálgicos da sua economia. 

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Perante as palavras de ordem e as proclamações de cariz revolucionário dos representantes dos grupúsculos e grupos políticos que instigaram e conduziram o processo, perfilou-se a ameaça de uma profunda fractura social e política, a queda do governo e uma grave explosão de violência colectiva. É pois, sobre esta inesperada, convulsa e histórica primavera que abalou os pilares institucionais de um dos mais prósperos e dinâmicos países do Ocidente, e alvoroçou, de forma positiva ou negativa, muitas outras sociedades à roda do globo, que à passagem do cinquentenário dos retumbantes “acontecimentos”, a Casa da Eira, em Lanhelas, decidiu promover uma exposição de centenas de cartazes, fotografias e livros, entre outra e vária documentação. Materiais associados ou alusivos aos sucessos e que deverão apoiar um debate sobre esta tentativa de viragem radical de sistema político, obviamente à margem da ordenação jurídica e dos valores democráticos vigentes. Processo que poderia levar à implantação de um regime de contornos imprecisos e comprometer as liberdades resultantes dos triunfos do Ocidente europeu sobre os regimes totalitários que o tinham asfixiado ou ameaçado na primeira metade do século.

Visando o habitual debate sondar as consequências que advieram do desenlace do movimento insurrecional francês, quer no sentido positivo de arejamento e rectificação de diversas anomalias do sistema, quer no tocante à actual deriva neoliberal, ao hiperelativismo globalista e à degenerescência dos valores antropológicos que, outrora, asseguraram a relevância económico-social, ética, cultural e política da Europa.

Na sequência de uma tradição já consolidada, proceder-se-á também à análise iconográfica dos materiais expostos, com destaque para a vasta colecção de cartazes que deram visibilidade aos objectivos e palavras de ordem da insurreição,  e que um dos seus mais directos protagonistas define como "a explosão poético-mural de Maio". Como será problematizado o impacto dos meios audiovisuais de comunicação de massas no avolumar do psicodrama contestatário, tal como os contágios emocionais que facilitam a manipulação das multidões à revelia da razão individual. 

Igualmente, e para finalizar, serão evocados alguns testemunhos de portugueses que participaram na estrepitosa movimentação social, sem esquecer a onda emotiva vivenciada por aqueles que, várias centenas de milhar, na região parisiense e em outros lugares, se viram directa ou indirectamente envolvidos nestes perturbadores “événements”.

CASA DA ANTA EM LANHELAS EVOCA ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

António José Saraiva, um intelectual insubmisso entre a Literatura e a História

Na passagem do centenário do nascimento de António José Saraiva (1917-1993), historiador e crítico da Literatura, professor, ensaísta, e um dos vultos maiores do pensamento crítico do século XX português, a Casa da Eira, em Lanhelas, promove uma exposição bibliográfica e debate com vista a sinalizar as linhas e os desafios mais duradouros e perturbantes da sua obra e da sua inconfundível personalidade e intervenção cívica.

António José Saraiva

E assim, com esta iniciativa, o distrito de Viana do Castelo integra o ciclo de homenagens que o país consagra ao autor de livros tão monumentais ou significativos como História da Cultura em Portugal (I, II e III 1950-1962), Dicionário Crítico de algumas ideias e palavras correntes (1960), Inquisição e Cristãos Novos (1969), Maio e a crise da civilização burguesa (1970), Filhos de Saturno (1980), Tertúlia Ocidental, estudos sobre a geração de 70 (1990), entre outras dezenas de obras e escritos. Alguns dos quais de forte impacto público, a suscitarem intensos debates no campo literário e político, e a revelarem um exímio e corajoso polemista. E toda essa produção textual sempre vazada numa linguagem vernácula, de uma equilibrada luminosidade estética e de um transparente e eficaz pendor didáctico-reflexivo.

Homenagem devida deste distrito, já que o então jovem historiador e ensaísta, após uma breve experiência lectiva na Universidade de Lisboa (1941-1943) e de uma primeira manifestação de destemor e rebeldia institucional que lhe mutilou a carreira a esse nível académico, exerceu, entre 1945 e 1949, funções docentes no Liceu Gonçalo Velho (actual Escola Secundária de Santa Maria Maior), da cidade capital do Alto Minho. E é de salientar que A. J. Saraiva era um docente já altamente credenciado no plano universitário, na sequência de estudos que revalorizaram e conferiram uma outra actualidade às obras de autores quinhentistas de grande nomeada como Bernardim Ribeiro e Gil Vicente. Investigações que indiciavam a sua vasta cultura sócio-histórica e filosófica, como um dúctil domínio da língua e uma ímpar sagacidade analítica do facto literário.

Assim em Viana, onde o intrépido dinamizador de consciências viveu a sua primeira experiência de “exílio”, pôde orientar um vasto número de jovens do Alto Minho na exploração dos segredos e tesouros de diferenciados territórios líricos, dramáticos e épicos da nossa Literatura. Como acompanhá-los na aventura de descobrir e questionar os mais densos e cintilantes complexos ideológicos do pensamento nacional. E, quem sabe, alguns desses discípulos ainda sobrevivam e possam agora testemunhar essa oportunidade que a escola e a sorte um dia lhes concedeu.

Na cidade do Lima, no quadro da lição “de sapiência” do ano lectivo de 1946-1947 - ano de inauguração do novo e belo edifício escolar que tanta personalidade arquitectónica garantiu àquele arrabalde urbano da Quinta dos Quesados -, o jovem Saraiva, escolar que não ignorava as exigências do ofício, expôs o essencial do que pensava sobre a questão do ensino e a urgência em desenvolver uma pedagogia activa, renovada e experimental, tendo em mente “a igualdade e liberdade pela cultura”. Temática que desde cedo o atraiu e logo deu a conhecer em diferentes textos publicados na revista Seara Nova (1945). O programa, densamente elaborado, desenhado de um ângulo fortemente crítico e sociológico, defendia uma imperativa vivência democrática no quotidiano da vida académica, obviamente irreconciliável com a ordem social e política vigentes.

Uma súmula dessa memorável palestra vianense será nesse mesmo ano editada na forma de um opúsculo intitulado A Escola, problema central da nação. Não será, pois, excessivo considerar que AJS deve ser visto como uma das mais insignes personalidades intelectuais que passou por Viana do Castelo. Que aí viveu e que aí procurou insuflar energias novas ao corpo docente e discente da sua escola mais tradicional e prestigiada.

No seu mais amplo espaço de cidadania, aí se envolveu ainda, directamente, na vida política do país em aliança com os trabalhadores e outros cidadãos que, em 1949, deram apoio ao general Norton de Matos, de naturalidade limiana, na sua campanha eleitoral para a Presidência da República. No contexto desse empenhamento cívico, quando Saraiva gozava já nos sectores de oposição política mais aguerrida, nomeadamente no interior do PCP, do estatuto de mentor, isto é, de guia intelectual. Atitude que lhe veio a custar bem caro: meses de prisão, a proibição de vários livros publicados e o afastamento compulsivo da função pública e do ensino em todos os seus graus e modalidades. Seguindo-se dez anos de isolamento beneditino, um solitário período de árduas pesquisas, de escrita continuada e de uma obra que se ia avolumando graças à fidelidade de um público exigente que lhe assegurava a relevância pública e o sustento familiar. Mas também acumulando um enorme desgaste psíquico agravado pela recorrente hostilidade do regime e pelos insultos e ameaças emitidos pelos seus mais rudes vigilantes e prosélitos.

Coagido finalmente ao exílio no exterior, entre 1959 e 1975, de início prosseguiu em Paris o seu trabalho como investigador ligado ao Collège de France e a seguir integrou o Centre National de la Recherche Scientifique. Numa metrópole nem sempre amistosa, sentiu aí a carência dos laços familiares e a agressividade das diversas linhas da oposição ao regime português que lá se digladiavam. Como ainda lhe faltava a atmosfera de uma escola e o diálogo pedagógico que tanto apreciava e que tão vibrante análise crítica lhe havia inspirado.

Vivência, por fim, em parte recuperada, após concurso internacional com o regresso ao ensino universitário na Holanda e a direcção da Secção de Estudos Portugueses da Universidade de Amesterdão (1970-1974). Tempos, contudo, por razões diversas, ainda sentimental e profissionalmente difíceis. No conjunto deste longo período de expatriação, desfrutando no entanto, de múltiplas experiências políticas, culturais e sociais. E do mesmo passo, no contacto com as comunidades emigrantes, com a ligação a círculos de pensamento de um rigoroso escrutínio teórico e preconizando outros modelos de pedagogia, com a descoberta de outras fontes de informação e com as elucidativas e desanimadoras visitas à URSS, todo esse novo mundo vindo a permitir-lhe uma profunda renovação de padrões críticos, de militância política e de valores para a vida.

No regresso a Portugal, após a revolta do 25 de Abril de 1974 e o colapso do Estado Novo, a sua reintegração no sistema de ensino de onde havia sido banido em 1949 pela governação ditatorial salazarista (de início na Universidade Nova e depois na Universidade de Lisboa), e após os acontecimentos que provocaram a descolonização e a reconversão do sistema político no sentido de uma república liberal, Saraiva assumiu o papel ingrato e simultaneamente grandioso de consciência crítica da nação. Sobretudo quando o país se viu na iminência de ver destruído o modo de vida de amplos sectores populacionais, aniquilada a sua configuração simbólica e, in fine, ameaçado de vir a soçobrar numa ditadura de sinal totalitário. Desde aí, a teorização dos ideais liberais matizados por uma ética muito singular de pendor anarquizante e a defesa da frugalidade existencial e dos ideais ambientalistas - de que a revista Raiz e Utopia que patrocinou viria de certa forma a assumir na viragem dos anos 70 para a década seguinte -, definiram o essencial do seu activo e categórico percurso cívico e cultural.

Convém registar que Saraiva foi um profícuo colaborador de jornais e revistas de diferente âmbito temático e com públicos diferenciados. Como sempre foi muito solicitado a prestar testemunho e a dar à grande imprensa várias dezenas de longas entrevistas. Ao nível da alta cultura são de destacar as suas colaborações, entre outras, para as revistas Litoral, Seara Nova, Vértice, Les Temps Modernes, Annales ESC, Poétique, Critério. Com a recente publicação das suas correspondências (com Óscar Lopes, com Luísa da Costa e com Teresa Rita Lopes, todos criadores literários e os elementos mais chegados do seu círculo de amizades), a sua imagem de intelectual insubmisso, evidenciada nos dramas de uma existência sempre em transe especulativo e sempre inquieta, ganha até uma insuspeita aura romântica e uma outra espessura humana. 

A Casa da Eira - Lanhelas

CÂMARA PROMOVE CAMPANHA DE REDUÇÃO DE 50% DAS TARIFAS DA LIGAÇÃO À REDE DE SANEAMENTO PARA OS MORADORES NA TRAVESSA DA CANCELA EM LANHELAS

Execução de Infraestruturas de drenagem de águas residuais concluída

A empreitada “Infraestruturas de drenagem de águas residuais” na Travessa da Cancela em Lanhelas já terminou. Agora, os munícipes residentes já podem requerer na Câmara Municipal de Caminha a ligação das suas habitações à rede pública de drenagem de águas residuais com uma redução de 50%. A campanha termina a 31 de dezembro.

Recorda-se que esta rua foi alvo de uma intervenção de fundo. A Câmara Municipal de Caminha executou a empreitada “Infraestruturas de drenagem de águas residuais”, no montante de 17. 312,86 + IVA. Esta obra englobou a instalação de um coletor público de drenagem de águas residuais e de 9 ramais domiciliários. Depois de colocada a rede de saneamento, a rua foi repavimentada.

O requerimento desta ligação insere-se na campanha de redução de 50% com os encargos decorrentes da ligação à rede pública de drenagem de águas residuais de habitações unifamiliares, que o Município tem vindo a realizar nas freguesias do concelho, desde que os ramais não possuam uma extensão superior a 20 m. A campanha está em vigor até ao dia 31 de dezembro. O objetivo é apoiar os munícipes, libertando-os de alguns encargos, de modo a proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.

Para além da redução dos 50% com os encargos decorrentes da ligação ao saneamento, esta campanha ainda permite que os restantes 50% do valor em causa possam ser pagos em doze prestações mensais anexadas na fatura da água.

Esta campanha visa ainda aumentar as taxas de adesão às redes públicas de drenagem e tratamento de águas residuais, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental do concelho.

CASA DA ANTA EM LANHELAS DÁ A CONHECER GENEALOGIA DE GOMES FREIRE DE ANDRADE

Em busca da genealogia de um “mártir da pátria”, Gomes Freire de Andrade

Com o registo e comunicação electrónica (WWW) dos elementos que definem a identidade e as relações de parentesco entre os indivíduos, as pesquisas destinadas a elaborar a árvore genealógica das famílias têm crescido extraordinariamente nas últimas décadas. Uma curiosidade natural e, decerto, uma compulsão psíquica condicionada pelo gigantismo e anonimato característicos das aglomerações urbanas onde, ano após ano, afluem e acumulam grandes massas populacionais.

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Neste quadro, e tendo em sua posse um amplo acervo documental relativo à genealogia de Gomes Freire de Andrade (1757-1817), um general partidário das ideias liberais e um dos mais brilhantes militares da sua época, na passagem do bicentenário da sua condenação à morte e execução por crime de lesa majestade, a Casa da Eira, em Lanhelas, promove uma mostra e análise deste interessante espólio. Constituído por elementos reunidos ou produzidos pacientemente por um investigador sabugalense, J. Gomes (Freire) Pinharanda, cuja linhagem o interliga à do malogrado general, e que, aliás, se apresenta como seu descendente directo. Dadas as circunstâncias que envolveram as relações conjugais do homem que acompanhou Napoleão Bonaparte nas suas temerárias incursões pela Europa, estamos perante uma reivindicação controversa, fundada, no essencial, numa romanesca tradição familiar.

Temos, pois, em vista um debate centrado nas andanças bélicas além-fronteiras do eminente precursor da revolução liberal em Portugal, bem como o aflorar do tema do imperialismo napoleónico e das violências geradas lá por onde passava a soldadesca ocupante francesa. E ainda virá a propósito reflectir acerca da abrasiva problemática da traição e redenção no tocante ao elo sentimental e político que cada qual estabelece com a comunidade de origem. E será ainda de meditar sobre as múltiplas formas de mitificação historiográfica., como de considerar a temática do expeditivo sistema de justiça do Antigo Regime em contraposição aos avanços civilizacionais decorrentes do triunfo do ideário das Luzes.

Na sessão inaugural, em complemento ao debate, com ilustração musical a cargo de um duo de teclas e clarinete, efectuar-se-á uma leitura dramatizada de alguns textos evocativos desta ímpar figura da história portuguesa agora recordada. 

MUNICÍPIOS DE CAMINHA E A GUARDA VÃO PROMOVER O PERCURSO ‘FORTALEZAS DO BAIXO MIÑO’ NO DIA 16 DE SETEMBRO

Iniciativa conjunta dos municípios de Caminha e A Guarda realizada no âmbito da candidatura do “Rio Minho a Paisagem Cultural da UNESCO

‘Fortalezas do Baixo Miño’ é o próximo percurso pedestre que os municípios de Caminha e A Guarda vão promover no âmbito das iniciativas conjuntas da candidatura do Estuário do Rio Minho a Paisagem Cultural da UNESCO. O percurso pelas margens do Rio Minho terá lugar no dia 16 de setembro, pelas 07H30.

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Com esta iniciativa pretende-se dar a conhecer os territórios de ambas as margens do Rio Minho e promover a cooperação e o intercâmbio cultural entre os dois povos, isto é promover a riqueza histórica, cultural, paisagística, ambiental, económica, etnográfica e humana destes dois concelhos.

‘Fortalezas do Baixo Miño’ é um percurso com uma distância de 22 Km, com um grau de dificuldade considerado fácil. A saída de Caminha está prevista para as 07H30. Este percurso é marcado por um trajeto ao longo das margens do Rio Minho, desde Goian até A Guarda, passando por Vila Nova de Cerveira e Caminha, localidades onde será possível apreciar e visitar as fortalezas existentes.

Até outubro, os Municípios de Caminha e A Guarda estão a promover a iniciativa “Andainas”, que consiste na promoção de vários percursos pedestres, a realizar tanto em território português como espanhol, no âmbito das iniciativas conjuntas da candidatura do Estuário do Rio Minho a Paisagem Cultural da UNESCO. Já se realizaram os percursos ‘Caminho dos Burros (S. Xián (O Rosal) – A Guarda)’; ‘Allariz – Augas Santas (Ourense)’e ‘Romaria de S. João d’Arga’. “Andainas” termina com o percurso ‘Rota das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d’Arcos’.

O custo de participação será de 12 euros por pessoa, para cada um dos percursos. Os dois municípios assegurarão o apoio logístico e o transporte dos participantes até aos pontos de partida e no regresso das etapas. As inscrições são obrigatórias e deverão ser realizadas para o mail ambiente@cm-caminha.pt ou para os telefones 258 721 708 ou 914 476 461.

CÂMARA DE CAMINHA ESTÁ A INTERVIR NA TRAVESSA DA CANCELA EM LANHELAS

A Travessa da Cancela em Lanhelas está a ser alvo de uma intervenção de fundo. A Câmara Municipal de Caminha está a executar a empreitada “Infraestruturas de drenagem de águas residuais”. Dotar o arruamento de rede de saneamento vai custar 17.312,86 + IVA.

travessa da cancela

Dotar as freguesias do concelho das infraestruturas básicas,com vista a melhorar a qualidade de vida das populações tem sido uma das preocupações do executivo camarário. Na realidade, este arruamento não possuía rede de saneamento. Assim, com esta intervenção, uma obra muito desejada,os lanhelenses veem assim mais um desejo cumprido. Dentro de algumas semanas, os moradores da Travessa da Cancela já podem efetuar a ligação das suas casas à rede de saneamento pública.

Esta obra engloba a instalação de um coletor público de drenagem de águas residuais e de 9 ramais domiciliários, o que permitirá a ligação a estas infraestruturas das moradias existentes e a construir, no referido arruamento. Depois de colocada a rede de saneamento, a rua será repavimentada.

É de referir a cooperação dos proprietários dos terrenos para realizar esta empreitada.

CASA DA EIRAS EM LANHELAS EXPÕE A "VIA CRUCIS" DO ARTISTA FRANCÊS FRANÇOIS DUBERCELLE

A Via Crucis de Dubercelle, a arte religiosa e a cenografia da Paixão

A Casa da Eira, em Lanhelas, dando continuidade a um projecto destinado a incrementar a “literacia” visual e a análise de temas de grande actualidade sem desdenhar o confronto com o passado, a cultura e as tradições que nos identificam enquanto povo -, promove o primeiro evento do ano de 2017 com uma exposição/debate consagrada à série de 14 estampas originais da famosa via sacra do artista plástico francês François Philippe Dubercelle.

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Relevante desenhador e gravador, em actividade na 1ª metade do século XVIII, distinguiu-se na produção de mapas e na ilustração de livros. Na qualidade de autor de estampas de carácter satírico, género de intervenção cívica muito cultivado em França, Dubercelle, cuja biografia é mal conhecida, terá excedido os limites de tolerância definidos pela censura e a audácia acabou por levá-lo a cumprir um ano de cárcere.

Relativamente à sua incursão na esfera da arte sacra, a Via Crucis granjeou-lhe, por sua vez, além-fronteiras, uma manifesta notoriedade. De facto, em Itália (San Martino, Amatrice) e em Espanha (Umbrete, Ródenas, Montesa e Alcora), foram descobertos, restaurados e musealizados diversos painéis de azulejo que reproduzem ou se inspiram na narrativa duberceliana do itinerário e suplícios sofridos por Cristo entre o Pretório onde foi sentenciado e o Calvário, local da sua crucifixão.

Ora no próximo ciclo de celebrações pascais ainda tão vivazes em numerosas povoações do Alto-Minho, quer no plano litúrgico quer no âmbito de uma festiva e popular sociabilidade, contemplar e problematizar uma representação plástica da cena fundadora do cristianismo e matriz imagética cimeira da história da arte do Ocidente, é, decerto, um aliciante desafio.