Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

VIANA DO CASTELO: ESTALEIROS NAVAIS CONSTRUÍRAM NAVIOS TANQUES QUÍMICOS PARA A NORUEGA EM 1974

Os Ministérios das Finanças e da Economia, através da Portaria n.º 922/73 de 28 de Dezembro, publicada no Diário do Governo n.º 300/1973, 1º Suplemento, Série I de 28 de Dezembro de 1973, autorizou o Fundo de Fomento de Exportação a garantir a Companhia de Seguro de Créditos dos riscos comerciais, de fabrico e de crédito, relativos à exportação de dois product chemical tankers a efectuar por Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L., para a empresa Westfal-Larsen and Co., A/S, da Noruega.

Na mesma ocasião, foi pelos mesmos ministérios publicada a Portaria n.º 923/73 de 28 de Dezembro, relativa a dois product chemical tankers a efectuar por Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L., para a empresa A/S Rederiet Odfjell, de Minde, Noruega.

Capturarportaria922.JPG

Capturarportaria923.JPG

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

NOVOS DESAFIOS

Com a política expansionista e de evolução técnica e tecnológica, outros e novos desafios se deparavam aos ENVC, entre eles, a conquista dos mercados internacionais. O conseguido até à data era pouco mais que residual, considerando a sua real valia no domínio da arte da construção de navios, forjada numa experiência de quase 30 anos de existência e mais de 100 embarcações construídas, sem esquecer mais de 400 reparadas. Esta realidade não passou despercebida aos grandes armadores, em especial aos dos países europeus.

A confirmação deste facto aconteceu em 30 de Março de 1974, com a celebração de um contrato gigante para a construção de dois navios químicos, com 170,7 metros de comprimento e 23.300 toneladas de porte, para o armador norueguês Stolt-Nielsen, pela verba de 1.300.000 contos, valor considerado histórico para a época. Atente-se que o resultado bruto da produção da Empresa, em 1973, foi de 200.000 contos. Este contrato apresentava-se como o maior desafio que aos ENVC se tinha deparado até à data. Não faltava quem internamente considerasse este um mau negócio, pelo espremido valor de custo e pela exigência técnica destas construções, destinadas ao transporte de produtos refinados e produtos químicos.

E o acordo revelou-se deveras complicado, porque, por imposição do Governo, foi realizado em moeda portuguesa e o escudo depreciou-se profundamente na sequência da revolução de Abril de 1974 e também porque o período da construção dos navios se desenrolou em período agitado, por força da mesma revolução. Resultou num contrato significativamente deficitário (cerca de 550 mil contos), mas a Empresa saiu profundamente enriquecida no plano do conhecimento e da experiência para um tipo de navios demasiado complexo e, por isso, mal dominado, facto que se confirmaria no futuro com a conquista dos grandes mercados internacionais.

VIANA DO CASTELO: GOVERNO AUTORIZOU EM 1949 AMPLIAÇÃO DOS ESTALEIROS NAVAIS

O Ministério das Comunicações - Gabinete do Ministro, através do Decreto-Lei nº 37:626, publicado em Diário do Governo n.º 250/1949, Série I de 23 de Novembro de 1949, concedeu à empresa Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Lda., o direito de ocupação de mais uma faixa de terreno, a acrescentar à área a que se refere o artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 35570.

Capturarenvcast1.JPG

Capturarenvcast2.JPG

Capturarenvcast3.JPG

Capturarenvcast4.JPG

Capturarenvcast5.JPG

  • Comentário de Gonçalves Fagundes Meira

Neste Decreto-Lei, de 23 de Novembro de 1949,

temos a mais primitiva planta dos ENVC. Quando para além entrei, 01/03/65, já havia uma empresa bem diferente, para melhor, felizmente. E, na data deste mesmo Decreto, já tinha sido ultrapassada a primeira grande crise da Empresa, que assim pode ser definida:

Saíram os três primeiros navios construídos, 10/07/1948, e fez-se os balanços contabilísticos, que apontaram para um custo a rondar os 13.500 contos, individualmente. A consolidação dos ENVC parecia ser um facto, porém, nem tudo eram rosas. Alguma falta de experiência em empreendimento de tanto arrojo tinha que resultar em dificuldades financeiras acentuadas.

João Alves Cerqueira e Vasco d’Orey tiveram que hipotecar todos os seus bens para conseguir junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 10.000 contos. Trataram depois de alterar o estatuto social da Empresa, fazendo a sua transformação para Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada, facto que só foi conseguido em 30 de maio de 1949 e que levou a novas dificuldades financeiras.

Como estimavam em 36.500 contos o capital de que careciam, o único recurso seria, mais uma vez, hipotecar património próprio. Apelaram por isso à solidariedade de parentes e amigos, onde não faltou sequer o apoio abnegado de Encarnação Mendes, a velha ama de Vasco d’Orey, que entrou com todas as economias de que dispunha, num total de 6.000 escudos.

Em circunstâncias tão aflitivas, só restava arranjar um parceiro de peso para a sociedade, sob pena de se ver morrer algo que tanta expectativa tinha criado em Viana do Castelo. É neste contexto que metade das ações dos ENVC, SARL, no valor de 25.856 contos, é vendida à firma H.Parry & Son. Ltd., que tinha como presidente Jacques de Lacerda, personalidade em quem se deposita todas as esperanças para ultrapassar o apuro em que se vivia. Jacques de Lacerda, empresário com sentido visionário, entra oficialmente nos ENVC a 10 de março de 1950.

Os ENVC encetam, então, um longo período de progresso.

INJEX AMPLIA FÁBRICA EM FAMALICÃO

Empresa de componentes de plástico injetado cresce no Parque Industrial de Vilarinho das Cambas

A Injex – Pinheiro de Lacerda, SA, empresa industrial de componentes técnicos em plástico pelo processo de injeção, ampliou em 25% as suas instalações produtivas no Parque Industrial de Vilarinho das Cambas, em Vila Nova de Famalicão.

Injex _ ampliação de instalações.jpg

A empresa famalicense, que é especializada em plásticos técnicos injetados, desde a conceção do produto até à sua montagem final, produz milhões de peças por ano, sobretudo símbolos das principais marcas de automóveis, para clientes como Porsche, Peugeot, Alfa Romeo, Jaguar, Volkswagen, Audi e Mercedes Benz.

As instalações produtivas da Injex, que até agora ocupavam uma área de 470 metros quadrados, aumentaram 100 metros quadrados, ficando a área fabril com 570 metros quadrados. O investimento foi de 50 mil euros.

Além do espaço produtivo, a Injex dispõe de uma área logística, que ocupa um armazém com 730 metros quadrados, situado a 50 metros da fábrica, espaço que acolhe matérias-primas e produto acabado, num processo que é gerido exclusivamente por meios digitais. No total, a empresa ocupa agora uma área de 1300 metros quadrados.

“Tínhamos um logradouro disponível e resolvemos dar mais um pequeno passo num imóvel que é propriedade da Injex”, explica José Duarte Pinheiro de Lacerda, fundador e CEO da Injex, que considera que o aumento das instalações “não vai mudar a vida” da empresa, até porque já estava planeado há algum tempo, “mas dará uma boa ajuda”, em função das necessidades imediatas.

“Sou adepto dos pequenos passos, das melhorias contínuas. Conseguimos aumentar a área da fábrica sem termos os custos inerentes a uma mudança”, explica Pinheiro de Lacerda, apontando como “estratégia de futuro” o crescimento da empresa, através da diversificação de produtos e serviços de valor acrescentado para os clientes.

“Se continuarmos a crescer como temos crescido, a breve prazo vamos precisar de mais espaço”, aponta o CEO da Injex, empresa que fundou em 28 de janeiro de 2003. E Pinheiro de Lacerda acrescenta: “A vida das empresas é dinâmica, pelo que não abandonamos a possibilidade de construção de novas instalações, caso surja uma boa oportunidade de negócio.

Injex _ Peças plástico injetado para setor autom

MULTINACIONAL BORGWARNER INVESTE EM VIANA DO CASTELO

A multinacional BorgWarner é líder mundial de produtos em soluções de tecnologia limpa e eficiência para veículos de combustão, híbridos e elétricos.

abelo6361_2.jpg

Atualmente, em Viana do Castelo a Borgwarner tem um volume de negócios de 170 milhões de euros, prevendo-se a duplicação deste valor, com o novo investimento.

“A Borgwarner é uma grande empresa que apostou em Viana do Castelo. No ano passado assinamos um contrato de investimento para ampliação de instalações. Já este ano, tivemos contacto por parte da empresa para um novo investimento a ser feito no nosso país”, revelou o edil, José Maria Costa dizendo que “acabamos por ser vencedores pela confiança que a Borgwarner tem em Viana do Castelo”.

“Esta prova de confiança da Borgwarner, com um terceiro investimento, significa que Viana do Castelo se continua a manter como um espaço de atração e como um espaço no qual as empresas confiam”, afirmou o autarca, destacando “o espírito de confiança entre os diversos parceiros”.

Já Ricardo Moreira, da Borgwarner Portugal, considera que este é um investimento a pensar no futuro, já que estimam que, em 2030, cerca de 45% da faturação seja em veículos elétricos. “Nos próximos meses vamos já assistir ao início da construção desta unidade”, declarou o representante, explicando que a nova fábrica será a terceira na Europa deste setor de negócio e irá produzir motores elétricos para clientes europeus do grupo.

O grupo assume-se como líder em sistemas de propulsão para veículos a combustão, híbridos e elétricos. Tendo como objetivo acelerar rumo à eletrificação, pretende proporcionar soluções de mobilidade inovadoras e sustentáveis para o mercado automóvel.

Recorde-se que a BorgWarner se instalou na capital do Alto Minho em 2014, num investimento de 25 milhões de euros e que, na altura, estimava criar 500 postos de trabalho, mas atualmente emprega cerca de 950 trabalhadores.

Depois, em novembro de 2020, a empresa assinou um contrato de investimento para avançar com uma ampliação de 7 milhões de euros das instalações situadas no Parque Empresarial de Lanheses, que irá criar mais 38 postos de trabalho.

Desde 2014 que a BorgWarner Viana consolidou a sua produção nas áreas de gestão de gases de exaustão e eletrónica, assegurando um crescimento contínuo e com portfólio diversificado de módulos EGR e de produtos eletrónicos que, de forma sustentável, permite ter uma posição equilibrada no mercado de sistemas de propulsão para veículos de combustão, híbridos e elétricos.

A multinacional americana, tem a nível mundial, 50.000 colaboradores em 24 países, contando com 96 localizações. Em 2020, o grupo garantiu vendas no valor de 10,2 mil milhões de dólares.

abelo6413_2.jpg

VIANA DO CASTELO: GOVERNO NACIONALIZOU EM 1975 OS ESTALEIROS NAVAIS

Decreto-Lei n.º 478/75 de 1 de Setembro

Considerando a necessidade de prosseguir na via da concretização de uma política económica posta ao serviço das classes trabalhadoras e das camadas mais desfavorecidas da população portuguesa, em cumprimento do Programa do Movimento das Forças Armadas;

Considerando o papel vital desempenhado pela indústria da construção naval na economia portuguesa;

Considerando a necessidade de um planeamento integrado no sector da construção e reparação naval com outros sectores básicos da economia;

Nestes termos:

Usando da faculdade conferida pelo artigo 3.º, n.º 1, alínea 3), da Lei Constitucional n.º 6/75, de 26 de Março, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1.º - 1. São declaradas nacionalizadas a partir da data da publicação deste diploma, as sociedades:

  1. a) Setenave - Estaleiros Navais de Setúbal, S. A. R. L.;
  2. b) Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L.;
  3. As nacionalizações previstas no n.º 1 são feitas sem prejuízo do direito dos actuais titulares de acções representativas do capital privado a serem indemnizados.

Art. 2.º O Estado pagará às entidades privadas titulares de acções das empresas nacionalizadas, contra a entrega dos respectivos títulos, uma indemnização a definir quanto ao montante, prazo e forma de pagamento, em diploma legal a publicar no prazo de cento e oitenta dias, a contar da data do início da eficácia da nacionalização.

Art. 3.º - 1. A universalidade dos bens, direitos e obrigações que integram o activo e o passivo das sociedades a que se refere o artigo 1.º ou que se encontrem afectos à respectiva exploração são transferidos para o Estado, integrados no património autónomo das respectivas empresas ou a elas igualmente afectos.

  1. O disposto no número anterior constitui título comprovativo de transferência, para todos os efeitos legais, incluindo os de registo, sendo em caso de dúvida, título bastante a simples declaração feita pelas respectivas empresas e confirmada pela Direcção-Geral da Fazenda Pública de que os bens se incluem entre os referidos no n.º 1.

Art. 4.º - 1. As empresas nacionalizadas assumirão, em relação a todos os actos praticados e contratos celebrados pelas sociedades referidas, no artigo 1.º, a posição jurídica e contratual que estas detiverem à data do início da eficácia da nacionalização.

  1. As empresas nacionalizadas assumirão igualmente a posição social que as sociedades referidas no artigo 1.º detiverem nas sociedades de que sejam sócias à data do início da eficácia da nacionalização.

Art. 5.º - 1. O pessoal que à data do início da eficácia da nacionalização estiver ao serviço das sociedades referidas no artigo 1.º transitará automaticamente para as empresas nacionalizadas.

  1. Até entrar em vigor o regime a definir no estatuto a que se refere a alínea b) do artigo 2.º do presente decreto-lei, mantêm-se a vigência da legislação aplicável ao trabalho prestado nas sociedades referidas no artigo 1.º, bem como as convenções de trabalho às quais têm estado vinculados as sociedades e o seu pessoal.

Art. 6.º - 1. São dissolvidos os actuais órgãos sociais das sociedades nacionalizadas.

  1. Por despacho do Primeiro-Ministro, sob proposta do Ministro da Indústria e Tecnologia, será nomeada uma comissão administrativa para cada uma das sociedades nacionalizadas, composta por três a cinco membros de reconhecida competência.
  2. Consideram-se designados para as comissões administrativas os delegados do Governo e os administradores por parte do Estado nas sociedades nacionalizadas.
  3. As comissões administrativas exercerão funções até à designação dos titulares dos órgãos de gestão que venham a resultar da reestruturação das empresas nacionalizadas, prevista no artigo 1.º

Art. 7.º - 1. As comissões administrativas terão todos os poderes que pela lei ou pelos estatutos das sociedades onde exerçam funções pertenciam aos conselhos de administração ou de gerência, com excepção:

  1. a) Da faculdade de admissão, promoção, transferência, demissão ou alteração de remunerações ou quaisquer outras regalias dos trabalhadores;
  2. b) Da capacidade para a prática de actos que não estejam estritamente relacionados com as necessidades de gestão corrente das sociedades nacionalizadas.
  3. A prática dos actos mencionados nas alíneas a) e b) do número anterior dependerá, em cada caso, de despacho de autorização do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 8.º As remunerações dos membros das comissões administrativas serão fixadas por despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia, observados os limtes estabelecidos no Decreto-Lei n.º 446/74, de 13 de Setembro, e constituem encargo das respectivas sociedades.

Art. 9.º A responsabilidade perante terceiros, decorrente dos actos de gestão praticados pelos membros das comissões administrativas, será directa e exclusivamente assumida pelo Estado, perante o qual tais membros responderão pelos referidos actos.

Art. 10.º As comissões administrativas elaborarão, após o termo do seu mandato, relatório circunstanciado para apreciação do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 11.º As empresas nacionalizadas serão reestruradas por diploma a publicar no prazo de noventa dias contados a partir da data da publicação deste decreto-lei.

Art. 12.º - 1. A fim de preparar a reestruturação prevista no artigo anterior, constituir-se-á, no Ministério da Indústria e Tecnologia, uma comissão de reestruturação encarregada de:

  1. a) Proceder aos estudos organizatórios, técnicos e económico-financeiros indispensáveis, bem como realizar as diligências que, para o efeito, se mostrarem necessárias;
  2. b) Proceder aos estudos necessários para a elaboração de um estatuto unificado do pessoal e para a sua aplicação escalonada aos trabalhadores, tendo em conta a sua situação actual e a política global de salários e rendimentos definida pelo Governo;
  3. c) Estudar e propor medidas legislativas ou de qualquer outra natureza a adoptar para resolução dos problemas reultantes da execução deste diploma;
  4. d) Estudar problemas relativos à coordenação das diversas empresas do sector da construção e reparação naval, que lhe sejam cometidos por despacho do Secretário de Estado da Indústria e Tecnologia.
  5. A composição da comissão de reestruturação será aprovada em Conselhos de Ministros, mediante proposta do Ministro da Indústria e Tecnologia.
  6. As remuneraçõs dos membros da comissão de reestruturação serão fixadas por despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia, observados os limites estabelecidos no Decreto-Lei n.º 446/74, de 13 de Setembro.
  7. A comissão de reestruturação poderá corresponder-se com quaisquer entidades públicas ou privadas e estabelecer com elas os contactos que considerar necessários, ficando umas e outras obrigadas a fornecer-lhe as informações de que necessitar para o desempenho das suas funções.
  8. A comissão de reestruturação poderá requisitar pessoal ao serviço das entidades do sector e o apoio dos meios materiais das sociedades nacionalizadas e será dotada com os meios financeiros necessários ao exercício das suas atribuições.
  9. As despesas da comissão de reestruturação serão suportadas, rateadamente, pelas sociedades nacionalizadas, de acordo com os critérios fixados em despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 13.º Os membros dos conselhos de administração, de gerência ou fiscal dissolvidos nos termos do presente diploma ficam obrigados a prestar às comissões administrativas as informações e esclarecimentos que se tomarem necessários para o normal exercício das suas funções, sob pena de incorrerem no crime de desobediência qualificada.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros. - Vasco dos Santos Gonçalves - Mário Luís da Silva Murteira - José Joaquim Fragoso - Fernando da Conceição Quitério de Brito.

Promulgado em 20 de Agosto de 1975.

Publique-se.

O Presidente da República, FRANCISCO DA COSTA GOMES

Capturarestal5gov1.JPG

Capturarestal5gov2.JPG

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

DIFÍCEIS, MAS BONS TEMPOS

Por solicitação dos trabalhadores, a 1 de Setembro de 1975, o Governo, através do decreto-lei n.º 478/75, decreta a nacionalização dos ENVC, no sentido de evitar a sua falência.

Os investimentos efetuados numa primeira fase de desenvolvimento e o mau contrato para a construção de dois navios químicos, em 30 de março de 1974, imposto na moeda escudo, considerada suficientemente sólida, deixaram a Empresa em delicada situação financeira.

Em 1981, os seus prejuízos acumulados totalizavam, aproximadamente, 1.360.000 contos. Compreensivelmente, esta situação determinou uma dura política de contenção salarial, obrigando os trabalhadores a um denodado esforço, no sentido de um rápido equilíbrio financeiro. Este empenho foi coroado de êxito, já que em 1982, pela primeira vez em 10 anos, se verifica um resultado positivo de 10.463 contos . E é neste espaço de tempo que os ENVC têm a oportunidade de conquistar o mercado da ex-URSS, aí conseguindo um volume de encomendas que foram preciosas para a definitiva consolidação das suas finanças.

O primeiro contrato com este país verificou-se em Outubro de 1976, prevendo a construção de quatro navios do tipo rio-mar, pelo valor aproximado de 680 mil contos. A partir daí, os contratos foram-se sucedendo até que totalizassem, em 1990, 31 unidades.

VIANA DO CASTELO: GOVERNO CONCEDEU EM 1948 AS DOCAS SECAS AOS ESTALEIROS NAVAIS

Aumenta o prazo do direito de ocupação de uma parcela de terreno situada nos terraplenos norte do anteporto de Viana do Castelo e exploração de docas secas concedido à empresa Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Limitada, pelos artigos 2.º e 5.º do decreto-lei n.º 35570.

Capturarenavvc1.JPG

Capturarestna2.JPG

  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

ERAM TEMPOS DE CONSTRUÇÃO NAVAL EM VIANA

Nos ENVC a terraplanagem e infraestruturação de terrenos teve o seu início em fins de julho de 1944. Pouco depois, iniciou-se a instalação da sala do risco, onde também cabia a sala de desenho, seguindo-se a edificação das caldeirarias. A primeira, ampla e vistosa, respondia às exigências de trabalhos desenhados à escala natural. As segundas, de aspeto sombrio, em terra batida, desprovidas de ventilação. Os trabalhadores diretamente produtivos ainda estavam longe do melhor acomodamento.

Em construção, também, está um colossal buraco na terra que, depois de devidamente amuralhado, ficará com 150 metros de comprimento, por 25 de largura e 20 de profundidade. As mulheres, de gamelas à cabeça, num permanente vai e vem por passadiços improvisados, qual carreiro de formigas, vão removendo milhares de metros cúbicos de entulho. Mais tarde se dará corpo ao espaço que vai ser berço para a construção de navios, que se pretendiam até 10.000 toneladas. Porém, o progresso encarregou-se de, em fase posterior, com técnicas bem mais avançadas, redimensionar a área para navios superiores a 20.000 toneladas. Assim se construía o futuro.

A assinatura da cedência de terrenos por 35 anos permitia uma laboração mais despreocupada. Era menos um percalço.

CONSELHEIRO MIGUEL DANTAS E OS LACTICÍNIOS DE PAREDES DE COURA EM DEBATE NA CÂMARA DOS SENHORES DEPUTADOS DA NAÇÃO PORTUGUEZA

Na Sessão de 29 de Maio de 1903 da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza, foi pela Real Associação de Agricultura enviada uma representação que foi distribuída pelos deputados, relacionada com a produção de lacticínios, através da qual se apresenta um Projecto de Lei. Nela se faz referência a Paredes de Coura e ao Conselheiro Miguel Dantas.

Do Diário da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza trnascrevemos a referida representação.

Miguel_Dantas_Gonçalves_Pereira_e_Bernardina_Mari

Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira e Bernardina Maria da Silva Gonçalves Pereira (1860)

“Projecto de lei

Senhores. - Ninguem pode duvidar que a agricultura representa no nosso paiz uma das principaes fontes de receita para o Thesouro; é sempre para ella que os Governos recorrem quando sentem exhaustos os cofres publicos, é sobre o pobre agricultor que ha muito pesam os mais disparatados impostos, apesar da já velha e repisada phrase parlamentar, de que a propriedade rustica não ha de nem deve pagar mais. Todos sabem que um dos principaes ramos da industria agricola portuguesa é a creação de gados, do norte ao sul do paiz desde o pequeno até ao grande lavrador todos mais ou menos são creadores de gado, principalmente vaccum. Até ha poucos annos a industria lactea apenas era exercida na fabricação de queijos, e só por curiosidade um ou outro fabricava manteiga para uso domestico, e pelo systema o mais atrasado. Nestas condições, era absolutamente impossivel, competir com a antiga manteiga ingleza, que em grandes quantidades era exportada para Portugal.

Acompanhando o progresso appareceu em primeiro logar o Digno Par do Reino Miguel Dantas com a sua manteiga de Coura, e logo depois o Exmo. Marquez da Praia (D. Duarte) com a fabrica da Quinta do Infantado, em Loures. Depois d'estes que podem ser considerados como os iniciadores cresta nova industria em Portugal, seguiu-se a montagem de muitas fabricas no continente e ilhas, algumas produzindo optima manteiga de leite, mas a maior parte d'elles usando e abusando do emprego da margarina. Este preparado de residuos gordurosos de toda a especie e proveniencia, não só deve ser prejudicial á saude, publica, mas é tambem pouco asseiado, basta-lhe para isso a origem da sua materia prima. Este sebo fingindo manteiga, que os fabricantes alcunham com diversos nomes, havendo alguns tão francos que lhe chamam manteiga artificial, tem feito nos ultimos annos uma terrivel o desleal concorrencia, á pura e verdadeira, e portanto um incalculavel prejuizo a um dos mais importantes ramos da agricultura portugueza.

Com esta bodega que por ahi se vende a 600 e 700 réis o kilogramma não póde por forma alguma concorrer a manteiga feita de nata, pois são necessarios 25 ou 26 litros de leite para produzirem 1 kilogramma de manteiga!!

É para todas estas considerações que eu tenho a honra de chamar a vossa esclarecida attenção, e a reconhecida boa vontade do illustre Ministro das Obras Publicas, a quem sobram recursos e aptidões para bem desempenhar os deveres do seu alto cargo. Trate S. Exa. de favorecer a agricultura que tão descurada tem sido pelos seus antecessores, e fique certo que prestará um relevante serviço ao seu paiz.

N'esta conformidade tenho a honra de submetter á vossa apreciação o seguinte projecto de lei:

Artigo 1.° Fica expressamente prohibido no fabrico de manteiga o uso da margarina, ou de qualquer outra substancia gordurosa que não seja a extrahida do leite.

Art. 2.° Será punido cura a multa de 300$000 réis aquelle que pela primeira vez transgredir o que fica determinado nesta lei, e com a, quantia de 1:000$000 réis no caso de reincidencia.

Art. 3.° Fica revogada a legislação em contrario.

Sala das sessões, 27 de maio de 1900. - O Deputado por Lisboa, Antonio Maria Dias Pereira Chave Mazzioti.

Foi enviado á commissão de agricultura.”

Capturarpardoreinomanteiga.JPG

PONTE DE LIMA VAI TER PÓLO INDUSTRIAL EM CALVELO

Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou o Projeto do Pólo Industrial de Calvelo, pelo valor de 3 200.000€

A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou na reunião de 8 de março, o projeto do Pólo Industrial de Calvelo.

Capturarcalvelo.JPG

Localizado na rua do Couto, na freguesia de Calvelo, o futuro Pólo Industrial, representa um investimento no valor de 3 200.000€. Com uma área total de 141 673,0 m2, será composto por 42 lotes, para a construção de armazéns industriais, com possibilidade acessória de comércio e serviços.

A dinamização do futuro Pólo Industrial de Calvelo assenta num espírito de desenvolvimento integrado e autossustentado, sendo admitidas atividades industriais e de armazenagem não poluentes e que não impliquem a armazenagem ou manipulação de produtos perigosos, assim classificados de acordo com a legislação em vigor.

De acordo com o projeto desta infraestrutura, o licenciamento da atividade está sujeito às entidades competentes, de acordo com a legislação em vigor, sendo da competência da Câmara Municipal o licenciamento da construção e de utilização.

Como entidade gestora do Pólo Industrial de Calvelo, o Município de Ponte de Lima assume a prestação de serviços comuns no interesse direto dos operadores económicos a instalar no Pólo Industrial.

O trânsito e acesso aos vários lotes é feito por um arruamento central que deriva da rua de Couto de Calvelo, que desemboca numa área de impasse que serve de estacionamento de veículos pesados, e que dispões da área necessária para efeitos da inversão do sentido de circulação. Esta configuração poderá permitir uma continuidade do acesso numa eventual futura expansão do loteamento para Norte.

O estacionamento de viaturas ligeiras desenvolve-se ao longo do arruamento principal nos dois sentidos de circulação e perpendicularmente ao sentido de trânsito para rentabilizar ao máximo o número de lugares de estacionamento.

CORREIO DA MANHÃ DESTACA NA SUA EDIÇÃO DE HOJE A PRODUÇÃO PREVISTA DE VACINAS EM PAREDES DE COURA

Capturarvacicou.PNG

Corrida para conseguir mais vacinas contra a Covid-19: Fábrica no Minho vai começar a produzir em breve

Indústria portuguesa ajuda Europa a aumentar número de doses. Costa admite passaporte de vacinação europeu até ao verão.

O primeiro-ministro, António Costa, deu esta sexta-feira a garantia aos líderes da União Europeia que a indústria portuguesa também irá contribuir para o “esforço coletivo” de todos os Estados-membros para aumentar a produção de vacinas contra a Covid-19.

Numa cimeira virtual, os 27 Estados-membros assumiram como grande prioridade acelerar a produção de vacinas na União Europeia (UE).

António Costa garantiu que Portugal já comunicou a Bruxelas “as capacidades diversas da indústria farmacêutica nacional” e lembrou que, além da reprogramação do quadro de aplicação dos fundos da UE no âmbito do programa ‘Portugal 2020’, foram criadas “linhas de crédito para a reconversão de linhas industriais para a produção dos mais diversos materiais de combate à Covid-19”.

Por outro lado, recordou, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal está a trabalhar, na instalação de uma unidade fabril, no município de Paredes de Coura, que “terá também capacidade de produção de vacinas”.

O primeiro-ministro afirmou que a falta de dados científicos consolidados condiciona, para já, a criação de um “certificado verde europeu” mas que, “até ao verão”, é provável que o documento passe a existir.

A Comissão Europeia comprometeu-se a preparar nos próximos meses um certificado comum a toda a UE que “permita atestar que uma pessoa já esteve contaminada com o vírus, ou que está devidamente vacinada ou que realizou um teste negativo”. O objetivo, disse Costa, é permitir “maior liberdade de circulação e menor necessidade de recurso a medidas como a quarentena”.

Fonte: Vanessa Fidalgo / Correio da Manhã

img_900x509$2021_02_24_09_42_05_1015559.jpg

FAMALICÃO: INJEX PRODUZ OS PRIMEIROS ÓCULOS DE PROTEÇÃO DE MARCA PORTUGUESA

Looksafety é o novo produto da empresa famalicense impulsionado pela covid-19

A Injex, empresa industrial de Vila Nova de Famalicão especializada na produção de componentes técnicos em plástico pelo processo de injeção para todo o tipo de máquinas, começou a produzir os primeiros óculos de proteção individual de marca portuguesa.

Óculos de Proteção CF028944.jpg

Looksafety – que significa “olha com segurança” – é a marca já registada que designa o novo produto português nascido em Vila Nova de Famalicão e impulsionado pela necessidade de proteger da pandemia da covid-19 muitos profissionais de diversos setores de atividade.

Os novos óculos de proteção, que se distinguem por várias particularidades, sendo uma delas o facto de permitirem o uso em simultâneo dos óculos de leitura, têm como público-alvo em especial os trabalhadores do setor da saúde e proteção civil – hospitais, bombeiros, laboratórios, recursos humanos de lares, autarquias, etc. – mas também trabalhadores cujo trabalho implique uma proteção ocular eficaz e segura.

Os óculos Looksafety são totalmente portugueses e o projeto foi construído de raiz, auscultando quem mais deles necessitava, e por isso, desde o formato, ao design, matéria-prima utilizada, permitir a reutilização, o conforto, tudo foi aperfeiçoado tendo em conta o “feedback” de quem todos os dias depende destes equipamentos de proteção individual.

Esta é a história de como uma empresa aproveitou a pandemia para criar um produto cada vez mais necessário em muitas empresas e nos serviços de saúde e proteção civil, que são os óculos de proteção individual para profissionais – cuja produção, até agora, era quase um exclusivo asiático.

Aproveitando aa sua capacidade instalada, a Injex começa agora a produzir os primeiros óculos de proteção individual para profissionais totalmente portugueses e devidamente certificados para a Europa sob a marca Looksafety.

No primeiro momento em que se apercebeu que a covid-19 se estava a instalar com um grande impacto em Portugal, o empreendedor José Duarte Pinheiro de Lacerda, fundador e CEO da Injex, juntamente com um parceiro, a 4Valve, da Maia, uniram o know-how existente nas duas empresas e lançaram mãos à obra da criação do novo produto.

“Foi o nosso contributo para minimizar os efeitos nefastos e ainda imprevisíveis da pandemia junto dos hospitais, bombeiros, laboratórios, recursos humanos de lares, assim como nas empresas cujos trabalhadores precisam de uma boa proteção ocular”, explica Pinheiro de Lacerda.

Foi assim que nasceram os óculos Looksafeety, marca portuguesa agora lançada no mercado. “Não existia oferta nacional em número suficiente para dar resposta às necessidades mais urgentes e continuadas”, observa o CEO da Injex.

Mesmo a nível europeu, a oferta deste tipo de material de proteção individual “é muito escassa”, afirma Pinheiro de Lacerda, restando apenas os equipamentos que vinham dos países asiáticos, mas que, em termos logísticos, não permitiam uma resposta rápida.

“Deixa-nos orgulhosos que hoje possam adquirir um produto de qualidade, português, desenhado a pensar em todos os que precisam de proteger uma área tão sensível e valiosa como é a nossa visão”, comenta, a propósito, José Duarte Pinheiro de Lacerda.

E acrescenta: “Estamos a falar de um equipamento que pode não só ser usado como proteção à covid-19, mas também em tantas outras atividades e tarefas em que no dia-a-dia exige proteção suplementar.”

Óculos de Proteção CF028950.jpg

REVISTA "VISÃO": FÁBRICA DE VACINAS EM PAREDES DE COURA JÁ DAQUI A UM ANO

Fábrica de vacinas em Paredes de Coura já daqui a um ano, um projeto que “declara morte à geografia”

LM-Fabrica-de-V-acinas-3-1600x1008.jpg

Ao captar para o seu território a farmacêutica galega Zendal, Paredes de Coura pode ser o único sítio onde se fabricarão vacinas víricas em Portugal, com a porta aberta ao combate à Covid-19.

 

É com entusiasmo que o presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira, tem mostrado a sua mais recente conquista: a construção, no parque industrial de Formariz, da primeira etapa de uma fábrica de vacinas víricas que começará a produzir em janeiro do próximo ano. O autarca ostenta “adrenalina” pelo investimento captado e orgulho por ver que “a paixão que se põe nas coisas” proporciona a tão ambicionada “rapidez nos processos”. E este investimento pode ser uma grande mais-valia para o seu município. “Isto aqui a trabalhar é a Champions League. E ganhamos 5 a 0”, atira, mais tarde, já no seu gabinete, satisfeito pelo trabalho realizado pela sua equipa. “O festival não nasce aqui por acaso. A primeira coisa que digo aos empresários é a verdade. Não se brinca. Se não posso, não posso. Se não consigo, não consigo.” Desta vez, conseguiu.

A seu lado, mais discreto, está o galego Andrés Fernández, CEO da Zendal, a farmacêutica que será uma das que, na Europa, fabricarão as vacinas Covid para a multinacional norte-americana Novavax e que ali investiu agora 15 milhões de euros. Valor que pode crescer até aos 80 milhões quando completar as cinco fases do seu plano de expansão. Para já, a vacina contra a Covid-19 não passa por Paredes de Coura, mas a porta fica aberta para o futuro. É visível a cumplicidade, as “relações de lealdade” e a “familiaridade” que unem o gestor a Vítor, sobretudo quando sorri com o olhar a cada momento em que o autarca fala. “Somos uma companhia familiar” – vai explicando – “e, por isso, é muito mais fácil investir num lugar como este, de baixa densidade, do que ir para Madrid, com quatro milhões de habitantes. São pequenas coisas que parece que não têm importância, mas para nós têm.”

Paredes de Coura, para onde muitos rumam durante o festival de verão, tem 9 198 habitantes e, por isso, o estatuto de baixa densidade que lhe proporciona alguma competitividade na captação de investimento estrangeiro. Do ponto de vista fiscal, os impostos são mais baratos, quer em relação a concelhos vizinhos quer em relação a Espanha. Mas Andrés Fernández rejeita liminarmente ter sido essa a razão da escolha. “Isso está sempre a mudar. Hoje é 23, amanhã 25, depois passa para 29… E eu que faço? Vou embora?”, questiona, argumentando de seguida que “uma das vantagens das unidades industriais é que se enraízam nas povoações”, sendo difícil mudá-las de lugar depois. “Finalmente a Europa está a mudar e a perceber que é importante ter indústria e que esta é um benefício para a comunidade. Não podemos desenvolver territórios de baixa densidade só com agricultura.”

O “namoro” entre Vítor e Andrés tem dois anos. Foram apresentados por “amigos em comum” quando a Zendal, uma PME espanhola, instalada em Porriño, a meia hora de distância de Paredes de Coura, começou a procurar um novo lugar para erguer uma segunda fábrica de vacinas. Procurou em França, Espanha, noutros concelhos portugueses. Acabou por se fixar em Paredes de Coura.

“Começámos a falar em setembro de 2018. Estabelecemos uma relação de confiança. E o primeiro acordo de cedência do terreno foi no seu escritório, em Espanha, em agosto de 2019”, conta à VISÃO o autarca de Paredes de Coura. Andrés Fernández recorda: “A primeira coisa que lhe disse foi: ‘Vítor, preciso de água, muita água.’ E ele disse que aqui teria toda a que quisesse. A água é o mais importante para o fabrico de vacinas. Depois acrescentei: ‘Preciso de gás natural.’ E ele disse: ‘Gás não tenho, mas arranjo’.”

“Vamos ter gás em agosto”, atira Vítor Paulo Pereira, satisfeito e divertido. “A Portgás, que tem a concessão, tinha obrigações e prazos legais para cumprir connosco, até para trazer o gás para consumo doméstico. Mas como não era apetecível, tinha-se esquecido”, ironiza. “Quando lhe falámos desta empresa, já foi ouro sobre azul. E a partir do momento em que o gás chega à zona industrial também chega aos consumidores domésticos.”

O autarca sente que este foi mais um golo baliza adentro. Assim como tem o compromisso de ter uma via rápida construída até ao final do ano que ligará a zona industrial à A3, evitando as duas dezenas de quilómetros da estreita estrada recheada de curvas e contracurvas do presente. “Mas, atenção. Vendemos-lhe o terreno de cinco hectares por 300 mil euros. Não foi dado, como muitos julgam. E vai pagar derrama, que aqui não perdoamos.”

O edifício agora construído ocupa 2 800 metros quadrados. “Temos um plano a longo prazo, em cinco fases. Inicialmente, empregaremos 30 pessoas, mas a intenção é chegar às 250. Começaremos com a produção de vacinas víricas de três tipos diferentes. Se levarmos tudo adiante, haverá poucas instalações na Europa deste nível. E com investigação própria”, promete o CEO galego.

E os olhos de Vítor brilham novamente, fazendo conta à contribuição do município para os valores da exportação: “Em 2013, tínhamos sete milhões, dois anos depois já tínhamos 50. Hoje estamos nos 100 milhões e, com a Zendal, vamos aumentar ainda mais.” Atualmente, a fábrica de calçado Kyaia, da portuguesa Fly London, e a Doureca, ligada à indústria automóvel, são alguns dos exemplos das indústrias exportadoras da vila.

Com a Zendal, fica também a promessa da criação de um “centro de empreendimento biotecnológico”, para a Galiza e o Norte de Portugal, atraindo assim emprego qualificado. “Estamos em contacto com as universidades para desenvolver projetos: com o laboratório ICVS-3B’s da Universidade do Minho, o politécnico de Viana do Castelo, e o i3s, ex-Ipatimup, do Porto”, adianta Andrés Fernández, explicando que investem cerca de 10% das vendas em investigação, tendo a tradição de criar sempre parcerias.

Tal exigirá um novo perfil de licenciados, muito centrados no conhecimento. O autarca sonha: “É também uma forma de fixar talento no território. Por isso, já temos um projeto de 27 casas a custos controlados e a construção de mais 50 noutra zona. É preciso criar condições para habitação, assim como criar um ambiente cultural.” Ele bem sabe que “o emprego é a única forma de as terras sobreviverem”. Remata: “Trazer esta empresa é uma declaração de morte à geografia e ao discurso triste do ‘estamos aqui e ninguém nos liga’.”

Cesaltina Pinto / Visão

Foto: LM

MUNICÍPIO DE PONTE DE LIMA APROVOU PROJETO DE REGULAMENTO DO PÓLO INDUSTRIAL DO GRANITO DAS PEDRAS FINAS

A Câmara Municipal de Ponte de Lima, na reunião de 25 de janeiro aprovou o projeto de Regulamento do Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas.

obra_polo_industrial_granito_3_1_1366_728.jpg

Dotado de condições ímpares, este é o único Pólo Industrial dedicado exclusivamente à transformação de pedra. Dispondo de uma área de cerca de 22 hectares, dividido por 28 lotes, cujas áreas variam entre os 900m2 e os 20.000m2, o Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas, localiza-se no lugar da Presa, no Monte de Antelas, em Arcozelo, nas proximidades das áreas de extração de granito.

A criação deste Pólo Industrial assenta num espírito de desenvolvimento integrado e autossustentado, com o objetivo de valorizar e induzir externalidades do que é "natural". Esta lógica de sustentabilidade está assente em projetos que permitem criar simultaneamente riqueza e bem-estar às comunidades locais, permitindo o reordenamento e deslocalização das empresas dispersas, permitindo-lhes o uso partilhado de infraestruturas e serviços, passando a dispor de condições para se reorganizarem na modernização e inovação.

Como entidade gestora do Polo Industrial do Granito das Pedras Finas, o Município de Ponte assume a prestação de serviços comuns no interesse direto dos operadores económicos a instalar no Pólo Industrial.

Assim, o regulamento do Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas, aprovado por unanimidade pelo Executivo Municipal, tem como objetivo o estabelecimento das condições de alienação dos direitos de propriedade sobre os lotes que constituem o Polo Industrial do Granito das Pedras Finas, uso, ocupação e transformação do solo.

O projeto de Regulamento do Pólo Industrial das Pedras Finas, será submetido para apreciação e aprovação da Assembleia Municipal de Ponte de Lima.

FAMALICÃO: TURISMO INDUSTRIAL TEM "ENORME POTENCIAL" PARA REERGUER O SETOR

Estratégia promovida pela Câmara Municipal de Famalicão elogiada em “Webinar: Turismo industrial: Partilha de boas Práticas - Desafios e Oportunidades”

O presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), Luís Pedro Martins, apontou Vila Nova de Famalicão como exemplo de um município onde se desenvolve o Turismo Industrial assente numa estratégia diferenciadora, que privilegia experiências autênticas e descobertas originais. O responsável falava durante o “Webinar: Turismo industrial: Partilha de boas Práticas - Desafios e Oportunidades”, que decorreu na passada sexta-feira e contou ainda com a intervenção da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que encerrou o evento.

Museu da Industria Têxtil.jpg

Luís Pedro Martins referiu que “o turismo industrial que se desenvolve em Vila Nova de Famalicão no âmbito da marca “Famalicão Cidade Têxtil”, é  complementado, numa perspetiva de ‘cross selling’ , com o enoturismo e com os produtos locais ‘made in Famalicão – Produto que é Nosso, que inclui mais de 80 produtos reconhecidos”.

O responsável defendeu que a região tem um “enorme potencial” para se afirmar como destino do turismo industrial, podendo ser um caminho para reerguer o setor pós covid-19. “O Norte de Portugal tem um enorme potencial para se afirmar como destino por excelência do turismo industrial, contribuindo para o seu prestígio e notoriedade. Estamos a trabalhar em rede, a nível nacional em estreita ligação com o Turismo de Portugal, e também a nível regional de forma muito próxima e com o envolvimento direto e ativo dos municípios e parceiros, para edificarmos e consolidarmos um produto devidamente estruturado com o contributo de todos”, afirmou.

Isso mesmo salientou também, o Vereador do Turismo de Famalicão, Augusto Lima, que também participou no webinar, destacando o papel ativo e imprescindível de cada um dos agentes que integra o Roteiro Famalicão Turismo Industrial, tendo afirmado que “a Câmara Municipal é um facilitador neste processo de estruturação de produto, com um importante papel na animação da rede e promoção do produto”. O vereador referiu que esta rota integra áreas onde há um enorme potencial turístico para ser conhecido e visitado e sublinhou que sendo Famalicão sendo uma verdadeira referência a nível industrial, detentora da marca Cidade Têxtil, tem todas as condições para fazer desta nova aposta um projeto de grande sucesso turístico.

Refira-se que o Turismo de Portugal, IP., lançou, em janeiro de 2020, o Turismo Industrial - Programa de estruturação da oferta 2020, pretendendo dar um impulso à consolidação da rede de Turismo Industrial. Neste enquadramento, promoveu a constituição do Grupo Dinamizador da Rede Nacional de Turismo Industrial. O Município de Vila Nova de Famalicão foi convidado a integrar este Grupo Dinamizador logo na sua génese, a par de mais cinco Municípios, atendendo ao trabalho que tem vindo a realizar no âmbito do produto Turismo Industrial e por ter sido reconhecido com o Prémio ALA+T.

O Grupo Dinamizador da Rede Nacional de Turismo Industrial tem vindo a trabalhar na estruturação da oferta, na capacitação dos agentes e na sinalização e partilha de boas práticas. Foi neste âmbito que se realizou este Webinar que contou ainda com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de São da Madeira, Luís Araújo, na qualidade de presidente do Turismo de Portugal, do diretor do Turismo de São Bernardo do Campo (Brasil), entre outros.

A iniciativa contou com mais de 600 participantes, nacionais e internacionais, sendo de destacar as participações internacionais do Brasil, de várias regiões de Espanha, do Canadá.

adega casa da torre.JPG

DIÁRIO DE NOTÍCIAS DESTACA NA SUA EDIÇÃO DE HOJE: PAREDES DE COURA VAI PRODUZIR VACINAS ANTI-COVID 19

Exclusivo "Fábrica de vacinas é boa vitória para Paredes de Coura e uma boa conquista para o país"

Capturarvacicou.PNG

A empresa espanhola de biotecnologia Zendal vai criar uma unidade de produção industrial de vacinas na vila minhota. Presidente de câmara destaca a importância do projeto, num investimento de 15 milhões de euros.

Capturarpcdncou.PNG