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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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INDÚSTRIA AUTOMÓVEL VAI CRIAR MAIS 500 EMPREGOS EM VIANA DO CASTELO ATÉ FINAL DO ANO

O cluster automóvel de Viana do Castelo vai criar mais 500 empregos em Viana do Castelo até final de 2021. A garantia foi dada por empresários da indústria automóvel durante o seminário “Glocal: Pensar global, agir local”, promovido pelo Jornal de Negócios em parceria com a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

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As empresas apresentaram novos projetos de investimento no concelho, nomeadamente a nova unidade fabril da Borgwarner e a nova unidade da Serratec, bem como a Aludec que já está a entrar na fase de laboração e que, até ao final do ano, preveem gerar cinco centenas de novos postos de trabalho.

Na conferência marcaram presença representantes da Borgwarner, Bontaz, Serratec, Aludec e Viana Plásticos, que fizeram referência à centralidade de Viana do Castelo para a instalação e ampliação de investimentos, destacando também o facto de encontrarem, no concelho, trabalhadores com a formação adequada. Os empresários realçaram ainda a boa articulação com as instituições de formação profissional e o apoio de entidades públicas como a Câmara Municipal de Viana do Castelo, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

A evolução do cluster automóvel foi o grande destaque da conferência, já que o setor triplicou o volume de negócios no concelho entre 2009 e 2018, aumentando cerca de 20% as exportações totais do município e o emprego cerca de 7%, valores reforçados em 2019.

O Presidente da Câmara Municipal, José Maria Costa, anunciou que está a ser preparada a instalação de um Centro de Formação Profissional, em parceria com o IEFP, para reforçar a mão de obra especializada, que deverá surgir na Zona Industrial Alvarães Norte.

“Temos tido o apoio da AICEP, IAPMEI e CCDR-N, mas é igualmente importante a articulação com as nossas instituições de formação, universidades e politécnicos. Nesse sentido, orgulho-me em destacar um acordo com o IEFP, onde avançaremos para a construção de um centro de formação profissional em Alvarães que vai dar resposta a projetos e criar mão-de-obra especializada que é fundamental para o ramo da indústria automóvel”, indicou, explicando que este será um centro em parceria com o IEFP, com as escolas e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).

José Maria Costa realçou ainda que o crescimento do cluster automóvel no concelho é para continuar, dando conta de que há “um ambiente favorável para a instalação de mais empresas” de um sector que já emprega 2.300 pessoas no concelho.

Já o Secretário de Estado Adjunto e da Economia, João Neves, disse que Viana do Castelo “é claramente um exemplo de que é possível fazer diferente e que fazer diferente pode dar resultados”. “Esperamos que esta captação de investimento com resultados acima da média possa manter-se nos próximos anos”, frisou.

O Presidente da CCDR-N, António Cunha, assegurou que “em nove anos, um município que cresce três vezes os indicadores de um determinado sector é notável”. “Passar dos 84 milhões para 266 milhões tem de ser felicitado”, considerou o responsável.

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BRAGA: PROJECTO DE AMPLIAÇÃO DA BOSCH RECONHECIDO COMO EMPREENDIMENTO ESTRATÉGICO PARA O CONCELHO

Projecto prevê um investimento de mais de 15 milhões até 2025

O Executivo Municipal avançou com uma proposta de reconhecimento de empreendimento estratégico para o projecto de ampliação da unidade industrial da Bosch Car Multimedia, localizada na União de Freguesias de Lomar e Arcos S. Paio. A proposta será analisada em sede de Reunião do Executivo, a realizar na próxima Segunda-feira, dia 28 de Junho, e posteriormente sujeita a discussão pública e a aprovação da Assembleia Municipal. 

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A Bosch Car Multimedia pretende realizar um investimento superior a 15 milhões de euros, até 2025, na construção de dois novos edifícios - para aumentar a sua capacidade produtiva e tecnológica, assim como a sua actividade de Investigação e desenvolvimento - e num parque de estacionamento e arranjos exteriores. Este investimento irá contribuir para a valorização da estrutura económica e empresarial do Concelho e estima-se que gere cerca de 50 novos postos de trabalho no período de três anos.

O Município de Braga e a InvestBraga reconhecem a importância estratégica do projecto para o desenvolvimento do Concelho. Nos termos do regulamento do PDM, o reconhecimento de interesse público implica a dispensa de avaliação ambiental estratégica e a submissão do projecto a um procedimento de discussão pública por um período não inferior a 20 dias úteis. 

O reconhecimento de interesse público no âmbito do empreendimento estratégico é enquadrável em projectos de elevado carácter inovador na área da indústria e que contemplem valores superiores a 2 milhões de euros. 

“A Bosch é uma empresa de vanguarda extremamente importante para a economia do Concelho e para as populações. Mantém ainda um carácter inovador e uma parceria estratégica que valorizamos bastante com a Universidade do Minho e que contribui para a produção de conhecimento a partir de Braga”, realçou Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga. 

FAMALICÃO: TRÍADE TÊXTIL UNIDA EM PROCESSO COMPLETO DE ECONOMIA CIRCULAR

Há décadas que as empresas têxteis famalicenses se dedicam à reciclagem têxtil numa evidência do pioneirismo nas questões da sustentabilidade. Em Vila Nova de Famalicão surge agora um projeto que junta o conhecimento, a experiência e as competências de três empresas com esse passado, desenhado e desenvolvido como um modelo da sustentabilidade assente na economia circular.

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Recutex, Fiavit e Lurdes Sampaio são os players do projeto Rfive, movidos pelo desafio de tornar o velho em novo e de criar um processo baseado no conceito “zero waste (lixo zero)”.  

Assim, a primeira empresa faz a reciclagem de fibras têxteis a partir de peças de vestuário sem uso ou em fim de vida que recebe de marcas e desperdícios da confeção; a segunda produz novo fio já reciclado a partir dessas fibras; a terceira usa esse fio com alta percentagem de fibras recicladas na produção de novas malhas que introduz nas suas coleções e que darão origem a novas peças de vestuário.

“A consciência social e ambiental nas empresas tem revelado iniciativas de sucesso na indústria têxtil e do vestuário e este projeto pretende ser um grande contributo para uma cadeia têxtil sustentável e um consumo mais consciente, minimizando o impacto ambiental em todo o seu processo”, explica Conceição Sampaio, CEO da empresa fundada pela mãe, Lurdes Sampaio.

“Trata-se de um projeto chave na mão que incorpora mais de meio século de experiência na produção de fibras recicladas num projeto global”, aponta, por seu lado, João Valério, administrador da Recutex e da Fiavit.

O nome do projeto Rfive remete para cinco dos princípios basilares da sustentabilidade e economia circular: reduzir, reutilizar, reciclar, renovar e restaurar.

O processo inicia-se com a recolha de resíduo têxtil, seguindo-se a escolha, separação e preparação das fibras têxteis recicladas e depois a fiação da fibra reciclada, terminando na produção de malha com algodão reciclado. “Consequentemente, obtemos uma produção sem emissão de CO2, sem consumo de água e sem uso de produtos químicos. Conseguimos, dessa forma, fechar um ciclo de economia circular”, enfatiza João Valério.

A ideia surgiu com o propósito de antecipar as normas e os objetivos da União Europeia relacionados com a reciclagem têxtil para 2025, envolvendo desde já as principais marcas no processo, o que, nas palavras daquele responsável, deu lugar a um produto final de qualidade que este consórcio pretende disponibilizar a todos os agentes nacionais e internacionais do setor.

“Agora pode dizer-se, literalmente, que a reciclagem está na moda por força da sua incorporação cada vez maior na cadeia têxtil. Só assim contribuímos para mundo melhor e, nesta matéria, o concelho de Famalicão dá o exemplo”, remata João Valério.

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GUIMARÃES: ETIQUETA DA EMPRESA “COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS

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Etiqueta para indicação de metros, série e número. / Fábrica da Avenida e Fábrica de Campelos

A Companhia de Fiação e Tecidos de Guimarães foi constituída por escritura pública celebrada no dia 7 de maio de 1890.

Entrou em atividade no dia 1 de junho do mesmo ano, sob orientação dos seus primeiros diretores, o Visconde de Sendelo, Domingos Martins Fernandes e Pedro Pereira da Silva Guimarães.

Os fundadores compraram cerca de 140 mil metros quadrados de terrenos na margem esquerda do rio Ave, assim como todas as rodas e moinhos ali existentes.

Com o capital inicial (trezentos e cinquenta contos de reis) construíram o edifício fabril que ocupava 19 mil metros quadrados.

Os estudos, plantas, obra hidráulica exterior e montagem técnica foram realizados por Alexandre Rea, engenheiro da companhia John Hetherington & Sons, de Manchester. A obra, de grande dimensão e complexidade, foi dirigida pelo engenheiro James Lickfold, outro inglês bem recomendado pelo trabalho realizado com a montagem e gestão da Fábrica do Bugio (Fafe).

Em fevereiro de 1893 a gigantesca fábrica foi inaugurada. Em 2 de junho de 1897, James Lickfold fundou a Fábrica a Vapor de Tecidos de Linho de Guimarães (Fábrica da Avenida), que poucos anos mais tarde seria incorporada na Companhia, resultando na maior unidade industrial de Guimarães.

As duas fábricas apoiavam-se nas duas mini-hídricas construídas no rio Ave: uma em Campelos, junto à ‘fábrica-mãe’, a outra em Ronfe, onde ainda hoje funciona uma estação para produção de energia elétrica.

Fonte: Arquivo Municipal Alfredo Pimenta

VIANA DO CASTELO: QUEM AINDA SE LEMBRA DA CELNORTE?

A Presidência do Conselho e Ministério da Economia - Secretaria de Estado da Indústria, através do Decreto-Lei nº. 48469, publicado em Diário do Governo n.º 158/1968, Série I de 5 de Julho de 1968, declarou a utilidade pública e a urgência da expropriação requerida pela firma Celnorte - Celulose do Norte, S. A. R. L, das parcelas de terreno necessárias à instalação de uma fábrica de pasta de celulose na região de Viana do Castelo.

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FAMALICÃO: RACLAC CADA VEZ MAIS FORTE

A Raclac, fabricante de dispositivos médicos descartáveis, está a preparar uma nova fase de investimento que poderá ascender a 50 milhões de euros com a criação de duas novas linhas de produção.

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A concretizar em Vila Nova de Famalicão, mantendo assim a matriz de forte ligação local, este projeto pretende reforçar, através da expansão da capacidade produtiva instalada, a vocação exportadora da empresa, “criando emprego, gerando riqueza, estabelecendo parcerias e valorizando o território”, afirma Pedro Miguel Costa, fundador e CEO da Raclac.

Em 2018, com a nova unidade sediada na freguesia de Cruz e que custou 30 milhões de euros, a Raclac tornou-se na primeira fábrica da Europa de luvas de exame em nitrilo sem pó, de uso único, capaz de produzir 830 milhões de luvas por ano.

Em causa está um processo produtivo “inovador e único no mundo”, de acordo com aquele responsável, baseado numa tecnologia desenvolvida pela própria empresa ao longo de cerca de três anos, e que “revolucionou por completo a indústria de produção de luvas de exame a nível mundial”. Desde logo, porque é 100% automatizado, sem intervenção humana desde a entrada da matéria-prima até ao embalamento do produto acabado.

Todo o processo produtivo é feito em ambiente controlado e a embalagem onde as luvas são acondicionadas, impermeável e estanque, contribui para a eliminação do risco associado a contaminação cruzada.

Pedro Miguel Costa afirma que a automatização da produção e o elevado nível técnico de todo o processo assentam em políticas de sustentabilidade ambiental. “Temos uma estação de pré-tratamento de águas residuais que possibilita o reaproveitamento de, pelo menos, 60 por cento da água tratada para reutilização no processo produtivo, bem como a reutilização de águas pluviais”, explica.

O ano de 2020 foi de crescimento tanto em volume de negócios como em número de colaboradores, com a faturação a ultrapassar os cinquenta milhões de euros, o que representa um valor cerca de quatro vezes superior ao do ano anterior, e o efetivo de profissionais a fixar-se nos 90. A estes resultados não é alheio o facto de a empresa ter fornecido o país com luvas descartáveis, imprescindíveis no combate contra a Covid-19.

A Raclac tem os seus produtos presentes em vários mercados internacionais, nomeadamente na Europa, estando focada na expansão para a América do Norte e o Japão. “Vamos dar passos importantes para concretizar a visão estratégica que temos e a ambição de transformar a Raclac numa empresa global”, remata.

Este novo projeto de investimento foi dado a conhecer presencialmente ao Presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, e ao Vereador da Economia, Empreendedorismo e Inovação, Augusto Lima, na passada quinta-feira, 27 de maio.

Para o edil o novo projeto de investimento da Raclac contribuirá para o robustecimento da indústria 4.0, corporizando da melhor forma esta quarta revolução industrial, ao mesmo tempo que será mais uma oportunidade para cativar e reter talento no concelho de Vila Nova de Famalicão.

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PONTE DE LIMA: HABITANTES DA CABRAÇÃO FORAM EM 1942 EXPROPRIADOS EM BENEFÍCIO DA EMPRESA QUE EXPLOROU A MINA DOS MONTEIROS

O Ministério da Economia - Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, através do Decrecto 32109, publicado em Diário do Govêrno n.º 147/1942, Série I de 26 de Junho de 1942, concedeu à Compagnie Française des Mines, concessionária da mina denominada Monteiro, situada no concelho de Ponte do Lima, a expropriação por utilidade pública de vários terrenos para assegurar o abastecimento de água à lavaria e construir uma barragem destinada a reter as areias provenientes da oficina de tratamento do minério.

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PONTE DE LIMA VAI TER POLO INDUSTRIAL EM CALVELO

Câmara Municipal de Ponte de Lima aprova Empreitada de Construção do Polo Industrial de Calvelo num investimento superior aos 3 milhões de euros

A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou a Empreitada de Construção do Polo Industrial de Calvelo, que representará um investimento no valor de 3.200.000€. Com uma área total de 141.673,0 m2, será composto por 42 lotes destinados à construção de armazéns industriais, com possibilidade acessória de comércio e serviços.

A dinamização do Polo Industrial de Calvelo assenta num espírito de desenvolvimento integrado e autossustentado, sendo admitidas atividades industriais e de armazenagem não poluentes e que não impliquem a armazenagem ou manipulação de produtos perigosos, assim classificados de acordo com a legislação em vigor.

Enquanto entidade gestora do Polo Industrial de Calvelo, o Município de Ponte de Lima assume a prestação de serviços comuns no interesse direto dos operadores económicos a instalar nesta nova área industrial, sendo da sua competência o licenciamento de construção e de utilização.

Localizado na rua do Couto, na freguesia de Calvelo, este Polo vem dar continuidade e fortalecer o propósito do Município de Ponte de Lima, de incrementar a atividade económica no concelho, promovendo uma dinâmica capaz de atrair investimento para o território, assim como a fixação empresas e trabalhadores.

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VIANA DO CASTELO: ESTALEIROS NAVAIS CONSTRUÍRAM NAVIOS TANQUES QUÍMICOS PARA A NORUEGA EM 1974

Os Ministérios das Finanças e da Economia, através da Portaria n.º 922/73 de 28 de Dezembro, publicada no Diário do Governo n.º 300/1973, 1º Suplemento, Série I de 28 de Dezembro de 1973, autorizou o Fundo de Fomento de Exportação a garantir a Companhia de Seguro de Créditos dos riscos comerciais, de fabrico e de crédito, relativos à exportação de dois product chemical tankers a efectuar por Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L., para a empresa Westfal-Larsen and Co., A/S, da Noruega.

Na mesma ocasião, foi pelos mesmos ministérios publicada a Portaria n.º 923/73 de 28 de Dezembro, relativa a dois product chemical tankers a efectuar por Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L., para a empresa A/S Rederiet Odfjell, de Minde, Noruega.

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  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

NOVOS DESAFIOS

Com a política expansionista e de evolução técnica e tecnológica, outros e novos desafios se deparavam aos ENVC, entre eles, a conquista dos mercados internacionais. O conseguido até à data era pouco mais que residual, considerando a sua real valia no domínio da arte da construção de navios, forjada numa experiência de quase 30 anos de existência e mais de 100 embarcações construídas, sem esquecer mais de 400 reparadas. Esta realidade não passou despercebida aos grandes armadores, em especial aos dos países europeus.

A confirmação deste facto aconteceu em 30 de Março de 1974, com a celebração de um contrato gigante para a construção de dois navios químicos, com 170,7 metros de comprimento e 23.300 toneladas de porte, para o armador norueguês Stolt-Nielsen, pela verba de 1.300.000 contos, valor considerado histórico para a época. Atente-se que o resultado bruto da produção da Empresa, em 1973, foi de 200.000 contos. Este contrato apresentava-se como o maior desafio que aos ENVC se tinha deparado até à data. Não faltava quem internamente considerasse este um mau negócio, pelo espremido valor de custo e pela exigência técnica destas construções, destinadas ao transporte de produtos refinados e produtos químicos.

E o acordo revelou-se deveras complicado, porque, por imposição do Governo, foi realizado em moeda portuguesa e o escudo depreciou-se profundamente na sequência da revolução de Abril de 1974 e também porque o período da construção dos navios se desenrolou em período agitado, por força da mesma revolução. Resultou num contrato significativamente deficitário (cerca de 550 mil contos), mas a Empresa saiu profundamente enriquecida no plano do conhecimento e da experiência para um tipo de navios demasiado complexo e, por isso, mal dominado, facto que se confirmaria no futuro com a conquista dos grandes mercados internacionais.

VIANA DO CASTELO: GOVERNO AUTORIZOU EM 1949 AMPLIAÇÃO DOS ESTALEIROS NAVAIS

O Ministério das Comunicações - Gabinete do Ministro, através do Decreto-Lei nº 37:626, publicado em Diário do Governo n.º 250/1949, Série I de 23 de Novembro de 1949, concedeu à empresa Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Lda., o direito de ocupação de mais uma faixa de terreno, a acrescentar à área a que se refere o artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 35570.

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  • Comentário de Gonçalves Fagundes Meira

Neste Decreto-Lei, de 23 de Novembro de 1949,

temos a mais primitiva planta dos ENVC. Quando para além entrei, 01/03/65, já havia uma empresa bem diferente, para melhor, felizmente. E, na data deste mesmo Decreto, já tinha sido ultrapassada a primeira grande crise da Empresa, que assim pode ser definida:

Saíram os três primeiros navios construídos, 10/07/1948, e fez-se os balanços contabilísticos, que apontaram para um custo a rondar os 13.500 contos, individualmente. A consolidação dos ENVC parecia ser um facto, porém, nem tudo eram rosas. Alguma falta de experiência em empreendimento de tanto arrojo tinha que resultar em dificuldades financeiras acentuadas.

João Alves Cerqueira e Vasco d’Orey tiveram que hipotecar todos os seus bens para conseguir junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 10.000 contos. Trataram depois de alterar o estatuto social da Empresa, fazendo a sua transformação para Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada, facto que só foi conseguido em 30 de maio de 1949 e que levou a novas dificuldades financeiras.

Como estimavam em 36.500 contos o capital de que careciam, o único recurso seria, mais uma vez, hipotecar património próprio. Apelaram por isso à solidariedade de parentes e amigos, onde não faltou sequer o apoio abnegado de Encarnação Mendes, a velha ama de Vasco d’Orey, que entrou com todas as economias de que dispunha, num total de 6.000 escudos.

Em circunstâncias tão aflitivas, só restava arranjar um parceiro de peso para a sociedade, sob pena de se ver morrer algo que tanta expectativa tinha criado em Viana do Castelo. É neste contexto que metade das ações dos ENVC, SARL, no valor de 25.856 contos, é vendida à firma H.Parry & Son. Ltd., que tinha como presidente Jacques de Lacerda, personalidade em quem se deposita todas as esperanças para ultrapassar o apuro em que se vivia. Jacques de Lacerda, empresário com sentido visionário, entra oficialmente nos ENVC a 10 de março de 1950.

Os ENVC encetam, então, um longo período de progresso.

INJEX AMPLIA FÁBRICA EM FAMALICÃO

Empresa de componentes de plástico injetado cresce no Parque Industrial de Vilarinho das Cambas

A Injex – Pinheiro de Lacerda, SA, empresa industrial de componentes técnicos em plástico pelo processo de injeção, ampliou em 25% as suas instalações produtivas no Parque Industrial de Vilarinho das Cambas, em Vila Nova de Famalicão.

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A empresa famalicense, que é especializada em plásticos técnicos injetados, desde a conceção do produto até à sua montagem final, produz milhões de peças por ano, sobretudo símbolos das principais marcas de automóveis, para clientes como Porsche, Peugeot, Alfa Romeo, Jaguar, Volkswagen, Audi e Mercedes Benz.

As instalações produtivas da Injex, que até agora ocupavam uma área de 470 metros quadrados, aumentaram 100 metros quadrados, ficando a área fabril com 570 metros quadrados. O investimento foi de 50 mil euros.

Além do espaço produtivo, a Injex dispõe de uma área logística, que ocupa um armazém com 730 metros quadrados, situado a 50 metros da fábrica, espaço que acolhe matérias-primas e produto acabado, num processo que é gerido exclusivamente por meios digitais. No total, a empresa ocupa agora uma área de 1300 metros quadrados.

“Tínhamos um logradouro disponível e resolvemos dar mais um pequeno passo num imóvel que é propriedade da Injex”, explica José Duarte Pinheiro de Lacerda, fundador e CEO da Injex, que considera que o aumento das instalações “não vai mudar a vida” da empresa, até porque já estava planeado há algum tempo, “mas dará uma boa ajuda”, em função das necessidades imediatas.

“Sou adepto dos pequenos passos, das melhorias contínuas. Conseguimos aumentar a área da fábrica sem termos os custos inerentes a uma mudança”, explica Pinheiro de Lacerda, apontando como “estratégia de futuro” o crescimento da empresa, através da diversificação de produtos e serviços de valor acrescentado para os clientes.

“Se continuarmos a crescer como temos crescido, a breve prazo vamos precisar de mais espaço”, aponta o CEO da Injex, empresa que fundou em 28 de janeiro de 2003. E Pinheiro de Lacerda acrescenta: “A vida das empresas é dinâmica, pelo que não abandonamos a possibilidade de construção de novas instalações, caso surja uma boa oportunidade de negócio.

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MULTINACIONAL BORGWARNER INVESTE EM VIANA DO CASTELO

A multinacional BorgWarner é líder mundial de produtos em soluções de tecnologia limpa e eficiência para veículos de combustão, híbridos e elétricos.

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Atualmente, em Viana do Castelo a Borgwarner tem um volume de negócios de 170 milhões de euros, prevendo-se a duplicação deste valor, com o novo investimento.

“A Borgwarner é uma grande empresa que apostou em Viana do Castelo. No ano passado assinamos um contrato de investimento para ampliação de instalações. Já este ano, tivemos contacto por parte da empresa para um novo investimento a ser feito no nosso país”, revelou o edil, José Maria Costa dizendo que “acabamos por ser vencedores pela confiança que a Borgwarner tem em Viana do Castelo”.

“Esta prova de confiança da Borgwarner, com um terceiro investimento, significa que Viana do Castelo se continua a manter como um espaço de atração e como um espaço no qual as empresas confiam”, afirmou o autarca, destacando “o espírito de confiança entre os diversos parceiros”.

Já Ricardo Moreira, da Borgwarner Portugal, considera que este é um investimento a pensar no futuro, já que estimam que, em 2030, cerca de 45% da faturação seja em veículos elétricos. “Nos próximos meses vamos já assistir ao início da construção desta unidade”, declarou o representante, explicando que a nova fábrica será a terceira na Europa deste setor de negócio e irá produzir motores elétricos para clientes europeus do grupo.

O grupo assume-se como líder em sistemas de propulsão para veículos a combustão, híbridos e elétricos. Tendo como objetivo acelerar rumo à eletrificação, pretende proporcionar soluções de mobilidade inovadoras e sustentáveis para o mercado automóvel.

Recorde-se que a BorgWarner se instalou na capital do Alto Minho em 2014, num investimento de 25 milhões de euros e que, na altura, estimava criar 500 postos de trabalho, mas atualmente emprega cerca de 950 trabalhadores.

Depois, em novembro de 2020, a empresa assinou um contrato de investimento para avançar com uma ampliação de 7 milhões de euros das instalações situadas no Parque Empresarial de Lanheses, que irá criar mais 38 postos de trabalho.

Desde 2014 que a BorgWarner Viana consolidou a sua produção nas áreas de gestão de gases de exaustão e eletrónica, assegurando um crescimento contínuo e com portfólio diversificado de módulos EGR e de produtos eletrónicos que, de forma sustentável, permite ter uma posição equilibrada no mercado de sistemas de propulsão para veículos de combustão, híbridos e elétricos.

A multinacional americana, tem a nível mundial, 50.000 colaboradores em 24 países, contando com 96 localizações. Em 2020, o grupo garantiu vendas no valor de 10,2 mil milhões de dólares.

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VIANA DO CASTELO: GOVERNO NACIONALIZOU EM 1975 OS ESTALEIROS NAVAIS

Decreto-Lei n.º 478/75 de 1 de Setembro

Considerando a necessidade de prosseguir na via da concretização de uma política económica posta ao serviço das classes trabalhadoras e das camadas mais desfavorecidas da população portuguesa, em cumprimento do Programa do Movimento das Forças Armadas;

Considerando o papel vital desempenhado pela indústria da construção naval na economia portuguesa;

Considerando a necessidade de um planeamento integrado no sector da construção e reparação naval com outros sectores básicos da economia;

Nestes termos:

Usando da faculdade conferida pelo artigo 3.º, n.º 1, alínea 3), da Lei Constitucional n.º 6/75, de 26 de Março, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:

Artigo 1.º - 1. São declaradas nacionalizadas a partir da data da publicação deste diploma, as sociedades:

  1. a) Setenave - Estaleiros Navais de Setúbal, S. A. R. L.;
  2. b) Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S. A. R. L.;
  3. As nacionalizações previstas no n.º 1 são feitas sem prejuízo do direito dos actuais titulares de acções representativas do capital privado a serem indemnizados.

Art. 2.º O Estado pagará às entidades privadas titulares de acções das empresas nacionalizadas, contra a entrega dos respectivos títulos, uma indemnização a definir quanto ao montante, prazo e forma de pagamento, em diploma legal a publicar no prazo de cento e oitenta dias, a contar da data do início da eficácia da nacionalização.

Art. 3.º - 1. A universalidade dos bens, direitos e obrigações que integram o activo e o passivo das sociedades a que se refere o artigo 1.º ou que se encontrem afectos à respectiva exploração são transferidos para o Estado, integrados no património autónomo das respectivas empresas ou a elas igualmente afectos.

  1. O disposto no número anterior constitui título comprovativo de transferência, para todos os efeitos legais, incluindo os de registo, sendo em caso de dúvida, título bastante a simples declaração feita pelas respectivas empresas e confirmada pela Direcção-Geral da Fazenda Pública de que os bens se incluem entre os referidos no n.º 1.

Art. 4.º - 1. As empresas nacionalizadas assumirão, em relação a todos os actos praticados e contratos celebrados pelas sociedades referidas, no artigo 1.º, a posição jurídica e contratual que estas detiverem à data do início da eficácia da nacionalização.

  1. As empresas nacionalizadas assumirão igualmente a posição social que as sociedades referidas no artigo 1.º detiverem nas sociedades de que sejam sócias à data do início da eficácia da nacionalização.

Art. 5.º - 1. O pessoal que à data do início da eficácia da nacionalização estiver ao serviço das sociedades referidas no artigo 1.º transitará automaticamente para as empresas nacionalizadas.

  1. Até entrar em vigor o regime a definir no estatuto a que se refere a alínea b) do artigo 2.º do presente decreto-lei, mantêm-se a vigência da legislação aplicável ao trabalho prestado nas sociedades referidas no artigo 1.º, bem como as convenções de trabalho às quais têm estado vinculados as sociedades e o seu pessoal.

Art. 6.º - 1. São dissolvidos os actuais órgãos sociais das sociedades nacionalizadas.

  1. Por despacho do Primeiro-Ministro, sob proposta do Ministro da Indústria e Tecnologia, será nomeada uma comissão administrativa para cada uma das sociedades nacionalizadas, composta por três a cinco membros de reconhecida competência.
  2. Consideram-se designados para as comissões administrativas os delegados do Governo e os administradores por parte do Estado nas sociedades nacionalizadas.
  3. As comissões administrativas exercerão funções até à designação dos titulares dos órgãos de gestão que venham a resultar da reestruturação das empresas nacionalizadas, prevista no artigo 1.º

Art. 7.º - 1. As comissões administrativas terão todos os poderes que pela lei ou pelos estatutos das sociedades onde exerçam funções pertenciam aos conselhos de administração ou de gerência, com excepção:

  1. a) Da faculdade de admissão, promoção, transferência, demissão ou alteração de remunerações ou quaisquer outras regalias dos trabalhadores;
  2. b) Da capacidade para a prática de actos que não estejam estritamente relacionados com as necessidades de gestão corrente das sociedades nacionalizadas.
  3. A prática dos actos mencionados nas alíneas a) e b) do número anterior dependerá, em cada caso, de despacho de autorização do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 8.º As remunerações dos membros das comissões administrativas serão fixadas por despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia, observados os limtes estabelecidos no Decreto-Lei n.º 446/74, de 13 de Setembro, e constituem encargo das respectivas sociedades.

Art. 9.º A responsabilidade perante terceiros, decorrente dos actos de gestão praticados pelos membros das comissões administrativas, será directa e exclusivamente assumida pelo Estado, perante o qual tais membros responderão pelos referidos actos.

Art. 10.º As comissões administrativas elaborarão, após o termo do seu mandato, relatório circunstanciado para apreciação do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 11.º As empresas nacionalizadas serão reestruradas por diploma a publicar no prazo de noventa dias contados a partir da data da publicação deste decreto-lei.

Art. 12.º - 1. A fim de preparar a reestruturação prevista no artigo anterior, constituir-se-á, no Ministério da Indústria e Tecnologia, uma comissão de reestruturação encarregada de:

  1. a) Proceder aos estudos organizatórios, técnicos e económico-financeiros indispensáveis, bem como realizar as diligências que, para o efeito, se mostrarem necessárias;
  2. b) Proceder aos estudos necessários para a elaboração de um estatuto unificado do pessoal e para a sua aplicação escalonada aos trabalhadores, tendo em conta a sua situação actual e a política global de salários e rendimentos definida pelo Governo;
  3. c) Estudar e propor medidas legislativas ou de qualquer outra natureza a adoptar para resolução dos problemas reultantes da execução deste diploma;
  4. d) Estudar problemas relativos à coordenação das diversas empresas do sector da construção e reparação naval, que lhe sejam cometidos por despacho do Secretário de Estado da Indústria e Tecnologia.
  5. A composição da comissão de reestruturação será aprovada em Conselhos de Ministros, mediante proposta do Ministro da Indústria e Tecnologia.
  6. As remuneraçõs dos membros da comissão de reestruturação serão fixadas por despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia, observados os limites estabelecidos no Decreto-Lei n.º 446/74, de 13 de Setembro.
  7. A comissão de reestruturação poderá corresponder-se com quaisquer entidades públicas ou privadas e estabelecer com elas os contactos que considerar necessários, ficando umas e outras obrigadas a fornecer-lhe as informações de que necessitar para o desempenho das suas funções.
  8. A comissão de reestruturação poderá requisitar pessoal ao serviço das entidades do sector e o apoio dos meios materiais das sociedades nacionalizadas e será dotada com os meios financeiros necessários ao exercício das suas atribuições.
  9. As despesas da comissão de reestruturação serão suportadas, rateadamente, pelas sociedades nacionalizadas, de acordo com os critérios fixados em despacho do Ministro da Indústria e Tecnologia.

Art. 13.º Os membros dos conselhos de administração, de gerência ou fiscal dissolvidos nos termos do presente diploma ficam obrigados a prestar às comissões administrativas as informações e esclarecimentos que se tomarem necessários para o normal exercício das suas funções, sob pena de incorrerem no crime de desobediência qualificada.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros. - Vasco dos Santos Gonçalves - Mário Luís da Silva Murteira - José Joaquim Fragoso - Fernando da Conceição Quitério de Brito.

Promulgado em 20 de Agosto de 1975.

Publique-se.

O Presidente da República, FRANCISCO DA COSTA GOMES

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  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

DIFÍCEIS, MAS BONS TEMPOS

Por solicitação dos trabalhadores, a 1 de Setembro de 1975, o Governo, através do decreto-lei n.º 478/75, decreta a nacionalização dos ENVC, no sentido de evitar a sua falência.

Os investimentos efetuados numa primeira fase de desenvolvimento e o mau contrato para a construção de dois navios químicos, em 30 de março de 1974, imposto na moeda escudo, considerada suficientemente sólida, deixaram a Empresa em delicada situação financeira.

Em 1981, os seus prejuízos acumulados totalizavam, aproximadamente, 1.360.000 contos. Compreensivelmente, esta situação determinou uma dura política de contenção salarial, obrigando os trabalhadores a um denodado esforço, no sentido de um rápido equilíbrio financeiro. Este empenho foi coroado de êxito, já que em 1982, pela primeira vez em 10 anos, se verifica um resultado positivo de 10.463 contos . E é neste espaço de tempo que os ENVC têm a oportunidade de conquistar o mercado da ex-URSS, aí conseguindo um volume de encomendas que foram preciosas para a definitiva consolidação das suas finanças.

O primeiro contrato com este país verificou-se em Outubro de 1976, prevendo a construção de quatro navios do tipo rio-mar, pelo valor aproximado de 680 mil contos. A partir daí, os contratos foram-se sucedendo até que totalizassem, em 1990, 31 unidades.

VIANA DO CASTELO: GOVERNO CONCEDEU EM 1948 AS DOCAS SECAS AOS ESTALEIROS NAVAIS

Aumenta o prazo do direito de ocupação de uma parcela de terreno situada nos terraplenos norte do anteporto de Viana do Castelo e exploração de docas secas concedido à empresa Estaleiros Navais de Viana do Castelo, Limitada, pelos artigos 2.º e 5.º do decreto-lei n.º 35570.

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  • Comentário de Gonçalo Fagundes Meira

ERAM TEMPOS DE CONSTRUÇÃO NAVAL EM VIANA

Nos ENVC a terraplanagem e infraestruturação de terrenos teve o seu início em fins de julho de 1944. Pouco depois, iniciou-se a instalação da sala do risco, onde também cabia a sala de desenho, seguindo-se a edificação das caldeirarias. A primeira, ampla e vistosa, respondia às exigências de trabalhos desenhados à escala natural. As segundas, de aspeto sombrio, em terra batida, desprovidas de ventilação. Os trabalhadores diretamente produtivos ainda estavam longe do melhor acomodamento.

Em construção, também, está um colossal buraco na terra que, depois de devidamente amuralhado, ficará com 150 metros de comprimento, por 25 de largura e 20 de profundidade. As mulheres, de gamelas à cabeça, num permanente vai e vem por passadiços improvisados, qual carreiro de formigas, vão removendo milhares de metros cúbicos de entulho. Mais tarde se dará corpo ao espaço que vai ser berço para a construção de navios, que se pretendiam até 10.000 toneladas. Porém, o progresso encarregou-se de, em fase posterior, com técnicas bem mais avançadas, redimensionar a área para navios superiores a 20.000 toneladas. Assim se construía o futuro.

A assinatura da cedência de terrenos por 35 anos permitia uma laboração mais despreocupada. Era menos um percalço.

CONSELHEIRO MIGUEL DANTAS E OS LACTICÍNIOS DE PAREDES DE COURA EM DEBATE NA CÂMARA DOS SENHORES DEPUTADOS DA NAÇÃO PORTUGUEZA

Na Sessão de 29 de Maio de 1903 da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza, foi pela Real Associação de Agricultura enviada uma representação que foi distribuída pelos deputados, relacionada com a produção de lacticínios, através da qual se apresenta um Projecto de Lei. Nela se faz referência a Paredes de Coura e ao Conselheiro Miguel Dantas.

Do Diário da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portugueza trnascrevemos a referida representação.

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Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira e Bernardina Maria da Silva Gonçalves Pereira (1860)

“Projecto de lei

Senhores. - Ninguem pode duvidar que a agricultura representa no nosso paiz uma das principaes fontes de receita para o Thesouro; é sempre para ella que os Governos recorrem quando sentem exhaustos os cofres publicos, é sobre o pobre agricultor que ha muito pesam os mais disparatados impostos, apesar da já velha e repisada phrase parlamentar, de que a propriedade rustica não ha de nem deve pagar mais. Todos sabem que um dos principaes ramos da industria agricola portuguesa é a creação de gados, do norte ao sul do paiz desde o pequeno até ao grande lavrador todos mais ou menos são creadores de gado, principalmente vaccum. Até ha poucos annos a industria lactea apenas era exercida na fabricação de queijos, e só por curiosidade um ou outro fabricava manteiga para uso domestico, e pelo systema o mais atrasado. Nestas condições, era absolutamente impossivel, competir com a antiga manteiga ingleza, que em grandes quantidades era exportada para Portugal.

Acompanhando o progresso appareceu em primeiro logar o Digno Par do Reino Miguel Dantas com a sua manteiga de Coura, e logo depois o Exmo. Marquez da Praia (D. Duarte) com a fabrica da Quinta do Infantado, em Loures. Depois d'estes que podem ser considerados como os iniciadores cresta nova industria em Portugal, seguiu-se a montagem de muitas fabricas no continente e ilhas, algumas produzindo optima manteiga de leite, mas a maior parte d'elles usando e abusando do emprego da margarina. Este preparado de residuos gordurosos de toda a especie e proveniencia, não só deve ser prejudicial á saude, publica, mas é tambem pouco asseiado, basta-lhe para isso a origem da sua materia prima. Este sebo fingindo manteiga, que os fabricantes alcunham com diversos nomes, havendo alguns tão francos que lhe chamam manteiga artificial, tem feito nos ultimos annos uma terrivel o desleal concorrencia, á pura e verdadeira, e portanto um incalculavel prejuizo a um dos mais importantes ramos da agricultura portugueza.

Com esta bodega que por ahi se vende a 600 e 700 réis o kilogramma não póde por forma alguma concorrer a manteiga feita de nata, pois são necessarios 25 ou 26 litros de leite para produzirem 1 kilogramma de manteiga!!

É para todas estas considerações que eu tenho a honra de chamar a vossa esclarecida attenção, e a reconhecida boa vontade do illustre Ministro das Obras Publicas, a quem sobram recursos e aptidões para bem desempenhar os deveres do seu alto cargo. Trate S. Exa. de favorecer a agricultura que tão descurada tem sido pelos seus antecessores, e fique certo que prestará um relevante serviço ao seu paiz.

N'esta conformidade tenho a honra de submetter á vossa apreciação o seguinte projecto de lei:

Artigo 1.° Fica expressamente prohibido no fabrico de manteiga o uso da margarina, ou de qualquer outra substancia gordurosa que não seja a extrahida do leite.

Art. 2.° Será punido cura a multa de 300$000 réis aquelle que pela primeira vez transgredir o que fica determinado nesta lei, e com a, quantia de 1:000$000 réis no caso de reincidencia.

Art. 3.° Fica revogada a legislação em contrario.

Sala das sessões, 27 de maio de 1900. - O Deputado por Lisboa, Antonio Maria Dias Pereira Chave Mazzioti.

Foi enviado á commissão de agricultura.”

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PONTE DE LIMA VAI TER PÓLO INDUSTRIAL EM CALVELO

Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou o Projeto do Pólo Industrial de Calvelo, pelo valor de 3 200.000€

A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou na reunião de 8 de março, o projeto do Pólo Industrial de Calvelo.

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Localizado na rua do Couto, na freguesia de Calvelo, o futuro Pólo Industrial, representa um investimento no valor de 3 200.000€. Com uma área total de 141 673,0 m2, será composto por 42 lotes, para a construção de armazéns industriais, com possibilidade acessória de comércio e serviços.

A dinamização do futuro Pólo Industrial de Calvelo assenta num espírito de desenvolvimento integrado e autossustentado, sendo admitidas atividades industriais e de armazenagem não poluentes e que não impliquem a armazenagem ou manipulação de produtos perigosos, assim classificados de acordo com a legislação em vigor.

De acordo com o projeto desta infraestrutura, o licenciamento da atividade está sujeito às entidades competentes, de acordo com a legislação em vigor, sendo da competência da Câmara Municipal o licenciamento da construção e de utilização.

Como entidade gestora do Pólo Industrial de Calvelo, o Município de Ponte de Lima assume a prestação de serviços comuns no interesse direto dos operadores económicos a instalar no Pólo Industrial.

O trânsito e acesso aos vários lotes é feito por um arruamento central que deriva da rua de Couto de Calvelo, que desemboca numa área de impasse que serve de estacionamento de veículos pesados, e que dispões da área necessária para efeitos da inversão do sentido de circulação. Esta configuração poderá permitir uma continuidade do acesso numa eventual futura expansão do loteamento para Norte.

O estacionamento de viaturas ligeiras desenvolve-se ao longo do arruamento principal nos dois sentidos de circulação e perpendicularmente ao sentido de trânsito para rentabilizar ao máximo o número de lugares de estacionamento.