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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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PARTIDO "OS VERDES" QUESTIONA GOVERNO ACERCA DOS CONTRATOS DE PROSPEÇÃO E EXPLORAÇÃO DE MINÉRIO

Na Comissão Parlamentar de Ambiente, OS VERDES questionaram uma vez mais o Ministro sobre os Contratos de Prospeção e Exploração de Minério

No ano de 2020 já foram assinados entre o Estado e promotores privados dezasseis contratos, não tendo a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) aguardado pela publicação da nova regulamentação das minas que estará a ser elaborada.

Para além da informação da comunicação social, nada se sabia relativamente à localização, promotores, tipo de exploração, entre outras informações relevantes, em particular para as populações que veem a sua qualidade de vida alterada.

Os Verdes pediram a vinda do Sr. Ministro e Senhor Secretário de Estado à Comissão parlamentar para que tivessem a possibilidade de esclarecer a assinatura de 16 contratos em plena pandemia.

Apesar de, os contratos terem sido colocados online no dia 26 de junho, três dias depois do requerimento do PEV, ainda hoje são de difícil acesso no site da DGEG.

Estes contratos foram assinados ao abrigo da Lei n.º 54/2015, de 22 de junho, numa altura em que o governo anuncia alterações significativas à legislação que, supostamente, deverão aumentar as exigências em termos ambientais, pelo que não se compreende que tenham sido assinados antes da publicação da nova lei.

Para o PEV uma questão primordial prende-se com a falta de transparência em todo este processo de exploração mineira.

Vários são os argumentos utilizados pelo governo para justificar a forma tão distinta como se vai tratando cada um destes contratos, por isso Os Verdes, através da sua deputada, Mariana Silva, questionaram qual a pressa para se assinarem contratos antes da publicação da lei.

Perante todas as dúvidas Os Verdes colocaram as seguintes perguntas:

- O Sr. Secretário de Estado, disse no passado não longínquo que estas concessões, sejam elas de prospeção e pesquisa, sejam elas de exploração, serão já feitas ao abrigo da futura lei, por isso, Os Verdes questionam se a Lei pretende “ter efeitos retroativos”?

Na possibilidade, de não estar salvaguardada esta questão nos contratos, o Estado não corre riscos de ficar fragilizado?

A questão da reposição dos terrenos depois da prospeção, não devia constar dos contratos comprometendo desde já as empresas?

Na maioria dos contratos assinados em 2020, para a atribuição de concessão de exploração, é possível constatar no terreno que já se encontra a decorrer a extração de minerais.

Estes contratos agora assinados, são na verdade contratos de renovação? Algum destes projetos foram ou não sujeitos a avaliação de impacte ambiental?

Tendo em conta que, na zona centro do país existem inúmeras explorações de caulino que não distam muito uma das outras, não seria conveniente uma Avaliação Ambiental Estratégica na região?

Foi assinado agora um contrato numa área designada de Capelo (C-162), no concelho de Boticas, para extração de feldspato e quartzo, no entanto a empresa, aquando da apresentação do requerimento, solicitou também para lítio. Por que motivo caiu o lítio do contrato, quando a própria empresa detém os diretos de exploração deste minério requeridos em 2008, ao abrigo do Decreto-Lei 88/90, de 16 de março? Qual o critério?

Por último, a legislação atual, Lei n.º 54/2015, de 22 de junho, define que a exploração mineira deve ser feita segundo princípios definidos no artigo 4.º :

  1. Na definição e prossecução do interesse público em matéria de conhecimento, conservação e valorização dos bens geológicos, os órgãos do poder político e da Administração Pública devem adotar estratégias concertadas de sustentabilidade nos domínios económico, social e ambiental, de modo a otimizar a utilização dos recursos naturais geológicos numa ótica integrada de planeamento territorial (…)
  1. A gestão dos recursos geológicos obedece aos seguintes princípios:
  1. a) Promoção do bem-estar económico, social e ambiental das populações;
  2. b) Aproveitamento eficiente e racional dos recursos, no quadro de uma estratégia integrada de desenvolvimento sustentável, tendo em vista a minimização de todos os eventuais impactes negativos.

Será que estes princípios estão a ser tidos em conta?

Para Os Verdes não haverá futuro sem água, sem alimentos, sem pessoas, sem biodiversidade, porque são estes "bens" que as pretensões do governo em matéria de exploração de lítio ou de outros minerais colocam definitivamente em causa, contrariamente ao afirmado pelo senhor ministro de que sem lítio não há futuro!

O Partido Ecologista Os Verdes

FAMALICÃO: ACO SHOES APOSTA NA ENERGIA LIMPA

A Fábrica de Calçado ACO, líder em Portugal na produção e exportação de calçado feminino de conforto, decidiu apostar na energia limpa, investindo 350 mil euros na instalação de um sistema de painéis solares que vai ser responsável pela produção energética de 35% das necessidades da empresa de Vila Nova de Famalicão.

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O novo parque de energia solar da ACO Shoes está situado num terreno com 5 mil metros quadrados, contíguo às instalações fabris, na freguesia de Mogege, concelho de Vila Nova de Famalicão.

Com este investimento, que deverá começar a dar retorno daqui a cinco anos, a fábrica de Famalicão, que tem uma despesa anual com energia elétrica na ordem dos 200 mil euros, deverá baixar a fatura em cerca de 35%, ou seja, poupará cerca de 70 mil euros anuais. Além de contribuir para a melhoria do ambiente.

“É um investimento que assume duas vertentes distintas: representa uma melhoria na eficiência financeira da empresa – com uma economia da fatura energética na ordem dos 35% – e representa uma aposta na energia limpa, que faz diminuir a pegada ecológica da ACO, sendo, portanto, uma decisão com consequências muito positivas para o meio ambiente”, explica Armindo Costa, fundador e presidente da fábrica famalicense.

Fundada em 1975, a ACO Shoes emprega 400 pessoas, tendo duas unidades de apoio à produção de calçado suas participadas, a ECCO Conforto, no município de Ponte de Lima, distrito de Viana do Castelo, e a ICCO, na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde, que contam com 150 e 260 trabalhadores, respetivamente.

Anualmente, saem da fábrica de Vila Nova de Famalicão 1,5 milhões de pares de sapatos (mais de 5 mil pares por cada dia útil), que são vendidos em mais de 30 países dos vários continentes, gerando um volume de negócios que, no último exercício, foi superior a 30 milhões de euros.

Com estes números, a empresa de Armindo Costa – empresário de 82 anos, que foi presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 2002 e 2013 – é líder em Portugal no segmento do calçado feminino de conforto.

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GUIMARÃES: TRADIÇÃO DO CURTUME REMONTA À IDADE MÉDIA

As imagens mostram o fabrico do couro na Fábrica de Curtumes de Roldes, Caneiros, Guimarães, em 1942

A tradição do trabalho do couro é já antiga em Guimarães. Encontramos notícias que a actividade que se desenvolvia, desde a Idade Média, fora das antigas muralhas junto ao rio que atravessa a Cidade, numa zona outrora conhecida por ser o burgo de Couros e onde actualmente ainda persistem os vestígios dessa ligação antiga à manufactura das peles.

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Ao longo de séculos, as matérias-primas desta indústria foram os couros do gado bovino abatido na região. Depois, aparecem as peles oriundas do Brasil e de outras províncias ultramarinas como Angola e Moçambique. Foi sobretudo no século XIX e na primeira metade do século XX que o dinamismo económico se intensificou nos curtumes, andando associado aos conflitos bélicos que assolaram a Europa.

Com o desenvolvimento da organização produtiva, a indústria de curtumes exigiu avultados capitais financeiros para a aquisição das matérias-primas e para a crescente modernização do processo produtivo. O negócio era rentável e despertava o interesse e o investimento de pessoas oriundas de todas as classes sociais, tendo-se tornado numa actividade que muito contribuiu para a projecção económica de Guimarães e para o desenvolvimento de outras actividades como a industria do calçado.

A partir da década de 60 do século XX e acompanhando a evolução da conjuntura económica internacional, esta industria entrou em declínio na Zona de Couros. A insalubridade que envolvia os processos produtivos, o atraso tecnológico e a transferência dos investimentos para a industria têxtil, levaram ao progressivo desaparecimento desta actividade. Apesar deste contexto só em 2005 encerrou a última fábrica deste conjunto industrial.

Noutros tempos as pesadas fazendas – assim eram denominados os couros - eram submetidas a complexos e demorados processos de transformação.

Em condições de trabalho muito precárias e estando em permanente contacto com a água, homens de forte compleição física revolviam as peles mergulhadas em estruturas de granito semelhantes a tanques rasos ao chão. Os curtidores eliminavam os pêlos e as gorduras, com auxílio de ferrelhas, preparando as fazendas para durante meses receberem a curtimenta propriamente dita.

As cascas de carvalho, retiradas das árvores que abundam nas serras altas de Fafe, ofereciam o tanino à operação que era orientada pelo saber transmitido de geração em geração.

Descalços, ao sol ou à chuva, os curtidores tinham um trabalho árduo, sujo e mal-cheiroso. A sua experiência e sabedoria eram, no entanto, fundamentais para o conhecimento das implicações das condições climatéricas na temperatura das águas onde repousavam as peles em banhos tanantes.

Seguia-se o enxugo muitas vezes ao ar livre, ocupando as bermas da via pública.

Cabia aos surradores o processo de acabamento, antes dos couros serem colocados a secar em arejados barracões de madeira, construídos sobre oficinas ou paredes-meias com as modestas habitações operárias, ou até nos quintais dos edifícios burgueses.

O antigo «burgo de couros» era a zona mais insalubre de Guimarães. Os curtidores e surradores são as categorias profissionais ligadas a essa desaparecida manufactura da curtimenta que nos legou um espaço onde é possível vislumbrar as condições de trabalho num primitivo parque industrial.

Fotos: Arquivo Municipal de Guimarães / Fonte: https://www.guimaraesturismo.com/

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VILA NOVA DE CERVEIRA: DEPUTADA DO PEV VISITA A FREGUESIA DE COVAS E A SERRA D'ARGA

Exploração de Lítio: Sábado - Visita da Deputada do PEV a Covas do Barroso e a Covas de Cerveira

A deputada ecologista Mariana Silva e uma delegação da direção nacional do PEV, (que incluirá, entre outros, Manuela Cunha e Miguel Martins, dirigentes que acompanham a problemática do lítio e da exploração mineira) irão visitar no próximo sábado, as áreas que poderão vir a ser afetadas pela exploração de lítio de Covas do Barroso e da Serra d' Arga.

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Conhecer os locais no concreto e ouvir as populações que ali residem, para ter uma opinião mais conhecedora e fundamentada dos problemas é o objetivo desta visita.

Programa

Sábado dia 4 de julho

Manhã - Covas do Barroso (Boticas)

9h30 - Encontro com a Associação "Unidos em defesa de Covas do Barroso" no Largo do Cruzeiro em Covas do Barroso, segue-se uma visita à área de exploração da mina e encontro com população.

Tarde - Serra d' Arga

16h00- Encontro em Ponte de Lima, junto à antiga prisão/ posto de turismo, com representantes da Associação "S.O.S. Serra D' Arga" - subida para a "Nossa Senhora do Minho", onde se tem uma visão abrangente da área que poderá ser afetada.

18 h00 - Covas de Cerveira - Encontro com representantes da Associação Corema. Na aldeia de Covas, contacto com o projeto " Pessoas mais Natureza" e com os seus autores, João Nunes da Corema e o fotógrafo Pedro Lobo.

Segue-se uma visita às áreas de passivo ambiental das antigas explorações mineiras.

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OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (VI)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

PREOCUPAÇÕES SOCIAIS

Os balões são uma chaga aberta na história e na vida dos ENVC. Ainda hoje muitos trabalhadores que os sentiram na pele não gostam de os relembrar. Porém, eles enquadram-se numa época bem determinada, onde, no país, se silenciava a discordância pela via da repressão e o desemprego não subsidiado era aceite como uma fatalidade a que não se podia fugir. Foi preocupação da Empresa, desde a primeira hora, manter o máximo de trabalhadores ao seu serviço, conseguindo, quase sempre, situar o efectivo em mais de 1000 trabalhadores, mantendo esta unidade industrial como o grande empregador da região.

A construção naval foi sempre uma indústria estratégica para qualquer país, em especial para os países europeus, e Portugal não fugiu à regra. No caso dos ENVC, esta condição era bem mais acentuada, dada a sua condição de Empresa de província, localizada em região subdesenvolvida. Daí, os permanentes apelos ao Estado para que não se construísse no estrangeiro o que bem se podia construir em Portugal, com reflexos económicos e no emprego, tão positivos para o país e em especial para o Alto Minho. Despedir trabalhadores, na região em que se situavam os ENVC, era considerado pela Administração da Empresa uma fatalidade. Atente-se, mais uma vez, nas palavras do Dr. Luís Lacerda diante do Ministro da Marinha, ainda, na cerimónia de entrega da fragata Almirante Magalhães Correia, perante o espectro da falta de trabalho: “Os reflexos de situações como esta ocasionam incalculáveis prejuízos à nação, quer sob o ponto de vista económico, quer no aspecto social. Só por si, os prejuízos que resultam do sacrifício dos valores humanos nacionais são de tal monta que deixam admitir que se estão a pagar pelo mais elevado preço os navios que por motivo de custo mais baixos se encomendaram no estrangeiro”.

Por outro lado, à data, tal como hoje, bem se pode dizer que os ENVC tinham comportamentos que não eram de todo usuais na indústria portuguesa. Uma regra de ouro na Empresa, foi sempre, atempadamente, pagar os salários, que, comparados com o que se praticava na região, e mesmo no país, eram lisonjeiros, como é visível pelo quadro que se apresenta.

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O mesmo se verificou e verifica com os descontos legais que, escrupulosamente, sempre foram feitos e encaminhados para as entidades respectivas. Enquanto os ENVC existiram, nenhum trabalhador que passou à situação de reforma deparou com anos de contribuições por regularizar, como acontece com tantos trabalhadores de outras actividades, que começaram a laborar ainda crianças, mas que se acham com situações de períodos sem qualquer tipo de desconto para a Segurança Social. Os períodos de trabalho intercalados pelos efeitos dos balões também sempre foram contabilizados como anos de antiguidade. Assim, minimizar ao máximo os efeitos dos despedimentos, quando não se podiam evitar, foi sempre uma preocupação da Empresa. As preocupações sociais manifestaram-se de igual modo com a criação de condições de trabalho minimamente satisfatórias para os empregados. Os ENVC foram pioneiros na construção de refeitório, com fornecimento de refeições a preço módico, e balneários para assistir, em especial, os trabalhadores das actividades produtivas, instalações consideradas, para a época, modelares. Criaram, de igual modo, desde a primeira hora, um posto de enfermagem para socorro imediato de sinistrados e começaram a estabelecer bem cedo regras de segurança, no sentido de minimizar acidentes de trabalho. Preocuparam-se, antes que alguém o fizesse, com questões de formação, preparando todo o seu pessoal para as mais diversas profissões, estabelecendo padrões de qualidade que são bem conhecidos no mundo inteiro. Instituíram ainda actividades de carácter vincadamente social, como as festas para os filhos dos trabalhadores e a distribuição da consoada na época de natal. Impulsionaram, por fim, a criação de uma grande colectividade com carácter recreativo, desportivo e cultural, que marcou e marca de maneira indelével, pelas grandes iniciativas que realizou e realiza, a cidade de Viana do Castelo. Mas, neste domínio, a abordagem merece artigos mais latos e profundos.

O carácter social dos ENVC foi (fica para a história), uma realidade visível em Viana do Castelo.

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Dezembro de 1985, Largo das Almas. A Visita dos Reis Magos. Reedição de uma antiga manifestação cultural levada a cabo pelo Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos ENVC

Bibliografia

Relatórios e contas” dos ENVC; “boletins” do Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos ENVC;Portugal Através de Alguns Números”, Blasco Hugo Fernandes, Prelo, 1976; “Portugal Quantos Somos” Mário Bacalhau, Terra Livre, 1977; “A Economia de Portugal”, Michel Drain, Difel, 1995

OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (V)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

O último Balão

O ano de 1967 era já de relativa estabilidade, na medida em que se trabalhava para honrar os contratos firmados ao longo de 1965 e 1966: seis navios para diversos Armadores Portugueses.

O efectivo de trabalhadores tinha sido relativamente recuperado, situando-se agora nos 1627. Todavia, ao longo deste ano, apenas foram negociadas mais duas construções, em Outubro a primeira e Dezembro a segunda, de 365 e 2.389 TB, respectivamente. Esta situação trouxe novamente o espectro do desemprego para centenas de trabalhadores. Assim, ao longo de 1968 e 1969 assistiu-se a um novo balão, lento mas extenso, com a saída de 340 pessoas.

O retrato da situação desesperante que se vivia está patente no apelo dramático que o Dr. Luís Lacerda, Administrador-Delegado da Empresa fez perante o Ministro da Marinha “Comodoro Manuel Pereira Crespo, na cerimónia de entrega do navio escoltador oceânico Almirante Magalhães Correia à Armada Portuguesa a 04/11/68, do qual se cita: “É do conhecimento geral que em parte alguma do mundo a indústria de construção naval subsiste sem auxílio governamental. Não é por isso de admirar que os ENVC tenham por diversas vezes solicitado a intervenção do governo para superar crises de improdutivo… Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo encontram-se neste momento a braços com uma grave crise por falta de trabalho, com os consequentes problemas de ordem social, económica e financeira, que se não for debelada com a concretização imediata de novos contratos que permitam o rápido início de construções, levará à interrupção total da sua actividade. Com efeito, apenas terão em construção, e na fase de acabamento, um navio de pesca de bacalhau que requererá, até à sua entrega, a ocupação permanente de 150 trabalhadores”. E depois de enumerar um conjunto de navios que tanta falta faziam ao País e podiam pôr fim aos problemas imediatos dos ENVC, o mais alto responsável da Empresa terminava assim o seu discurso: “Só a extrema gravidade da situação descrita nos dá forças para vir importunar Vossa Excelência e solicitar a sua intervenção e o apoio do Governo da Nação, a fim de evitar em tempo o desenvolvimento de uma crise que, a não ser prontamente sustida, poderá acarretar, a breve trecho, a paralisação desta unidade fabril”.

O apelo dramático do Dr. Luís Lacerda foi bem atendido, já que, decorrido pouco tempo, no dia 02 de Dezembro de 1968, foi assinado o contrato para a construção do navio Malange, uma unidade de 171,50 metros e 13.175 TB, pelo preço de 182.005 contos, praticamente com as mesmas características do navio Porto, concluído em Março desse mesmo ano. Ainda em Dezembro de 68, no dia 11, é acordada a construção de mais dois navios de 52,10 metros. A solidez laboral foi de novo conseguida, mas o efectivo de pessoal foi permanecendo nos 1300 trabalhadores até 1974, ano em que a revolução que colocou um ponto final no regime de Salazar e Caetano também criou as condições para que os famigerados balões deixassem de ser uma realidade nos ENVC.

Imagem_10baloesenvc.jpg1974. Manifestação do 1º de Maio em Viana do Castelo, na Praça da República. A luta, em liberdade, pelo pleno direito ao trabalho iniciou-se a partir deste dia. Foto de Manuel Fonte.

OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (IV)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Um rumo novo para a Empresa

Já com novo timoneiro, em 1951 enceta-se a recuperação da Empresa, modernizando-a com a construção de novas oficinas, com a aquisição de novos e mais evoluídos meios de elevação e outros equipamentos considerados fundamentais para responder aos desafios de construção de um vasto conjunto de navios que estavam a ser encomendados por vários armadores de pesca.

O efectivo de trabalhadores rapidamente foi crescendo, chegando a atingir um pico de 2044 trabalhadores em 1958, com um custo em remunerações salariais que ultrapassou os 22.000 contos, fator que tornou os ENVC num dos maiores empregadores do País. E é precisamente neste ano que o espectro do desemprego volta à Empresa, por escassez de encomendas. Nesta altura, contando todo o período desde a fundação, tinha-se construído 47 navios, equivalentes a 27.000 toneladas brutas (TB), onde se salientavam muitas unidades com mais de mil TB, com referência para os seguintes: Gil Eannes, (2.274), 1955, Alan Villiers, (1.327), 1953, Sra. Boa Viagem, (1.273), 1956; S. Gabriel, (1.307), 1956; Shell Tagus, navio tanque, (1.177), 1957; Sra. da Vida, (1.421), 1957, e grandes transformações, com destaque para: Rio Lima, (1.220), 1952 e Lousado, (1.307), 1954.

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28 de Abril de 1952. Entrega do navio Rio lima à Empresa de Pesca de Viana. Foto pertencente aos arquivos centrais da Marinha Portuguesa.

 

Em 1958 os ENVC entregaram 9 navios, num valor superior a 112 mil contos, mas realizaram contratos apenas para mais 2 de pequena dimensão (50 metros de comprimento e 700 TB) para a Companhia de Caminhos-de-Ferro Portugueses, pelo valor de 57.944 contos, vendo-se na necessidade de começar a reduzir o seu efectivo de pessoal, passando dos 2044 para 1738; uma redução que ultrapassou os 300 trabalhadores. Apesar de ter em construção o maior navio de sempre na história da Empresa, o navio lobito, de 14.282 TB, laborado ao longo de 3 anos, cujo custo foi superior aos 100 mil contos, tal não evitou de novo o drama da falta de sustento para mais de 3 centenas de famílias vianenses.

Ao longo do ano de 1959 os ENVC estabeleceram novos acordos para a construção de mais cinco unidades, entre as quais o navio S. Gabriel, com 138 metros de comprimento e 7.900 TB, com destino à Armada Portuguesa. A estabilidade parecia ter voltado. Porém, estes contratos, no valor de 233.703 contos, não evitaram o despedimento de mais 276 trabalhadores no decurso do ano de 1960, levando a um total de mais de meio milhar em apenas dois anos. 1961 revela-se um ano de relativa acalmia e a Empresa, embora de forma residual, volta a admitir pessoal. Sol de pouca dura, contudo. No relatório e contas de 1961, concluído a 27 de Fevereiro de 1962, a Administração da Empresa deixa antever um novo período de crise, ao afirmar: “As provações a que o País foi submetido reflectiram-se perniciosamente na vida da nação, limitando as actividades industriais, e o ramo da construção naval não pôde, também, evitar os seus efeitos. Podemos afirmar que, desde Março de 1961, exceptuando alguns batelões e um ou dois rebocadores, apenas foram encomendados à indústria de construção naval portuguesa oito lanchas patrulha, quatro das quais ao Arsenal do Alfeite e quatro a estes Estaleiros”. E depois de dar a conhecer algumas negociações em curso, das quais não haveria muito a esperar, a Administração concluía: “ Temos a esperança de que em 1962 seja efectivada na prática a aplicação do anunciado programa de renovação da nossa Marinha de Guerra, o qual proporcionará à nossa industria a continuidade de trabalho de que tanto carece e, ao mesmo tempo, lhe permitirá dar a sua colaboração esforçada e competente a tão patriótico empreendimento”. As previsões optimistas da Administração vieram a confirmar-se, evitando uma crise de grandes consequências, já que neste segundo ano da década de 60 os ENVC realizaram contratos para a construção de 5 grandes navios para sociedades de pesca portuguesas, com uma capacidade de quase 6.000 TB e por um valor superior a 74.000 contos e ainda um contrato para a construção de um escoltador oceânico para a Marinha de Guerra pelo preço de 156. 863 contos. Mas, tal não evitou a dispensa de mais quase 300 trabalhadores, ao longo desse ano e nos dois seguintes. Em 1964 os ENVC empregavam 1242 trabalhadores, muito longe dos 1510 em 1961 e mais distantes ainda dos dois milhares que empregavam em 1958.

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Anos 60. Pavilhão dos ENVC integrado numa das muitas feiras em que participava, tendo em vista a angariação de encomendas.

OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (III)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Reatada a tradição da construção naval em Viana

Os ENVC foram fundados em 1944, gerando desde logo uma expectativa muito grande na população vianense, tanto mais que Viana do Castelo tinha largas tradições no domínio da construção naval. E esse optimismo era fundado, muito especialmente, no forte apoio moral que os poderes instituídos concederam a esta Empresa e nas promessas que lhe foram feitas em relação ao seu envolvimento na modernização da frota de pesca portuguesa, dado o incremento que a pesca do bacalhau vinha tendo nos mares da Gronelândia.

Porém, até 1949 a Empresa concluiu apenas 4 navios, menos de um por ano. A construção das infra-estruturas: terraplenos, saneamento, docas, redes eléctricas e outras, bem como de estruturas básicas: armazéns, oficinas, escritórios e sala de traçagem dos navios, consumiram boa parte do tempo e, naturalmente, perturbaram o funcionamento da actividade produtiva. O empreendimento era de vulto. Instalar um estaleiro de construção naval de capacidade média, na base do esforço de dois homens (João Alves Cerqueira e Vasco d’Orey), mais a boa vontade de um grupo de técnicos vindos da antiga CUF e apenas algum comprometimento do governo na adjudicação de navios para construir, era algo que exigia muita coragem e uma certa dose de loucura. Acresce que o dinheiro era pouco e a experiência de gestão também não abundava, sem esquecer a baixa qualificação do pessoal, oriundo do mundo rural, e por isso não qualificado para a execução de actividades específicas, muitas delas especializadas. Perante esta conjuntura, não admira que o projecto fraquejasse. Assim surge a primeira grande crise. O ano de 1950 torna-se um ano dramático. E a Empresa que chegou a ter 1500 trabalhadores ao longo da sua edificação, 500 deles do sexo feminino, encontra-se nesta época apenas com 531 e com os salários em decréscimo. Em 1949, o salário médio diário era de 48$79 (menos de 25 cêntimos na actualidade) e, em 1950, era apenas de 30$15 (aproximadamente 15 cêntimos). Neste ano, das docas nem um navio saiu. Em construção estavam cinco pequenos navios de 45,5 metros de comprimento e capacidade de 384 toneladas, todos enquadrados na doca 2, a de menores dimensões.

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Junho de 1948. Um grupo de trabalhadores posa para a objectiva a bordo de um dos três primeiros navios construídos pelos ENVC, Senhor dos Mareantes, São Gonçalinho e Senhora das Candeias.

 

Mas o projecto não podia vacilar, até porque o investimento realizado, 25.000 contos em estruturas e 20.000 nas docas, era um valor de vulto. É assim que João Alves Cerqueira e Vasco d’Orey têm que hipotecar todos os seus bens para conseguir junto da banca os empréstimos necessários para de seguida alterar o estatuto social da Empresa, fazendo a sua transformação em sociedade anónima de responsabilidade limitada, facto conseguido em 30 de Maio de 1949. De seguida, como a aflição era grande, não restou outra alternativa que não fosse arranjar um parceiro de peso para a sociedade, sob pena de se ver desaparecer um empreendimento que tinha criado profunda expectativa e entusiasmo em Viana do Castelo. É assim que metade das acções dos ENVC, SARL, no valor de 25.856 contos, é vendida à firma H.Parry & Son. Ltd. Esta tinha como seu presidente Jacques de Lacerda, a personalidade que veio dar um novo rumo aos Estaleiros de Viana. Homem de grande dinamismo, com acentuadas preocupações sociais, caso raro naquela época, bem conhecido pelo meritório trabalho que vinha tendo nos Estaleiros do Parry, é nele que se depositam todas as esperanças para ultrapassar o apuro em que se vivia. Jacques de Lacerda entra oficialmente nos ENVC a 10 de Março de 1950.

Imagem_ 7baloesenvc.jpgJacques Lacerda discursa na entrega de um navio. À sua esquerda, Américo Tomaz, à época, Ministro da Marinha. À Direita, Araújo Novo, que foi Governador Civil do Distrito, Presidente da Câmara de Viana e gestor dos ENVC

OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (II)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

NA ERA DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Os balões nos ENVC verificaram-se em períodos distintos, fundamentalmente como consequência da falta de navios para construir. As crises de escassez de trabalho foram significativas nos anos de 1950, 1959, 1962 e 1967, este último, o ano em que se verificou o derradeiro balão. Foram cerca de duas décadas em que uma parte significativa do pessoal da Empresa, em especial os trabalhadores menos qualificados, vivia de forma instável, sempre na expectativa de poder, a qualquer momento, ficar sem sustento para si e para a família.

Este período sombrio na vida dos ENVC acontece precisamente em décadas que podem ser consideradas como de aposta na industrialização do país. Nos anos 50 e 60, como consequência do crescente desenvolvimento europeu, titubeantemente, o Estado Novo aposta menos na ruralidade e elege a indústria como sector estratégico, procurando não atrasar mais a profunda distância a que se mantinha Portugal dos restantes países do continente; isto apesar dos receios de Salazar, sempre apostado em manter as famílias agarradas ao amanho da terra, onde a submissão à ordem e a resignação à miséria era mais possível. A fábrica, aglomerado de descamisados, onde se forjava o descontentamento pelos baixos salários, apresentava os perigos da “desordem”, contribuindo para minar o poder, daí que o ditador a olhasse com profunda desconfiança. Contudo, este avanço do sector produtivo industrial, consagrado nos Planos de Fomento que vigoraram entre 1953/58, o primeiro, 1959/64, o segundo e 1968/73, o terceiro (o quarto era para ter vigorado no ciclo 1974/79), não teve grandes reflexos no norte de Portugal, mantendo-se os ENVC quase como empresa única na região. A agricultura, em declínio no país (a população agrícola que era de 47% do total nacional em 1950, decresceu para 33% em 1970), apesar de algum esforço para lhe dar alguma modernidade, manteve-se significativa na região do Alto Minho, entrando em expressivo abandono apenas nos fins da década de 60, quando a emigração, especialmente para os países mais desenvolvidos da Europa Ocidental, França e Alemanha, atingiu valores elevados, superiores a um milhão, no período de 1965 a 1973, tendo o norte de Portugal contribuído com cerca de 80% deste valor.

Imagem_4baloesenvc.jpg1950. Cerimónia de inauguração do Bairro dos Pescadores em Viana do Castelo. Iniciativas que o Estado Novo acarinhava. Foto pertencente aos arquivos centrais da Marinha Portuguesa

OS BALÕES NOS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO (I)

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

UM DRAMA PRÓPRIO DO ESTADO NOVO

Com frequência se comenta a consabida prática dos balões nos ENVC e das suas consequências sociais, quer para quem deles era vítima, quer para a vida económica local. Quem trabalhou nos Estaleiros de Viana ou lá teve algum familiar é conhecedor desta vivência, mas o grande público fica surpreendido quando em tal ouve falar.

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Ora, os balões eram apenas despedimentos de um número significativo de trabalhadores nas alturas em que a Empresa não tinha trabalho suficiente para ocupar toda a mão-de-obra disponível. Isto aconteceu desde a fundação dos ENVC até praticamente ao 25 de Abril de 1974.

Quando se fala com algum trabalhador que foi vítima da prática dos balões ou que os conheceu com detalhe, porque afetou alguém que lhe estava próximo, sentimos, pelas manifestações de tristeza, o quanto devia ter sido duro viver tal situação. Ficar desempregado, mesmo que dispondo de salário modesto, sem poder recorrer a qualquer outra fonte de rendimento para sustentar a família, quase sempre numerosa, é algo que devia levar ao desespero, que muitas vezes só se amenizava com a solidariedade de parentes e amigos, bem mais activa nesses tempos do que no momento presente.

Viana do Castelo foi sempre uma região predominantemente rural, aqui pontificando uma agricultura familiar de baixa rentabilidade, já que explorada por meios artesanais. O campo, trabalhado à exaustão, dava mal para acudir às necessidades alimentares básicas daqueles que o exploravam. Esta foi a realidade verificada ao longo de décadas e nem mesmo a fundação dos ENVC, em 1944, veio alterar esta pungente situação. Não era a existência de algumas fábricas de serração de madeiras, alguma indústria cerâmica, ou a actividade pesqueira, ainda com alguma vitalidade na época, para citar o que de mais relevante havia entre nós, que influía para não fazer de Viana do Castelo uma das mais atrasadas regiões do país.

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Anos 1930. Arrabaldes de Viana do Castelo. Uma imensidão de campos agrícolas, com vista a partir de S. Luzia

 

Perante tal cenário, compreende-se como era dramático o desemprego nesse tempo, tanto mais que o subsídio de desemprego estava arredado da imaginação de milhões de trabalhadores, não só na sociedade vianense como no Portugal inteiro. Descontos para o fundo de desemprego já na época se fazia. Essa foi uma das medidas que o Estado Novo adoptou no âmbito da sua doutrina corporativa e da qual fez ampla propaganda, através do Secretariado de Propaganda Nacional, sob a tutela de António Ferro, que aí pontificou desde 1933 a 1949, conforme se pode ver pelo cartaz aqui reproduzido, massivamente divulgado pelo país ao longo dos anos 30 e 40. Porém, com o dinheiro arrecadado aos parcos vencimentos dos trabalhadores tendo em vista a sua subsistência em períodos de desemprego, facto deveras rotineiro nesse tempo, subsidiava-se obras e acções do Estado Salazarista, como também é ilustrado na foto que se reproduz, referente à construção da estrada de acesso à Praia do Cabedelo, empreendimento realizado no mandato do Presidente da Câmara Municipal da nossa cidade, Capitão Gaspar Castro, no período 1928/1933.

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Finais dos anos 1920. Construção da estrada de acesso ao Cabedelo. Bem visível, a placa que apresenta a obra como sendo subsidiada pelo fundo de desemprego.

FÁBRICA DE FAMALICÃO É LÍDER EM CALÇADO FEMININO DE CONFORTO

ACO Shoes assinala 45 anos oferecendo máscaras aos agentes internacionais

A ACO Shoes, empresa líder em Portugal na produção e exportação de calçado feminino de conforto, decidiu assinalar os 45 anos de existência oferecendo um kit de máscaras personalizado a cerca de 300 clientes e agentes internacionais.

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A festa da empresa portuguesa, fundada em 6 de junho de 1975, em Mogege, concelho de Vila Nova de Famalicão, estava inicialmente agendada para o Hotel Luise, em Riva Del Garda, em Itália, durante a edição de junho da Expo Riva Schuh International Shoe Fair. Porém, por causa do surto da covid-19, a feira foi anulada e, por consequência, a festa de aniversário da ACO Shoes, que ali juntaria aos seus agentes, representativos de mais de 30 países.

“A alternativa encontrada, para não deixar passar a data em claro, foi produzir um kit de máscaras com o logo da ACO Shoes e a referência aos 45 anos”, explica Armindo Costa, cofundador da ACO e presidente do conselho de administração da empresa.

Em 1975, a ACO foi criada em Vila Nova de Famalicão, tendo atualmente empresas participadas em Ponte de Lima e em Cabo Verde.

Passado o impacto do coronavírus em Portugal, que afetou a produção normal da ACO, a empresa retomou a normalidade das suas operações no dia 1 de junho.

“Nenhuma empresa consegue ficar imune a uma crise desta dimensão, contudo, seguimos com a certeza de que sairemos mais fortes”, destaca Armindo Costa.

Mais informações sobre a Medium no site www.acoshoes.pt.

PONTE DE LIMA VAI TER PÓLO INDUSTRIAL DO GRANITO NA PEDRAS FINAS

Executivo Municipal Visita Projeto de Loteamento do Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas de Ponte de Lima

Enquanto proponente do projeto de Loteamento do Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas de Ponte de Lima, o Executivo Municipal efetuou uma visita à empreitada em execução.

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Com condições ímpares no país, este é o único Pólo Industrial dedicado exclusivamente à transformação de pedra, num investimento previsto de 3.749.880,77 € + IVA.

A obra que avança a bom ritmo localiza-se no lugar da Presa, no Monte de Antelas, na proximidade das áreas de extração, e ocupa uma área de cerca de 22 hectares, onde se procede de momento à implantação de 28 lotes, cujas áreas variam entre os 900 m2 e os 20.000 m2.

Nas palavras do Eng.º Victor Mendes, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, este “é um projeto de sustentabilidade económica, (…) de uma indústria que produz 571 mil toneladas por ano”.

Segundo o autarca, a criação deste Pólo Industrial, assenta num espírito de desenvolvimento integrado e auto-sustentado, com o objetivo de valorizar e induzir externalidades do que é "natural". Esta lógica de sustentabilidade está assente em projetos que permitem criar simultaneamente riqueza e bem-estar às comunidades locais, permitindo o reordenamento e deslocalização das empresas dispersas, permitindo-lhes o uso partilhado de infraestruturas e serviços, passando a dispor de condições para se reorganizarem na modernização e inovação.

A consecução desta mais-valia para o concelho, decorre de um processo de 12 anos de perseverança do Município, da Associação dos Industriais do Granito, e dos empresários do setor, sendo que o seu término está previsto para setembro de 2020.

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FAMALICÃO: DUNE BLEUE LANÇA MEIA A PARTIR DE PLÁSTICOS RECOLHIDOS NO MAR

A Dune Bleue está a adotar a sustentabilidade pela inovação, tendo acabado de lançar uma meia fabricada a partir de plásticos dos oceanos.

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O novo produto resulta de uma parceria com o projeto Seaqual, que procede à recolha no mar de detritos de plástico, desde linhas de pesca a garrafas e outras embalagens, e os transforma em fio reciclado. E é este fio reciclado que depois a Dune Bleue usa para produzir a nova meia que, de acordo com Ricardo Faria, CEO da empresa, “está a surpreender pela positiva com a qualidade”. 

O caráter inovador do projeto levou o Presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, a visitar a empresa, em Cavalões, na passada sexta-feira, 14 de fevereiro, no âmbito do Roteiro pela Inovação.

Esta é a mais recente das apostas da Dune Bleue para se tornar progressivamente mais sustentável. Mas, recordou Ricardo Faria, “o tema da sustentabilidade tem acompanhado as coleções anteriores”, que já integravam algodão e lã reciclados na composição das peúgas.

“Estamos num contexto europeu de economia circular e o que está aqui a acontecer é um sinal inequívoco de que é possível introduzir essa circularidade na cadeia produtiva. Mas é também importante que o consumidor dê um sinal de adesão a este tipo de compra, influenciando o que é produzido”, sublinhou Paulo Cunha.

O autarca destacou ainda que a Dune Bleue é um exemplo de que é possível criar e desenvolver projetos em conjunto e ser competitivo. “Estamos perante um sinal de maturidade do setor empresarial do concelho de Famalicão. Não é por caso que somos a Cidade Têxtil de Portugal”, vincou.

Presente no mercado desde 2005, a Dune Bleue dedica-se à criação, desenvolvimento e comercialização de peúgas, reunindo um conjunto de onze segmentos. Desde a primeira hora que o desafio da empresa é acrescentar valor técnico a um produto simples como uma meia, preparando-o para um mercado específico. Meias para a Casa Real Inglesa, militares, hospitalares e de segurança para trabalho são alguns dos produtos que desenvolve e que são comercializados para todo o mundo com marca própria e em parceria com outras marcas.

Com um volume de negócios próximo dos dois milhões de euros, a empresa regista uma taxa de exportação que atinge os 98%. Sem produção dentro de portas, recorre a parceiros nacionais para fabricar os artigos e emprega nove pessoas.

De há dois anos para cá a Dune Bleue tem vindo a apostar no mercado norte-americano. Foi precisamente de uma recente deslocação aos Estados Unidos que surgiu o próximo desafio: incorporar fio de cannabis em meias para fins terapêuticos.

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EMPRESA DE FAMALICÃO SURPREENDE EM FEIRA INTERNACIONAL COM MEIAS QUE INTEGRAM PLÁSTICOS DOS OCEANOS

Roteiro pela Inovação de Famalicão na Dune Bleue, sexta-feira, 14 de fevereiro, 10h30, na Rua dos Pavilhões nº3, 4760-443 Cavalões (Coordenadas GPS: 41°25'05.2"N | 8°35'01.1"W)

Na mais importante feira de moda desportiva, a ISPO Munique, que decorreu em janeiro, Vila Nova de Famalicão brilhou em grande nível com a presença de têxteis técnicos inovadores desenvolvidos por empresas daquele que é o concelho têxtil de Portugal.

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Uma das grandes novidades foi uma meia técnica desenvolvida pela Dune Bleue que incorpora resíduos plásticos retirados do fundo dos oceanos. O projeto fez parte de uma parceria desenvolvida com um parceiro internacional que produziu o fio e desafiou a empresa famalicense a desenvolver uma peça de vestuário de todos os dias, cuja simples utilização ajuda a preservar o meio ambiente.

A inovação da Dune Bleue faz parte do seu ADN. A empresa nasceu há 15 anos em Cavalões e desde a primeira hora que o seu desafio é acrescentar valor técnico a uma meia básica preparando-a para um mercado específico. Meias para militares, para a Casa Real Inglesa, meias hospitalares e meias de segurança para trabalho são alguns dos produtos desenvolvidos pela empresa para necessidades específicas e que são comercializados para todo o mundo com marca própria e em parceria com outras marcas.

A inovação da Dune Bleue é o foco da próxima jornada pela Inovação de Vila Nova de Famalicão, amanhã, sexta-feira, 14 de fevereiro, pelas 10h30, na Rua dos Pavilhões nº3, em Cavalões.

LEICA LANÇA BINÓCULO 100% MADE IN FAMALICÃO

É o resultado de uma aposta vencedora. O Centro de Competências e Serviços da alemã Leica apresentou o primeiro produto 100% made in Famalicão. O investimento, de acordo com Pedro Oliveira, administrador da empresa, foi de 2,5 milhões de euros; o produto é um binóculo da gama Trinovi, inspirado no monóculo que a Leica desenvolveu para a Missão Apollo 11, que, como é conhecido, levou o astronauta Neil Armstrong a tornar-se o primeiro homem a pisar a Lua.

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O Presidente da Câmara Municipal de Famalicão conheceu, no âmbito do Roteiro Pela Inovação, que o levou às instalações da Leica em Lousado, no último dia do mês de janeiro, uma peça de tecnologia única, já disponível em todo o mundo, nas mais de 70 lojas da Leica (onde se conta a que podemos visitar na Rua de Sá da Bandeira, no Porto), e que tem um preço de cerca de 1100 euros. 

Paulo Cunha ficou também a saber que o novo Centro de Competências e Serviços é uma aposta que vai permitir “prender a empresa em Portugal” e “assegurar a próxima década ou até a próxima geração”, explicou Pedro Oliveira. Ao mesmo tempo, o engenheiro e gestor de 43 anos sublinhou a importância deste centro como sendo um dínamo para “alterar o rumo da Leica em Portugal”.

O Centro de Competências e Serviços responde por cerca de 20 jovens investidores e já está a trabalhar em novos produtos, existindo já protótipos ao nível de objetivas, lentes e produtos óticos. A ambição da Leica Famalicão é lançar novos produtos made in Portugal, provavelmente ainda este ano ou em 2021. Uma das atenções da empresa é a “smartphonização da fotografia”, o que Pedro Oliveira designou de “segunda revolução digital”. 

O autarca famalicense sublinhou a relevância de pela primeira vez haver “um produto Leica 100% made in Famalicão”, que é colocado no mercado mundial. 

Paulo Cunha destacou ainda a evolução da Leica no concelho, com a crescente aposta na inovação, no conhecimento e em trabalhadores qualificados. “A qualidade dos recursos humanos está a acrescentar valor ao concelho”, afirmou, acrescentando que esse “reconhecimento de competências tem levado à aposta na indústria de capital intensivo, sendo sinónimo de melhor produtividade e de melhor remuneração”. 

Em 2013, a Leica inaugurou as suas novas instalações em Famalicão. Dos cerca de 600 trabalhadores que emprega, 343 estão na empresa há mais de 20 anos e 142 há mais de 30. Encerrou o último ano fiscal com um volume de faturação de 52 milhões de euros.

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PONTE DE LIMA FIRME CONTRA A MINERAÇÃO DE LÍTIO

O Movimento SOS Serra d'Arga reuniu hoje, 30 de Janeiro, com o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, naquela que foi a primeira das cinco audiências com os autarcas dos municípios ameaçados pela proposta de prospecção e exploração de lítio na Serra d'Arga, apresentada pelo Governo.

Da reunião, foi possível reter que o autarca Victor Mendes:

  1. Reafirmou a OPOSIÇÃO da autarquia a todos os projectos de prospecção e exploração de lítio.
  2. Explicou que tem sensibilizado associações, população e presidentes de junta para esta problemática, e que não compreende a insistência do governo central nesta medida, referindo que "Já demos o nosso contributo para o desenvolvimento nacional, por isso este concelho não está disposto a mais sacrifícios; o desenvolvimento local faz-se de outra forma".

Victor Mendes acredita que o futuro passa pela conservação e valorização da Serra d'Arga, o que pode implicar, nesta primeira fase, o alargamento dos limites da zona protegida. O presidente da Câmara de Ponte de Lima garantiu ainda que irá informar o Movimento SOS Serra d'Arga e as populações sobre o que dirá o ministro neste "roteiro de apresentação dos princípios base da nova lei das minas".

As próximas audiências marcadas pelo Movimento SOS Serra d'Arga com os autarcas são a 4 de Fevereiro às 11h, em Caminha, e a 6 de Fevereiro às 14:30, em Vila Nova de Cerveira.

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EMPRESAS FAMALICENSES NA ISPO MOSTRAM TÊXTIL INOVADOR E SUSTENTÁVEL

Na ISPO as empresas famalicenses dão cartas na sustentabilidade, apresentando os produtos e as matérias-primas têxteis do futuro e associando à inovação, tecnologia, design e moda os conceitos da economia circular.

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A Cidade Têxtil de Portugal está representada na maior feira têxtil mundial dedicada ao desporto, que decorre em Munique, na Alemanha, desde ontem e até à próxima quarta-feira, por sete empresas e dois centros tecnológicos. CM Socks, Dune Bleue, Fradelsport, Lusosocks, Oldtrading, Olmac e Scoop, a que se juntam o CITEVE e o CeNTI, integram a comitiva portuguesa de 41 empresas.

Esta é uma participação que a Câmara de Famalicão apoia através da atribuição a cada empresa de um ‘voucher internacionalização’, resultado do protocolo celebrado com a ATP - Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal, como forma de impulsionar a sua competitividade e internacionalização. 

“São empresas que representam o que de melhor se faz em Portugal na indústria têxtil e do vestuário de elevada tecnicidade para o segmento de desporto”, explica o Vereador dos Pelouros da Economia e Internacionalização, Augusto Lima, que está também de visita à ISPO, lembrando que os têxteis técnicos famalicenses representam já 156 milhões de euros de exportações.

Mas não é só a tecnologia e a inovação que dominam o certame. “As empresas famalicenses vieram à ISPO exibir também a sustentabilidade dos seus produtos, demonstrando assim uma preocupação cada vez maior com a responsabilidade social e ambiental. A sustentabilidade é a aposta de futuro e é muito positivo verificar que há cada vez mais empresas a abraçá-la”, refere Augusto Lima.

Esta segunda-feira, os Secretários de Estado da Economia, João Neves, e da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, visitaram os expositores portugueses na ISPO. A participação nacional é organizada pela Associação Selectiva Moda em parceria com o CITEVE.

Apostas das empresas famalicenses

Lusosocks estreia-se na ISPO e logo para apresentar uma nova marca de peúgas, “inovadora e com produtos diferenciados do mercado e da concorrência do setor”, diz Miguel Campos. A empresa vai também apresentar um novo artigo patenteado e já premiado pelo júri da ISPO.

Já a CM Socks volta a apostar na ISPO, depois de se estrear em 2019, sobretudo para dar a conhecer a meia Prevent Sprain, que previne entorses e cuja tecnologia está patenteada em 143 países.

O mesmo sucede com a Fradelsport que, na sua segunda participação, aposta na apresentação de uma coleção ecológica para a modalidade de running, “com tecidos sustentáveis e linhas produzidas através de um polímero reciclado de flocos de garrafa de plástico, numa parceria com a famalicense Crafil”, explica Paulo Reis, sócio-gerente.
Especializada no vestuário sem costuras, o chamado seamless, a Oldtrading está igualmente focada no futuro sustentável, expondo artigos que foram produzidos com fios reciclados, a partir de resíduos plásticos (redes, garrafas e outros) recolhidos no fundo do mar. “Os mercados e clientes do Norte da Europa são muito sensíveis à defesa e proteção do ambiente”, lembra Rui Gordalina, CEO da Oldtrading.

Especialista em meias técnicas, a Dune Bleue tem vindo a reforçar a sua presença em eventos internacionais. E na ISPO dá a conhecer as novas meias produzidas com fio reciclado proveniente dos resíduos recolhidos nos oceanos. “São artigos de valor acrescentado, graças a uma combinação vencedora entre o know-how da empresa e a confiança estabelecida com os nossos parceiros”, sublinha Ricardo Faria, CEO da empresa.

Olmac tem apostado no private label e na ligação a marcas de luxo associadas à moda com sofisticação técnica. “Sustentabilidade, pegada ecológica, responsabilidade energética. Conceitos na mente de muitos, realidade na Olmac”, aponta Olímpio Miranda, CEO da empresa, que dá a conhecer na ISPO novos artigo “mais em harmonia com a natureza e o ambiente. Responsabilidade de todos e de cada um”.

Recentemente reconhecida pela ONU pelas suas boas práticas empresariais, a Scoop levou para a ISPO o Musgo, o casaco tecnológico 100% português dotado de iluminação inteligente com fibras óticas, e outros artigos “altamente técnicos, mas que usam materiais ecológicos oriundos de fibras naturais”, sublinha Daniel Mota Pinto, Diretor de Desenvolvimento de Negócios.

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METALOMECÂNICA ACENTUA TENDÊNCIA DE CRESCIMENTO EM FAMALICÃO

O volume de negócios da indústria metalomecânica cresceu 17% em Vila Nova de Famalicão, acima dos 312 milhões de euros. Um crescimento superior a dois dígitos, em linha com a tendência dos últimos anos, e que atesta o peso cada vez mais significativo do setor na economia do concelho. Resulta, aliás, da aposta numa estratégia de expansão e modernização da capacidade instalada em infraestruturas e tecnologia de vanguarda, que tem sido decisiva para a afirmação da indústria metalomecânica famalicense no plano nacional e internacional.

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A robustez do setor encontra também leitura no valor acrescentado bruto, que cresceu 14%, para os 107 milhões de euros, de acordo com os mais recentes dados macroeconómicos divulgados pelo INE, no Anuário Estatístico Regional 2018, bem como no número de empresas existentes no concelho (288 contra 286) e no número de pessoas ao serviço (3031 contra 2782), um aumento de 9%.

Quanto às exportações, há a registar um ligeiro decréscimo para os 171 milhões de euros (face aos 174 milhões em 2017), correspondendo a 8% do total das exportações do concelho, sendo Espanha (23%), França (21%), Alemanha (9%) e EUA (6%) os principais mercados das vendas internacionais.

Em Vila Nova de Famalicão, empresas de dimensão mundial produzem o que outras não são capazes. Vantagem competitiva em todo o mundo e aspeto altamente diferenciador é precisamente o que estas empresas conquistam ao produzirem máquinas para setores tão diversos como o têxtil, naval, militar, químico, petrolífero e automóvel, entre outros.

Dados macroeconómicos 
• Número de Pessoas ao Serviço: 3.031
• Número de Empresas: 288
• Volume de Negócios: 312 M€
• Volume de Exportações: 171 M€
• Valor Acrescentado Bruto (VAB): 107 M€

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