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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A RODA DOS EXPOSTOS EM PONTE DE LIMA

As imagens reproduzem os “Mapas das Estatísticas dos expostos do Concelho de Ponte de Lima.Contém os seguintes elementos: existentes em 31 de Dezembro... (varões, fêmeas); entrados durante o ano...(varões, fêmeas); total (varões, fêmeas); falecidos (varões, fêmeas); entregues aos pais, mães ou parentes (varões, fêmeas); entregues ao Juizo Orfanológico (varões, fêmeas); que ficarão com as pessoas que os criarão (varões, fêmeas); total (varões, fêmeas); existentes no último de Dezembro... (varões, fêmeas); vacinados durante o ano; vencimento mensal das amas de (leite, seco); despesa total durante o ano com (salário das amas, enfaxis, ordenado a rodeira, aluger da casa da roda, medicamentos, mortalhas, outras despesas, total); observações.Contém um apontamento relativo à criação de rodas de expostos nos Concelhos de Penela e de Coura, que foi transcrito para o mapa.”. Estes documentos foram produzidos de 1845-11-24 a 1845-11-24 e encontram-se no Arquivo Municipal de Ponte de Lima.

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A "roda dos expostos" no Convento dos Cardaes, em Lisboa

Existe documentação semelhante nos mais variados concelhos do Minho e em todo o país em geral, com especial realce para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Ao contrário do que passou a ser divulgado como sendo um mecanismo criado para abandonar crianças recém-nascidas, a chamada “roda dos expostos” ou “roda dos enjeitados” consistia originalmente num mecanismo utilizado para transferir bens ou pequenas utilidades entre o convento e o exterior sem contacto visual. A roda funcionava como uma espécie de tambor onde se colocavam os objectos e, depois de rodada e feito o toque de chamada com a sineta que se encontrava junto, eram os mesmos recolhidos no interior.

Em virtude das suas características, passou com o tempo a ser um meio de pedido de auxílio por parte de mulheres que, encontrando-se em fase de aflição devido às mais diversas vicissitudes da vida, nomeadamente o abandono por parte de quem deveria encontrar-se a seu lado, via na “roda” uma forma de obter ajuda por parte de uma misericórdia ou outra congregação religiosa. E, na maior parte dos casos, deixavam sempre um bilhete, uma pagela recortada, uma medalhinha ou qualquer outro sinal na esperança de poderem recuperar um dia a criança que alegadamente enjeitaram… não lhes bastava a desgraça e o juízo condenatório da sociedade, vieram ainda os políticos burgueses ostensivamente anticlericais acusarem-nas do abandono dos seus próprios filhos!

Encontrando-se na maior parte das vezes as crianças em fase de aleitamento, procuravam as religiosas entre a comunidade uma mulher em condições de prestar esse serviço, para o qual obtinha remuneração e outros apoios, ficando desse modo identificada a mãe e criados laços de proximidade com o filho. Na sua chegada à instituição, era em regra baptizada com nome cristão, a maioria das vezes com o nome do santo que servia de padrinho ou era celebrado nesse dia, existindo ainda actualmente muitos casos de transmissão através das gerações do apelido “Exposto”.

À semelhança de outros boatos como os famigerados túneis e armas no interior dos conventos, a “roda dos expostos” serviu as perseguições movidas em relação às ordens religiosas e às próprias misericórdias, pelos políticos do liberalismo e da Primeira República, não raras as vezes agindo pela ambição de se apoderarem das suas propriedades.

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Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

EUCARISTIA ASSINALOU DESCOBERTA DE “ESTREITO DE MAGALHÃES” E HOMENAGEOU NAVEGADOR BARQUENSE

Recordamos, ontem, 21 de outubro, Fernão de Magalhães com a celebração de uma Eucaristia para assinalar os 501 anos do início da exploração da descoberta da passagem que ficaria para a história conhecida como o “Estreito de Magalhães”.

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A cerimónia foi transmitida em direto para a Argentina e integra as celebrações dos quinhentos anos da viagem de circum-navegação que Fernão de Magalhães fez, entre 1519 e 1522. O Município de Ponte da Barca tem desenvolvido várias iniciativas, que se prolongam até 2022, e visam homenagear o Barquense mais Ilustre, que deu “novos mundos ao mundo”.

A Eucaristia foi presidida pelo Padre Filie Sá com animação da liturgia por elementos do grupo coral de da freguesia de Lavradas.

Participaram nesta iniciativa alunos e professores da Escola Secundária de Ponte da Barca, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, o Agrupamento de Escuteiros de Vila Nova de Muía, e ainda o Presidente e comandante dos Bombeiros Voluntários.

Do lado da Argentina participaram nesta celebração o Intendente de Puerto Santa Cruz, Nestor González, Conselheiros, Deputados, Autoridades das Forças Armadas, Fernando Leyenda, Coordenador das atividades Magalhânicas.

Com esta iniciativa, além de prestar homenagem a Fernão de Magalhães, foi intenção estreitar os laços entre Portugal e a Argentina, que têm em comum a história do navegador, com berço em Ponte da Barca.

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PONTE DE LIMA E A CAMPANHA PRESIDENCIAL DE 1949

Em 27 de janeiro de 1949, por ocasião das eleições para a Presidência da República, o Governador Civil de Viana do Castelo, José de Ornelas Monteiro, endereçou ao General Norton de Matos uma carta a prestar esclarecimentos relativamente à nula intervenção da PSP na vila de Ponte de Lima, após a denuncia de manifestações desordeiras na rua.

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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FAMALICÃO RECEBE MENÇÃO HONROSA NO PRÉMIO AUTÁRQUICO "ARISTIDES DE SOUSA MENDES E OUTROS SALVADORES PORTUGUESES - HOLOCAUSTO, VALORES UNIVERSAIS, HUMANISMO E JUSTIÇA"

Distinção atribuída a programa educativo e cultural na categoria «Coesão Social e Comunitária»

O programa educativo e cultural do Município de Vila Nova de Famalicão, «De Famalicão Para o Mundo: Contributos da História Local», recebeu uma Menção Honrosa na categoria «Coesão Social e Comunitária». Atribuída pela Direção–Geral das Autarquias Locais, a distinção surge no âmbito do Prémio Autárquico «Aristides de Sousa Mendes e outros salvadores portugueses – Holocausto, valores universais, humanismo e justiça», uma distinção honorífica de âmbito nacional, de natureza não pecuniária, que se realiza anualmente.

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Integrado no «Projeto Nunca Esquecer - Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto», é entregue às autarquias que, por sua iniciativa ou em articulação com a sociedade civil, promovam práticas, programas ou projetos de elevado mérito e interesse público, em cinco categorias: «Coesão Social e Comunitária», «Artes, Património e outros domínios Culturais», «Modelar o Futuro sobre memórias e experiências vivas», «Diferenciação, inovação, criatividade» e «Fazer Acontecer».

«De Famalicão Para o Mundo: Contributos da História Local» é um programa educativo e cultural desenvolvido pelo Município de Famalicão no ano letivo 2018/2019, no âmbito do Plano Estratégico Educativo Municipal. Com foco na educação para as artes e património através da dinamização de atividades educativas para exploração do património e história local, neste programa já foram abordados temas como «Em Torno da Memória do Holocausto e a Ajuda Humanitária», «Crianças Austríacas da Cáritas Portugal» ou «Prisioneiros Famalicenses nos Campos de Concentração», no sentido de inserir a história local, num contexto internacional e universal.

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ARCOS DE VALDEVEZ: TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO CONDENOU PEDRO ÁLVARES POR PERJÚRIO

Primeiras páginas do processo de Pedro Álvares, do concelho de Arcos de Valdevez, acusado de perjúrio no Tribunal do Santo Ofício em 30 de Setembro de 1673, tendo o processo decorrido até 14 de Fevereiro de 1677.

Pedro Álvares era natural de Miranda, possuía o estatuto social de cristão-velho. Tinha 30 anos de idade, casado com Ana Martins (cristã-velha), e exercia em Lisboa a profissão de taberneiro. Era filho de António Fernandes, lavrador, e de Brites Gonçalves.

Foi preso em 30 de Setembro de 1673, condenado por sentença de auto-da-fé de 10/12/1673. Ir ao auto-da-fé em corpo com uma vela acesa na mão, degredo por tempo de três anos para o Couto de Castro Marim, com pagamento de custas.

Fonte: ANTT

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JORNAL “A AURORA DO LIMA”: CARTA DE JOSÉ ROSA DE ARAÚJO AO GENERAL NORTON DE MATOS PROCURANDO SABER A LOCALIZAÇÃO DA “CASA AMARELA” EM VIANA DO CASTELO

Carta enviada por José Rosa de Araújo, da "Aurora do Lima", com data de 6 de abril de 1944, ao General Norton de Matos a questionar a localização da Casa Amarela, referida na sua obra "Memórias e Trabalhos da Minha Vida" como centro de ideias liberais, propondo dois locais: na Rua da Bandeira ou junto do Rio Lima, casa possuidora de uma "graciosa e ingénua aguarela representando «Um dia de feira em Viana em 1841»".

Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

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O PRIMEIRO GRUPO FOLCLÓRICO EM PORTUGAL NASCEU EM PONTE DE LIMA EM 1892 – ASSINALA-SE 130 ANOS EM 2022!

Dia 4 de Setembro é o dia histórico do folclore português

Data de 4 de setembro de 1892, a mais antiga referência escrita acerca da existência de um grupo de folclore em Portugal. Trata-se de um artigo com ilustração de Sebastião de Sousa Sanhudo, publicado no jornal humorístico “O Sorvete”, nº 123, dando conta da deslocação à cidade do Porto de “Grupo de Lavradeiras de Ponte de Lima”. Este é o dia histórico do folclore português.

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Fonte: Arquivo Municipal de Ponte de Lima

Durante muito tempo, considerou-se o antigo Rancho das Lavradeiras de Carreço, fundado em 1904, como o mais antigo agrupamento folclórico constituído em Portugal. Contudo, um documento que data de mais de dez anos anteriores à sua fundação leva-nos a concluir que, até novas provas em contrário, foi em Ponte de Lima que pela primeira vez surgiu um grupo folclórico devidamente organizado e trajado, o que não significa que não seja o Rancho das Lavradeiras de Carreço actualmente o mais antigo em actividade.

E, com o título “O grupo de lavradeiras de Ponte de Lima no Porto”, fá-lo nos seguintes termos: “Graças à iniciativa dos generosos Bombeiros Voluntarios tiveram os portuenses occasião de vêr com os seus proprios olhos o que é uma esturdia no Minho. Lavradores e lavradeiras de puro sangue. Musica genuina da aldeia, cantadores e cantadeiras de fina raça; danças e cantares, tudo, enfim que o Minho tem.

Lourenço, o director da musica, tornou-se a figura mais saliente entre o seu grupo, pois que, ás primeiras gaitadas adquiriu logo as simpatias do publico que o chamou repetidas vezes e o cobriu de aplausos delirantes.

O sympathico Lourenço, quer na flauta, que toca bem – quer no sanguinho de Nosso Senhor Jesus Christo – mostrou-se um bom beiço. Das raparigas: a Thereza, a Rita e a Maria, muito alegres e folgazonas, as outras tambem muito pandegas. E p’ra que viva Ponte do Lima!

A notícia vem acompanhada de uma ilustração que constitui um desenho assinado pelo próprio responsável da publicação, o conceituado caricaturista Sebastião de Sousa Sanhudo, também ele natural de Ponte de Lima. A gravura mostra as lavradeiras com o seu traje característico incluindo os lenços de franjas, os aventais de quadros e as chinelas enquanto os homens com seus coletes e casacas de botões negros e, como não podia deixar de suceder, o inconfundível chapéu braguês por vezes bastante esquecido entre os grupos folclóricos minhotos da actualidade. Uma particularidade que nos salta à vista é o facto do sympathico Lourenço que aparece com a sua flauta e era o director da música ser um negro cuja origem se desconhece, aparecendo aqui integrado naquele que se julga ter sido o primeiro grupo folclórico português.

Em 14 de janeiro de 1966, o jornal limiano “Cardeal Saraiva” transcrevia uma crónica produzida pelo jornalista Severino Costa no “Comércio do Porto” na qual asseverava ser o “grupo de lavradeiras de Ponte do Lima” originário da freguesia da Correlhã, dizendo a dado passo: “Lembrava-me muito bem do simpático Lourenço. Era um exímio tocador de flauta que na minha infância ouvi diversas vezes, não podendo porém, dizer como nem onde. Mas da pessoa lembro-me muito bem. Era um homem de fala muito suave, muito educado, alegre, e tinha uma prosóide curiosa… Nada sei da sua família e de como veio para Ponte de Lima”. De resto, não sabemos o que levou o autor a concluir a proveniência daquele “grupo de lavradeiras”, a não ser porque ainda deverá ter conhecido ou obtido informações a respeito de algumas pessoas mencionadas na notícia publicada em “O Sorvete”. E conclui: “Mas do que parece não ficarem dúvidas, depois do aparecimento deste documento autêntico, é que Correlhã tinha, em 1892, um rancho folclórico. Não se concebe que alguém se tenha lembrado, por acaso, da freguesia de Correlhã.

Se dali foi levado ao Porto, pelos Bombeiros Voluntários, tal grupo, é porque ele existia constituído, com suas danças próprias, com nome firmado, com indumentária”.

Em todo o caso e qualquer que seja a proveniência exacta do primeiro grupo folclórico, a referida edição do jornal “O Sorvete” vem documentar ter sido em Ponte de Lima a sua origem, informação essa que vem corrigir uma opinião que durante muito tempo foi sustentada nomeadamente pelas vozes mais autorizadas. Não obstante, o eventual aparecimento de novas provas poderá reservar-nos mais surpresas e inclusive contrariar as conclusões a que até agora chegámos, pelo que nunca devemos dar por definitivo os resultados da nossa investigação.

- Carlos Gomes, Correlhã, Berço do Folclore Português. O Anunciador das Feiras Novas, nº XX, 2003, Ponte de Lima

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Foto do sympatico Lourenço, o “director da música” do Grupo de Lavradeiras de Ponte de Lima. (Colecção particular de Ovídio de Sousa Vieira)

PCP ASSINALA CENTENÁRIO DE VICTOR DE SÁ, CONSTRUTOR MILITANTE DA CULTURA E DA LIBERDADE

A 14 de Outubro de 2021, assinala-se o Centenário do nascimento de Victor de Sá, destacado antifascista do concelho e do distrito de Braga, livreiro, escritor e editor, historiador, investigador e professor universitário, que foi também o primeiro deputado do PCP eleito no distrito de Braga, entre 1980 e 1981.

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A sua personalidade multifacetada é a de um lutador coerente e persistente, divulgando a cultura, sistematizando reflexão e conhecimento, intervindo para transformar a realidade do seu tempo, pela liberdade, a democracia e o socialismo.

A DORB do PCP evoca e homenageia a grande contribuição de Victor de Sá para a luta dos comunistas, de todos os democratas e patriotas, constituindo um exemplo e um legado que perdurará bem para lá do seu Centenário.

Dando sequência ao conjunto de iniciativas que assinalam o Centenário de Victor de Sá, anunciamos a realização da sessão de apresentação pública da reedição da obra “Fascismo no quotidiano”, a ter lugar no sábado, 16 de Outubro, pelas 17h30, no Museu Nogueira da Silva (Avenida Central, 61, Braga), com a presença de Francisco Melo, da editora “Página a Página”, Fernanda Ribeiro, Professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e autora do prefácio a esta edição, e de Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP e Diretor do jornal “Avante!”

Este conjunto de iniciativas teve início com a Conferência “Victor de Sá: uma vida de acção cívica, política e cultural”, no dia 2 de Junho, no Theatro Circo. Incluiu também uma exposição evocativa no espaço da Organização Regional de Braga na edição deste ano Festa do Avante!.

Depois de ter apresentado em sede da Câmara de Braga um conjunto de propostas alusivas ao Centenário de Victor de Sá, o PCP continuará a bater-se pela concretização das iniciativas então aprovadas unanimidade no Executivo Municipal, nomeadamente:

  • A colocação de uma placa alusiva ao Centenário de Victor de Sá no passeio frente ao local onde funcionou a livraria Victor, na rua dos Capelistas, em Braga;
  • A atribuição do nome de Victor de Sá a uma sala de leitura da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva;
  • A promoção do Roteiro da Resistência, dirigido à população estudantil do município de Braga e a turistas, visando a identificação dos espaços de encontro dos democratas e antifascistas de Braga, explicando a sua atividade e o seu papel na luta pela liberdade e democracia;
  • A promoção de um concurso de ideias para elaboração de peça escultórica alusiva à Resistência e Luta pela Democracia, com vista à sua colocação em espaço público junto ao Theatro Circo, local de manifestações pela liberdade;
  • A realização de uma sessão evocativa da vida e obra de Victor de Sá;
  • A reedição, através da Fundação Bracara Augusta, da obra de Victor de Sá intitulada “Testemunho de um Tempo de Mudança” e a sua disponibilização gratuita em formato e-book na página do município na Internet.

A DORB do PCP saúda ainda as iniciativas evocativas do Centenário de Victor de Sá organizadas em Braga, Porto e Lisboa, e as respetivas entidades organizadoras: Universidade do Minho, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Universidade do Porto e Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, entre outras.

Joaquim Victor Batista Gomes de Sá nasceu em 14 de outubro de 1921, na freguesia de Cambeses, em Barcelos, mas cedo se transferiu para Braga, cidade onde viveu grande parte da sua vida e desenvolveu o seu percurso profissional, cívico e político. Estudou no Liceu de Sá de Miranda e dedicou-se à atividade cultural em Braga. Em 1942, criou a “Biblioteca Móvel”, levando a leitura a cidadãos sem recursos nas cidades ou nos meios rurais. Em 1947, abriu em Braga a Livraria Victor, à qual, mais tarde, juntou o nome “Centro Cultural do Minho”. Esta foi um verdadeiro centro de difusão do livro e ponto de encontro de muitos leitores, em especial do Norte do País. Fruto da sua atividade cultural e política, foi por oito vezes detido pela PIDE, acusado de integrar o Partido Comunista Português. É autor de inúmeras publicações, tendo ao longo da vida mais de 600 títulos de artigos e mais de 30 livros.

A sua atividade de publicista iniciou-se publicamente em 1937, no jornal Correio do Minho, do qual viria a ser, após o 25 de Abril de 1974, diretor provisório. Participou ativamente nas candidaturas presidenciais de Norton de Matos (1948), Arlindo Vicente e Humberto Delgado (1958). Dinamizou as candidaturas da Oposição pelo distrito de Braga à Assembleia Nacional, integrando as respetivas listas em várias delas. Participou nos Congressos Republicanos de Aveiro. Em 1959 terminou a sua licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas na Universidade de Coimbra e concorreu a professor do ensino secundário. Foi nomeado professor da Escola Comercial e Industrial de Braga, mas foi impedido, por “desnomeação”, de tomar posse do lugar, por ação direta de alguns próceres bracarenses do regime e decisão do Conselho de Ministros. Na Universidade de Sorbonne desenvolveu o aprofundamento científico que lhe permitiu apresentar a sua tese e obter o grau de doutoramento em História pela Universidade de Paris. O seu doutoramento só foi reconhecido em Portugal em 1975. Foi Professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1974-1991), Universidade do Minho e Universidade Lusófona, de cuja Biblioteca foi obreiro e diretor, e que hoje leva o seu nome. Doou o seu espólio documental à Biblioteca Pública de Braga. Tomou a iniciativa mecenática do Prémio de História Contemporânea, que hoje leva o seu nome e é promovido pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho) e vai já na sua 30ª edição.

Agiu num grupo de democratas que, a partir de Braga, trabalharam incansavelmente para as movimentações da Oposição com vista ao derrube do fascismo. No “Verão Quente” de 1975 foi vítima de ameaças dos terroristas do MDLP, tendo a sua livraria sido objeto, em várias noites, de apedrejamento e tiros. Foi o primeiro deputado à Assembleia da República eleito pelo PCP no círculo eleitoral de Braga, tendo desempenhado essa função entre 1980 e 1981, onde presidiu à Comissão Parlamentar de Cultura e Ambiente e subscreveu vários projetos de lei, entre os quais um de defesa do património arqueológico, outro sobre as associações de defesa do património cultural e outro ainda sobre os direitos dos trabalhadores-estudantes.

Em 1990 recebeu do Presidente Mário Soares a Comenda da Ordem da Liberdade. Faleceu em Braga, em 31 de Dezembro de 2003.

A MAÇONARIA NO MINHO EM 1935

Grande Oriente Lusitano dispunha de lojas e triângulos em Braga, Viana do Castelo, Âncora, Afife, Barcelos e Arcos de Valdevez

A Maçonaria viveu durante o Estado Novo um dos seus momentos mais difíceis. O deputado à Assembleia Nacional apresentou um projecto-de-lei sobre sociedades secretas visando a dissolução da Maçonaria.

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Em 27 de Março de 1935, a Câmara Corporativa, através de um extenso e detalhado relatório, emite o seu parecer favorável, documento que é publicado no Diário das Sessões da Assembleia Nacional em 2 de Abril de 1935. O documento veio subscrito por Domingos Fezas Vital, Afonso de Melo, Gustavo Cordeiro Ramos, José Gabriel Pinto Coelho e Abel de Andrade (relator).

A proposta de Lei é aprovada por unanimidade na Assembleia Nacional em 6 de Abril de 1935 e publicada em Diário do Governo, I Série, em 21 de Maio de 1935.

Em 31 de Janeiro de 1935, o General Norton de Mattos – à altura Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – endereçou o seu protesto junto de José Alberto dos Reis, presidente da Assembleia Nacional e antigo maçon. Em 4 de Abril desse ano, apresenta a sua demissão de Grão-Mestre e a Maçonaria entra em triangulação ou seja, a sua organização em células com um número mínimo de três obreiros.

À altura da sua ilegalização, o Grande Oriente Lusitano contava no Minho com a seguinte organização:

Em Braga a loja Luz e Liberdade com 47 membros.

Em Viana do Castelo a loja Fraternidade com 75 membros.

Em Âncora a loja Vedeta do Norte com 12 membros.

Em Afife um triângulo com 6 membros.

Em Barcelos um triângulo com 4 membros.

Em Arcos de Valdevez um triângulo com 6 membros.

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FILME "EROSÃO" ESTREIA EM FAFE E RETRATA A MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO

O filme Erosão, rodado em Fafe, desde 2018, retrata a história e memória da emigração

Um filme feito a partir da obra de Miguel Torga, ‘Terra Firme’, que envolveu 12 instituições, 4 freguesias e 2 paróquias de Fafe, cuja história se embrenha na comunidade. Ou seja, uma longa-metragem, com cerca de duas horas, que fala de hábitos e tradições deste povo, virtudes e dificuldades, e regista a paisagem local, o património natural, e a sua ruralidade.

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Participaram mais de 200 pessoas no projecto desenvolvido em rede, com várias entidades e comunidades locais.

Erosão está pronto e passa em antestreia a 12 de Novembro, pelas 21h30, no Teatro-Cinema. A estreia está agendada para o dia 13 de Novembro.

FAMALICÃO: MOVIMENTAÇÕES OPERÁRIAS EM DESTAQUE NO III CICLO DE CONFERÊNCIAS DO MUSEU DA INDÚSTRIA TÊXTIL

Museu da Indústria Têxtil recebe conferências nos dias 16 de outubro, 13 de novembro e 11 de dezembro

Subordinado ao tema «Percursos e memórias: Indústria e operariado nos séculos XIX – XX», o III Ciclo de Conferências do Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave (MITBA) decorre ao longo do último trimestre de 2021, com três sessões, divididas pelos dias 16 de outubro, 13 de novembro e 11 de dezembro. Cada uma delas decorre ao sábado à tarde, a partir das  15h00, no MITBA, e inclui a visita guiada a uma unidade museológica famalicense no final da conferência.

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Tendo como pretensão apresentar alguns dos aspetos mais significativos das movimentações operárias ocorridas na Bacia do Ave naqueles séculos, entre os assuntos abordados serão apresentadas reflexões sobre as lutas reivindicativas do operariado, a questão do trabalho feminino na indústria têxtil e a primeira grande greve operária da região.

O ciclo de conferências inicia com Paula Ramos Nogueira, do Centro de Física da Universidade de Coimbra, a explorar o tema «Mulheres de Fábrica – Apontamentos sobre a feminização da indústria têxtil em Guimarães», a 16 de outubro, que inclui, no final, a visita ao Museu do Automóvel, em Ribeirão.

Já a segunda sessão, a 13 de novembro, terá como assunto «As lutas reivindicativas do operariado bracarense durante a I República (1910-1926)», e contará com a presença de Débora Duarte Val Escadas, doutoranda da Universidade do Minho. Desta vez, a visita será ao Núcleo de Lousado do Museu Nacional Ferroviário.

A terceira, e última conferência, prossegue os estudos das lutas operárias, com «As lutas dos operários têxteis da Bacia do Ave, 1956 -1974», tema que será explorado por José Manuel Lopes Cordeiro, Coordenador Científico do MITBA e professor na Universidade do Minho. A derradeira visita do ciclo, será ao museu anfitrião do Ciclo de Conferências.

Refira-se que as sessões são abertas ao público em geral, sendo necessária inscrição prévia, gratuita, através do link: https://bit.ly/cicloconferenciasmitba. O evento está acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, na modalidade de Curso de Formação, para professores, com a duração de 10 horas.

Para mais informações, consulte: www.museudaindustriatextil.org

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FAMALICÃO: ANTÓNIO CASTRO HENRIQUES VENCE PRÉMIO DE HISTÓRIA ALBERTO SAMPAIO 2021

Galardão vai ser entregue dia 1 de dezembro, na Casa do Território, em Famalicão

António Castro Henriques é o vencedor do Prémio de História Alberto Sampaio 2021. A cerimónia de entrega do Prémio será realizada no próximo dia 1 de dezembro, data do aniversário natalicio de Alberto Sampaio (nasceu no dia 1Dez.1841) e, de acordo com a rotatividade prevista no Regulamento, terá, este ano, lugar na Casa do Território, em Vila Nova de Famalicão. O trabalho vencedor será publicado, também conforme prevê o Regulamento, na Revista de Guimarães.

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O Prémio de História Alberto Sampaio, inicialmente instituído em 1995 pelos Municípios de Guimarães e Vila Nova de Famalicão e pela Sociedade Martins Sarmento, renovado em 2016 e contando a partir de então também com o Município de Braga entre os instituidores “destina-se a homenagear e a manter viva a pessoa e obra de Alberto Sampaio, promovendo o desenvolvimento dos estudos científicos e investigação nas áreas ligadas ao seu legado, em especial, nas disciplinas da História Social e Económica”.

Os instituidores do Prémio Alberto Sampaio congratulam-se com o êxito alcançado pela edição deste ano, “que constituiu um contributo importante para o avanço do conhecimento histórico, agradecem a valiosa e atenta colaboração da Academia de Ciências de Lisboa e felicitam todos os concorrentes e, de um modo especial, o vencedor de 2021, António Castro Henriques”.

O júri, constituído sob a égide da Academia das Ciências de Lisboa, a quem está confiada a direção científica do Prémio, deliberou atribuir o Prémio de 2021 ao investigador António Castro Henriques que apresentou um trabalho com o título “Midas, Moedas e Mercados: A Economia Política do Primeiro Sistema Monetário Português, 1190-1250”.

No entendimento do júri, “trata-se de um excelente ensaio de investigação em história monetária da Idade Média, baseado em fontes arquivísticas exploradas de forma inovadora e que questiona criticamente o conhecimento adquirido. O autor revela maturidade e conhecimento aprofundado sobre os temas que analisa. Trata-se de um estudo sobre a gradual monetização da economia portuguesa do período, analisando o modo como a moeda adquire de forma crescente as funções de numerário, quer como medida de valor, quer como instrumento de troca. Tal ocorreu graças à circulação acrescida de moedas árabes e, sobretudo, dos novos morabitinos cunhados no reinado de D. Sancho I. Ambos os casos ilustram a dupla natureza da moeda, destinada por um lado ao financiamento das funções régias (sobretudo campanhas militares) e, por outro, à satisfação das necessidades do mercado. O ensaio de António Castro Henriques permite ainda um novo entendimento da relação entre a circulação monetária e a evolução dos preços de bens essenciais, ou seja, do poder aquisitivo da moeda em circulação. Neste sentido, discute com novos dados, trabalhados a partir de fontes documentais inéditas, o processo de depreciação da moeda (ou aumento do preço dos bens que com ela se trocam) que não resulta de modificações da quantidade em circulação, mas sim da sua degradação intrínseca.”

O júri congratulou-se ainda com a elevada qualidade da generalidade dos trabalhos admitidos, versando objetos de estudo de alguma forma relacionadas com as temáticas subjacentes ao âmbito do Prémio Alberto Sampaio.

MUNICÍPIO DE TERRAS DE BOURO RECOLHE DADOS DOS EX-COMBATENTES NO ULTRAMAR

Recolha de Dados dos Ex -Combatentes no Ultramar

A Câmara Municipal de Terras de Bouro, no intuito de publicar uma monografia que legitime e reconheça o imprescindível contributo dos antigos combatentes de Terras de Bouro no Ultramar, entre 1961 e 1975, procedeu junto das juntas de freguesia à recolha de informação relevante para conceção e publicação da referida Homenagem.

Se, por qualquer motivo, não foi contactado ou não teve ainda a oportunidade de fornecer a sua informação como Ex-Combatente (data de incorporação, data de regresso, ramo das forças armadas, país onde esteve destacado e uma fotografia), contacte a câmara municipal para esse efeito através do telefone 253 350 010 (Divisão da Cultura).

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MUNICÍPIO VIANENSE LANÇA "OS NAVIOS DE ASSISTÊNCIA À FROTA BACALHOEIRA"

A Câmara Municipal de Viana do Castelo lançou, este fim-de-semana, a obra “Os Navios de Assistência à Frota Bacalhoeira”, edição dividida em três tomos, da autoria do capitão João David Batel Marques. A publicação, que foi apresentada no Teatro Municipal Sá de Miranda, desvenda a história dos barcos e navios que invadiram as nossas águas e prestaram assistência às frotas. Ao longo desta viagem são dados a conhecer os detalhes, as histórias e as memórias dos navios “Carvalho Araújo”, “Gil Eannes” ex-Lahneck, bem como do “Gil Eannes” de 1955.

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Para o Presidente da Câmara Municipal. José Maria Costa, esta edição “representa uma justa e merecida homenagem a estas embarcações e a todos os homens que foram parte integrante das mesmas”.

“Para cada um de nós, estes livros serão uma valiosa forma de descobrir ainda melhor a nossa vocação marítima e conhecer de forma mais precisa a missão fulcral que os navios de assistência à frota bacalhoeira desempenharam, com claro destaque para a importância do nosso Gil Eannes”, reconheceu o edil.

O Gil Eannes, recorde-se, foi construído nos Estaleiros de Viana do Castelo em 1955, tendo como missão apoiar a frota bacalhoeira portuguesa nos mares da Terra Nova e Gronelândia. A sua principal função foi prestar assistência hospitalar aos pescadores e tripulantes da frota bacalhoeira, mas também foi navio capitania, navio correio, navio rebocador, garantindo abastecimento de mantimentos, redes, isco e combustível aos navios da pesca do bacalhau. Ficou, durantes anos, abandonado no cais do porto de Lisboa, até ser vendido a um sucateiro para abate em 1997.

Após ser resgatado da sucata pela autarquia, chegou a Viana do Castelo a 31 de janeiro em 1998, para receber obras de reabilitação, tendo aberto ao público como Navio Museu nesse ano. Desde então, desempenha uma importante missão como espaço cultural e expositivo, sendo o museu mais visitado do concelho.

Durante o último ano, apesar do contexto de pandemia, foi alvo de obras de reabilitação de alguns dos seus espaços e acolheu diversos eventos culturais, como a apresentação de livros e exposições, peças de teatro e declamações, e tornou-se na casa do novo Centro de Imagem, Identidade e Memória de Viana do Castelo da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

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