A 5 de dezembro de 1917, Portugal viveu um dos momentos mais marcantes da sua história republicana.
Nessa madrugada, Sidónio Pais liderou uma revolução militar que reuniu forças na zona da Rotunda, em Lisboa, desencadeando combates intensos que se estenderam até 8 de dezembro. A queda do governo de Afonso Costa e a deposição do Presidente Bernardino Machado abriram caminho à «República Nova», um regime presidencialista, com forte concentração de poder na figura do Chefe do Estado.
Num período de grande convulsão, Sidónio Pais procurou estabilizar o país através de um modelo autoritário e centrado no culto da sua liderança. A sua morte, um ano depois, mostrou como regimes dependentes de uma única figura política podem ser frágeis e gerar instabilidade.
O Palácio de Belém foi, também, palco destes acontecimentos: da resistência de Elzira Dantas Machado, mulher de Bernardino Machado, à assinatura do decreto de exílio do Presidente, os documentos preservados pelo Museu revelam como a revolução atingiu diretamente a Presidência da República.
Um episódio que nos recorda como mudanças profundas na distribuição do poder exigem reflexão cuidadosa e memória histórica.
Fonte: Museu da Presidência da República | Fotos: Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Coleção Particular Bento Machado e Arquivo Histórico da Presidência da República.
Uma comitiva da Grã Ordem Afonsina (GOA), associação cultural sediada em Guimarães, irá deslocar-se a Coimbra, no próximo dia 6 de Dezembro, para aí prestar mais uma vez a justa homenagem a Afonso Henriques, em dia do 840º aniversário da sua morte.
Os membros irão deslocar-se ao Mosteiro de Santa Cruz, por volta das 11h da manhã para, junto do Túmulo Real, deixar depositada uma coroa de flores e dedicar algumas palavras de circunstância.
Esta iniciativa ocorrerá em simultâneo com as cerimónias que decorrerão em Guimarães, onde os restantes membros da GOA estarão presentes juntamente como o Presidente da CM de Guimarães, Dr. Ricardo Araújo, para junto à famosa escultura de Soares dos Reis procederem a semelhante homenagem.
Painel de azulejos existente na cidade de Guimarães
As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.
A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.
Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Álvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Álvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.
No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.
A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o Condestável D. Nuno Álvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contestável reconhece que a mestiça que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.
Aliás, já desde o berço, já a quando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.
A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.
Esta espiritualidade imaculistas foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.
De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como "Dia da Mãe" e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.
O dia 8 de Dezembro transcende o "Dia Santo" dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.
Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.
De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa são acompanhados pela história do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.
Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula "Ineffabilis Deus", Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.
Portugal, segundo Nuno Álvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria e D. João IV, isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.
O Dia 8 de Dezembro na História de um Povo. Padre Francisco Couto, ISTE, Reitor Santuário de Vila Viçosa; Padre Senra Coelho, ISTE, CEHR, APH
Passam 385 anos desde a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio dos reis de Espanha. Um punhado de portugueses tomou de assalto o Paço da Ribeira, aprisionaram a Duquesa de Mântua e defenestraram o traidor Miguel de Vasconcelos. Estava proclamada a restauração da independência.
Seguiu-se a aclamação de D. João IV, Duque de Bragança, como rei de Portugal e dava-se início a uma sucessão de batalhas militares que duraram 28 anos, com vista a consolidar a independência, as quais culminaram com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. Este tratado, celebrado entre Afonso VI, de Portugal e Carlos II, de Espanha, pôs fim à Guerra da Restauração, dando lugar nomeadamente à devolução de Olivença que esteve durante 11 anos sob ocupação espanhola. Apenas a praça de Ceuta ficou na posse de Espanha.
Para o sucesso do golpe palaciano contribuíram diversos fatores internos como o descontentamento dos nobres que haviam perdido os seus privilégios e eram preteridos relativamente à nobreza castelhana; a burguesia que via o seu negócio prejudicado pela concorrência dos comerciantes ingleses, holandeses e franceses e também os constantes ataques aos navios que transportavam os seus produtos e, finalmente, o povo sobre quem recaíam cada vez mais pesados impostos.
Mas, puderam os conjurados de 1640 também contar com diversos fatores externos que se revelaram favoráveis, de entre os quais se salienta a revolta que eclodira na Catalunha em 7 de junho daquele ano, contra o centralismo imposto pelo Conde-Duque de Olivares e a presença de tropas castelhanas em território catalão. Tratou-se da “Guerra dos Segadores”, assim denominada por ter tido origem imediata na morte de um ceifeiro, a qual teve lugar entre 1640 e 1652.
Os catalães proclamam a República Catalã em 26 de janeiro de 1641. Porém, o falecimento do seu principal chefe Pau Claris, leva a um desenvolvimento do conflito do qual resulta na incorporação de parte da Catalunha no território da França.
Tanto a revolta da Catalunha como a Restauração da Independência de Portugal contaram com o apoio do Cardeal Richelieu, o que aliás explica a defenestração – termo originado de fenêtre – de Miguel de Vasconcelos, prática muito em voga à época em todas as revoltas que ocorreram noutros países europeus. Deste modo, conseguia a França alargar as suas fronteiras políticas, fazendo-as coincidir com acidentes naturais como os Pirinéus a ocidente, o rio Reno e os Alpes a oriente, de maneira a melhor defender-se do poderio da Casa de Áustria de onde descendiam os reis de Espanha cujos domínios, no continente europeu, incluía Portugal, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Ilhas Canárias, Maiorca, Rossilhão, Franco-Condado, para além dos reinos de Castela, Leão, Valência, Aragão e a Catalunha propriamente dita.
Com o casamento em 1469, do rei Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, a Catalunha vinha perdendo as suas liberdades enquanto nação soberana e jogava agora a sua oportunidade de recuperar a independência política.
Dando prioridade ao esmagamento da revolta catalã, o rei Filipe IV, de Espanha, ordena ao Duque de Bragança e a muitos nobres portugueses que o acompanhem na repressão à Catalunha, tendo-se a maior parte deles recusado a obedecer.
Enquanto a Catalunha sucumbiu perante o poderio castelhano, Portugal conseguiu sair vitorioso da guerra travada contra a Espanha que durou 28 anos e veio a confirmar a nossa independência como nação soberana, em grande medida graças à revolta catalã. Por conseguinte, possuem os portugueses uma dívida histórica aos catalães na medida em que a sua sublevação foi bem-sucedida em grande medida devido à revolta dos segadores da Catalunha.
João Bento Rodrigues de Abreu Fernandes (Nhô Filili)
João Bento Rodrigues d’Abreu Fernandes de seu nome completo, também conhecido por Nhô Filili, nasceu em Cabo Verde, na Cidade da Praia em 1860, onde viveu e viria a falecer em 1939. Era filho de João Bento Rodrigues Fernandes, nascido em Paredes de Coura no ano de 1795. Foi viver para a Cidade da Praia onde faleceu em 1861.
A vida de João Bento Rodrigues vem descrita numa obra de ficção – “O Legado de Nhô Filili” – da autoria de Luís Urgais cuja sipnose, da editora Oficina do Livro, reproduzimos com a devida vénia:
“Filho de minhotos, João Bento Rodrigues - que ficaria conhecido por Filili - nasceu na ilha do Fogo no ano da abolição da escravatura. O decreto não bastou, porém, para que se extinguisse o tráfico, até porque os negreiros tinham a cumplicidade das autoridades; e foi assim que Maguika, capturada nas matas da Guiné, se tornou propriedade de Nhô Filili, trazida por um negociante desejoso de, com presentes, o conquistar para genro. Contudo, assim que pôs os olhos na negrinha, João Bento Rodrigues já não voltou a olhar para outra mulher, afrontando a elite da capital ao entrar na igreja de braço dado com a escrava e, mais tarde, unindo-se a ela pelo santo matrimónio, desafiando preconceitos e convenções. Mas, se é verdade que as pretendentes não gostaram de se saber preteridas, quem mais sofreu foi Leila, a concubina com quem Filili mantinha laços íntimos e que, de repente, se viu sozinha na Cidade Velha com um segredo. O passado tem, no entanto, maneiras de regressar quando menos se espera. E, às vezes, ainda bem.
Tendo por cenário o arquipélago de Cabo Verde entre a segunda metade do século xix e a primeira do século xx, O Legado de Nhô Filili é o retrato de uma África bela e sedutora, mas também dura e miserável, e bem assim uma metáfora da história da mestiçagem biológica e cultural e da génese dos movimentos pela independência das Colónias.”
Afonso de Menezes, Mestre de Sala d’el Rei D. João IV;
Afonso de Meneses, Mestre Sala d’El-Rei D. João VI de Portugal (28 de Abril de 1646), Cônsul em Lisboa, Capitão-Mor de Monção e comendador de Izeda, na Ordem de Cristo.
Foi casado com D. Joana Manuela Magalhães e Meneses, herdeira da casa de Ponte da Barca.
Pai do Dr. José de Meneses, nomeado Bispo do Algarve em 1675 até 1685, transferido para Bispo de Lamego e depois Arcebispo de Braga.
Francisco de Noronha, irmão do 3.º Conde dos Arcos;
Francisco de Sousa, 1. Marquês das Minas e 3.º Conde do Prado
Foi um militar e embaixador português, e logo 1º marquês das Minas.
Comendador de Santa Marta de Viana, que herdou de seu pai, e teve as comendas de Santa Maria de Azevo e outras na Ordem de Cristo; alcaide-mor de Beja, mestre de campo, e gentil-homem do príncipe D. Teodósio, vedor da casa de D. João IV de Portugal, e seu general.
Por morte de seu tio, 2.º conde do Prado, que não tinha sucessão, herdou o título e toda a grande casa de seus avós, ficando assim senhor da vila do Prado, Beringel e Sagres.
Em 1660 foi nomeado governador das armas da província de Entre-Douro-e-Minho, e aí no ano seguinte mostrou grande habilidade, tendo por adversário o general espanhol marquês de Viana.
Gastão Coutinho, Governador do Minho.
João Pinto Ribeiro, Bacharel em Direito Canónico, Juiz de Fora de Pinhel e de Ponte de Lima.
Tomás de Noronha, 3º Conde dos Arcos.
Antão de Almada, 7.º conde de Avranches, 10.º senhor dos Lagares d´El-Rei[1], 5.º senhor de Pombalinho e Governador da Cidade.
O principal conspirador com ligação a Ponte de Lima foi o Dr. João Pinto Ribeiro, uma das figuras centrais e o grande impulsionador do movimento da Restauração da Independência de 1640.
João Pinto Ribeiro, bacharel em Direito Canónico, foi Juiz de Fora de Ponte de Lima, além de agente da Casa de Bragança e Contador-Mor do Reino. A sua residência em Ponte de Lima, no Paço de Calheiros, é mencionada em registos históricos, e foi nesta localidade que ele escreveu o influente "Discurso sobre os fidalgos e soldados portugueses não militarem em conquistas alheias".
A conspiração, que ficou conhecida pela ação dos "Quarenta Conjurados", envolveu um grupo alargado de aristocratas e letrados, principalmente em Lisboa, que culminou com a aclamação de D. João IV e o fim do domínio filipino. João Pinto Ribeiro foi fundamental na organização e planeamento do golpe, o que lhe valeu a alcunha de "cérebro da Restauração".
Apesar de a ação principal ter ocorrido em Lisboa, a figura de João Pinto Ribeiro estabelece uma ligação direta entre a conspiração e Ponte de Lima.
Sentindo a necessidade de reforçar as dinâmicas de comemoração dos 900 anos da batalha de S. Mamede, um conjunto de coletividades resolveu unir esforços para lembrar D. Afonso Henriques no dia em que passará o 840º aniversário da sua morte.
Apesar de ser, há muitos anos, marcado no calendário festivo de Guimarães como o dia de S. Nicolau, estas coletividades entenderam que o próximo dia 6 de dezembro não poderia passar, igualmente, sem uma significativa referência a D. Afonso Henriques, agora que nos aproximamos da comemoração dos 900 anos do seu feito mais importante, a batalha de S. Mamede, ocorrida nesta Terra no dia 24 de junho de 1128.
As entidades organizadoras são as seguintes:
União de Freguesias de Guimarães (Oliveira, S. Paio, S. Sebastião)
Junta de Freguesia de Azurém
Santa Casa da Misericórdia de Guimarães
Lar de Santa Estefânia
Grão Ordem Afonsina
Associação Veteranos Lanceiros de Portugal
Orfeão de Guimarães
Tuna Afonsina da FEUM
Associação dos Antigos Alunos do Seminário de Braga
Atribui-se geralmente ao Infante D. Henrique a introdução da vinha na Madeira pouco tempo após a sua descoberta no século XV, coincidindo com o começo da colonização da ilha. Nada mais óbvio atendendo a que foi seu donatário por doação régia atribuída pelo rei D. Duarte em 1433.
Porém, atendendo a que foram os minhotos os seus principais povoadores, deve-se a estes particularmente a cultura da vinha na região, nomeadamente a introdução e desenvolvimento inicial da viticultura e vinicultura na ilha. Foram eles os responsáveis por trazerem consigo as suas práticas culturais, incluindo a da vinha. A casta Malvasia (Cândida) foi uma das primeiras e mais famosas a ser cultivada na ilha.
Os primeiros bacelos de Vitis vinífera chegaram à ilha após a sua descoberta por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, por volta de 1419.
A cultura da vinha foi uma parte inevitável do processo de colonização, impulsionada pela necessidade do vinho para o ritual religioso cristão e para consumo geral. A sua formação em latada nas encostas constitui um elemento que faz lembrar a paisagem minhota.
A casta Malvasia, foi importada da Grécia, mais especificamente perto de Esparta, ou de Creta e plantadas na ilha por volta de 1450.
O Minho e a Madeira estão profundamente ligados pelos mais estreitos laços históricos e culturais.
A freguesia de Arcozelo, fronteira á sede do concelho de Ponte de Lima, poderá vir a integrar a Rede Temática das Invasões Francesas em Portugal, um projecto para cuja admissão terá de ser evidenciado a intervenção dos seus moradores na resistência aos franceses nesse mês de Abril de 1809.
Tendo ocorrido no lugar do Rego do Azal um pequeno combate entre franceses e arcozelenses ou portugueses, houve mortos em ambas as partes, resultando ainda dessa guerrilha o corte da ponte sobre o Lima, para impedir que o exercito francês avançasse sobre a sede do concelho. Em memória das vítimas foi colocado nos limites com a vizinha freguesia de Santa Comba umas Alminhas ou nicho, mas a Junta de Arcozelo pretende valorizar a área envolvente. O local onde existe o cruzeiro, o fim do trajecto da procissão das Festas da Senhora da Luz, será intervencionado numa regeneração artística e sentimental ao trágico acontecimento de há duzentos anos, com um estudo técnico a apresentar oportunamente.
Por tal motivo, aproveitando a estadia em Portugal do Presidente da Liga dos Combatentes na Bélgica, Vitor Alves Gomes, o autarca anfitrião, Acácio Fernandes, conduziu – nos no passado domingo ao espaço pretendido para colocação de um memorial aos Combatentes, onde expressamos a nossa pesquisa de história militar da freguesia em curso, assim como o Presidente dos Combatentes de Ponte de Lima, Manuel Pereira, secundou a proposta e sugestões ao colega proveniente de Bruxelas pois haverá um programa luso – belga previsto para 2026, como já adiantamos e será repartido por três países e localidades. Na capital da Europa haverá um sessão solene recordando episódios da historiografia de Arcozelo e Ponte de Lima no contexto das guerras Peninsular, a I Mundial e a do Ultramar, no cemitério militar de Pas – de – Calais, Richebourg, norte de França, uma homenagem aos soldados portugueses mortos em 1918, e depois novamente na Bélgica, em Gent (ou Gand). Lembramos, que a proposta já foi sumariamente apresentada no passado fim de semana junto de eurodeputados portugueses no Parlamento Europeu, ao embaixador e cônsul de Portugal, ao Chefe da missão militar de Portugal na NATO, ao Governador Militar da Flandres Ocidental, ao cônsul de Portugal em Lille e ao Presidente do município de Richebourg.
Destarte e consequentemente, a vila de Arcozelo e o concelho de Ponte de Lima poderão aderir ao projecto de “ valorizar o património histórico e militar das Invasões Napoleónias e desenvolver o turismo cultural associado a este período “.
E, por conseguinte, poderemos ter um tríptico de freguesias limianas nessa capítulo da história nacional e internacional, juntando a Arcozelo e Santa Comba, também a de Sá. É que, na Casa Grande desta última , nasceu em 1754 António de Araújo e Azevedo, Conde (de Ponte) da Barca, a quem é atribuída a fuga da Corte para o Brasil, a cuja comitiva se juntou o fidalgo e estadista, tendo ocupado entre outros cargos no governo exilado no Rio de Janeiro onde faleceu em 1817, o de Primeiro – Ministro do rei D. João VI, e autor dum fluxo de progresso artístico, cultural e económico, com génese na Europa, a partir de França.
O Município de Fafe volta a promover o Prémio de História Local “Câmara Municipal de Fafe”, que distingue o melhor trabalho original sobre aspetos da história do concelho. As candidaturas decorrem até 31 de maio de 2026 e o prémio será entregue na sessão solene de 5 de outubro do próximo ano.
O galardão visa estimular a investigação histórica e contribuir para o aprofundamento da identidade de Fafe nas suas dimensões administrativa, política, económica, social, cultural, artística, religiosa, entre outras.
Condições de participação
O prémio é aberto a todos os interessados, independentemente da residência, com trabalhos originais e inéditos. Não são admitidos trabalhos de funcionários do Município de Fafe.
Critérios de avaliação
Serão valorizados:
Utilização de fontes primárias;
Originalidade e atualidade dos temas;
Clareza e correção linguística;
Coerência global e qualidade da apresentação.
Os trabalhos devem ser escritos em português, ter um mínimo de 30 páginas e ser enviados em quatro exemplares, em formato A4, letra Times New Roman 12 e espaçamento 1,5, para:
Vereadora da Cultura – Prémio História Local Município de Fafe Avenida 5 de Outubro 4824-501 Fafe
Cada concorrente pode submeter apenas um trabalho.
O prémio tem o valor de 1.000 euros, podendo ainda ser atribuídas menções honrosas. A obra vencedora será publicada na revista cultural Dom Fafes.
O regulamento pode ser consultado em: PRÉMIOS CULTURAIS (cm-fafe.pt)
Conhecido por ter sido colaborador da dominação filipina a que os portugueses puseram termo em 1 de dezembro de 1640, Miguel de Vasconcelos e Brito foi escrivão da Fazenda em 1634 pelo conde duque de Olivares e secretário de Estado da duquesa de Mântua, Margarida de Saboia, Vice-Rainha de Portugal em nome do Rei Filipe IV de Espanha.
As suas políticas de constante favorecimento dos interesses de Castela em detrimento dos portugueses, aliadas à deficitária situação económica do país, tornaram-no odiado pelo povo, o que deu origem a sucessivas revoltas populares que culminaram com a revolução de 1640, tendo ele próprio constituído a sua primeira vítima.
Miguel de Vasconcelos terá nascido em Viana do Castelo no ano de 1590, portanto já em plena dominação filipina. A sua casa, conhecida como Casa dos Medalhões ou Casa dos Lunas, encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo decreto nº 11 454, publicado em Diário do Governo, I Série nº 35, de 19 de fevereiro de 1926. A propósito, descreve a respetiva ficha patrimonial da Direção-Geral do Património Cultural:
“Situada na zona velha da vila, fronteira à Matriz, a Casa Luna terá sido construída no século XV. O seu proprietário, Jácome Rodrigues de Luna, era descendente de nobres galegos que haviam perdido todos os direitos sobre os seus domínios senhoriais. Não podendo ostentar o brasão de armas da família na fachada da habitação, Jácome de Luna contratou o mestre João Lopes o Velho cerca de 1545 para executar um programa decorativo repleto de símbolos alusivos à nobreza da sua linhagem. No século XVII seria proprietário da Casa Luna Miguel de Vasconcelos, bisneto do encomendante e Secretário de Estado de Filipe III.
A Casa Luna é um prédio de três andares, prolongado para trás por duas outras casas; por este motivo, toda a estrutura da casa se apresenta bastante assimétrica. O primeiro registo do edifício principal foi alterado para a instalação de uma loja. O segundo registo está dividido por duas janelas de sacada de molduras assimétricas, sendo a da esquerda ladeada por duas pilastras decoradas com motivos lombardos. Os capitéis têm mascarões de folhagens, e na base foram esculpidos dois baixos-relevos com as figuras de um homem de turbante e um homem com elmo. A janela à direita, sem decoração, é enquadrada na base por dois guerreiros com elmo. Assentes sobre o friso que remata o conjunto das janelas, João Lopes o Velho esculpiu duas urnas, sendo a da esquerda ladeada por duas luas, uma em quarto crescente, outra em minguante, numa alusão ao proprietário. Entre as urnas foram esculpidos dois medalhões que seriam retratos dos proprietários da casa, actualmente destruídos. Este registo é rematado com um friso decorado por cabeças aladas. Na base do terceiro registo encontra-se a inscrição: "ESTA CASA MANDOU FAZER JÁCOME RODRIGUEZ CAVALEIRO FIDALGO DA CASA D'EL REI NOSSO SENHOR E COMENDADOR DE BRITO NA ORDEM DE CRISTO E SUA MULHER MARIA BARBOSA BISNETA DE FERNÃO GONÇALVES BARBOSA E BISNETA DE MARTIM DA ROCHA, FIDALGO DO SENHOR INFANTE D. PEDRO". Acima da inscrição estão duas janelas de peito, ladeadas por colunelos decorados com motivos vegetalistas. O remate da janela esquerda é feito por uma sucessão de pequenas urnas, enquanto a outra janela é rematada por dois mascarões ladeados por urnas.
A fachada lateral foi unificada com o projecto decorativo realizado por João Lopes o Velho, uma vez que é notória uma tentativa de uniformização dos dois primeiros edifícios através da decoração. O primeiro registo dos edifícios, sem decoração, apresenta três portais de entrada para a dependência traseira da casa. No segundo registo do primeiro edifício encontramos duas janelas de peito, a da direita decorada no peitoril com enrolamentos vegetalistas e ladeada por dois medalhões. A grande janela de sacada situada ao centro dos dois primeiros edifícios é profusamente decorada. De estrutura mainelada, a janela é ladeada por duas pilastras decoradas na base e no capitel. As bases têm esculpidos dois relevos, à esquerda uma armadura animada, à direita um homem com elmo, e os capitéis possuem motivos vegetalistas. A imposta dos arcos do mainel é rematada por uma máscara zoomórfica. A janela é terminada por friso com duas urnas que enquadram uma cartela gravada com uma inscrição, actualmente ilegível. O edifício central apresenta ainda no segundo registo da sua fachada duas janelas de peito, a da esquerda emoldurada por quatro colunelos, sendo o pormenor decorativo mais interessante dois relevos que ladeiam a moldura, um homem e uma mulher que parecem espreitar, dentro de casa, o movimento da rua. A encimar a janela foi esculpida uma cruz de Santo André. A janela do centro, ladeada por colunelos abalaustrados, apresenta uma cruz de Cristo esculpida em relevo no lintel. O último edifício, à esquerda, possui no segundo registo uma janela de moldura simples, e a rematar o seu pano murário, um terraço assente sobre cachorrada de seres fantásticos.
Ricardo Araújo quer 24 de Junho celebrado como feriado nacional em 2028. Câmara de Guimarães transmitiu aspiração ao Presidente da Assembleia da República na receção oficial, realizada no Salão Nobre
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, expressou, hoje, ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o seu desejo e determinação em ver a data de 24 de Junho, feriado municipal evocativo do Dia Um de Portugal, celebrada como feriado nacional por ocasião das comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, em 2028.
Aquele desígnio foi expresso pelo presidente do Município de Guimarães, Ricardo Araújo, na cerimónia de receção oficial ao Presidente da Assembleia da República Portuguesa, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, assinalando o primeiro ato solene da autarquia neste mandato autárquico e simultaneamente a primeira visita oficial de José Pedro Aguiar-Branco.
«A Batalha de S. Mamede, em 1128, foi o momento fundador da nossa nacionalidade. E celebrar os seus 900 anos é a oportunidade de nós projetarmos Guimarães como o berço da nacionalidade, como uma cidade e um concelho histórico fundamental para a nação que hoje somos. Mas, particularmente, para consolidarmos Guimarães como o berço da nação. Esta foi a data em que ocorreu a primeira tarde portuguesa. Assim, celebrar os 900 anos da Batalha de S. Mamede é celebrar Portugal. E é reafirmar que o momento fundador dessa nacionalidade ocorreu, em 1128, aqui, em Guimarães. Parece-nos, por isso, perfeitamente justo e legítimo ambicionarmos que, em 2028, o 24 de junho seja celebrado condignamente a nível nacional. Desde logo, sendo feriado nacional no 24 de junho de 2028. É algo que é importante para a celebração de Portugal. Nós queremos que estas celebrações partam de Guimarães, mas que sejam celebrações nacionais», afirmou e suportou o presidente do Município de Guimarães na sua intervenção.
Ricardo Araújo recordou que José Pedro Aguiar-Branco preside à Comissão de Honra das comemorações e solicitou os seus «bons ofícios» para que o 24 de junho, Dia Um de Portugal, possa ser celebrado «condignamente a nível nacional como feriado nacional», suportando que «celebrar os 900 anos da Batalha de S. Mamede é celebrar Portugal».
Reiterando o seu empenho na valorização das comemorações dos 900 anos da Batalha de S. Mamede, o Presidente da Assembleia da República concordou e reforçou que «estas comemorações não são apenas de Guimarães, têm escala nacional» e que, por isso, «a Assembleia da República deve envolver-se e dar visibilidade à importância desta data para Portugal», defendeu.
José Pedro Aguiar-Branco encorajou a Câmara Municipal de Guimarães a articular com o Parlamento, neste âmbito, iniciativas que possam decorrer não só em Guimarães, mas também em Lisboa, no sentido de reforçar o alcance e afirmação nacional das celebrações da efeméride. «Temos de ver o momento e o modo em que podemos envolver a Assembleia da República nesta visibilidade importante daquilo que tem a ver com a data, a sua importância para o país e, claro, ao fazermos isso, também estamos a colocar Guimarães no lugar que merece, no que diz respeito à história de Portugal», considerou.
Na mesma cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães destacou, também, o objetivo celebrar o título de Capital Verde Europeia 2026 como uma referência nacional e internacional. «Queremos ser a melhor Capital Verde da Europa de sempre», reafirmou Ricardo Araújo, endereçando a José Pedro Aguiar-Branco o convite para que a Assembleia da República possa, também, realizar reuniões e eventos em Guimarães, ao longo do próximo ano. De igual modo, o Presidente da Assembleia da República expressou a sua inteira disponibilidade e empenho colaborativo com o Município, expressando que «Guimarães tem todas as condições para acolher grandes eventos nacionais e internacionais».
À semelhança do que sucede com a generalidade dos costumes da atualidade, perde-se no tempo a verdadeira origem do bolo-rei, da mesma maneira que também este apresenta formas e designações variadas consoante as culturas. Assim, em Inglaterra mantém-se a tradição de comer e efectuar corridas com panquecas por ocasião da Terça-feira Gorda. Tratam-se, na realidade, de festividades de origem pagã que se encontram ligadas a rituais de fertilidade que outrora se realizavam por ocasião do Entrudo e visavam preparar a chegada da Primavera e, como ela, o renascimento dos vegetais.
A própria designação de Terça-feira Gorda remete-nos para o antigo costume de fazer desfilar pela cidade um boi gordo antes de sacrificá-lo, prática cujas reminiscências ainda se preservam nomeadamente através das largadas de touros e na corrida da Vaca das Cordas. Da mesma forma que nos festejos carnavalescos se preserva a figura do respectivo Rei que cabia outrora àquele que no bolo encontrasse a fava ou o feijão dourado, sendo como tal tratado durante o ano inteiro.
Por seu turno, os romanos introduziram tal prática por ocasião das saturnais que eram as festividades que se realizavam em 25 de Dezembro, em celebração do solstício de Inverno, também eles elegendo um rei da festa escolhido á sorte pelo método da fava. À semelhança do que se verifica com a Coroa do Advento, a sua forma circular remete para antigos ritos solares perfeitamente enquadrados nas festividades solsticiais e nas saturnais romanas.
Com vista à conversão dos povos do Império Romano que preservavam em geral as suas crenças pagãs, o Cristianismo passou a identificar o “bolo-rei” com a celebração da Epifania e, consequentemente, aos Reis Magos. E, assim, aos seus enfeites e condimentos passaram a associar-se as prendas simbólicas oferecidas ao Messias ou seja, a côdea, as frutas secas e cristalizadas e o aroma significam respectivamente o ouro, a mirra e o incenso. Apesar disso e atendendo a que eram três os reis magos, esta iguaria não passou a ser identificada como “bolo dos reis”, conservando apenas a sua designação como “bolo-rei” ou seja, contrariando a sua própria conversão.
Durante a Idade Média, este costume enraizou-se na Europa devido à influência da Igreja a tal ponto que passou a ser celebrado na própria corte dos reis de França e a ser conhecido como Gâteau des Rois. Porém, com a revolução francesa, o mesmo veio a ser proibido em virtude da sua alusão á figura real, o mesmo tendo sucedido entre nós, imediatamente após a instauração da República, tendo alguns republicanos passado a designá-lo por “bolo-presidente” e até “bolo Arriaga”, em homenagem ao então Presidente da República.
Quanto aos seus condimentos e método de confecção, é usual associar-se à tradição da pastelaria francesa a sul do Loire, o que parece corroborar com a informação de que foi a Confeitaria Nacional a primeira casa que em Portugal produziu e vendeu o bolo-rei a partir de uma receita trazida de França, por volta de 1870. Resta-nos saber, até que ponto, também esta não terá buscado inspiração no tradicional bolo inglês.
Com a aproximação da Páscoa associada à chegada da Primavera e, com ela, o renascimento da Vida, o tradicional folar não trará favas escondidas no seu interior mas ovos que simbolizarão a fertilidade, de novo a evocar ritos ancestrais a um tempo anterior à nossa conversão ao Cristianismo.