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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ROMANOS SÓ NO PRÓXIMO ANO REGRESSAM A TERRAS DE BOURO

Adiamento do evento "Mercado Romano"

A Câmara Municipal de Terras de Bouro informa que, no cumprimento das recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e dada à conjuntura atual de combate ao COVID-19, o evento “ Mercado Romano” previsto para junho do presente ano, não se irá realizar.

A próxima edição será realizada de 14 a 16 maio de 2021, contribuindo assim para a celebração não só de um  património único existente no nosso concelho, como também para  a revitalização de um território detentor de  enormes potencialidades turísticas.

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HÁ 80 ANOS, ALEMANHA NAZI PLANEOU INVADIR PORTUGAL

Espanha viu então uma oportunidade de anexar o nosso país

Passam precisamente 80 anos desde a altura em que a Alemanha nazi, congeminada com a Espanha franquista, planearam a invasão militar de Portugal e sua consequente supressão enquanto país soberano. Tratava-se da chamada “Operação Isabella” e constituía um complemento à “Operação Félix” que tinha por objetivo a ocupação do território britânico de Gibraltar. Não foi Hitler que nos salvou da invasão como foi recentemente propalado mas a habilidade da diplomacia do Estado Novo conjugada com o apoio do Reino Unido que sabia de antemão visar o seu acesso ao continente através de Portugal e Gibraltar.

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Apesar de geralmente aceitar-se o princípio segundo o qual a História não se repete, não podemos deixar de alguma forma fazer um paralelismo com as invasões francesas, incluindo o Bloqueio Continental e o Tratado de Fontainebleau.

Com efeito, à semelhança das pretensões de Napoleão, também a Alemanha pretendia isolar o Reino Unido impedindo o seu acesso ao continente. E a Espanha, mau grado o Tratado de Amizade e Não Agressão Luso Espanhol celebrado em 1939, com Portugal, via nisso uma oportunidade de anexar o nosso país e, dessa forma, concretizar o velho anseio sintetizado no programa falangista da “Espanha Una” a englobar todo o espaço peninsular. E, foi com esse propósito que, em 23 de outubro de 1940, o generalíssimo Franco avistou-se com Adolf Hitler em Hendaye, no sul da França ocupada.

A invasão militar do nosso país seria executada por 3 divisões alemãs: uma blindada, que partindo de Cáceres, atacaria os portos de Lisboa e Setúbal; uma de infantaria motorizada, que partindo de Valhadolid, atacaria o Norte de Portugal e virando para Sul, ameaçaria a retaguarda das forças portuguesas que defenderiam Lisboa e a margem Norte do rio Tejo; e outra de infantaria ligeira, que partindo de Sevilha, avançaria pelo Algarve, com ou sem apoio do exército espanhol.

Com forças militares insuficientes para oferecer uma resistência capaz ao exército alemão, o governo português retiraria sob escolta da Marinha Britânica para a cidade de Ponta Delgada, nos Açores, onde estabeleceria a capital e, desse modo, não assinaria a capitulação militar. Uma estratégia, aliás, em muitos aspetos semelhante à que levou a corte portuguesa ao tempo de D. João VI para o Brasil.

Entretanto, as capacidades de defesa alteraram-se com a cedência, em 1943, da Base das Lages ao Reino Unido ao abrigo do Tratado de Aliança Luso-Britânico a fim de ser utilizada pela Royal Air Force e a chegada de grande quantidade de material de guerra moderno como viaturas blindadas, artilharia antiaérea e anticarro, sistemas antissubmarino, e esquadrilhas de aviões de caça modernos como Spitfires e Hurricanes.

Contudo, foram os falhanços militares alemães na frente oriental, na sequência da invasão da URSS iniciada em 22 de junho de 1941, na chamada “Operação Barbarossa”, mais concretamente a resistência russa no cerco à cidade de Leninegrado, que determinaram o adiamento da invasão militar de Portugal, o qual, aliás, não se chegou a concretizar.

Acresce a isto a grande influência que o partido NAZI possuía à altura entre a comunidade germânica radicada em Lisboa, não se inibindo de promover abertamente iniciativas de propaganda.

Decorridas que são oito décadas sobre os fatos mencionados, importa questionar se os interesses geoestratégicos não continuarão a determinar novas “Operações Isabella”, ainda que com recurso a outros métodos porventura mais eficazes do que a intervenção militar.

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No período da Segunda Guerra Mundial, o Clube Alemão de Lisboa realizou diversas iniciativas como uma exposição de fotografia, conferências e inclusivamente uma festa comemorativa da subida de Adolf Hitler ao poder.

Fotos: DIGITARQ

HISTÓRIA: 28 DE MAIO DE 1926, A REVOLUÇÃO NACIONAL COM EPICENTRO EM BRAGA

Passam no próximo dia 28 de maio precisamente 94 anos sobre a data em que um levantamento militar, com epicentro em Braga e liderado pelo Marechal Gomes da Costa, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caracterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

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Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910, e que apostavam agora na regeneração do próprio regime.
Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.
Pesem embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as circunstâncias da crise financeira de 2008 não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

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Neste local esteve instalado o Regimento de Infantaria nº 8. Junto, o Campo da Vinha onde, em 28 de maio de 1926, sob o comando do general Gomes da Costa, se formaram as tropas para marchar sobre Lisboa, dando início à “Revolução Nacional” que instaurou a ditadura militar.


“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.
Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.
A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).
A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.
A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.
A 28 de Maio, uma Sexta-feira, é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.
Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.


No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas, desde o Porto, pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.
Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.
No Domingo, 30 de Maio, o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.
O Governo, em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.
Na Segunda-feira, dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.
Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.
O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

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A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa. (Imagem: Fundação Mário Soares)


No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.
No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.
No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.
A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.
O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.
No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

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Fonte: Área Militar; Imagens: (0) Joshua Benoliel, (1, 3) Blogue do Minho, (2) Fundação Mário Soares
Obs: Este artigo foi previamente publicado em Blogue do Minho tendo sofrido ligeiras adequações na presente edição.

Estátua do General Gomes da Costa na Praça Conde de Agrolongo, em Braga

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O Lar Conde de Agrolongo situa-se no antigo Convento do Salvador

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Neste local formaram as forças militares que em 28 de maio de 1926 marcharam em direção a Lisboa para colocar termo à Primeira República

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DIA DA MÃE: DAS ORIGENS PAGÃS AO CULTO CRISTÃO

Perde-se nos confins dos tempos a tradição de festejar o Dia da Mãe, tal como actualmente o designamos.

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Tais celebrações têm a sua origem em ancestrais ritos pagãos destinados a celebrar a fertilidade, associados ao advento da Primavera e, consequentemente, à perpectuação do ininterrupto ciclo de renascimento da vida após a morte. Através do rito, o Homem celebra a acção criadora dos deuses e assegura a sua continuidade como se de um acto de magia se tratasse.

Acredita-se que já na Grécia antiga, a chegada da Primavera era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses. Segundo a Enciclopédia Britânica, “A adoração formal da mãe, com cerimônias para Cibele ou Rhea, a Grande Mãe dos Deuses, era realizada nos idos de março, em toda a Ásia Menor.”.

Ao longo dos séculos, tais celebrações foram-se transformando à medida em que surgiam novas crenças e, sobretudo, novas religiões se edificaram sobre os escombros das antigas. E, quase sempre, entrecruzando-se com sucessos históricos associados às nações onde tais celebrações eram praticadas.

Em Portugal, o Dia da Mãe foi até muito recentemente celebrado no dia 8 de Dezembro, Dia da Imaculada Conceição, coroada rainha de Portugal e festejada como sua padroeira, a quem devemos a bênção da Restauração da Independência de Portugal face ao jugo espanhol.

Actualmente o Dia da Mãe é comemorado no primeiro domingo de Maio – seguindo a tradição da celebração de Santa Maria por parte da Igreja Católica – a que não é alheia a forma como em 13 de Maio se apresentou aos portugueses na Cova da Iria sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

ARTUR AGOSTINHO – “O LEÃO DA ESTRELA” – NASCEU HÁ 100 ANOS!

Artur Agostinho tinha raízes limianas, na freguesia de Correlhã

Passam no próximo dia 25 de Dezembro precisamente 100 anos sobre a data do nascimento do famoso jornalista, escritor e radialista Artur Agostinho. Lisboeta de nascimento, as suas raízes eram porém limianas, mais precisamente da Correlhã, onde ainda possui familiares.

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A sua carreira jornalística começou no longínquo ano de 1938, aos microfones da Rádio Luz. Seguiu-se o Clube Radiofónico de Portugal, a Voz de Lisboa, Rádio Peninsular e o Rádio Clube Português, até ingressar na então Emissora Nacional em 1945. Na década de 80 passou para a Rádio Renascença onde fez parte do Departamento Desportivo, área em que desde sempre se destacou como relator desportivo.

Dirigiu o jornal desportivo “Record” entre 1963 e 1974, foi director do jornal do Sporting Clube de Portugal e proprietário da agência de publicidade Sonarte.

Participou em numerosos filmes e telenovelas, de entre os quais destacamos o célebre “O Leão da Estrela” que a maior parte dos portugueses recordam, muito ao jeito das suas simpatias clubísticas.

Lisboeta de nacimento, Artur Fernandes Agostinho possuía raízes em Ponte de Lima, mais propriamente na Correlhã, terra que visitava frequentemente. E sempre que podia disponibilizava-se para relatar os jogos locais para a Rádio Ondas do Lima. Tal como sucedia com eventos que a comunidade limiana em Lisboa levava a efeito como, a título de exemplo, a apresentação da edição de 1994 da Festa de Portugal. Veio a falecer em 22 de Março de 2011.

Artur Agostinho era uma pessoa muito gentil e de fino trato que os limianos guardam no seu coração. No ano em que celebra o centenário do seu nascimento, Ponte de Lima certamente não o esquecerá!

Foto: https://www.cinema7arte.com/

MESTRE JOSÉ MALHOA NASCEU HÁ 165 ANOS

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  • Crónica de Carlos Gomes

Passam precisamente 165 anos sobre a data de nascimento do pintor José Malhoa, aquele que foi o pioneiro do Naturalismo em Portugal.

O Mestre José Malhoa nasceu em Caldas da Rainha e, com apenas 12 anos de idade, ingressou na Real Academia de Belas Artes de Lisboa onde sempre se distinguiu pelo seu elevado talento artístico. Presidiu à Sociedade Nacional de Belas Artes e integrou o “Grupo do Leão” – uma tertúlia de artistas que se reunia em Lisboa na cervejaria Leão de Ouro destinada a promover o Naturalismo – tendo sido porventura o pintor português que mais se aproximou do Impressionismo.

Faleceu em 1933 em Figueiró dos Vinhos e encontra-se sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

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Entre as suas magníficas obras, destacamos “A Desfolhada” e “A Caminho da Romaria”, duas pinturas que retratam os modos de vida característicos dos finais de oitocentos na região de Entre-o-Douro-e-Minho. Nelas se distinguem os traços característicos da nossa região, nomeadamente os trajes domingueiros de lavradeira do Alto Minho, os gaiteiros, o gado barrosão e a vinha de enforcado.

Tratam-se de um conjunto de duas telas com seis metros de altura, encomendadas nos finais do século XIX, um abastado emigrante oriundo da região de Aveiro, as quais se destinaram a ornamentar o cimo de uma escadaria do seu faustoso palacete, situado no Bairro Flamengo, na área sul do Rio de Janeiro.

Nos anos oitenta do século passado este prédio foi demolido para dar lugar a modernas construções, mais ao gosto das novas metrópoles, e o seu recheio foi a leilão em praça pública. O representante do Estado português encontrava-se presente mas, talvez por falta de preparação na avaliação das obras, não procedeu à sua arrematação.

As pinturas foram arrematadas por Jaime Afra, um conceituado antiquário de Lisboa com estabelecimento aberto ao público na rua D. João V, perto do Príncipe Real. As telas foram retiradas das respectivas molduras e trazidas para Portugal pela espôsa do antiquário, a srª Isabel Afra.

Durante muitos anos permaneceram expostas no seu estabelecimento, atraindo os olhares curiosos de quem por ali passava como era o nosso caso. Entretanto, por falecimento do seu proprietário, a firma foi extinta e em relação às referidas obras perdemos o rasto…

Anos mais tarde, da srª Isabel Afra, recebemos o mail que a seguir se transcreve:

“Venho por este meio vos contactar pois sou a viúva do Jaime Afra mencionado no vosso texto sobre os incríveis quadros do Malhoa.

Gostaria de vos dizer que os quadros nesse artigo mencionados foram vendidos para a colecção do Antigo Banco BCP, o qual acredito que ainda os tenha.

Melhores cumprimentos,

Isabel Afra

Os nossos agradecimentos”

Entretanto, as duas pinturas do Mestre José Malhoa foram tema de cartazes e de medalhística, não obstante permanecerem ignoradas pelos autores de numerosas obras que versam sobre a vida e obra do artista. Também a revista “O Anunciador das Feiras Novas, de Ponte de Lima e o site “Folclore de Portugal – O Portal do Folclore Português” abordaram esta temática. E, nem o museu que tem o seus nome, em Caldas da Rainha, existe qualquer referência a este respeito. Os dois magníficos quadros do mestre José Malhoa – “A Desfolhada” e “A Caminho da Romaria” – passaram a ficar expostos ao público no átrio do Banco Millenium, na rua Augusta, em Lisboa.

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CANTOR ZECA AFONSO TINHA RAÍZES MINHOTAS

O cantor José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, vulgarmente conhecido por Zeca Afonso, tinha raízes minhotas. Descendia pelo lado materno de famílias limianas. Sua mãe, Maria das Dores Dantas Cerqueira, era professora primária e nasceu em Ponte de Lima nos começos do século XX. Outros antepassados do cantor eram oriundos de Arcozelo e São Martinho da Gandra. Domingos José Cerqueira, seu avô materno, foi professor de instrução primária em Ponte de Lima. Porém quis o destino que José Afonso viesse a nascer em Aveiro, em 2 de agosto de 1929.

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Angola, Moçambique, Belmonte, Coimbra, Faro e Setúbal são algumas referências geográficas que se encontram na rota da sua vida. Ponte de Lima é, porventura a menos conhecida. De resto, além de não ter ao que se saiba vivido alguma vez em terras limianas, também não deverá ter encontrado matéria-prima para as suas letras, apesar da fonte de inspiração que o rio Lima sempre constituiu para muitos poetas.

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Domingos Cerqueira – autor da “Cartilha Escolar” e tio materno de Zeca Afonso – nasceu em Ponte de Lima!

 

PARTIDO POPULAR MONÁRQUICO (PPM) FOI FUNDADO NA CASA DO MINHO HÁ 46 ANOS!

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  • Crónica de Carlos Gomes

O Partido Popular Monárquico (PPM) foi fundado em Lisboa no dia 23 de Maio de 1974, praticamente um mês decorrido da queda do anterior regime através do golpe militar do 25 de Abril. Porém, em lado algum é feita qualquer referência ao local onde a reunião que lhe deu origem teve lugar.

Os tempos que então se viviam eram agitados e por vezes causavam séria preocupação. Os monárquicos eram muitas vezes conotados com o Estado Novo, em parte explicado pelo facto de alguns deles terem com ele colaborado. Afinal de contas, também os militantes da Causa Monárquica integraram a União Nacional, até se aperceberem de que Salazar, apesar das conhecidas simpatias monárquicas, não considerava a possibilidade da restauração da Monarquia. E foi nessas circunstâncias que começaram a partir dos finais da década de 50 a divergir com o regime político então vigente.

O mesmo sucedia com as casas regionais que, entre os seus mais destacados dirigentes, contava com figuras gratas ao regime que acabava de ser derrubado. E, nesse contexto de mudança política, alguns notáveis trataram de desfiliar-se a tempo para poderem adaptar-se aos novos tempos sem serem incomodados…

Nessa altura, encontrava-se a Casa do Minho instalada na rua Victor Cordon, 14, dispondo de dois pisos. Porém, a sua actividade decorria geralmente no 2º andar onde nomeadamente se encontrava o amplo salão de festas. Actividade encontrava-se praticamente suspensa dadas as circunstâncias que então se viviam.

Entre os seus dirigentes, contava com o Professor Nuno Morais. Era natural de Ponte de Lima e, à altura, professor de Educação Física na Escola Comercial Ferreira Borges, em Lisboa. Chegou a ser atleta olímpico e também apaixonado pelas lides tauromáquicas que lhe deixaram mazelas físicas. Plenamente identificado com os ideias monárquicos.

Por influência do Professor Nuno Morais, reuniram-se os monárquicos na Casa do Minho num ambiente de quase secretismo, razão pela qual continua o local a não ser mencionado… havia que preservar a segurança do partido e também da própria instituição que lhes abria as portas!

O Partido Popular Monárquico foi criado por iniciativa da Convergência Monárquica, organização constituída em 1971 que juntava monárquicos oposicionistas ao regime do Estado Novo e que congregava o Movimento Popular Monárquico, fundado em 1957 e dirigido por Gonçalo Ribeiro Telles, a Renovação Portuguesa criada em 1962 por Henrique Barrilaro Ruas e uma facção da Liga Popular Monárquica, surgida em 1964 e dirigida por João Vaz de Serra e Moura.

Gonçalo Ribeiro Telles assumiu a liderança enquanto Francisco Rolão Preto – que antes fora fundador do Integralismo Lusitano e mais tarde tembém do Nacional-Sindicalismo do qual foi dirigente – assumiu a Presidência do Directório e do Congresso.

A reunião então decorrida na Casa do Minho resultou num sobressalto para os sócios que não haviam tomado conhecimento prévio da sua realização. Mas o encontro passou despercebido e o movimento revolucionário que acabava de ser despoletado tinha outras preocupações. O Partido Popular Monárquico (PPM) intregou-se no regime saído do 25 de Abril de 1974, tendo o Gonçalo Ribeiro Telles participado em vários governos e sendo uma figura muito respeitada pela sua defesa da ecologia e do meio ambiente.

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As instalações da Casa do Minho, na rua Víctor Condon, onde teve lugar a fundação do PPM

HOJE É DIA DE S. JORGE!

Hoje é o dia que os cristãos consagram a S. Jorge. De acordo com a tradição, terá sido um soldado romano do exército do Imperador Diocleciano, altura de grandes perseguições aos cristãos, mandado degolar por não ter renunciado à sua fé e, consequentemente, venerado como mártir cristão.

Durante a Idade Média surgiram à sua volta, diversas lendas, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos. Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao Cristianismo.

Remonta ao século XII a introdução do culto a S. Jorge em Portugal, através dos cruzados que vinham combater nas hostes de D. Afonso Henriques nomeadamente a quando da tomada de Lisboa aos mouros. Porém, a sua invocação em forma de grito de guerra começou contudo durante o reinado de D. Afonso IV e teve como objetivo demarcar-se da invocação de S. Tiago Mata-mouros que era feita pelos exércitos leoneses. Até então, nas suas batalhas de Reconquista contra os mouros, os cavaleiros portugueses também invocavam: Por S. Tiago!

Mas foi sobretudo a partir do reinado de D. João I que este culto veio a adquirir verdadeira dimensão nacional, passando a partir de então a sua imagem a integrar a procissão do Corpo de Deus. Ainda hoje, a sua simbologia é empregue nos meios castrenses, principalmente para representar o exército português.

O culto a S. Jorge adquiriu verdadeira feição popular e nacionalista, conservando-se nos dias que correm algumas manifestações culturais que evocam a lenda de S. Jorge e, por seu intermédio, as lutas travadas pelos portugueses contra o invasor castelhano-leonês, numa reconfiguração da luta entre o Bem e o Mal.

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Nas margens do rio Minho onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm um velho costume que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião dos festejos do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre S. Jorge e o Dragão.

A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca - nome pelo qual é aqui designado o dragão! - procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por S. Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois de o guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando S. Jorge o conseguir ferir mortalmente introduzindo-lhe a lança ou a espada na garganta, altura em que de uma bolsa alojada do seu interior escorre uma tinta vermelha que simula o sangue da coca.

- Por S. Jorge!

RIO GRANDE DO SUL HOMENAGEIA O LIMIANO CRISTÓVÃO PEREIRA DE ABREU

Homenagem a Cristóvão Pereira de Abreu, Memorial do Tropeirismo é inaugurado na Praça União Constante

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Na manhã desta sexta-feira (21 de Fevereiro), o vice-prefeito Paulo Renato Mattos Gomes, representando e Executivo Municipal, participou do descerramento da placa em homenagem a Cristóvão Pereira de Abreu, na Praça União Constante, localizada próxima a Santa Casa de Rio Grande. O “Memorial do Tropeirismo”, foi uma é uma iniciativa do Peão Farroupilha da 6ª Região Tradicionalista, Vitor Lopes Ribeiro, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de São José do Norte, e contou com o apoio da Prefeitura Municipal do Rio Grande.

Para o vice-prefeito Paulo Renato Mattos Gomes, é importante o trabalho de valorizar grandes personalidades que marcaram a história de Rio Grande. “A história nos conta que Cristóvão Pereira de Abreu aportou em Rio Grande e região e aqui faleceu em 1755. Foi um desbravador que ajudou também a fundar nossa cidade e seus restos mortais se encontram nos arredores da Praça União Constante. O Memorial é um resgate a cultura e a história, para manter acessa a chama desse desbravador, figura tão importante para Rio Grande para toda região. A prefeitura apoiou essa iniciativa, para que a gente possa continuar trabalhando com a história daqueles que foram marcantes na nossa região”, afirmou.

Segundo Vitor Lopes Ribeiro, o tributo a Cristóvão Pereira de Abreu é uma forma de reconhecimento ao Patrono do Tropeirismo e um dos mais importantes tropeiros da história do Rio Grande do Sul. Ele também revelou que o projeto já havia sido proposto por Paixão Côrtes. “Esse projeto foi iniciado no ano de 2011 por um dos grandes nomes do nosso tradicionalismo gaúcho, que foi o Paixão Côrtes, mas acabou sendo engavetado com seu falecimento. E nós demos o desenvolvimento final para essa proposta, que era a placa em memória desse tropeiro, que veio a ser sepultado aqui. Precisávamos, enquanto tradicionalistas, fazer essa homenagem e deixar esse marco na nossa cidade, na nossa região e nosso estado. O evento foi lindíssimo, com várias autoridades. Evento cheio, com muita juventude e cavalarianos. Então tudo que poderíamos ter de melhor aqui hoje, nós tivemos. Fica aqui minha gratidão”, declarou o peão.

Fotos: Richard Furtado

Fonte: http://www.riogrande.rs.gov.br/

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CRISTÓVÃO PEREIRA DE ABREU (1678-1755) – ‘O INVENTOR’ DO RIO GRANDE DO SUL

"Pelo sul brasileiro sediou-se o português Cristóvão Pereira de Abreu, que depois de muitas peregrinações ao longo da costa sul das terras que viriam a ser  lusitanas, ainda que bravamente disputadas com espanhóis,  entre São Vicente e Colônia do Sacramento. Isto lhe valeu a fama de “inventor” do Rio Grande do Sul" (Por Professor Paulo Timm).

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Cristovão Pereira de Abreu foi um fidalgo português, de esmerada educação, requintados gostos e ágil palavra ao cair da pena, o que lhe valeu o brilho no registro de vários relatórios ao longo da vida. Nasceu em 13 de julho de 1678 em Ponte de Lima, Portugal, freguesia do Fontão, filho de João de Abreu Figueira e Leonor de Amorim Pereira. Faleceu a 22 de novembro de 1755, aos 77 anos, na Vila de Rio Grande de São Pedro, hoje cidade riograndina. Pelo sul brasileiro sediou-se, depois de muitas peregrinações ao longo da costa sul das terras que viriam a ser  lusitanas, ainda que bravamente disputadas com espanhóis,  entre São Vicente e Colônia do Sacramento. Isto lhe valeu a fama de “inventor” do Rio Grande do Sul.

Teria chegado ao Brasil aos 20 anos de idade, nos idos de 1700, trazido pelo pai, já estabelecido no Rio de Janeiro,    exerceu diversas atividades, antes de se transformar no protótipo do explorador a serviço da Coroa Portuguesa, ora como beneficiário de Cartas Comerciais, que lhe deram o monopólio do couro e do tabaco,  ora como militar, tendo operado na negociação com franceses para a desocupação da cidade do Rio de Janeiro, em guerras contra espanhóis no sul e junto as forças luso-hispânica nas Guerras Guaraníticas 1754-56.

Graças à sua experiência no eixo Colônia-Laguna, com grande relacionamento com populações indígenas,  foi  encarregado  pelo Vice Rei  de levar, como Coronel de Ordenanças,  a frota do brigadeiro José da Silva Paes para fazer o reconhecimento da barra do Rio Grande de São Pedro, onde seria construído o Forte Jesus Maria e José de Rio Grande, a partir de 1737, um dos pontos da conquista das vastidões  riograndenses. O outro ponto, que mais lhe notabilizaria,  proveio de Laguna, núcleo fundado pelo paulista Domingos de Brito Peixoto, em 1676, quem recebeu das autoridades coloniais a patente de guarda-mor, em 1721, para descer pelo litoral ao sul  com objetivo de fundar povoações que garantissem o controle da região e o registro do gado criado à solta nas vacarias pampeanas que se estendiam até o Rio da Prata e que desde 1703 eram levados para o centro do Brasil Colônia. Lá de  desenvolviam-se cidades e  comércios graças ao ciclo do ouro.  Com efeito, em 1725, João Magalhães penetra no Rio Grande com uma frota de 31 lagunistas e em 1732 esta investida resulta na concessão da primeira sesmaria a Manoel Gonçalves Ribeiro na parada das Conchas, junto ao Rio Tramandaí.

Neste ponto iniciou-se um registro de passagem de tropas e mercadorias que, mais tarde. seria transferido para Torres. Cristovam Pereira participou intensamente deste processo, tendo operado como elo de ligação entre os dois pontos (Rio Grande, por mar, Caminho das Praias e por terra, a partir de Rio Grande, Caminho da Serra, passando por  Viamão) creditando-se, inclusive, a ele, um papel pioneiro em Torres: Ele teria construído um  descanso (taipa) das tropas, nesta cidade próximo ao Rio Mampituba,por onde atravessava-se o gado,  tendo, talvez, sido um baluarte do “Potreiro”, em Torres, junto à travessia do Rio, como percebeu Ruschel e sugere Bento Barcelos no seu último livro – “Vale do Mampituba”. Um desenho atribuído a Debret, no início do século XIX, abaixo, ilustra esta passagem.

“O velho Neco,segundo o conselho dos velhos, era um homem abastado (em Torres) . Tinha 80 escravos e enormes extensões de terras no Vale do Mampituba e foi quem mandou construir uma taipa de pedras da Torres do Centro (Morro das Furnas). Em função da temporalidade este escriba não acredita nesta hipótese. (…) O mais provável ainda poderia ter sido construída pelo português Cristóvão Pereira, o primeiro que se tem notícias que passou por aqui e por muito tempo  nos tempos das tropeadas.”

Em tudo isso Cristovam Pereira de Abreu é um constante personagem. Centrado no comércio dos couros em Colônia parece ter se  deslocado para o comércio do tabaco, em 1710, bem como para o transporte de gado, muito provavelmente em decorrência da  precariedade do controle lusitano sobre Colônia, várias vezes ocupada por espanhóis. Isso forçava a saída dos portugueses para o interior do Rio Grande.  Já no ano de sua fundação, em 1680, Colônia foi arrasada , voltando, entretanto, ao controle de Portugal em 1683, para voltar  a cair em mãos espanholas entre 1704 e 1715.  Neste ano, até 1736, mercê de entendimentos entre as duas Coroas, os portugueses a reassumem,  justo quando se inicia a expansão lusitana sobre o território rio-grandense com a concessão de diversas sesmarias no litoral e nas cercanias de Viamão, onde se iniciam as primeiras estâncias , e se expande o contrabando de gado para São Paulo que traria no seu bojo o protagonismo de Cristóvão Pereira e suas passagens por Torres. Registre-se que, mesmo com a abertura, em 1843,  do Caminho da Serra, partindo de Viamão a Lages, o Caminho das Praias deve ter prosseguido com certa desenvoltura visto ter exigido o registro de passagem das tropas em Torres em 1871.

Paulo Timm / https://afolhatorres.com.br/

PALÁCIO DOS MARQUESES DE VALENÇA EM 1968

À excepção da imagem que mostra a construção em 1977 de um enorme prédio por detrás do Palácio dos Marqueses de Valença, todas as demais fotos datam de 1968.

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Situado na Alameda das Linhas de Torres, perto do Campo Grande, trata-se do Palácio que nos primórdios do século XIX pertenceu aos 2ºs Marqueses de Valença, tendo sido comprado ao conde de Vimioso por Pinto da Cunha.

A quinta era muito maior do que é hoje. O campo de futebol onde estiveram instalados primeiramente o Sporting e depois o Benfica, foi construído em terrenos que pertenciam ao Palácio.

Algumas das salas conservam-se como estavam no século XIX. O cruzeiro é Monumento Nacional e o Palácio, Imóvel de Interesse Público.

Também a Câmara Municipal dos Olivais esteve instalada neste palácio durante algum tempo Algumas destas imagens fazem parte de um conjunto que integra a monografia Dispersos, do engenheiro Augusto Vieira da Silva.

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

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ARQUITECTO MIGUEL VENTURA TERRA E O “PRÉMIO VALMOR” DA RUA ALEXANDRE HERCULANO EM LISBOA

Rua Alexandre Herculano, Lisboa, na varanda do Arq. Miguel Ventura Terra, prédio doado às Belas Artes de Lisboa e Porto para com o seu rendimento pagar bolsas de estudos a alunos talentosos sem possibilidades financeiras, conforme placa gravada no edificio.

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Esta foto deve ser de 1904, a Rua Alexandre Herculano ainda tinha este aspeto. A foto pertence á família Terra e o seu autor é António Joaquim Terra, irmão de Miguel Ventura Terra.

Texto: Alda Sarria Terra (Sobrinha-bisneta de Miguel Ventura Terra)

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INATEL FOI FUNDADO HÁ 85 ANOS!

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  • Crónica de Carlos Gomes

Sob a designação Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), o INATEL foi criado há 80 anos, pelo Decreto-Lei nº. 21 495, de 13 de junho

Passam no próximo di 13 de Junho 85 anos desde a criação da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), entretanto transformada em Fundação INATEL, entidade que tem prestado um precioso contributo à cultura e ao associativismo popular, nomeadamente apoiando os coletividades de cultura, desporto e recreio, inscritos naquela entidade como Centros de Cultura e Desporto (CCD’s), categoria de associado coletivo que corresponde aos Centros de Alegria no Trabalho (CAT’s) em vigor durante o regime corporativo.

O INATEL atua na prestação de serviços sociais, com especial destaque nas áreas da cultura, desporto e turismo social, mantendo uma extensa rede de pousadas e ainda o parque de Jogos 1º de Maio e o Teatro da Trindade, em Lisboa, e o Parque de Ramalde, no Porto.

Ainda, no âmbito da cultura popular, são incontáveis os apoios prestados por esta entidade a orquestras filarmónicas, bandas de música, grupos de teatro e ranchos folclóricos de todo o país, tendo aliás contribuído para o aparecimento de muitos agrupamentos folclóricos durante o período do Estado Novo.

Inspirada no modelo da “Obra Nacional dos Tempos-livres” - “Opera Nazionale Dopolavoro” criada em 1925 pelo fascismo italiano, a FNAT teve como objetivo a promoção do turismo social e o preenchimento útil dos tempos livres dos trabalhadores. A sua orientação foi ao encontro da recomendação feita no ano anterior pela Organização Internacional do Trabalho na implementação de um novo conceito de férias e lazer.

Até então, o turismo era encarado como uma ocupação de luxo apenas acessível às camadas sociais mais abastadas. Às classes trabalhadoras apenas estava reservado o convívio nas agremiações culturais e recreativas ou através de grupos excursionistas formados nas tabernas dos bairros populares, principalmente nos centros urbanos.

Em 1925, Benito Mussolini incorporou na Carta do Trabalho a Obra Nacional dos Tempos Livres (Dopolavoro), destinada a organizar as férias dos trabalhadores italianos. Esta iniciativa do fascismo italiano veio a reproduzir-se em muitos países, dando origem áquilo que então se designou por Movimento Internacional Alegria e Trabalho. O modelo foi em 1933 reproduzido na Alemanha com a denominação “Força pela Alegria” - “Kraft durch freude”, em 1935 em Portugal através da FNAT, em 1937 na Grécia sob a designação “Saúde dos Trabalhadores”, “Ergatixi Estia” e, em 1940, em Espanha com o nome “Educação e Descanso”, “Educación y Descanso”.

Após o golpe militar do 25 de abril, mais concretamente em 3 de abril de 1975, a FNAT altera a sua denominação para Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores (INATEL), deixando em 25 de junho de 2008 de pertencer á Administração Central do Estado, transformando-se em fundação privada de utilidade pública sob a designação de Fundação INATEL.

A ação da FNAT estendia-se a todo o território nacional por intermédio das suas delegações provinciais e subdelegações nos concelhos, competindo-lhes cooperar na avaliação de todos os assuntos e na execução de todas as iniciativas. Nas freguesias rurais a FNAT era representada pelas Casas do Povo e Casas de Pescadores.

Os beneficiários da FNAT eram obrigatoriamente sócios de um dos elementos da organização corporativista do trabalho, concretamente de um sindicato Nacional, de uma Casa do povo ou Casa de pescadores; sendo que os Centros de Alegria no Trabalho (CATs) constituíam as estruturas de base nas empresas. Nas zonas de residência urbana os Centros de Recreio Popular (CRPs) cumpriam essa função.

Atualmente, a Fundação INATEL é tutelada pelo Ministério do trabalho e da Solidariedade Social, desenvolvendo a sua atividade nas áreas do turismo social e sénior, no termalismo e na organização dos tempos livres e do desporto populares.

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MARCAS DA MAÇONARIA NO ASSOCIATIVISMO POPULAR

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  • Crónica de Carlos Gomes

Todo o objeto criado possui sempre as marcas do seu criador. A obra de arte reflete a ideia e o perfil psicológico do artista que a concebeu. De igual forma, o artesanato dá-nos a descrição mais fiel do nível cultural de um povo, revelando-nos o seu caráter e capacidade de transmitir aquilo que sente. Também as instituições nos permitem perceber o grau de desenvolvimento cultural de uma sociedade, os seus valores e o estádio de evolução humana em que se encontram, deixando em todas as situações as marcas distintivas dos seus obreiros.

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O associativismo popular tem entre nós origem a partir de meados do século XIX, criado sobretudo pela necessidade dos republicanos penetrarem entre as classes mais baixas da sociedade portuguesa para a atrair à sua causa e criar as condições da adesão popular á mudança do regime político.

Através dos triângulos e lojas maçónicas, foram criados em todo o país bandas filarmónicas e sociedades de cultura e recreio com o propósito de levar ao povo o ensino primário, a instrução musical, o teatro, as ocupações recreativas e a cultura popular em geral.

Quais organizações para-maçónicas, estas agremiações contavam com militantes republicanos entre os seus principais impulsionadores, os quais impunham estatutos cujas normas eram inspiradas na própria constituição maçónica. Não admira, pois, que reflexo das cisões verificadas no seio da Maçonaria e dos partidos políticos, tenham ocorrido idênticas divisões no seio de muitas coletividades. A existência no concelho do Seixal de duas coletividades rivais – a Timbre Seixalense e a Sociedade Filarmónica União Seixalense – tem a sua razão de ser nas divisões criadas pelo Partido regenerador e pelo Partido Progressista.

À semelhança do que se verificou com os jornais regionais, também eles em grande parte criados com a finalidade de difundir os ideais republicanos, as sociedades recreativas foram adaptando-se à evolução dos tempos e, sobretudo, às mudanças de regime político, não deixando porém de conservar alguns dos seus traços caraterísticos que estiveram na sua própria génese.

Entre as normas estatutárias mais relevantes que ajudam a identificar a sua origem, encontra-se a obrigatoriedade da admissão de um novo sócio ser feita através de um ou mais proponentes, existindo ainda coletividades que mantêm o costume de exibirem num quadro apropriado, durante determinado período de tempo, a ficha de inscrição do sócio proposto antes da mesma ser submetida a aprovação por parte do órgão diretivo. Na realidade, esta regra contraria o princípio da liberdade de associação, tratando-se de um procedimento apenas concebível no âmbito de uma associação a funcionar em moldes secretos e sigilosos.

Outra norma estatutária, também claramente de origem maçónica, é a que obriga o sócio ao pagamento de uma joia no ato de admissão, elemento estranho que ninguém explica do que se trata e, como é óbvio, o novo associado nunca receberá… nem questionará sequer acerca de um direito que lhe assiste!

Estas e outras práticas injustificadas são perpetuadas pelo costume e transmitidas às novas coletividades de cultura, desporto e recreio através da aprovação de estatutos que mais não são do que réplicas de outros antigos e desatualizados, copiados sem qualquer sentido crítico e reproduzindo normas que deveriam entretanto ser melhoradas ou eliminadas. Encontram-se, entre estas coletividades, as casas regionais, grupos folclóricos e um quase infinito número de associações que se dedicam às mais variadas vertentes de âmbito social, cultural, ambiental e recreativo.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

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ARTE POPULAR E NAÇÃO NO ESTADO NOVO – A POLÍTICA FOLCLORISTA DO SECRETARIADO DE PROPAGANDA NACIONAL

- Um livro da investigadora Vera Marques Alves que se recomenda a todos quantos se decidam ao estudo do folclore e etnografia

“A generalidade da investigação tem olhado para o conjunto das práticas e dos discursos etnográficos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) entre 1933 e 1950 como um epifenómeno da ideologia conservadora e ruralista, dominante no pensamento de Salazar.

Este livro mostra-nos como tais análises deixam de fora aspetos decisivos da intervenção folclorista do SPN/SNI.

A partir das teorias desenvolvidas pela antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular, Vera Marques Alves relaciona os contornos de tal política com os caminhos que a etnografia portuguesa vinha seguindo nas décadas anteriores à institucionalização do Estado Novo, ao mesmo tempo que revela que o seu desenho deve muito ao próprio trajeto modernista e cosmopolita do primeiro diretor do SPN, António Ferro.

A autora defende, ainda, que é impossível explicar a campanha etnográfica do SPN, sem dar atenção ao contexto internacional de circulação de ideias em que as mesmas se enquadram. De resto, este livro torna bem patente a insistência de Ferro na exibição da «arte rústica portuguesa» em palcos internacionais, revelando assim que as iniciativas folcloristas desenvolvidas por este organismo não podem ser compreendidas sem considerarmos a sua configuração enquanto instrumento de reafirmação simbólica das fronteiras da nação, num período em que os processos de utilização identitária do folclore e da cultura popular são comuns” *

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Vera Marques Alves, a autora, é Investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Nasceu em Lisboa, no dia 16 de Maio de 1969 e, em 1993, licenciou-se em Antropologia Social no ISCTE. Em 2008, doutorou-se em Antropologia pelo mesmo Instituto. Fez investigação sobre os usos nacionalistas da «arte popular portuguesa» durante o Estado Novo e continua a estudar a construção moderna desta categoria de objetos.

Colaborou nas obras coletivas “Vozes do povo. A folclorização em Portugal” (2003), ”Enciclopédia da música em Portugal no século XX” (2010) e “Como se faz um Povo” (2010).

É autora de”Arte popular e nação no Estado Novo. A política folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, (Imprensa de Ciências Socais (2013).

https://www.imprensa.ics.ulisboa.pt/