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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GALIZA: “AS MULHERES ESCRITORAS” PROTAGONIZAM HOJE AS CONVERSAS NORTEAR NA FUNDACIÓN ROSALÍA DE CASTRO DE PADRÓN

Nortear é um exemplo destacado do espaço cultural único da Eurorregião

  • O encontro está agendado para as 20 horas na Casa Museo Rosalía de Castro com a participação das escritoras María López Sánchez e Isabel Cristina Mateus, moderadas pelo presidente da Fundación Rosalía de Castro, Anxo Angueira.
  • No ato irão participar o director xeral de Cultura da Xunta de Galicia, Anxo Lorenzo, o subdirector da AECT da Eurorrexión Galicia – Norte de Portugal, Xosé Lago, e o Chefe da Divisão de Programação e Promoção Cultural da CCDR-Norte, I.P., João Ribeiro da Silva.
  • As conversas Nortear formam parte do projeto Nortear de cooperação transfronteiriça desenvolvido pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial da Eurorregião Galicia–Norte de Portugal, a Consellería de Cultura, Língua e Xuventude da Xunta de Galicia e a CCDR-Norte, I.P.

Vigo, 22 de maio de 2024.

A Fundación Rosalía de Castro de Padrón irá acolher, hoje, pelas 20h00, uma nova edição das Conversas Nortear, que terão como protagonistas as “Mulleres Escritoras” da Eurorregião Galicia – Norte de Portugal.  A entrada é aberta ao público em geral. As escritoras convidadas são a galega María López Sández e a portuguesa Isabel Cristina Mateus, que serão moderadas pelo presidente da Fundación Rosalía de Castro, Anxo Angueira.

No evento irão participar, também, o director xeral de Cultura da Xunta de Galicia, Anxo Lorenzo, o subdiretor da AECT da Eurorregião, Xosé Lago, e o Chefe da Divisão de Programação e Promoção Cultural da CCDR-Norte, I.P., João Ribeiro da Silva.

Estas conversas tem como objetivo promover o conhecimento e a circulação das expressões culturais na Eurorregião, a partir de dinâmicas e redes de colaboração. Esta ação é desenvolvida no âmbito do projeto Nortear, de intercâmbio e cooperação cultural cofinanciado pelo INTERREG VI-A POCTEP, no âmbito da Candidatura 0224_NORTEAR_GNP_1_E, recentemente aprobada. Nortear é desenvolvido pela AECT da Eurorrexión Galicia – Norte de Portugal, a Consellería de Cultura, Língua e Xuventude da Xunta de Galicia e a CCDR-Norte, I.P.

María López Sández (Lugo, 1973) é escritora, ensaísta e investigadora. Com a ‘Forma das nuvens’ obteve o Prémio Repsol de Narrativa Breve em 2012 e um notável sucesso editorial galego. A sua última obra em galego ‘O faro escuro’ está a ter uma excelente aceitação. É doutora em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade de Santiago de Compostela e exerce a docência no Ensino Secundário e na Faculdade de Ciências da Educação da USC. Estudou estudos de Filologia Hispânica, Galego-português e Inglesa e é especialista no estudo da cartografía como semiótica do espaço, na relação da literatura galega com o imaginário paisagístico e com o espaço urbano, e na análise da obra de Rosalía de Castro.

Em 2007, López Sández obteve o Prémio Ramón Pinheiro de Ensaio pela obra ‘Paisagem e nação: a criação discursiva do território’, na qual analisa o tratamento que Rosalía dá à paisagem e o funcionamento deste mecanismo descritivo desde uma perspectiva ideológica e identitaria. Foi investigadora do projeto ‘Uma análise da obra narrativa de Rosalía de Castro: fundamentos teóricos e metodológicos’. É autora de diferentes artigos e estudos sobre Rosalía de Castro como ‘Rosalía e a paisagem galega’ ou ‘Os efeitos da aculturação’ em ‘Ele cadiceño’ de Rosalía de Castro”. Participou em congressos internacionais com relatórios sobre a obra de Rosalía e pronunciou conferências centradas nos espaços literários e a análise da obra desta autora.

Isabel Cristina Mateus é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Coimbra e doutorada em Ciências da Literatura (Literatura Portuguesa) pela Universidade do Minho, onde é professora auxiliar na Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas e investigadora integrada do Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM). É membro da direção da Associação Portuguesa de Escritores e da Comissão LATE (Linha de Apoio à Tradução e Edição) do Instituto Camões, em representação da Associação Portuguesa de Escritores.

É autora de ensaios sobre autores da literatura portuguesa moderna e contemporânea, publicados em livro ou em revistas, entre os quais ‘Kodakização e Despolarização do Real: para uma Poética do Grotesco na Obra de Fialho de Almeid” (Caminho, 2008), distinguido com o Prémio de Ensaio Óscar Lopes (2007) e o Prémio de Ensaio Pen Clube (2008). É autora das rompidas literárias Viajar com... Maria Ondina Braga (2018), DRCN/Opera Omnia e coautora de ‘Descobrir o Minho com Maria Ondina Braga’ (Consórcio Minho Inovação, 2023).

É coeditora de vários volumes temáticos, como ‘Carnets18. Chiens et écritures (littéraires, filmiques, photographiques)’, (com Cristina *Álvares, Sérgio Sousa, Ana Lúcia Curado), 2020; ‘Figuras do Animal. Literatura, cinema banda desenhada’. Famalicão. Húmus/Cehum, 2017.

NORTEAR é um projeto de cooperação cultural desenvolvido na Eurorregião para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos através da promoção conjunta da criação artística, o conhecimento recíproco e a circulação da cultura nas redes colaborativas. Procura fomentar a visibilidade do tecido criativo-cultural e estimular dinâmicas de colaboração entre os agentes culturais deste território para convertê-lo num pólo de referência europeu na cooperação cultural transfronteiriça. O ponto de partida do Programa NORTEAR está nas acções desenvolvidas nos últimos anos. Pretende-se, agora, dar novos passos com iniciativas concebidas para facilitar a cooperação entre artistas, cidadania, comunidades e grupos culturais da Galiza e do Norte de Portugal. As principais administrações culturais regionais, a Conselharia da Cultura, Língua e Xuventude da Xunta de Galicia e a CCDR-Norte, I.P., junto ao AECT da Eurorrexión GNP, aliam-se para fomentar ações concretas como a promoção dos valores culturais da Eurorregião, o desenvolvimento do tecido empresarial eurorregional e o estímulo da criação literária e artística.

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GALIZA: REDONDELA TAMBÉM FESTEJA A COCA

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Redondela é um município galego pertencente à Província de Pontevedra, Comarca de Vigo.

A vitória de Redondela sobre o dragão

No passado, jovens marinheiros de Redondela venceram o dragão e, desde então, todos os anos, a sua vitória é celebrada na animada Dança das Espadas. Além desses jovens, jovens aladas, vestidas de branco e representando as virgens, popularmente conhecidas como penlas, também participam da dança. Estas raparigas dançam sobre os ombros das, mulheres que fazem o papel das suas mães. A procissão da Virgem de A Gabacha, os coloridos tapetes de flores e a encenação da morte da Coca trazem milhares de pessoas a Redondela todos os anos. Eles participam deste festival, que começa na noite anterior ao Corpus Thursday e segue até domingo.

Segundo a lenda, este dragão, símbolo do mal durante a Idade Média, vivia no mar perto de Redondela, perto da ilha de San Simón. Esta criatura visitava a cidade, destruindo tudo no seu caminho e raptando raparigas. Na quinta-feira de Corpus, este monstro desfila pela cidade fugindo da Virgem de A Gabacha, que marcha em um desfile pelas ruas, lindamente dispostas com canteiros coloridos, sob uma chuva de pétalas.

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A figura da Virgem, escoltada pelos bailarinos, é transportada da Igreja de Vilavella para a Igreja de Santiago. Ela protegeu os habitantes locais do ataque deste dragão. Nesta celebração, a Dança das Espadas é realizada logo após a reconstituição da morte da Coca. O grupo de bailarinos é composto por vinte homens – o mestre, quatro abaelas ou rabelos, quatro guias ou primeiros, e uma dúzia de bailarinos com espadas – e as penlas. Dançam ao som dos tubos e ao ritmo dos tambores na praça da Casa da Torre. Figuras fantasiadas, conhecidas como xigantes e cabezudos, também participam do desfile.

A origem desta festa remonta a 1482, quando o dia do Corpus Christi foi declarado dia sagrado pelo Bispado de Tui. Nessa altura, a Câmara Municipal de Redondela e as diferentes guildas forneceram as imagens para a procissão, e também organizaram as danças e as performances do evento. A reconstituição da luta de São Jorge e do dragão faz parte da tradição da cidade até hoje. Em Monção, do outro lado do rio, esta tradição também foi preservada, mas neste caso São Jorge é quem enfrenta e derrota o dragão. As primeiras evidências sobre a existência da Dança das Espadas datam do século 16.

A figura da Virgem regressa à Igreja de Vilavella numa procissão realizada na sexta-feira após os acontecimentos do dia principal da festa. No sábado uma oferenda de flores é realizada nesta igreja. E, na segunda-feira a procissão do Corpus marcha pelas ruas da freguesia de Vilavella, e a Dança das Espadas e Penlas volta a ser executada.

Embora existam muitas teorias, de acordo com alguns historiadores, o nome Coca pode vir do nome latino Cocatrix, que significa crocodilo. Isso é evidenciado por vários documentos que datam do século 15; Em documentos anteriores o nome Coqueriz também foi mencionado. Outra hipótese é que a Coca pode ter sua origem no coco (semelhante ao bicho-papão), um monstro que assusta as crianças. Outros pesquisadores acreditam que esta besta pode estar associada ao gigante de três cabeças Cacus, filho de Vulcano.

Se compararmos a aparência do monstro em algumas fotografias do desfile que datam da década de 1920 com a sua aparência atual, a cabeça da Coca é o único elemento que permaneceu inalterado. Ao longo dos anos, a cabeça da criatura foi repetidamente restaurada e melhorada. De acordo com algumas evidências escritas, a tradição de colocar tapetes nas ruas para a procissão data do século 16. No entanto, os tapetes de flores foram colocados desde 1950, no início consistiam em búzios e flores espalhadas pelas ruas, e mais tarde, a partir de 1965, foram arranjados com desenhos artísticos.

Como diz o ditado popular espanhol: "há três quintas-feiras no ano que brilham mais do que o Sol: Quinta-feira Santa, Corpus Christi e o Dia da Ascensão". Na cidade de Redondela, a segunda quinta-feira tem estado intimamente ligada ao Festival da Coca.

Fonte: Turismo Rías Baixas

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CAMINHA, A GUARDA E O ROSAL REDIGIRAM DECLARAÇÃO DE INTERESSE PARA A CRIAÇÃO DA FUTURA EUROCIDADE

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Responsáveis dos três municípios reuniram hoje na Câmara de Caminha

Os autarcas de Caminha, A Guara e O Rosal definiram hoje os pontos essenciais da Declaração de Interesse para a criação da futura Eurocidade, que reunirá os três municípios das duas margens do Rio Minho. O Presidente da Câmara, Rui Lages, recebeu os responsáveis de A Guarda - o Vereador Isidro Lomba Lorenzo, e a Presidente da Câmara do Rosal, Ánxela Fernández Callís, tendo sido elaborado um primeiro documento, cuja redação definitiva terá ainda de ser aprovada pelos órgãos municipais de cada um dos signatários e ainda pela Junta da Galiza e pela CCDR N - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. A sintonia é total e a vontade de levar mais longe a cooperação, de modo mais formal, também.

Os responsáveis pelos três municípios acreditam na importância da cooperação transfronteiriça e no reforço dos laços de amizade e colaboração e veem na “Eurocidade” o formato ideal para reforçar essas relações. O documento exprime, aliás, a natureza das Eurocidades enquanto organismos que têm por objetivo a promoção da convergência institucional, económica, social, cultural e ambiental, impulsionando mesmo a utilização de serviços comuns enquanto instrumentos dinamizadores da convivência entre as populações dos diferentes territórios.      

Este documento, embora bastante claro e firme em termos de convicções, é ainda uma espécie de esboço do que será a declaração de interesses definitiva. Dividido em quatro pontos, começa por definir o objeto da futura Eurocidade e a sua finalidade. No segundo ponto são elencados os objetivos da Declaração, dele constando 16 pontos bastante abrangentes e que deixam ainda em aberto a possibilidade de se virem a incluir outros aspetos que possam ser considerados necessários.

No terceiro ponto especificam-se as áreas de intervenção, que abrangem a Cultura, Desporto, Turismo, Desenvolvimento Municipal, Recursos Humanos, Educação, Política Social, Meio Ambiente e Gastronomia, entre outros que venham a revelar-se oportunos.

O quarto ponto estabelece as finalidades da futura Eurocidade, desde logo a análise de assuntos de interesse comum; intercâmbio de missões empresariais; intercâmbio de informação, documentação e materiais; organização de feiras, seminários e congressos; intercâmbio de técnicos, especialistas e profissionais; formação e capacitação de recursos humanos; intercâmbio cultural, desportivo e artístico, promoção conjunta e fomento de formas de relação entre agentes, estruturas e entidades públicas e privadas, suscetíveis de contribuir para o desenvolvimento dos respetivos territórios transfronteiriços.    

Este foi o terceiro encontro entre responsáveis dos municípios, tendo como ponto de agenda a criação de uma Eurocidade. O segundo aconteceu no passado dia 10 deste mês, no Rosal, juntando a Presidente Ánxela Fernández Callís e o Presidente Rui Lages, além políticos e técnicos, tendo sido classificado como “histórico” e determinante para o início de uma grande aliança transfronteiriça na região do Minho. Na altura ficou agendado o segundo, que hoje aconteceu, e que o Presidente da Câmara de Caminha, Rui Lages, vê como muitíssimo positivo. O clima foi de entusiasmo e “todos os envolvidos estão unidos num espírito de diálogo e na criação de um projeto comum”, sublinha.

Antes, também na Câmara de Caminha, Rui Lages, tinha reunido com o Presidente de A Guarda, Roberto Carrero, tendo sido igualmente abordada, nessa oportunidade, a vontade de criação de uma Eurocidade.

VIANA DO CASTELO DEBATE CAMINHOS DE SANTIAGO

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Significado e relevância dos Caminhos de Santiago em debate no II Fórum Peregrino

O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, marcou esta sexta-feira presença no II Fórum Peregrino, organizado em parceria com a Federação Portuguesa do Caminho de Santiago e que decorreu ao longo de dois dias em Viana do Castelo. Na sessão, foram apresentados números sobre o número de peregrinos e assinado um protocolo para contribuir para o conhecimento do fenómeno, que está em crescendo.

A sessão de abertura começou com uma intervenção por parte da Presidente da Federação Portuguesa, Ana Rita Dias, que sublinhou a importância da reflexão sobre o caminho secular que “está cada vez mais ativo”.

“Os peregrinos são a alma do Caminho e os Caminhos de Santiago não são um trilho ou um percurso, mas uma marca com alma que deve ser respeitada como tal”, vincou, lembrando que foram criadas normas de regulação dos albergues e dísticos de hospitalidade para dar resposta a um “movimento que é um património vivo”. Já Vasco Gonçalves, pároco em representação da Diocese, frisou que a Igreja tem o “desejo de integrar o renascer da peregrinação a Santiago” e que “cresce a consciência da necessidade de estruturar uma Pastoral dos Caminhos de Santiago porque a Igreja precisa estar presente para acolher, aconselhar e acompanhar os peregrinos”.

Já Ildefonso de La Campa Montenegro, Presidente da Federação Ibérica do Caminho de Santiago, lembrou que a Galiza e Portugal vão defender junto do Conselho Europeu a certificação do Caminho de Santiago como Primeira Rota Cultural Europeia, numa “estreita relação na defesa desta rota que molda a História” com os seus mais de 80 mil itinerários, por ser “um elemento patrimonial vivo” e uma “realidade cultural” defendida por mais de 330 associações em todo o mundo.

“O Caminho Português da Costa é o que mais tem crescido e dos cerca de 600 mil peregrinos que chegam a Santiago, trinta por cento fazem este Caminho”, anunciou ainda. Por isso mesmo, o Presidente da Câmara Municipal, Luís Nobre, enfatizou que este é um produto de relevância para os territórios que atravessa e que momentos de partilha são fundamentais. “Há um profundo simbolismo no Caminho e uma relação próxima dos peregrinos com a identidade cultural dos territórios que atravessa”, reiterou ainda, lembrando que é em Viana do Castelo que está o primeiro templo dedicado a Santiago fora de Espanha, em Castelo do Neiva.

Durante a sessão, foi assinado o protocolo de colaboração com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo para aquilo que o seu presidente, Carlos Rodrigues, classificou como “um contributo para o conhecimento do Caminho e dos caminhantes nas suas diversas dimensões”.

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POETA LUÍS VAZ DE CAMÕES TINHA ORIGENS GALEGAS – VAI A GALIZA CELEBRAR A DATA DO SEU NASCIMENTO?

Considerado um dos maiores poetas universais e da Língua Portuguesa, Luís Vaz de Camões representa Portugal na sua grandeza e universalidade, tendo a língua como traço de união de todos os povos que a partilham e fazem dela a sua Pátria.

Desde Portugal e a Galiza que foi berço dos seus ancestrais até aos confins da Ásia onde compôs o seu poema épico “Os Lusíadas”, sem esquecer o Brasil e as nações africanas, Timor e a Índia, Indonésia e Malaca, Tailândia e o Sacramento, a nossa Língua constitui uma das marcas mais relevantes da cultura e civilização portuguesas.

A Língua Portuguesa não possui uma data fundacional – ela é o resultado de todo um prolongado processo histórico para o qual concorrem entre outros a presença visigótica e a Reconquista Cristã, as peregrinações a Santiago de Compostela e a influência do cancioneiro provençal no surgimento da tradição galaico-minhota das cantigas de amor, de amigo e de escárnio e maldizer. E, porque ela constitui de igual modo um dos principais elementos identitários que fazem de Portugal e da Galiza uma só nação, separada embora em consequência de vicissitudes históricas, é ocasião para lembrar as origens galegas do poeta cuja data de falecimento foi escolhida para Portugal celebrar o seu dia – Luís Vaz de Camões!

O poeta Luís de Camões descendia por via paterna de Vasco Pires de Camões, fidalgo e trovador galego que em 1370, ao tempo do reinado de D. Fernando, mudou-se para Portugal, tendo aqui recebido numerosas honrarias. A casa ancestral dos Camões situa-se na Galiza, próximo do Cabo Finisterra.

Vasco Pires de Camões teve como filho Antão Vaz de Camões que serviu a Coroa portuguesa no Mar Vermelho, tendo casado com D. Guiomar da Gama, da família de Vasco da Gama, tendo deste casamento nascido Simão Vaz de Camões e Bento Vaz de Camões.

Simão Vaz de Camões que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia, casou com D. Ana de Sá Macedo, proveniente de família fidalga oriunda de Santarém. Deste casamento se originou o nosso maior poeta – Luís Vaz de Camões – que, apesar de vários genealogistas atribuírem Lisboa e o ano de 1524 como o local e data de seu nascimento, estas referências permanecem incertas.

Não obstante, o que permanece inquestionável são as suas origens galegas a comprovar uma vez mais a irmandade que nos une à Galiza e, através da língua que celebramos e a todos os povos do mundo com os quais partilhamos o idioma no qual Luís de Camões escreveu “Os Lusíadas” e, para sempre imortalizou o feito universal dos portugueses!

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS APRESSENTOU EM VIGO LIVRO SOBRE MEMÓRICAS DA DITADURA PORTUGUESA

Foi ontem apresentado em Vigo o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada no Camões - Centro Cultural Português em Vigo.

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Mesa da sessão de apresentação em Vigo do livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência” (Da esq. para dir.: o historiador Daniel Bastos, acompanhado do mestre-pintor Orlando Pompeu, e do tradutor Paulo Teixeira)

A sessão de apresentação, que contou com a presença de participantes da Galiza e do Norte de Portugal, esteve a cargo de Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, que destacou os laços culturais entras as comunidades transfronteiriças. E a importância da Revolução de Abril na instituição da liberdade de expressão, na vivência da cultura e na valorização da criação artística.

Refira-se que neste novo livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro em Vigo, assumiu-se como um reconhecimento dos laços históricos, territoriais, culturais e linguísticos entre a Galiza e o Norte de Portugal. Assim, como uma iniciativa simbólica para revisitar os países ibéricos como eram há 50 anos, e apreender a influência da Revolução de Abril no processo de transição para a democracia em Espanha. 

Refira-se que a sessão de apresentação no Camões - Centro Cultural Português em Vigo, organismo que tem como objetivo central levar a cultura portuguesa a toda a Galiza, incluiu uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.

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GALIZA EVOCA A ESCRITORA LUÍSA VILLALTA GÓMEZ NO DIA DAS LETRAS GALEGAS

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Dia das Letras Galegas assinala-se a 17 de Maio

Luísa Villalta Gómez, nada na Coruña o 15 de xullo de 1957 e finada na mesma cidade o 6 de marzo de 2004, foi unha escritora, filóloga e violinista galega. Escribiu poesía, teatro, narrativa de ficción, ensaio, articulismo e tradución.

O colectivo A Sega acordou dedicarlle o Día das Galegas nas Letras do ano 2022: "celebrámoste desde a complexidade da épica ao publicismo, deste ti, desde o teu pensar, lúcida e comprometida, sempre na construción dun pobo". A Real Academia Galega dedicoulle o Día das Letras Galegas do ano 2024, destacando dela que foi a "creadora dunha obra singular e sólida que a converteu nunha das grandes figuras da literatura galega que emerxeron na segunda metade dos anos 80 e primeiros 90". Esta proposta estivo encabezada pola tamén escritora Ana Romaní e respaldada por Chus Pato, Marilar Aleixandre, Fina Casalderrey, Margarita Ledo Andión, Manuel Rivas, María López Sández, Euloxio R. Ruibal, Dolores Sánchez Palomino, Manuel González González e a xa mencionada Ana Romaní.

Naceu na Coruña, na rúa Vila de Laxe. Estudou no colexio das Xosefinas da rúa Juan Flórez e mais no IES Eusebio da Guarda. Licenciada en Filoloxía Hispánica e Filoloxía Galego-Portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela, foi tamén titulada superior en violín. Formou parte da Orquestra de Santiago de Compostela desde 1985 e, máis tarde, da Xove Orquestra de Galicia, así como de diversos grupos de cámara galegos. En 1988 aprobou as oposicións de docente de Lingua e Literatura Galegas, e deu clase no IES Xosé Neira Vilas (Perillo, Oleiros), IES Canido (Ferrol) e no IES Isaac Díaz Pardo de Sada.

Desenvolveu unha intensa actividade cultural: deu seminarios, recitais de poesía e palestras, entre outros. Colaborou en varias publicacións, entre elas, Man Común, A Nosa Terra, Festa da Palabra Silenciada, Tempos Novos, Grial, Luzes de Galiza, Agália, Boletín Galego de Literatura, A Trabe de Ouro, Enclave ou Página abierta. O seus artigos publicados entre o 4 de xaneiro do 2002 e o 4 de marzo de 2004 en A Nosa Terra, foron compilados no Libro das colunas (2005).

Participou en entidades como a Asociación de Escritores en Lingua Galega, o Foro da Cultura Galega ou A Mesa pola Normalización Lingüística.

Finou o 6 de marzo de 2004 por unha meninxite, aos 46 anos de idade. Os seus restos mortais descansan no cemiterio de Santo Amaro da cidade herculina. Ao rematar a cerimonia relixiosa un nutrido grupo de escritores e poetas de toda Galicia como Manuel María ou Manuel Rivas despedírona nun acto laico con poemas e música de violín, ó acto tamén acudiron políticos como Xosé Manuel Beiras e Anxo Quintana.

O Dia das Letras Galegas (em galego: Día das Letras Galegas) é um dia de celebração em torno da língua galega. Começou a celebrar-se no ano de 1963, coincidindo com a celebração do centenário da primeira edição dos Cantares Galegos de Rosalía de Castro (17 de maio).

O autor tem que cumprir três pré-requisitos para ser candidato: ter uma obra literária relevante escrita em galego, levar dez anos ou mais após a morte e ter o apoio de ao menos, três membros da Real Academia Galega.

Fonte: Wikipédia

JACOBEUS QUEREM UNIR ASSOCIAÇÕES EM DEFESA DO CAMINHO DE SANTIAGO

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A Associação Espaço Jacobeus (AEJ) defende o “estreitamento das relações com todas as entidades” comprometidas com o Caminho de Santiago, "especialmente com as restantes associações", trabalhando em conjunto para potenciar a peregrinação a Compostela.

O presidente reeleito da AEJ, António Devesa, afirmou na cerimónia de tomada de posse, no sábado, dia 11, que a associação “é uma instituição que existe com um único propósito: estar disponível e trabalhar para dentro do Caminho, no Caminho e para o Caminho, e para os peregrinos”. E, como tal, “só pode ser local para quem queira” respeitar este princípio.

O dirigente, que se “orgulha” da reeleição e reconhece a “responsabilidade” do cargo, destacou que a AEJ, “a maior associação jacobeia portuguesa, tem tido possibilidade de crescer de forma sustentável”, dando como exemplo o facto da sessão de tomada de posse decorrer na sua sede social, propriedade de “todos os sócios”.
“Mas este crescimento deve ser, primeiro, sinal de responsabilidade: ao nível de organização, comunicação e discussão de ideias entre todos, e na gestão das expectativas dos peregrinos, que veem na AEJ a entidade que deve defender, intransigentemente, o superior interesse do peregrino e do Caminho Português de Santiago”, alertou António Devesa.

Por outro lado, desejou que “a AEJ possa, continuamente, fomentar o culto e a peregrinação jacobeia, estreitando relações com a Arquiconfraria Universal do Apóstolo Santiago e com todas as entidades relacionadas com o Caminho, especialmente as restantes associações, trabalhando em conjunto para potenciar a devoção a Santiago, o culto, a formação jacobeia, e a respetiva peregrinação”.

A direção da AEJ ficou assim composta, depois das eleições intercalares para o tempo restante do biénio 2023-2024, realizadas a 4 de maio: António Devesa (presidente), Nuno Rodrigues, Leonel Pereira e Albino Marques (vice-presidentes); Manuel Fernandes (tesoureiro), Carina Frazão e Paulo Silva (secretários), Arlindo Parra, Francisco Grilo e Avelino Ribeiro (suplentes).

A AEJ conta com 800 associados, tem sede em Braga e quase 30 delegações em Portugal e no estrangeiro. Fundada há 20 anos, os seus objetivos consistem em fomentar o culto e a peregrinação a Santiago de Compostela, preparar e informar peregrinos, e promover os diversos itinerários do Caminho Português de Santiago.

É uma organização católica que “preserva, na sua essência, o espírito ecuménico de aceitação de todas as pessoas, de todas as raças e credos, congregando nas atividades pessoas de diferente fé e fundamentação humanística”. Em 2006 foi oficialmente reconhecida pela Arquidiocese de Braga e agregada à Arquiconfraria Universal do Apóstolo Santiago, com sede em Santiago de Compostela.

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O ROSAL E CAMINHA DÃO OS PRIMEIROS PASSOS PARA UMA GRANDE ALIANÇA TRANSFRONTEIRIÇA NA REGIÃO DO MINHO

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A Presidente Ánxela Fernández Callís e o Presidente Rui Lages juntaram-se numa reunião onde se comprometeram a trabalhar na criação de uma Eurocidade para fortalecer laços, realizar projetos conjuntos e resolver problemas comuns.

 O Rosal e Caminha realizaram um encontro histórico que marca o início de uma grande aliança transfronteiriça na região do Minho. A Presidente da Câmara de O Rosal, Ánxela Fernández Callís, manteve uma reunião com o Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Rui Lages, onde ambos os autarcas concordaram em dar os primeiros passos para a criação de uma Eurocidade que inclua Caminha, O Rosal e A Guarda, que permita continuar a estreitar os laços entre as populações vizinhas, abordar problemas, objetivos comuns e desenvolver uma programação sociocultural e económica conjunta.

Fernández Callís manifestou a sua satisfação com a visita do autarca caminhense e manifestou a vontade de trabalhar em estreita colaboração para criar um espaço europeu que una as duas margens do Minho “que não se consideram como fronteiras”. “Este é um passo importante para consolidar o nosso relacionamento e criar oportunidades de crescimento para os três municípios”, afirmou a Presidente.

Por seu lado, o Presidente de Caminha destacou a importância de se abordar problemas comuns, como a mobilidade na zona do Minho, bem como de fortalecer os laços entre populações que já se sentem unidas. “É fundamental trabalharmos juntos para superar os obstáculos que afetam a nossa região e promover uma maior integração entre programação e serviços, o que sem dúvida beneficiará os nossos vizinhos”, sublinhou Rui Lages.

No encontro também participou o Vereador da Cultura, João Antonio Branco. os vereadores do Rosal Germán Rodríguez, Beatriz Rodríguez, Carlos Villanueva e Alejandro González, o Vereador da Cultura de Caminha, João Pinto, além de técnicos e especialistas, que abordaram as primeiras medidas a seguir para a criação da Eurocidade.

A criação desta grande aliança será mais um passo na estreita união entre estes concelhos, já que os técnicos de O Rosal e Caminha trabalham há anos num programa conjunto de formação lançado pelo Grupo Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho, AECT Rio Minho, para o desenvolvimento de futuros projetos transfronteiriços conjuntos.

O próximo passo será uma reunião no dia 20 de maio, em Caminha, com os três autarcas: do Rosal, A Guarda e Caminha, precisamente para abordar esses primeiros passos para a criação da Eurocidade.

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CENTRO GALEGO DE LISBOA DEDICA O ÚLTIMO NÚMERO DO SEU BOLETIM À ESCRITORA GALEGA LUÍSA VILLALTA

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QUEM FOI A ESCRITORA GALEGA LUÍSA VILLALTA?

Luísa Villalta Gómez, nada na Coruña o 15 de xullo de 1957 e finada na mesma cidade o 6 de marzo de 2004, foi unha escritora, filóloga e violinista galega. Escribiu poesía, teatro, narrativa de ficción, ensaio, articulismo e tradución.

O colectivo A Sega acordou dedicarlle o Día das Galegas nas Letras do ano 2022: "celebrámoste desde a complexidade da épica ao publicismo, deste ti, desde o teu pensar, lúcida e comprometida, sempre na construción dun pobo". A Real Academia Galega dedicoulle o Día das Letras Galegas do ano 2024, destacando dela que foi a "creadora dunha obra singular e sólida que a converteu nunha das grandes figuras da literatura galega que emerxeron na segunda metade dos anos 80 e primeiros 90". Esta proposta estivo encabezada pola tamén escritora Ana Romaní e respaldada por Chus Pato, Marilar Aleixandre, Fina Casalderrey, Margarita Ledo Andión, Manuel Rivas, María López Sández, Euloxio R. Ruibal, Dolores Sánchez Palomino, Manuel González González e a xa mencionada Ana Romaní.

Naceu na Coruña, na rúa Vila de Laxe. Estudou no colexio das Xosefinas da rúa Juan Flórez e mais no IES Eusebio da Guarda. Licenciada en Filoloxía Hispánica e Filoloxía Galego-Portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela, foi tamén titulada superior en violín. Formou parte da Orquestra de Santiago de Compostela desde 1985 e, máis tarde, da Xove Orquestra de Galicia, así como de diversos grupos de cámara galegos. En 1988 aprobou as oposicións de docente de Lingua e Literatura Galegas, e deu clase no IES Xosé Neira Vilas (Perillo, Oleiros), IES Canido (Ferrol) e no IES Isaac Díaz Pardo de Sada.

Desenvolveu unha intensa actividade cultural: deu seminarios, recitais de poesía e palestras, entre outros. Colaborou en varias publicacións, entre elas, Man ComúnA Nosa TerraFesta da Palabra SilenciadaTempos NovosGrialLuzes de GalizaAgáliaBoletín Galego de LiteraturaA Trabe de OuroEnclave ou Página abierta.

O seus artigos publicados entre o 4 de xaneiro do 2002 e o 4 de marzo de 2004 en A Nosa Terra, foron compilados no Libro das colunas (2005)

Participou en entidades como a Asociación de Escritores en Lingua Galega, o Foro da Cultura Galega ou A Mesa pola Normalización Lingüística. Finou o 6 de marzo de 2004 por unha meninxite, aos 46 anos de idade. Os seus restos mortais descansan no cemiterio de Santo Amaro da cidade herculina. Ao rematar a cerimonia relixiosa un nutrido grupo de escritores e poetas de toda Galicia como Manuel María ou Manuel Rivas despedírona nun acto laico con poemas e música de violín, ó acto tamén acudiron políticos como Xosé Manuel Beiras e Anxo Quintana.

Fonte: Wikipédia

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GALIZA: VIGO É PALCO DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO SOBRE MEMÓRIAS DA DITADURA PORTUGUESA

No próximo dia 16 de maio (quinta-feira), é apresentado em Vigo o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, é apresentada às 18h00 no Camões - Centro Cultural Português em Vigo.

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O artista plástico Orlando Pompeu (ao centro), ladeado do historiador Daniel Bastos (dir.), e do tradutor Paulo Teixeira

A apresentação do livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do historiador e investigador José Pacheco Pereira, estará a cargo de Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade.

Nesta nova obra, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nas décadas de 1960-70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro em Vigo, constitui um reconhecimento dos laços históricos, territoriais, culturais e linguísticos entre a Galiza e o Norte de Portugal. Assim, como uma iniciativa simbólica para revisitar os países ibéricos como eram há 50 anos, e apreender a influência da Revolução de Abril no processo de transição para a democracia em Espanha. 

Refira-se que a sessão de apresentação no Camões - Centro Cultural Português em Vigo, organismo que tem como objetivo central levar a cultura portuguesa a toda a Galiza, incluirá uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.

Nascido já depois da Revolução de Abril, e com vários livros publicados no domínio da História e da Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as comunidades lusas, o percurso do historiador e escritor Daniel Bastos tem sido alicerçado no seio da Diáspora.

Depois de uma trajetória marcada pela deserção, emigração e exílio nas décadas de 1960-70, Fernando Mariano Cardeira regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Foi um dos fundadores da Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP61/74), e presidiu à Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória-NAM.

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D’A MUIÑEIRA – UM POEMA DE JOÃO VERDE

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Foliada em Soutelo (Galiza) por Francisco Sutil

Todal’as moças vêm ò moinho,

Todal’as moças ò moinho vêm,

Vós bem sabendes, moças do Minho,

Vós bem sabendes quem vos quer bem.

 

Tendel’a pele branca, branquinha,

Tendel’os peitos como um limão,

Tendel’a cara cor de farinha,

Tendel’os olhos cor de carvão.

 

Traz de los montes, cor de morango,

Cor de morango vem vindo o sol.

Vamos bailar ao sol o fandango

Com pandeireta e gaita de fol!

 

Gaita, gaitinha, ai! Feiticeira,

Gaita, gaitinha que alegra o sol,

Porque foi feita prà moinheira

É que lhe chamam gaita de fol!...

 

                                     João Verde

GALIZA: A PRIMEIRA MUIÑEIRA COM NOTACIÓN MUSICAL ESTÁ DATADA EN 1786

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Muiñeira representada no gravado que Mariano Ovejero realizou do cadro de Dionisio Fierros de 1858.

Julio Alonso Monteagudo constatou que desde o século XVII circulaba pola Península Ibérica un baile coñecido como gaita galega que sería o antecedente máis directo

A muiñeira, que é tanto unha danza tradicional galega como a composición musical que a acompaña, converteuse no século XIX nun "elemento identitario" da Galiza que acompañou o rexurdir político e cultural da época, segundo comprobou Julio Alonso Monteagudo nas investigacións que lle permitiron elaborar a súa tese, Música e identidade galega. Do baile da gaita á muiñeira (S. XVII-XIX).

Alonso, que comezou a traballar no aspecto máis humano e social da música da man do antropólogo Marcial Gondar, concluíu a súa tese baixo a dirección da tamén antropóloga Nieves Herrero. Nas súas pescudas confirmou que a evolución política do provincialismo e do rexionalismo, como antecedentes do nacionalismo no século XIX, levou a unha busca de elementos que conformasen a identidade galega e á formación dun canon da música galega que se basea "nunha escolla, na recuperación da música tradicional, folclórica". É nese momento cando a muiñeira é considerada como un símbolo da Galiza.

O seu antecedente directo era "un baile chamado gaita galega", que non se interpretaba necesariamente co instrumento do mesmo nome, e que "desde o século XVII circulaba pola Península Ibérica". Alonso lembra que no século XVII son coñecidas e interpretadas "pezas populares coma as jácaras, as chaconas ou os canarios” e é a partir desa época cando os bailes cortesáns incorporan bailes populares coma eses, no caso da Galiza as pezas chamadas gaitas, que aparecen nos libros de composicións para guitarra, a cal era "o instrumento máis popular".

A popularidade da composición denominada galega fai que se incorpore tamén ás pezas teatrais, de xeito que "cando saía o personaxe galego soaba a gaita, interpretada con guitarra" e o público sabía que estaba a ver un personaxe de orixe galega, "frecuentemente un personaxe cómico, que cando sae á escena crea confusión". No ámbito relixioso a gaita galega "entra nos vilancicos, un xénero que non era só para o Nadal, tamén para as festas", aínda que neste caso o carácter cambia: "o personaxe galego pasa a ser honesto e honrado, por exemplo un pastor humilde, traballador e esforzado".

 A referencia máis antiga á muiñeira aparece "nun texto de 1745 de frei Martin Sarmiento", quen por certo compara os movementos deste baile cos que fan as galiñas e os galos, especialmente "os saltos que fan os galos"; a primeira destas composicións que puido atopar con notación musical Julio Alonso está datada no Nadal de 1786 e asínaa "o mestre de cap Desta maneira, López actúa de mediador para incorporala á música culta. A partir da publicación da Historia de Galicia de José Verea e Aguiar en 1838 xorde "o discurso que consolida a muiñeira como paradigma e referente identitario para a Galiza", apunta Alonso. Mesmo Manuel Martínez Murguía na súa Historia de Galicia publicará as primeiras transcricións con notación musical de música popular galega, que lle enviou o tamén escritor estradense Marcial Valladares Núñez, quen contaba cunha ampla formación musical. ela da Catedral compostelá Melchor López".

Fonte: nòsdiário

CAMINHO DA GEIRA RECORDISTA DE PEREGRINOS ENTRE CANDIDATOS À HOMOLOGAÇÃO

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O Caminho da Geira e dos Arrieiros (CGA) possui “características únicas”, uma das quais é o crescente número de peregrinos, que o posicionam como favorito à oficialização pelo governo regional da Galiza, entre os oito “neocaminhos” em estudo.

“O processo para a oficialização do CGA está em curso, integrado no grupo dos neocaminhos, que inclui também outras sete rotas, algumas próximas e outras dispersas pela Galiza”, explicou Carlos de Barreira, presidente da Associação Codeseda Viva, durante a entrega dos Prémios Abadesa Mariana.

Na sua perspetiva, “o caminho, que atravessa o centro de A Estrada [e parte de Braga], além de robusta documentação histórica, apresenta duas características distintas e decisivas: não converge com nenhum dos caminhos oficiais, pois tem um acesso próprio e direto a Compostela e, desde 2017, foi percorrido por milhares de peregrinos”.

A Associação Codeseda Viva e outras entidades promotoras do CGA “registaram 4.236 peregrinos, número que excede o de qualquer outra rota candidata à oficialização e, de facto, supera a soma das outras sete rotas”, salientou Carlos de Barreira na cerimónia de sábado, dia 27, em A Estrada, Galiza.

Por isso, a associação “acredita que o CGA será brevemente oficializado pelo governo da Galiza”. Além deste, outros dois itinerários em análise começam em Portugal: o Caminho Minhoto Ribeiro e o Caminho de São Rosendo.

Os Prémios Abadesa Mariana foram atribuídos ao escritor, filósofo e Cavaleiro da Ordem de Santiago, José Balboa Rodríguez, e à jornalista Silvia Pampín Otero, pelo seu empenho na promoção do CGA. A Associação Peregrinus Dezae, de Lalín, Galiza, foi reconhecida pelo apoio aos peregrinos, especialmente os que percorrem os Caminhos de Inverno e Sanabrés.

José Balboa Rodríguez foi homenageado por ser “um homem dedicado aos caminhos jacobeus e, em particular, ao CGA, pelo qual tem trabalhado incansavelmente, participando em várias reuniões, conferências e encontros em Portugal. Em Beariz, abriu com sua mulher o albergue de donativo 'O Repouso do Caminhante'”, explica a Associação Codeseda Viva, que entrega estes prémios anualmente pela quinta vez.

Quanto a Silvia Pampín Otero, foi distinguida por “mais de duas décadas dedicadas ao jornalismo local, durante as quais acompanhou de perto e reportou os progressos na investigação e no reconhecimento do CGA, contribuindo significativamente para a sua divulgação”.

Após a entrega dos prémios, realizou-se um debate sobre o Caminho de Santiago, com destaque para o CGA, moderado pelo jornalista galego Pablo Chichas, que contou com a participação de Gonzalo Louzão, presidente do Concelho de A Estrada, José Manuel Almeida, presidente da União de Freguesias de Caldelas, Sequeiros e Paranhos (Amares), Carlos de Barreira e os premiados.

O Caminho da Geira estende-se por 239 quilómetros, inicia-se na Sé de Braga e atravessa os municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.

Nos últimos sete anos, foi percorrido por mais de 4.200 peregrinos, principalmente de Portugal e Espanha, mas também de outros 13 países europeus, e de nações tão diversas como Afeganistão, Aruba, Austrália, Azerbaijão, Bahamas, Belize, Brasil, China, Colômbia, EUA, Japão, México, Palestina e Uruguai.

Apresentado em 2017 na Galiza e em Braga, foi reconhecido pela Igreja em 2019 e em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021).

O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via mais bem preservada do antigo império romano ocidental, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos raros cinco que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.

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LUÍS VAZ DE CAMÕES NASCEU HÁ 500 ANOS – É O DIA DE PORTUGAL – QUE O SEJA TAMBÉM O DIA DA GALIZA A PAR DO APÓSTOLO SANTIAGO!

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O POETA DA GRANDIOSA GESTA PORTUGUESA TINHA RAÍZES GALEGAS!

Portugal assinala no próximo ano 500 anos sobre a data de nascimento do seu maior poeta – Luís Vaz de Camões – que representa também um elo de ligação à nação irmã da Galiza.

Luís Vaz de Camões, o poeta que Portugal celebra no próximo ano 500 anos sobre a sua data de nascimento, tinha raízes familiares galegas. Os seus ancestrais eram oriundos da Galiza, próximo do Cabo Finisterra.

O autor de “Os Lusíadas” descendia, pela via paterna, de Vasco Pires de Camões, trovador galego que se transferiu para Portugal em 1370. Entre os seus antepassados conta-se Antão Vaz de Camões, filho do trovador Vasco Pires de Camões, o qual veio a casar com D. Guiomar da Gama, fidalga aparentada do grande navegador Vasco da Gama. Deles descendem Simão Vaz de Camões que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia e Bento Vaz de Camões que ingressou no Mosteiro de Santa Cruz dos Agostinhos.

Simão Vaz de Camões casou com D. Ana Sá de Macedo de cuja ligação nasceu Luís Vaz de Camões. Desconhece-se em rigor a data e o local do seu nascimento, presumindo-se que tenha sido em Lisboa, em 1524. As suas ligações à região de Santarém provêm do lado materno.

GALIZA: A TRADIÇÃO DAS MAIAS NAS RÍAS BAIXAS

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Por que no mes de maio é tradicional poñer xestas nas casas e nos coches?

Cando chega o mes de maio a xesta aparece nas portas das casas, carros, leiras, embarcacións, fiestras e actualmente nos coches. É un costume especialmente arraigado nas Rías Baixas e Norte de Portugal inda que se recolle por toda a provincia de Pontevedra e zonas concretas na provincia da Coruña.

No caso das xestas nas portas das casas ou das cortes está recollida en toda Galicia e o motivo de poñelas no coche é simplemente unha adaptación aos nosos tempos polo que ten sentido facelo en todo o territorio galego, tanto nas casas coma coches.

Os vellos contan que a xesta hai que poñerlla ao coche e na porta da casa antes do solpor o 30 de abril para protexerse contra o "mal de ollo", para que non poida entrar o maio, nin collan o meigallo.

Temos que ter en conta que hoxe vivimos de costas á natureza, pero até non hai tantos anos esta era fundamental para o subsistir das familias, polo tanto estes ritos están enmarcados nese mundo agrario e de exaltación da fertilidade e a vida vexetal, despois do ciclo de inverno.

O tempo é máis benigno, os días van medrando, o gando comezaba a subir ás brandas, a natureza xermola e, en resposta a este cambio de ciclo, as distintas culturas agradecen á natureza mediante estes ritos, agradecían as colleitas, a fertilidade da terra, a luz, pedían protección...

A xesta é tamén a flor dos namorados. Antes, os mozos entregábanllas ás raparigas que pretendían; se esta a aceptaba, daba a entender que tamén o aceptaba como pretendente. E segundo a tradición recollida por Ramón Cabanillas, aquelas mozas casadeiras que peregrinaban á Franqueira que acertaban a anudar unha poliña de xesta dándolle voltas só cun dedo, casaban nun ano

En definitiva, este ritual está enmarcado nesa exaltación da natureza e nesa festividade que xira arredor dos maios.

Desta volta avisamos con tempo tal e como pedistes!

Fonte: Orgullo Galego