Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

O RIO LIMA E A VISÃO MÍTICA DO HADES

35922660_1749853358428503_3697575518795726848_n.jp

  • Crónica de Carlos Gomes

Quando no ano 163 Antes de Cristo, as legiões romanas comandadas por Decimus Julius Brutus chegaram à margem esquerda do rio Lima, elas temeram atravessá-lo por acreditarem tratar-se do mítico rio do esquecimento e, ao transporem-no, esquecerem-se para sempre da sua pátria e de si mesmos. Tal superstição foi desfeita quando o tribuno romano atravessou o rio e, da outra margem, chamou todos os seus soldados pelo seu próprio nome.

PONTE DE LIMA RECONSTRÓI AÇUDE DO RIO LIMA - BLOGUE DO MINHO

O sítio escolhido pelas legiões romanas para atravessar o rio Lima foi naturalmente aquele que entretanto entenderam por mais adequado para construírem a ponte que liga as duas margens, um troço da qual veio a ser reconstruído ao tempo do rei D. Pedro I em virtude de ter sido derrubado pelas fortes correntes.

Foi também o local onde mais tarde veio a nascer a vila de Ponte de Lima – no sítio exacto onde a ponte que servia a estrada militar via XIX que constava do Itinerário de Antonino e que ligava Bracara Augusta (Braga a Astúrica Augusta (Astorga), passando por Lugo e Tui, se cruza com o rio como duas importantes vias de comunicação à época! – e em relação ao qual os romanos baptizaram por Lethes, numa clara alusão ao mítico Lethes, um dos quatro rios que na mitologia grega banhava o Hades, representando a passagem da vida para a morte através de uma barca conduzida por Caronte.

A travessia era paga e, a comprová-lo, as moedas encontradas em muitas sepulturas romanas, colocadas na boca do defunto para garantir o seu pagamento.

800px-Lytovchenko_Olexandr_Kharon.jpg

Interpretação do século XIX da travessia do rio Lethes por Caronte, por Alexander Litovchenko.

 

Segundo a mitologia grega, o rio Lethes era um dos quatro rios que banhava o Hades. A passagem da vida para a morte constituía a travessia feita do rio Lethes – o rio do esquecimento – através de uma barca conduzida por Caronte. Foi aliás, baseado nesta crença que Gil Vicente escreveu os seus autos, mormente o Auto da Barca do Inferno.

Também Dante, na Divina Comédia, na segunda parte da obra dedicada ao Purgatório, descreve o Lethes como um rio de cujas águas os pecadores tinham de beber para apagarem da memória os seus pecados cometidos e, desse modo, entrarem no Paraíso.

Porém, uma das mais conhecidas descrições do Hades e, consequentemente do rio Lethes constitui a versão apresentada pelo poeta épico Homero na Ilíada e na Odisseia.

Como é sabido, os romanos assimilaram a cultura dos gregos, atribuindo novas denominações às suas divindades. Na Grécia antiga, Lethes significava literalmente “esquecimento”, constituindo um dos cinco rios que banhavam o Hades. Os demais eram o Aqueronte (rio da dor), Cocito (lamento), Flegetonte (fogo) e Estige (invulnerabilidade), os quais faziam a fronteira entre os mundos superiores e inferiores. Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algea, Limos, Horcos e Ponos.

A origem etimológica da palavra Inferno provém do latim infernum ou inferus e que significa literalmente “profundezas”, “lugares baixos”, aludindo a um local de sepultura. O equivalente ao termo hebraico sheol, não existindo nela qualquer indicação de local de fogo e tormento a que os maus estavam condenados. Aliás, tal ideia só veio a ser concebida por associação com a Geena – o vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém – que era usado como lixeira e onde também eram lançados os cadáveres de pessoas consideradas indignas, sendo utilizado o enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo. De resto, o termo Geena ocorre doze vezes nas Escrituras Sagradas, tendo Jesus usado o vale de Hinom para representar a destruição eterna.

Em Lucas (12:5), o evangelista refere-se à Geena com as seguintes palavras: “Mas, eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo temei a Este”. E assim surgiu o Inferno como um local de padecimento!

Para trás ficou – qual rio do Esquecimento! – a crença no mítico rio Lethes que, séculos após a chegada das legiões romanas, passou a ser local de atravessamento de milhares de peregrinos, através da ponte que os romanos ali ergueram, com destino a Compostela para ali venerarem o apóstolo São Tiago Maior que, depois de ter andado pelo Minho – Braga, Guimarães e Rates – a tentar converter os pagãos, veio mais tarde segundo a tradição cristã a ser sepultado no local onde entretanto foi erguida a monumental catedral na Galiza.

ANTNIO~1

António Feijó

 

Também designado de Belion e pelo historiador e geógrafo grego Estrabão identificado como o mítico Lethes, o rio Lima continua a ser cantado pelos poetas, tendo em António Feijó porventura um dos seus maiores bardos:

 

Nasci á beira do Rio Lima,

Rio saudoso, todo crystal;

D'ahi a angustia que me victima,

D'ahi deriva todo o meu mal.

 

É que nas terras que tenho visto,

por toda a parte por onde andei,

Nunca achei nada mais imprevisto,

Terra mais linda nunca encontrei.

 

São águas claras sempre cantando,

Verdes colinas, alvôr d'areia,

Brancas ermidas, fontes chorando

Na tremulina da lua - cheia...

JORNAL INGLÊS “THE TELEGRAPH” DESTACA O MINHO NA SUA EDIÇÃO DO ...

O CAMINHO DE SANTIAGO... POR PONTE DE LIMA!

O Camiño de Santiago en Tui (V): peregrinos no século XVI

No ano 1532 Frei Claude de Bronseval e o seu señor o abade don Edme de Salieu culminan en Tui o seu periplo de dificultades por atopar aloxamento como peregrinos: “Tivemos graves problemas para aloxarnos. Os habitantes ríanse de nós, como se fosemos bárbaros ou sarracenos. Ao ver isto dous irmáns da Orde de predicadores levaronnos ante unha anciá a quen lle suplicaron que nos dera aloxamento. Foi o noso último aloxamento en Galicia e dicían que era moi bo, pero en realidade era moi malo”.

imagem_slideshow_D_PedroI_e_Ponte_de_Lima_slide_1_

En 1537 o viaxeiro italiano Nicolás Cleonardo, preceptor dos infantes portugueses, narra a súa viaxe dende Evora ata Compostela; na ida realizou o camiño por Ponte de Lima e Tui, namentras que ao regreso tras cruzar o rio Miño na barca de Tui, voltou a Ponte de Lima pero dende alí visitou Viana do Castelo para retornar ao interior por Barcelos.

Entre 1567 e 1568 Sexismundo Cavalli percorre este roteiro entrando en Portugal por Elvas e dende Braga polo trazado da antiga via romana foi a Ponte de Lima e Valença.

A viaxe que en 1581 realizou Erich Lassota de Stevolovo, un militar polaco de Silesia que serviu a Filipe II de España, “é tamén interesante, porque unha parte fíxose en barco e o resto a través dun itinerario terrestre moi ben documentado” que chegaba a Braga, Ponte de Lima e despois Valença do Minho. No regreso fixo o mesmo itinerario.

Deste mesmo ano se conserva o relato da viaxe realizada por Bartolomé Bourdelot, da República de Venecia enviado por esta onde Filipe II. En 1581 atópase en Lisboa e peregrina a Compostela pola vía clásica que percorrian todos os peregrinos e viaxeiros e que pasaba por Valença – Tui.

Giovanni Battista Confalonieri era un presbítero de Italia que acompañou ao Patriarca de Xerusalen, monseñor Fabio Biondo de Montalto, na sua peregrinación xacobea. Desta viaxe realizada en 1594 deixou un afamado relato con abondosas descricións. Na xornada décimo primeira refire a súa chegada a Valença que erguiase nun outeiro amurallado sobre o río Miño, que tiña de atravesar en barca para chegar a Tui:

Valença en el confin de Portugal; villa situada en una colina, amurallada, en ella se hace el registro del dinero, plata y cabalgaduras. Calle larga, casa pequeñas, a la entrada, un pequeño arrabal, y delante de la puerta un porche monumental. Se sigue bajando y se atraviesa el rio Miño, y, al igual que en Vila do Conde, de la otra parte del río Miño se encuentra inmediatamente Tui, ciudad y principado de Galicia. Es pequeña, amurallada, pobre en gente y en dinero. La Catedral es grande y en ella está el cuerpo de San Telmo, abogado de los marineros, sobre el cual hay una capilla en que se celebra, aunque no está canonizado.

Fonte: https://tudensia.blogspot.com/

EUROCIDADE CERVEIRA-TOMIÑO MANTÉM COOPERAÇÃO ATRAVÉS DE MEIOS DIGITAIS

O Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, a Alcaldesa do Concello de Tomiño (Galiza), Sandra Gonzalez, reuniram, esta manhã, por videoconferência para articular alguns procedimentos de desburocratização para portugueses que vivem em Tomiño, mas que ainda se encontram a trabalhar na Zona Industrial de Vila Nova de Cerveira, e vice-versa, e que necessitam de passar a fronteira Valença/Tui, além de trocar algumas impressões sobre as ações municipais implementadas para a contenção ao COVID-19.

Reunião Eurocidade.jpg

Apesar de confirmado o encerramento de uma grande percentagem de fábricas dos polos industriais de Vila Nova de Cerveira (nomeadamente as que têm um maior número de trabalhadores), ainda há unidades fabris, especialmente as relacionadas com indústria alimentar e transportes, que continuam a laborar, com trabalhadores portugueses e de outras nacionalidades. De modo a facilitar a passagem na fronteira Valença/Tui – um dos nove postos fronteiriços nacionais abertos para entrada de mercadorias e circulações de cariz laboral -, o Concello de Tomiño criou uma linha de apoio digital, com recurso a correio eletrónico ( beatriz.miranda@tomino.gal ), para a emissão de certificados de residência e de circulação de portugueses residentes em Tomiño e trabalhadores em Vila Nova de Cerveira. Para questões mais complexas, o EURES transfronteiriço também disponibiliza canais específicos.

Os dois autarcas abordaram ainda as questões sociais prementes nesta fase, tendo sido consensuais na necessidade de reforçar os serviços municipais desta área, nomeadamente na definição e implementação de apoios e medidas sociais imediatas, com atualização minuciosa e constante, manifestando a grande preocupação com as IPSS’s e os seus utentes.

A evolução da pandemia COVID-19 de âmbito nacional, em Portugal e em Espanha, também foi analisada durante esta reunião por videoconferência, com o Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira a sublinhar a importância de, no presente contexto, sentir-se uma Europa ainda mais solidária e que, ultrapassada esta crise sanitária, as relações de cooperação da Eurocidade Cerveira-Tomiño serão retomadas com maior vitalidade e entusiasmo.

Por sua vez, a alcaldesa Sandra Gonzalez elogiou a postura do Governo português na defesa para com Espanha e outros estados-membros europeus e que foi muito aplaudida em toda a Galiza, referindo-se ao caso das declarações menos solidárias proferidas pelo Governo holandês.

Aos contactos permanentes entre os dois representantes máximos dos concelhos vizinhos, também as equipas técnicas afetas ao projeto da Eurocidade continuam a estabelecer contactos permanentes para analisar a atual circunstância e delinear as próximas intervenções transfronteiriças.

A finalizar a reunião, um grande abraço de amizade à distância.

AGRUPACIÓN EUROPEA DE COOPERACIÓN TERRITORIAL GALICIA - NORTE DE PORTUGAL PUBLICA ANUARIO DA EURORREXIÓN

A Agrupación Europea de Cooperación Territorial Galicia - Norte de Portugal (GNP, AECT) publica, dende 2015, o Anuario da Eurorrexión. Hoxe, nunha época de crise debida ao COVID-19, a GNP, AECT segue a desenvolver os seus proxectos e outros que se derivan dos seus obxectivos institucionais e, neste sentido, presenta a versión on-line do Anuario da Eurorrexión de 2019.

Capturaranuarexion.PNG

Esta publicación anual pretende presentar as boas prácticas existentes no territorio e, para iso, reúne artigos de opinión e entrevistas, informes, comunicacións e actividades dos responsables políticos, axentes sociais, prensa e da gran maioría das entidades e institucións que operan na Eurorrexión Galicia - Norte de Portugal.

No ano 2019, das iniciativas institucionais desenvolvidas pola GNP, AECT, merece especial destaque o I Encontro de AECT da Península Ibérica, así como a dinamización da cooperación activa para o desenvolvemento económico baseado no Programa IACOBUS, e curiosidades relacionadas cos acontecementos máis relevantes, tanto en España e Portugal, coma na Unión Europea e no mundo, que inflúen na Eurorrexión.

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galicia – Norte de Portugal (GNP, AECT) desenvolve desde 2015 o Anuário da Eurorregião. Hoje, e numa época de crise devido ao COVID-19, o GNP, AECT continua a desenvolver os seus projetos e outros que decorram dos seus objetivos institucionais e, nesse sentido, apresenta a versão online do Anuário da Eurroregião de 2019.

Esta publicação anual pretende apresentar as boas-práticas existentes no território e para isso, reúne artigos de opinião e entrevistas, relatórios, comunicacões e atos de responsáveis políticos, agentes sociais, imprensa e a grande maioria das entidades e instituições que operam na Eurorregião Galicia - Norte de Portugal.

No ano de 2019, das iniciativas institucionais desenvolvidas pelo GNP, AECT, merece especial destaque o 1º Encontro de AECTs da Península Ibérica, assim como a dinamização da cooperação ativa para o desenvolvimento económico alicerçada no Programa IACOBUS, bem como curiosidades relacionadas com os acontecimentos mais relevantes, tanto em Espanha e Portugal como na União Europeia e no mundo, que influenciam a Eurorregião.

AECT RIO MINHO ASSINALA 25 ANOS DO TRATADO DE SCHENGEN

Galiza e Portugal, hoje mais do que nunca, unidos de coração no 25.º aniversário da eliminação das fronteiras europeias

Em março de 1995, entrava em vigor o Tratado de Schengen e nascia uma Europa sem fronteiras onde era permitida a livre circulação de pessoas e mercadorias.

AECT rio Minho.jpg

No preciso momento em que se completam 25 anos desse acontecimento histórico, deparamo-nos com uma terrível expansão da pandemia do COVID19 que obrigou os diferentes estados da União Europeia a tomar uma decisão sem precedentes: restituir as velhas fronteiras que dividiram os seus povos durante séculos.

A situação excecional em que nos encontramos realça a importância e a inter-relação dos territórios transfronteiriços como é o caso do Rio Minho, a passagem fronteiriça mais povoada entre Espanha e Portugal e a mais transitada da Península Ibérica, assim como as enormes consequências que a recuperação das velhas fronteiras representa para estes enclaves.

Para além do confinamento que vive toda a população quer galega quer portuguesa, o território transfronteiriço do Rio Minho está a sofrer um duplo golpe. O fecho das fronteiras provoca vários condicionalismos impostos aos trabalhadores transfronteiriços. Contudo, e no contexto atual, esta decisão revela-se necessária e oportuna em prol da segurança e saúde pública das populações.

Este é um momento de solidariedade e cooperação entre Estados, mas também de responsabilidade civil. É necessário que, para o bem de todos e de todas, fiquemos nas nossas casas até o perigo do contágio estar superado. Hoje, mais do que nunca, a Galiza e Portugal estão unidos de coração para fazer frente às adversidades.

No AECT Rio Minho continuaremos a trabalhar para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem no território transfronteiriço e a lutar por uma Europa dos povos, sem fronteiras, unida e forte, onde as políticas de cooperação, saúde e de bem-estar sejam sempre uma prioridade.

Valença, 26 de março de 2020

Capturarasss.PNG

ONDE ESTÃO AS FRONTEIRAS DE PORTUGAL?

Desde que Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE) andaram a propalar aos cidadãos portugueses a ideia utópica de que os países que dela faziam parte deixavam de ter fronteiras entre si, reservando apenas as exteriores vulgarmente designadas por Espaço Schengen.

unnamedeuroival.jpg

Ao longo de todos estes anos assistiu-se a uma abertura desenfreada de atalhos um pouco por toda a parte ao longo de toda a linha fronteiriça… pequenas pontes, trilhos de aldeias ou estreitas estradas municipais foram criadas, por vezes sob o estalejar de foguetes e discursos proferidos por demagogos de aldeia!

Entretanto, bastou que uma epidemia alastrasse por todo o continente para que os países que antes juravam a pés juntos solidariedade comunitária, para encerrarem as suas fronteiras com os demais países vizinhos. E, cada qual tratou dos seus problemas internos sem a menor preocupação com os demais membros do clube a que agora tratam por União Europeia.

Portugal também seguiu o exemplo. Porém, ao longo das últimas décadas procedeu à abertura de tantas passagens que agora se torna difícil controlar devido à inexistência de postos fronteiriços. E assistimos agora à remoção de obstáculos na fronteira portuguesa sem qualquer autoridade para o impedir, o mesmo é dizer que a autoridade do Estado deixou aqui de ser exercida!

Em Portugal entra quem quer sem precisar de se submeter a quaisquer normas estabelecidas, inclusive às medidas de quarentena e isolamento a que os demais cidadãos estão obrigados, emigrantes e cidadãos estrangeiros trazendo consigo o vírus que há-de infectar toda a comunidade. Eis as nefastas consequências de uma política irresponsável que ao longo de várias décadas infectou a consciência dos cidadãos portugueses!

BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO ACERCA DA CONTAMINAÇÃO DO RIO LIMA NA GALIZA

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre a contaminação do Rio Lima na Albufeira galega As Conchas.

1024px-Flag_of_the_Left_Bloc.svg.png

Nos últimos anos, inúmeros meios de comunicação do Estado espanhol têm noticiado a alarmante contaminação da albufeira galega As Conchas, situada a menos de 20 quilómetros da fronteira portuguesa do Lindoso que atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A albufeira As Conchas – constituída por massas de água provenientes do rio Lima e seus afluentes – apresenta níveis elevados de contaminação por nitratos responsáveis pela eutrofização e frequentes blooms de cianobactérias e toxinas nas águas da albufeira.

De acordo com um estudo da Sociedade Galega de História Natural, que recorre a dados do Centro Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) do Estado espanhol, a contaminação da albufeira por nitratos provém das mais de 400 explorações pecuárias de suínos existentes na comarca galega de A Limia.

Considerando que 67 dos 108 quilómetros do rio Lima se situam em território português – e que uma boa parte destes atravessam o Parque Nacional da Peneda-Gerês –, é com grande preocupação que o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda acompanha esta situação de possível exportação de contaminantes para a mais importante área protegida do nosso território, bem como para zonas a jusante desta. A exportação de contaminantes através do rio Lima pode originar graves problemas ambientais e de saúde pública no nosso território.

Ora, o rio Lima, tal como os rios Minho, Douro, Tejo e Guadiana, é um rio transfronteiriço cuja bacia hidrográfica é abrangida pela Convenção sobre Cooperação para a Proteção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas – o convénio ratificado por Portugal e pelo Estado espanhol comummente conhecido por Convenção de Albufeira.

Como disposto no n.º 1 do artigo 10.º da Convenção de Albufeira, “as Partes adoptam, individual ou conjuntamente, as medidas técnicas, jurídicas, administrativas ou outras necessárias” para, entre outros, “alcançar o bom estado das águas”, “prevenir a degradação das águas e controlar a poluição”, e “prevenir, eliminar, mitigar ou controlar os efeitos dos incidentes de poluição acidental.” Neste sentido, a Convenção de Albufeira assegura, ao abrigo da Diretiva Quadro da Água (Diretiva 2000/60/CE), a coordenação das medidas previstas nos planos de gestão das regiões hidrográficas internacionais do território comunitário, como é o caso da região hidrográfico na qual se insere o rio Lima

Questionamos o  Governo se tem conhecimento da situação aqui exposta. Se o Governo contactou as autoridades galegas no sentido de prevenir os efeitos da contaminação em território português.

Existem situações confirmadas de contaminação das águas e margens do rio Lima no Parque Nacional da Peneda-Gerês, bem como a jusante da área protegida

E se em caso afirmativo, que medidas tomou o Governo para mitigar e eliminar a contaminação.

Por último, se o Governo considera aplicar medidas previstas no Plano de Gestão de Região Hidrográfica do Minho e Lima, em coordenação com o Estado espanhol, como previsto na Convenção de Albufeira? Em caso afirmativo, que medidas prevê o Governo aplicar e em que datas?

Capturarberiolimagal1.PNG

Capturarberiolimagal2.PNG

LIMIANOS VISITAM A GALIZA

Museu dos Terceiros Organiza Viagem Cultural a Lugo, Ribeira Sacra e Allariz - 23 e 24 de Maio

O Museu dos Terceiros propõe este ano, na sua Viagem Cultural, uma incursão pelo território da Galiza. Começará com uma visita à Abadia de Samos, casa beneditina situada no Caminho Francês de Santiago, “um dos mosteiros habitados mais antigos de Espanha”. A venerável cidade de Lugo (Lucus Augusti) é o destino seguinte, com os seus importantes testemunhos da época romana, como a muralha, a ponte, as termas e outros vestígios, a que se juntam valiosos monumentos religiosos com origem na Idade Média.

viagem_mute_a3.png

A Região da Ribeira Sacra, com a sua impressionante paisagem polvilhada de mosteiros e igrejas românicas, vai dar-nos a conhecer o antiquíssimo Mosteiro de São Pedro de Rocas, assim como o Mosteiro de Montederramo, fundação da “nossa” Rainha D. Teresa. O périplo terminará em Allariz, outra encantadora Terra com ligações a Ponte de Lima, onde o correr touros com cordas é tradição e o Festival Internacional de Jardins também já o começa a ser.

A viagem decorrerá nos dias 23 e 24 de maio de 2020 e será comissariada e acompanhada pelo Diretor do Museu dos Terceiros, Prof. Carlos A. Brochado de Almeida.

As inscrições, a efetuar na receção do Museu dos Terceiros, onde se disponibiliza o programa mais completo, têm como prazo limite o dia 5 de abril de 2010. Para mais informações, contactar:

Museu dos Terceiros

Av. 5 de Outubro

Ponte de Lima

Tel.: 258 240 220

Email: mute.geral@museuspontedelima.com

O CONCELHO ESPANHOL DA CAÑIZA ACOLHEU UMA REUNIÃO HISTÓRICA ONDE REUNIU OS 24 ALCAIDES DA GALIZA E CINCO PRESIDENTES DE CÂMARAS PORTUGUESAS PARA POTENCIAR A VIA MARIANA

O Alcaide da Cañiza, Luis Piña, presidiu na passada sexta feira, dia 6 de março, ao 1º Encontro Transfronteiriço de Alcaides e Presidentes de Câmaras que integram o projeto “Via Mariana de Peregrinação Luso Galaica”, o qual une Braga com Muxía, passando pelos santuários marianos de 29 concelhos.

A Associação Via Mariana e os representantes municipais presentes na reunião acordaram ações comuns de ambos os lados da fronteira, em todos os âmbitos de atuação e divulgação conjunta mediante a criação de uma página web. Também acordaram iniciar o procedimento para propor ao Conselho de Europa a declaração de Itinerário Cultural Europeu.

A Associação Via Mariana e os representantes municipais presentes na reunião acordaram ações comuns de ambos os lados da fronteira, em todos os âmbitos de atuação e divulgação conjunta mediante a criação de uma página web. Também acordaram iniciar o procedimento para propor ao Conselho de Europa a declaração de Itinerário Cultural Europeu.

10-Encontro Transfronterizo Alcaldes-Anxo Gutierre

Este foi um acontecimento histórico, pelo seu carácter internacional, que decorreu no Concelho de Cañiza, em colaboração com a Associação Via Mariana que pretendeu analisar e debater ações conjuntas a desenvolver na rota e dar a conhecer aos mais de 70 promotores que dela fazem parte: instituições públicas e privadas, associações, comunidades e particulares.

A Via Mariana, composta de 17 etapas, começa em Braga e termina em Muxía, é um projeto realmente especial pela sua vinculação pessoal com país vizinho.

A Via Mariana tem o seu Km 0 em Braga (Portugal) no Santuário do Sameiro, atravessa 5 concelhos portugueses e entra na Galiza por Arbo até chegar a Muxía, percorrendo estradas incríveis para chegar aos santuários. Aboim da Nóbrega, Soajo, A Peneda, Melgaço até chegar ao Santuário da Franqueira. Depois da Franqueira a Via segue para Santiago de Covelo, Santa Maria de Estacas, Santa Maria de Augasantas, Santa Maria de Sacos, Os Milagres de Amil, Valga, Iria Flavia, Santiago de Compostela, Negueira, Baiñas e Muxía, onde termina.

Esta Via, com um percurso de 382 km, tem como principal objetivo criar sinergias para favorecer as zonas rurais mais desconhecidas, fixar população, melhorar a qualidade de vida dos habitantes e preservar a riqueza paisagística e patrimonial dos territórios.

Os Alcaides e Presidentes das 29 câmaras e concelhos que se reuniram em Cañiza para falar da Via Mariana, apontaram o grande potencial que a Via tem para lutar contra o despovoamento rural e para dinamizar e promover ações económicas revitalizadoras.

Os autores intelectuais da Rota, José de la Riera e Luis Martínez “do Freixo” explicaram as singularidades do trajeto, começando pela sua génesis e o seu potencial para captar turismo de natureza. José de la Riera expôs as razões que deram origem à criação desta rota e o potencial que marca a diferença com outros caminhos de peregrinação. Para estes especialistas não há dúvida de que a Via Mariana tem uma projeção de futuro firme.

Participantes neste I Encontro Transfronteiriço:

Preside: Alcaide do Concello da Cañiza, Don Luis Piña

Deputación Provincial de Pontevedra. Deputada Provincial Dona Raquel Giráldez Presidenta da Associação Via Mariana, Dona Mª José Silva

Cónego da Arquidiocese de Braga, Reverendo Senhor Don José Paulo Abreu

Vereador de Ambiente, Energia e Desenvolvimento Rural do Município de Braga, Engº Altino Bessa.

Alcaide do Concelho de Muxía, Don Iago Toba Campaña

Diretora da Oficina de Turismo do Sameiro, Dona Rosa Maria Silva

Presidente da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, Doutor João Manuel Esteves

Vereadora da Cultura do Município de Vila Verde, Doutora Júlia Fernandes

Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Doutor Manuel Batista Calçada

Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Doutor Augusto Marinho

Alcaide do Concelho de Arbo, Don Horacio Gil

Alcaide do Concelho de Campo Lameiro, Don Carlos Costa

Alcaide do Concelho de Covelo, Don Pablo Castillo

Alcaide do Concelho de Baña, Don José Antonio Pereira

Alcaide do Concelho de Cuntis, Don Manuel Campos

Tenente de Alcaide do Concelho da Lama, Don David Carrera e Concelleiro de Cultura Don Daniel Vidal.

Alcaide do Concelho de Fornelos de Montes, Don Emiliano Lage

Concelheiro de Turismo do Concelho de Mazaricos, Don Jorge Sanmartín Rial

Alcaide do Concelho de Mondariz, Don Xosé Emilio Barros

Alcaide do Concelho de Ponte Caldelas, Don Andrés Díaz

Técnico de Juventude , Turismo e Eventos do Concelho de Santa Comba, Don José Manuel Vázquez.

Alcaide do Concelho de Valga, Don Xosé María Bello Maneiro

Tenente de Alcaide do Concelho de Vimianzo, Don Víctor Muiño

Alcaide do Concelho de Zas, Don Manuel Muiño.

10-Encontro Transfronterizo Alcaldes-Anxo Gutierre

AGUADEIROS GALEGOS DESFILARAM EM LISBOA NO ANO DE 1934 POR OCASIÃO DAS FESTAS DA CIDADE

Em 8 de Junho de 1934, por ocasião das Festas da Cidade de Lisboa, os aguadeiros tomaram parte no cortejo historico de viaturas de Bombeiros. Refira-se que a a profissão de aguadeiro, muito relacionada com o socorro aos incêndios na capital e regulamentada por posturas municipais, era geralmente exercida pelos galegos que viviam em Lisboa.

Fonte: ANTT

SEC-AG-1136I.jpg

SEC-AG-1139I.jpg

BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA GOVERNO ACERCA DO ENSINO DO PORTUGUÊS NA GALIZA E DAS EMISSÕES DA RTP

O Parlamento Regional da Galiza, no respeito pelo seu estatuto de comunidade autonómica previsto na Constituição espanhola de 1978, aprovou em 2014 por unanimidade a Lei Valentín Paz-Andrade, formalizando desta forma um instrumento para a reaproximação entre o galego e a língua portuguesa.

A lei previa a promoção da língua portuguesa nos meios de comunicação social públicos, bem como o seu ensino nas escolas de ensino primário e secundário, e a sua adoção institucional na Galiza.

O Estado português acompanhou este processo em 2015 com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Instituto Camões e o Governo Autónomo Galego, de forma a garantir a formação de professores e respeitos meios de avaliação para o ensino da língua portuguesa na Galiza.

Previa também o desenvolvimento de esforços para expandir a receção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre, o que motivou a assinatura de um Memorando com a RTP para o mesmo efeito.

Recentemente um acordo entre o Partido Socialista Espanhol (PSOE) e o Bloque Nacionalista Galego (BNG) prevê que seja implantada a emissão de canais de rádio e televisão portugueses no território da Galiza. Esta era uma medida que já estava prevista na conhecida “Lei Paz-Andrade” e que não foi implantada. lembramos que o acordo entre os dois partidos é uma forma de promover a língua galega e a lingua portuguesa no território.

Passados mais de  quatro anos, importa avaliar em que ponto se encontram estas iniciativas oficiais, incluindo a promoção da língua portuguesa na Galiza que tem sido afirmada sobretudo por associações culturais privadas.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda quer saber quantas ações de formação de professores para o ensino da língua portuguesa na Galiza foram realizadas desde 2015, no âmbito do Memorando de Entendimento celebrado nesse mesmo ano, que ações para a promoção da língua portuguesa foram realizadas ou estão neste momento em implementação por parte do governo português para acompanhar a implementação da Lei Paz-Andrade e por último  que emissão de televisão e rádio da RTP tem sido promovida na Galiza.

CapturarBEGaliza1.PNG

CapturarBEGaliza2.PNG

TURISMO APROXIMA CERVEIRA E TOMIÑO (GALIZA)

Eurocidade Cerveira-Tomiño apresenta ferramentas de apoio ao turismo transfronteiriço

Procurando promover um maior conhecimento sobre o turismo local e dinamizar o potencial económico da Eurocidade, os concelhos vizinhos de Vila Nova de Cerveira e de Tomiño organizam, na próxima terça-feira, 3 de março, uma ação de apresentação de duas ferramentas de apoio ao turismo transfronteiriço, nomeadamente um guia do setor e uma APP de turismo acessível.

Com esta iniciativa, Vila Nova de Cerveira e Tomiño sintetizam meses de trabalho conjunto para melhorar a divulgação e promoção da competitividade do sector turístico, através da compilação dos principais recursos naturais, culturais e patrimoniais de ambos os municípios. Técnicos municipais de turismo, desenvolvimento local e cooperação transfronteiriça, representantes empresariais locais, associações cívicas, comerciais e culturais, e representantes da Eurocidade participaram, desde os finais de 2018, em reuniões de trabalho e nas jornadas de turismo para avançar com um diagnóstico comum das potencialidades e necessidades do turismo no território.

Simultaneamente à apresentação desta publicação, este encontro também vai dar a conhecer uma APP para o turismo acessível, proposta vencedora do OPT 2018 dapresentada pela Escola Superior Gallaecia, a ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) e a Asociación de Persoas con Discapacidade Vontade, e que pretende cartografar a acessibilidade dos recursos turísticos da Eurocidade para facilitar as visitas de pessoas com mobilidade condicionada, assim como as atuações inclusivas da sociedade e instituições.

De sublinhar que estas ações integram a Agenda Estratégica de Cooperação Transfronteiriça Amizade Cerveira-Tomiño, cofinanciada em 75% pelo programa INTERREG VA POCTEP, através de fundos FEDER da União Europeia.

Para facilitar a organização desta ação turística trasnfromnteiriça, os interessados devem inscrever-se previamente através do seguinte formulário: https://docs.google.com/forms/d/1tkd13B1ttbN7ygMMUvFL04QXHFZ2CMRsAfCIgjWupEc/viewform?edit_requested=true

Programa

Apresentação de Guia do setor e de APP para turismo acessível - 3 de março de 2020

Aula Museu Antonio Fernández (Goián)

09h30 Visita guiada ao Museu

Transporte de autocarro até ao Museu Bienal de Cerveira

Museu Bienal de Cerveira

10h30 Coffee-Break

11h00 Apresentação da Marca Rio Minho com María Vence - Comunicação projeto Visit Rio Minho

11h15 Apresentação da APP Turismo Acessível. Projeto vencedor do Orçamento Participativo Transfronteiriço (OPT) 2018, proposto pela ES Gallaecia, ACAPO e Asociación Vontade

12h45 O transfronteiriço como valor turístico

- Goretti Silva, Instituto Politécnico de Viana do Castelo

- Valerià Paül, Diretor Fundación CEER (Centro de Estudos Euro Rexionais)

13h30 Apresentação do Guia para o setor turístico da Eurocidade Cerveira-Tomiño

13h45 Encerramento

- Sandra González, Alcaldesa de Tomiño

- Fernando Nogueira, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira

Transporte de autocarro até Goián

Flyer Turismo 2020 1.png

Flyer Turismo 2020 2.png