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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MONÇÃO, AS NEVES E ASOCIACIÓN DE AFECTADOS REFORÇAM CONTESTAÇÃO À LINHA DE MUITO ALTA TENSÃO

Autarcas e associação reafirmam posição contrária à instalação daquele empreendimento elétrico, considerando que a sua funcionalidade terá um impacto negativo brutal em ambos os territórios e nas populações locais.

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Com o projeto da linha de muito alta tensão em cima da mesa, realizou-se uma reunião de trabalho entre o Presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, o Alcalde de As Neves, Xosé Manuel Rodriguez Mendez, e o Presidente da Asociación de Afectados Pola Liña de Alta Tension Fontefria- Fronteria Portuguesa, Vítor Gil.

Fazendo o ponto da situação daquele empreendimento elétrico, bem como de todas as posições contrárias ao projeto, manifestadas em diferentes locais e de diversas formas, neste encontro acordou-se no estabelecimento de um conjunto de medidas de reforço à contestação da linha de muita alta tensão.

Monção e As Neves, à semelhança de outros municípios localizados na região fronteiriça, têm manifestado total discordância com aquele empreendimento, onde se pretende implementar uma linha elétrica de 400 Kv (que pode chegar aos 800 Kv) desde Fonte Fria, na Galiza, até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede elétrica nacional, no âmbito do plano de expansão da “REN – Rede Elétrica Nacional, S.A.”

Rejeição unânime ao projeto

Em janeiro de 2019, tanto a Assembleia Municipal de Monção como o Pleno do Concello das Neves aprovaram, por unanimidade, uma proposta de rejeição do projeto. Ano e meio mais tarde, em julho de 2020, no decorrer do período de consulta pública, voltaram a manifestar-se contrárias, de forma bastante explicita, à construção da referida linha no território. Este ano, em conjunto com o movimento associativo, reafirmaram a contestação à Linha de Muito Alta Tensão.

Os dois autarcas e o representante da associação presente entendem que a instalação e funcionalidade da linha de muito alta tensão terá um impacto negativo brutal em ambos os territórios e nas populações locais, originando diversos problemas para a saúde pública, comprovada em diferentes publicações e pesquisas efetuadas por organismos distintos e credíveis.

A uma só voz, defendem que mais que uma linha de muita alta tensão, o território fronteiriço necessita de politicas ativas de valorização das potencialidades locais, bem como de medidas concretas que favoreçam o equilíbrio ambiental, a promoção social e cultural e a fixação das populações nos meios rurais.

BÉRAN INAUGURA MARCO KM100 DO CAMINHO DA GEIRA E DOS ARRIEIROS DE BRAGA A COMPOSTELA

A vila histórica de Berán, na província de Ourense, promove uma iniciativa sócio-cultural no domingo, dia 16, com o objetivo de assinalar o Km100 do Caminho da Geira e dos Arrieiros e a homologação pela Igreja deste itinerário jacobeu que liga Braga a Santiago de Compostela.

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O evento decorre na área recreativa do Campo da Capela São Roque (coordenadas - 42.35053, -8.14243) e consiste na inauguração de uma escultura que alude à peregrinação e à comarca de O Ribeiro, da autoria e oferecida por Abdón Fernández, porta-voz da Plataforma Berán no Caminho.

Em simultâneo será presentado o livro intitulado “Berán Histórico – Berán Vila Termal no Caminho de Santiago”,  da autoria de Adolfo Luís Soto, residente na localidade.

O Arcebispado de Santiago de Compostela reconheceu o Caminho da Geira e dos Arrieiros em 28 de março 2019, mas a passagem do segundo aniversário da efeméride não pôde ser assinalada na data certa, porque a organização “pretendia a participação das associações portuguesas e galegas, o que não era possível devido à pandemia e ao encerramento das fronteiras”, explica Abdón Fernández, presidente da associação fundadora do projeto (AJCMR) e porta-voz da Plataforma Berán no Caminho, com sede no município de Leiró.

“O objetivo do encontro é reafirmar a presença de Berán no caminho, como um lugar de referência já que está a 100 km de Santiago, a distância mínima a percorrer a pé para obter a Compostela”, explica o porta-voz, considerando que “estar no mapa do Caminho é mais um impulso sócio económico para as populações da região”.

“Convidamos a estar presentes todos aqueles que queiram passar o dia na terra onde nasceu este projeto aproveitando para conhecer o património, cultura, história e provar a gastronomia da região”, adianta.

A Plataforma Berán no Caminho está, entretanto, a planear um encontro de peregrinos para julho, mês do Apostolo Santiago, que incluirá diversas atividades a anunciar oportunamente.

O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi apresentado em 2017 em Ribadavia (Galiza) e Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, reconhecido pela associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico em 2020 e é um itinerário oficial da Peregrinação Europeia de Jovens do Ano Santo Jacobeu 2021/22.

Este percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira Romana e a Reserva da Biosfera do Gerês/Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos escassos cinco que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.

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FRONTEIRA COM ESPANHA REABRE NO PRÓXIMO SÁBADO

Restricciones por la covid: Portugal estudia ampliar el cierre fronterizo que finaliza el viernes

El Ministerio de Interior confirma que los controles fronterizos no dependen de que finalicen los estados de alarma a ambos lados de la Raya y que se valorará la evolución de la pandemia

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Control en la frontera entre Extremadura y Portugal. / HOY

El 1 de mayo, el próximo sábado, decae el cierre fronterizo entre España y Portugal. Así lo marca la última prórroga que se publicó en el BOE (Boletín Oficial del Estado) el 17 de abril.

Ese mismo día finaliza el estado de emergencia en el país vecino. El presidente de la República, Marcelo Rebelo de Sousa, ya anunció el martes que no va a solicitar su prórroga. La medida similar en España, el estado de alarma, se mantendrá hasta el 9 de mayo.

Sin embargo, esas figuras no tienen relación directa con el cierre fronterizo, según confirma el Ministerio de Interior español, y se podrán aplicar controles en la frontera una vez finalizado el estado de alarma si los gobiernos así lo consideran.

En este sentido, el Consejo de Ministros portugués se reúne este jueves para decidir qué medidas se aplicarán desde el sábado. La buena evolución de la pandemia en Portugal apunta a que se relajarán las restricciones. Pese a ello, el Ejecutivo luso todavía puede solicitar una prórroga del cierre de la frontera y en la última ocasión que lo hizo informó a España de su decisión pocas horas antes del límite. Fuentes consultadas por este diario avanzan que el Gobierno portugués es partidario de continuar restringiendo la movilidad entre ambos países. Sin embargo, el diario luso Publico recoge que las fronteras abrirían el próximo sábado por orden conjunta del ministro de Administración Interna, Eduardo Cabrita, y la ministra de Sanidad, Marta Temido; aunque no será hasta después del Consejo de Ministros cuando se conozca tal decisión.

Hasta el momento, los cierres fronterizos a causa de la pandemia, que se han ido prorrogando desde el mes de enero, han sido coordinados entre España y Portugal. La posibilidad de aplicar nuevamente estas restricciones «dependerá de la evolución de la situación y de la coordinación que mantenemos con las autoridades portuguesas», añaden desde el Ministerio de Interior.

En la actualidad, la pandemia está evolucionando positivamente en los dos lados de la Raya. Los datos de incidencia acumulada en España van a la baja, en parte gracias al avance de la vacunación, y Portugal está en pleno proceso de desescalada de las restricciones, ya que su situación va mejorando.

Fonte: José M. Martín / https://www.hoy.es/

NARCISO ALVES DA CUNHA LEVOU AO SENADO EM 1911 FACTOS OCORRIDOS NA FRONTEIRA ENTRE VALENÇA E TUI

Narciso Alves da Cunha nasceu em 5 de Setembro de 1851 na Freguesia de Formariz, Concelho de Paredes de Coura. Em 1911, foi eleito deputado para as Constituintes pelo círculo de Ponte de Lima e veio a pertencer ao Senado na Legislatura de 1911-1912.

Na sessão do Senado de 13 de Março de 1912, usou da palavra para falar acerca de factos ocorridos na fronteira, entre Valença e Tui, tendo obtido resposta por parte do Presidente do Ministério, Augusto de Vasconcelos. Nesta intervenção, apresentada como urgente, fez nomeadamente menção ao sacrifício das nossas gentes, referindo que “Esta pobre gente faz todos os dias, de Paredes de Coura a Valenca, um percurso de 40 quilómetros, para se aproveitar da isenção, que já havia, do imposto.”

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O Sr. Presidente:—O Sr. Senador Alves da Cunha pediu a palavra para tratar dum negócio urgente, o qual diz respeito à ponte internacional de Valença.

Os Srs. Senadores qae aprovam a urgência, tenham a bondade de se levantar.

Foi aprovado.

O Sr. Narciso Alves da Cunha: — Sr. Presidente e Srs. Senadores: o assunto de que vou dar conhecimento ao Senado afigura-se-me de extrema gravidade pelas consequências embaraçosas que pode trazer à República.

Eu não teria mesmo dúvida em requerer uma sessão secreta para o Senado conhecer dele, se já não fosse do domínio público, por intermédio da imprensa.

É possível que eu esteja em erro nesta forma de pensar e ver as cousas, mas estou convencido de que as minhas apreensões tem razão de ser e tem fundamenío.

Há tempos, não posso precisar a data, mas como estão aqui presentes dois ilustres Ministros podem dar esclarecimentos a esse respeito, em Conselho de Ministros tomou-se esta deliberação: não permitir a ninguém passagem para a fronteira espanhola sem previamente se munir com passaporte ou salvo-conduto, visado pela autoridade militar, do qual deviam constar os sinais respectivos e declaração de não haver inconveniente na passagem do portador á Espanha.

Dispenso-me de fazer considerações gerais sobre esta ordem ministerial, pois sou o primeiro a reconhecer a boa intenção do Ministério ao dá-la aos seus agentes.

Vou apresentar factos concretos, por que eles serão os melhores argumentos para demonstrar os perigos e gravames que resultam daquela medida policial.

Primeiro: há dias o comandante da canhoneira espanhola Pérola, que faz o serviço de fiscalização no Rio Minho, por parte da Espanha, dirigiu-se de Caminha a Valença e pretendeu atravessar a ponte internacional. A guarda fiscal, porém, embargou-lhe o passo, dizendo-lhe que não podia passar sem apresentar o salvo-conduto, passado pelo comandante do governo militar da praça.

O comandante observou que Portugal e Espanha eram duas nações amigas, - vizinhas e que por consequência devia ser livre o trânsito; que não tinha o salvo conduto, mas seguiria pelo comboio, e que o prendessem se quisessem.

À hora precisa o comandante da canhoneira espanhola entrou, efectivamente para o comboio, e seguiu para Tui.

A guarda fiscal não se opôs.

Peço agora ao Senado que reproduza, na retina da sua inteligência ou no caleidoscópio da sua fantasia, a cara com que ficariam aqueles representantes do poder executivo, ao verem entrar para o comboio e seguir para Espanha o referido oficial de marinha.

Não pertenço aos agentes do poder executivo, mas, como português, devo dizer que ainda estou sentindo na face, esbraseada, os vergões da chicotada com que o estrangeiro atingiu, naquela hora a face da guarda fiscal.

Mas há mais e melhor; melhor não, muito pior.

Dois alemães chegaram á ponte internacional, não há muitos dias, para passarem para Espanha.

Estando em Tui, tomariam o comboio e seguiriam para Vigo. E claro, a guarda fiscal, perguntou-lhes pelo salvo conduto.

Eles declinaram a sua qualidade de alemães e apresentaram documentos comprovativos da sua identidade.

A guarda fiscal, porem, não os deixou atravessar a fronteira, sem o salvo conduto, que não puderam obter do governo militar da praça, a tempo de seguirem para o seu destino. Ficaram em Valenca e seguiram no outro dia para Vigo.

Chegados aí, dirigiram-se ao seu cônsul, apresentaram a sua queixa, o seu protesto, e desde logo reclamaram perdas e danos.

Sr. Presidente e Srs. Ministros: a Alemanha ó a Alemanha, e nós-. . . e nós temos colónias que aguçam o apetite.

Pouco depois, um súbdito espanhol que residia em Ancora, povoação do concelho de Caminha, foi avisado para prestar o seu serviço militar em Espanha. Dirigiu-se ao administrador daquele concelho com o bilhete de identidade, apresentou-se na ponte internacional para passar. A guarda fiscal não consente e não o deixou passar sem o visto do governo militar da praça.

O homem dirigiu-se ao governador militar, o qual lhe observou que não lhe podia passar o documento que impetrava, por isso que ele devia vir munido duma cédula ou bilhete de identidade passado pelo seu respectivo cônsul.

O homem, vendo que com estas demoras corria o perigo de nâo se apresentar no dia próprio para assentar praça, dirigiu-se ao vice-consul de Espanha em Valença, mas este fez-lhe ver que nada podia fazer porque ele não residia dentro da sua área territorial.

Este homem dirigiu-se, depois, ao administrador de Valença. o qual declarou no bilhete de identidade que reconhecia ser o próprio o apresentante.

Mas, nem assim, o recruta espanhol regressou a Caminha e foi declarar ao seu vice-consulado que as auctoridades portuguesas não o deixavam sair de Portugal.

Como êste, muitos outros factos. V.Exª Sr Presidente, sabe que nós temos um tratado comercial com a Espanha, é de 1893, pelo qual certos géneros e artigos podem transitar dum para outro país sem pagamento de imposto aduaneiro, e no tráfico comercial destas mercadorias andam empregadas centenas de pessoas.

Mas S. Ex.a facilmente compreende que a obtenção do bilhete de identidade e depois do Visto do Governo militar são entraves à execução do referido tratado, pois são dificuldades e embaraços á facilidade de comunicações, que o Comércio reclama.

Por consequência, desde que há dificuldades não será surpresa que o Governo Espanhol reclame contra essas dificuldades que as autoridades portuguesas estão criando à inteira e livre execução daquele tratado.

Mas há mais, e o facto que vou relatar prende-se com um projecto de lei, que foi votado aqui ultimamente, e que se destina a permitir que, durante 60 dias, os indivíduos que transitam da Galiza para Portugal possam trazer de lá cinco quilogramas de pão, livres de direitos.

Neste tráfico andam empregadas centenas de mulheres, muito pobres, que procuram nele o seu ganha-pão e de seus filhos.

Esta pobre gente faz todos os dias, de Paredes de Coura a Valenca, um percurso de 40 quilómetros, para se aproveitar da isenção, que já havia, do imposto.

Pois essa pobre gente, antes de percorrer esse trajecto tem de se munir dum bilhete de identidade do respectivo administrador, e depois ir visá-lo ao Governador da Praça.

Quere a Câmara saber qual é a Legenda que encima esse salvo-conduto, passado pela autoridade militar da praça?

E muito curiosa:

Serviço de campanha. (Risos).

Veja o Senado se, porventura, na fronteira norte se trata de qualquer serviço de campanha.

Eu mesmo perguntarei se lá estão suspensas as garantias.

Como a Camara vê, este estado de cousas ofende por uma forma directa e imediata o comércio lícito, e afecta o tratado internacional a que me referi há pouco.

Não sei se a Espanha reclamará; mas, quer reclame quer não, creio que este gravame não pode continuar a pesar sobre aqueles que se dedicam a este género de negócio.

Mas ainda há mais.

Na Galiza estão empregadas centenas e centenas de operários portugueses, porque encontram lá trabalho nas obras e nas fábricas. Este êxodo para a Galiza, é. sem dúvida, um grande bem para nós, porque atenua, até certo ponto, a mania do urbanismo nacional de que muita gente da província é acometida.

Pois essa gente, que de Portugal transita para a Galiza, tem de pedir todos os dias um passaporte ao comandante militar de Valenca.

O mesmo acontece com suas mulheres, ou filhos, para lhes levarem a comida, porque os operários vem ficar a suas casas à noite.

Uma VOZ:—Todos os dias.

O Orador:—Todos os dias, sim, se quiserem livrar-se da guarda fiscal.

Sem a cédula do Serviço de Campanha, ninguém pode transitar para a Galiza.

Ora isto não dá prestígio algum à Pátria, nem à República.

A meu ver, o Conselho de Ministros adoptou esta medida na melhor das intenções.

Não pretendo irrogar-lhe a menor censura, porque, manifestamente, o seu empenho foi evitar a passagem para a Galiza àqueles indivíduos que andavam e andam a conspirar cá dentro, contra a República.

Por isso tem o Ministério o meu inteiro aplauso; mas os Srs. Ministros não viram, não foram examinar toda a fronteira, nem conhecem a facilidade com que o rio Minho pode atravessar-se em qualquer ponto, o que, até certo ponto, não admira, nem é para estranhar, e por isso não calcularam que a sua medida, para o fim a que visa, é absolutamente improfícua, por isso que aqueles que desejam conspirar contra a República de forma alguma vão pedir passaporte ao governador da praça, para se transportarem para a Galiza; e vou citar um facto concreto que demonstra o que acabo de afirmar.

Há cerca dum mês, evadiram se da cadeia de Valença dois presos, pronunciados pelo crime de furto.

Praticaram esta gentileza às duas horas da manhã; depois dirigiram-se à margem do rio para obter barco, e verificou-se que atravessaram para a Galiza, entraram na cidade de Tui, e que, de manhã, já estava em Valenca a noticia de que eles andavam a passear em Tui.

Isto prova que aquelas medidas nada valem para o fim visado, porque em toda a parte se pode obter um barco para atravessar o rio que aliás tem uma grande extensão, emquanto que, pode dizer-se, só de 200 a 200 metros é que se encontra um guarda-fiscal.

No caso vertente, o delegado da comarca, logo que teve conhecimento deste facto, mandou solicitar do alcaide de Tui a prisão dos evadidos.

Efectivamente foi encontrado um dos fugitivos e o alcaide prendeu-o, mas como o preso declarasse que era conspirador, o alcaide deu-lhe a liberdade.

O oficial de diligências veio informar o delegado da comarca, por isso que o alcaide dizia que sem saber de que crime se tratava, não promoveria a recaptura do evadido da cadeia de Valenca; e tanta foi a infelicidade do larápio, que ainda foi apanhado outra vez pelo alcaide, depois de saber o fundamento da sua prisão na cadeia de Valença, remetido para esta, comarca e depois para a Relação do Porto, onde se conserva.

Nestas condições, não peço esclarecimento algum ao Sr. Ministro do Interior, relativo a estes factos; o que peço ao Governo é que se informe com gente conhecedora daquela região e que lá reside, para ela indicar a forma mais prática e mais eficaz, pela qual se possa evitar que os conspiradores passem a fronteira para se irem unir às hostes de Paiva Couceiro, sem prejuízo, nem gravame para o comércio ou para a indústria.

É claro que S. Ex.as os Srs. Ministros não podem percorrer todo o país e observar todas estas minuciosidades; e estou até convencido de que pelo espírito do Conselho de Ministros passou, ao decretar estas medidas, dar um corte no contrabando.

Pois nem isso conseguiram, porque o contrabando continua da mesma forma e em grande escala e nas mesmas condições que se fazia até aqui.

Eu posso citar um facto, que é característico, e, de mais a mais, dá-se a circunstância que o contrabandista já faleceu; e, por outro lado, este facto mostra também a honestidade da Guarda Fiscal.

Foi o seguinte: um contrabandista tinha necessidade de fazer passar da Galiza para cá uma porção de fardos de sedas, chegando a oferecer cem libras ao guarda fiscal do respectivo posto, o qual rejeitou o oferecimento.

Então o contrabandista disse lhe que as sedas haviam de entrar, e entraram, sem que gastasse o dinheiro que tinha oferecido ao guarda.

Este caso dos salvos-condutos diz respeito ao Ministério da Guerra e, de certo modo, ao Ministério do Interior; mas, como não está presente o Sr. Ministo da Guerra, peço ao Sr. Presidente do Ministério a fineza de fazer-lhe o relato dos factos a que acabo de referir-me. E verdade que S. Ex.a não os ouviu todos, mas tem aqui dois ilustres colegas que o podem auxiliar nessa missão.

Presidente do Ministério, o favor de tomarem as providências que o caso reclama, sobretudo para pôr a República a coberto de reclamações que estes factos, dando-se com estrangeiros, podem ocasionar e que. com certeza. não são nada lisongeiros para nós.

O Sr. Presidente do Ministério é Ministro dos Negócios Estrangeiros (Augusto de Vasconcelos): — Os passaportes ou salvos-condutos não dizem respeito a estrangeiros.

Eu não ouvi todas as considerações do ilustre Senador que, com tanto interesse, se ocupa daquilo que mais de perto interessa às nossas populações do Norte e à vigilância que, acerca dos conspiradores, se deve fazer, mas duma parte do seu discurso posso concluir o fundamento da sua exposição.

Eu posso dizer a V. Ex.a como essas cousas estão organizadas.

Os portugueses do norte do país tem hoje um salvo-conduto da autoridade militar. Os que vem de Espanha para Portugal tem de trazer, ou esse salvo-conduto visado pelos cônsules, ou una documento passado no consulado, se não tem salvo-conduto.

Suponho que o salvo-conduto passado pela autoridade militar constitui a máxima vigilância que podemos exercer na fronteira para evitar quanto possível o trânsito de nacionais dum e doutro país, ou entre os dois países.

A princípio, quando se estabeleceu o passaporte visado pela autoridade militar, houve dificuldades por não estar bem organizado o serviço, mas agora isso está bem combinado e os estrangeiros não tem razão de reclamar. Pelo que diz respeito aos portugueses, as providências estão tomadas e são as únicas que se podiam tomar.

Disse V. Ex.a e muito bem, que isto não evita que se passe: mas não há meio de evitar que passem.

O Sr. Alves da Cunha: — Eu o que desejaria é que os vexames se evitassem o mais possível. Na ponte internacional de Valença passam centenas de pessoas manifestamente conhecidas da Guarda Fiscal e de todas as autoridades fiscais, e não sei por que razão há-de ser obrigada toda esta gente a apresentar, sempre que ali passe, um salvo conduto.

O Orador:—Não são essas as ordens que estão dadas. Isso é exagero.

Interrupção do Sr. Alves da Cunha que não se ouviu.

Tem V. Ex.a, razão: vai-se fazer a correcção e passar a uma prova mais prática.

Sendo impossível evitar o contrabando entre países que, como a Alemanha e França, tem os seus serviços aduaneiros organizados admiravelmente, mais dificuldades portanto, existem para Portugal, que tem uma larga fronteira e é um país falho de recursos.

As considerações do ilustre Senador serão tidas na devida conta pelo Governo; e, quanto à questão dos salvos-condutos, posso afirmar a S. Ex.a que tal inconveniente vai desaparecer.

O orador não reviu.

O Sr. Alves da Cunha:—Agradeço a V. Ex.a as considerações que acaba de fazer sobre os factos que relatei.

Confio da solicitude, do bom desejo que V. Ex.a tem de favorecer quanto possível os direitos individuais de cada cidadão português, que há-de tomar providencias para que desapareça este estado de cousas.

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BLOCO DE ESQUERDA E BLOCO NACIONALISTA GALEGO ASSINAM "CARTA DO PORTO"

Fecho de fronteiras | Bloco apresenta projetos no Parlamento Europeu e na Assembleia da República

Esta semana realizou-se  um Encontro entre o Bloco de Esquerda e o Bloco Nacionalista Galego, no qual foi assinada uma “Carta do Porto” que aponta como lutas comuns as “infraestruturas, trabalho e cultura para unir os dois povos”.

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No Encontro entre o Bloco de Esquerda e o Bloco Nacionalista Galego (BNG) estiveram em debate três pontos: infraestruturas e investimentos para unir os dois povos, a mobilidade transfronteiriça e o desenvolvimento de laços culturais e linguísticos. E foi aprovado um documento onde Bloco e BNG se comprometem a continuar a coordenar iniciativas políticas e examinar as possibilidades de solucionar os problemas comuns e a contribuir para a sua resolução, através de propostas em diferentes eixos, com prioridade para os investimentos nas infraestruturas de comunicação entre Galiza e norte de Portugal, a resposta às consequências da pandemia para as trabalhadoras e trabalhadores dos dois Povos e as iniciativas culturais.

Em relação à mobilidade transfronteiriça o Bloco compromete-se a apresentar na Assembleia da República um projecto de Resolução para instar ao Governo de Portugal a concretizar um “Cartão de Cidadania Transfronteiriça”, ideia já anunciada na Cimeira Luso-Espanhola da Guarda, em outubro de 2020, no quadro da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, que prevê a “criação de um documento específico que regule a figura do trabalhador transfronteiriço", que ainda não foi concretizado. Os dois partidos apresentarão conjuntamente no Parlamento Europeu e junto da Comissão Europeia a exigência, feita pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT), de que sejam tidos em conta os prejuízos económicos que as autarquias e setores económicos e sociais sofreram, no âmbito do NEXT EU, dos Fundos de Coesão e através de um ITI (Investimento Territorial Integrado).

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Galiza e Portugal: impulso de estratégias conjuntas para as relações políticas, socioeconómicas e culturais

Dando continuidade à relação de proximidade entre Portugal e Galiza e à longa relação de cooperação política entre o Bloco de Esquerda e o Bloque Nacinalista Galego, o Encontro do Porto tratou de assuntos de interesse comum, no seguimento do encontro bilateral realizado em dezembro de 2020 em Vigo. Esse trabalho comum entre o Bloco e o BNG tem já passado por iniciativas comuns na Assembleia da República sobre esta cooperação com o Parlamento da Galiza, bem como no Parlamento Europeu, nomeadamente nas “questões estratégicas de desenvolvimento” e nas questões culturais. Esta mesma cooperação tem sido promovida pelo BNG através do seu grupo territorial do BNG Portugal e nos diferentes Parlamentos.

O Bloco de Esquerda e o BNG comprometem-se a continuar a coordenar iniciativas políticas e examinar as possibilidades de solucionar os problemas comuns e a contribuir para a sua resolução, através de propostas em diferentes eixos, com prioridade para os investimentos nas infraestruturas de comunicação entre Galiza e norte de Portugal, a resposta às consequências da pandemia para as trabalhadoras e trabalhadores dos dois Povos e as iniciativas culturais.

Os dois partidos decidem também dinamizar, no futuro, uma Jornada Temática entre Portugal e Galiza, a ter lugar na Assembleia da República portuguesa, impulsionada pelo Bloco e aberta a todas as forças políticas portuguesas.

Infraestruturas e investimentos para unir os dois Povos

Conscientes de que o centralismo do Estado espanhol, tal como o centralismo de Portugal, não ajudam ao desenvolvimento, denunciamos que uma concentração dos investimentos e um desenho de infraestruturas que não promove a coesão territorial e social tem sido um dos obstáculos ao desenvolvimento dos dois países e tem vindo a ser uma das razões de despovoamento de grande parte do território e de falla de ligações modernizadas e seguras.

A região Norte de Portugal tem relações muito próximas, quotidianas, económicas, humanas e culturais com a Galiza. Essas relações têm permitido que este seja um território capaz de manter uma capacidade económica e uma população residente, ao contrário do que aconteceu noutras regiões portuguesas. Por isso, pugnamos pelo desenvolvimento da ferrovia e pela modernização da linha que desenvolva o eixo atlântico, com ligação de Portugal com a Galiza. Tendo o governo de Portugal definido este investimento como prioritário, é agora necessário passar do anúncio aos investimentos efetivos nas infraestruturas. Consideramos que é necessário que o Governo espanhol tenha a mesma vontade de fazer estas ligações ferroviárias para a ligação Vigo-Porto, o Corredor Atlântico de mercadorias e o Eixo Atlântico de mercadorias, projetos fundamentais que defendemos conjuntamente.

No caso da ferrovia, o Governo português tem defendido a ligação Lisboa-Porto-Vigo como prioridade portuguesa para a rede ibérica de alta velocidade. O Governo da Espanha, por seu lado, está a deixar em segundo plano esta ligação com falha de investimentos. O BNG continuará a exigir estes investimentos, tal como solicitou no Parlamento espanhol, e no Parlamento da Galiza, através da iniciativa do BNG que instava o Goberno galego a reclamar do Governo espanhol a priorização do projeto de infraestruturas do Corredor Atlântico na Galiza, assim como a melhoria das ligações com Portugal, através da construção da Saída Sul de Vigo; o financiamento europeu e os investimentos do Estado espanhol necessários para conectar a Galiza nas mesmas condições e nos mesmos prazos que os outros corredores europeus.

É necessário um novo impulso político conjunto dirigido aos dois Estados para que se realizem os investimentos em ambos territórios. O BNG e o Bloco de Esquerda irão tomar iniciativas no Parlamento Português e galego com vista a exigir aos dois Governos que concretizem estes investimentos.

A fronteira reposta pela pandemia que dificulta a vida e a economia dos Povos

Dentro do amplo leque de intercâmbios que se produzem entre a Galiza e o Norte de Portugal, um dos mais destacados é aquele que é protagonizado pelos cidadão que vão de um território a outro para desempenhar a sua actividade profissional, assim como por turismo, estudos e intercâmbios económicos. As restrições à circulação e o encerramento de fronteiras por motivos de saúde pública durante a pandemia provocaram numerosos problemas e consequências económicas. O BNG apresentou no Parlamento de Galiza uma iniciativa, aprovada por unanimidade, para que o Governo galego impulsione junto dos governos espanhol e portugués uma proposta de cartão de proximidade transfronteiriça que se pudesse utilizar em caso de restrições à circulação por razões sanitárias, assim como um cartão de cidadão transfronteiriço para a população residente nos municípios limítrofes do rio Minho internacional. Este cartão é útil para simplificar a vida das pessoas, para aumentar a eficiência na Administração Pública baseada nas TIC, aproveitando a experiência de instrumentos deste tipo já implementados ou em estudo no âmbito das Eurocidades.

Tendo em conta a dupla penalização nestes territórios em consequência do encerramento de fronteiras, dada a profunda interconexão e interdependência socioeconómica entre o Norte de Portugal e a Galiza, são necessárias medidas de compensação pelo prejuízo causado pelas restrições na circulação fronteiriça durante os estados de emergência. Assim, devem ser exigidas medidas de compensação económica no âmbito do programa NEXT EU e dos Fundos de Coesão e também a criação de um Investimento Territorial Integrado de caráter transfronteiriço (ITI) entre os dois estados, dotado financeiramente de fundos europeus para que os territórios transfronteiriços sejam compensados pelo segundo e grave golpe socioeconómico

O Bloco compromete-se a apresentar na Assembleia da República um projecto de Resolução para instar ao Governo de Portugal a concretizar um “Cartão de Cidadania Transfronteiriça”, ideia já anunciada na Cimeira Luso-Espanhola da Guarda, em outubro de 2020, no quadro da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, que prevê a “criação de um documento específico que regule a figura do trabalhador transfronteiriço", que ainda não foi concretizado. Os dois partidos apresentarão conjuntamente no Parlamento Europeu e junto da Comissão Europeia a exigência, feita pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT), de que sejam tidos em conta os prejuízos económicos que as autarquias e setores económicos e sociais sofreram, no âmbito do NEXT EU, dos Fundos de Coesão e através de um ITI (Investimento Territorial Integrado).

A nossa cultura, a nossa língua internacional

A Lei nº 1/2014, do 24 de marzo, para “o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos coa lusofonía”, aprovada no Parlamento de Galiza, nasceu da Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade, de onde se retira o nome pelo qual a lei é mais comumente conhecida, e visa estreitar os laços da Galiza e do Galego com a língua portuguesa e os países em que ela é oficial, potenciando a projeção internacional desta vantagem histórica.

O objetivo é que os poderes públicos galegos promovam o conhecimento da lingua portuguesa e das culturas lusófonas para mergulhar nos laços históricos que unem a Galiza às comunidades de língua portuguesa e também pelo caráter estratégico que têm as relações culturais, económicas e sociais na Euroregião Galiza- Norte de Portugal. Esta promoção passa pela incorporação progressiva da língua portuguesa no âmbito das competências em línguas estrangeiras nos centros de ensino da Galiza e, de forma especial, por fomentar o conhecimento desta língua por parte dos funcionários públicos, pela participação das instituições em fóruns lusófonos de todo tipo –económico, cultural, ambiental, deportivo, etc.–, pela organización de eventos com presença de entidades e pessoas de territorios que teñan o portugués como lingua oficial.

Depois das iniciativas conjuntas do Bloco e do BNG nos Parlamentos da Galiza, espanhol e Europeu antes de 2014 sobre serviços audiovisuais entre Galiza e Portugal, a Lei Paz Andrade finalmente promove e estimula a adoção de medidas para a aplicação das disposições da Directiva 2007/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de serviços de meios audiovisuais sem fronteiras, com vista a favorecer e permitir a reciprocidade das emissões televisivas e radiofónicas entre a Galiza e Portugal, instando também que a CRTVG promova os intercâmbios de produções audiovisuais e de programas completos ou partes destes nos diversos géneros televisivos, colaboração em projetos audiovisuais novos, no emprego de meios de produção técnicos e humanos e a colocação em comum de conhecimento aplicado à produção audiovisual ou à gestão empresarial, com televisões de língua portuguesa.

O Estado português acompanhou as propostas da Iniciativa Legislativa Popular Paz Andrade com a assinatura de um Memorando de Entendimento, em 2015, entre o Instituto Camões e o governo galego, de forma a garantir a formação de professorado e respeitos meios de avaliação para o ensino da língua portuguesa na Galiza. Previa também o desenvolvimento de esforços para expandir a receção aberta em território galego das televisões e rádios portuguesas mediante Televisão Digital Terrestre, o que motivou a assinatura de um Memorando com a RTP (Rádio e Televisão Portuguesa) para o mesmo efeito. Cinco anos depois, a Lei Paz Andrade mostra uma boa orientação, mas bastante lentidão. O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda interpelou a Ministra de Cultura a respeito da aplicação dos acordos para a aplicação da Lei Paz Andrade. Questionou também o Governo sobre as ações de formação de professorado para o ensino da língua portuguesa na Galiza, as ações para a promoção da língua portuguesa e sobre que emissão de televisão e rádio da RTP tem sido promovida na Galiza.

O Bloco de Esquerda e o BNG consideram que é necessário acompanhar de forma mais exigente a implementação da Lei Paz Andrade. Nesse sentido, o Bloco compromete-se a apresentar na Comissão de Cultura da Assembleia da República a proposta para a realização, pelo parlamento português, uma sessão pública parlamentar de balanço sobre a concretização dos compromissos relativos à Lei Paz Andrade e ao Memorando que ela suscitou entre os dois países.

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O CALVÁRIO DOS TRABALHADORES E EMPRESÁRIOS TRANSFRONTEIRIÇOS

O ponto de passagem autorizado Valença-Tui, entre Portugal e Espanha, viveu, esta terça-feira de manhã, um ambiente infernal, com dezenas de quilómetros de filas para entrar em Portugal, com a passagem pelo controlo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a demorar uma média de 2 horas. Ao buzinão audível de revolta, vários trabalhadores transfronteiriços fizeram chegar o seu testemunho desesperante ao AECT Rio Minho, por email, telefone, nas redes sociais…

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Apesar de evocar sensibilidade para o assunto, o Senhor Ministro da Administração Interna do Governo de Portugal, Doutor Eduardo Cabrita, tem mantido uma posição completamente inflexível e intransigente, sendo da sua inteira responsabilidade e competência esta afronta aos trabalhadores e empresários transfronteiriços.

Quer no primeiro confinamento em 2020, quer neste segundo encerramento de fronteiras decretado no início deste ano, o Município de Vila Nova de Cerveira e o AECT Rio Minho encetaram todas as diligências consideradas legalmente disponíveis. Realizamos ações de protesto nas pontes; à semelhança do primeiro confinamento, a Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira manifestou-se disponível para colaborar nas operações de fiscalização a implementar na Ponte Internacional da Amizade (Cerveira-Tomiño); mantivemos várias reuniões com o próprio Ministro da Administração Interna de Portugal e com o Delegado do Governo de Espanha; remetemos ofícios e dossiers de testemunhos de trabalhadores e empresários ao Senhor Presidente da República, aos Senhores Primeiros Ministros de Portugal e de Espanha, aos ministros da Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros, da Economia, do Trabalho, da Coesão Territorial; estabelecemos contactos com os senhores deputados na Assembleia da República; conseguimos uma reunião de sensibilização junto da Comissão Europeia; dinamizamos reuniões com uma comitiva de eurodeputados portugueses e galegos no Parlamento Europeu;  convocamos conferências de imprensa; promovemos um estudo sobre os prejuízos socioeconómicos provocados por estes encerramentos…

Nunca quisemos colocar em causa a defesa da saúde pública. Apenas queremos que haja bom-senso político para com os milhares de trabalhadores e empresários transfronteiriços, e que vivem diariamente um calvário, um desgaste físico e emocional para exercer as suas funções laborais, sendo afunilados por um único ponto de passagem autorizado.

Legalmente não sabemos o que fazer mais.

Intervenções ilegais? Não sabemos fazer.

Reafirmamos a necessidade de reabertura urgente das fronteiras, bem como a compensação financeira para trabalhadores e empresários transfronteiriços, devido aos elevados prejuízos provocados por esta decisão injusta e desproporcionada, no tempo e na forma.

Os responsáveis políticos por esta ruína socioeconómica transfronteiriça têm de assumir as suas responsabilidades.

O Diretor do AECT Rio Minho e Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira,

Fernando Nogueira

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BLOCO DE ESQUERDA PROMOVE "ENCONTRO DOS POVOS" COM NACIONALISTAS GALEGOS

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda promove, amanhã, dia 19 de abril, o Encontro  dos povos,  recebendo uma delegação do Bloque Nacionalista Galego. O programa do encontro será dedicado às questões do CORREDOR ATLÂNTICO, focando os temas das ligações transfronteiriças e do investimento para a integração regional assim como a língua. Depois do encontro realizado em Vigo, a 14 de dezembro de 2020, que juntou as delegações dos dois partidos, o Encontro dos povos visa afirmar a mobilidade, a necessidade de investimento em infraestruturas, os problemas dos/as trabalhadores/as transfronteiriças e o intercâmbio cultural como instrumentos de resposta às crises.

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EIXO ATLÂNTICO 19 de Abril de 2021 PORTO

LOCAL: Salão - Infraestruturas de Portugal (Estação de Campanhã)

PROGRAMA

9h Abertura - José Maria Cardoso (Deputado Bloco de Esquerda e Presidente da Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território). - Ana Miranda (Portavoz BNG Europa)

9h15 - 10h15 Investir a aproximar: a ferrovia e o corredor atlântico

- Isabel Pires (Deputada do Bloco de Esquerda)

- Néstor Rego (Deputado do BNG Parlamento Madrid)

- Alexandra Fernandez (deputada BNG Parlamento de Galiza)

Moderação: Susana Constante Pereira

10h15 - 11h15 Proteger e garantir: os direitos laborais transfronteiriços

- Sindicalista galego - Prefeito/a galego ou português ?

- Uxio Benitez (Dirigente BNG/ Director AECT)

- Moderação: José Soeiro (Deputado do Bloco de Esquerda)

11h15 - 11h30 Intervalo

11h30 Conferência de Imprensa com Catarina Martins e Ana Pontón

11h45 - 12h45 Aprender e partilhar: Lei Paz Andrade e o que falta fazer na cultura.

- João Teixeira Lopes (Professor universitário)

- Alexandra Vieira (Deputada do Bloco de Esquerda)

- Luiz Bará (Deputado BNG parlamento da Galiza)

Moderação: Luís Fazenda

LANÇADOS DOIS DOCUMENTÁRIOS SOBRE O CAMINHO BRAGA A SANTIAGO DE COMPOSTELA

O Governo Autónomo da Galiza apoiou a realização de dois documentários sobre o Caminho da Geira e dos Arrieiros, que liga Braga a Santiago de Compostela na distância de 240 quilómetros, através do “Fundo de Projetos Culturais Jacobeu 2021”.

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O primeiro dos filmes acabados de lançar, intitulado “Gerês-Xurés no Caminho da Geira e dos Arrieiros”, tem a duração de 26 minutos e destaca a reserva da biosfera transfronteiriça, declarada em 2009 pela UNESCO.

“O documentário, com versões em português e galego, destina-se a divulgar o caminho, com especial ênfase no troço pelo Gerês e nos elementos mais relevantes: espaços naturais, arquitetónicos, históricos, serviços ou alternativas próximas”, explica a Secretaria Geral de Política Linguística do Governo da Galiza, gestora do fundo que financiou o projeto.

“Uma peregrina guia os espetadores pelo caminho, enquanto vai obtendo os selos diários que, no final, lhe garantirão a atribuição da Compostela. A narração detalha os aspetos que fazem deste caminho uma experiência inesquecível”, adianta.

O vídeo “Gerês-Xurés no Caminho da Geira e dos Arrieiros” tem guião e direção de María del Carmen Fernández Blanco e foi realizado por Francisco V. Barros. A música é do compositor galego Xoán López.

O segundo documentário, intitulado “Caminho da Geira e dos Arrieiros. Worldrone”, foi dirigido por Xoel Méndezun e filmado no género “road movie”. “A câmara percorre por terra e ar a rota, que apesar do seu injusto anonimato já conta séculos de história”, explica a Secretaria Geral de Política Linguística.

“Ao longo do percurso, investigadores e personalidades da vida política e cultural dos municípios por onde passa explicam a importância histórica, da paisagem e do património que faz do Caminho da Geira uma das rotas jacobeias com maior potencial e mais valorizadas pelos peregrinos”, adianta.

Um narrador complementa a informação do filme – o som, dividido em oito trechos, pode ser ouvido separadamente. Tem a duração de uma hora, foi produzido pela Worldrone e dedicado à memória de José Rodríguez Valinãs, um habitante de Beariz [Galiza] que apoiou os peregrinos.

O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi apresentado em 2017 em Ribadavia (Galiza) e Braga, reconhecido pela Igreja de Santiago de Compostela em 2019, reconhecido pela associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico em 2020 e é um itinerário oficial da Peregrinação Europeia de Jovens do Ano Santo Jacobeu 2021/22.

Este percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira Romana e a Reserva da Biosfera do Gerês/Xurés. Além disso, é um dos cinco que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.

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PORTUGUESES PREMIADOS PELA DIVULGAÇÃO DO CAMINHO DE BRAGA A SANTIAGO DE COMPOSTELA

Amares, Braga e Póvoa do Varzim

A União de Freguesias de Caldelas, Sequeiros e Paranhos (Amares) e os peregrinos portugueses Henrique Malheiro e José Eusébio foram distinguidos com os Prémios Abadessa Mariana, atribuidos pela associação espanhola Codeseda Viva a personalidades e instituições que contribuem para a promoção do Caminho da Geira e dos Arrieiros.

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A organização anunciou no sábado, dia 3, a atribuição dos galardões que, além dos portugueses, contemplaram também os espanhóis Xesús Palmou, presidente da Academia Jacobeia; a Associação de Amigos da Terra de Montes, e José e Josefa Rodríguez, pai e filha, residentes Beariz, pelo seu apoio aos peregrinos.

Os Prémios Abadessa Mariana são entregues anualmente para assinalar a certificação do Caminho da Geira e dos Arrieiros pelo Arcebispado de Santiago de Compostela. Esta edição contemplou também 2020, devido às dificuldades criadas pela pandemia.

A cerimónia de entrega está marcada para sexta-feira, dia 9, e apenas assistirão os premiados espanhóis, autoridades e colaboradores da organização, uma decisão resultante das regras de combate à pandemia. Aos portugueses serão entregues por videoconferência.

O troféu é uma tábua em madeira de castanheiro, com um circulo no meio de duas conchas de vieira, representando um símbolo gravado numa pedra do antigo mosteiro de Codeseda, hoje colocada no muro exterior da igreja da localidade galega.

“Com os prémios queremos agradecer aos vencedores a sua colaboração e estender o agradecimento às dezenas de pessoas, associações e entidades que nos ajudaram, bem como às centenas de peregrinos que escolheram este caminho para a sua peregrinação. Se tivéssemos que dar uma tábua a cada um deles, talvez não houvesse castanheiros suficientes na paróquia de Codeseda para fazê-los”, assinala a associação.

O nome do prémio homenageia a primeira abadessa do mosteiro de Codeseda, Mariana Fernández, que assumiu o cargo em 1164, mantendo a sua condição de feminino até desaparecer, por volta de 1419. Sobre o mosteiro há referências escritas desde princípios do século IX.

O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi apresentado em 2017 em Ribadavia (Galiza) e Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, reconhecido pela associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico em 2020 e é um itinerário oficial da Peregrinação Europeia de Jovens do Ano Santo Jacobeu 2021/22.

Neste momento, falta apenas ser homologado pelo governo da Galiza. O processo será agora conduzido pela  Associação para o Fomento do Caminho da Geira e dos Arrieiros, liderada pelo presidente do concelho galego de A Estrada, José López Campos. Isto porque a associação Codeseda Viva considera que, “concluídas as investigações, a certificação pela Igreja e a consolidação da passagem dos peregrinos, está feito o que uma associação cultural pode alcançar, pelo que para si é um projeto completado”.

Este percurso, que liga Braga a Santiago de Compostela na distância de 240 quilómetros, destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira Romana e a Reserva da Biosfera do Gerês/Xurés. O traçado é um dos cinco que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela, entre centenas existentes na Europa com destino à capital da Galiza.

Os premiados

Ano 2021

União de Freguesias de Caldelas, Sequeiros e Paranhos, no concelho de Amares. Em Santiago de Caldelas, importante pelas suas águas termais e situada no final da primeira etapa, seis meses despois da certificação do caminho pelo Arcebispado de Santiago de Compostela, foi inaugurado o primeiro albergue público, com 16 camas e serviços, convertendo-se num autêntico oásis para os peregrinos.

Xesús Palmou: presidente da Academia Jacobeia, pelo seu apoio ao caminho desde o primeiro momento, participando em 2017 no acolhimento aos primeiros peregrinos e posteriormente divulgando a rota em conferências, como a realizada em A Estrada em setembro de 2017 ou em Ourense em outubro de 2018.

Associação de Amigos da Terra de Montes. Esta associação, que trabalha para recuperar e promover a riqueza patrimonial e cultural da região, deu um grande apoio para a recuperação deste caminho de peregrinação. O seu presidente, entre outras ações, foi um dos protagonistas de um documentário, a estrear em breve, que descreve o que Terra de Montes oferece aos peregrinos desde Santiago de Pardesoa.

Ano 2020:

Henrique Malheiro: De Braga, percorreu o caminho em agosto de 2017 e, desde esse momento, motivou  muitos outros peregrinos a fazer o itinerário. É coautor da guia do caminho, traduzido em seis línguas, e participou em diversas ações de divulgação, presenciais e online.

José Eusébio: De Póvoa de Varzim, peregrinou pelo Caminho da Geira e dos Arrieiros em 2018 e posteriormente converteu-se num dos seus melhores embaixadores, organizando encontros com grande êxito, como o realizado em Póvoa de Varzim, em janeiro de 2019, e uma peregrinação em grupo que levou até Santiago de Compostela cem peregrinos.

José (falecido) e Josefa Rodríguez. Pai e filha, residentes Beariz, foram uma grande ajuda para os peregrinos de 2017, quando disponibilizaram o único sitio disponível para os acolher nas melhores condições. O tratamento que lhes ofereceram é o melhor exemplo da tradicional hospitalidade da cultura jacobea.

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O MINHO E A GALIZA – JOÃO VERDE E AMADOR SAAVEDRA

João Verde, pseudónimo de José Rodrigues Vale, poeta maior das letras monçanenses, nasceu em 1866, no Largo da Palma, e faleceu em 1934, na “Casa do Arco”, Rua Conselheiro Adriano Machado, conhecida localmente como Rua Direita.

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São da sua lavra estes versos:

“Vendo-os assim tão pertinho,

A Galiza mail'o o Minho

São como dois namorados

Que o rio traz separados

Quasi desde o nascimento.

Deixalos, pois, namorar

Já que os pais para casar

Lhes não dão consentimento.”

Na outra margem do rio Minho – da vizinha e irmã Galiza – replicou o poeta galego Amador Saavedra que respondeu nos seguintes termos:

 “Se Dios os fixo de cote

Um p’ra outro e teñem dote

Em terras emparexadas,

Pol'a mesma auga regadas

Com ou sem consentimento

D'os pais o tempo a chegar

Em que teñam que pensar

Em facer o casamento.”

PONTE INTERNACIONAL MONÇÃO – SALVATERRA DO MIÑO

Batizada “João Verde – Amador Saavedra”, em homenagem aos dois poetas raianos,  travessia sobre o rio Minho comemora, hoje, o 26º aniversario da sua inauguração.

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A Ponte Internacional sobre o Rio Minho, que liga Monção e Salvaterra de Miño, foi inaugurada no dia 29 de março de 1995, potenciando, nos anos seguintes, o relacionamento cultural/social/desportivo e o intercâmbio económico entre as duas localidades vizinhas.

Os habitantes de Monção e Salvaterra de Miño, habituados a “passar” de barco ou transbordador para o outro lado, sentiam, finalmente, a possibilidade de uma circulação mais cómoda, rápida e intemporal. Visitar e conviver com amigos tornou-se mais fácil. Ir de comprar, em ambos os sentidos, também.

Para celebrar a passagem do 20º aniversário, os dois municípios uniram-se na elaboração de um programa comemorativo e simbólico, que compreendeu a assinatura de um protocolo de geminação entre as duas localidades raianas e o descerramento de placa com denominação da ponte “João Verde – Amador Saavedra”, em homenagem aos dois poetas raianos.

Naquele acordo, que formalizou a constituição da Eurocidade Monção–Salvaterra de Miño, estão contempladas as principais áreas de interesse comum, destacando-se a dinamização do rio Minho, a potenciação conjunta da enologia e gastronomia local, a promoção e desenvolvimento do turismo através da divulgação do património natural e construído, e a valorização/criação de rotas turísticas e percursos pedestres.

Na linha da frente, estará, também, o empreendedorismo transfronteiriço, o intercâmbio desportivo, cultural e educativo, bem como, a partilha de equipamentos coletivos, tais como, piscina, biblioteca e museus municipais, de forma a garantir escala e rentabilização económica. Outra das vertentes deste “casamento” será o recurso a programas comunitários transfronteiriços.

Após a inauguração da sede do organismo, no dia 1 de maio de 2017, no lugar da Lodeira, em Monção, procedeu-se, em 2018 e 2019, à Semana da Eurocidade Monção-Salvaterra de Miño, através da realização de atividades culturais e desportivas conjuntas.

Devido à pandemia, em 2020 e 2021, a Semana da Eurocidade Monção-Salvaterra de Miño não se realizou. Neste momento, está parcialmente encerrada, sendo apenas possível circular entre as 6h00 e as 9h00 e as 17h00 e as 20h00, de segunda a sexta-feira, destinando-se à circulação do transporte internacional de mercadorias, de trabalhadores transfronteiriços, devidamente documentados, e de veículos de emergência e socorro.

PONTE INTERNACIONAL DE VALENÇA FOI INAUGURADA HÁ 135 ANOS!

Passam precisamente 135 anos sobre a data da inauguração oficial da ponte internacional de Valença, tendo ao longo do tempo constituído a principal ligação do Minho à Galiza.

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Fonte: Arquivo Dixital de Galicia

Projectada pelo arquitecto espanhol Pelayo Mancebo, os custos com a sua construção foram repartidos entre os governos de Espanha e Portugal.

Com 318 metros de comprimento, a ponte cruza o rio Minho através de dois tabuleiros – o superior para a linha-férrea e a inferior para o trânsito rodoviário e pedonal – e é composta por uma superstrutura em viga metálica, de treliça de rótula múltipla, com 5 tramos.

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CAMINHO DE BRAGA A SANTIAGO ASSINALA 2º ANIVERSÁRIO DA CERTIFICAÇÃO PELA IGREJA

Associações destacam momentos mais importantes

As associações responsáveis pelo Caminho da Geira e dos Arrieiros destacam a apresentação do traçado em  Braga e a inauguração do primeiro albergue público, em Caldelas (Amares), como alguns dos momentos mais importantes do projeto, que assinala no próximo domingo o 2º aniversário da homologação pela Igreja de Santiago de Compostela.

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“A data mais importante coincide com a apresentação do traçado que fizemos em Braga, em 2017, porque deste então surgiram as iniciativas de divulgação e muitos peregrinos aventuraram-se no caminho”, recorda Abdón Fernandez, um dos fundadores do projeto e presidente da Plataforma Berán no Caminho.

Na sua opinião, a certificação do itinerário pelo arcebispado de Santiago de Compostela, a 28 de março de 2019 (faz este domingo dois anos) e a inauguração em outubro seguinte do primeiro albergue público, em Caldelas, são outras datas importantes.

O presidente da Associação Codeseda Viva, Carlos de Barreira, refere “a primavera de 2017, quando chegaram os primeiros peregrinos”, como a altura mais significativa. “Mas o melhor momento vivido, a cereja no topo do bolo de muitos anos de investigação, foi a certificação pelo arcebispado de Santiago de Compostela”, destaca.

“Um outro momento muito especial foi a inauguração do albergue de Caldelas. Este grande apoio ao caminho, vindo de uma autarquia portuguesa e por sua própria iniciativa, foi uma alegria difícil de explicar em palavras”, adianta Carlos de Barreira, contrapondo que “as maiores dificuldades aconteceram quando começaram a chegar bastantes peregrinos, há quatro anos, e faltavam sítios para comer, tomar banho e comer”.

Para Abdón Fernandez, “a grande afluência de peregrinos é a garantia do êxito” do Caminho da Geira e dos Arrieiros, “do seu reconhecimento, da sua importância e, como tal, não haverá já marcha-atrás no projeto”. Carlos de Barreira concorda: “A recuperação deste traçado deve-se ao trabalho dos peregrinos, que se tornaram os seus melhores embaixadores, fazendo que muitos outros aguardem a abertura das fronteiras para o percorrer”.

Na perspetiva do presidente da Associação Codeseda Viva, a adesão dos peregrinos deve-se “à tranquilidade sentida no caminho, bem como à sua beleza natural, com destaque para o Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde o caminhante desfruta de um ambiente ideal”. A chegada direta a Santiago de Compostela, sem entrar noutras rotas, passando antes na ponte sobre o rio Ulla em Pontevea, “é outro fator destacado pelos peregrinos”.

O presidente da Plataforma Berán no Caminho é perentório: “É único no mundo por causa da Geira Romana, a que acresce um abundante património natural e construído, por exemplo em O Ribeiro [Galiza]”. Além disso, “abundam os recursos turísticos e as termas são muito relevantes, marcando o traçado (Caldelas, Lobios, Cortegada, Berán, Arnóia), parecendo indicar o caminho até Santiago de Compostela”.

Quanto à homologação do traçado pelas entidades civis, Carlos de Barreira revela que a documentação necessária foi apresentada ao Governo da Galiza, desde 2017, e que em abril de 2019 houve uma reunião com a Conselharia da Cultura. Em Portugal, o processo também já foi iniciado. “É um processo longo e, como tantos outros, também foi afetado pela pandemia”, explica.

Nesta altura, entre os objetivos da Associação Codeseda Viva contam-se a tradução do site e materiais informativos de espanhol para português e inglês - “um voluntário que o pudesse fazer seria uma grande ajuda”, diz Carlos de Barreira -, e completar a sinalização dos primeiros 60 quilómetros e dos últimos 110 quilómetros. A Plataforma Berán no Caminho também investe na sinalização, até porque a sua falta “evita que mais peregrinos façam o trajeto, embora qualquer um possa orientar-se por GPS”.

Por fim, Abdón Fernandez recorda como bons momentos a relação com a Associação Espaços Jacobeus, os encontros de peregrinos em Portugal e em Berán e o reconhecimento pela igreja, que foi “um ponto-chave” do projeto, mas não tem duvidas: “Os melhores momentos que recordaremos ainda estão para vir”.

As comemorações do 2º aniversário da homologação do Caminho da Geira e dos Arrieiros pela Igreja de Santiago de Compostela foram adiadas, em princípio para abril, devido à pandemia que, entre outras razões, condiciona a circulação nas fronteiras luso-espanholas.

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