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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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OS SOLDADOS PORTUGUESES QUE SE TORNARAM EMIGRANTES EM FRANÇA NO FINAL DA GRANDE GUERRA

  • Crónica de Daniel Bastos

A presença da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoas, está historicamente ligada ao processo de reconstrução francês após o fim da segunda Guerra Mundial. Reconstrução, que em parte, foi suportada por um enorme contingente de mão-de-obra portuguesa que motivada pela procura de melhores condições de vida, e nas décadas de 1960-70 pela fuga à Guerra Colonial e à repressão política do Estado Novo, encontrou nos setores da construção civil e de obras públicas da região de Paris o seu principal sustento.

Mas originariamente, a emigração portuguesa para França está ligada à participação do Corpo Expedicionário Português (CEP) na frente europeia da Grande Guerra (1914-1918), acontecimento bélico que levou para França em 1917 cerca de 55 mil portugueses para lutar nas trincheiras dos aliados britânicos contra o inimigo alemão, e do qual milhares de soldados não regressaram, optando por se tornarem emigrantes em terras gaulesas.

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O historiador Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, acompanhado em 2019 de Felícia Assunção Pailleux, filha do antigo combatente na I Guerra Mundial e depois emigrante em França, João Assunção, no Museu Nacional da História da Imigração em Paris

 

Ainda hoje, existem descendentes destes soldados e emigrantes lusos que preservam a sua memória e zelam o cemitério militar português de Richebourg, no norte de França, um cemitério militar exclusivamente português, que reúne um total de 1831 militares mortos na frente europeia. É o caso da nonagenária Felicia Assunção Pailleux, filha do soldado e depois emigrante João Assunção, um minhoto de Ponte da Barca, que fez parte da 2ª Divisão do CEP e que como outros compatriotas que optaram no final do conflito bélico por não regressar a Portugal, onde grassava uma profunda crise política, económica e social, fixou-se na zona onde combateu, no Norte-Pas de Calais, uma zona de minas de carvão que absorveu muita mão-de-obra.

Ao longo das últimas quatro décadas, Felicia Paileux tem sido a porta-estandarte da bandeira de Portugal nas cerimónias evocativas da Grande Guerra no cemitério de Richebourg e no monumento aos soldados lusos em La Couture, no Norte-Pas de Calais, honrando a memória do seu pai, soldado e emigrante português falecido em 1975, que muito antes da emigração maciça dos anos 60 escolheu como muitos outros antigos companheiros de armas a França para viver, trabalhar e constituir família.

O DINAMISMO DA COMISSÃO DE MIGRAÇÕES DA SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA

A Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), cuja génese remonta ao último quartel do séc. XIX, então com o desiderato de promover em Portugal o ensino e a exploração científica na área da Geografia, com particular enfâse na exploração do continente africano, remanesce na atualidade, agora com novos horizontes e objetivos, uma das mais importantes instituições culturais do país.

Para isso, em muito contribui o seu ecletismo e organigrama assente em diversas comissões dedicadas à cultura e conhecimento, como é o caso paradigmático da Comissão de Migrações, ainda constituída aquando da criação da SGL.

Coordenada presentemente pela Professora Catedrática Maria Beatriz Rocha-Trindade, a primeira mulher antropóloga portuguesa, e autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações. A Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa é constituída por membros oriundos de vários quadrantes da sociedade que têm estudado e refletido sobre o fenómeno migratório, emigração/imigração.

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No ocaso do ano passado, a comunidade portuguesa em França promoveu no Museu Nacional da História da Imigração em Paris, uma cerimónia pública de homenagem a Gérald Bloncourt, que contou entre outros, com a Presidente da Comissão de Migrações da SGL, Maria Beatriz Rocha-Trindade (centro), o historiador Daniel Bastos (dir.), e o dirigente associativo Parcídio Peixoto (esq.)

 

Ao longo dos últimos anos, a Comissão de Migrações da SGL tem sido responsável pela dinamização de relevantes iniciativas no campo do fenómeno migratório, uma constante marcante da sociedade portuguesa. Como por exemplo, no final do ano passado, quando realizou o colóquio “CPLP - que presente e que futuro?”, ou no anterior, o “Fórum Luso-Estudos/ Edição 2018”, o seminário “Enologia, Mobilidade e Turismo” e a conferência “Jornalismo para a Paz em contexto de mobilidade”.

Ainda para o final deste mês, a Comissão de Migrações da SGL, não fosse o atual contexto de isolamento social e medidas de contenção da pandemia do coronavírus, tinha previsto a promoção na capital portuguesa de uma cerimónia de homenagem póstuma a Gérald Bloncourt, consagrado fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos 60. A cerimónia, entretanto adiada, comportava inclusivamente o lançamento oficial do novo livro do escritor e historiador Daniel Bastos, intitulado “Comunidades, Emigração e Lusofonia”, que procura dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que, por razões muito diversas, saíram de Portugal, e que em datas oportunas tem previstas várias sessões de apresentação junto das Comunidades Portuguesas.

ATLETAS DO CRAV NUM JOGO HISTÓRICO EM PARIS

No passado sábado dia 7 de Março decorreu no estádio Jean Bouin, no Parc des Princes em Paris, a final do torneio das seleções regionais de rugby, que foi disputada pela Seleção Regional Norte contra a Seleção Regional Centro.

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Um evento de aplaudir, pois, numa iniciativa inédita, permitiu aos jovens atletas a realização de um sonho, jogar no estádio do Stade Français de Paris, do Top 14, um dos campeonatos nacionais mais competitivos do mundo. Esta deslocação da.equipa do Norte só foi possível com inúmeros esforços quer por parte da Associação de Rugby do Norte quer por parte das câmaras municipais e dos clubes representados nesta seleção.

A equipa norte era constituída por onze atletas do CRAV, dois do Braga Rugby, três do GRUFC e sete atletas do CDUP, com um treinador do CRAV.

Quanto ao jogo propriamente dito, foi vencido pela Seleção Centro por 31-18, resultado que não transparece a prestação da seleção norte. Com efeito,  esta dominou por completo a primeira parte, que venceu por 8-18, com um ensaio do Centro no último minuto. Porém, acusando alguma falta de frescura física, não conseguiu segurar o resultado vantajoso, com uma vitória merecida, ainda que algo sobrevalorizada, dos homens da zona Centro do país.

Por fim resta agradecer o apoio da ARCOP, que recebeu os atletas do CRAV em Nanterre, e agradecer também  ao presidente, o sr.Brito, pelo acolhimento e o excelente jantar que ofereceu à comitiva PortuguesaSeria também uma injustiça não referir os préstimos do Sr:João Caldas, pela disponibilidade que teve em receber os atletas no restaurante Latino, onde desempenha funções profissionais.

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RÁDIO ALFA: A EMISSORA DOS PORTUGUESES EM PARIS

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  • Crónica de Daniel Bastos

No ar desde 5 de outubro de 1987, a Rádio Alfa, uma estação de rádio lusófona situada em Paris e dirigida à comunidade portuguesa em França, a maior comunidade de portugueses no estrangeiro, desempenha um papel fundamental na manutenção e promoção da identidade lusa em terras gaulesas.

Localizada atualmente em Créteil, é consensualmente reconhecida como a emissora mais popular dos portugueses em Paris, para o que muito contribui o facto de ser a única rádio da comunidade portuguesa que abrange a região de França, 24 horas por dia.

Se tivermos em linha de conta que os dados mais recentes apontam para que vivam em França mais de meio milhão de portugueses e que, se considerarmos a comunidade contando com os descendentes de segunda e terceira geração, o número sobe para quase 1 milhão e meio, elevando-a assim à maior comunidade estrangeira a viver em França, percebe-se que a Rádio Alfa além de emitir para um enorme auditório, constitui-se como a voz de intervenção da comunidade portuguesa na Cidade Luz.   

Enquanto palco privilegiado de intervenção, a grelha da estação emite programas que dedicam espaços à resolução de problemas, à promoção da música, cultura e língua portuguesa, à divulgação das atividades realizadas pelo meio associativo e à difusão de notícias que visam a informação junto da comunidade portuguesa em França.

Como sustenta Carla Laureano, na tese A rádio Alfa e a comunidade portuguesa em França: estudo de caso sobre a relação entre média e identidades, a emissora ao desempenhar um papel importante junto da comunidade portuguesa em terras gaulesas, impulsiona a “partilha de uma identidade cultural portuguesa entre os emigrantes”. Particularmente junto da primeira geração, uma geração que se encontra intimamente ligada à Rádio Alfa, pelo que a emissora deve ter como uma das prioridades e desafios para o futuro a sua interligação com os lusodescendentes, de modo a conseguir “fazer um cruzamento de culturas e tentar direccionar-se para as diferentes expectativas dos seus diferentes ouvintes”.

No passado, e sobretudo no presente e no futuro, a Rádio Alfa continuará a ser a antena da comunidade portuguesa em Paris, ou como salientou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no 30.º aniversário da estação, a “ Rádio Alfa é Portugal".