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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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GRUPO FOLCLÓRICO "SANTA MARIA DE CASSIS" FESTEJA 24 ANOS A DANÇAR EM FRANÇA

O Grupo Folclórico "Santa Maria de Cassis" foi criado em 1976 por Manuel Martins. É uma associação portuguesa que procura preservar e divulgar as tradições e costumes de Portugal através das suas danças, canções e costumes. É composto por cerca de quarenta pessoas, dançarinos, cantores e músicos que se esforçam todos os dias para representar da melhor forma esta arte popular herdada dos nossos antepassados. Para isso, ensaiam todos os sábados, dos 15 aos 15 dias, no centro cultural de Cassis, a partir das 21h.

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O Grupo encontra-se sediado no Centro Cultural de Cassis, a cerca de 30 quilómetros de Marselha, no sul de França.

Nosso grupo organiza vários eventos folclóricos. Participa em muitos festivais e também organiza noites portuguesas onde se podem reunir para jantar e depois dançar ao ritmo da música tradicional portuguesa.

A gentileza dos membros do nosso grupo, o seu talento excepcional, o seu sorriso e o seu bom humor não deixam ninguém indiferente e irão levá-lo à dança!

A dança ocupa um lugar importante na cultura portuguesa, especialmente as danças folclóricas. Essas danças variam por região e aldeia. Os mais antigos geralmente fazem parte de rituais realizados durante cerimónias religiosas ou para celebrar um evento como a colheita do outono ou a chegada da primavera.

Essas danças são dançadas com trajes tradicionais que variam de acordo com as danças mas também de acordo com a classe e a posição social.

COVID FAZ ESQUECER FOLCLORE

O risco de prolongamento das regras de confinamento em 2021 ameaçam já a sobrevivência de muitos grupos folclóricos e associações populares. As manifestações da cultura tradicional em geral, as festas populares e os festivais de folclore continuarão interditos… apenas poderão realizar-se de forma virtual ou seja, não podem realizar-se!

As associações não reúnem para eleger os seus corpos gerentes. Os componentes dos grupos folclóricos vão desapegando-se dos hábitos e relações de amizade que mantinham entre si. E muitos já entregam os trajes que tinham à sua guarda anunciando a sua despedida.

Os responsáveis limitam-se a aguardar que o próximo ano seja diferente… mesmo sem distribuição de vacinas! Apesar de muitas localidades do país já estarem a cancelar as festas carnavalescas…

Não existe mal que sempre dure… mas, até lá, os estragos vão ser incontáveis!

Foto: José Carlos Vieira

TRAJE À VIANESA CLASSIFICADO PATRIMÓNIO DE INTERESSE MUNICIPAL

O Executivo Municipal aprecia hoje, em reunião de executivo, a classificação do Traje à Vianesa como Património de Interesse Municipal, uma classificação que irá enriquecer o processo em curso para a inscrição do Traje à Vianesa no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

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Esta será, pois, a primeira etapa para a inscrição como Património Imaterial, um processo que começou em julho de 2013, quando a Câmara Municipal de Viana do Castelo, entidade promotora do processo de certificação do Traje à Vianesa, solicitou à Associação Portugal à Mão – Centro de Estudos e Promoção das Artes e Ofícios Portugueses, um estudo que permitisse a elaboração do Caderno de Especificações, elemento central no processo da certificação do Traje à Vianesa – Viana do Castelo.

Trata-se de um documento normativo que regulamenta a implementação do processo de certificação. No caso do Traje à Vianesa – Viana do Castelo, tal corresponde à figura de uma IG – Indicação Geográfica “Traje à Vianesa – Viana do Castelo”, cuja atribuição compete ao INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Esta IG – Indicação Geográfica é composta por uma denominação e por uma marca (símbolo).
A 28 de Dezembro de 2016, foi publicada a aprovação da inclusão da produção tradicional “Traje à Vianesa - Viana do Castelo” no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas. Em face desta aprovação a Câmara Municipal de Viana do Castelo, efetuou o pedido de registo da IG – Indicação Geográfica e marca ao INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. O Caderno de Especificações contém, pois, o conjunto de elementos que definem o vocabulário e a gramática decorativa que tornam inconfundível a imagem do “Traje à Vianesa – Viana do Castelo”.

O Traje à Vianesa é um produto múltiplo, composto por um conjunto de peças, todas manufaturadas artesanalmente na região do Minho (à exceção dos lenços), cujo resultado final se deve à combinação poliédrica entre elas e ao modo como os adornos em ouro o enfeitam e sublinham. É, hoje, um símbolo local e nacional, sendo também motivo de orgulho da diáspora onde existem inúmeros grupos folclóricos que primam pela arte do bem trajar e que sentem uma grande chieira nas suas raízes e nas tradições vianenses.

PINTOR PEDRO CHARTERS D’AZEVEDO RETRATOU A MINHOTA COM O SEU TRAJE À VIANESA

O pintor Pedro Charters d’Azevedo retratou na tela de forma magnífica a rapariga minhota com o seu traje domingueiro de lavradeira. Nela não escapam a expressão alegre e radiante, e o rosto corado na pele branca. E, no traje, o rigor, a postura e o ourar. Moça solteira como comprovam as três libras que tráz ao peito. É minhota!

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Pedro Charters d’Azevedo nasceu em Lisboa a 3/11/46. Autodidacta, começou a desenhar e a pintar regularmente em 1998. Iniciou a sua actividade pública em 1999, dedicando-se em exclusivo à pintura a partir de 2000. Em 2001 frequenta o Curso de Pintura da “Sociedade de Belas Artes”. Tendo até hoje realizado algumas dezenas de exposições.

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Comentário/Entrevista: Desde muito cedo que Pedro Charters d'Azevedo revelou ter talento para as Artes Plásticas, mas foi preciso chegar aos 52 anos de idade e à reforma para descobrir verdadeiramente a pintura. E é assim que, em 1999, o artista autodidata começa a pintar com regularidade. Pedro Charters d’Azevedo trabalha com acrílico, pastas e diversos materiais sobre tela. Gosta de pintar o que não é figurativo, procurando evocar algo ou desconstruir o concreto. Embora também faça retratos sob encomenda, o que realmente lhe dá prazer é explorar a arte moderna e contemporânea. Começa o dia com uma hora de desporto e segue para o exercício desta recémdescoberta paixão pela pintura. O seu atelier situa-se em Lisboa, espaço no prédio onde mora.

O artista encara a pintura como uma atividade para ser levada como qualquer outra e sublinha que é preciso trabalhar todos os dias para produzir cada vez melhor arte. “Se o artista ficar à espera que a inspiração lhe apareça, não chega lá.” - afirma. Este é o conselho que deixa a todos aqueles que pretendam enveredar pela pintura: “Trabalhar, trabalhar, trabalhar!”.

Pintar, diz o próprio, traz-lhe entusiasmo, e vida. Com algumas exposições individuais e coletivas, no seu ainda jovem percurso como pintor, considera-se um artista gestual, com muito por explorar. As suas telas têm recebido aceitação no mercado de arte, no qual o artista ingressou pela primeira vez no ano 2000. Vende as suas obras através de leilões, outras tantas em exposições e através de um site próprio (www.pedrocharters.com). “Não fico rico, mas permite alguns luxos e paga-me este devaneio. Pintar faz-me sentir vivo! ” – confessa entusiasticamente.

Quando questionado sobre que interpretação faz da reação do mercado à sua arte, Pedro Charters d'Azevedo afirma não conseguir atribuir-lhe uma lógica. “Dizem-me que a minha obra está a ser procurada e que o que vai acontecer é que o seu valor vai subir. Mas ainda não percebi qual o melhor mês para vender, o melhor sítio para expor, nem tão pouco compreendo porque é que agora procuram os meus trabalhos e antes não, quando eu sou o mesmo e trabalho igual. São circunstâncias, às vezes vou a um lugar e sou um sucesso, noutro não me dizem nada e eu... não percebo.”- desabafa, em tom de diversão.

Pedro desconhece as motivações dos colecionadores e o do público em geral, mas sente-se feliz com o sucesso que tem obtido. Está consciente de que as apreciações que recebe às suas telas dependem da leitura do público, e sabe que este compra porque gosta, mas sabe igualmente que há quem compre as suas obras para fazer um investimento.

Do público, gosta de receber uma avaliação válida dos seus quadros. “Aceito qualquer interpretação de uma obra minha, desde que respeitem o trabalho e façam uma apreciação minimamente válida. Dizer que é ”giro” não chega. Têm 2 de dizer se gostam dos tons, da imagem, das figuras, não gostam da ideia, da dimensão, ou mesmo não condiz com o sofá… algo concreto.” - afirma.

As obras de Pedro Charters d’Azevedo revelam as emoções do artista, a sensibilidade e uma grande envolvência espiritual. Transmitem ainda mensagens de forma subtil, por entre o distanciamento que a pintura do pensamento moderno e contemporâneo de hoje implica e a sempre eterna procura de sentido e identificação que é inata ao indivíduo.

O artista sente que tem muito que explorar na sua arte e mostra-se arrebatado com as perspetivas. Afinal, passaram-se muitos anos desde que a criança Pedro Charters d’Azevedo era convidada a subir num banco de escola para desenhar no quadro, a giz, um azevinho, com bolinhas e estrelinhas – uma das lembranças mais remotas do artista daquilo que é o reconhecimento externo às suas aptidões. “Sempre tive aptidões que as pessoas reconheciam, mas ninguém na altura fomentou. Vida de artista não era carreira, não é?”- conta, sem vislumbre de mágoa. O talento não foi fomentado mas, tal percurso de vida não lhe trouxe arrependimentos. Constituiu família, tendo exercido as mais variadas profissões “Fui técnico de formação, informático, chefe de oficina, caixa, escriturário, contabilista… fiz tudo, tudo. Tinha de sustentar os filhos.” – conta o artista, pai de quatro filhos e avô.

Na pintura, Pedro Charters d’Azevedo vibra, convive e se entusiasma, vivendo intensamente os momentos da criação.

Texto: Cristina Carvalho (Jornalista) - Artigo na Revista Artshow