Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

MUSEU DE ARTE POPULAR PERTENCE AO POVO PORTUGUÊS – SEM O “MERCADO DA PRIMAVERA” O MUSEU NÃO FICARÁ COMPLETO!

Com cerca de 15 mil peças da mais variada natureza, representando actividades artesanais do povo português, desde objectos de cerâmica a utensílios de trabalho, alfaias agrícolas, carroças, brinquedos e cestaria, o Museu de Arte Popular é porventura aquele com quem mais o povo português se identifica pois ali encontra-se retratado nos seus usos e costumes de uma forma bastante acessível.

Mercado Primavera 026

Porém, nos últimos 45 anos, os decisores políticos votaram-no ao desprezo, chegando mesmo ao ponto de sentenciarem-lhe a sua destruição. Por fim, acabaria por ver a sua colecção incorporada no Museu Nacional de Etnologia e transformado em Núcleo de Arte Popular.

Ao espaço museológico propriamente dito encontrava-se associado o Mercado da Primavera, espaço de animação cultural no exterior que serviu nomeadamente para dar a conhecer muitos dos nossos artesãos e suas obras, como foi o caso da barrista barcelense Rosa Ramalho, foi destruído há cerca de quatro décadas.

Constituído em 1948, no âmbito da Exposição do Mundo Português, então com a designação de “Pavilhão da Vida Popular”, o seu acervo reunia um conjunto de peças que foi apresentado na Exposição de Arte Popular Portuguesa que teve lugar em Genebra, em 1935. O seu espólio repartia-se por diferentes salas dedicadas às mais diversas regiões do país e ainda um espaço para exposições temporárias, nelas predominando as cerâmicas e as alfaias agrícolas, os trajes e instrumentos musicais tradicionais, a joalharia e as artes de pesca, as carroças e a cestaria, a maioria das quais recolhida nos começos do século passado.

A decisão de ali instalar o Museu de Arte Popular coube ao ministro António Ferro e o edifício foi originalmente concebido pelo arquiteto Veloso Reis, tendo posteriormente sido sujeito a remodelação com vista a acolher o museu, tendo o projeto de adaptação pertencido ao arquiteto Jorge Segurado. O Museu de Arte Popular constituiu seguramente o exemplar mais representativo das conceções museológicas e ideológicas do Estado Novo, facto que só por si justificaria a sua continuidade e preservação.

Em relação ao próprio edifício, é reconhecido “o valor estético e material intrínseco, o génio dos respectivos criadores, o interesse como testemunho notável de vivências ou factos históricos, a sua concepção arquitectónica, urbanística e paisagista, e o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva”, razão pela qual foi pela Secretaria de Estado da Cultura, através da portaria n.º 263/2012, classificado como monumento de interesse público. Não obstante, chegou a estar prevista a sua demolição por proposta de um ministro da Cultura…

O Museu de Arte Popular pertence ao povo português e, como tal, deverá ser-lhe devolvido juntamente com a sua colecção.

13292_10150163435315442_1035069_n

MUSEU DE ARTE POPULAR ESTÁ DE VOLTA!

Ministra da Cultura quer reabrir o Museu de Arte Popular

Reabertura do museu integra-se num plano nacional para recuperar as artes e ofícios portugueses dando-lhe um potencial económico. Primeira iniciativa dedicada à cestaria realiza-se em julho.

museuartpopol (1).jpg

O artesão do bunho Manuel Ferreira

© Gustavo Bom/ Global Imagens

Manuel Ferreira estende as mãos para mostrar a pele gretada, os dedos grossos, as articulações salientes. As mãos são, há 31 anos, o seu principal instrumento de trabalho. É com elas que mede a "macheia" de bunho com que começa cada peça, que ata os caules num molho, que molda a primeira curva, que puxa com força a agulha e entrelaça as meadas até formar uma espécie de um tecido grosso e resistente. Dali há de nascer um banco, uma cadeira, um sofá, uma cesta ou outra coisa qualquer que a imaginação queira e a técnica permita. "É um trabalho muito pesado para o corpo", diz Manuel Ferreira, de 64 anos, que já não consegue passar um dia inteiro sentado no seu banquinho nem tem a força que costumava ter. "Antes fazia dois bancos por dia, agora demoro dois dias para fazer um banco."

Sob o olhar atento da cadela Linda, o senhor Manuel trabalha todos os dias na oficina que fica na antiga Escola Prática de Infantaria de Santarém, ao lado da cesteira Maria das Neves. "Há 30 anos, éramos dez no curso do bunho e outros dez no curso de cestaria, agora só restamos nós. Os outros desistiram todos", explica. Por um lado porque o trabalho é pesado, por outro porque não rende assim tanto. "Para começar é preciso aprender, ter um espaço, ter os materiais, e depois trabalhar algum tempo até começar a ganhar algum dinheiro. E não é assim tão fácil. Os jovens preferem outros trabalhos." Na região, só há mais um artesão que trabalha o bunho.

É para tentar alterar um pouco esta situação que, em julho, Manuel Ferreira vai ser um dos mestres artesões a participar no "summer camp" sobre tecnologias de cestaria portuguesa que vai acontecer no Museu de Arte Popular (MAP), em Lisboa. O "summer camp" é uma iniciativa do Ministério da Cultura que tem planos não só para programar mais atividades naquele espaço em Belém como também para reabrir o museu de forma permanente, revela ao DN Graça Fonseca. "O MAP tem um espólio extraordinário. Neste momento o museu está fechado e todo o seu acervo está no Museu de Etnologia, mas temos planos para reabri-lo." Claro que os planos estão sujeitos ao resultado das eleições legislativas em outubro próximo mas a ministra quer "deixar tudo pronto para o Governo seguinte poder reabrir o museu até 2020", explica.

Recuperar o "saber fazer português"

"Hoje em dia, felizmente, as artes e ofícios deixaram de ser uma coisa rejeitada pelas novas gerações, já não têm problemas em trabalhar com as mãos", diz Graça Fonseca, sublinhando que os jovens estão a redescobrir esse tipo de trabalho manual que além de ter uma componente de sustentabilidade (ligada à ecologia) pode também abrir possibilidades de negócio. "Há aqui uma oportunidade, julgamos nós, de regressar às artes e ofícios e de recuperar o saber fazer português, quer de uma perspetiva cultural, ou seja, o património imaterial, quer numa perspetiva de ativo económico."

Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com a Fundação Michelangelo e com a colaboração da Fundação Ricardo Espírito Santo, começou por programar uma iniciativa ligada à cestaria, "uma das técnicas mais antigas humanidade". "Hoje em dia, em Portugal estima-se que a idade média dos cesteiros ande à volta dos 70 anos, estamos com um saber fazer bastante envelhecido e existem evidentes problemas para os que ainda têm oficinas em conseguir atrair aprendizes, novos a quem passar o conhecimento, e também têm dificuldade de acesso ao mercado internacional e no fundo na valorização da sua arte e do seu produto", explica a ministra.

museuartpopol (2).jpg

Ministra da Cultura Graça Fonseca visitou a coleção de cestaria que está no Museu de Etnologia

© Reinaldo Rodrigues

O "summer camp" que decorre de 15 de agosto a 2 de julho será, antes de mais, uma ação de formação em que participam cinco mestres artesãos, de regiões diferentes do país e que trazem consigo diferentes técnicas, e 10 aprendizes (cinco nacionais e cinco estrangeiros). A ação de formação decorre no MAP e, simultaneamente, haverá uma exposição com algumas das peças da coleção de cestaria do MAP e outras atividades abertas ao público. "A nossa ideia é que durante 15 dias o museu esteja aberto e vivo e as pessoas possam vir cá conhecer a coleção de cestaria, contactar com os artesãos, perceber como é que se faz." Para setembro está prevista uma exposição maior, em que além da coleção de cestaria vão estar também as peças que foram criadas pelos aprendizes, resultado do "summer camp".

Depois de se avaliar o sucesso deste "summer camp", o passo seguinte é tornar este tipo de iniciativas mais regulares. Para isso, a ministra da Cultura pretende criar o Plano Nacional do Saber Fazer Português, assente em quatro pilares: preservação, educação, capacitação e promoção.

Primeiro, há que conhecer artes e ofícios de Portugal, diz Graça Fonseca. "Não há um conhecimento estruturado do país, de onde é que estão as unidades produtivas, onde estão os diferentes artesãos, qual o nível de risco. Há um trabalho a fazer de identificação e avaliação." No caso da cestaria, esse mapeamento está já a ser feito pelas curadoras da coleção de cestaria, que trabalham no Museu de Etnologia.

Depois, há a educação - o passar o conhecimento. "Temos de ter programas de aprendizado, transformar este summer camp em algo estruturado e recorrente. Para isso, teremos de trabalhar com o Ministério da Educação, as escolas e os centros profissionais", explica.

A capacitação passa por "trabalhar junto das unidades de produção que existam e dos indivíduos que têm o saber", o que será feito em colaboração com o Ministério do Trabalho e o Instituto de Formação Profissional. "A ideia é capacitar as pessoas para terem um plano de negócios, a forma de comunicar o seu produto e de chegar ao mercado. Sabemos que muitos dos artesãos têm problemas nesta fase."

E depois "um último eixo que é importante, que é a promoção", explica Graça Fonseca. "É preciso chegar ao mercado nacional e internacional - isso é fundamental." Para isso, conta com as parcerias do Turismo e AICEP. "Estes produtos são gourmet e estão muito bem posicionados para o mercado do luxo mas também para um mercado ligado à sustentabilidade", em ambos os casos podem ter um papel importante não só para a economia como para a promoção da imagem do país e para o turismo.

Qual o papel do Museu de Arte Popular?

O Museu de Arte Popular foi inaugurado em 1948 e nasceu da reformulação do antigo pavilhão criado para a Exposição do Mundo Português (1940). O MAP teve uma vida atribulada, sobretudo, após o 25 de Abril. Em 2000 iniciaram-se obras de requalificação do museu que tinha entrado em decadência e que levariam ao encerramento do espaço em 2003. Em 2006, a então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou que o MAP iria ser transformado em Museu da Língua Portuguesa. Mas nem todos gostaram das notícias.

museuartpopol (3).jpg

António Ferro na inauguração do Museu de Arte Popular em julho de 1948

© Arquivo DN

O movimento pela reabertura do MAP incluiu a criação de um blogue e de uma petição online que reuniu mais de três mil assinaturas. Em Dezembro desse ano, a nova ministra, Gabriela Canavilhas, anunciou que o museu "é para se manter tal como estava (...), dedicado à arte popular portuguesa". A reabertura aconteceu em 2010, sob a direção de Andreia Galvão, mas o projeto acabaria por fracassar.

Nos últimos anos, o MAP tem recebido exposições avulsas e nem sempre relacionadas com o tema do museu. O seu espólio encontra-se no Museu de Etnologia, que é na verdade quem tutela o espaço. Paulo Costa, diretor de Etnologia, é, por inerência, também o diretor do MAP.

"O museu tem uma história complicada", admite a ministra da Cultura. "Mas temos de ultrapassar isso." "Muitas destas técnicas de que estamos a falar estão representadas no museu", explica. Além da cestaria, a coleção integra cerâmica, azulejo, tapeçaria e muitas outras artes tradicionais. "Este museu foi constituído para mostrar o que é a arte popular portuguesa, não só temos as peças como temos toda a documentação, é um repositório de conhecimento que é muito importante quando pensamos em pegar neste saber para o reinventar", explica Graça Fonseca.

"O que nos queremos é reinstalar o museu na sua vocação original, de mostrar o que é a arte popular portuguesa, mas que seja um museu virado para o futuro. Não é num sentido saudosista. Para nos conseguirmos projetar o futuro convém conhecer o passado e perceber o presente. E portanto temos que conhecer bem a arte popular portuguesa, que é distinta das outras, temos que identificar o nosso ADN porque é isso que faz a diferença no mercado. E é a partir daqui que nós podemos projetar o futuro."

Para pensar a melhor maneira de concretizar esta ideia, o Ministério da Cultura está a criar um grupo informal de trabalho, de que farão partes personalidades como a artista Joana Vasconcelos, a historiadora e especialista em museologia Raquel Henriques da Silva e o jurista Gomes de Pinho que, além de administrador da Fundação Vieira da Silva, é também um grande colecionador de arte popular. Ter exposições permanentes e temporárias, abrir um espaço de oficinas, pensar em ligações com as escolas e com o mercado, programar atividades para o público mas também com a comunidade dos artesãos - são muitos os pormenores a debater. "Vamos discutir o que deve ser o museu de arte popular no século XXI e como pode funcionar", garante Graça Fonseca. "O potencial é enorme."

A ministra da Cultura espera, assim, ter tudo pronto antes das eleições para que o museu abra de novo as portas de forma permanente em 2020: "As verbas vão estar previstas no orçamento do próximo ano vamos e deixar para o próximo Governo tudo preparado quer para avançar para o plano nacional quer para organizar a reabertura do museu."

Fonte: https://www.dn.pt/

museuartpopol (4) (1).jpg

Interior do museu em 2010

© Arquivo DN

GRUPO DE FOLCLORE "CASA DE PORTUGAL" EM ANDORRA COMEMORA SEMANA DA DIVERSIDADE E DA PORTUGALIDADE

Semana da Diversidade... e da Portugalidade em Andorra

No passado sábado dia 18 de Maio concluiu a 9ª edição da semana da Diversidade Cultural de Andorra la Vella. O encontro cultural contou com a participação do tecido associativo de diferentes países que convivem na capital andorrana, nomeadamente, Venezuela, Peru, Índia, Rússia, Croácia, China, México, Andorra, Estremadura, África, Caribe, Argentina, Filipinas e Portugal.

GFCP Diversidade (3).jpg

A representação lusitana esteve a cargo do Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ que aderiu às iniciativas propostas pela organização das quais se destacam, desde o dia 11, a decoração de montras, a inscrição de poesias nas passadeiras das ruas da capital do Principado, e no dia 18, o desfile do traje e bandeiras dos países participantes, a mostra gastronómica e o encontro de danças tradicionais.

O noivado tradicional minhoto foi o tema escolhido pelos elementos do Grupo para decorar a montra de uma florista. Os trajes e complementos tradicionais do Alto Minho integraram-se perfeitamente num entorno de plantas e flores tendo surpreendido o transeuntes que passavam pela montra.

A poesia também mereceu destaque nas diferentes passadeiras das principais artérias e para o efeito o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ escolheu Fernando Pessoa para transmitir à sociedade andorrana o texto: “tenho em mim todos os sonhos do mundo”, um lema que tem caracterizado as aspirações da entidade portuguesa em Andorra.

Para o desfile de sábado os elementos do Grupo recrearam um casamento de inicios do século XX pois o vestido da noiva está datado de 1911 e onde não faltaram os pais dos noivos, padrinhos e os convidados trajados para a ocasião. Cerca de vinte entidades contribuíram para o desfile pela Avenida Meritxell do Principado e concluiu na Plaça Guillemó onde os noivos fizeram a entrada e receberam dos convidados uma chuva de “confetis”.

A continuação foi inaugurada a mostra “A diversidade à mesa” integrada por 11 países e entre guacamole mexicano, arepas venezuelanas ou rolinhos de primavera filipinos, a gastronomia lusitana  destacou pelos bolinhos de bacalhau e broa de milho, dobrada à moda do Porto, pasteis de Belém e vinho branco servidos pelos elementos do Grupo.

O folclore português esteve a cargo do Rancho Folclorico dos Residentes do Alto Minho e embora a chuva tivesse marcado presença, o Grupo de Folclore ‘Casa de Portugal’ concluiu a sua presença no evento apresentando algumas das danças tradicionais minhotas refugiando-se nas arcadas da praça para deleite do público assistente.

GFCP Diversidade (1).jpg

GFCP Diversidade (2).jpg

GFCP Diversidade (4).jpg

GFCP Diversidade (5).jpg

S. MARTINHO É DA GANDRA – S. MARTINHO DA GÂNDRA É DE PONTE DE LIMA!

Ponte de Lima anima-se aos domingos com a realização dos tradicionais feirões. Há sempre muita alegria, música e cor… joje coube ao Rancho Folclórico das Lavradeiras de S. Martinho da Gandra – um dos mais prestigiados grupos folclóricos do Minho! – trazer à vila limiana o seu folclore e as suas tradições.

E, Ponte de Lima acordou hoje ao som das concertinas e dos ferrinhos, dos bombos e dos reque-reques, porque dia é de festa!

Fotos: José Costa Lima

60578695_2543536559010028_5465016790880878592_n.jpg

60461042_2543534909010193_1411687739388067840_n.jpg

60358112_2543534709010213_7745772002765438976_n.jpg

60408728_2543540335676317_2216207050336108544_n.jpg

60463052_2543537665676584_7679764823646666752_n.jpg

60475173_2543542392342778_7970795711748898816_n.jpg

60484602_2543534205676930_1444292180456767488_n.jpg

60505167_2543533592343658_5364914026767712256_n.jpg

60531373_2543542585676092_7716829897489907712_n.jpg

60553117_2543540939009590_2535856606906679296_n.jpg

60607264_2543537889009895_1170077081455820800_n.jpg

60629851_2543538719009812_1647287298531786752_n.jpg

60646149_2543538075676543_3606543717021777920_n.jpg

60658772_2543534595676891_2967083379398279168_n.jpg

60726079_2543535249010159_728526672168484864_n.jpg

60796670_2543540055676345_3708486359225204736_n.jpg

60807000_2543534432343574_5161920424816148480_n.jpg

61045326_2543538445676506_445408118847832064_n.jpg

61141839_2543537935676557_7119050752890241024_n.jpg