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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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CDU VISITA EXPORURAL EM FAFE E EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA EM GUIMARÃES

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As inquietações sentidas na agricultura e na pecuária foram o principal tema de conversa de Vítor Rodrigues com alguns dos membros da Cooperativa Agrícola de Fafe, na sua visita feita ontem, sexta-feira, à Expo Rural em Fafe. O candidato da CDU ao Parlamento aproveitou a oportunidade para recordar que só com uma Política Agrícola Comum mais justa se podem melhorar os rendimentos das pequenas e médias explorações destes sectores e isso passa pelo reforço da CDU no Parlamento Europeu.

Na Expo Rural, o mandatário concelhio de Fafe, Rodolfo Ribeiro, referiu a questão do escoamento dos produtos com os agricultores locais, afirmando que as autarquias deveriam ter também um papel mais relevante na promoção dos produtos locais inclusivamente optando pela compra preferencial aos agricultores da região.

Na Expo Rural, a comitiva da CDU contactou ainda a população presente recordando a importância das próximas eleições, em junho, e a oportunidade que representam para defender a produção nacional, a preservação da biodiversidade, dando ainda centralidade ao financiamento de áreas sociais e laborais.

De tarde, Inês Rodrigues, mandatária concelhia de Guimarães, juntou-se à comitiva da CDU na visita a uma exploração agrícola em S.Torcato, concelho de Guimarães. Nesta visita, a CDU ouviu um conjunto de reclamações quanto às injustiças promovidas pela PAC - Política Agrícola Comum, pela ditadura da grande distribuição no mercado dos produtos alimentares, e também quanto às consequências nefastas do desmantelamento dos serviços do Ministério da Agricultura. Foram-nos relatadas as dificuldades de escoamento de alguns produtos e os baixos e incertos preços pagos à produção, ao mesmo tempo que os principais fatores de produção (combustíveis, fertilizantes, fitofármacos e outros) têm registado enormes subidas.

A delegação da CDU reafirmou a exigência de uma nova PAC, mais justa, sobretudo para os pequenos e médios agricultores, e que torne possível defender a produção nacional e a soberania alimentar. A CDU sublinhou também a necessidade de se implementarem instrumentos de regulação do mercado, seja para melhorar os preços pagos à produção, seja para travar a especulação com os preços dos fatores de produção.

Desta visita, ficou a certeza da necessidade de eleger mais deputados da CDU no Parlamento Europeu para defender a agricultura, o mundo rural e a produção nacional.

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HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS APRESSENTOU EM VIGO LIVRO SOBRE MEMÓRICAS DA DITADURA PORTUGUESA

Foi ontem apresentado em Vigo o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada no Camões - Centro Cultural Português em Vigo.

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Mesa da sessão de apresentação em Vigo do livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência” (Da esq. para dir.: o historiador Daniel Bastos, acompanhado do mestre-pintor Orlando Pompeu, e do tradutor Paulo Teixeira)

A sessão de apresentação, que contou com a presença de participantes da Galiza e do Norte de Portugal, esteve a cargo de Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, que destacou os laços culturais entras as comunidades transfronteiriças. E a importância da Revolução de Abril na instituição da liberdade de expressão, na vivência da cultura e na valorização da criação artística.

Refira-se que neste novo livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro em Vigo, assumiu-se como um reconhecimento dos laços históricos, territoriais, culturais e linguísticos entre a Galiza e o Norte de Portugal. Assim, como uma iniciativa simbólica para revisitar os países ibéricos como eram há 50 anos, e apreender a influência da Revolução de Abril no processo de transição para a democracia em Espanha. 

Refira-se que a sessão de apresentação no Camões - Centro Cultural Português em Vigo, organismo que tem como objetivo central levar a cultura portuguesa a toda a Galiza, incluiu uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.

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FAFE: ESTAÇÃO MEMÓRIA ABRE AMANHÃ AO PÚBLICO

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A Estação Memória, inaugurada a 25 de Abril, abre ao público no feriado municipal de Fafe, 16 de maio.

A Estação Memória é um museu interpretativo e funciona como uma cápsula do tempo, instalada na emblemática estação de caminhos de ferro de Fafe. Neste espaço, a pretexto da história, das tradições e da natureza que caracterizam Fafe, transforma-se a experiência de visita numa viagem inesquecível para todos os visitantes e que traz consigo a mala da aprendizagem.

O antigo armazém de mercadorias foi adaptado e referencionalizado em galeria de arte, mas com versatilidade para acolher outras atividades culturais em contexto de auditório até uma lotação de 100 lugares sentados.

Composta por três “carruagens-cápsula” e uma área de exposições, cada elemento deste complexo edificado é uma janela para diferentes épocas da História de Fafe, refletindo o passado, o presente e o futuro.

Na primeira carruagem, somos transportados para as origens rurais de Fafe, uma época em que a terra era o sustento e o coração da comunidade. Aqui, a história dos brasileiros torna-viagem, emigrantes que regressaram após enriquecer no Brasil, é contada em detalhe.

Através da janela do tempo, o visitante é familiarizado com a lenda da Justiça de Fafe, tradições como o jogo do pau, revivendo o espírito comunitário que caracterizavam a região. É também neste espaço que o encontro com ilustres fafenses acontece proporcionando-se ao visitante um mergulho na história do território e das pessoas que o construíram.

Na segunda carruagem, a narrativa avança para o presente, mostrando Fafe através de uma paisagem em vídeo imersivo em que o objeto central da narrativa é um relógio mágico. Este artefato simboliza o tempo que flui e conecta as diferentes gerações de fafenses, destacando as riquezas culturais, sociais e económicas do concelho. Aqui celebra-se a evolução contínua de Fafe, evidenciando a defesa das tradições e a natural adaptação ao novo tempo. É, acima de tudo, um convite aos passageiros desta viagem imersiva para que, no fim da visita, explorem Fafe.

Por último, a terceira carruagem segue na direção do futuro pelo trilho da sustentabilidade, das energias renováveis e da riqueza do património natural do concelho. O Museu Interpretativo pretende informar e inspirar, envolvendo os visitantes em práticas ecológicas, oferecendo a oportunidade de interagir com as Vitelinhas - sistema de bicicletas partilhadas de Fafe - que simbolizam o compromisso da comunidade em torno da mobilidade suave, da sustentabilidade ambiental e do turismo ecológico.

Não é apenas um lugar para aprender sobre a história de Fafe. É uma plataforma de diálogo onde diversas perspetivas e narrativas se encontram e interagem, com um único objetivo: viver e sentir Fafe.

Nesta «estação» de cultura e turismo, há lugar para a apresentação dos produtos locais e artesanato, bem como para a divulgação turística. O espaço vai dispor de loja de lembranças, acessibilidade completa para pessoas com mobilidade reduzida e apoio de serviço pedagógico (para grupos escolares).

A reconversão e ampliação do armazém da antiga estação de comboios de Fafe, que após ser descontinuado o troço ferroviário Guimarães-Fafe em 1986, ficou praticamente abandonado, dá assim lugar a uma nova infraestrutura cultural. O antigo armazém de mercadorias da desativada estação ferroviária de Fafe sofreu obras de reconversão e ampliação, intervenção financiada pelo programa Portugal 2020.

Esta valorização do espaço e compõe um projeto alargado que pretende transformar a envolvente aos dois edifícios num verdadeiro núcleo de cultura e turismo numa zona nobre e histórica da cidade.

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Exposição de arte contemporânea do Mestre Orlando Pompeu

Na galeria da Estação Memória, está patente até ao final do ano uma exposição de arte contemporânea alusiva ao percurso criativo do Mestre Orlando Pompeu, artista plástico nascido em Cepães, Fafe. As obras expostas - que incluem um auto retrato do artista - viajam pelo caminho estético que implicou ruturas evidenciando-se bem aquela que é a primeira fase de trabalho do pintor. Das flores às obras emblemáticas inspiradas nas pessoas e vivências da sua terra natal, Pompeu convida a viajar pelo mundo. As obras expostas apresentam-se, todas elas, interligadas por temas alusivos ao comboio, às viagens, aos animais e às pessoas e resulta de uma seleção efetuada com o apoio e validação do artista a partir da vasta coleção de obras que o Município de Fafe adquiriu ao pintor fafense.

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS REVIVE EM TORONTO MEMÓRIAS DA DITADURA REVISITADAS NA COMUNIDADE PORTUGUESA

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No próximo dia 1 de junho (sábado), é apresentada em Toronto a obra “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

O livro, concebido pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, é apresentado, às 10h00, na Peach Gallery em Toronto.

Neste novo livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do historiador e investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, e no início das comemorações da Semana de Portugal em Toronto, a Peach Gallery, localizada na 722 College Street, um dos espaços culturais de referência da comunidade luso-canadiana, após a apresentação do livro, exibirá estreia de documentário “África, como eu a vi”, realizado e produzido por Paul Fajardo, através dos testemunhos de antigos combatentes do Ultramar.

Neste sentido, esta iniciativa cultural no âmago da comunidade portuguesa em Toronto, metrópole onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, constitui um reconhecimento do contributo e papel inestimável da comunidade luso-canadiana ao longo dos anos no engrandecimento dos valores da liberdade e da portugalidade. 

Refira-se que a edição da obra se deveu em grande parte ao mecenato de empresas que partilham uma visão de responsabilidade social e um papel de apoio à cultura, em particular, do grupo empresarial do comendador luso-canadiano Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Sendo que a totalidade das receitas da venda dos livros na sessão aberta à comunidade, reverte a favor da Magellan Community Foundation, uma instituição responsável pela construção em Toronto, do primeiro lar de cuidados a longo termo para idosos de expressão portuguesa.

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GALIZA: VIGO É PALCO DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO SOBRE MEMÓRIAS DA DITADURA PORTUGUESA

No próximo dia 16 de maio (quinta-feira), é apresentado em Vigo o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, é apresentada às 18h00 no Camões - Centro Cultural Português em Vigo.

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O artista plástico Orlando Pompeu (ao centro), ladeado do historiador Daniel Bastos (dir.), e do tradutor Paulo Teixeira

A apresentação do livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do historiador e investigador José Pacheco Pereira, estará a cargo de Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade.

Nesta nova obra, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nas décadas de 1960-70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro em Vigo, constitui um reconhecimento dos laços históricos, territoriais, culturais e linguísticos entre a Galiza e o Norte de Portugal. Assim, como uma iniciativa simbólica para revisitar os países ibéricos como eram há 50 anos, e apreender a influência da Revolução de Abril no processo de transição para a democracia em Espanha. 

Refira-se que a sessão de apresentação no Camões - Centro Cultural Português em Vigo, organismo que tem como objetivo central levar a cultura portuguesa a toda a Galiza, incluirá uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.

Nascido já depois da Revolução de Abril, e com vários livros publicados no domínio da História e da Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as comunidades lusas, o percurso do historiador e escritor Daniel Bastos tem sido alicerçado no seio da Diáspora.

Depois de uma trajetória marcada pela deserção, emigração e exílio nas décadas de 1960-70, Fernando Mariano Cardeira regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Foi um dos fundadores da Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP61/74), e presidiu à Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória-NAM.

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COMBOIO DEIXOU DE APITAR EM FAFE HÁ 38 ANOS

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O troço ferroviário entre Guimarães e Fafe encerrou em 1986, tendo sido posteriormente transformado numa ciclovia.

A Estação Ferroviária de Fafe foi uma interface da Linha de Guimarães, que servia a localidade de Fafe, no Distrito de Braga, em Portugal. Foi inaugurada em 21 de Julho de 1907,  e encerrada em 1986.

Em 16 de Abril de 1891, a Gazeta dos Caminhos de Ferro reportou que a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães tinha sido autorizada a construir e explorar uma linha entre Guimarães e Fafe. Numa reunião de accionistas da Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães em 14 de Lulho de 1896, o gerente insistiu que a linha fosse prolongada até Fafe, projecto que tinha sido pedido ao governo, mas cuja autorização estava atrasada. Em 16 de Janeiro de 1899, a Gazeta noticiou que tinha sido aberto um inquérito administrativo para a apreciação do público sobre os projectos ferroviários dos Planos das Redes Complementares ao Norte do Mondego e Sul do Tejo, incluindo a continuação da linha de Guimarães até Chaves, servindo pelo caminho a povoação de Fafe, o vale do Rio Tâmega e a região de Chaves.

Entretanto, em 1 de Dezembro de 1899 a Gazeta anunciou que o engenheiro italiano Cachapuz tinha pedido licença para construir várias linhas de caminhos de ferro na região Norte do país, incluindo uma de Guimarães a Braga e outra de Fafe a Cavez. Um decreto de 27 de Abril de 1903 ordenou a abertura do concurso público para esta linha, com conjunto com as do Vale do Lima e Alto Minho.

A construção do lanço até Fafe foi parcialmente financiado por títulos de dívida, lançados pela Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães.

Em 16 de Junho de 1903, a Gazeta dos Caminhos de Ferro informou que já se tinham iniciado as obras para o lanço entre Guimarães e Fafe. As iniciaram-se em Fafe, mas pouco depois iniciou-se uma polémica sobre o local da estação, entre a companhia e a Câmara Municipal de Fafe. O plano original colocava a estação numa trincheira de grande corte, com a avenida de ligação à vila a ficar com uma grande elevação. No entanto, a companhia refez todo o projecto, de forma a reduzir o limite das rampas e assim melhorar as condições de circulação na linha. A revisão do projecto foi feita pelo director da construção, o engenheiro F. Ferreira Lima, que aproveitou para mudar a localização da estação para um local próximo da primeira, que deixaria de estar em trincheira e ficaria com uma avenida em melhores condições. Além disso, a estação também ficaria em melhor posição para o planeado prolongamento da linha até Moreira do Rei. A Câmara Municipal de Fafe rejeitou o novo projecto, e nomeou o coronel engenheiro J. J. Pereira Dias para arbitrar o conflito, que no entanto decidiu a favor da companhia, pelo que a autarquia substituiu-o por um mais parcial aos seus interesses. Além disso, os proprietários exigiram grandes valores pela expropriação dos terrenos para o novo projecto, pelo que a companhia propôs ao governo uma nova alteração no local da estação, que desta vez ficaria a uma distância de cerca um quilómetro da vila. O ministro das Obras Públicas rejeitou aquela proposta e ordenou que fosse utilizado o segundo projecto, após a sua aprovação pelo Conselho Superior de Obras Públicas.

Em 1 de Outubro de 1903, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que as obras no prolongamento da Linha de Guimarães até Fafe estavam a decorrer a bom ritmo, nos lanços de Paçô Vieira a Farreja e Cepães a Fafe, prevendo-se que nesse mês iriam iniciar-se as terraplanagens para a estação de Fafe. Em 16 de Maio de 1904, a Gazeta reportou que as obras estavam muito adiantadas. No entanto, durante as obras surgiu uma polémica sobre a localização da estação de Fafe. O lanço entre Guimarães e Fafe abriu à exploração em 21 de Julho de 1907.

Com a inauguração da linha até Fafe, esta povoação passou a fazer parte da zona metropolitana do Porto.

Em 1913 a estação de Fafe era utilizada por serviços de diligências até Arco de Baúlhe, Cabeceiras de Basto, Cavez, Fermil de Basto, Gandarela de Basto, Mondim de Basto, Pico, Arco Panal, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar.

Em 1927 a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães foi fundida com a Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, formando a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.

Em 1932 a Empresa Omnibus Fafense estabeleceu, em concordância com a Companhia do Norte, vários serviços de camionagem entre a estação de Fafe e as localidades servidas pela empresa.

Durante a cerimónia de inauguração da Estação de Arco de Baúlhe, na Linha do Tâmega, em 15 de Janeiro de 1949, o governador civil de Braga fez um discurso, onde defendeu a construção de uma linha entre Fafe e Arco de Baúlhe, que se deveria ligar à Linha do Ave. Num artigo de 16 de Março desse ano, o jornalista José da Guerra Maio afirmou que a ligação de Fafe a Arco de Baúlhe, com cerca de 25 km de comprimento, permitiria um acesso directo das Linhas do Tâmega e Corgo à cidade do Porto e ao terminal marítimo de Leixões, mas seria muito cara, devido ao difícil relevo que teria de atravessar, além que nessa altura já se sentia fortemente a concorrência do transporte rodoviário. retirando relevo aos caminhos de ferro. Assim, sugeriu um novo traçado para a linha de Fafe a Arco de Baúlhe, passando por Cabeceiras de Basto, que embora ficasse ligeiramente mais longo, atravessaria melhor terreno ao utilizar parte do vale do Rio Tâmega, além que iria servir a região de Cabeceiras, constituindo uma linha de carácter turístico. Um projecto semelhante, o da Linha do Vale do Ave, já tinha sido apresentado pela Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, mas que não chegou a ser concretizado.

Fonte: Wikipédia

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Aviso ao público de 1916, acerca do fim das remessas de peixe entre a Estação de Porto-São Bento e a Linha de Guimarães, incluindo Fafe

HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS FOI UM DOS AUTORES CONVIDADOS DA BIBLIO FELGUEIRAS

No passado domingo (21 de abril), o escritor e historiador Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das comunidades portuguesas, foi um dos autores convidados da IV edição da “Biblio Felgueiras – Feira do Livro e da Leitura”.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro) ladeado do presidente da Câmara de Felgueiras, Nuno Fonseca, e da Vereadora da Cultura, Ana Medeiros

No decurso do evento literário, que trouxe à Biblioteca Municipal da região do Tâmega e Sousa, vários escritores com obras para diferentes tipos de público, e computou um programa diversificado e abrangente, o historiador abordou o papel da diáspora portuguesa no mundo. E apresentou o seu mais recente livro, “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”, uma obra concebida a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, e realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril.

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MEMÓRIAS DA DITADURA PORTUGUESA REVISITADAS EM LIVRO – OBRA CONCEBIDA PELO HISTORIADOR FAFENSE DANIEL BASTOS A PARTIR DO ESPÓLIO FOTOGRÁFICO DE FERNANDO CARDEIRA

Na passada sexta-feira (12 de abril), foi apresentado em Lisboa o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada na Associação 25 de Abril.

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Mesa da sessão de apresentação do livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência” (Da esq. para dir.: o historiador Daniel Bastos, acompanhado do fotógrafo engajado Fernando Mariano Cardeira, do militar e antigo presidente da RTP, Manuel Pedroso Marques, e do tradutor Paulo Teixeira) – ©Marques Valentim

A sessão de apresentação, que encheu o auditório da Associação 25 de Abril, esteve a cargo do militar, antigo exilado político e presidente da RTP, Manuel Pedroso Marques, que enalteceu o percurso de vida de Fernando Mariano Cardeira na defesa dos ideais da liberdade e da democracia. Segundo o mesmo, o livro dado agora à estampa, no ano em que se assinala meio século da Revolução dos Cravos, assume-se como um importante contributo e testemunho histórico para se conhecer o país como era há 50 anos.

Refira-se que nesta nova obra, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, o historiador minhoto Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nos anos 60 e 70.

Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.

Nascido já depois da Revolução de Abril, e com vários livros publicados no domínio da História e da Emigração, o percurso do historiador Daniel Bastos tem sido alicerçado no seio das comunidades portuguesas. Fernando Mariano Cardeira nasceu em 1943, depois de uma trajetória marcada pela deserção, emigração e exílio, o antigo oposicionista regressou a Portugal após a Revolução dos Cravos, presidindo à Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória-NAM.

Saliente-se que a edição do livro se deve em grande parte ao mecenato de empresas que partilham uma visão de responsabilidade social e um papel de apoio à cultura, sendo que ao longo do ano estão previstas várias sessões de apresentação da obra noutros espaços do território nacional e da Diáspora.

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Fotos: ©Marques Valentim

PCP: LIVRO INSUBMISSO APRESENTADO EM FAFE

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Foi ontem apresentado em Fafe o livro “Elas estiveram nas prisões do fascismo”. No espaço historicamente insubmisso do Café Avenida, Simão Fernandes, membro da Comissão Concelhia de Fafe e do Comité Central do PCP, lançou o mote para um final de tarde onde se lembraram as 1755 mulheres presas políticas nas prisões do regime fascista português e se discutiu o papel da mulher na resistência ao fascismo e na construção da revolução de Abril.

A Organização Regional de Braga do Partido Comunista Português iniciou no final do ano passado uma série de apresentações de livros a que se chamou “Roteiro do Livro Insubmisso”, na qual se inseriu o evento de ontem em Fafe. Num contexto marcado pela celebração do 50.º aniversário do 25 de Abril, esta apresentação contou com ainda com a intervenção da Maria do Carmo Cunha, da Comissão Concelhia de Fafe e da Organização Regional de Braga do PCP, que nomeou as mulheres fafenses registadas neste livro como tendo estado presas por razões políticas. Sublinhou as condições ultrajantes a quem muitas mulheres estiveram sujeitas na prisão e recordou que também em Fafe houve quem tivesse a coragem de resistir ao regime fascista. Maria Manuel Marques, advogada bracarense que foi politicamente ativa na resistência ao fascismo, encetou diálogo com o público presente relembrando a descarada segregação que as mulheres em geral sofriam na sociedade e mais ainda as mulheres que procuravam intervir politicamente no sentido da sua emancipação e na procura de um país mais justo. Maria Manuel Marques sublinhou a importância de que as novas gerações saibam o que foi o fascismo para que não regressemos aos tempos das trevas.

O livro “Elas Estiveram nas Prisões do Fascismo” foi publicado em 2021 pela URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses e pretende, como se pode ler na sua contracapa, “resgatar de um relativo esquecimento o relevante papel das mulheres portuguesas no combate à ditadura fascista. Na verdade, bem se pode afirmar que sem a coragem, a firmeza e a tenacidade de tantas mulheres, bem diferente, porque menos amplo e vigoroso, teria sido o processo de resistência ao regime de Salazar e Marcelo Caetano. Razão mais do que suficiente para que todas fiquem na nossa grata memória.”

No dia 11 de maio, em Famalicão, acontecerá o próximo evento do “Roteiro do Livro Insubmisso” com a apresentação do livro “25 de Abril, uma revolução em perspectiva”, que contará com a presença de Jerónimo de Sousa.

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FAFE: CASA DO PENEDO É A “CASA MAIS ESTRANHA DO MUNDO”

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A Casa do Penedo está localizada nas Serras de Fafe, mais propriamente na União de Freguesias de Várzea Cova e Moreira do Rei, concelho de Fafe, na Região Norte de Portugal, devendo o seu nome ao facto de ter sido construída entre quatro rochas de grandes dimensões que integram a própria estrutura da casa.

Inaugurada a 13 de outubro de 1974, com um modo de construção incomum (iniciado pelo telhado), foi idealizada para estar perfeitamente integrada na paisagem e servir como abrigo de família. A sua localização única permite uma comunhão invulgar com a natureza, aqui podemos observar e interagir com espécies autóctones da nossa fauna e flora, observar as estrelas ou simplesmente desfrutar da paz e do ar limpo da montanha.

Recentemente considerada como a casa mais estranha do mundo, a Casa do Penedo viu o seu nome e imagem chegar aos quatro cantos do mundo, atraindo tanto curiosos como especialistas de arquitetura e amantes da Natureza.

Fonte: Casa do Penedo / Foto: Wikipédia