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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FUNDAÇÃO NOVA ERA JEAN PINA DOOU QUATRO TONELADAS DE BENS A INSTITUIÇÕES DE FAFE

A Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição presidida pelo empresário benemérito luso-francês, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, que no mês passado durante uma visita ao concelho de Fafe firmou várias parcerias com associações locais, doou no início desta semana quatro toneladas de bens à Cruz Vermelha de Fafe e à Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF).

A Delegação de Fafe da Cruz Vermelha, instituição local que presta assistência humanitária e social, em especial aos mais vulneráveis, e que atualmente, conta com a colaboração de uma equipa de mais de duas dezenas de elementos nas mais variadas áreas de intervenção, recebeu três toneladas de alimentos e roupa. Com a particularidade, de uma tonelada de alimentos ter sido adquirida diretamente no comércio local de Fafe, mormente o Mercado Antunes, através de um apoio benemérito do empresário fafense de restauração em Paris, Jorge Costa, membro associado da Fundação Nova Era Jean Pina.

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O historiador fafense Daniel Bastos, embaixador da Fundação Nova Era Jean Pina junto das Comunidades Portuguesas, no armazém da Cruz Vermelha de Fafe, acompanhado do presidente da instituição local, Capitão António Fernandes, e de Sílvia Freitas, coordenadora do projeto Família+Feliz

A Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF), uma associação local sem fins lucrativos dedicada à proteção animal, e à promoção da adoção de cães e gatos abandonados e negligenciados, e que presentemente é a entidade responsável pelo trabalho de voluntariado no canil municipal, recebeu uma tonelada de ração para cães e lixívia.

Refira-se que a instituição luso-francesa ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol de diversas associações de cariz social, e que os custos de transporte dos bens que chegaram ao concelho provenientes de França, via a associação portuguesa Lusibanda, sediada em Le Havre, foram suportados pelos Transportes Mesquita, uma empresa de transportes internacionais em camião TIR, com sede na região norte, ambos membros associado da Fundação Nova Era Jean Pina.

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EROSÃO: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

A freguesia de Cepães, uma povoação do concelho de Fafe, distrito de Braga, com intensa atividade industrial e aptidão agrícola, ao longo dos últimos quatro anos foi palco de um original projeto comunitário em rede que envolveu toda a comunidade local em torno de histórias e memórias da emigração.

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Partindo dos percursos migratórios do final do século XIX e do século XX para o Brasil e França, assim como das expressões materiais e simbólicas do ciclo de retorno dos emigrantes que marcam indelevelmente a região do Vale do Ave. E em particular o concelho de Fafe, contexto que impeliu a edilidade minhota a instituir no clarear do séc. XXI o Museu das Migrações e Comunidades, o grupo local EnfimTeatro, núcleo dramático da Sociedade de Recreio Cepanense, desenvolveu desde o primeiro trimestre de 2017 o projeto comunitário Erosão, tendo em vista a dinamização de atividades culturais.

Entre as várias atividades impulsionadas destacou-se a realização do filme Erosão. Uma pelicula inspirada no texto dramático “Terra Firme”, de Miguel Torga, um dos mais influentes escritores portugueses do século XX, ele próprio emigrante no Brasil nos anos 20, que retrata a longa e penosa espera de um filho há vinte anos ausente.

Os pilares fundamentais do filme Erosão, cuja antestreia ocorreu no decurso deste mês no Teatro Cinema de Fafe, assentam num profundo compromisso com as metamorfoses, linguagens, hábitos e tradições da comunidade local, assim como nos termos viagem, emigração, esperança, utopia, paisagem, património material e imaterial.

Como defendem os responsáveis da pelicula cinematográfica, estamos perante um trabalho planeado, suportado e executado, todo ele, por não-atores e elementos que pela primeira vez experimentaram determinados meios técnicos e materiais, pessoas que nunca haviam conhecido o caminho de aproximação, senão em sonho, à ideia de um filme.

Mais que uma abordagem original ao fenómeno migratório, o filme Erosão, que se encontra disponível para ser visualizado no território nacional e nas comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, é um reflexo coletivo da valorização da emigração portuguesa, parte integrante da nossa história e da nossa identidade.

E-REDES CONSTRÓI LINHA DE MÉDIA TENSÃO NOS CONCELHOS DE FAFE E CABECEIRAS DE BASTO

Obras representaram um investimento de 130 mil euros

A E-REDES construiu uma linha de Média Tensão (MT), que interliga os concelhos de Fafe e Cabeceiras de Basto, com vista à melhoria de qualidade de serviço na zona.

A nova interligação de aproximadamente 2000 metros, suportada por 11 novos apoios, representou um investimento de 130 mil euros e mobilizou vários recursos, nomeadamente para a abertura de acessos.

Este investimento da E-REDES vai contribuir para o aumento da robustez e resiliência da rede de Média Tensão, com impacto significativo na melhoria da qualidade de serviço prestada aos clientes, resultante do compromisso que a empresa assumiu com os Municípios de Fafe e Cabeceiras de Basto.

A E-REDES, antiga EDP Distribuição, é responsável pela operação da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental, em Baixa (BT), Média (MT) e Alta Tensão (AT).

GÉRALD BLONCOURT: O FOTÓGRAFO QUE IMORTALIZOU A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

No ocaso do mês de outubro, assinalaram-se três anos do falecimento do saudoso fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt (1926-2018), um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado coletivo.

Colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, o antigo fotojornalista que esteve radicado em Paris mais de meio século, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Igualmente relevantes são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as dos primeiros dias de liberdade em Portugal, como as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, acontecimento que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração e a génese da democracia portuguesa constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história nacional que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

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Gérald Bloncourt, em 2016, durante uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades

O trabalho e percurso do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, e cujo espólio faz parte do arquivo do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o reputado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Numa mensagem na página oficial da Presidência da República, aquando do falecimento de Gérald Bloncourt, o mais alto magistrado da nação portuguesa asseverou que "há um dever de memória" em evocar o trabalho com a emigração lusa do fotógrafo francês, “uma das testemunhas do duro quotidiano dos compatriotas que viveram os primeiros anos da maior vaga de emigração para França, sendo simultaneamente amigo e companheiro de tantos portugueses que ali construíram o seu futuro”.

MINISTÉRIO DA CULTURA CREDENCIA EQUIPAMENTOS NA REDE DE TEATROS E CINETEATROS PORTUGUESES

Entre os equipamentos credenciados na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses encontram-se os seguintes relativamente ao Minho:

Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão (Vila Nova de Famalicão), Centro Cultural de Paredes de Coura (Paredes de Coura), Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Cineteatro João Verde (Monção), Gnration (Braga), Teatro Diogo Bernardes (Ponte de Lima), Teatro Municipal Sá de Miranda (Viana do Castelo), Teatro -Cinema de Fafe (Fafe) Theatro Circo (Braga), Theatro Gil Vicente (Barcelos).

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FUNDAÇÃO NOVA ERA JEAN PINA ABRE PORTAS A PARCERIAS NO CONCELHO DE FAFE

Na passada segunda-feira (18 de outubro), o Presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, um dos mais dinâmicos e beneméritos empresários portugueses em França, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, um grupo empresarial com atividades em áreas como a construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, que tem dinamizado relevantes iniciativas no território gaulês e nacional, esteve de visita ao concelho de Fafe.

Acompanhado do historiador fafense Daniel Bastos, embaixador da instituição junto das comunidades portuguesas, e atualmente consultor do município minhoto na área da emigração, o empresário luso-francês manteve vários encontros e reuniões de trabalho com dirigentes de instituições do concelho de Fafe, tendentes ao lançamento de bases para parcerias e protocolos culturais empresariais e sociais.

Durante a manhã, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina foram recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, a quem foram apresentadas as atividades e missão da instituição, e a sua disponibilidade para o estabelecimento de parcerias locais. Assim como,  pelo Presidente da Direção da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, José Hernâni Costa, numa reunião de trabalho que permitiu o lançamento de um futuro protocolo que visa a promoção de produtos e empresas de Fafe num dos mais importantes mercados da diáspora portuguesa.

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Encontro nos Paços do Concelho com o Presidente do Município de Fafe

2-Reunião com o Presidente da Direcção da Assoc

Reunião com o Presidente da Direcção da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto

Na parte da tarde, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina foram recebidos pelo Presidente da Delegação de Fafe da Cruz Vermelha Portuguesa, António Manuel Fernandes, na sede da instituição de assistência humanitária e social, e com a qual foram alinhavados os termos de uma parceria que irá assegurar o envio regular de diversos donativos em espécie. A agenda de trabalhos computou ainda uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, tendo sido asseverado junto da Vereadora do Município de Fafe, Paula Nogueira, a disponibilidade da Fundação Nova Era Jean Pina para promover o espaço museológico junto da comunidade portuguesa em França.

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Visita à Delegação de Fafe da Cruz Vermelha Portuguesa

4-Visita ao Museu das Migrações e das Comunidade

Visita ao Museu das Migrações e das Comunidades

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Reunião com responsáveis da Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta

Refira-se que ao final da tarde, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina, estiveram ainda reunidos com dirigentes da Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta – ADDAF, com quem delinearam um protocolo de colaboração que permitirá o envio regular de ração para aninais a esta associação responsável pelo trabalho de voluntariado no Canil Municipal.

FILME "EROSÃO" ESTREIA EM FAFE E RETRATA A MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO

O filme Erosão, rodado em Fafe, desde 2018, retrata a história e memória da emigração

Um filme feito a partir da obra de Miguel Torga, ‘Terra Firme’, que envolveu 12 instituições, 4 freguesias e 2 paróquias de Fafe, cuja história se embrenha na comunidade. Ou seja, uma longa-metragem, com cerca de duas horas, que fala de hábitos e tradições deste povo, virtudes e dificuldades, e regista a paisagem local, o património natural, e a sua ruralidade.

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Participaram mais de 200 pessoas no projecto desenvolvido em rede, com várias entidades e comunidades locais.

Erosão está pronto e passa em antestreia a 12 de Novembro, pelas 21h30, no Teatro-Cinema. A estreia está agendada para o dia 13 de Novembro.

RALLY SERRAS DE FAFE E FELGUEIRAS COM PASSAGEM POR VIEIRA DO MINHO

Vieira do Minho volta, este fim de semana, a receber mais uma prova do desporto automobilístico. Desta feita trata-se do  Rally Serras de Fafe e Felgueiras no FIA ERC (European Rally Championship), que vai para as estradas nos dias 2 e 3 de outubro e que tem passagem pela Serra da Cabreira.

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Este Sábado os troços da Serra da Cabreira voltam receber os melhores pilotos da actualidade, numa prova, que atendendo à qualidade dos pilotos inscritos, promete  um grande espetáculo com “cheirinho” a Mundial.

As passagens por vieira do Minho realizam-se pelas 09:50 – PEC 2 – Senhora da Fé/Anjos 1 (18,06 km), 10:25 – PEC 3 – Agra/Zebral 1 (11,25 km), 15:45 – PEC 6 – Senhora da Fé/Anjos 2,  16:20 – PEC 7 – Agra/Zebral 2.

O Rali promete ser um grande sucesso dada a participação de grandes nomes do automobilismo. Dani Sordo, Andreas Mikkelsen e o campeão Alexey Lukyanuk encabeçam o plantel que inclui os melhores pilotos do Europeu e do Campeonato de Portugal.  A saber: Dani Sordo (Hyundai i20 R5), Andreas Mikkelsen,  (Skoda Fabia Rally 2 evo), Alexey Lukyanuk (Citroen C3 Rally2), Miko Marczyk (Skoda Fabia Rally2 evo), Norbert Herczig (Skoda Fabia Rally2 evo), Nil Solans (Skoda Fabia Rally2 evo),Yoann Bonato (Citroen C3 Rally2), Erik Cais (Ford Fiesta R5 MKII), Umberto Scandola (Hyundai i20 R5),Armindo Araújo (Skoda Fabia Rally2 evo), Ricardo Teodósio (Skoda Fabia Rally2 evo),Bruno Magalhães (Hyundai i20 R5), José Pedro Fontes (Citroen C3 Rally2), Pedro Meireles (VW Polo R5), Miguel Correia (Skoda Fabia Rally2 evo),Manuel Castro (Skoda Fabia R5), Paulo Neto (Skoda Fabia R5), Gil Antunes (Dacia Sendero R4), Ivan Ares (Hyundai i20 R5)

Javier Pardo Siota (Suzuki Swift R4LLY S), Joan Vinyes (Suzuki Swift R4LLY S), Alexander Villanueva (Citroen C3 R5).

Devido à passagem do Rally Serras de Fafe e Felgueiras por Vieira do Minho, a Câmara Municipal informa que,  o trânsito vai sofrer alguns condicionalismos, fruto da realização desta prova. Desta forma, o trânsito estará encerrado entre as 7h30 e as 18h30, nas estradas florestais entre a Sra. da Fé, Serradela, Campo de Tiro, Vilarchão e Anjos, bem como entre Agra, Tranqueta, Zebral e Linharelhos.

As estradas também estarão condicionadas nos dias 30 de setembro e 1 de outubro entre as 08h00 e as 18h00, devido aos reconhecimentos em regime de estrada aberta.

MUSEU DAS MIGRAÇÕES E DAS COMUNIDADES: UM ESPAÇO DE MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A dimensão e impacto da emigração no país, nas palavras abalizadas de Vitorino Magalhães Godinho, uma “constante estrutural” da demografia portuguesa, têm impelido a construção nas últimas décadas, no seio dos territórios municipais, de vários núcleos museológicos dedicados à salvaguarda da memória do processo histórico do fenómeno migratório nacional.

É o caso, por exemplo, do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, uma cidade do interior norte de Portugal, situada no distrito de Braga, no coração do Minho, cujo desenvolvimento contemporâneo teve um forte cunho de emigrantes locais enriquecidos no Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX. Também conhecidos como "brasileiros de torna-viagem", que na esteira da trajetória transoceânica empreendida por mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914, conseguiram voltar engrandecidos à sua terra natal, e assim sustentaram a criação das primeiras indústrias, a construção de casas apalaçadas, e a edificação de obras filantrópicas ligadas à saúde, ao ensino e à caridade.

Estas marcas identitárias do ciclo do retorno dos "brasileiros de torna-viagem", singularmente presentes no centro urbano da "Sala de visitas do Minho", e profusamente estudadas pelo saudoso mestre Miguel Monteiro, impulsionaram o Município de Fafe a instituir no início do séc. XXI o Museu das Migrações e das Comunidades.

Percursor no seu género em Portugal, o espaço museológico assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

Entre os acervos documentais que compõem o Museu das Migrações e das Comunidades, que tem o reconhecimento da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e integra a AEMI (Association of European Migration Institutions), destaca-se uma coleção de mais de uma centena de fotografias oferecidas ao Museu pelo consagrado fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para a (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.

Como realça a socióloga Maria Beatriz Rocha-Trindade, no artigo Museus de Migrações – Porquê e para quem?, a instituição sediada no coração do Minho, um território fortemente marcado pela emigração, e da qual a autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as migrações é consultora científica, o Museu das Migrações e das Comunidades, ao longo dos últimos anos, tem desempenhado um papel fundamental na “conservação e transmissão da memória que faz parte da própria história portuguesa”.

FAFE REVIVE TRADIÇÕES MILENARES

Feira inspirada nas tradições de Cepães

Realiza-se nos próximos dias 11 e 12 de Setembro uma feira artístico cultural inspirada na antiguidade e tradições da freguesia de Cepães.

No dia 11 de setembro está marcada das 18h até às 23h30 e no dia seguinte 11h às 19h. A animação está a cargo do CCRJC e do Enfim Teatro, com performances de jogo do pau, recreações históricas, e teatro de rua pelo Enfim Teatro.

A organização convida a “vestir-se a rigor, perfume-se de alegria e boa disposição e venha deliciar-se com as nossas tradições, os nossos petiscos da região, os nossos espectáculos e muita animação de rua.

A sua segurança e bem estar estão assegurados”, garantem num cartaz partilhado nas redes sociais.

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FAFENSE CARLOS COSTA DEIXOU-NOS! – CRÓNICA NECROLÓGICA DE ARTUR COIMBRA

Conhecido resistente antifascista, combatente pela Liberdade e dirigente do Partido Comunista Português, Carlos Campos Rodrigues da Costa nasceu em 28 de Março de 1928, em Fafe e faleceu hoje, aos 93 anos de idade.

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Nasceu e viveu parte da sua juventude em Fafe. O seu pai – Manuel José da Costa, professor do ensino primário e secundário, homem republicano, progressista, um educador com ideias muito avançadas para a sua época – contribuiu muito para a sua formação.

Foi nesse contexto que aderiu ao Partido Comunista Português, em 1943, com 15 anos de idade. Três anos depois, esteve entre os que fundaram o MUD-Juvenil, participando activamente na sua organização no distrito de Braga. Foi membro da sua Direcção Liceal no Porto e depois da sua Comissão Central.

Membro do Comité Local de Fafe, desde 1947, em 27 de Novembro de 1948, tinha 20 anos, foi preso pela primeira vez, em Lisboa, por actividade política em Fafe. A acusação que recaiu sobre si era o exercício de actividades "subversivas".

Foi preso por diversas outras vezes, por motivos políticos.

De 12 de Junho a 5 de Dezembro de 1953 foi torturado pela PIDE.

Ilegalmente, passou 4 anos preso até ao seu julgamento, registado apenas a 23 de Julho de 1957. Foi condenado, pelo Tribunal Plenário Criminal de Lisboa, em 10 anos de prisão maior e "medidas de segurança" de internamento, de 6 meses a 3 anos prorrogáveis, com a acusação de ser "membro ou dirigente" do "chamado" Partido Comunista Português. Neste julgamento foi brutalmente expulso da sala do Tribunal na primeira audiência por ter devolvido os insultos de um Juiz.

Carlos Costa esteve preso em todas as prisões políticas do Continente. Permaneceu por diferentes períodos em isolamento total. Sofreu vários castigos. No dia 3 de Janeiro de 1960, fugiu da prisão de Peniche, juntamente com outros dez camaradas, entre os quais Álvaro Cunhal e um guarda da GNR, num dos mais célebres episódios de fuga das prisões do fascismo e voltou à clandestinidade. Em 4 de Abril daquele ano, foi julgado, à revelia, pelo Plenário do Tribunal Criminal da Comarca de Lisboa, que lhe agravou a pena a que já fora condenado, em mais 30 dias de prisão.

Ainda em 1960, foi eleito para o Comité Central do Partido Comunista Português, onde se manteve durante décadas e em 1961 foi cooptado para o Secretariado do Comité Central. Foi responsável pela Direcção Distrital de Lisboa e pela Juventude e fez parte ainda da redacção do jornal Avante, orgão oficial do Partido Comunista.

Ao todo passou cerca de 15 anos da sua vida nas prisões portuguesas. Preso três vezes e torturado pela PIDE, nunca prestou declarações.

No dia 25 de Abril de 1974, estava em Matosinhos, onde vivia na altura. Foi depois cabeça de lista pelo PCP nas eleições legislativas, pelo círculo eleitoral do Porto, em 1976 e da APU de 1979 a 1985, tendo sido eleito em todos esses mandatos. Em 1987, foi eleito pela CDU para a Assembleia da República, também pelo Porto, cuja lista encabeçara.

Teve destacado papel na preparação de leis fundamentais para o Poder Local (Lei das Atribuições e Competências e Lei das Finanças Locais), bem como na definição das orientações do PCP para a actuação dos eleitos comunistas nas autarquias locais e para o estilo de trabalho colectivo e de maior ligação às populações.

Escreveu dezenas de artigos publicados em jornais e revistas. Interveio em todos os congressos do Partido Comunista Português.

Foi ainda Membro do Secretariado do Comité Central de 1975 a 1990 e da Comissão Política do Comité Central de 1974 a 1998.

Foi ainda durante anos membro da Comissão Central de Controlo.

Em 25 de Abril de 2005 foi agraciado pela Câmara Municipal de Fafe com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, “em reconhecimento e louvor pela sua participação activa na oposição ao Estado Novo e, decorrentemente, na instauração da Democracia e da Liberdade neste país, viabilizadas pelo 25 de Abril de 1974”.

Carlos Costa aceitou a distinção outorgada pela autarquia fafense, por entender ser justa e vir da sua terra natal. Porém, afirmou na sessão solene, ser a “primeira e última vez na vida que aceita uma distinção”.

Em 2014, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe e a Labirinto editaram a peça de teatro "Diz-lhes que não falarei nem que me matem", da sua sobrinha Marta Freitas, sobre a biografia prisional de Carlos Costa. A peça passou por Fafe e o livro foi apresentado em Almada (fotos).

Um amigo que se vai e que nos deixa irremediavelmente mais pobres!

Que descanse em paz.

Os mais profundos pêsames à sua família!

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FAFE: IGREJA ROMÂNICA DE ARÕES É MONUMENTO NACIONAL DESDE 1927

Classificado como MN - Monumento Nacional através do Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927

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Aspeto geral da fachada principal e torre sineira da Igreja Românica de Arões, restaurada e aberta ao culto em 1935. Situada num adro à Rua do Assento, em São Romão de Arões. Vendo-se algumas pessoas a entrar para a missa (?).

Fonte: Arquivo Municipal do Porto

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Foto: SIPA

A Igreja de São Romão de Arões localiza-se na freguesia de São Romão de Arões, concelho de Fafe.

Com uma estrutura simples e despojada, é um exemplar típico do românico português.

No tímpano lateral sul da Igreja existe uma inscrição em latim onde figuram dois nomes próprios e uma data. A data refere-se ao dia 22 do mês de Março da Era de César de 1275 - que corresponde ao ano de 1237 da Era Cristã - e refere provavelmente a data de sagração. Os nomes da inscrição são os do abade de Arões D. Gomes Martins e do arcebispo de Braga, D. Silvestre Godinho.

Ao longo dos anos, o monumento sofreu diversas alterações que o afastaram da sua forma primitiva. Existem, porém, elementos informativos que nos permitem depreender a sua estrutura no século XVIII. Era, portanto, um templo robusto, com luz escassa, sem torre sineira e sacristia. Teria uma nave apenas e a capela-mor, separada por um arco triunfal ornamentado.

No período Barroco, o enriquecimento do país e da região e as investidas da contrarreforma, tiveram também como consequência a construção, ampliação e beneficiação de igrejas paroquiais. A Igreja de S. Romão de Arões não fugiu à regra. No início do século, parte da sua estrutura teria sido alterada sobretudo no interior, com a edificação de um teto de caixotões sobre a nave e a execução dos altares laterais em talha. Em 26 de Maio de 1777, deu-se a obra de construção do novo cofre (uma espécie de sacristia), posta em prática pelo mestre pedreiro Miguel Pereira de Carvalho. Em Setembro de 1786, foi encomendada a obra de uma torre sineira ao mestre pedreiro João Nogueira. Um ano depois, celebrou-se o contrato de execução de uma abertura de uma fresta na fachada principal, de forma a permitir a entrada de luz, tendo sido reaberta ao culto em 1935.

Embora a Igreja de São Romão de Arões seja tipicamente românica, podemos encontrar nela laivos de características góticas e barrocas, fruto das alterações que sofreu ao longo da sua história. Assim sendo, é uma Igreja paroquial de planta longitudinal, com nave coberta abóbada de madeira, barroca, com caixotões pintados com arabescos e putti e capela-mor abobadada. Apresenta 2 fases de construção, de molduração mais pobre na 2ª fase. A capela-mor mostra já indícios góticos, podendo ter sido feita por cima de um corpo mais antigo. Tem capitéis ornamentados com motivos românicos semelhantes aos da Igreja de Rates e retábulos colaterais de estilo barroco nacional.

A planta é composta por uma nave única e capela-mor retangulares, como quase todas as demais igrejas românicas construídas nas zonas rurais do país.. Os volumes são escalonados e têm coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. A fachada principal é simples, com uma sineira lateral de duas campanas. O portal axial é envolvido por uma arcada lisa e um tímpano com o Agnus Dei esculpido, encimado por uma fresta. O tímpano do portal lateral sul apresenta uma inscrição onde se diz que a igreja foi consagrada pelo arcebispo de Braga, D. Silvestre e pelo abade D. Gomes, no ano de 1237. A cornija assenta em cachorrada com modilhões esculpidos de motivos zoomórficos. A cabeceira mostra, pelo exterior, profundas arcadas cegas, quase contrafortes.

O interior da nave é coberto por um teto de caixotões com pinturas. O arco triunfal tem arquivoltas quebradas assentes em capitéis ornados com motivos românicos como aves bebendo num vaso comum e animais devorantes. A capela-mor é coberta de abóbada de pedra quebrada, que um arco toral divide em dois tramos. Apresenta frisos decorados com enxaquetados, palmetas e temas lanceolados. Contém vestígios de pintura mural e altares laterais de talha. Nas obras de restauro dos anos 40, apareceram numerosos restos do primitivo portal principal como cabeças de animal. Ocoro, pouco desenvolvido e localizado no fundo da igreja, representa aqui mais a função de albergar os fiéis do que de uma cultura arquitetónica.

A luminosidade interior é ténue e a luz do dia entra unicamente por algumas frestas, todas à mesma altura, bastante estreitas, tipo vigias.

Em relação à sua estrutura, os contrafortes são utilizados onde se exerce maior peso: na capela-mor, que é abobadada. As abóbadas pesadas das igrejas românicas exerciam grandes pressões e, para garantir a solidez do edifício, eram necessárias colunas maciças e paredes muito espessas, em que apenas se podiam fazer coberturas estreitas, situadas obrigatoriamente acima dos pontos de apoio, que deviam ser reforçados também a partir do exterior, por poderosos contrafortes. Lateralmente, as arcadas cegas, pelo seu aspecto pesado e profundo, desempenham a função de contrafortes. No corpo da nave a segunda linha de contrafortes fica-se pelo arranque, precisamente no mesmo ponto onde há uma diferença no aparelho da pedra.

Fonte: Wikipédia

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Foto: Wikipédia

Arquitetura religiosa, românica, gótica e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal, com nave coberta abóbada de madeira, barroca, com caixotões pintados com arabescos e putti e capela-mor abobadada. Apresenta 2 fases de construção, de molduração mais pobre na 2ª fase. A capela-mor mostra já indícios góticos, podendo ter sido feita por cima de um corpo mais antigo. Capitéis ornamentados com motivos românicos semelhantes aos da Igreja de Rates. Retábulos colaterais de estilo barroco nacional. A data (1237) que consta da inscrição gravada no tímpano do portal lateral S. é uma data-chave para a cronologia de outras igrejas.

Planta composta por nave única e capela-mor rectangulares. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. Fachada principal muito simples com sineira lateral de duas campanas. Portal axial envolvido por arcada lisa e tímpano com Agnus Dei esculpido, encimado por fresta. No tímpano do portal lateral S. apresenta uma inscrição onde se diz que a igreja foi consagrada pelo arcebispo de Braga, D. Silvestre, sendo abade D. Gomes, no ano de 1237. Cornija assente em cachorrada com modilhões esculpidos de motivos zoomórficos. A cabeceira mostra, pelo exterior, profundas arcadas cegas, quase contrafortes. O INTERIOR da nave é coberto por um tecto de caixotões com pinturas. O arco triunfal tem arquivoltas quebradas assentes em capitéis ornados com motivos românicos como aves bebendo num vaso comum e animais devorantes. Capela-mor coberta de abóbada de pedra quebrada, que um arco toral divide em dois tramos. Apresenta frisos decorados com enxaquetados, palmetas e temas lanceolados. Vestigíos de pintura mural. Altares laterais de talha. Nas obras de restauro dos anos 40, apareceram numerosos restos do primitivo portal principal como cabeças de animal que ferram os toros e bichas.

Fonte: http://www.monumentos.gov.pt/

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Foto: SIPA

O templo de São Romão de Arões, uma "(...) obra singularmente importante para a compreensão da evolução e da dinâmica da nossa arquitectura românica rural de toda a área bracarense" (ALMEIDA, 2001, p. 112), foi edificada no segundo quartel do século XIII, tendo sido sagrada em 1237, conforme atesta a inscrição do portal lateral.

Parte da estrutura românica foi alterada no início do século XVIII, numa campanha de obras que visou sobretudo o programa decorativo interior, com a edificação de um novo tecto sobre a nave e a execução dos altares de talha.

A igreja desenvolve-se em planta longitudinal, com fachada principal rasgada ao centro por portal com arco de volta perfeita e tímpano com o relevo de um Agnus Dei . A cornija do edifício assenta sobre uma cachorrada com modilhões de motivos zoomórficos.

O espaço da nave é coberto por tecto de caixotões pintado com motivos de brutesco , possuindo um altar de talha barroca do lado do Evangelho. Junto ao arco triunfal foram dispostos dois retábulos colaterais de talha dourada de estilo nacional.

A capela-mor de planta rectangular, que apresenta nos panos murários vestígios de pintura mural, divide-se em dois tramos cobertos por abóbada de pedra apoiada em grossas colunas. Os capitéis "(...) exibindo animais afrontados ou fitas perlados saindo da boca de bichos, estão na sequência do estilo da segunda fase de Rates", ao passo que os frisos se relacionam com a "gramática decorativa da área de Braga" (Idem, ibidem).

Catarina Oliveira

IPPAR/2006

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Fotos: DGPC

FAFE: GOVERNO ORDENOU EM 1929 A DEVOLUÇÃO DOS BENS ECLESIÁSTICOS À PARÓQUIA DE VINHÓS

O Ministério da Justiça e dos Cultos - Direcção Geral da Justiça e dos Cultos - 2.ª Repartição (Cultos), através da Portaria nº. 6139, publicada em Diário do Govêrno n.º Diário do Govêrno n.º 107/1929, Série I de 1929-05-14, determinou a entrega de vários bens à corporação encarregada do culto católico na freguesia de Vinhós, concelho de Fafe.

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