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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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BRAGA EXPÕE MÁSCARAS AFRICANAS

De 31 de Janeiro a 28 de Fevereiro, Estufa do Parque da Ponte acolhe exposição de máscaras africanas

A Estufa do Parque da Ponte acolhe entre 31 de Janeiro e 28 de Fevereiro a exposição Pangea - Mascaras Africanas em contexto urbano, de Mudungase. A inauguração está agendada para o próximo dia 31 de Janeiro, às 19h00.

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Nesta exposição o artista moçambicano apresenta alguns dos trabalhos que trouxe do seu país e outros da residência artística que está a desenvolver em Braga com a Maria Augusta Produções. A exposição também serve de contexto para as oficinas dirigidas ao público mais jovem que vai estar a orientar na videoteca do Parque S. João da Ponte.

As oficinas de criatividade Sensacional têm o foco no ambiente, na ideia de reciclagem, na carte e na partilha cultural, as oficinas pretendem estimular a criatividade sensacional de cada um na presença de diferentes resíduos sólidos urbanos.

CELEBRAÇÕES RITUALÍSTICAS DO MÊS DE NOVEMBRO

Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na acção criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer. Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos.

 

Os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando por conseguinte que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera. De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pedra polida, sendo disso testemunho os inúmeros monumentos funerários como os dolméns ou antas, inscrições votivas e outros achados. O folclore trouxe até nós inúmeros vestígios desse modo de pensar e dos cultos praticados pelos nossos ancestrais, devendo por esse modo constituir uma importante fonte de estudo.

Pão por Deus ! - pedem as crianças na região saloia, percorrendo as casas em alegre peditório. A ladaínha varia contudo de uma região para outra. Por exemplo, para os lados de Braga é costume dizer-se do seguinte modo: "Bolinhos, bolinhós, / Para mim e para vós / E para quem está debaixo da cruz / Truz truz". Na região de Ourém, o rapazio vai pelos casais e suplica: "Ti Maria: dai-me um bolinho em louvor de todos os santinhos !". E, se a dona da casa é pessoa dada à brincadeira, ao assomar à soleira da porta responde prontamente: "Dou sim ! com uma tranca no focinho ..."

Por esta ocasião, as pessoas cumprem o ritual da visita aos cemitérios e cuidam das sepulturas dos seus entes queridos. Mas, também em casa é costume em muitas localidades, após a ceia, deixar até ao dia seguinte a mesa composta de iguarias para que os defuntos possam banquetear-se. Em Barqueiros, no concelho de Mesão Frio, na noite de Todos-os-Santos coloca-se uma mesa com castanhas para os familiares falecidos, as quais ninguém tocará porque ficam "babadas dos defuntos". Da mesma forma que o azeite que alumia os defuntos jamais alumiará os vivos. Entre alguns povos do leste europeu conserva-se ainda a tradição de organizar o festim no próprio cemitério a fim de que todos em conjunto - mortos e vivos - possam confraternizar !

A partir desta época do ano, as noites das aldeias são povoadas por criaturas extraordinárias que surgem nas encruzilhadas e amedrontam os notívagos. Uivam os lobos nas penedias enquanto as bruxas se reúnem debaixo das pontes. A prudência aconselha que ao gado se prendam pequenas saquinhas de amuletos que o resguardem do "mau olhado". O serão é passado à lareira ouvindo histórias que nos embalam num mundo de sonhos e fantasia que nos alimenta a imaginação. E, quando finalmente é chegada a hora de dormir, faz-se o sinal-da-cruz para que o demónio não nos apoquente e a manhã do dia seguinte volte a sorrir radiante a anunciar uma vida nova.

 

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Haloween ou "noite das bruxas"

A celebração nos Estados Unidos da América do Haloween ou "noite das bruxas" mais não constitui do que uma transposição que foi feita do culto dos mortos que os colonos levaram da Europa e que agora procuram nos procuram vender da mesma forma que nos impingem a coca-cola e a comida de plástico que dispensa os talheres que apenas servem a gente civilizada - é a globalização de acordo com o modo de vida americano e que rejeita as diferenças culturais entre os povos.

Mas, o que nos surpreende é que, possuindo o nosso povo riquíssimas e profundas tradições entre as quais as que se relacionam com o culto dos mortos, ainda exista quem com aparente formação académica insista em transmitir nas escolas aos seus alunos costumes que na realidade não lhes pertencem. Trata-se de uma pedagogia de natureza duvidosa que contraria inclusive o princípio da ligação da Escola com o meio que a envolve.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

 

AS BRUXAS SÃO AS SACERDOTISAS DO PAGANISMO

Quais sacerdotisas dos ritos próprios do culto pagão, as chamadas bruxas desde sempre povoam o nosso imaginário, associado ao mal e representando figuras demoníacas que ao longo dos séculos foram inculcadas nas nossas mentes pela religião Cristã que entre nós viria a impor-se ao paganismo. Tal como a figura de Pã, deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores veio ao longo da Idade Média a ficar associada à do Diabo transfigurado na dama pé-de-cabra.

 

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Proveniente do latim paganus que significa literalmente camponês ou rústico, o paganismo constitui uma forma de expressão religiosa em íntima comunhão com os fenómenos da natureza e profundamente ligado às necessidades espirituais do indivíduo inserido no mundo rural. Prova evidente dessa realidade constitui as tradições que respeitam aos ritos do inverno e ao culto dos mortos, desde os peditórios de “Pão Por Deus” até à “Serração da Velha”, passando pela celebração do solstício de Inverno e o Entrudos, celebrações quase todas convertidas em celebrações cristãs como o Natal, como se de festividades pagãs não se tratassem a sua origem. O mesmo sucede com outras festividades como o Solstício de Verão, com os seus ritos associados ao fogo e transformados em festividades são-joaninas.

Existem entre nós vestígios de antigos santuários pagãos como a do deus Endovélico na região do Alandroal, registando a própria toponímia a sua ancestral influência como sucede com a serra do Larouco, proveniente do deus Laraucus.

Porém, no ano 312 deu-se a alegada conversão do Imperador Constantino ao Cristianismo e, a partir do ano 392, passou o paganismo a ser proibido no Império Romano e consequentemente reprimido e perseguido, sendo essas medidas agravadas com a pena de morte a partir de 435 para quem praticasse ritos envolvendo o sacrifício de animais. Não obstante, o paganismo continuou a praticar-se, de forma mais ou menos discreta, sobretudo entre as gentes que viviam no campo. E a conversão à nova religião trazida pelos invasores romanos não foi tarefa fácil, deparando-se com maiores dificuldades entre os povos de regiões com maior apego às mais ancestrais tradições como se verificou no Minho e em Trás-os-Montes.

Os antigos templos e santuários pagãos foram destruídos para em seu lugar serem erguidas igrejas, o mesmo sucedendo com as encruzilhadas dos caminhos rurais e outros locais de culto nas aldeias que deram lugar a cruzeiros e a pequenos nichos contendo retábulos com as “alminhas” do Purgatório que passaram espiritualmente a aterrorizar as mentes dos humildes camponeses, até então habituados a uma relação mais sadia com a natureza que os rodeavam. Os sacerdotes pagãos conferiram uma nova roupagem às festas pagãs, procurando por esse meio conferir-lhes um novo sentido.

Mas, ainda assim, a religiosidade pagã sobrevive ao lado da nova fé, traduzida na manutenção de velhas tradições como as máscaras transmontanas e as festas dos caretos, o entrudo e as fogueiras de S. João. E, mesmo no Minho onde aparentemente existe forte religiosidade cristã, o que se verifica realmente é uma verdadeira manifestação de exuberância que caracteriza o minhoto, mais não constituindo a festa cristã do que um pretexto para exteriorizar a sua alegria como uma forma de profunda comunhão com a vida e o meio que o rodeia, iluminada por magníficas girândolas de fogo-de-vistas que revelam o seu apego embora inconsciente a antigas práticas religiosas.

Devemos a tais práticas religiosas pagãs os nossos mais profundos conhecimentos de medicina popular no uso das mais variadas espécies botânicas, o saber da meteorologia baseado na observação constante dos fenómenos naturais e da própria astronomia transmitido de geração em geração através de axiomas, a riqueza da nossa gastronomia e um infinito universo de conhecimentos que fazem parte do rico património do nosso folclore.

Com o decorrer do tempo, as perseguições acentuaram-se, tornando-se mais implacáveis durante a Idade Média e sobretudo no período da Inquisição. As sacerdotisas do paganismo eram perseguidas sob a acusação de bruxaria, sempre associada a práticas identificadas com ritos satânicos e talentos que lhes permitiam voar sentadas em rudimentares vassouras…

Nos tempos que correm, tais feitos mais não passam de fantasias literárias e até antigos rituais ligados ao culto dos mortos foram pela sociedade de consumo transformados em motivos de diversão, tal como no passado foram associados ao mal. Mas, o certo é que as bruxas jamais deixaram de existir e o paganismo parece estar de volta!

 

CELEBRAÇÃO DO HALLOWEEN OU “NOITE DAS BRUXAS” TEM RAÍZES ANCESTRAIS NA NOSSA CULTURA

A celebração, nos Estados Unidos da América, do Haloween ou "noite das bruxas", não constitui mais do que a tradição do culto dos mortos que os colonos europeus levaram para o continente americano, entretanto regressada à Europa com uma roupagem comercial mais ao gosto da sociedade de consumo. O culto dos mortos constitui entre nós uma das mais ricas tradições que nos remetem para ancestrais cultos pagãos.

 

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Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer. Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos.

Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando por conseguinte que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera. De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pedra polida, sendo disso testemunho os inúmeros monumentos funerários como os dolmens ou antas, inscrições votivas e outros achados. O folclore trouxe até nós inúmeros vestígios desse modo de pensar e dos cultos praticados pelos nossos ancestrais, devendo por esse modo constituir uma importante fonte de estudo.

Pão por Deus! - pedem as crianças na região saloia, percorrendo as casas em alegre peditório. A ladainha varia contudo de uma região para outra. Por exemplo, para os lados de Braga é costume dizer-se do seguinte modo: "Bolinhos, bolinhós, / Para mim e para vós / E para quem está debaixo da cruz / Truz truz". Na região de Ourém, o rapazio vai pelos casais e suplica: "Ti Maria: dai-me um bolinho em louvor de todos os santinhos!". E, se a dona da casa é pessoa dada à brincadeira, ao assomar à soleira da porta responde prontamente: "Dou sim... com uma tranca no focinho!"

Por esta ocasião, as pessoas cumprem o ritual da visita aos cemitérios e cuidam das sepulturas dos seus entes queridos. Mas, também em casa é costume em muitas localidades, após a ceia, deixar até ao dia seguinte a mesa composta de iguarias para que os defuntos possam banquetear-se. Em Barqueiros, no concelho de Mesão Frio, na noite de Todos-os-Santos coloca-se uma mesa com castanhas para os familiares falecidos, as quais ninguém tocará porque ficam "babadas dos defuntos". Da mesma forma que o azeite que alumia os defuntos jamais alumiará os vivos. Entre alguns povos do leste europeu conserva-se ainda a tradição de organizar o festim no próprio cemitério a fim de que todos em conjunto - mortos e vivos - possam confraternizar!

A partir desta época do ano, as noites das aldeias são povoadas por criaturas extraordinárias que surgem nas encruzilhadas e amedrontam os notívagos. Uivam os lobos nas penedias enquanto as bruxas se reúnem debaixo das pontes. A prudência aconselha que ao gado se prendam pequenas saquinhas de amuletos que o resguardem do "mau-olhado". O serão é passado à lareira ouvindo histórias que nos embalam num mundo de sonhos e fantasia que nos alimenta a imaginação. E, quando finalmente é chegada a hora de dormir, faz-se o sinal-da-cruz para que o demónio não nos apoquente e a manhã do dia seguinte volte a sorrir radiante a anunciar uma vida nova.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

 

 

GRUPO FOLCLÓRICO VERDE MINHO VISITA MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA

No âmbito da sua actividade de estudo e aprofundamento dos conhecimentos sobre etnografia, o Grupo Folclórico Verde Minho levou hoje a efeito uma visita guiada ao Museu Nacional de Etnologia, com especial interesse pelos núcleos “Franklim Vilas com o olhar de Ernesto de Sousa” e “A música e os dias; Instrumentos populares portugueses”.

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Transcrevemos a propósito a descrição feita no site oficial do Museu Nacional de Etnologia:

“A coleção dos instrumentos musicais populares resultou da recolha sistemática, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, sob proposta de Jorge Dias, conduzida no terreno por Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira entre os anos de 1960 e 1965, altura em que o museu estava a ser pensado e nasceria.

O levantamento foi iniciado com base num questionário enviado a professores primários, párocos e interlocutores já conhecidos pelos membros da equipa do Centro de Estudos de Etnologia, mas foi sobretudo no contacto directo que ele se concretizou.

Aliava-se à aquisição dos instrumentos localmente em uso, a preocupação de perceber as condições e situações da sua utilização, ajudando a pensar o país na sua diversidade.

Descobriram-se  músicos de relevo que se tornaram igualmente protagonistas dessa aventura. O sistema de classificação dos instrumentos, a sua inscrição nos tempos do calendário, a sua distribuição no país, são os principais eixos do livro de Ernesto Veiga de Oliveira, Instrumentos Musicais Populares Portugueses, publicado em 1966, e que logo se tornou na obra de referência não apenas para o conhecimento deste universo em Portugal, mas também nos estudos comparados em contexto europeu.

As reedições de 1982 e 2000, são a expressão do interesse e procura que despoletou, sendo a última um momento de grande alcance simbólico, pois com ela se celebrou a oferta ao Museu Nacional de Etnologia da coleção propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian que aqui se encontrava em depósito. Nesta última edição, Benjamim Pereira conta a história desses anos de caminhadas pelo país, dos encontros com tocadores e comissões de festas e todos aqueles que foram interlocutores desse significativo percurso na produção de um conhecimento etnológico e de revelação do que somos. O que de mais importante se possa dizer sobre os instrumentos musicais é nesse livro que se encontra.”

Por seu turno, em relação ao núcleo museológico “Franklim Vilas com o olhar de Ernesto de Sousa”, o Museu Nacional de Etnologia apresenta a seguinte descrição:

“Em Portugal, a partir do final dos anos 50 e durante toda a década seguinte, intelectuais de várias formações (arquitetos, artistas, etnólogos, cineastas, escritores) entregaram-se à curiosidade e militância de um olhar determinado a ir para o lado de lá da opacidade dos discursos oficiais, da folclorização redutora e cansada, e assim reter maneiras de fazer, dizer, estar ou ser que poderiam ajudar a perceber o país na sua história e no seu devir concreto e insatisfeito. Era um contexto de crise anunciada pela pressão demográfica, escassez e fome no meio rural, e contenção autoritária dos gestos e da palavra. Uns buscavam materiais, estruturas e técnicas que davam as formas aos lugares habitados; outros o próprio impulso criador da matéria trabalhada com as mãos em figurações e cores oscilando entre a representação realista e a invenção onírica; outros com o ouvido atento às formas musicais, aos instrumentos e às vozes até aí ocultados; outros ainda as modulações da palavra e capacidade performativa e dramática de formas de teatro e ritualidades populares menos conhecidas. Frequentemente não sabiam uns dos outros, no entanto, nessa coincidência de percursos no tempo e nessa soma de resultados ou de parcelas de informação que atingiam um público, em geral restrito, ia-se percebendo o alcance e os sentidos daquele descobrimento. Eles traziam outro conhecimento sobre o país, muitas vezes com os contornos sólidos de informação e documentação geográfica, etnográfica, linguística (entre os mais recorrentes), mas eles abriam igualmente um campo de cumplicidades que tinham tanto de atitude política combativa quanto de partilha de emoções e deslumbramentos. Ernesto de Sousa foi um destes buscadores que desvendou o olhar sobre a obra do escultor Franklim Vilas Boas, trazendo-a para a sua reflexão crítica.

As obras que Ernesto de Sousa foi adquirindo nos anos de relacionamento com o artista formaram a sua coleção particular que agora foi doada ao Museu Nacional de Etnologia por Isabel Alves, sua companheira, cúmplice e incansável dinamizadora do seu legado.

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Ernesto apresenta Franklim

“Franklim nasceu em 1919, em Esposende, onde morou, e morreu, num acidente, em Abril de 1968. Era casado e tinha vários filhos, vivendo todos em precárias condições financeiras. Pertencia a uma tradicional família de canteiros: dois irmãos, e atualmente, um dos sobrinhos, têm oficina própria. Quando o conhecemos, em Maio de 1964, Franklim, praticamente desconhecido para lá de seu meio, era muito pouco considerado pelos familiares, por se recusar “a trabalhar a pedra”. Era engraxador (e até isso tem importância, ao estudarmos o “acabado” das suas obras em madeira), e justificava a sua recusa de trabalhar a pedra com doenças e dores físicas. Verifiquei depois que tinha uma verdadeira antipatia, inclusive física, pela pedra; e que, pelo contrário, tratava ou referia-se à madeira com ternura e inteligência. As madeiras tinham “cadência” (ritmo, disposição) e significado. Por outro lado, o trabalho do canteiro obriga à instalação ou manutenção de uma oficina, e a um mínimo de organização – do que ele era inteiramente incapaz. Trabalhar a pedra constitui, enfim, um ofício, e trabalhar a madeira – do ponto de vista social – uma extravagância.” E.S.

“Em geral, à árvore e aos troncos correspondem tipos mais ou menos estáveis, onde é possível surpreender uma tradição, desde que desloquemos este conceito de toda a ideia genética consciente: é uma tradição sem modelos, uma tradição estrutural, se se pode dizer. Não que se tenham de pôr inteiramente de parte certas influências, mais ou menos directas. O importante é que há convergências tipológicas que o entalhador não podia ter apreendido por nenhuma via directa ou indirecta plausível – e cujo estudo terá de ser objecto de disciplinas não históricas. Noutros casos há um tipo comum a certas regiões históricas e geográficas: é o caso dos “Senhores”, que pertencem à tradição dos canteiros populares, a ceramistas, etc., e que remonta à antiguidade pré-românica.

Por agora limitemo-nos a sublinhar esta recorrência:

– árvore, troncos = temas, tipos, formas estáveis

– madeira do mar, raízes = temas instáveis, de mais evidente invenção.

Os tipos estáveis têm com frequência carácter antropomórfico. Geralmente relacionam-se com uma iconografia cristã, muito vaga, muitas vezes de ressonância oriental nos respectivos títulos: Egipto, Moisés… Ao rigor dos tipos corresponde uma imensa variação plástica, e muito mais íntima que simplesmente decorativa.

As árvores velhas, ou fragmentos de árvores, que perderam a dignidade erecta da árvore, caem, literalmente, num tratamento semelhante aos do segundo tipo. Na verdade, trata-se, aqui também, de um encontro da matéria com o correspondente e prévio imaginário.” E.S.

O olhar de Ernesto de Sousa

Ernesto de Sousa (1921-88) com uma formação universitária no campo das ciências, dedica-se desde muito jovem à fotografia, actividade que o acompanhará sempre, e de que decorrerá, mais tarde, não só o interesse pelo cinema, televisão e vídeo, mas ainda a arte de abordar a escultura, a partir da estética do fragmento. Fez rádio, jornalismo, cinema; dirigiu encenações teatrais, organizou exposições e cine-clubes; praticou a crítica e o ensaísmo de artes plásticas e cinema; foi professor em diferentes circunstâncias, fez estudos de etnologia e estética; é autor de vários livros; a partir de 1968 interessou-se particularmente pelo “mixed-media” e pela comunicação vídeo.

Nos anos quarenta desenvolve uma intensa actividade cineclubística. Funda o primeiro cineclube português, o Círculo de Cinema. De 1949 a 1953 vive em Paris onde estuda cinema, e entrevista Man Ray. De 1958 a 1962, realizou o filme Dom Roberto, uma viragem no cinema português, ponto de partida para o chamado “cinema novo”. Apresentado no Festival de Cannes 1963, foi galardoado com dois prémios.

No domínio da etnologia participou na organização de duas semanas-crítica sobre arte africana: em  1946, em colaboração com Diogo de Macedo; e em 1961, em colaboração com o Clube Universitário de Jazz. Dos seus estudos sobre arte popular refira-se Para o Estudo da Escultura Portuguesa (1964) e Arte Popular e Arte Ingénua (1970). E ainda no domínio estético, vários estudos sobre grafismo e oralidade. Um dos seus grandes mestres em ingenuidade e “ideias gerais” foi Almada Negreiros.

Ernesto de Sousa levou algumas das obras de Franklim que reuniu na sua coleção a rochedos, junto ao mar, entre a vegetação, na procura da sua respiração.”

Em pleno século XXI, não é mais possível efectuar recolhas no terreno. Qualquer trabalho sério passa pelo estudo do material recolhido em meados do século passado e que se encontra disperso nomeadamente em museus, arquivos, editoras discográficas, literatura e imprensa da época. Tudo o resto é pura fantasia, mero copianço sem fundamentação e trabalho sem credibilidade.

Fotos: Carlos Gomes / Teotónio Gonçalves

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CENTRO DE ESTUDOS REGIONAIS DO ALTO MINHO PROMOVE CONFERÊNCIA SOBRE PRÁTICAS RELIGIOSAS E RITUAIS DA GUINÉ-BISSAU

Antropóloga Clara Saraiva apresenta comunicação sobre práticas religiosas e rituais da Guiné Bissau

No próximo dia 22 de março, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, às 17.00 horas, tem lugar aquarta conferência do Ciclo de Estudos “Crenças religiosas e mudanças culturais”, iniciativa do Centro de Estudos Regionais. Clara Saraiva apresenta a comunicação “Panos, oferendas e deuses: práticas religiosas e rituais da Guiné Bissau”.

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Clara Saraiva é investigadora do Centro de Estudos Comparatistas (CEC), da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e colaboradora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA-FCSH). Foi também professora convidada na Brown University (EUA) e na UniversityofCalifornia-Berkeley (EUA). Especializada na área de Antropologia da Religião e do Ritual, tem pesquisa sobre as conceções da morte e os rituais funerários em diversos contextos culturais. Dirigiu o projeto“A invisibilidade da morte entre as populações migrantes em Portugal” (FCT). Desde 2004 trabalha sobre transnacionalismo religioso e a expansão das religiões afro-brasileiras em Portugal, com trabalho de campo em Portugal e no Brasil.Tem várias publicações em revistas nacionais e estrangeiras sobre a temática da morte, migrações, religiões e terapias transnacionais. É presidente da Associação Portuguesa de Antropologia (APA), Vice-Presidente do SIEF (InternationalSociety for EthnologyandFolklore) e membro da EthicsTask Force oftheWorldCouncilofAnthropologicalAssociations (WCAA).

O Ciclo de Estudos “Crenças religiosas e mudanças culturais”, integrado no plano de atividades do Centro de Estudos Regionais, é uma iniciativa aberta a todos os interessados.

A direção do Centro de Estudos Regionais

Clara Saraiva

PORQUE FUMAM AS CRIANÇAS NA FESTA DOS RAPAZES EM MIRANDELA?

Existem tradições que chegadas aos nossos dias e, sobretudo no contexto social e cultural em que vivemos, afiguram-se-nos profundamente estranhas e por vezes até repudiáveis. Trata-se de antigos usos e costumes que foram com o tempo adquirindo novas formas, mas que não deixaram, porém, de representar resquícios da antiga religiosidade pagã e de normas de comportamento social.

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Desde sempre, a burguesia foi avessa a certas formas de celebração populares tidas como mais rudes e que tinham origem nos meios rurais e eram trazidos para o espaço urbano como sucedia com os corsos carnavalescos e o típico xe-xé cujas tiradas constituíam uma autêntica crítica social que não raras as vezes punha a nu os podres e a hipocrisia de importantes figuras da sociedade. Assim, na cidade, os festejos do carnaval retiraram-se para as casas particulares – ou para o interior das agremiações recreativas, vulgo colectividades, nos ambientes mais populares habitualmente situados nas vilas e bairros operários.

Idêntico horror verifica-se em relação a formas de divertimento popular originário dos meios rurais como sucede com jogos e práticas que envolvem a participação de animais, nem sempre brutalizadas como sucede com as que implicam o sofrimento animal, absolutamente repudiável à luz dos novos valores civilizacionais.

Todas estas mudanças culturais mais não reflectem do que a alteração dos valores culturais e os padrões morais impostos a partir do Romantismo por uma nova classe social – a burguesia – que acabou por tomar o poder político e estabelecer uma nova ordem social.

Entre tais práticas que causam uma profunda estranheza encontra-se a curiosa tradição mantida em dia de Reis, na aldeia de Vale de Salgueiro, no concelho de Mirandela, por ocasião da Festa dos Rapazes em Honra de Santo Estêvão, que consiste na permissão por parte dos pais em deixarem as crianças fumar e andarem pelas ruas com maços de tabaco durante os dois dias da festa.

Este costume inscreve-se nos antigos ritos de iniciação que ainda actualmente se observam nas sociedades mais primitivas e que ao longo dos tempos foram adquirindo diferentes formas de representação consoante a evolução da sociedade, as mudanças religiosas e a alteração dos padrões mentais. Tal como o consumo de cigarros constitui um hábito relativamente recente e, portanto, uma influência moderna sobre costumes antiquíssimos, outras práticas também denunciam semelhantes origens como sucede com a “noite de núpcias” e o correspondente afastamento da comunidade, a “ida às sortes” e o seu ritual na taberna da aldeia ou ainda, na sua forma mais cristianizada, a “comunhão solene” a culminar alguns anos de preparação através da catequese cristã.

Por essa ocasião, nesta região de Trás-os-Montes, o povo tem por costume dançar a murinheira ao ritmo dos bombos e som das gaitas-de-foles, uma dança originária da cultura celta que também é executada na Galiza.

A figura do Rei – alusiva aos Reis Magos – organizando a festa e percorrendo as casas da aldeia a recolher os donativos, constitui já um traço da influência do Cristianismo a modificar uma ancestral prática pagã.

Mais do que julgar, compete ao etnólogo – tal como ao historiador – compreender a evolução das culturas e das mentalidades, colocando de lado preconceitos ideológicos que mais não correspondem a uma moral vigente numa determinada época de acordo com um modelo de sociedade.

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O Xé-xé era a figura mais típica do carnaval no século XIX e que entretanto desapareceu

Fotos: http://www.sabado.pt/ / Arquivo Municipal de Lisboa

Carlos Gomes

"INSTRUMENTOS MUSICAIS POPULARES PORTUGUESES" DE ERNESTO VEIGA DE OLIVEIRA É UMA OBRA DE REFERÊNCIA PARA QUEM SE INTERESSA PELA ETNOGRAFIA PORTUGUESA

O livro “Instrumentos Musicais Populares Portugueses” de Ernesto Veiga de Oliveira é uma obra de referência para quem queira conhecer as nossas tradições mais genuínas, o folclore e a etnografia, os instrumentos tradicionais e as ocasiões em que os mesmos eram empregues.

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Nascido no Porto em 1910, Ernesto Veiga de Oliveira foi um dos mais conceituados etnólogos portugueses, tendo sucedido ao etnólogo Jorge Dias no Centro de Estudos de Etnologia do qual foi, aliás, um dos seus fundadores, em 1947. Porém, a sua formação académica situava-se na área do Direito e em Ciências Históricas e Filosóficas, cursos nos quais se licenciou na Universidade de Coimbra.

A sua obra foi vasta e incidiu nos mais variados temas, desde a arquitectura ao mobiliário, a música, as tecnologias tradicionais, as festas e romarias e, tal como já referimos, aos instrumentos musicais do povo.

A sabedoria popular – vulgo folclore – não se resume ao canto e à dança. Antes abrange todos os aspectos da vida social a uma época pré-industrial onde podemos identificar aquilo que de mais genuíno identifica o nosso povo. E é por esse facto que, conforme é geralmente aceite, com o advento da indústria e da padronização dos costumes, o folclore não mais evolui, antes se cristaliza, sujeito à sua museolização nomeadamente através dos ranchos folclóricos.

Resta-nos o artesanato – encarado este no sentido mais lato ou seja, incluindo a gastronomia e outras actividades artísticas, portanto não industriais – como sendo a expressão mais completa a revelar o perfil mental de um povo e o seu nível de perfeição artística, o mesmo é dizer o seu grau de evolução civilizacional.

Fiquemos, pois, com a sugestão de leitura do livro “Instrumentos Musicais Populares Portugueses”, de Ernesto Veiga de Oliveira, a todos quantos se dedicam ao estudo e preservação do nosso folclore.

FOLKLOURES É A GRANDE FESTA DA CULTURA TRADICIONAL PORTUGUESA E DAS COMUNIDADES IMIGRANTES

O Folclore contribui para o conhecimento mútuo, paz e amizade entre os povos

A edição deste ano do FolkLoures’17 – Encontro de Culturas, vai ter o seu início no dia 24 de Junho com a realização de uma exposição e de uma palestra, prolongando-se durante toda a semana até ao dia 1 de Julho, altura em que tem lugar o espectáculo de culturas tradicionais.

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Trata-se de uma grandiosa iniciativa de cariz tradicional organizada pelo Grupo Folclórico Verde Minho em colaboração com a Câmara Municipal de Loures, a ter lugar por ocasião das festas do concelho de Loures. Este evento privilegia o folclore da região saloia e ainda de todo o país e das comunidades que constituem actualmente o mosaico social e cultural da região, contribuindo para a inclusão e a promoção da paz entre os povos através do encontro das suas culturas tradicionais.

Mais do que qualquer outra manifestação de índole cultural e desportiva, é o Folclore a forma de expressão cultural que melhor contribui para a paz entre os povos, no respeito das suas diferenças e identidade.

O programa do FolkLoures’17 é o seguinte:

FOLKLOURES'17 - Encontro de Culturas

PROGRAMA

Dia 24 de Junho

- 16 horas. Inauguração da Exposição "Carroças da Região Saloia". Museu Municipal de Loures.

A exposição está patente ao público, até ao dia 1 de Julho, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (Excepto à Segunda-feira)

Entrada gratuita

- 16h30 horas. Palestra sobre "Usos e Costumes tradicionais da Região Saloia", pela Dr.ª Ana Paula de Sousa Assunção, a ter lugar no Auditório do Museu do Museu Municipal de Loures, com passagem pela exposição das Carroças.

Dia 1 de Julho

- 16 horas. Feira de artesanato. Abertura de tasquinhas

- 20 horas. Espetáculo de folclore e recriações da cultura tradicional

- 24 horas. Sessão de encerramento com fogo-de-artifício

GRUPOS PARTICIPANTES

Associação Tira-me da Rua (ATR) – Brasil

Grupo Coral Os Ceifeiros de Cuba - Baixo Alentejo

Gupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho – Minho

Grupo Folclórico “O Cancioneiro de Ovar” – Beira Litoral

Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré – Estremadura

Associatia Miorita Portugalia – Moldávia

Rancho da União Cultural e Folclórica da Bobadela – Estremadura / Região Saloia

Grupo de Danças e Cantares da Madeira – Madeira

CELEBRAÇÃO DO HALLOWEEN OU “NOITE DAS BRUXAS” TEM RAÍZES ANCESTRAIS NA NOSSA CULTURA

A celebração, nos Estados Unidos da América, do Haloween ou "noite das bruxas", não constitui mais do que a tradição do culto dos mortos que os colonos europeus levaram para o continente americano, entretanto regressada à Europa com uma roupagem comercial mais ao gosto da sociedade de consumo. O culto dos mortos constitui entre nós uma das mais ricas tradições que nos remetem para ancestrais cultos pagãos.

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Desde sempre o Homem acreditou na possibilidade dos mortos intercederem na ação criadora dos deuses e no próprio ciclo da natureza, contribuindo inclusivamente para o renascimento dos vegetais e das culturas que os demónios e maus espíritos do inverno fizeram desaparecer. Esta crença está na origem de uma infinidade de práticas relacionadas com o culto dos mortos que regra geral se iniciam em Novembro e prolongam-se até à Serração-da-Velha, atravessando as cerimónias solsticiais ou "saturnais" e os festejos carnavalescos.

Naturalmente, os ritos variam consoante as celebrações em causa mas conservam entre si uma finalidade comum que é o de assegurar que o ciclo da vida e da morte não se interrompa, possibilitando por conseguinte que ao inverno suceda impreterivelmente a primavera. De acordo com as investigações feitas no domínio da arqueologia e da antropologia, acredita-se que as práticas do culto dos mortos tiveram o seu começo na fase de transição da pedra lascada para a pedra polida, sendo disso testemunho os inúmeros monumentos funerários como os dolmens ou antas, inscrições votivas e outros achados. O folclore trouxe até nós inúmeros vestígios desse modo de pensar e dos cultos praticados pelos nossos ancestrais, devendo por esse modo constituir uma importante fonte de estudo.

Pão por Deus! - pedem as crianças na região saloia, percorrendo as casas em alegre peditório. A ladainha varia contudo de uma região para outra. Por exemplo, para os lados de Braga é costume dizer-se do seguinte modo: "Bolinhos, bolinhós, / Para mim e para vós / E para quem está debaixo da cruz / Truz truz". Na região de Ourém, o rapazio vai pelos casais e suplica: "Ti Maria: dai-me um bolinho em louvor de todos os santinhos!". E, se a dona da casa é pessoa dada à brincadeira, ao assomar à soleira da porta responde prontamente: "Dou sim... com uma tranca no focinho!"

Por esta ocasião, as pessoas cumprem o ritual da visita aos cemitérios e cuidam das sepulturas dos seus entes queridos. Mas, também em casa é costume em muitas localidades, após a ceia, deixar até ao dia seguinte a mesa composta de iguarias para que os defuntos possam banquetear-se. Em Barqueiros, no concelho de Mesão Frio, na noite de Todos-os-Santos coloca-se uma mesa com castanhas para os familiares falecidos, as quais ninguém tocará porque ficam "babadas dos defuntos". Da mesma forma que o azeite que alumia os defuntos jamais alumiará os vivos. Entre alguns povos do leste europeu conserva-se ainda a tradição de organizar o festim no próprio cemitério a fim de que todos em conjunto - mortos e vivos - possam confraternizar!

A partir desta época do ano, as noites das aldeias são povoadas por criaturas extraordinárias que surgem nas encruzilhadas e amedrontam os notívagos. Uivam os lobos nas penedias enquanto as bruxas se reúnem debaixo das pontes. A prudência aconselha que ao gado se prendam pequenas saquinhas de amuletos que o resguardem do "mau-olhado". O serão é passado à lareira ouvindo histórias que nos embalam num mundo de sonhos e fantasia que nos alimenta a imaginação. E, quando finalmente é chegada a hora de dormir, faz-se o sinal-da-cruz para que o demónio não nos apoquente e a manhã do dia seguinte volte a sorrir radiante a anunciar uma vida nova.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

PONTE DE LIMA PREPARA CORTEJO ETNOGRÁFICO DAS FEIRAS NOVAS

Feiras Novas de Ponte de Lima. “Cortejo Etnográfico – 50 anos”. 13 de setembro / 16 horas

O Secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira Brito e o Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto, são os convidados de honra do Cortejo Etnográfico das Feiras Novas de Ponte de Lima, que se realiza no próximo sábado, 13 de setembro, a partir das 16 horas.

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Consideradas como sinónimo de folia e vividas por milhares de visitantes, as Feiras Novas contam ainda com a presença do conhecido ator/apresentador de televisão Fernando Mendes e do Locutor de Rádio António Sala.

Sob o lema “Cortejo Etnográfico – 50 anos”, o Cortejo inicia-se com o carro alegórico que assinala o cinquentenário desta mostra de cultura da Ribeira Lima. Os usos, costumes e tradições, as atividades agrícolas e ambientais e a indústria tradicional, são os motivos de cada apresentação, das vinte e quatro freguesias que participam na edição deste ano do Cortejo Etnográfico das Feiras Novas.

As maiores festas do concelho iniciam-se esta noite, quarta-feira, com a Arruada de Concertinas na Alameda de S. João até ao Largo de Camões, seguindo-se o espetáculo de videomapping Ponte de Lima - Luz, Som e Imagem", projeção tridimensional no largo de Camões, seguido da abertura oficial da iluminação e do tradicional Desfile de Concertinas.

O ribombar dos bombos, os grupos de Zés Pereiras, o som das concertinas, os concertos das Bandas de música filarmónica, o folclore, as tocatas, o fogo-de-artifício, os concursos pecuários, corrida de garranos e os cortejos, aliados à alegria e à espontaneidade do povo fazem a festa popular que atrai anualmente meio milhão de visitantes.

FOLCLORE DESFILA NO SÃO JOÃO DE BRAGA

Parada Folclórica já percorre as ruas de Braga

Mais de duas dezenas de grupos folclóricos e três carros alegóricos envolvendo perto de um milhar de pessoas envergando os trajes tradicionais da região percorrem neste momento as ruas da cidade de Braga, no âmbito das festividades do São João. Trata-se de uma grandiosa parada Folclórica que atrai milhares de pessoas ao longo de todo o percurso para verem desfilar a nossa etnografia.

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Trajes domingueiros e de trabalho, de capotilha e de Valdeste, de Sequeira e da Ribeira, da encosta e de romeiro, emprestaram um colorido muito peculiar à vetusta Bracara Augusta, terra de grandes tradições que criou autênticos ex-líbris do folclore minhoto como a viola braguesa e o chapéu braguês, produzido nas desaparecidas fábricas de S. Vítor, elementos que vieram a disseminar-se por todo o Minho nomeadamente através do comércio nas feiras e romarias de antigamente.

Fotos: https://www.facebook.com/saojoaodebraga?fref=photo

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EM 1940, SARGACEIROS DA APÚLIA DESFILARAM EM LISBOA NA EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS

A imagem mostra um aspeto do desfile etnográfico realizado no âmbito do Cortejo Histórico do Mundo Português, em 1940, por ocasião das Comemorações do Duplo Centenário da Fundação e da Restauração de Portugal. Na imagem distingue-se um grupo folclórico minhoto não identificado e o Grupo Folclórico dos Sargaceiros da Apúlia, de Esposende.

A gravura foi publicada na “Revista dos Centenários”, nºs 19/20, referente a 31 de julho e 31 de agosto de 1940.

RETRATOS DO ALTO MINHO TRADICIONAL. FOTOGRAFIAS DE BENJAMIM PEREIRA

O objetivo [de exprimir uma face sintética da personalidade cultural do país] era para nós de um fascínio poderoso, porque teríamos, pela primeira vez, a possibilidade de realizar museologicamente um discurso com a devida coerência expressiva daquilo que eram as marcas mais interessantes da personalidade cultural do país” (1)

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Foto: Cláudia Jorge Freire/ http://etnografica.revues.org/

Benjamim Pereira nasceu no seio de uma das mais importantes casas agrícolas de Carreço, a casa da Boroa, e aí viveu num modo de vida rural tradicional até aos 25 anos. A sua ligação à etnografia começou depois de um encontro com Pedro Homem de Melo e Ernesto Veiga de Oliveira, no início dos anos 1950, de que resultou um convite deste último para se juntar no Porto à equipa que, com Fernando Galhano e Margot Dias, veio a integrar o Centro de Estudos de Etnologia criado em 1947 por Jorge Dias.

Esta equipa veio a marcar decisivamente a Etnografia e a Antropologia em Portugal com os seus trabalhos sobre as diferentes formas de viver e visões do mundo que coexistiam no Portugal rural, através de estudos sobre os vestígios da cultura material.

Assim começava aquilo a que Benjamim chamaria “a aventura prodigiosa” e que se confunde com a sua vida.

O trabalho realizado pelo Centro de Estudos de Etnologia continua, ainda hoje, a ser actual e a servir de referência pela qualidade, rigor e inovação dos métodos utilizados e também pela visão programática dos trabalhos desenvolvidos, que viria a culminar na criação do Museu Nacional de Etnologia, em 1965.

A equipa do Centro de Estudos de Etnologia

Contrariar a ideia de um país homogéneo com um povo alegre e satisfeito

O Centro de Estudos de Etnologia desenvolveu o seu trabalho na vigência do Estado Novo em que o discurso oficial, alicerçado num nacionalismo conservador composto de ideias feitas, homogeneizava o país e ignorava o facto de a variedade geográfica resultar em modos de vida e necessidades diversas, adaptadas a condições sociais e culturais específicas. Desta forma desenvolveu a ideia de que se deve procurar na ruralidade a imagem da genuinidade do país, e transforma o campo, com o seu povo alegre, ordeiro e satisfeito, no exemplo a seguir, como António Ferro expressou: “uma pobreza honrada e limpa, que não inveja a riqueza de ninguém (…) um povo que vive contente a rezar, a dançar e a cantar, dando ares de optimismo às cidades fatigadas e pessimistas” (2)

O Minho, por ser a região à qual se colavam as mais apelativas descrições, dava o mote aos discursos poéticos da ruralidade, que depois se estendiam a todo o país.

Em 1947, foi, como já referimos, criado o Centro de Estudos de Etnologia que Jorge Dias dirigiu, a que desde 1959 Benjamim Pereira se juntou.

O trabalho desenvolvido pelo Centro focou-se no conhecimento científico do Portugal real inserido numa perspectiva etnológica universalista, que extravasava o pretenso isolamento e originalidade do caso português, inviabilizando  

Percebemos desta forma que este trabalho contrariou a imagem política que o Estado Novo queria construir de um país homogéneo, com um povo satisfeito e alegre. Apesar disso, o seu trabalho teve sempre uma dimensão meramente científica, como afirmou Benjamim Pereira em 2000: “O nosso trabalho não tinha uma dimensão política. A política que nós seguíamos era a de mostrar a verdade, de restituir uma imagem real: Tratava-se de evitar que passasse uma imagem terrivelmente falsificada de um Portugal bucólico e alegre na pobreza persistente. Nesse sentido o nosso esforço foi uma atitude de combate. O que nós queríamos era a dignidade de dimensão cultural. Conhecer o país na sua imensa diversidade”. (3)

No entanto é claro que o trabalho do Centro foi uma corajosa contribuição para desmistificar uma imagem acrítica de um país unificado por uma mediocridade indiferenciadora que representava o país como queria que ele fosse e não como ele realmente era.

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As fotografias de Benjamim Pereira

Ao longo das pesquisas e da aproximação ao terreno foi-se tornando evidente que os modos de vida tradicionais estavam a desaparecer, como nos dá conta Ernesto Veiga de Oliveira: “Poderiam ajudar as novas gerações a construir a imagem de um mundo que viveu até então isolado e fechado num sistema ainda integrado da sua ruralidade, com as suas festas e jogos, crenças e símbolos, os seus valores e formas de pensar, de estar e de trabalhar próprias e peculiares e que, contrariamente ao que supuséramos de entrada, se encontra em vias de mutação essencial, para não falar mesmo, talvez, de extinção, mas que é indispensável conhecer para se compreender cabalmente o momento presente” (4). A ideia de que se vivia uma oportunidade única é reforçada por Benjamim Pereira: “O mundo desaparecia – era preciso fazer etnografia de urgência, sob pena de desaparecerem irreversivelmente todos esses testemunhos que explicavam o homem e o presente. Recolher, recolher, recolher. Palmilhar o país (…) conhecer, registar, fotografar, estudar, aprender, reflectir.” (5)

Os trabalhos de Centro desenvolveram-se neste tempo de transição, pelo que a recolha de informação teria de ser o mais exaustiva possível, porque se referia ao que desaparecia e não haveria nova oportunidade de a registar. Por esta razão o rigor e o uso de técnicas que melhor captassem as especificidades, os gestos e os ambientes eram essenciais. Dentro destas formas, o uso da imagem (desenho etnográfico e a fotografia e o filme), numa época em que este recurso não era habitual, teve um papel importantíssimo.

No campo do desenho etnográfico, Fernando Galhano foi um pioneiro cujo trabalho ainda hoje serve de referência; no campo da fotografia foi Benjamim Pereira quem se dedicou com mais interesse: “gostei sempre muito de fotografia., uma das minhas paixões. Eu tinha instalado um pequeno laboratório na casa de banho da Marquesa de Valflor - soberba, essa casa de banho, com azulejos e acessórios arte nova (6)- e tinha um enorme prazer nesse trabalho, porque foi aí que nasceu um sentimento novo: o mistério de uma relação sensível com uma nova linguagem (…)

Eu fazia sobretudo fotografias da vida rural e das práticas culturais, dos acontecimentos. (…) A ideia era usar muito as imagens. Jorge Dias tirava boas fotografias, mas eu tinha outras ambições, eu queria ver sequência como se se tratasse de um filme.

As fotografias não foram usadas apenas como suporte ou complemento ilustrativo mas como um instrumento metodológico de construção e registo etnográfico que nos faculta uma intimidade física mais profunda com as sociedades e as distintas temporalidades por estas percorridas” (7). O registo fotográfico era feito como parte integrante de uma recolha museológica dos objectos, onde as fotografias eram acompanhadas de fichas de inventário com informações sobre o local, data e evento e uma descrição que permite um enquadramento minucioso de cada imagem. Os objectos recolhidos ficavam assim valorizados com informação que mantém a sua ligação aos gestos, ambientes e rituais em que eram usados, mantendo a sua ligação a pessoas, edifícios e paisagens onde eram usados e que são impossíveis de transportar para o Museu

A atenção dada à fotografia por Benjamim Pereira é denunciada pela sua vontade de a transformar numa “nova linguagem”, que bem pode ser a linguagem expositiva das exposições que veio a fazer.

Benjamim Pereira conseguia juntar ao enorme valor documental, que vinha do profundo conhecimento das situações que estava a fotografar, uma enorme sensibilidade que entra no domínio da arte e permite que as imagens tenham uma leitura estética que nos estimula o olhar para outras leituras.

A Exposição

A exposição apresenta fotografias que Benjamim Pereira tirou numa área geográfica definida, o Alto Minho e abrangem um período que se inicia nos finais dos anos 1950 e termina nos anos 1980 e remetem-nos para uma ideia de etnografia de urgência, de registo de um tempo que desapareceu.

É a primeira vez que as fotografias são o objecto principal de uma exposição num museu e pensamos que ao percorrer estas imagens podemos ter uma visão real de vários aspectos da vida rural tradicional no Alto Minho, que se opõe à visão folclórica, encenada e romantizada que foi construída desde o século XIX, que o Estado Novo adoptou e que ainda hoje tem os seus seguidores.

Todas as fotografias aqui apresentadas foram tiradas no decurso dos trabalhos de campo e foram selecionadas pelo próprio autor, de entre as publicações em que colaborou.

João Alpuim Botelho

***Notas:

1 COSTA, Paulo Ferreira da e FREIRE, Cláudia Jorge, 2010, “Uma aventura prodigiosa - Entrevista a Benjamim Pereira”, Etnográfica, vol 14, nº 1, p. 171.

2 António Ferro citado em MARTINS, Moisés de Lemos, GONÇALVES, Albertino (2000), A romaria da Srª. da Agonia. Vida e Memória da cidade de Viana, Gr. Desp. e Cult. Estaleiros Navais Viana do Castelo.

3 WATTEAU, Fabienne,  2000, “Un entretien avec Benjamim Pereira”,  Recherches en Antropologie au Portugal, Paris, Groupe Antropologie du Portugal, nº6   p. 20, 21.

4 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1984, Festividades Cíclicas em Portugal, Lisboa, D. Quixote, p. 13, 14.

5 PEREIRA, Benjamim, 1990, “Dados biográficos e autográficos de Ernesto Veiga de Oliveira”, Trabalhos de Antropologia e Etnologia, vol 30, Homenagem a Ernesto Veiga de Oliveira, Porto, Sociedade de Antropologia e de Etnologia, p. 13.

6 O Centro de Estudos de Etnologia esteve instalado no Palácio Valflor antes da abertura do museu.

7 WATTEAU, op cit, p. 17.

DECORRE EM FAMALICÃO A EXPOSIÇÃO EVOCATIVA DA VIDA E OBRA DE ROCHA PEIXOTO ORGANIZADA PELA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA PÓVOA DE VARZIM

Exposição Documental

Título: Comemorações do 1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto

Descrição: A Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim inaugurou, no dia 9 de Abril, a exposição documental sobre Rocha Peixoto, no âmbito das Comemorações do
1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto
.

A exposição apresenta as principais facetas de Rocha Peixoto ao longo do seu percurso profissional: as suas origens e a relação com a Póvoa de Varzim, sua terra natal, o seu trabalho como naturalista da Academia Politécnica do Porto, como bibliotecário e conservador da Biblioteca Pública e Museu Municipal do Porto e como redator da revista Portugália, o projeto editorial que viria a confirmar Rocha Peixoto como investigador e etnógrafo de âmbito nacional, reconhecimento pelos meios culturais e científicos da época.

 

Organização: Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim

Data: 1 Fevereiro a 30 de Março de 2012

Local: Museu Bernardino Machado

Entrada Gratuita

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Site: www.bernardinomachado.org

Mail: museu@bernardinomachado.org

PÓVOA DE VARZIM EVOCA 1º CENTENÁRIO DA MORTE DE ROCHA PEIXOTO COM EXPOSIÇÃO A TER LUGAR NO MUSEU BERNARDINO MACHADO, EM FAMALICÃO

Exposição Documental

Título: Comemorações do 1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto

Descrição: A Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim inaugurou, no dia 9 de Abril, a exposição documental sobre Rocha Peixoto, no âmbito das Comemorações do 1.º Centenário da morte de Rocha Peixoto.

A exposição apresenta as principais facetas de Rocha Peixoto ao longo do seu percurso profissional: as suas origens e a relação com a Póvoa de Varzim, sua terra natal, o seu trabalho como naturalista da Academia Politécnica do Porto, como bibliotecário e conservador da Biblioteca Pública e Museu Municipal do Porto e como redator da revista Portugália, o projeto editorial que viria a confirmar Rocha Peixoto como investigador e etnógrafo de âmbito nacional, reconhecimento pelos meios culturais e científicos da época.

 

Organização: Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim

Data: 1 Fevereiro a 30 de Março de 2012

Local: Museu Bernardino Machado

Entrada Gratuita

Museu Bernardino Machado

Rua Adriano Pinto Basto, n.º 79

4760-114 Vila Nova de Famalicão

Telef. 252 377 733

Site: www.bernardinomachado.org

Mail: museu@bernardinomachado.org