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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ARCOS DE VALDEVEZ: ARRANCARAM AS OBRAS DO CENTRO ETNOGRÁFICO DE SOAJO

A Câmara Municipal procedeu à consignação da empreitada Centro Interpretativo do Soajo - Alteração e adaptação funcional de edifício, a qual tem por objetivo a Alteração e Adaptação Funcional de Edifício a Centro Etnográfico do Soajo.

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A localizar no Largo do Eiró, no edifício da primitiva Casa da Câmara, esta primeira intervenção do Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo foi consignada por 73.197,61 € (com IVA).

Após a realização das obras de construção, seguir-se-á a fase da montagem das exposições temáticas que irão promover o legado histórico e etnográfico deste antigo concelho, através de um discurso interpretativo que seja acessível a escolas, turistas e à própria comunidade local.

Esta segunda fase está estimada em cerca de 80 mil euros e compreende a História, o Território e a Etnografia, que serão comunicadas através de uma multiplicidade de meios, assentes no multimédia, vídeos, objetos e painéis interpretativos.

O Centro será também um ponto de partida, pelo que tentará introduzir o visitante ao espaço maior que vai visitar; com toda a riqueza material, imaterial e natural de Soajo, deseja-se criar conteúdos localizados que permitam a um visitante munido de um smart-phone descobrir in loco as histórias e o património existentes.

Esta primeira fase da empreitada prende-se com a recuperação da estrutura do edifício.

O piso inferior manter-se-á de apoio, com instalação sanitária de acesso público, e zona de arrumos e armazenagem. O piso superior será reorganizado e adaptado ao centro etnográfico, compartimentado com pequeno backoffice e sala de exposição, ampla e adequadamente infraestruturada para receber os conteúdos temáticos do projeto.

Esta empreitada conta com um prazo de execução de 120 Dias.

Com este investimento alarga-se a rede de equipamentos culturais do concelho. Através do mesmo pretende-se valorizar e promover o vasto e rico património cultural de Soajo, bem como reforçar a sua identidade local e atrair visitantes, dinamizar o comércio, a restauração, o artesanato e o turismo.

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SOAJO: TERRA DE PÃO QUE A CRUZ ABENÇOA E PROTEGE! – ATRAVÉS DA OBJECTIVA DE JOSÉ COSTA LIMA

Os espigueiros são construções de arte popular ligadas à cultura do milho

Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural, um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

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Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflete a grandeza da produção que normalmente é efetuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.

Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.

A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.

A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.

Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas retangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.

Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insetos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.

Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efetuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.

Para além dos elementos arquitetónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.

Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.

Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.

- GOMES. Carlos http://www.folclore-online.com/index.html

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MINHO: CANGAS DE BOIS SÃO PEÇAS DE VALOR ETNOGRÁFICO!

Desde tempos ancestrais, o Homem sempre recorreu ao auxílio dos animais para as mais diversas actividades. É o caso da falcoaria para fins de caça, da columbofilia para as comunicações e dos equídeos na captação de água dos poços e dos rios ou no transporte de cargas.

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Desenho de Manuel Couto Viana

Também para os trabalhos agrícolas, foi aproveitada a força física do gado bovino, sobretudo em trabalhos mais esforçados como nas lavradas e no transporte de cargas por leiras e caminhos rurais intransitáveis, ainda hoje pouco recomendáveis aos modernos tractores por razões de segurança.

A fim de juntar a parelha de bois e ligá-la ao varal utiliza-se um jugo ou uma canga que consiste numa peça de madeiraque vai no cangote dos animais e é presa ao pescoço.

No Minho, as cangas possuem uma beleza artística muito peculiar pois apresentam-se bastante ornamentadas com diferentes figuras geométricas e não raramente com alusões a elementos simbólicos da religiosidade popular.

Ainda, para protecção dos animais dos feitiços de maus-olhados praticados pelas bruxas – pessoas geralmente do sexo feminino que insistiam em preservar rituais pagãos – é costume por vezes atarem à canga um pequeno saquinho com amuletos.

As cangas do Minho dizem-nos muito do talento artístico e da religiosidade antiga das nossas gentes pelo que constituem peças de elevado valor etnográfico!

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Foto: autor não identificado