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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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QUEM FOI O ETNÓGRAFO VIANENSE AMADEU COSTA?

Amadeu Alberto Lima da Costa foi etnógrafo, investigador e dinamizador cultural. Foi uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

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Nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo. Nascido no bairro da Ribeira, mais propriamente na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo. No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje. Esta doação incluiu algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas. Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas "O Diário de Lisboa" e" A Capital". Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo. À data da sua morte, com 78 anos, mantinha grande atividade criativa e de pesquisa e tinha muitos projetos em mente.

Fonte: http://www.cm-viana-castelo.pt/

CÂMARA MUNICIPAL DE VIANA DO CASTELO ATRIBUI PRÉMIO AMADEU COSTA

Prémio Amadeu Costa premeia investigação nas áreas dos usos e costumes, artes, tradições vianenses e Romaria d’Agonia

O Prémio Amadeu Costa foi criado pela Câmara Municipal de Viana do Castelo para premiar a investigação nas áreas dos “Usos e costumes, artes e tradições vianenses” e dedicados à “Romaria da Senhora d’Agonia”.

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O prémio foi criado “com o objetivo de perpetuar o espírito, a obra e o amor de Amadeu Costa na preservação e valorização da cultura tradicional de Viana do Castelo”, promovendo ainda a leitura das obras do etnógrafo e aprofundando o conhecimento das tradições e romarias do concelho.

Para o Presidente da Câmara, esta iniciativa é marcada pela “emoção” e visa destacar “o enorme trabalho e pesquisa que Amadeu Costa fez a favor comunidade e da cultura vianenses”. “Este prémio, além de ser uma homenagem, visa estimular os mais jovens para que se possam apaixonar pela sua obra, pelos nossos usos e costumes e pela Romaria d’Agonia”, vaticinou.

Já João Lomba da Costa, filho de Amadeu Costa, agradeceu mais esta iniciativa “em prol da defesa da memória” do pai, num momento em que se está a assinalar o centenário do nascimento do etnógrafo.

De acordo com o regulamento, o Prémio Amadeu Costa será promovido anualmente e irá distinguir trabalhos realizados por alunos do ensino secundário e universitário de Viana do Castelo ou frequentar o ensino secundário e universitário no concelho vianense. Será, pois, atribuído um prémio de 3.000 euros à modalidade “Usos e costumes, artes e tradições vianenses” e outro de 3.000 euros à modalidade “Romaria da Senhora d’Agonia”.

As obras apresentadas a concurso têm de ser originais e escritas em língua portuguesa e o júri será constituído por cinco elementos. Os originais devem ser entregues até 30 de maio de cada ano civil e a deliberação será até 30 de julho do mesmo ano. Os resultados serão divulgados a 23 de outubro, dia em que se assinala o nascimento de Amadeu Costa.

Amadeu Alberto Lima da Costa foi etnógrafo, investigador e dinamizador cultural. É uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo. Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo. No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989.

VILA PRAIA DE ÂNCORA: PORQUE NÃO SE RECRIA A TRADICIONAL VENDA DO PEIXE NA LOTA?

O surgimento do painel electrónico e da internet – a Lota Digital – pôs termo à tradicional venda do peixe na lota com o recurso ao pregoeiro. Porém, sem pretender contrariar o progresso, a recriação deste quadro etnográfico podia contribuir para a preservação da memória e a atracção turística, à semelhança do que em muitas localidades piscatórias sucede com a arte xávega.

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Manhã cêdo, as pequenas e frágeis traineiras regressavam ao portinho invariavelmente acompanhadas por bandos de gaivotas, denunciando boa pescaria. Já na velha lota, o pescado era exposto em pequenos lotes e, vendido a leilão que tinha a particularidade de ser feito em ordem decrescente do valor fixado.

O público – maioritariamente vareiras e alguns curiosos – juntavam-se no pequeno anfiteatro. O vendedor avaliava quanto podia o lote valer acima do seu valor real. A esse tempo ainda era em escudos. O pregoeiro anunciava o início do leilão e, com extraordinária rapidez, iniciava a contagem decrescente a partir do valor calculado até que o mandassem parar… a velocidade a que o fazia exigia uma especial atenção por parte dos interessados até porque nem sempre era audível com clareza!

Logo o vendedor anunciava o preço e o nome de quem arrematara enquanto o guarda fiscal de serviço na lota anotava para efeitos tributários.

A venda na lota efectuada nos moldes tradicionais revestia-se de um tipicismo que despertava a curiosidade de muitos visitantes. A antiga lota no portinho já não existe e tais práticas deixaram de fazer parte do quotidiano das nossas gentes. Mas a tradição pode ser preservada através da recriação desse quadro pitoresco, com interesse cultural e turístico numa das mais graciosas vilas piscatórias do Minho.

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VIANA DO CASTELO: MUSEU DO TRAJE RECEBE EXPOSIÇÃO SOBRE "MEMÓRIAS DE UM POVO"

O Museu do Traje acolhe, até 31 de dezembro, a exposição “Memórias de um Povo: o traje popular Vianense, 1925-1960”, uma iniciativa da autarquia, em parceria com a VianaFestas, com testemunhos de quase uma centena de pessoas entre os 65 e os 103 anos.

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A exposição procura dar a conhecer o uso dos vários tipos de trajes populares deste concelho, entre 1925 e a década de 1950, um intervalo de tempo que permite ainda ser possível a recolha de testemunhos de vianenses que viveram na primeira pessoa esses tempos.

Através de memórias, lembranças e vivências, esta exposição explora como o vestuário do povo das freguesias de Viana do Castelo se adaptou à introdução dos tecidos indústrias nesse período. Assim, “desde a chita ao riscado, do cotim à fazenda, e do crepe à popelina, vejamos como estes tecidos se enlearam com os panos caseiros de lã e linho”, refere a mostra patente até ao final do ano no Museu do Traje.

O Museu do Traje de Viana do Castelo, instalado num edifício construído entre 1954 e 1958, com características arquitetónicas do “Estado Novo”, onde funcionou até 1996 a delegação nesta cidade do Banco de Portugal, foi criado em 1997, dedicando-se à etnografia vianense - e muito particularmente ao Traje.

O Museu iniciou, em 2002, o processo de adesão à Rede Portuguesa de Museus, tendo sido certificado em 2004, o que lhe confere grandes responsabilidades no estudo, conservação e divulgação dos bens culturais. Em 2007 o edifício sofreu grandes obras de adaptação às funções museológicas, com a conquista de espaços para exposições, reservas, serviços educativos, tertúlias e administração que melhoraram consideravelmente as condições para o cumprimento das funções museológicas.

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ARCOS DE VALDEVEZ: ESTÁ EM CURSO A OBRA DO CENTRO ETNOGRÁFICO DE SOAJO

Está em curso a empreitada do Centro Interpretativo do Soajo - Alteração e adaptação funcional de edifício, a qual tem por objetivo a Alteração e Adaptação Funcional de Edifício a Centro Etnográfico do Soajo.

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A localizar no Largo do Eiró, no edifício da primitiva Casa da Câmara, esta primeira intervenção do Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo foi consignada por 73.197,61 € (com IVA).

Esta primeira fase da empreitada prende-se com a recuperação da estrutura do edifício.

O piso inferior manter-se-á de apoio, com instalação sanitária de acesso público, e zona de arrumos e armazenagem. O piso superior será reorganizado e adaptado ao centro etnográfico, compartimentado com pequeno backoffice e sala de exposição, ampla e adequadamente infraestruturada para receber os conteúdos temáticos do projeto.

Após a realização das obras de construção, seguir-se-á a fase da montagem das exposições temáticas que irão promover o legado histórico e etnográfico deste antigo concelho, através de um discurso interpretativo que seja acessível a escolas, turistas e à própria comunidade local.

Esta segunda fase foi adjudicada por cerca de 80 mil euros e compreende a História, o Território e a Etnografia, que serão comunicadas através de uma multiplicidade de meios, assentes no multimédia, vídeos, objetos e painéis interpretativos. Conteúdos que já se encontram a ser produzidos para uso futuro.

A Operação “NORTE-06-3928-FEDER-000184- Qualificação das Experiências de Touring Cultural do Minho - Centro Etnográfico de Soajo / Arcos de Valdevez”, é cofinanciada pelo FEDER, Programa Operacional Norte2020, Portugal2020, Eixo Prioritário 6 – Emprego e Mobilidade dos Trabalhadores, e conta com um Investimento Elegível de 151.275,55€ e Comparticipação Comunitária de 128.584,22€.

Com este investimento alarga-se a rede de equipamentos culturais do concelho. Através do mesmo pretende-se valorizar e promover o vasto e rico património cultural de Soajo, bem como reforçar a sua identidade local e atrair visitantes, dinamizar o comércio, a restauração e o turismo.

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O MUSEU ETNOGRÁFICO PORTUGUÊS NA AUSTRÁLIA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade portuguesa na Austrália, cujas raízes remontam à segunda metade do séc. XX com a chegada de um grupo de emigrantes da Ilha da Madeira à cidade portuária de Freemantle, destaca-se atualmente pela sua perfeita integração no continente-ilha, situado no hemisfério sul, na Oceânia.

Conquanto, os dados oficiais apontem para que vivam hoje pouco mais de 55 mil portugueses na Austrália, a comunidade lusa encontra-se disseminada por metrópoles como Perth, Melbourne ou Sydney, onde é possível encontrar centros culturais e recreativos, restaurantes e bairros onde se pode falar exclusivamente a língua de Camões.

A herança cultural lusa no território australiano é voluntariamente dinamizada e preservada, desde 10 de junho de 1997, pelo Museu Etnográfico Português na Austrália. Um espaço museológico, inaugurado nesse ano em Camperdown, o bairro de maior concentração de portugueses na cidade de Sydney, através de um grupo de compatriotas decididos a promover a cultura e tradições nacionais, não só no seio da comunidade lusa na Austrália, mas como também das diversas comunidades que constituem esta nação que se destaca pelo seu multiculturalismo.

O Museu Etnográfico Português na Austrália, que é ao mesmo tempo um centro cultural que dinamiza exposições temporárias, teatro, música e conferências, fomentando assim a coesão e identidade portuguesa junto dos emigrantes e lusodescendentes, alberga inúmeras réplicas e símbolos da pátria de origem. Como por exemplo, réplicas de caravelas, trajes do Minho, Madeira e de varinas de Lisboa, guitarras, olaria alentejana, rendas de bilros ou tapetes de Arraiolos.

O espólio do Museu Etnográfico Português na Austrália, que convida a uma viagem pelas culturas e tradições nacionais, tem sido ao longo das últimas décadas enriquecido com objetos doados ou emprestados por membros da comunidade luso-australiana, assim como pelo envio por parte de várias câmaras municipais de artigos alusivos às culturas e tradições dos seus concelhos.

O papel relevante da instituição na preservação e transmissão da herança cultural portuguesa na Austrália concorreu para quem em março de 2018, no decurso de uma visita oficial à Oceânia, o então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, tenha atribuído a Placa de Mérito das Comunidades ao Museu Etnográfico Português na Austrália.

Enquanto espaço singular que concomitantemente dignifica a presença portuguesa na Austrália, valoriza a comunidade luso-australiana e divulga a língua e cultura pátria no continente-ilha, o Museu Etnográfico Português na Austrália constitui-se como um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas no mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro.

VILA NOVA DE CERVEIRA: COMO OUTRORA SE CURAVA A “GOTA DAS CRIANÇAS”?

Modo de tratar em Vila Nova de Cerveira: tira-se azeite da lâmpada da igreja, entre a hóstia e o cálix sem o padre ver e substitui-se por porção igual. Do azeite assim tirado deitam-se nove pingueirinhos num copo com um pouco de água e dá-se a mistura a beber. O A. Não pôde registar o ensalmo acompanhante que a benzedeira rezava.

Fonte: Etnografia Portuguesa. Dr. J. Leite de Vasconcellos. Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Lisboa. 1988

MUNICÍPIO DE VIANA DO CASTELO PUBLICA OBRA QUE REÚNE COLETÂNEA DE TEXTOS DO ETNÓGRAFO FRANCISCO SAMPAIO

Publicação celebra vida de Francisco Sampaio enquanto “mestre” do turismo e das tradições vianenses

Foi lançada, ontem, pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, a obra que reúne uma Coletânea de Textos de Francisco Sampaio publicados na revista “A Falar de Viana”, para assinalar o 84º aniversário do professor e etnógrafo.

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A homenagem, que aconteceu no Teatro Municipal Sá de Miranda, integrou depoimentos do Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da Presidente da Assembleia Municipal, do Presidente da Vianafestas, do Presidente da Comissão Executiva da Romaria d’Agonia e ainda do irmão de Francisco Sampaio. Antero Sampaio garantiu que “Viana sempre foi o amor” do irmão que, mesmo na atualidade, este “continua a amar Viana do Castelo”.

O edil vianense, José Maria Costa, considerou que o lançamento desta publicação foi uma forma de o Município “celebrar a vida do Dr. Sampaio”, um reconhecido “amigo de Viana e amiga da Galiza” que “abriu inúmeras portas na Galiza”, considerando que o etnógrafo foi um verdadeiro “mestre”.

Já a Presidente da Assembleia Municipal, Flora Silva, referiu-se a Francisco Sampaio como o “grande guionista das Festas da Agonia”, resumindo o seu percurso de vida enquanto poeta, guionista, professor e etnógrafo.

O Presidente da Vianafestas, Luís Nobre, indicou que o homenageado é uma “figura marcada” que deixou uma marca indelével na organização da Romaria d’Agonia ao longo de quatro décadas de trabalho.

Também o Presidente da Comissão de Festas da Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia, António Cruz, defendeu que Francisco Sampaio “deu um contributo de corpo e alma durante anos à festa”.

De acordo com o coordenador da publicação, Rui Viana, esta coletânea agrega dez textos sobre a Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia, dez textos sobre costumes e tradições e outros dez dedicados ao turismo.

Na sala principal do Teatro Municipal Sá de Miranda estiveram presentes familiares, entidades, representantes do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e do curso de Turismo que Francisco Sampaio fundou, bem como os vereadores da Câmara Municipal de Viana do Castelo, presidentes de Juntas e Uniões de Freguesia, elementos da Vianafestas e da Comissão de Festas da Romaria d’Agonia.

Francisco Sampaio exerceu, entre outras funções, a de Técnico Superior do Centro de Saúde Mental de Viana do Castelo, Professor do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), Presidente da Comissão Regional de Turismo do Alto-Minho, desde 1980 até se reformar.

É autor de dezenas de títulos, que versaram sobre temas de caráter histórico, arqueológico, turístico, etnográfico e gastronómico, tendo sido também colaborador de várias publicações do Alto Minho. Redigiu o estudo que serviu de base à Declaração de Interesse para o Turismo da Romaria d’Agonia, que foi aprovada em 2013.

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VIANA DO CASTELO HOMENAGEIA FRANCISCO SAMPAIO

Município presta homenagem a Francisco Sampaio com lançamento de coletânea de textos “A Falar de Viana”

A Câmara Municipal de Viana do Castelo presta hoje homenagem ao professor e etnógrafo Francisco Sampaio com o lançamento de uma Coletânea de Textos publicados na revista “A Falar de Viana”, no dia em que esta figura incontornável do turismo celebra o 84º aniversário.

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A cerimónia, que acontece no Teatro Municipal Sá de Miranda, visa assim destacar aquele que foi um dos maiores impulsionadores da criação do Museu do Traje e um dos maiores conhecedores das tradições em torno da Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia.

Para o edil vianense, José Maria Costa, sendo Francisco Sampaio um dos grandes conhecedores da rainha das romarias, esta publicação assume-se como um valioso documento sobre a nossa etnografia, história e tradições.

Recorde-se que, já em junho de 2019, o Município atribuiu o nome de Dr. Francisco Sampaio à galeria do piso 0 do Museu do Traje. A homenagem do Município aconteceu porque, de acordo com autarca, “o Museu do Traje tem muito da mão dele”.

Na altura, o Presidente da Câmara considerou mesmo que Francisco Sampaio, juntamente com Amadeu Costa e Francisco Cruz, ambos já falecidos, formava “um trio fabuloso na organização das festas”.

Francisco Sampaio exerceu, entre outras funções, a de Técnico Superior do Centro de Saúde Mental de Viana do Castelo, Professor do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), Presidente da Comissão Regional de Turismo do Alto-Minho, desde 1980 até se reformar.

É autor de dezenas de títulos, que versaram sobre temas de caráter histórico, arqueológico, turístico, etnográfico e gastronómico, tendo sido também colaborador de várias publicações do Alto Minho. Redigiu o estudo que serviu de base à Declaração de Interesse para o Turismo da Romaria d’Agonia, que foi aprovada em 2013.

VIANA DO CASTELO EVOCA O ETNÓGRAFO AMADEU COSTA

Livro "Com Amadeu Costa no centenário do seu nascimento" celebra vida do homem “que ajudou a construir a cidade”

A Câmara Municipal de Viana do Castelo lançou ontem o livro "Com Amadeu Costa no centenário do seu nascimento", da autoria de António Carlos Costa e Helena Adrião Brito, numa cerimónia que aconteceu no Teatro Municipal Sá de Miranda e que contou com apresentação de José Luís Carvalhido da Ponte.

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O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, recordou que as celebrações do centenário do nascimento de Amadeu Costa foram articuladas com a família do etnógrafo. “Procuramos fazer um programa de comemorações que assumisse a dignidade que todos entendemos que Amadeu Costa merecia”, frisou o edil, considerando que o investigador e dinamizador cultural “foi uma pessoa que ajudou a construir a cidade”.

“Não havia quase nada a que o senhor Amadeu não estivesse ligado, desde associações a atividades da cidade”, declarou, considerando que este livro permite também conhecer um período da história de Viana do Castelo e do associativismo local.

Amadeu Alberto Lima da Costa foi etnógrafo, investigador e dinamizador cultural. É uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo. Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo. No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje. Esta doação incluiu 750 peças e 53 de trajes completos, incluindo algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas. Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas "O Diário de Lisboa" e" A Capital". Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989.

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VIANA DO CASTELO EVOCA O ETNÓGRAFO AMADEU COSTA

A Câmara Municipal de Viana do Castelo evoca Amadeu Costa esta terça-feira, dia 30 de março, na data em que se assinalam os 22 anos do seu falecimento. Através das redes sociais, o Município apresenta a exposição temporária "Amadeu Costa – Centenário do Nascimento", patente no Museu do Traje, que poderá voltar a ser visitada já a partir da próxima semana.

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A exposição inclui a pintura “Retrato de Amadeu Costa”, da autoria de Salvador Vieira, que a família ofereceu ao Município de Viana do Castelo. A obra, com 150x120cm de dimensão, integra a coleção de pintura do Museu de Artes Decorativas, mas ficou, enquanto decorrer a exposição temporária, patente no Museu do Traje.

Também voltará a ser possível visitar, a partir de 5 de abril, o “Salão Amadeu Costa”, no Teatro Municipal Sá de Miranda, que conta com uma exposição sobre a atividade que o etnógrafo promoveu ligada ao teatro vianense.

AS MULHERES DO CASTELO DO NEIVA EM “AS MULHERES DO MEU PAÍS"

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Maria Lamas (1893/1983) foi uma personalidade evidente na área da literatura e de forte combatividade na luta pela emancipação da mulher, particularmente em Portugal, se bem que a sua ação não reconhecesse fronteiras. Para ela, a mulher, em todo o mundo, deveria libertar-se da condição inferior a que estava submetida pelas sociedades, contexto que, infelizmente, ainda hoje é patente em imensas zonas do planeta. Como escritora, quase sempre os seus livros tinham a mulher como referência principal. Nesta vertente, o seu livro mais conhecido e que mais destaque lhe deu foi “As mulheres do meu país”, editado em 1950 por uma editora e distribuidora que se criou para o efeito, a “Actuális, Lda”, uma vez que, dada a animosidade que o Estado Novo lhe manifestava, era-lhe praticamente vedado o acesso às editoras existentes em Portugal. Os 15 fascículos que compunham a obra foram vendidos, individualmente, ao preço de 15,00 escudos (na época, praticamente o salário diário de um operário qualificado), com pagamento adiantado, o custo total era de 200,00 escudos. Este trabalho, pela sua dimensão, que obrigaram a escritora a percorrer o país de extremo a extremo, consumiu cerca de dois anos. Em 2002 a Editorial Caminho, com uma tiragem de 3000 exemplares, reeditou o livro (tipo álbum), cópia fiel do primeiro, com um custo de que não me recordo bem, mas, julgo, próximo dos 20 mil escudos. Esgotadíssimo que está, é hoje vendido a preços proibitivos. Felizmente adquiri-o e é a partir dele que extraio algumas passagens sobre a apreciação que a autora faz à época das mulheres do Castelo do Neiva.

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Uma sargaceira do Castelo do Neiva com a roupa do mar

Com as gentes do Castelo

Maria Lamas era uma cidadã de forte sensibilidade, daí também a forma sentida como descrevia a vida das mulheres, que, segundo ela, não se poupavam a esforços, já que para além da gestão do lar, sempre com a preocupação de cuidar bem dos filhos e do marido, tinham outras atividades, particularmente no campo e no mar. A escritora refere o Castelo do Neiva como uma freguesia com muita proximidade a Viana, que fica junto da estrada, com todas as características de freguesia rural, configurada com campos rasos, correspondentes à veiga de Afife, que vão até aos fieiros e ao mar, distanciados a uns três quilómetros. “Fieiros são as dunas, onde se erguem os palheiros de sargaço, semelhantes a pequenas cabanas, cobertos de colmos, com retângulos de lousas, suspensos em volta, a pesar, dando ao longe a impressão de janelinhas claras”, diz a autora.

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Uma camponesa e sargaceira do Castelo do Neiva com a croça, caroça ou palhoça, que se usa em todo o Minho quando chove. Tem na cabeça o chapéu de oleado, de ir ao mar

 

Maria Lamas afirma que as mulheres castelenses, aloiradas, sardentas, com acentuado tipo nórdico, tal como em geral as robustas mulheres de entre Lima e Cávado, transpõem diariamente, mais de uma vez, aquela distância (povoado/mar) no tempo do sargaço e do mexoalho ou pilado – caranguejos pequenos de grande valor no adubamento das terras – fazendo-o sem grande esforço, tão habituadas estão a vencer quilómetros, nas suas lides quotidianas.

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Com seis anos de idade, esta pequenita do Castelo do Neiva parece uma mulherzinha e trabalha como tal. Ficou assustada quando a fotografaram, na ocasião em que ela condizia dois boizinhos à pastagem

 

Sobre a vida do mar, regista a escritora que homens em barcos minúsculos navegam para tentar a sorte da pesca, muitos deles não sendo verdadeiramente pescadores, já que trabalham simultaneamente na terra, ambicionando, os que são novos e vigorosos, arranjar trabalho como banquistas na frota bacalhoeira de Viana do Castelo. Mas nesta vida de mar as mulheres ajudam-nos tanto quanto podem na faina, esperando-os no areal para puxar os barcos para o areal, quase sempre sozinhas, sendo mais uma achega nas dificuldades do pão diário. Mas, relata Maria Lamas, é na terra que a compensação é maior, com o sargaço e o pilado com rendimento apreciável. “Por isso nenhuma foge à canseira de o recolher e lá estão depois, igualmente, ajudando às carrilas, no transporte do adubo para os fieiros ou para o carro dos bois.

Definindo as sargaceiras castelenses, Maria Lamas escreve que usam casaco e saia de tecido branco, de lã, grosso, a que chamam branqueta. “Vão descalças, como andam sempre. Na cabeça põem um chapéu de oleado. Mudam de roupa nas barracas da praia e são menos cuidadosas com o seu aspeto do que as moças de Viana do Castelo para cima”

O terreno, segundo a escritora, é mais áspero e exige-lhes maior dispêndio de forças, pela distância e grande ondulação dos fieiros, que encobre o mar em Castelo do Neiva. “Desaparecem aqui as cores vistosas que fazem realmente a mocidade das raparigas e a gente tem aspeto mais rude, embora a dureza da vida se iguale”.

Mas os homens também não escapam à observação atenta da escritora, dizendo que estes quando falam a estranhos sobre as mulheres, principalmente quando são homens com certas preocupações de civilizados, as referem como esposas, adivinhando-se que o fazem mais em atenção à pessoa a quem se dirigem do que à sua companheira.

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Duas vendedeiras de peixe do Castelo do Neiva. Elas e as companheiras andam léguas por dia, de verão e de Inverno, levando a sardinha e outro peixe miúdo aos lugarejos mais isolados. Raramente chegam a obter dez escudos de lucro diário. Como todas as mulheres do Minho Litoral que se dedicam a este negócio, não deixam de trabalhar na faina rural e têm os mesmos costumes que as camponesas

 

Numa apreciação mais pessoal Maria Lamas diz que as mulheres, sem se diferenciarem das outras mulheres do Minho Litoral, pela variedade das atividades a que são forçadas, revelam-se expedientes e demonstram vivacidade invulgares. “Simultaneamente camponesas e sargaceiras, familiarizadas com as incertezas e perigos da pesca, elas afirmam a sua personalidade como sabem e podem: discutindo, defendendo-se daqueles que desconfiam e, até, sendo ardilosas se tanto for preciso para governar a vida”

As vendeiras de peixe pelas aldeias também merecem a atenção da autora, que refere as caminhadas que abrangem léguas, sempre descalças, sem fadiga aparente, sempre de canastra à cabeça.  Refere as filhas pequenitas, que acompanham as mulheres nestas andanças, parecendo miniaturas das mães: vestindo como elas, caminhando como elas, copiam-lhes os movimentos, as expressões e a maneira de pensar. “Mas não são só as mulheres da beira-mar que se dedicam à venda do peixe; muitas vêm de Darque e outras povoações distantes do litoral, comprar na lota o peixe miúdo para o seu negócio e voltam depois carregadas, até onde têm freguesia”.

Maria Lamas descreve alargadamente e com sentido realista as vivências das gentes castelenses, muito particularmente das mulheres, mas esta realidade está bem presente ainda na memória de muita gente viva. Ainda malnascido, quando a escritora calcorreou os nossos caminhos, os nossos campos e a nossa praia para privar com muitos e ver in loco as realidades daquele tempo, muito do que ela diz não me é estranho.

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