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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MONÇÃO: “MITOS, LENDAS E FOLCLORE”

Com a participação da comunidade monçanense, associações culturais e artistas locais, espetáculo multidisciplinar é apresentado nos dias 3 e 4 de dezembro, no Cine Teatro João Verde.

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O Vale do Minho é um território rico em lendas. Existe um sem número de histórias com lobos, feiticeiras, mouras encantadas e tesouros enterrados, contadas nos lugares mais afastados e recônditos do concelho. Sempre envoltas em nevoeiro ou noites de lua cheia.

Este espetáculo multidisciplinar parte dessas histórias e das pessoas que as contam, fazendo da transmissão oral o melhor veículo de passagem de tradições e hábitos. E, assim, nesta linha ténue entre a verdade e o mito, se constrói a “cartografia” emotiva e sensorial do território.

Com a participação da comunidade monçanense, esta residência artística, transformada em espetáculo para o público sentir e recordar, pretende cruzar linguagens populares, como ranchos folclóricos e coros musicais, com bandas de garagem e artistas locais de diferentes áreas.

Criação

Patricia Andrade e Rita Morais

Aconselhamento artístico

Gonçalo Fonseca

Sonoplastia

Diogo Melo

Interpretação

Comunidade monçanense, associações culturais e artistas locais.

Datas

Dia 3, sábado, 21h30

Dia 4, domingo, 16h00

Cine Teatro João Verde

5,00 €

MINHO: MULHER MOVENDO RODA DE ÁGUA

Vulgarmente conhecida por “roda de tirar água”, este engenho hidráulico é pouco conhecido no Minho. Trata-se de um sistema destinado a tirar água dos poços ou pequenas ribeiras com recurso ao emprego da força humana com força motriz.

Tradicionalmente, à semelhança da nora, a roda possui alcatruzes de barro que com o movimento da roda enchem-se de água sendo normalmente despejada para um pequeno aqueduto de irrigação. Era frequentemente utilizada para regar a horta ou pequenos terrenos de cultivo. O movimento da roda era feito pelo homem ou mulher caminhando sobre a mesma.

Foto: Edouard Boubat

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LEIRIA VOLTA A ORGANIZAR JORNADAS INTERNACIONAIS DE ETNOGRAFIA EM NOVEMBRO

  • Crónica de Ígor Lopes

A Câmara Municipal de Leiria e o Agromuseu Municipal Dona Julinha vão realizar, no dia 12 de novembro, a segunda edição das “Jornadas Internacionais de Etnografia – Leiria” (JIEL), das 9h às 17h, nas instalações do Monte Real Hotel, em Monte Real, Leiria.

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Segundo Adélio Amaro, coordenador desta iniciativa, o evento tem como objetivo “continuar a aprofundar o estudo amplo da Etnografia, apresentando fontes de conhecimento de díspares áreas e valências, oriundas de diversos lugares do mundo, tendo como base a pesquisa e investigação dos historiadores, antropólogos e investigadores que aprofundam o seu trabalho, incluindo o estudo no terreno, com o intuito de valorizarem, através da pesquisa e registo, as tradições, tendências e capacidades dos povos”.

“O município de Leiria, nestas Jornadas, reúne um conjunto de estudiosos, aliados a temas de interesse transversal, e instituições académicas e culturais com referência mundial”, disse Adélio Amaro, que é também presidente do Centro de Património da Estremadura e consultor para a Cultura Popular na Câmara Municipal de Leiria.

As inscrições para as Jornadas devem ser feitas exclusivamente pelo e-mail: culturapopular@cm-leiria.pt

A participação é gratuita.

Programa vasto e de valorização da etnografia

Após a sessão de abertura, às 9h30, presidida por Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, terão início os trabalhos divididos em quatro painéis, com palestrantes oriundos da Alemanha, da Bolívia, do Brasil, de Cabo Verde, de Espanha, do México, de Portugal (incluindo Açores) e da Suíça, que aportarão os temas: “Etnografia na Cerâmica e na Olaria” (Painel I); “Saber-fazer da Tradição ao Contemporâneo” (Painel II); “Da Música Tradicional ao mundo criativo” (Painel III) e “A importância do Associativismo na Etnografia” (Painel IV).

O primeiro painel terá os seguintes oradores: José Luiz de Almeida Silva, coordenador executivo da Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas, que abordará o tema “A Cerâmica na origem da Humanidade: Água, Fogo, Terra e Ar”; Vane Calvimontes Díaz, com mestrado em “Gestão do Património Cultural” da Universidade de Salamanca, natural da Bolívia e a lecionar na Alemanha, apresentará o tema “De la descripción a la colaboración. La experiencia del Museo Nacional de Etnografia Y Folklore da Bolívia” e Ana Seiça, investigadora colaboradora do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com o tema “«Até o barro tem poesia»: notas sobre a Olaria da Bajouca”. O painel será moderado pelo jornalista e escritor Ígor Lopes (Brasil).

O segundo painel contará com a participação das seguintes intervenções: Gonçalo Cardoso, coordenador do serviço de inventário da Fundação Manuel Cargaleiro, com o tema “Elementos Etnográficos na Arte Contemporânea”; Elis Angelo (Brasil), Bacharel em Turismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, abordará o tema “Rendas de Bilro como património imaterial: A viagem do saber-fazer pelo Mundo”; Filomena Vicente (Cabo Verde), com o tema “Panu di Terra” e Ana Lúcia Coutinho (Brasil), Historiadora com Doutoramento em Antropologia Cultural – USAL, dará a conhecer o tema “Património e Memória: o saber-fazer das mulheres criveiras em Santa Catarina, Brasil”. A moderação do segundo painel será da responsabilidade de André Camponês, Techn&Art – Instituto Politécnico de Tomar.

Antes de recomeçarem os trabalhos da parte da tarde, após almoço livre, as tocatas do Rancho Folclórico Rosas da Alegria de Sismaria e do Rancho Folclórico Rosas do Liz da Carreira, em representação dos 20 grupos de folclore do concelho de Leiria, irão apresentar quatro modas.

O terceiro painel das Jornadas, primeiro da tarde, terá mais três oradores: Daniel Bernardes, Diretor Artístico Leiria Cidade Criativa da Música, com o tema “Leiria Cidade Criativa da Música – UNESCO: estratégias para o futuro”; Orlando Trindade, Violeiro – Luthier, com “A Viola Toeira pelo olhar do Violeiro” e Emiliano Toste (Açores), produtor e editor, que apresentará o seu projeto “As Coletâneas AÇOR”. O painel terá a moderação do jornalista Nuno Jesus.

O último painel terá a participação de três presidentes de federações: Francisco Madelino, presidente da Fundação INATEL, que apresentará o tema “Da Tradição para a Modernidade: multiculturalidade dos povos”; Daniel Café, presidente da Federação do Folclore Português, com a temática “Os Grupos de Folclore enquanto agentes culturais transmissores de valores e identidades” e João Alexandre, presidente da Federação Portuguesa dos Jogos Tradicionais, que dará a conhecer o tópico “Jogos Tradicionais: património imaterial e da humanidade”. O último painel destas segundas jornadas será moderado por Adélio Amaro, presidente do Centro do Património da Estremadura.

A sessão de encerramento contará com a intervenção de Anabela Graça, Vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria.

Parcerias e colaborações

As JIEL 2022 têm a parceria da Fundação INATEL e a colaboração de um conjunto de instituições de relevo e credibilidade, como a Associação Bajouquense para o Desenvolvimento; Associação Caboverdeana (Cabo Verde); Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura; Académi des Lettres et Arts Luso-Suisse (Suíça); Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas; Centro do Património da Estremadura; Eco Academia de Letras, Ciências e Artes de Terezópolis de Góiás (Brasil); Federação do Folclore Português (FFP); Federação Portuguesa dos Jogos Tradicionais; Grupo de Investigación en Mvseus y Patrimonio Iberoamericano (Espanha); In/Comparáveis Agência (Brasil); Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (Brasil); Leiria Cidade Criativa da Música – UNESCO; Mosteiro da Batalha / Direção Geral do Património Cultural; Sociedade Iberoamericana de Antropologia Aplicada, Salamanca (Espanha) e União das Freguesias de Monte Real e Carvide.

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VIANA DO CASTELO: O QUE É FEITO DOS USOS E COSTUMES DOS SALINEIROS VIANENSES?

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Desde tempos remotos, o sal é explorado nos estuários dos principais rios portugueses. Os romanos utilizavam-no na produção do garum que era armazenado nos tanques de salga existentes em Troia, na região de Setúbal e com ele pagavam aos seus soldados, o que explica a origem semântica do termo salário. Existem ainda outras formas de exploração como a extracção do sal-gema nas minas de Loulé ou nas marinhas de Rio Maior, constituindo este um caso notável de aproveitamento turístico desta actividade de que há registo escrito desde o século XII.

Viana do Castelo não era excepção. Em Darque existiam marinhas de sal, vulgo salinas, e consequentemente também se procedia à seca do bacalhau. Sucede que, numa localidade onde a extração do sal constituía uma das atividades que juntamente com a secagem do bacalhau deverá ter ocupado muita gente ao longo de muitas gerações, quem exercia estes ofícios deveria possuir o seu traje próprio adequado à função, os seus rituais e, naturalmente, a sua maneira de divertir-se. Por outras palavras, existiram certamente salineiros ou marnotos em Viana do Castelo. Resta conhecer a sua representação etnográfica, os seus usos e costumes de outrora. Onde estão os salineiros vianenses representados?

VIEIRA DO MINHO REALIZA CORTEJO ETNOGRÁFICO

Cortejo Etnográfico sai à rua no domingo

E, porque a Feira da Ladra, não é só diversão e entretenimento, mas também cultura e tradição de um povo, onde usos e costumes são a palavra de ordem, o cortejo etnográfico vai sair à rua, no domingo, dia 2 de outubro, para percorrer o centro da vila.

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O Cortejo que, este ano, conta com a participação de todas as freguesias do concelho e,  ainda, com a participação dos Ranchos Folclóricos do concelho, Bandas Filarmónicas, Grupos de Bombos e Bombeiros Voluntários, um verdadeiro postal ilustrado das tradições deste povo e que irá, com certeza encantar, quer vieirenses, quer visitantes.

Todas as freguesias e associações do Concelho contribuem para retratar e mostrar costumes, usos e tradições das suas terras e das suas gentes, consolidando uma identidade ancestral que urge salvaguardar.

Junta-se a história à etnografia para manter vivas as tradições locais. O Cortejo inicia às 14h00 junto à Central de Camionagem, segue pela Avenida Barjona de Freitas, até ao Parque Florestal.

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BRAGA: GRUPO FOLCLÓRICO DR. GONÇALO SAMPAIO APRESENTA OS NOIVOS DA ALDEIA

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Ele: Fato preto, lencinho ao peito, três botões de laranjeira na lapela, sobretudo no braço e guarda-chuva.

Ela: Trajo de festa, lenço branco, de bobinete ou seda, na cabeça; bastante ouro; ramo de flor de laranjeira, com grandes fitas brancas pendentes, no lado esquerdo do peito; xaile de merino dobrado no braço esquerdo e pequeno guarda-sol a jeito.

Vários convidados e trajo de festa jogam confeitos ou oferecem doces. Elas levam sacas de croché. É dia de festa na aldeia, de intenso movimento no lugar. Dia grande pela realização de sonhos, pela união de famílias, ou…de esperanças diluídas, de invejas mal contidas, de anseios que se desfazem. Vai realizar-se a boda anunciada pelos proclames do Altar.

Convidados às dezenas, de ambos os lados e de todos os lados, de perto e de longe, conhecidos e amigos, primos e compadres, de tudo para todos.

Há surpresas pelos arcos levantados, de momento, ao sair da igreja, nas encruzilhadas dos caminhos, ao portal da casa da noiva. Mas também pelos portáteis. Todos passam sob eles: os noivos, ternos e sorridentes, prevenidos contra o frio e o sol; os convidados, empertigados e solenes, a recordar ou a invejar tal felicidade. Jogam-se confeitos à mão-cheia ou distribuem-se alguns doces pelos conhecidos, retribuindo-se votos e felicidades.

Fonte: Danças Regionais do Minho. Edição do Grupo Folclórico Dr Gonçalo Sampaio

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