Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

VIANA DO CASTELO EVOCA O ETNÓGRAFO AMADEU COSTA

Livro "Com Amadeu Costa no centenário do seu nascimento" celebra vida do homem “que ajudou a construir a cidade”

A Câmara Municipal de Viana do Castelo lançou ontem o livro "Com Amadeu Costa no centenário do seu nascimento", da autoria de António Carlos Costa e Helena Adrião Brito, numa cerimónia que aconteceu no Teatro Municipal Sá de Miranda e que contou com apresentação de José Luís Carvalhido da Ponte.

abelo3719_2.jpg

O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, recordou que as celebrações do centenário do nascimento de Amadeu Costa foram articuladas com a família do etnógrafo. “Procuramos fazer um programa de comemorações que assumisse a dignidade que todos entendemos que Amadeu Costa merecia”, frisou o edil, considerando que o investigador e dinamizador cultural “foi uma pessoa que ajudou a construir a cidade”.

“Não havia quase nada a que o senhor Amadeu não estivesse ligado, desde associações a atividades da cidade”, declarou, considerando que este livro permite também conhecer um período da história de Viana do Castelo e do associativismo local.

Amadeu Alberto Lima da Costa foi etnógrafo, investigador e dinamizador cultural. É uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida. Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo. Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo. No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje. Esta doação incluiu 750 peças e 53 de trajes completos, incluindo algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas. Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas "O Diário de Lisboa" e" A Capital". Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989.

abelo3796_2.jpg

abelo3820_2.jpg

abelo3853_2.jpg

abelo3910_2.jpg

VIANA DO CASTELO EVOCA O ETNÓGRAFO AMADEU COSTA

A Câmara Municipal de Viana do Castelo evoca Amadeu Costa esta terça-feira, dia 30 de março, na data em que se assinalam os 22 anos do seu falecimento. Através das redes sociais, o Município apresenta a exposição temporária "Amadeu Costa – Centenário do Nascimento", patente no Museu do Traje, que poderá voltar a ser visitada já a partir da próxima semana.

safe_imageamadeucosta.jpg

A exposição inclui a pintura “Retrato de Amadeu Costa”, da autoria de Salvador Vieira, que a família ofereceu ao Município de Viana do Castelo. A obra, com 150x120cm de dimensão, integra a coleção de pintura do Museu de Artes Decorativas, mas ficou, enquanto decorrer a exposição temporária, patente no Museu do Traje.

Também voltará a ser possível visitar, a partir de 5 de abril, o “Salão Amadeu Costa”, no Teatro Municipal Sá de Miranda, que conta com uma exposição sobre a atividade que o etnógrafo promoveu ligada ao teatro vianense.

AS MULHERES DO CASTELO DO NEIVA EM “AS MULHERES DO MEU PAÍS"

  • Crónica de Gonçalo Fagundes Meira

Maria Lamas (1893/1983) foi uma personalidade evidente na área da literatura e de forte combatividade na luta pela emancipação da mulher, particularmente em Portugal, se bem que a sua ação não reconhecesse fronteiras. Para ela, a mulher, em todo o mundo, deveria libertar-se da condição inferior a que estava submetida pelas sociedades, contexto que, infelizmente, ainda hoje é patente em imensas zonas do planeta. Como escritora, quase sempre os seus livros tinham a mulher como referência principal. Nesta vertente, o seu livro mais conhecido e que mais destaque lhe deu foi “As mulheres do meu país”, editado em 1950 por uma editora e distribuidora que se criou para o efeito, a “Actuális, Lda”, uma vez que, dada a animosidade que o Estado Novo lhe manifestava, era-lhe praticamente vedado o acesso às editoras existentes em Portugal. Os 15 fascículos que compunham a obra foram vendidos, individualmente, ao preço de 15,00 escudos (na época, praticamente o salário diário de um operário qualificado), com pagamento adiantado, o custo total era de 200,00 escudos. Este trabalho, pela sua dimensão, que obrigaram a escritora a percorrer o país de extremo a extremo, consumiu cerca de dois anos. Em 2002 a Editorial Caminho, com uma tiragem de 3000 exemplares, reeditou o livro (tipo álbum), cópia fiel do primeiro, com um custo de que não me recordo bem, mas, julgo, próximo dos 20 mil escudos. Esgotadíssimo que está, é hoje vendido a preços proibitivos. Felizmente adquiri-o e é a partir dele que extraio algumas passagens sobre a apreciação que a autora faz à época das mulheres do Castelo do Neiva.

marialamasgfm (1).jpg

Uma sargaceira do Castelo do Neiva com a roupa do mar

Com as gentes do Castelo

Maria Lamas era uma cidadã de forte sensibilidade, daí também a forma sentida como descrevia a vida das mulheres, que, segundo ela, não se poupavam a esforços, já que para além da gestão do lar, sempre com a preocupação de cuidar bem dos filhos e do marido, tinham outras atividades, particularmente no campo e no mar. A escritora refere o Castelo do Neiva como uma freguesia com muita proximidade a Viana, que fica junto da estrada, com todas as características de freguesia rural, configurada com campos rasos, correspondentes à veiga de Afife, que vão até aos fieiros e ao mar, distanciados a uns três quilómetros. “Fieiros são as dunas, onde se erguem os palheiros de sargaço, semelhantes a pequenas cabanas, cobertos de colmos, com retângulos de lousas, suspensos em volta, a pesar, dando ao longe a impressão de janelinhas claras”, diz a autora.

marialamasgfm (5).jpg

Uma camponesa e sargaceira do Castelo do Neiva com a croça, caroça ou palhoça, que se usa em todo o Minho quando chove. Tem na cabeça o chapéu de oleado, de ir ao mar

 

Maria Lamas afirma que as mulheres castelenses, aloiradas, sardentas, com acentuado tipo nórdico, tal como em geral as robustas mulheres de entre Lima e Cávado, transpõem diariamente, mais de uma vez, aquela distância (povoado/mar) no tempo do sargaço e do mexoalho ou pilado – caranguejos pequenos de grande valor no adubamento das terras – fazendo-o sem grande esforço, tão habituadas estão a vencer quilómetros, nas suas lides quotidianas.

marialamasgfm (4).jpg

Com seis anos de idade, esta pequenita do Castelo do Neiva parece uma mulherzinha e trabalha como tal. Ficou assustada quando a fotografaram, na ocasião em que ela condizia dois boizinhos à pastagem

 

Sobre a vida do mar, regista a escritora que homens em barcos minúsculos navegam para tentar a sorte da pesca, muitos deles não sendo verdadeiramente pescadores, já que trabalham simultaneamente na terra, ambicionando, os que são novos e vigorosos, arranjar trabalho como banquistas na frota bacalhoeira de Viana do Castelo. Mas nesta vida de mar as mulheres ajudam-nos tanto quanto podem na faina, esperando-os no areal para puxar os barcos para o areal, quase sempre sozinhas, sendo mais uma achega nas dificuldades do pão diário. Mas, relata Maria Lamas, é na terra que a compensação é maior, com o sargaço e o pilado com rendimento apreciável. “Por isso nenhuma foge à canseira de o recolher e lá estão depois, igualmente, ajudando às carrilas, no transporte do adubo para os fieiros ou para o carro dos bois.

Definindo as sargaceiras castelenses, Maria Lamas escreve que usam casaco e saia de tecido branco, de lã, grosso, a que chamam branqueta. “Vão descalças, como andam sempre. Na cabeça põem um chapéu de oleado. Mudam de roupa nas barracas da praia e são menos cuidadosas com o seu aspeto do que as moças de Viana do Castelo para cima”

O terreno, segundo a escritora, é mais áspero e exige-lhes maior dispêndio de forças, pela distância e grande ondulação dos fieiros, que encobre o mar em Castelo do Neiva. “Desaparecem aqui as cores vistosas que fazem realmente a mocidade das raparigas e a gente tem aspeto mais rude, embora a dureza da vida se iguale”.

Mas os homens também não escapam à observação atenta da escritora, dizendo que estes quando falam a estranhos sobre as mulheres, principalmente quando são homens com certas preocupações de civilizados, as referem como esposas, adivinhando-se que o fazem mais em atenção à pessoa a quem se dirigem do que à sua companheira.

marialamasgfm (3).jpg

Duas vendedeiras de peixe do Castelo do Neiva. Elas e as companheiras andam léguas por dia, de verão e de Inverno, levando a sardinha e outro peixe miúdo aos lugarejos mais isolados. Raramente chegam a obter dez escudos de lucro diário. Como todas as mulheres do Minho Litoral que se dedicam a este negócio, não deixam de trabalhar na faina rural e têm os mesmos costumes que as camponesas

 

Numa apreciação mais pessoal Maria Lamas diz que as mulheres, sem se diferenciarem das outras mulheres do Minho Litoral, pela variedade das atividades a que são forçadas, revelam-se expedientes e demonstram vivacidade invulgares. “Simultaneamente camponesas e sargaceiras, familiarizadas com as incertezas e perigos da pesca, elas afirmam a sua personalidade como sabem e podem: discutindo, defendendo-se daqueles que desconfiam e, até, sendo ardilosas se tanto for preciso para governar a vida”

As vendeiras de peixe pelas aldeias também merecem a atenção da autora, que refere as caminhadas que abrangem léguas, sempre descalças, sem fadiga aparente, sempre de canastra à cabeça.  Refere as filhas pequenitas, que acompanham as mulheres nestas andanças, parecendo miniaturas das mães: vestindo como elas, caminhando como elas, copiam-lhes os movimentos, as expressões e a maneira de pensar. “Mas não são só as mulheres da beira-mar que se dedicam à venda do peixe; muitas vêm de Darque e outras povoações distantes do litoral, comprar na lota o peixe miúdo para o seu negócio e voltam depois carregadas, até onde têm freguesia”.

Maria Lamas descreve alargadamente e com sentido realista as vivências das gentes castelenses, muito particularmente das mulheres, mas esta realidade está bem presente ainda na memória de muita gente viva. Ainda malnascido, quando a escritora calcorreou os nossos caminhos, os nossos campos e a nossa praia para privar com muitos e ver in loco as realidades daquele tempo, muito do que ela diz não me é estranho.

marialamasgfm (2).jpg

ARCOS DE VALDEVEZ: ARRANCARAM AS OBRAS DO CENTRO ETNOGRÁFICO DE SOAJO

A Câmara Municipal procedeu à consignação da empreitada Centro Interpretativo do Soajo - Alteração e adaptação funcional de edifício, a qual tem por objetivo a Alteração e Adaptação Funcional de Edifício a Centro Etnográfico do Soajo.

consignação centro etnográfico de soajo.JPG

A localizar no Largo do Eiró, no edifício da primitiva Casa da Câmara, esta primeira intervenção do Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo foi consignada por 73.197,61 € (com IVA).

Após a realização das obras de construção, seguir-se-á a fase da montagem das exposições temáticas que irão promover o legado histórico e etnográfico deste antigo concelho, através de um discurso interpretativo que seja acessível a escolas, turistas e à própria comunidade local.

Esta segunda fase está estimada em cerca de 80 mil euros e compreende a História, o Território e a Etnografia, que serão comunicadas através de uma multiplicidade de meios, assentes no multimédia, vídeos, objetos e painéis interpretativos.

O Centro será também um ponto de partida, pelo que tentará introduzir o visitante ao espaço maior que vai visitar; com toda a riqueza material, imaterial e natural de Soajo, deseja-se criar conteúdos localizados que permitam a um visitante munido de um smart-phone descobrir in loco as histórias e o património existentes.

Esta primeira fase da empreitada prende-se com a recuperação da estrutura do edifício.

O piso inferior manter-se-á de apoio, com instalação sanitária de acesso público, e zona de arrumos e armazenagem. O piso superior será reorganizado e adaptado ao centro etnográfico, compartimentado com pequeno backoffice e sala de exposição, ampla e adequadamente infraestruturada para receber os conteúdos temáticos do projeto.

Esta empreitada conta com um prazo de execução de 120 Dias.

Com este investimento alarga-se a rede de equipamentos culturais do concelho. Através do mesmo pretende-se valorizar e promover o vasto e rico património cultural de Soajo, bem como reforçar a sua identidade local e atrair visitantes, dinamizar o comércio, a restauração, o artesanato e o turismo.

consignação centro etnográfico de soajo2.JPG

SOAJO: TERRA DE PÃO QUE A CRUZ ABENÇOA E PROTEGE! – ATRAVÉS DA OBJECTIVA DE JOSÉ COSTA LIMA

Os espigueiros são construções de arte popular ligadas à cultura do milho

Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural, um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

149170402_4124148167615518_9130797267947268129_o.j

Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflete a grandeza da produção que normalmente é efetuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.

Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.

A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.

A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.

Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas retangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.

Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insetos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.

Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efetuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.

Para além dos elementos arquitetónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.

Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.

Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.

- GOMES. Carlos http://www.folclore-online.com/index.html

149293401_4124147590948909_2791649689478053121_o.j

149660550_4124147900948878_4934088426484558084_o.j

149694435_4124148040948864_5380548998970649861_o.j

149173428_4124148284282173_3848911308705036255_o.j

149507833_4124148060948862_8922335309890948554_o.j

149025628_4124147744282227_4203428119490096857_o.j

149494666_4124148520948816_1250708587971731294_o.j

149228620_4124148477615487_3560323857281876916_o.j

149670325_4124148637615471_5743838328828382366_o.j

149139202_4124148807615454_408919943655269852_o.jp

149670325_4124149097615425_7736424465606719527_o.j

149120266_4124148950948773_2906291146644268976_o.j

149429672_4124149297615405_7552063488481051332_o.j

MINHO: CANGAS DE BOIS SÃO PEÇAS DE VALOR ETNOGRÁFICO!

Desde tempos ancestrais, o Homem sempre recorreu ao auxílio dos animais para as mais diversas actividades. É o caso da falcoaria para fins de caça, da columbofilia para as comunicações e dos equídeos na captação de água dos poços e dos rios ou no transporte de cargas.

24058896_1548001171904430_5480087899665143496_n.jp

Desenho de Manuel Couto Viana

Também para os trabalhos agrícolas, foi aproveitada a força física do gado bovino, sobretudo em trabalhos mais esforçados como nas lavradas e no transporte de cargas por leiras e caminhos rurais intransitáveis, ainda hoje pouco recomendáveis aos modernos tractores por razões de segurança.

A fim de juntar a parelha de bois e ligá-la ao varal utiliza-se um jugo ou uma canga que consiste numa peça de madeiraque vai no cangote dos animais e é presa ao pescoço.

No Minho, as cangas possuem uma beleza artística muito peculiar pois apresentam-se bastante ornamentadas com diferentes figuras geométricas e não raramente com alusões a elementos simbólicos da religiosidade popular.

Ainda, para protecção dos animais dos feitiços de maus-olhados praticados pelas bruxas – pessoas geralmente do sexo feminino que insistiam em preservar rituais pagãos – é costume por vezes atarem à canga um pequeno saquinho com amuletos.

As cangas do Minho dizem-nos muito do talento artístico e da religiosidade antiga das nossas gentes pelo que constituem peças de elevado valor etnográfico!

24296517_1727794840578047_5828395594637780894_n.jp

Foto: autor não identificado