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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A CULTURA MARÍTIMA AÇORIANA NO MUSEU DA BALEAÇÃO EM NEW BEDFORD

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  • Crónica de Daniel Bastos

No seio da fértil cultura marítima açoriana, a baleação, também conhecida como pesca ou caça às baleias, ocupa um papel basilar na memória coletiva de muitas localidades açorianas, em particular, na ilha do Pico, o grande centro do antigo complexo baleeiro insular.

As raízes históricas da baleação açoriana remontam ao ocaso do séc. XVIII quando navios baleeiros da Nova Inglaterra, região no nordeste dos então recém-independentes Estados Unidos da América (EUA), que abrange os estados de Maine, Vermont, Nova Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island, recrutavam no arquipélago tripulação para as suas longas campanhas.

A experiência adquirida a bordo dos navios americanos foi decisiva para o estabelecimento da atividade baleeira nos Açores, uma atividade indissociável da cultura e da história arquipelágica, ou no conceito de Vitorino Nemésio da açorianidade.

Uma atividade que tendo perdurado até ao termo da década de 1980, época em que Portugal entrou para a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a caça comercial seria entretanto proibida pela Comissão Baleeira Internacional, foi concomitantemente percursora da diáspora açoriana nos EUA, cuja presença no território se adensou a partir da segunda metade do séc. XIX, através da emigração de milhares de açorianos ligados aos negócios da pesca da baleia.

Um dos exemplos paradigmáticos do fenómeno migratório açoriano para a América impulsionado pela baleação encontra-se em New Bedford, uma cidade costeira situada no estado de Massachusetts. Com uma população de 100 mil habitantes, da qual cerca de 40% terá ascendência portuguesa, os pescadores açorianos constituíram a primeira vaga da imigração lusa em New Bedford a partir de 1870, época em que a cidade que detém um dos portos de pesca mais importantes dos EUA era um centro mundial da indústria baleeira.

Este relevante legado histórico esteve na base da edificação do Museu da Baleação de New Bedford, um espaço administrado pela Sociedade Histórica Old Dartmouth, fundada em 1903, e que tem como principal missão avançar no entendimento da influência da indústria baleeira e do porto de New Bedford na história, economia, ecologia, artes e culturas da região, da nação e do mundo.

Foi nesse sentido que, em 2010, foi inaugurado no Museu da Baleação de New Bedford, uma ala dedicada aos baleeiros dos Açores, designada de Galeria do Baleeiro Açoriano, e que se assume como o único espaço de exposição permanente nos EUA que presta homenagem aos portugueses, mormente açorianos, e o seu significativo contributo para a herança marítima norte-americana.  

O projeto da Galeria do Baleeiro Açoriano teve a sua génese em 1999, quando a saudosa professora universitária luso-descendente, Mary T. Vermette, apresentou uma proposta ao então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, para que Portugal ajudasse a abrir o núcleo museológico. Diligência que levou o Estado português a aprovar uma contribuição de cerca de 700 mil dólares, e o Governo dos Estados Unidos a contribuir com 1,2 milhões para a renovação da ala do museu dedicada à galeria.

Constituída por mais de uma centena de objetos, a Galeria do Baleeiro Açoriano além de conter peças de arte, artefactos, filmes e fotografias sobre os laços marítimos, culturais e sociais que unem os dois lados do Atlântico, homenageia ainda figuras históricas da comunidade açoriana de New Bedford, designadamente marinheiros, mestres, proprietários de embarcações e empresários marítimos.

Mais recentemente, através de fundos provenientes de uma bolsa atribuída pela fundação William M. Wood, criada por um magnata da indústria têxtil filho de um baleeiro açoriano, a Galeria do Baleeiro Açoriano foi enriquecida com dois relevantes elementos, nomeadamente um modelo em grande escala de um bote baleeiro açoriano e um posto de vigia recriado.

Como realça Ricardo Manuel Madruga da Costa, em A ilha do Faial na logística da frota baleeira americana no “Século Dabney”, a Galeria do Baleeiro Açoriano no Museu da Baleação em New Bedford, constitui “um admirável tributo que retrata, com criterioso uso de recursos ao nível das peças e da icnografia expostas, o que representou, de facto, a presença tão significativa do baleeiro das ilhas dos Açores”.

O 1º MARQUÊS DE PONTE DE LIMA E A NEUTRALIDADE PORTUGUESA NA GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

  • Carlos Gomes

Artigo publicado na edição de 2021 da revista “O Anunciador das Feiras Novas”

À época da guerra da independência dos Estados Unidos da América era D. Tomás Xavier de Lima Teles da Silva, 1º Marquês de Ponte de Lima (13º Visconde de Vila Nova de Cerveira) Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e Primeiro-ministro do governo.

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Diversas fontes afirmam ter exercido aqueles cargos entre 1 de Abril de 1786 e 15 de Dezembro de 1788. Porém, encontramos no Arquivo Nacional dos Estados Unidos da América uma carta datada de 16 de Julho de 1777, endereçada pelos Comissários Americanos ao Marquês de Ponte do Lima, contestando o encerramento dos portos de Portugal e todos os seus domínios aos navios daquele país. Àquela data reinava D. Maria I, tendo sucedido a D. José I que falecera em 24 de Fevereiro daquele ano.

A guerra da independência dos Estados Unidos da América ou seja, o conflito que opôs o Reino da Grã-Bretanha em relação às suas Treze Colónias na América do Norte, impunha a Portugal uma política de neutralidade em virtude da sua aliança com a Inglaterra. E, tal implicava o encerramento dos portos aos navios americanos. Uma política aliás, que veio a ser reeditada alguns anos mais tarde, no reinado de D. Maria I sob a regência de D. João VI na vã tentativa de persuadir Napoleão Bonaparte a não invadir Portugal.

Não obstante a neutralidade assumida aquando da Revolução Americana, Portugal apressou-se a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América, tendo sido o primeiro país neutro a fazê-lo. Em 21 de Fevereiro de 1791, o presidente George Washington estabelece relações diplomáticas formais com o nosso país, nomeando o Coronel David Humphreys como embaixador. Os ingleses não devem ter ficado muito satisfeitos com a atitude algo precipitada da sua velha Aliada, a avaliar pela atitude poucos anos decorridos, do marechal William Beresford aquando das invasões francesas, ordenando a restituição a Espanha da praça de Olivença tomada pelos portugueses e permitindo que as tropas napoleónicas se retirassem levando consigo o produto das pilhagens.

Regressando à carta endereçada pelos “Comissários Americanos para o Marques de Ponte do Lima, [antes de 16 de Julho de 1777]” cujo original foi redigido em inglês, transcrevemos após a tradução possível para a Língua Portuguesa.

“Os Comissários Americanos para o Marques de Ponte do Lima, [antes de 16 de Julho de 1777]

Os Comissários Americanos para o Marquês de Ponte do Lima

Senhor,

O Congresso dos Estados Unidos da América viu com preocupação nos Jornais Públicos um Edital do falecido Rei de Portugal datado no Palácio da Ajuda: o 4 de julho de 1776, no qual os referidos Estados são falados em termos de Contumely, e todos os navios pertencentes ao seu povo então nos Portos de Portugal são ordenados a sair do mesmo em oito dias, e que, para o futuro, em todos os Portos dos Domínios Portugueses, nenhum Abrigo será dado a qualquer navio carregado ou em lastro proveniente de qualquer um dos Portos dos referidos Estados; mas, pelo contrário, eles devem ser repelidos dos referidos Portos, e na condição que eles entrem, sem dar-lhes o mínimo de sucurso de qualquer tipo.

Como uma longa amizade e comércio tem subsistido entre os portugueses e os habitantes da América do Norte, pelo qual Portugal foi abastecido com as mercadorias mais necessárias em troca de seus Superfluites, e não é o menor prejuízo já cometido ou mesmo tentado ou imaginado pela América para aquele Reino, os Estados Unidos não podem deixar de ficar surpresos ao encontrar não apenas o seu Comércio rejeitado, mas seus Navegadores que podem precisar de um Porto quando em Perigo recusam os direitos comuns da humanidade, uma conduta para os referidos Estados não apenas sem precedentes, mas que estamos confiantes de que não serão seguidos por qualquer outro poder na Europa: todos os outros tendo considerado nossa Diferença com e Separação da Inglaterra, como uma questão da qual eles não foram constituídos Juízes, e, portanto, não se comprometeram a condenar nenhuma das partes, sem audiência ou inquérito, mas permitir que nossos navios de todos os tipos tenham a mesma Liberdade de seus Portos que é permitido àqueles pertencentes à Inglaterra, e aos mesmos Privilégios de Comércio. Sendo, portanto, ministros do Congresso dos referidos Estados Unidos, fomos acusados por eles de representar em sua Corte seu sincero desejo de viver em paz com toda a Humanidade, e particularmente com sua Nação que eles sempre estimaram e respeitaram; e que eles esperam que seu Governo em sua Sabedoria reconsidere e revogue o referido Edital, e permita a Continuação da referida relação amigável e comercial entre seu Povo e o deles, que sempre foi tão vantajoso para ambos. Esta Representação que, por este meio, fazemos; e como uma parada precoce para o crescimento de mal-entendidos pode ter consequências benéficas para todos os envolvidos, não podemos deixar de esperar por uma resposta favorável e rápida. Com grande consideração, temos a honra de ser &c.

Para Sua Excelência, o Ministro das Relações Exteriores5

Áspero do Memorial a Portugal enviado por M. Castrioto”

[A numeração da nota segue a fonte franklin papers.]

  1. Uma breve biografia de Tomás Xavier de Lima Nogueira Vasconcelos Teles de Silva, visconde de Vila Nova de Cerveira e marquês de Ponte do Lima, secretário de Estado português para assuntos internos, está na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e uma avaliação igualmente breve dele está em João Smith, Memórias do Marquês de Pombal... (2 vols., Londres, 1843), ii, 303. Esta carta tinha sido muito tempo na tomada, mas ele não tinha veja acima, xxii, 645; XXIII, 57, 611-13. Para Castrioto, que a levou para Lisboa em sua forma final, veja sua carta acima, 9 de julho.
  2. Na mão de BF; não há diferença consequente das cópias, exceto que nelas o endereço, em sua forma alterada, torna-se o título.
  3. A data de uma tradução francesa que o ministro português em Londres mais tarde transmitiu para Weymouth: Stevens, Facsímiles, v, nº 476, observa.
  4. O discurso foi alterado em outra mão para ler: "Para Vossa Excelência, o visconde de Ponte de Lima Ministro dos Assuntos do Reino de Portugal".

Entretanto, uma vez estabelecidas as relações diplomáticas entre Portugal e os Estados Unidos da América, o embaixador David Humphreys vai dando conta ao presidente Thomas Jefferson acerca da situação vivida em Portugal, tecendo considerações acerca da Rainha D. Maria I e do Marquês de Ponte de Lima.

A Revolução Francesa deflagra em 1789. A República Francesa é proclamada em 1792 e o rei Luís XVI é decapitado no ano seguinte. A realeza europeia entra em pânico.

Em carta data de 1 de fevereiro de 1792, o embaixador David Humphreys refere o seguinte: “A Rainha é naturalmente boa e deseja o melhor para sua nação. Mas ela também é politicamente inexperiente, tímida em exercer seu julgamento, e fortemente influenciada pelo primeiro-ministro, o Marquês de Ponte da Lima, e seu confessor. Ela faria melhor sem eles.— A corte fica em Salvaterra para onde a Rainha foi removida, por recomendação de seus médicos, depois de adoecer em meados de janeiro. Relatos sobre sua condição são confusos e contraditórios, e os atendentes do palácio foram proibidos de falar de sua saúde. Ele tem medo "de sussurros que ouvi de um quarto para depender, que sua doença é mais do tipo mental do que corpórea."”

Em 12 de agosto de 1792, o embaixador David Humphreys volta a transmitir ao seu presidente o seguinte: “Pessoas sensatas se desesperam com a recuperação total da Rainha. O Príncipe do Brasil parece não ter confiança em ninguém. Fransini, um italiano que era o preceptor matemático do príncipe e pensava-se que tinha influência com ele, deixou o reino, provavelmente por causa de seu desgosto pela crescente influência do primeiro-ministro, o Marquês de Ponte de Lima. O Marquês, o confessor da Rainha, e vários outros que foram excluídos da Rainha e sua corte através da influência do Dr. Willis devem se alegrar com a partida do médico. A nação é dedicada à família real, mas isso pode mudar se o príncipe não tiver um herdeiro porque "o jovem príncipe espanhol que provavelmente terá sucesso, não pode ter nenhuma reivindicação legal para a Coroa".”. Para além destas considerações, o embaixador concentra-se em aspectos comerciais relacionados sobretudo com produções agrícolas do milho e trigo.

Fonte: Arquivo Nacional dos Estados Unidos da América.

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TONY AMARAL: FUNDADOR E BENEMÉRITO DA COMUNIDADE PORTUGUESA DE PALM COAST (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA)

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  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças à capacidade de trabalho e de mérito, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso de Tony Amaral, benemérito e fundador da comunidade portuguesa de Palm Coast.

Natural do concelho de Ovar, distrito de Aveiro, António Amaral emigrou para a América em 1964, com 13 anos de idade, na companhia da mãe e dos quatro irmãos, ao encontro da figura paterna que emigrara três anos antes em demanda de melhores condições de vida para uma família de lavradores marcada pelo espectro de grandes carências, na esteira da larga maioria da população que durante a ditadura portuguesa vivia na pobreza, quando não na miséria.

A chegada a Nova Jérsia, para onde o pai emigrara no alvorecer dos anos 60, e onde o jovem ovarense haveria de conhecer a esposa Maria, também emigrante, natural de Viseu, e com quem se casou aos 18 amos, marca o início de um percurso de vida de um verdadeiro “self-made man”, que começou por ajudar o pai na mercearia no nordeste dos EUA.

A capacidade empreendedora, impelida no limiar da década de 1980 pelos sobressaltos que viveu nessa época aquando de uma série de assaltos à sua loja, num período em que já era pai, levaram António Amaral, mais conhecido como Tony, em 1983 para Palm Coast, cidade localizada no estado da Flórida, no condado de Flagler, onde na altura já tinha um terreno.

Dotado de rasgo e visão, um ano depois Tony Amaral abriu em Palm Coast uma construtora, e começou a dedicar-se à compra e venda de terrenos. Em particular, a emigrantes lusos radicados em Nova Jérsia e Connecticut, numa época em que Flórida se assumia como uma terra de oportunidades, e Palm Coast, onde atualmente a comunidade luso-americana ronda os cinco mil habitantes, acolhia a chegada dos primeiros portugueses através da ação empreendedora nos sectores da construção e do imobiliário da Amaral Custom Homes.

O sentido de esforço, trabalho e dedicação, permitiram ao fundador da comunidade portuguesa de Palm Coast, construir nas últimas décadas um império empresarial com bases sólidas nas áreas da construção civil e imobiliário, que foi capaz de obter dividendos do crescimento populacional da Flórida, um dos maiores entre os estados americanos, e simultaneamente resistir à crise do subprime que acometeu os EUA na primeira década do séc. XXI.

Radicado há mais de cinquenta anos nos EUA, o sucesso que o empresário alcançou ao longo dos últimos anos no mundo dos negócios, tem sido acompanhado de uma singular dimensão benemérita em prol da comunidade luso-americana. O espírito solidário de Tony Amaral, fundamental para a construção do Portuguese American Cultural Center of Palm Coast, foi paradigmaticamente consubstanciado em 2006, quando o empresário ovarense constituiu a Fundação Amaral, que além de atribuir bolsas de estudo a jovens de origem portuguesa, possuiu igualmente uma vertente humanitária, expressa durante este período de pandemia no fornecimento a agregados carenciados de alimentos e produtos de higiene.

Os relevantes serviços de cidadania e o reiterado orgulho nas raízes portuguesas, sentimento pátrio que incitou Tony Amaral em 2017, no decurso dos incêndios de Pedrógão Grande, a dinamizar um movimento que arrecadou milhares de dólares para ajudar as vítimas, concorreram para que recentemente, no dia 25 de julho, Dia do Município de Ovar, a autarquia do distrito de Aveiro entregasse ao seu filho ilustre a Medalha Municipal Prata.

Uma das figuras mais proeminentes da comunidade luso-americana, o exemplo de vida de Tony Amaral, inspira-nos a máxima do escritor Franz Kafka: “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.

MANUEL EDUARDO VIEIRA: O “REI DA BATATA-DOCE” NA AMÉRICA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças a capacidades extraordinárias de trabalho, mérito e resiliência, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador Manuel Eduardo Vieira, o maior produtor mundial de batata-doce biológica.

Natural de São João, freguesia do concelho de Lajes do Pico, arquipélago dos Açores, Manuel Eduardo Vieira antes de se fixar no território norte-americano, emigrou com 17 anos em 1962, no início do deflagrar da Guerra do Ultramar, para o Rio de Janeiro. Ao encontro de um tio, que o acolheu a pedido da mãe, e lhe permitiu estudar para além da 4.ª classe concluída no torrão natal, no seio de uma família humilde, com carências e enleada nas lides agrícolas.

A estadia no Brasil, que durou cerca de uma década, proporcionou ao picoense a formação na área de Contabilidade e Gestão, a experiência de trabalho de escritório em diversas empresas, o encontro com a futura esposa Laurinda, também emigrante, natural de Chaves, e foi ainda berço de nascimento dos seus três filhos.

A ida de Manuel Eduardo Vieira para os EUA ocorreria no começo dos anos 70, período em que os pais e o irmão Artur, já tinham emigrado para a Califórnia e onde trabalhavam no Vale de São Joaquim, numa empresa agrícola do tio António Vieira Tomás, que serviu de palco à sua primeira experiência profissional na área.

O esforço e o nunca desistir perante as dificuldades, patentes no facto de ter começado a estudar inglês à noite e a trabalhar no campo, durante o dia, forjaram um homem que conquistou a pulso o sonho americano. E que teve o impulso decisivo quando em 1977 o tio lhe fez a proposta de vender-lhe a A.V. Thomas Produce que produzia então batata-doce em cerca de 20 hectares de terreno, e tinha uma única linha de tratamento e de embalagem instalada num barracão na cidade de Livingston.

O duplo emigrante açoriano teve o engenho e arte de relançar a empresa, adquirida por 145 mil dólares, introduzindo técnicas pioneiras e inovadoras à produção da batata-doce, como a certificação de produção biológica em 1988, ou recentemente a batata-doce em embalagem individual e pronta a ir ao micro-ondas, e expandindo a propriedade que presentemente tem mais de 1200 hectares. Contexto que a transforma, segundo o departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na maior produtora mundial de batata-doce biológica, com um volume de negócios que ultrapassa os 50 milhões de euros, e onde nas épocas da apanha, trabalham cerca de 900 trabalhadores, e que levou inclusive na década de 90 a cadeia de supermercados Safeway a oferecer a Manuel Eduardo Vieira uma placa de matrícula personalizada com as palavras King Yam “Rei da Batata-Doce”.

Empresário e empreendedor com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, premissas que levaram a que em 2013 vencesse a primeira edição do “Best Leader Awards (BLA) EUA” na categoria de “Lifetime Achievement”, e que dois anos antes, impeliu o então Presidente da República, Cavaco Silva, a atribuir-lhe a comenda da Ordem de Mérito, Manuel Eduardo Vieira mantém uma ligação umbilical à sua terra natal.

Ainda em 2017, foi inaugurada na praceta do Centro Social da Silveira, Lajes do Pico, onde foi o principal benemérito da obra do Salão do Centro Social, Cultural e Recreativo, uma estátua em sua homenagem e que eterniza igualmente a generosidade que tem repartido por diversas associações da ilha do Pico.

Radicado há cerca de cinquenta anos nos Estados Unidos da América, o sucesso que o emigrante picoense alcançou ao longo dos últimos anos no mundo dos negócios, tem sido acompanhado igualmente de um apoio constante à comunidade luso-americana, onde foi fundador e primeiro presidente da Sociedade Filarmónica Lira Açoriana de Livingston, da Casa dos Açores de Hilmar e da Igreja da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção em Turlock.

Uma das figuras mais proeminentes da comunidade luso-americana, o exemplo inspirador e de sucesso do comendador Manuel Eduardo Vieira, encontra-se vertido numa das suas principais máximas de vida: “As coisas boas não aparecem facilmente, é preciso trabalhar duro para consegui-las. Se temos uma meta a atingir, não podemos desistir, porque com trabalho, organização e muita disciplina, tudo é possível”.

COMENDADOR JOSÉ MORAIS: UM "SELF-MADE MAN" LUSO-AMERICANO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

Nos vários exemplos de empresários portugueses da diáspora, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia estratégica na promoção internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador José Morais, um dos mais ativos e notáveis empresários portugueses nos Estados Unidos da América.

Natural de Curalha, concelho de Chaves, José Morais emigrou para a América no início da década de 1950, aos 17 anos de idade, já casado, em demanda de melhores condições de vida, dada a estreiteza de horizontes do seu torrão natal, onde o fardo da pobreza, ruralidade e da interioridade durante a ditadura portuguesa era vivenciado por uma maioria de habitantes cultivadores da terra e pastores das suas vezeiras.

Depois de passar por New Bedford e Long Island, onde nasceram as três filhas, e ter começado por trabalhar numa fábrica de sapatos, José Morais estabeleceu-se mais tarde com a família em Manassas, na Virgínia, estado em que fundou uma empresa de construção civil e encetou um percurso de vida de um autêntico self-made man.

Detentor de um espirito indómito e de uma capacidade de trabalho infatigável, méritos coligidos no berço transmontano, José Morais construiu no último meio século um império empresarial nas áreas da construção civil, cimenteira e imobiliário, entre outros, contexto que concorre para que seja uma das figuras mais destacadas da comunidade luso-americana.

Empresário multifacetado, com uma trajetória marcada pelo mérito e resiliência, o self-made man luso-americano de raízes trasmontanas, que é também um colecionador de carros antigos, dedica-se presentemente, no estado da Virgínia, à produção de vinhos “Morais Vineyards”.

Radicado há mais cinquenta anos nos Estados Unidos da América, o sucesso que o emigrante flaviense alcançou ao longo dos últimos anos no mundo dos negócios, tem sido acompanhado de um apoio denodado à comunidade luso-americana, como é o caso do Virginia Portuguese Community Center, fundado em 1987 no centro de Manassas, a pouco mais de 50 quilómetros de Washington. Altruísmo que concorreu para que tenha sido durante mais de uma década membro do conselho das comunidades, e para que o então Presidente da República, Cavaco Silva, atribui-se-lhe as insígnias de comendador.

Uma das figuras mais proeminentes da comunidade portuguesa de Manassas, no estado de Virgínia, onde vivem e trabalham mais de dez mil luso-americanos, o comendador José Morais, que nunca esquece as suas raízes e nutre um bem-querer ativo pela sua terra natal, relembra-nos a máxima do magnata Jean Paul Getty: “O empresário verdadeiramente bem-sucedido é essencialmente um dissidente, um rebelde que raramente ou nunca está satisfeito com o status quo”.

MUSEU HISTÓRICO DE SÃO JOSÉ: UM ESPAÇO DEDICADO À HERANÇA CULTURAL PORTUGUESA NA CALIFÓRNIA

  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se atualmente pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

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Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, principalmente concentrados em Massachusetts, Rhode Island, Nova Jérsia e Califórnia. É neste último estado, que vive e trabalha a maior comunidade luso-americana do país, constituída por mais de 300 mil pessoas, e cuja presença histórica no oeste dos EUA remonta à centúria oitocentista, aquando da corrida ao ouro, da dinamização da pesca da baleia e do atum, e mais tarde das atividades ligadas à agropecuária.

A secular presença portuguesa na Califórnia, que se manifesta hodiernamente na existência de diversas associações, clubes e fundações luso-americanas, esteve na base da inauguração a 7 de junho de 1997, na antecâmara do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, do Museu Histórico de São José.

Erigido pela Sociedade da Herança Portuguesa da Califórnia, o museu, que ocupa um espaço de 650 metros quadrados, possuiu uma forte componente dedicada à emigração portuguesa para a Califórnia, às suas tradições, em especial religiosas. De tal modo, que o edifício constitui uma réplica do primeiro Império (Capela do Espírito Santo), à volta da qual se desenvolvem as festividades do Espírito Santo.

O Museu Histórico de São José alberga um conjunto de várias exposições que perpassam a história da emigração portuguesa para a Califórnia e o papel da comunidade lusodescendente num dos mais prósperos estados norte-americanos. O papel e importância da comunidade portuguesa concorreram decisivamente para que há dois anos fosse oficialmente inscrita na legislatura estadual da Califórnia, após aprovação unânime no Senado, uma resolução a declarar junho de 2019 como "Mês da Herança Nacional Portuguesa".

Enquanto espaço singular que homenageia e perpetua a herança cultural lusa nos Estados Unidos da América, em particular na Califórnia, o Museu Histórico de São José constitui-se como um exemplo inspirador para as Comunidades Portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro.

ILDEBERTO MEDINA – UM EXEMPLO DE CONQUISTA DO SONHO AMERICANO

  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

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Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, principalmente concentrados na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia. A grande maioria da população luso-americana trabalha por conta de outrem, na indústria, mas são já muitos os que trabalham nos serviços ou se destacam na área científica, no ensino, nas artes, nas profissões liberais e nas atividades politicas.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, onde proliferam centenas de associações recreativas e culturais, clubes desportivos e sociais, fundações para a educação, bibliotecas, grupos de teatro, bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, casas regionais e sociedades de beneficência e religiosas, destacam-se percursos de vida de vários compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso de Ildeberto Medina, uma das figuras mais gradas da numerosa comunidade luso-americana de Providence, estado norte-americano de Rhode Island.

Natural da ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, Ildeberto Medina emigrou para a América em 1977, com apenas 15 anos, na companhia dos pais e do irmão, repetindo as pisadas da avó paterna, que no ocaso do séc. XIX tinha partido para a Costa Leste dos Estados Unidos num barco baleeiro em demanda de melhores condições de vida.

A chegada a Boston, capital e cidade mais populosa do estado norte-americano de Massachusetts, numa fase de incremento da emigração açoriana para o território americano, não correu como planeado devido à inadaptação dos pais à nova realidade, contexto que motivou a família a retornar ao torrão natal. 

Nunca esmorecendo na ambição de alcançar o sonho americano, Ildeberto e o irmão mais novo, desta vez sozinhos, cruzaria pouco tempo depois novamente o Oceano Atlântico. Em 1979, a partir de Providence, realizaria o seu primeiro trabalho por conta própria, começando aí um percurso de autêntico“self-made man” que o catapultou a empresário do ramo da construção civil com a fundação da empresa “Medina Construction” em 1985.

Ao longo dos últimos 40 anos, o trabalho incansável, a resiliência inabalável e a constante dedicação à família, elevaram o graciosense, que logrou inclusive acabar o liceu e ingressar no ensino universitário norte-americano onde se formou em Línguas, a um empreendedor de reconhecidos méritos na comunidade luso-americana, como revelam as inúmeras distinções que tem alcançado.

A mais recente foi atribuída este mês pelo Mayor Roberto Silva, autarca lusodescendente de East Providence, que distinguiu Ildeberto Medina com proclamação oficial no âmbito dos 40 anos de empreendedorismo do proprietário da “Medina Painting & Remodeling” e sócio de várias empresas. Nos fundamentos da atribuição da distinção sobressai o trajeto singular do empresário luso-americano: “Através de contínuos esforços, árduo trabalho, em sistema de part-time, ao mesmo tempo que frequentava a escola, desde a sua chegada aos EUA, empenhou-se na conquista do êxito da sua iniciativa empresarial. E como tal a cidade de East Providence reconhece a sua bravura e sacrifício concluído no êxito empresarial”.

Apoiante constante do associativismo luso-americano, e uma das figuras mais gradas da comunidade de East Providence, o exemplo de vida de Ildeberto Medina, empresário de sucesso que nunca olvida as suas raízes portuguesas, inspira-nos a máxima do historiador italiano Cesare Cantú: “O mais saboroso pão e a mais agradável comodidade são os que conquistamos com o nosso suor”.

A OPOSIÇÃO AO ESTADO NOVO NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS DA AMÉRICA DO NORTE

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  • Crónica de Daniel Bastos

Entre 1933 e 1974 vigorou em Portugal um regime autoritário e conservador, designado de Estado Novo, sustentado na força repressiva da polícia política (PIDE), nas amarras da censura e na ausência de liberdade. Um regime idealizado pelo seu principal mentor, Oliveira Salazar, ditador de um país eminentemente rural, pobre, atrasado e analfabeto.

Apesar da repressão e violência foram vários os que se opuseram às ideias do Estado Novo, e instaram na luta politica de oposição ao regime em defesa dos ideais da liberdade e da democracia. O movimento político de oposição à ditadura portuguesa estendeu-se também às comunidades portuguesas no estrangeiro, que na segunda metade do século XX foram robustecidas por centenas de milhares de compatriotas em fuga à miséria rural, à carestia de vida, e no início dos anos 60, à Guerra Colonial.

No contexto da luta contra o Estado Novo no seio das comunidades portuguesas, como aponta a investigadora Susana Maria Santos Martins, na tese de doutoramento Exilados portugueses em Argel. A FPLN das origens à rutura com Humberto Delgado (1960-1965), intervieram nas décadas de 1960-70 várias associações oposicionistas ao regime de Salazar na América do Norte.

Em Newark, Nova Jérsia, cidade que ainda hoje alberga uma das maiores comunidades portuguesas nos Estados Unidos da América (EUA), constituiu-se em 1960 o Committee Pro-Democracy in Portugal, a primeira associação de democratas lusos nos EUA. A coletividade, que teve como principal mentor Abílio de Oliveira Águas, antigo cônsul português em Providence (Rhode Island) no ocaso dos anos 20, e figura tutelar na comunidade luso-americana, congregou diversos emigrantes e exilados políticos na oposição ao regime salazarista.

A associação luso-americana, que teve um papel decisivo no depoimento em 1963 de Henrique Galvão contra Portugal na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, manteve-se ativa até aos anos 70, período em que faziam parte dos seus órgãos, Eduardo Covas, António José de Almeida, António Dias, Virgílio Varela e Abílio Águas. Tendo prosseguido até então uma diligente ligação com vários grupos oposicionistas, como o grupo Portugal Democrático, no Brasil, com a Frente Portuguesa de Libertação Nacional (FPLN), na Argélia, com a Acção Democrato-Social (ADS), em Portugal, com a Associação Socialista Portuguesa (ASP), em Genebra, e mais tarde, com o Partido Socialista (PS) que apoiou após a Revolução de Abril.

No Canadá, nação para onde emigraram entre 1953 e 1973 mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, uma das principais coletividades lusas oposicionistas foi criada no final dos anos 50 em Toronto. Denominada Portuguese Canadian Democratic Association (PCDA), a associação luso-canadiana, impulsionada por figuras como Fernando Círiaco da Cunha, aglutinou vários emigrantes e exilados políticos na denúncia do regime ditatorial português, através da dinamização de manifestações públicas e da publicação em 1964 do periódico A Verdade, e mais tarde, O Boletim.

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Manifestação de emigrantes e exiliados lusos em Toronto, no Canadá, a exigirem a libertação de presos políticos em Portugal (1966) - Photo by Reed, York University Libraries, Clara Thomas Archives & Special Collections, Toronto Telegram fonds, F0433, ASC08256.

 

Ainda no Canadá, mas em Montreal, a partir dos anos 60, foi criado o Movimento Democrático Português de Montreal, ao qual estavam ligados figuras como Rui Cunha Viana, Domingos da Costa Gomes, José das Neves Rodrigues, Jaime Monteiro e Eugénio Vargas. E que teve nas páginas do boletim Movimento, o seu principal instrumento de denúncia junto da comunidade luso-canadiana da ditadura salazarista e da Guerra Colonial na maior cidade da província do Quebeque.

Em Montreal, na esteira das demais comunidades portuguesas na América do Norte, as páginas da imprensa comunitária foram o instrumento privilegiado dos grupos oposicionistas de crítica à ausência de liberdade na pátria de origem e de denúncia da Guerra Colonial. Entre as décadas de 1960-70, o semanário independente em língua portuguesa, Luso-Canadiano, fundado por Henrique Tavares Bello, e que contou com a colaboração de Cunha Viana e Domingos da Costa Gomes, adotou assumidamente uma feição oposicionista ao regime instituído em Portugal. Neste mesmo período, a ação oposicionista de Henrique Tavares Bello em Montreal encontrava-se ainda, em interligação com Firmino Rita, associada à dinamização do Canada Movement for Freedom in Portugal and Colonies.

No seu conjunto, as várias dinâmicas oposicionistas ao Estado Novo na América do Norte no decurso das décadas de 1960-70, tiveram um papel importante na consciencialização política das comunidades portuguesas nos Estados Unidos e no Canadá, assim como na denúncia internacional do regime ditatorial e da Guerra Colonial em dois dos mais importantes palcos da política e diplomacia mundial.

SARGENTO BRUNO RODRIGUES É DESCENDENTE DE COURENSES

SARGENTO BRUNO RODRIGUES É O PORTUGUÊS COM A MAIS ALTA PATENTE NA POLÍCIA DE BRIDGEPORT, CT

Filho de imigrantes de Paredes de Coura e Boticas, tornou-se agente aos 24 anos

Por Henrique Mano

Fotos: Henrique Mano

Jornal LUSO-AMERICANO

Editor at large em Bridgeport, CT

www.lusoamericano.com

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Foi aos 7 anos de idade que o luso-americano Bruno Rodrigues, de Connecticut, ‘descobriu’ a paixão que, quase duas décadas depois, iria abraçar como ocupação profissional. “Via os polícias nas festas portuguesas e gostava da autoridade que impunham”, conta. “Foi algo que me ficou na cabeça”.

Depois de ter passado pelo Bullard-Havens Technical High School, era chegado o momento de pôr a farda… Aos 24 anos, e após a formação exigida pela Academia de Polícia em Bridgeport, tornava-se um dos seus agentes.

Bruno Rodrigues é filho de José Rodrigues, natural de Castanheiros-Paredes de Coura (Minho) e de Maria Rodrigues, de Ardãos-Boticas (Trás-os-Montes). Nasceu há 42 anos na mesma cidade para onde os pais emigraram, Bridgeport, e onde cresceu e sempre viveu.

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❝FALAR PORTUGUÊS É UM DIFERENCIAL IMPORTANTE, QUANDO SE É POLÍCIA EM BRIDGEPORT, CT❞

➔Bruno Rodrigues, Sargento

Bridgeport Police Department

Como qualquer agente, iniciou carreira a fazer patrulha de rua. Em Dezembro de 2018, sobe a sargento - sendo hoje, entre os cerca de oito elementos de origem portuguesa na força de aproximadamente 400 homens e mulheres que compõem a Polícia de Bridgeport, aquele que tem ao ombro a patente mais elevada.

“Tenho sob mim um grupo de 8 a 10 agentes e a coordenação das suas actividades no terreno”, explica Bruno Rodrigues, que preenche o turno das 4:00 da tarde à meia-noite, afecto à zona do ‘West Side’ de Bridgeport.

O sargento diz ser importante desenvolver policiamento de proximidade comunitária, por forma a estreitar os laços entre a autoridade e os residentes. “Nesse contexto, aqui em Bridgeport, sobretudo, com as comunidades lusa e brasileira, o facto de saber falar português é um diferencial importante. Sou frequentes vezes chamado a ser de intérprete em situações policiais”.

❝ESTAMOS AQUI PARA AJUDAR O PÚBLICO❞

➔Bruno Rodrigues, Sargento

Bridgeport Police Department

O luso-americano, que chegou a ser voluntário em associações lusas locais e participou como guarda-de-honra no içar da bandeira no ‘City Hall’ em várias edições do 10 de Junho, espera progredir na carreira e um dia ser ainda tenente ou capitão.

Reconhece ter-se surpreendido, no exercício das suas funções, com a observação de como os seres humanos “podem tanto ser de extrema bondade, como demonstrar o oposto”.

Garante que a polícia “está aqui para ajudar o público. É para isso que pomos a farda e saímos para trabalhar”.

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BAILARINA BRACARENSE DÁ "BAILE" EM NOVA IORQUE

Bailarina portuguesa fica em segundo lugar em concurso de dança internacional. A jovem é natural de Braga

Ana Margarida Costeira, uma adolescente portuguesa de 14 anos, natural de Braga, ficou em segundo lugar,  na fase final do concurso mundial SóDança, que é organizado em Nova Iorque.

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Devido à crise mundial que o país enfrenta devido ao aparecimento do novo coronavírus a competição realizou-se através do YouTube. O vídeo da bailarina portuguesa acabou por ser um dos quatro escolhidos, entre 600, para ir à final. Dos quatro finalistas, Ana Margarida Costeira ficou em segundo lugar, com mais de 1000 votos por parte do público.

A jovem deveria partir em julho para a Holanda, onde iria fazer um estágio de verão na National Ballet Academie, mas este acabou ser cancelado devido à covid-19. Ana Margarida Costeira garante, em declarações ao Jornal de Notícias, que o seu sonho é ser bailarina profissional mas que vai "continuar os estudos, incluindo universitários, porque esta é uma profissão de desgaste rápido".

Fonte: https://ionline.sapo.pt/

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ARCUENSES EM NEWARK (EUA) NÃO ESQUECEM A TERRA QUE OS VIU NASCER!

Câmara Municipal marcou presença em mais um aniversário do Rancho da Casa de Arcos de Valdevez em Newark

As boas relações da Câmara Municipal com a Diáspora são um facto e prova disso é a presença da mesma nas principais atividades promovidas pelas várias comunidades de emigrantes.

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Recentemente, o vereador da Câmara Municipal, Olegário Gonçalves deslocou-se a Newark, nos Estados Unidos, para participar no 10º Aniversário do Rancho da Casa de Arcos de Valdevez em Newark.

Esta festa, onde o dinamismo e valorização das nossas raízes e tradições Portuguesas são destacadas pelo Rancho da Casa de Arcos de Valdevez, voltou a contar com a participação de centenas de pessoas.

Nesta ida aos Estado Unidos, o enalteceu a importância da Diáspora e das boas relações que a Câmara Municipal tenta manter com a mesma.

Ao participar nestes convívios a Câmara Municipal está a promover o Concelho e o orgulho no concelho, sendo a comunidade emigrante, ao mesmo tempo, um meio excelente de divulgação do concelho e das suas potencialidades.

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