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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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ALEXANDRE FRANCO: UM DOS GRANDES ROSTOS DO JORNALISMO LUSO-CANADIANO

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso desta semana, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 73 anos, de Alexandre Franco, um dos grandes rostos do jornalismo na comunidade portuguesa no Canadá. Uma comunidade que se destaca na América do Norte pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, e que já no ano transato assistiu ao desaparecimento de uma outra figura incontornável do jornalismo luso-canadiano, mormente Fernando Cruz Gomes, decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto.

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Natural da cidade moçambicana da Beira, num período em que o território localizado no sudeste do continente africano permanecia uma província ultramarina portuguesa, Alexandre Franco, iniciou no final dos anos 60 a sua profícua carreira jornalística em Lourenço Marques, hoje Maputo, na Rádio Clube de Moçambique.

O conturbado processo de descolonização trá-lo-ia numa primeira fase à pátria lusitana onde começou a trabalhar na Antena 1 e a treinar o Basquetebol Queluz, uma outra área em que se destacou como atleta e treinador, e que marcou a sua predileção pelo jornalismo desportivo. Pouco tempo depois emigraria para a América do Norte, primeiro para Montreal a maior cidade da província do Quebeque e a segunda cidade mais populosa do Canadá, onde foi colaborador da Rádio Portugal de Montreal.

E posteriormente para Toronto, a maior cidade canadiana, onde foi gerente da Rádio Clube Português de Toronto em 1983 e pouco mais tarde após licença para uma rádio FM na CIRV. Trabalhou ainda a partir dos finais dos anos 90 na OMNI-TV, onde esteve como apresentador das notícias desportivas, década em que começou a publicar um jornal luso-canadiano, na altura designado Stadium, apenas desportivo.

 Presentemente o generalista Milénio Stadium, assume-se como um jornal de referência da comunidade luso-canadiana, integrado na MDC Group do comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Rosto público e estimado no seio da comunidade luso-canadiana, Alexandre Franco, que foi distinguido em 2010 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal como o melhor jornalista da diáspora lusa, sublimou ao longo da sua vida a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.

O NOVO CICLO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA ORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

O início de 2019 assinalou oficialmente a entrada em funções do novo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o diplomata Francisco Ribeiro Telles, cargo que pela primeira vez nos mais de vinte anos da organização, é assumido por um português.

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Fundada em 1996, a CPLP é atualmente uma organização formada por nove países espalhados pelos cinco continentes, cuja língua oficial ou uma delas, é a língua portuguesa. Nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que se encontram irmanados no desígnio da língua portuguesa, a quinta mais falada do mundo, enquanto vínculo histórico e património comum dos Estados-membros, assim como da amizade e cooperação.

Num mundo profundamente globalizado e interligado, onde surgem constantes desafios e oportunidades, a CPLP assume assim um papel relevante na dimensão e concertação que confere aos países que a compõem, como é o caso de Portugal. A enorme vitória diplomática que constituiu a eleição do português António Guterres para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016, não pode ser dissociado do dinamismo e magistratura de influência da CPLP. 

O papel da CPLP no mundo atual foi modelarmente expresso por António Guterres, no ano passado, no âmbito do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP (5 de maio). No discurso que então proferiu nos jardins da ONU, o secretário-geral sustentou: “É necessário dizer que nós na CPLP nos orgulhamos da nossa diversidade, reconhecemos que as nossas próprias sociedades são multiétnicas, multiculturais, multirreligiosas, e que isso é um bem, não é uma ameaça, e que isso deve ser valorizado, e afirmado, e que isso deve ser uma lição para outras partes do mundo, outros povos, outras culturas. E penso que a CPLP tem aqui um papel essencial a desempenhar".

Neste sentido, o novo ciclo que agora se inicia na CPLP é da maior importância para a prossecução da missão da organização. As prioridades do mandato assumidas por Francisco Ribeiro Telles, como a livre circulação de pessoas, a projeção da língua portuguesa e o diálogo sobre os oceanos, parecem ir ao encontro deste papel essencial que a CPLP deve continuar a desempenhar no mundo.

MINHOTOS EM NEWARK RECEBEM ANO NOVO À MODA DO MINHO

A comunidade minhota em Newark prepara-se para receber o Ano Novo 2019. E a festa tem lugar na Casa do Minho, em Newark, no Estado de New Jersey.

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A festa vale pela confraternização e cimento das gentes minhotas radicadas nos Estados Unidos da América – mas os produtos endógenos do Minho devem marcar presença mais acentuada e não serem substituídos por produtos de outros países de diferentes culturas. A título de exemplo, o “champanhe” jamais deverá substituir o vinho verde da nossa região!

O BLOGUE DO MINHO endereça a todos os minhotos radicados nos Estados Unidos da América os melhores votos de um Ano Novo de Paz, Saúde e Alegria!

Fotos: Casa do Minho

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2019 VAI SER O ANO DE HOMENAGEM A GÉRALD BLONCLOURT

O ano que agora termina fica marcado pela morte de um dos grandes nomes da fotografia humanista, Gérald Bloncourt, cujo espólio singular, formado por um conjunto iconográfico da maior importância para a história portuguesa do séc. XX, constitui um acervo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado recente.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França, que agora assina uma

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França, que agora assina uma nova obra intitulada “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”

 

Caminhava outubro para o seu fim quando o país recebeu a notícia da morte do nonagenário fotógrafo franco-haitiano que imortalizou a história da emigração portuguesa para França. Como assinala Eduardo Lourenço, “esses filhos da antiga raça dos navegadores não soçobraram à vista do porto», uma vez que a «título póstumo tiveram sorte em ter como companhia o sorriso aberto de marinheiro de Gérald Bloncourt. E a sua máquina para os lembrar para sempre nos retratos com que os salvou do esquecimento”.

Nesse sentido, e tendo como base o trabalho e percurso de vida do fotógrafo franco-haitiano que durante as Comemorações do 10 de Junho de 2016 em Paris foi distinguido com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, o ano de 2019 que agora se aproxima, assinalará a realização de várias indicativas de homenagem a Gérald Bloncourt.

Entre 1 de fevereiro e 3 de março, as imagens de Bloncourt serão um dos destaques do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, um dos eventos culturais mais importantes de Portugal, enriquecendo-se com diversas propostas dentro do mundo da fotografia artística, conceptual e de autor. Nas 25 exposições de fotógrafos de 10 países (Portugal, Espanha, Brasil, Colômbia, França, Suiça, Grécia, Roménia, Indonésia e Macau), avultará a exposição “O Olhar de Compromisso com os Filhos dos Grandes Descobridores”, que paralelamente com uma palestra abordará a vida dos portugueses em França nos anos 60.

O mês de abril assinalará ainda o lançamento do livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, dedicado a um outro período marcante da história contemporânea portuguesa. Designadamente a Revolução de Abril de 1974 da qual Bloncourt foi um espectador privilegiado, e cujas imagens praticamente inéditas revisitam a génese da nossa democracia.

JOHN PHILIP SOUSA, UM INSIGNE LUSO-AMERICANO

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do mês passado assinalaram-se os 164 anos do nascimento de John Philip Sousa, insigne compositor e maestro de banda luso-americano, do romantismo tardio, popularmente conhecido como “O Rei das Marchas”, como The Stars and Stripes Forever, marcha oficial dos Estados Unidos.

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John Philip Sousa nasceu em Washington, a 6 de novembro de 1854, terceiro dos dez filhos do português, natural dos Açores, João António Sousa e de uma austríaca, Marie Elisabeth Trinkaus. A sua precoce vocação musical levou a que ainda muito jovem se iniciasse nos estudos musicais, tocando violino, e aprendendo composição musical.

Em 1892, o musicógrafo luso-americano apresentou, em New Jersey, a sua própria banda, a “Sousa Band”, encetando um percurso musical fulgurante. Desde essa data até à década de 1930, realizou mais de quinze mil concertos, sendo que no ocaso do séc. XIX a sua banda representou os Estados Unidos da América na Exposição Universal de Paris.

Antes em 1888, tinha já composto a marcha “Semper Fidelis” que foi adotada como hino da Marinha dos Estados Unidos da América. A 14 de maio de 1897, em Filadélfia, no decurso da inauguração solene de uma estátua de George Washington, primeiro Presidente dos Estados Unidos da América, em que esteve presente o presidente norte-americano dessa época, William McKinley, foi tocada pela primeira vez em público a marcha intitulada The Stars and Stripes Forever (Estrelas e Barras para Sempre), considerada a obra-prima do luso-americano, e que mereceu as honras, por lei do Congresso dos Estados Unidos, de marcha nacional do país.

Afamado compositor e maestro, John Philip Sousa, escreveu também obras poéticas, de ficção, manuais, crónicas jornalísticas e uma autobiografia, tendo inclusivamente idealizado um instrumento de sopro da família dos metais, o Sousafone, uma tuba especial que o executante apoia no ombro para que possa executá-la enquanto anda ou marcha, e que é o maior dos instrumentos de sopro.

John Philip de Sousa, que faleceu no dia 6 de março de 1932, e foi sepultado com honras oficiais em Washington, no Cemitério do Congresso, é meritoriamente uma das figuras luso-americanas de maior destaque na cultura e história norte-americana.

A REDE MUNDIAL DE LUSO-ELEITOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos tem sido pública e notória a intervenção de portugueses e lusodescendentes na vida política além-fronteiras, fenómeno revelador da admirável integração das comunidades portuguesas e do papel importante que as mesmas desempenham no desenvolvimento das sociedades de acolhimento.

Este fenómeno crescente de participação cívica e política perpassa as várias comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. No rescaldo das recentes eleições intercalares dos Estados Unidos da América, subiu para quatro o número de congressistas de origem lusa com assento na Câmara dos Representantes, em Washington, naquela que é já considerada a maior representação de sempre de legisladores a nível federal saídos de comunidades portuguesas.

Em França, destino tradicional da emigração portuguesa, a ação cívica e política lusa logrou no alvorecer do séc. XXI a criação da Associação CÍVICAAssociação dos Autarcas Portugueses em França, que conta com mais de trezentos membros ativos e cerca de dois milhares que enviam informações, num universo de quatro milhares de autarcas de origem portuguesa em território gaulês.

Nas últimas eleições autárquicas de Ontário, a província mais populosa do Canadá, cinco lusodescendentes foram eleitos numa região onde vive e trabalha uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas da América do Norte. Um cenário similar ao que ocorreu nas eleições municipais belgas, onde foram eleitos sete candidatos portugueses e lusodescendentes, ou no Reino Unido, onde foi eleito o primeiro “Mayor” português, em Bridgwater, e um vereador de origem lusa na cidade de Oxford.

A ideia comummente aceite que os portugueses no Mundo, que totalizam mais de cinco milhões, são a mais importante e eficaz fonte de inserção nacional, tem nos muitos e bons exemplos de portugueses e lusodescendentes que exercem funções decorrentes do exercício democrático além-fronteiras, um dos pilares fundamentais na afirmação da pátria de Camões no concerto das nações. A rede universal de luso-eleitos constitui uma incontornável mais-valia na inserção de Portugal dos diferentes espaços, provendo o país de uma potencial magistratura de influência que as autoridades lusas não podem desaproveitar, antes pelo contrário, devem incentivar e dinamizar na promoção e projeção de Portugal no Mundo.

AS VIAGENS DOS AUTARCAS ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos temos assistido no seio das comunidades portuguesas disseminadas pelos quatro cantos do mundo, a um conjunto frequente de visitas de autarcas às pátrias para onde emigraram muitos filhos das suas terras à procura de melhores condições de vida.

A ligação forte entre o poder local, designadamente os seus representantes, e as populações, uma das maiores realizações do regime democrático português, impulsionaram ao longo das últimas décadas ao estabelecimento de laços de geminação de muitos municípios com cidades além-fronteiras onde estão presentes as comunidades lusas.

Os protocolos de geminação, que visam criarem relações de amizade, solidariedade e intercâmbio, e em vários casos relações aos níveis económico e cultural, têm sido um dos principais motivos das viagens dos autarcas às suas comunidades emigrantes. Muitas das vezes reforçadas pela existência nessas comunidades de associações e clubes vincadamente marcados pela sua terra de origem, que adotaram inclusive a denominação da sua proveniência, e de forma bairrista e desprendida muitos dos seus associados se constituem como genuínos embaixadores dos seus territórios de berço.

Embora sintomática de debilidades estruturais do país, como a queda demográfica ou o despovoamento, muitos autarcas de territórios fortemente marcados pelo fenómeno migratório, desde há muito tempo perceberam as potencialidades das suas comunidades emigrantes na dinamização e valorização da economia local.

As potencialidades do mercado da saudade têm levado inúmeros autarcas a participarem nas mais variadas iniciativas, festas e feiras realizadas periodicamente no seio das comunidades portuguesas, quase sempre animadas por espetáculos e músicas típicas das regiões dos emigrantes. Procurando deste modo promover e levar para junto da comunidade emigrante produtos e atividades económicas do seu concelho de forma a dinamizar a economia local.

Esta ligação dos autarcas às suas comunidades emigrantes são fundamentais para o progresso dos seus territórios, onde muitos emigrantes continuam a ter um papel fundamental no seu desenvolvimento, assim como um meio capaz de impulsionar o tecido socioeconómico, atrair investimentos e fortalecer a coesão e identidade local.  

PRESIDENTE DO MUNICÍPIO ARCUENSE FOI À SUIÇA LEVAR UM ABRAÇO DE ARCOS DE VALDEVEZ AOS NOSSOS CONTERRÂNEOS QUE ALI ESTÃO EMIGRADOS

Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez visita conterrâneos na Suíça. Autarca participou na 10ª edição da Festa do Pedro da Concertina e Amigos e realizou contactos com autarcas Suíços

O Presidente da Câmara Municipal, João Esteves, marcou presença no 10º encontro de concertinas promovido pelo Pedro da Concertina e seus amigos.

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Uma festa que ano após anos reúne centenas de pessoas e para o autarca é de extrema importância para a promoção da cultura, os usos, costumes e tradições minhotas.

O autarca felicitou o Pedro da Concertina pela realização deste encontro, o maior do género da Suíça, e fez votos para que continuem a concretizá-lo, pois é um forte meio de “valorização do nosso património cultural”.

Atestou ainda contar com o contributo de todos os arcuenses, “os residentes no concelho e os emigrantes, para legarmos às gerações vindouras um concelho cada vez mais solidário, com mais oportunidades e com mais qualidade de vida para todos.”

Nesta ida à Suíça esteve também na Câmara Municipal de Lausanne, em reunião com o gabinete do Presidente da Câmara e a Conselheira Municipal Sandra Pernet a promover a cooperação com Arcos de Valdevez e com a nossa comunidade na Suíça.

Teve também a oportunidade de se encontrar com outros conselheiros municipais portugueses José Martinho, bem como com Domingos Nuno da Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa.

Esta foi mais uma oportunidade de reforçar a ligação com esta comunidade, promover o concelho e os produtos locais, bem como realizar contactos com a Câmara Municipal local.

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MUNICÍPIO ARCUENSE JUNTO DA DIÁSPORA EM CENON (FRANÇA)

Celebrada parceria económica entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

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O Vice-presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Hélder Barros, esteve recentemente em Cenon para representar o Município em vários atos, entre os quais a assinatura da convenção de parceria entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

Através desta Geminação de cariz económico será feita a dinamização do trabalho articulado de promoção e desenvolvimento do comércio, indústria, turismo e de outras iniciativas económicas, sociais, culturais e desportivas de interesse para todos.

A CCIB trará para esta parceria toda a sua experiência na implementação de possíveis ações através da promoção de produtos locais emblemáticos, nas várias iniciativas em que participa, nomeadamente Thank You For Coming, Manacom, Asso Bordelaises e nas suas escolas.

Já Arcos de Valdevez e Cenon comprometem-se a apoiar intercâmbios entre os signatários, assim como, a desenvolver conjuntamente atividades de cariz económico, cultural e desportivo e provir os recursos humanos necessários para atingir esses objetivos.

Estas idas ao estrangeiro por parte da Câmara Municipal refletem a valorização que o Municipio imprime ao papel das comunidades arcuenses e pretendem fortalecer os laços que nos unem em torno de um propósito comum: o melhor para Arcos de Valdevez e para os Arcuenses.

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MEMÓRIAS DE SÃO ROQUE DO FAIAL: AS VOZES DOS EMIGRANTES

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na freguesia de São Roque do Faial, uma freguesia do concelho de Santana, ao norte da Ilha da Madeira, encravada na base do Maciço Montanhoso Central, entre a Ribeira da Metade e a Ribeira do Castelejo, está a ser dinamizado nos últimos anos um projeto comunitário singular em torno da temática da emigração.

Intitulado “Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes”, o projeto é fruto de uma ideia inspirada nos fluxos emigratórios desta povoação madeirense conhecida pela sua ruralidade e fantásticos miradouros. Esta realidade sócio histórica conduziu à criação de um espaço de partilha, conhecimento e informação sobre as tradições e cultura da freguesia com o principal objetivo de estabelecer um elo de ligação entre os residentes e emigrantes de São Roque do Faial.

Procurando preservar, respeitar e transmitir a cultura e tradição associada à pitoresca freguesia madeirense, bem como contactar diretamente e ativamente com os seus usos e costumes, de forma a manter vivas as tradições, como é o caso das vindimas, das romagens no Natal, das festas do verão, designadamente o dia do padroeiro S. Roque, das lendas e das imensas belezas naturais misturadas com aromas e cores, o projeto assenta parte significativa do seu trabalho no levantamento das histórias de vida e testemunhos dos emigrantes.

Não poderia ser de outra forma, porquanto numa povoação fortemente marcada pela emigração, como reconhecem os responsáveis do projeto comunitário, não há casa que não tenha família emigrante ou residentes que tenham sido emigrantes no Brasil, Venezuela, Austrália, África do Sul, Estados Unidos ou Inglaterra.

Neste sentido, este projeto comunitário que tem sido dinamizado ao longo dos últimos anos na freguesia de São Roque do Faial, reveste-se de um valor cultural de importância local, regional e nacional. Pois além de preservar aspetos culturais de carácter etnográfico da povoação e da região, e de divulgar junto das novas gerações a cultura tradicional, através da recolha e registo de usos e costumes, saberes e fazeres, histórias e memórias, existe um claro propósito de reconhecer, valorizar e dignificar as sucessivas gerações locais, que à imagem e semelhança de muitos compatriotas, um dia deixaram o país para demandarem outras paragens à procura de uma vida melhor.

MUNICÍPIO DE FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCLOURT

Alunos do concelho ficaram a conhecer vida e obra do fotógrafo

Gérald Bloncourt, conceituado fotógrafo, falecido no passado dia 29 de Outubro, foi homenageado, hoje, em Fafe. Pompeu Martins, Vereador da Cultura do Município de Fafe, e Artur Coimbra, historiador e diretor dos Museus de Fafe, distribuíram, junto da comunidade escolar, uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se lê um breve resumo daquilo que foi a vida do artista. Os alunos ficaram, assim, a conhecer a vida e obra de Gérald Bloncurt e o contributo imenso que o fotógrafo teve no retrato da emigração em todo o mundo.

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Nos Paços do Concelho, está em exposição um conjunto de fotografias de Gérald Bloncourt e foi colocada, na fachada do edifício, umretrato do fotógrafo, homenageando, desta forma, todo o seu legado, e em especial, a sua dedicação e carinho a Fafe.

Pompeu Martins salientou que “Gérald Bloncourt foi um grande amigo de Fafe. Ofereceu-nos 104 fotografias, um espólio extraordinário que é a herança maior e a cobertura mais bem conseguida da emigração portuguesa para França na década de 60. É considerado um dos maiores fotógrafos do mundo a tratar este assunto. Foi acompanhando, passo a passo, a vida dos nossos emigrantes, com uma sensibilidade muito especial.”

Quando Gérald conheceu o Museu das Migrações, confidenciou-me ‘Agora já posso partir em paz que a dignidade destas pessoas nunca se perderá’. Ele acreditava que a emigração, a saída das pessoas para outros países à procura de uma vida melhor, prendia-se sobretudo com uma luta pela dignidade humana.”

O que hoje estamos a fazer em todas as escolas do concelho é a nossa homenagem e uma forma de dizer ‘Obrigado Gérald Bloncourt’. Um homem que foi um lutador, de uma coerência extraordinária.”

Isabel Bloncourt, esposa de Gérald Bloncourt, revelou-nos, ontem, depois de saber desta homenagem que hoje lhe fazemos, que trazermos a obra dele às novas gerações representa a razão da vida dele, que foi sempre acreditar ‘no dia que virá’, como escreveu num dos seus versos.”, acrescentou.

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Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu a 29 de Outubro, em Paris, cidade onde, hoje, decorreram as suas cerimónias fúnebres.

Ontem, completaria, 92 anos de uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.

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FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCOURT

Município de Fafe homenageia Gérald Bloncourt

Na próxima segunda-feira, 5 de Novembro, aquando das cerimónias fúnebres de Gérald Bloncourt, em Paris, o Município de Fafe homenageia o conceituado fotógrafo com uma iniciativa nas escolas, junto da comunidade escolar.

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O Vereador da Cultura e Educação, Pompeu Martins, vai deslocar-se a várias escolas do concelho para distribuir pelos alunos uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se poderá ler um breve resumo daquilo que foi a vida do artista, querendo, com isso, devolver aos jovens a obra do homenageado.

Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu esta segunda-feira, 29 de Outubro, em Paris. Em 4 de Novembro próximo, faria 92 anos. Uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.

GÉRALD BONCLOURT: O FOTÓGRAFO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

No ocaso do passado mês de outubro, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento do nonagenário fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt. Um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um fundamental para a (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.

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O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França

 

Radicado em Paris há mais de meio século, o antigo fotojornalista e colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

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Menos conhecidas, mas nãos menos importantes, são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração portugueses constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o aclamado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França 3

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França 4

FALECEU GÉRALD BLONCOURT – O FOTÓGRAFO QUE DEU A CONHECER A VIDA MISERÁVEL DOS EMIGRANTES PORTUGUESES NOS SUBÚRBIOS DE PARIS

De acordo com notícia publicada na sua página oficial no Facebook, Gérald Bloncourt deixou-nos esta manhã, aos 92 anos de idade, a escassos dias de completar mais um aniversário. Gérald Bloncourt nasceu no dia 4 de Novembro, no Haiti. Naturalizado francês, residia nos arredores de Paris.

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Fotógrafo e pintor, a ele devem os portugueses a forma como retratou a situação difícil vivida pelos portugueses nos bairros de lata periféricos da cidade de Paris, entre os anos cinquenta e setenta do século passado, contribuindo dessa forma para dar visibilidade à situação miserável em que se encontravam e contribuir para a sua mudança e melhoria das condições de vida no país de acolhimento.

Além das fotografias históricas que Gérald Bloncourt captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles dos arredores de Paris, que já integraram várias exposições em Portugal e França, a obra reúne ainda memórias, testemunhos e imagens originais que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes lusitanos além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanecem como a maior manifestação popular da história portuguesa.

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Mais recentemente veio a Fafe onde foi criado o Museu da Emigração, colaborou com o historiador Fafense Daniel Bastos na publicação de algumas obras, de entre as quais salientamos “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

Em 2016, foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique. A homenagem teve lugar em Champigny, símbolo da presença portuguesa, onde aliás o associativismo das nossas gentes continua a registar presença marcante e a Rádio Alfa possui os seus estúdios a emitir diariamente para toda a comunidade portuguesa.

Publicamos algumas fotos que retratam a vida dos nossos compatriotas em França.

Fotos: Gérald Bloncourt / http://bloncourt.over-blog.net/

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FERNANDO CRUZ GOMES, DECANO DOS JORNALISTAS DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso deste mês, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 78 anos, do decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto, Fernando Cruz Gomes, um dos rostos mais conhecidos da numerosa prole luso-canadiana que vive na quarta maior cidade da América do Norte. 

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Natural da vila de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, Fernando Cruz Gomes, iniciou nos finais dos anos 50 a sua vida profissional como jornalista, no vetusto “Primeiro de Janeiro”, um jornal diário que se publicou na cidade do Porto. Mas foi em solo africano, mais concretamente em Angola, antiga província ultramarina portuguesa, onde residiu durante 25 anos, que o seu trabalho jornalístico ganhou amplitude e profundidade, através do desempenho de funções em diversos meios de comunicação, jornais e rádios, como o "ABC Diário de Angola", a "Rádio Eclésia", no diário de Luanda "O Comércio", "A Província de Angola" (atual “Jornal de Angola”), no "Rádio Clube de Benguela" e na "Emissora Oficial de Angola".

No início da Guerra do Ultramar em Angola, a 15 de março de 1961, Fernando Cruz Gomes, chegou a acompanhar sozinho os combates entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação deste território da costa ocidental de África. Durante o seu percurso jornalístico por terras africanas, o profissional de comunicação social, foi ainda presidente da secção de Angola do Sindicato Nacional de Jornalistas, onde se manteve até finais de 1974.

 A sua chegada ao Canadá ocorreu em 1975, ano do conturbado processo de descolonização. Na nova pátria de adoção, foi fundador e diretor de jornais comunitários, como "Popular", "Comércio", "Mundo", ABC Portuguese Canadian Newspaper e "A Voz", e editor e repórter na CIRV Rádio e na FPTV.

As suas multifacetadas funções jornalísticas em Toronto, inclusive de correspondente durante vários anos da Lusa, foram fundamentais para a promoção e conhecimento da língua, cultura e pulsar da comunidade luso-canadiana. E estiveram na base do justíssimo reconhecimento de que foi alvo em 2014, com a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços relevante que prestou à pátria de Camões.

LIVRARIAS EMBAIXADORAS DA LÍNGUA E CULTURA LUSÓFONAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos tem-se assistido em Portugal ao encerramento de um conjunto significativo de livrarias, muitas delas antigos espaços culturais de eleição, de encontro, de convívio e de cidadania. O recente fecho de portas, em Lisboa, da Aillaud & Lellos, da Book House, da Bulhosa Livreiros e da Pó dos Livros, ou no Porto, da Leitura, são apenas alguns destes tristes exemplos que têm pautado o panorama cultural nacional.

A evolução e a crise do mercado, a concorrência de grandes cadeias, a forte pressão nas rendas do mercado imobiliário, a falta de apoios ou a alteração do modo de ler, que já não se cinge exclusivamente a ler o livro em papel, são alguns dos motivos que estão na base do encerramento destes estabelecimentos culturais ameaçados de extinção.

Este fenómeno de empobrecimento da vida cultural não é um exclusivo do país, tendo-se igualmente acentuado nos últimos anos no seio das Comunidades Portuguesas. Longe vão os tempos em que a Livraria Lusófona, do editor João Heitor, foi durante mais de duas décadas um espaço singular na difusão da língua e cultura portuguesa a partir do Quartier Latin em Paris. Uma triste sina de desaparecimento que atingiu também nos tempos mais recentes a antiga livraria Orfeu, sediada em Bruxelas, propriedade do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, cujo desiderato visava promover as culturas portuguesas e galega no coração da Europa. Assim como, a Livraria Camões, em Genebra, do emigrante e livreiro natural do Porto, António Pinheiro, uma genuína embaixada literária de Portugal em terras helvéticas.

Com mais ou menos dificuldades, subsistem ainda algumas livrarias disseminadas pelas Comunidades Portuguesas, que como no território nacional, vão resistindo aos ventos da extinção, teimando em funcionar como polos agregadores e difusores da cultura e língua lusa. Como é o caso da Livraria - die portugiesische & brasilianische Buchhandlung em Berlim, a Luso Livro em Zurique, a Livraria Portuguesa de Macau, um espaço incontornável da portugalidade no Oriente, ou a recém-criada La petite portugaise, uma nova livraria portuguesa em Bruxelas que pretende divulgar a cultura lusófona.

A prossecução cultural destes espaços no seio das Comunidades Portuguesas, demandam neste sentido o apoio resoluto das instâncias competentes do Estado Português ao nível política cultural externa do país, que não podem olvidar a missão destas livrarias, verdadeiras embaixadoras da língua, cultura e expressão lusófona.

O PAPEL DOS CÔNSULES HONORÁRIOS DE PORTUGAL

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  • Crónica de Daniel Bastos

Em meados deste ano, realizou-se em Lisboa, no Museu do Oriente, o primeiro Seminário dos Cônsules Honorários intitulado “Rede honorária de Portugal no mundo: realidade e potencial”, que teve como principal objetivo promover e estimular uma reflexão e discussão sobre o papel destes representantes do Estado português, de modo a fortalecer os laços de união e cooperação com as comunidades portuguesas no mundo, e com as autoridades lusas.

A iniciativa, organizada pela Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros com a colaboração do Instituto Diplomático, teve o condão de computar a presença de mais de 100 cônsules honorários portugueses provenientes de 58 países dos cinco continentes, o que, por si só, é revelador da importância desta rede consular que exerce funções de defesa dos direitos e interesses legítimos do Estado Português e dos seus nacionais.

A posição do Cônsul Honorário foi aprovada pela Convenção de Viena de 1963 sobre as Relações Consulares, na qual todos os países membros das Nações Unidas são signatários. Em geral, os cônsules honorários portugueses são figuras gradas da comunidade local, com ligação ao mundo dos negócios, e que fruto em grande parte de restrições financeiras e escassez de recursos, atuam como representantes do Estado em locais distantes dos postos de carreira onde há uma presença significativa da comunidade lusa.

Dados recentes apontam para que a rede consular portuguesa contenha um total de 233 cônsules honorários, cujas nomeações são de livre escolha ministerial de entre cidadãos nacionais ou estrangeiros de reconhecida aptidão para a promoção e da defesa dos interesses portugueses, distribuídos por 108 países, estando 32 em África, 84 na América, 41 na Ásia, 69 na Europa e 7 na Oceânia.

Numa época em que a internacionalização das empresas nacionais, a atração de investimento estrangeiro, a promoção da imagem do nosso país, desde a cultura ao turismo, e a dinamização de negócios em mercados estratégicos, são vitais para o desenvolvimento socioeconómico luso, a atuação e o papel dos cônsules honorários constituem indubitavelmente uma mais-valia na afirmação e projeção de Portugal no Mundo.

O FESTIVAL KUNCHI E OS LAÇOS ANCESTRAIS ENTRE PORTUGAL E O JAPÃO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma vez mais, no âmbito de uma ancestral tradição japonesa, realiza-se nos próximos dias 7, 8 e 9 de outubro o Festival Kunchi, uma das festas populares mais conhecidas na cidade de Nagasaki, uma histórica metrópole da “Terra do Sol Nascente” fundada pelos portugueses na segunda metade do séc. XVI.

Portugal encerra a particularidade de o ser país europeu com a mais longa história de intercâmbio com o Japão, fruto de ter sido a primeira nação do “Velho Continente” a chegar e a estabelecer contactos com as gentes das “Terra do Sol Nascente”. Foi durante a expansão marítima quinhentista que se estabeleceram o início das trocas comerciais entre o Japão e os portugueses, à época chamados pelos japoneses “Nanban-jin”, isto é, “bárbaros do sul”, expressão que era nessa altura usada para identificar os povos ibéricos.

O intercâmbio comercial de há mais de quatrocentos anos, acarretava que os portugueses levassem para o território insular da Ásia Oriental, espingardas, pólvora, seda crua da China, entre outras mercadorias, e o Japão enviasse para a zona ocidental da Península Ibérica, prata, ouro e sabre japoneses, entre outros produtos. As vetustas relações comerciais entre as duas nações, estão na base de um conjunto expressivo de vocábulos de origem portuguesa que entraram na língua japonesa, como por exemplo, “pan” (pão), “koppu” (copo), “botan” (botão), “tabako” (tabaco) ou “shabon” (sabão).

A presença lusa no isolado Japão quinhentista e seiscentista teve igualmente uma conhecida dimensão missionária e evangelizadora, que redundou em ferozes perseguições movidas pelos xoguns aos missionários portugueses, receosos de uma eventual invasão por parte dos “bárbaros do sul” e temerosos da influência dos jesuítas nos nipónicos.

Ainda hoje uma das principais atrações do Festival Kunchi, celebrado todos os outonos desde o séc. XVI, e que depois também se tornou uma denúncia dos chamados cristãos-escondidos, é a “Nau Portuguesa”, apenas apresentada cada sete anos, e que constitui uma evocação histórica da expansão portuguesa até ao Japão. Assim como, um sinal perene que a história e cultura portuguesa são importantes e estratégicas para a afirmação do nosso país num mundo marcado pelos desafios da globalização, diversidade cultural e desenvolvimento.

A HERDADE VALE DA ROSA E O RECRUTAMENTO DE LUSO-VENEZUELANOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

A grave crise política, económica e social que tem assolado a Venezuela nos últimos anos, tem impelido o retorno de milhares de luso-venezuelanos ao território nacional, sobretudo à Madeira, região autónoma de onde é oriunda a maioria do quase meio milhão de emigrantes portugueses que vivem neste país da América do Sul.

Estima-se que no ano passado, tenham chegado à “pérola do Atlântico" quase quatro mil lusodescendentes vindos do país liderado por Nicolas Maduro, e que se encontrem inscritos mil lusodescendentes no Instituto de Emprego da Madeira.

Com mais ou menos dificuldades, são públicos e notórios os esforços que as autoridades, e os serviços públicos regionais e nacionais, têm encetado na tentativa de procurar apoiar os cidadãos portugueses que regressaram ao país vindos da Venezuela, designadamente nas áreas da educação, da saúde, da segurança social e da inserção profissional.

Estes esforços não se esgotam nas esferas públicas regionais e nacionais, antes pelo contrário, têm colhido também apoio e recetividade na sociedade civil, mormente nos meios associativos e empresariais, que têm procurado dentro das suas possibilidades contribuir para a integração dos compatriotas que regressam da Venezuela em contexto de precariedade.

Um dos melhores exemplos desse apoio foi recentemente expresso pela Herdade Vale de Rosa, uma empresa agrícola do Baixo Alentejo que produz e comercializa uva de mesa, particularmente uva sem grainha, que através de um protocolo assinado com o Governo Regional da Madeira permite a emigrantes luso-venezuelanos terem acesso a oportunidades de emprego. Esta parceria imbuída de uma meritória responsabilidade social da Herdade Vale de Rosa, que já tem a trabalhar na sua estrutura cerca de 30 luso-venezuelanos, permite desde logo ao maior produtor nacional de uva de mesa suprir falta de mão-de-obra que não encontra na região onde se encontra implantada.

A necessidade de recrutamento da empresa, que prevê poder empregar cerca de 100 luso-venezuelanos, constitui um importante sinal de apoio à inserção socioprofissional de compatriotas regressados da Venezuela, assim como um sinal de esperança num futuro e uma vida melhor.

OS EMPRESÁRIOS DA DIÁSPORA E A VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO NACIONAL

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do mês de setembro, foi conhecido que um grupo de emigrantes madeirenses, que até à data não pretendem ser identificados, adquiriu o Forte de São José, também conhecido como Forte do Ilhéu, Forte da Pontinha ou Bateria da Pontinha, uma histórica fortificação madeirense localizada na freguesia da Sé, na cidade e concelho do Funchal.

Construído em meados do século XVIII, o Forte de São José é o local da primeira fortificação madeirense, na época do seu descobrimento. Espaço primevo de abrigo aos descobridores da ilha, o antigo baluarte foi com o decurso do tempo pouco valorizado enquanto património histórico, arquitetónico e cultural regional e nacional, tendo no final do séc. XX o mesma sido adquirido por um particular, e recentemente por um grupo empresarial de emigrantes que tem em vista a recuperação e valorização desta original estrutura patrimonial, cultural e histórica.

A ação benemérita e empreendedora deste grupo de emigrantes, cuja intenção visa a breve trecho abrir o Forte de São José ao público, com um núcleo museológico e com um bar de apoio, é reveladora das potencialidades da diáspora portuguesa, e em particular dos emigrantes-empresários na recuperação e valorização de património imobiliário público nacional.

Conquanto o conhecimento, estudo, proteção, valorização e divulgação do património cultural, constituam um dever do Estado, que assim assegura a transmissão de uma herança nacional, cuja continuidade e enriquecimento visa unir as gerações num percurso civilizacional singular, a escassez de recursos aliada à inadiável necessidade de salvaguardar património público que se encontra devoluto, impeliu o Governo a criar nesta área de atuação o programa Revive.

Lançado em 2016 pelos ministérios das Finanças, Cultura e Economia, o programa Revive permite concessionar a investidores privados património público que se encontra devoluto tornando-o apto para afetação a uma atividade económica com finalidade turística, e assim gerar riqueza e postos de trabalho. Trata-se de um projeto importante para a salvaguarda da identidade histórica, cultural e social do país, e um elemento potenciador do turismo e riqueza das regiões, que pode seguramente alcançar uma maior atratividade e dinâmica se for bem divulgado junto dos empresários portugueses espalhados pelo mundo.