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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MOÇAS DO “CANCIONEIRO DO ALTO MINHO” SERVIRAM DE MODELO AO PINTOR LIMIANO RICARDO FERREIRA

O artista limiano Ricardo Ferreira que recentemente expôs algumas das suas obras em Ponte de Lima, inspirou-se nas lindas jovens que fazem parte do grupo “O Cancioneiro do Alto Minho” nalguns dos seus trabalhos.

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Reconhecido como um dos mais lídimos representantes do folclore da nossa região, o grupo “O Cancioneiro do Alto Minho” encontra-se sediado no Luxemburgo, tal como o artista Ricardo Ferreira radicado na Suíça. Longe da Pátria o coração bate mais forte pelas nossas origens!

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MANUEL DA COSTA – EMPRESÁRIO E FILANTROPO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

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Destacado empresário da diáspora, o comendador Manuel da Costa (dir), é também proprietário da Peach Gallery, uma galeria de arte em Toronto que tem divulgado obras de artistas lusófonos, como em 2018, aquando da exposição “Con-Textos de Criatividade” do mestre-pintor português Orlando Pompeu, cuja curadoria esteve a cargo do historiador Daniel Bastos (esq.)

 

Nos vários exemplos de empresários portugueses da diáspora, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia estratégica na promoção internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto.

Natural de Castelo do Neiva, concelho de Viana do Castelo, Manuel DaCosta emigrou para o Canadá em 1970, com 14 anos de idade, na companhia da mãe e dos irmãos, ao encontro da figura paterna que emigrara três anos antes em demanda de melhores condições de vida para uma família humilde e numerosa de pescadores-lavradores, marcada pelo espectro de grandes carências, na esteira da larga maioria da população que durante a ditadura portuguesa vivia na pobreza, quando não na miséria.

A chegada a Toronto, a maior cidade do Canadá, numa fase de crescimento da emigração lusa para o território da América do Norte, marca o início de um percurso de vida de um verdadeiro “self-made man”. O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos no exemplo diário da mãe, transformaram o jovem castelense, que começou a trabalhar na colheita do tomate em Wallaceburg e anos mais tarde frequentou a Ryerson Polytechnical Institute, universidade onde se formou em arquitetura e aprendeu muitos dos alicerces que lhe permitiram progredir profissionalmente, num dos mais proeminentes empresários portugueses na área da engenharia de construção na província do Ontário.

Empresário multifacetado, com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, premissas que estão na base das insígnias do grau de comendador que lhe foram atribuídas pelas autoridades portuguesas, Manuel DaCosta dirige presentemente uma das mais importantes empresas de comunicação social luso-canadianas. Designadamente, a MDC Media Group, que incorpora órgãos de informação como a Camões Radio & TV, o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade lusófona no Canadá.

O sucesso que alcançou ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa em Toronto, a quem devota uma forte preocupação com o conhecimento do seu passado, os desafios do seu presente e a sua futura matriz cultural e identitária.

Nunca abdicando da coragem, frontalidade e audácia de pensar, dizer e fazer, o comendador Manuel DaCosta, é entre outras iniciativas, fautor do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano. Assim como, dGaleria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Dinamizador e patrocinador de várias atividades, e projetos de cariz sociocultural e solidário, como o que promete vir a ser um dos mais relevantes da comunidade luso-canadiana, mormente a Magellen Community Charities, uma organização sem fins lucrativos que pretende inaugurar daqui a dois anos um centro para 320 idosos em Toronto, o empresário e filantropo não esquece também as suas raízes.

Ainda no ano transato, no âmbito das comemorações do 171.º aniversário de elevação de Viana do Castelo a cidade, o município alto-minhoto distinguiu Manuel DaCosta com o título de “Cidadão de Honra de Viana do Castelo” pelos notáveis serviços de cidadania e relevantes serviços na diáspora enquanto empresário e promotor da cultura portuguesa. Na base desta distinção esteve, igualmente, a sua estreita ligação ao torrão natal, Castelo do Neiva, que se mantém até aos dias de hoje através da presidência da Associação dos Amigos de Castelo do Neiva em Toronto, uma coletividade que contribuiu decisivamente para a construção da praça Gentes do Mar e da casa mortuária.

Uma das figuras mais conhecidas da comunidade lusa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, o exemplo de vida do empresário e filantropo Manuel DaCosta, inspira-nos a máxima do poeta Friedrich Schiller: “Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo, mas diante de todos os problemas do mundo temos as nossas mãos”.

EMIGRAR PARA A SUIÇA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Dentro do espaço europeu, a Suíça, oficialmente Confederação Suíça, uma república federal composta por vinte e seis estados, chamados de cantões, perdura como um dos principais destinos da emigração portuguesa, como comprovam os mais de 200 mil lusos que vivem e trabalham no território helvético, essencialmente na hotelaria, restauração, construção civil, indústria manufaturada, serviços de limpeza e agricultura.

A dinâmica da emigração portuguesa na nação helvética, que se desenvolveu sobretudo a partir da década de 1980, esteve na génese da criação, há pouco mais de um ano, do portal online “Emigrar para a Suíça”. Um projeto criado pelo jovem emigrante português Samuel Soares, que tem como principal objetivo apoiar e informar a comunidade lusa residente no território e todos quantos queiram emigrar para a Confederação Suíça.

Natural de Portimão, Samuel Soares contou recentemente à imprensa de língua portuguesa no mundo que conseguiu reunir cerca de 9 mil seguidores ao longo deste último ano. Segundo o mesmo, a grandeza desses números devem-se essencialmente a artigos publicados durante a quarentena, fase em que tem traduzido para português as informações que têm sido publicadas na página da Confederação Suíça para que os portugueses possam estar informados sobre o avançar da situação.

Ainda segundo o engenheiro civil de profissão, o número de pedidos de portugueses que pretendem viver na Suíça são cada vez maiores, contexto que tem concorrido para que surjam amiúde na plataforma questões relacionadas com a procura de casa, a busca de emprego, as autorizações de estadia prolongada e tudo o que esteja ligado à vida na Suíça.

O recente portal online “Emigrar para a Suíça”, na esteira de outras plataformas que estão a surgir e a ser dinamizadas no seio das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, robustece a ideia-chave da investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (UCP) e no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (ISCTE), Cátia Ferreira. Nomeadamente, que a “forma como os emigrantes portugueses comunicam está a mudar”, porquanto o “recurso à internet parece estar cada vez mais generalizado”, ou não fosse esta “uma tecnologia que atenua as barreiras culturais, que facilita o conhecimento de novas culturas e de contactos interculturais”.

IN MEMORIAN GÉRALD BLONCOURT

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso deste mês assinalam-se dois anos do falecimento do saudoso fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt (1926-2018), um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado recente.

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Entre 2015 e 2019, o historiador Daniel Bastos (esq.) concebeu e realizou os livros “O Olhar de Compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” e “Dias de Liberdade em Portugal”, que eternizam, respetivamente, o valioso espólio fotográfico de Gérald Bloncourt (dir.) sobre a emigração e o nascimento da democracia portuguesa

 

Colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, o antigo fotojornalista que esteve radicado em Paris mais de meio século, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Igualmente relevantes são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as dos primeiros dias de liberdade em Portugal, como as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, acontecimento que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração e a génese da democracia portuguesa constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história nacional que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o aclamado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

A REDE DE AUTARCAS PORTUGUESES EM FRANÇA

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos tem sido pública e notória a intervenção de portugueses e lusodescendentes na vida política além-fronteiras, fenómeno revelador da admirável integração das Comunidades Portuguesas e do papel importante que as mesmas desempenham no desenvolvimento das sociedades de acolhimento.

Este fenómeno crescente de participação cívica e política, que perpassa as várias comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, assume uma enorme proporção e relevância em França, nação europeia onde vive a maior comunidade de portugueses no estrangeiro.

Nas últimas eleições municipais francesas, que decorreram entre 15 de março e 28 de junho deste ano, num conjunto de mais 15 mil candidatos de origem portuguesa, segundo dados recolhidos pela CIVICA e o Luso Jornal, respetivamente, a associação de autarcas de origem lusa no território gaulês e o jornal de referência da comunidade luso-francesa, foram eleitos mais de 7 mil autarcas com raízes nacionais.

Disseminados por todo o território gaulês, os milhares de eleitos locais de origem portuguesa, muito presentes na região de Île-de-France, a mais populosa da França e onde se situa Paris, desempenham deste modo um papel de capital importância no desenvolvimento e promoção da qualidade de vida da população francesa, tanto pela proximidade como pela capacidade em dar respostas céleres e eficazes às suas necessidades.

Concomitantemente, esta notável rede de autarcas lusos em França evidencia que os portugueses no Mundo, que totalizam mais de cinco milhões, são incontornavelmente um dos pilares fundamentais para a afirmação hodierna da pátria de Camões no concerto das nações.

De facto, a rede de autarcas lusos em França, assim como as diversas redes de luso-eleitos dispersas pela vasta geografia das Comunidades Portuguesas, constituem uma tremenda mais-valia na inserção de Portugal nos diferentes espaços, provendo o país de uma potencial magistratura de influência que as autoridades portuguesas não podem desaproveitar, antes pelo contrário, devem dinamizar na promoção e projeção de Portugal no Mundo.     

GÉRALD BLONCOURT HOMENAGEADO NO INstantes – FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA DE AVINTES

O início do presente mês de setembro assinalou o arranque da 7.ª edição do INstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, uma singular mostra de fotografia que tem a capacidade de congregar fotógrafos de diversas origens, e que se tem assumido ano após ano como uma das mais relevantes iniciativas culturais realizadas em Portugal.

Enriquecendo-se com diversas propostas dentro do mundo da fotografia artística, conceptual e de autor, o INstantes promove este ano, até 30 de setembro, 25 exposições divididas entre 5 polos, nomeadamente, Avintes, Castelo de Paiva, Lourosa, Grijó e Vilar de Andorinho. Localidades onde estão expostos trabalhos de fotógrafos naturais de Portugal, Espanha, Itália, Holanda, Finlândia, Brasil, Colômbia, Cabo Verde, Moçambique e Japão.

No decurso da programação do festival, o trabalho e percurso de vida do fotógrafo Gérald Bloncourt, conhecido fotógrafo da emigração portuguesa, foi no passado dia 19 de setembro, numa altura em que se cumpre dois anos sobre o seu falecimento, homenageado através de uma conferência proferida pelo historiador Daniel Bastos na Casa da Cultura em Avintes.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), acompanhado do fotógrafo Pereira Lopes, fundador e diretor do INstantes, no decurso da conferência de homenagem a Gérald Bloncourt

 

Responsável pela conceção e realização dos livros “O Olhar de Compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” e “Dias de Liberdade em Portugal”, que eternizam, respetivamente, o valioso espólio fotográfico de Bloncourt sobre e a emigração portuguesa nos anos 60 e o nascimento da democracia portuguesa, Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, evocou o fotógrafo franco-haitiano como uma “figura inspiradora, que salvou do esquecimento os protagonistas anónimos da história portuguesa, que lutaram aquém e além-fonteiras pela liberdade e direito a uma vida melhor. Um homem que amou e honrou os portugueses, e a quem prestamos, a nossa sentida homenagem”.

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MANUEL NUNES, O INVENTOR DO UKULELE

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  • Crónica de Daniel Bastos

O arquipélago da Madeira, cais singular de chegadas e partidas no oceano Atlântico, tem sido, ao longo da história portuguesa, um dos territórios nacionais mais fortemente marcado pelo fenómeno da emigração.

Impelidos pelo desígnio de uma vida melhor coligida às necessidades de mão-de-obra por parte do mercado estrageiro, os madeirenses encontram-se espalhados pelos quatro cantos do mundo. Com particular incidência na África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, E.U.A., França, Reino Unido e Venezuela, onde reside atualmente uma das maiores comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo.

No quadro da presença histórica de madeirenses no mundo, como revela a investigadora Susana Caldeira, destaca-se o pioneirismo da chegada de naturais da pérola do Atlântico ao Havai, um dos cinquenta estados norte-americanos localizado num arquipélago em pleno Oceano Pacifico, cuja capital e maior cidade é Honolulu. 

Como sustenta a investigadora na obra “Da Madeira para o Hawaii: A Emigração e o Contributo Cultural Madeirense”, a emigração portuguesa para este arquipélago norte-americano “começou com o primeiro grupo de 120 madeirenses que chegaram lá no dia 29 de Setembro de 1878, a bordo do navio Priscilla, respondendo a uma crescente demanda de mão-de-obra para as plantações de açúcar. Depois desse primeiro embarque, milhares de madeirenses seguiram o seu sonho de uma vida melhor no que eles chamavam a "Terra Nova". De longe, o maior grupo de portugueses era oriundo da Madeira tendo, assim, constituído o corpo principal dos antepassados da comunidade portuguesa”.

É nesta leva primitiva de portugueses para o Havai, que se enquadra a trajetória migratória do madeirense Manuel Nunes (1843-1922), marceneiro e fabricante, considerado o inventor oficial do ukulele, afamado instrumento musical havaiano. Figura incontornável da história da emigração madeirense no crepúsculo do séc. XIX, Manuel Nunes, tornou-se um dos mais importantes fabricantes de ukuleles e o seu inigualável labor manteve-se no mercado durante mais de quatro décadas, sendo que muitos dos seus instrumentos feitos à mão ostentam uma etiqueta onde se pode ler “M. Nunes, Inventor of the Ukulele and Taro Patch Fiddles in Honolulu in 1879”.

PRODUÇÃO LITERÁRIA NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM TEMPOS DE PANDEMIA

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  • Crónica de Daniel Bstos

Nestes tempos difíceis que atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, uma das áreas mais afetadas pelo contexto de isolamento social e quebra de rendimentos tem sido o sector cultural.

Diariamente são conhecidas verdadeiras batalhas de sobrevivência que muitos artistas enfrentam no seu quotidiano, agravadas pelo cancelamento de iniciativas que sustentavam músicos, atores, humoristas, técnicos e demais agentes culturais que se encontram submersos em dificuldades e incertezas.

A crise que afeta severamente o sector cultural estende-se igualmente ao mundo dos livros e autores, onde as quedas expressivas nos números de vendas de livros, o encerramento de livrarias e editoras, e os poucos hábitos de leitura são uma realidade infelizmente cada vez mais presente na sociedade portuguesa.

Perante este quadro cultural sombrio, os dados recentes da 90.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, que decorreu entre os dias 27 de agosto e 13 de setembro, e que apontam para terem sido igualadas, ou até superadas, as vendas do ano passado, constituem-se como sinais de esperança para um sector que vive verdeiros momentos de sufoco.

Alento que surge também na diáspora, onde a capacidade de arrojo e resiliência de autores e editoras têm sido também capazes de manter ativa a produção literária em tempos de pandemia, e assim aprofundarem o conhecimento sobre as comunidades portuguesas.

Os recentes lançamentos e apresentações de obras literárias no seio das comunidades portuguesas, como foi o caso, por exemplo, da apresentação no passado dia 13 de setembro, na Casa do Alentejo em Toronto, do livro “Avós: Raízes e Nós”, organizado pelas ativistas culturais, Aida Baptista, Ilda Januário e Manuela Marujo, e que reúne textos de cerca de sessenta autores, reforçam estes sinais de esperança.

Ainda no Canadá, onde vive e trabalha uma das maiores comunidades portuguesas na América do Norte, foi recentemente lançada em Montreal, a “Antologia Literária Satúrnia – Autores Luso-Canadianos”, organizada pelo escritor Manuel Carvalho, e que reporta mais de uma centena de autores luso-canadianos que, ao longo dos anos, difundiram as suas emoções e memórias por jornais, revistas e livros.

Em meados deste ano, a Oxalá Editora, uma editora na Alemanha, vocacionada para a publicação da obra de autores da diáspora, através do contributo das escritoras, Irene Marques, Paula de Lemos, Luísa Costa Hölzl, Luísa Semedo, Gabriela Ruivo Trindade, Maria João Dodman, São Gonçalves, Luz Marina Kratt, Helena Araújo e Altina Ribeiro, editou o livro “Correr Mundo – Dez mulheres, dez histórias de emigração”.

Na mesma altura, marcada já pelos impactos da Covid-19, Isabel Mateus, escritora radicada no Reino Unido, lançou a obra “Anna, A Brasileirinha de São Paulo” que mergulha na epopeia da emigração portuguesa para o Brasil. E Victor Alves Gomes e Joana Inês Moreira, a viverem em Bruxelas, na Bélgica, projetaram o livro “Um emigrante eurocrata”.

Estes exemplos, e muitos outros que foram apresentados ou se encontram no prelo, como a vindoura obra coletiva “Alma Latina”, coordenada por José Maria Ramada, e que reúne contributos literários luso-suíços, revelam a capacidade de arrojo e resiliência de autores e editoras da diáspora, e constituem inspiradores sinais de esperança no presente e futuro da produção literária no seio das comunidades portuguesas.

CERVEIRENSE MANOEL JOSÉ LEBRÃO FUNDOU HÁ 126 ANOS, NO RIO DE JANEIRO, UM DOS MAIS BONITOS CAFÉS DO MUNDO: A CONFEITARIA COLOMBO

Confeitaria Colombo no Rio de Janeiro foi fundada há 126 anos

Morador da Glória, bairro que o homenageou dando seu nome a uma de suas pequenas travessas, Manoel José Lebrão (1868 -1933) foi um dos fundadores da Confeitaria Colombo, símbolo do glamour do Rio da Belle Époque e parte da história desta cidade e do Brasil.

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Manoel José Lebrão era natural de Sopo, no concelho de Vila Nova de Cerveira

 

Há 126 anos, no dia 17 de setembro de 1894, Manoel Lebrão abria, na Rua Gonçalves Dias 32/36, as portas da confeitaria que se transformaria em um dos principais ícones cariocas. Ele foi o mentor, criador, fundador e dono da Colombo, eleita um dos 10 mais belos cafés do mundo.

Nascido no Minho, em Portugal, Lebrão chegou ao Brasil em 1881, aos 13 anos de idade, e iniciou sua trajetória profissional no ramo da pastelaria na Confeitaria Carioca, onde atuou até 1894, quando fundou a Confeitaria Colombo, em sociedade com Joaquim Borges de Meirelles. Sua decoração art nouveau compara-se ao que existe de melhor e mais representativo deste estilo na Europa: reluzentes espelhos belgas, belíssimo mobiliário em jacarandá e bancadas de mármore italiano, decoram esta confeitaria que, desde 1983, está inscrita no Patrimônio Histórico e Artístico do Rio de Janeiro.

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Ponto de encontro de escritores, jornalistas, poetas, artistas e políticos e integrada ao cotidiano da cidade, então capital da República, a Confeitaria Colombo era considerada uma extensão da Academia Brasileira de Letras. Era a casa preferida de nomes como Olavo Bilac, Machado de Assis, José do Patrocínio, João do Rio, Chiquinha Gonzaga, Washington Luiz, Epitácio Pessoa, José Lins do Rego, Getúlio Vargas, Heitor Villa Lobos, Juscelino Kubitschek e muitos outros, servindo de palco para inúmeros debates e até mesmo decisões históricas e políticas.

Foi também espaço de recepções memoráveis a visitantes ilustres do Brasil, como o rei Alberto da Bélgica, em 1920, e a rainha Elizabeth da Inglaterra, em 1968, imortalizada na literatura e no cinema nacional, como cenário de diversos livros e filmes assídua.

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Lebrão não foi apenas o fundador da Colombo e o maior produtor de marmelos de Teresópolis, cidade onde deixou marcas profundas e é benemérito. Além da Quinta Lebrão, elegante mansão construída com as mesmas, e consagrada na música popular com a famosa marchinha de carnaval “Sassaricando”, sucesso de 1952, na voz da vedete Virgínia Lane, sua frequentadora

linhas de sua casa da aldeia de Sopo, em Portugal, ele foi também o responsável pela construção, naquela cidade serrana, da Escola Higino da Silveira, cujo projeto é réplica do Hospital de Cerveira.

Pelo seu valor como empresário, Manoel Lebrão recebeu diversas homenagens, tanto no Brasil como em Portugal:

- em 2001, uma estátua lhe foi erigida em Vila Nova de Cerveira, em frente ao hospital de Cerveira, na avenida que leva seu nome;

- ele também empresta seu nome à Travessa Manoel Lebrão, na Glória, bairro onde foi nosso vizinho ilustre, à Rua Cândido Mendes , 86.

e à Rua Manoel José Lebrão, em Teresópolis;

- foi um dos benfeitores do Real Gabinete Português de Leitura no RJ;

- a empresa de Lebrão foi uma das primeiras empresas a apoiar a criação da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria, criada em 1867, e um dos maiores financiadores da Santa Casa de Misericórdia.

Quando saiu do empreendimento, Manoel Lebrão deixou a Confeitaria Colombo nas mãos de Eloy José Jorge, sobrinho de Meirelles e mais dois sócios, ex-funcionários, que tocaram o negócio adiante e ampliaram o sucesso.

Fonte: https://nossosvizinhosilustres.blogspot.com/

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A VIAGEM DA ESPERANÇA. A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA BARQUISIMETO (1948-1958)

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno migratório nacional tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto diversificado de estudos que ampliam o conhecimento sobre a história da emigração portuguesa.

Neste conjunto diversificado de trabalhos, destaca-se recentemente a investigação levada a cabo pelo historiador e professor universitário venezuelano, Froilán Ramos Rodriguez, sobre a emigração portuguesa, grande parte dela madeirense, para a cidade de Barquisimeto na Venezuela, e que está na base do livro “Travesía de la esperanza. La inmigración portuguesa en Barquisimeto (1948-1958)”.

Atualmente docente na Universidade Católica da Santíssima Conceição (UCSC), no Chile, Froilán Ramos Rodriguez, tendo como estudo de caso Barquisimeto, capital e cidade mais populosa do estado de Lara, onde existem dois relevantes clubes portugueses com raízes madeirenses, mormente o Centro Luso Larense e o Centro Atlântico da Madeira, revisita a história dos emigrantes portugueses na Venezuela.

Uma história analisada a partir da segunda metade do séc. XX, período em que os emigrantes portugueses na Venezuela, maioritariamente oriundos da Madeira, passaram a dedicar-se ao comércio de produtos alimentares, como padarias, pequenas mercearias, lugares de venda de sandes e sumos, e inclusivamente à pequena e média indústria, especialmente no setor das manufaturas. Contexto que firmou a comunidade portuguesa, que hoje será composta por aproximadamente meio milhão de luso-venezuelanos, num pilar estruturante do desenvolvimento urbano, económico e sociocultural da sociedade venezuelana.

Numa época em que a Venezuela vive uma situação complexa do ponto de vista económico, politico e social, que se agravou ainda mais devido à pandemia de coronavírus, a “viagem da esperança” de Froilán Ramos Rodriguez ao reconstruir a memória do passado da comunidade portuguesa na pátria de Simón Bolívar, representa também um sinal de coragem no presente e de esperança no futuro de uma comunidade, que nas palavras do investigador “se ha identificado por su laboriosidad, (…) su trabajo constante en su establecimiento, su silencio y reserva, su devoción por la Virgen de Fátima y su gusto por el fútbol”.

MONUMENTOS AOS COMBATENTES DA GUERRA COLONIAL NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

A Guerra Colonial (1961-1974), época de confrontos bélicos entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, representa um dos acontecimentos mais marcantes da história nacional e africana de expressão portuguesa do séc. XX.

Conflito bélico dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de portugueses, que prestaram serviço militar nas três frentes de combate, onde tombaram cerca de 8.300 soldados, assim como para as populações angolanas, guineenses e moçambicanas, cujo número total de vítimas, entre guerrilheiros e civis, terá sido superior a 100 mil mortos.

A densidade vivencial e o impacto da também conhecida como Guerra do Ultramar na sociedade portuguesa têm sustentado ao longo das últimas décadas a inauguração no território nacional de inúmeros monumentos de homenagem aos militares mortos, e que rondam já cerca de três centenas.

No cômputo da lista de monumentos alusivos aos combatentes da Guerra Colonial, que se encontram assinalados pela Liga dos Combatentes (LC) no livro “Monumentos Aos Combatentes da Grande Guerra e do Ultramar”, grande parte deles construídos no séc. XXI, e que segundo tenente-general Chito Rodrigues, Presidente da LC, são “a expressão de um sentimento profundo nacional acerca do que foi a guerra colonial e dos sacrifícios que o povo português fez nesse conflito", destaca-se ainda a existência de três monumentos construídos no seio das comunidades portugueses no Canadá e nos Estados Unidos.

No Canadá, onde se estima que na atualidade vivam mais de meio milhão de luso-canadianos, o primeiro monumento a ser erigido em memória dos combatentes que tombaram na guerra do Ultramar foi inaugurado em 2009, na cidade de Winnipeg, capital da província de Manitoba.

Projetado pelo arquiteto português Varandas dos Santos, o memorial impulsionando pela Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra de Manitoba e Núcleo da Liga dos Combatentes de Portugal em Winnipeg, e concretizado com o apoio da Província de Manitoba, da Liga dos Combatentes, da Comunidade Luso-Canadiana, da Associação Portuguesa de Manitoba e da Chapel Lawn Memorial Gardens, invoca os militares do passado, presente e futuro.

Em 2012, a cidade de Oakville, junto a Toronto, capital da província de Ontário onde se estima que vivam mais de 20 mil antigos combatentes da Guerra do Ultramar, assistiu à inauguração, no cemitério Glen Oak Memorial Garden, de uma estátua em homenagem aos militares portugueses e canadianos mortos em situações de guerra.

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O historiador Daniel Bastos (dir), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, em visita, em 2019, ao monumento de homenagem aos antigos combatentes da Guerra do Ultramar na cidade de Oakville, junto a Toronto, na companhia do ex-combatente da Guerra Colonial e Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural 25 de Abril em Toronto, Artur Jesus (esq.)

 

O monumento, concebido em conjunto pelo arquiteto Varandas dos Santos e pelo comendador José Mário Coelho, e impelido pela Associação dos Ex-combatentes do Ultramar Português no Ontário, foi instalado no talhão denominado “Nossa Senhora de Fátima”. O monumento, que contou com apoios financeiros da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e da Liga de Combatentes de Portugal, sobressai pela existência de vários elementos, dos quais se destacam uma Cruz de Cristo e um capacete de um soldado, tendo ainda a inscrição: “Sacrificados em vida, respeitados na morte”.

Ainda na América do Norte, mas já nos Estados Unidos, mais concretamente em Lowell, cidade do condado de Middlesex em Massachusetts, estado que alberga uma grande comunidade luso-americana de origem açoriana, foi inaugurado em 2000 um monumento em memória dos falecidos e ex-combatentes do ultramar português e dos participantes da Revolução de 25 de Abril de 1974. Impulsionado pela numerosa comunidade luso-americana, com especial destaque para Dimas Espínola, uma referência no mundo comunitário luso de Lowell, o monumento teve o apoio resoluto, entre outros, do Portuguese American Center, do Portuguese American Civic League e da Associação de Veteranos de Lowell.

MONUMENTOS AO EMIGRANTE EM PORTUGAL

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  • Crónica de Daniel Bastos

A dimensão e relevância da emigração no território nacional, uma constante estrutural da sociedade portuguesa, têm impelido a construção nos últimos anos, um pouco por todo o país, de vários monumentos ao emigrante, com o objetivo de reconhecer e homenagear o contributo que prestam ao desenvolvimento das suas terras de origem.

Como observam as sociólogas Alice Tomé e Teresa Carreira no artigo Emigração, Identidade, Educação: Mitos, Arte e símbolos Lusitanos, este fenómeno de construção de monumentos ao emigrante “marca na atualidade a paisagem portuguesa”, sendo em grande medida o reflexo da “alma de um povo lutador, trabalhador, fazedor de mitos que, pelas mais variadas razões, não hesita em dobrar fronteiras”.

São muitos e variados os exemplos de monumentos aos emigrantes que povoam a paisagem portuguesa, como facilmente se comprova através de uma simples pesquisa na Internet. No Minho, por exemplo, alfobre tradicional da emigração portuguesa, há dois anos foi inaugurada na freguesia de Belinho, concelho de Esposende, uma estátua que celebra os emigrantes da povoação, e cuja simbologia alarga-se ao município numa homenagem a todos aqueles que “deram novos mundos ao mundo”.

No concelho de Ourém, um município localizado na região do Centro que se construiu com a emigração, ergueu-se em 2011, na freguesia de Espite, num território que é conhecido como o “berço” dos franceses, um monumento ao emigrante. No Funchal, capital do arquipélago da Madeira, região indelevelmente marcada pelo fenómeno da emigração, desde a década de 1980 que subsiste um monumento ao emigrante madeirense, e que homenageia os emigrantes naturais da “Pérola do Atlântico” instalados por todo o mundo. Na mesma esteira, em Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, existe desde o fim do séc. XX, um monumento aos emigrantes e que laureia o povo açoriano disperso pelo mundo.

Nesta última região autónoma, foi inaugurado no mês passado na Ribeira Grande, também na ilha de S. Miguel, a Praça do Emigrante, um espaço público urbano que homenageia os emigrantes açorianos que partiram em busca de melhores condições de vida, e cuja animação cultural passa a estar a cargo da AEA – Associação dos Emigrantes Açorianos, um organismo independente, com sede nas instalações do Museu da Emigração Açoriana.

Uma praça, cujo centro é ocupado por um imponente globo revestido a pedra de calçada portuguesa, com quatro metros de diâmetro, concebido por Luís Silva, e intitulado “Saudades da Terra”, expressão que Gaspar Frutuoso, personagem insigne do passado micaelense, utilizou no século XVI para resumir um sentimento maior, comum não só aos emigrantes açorianos, mas a todos os emigrantes portugueses.

Além do globo, a Praça do Emigrante é engrandecida por um desenho na calçada em redor, denominado “Shore To Shore”, da autoria do escultor canadiano Luke Marston, trineto do picoense Joe Silvey, um pioneiro da sociedade multicultural no Canadá. Assim como por uma “Calçada dos Mundos”, concebida por Liliana Lopes, e dois murais, um deles com bandeiras dos principais destinos da emigração açoriana (Bermudas, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, Havai e Uruguai).

EXPERIÊNCIAS E EXPECTATIVAS DOS NOVOS EMIGRANTES PORTUGUESES: REINTEGRAÇÃO E MOBILIDADES

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  • Crónica de Daniel Bastos

No conjunto dos vários projetos que têm sido dinamizados no campo da emigração portuguesa destaca-se atualmente o projeto “Experiências e expectativas de regresso dos novos emigrantes portugueses: reintegração e mobilidades” (EERNEP), cujo principal objetivo passa por estudar o regresso de emigrantes portugueses, com enfoque em países de destino dos maiores fluxos de entrada nos últimos anos, como o Reino Unido, França e Luxemburgo, de forma a poder atender às diferenças contextuais no processo de tomada de decisão e de efetiva experiência de regresso.

Coordenado pelo Instituto Politécnico de Leiria, e impulsionado pelos investigadores Filipa Pinho, José Carlos Marques e Pedro Góis, o projeto EERNEP, cuja duração prolonga-se até 30 de setembro de 2021, assenta numa estratégia extensiva e intensiva, com recurso a análise documental, entrevistas a informadores privilegiados, inquérito (online e presencial) e entrevistas a emigrantes e regressados recentes. Segundo os investigadores, a recuperação da crise económica em Portugal, iniciada após 2015, combinada com o lançamento do “Programa Regressar”, e as novas crises na Europa, como o Brexit, abriram uma expetativa de aumento dos movimentos de regresso ao país.

É tendo por base este pressuposto estruturante que a investigação procurará responder às seguintes questões: 1) Que fatores influenciam as intenções e as decisões de regresso dos migrantes?; 2) De que forma as crescentes formas de circulação permitem ir concretizando e/ou adiando os projetos de regresso e contribuem para sustentar o desenvolvimento de práticas transnacionais entre o país de destino e de origem?; e 3) Qual o potencial de mobilização das competências, experiências e recursos destes migrantes para a capacitação regional e para a elaboração de estratégias de inovação e desenvolvimento regional?

Ainda que na atualidade, os efeitos da pandemia de coronavírus que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, possa entravar a expetativa de aumento dos movimentos de regresso ao país. O busílis do projeto deslinda que o futuro de Portugal passa, em grande medida, pela capacidade de atração de capital humano da Diáspora, uma componente fundamental para a atenuação do decréscimo populacional nacional, para a prossecução de um saldo migratório positivo, e para robustecer as potencialidades e recursos que contribuem para o desenvolvimento sustentado do território nacional.

Como sustenta Maria Ortelinda Barros Gonçalves, no trabalho publicado no início da década de 2010, “Emigração, regresso e desenvolvimento no Barroso (Portugal)”, acerca do impacto do regresso sobre a dinâmica económica concelhia na região periférica do interior norte, embora sendo mais agentes de consumo do que de investimento, regista-se, entretanto, uma introdução clara de novos hábitos, por parte dos emigrantes regressados, proporcionando uma certa urbanidade local. Os ex-emigrantes de faixas etárias mais jovens revelam espírito empreendedor, tendo, inclusive, feito renascer alguns mercados locais, gerando emprego e o aparecimento de outras actividades”.

A GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.   

Como apontam Miguel Monteiro e Maria Beatriz da Rocha-Trindade no artigo “Emigração e Retorno”, o processo de musealização da memória histórica e social da emigração nacional, além de fomentar o conhecimento e a investigação, promove igualmente “a pesquisa do papel dos emigrantes nos territórios de emigração e de retorno na arquitetura, indústria, comércio, filantropia, jornalismo, associativismo, artes, no trânsito das ideias em Portugal e nos territórios de destino”.

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ CRIA GABINETE DE APOIO AO EMIGRANTE

O Município de Arcos de Valdevez, que se mostra empenhado em intensificar o envolvimento dos emigrantes no desenvolvimento do concelho, criou o GAE - Gabinete de Apoio ao Emigrante.

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Uma vez que, para a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez assume particular relevância a relação com a comunidade de emigrantes arcuenses, este gabinete surge para prestar apoio no regresso e reinserção dos emigrantes no país.

Dirigido aos emigrantes, àqueles que já regressaram, assim como todos os cidadãos e empresas que pretendam iniciar um processo migratório, com o GAE - Gabinete de Apoio ao Emigrante, o Município pretende oferecer um atendimento de grande proximidade e dar apoio em várias áreas, fomentando a inter-relação entre o Município e as Comunidades Portuguesas.

O GAE está capacitado para responder a questões inerentes ao regresso dos cidadãos e reinserção em todas as suas vertentes, seja social, jurídica, económica, investimento, emprego, estudos, entre outras. Para além disso, o serviço encontra-se apto a apoiar os emigrantes em matérias da competência da Câmara Municipal, nomeadamente nos Licenciamentos, Alvarás, Projetos e Ação Social, assim como prestar apoio junto de outros organismos públicos.

Desta forma, com a criação deste Gabinete, o Município pretende congregar os talentos das comunidades arcuenses, o seu dinamismo, o seu apego às raízes e aos valores que a distinguem, em prol do progresso do concelho de Arcos de Valdevez.

VILA VERDE: VILA DE PRADO RECEBE EMIGRANTES

3ª edição do Prado Day assinala a ‘Receção ao Emigrante’

O comércio da Vila de Prado continua unido em torno de uma série de iniciativas conjuntas para dinamizar a economia local no pós-confinamento e o Prado Day regressa já no próximo sábado, 8 de agosto.

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As lojas abrem as portas aos visitantes em horário alargado, das 9h às 20h, com oportunidades e descontos imperdíveis.

Desta vez, para assinalar a chegada do mês de agosto e o regresso de muitos emigrantes à terra natal, a vila vai vestir-se a rigor com as cores nacionais e os símbolos e tradições mais típicos de Portugal.

A praça da alimentação volta ao largo de São Sebastião, durante os dias 7 e 8, com os cafés e restaurantes locais a marcarem presença e a servirem os clientes numa esplanada ao ar livre, ideal para conviver e reencontrar amigos, com o devido distanciamento social.

Durante a tarde de sábado, a Associação Etnográfica e Cultural Rancho Folclórico Da Vila de Prado vai desfilar charme, cultura e tradição pelo centro da vila. Segue-se um pequeno espetáculo para animar a festa, só com canto ou dança, sem contacto físico.

E porque os mais pequenos também não ficam esquecidos, a tarde continua com a atuação de um palhaço que promete fazer as delícias dos miúdos e arrancar muitas gargalhadas.

Estão todos convidados a fazerem parte deste dia e a celebrarem o regresso dos nossos emigrantes, em mais uma excelente oportunidade para apoiar e dinamizar o comércio local.

FAMALICÃO ASSINALA DIA DO EMIGRANTE COM FAMALICENSES NO MUNDO

Sessão decorre no sábado, 8 de agosto, a partir das 11h00, em S. Miguel de Seide

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão vai assinalar no próximo sábado, 8 de agosto, o Dia do Emigrante, com uma cerimónia simbólica dedicada aos “Famalicenses no Mundo”.

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A sessão vai realizar-se a partir das 11h00, no auditório da Casa de Camilo – Centro de Estudos, em S. Miguel de Seide, e vai ficar marcada pela entrega – por parte do presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha – dos primeiros ID Cards aos emigrantes famalicenses presentes na iniciativa.

O ID card é um cartão de identificação que formaliza a pertença à rede Famalicenses no Mundo, constituindo um importante instrumento de dinamização e divulgação da rede, fomentando um sentimento de partilha e pertença entre todos os membros que a integram e permitindo que se deem a conhecer dentro, mas também fora da rede. 

A cerimónia será condicionada às regras de seguranças estipuladas pela DGS dada a situação de pandemia em que vivemos, sendo transmitida em live streaming, na página do Facebook dos Famalicenses no Mundo (https://www.facebook.com/FamalicensesNoMundo/). Muitos dos Famalicenses no Mundo, impossibilitados de participar, estarão nas suas cidades de acolhimento a partilhar o momento.

Refira-se que o município de Vila Nova de Famalicão tem vindo a desenvolver o Projeto Famalicenses no Mundo, integrado na Agenda de Diplomacia Urbana e na Estratégia Municipal de Internacionalização.

Este projeto tem vindo a consubstanciar-se na criação de uma Rede que integra já mais de uma centena de concidadãos espalhados pelo mundo, da Ásia à América do Norte, passando pela Europa, África e América do Sul. Estes Famalicenses, embora envolvidos na execução dos seus projetos pessoais e profissionais nos locais que escolheram para viver e trabalhar, muitas vezes longínquos, não esquecem as suas origens e os fortes laços que os unem a Famalicão.

O objetivo do projeto Famalicenses no Mundo é o de conhecer e manter contacto com os cidadãos de Famalicão que se encontram espalhados pelo Mundo, abrindo um canal de comunicação e de informação direta entre Vila Nova de Famalicão e a diáspora famalicense, incentivando a que cada um dos Famalicenses no Mundo possa ser um “Embaixador” informal do nosso concelho na cidade ou região onde reside.

CARLOS MATOS, UM EMPRESÁRIO PORTUGUÊS DA DIÁSPORA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

Nos vários exemplos de empresários portugueses da Diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do empresário Carlos de Matos.

Originário da freguesia de Carvide, no concelho de Leiria, Carlos de Matos emigrou “a salto” para França em 1969, então com 18 anos, após uma transição entre a infância e a idade adulta marcada por experiências como moço de recados e operário numa fábrica de vidro. Como grande parte dos portugueses que vivenciaram a epopeia da emigração para França nos anos 60, o leiriense chegou à região parisiense com uma mão à frente e outra atrás, conseguindo o seu primeiro trabalho como eletricista e a sua primeira solução de habitação no bidonville (bairro de lata) de Champigny.

As dificuldades de adaptação e o desejo de conhecer África, trouxeram ainda em 1972 Carlos de Matos ao torrão natal para fazer a tropa, da qual tinha fugido, e ser mandado para a guerra colonial em Moçambique. Após o 25 de Abril e depois de uma curta experiência ao volante de um dos táxis do pai em Leiria, voltou para França onde foi eletricista por uns anos, até se tornar no alvorecer dos anos 80 dono da sua primeira empresa, que batizou de ERA, especializada em reboco, e que através da sua vontade de vencer e dedicação ao trabalho se tornaria a maior empresa do ramo no território gaulês.

As vicissitudes da vida levaram o empresário e empreendedor luso nos anos 90 a criar o Grupo Saint Germain, direcionado para o ramo imobiliário, que em pleno séc. XXI viria a ser o responsável pelo gigantesco centro de negócios “Paris-Ásia Center”, junto ao aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, destinado a promover trocas comerciais e profissionais entre a França, a Europa e a China.

Nunca abdicando da coragem, frontalidade e audácia de pensar, dizer e fazer, Carlos de Matos tem ao longo dos últimos anos contribuído igualmente para o impulso da economia nacional, revelando a importância e potencialidade dos empresários das Comunidades Portuguesas no desenvolvimento do país.

Presentemente, o empresário luso-francês que parece seguir o lema do célebre magnata Jean Paul Getty: “O empresário verdadeiramente bem-sucedido é essencialmente um dissidente, um rebelde que raramente ou nunca está satisfeito com o status quo”-, prepara-se para levar a cabo dois relevantes projetos imobiliários em Portugal, num investimento global que ronda dos 90 milhões de euros. Um é no concelho do Barreiro, onde o Grupo Saint Germain vai reabilitar a Quinta Braamcamp, o outro é em Monte Gordo, no Algarve, um dos melhores destinos de férias da Europa.

CAMÕES RÁDIO & TV, UMA ESTAÇÃO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Ao longo do anos a comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes na nação canadiana, tem sido palco de uma notável multiplicidade de meios de comunicação social produzidos pelos emigrantes lusos e seus descendentes.

Como destaca a investigadora Sónia Ferreira em A emigração portuguesa e os seus meios de comunicação social: breve caraterização, no termo da primeira década do séc. XXI “existiam na província do Ontário cerca de seis rádios com difusão em português: cinco estações consideradas portuguesas e uma estação multicultural que dispõe de programação em língua portuguesa. Em termos de imprensa portuguesa foram contabilizados, para o Canadá, 22 publicações. O Canadá apresenta-se mesmo como um exemplo relevante pela multiplicidade de meios de comunicação social migrantes existentes”.

No profícuo campo dos órgãos de comunicação social luso-canadianos, uma das estações que mais se tem destacado ao longo da última década tem sido indubitavelmente a Camões Radio & TV. Uma estação radiofónica e televisiva integrada na empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade portuguesa, inclusive lusófona, no território canadiano.

Ao longo da última década a Camões Radio & TV tem-se destacado no panorama da imprensa luso-canadiana em Toronto através do lançamento de novos programas de rádio e televisão, novas secções de informação temática e novos conteúdos, inovando e seguindo os principais desafios da comunicação social da Diáspora. Prosseguindo uma missão e visão ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto, a Camões Radio & TV destaca-se atualmente por produzir informação de qualidade, de forma ética e independente, que ajuda a promover a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana.

A dimensão social, estreitamente ligada à solidariedade, é mesmo uma das marcas mais características da Camões Radio & TV, indelevelmente ligadas aos valores preconizados, em geral, pela MDC Media Group, e em particular pelo seu presidente, o comendador Manuel da Costa.

Presentemente, nestes tempos difíceis que atravessamos devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise mundial sem precedentes, e que também afetou a comunidade luso-canadiana, a Camões Radio & TV, em linha com a MDC Media Group, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada, procurando assim ajudar a minimizar os efeitos da crise socioeconómica que bateu à porta de muitos concidadãos. Uma campanha de solidariedade, entre várias outras já dinamizadas pela Camões Radio & TV ao longo dos anos, que sublima a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.