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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MUNICÍPIO ARCUENSE JUNTO DA DIÁSPORA EM CENON (FRANÇA)

Celebrada parceria económica entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

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O Vice-presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Hélder Barros, esteve recentemente em Cenon para representar o Município em vários atos, entre os quais a assinatura da convenção de parceria entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

Através desta Geminação de cariz económico será feita a dinamização do trabalho articulado de promoção e desenvolvimento do comércio, indústria, turismo e de outras iniciativas económicas, sociais, culturais e desportivas de interesse para todos.

A CCIB trará para esta parceria toda a sua experiência na implementação de possíveis ações através da promoção de produtos locais emblemáticos, nas várias iniciativas em que participa, nomeadamente Thank You For Coming, Manacom, Asso Bordelaises e nas suas escolas.

Já Arcos de Valdevez e Cenon comprometem-se a apoiar intercâmbios entre os signatários, assim como, a desenvolver conjuntamente atividades de cariz económico, cultural e desportivo e provir os recursos humanos necessários para atingir esses objetivos.

Estas idas ao estrangeiro por parte da Câmara Municipal refletem a valorização que o Municipio imprime ao papel das comunidades arcuenses e pretendem fortalecer os laços que nos unem em torno de um propósito comum: o melhor para Arcos de Valdevez e para os Arcuenses.

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MEMÓRIAS DE SÃO ROQUE DO FAIAL: AS VOZES DOS EMIGRANTES

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na freguesia de São Roque do Faial, uma freguesia do concelho de Santana, ao norte da Ilha da Madeira, encravada na base do Maciço Montanhoso Central, entre a Ribeira da Metade e a Ribeira do Castelejo, está a ser dinamizado nos últimos anos um projeto comunitário singular em torno da temática da emigração.

Intitulado “Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes”, o projeto é fruto de uma ideia inspirada nos fluxos emigratórios desta povoação madeirense conhecida pela sua ruralidade e fantásticos miradouros. Esta realidade sócio histórica conduziu à criação de um espaço de partilha, conhecimento e informação sobre as tradições e cultura da freguesia com o principal objetivo de estabelecer um elo de ligação entre os residentes e emigrantes de São Roque do Faial.

Procurando preservar, respeitar e transmitir a cultura e tradição associada à pitoresca freguesia madeirense, bem como contactar diretamente e ativamente com os seus usos e costumes, de forma a manter vivas as tradições, como é o caso das vindimas, das romagens no Natal, das festas do verão, designadamente o dia do padroeiro S. Roque, das lendas e das imensas belezas naturais misturadas com aromas e cores, o projeto assenta parte significativa do seu trabalho no levantamento das histórias de vida e testemunhos dos emigrantes.

Não poderia ser de outra forma, porquanto numa povoação fortemente marcada pela emigração, como reconhecem os responsáveis do projeto comunitário, não há casa que não tenha família emigrante ou residentes que tenham sido emigrantes no Brasil, Venezuela, Austrália, África do Sul, Estados Unidos ou Inglaterra.

Neste sentido, este projeto comunitário que tem sido dinamizado ao longo dos últimos anos na freguesia de São Roque do Faial, reveste-se de um valor cultural de importância local, regional e nacional. Pois além de preservar aspetos culturais de carácter etnográfico da povoação e da região, e de divulgar junto das novas gerações a cultura tradicional, através da recolha e registo de usos e costumes, saberes e fazeres, histórias e memórias, existe um claro propósito de reconhecer, valorizar e dignificar as sucessivas gerações locais, que à imagem e semelhança de muitos compatriotas, um dia deixaram o país para demandarem outras paragens à procura de uma vida melhor.

MUNICÍPIO DE FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCLOURT

Alunos do concelho ficaram a conhecer vida e obra do fotógrafo

Gérald Bloncourt, conceituado fotógrafo, falecido no passado dia 29 de Outubro, foi homenageado, hoje, em Fafe. Pompeu Martins, Vereador da Cultura do Município de Fafe, e Artur Coimbra, historiador e diretor dos Museus de Fafe, distribuíram, junto da comunidade escolar, uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se lê um breve resumo daquilo que foi a vida do artista. Os alunos ficaram, assim, a conhecer a vida e obra de Gérald Bloncurt e o contributo imenso que o fotógrafo teve no retrato da emigração em todo o mundo.

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Nos Paços do Concelho, está em exposição um conjunto de fotografias de Gérald Bloncourt e foi colocada, na fachada do edifício, umretrato do fotógrafo, homenageando, desta forma, todo o seu legado, e em especial, a sua dedicação e carinho a Fafe.

Pompeu Martins salientou que “Gérald Bloncourt foi um grande amigo de Fafe. Ofereceu-nos 104 fotografias, um espólio extraordinário que é a herança maior e a cobertura mais bem conseguida da emigração portuguesa para França na década de 60. É considerado um dos maiores fotógrafos do mundo a tratar este assunto. Foi acompanhando, passo a passo, a vida dos nossos emigrantes, com uma sensibilidade muito especial.”

Quando Gérald conheceu o Museu das Migrações, confidenciou-me ‘Agora já posso partir em paz que a dignidade destas pessoas nunca se perderá’. Ele acreditava que a emigração, a saída das pessoas para outros países à procura de uma vida melhor, prendia-se sobretudo com uma luta pela dignidade humana.”

O que hoje estamos a fazer em todas as escolas do concelho é a nossa homenagem e uma forma de dizer ‘Obrigado Gérald Bloncourt’. Um homem que foi um lutador, de uma coerência extraordinária.”

Isabel Bloncourt, esposa de Gérald Bloncourt, revelou-nos, ontem, depois de saber desta homenagem que hoje lhe fazemos, que trazermos a obra dele às novas gerações representa a razão da vida dele, que foi sempre acreditar ‘no dia que virá’, como escreveu num dos seus versos.”, acrescentou.

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Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu a 29 de Outubro, em Paris, cidade onde, hoje, decorreram as suas cerimónias fúnebres.

Ontem, completaria, 92 anos de uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.

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FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCOURT

Município de Fafe homenageia Gérald Bloncourt

Na próxima segunda-feira, 5 de Novembro, aquando das cerimónias fúnebres de Gérald Bloncourt, em Paris, o Município de Fafe homenageia o conceituado fotógrafo com uma iniciativa nas escolas, junto da comunidade escolar.

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O Vereador da Cultura e Educação, Pompeu Martins, vai deslocar-se a várias escolas do concelho para distribuir pelos alunos uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se poderá ler um breve resumo daquilo que foi a vida do artista, querendo, com isso, devolver aos jovens a obra do homenageado.

Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu esta segunda-feira, 29 de Outubro, em Paris. Em 4 de Novembro próximo, faria 92 anos. Uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.

GÉRALD BONCLOURT: O FOTÓGRAFO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

No ocaso do passado mês de outubro, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento do nonagenário fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt. Um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um fundamental para a (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França 2

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França

 

Radicado em Paris há mais de meio século, o antigo fotojornalista e colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França 1

Menos conhecidas, mas nãos menos importantes, são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração portugueses constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o aclamado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

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FALECEU GÉRALD BLONCOURT – O FOTÓGRAFO QUE DEU A CONHECER A VIDA MISERÁVEL DOS EMIGRANTES PORTUGUESES NOS SUBÚRBIOS DE PARIS

De acordo com notícia publicada na sua página oficial no Facebook, Gérald Bloncourt deixou-nos esta manhã, aos 92 anos de idade, a escassos dias de completar mais um aniversário. Gérald Bloncourt nasceu no dia 4 de Novembro, no Haiti. Naturalizado francês, residia nos arredores de Paris.

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Fotógrafo e pintor, a ele devem os portugueses a forma como retratou a situação difícil vivida pelos portugueses nos bairros de lata periféricos da cidade de Paris, entre os anos cinquenta e setenta do século passado, contribuindo dessa forma para dar visibilidade à situação miserável em que se encontravam e contribuir para a sua mudança e melhoria das condições de vida no país de acolhimento.

Além das fotografias históricas que Gérald Bloncourt captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bidonvilles dos arredores de Paris, que já integraram várias exposições em Portugal e França, a obra reúne ainda memórias, testemunhos e imagens originais que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes lusitanos além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanecem como a maior manifestação popular da história portuguesa.

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Mais recentemente veio a Fafe onde foi criado o Museu da Emigração, colaborou com o historiador Fafense Daniel Bastos na publicação de algumas obras, de entre as quais salientamos “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

Em 2016, foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique. A homenagem teve lugar em Champigny, símbolo da presença portuguesa, onde aliás o associativismo das nossas gentes continua a registar presença marcante e a Rádio Alfa possui os seus estúdios a emitir diariamente para toda a comunidade portuguesa.

Publicamos algumas fotos que retratam a vida dos nossos compatriotas em França.

Fotos: Gérald Bloncourt / http://bloncourt.over-blog.net/

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FERNANDO CRUZ GOMES, DECANO DOS JORNALISTAS DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso deste mês, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 78 anos, do decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto, Fernando Cruz Gomes, um dos rostos mais conhecidos da numerosa prole luso-canadiana que vive na quarta maior cidade da América do Norte. 

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Natural da vila de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, Fernando Cruz Gomes, iniciou nos finais dos anos 50 a sua vida profissional como jornalista, no vetusto “Primeiro de Janeiro”, um jornal diário que se publicou na cidade do Porto. Mas foi em solo africano, mais concretamente em Angola, antiga província ultramarina portuguesa, onde residiu durante 25 anos, que o seu trabalho jornalístico ganhou amplitude e profundidade, através do desempenho de funções em diversos meios de comunicação, jornais e rádios, como o "ABC Diário de Angola", a "Rádio Eclésia", no diário de Luanda "O Comércio", "A Província de Angola" (atual “Jornal de Angola”), no "Rádio Clube de Benguela" e na "Emissora Oficial de Angola".

No início da Guerra do Ultramar em Angola, a 15 de março de 1961, Fernando Cruz Gomes, chegou a acompanhar sozinho os combates entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação deste território da costa ocidental de África. Durante o seu percurso jornalístico por terras africanas, o profissional de comunicação social, foi ainda presidente da secção de Angola do Sindicato Nacional de Jornalistas, onde se manteve até finais de 1974.

 A sua chegada ao Canadá ocorreu em 1975, ano do conturbado processo de descolonização. Na nova pátria de adoção, foi fundador e diretor de jornais comunitários, como "Popular", "Comércio", "Mundo", ABC Portuguese Canadian Newspaper e "A Voz", e editor e repórter na CIRV Rádio e na FPTV.

As suas multifacetadas funções jornalísticas em Toronto, inclusive de correspondente durante vários anos da Lusa, foram fundamentais para a promoção e conhecimento da língua, cultura e pulsar da comunidade luso-canadiana. E estiveram na base do justíssimo reconhecimento de que foi alvo em 2014, com a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços relevante que prestou à pátria de Camões.

LIVRARIAS EMBAIXADORAS DA LÍNGUA E CULTURA LUSÓFONAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos tem-se assistido em Portugal ao encerramento de um conjunto significativo de livrarias, muitas delas antigos espaços culturais de eleição, de encontro, de convívio e de cidadania. O recente fecho de portas, em Lisboa, da Aillaud & Lellos, da Book House, da Bulhosa Livreiros e da Pó dos Livros, ou no Porto, da Leitura, são apenas alguns destes tristes exemplos que têm pautado o panorama cultural nacional.

A evolução e a crise do mercado, a concorrência de grandes cadeias, a forte pressão nas rendas do mercado imobiliário, a falta de apoios ou a alteração do modo de ler, que já não se cinge exclusivamente a ler o livro em papel, são alguns dos motivos que estão na base do encerramento destes estabelecimentos culturais ameaçados de extinção.

Este fenómeno de empobrecimento da vida cultural não é um exclusivo do país, tendo-se igualmente acentuado nos últimos anos no seio das Comunidades Portuguesas. Longe vão os tempos em que a Livraria Lusófona, do editor João Heitor, foi durante mais de duas décadas um espaço singular na difusão da língua e cultura portuguesa a partir do Quartier Latin em Paris. Uma triste sina de desaparecimento que atingiu também nos tempos mais recentes a antiga livraria Orfeu, sediada em Bruxelas, propriedade do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, cujo desiderato visava promover as culturas portuguesas e galega no coração da Europa. Assim como, a Livraria Camões, em Genebra, do emigrante e livreiro natural do Porto, António Pinheiro, uma genuína embaixada literária de Portugal em terras helvéticas.

Com mais ou menos dificuldades, subsistem ainda algumas livrarias disseminadas pelas Comunidades Portuguesas, que como no território nacional, vão resistindo aos ventos da extinção, teimando em funcionar como polos agregadores e difusores da cultura e língua lusa. Como é o caso da Livraria - die portugiesische & brasilianische Buchhandlung em Berlim, a Luso Livro em Zurique, a Livraria Portuguesa de Macau, um espaço incontornável da portugalidade no Oriente, ou a recém-criada La petite portugaise, uma nova livraria portuguesa em Bruxelas que pretende divulgar a cultura lusófona.

A prossecução cultural destes espaços no seio das Comunidades Portuguesas, demandam neste sentido o apoio resoluto das instâncias competentes do Estado Português ao nível política cultural externa do país, que não podem olvidar a missão destas livrarias, verdadeiras embaixadoras da língua, cultura e expressão lusófona.

O PAPEL DOS CÔNSULES HONORÁRIOS DE PORTUGAL

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  • Crónica de Daniel Bastos

Em meados deste ano, realizou-se em Lisboa, no Museu do Oriente, o primeiro Seminário dos Cônsules Honorários intitulado “Rede honorária de Portugal no mundo: realidade e potencial”, que teve como principal objetivo promover e estimular uma reflexão e discussão sobre o papel destes representantes do Estado português, de modo a fortalecer os laços de união e cooperação com as comunidades portuguesas no mundo, e com as autoridades lusas.

A iniciativa, organizada pela Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros com a colaboração do Instituto Diplomático, teve o condão de computar a presença de mais de 100 cônsules honorários portugueses provenientes de 58 países dos cinco continentes, o que, por si só, é revelador da importância desta rede consular que exerce funções de defesa dos direitos e interesses legítimos do Estado Português e dos seus nacionais.

A posição do Cônsul Honorário foi aprovada pela Convenção de Viena de 1963 sobre as Relações Consulares, na qual todos os países membros das Nações Unidas são signatários. Em geral, os cônsules honorários portugueses são figuras gradas da comunidade local, com ligação ao mundo dos negócios, e que fruto em grande parte de restrições financeiras e escassez de recursos, atuam como representantes do Estado em locais distantes dos postos de carreira onde há uma presença significativa da comunidade lusa.

Dados recentes apontam para que a rede consular portuguesa contenha um total de 233 cônsules honorários, cujas nomeações são de livre escolha ministerial de entre cidadãos nacionais ou estrangeiros de reconhecida aptidão para a promoção e da defesa dos interesses portugueses, distribuídos por 108 países, estando 32 em África, 84 na América, 41 na Ásia, 69 na Europa e 7 na Oceânia.

Numa época em que a internacionalização das empresas nacionais, a atração de investimento estrangeiro, a promoção da imagem do nosso país, desde a cultura ao turismo, e a dinamização de negócios em mercados estratégicos, são vitais para o desenvolvimento socioeconómico luso, a atuação e o papel dos cônsules honorários constituem indubitavelmente uma mais-valia na afirmação e projeção de Portugal no Mundo.

O FESTIVAL KUNCHI E OS LAÇOS ANCESTRAIS ENTRE PORTUGAL E O JAPÃO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma vez mais, no âmbito de uma ancestral tradição japonesa, realiza-se nos próximos dias 7, 8 e 9 de outubro o Festival Kunchi, uma das festas populares mais conhecidas na cidade de Nagasaki, uma histórica metrópole da “Terra do Sol Nascente” fundada pelos portugueses na segunda metade do séc. XVI.

Portugal encerra a particularidade de o ser país europeu com a mais longa história de intercâmbio com o Japão, fruto de ter sido a primeira nação do “Velho Continente” a chegar e a estabelecer contactos com as gentes das “Terra do Sol Nascente”. Foi durante a expansão marítima quinhentista que se estabeleceram o início das trocas comerciais entre o Japão e os portugueses, à época chamados pelos japoneses “Nanban-jin”, isto é, “bárbaros do sul”, expressão que era nessa altura usada para identificar os povos ibéricos.

O intercâmbio comercial de há mais de quatrocentos anos, acarretava que os portugueses levassem para o território insular da Ásia Oriental, espingardas, pólvora, seda crua da China, entre outras mercadorias, e o Japão enviasse para a zona ocidental da Península Ibérica, prata, ouro e sabre japoneses, entre outros produtos. As vetustas relações comerciais entre as duas nações, estão na base de um conjunto expressivo de vocábulos de origem portuguesa que entraram na língua japonesa, como por exemplo, “pan” (pão), “koppu” (copo), “botan” (botão), “tabako” (tabaco) ou “shabon” (sabão).

A presença lusa no isolado Japão quinhentista e seiscentista teve igualmente uma conhecida dimensão missionária e evangelizadora, que redundou em ferozes perseguições movidas pelos xoguns aos missionários portugueses, receosos de uma eventual invasão por parte dos “bárbaros do sul” e temerosos da influência dos jesuítas nos nipónicos.

Ainda hoje uma das principais atrações do Festival Kunchi, celebrado todos os outonos desde o séc. XVI, e que depois também se tornou uma denúncia dos chamados cristãos-escondidos, é a “Nau Portuguesa”, apenas apresentada cada sete anos, e que constitui uma evocação histórica da expansão portuguesa até ao Japão. Assim como, um sinal perene que a história e cultura portuguesa são importantes e estratégicas para a afirmação do nosso país num mundo marcado pelos desafios da globalização, diversidade cultural e desenvolvimento.

A HERDADE VALE DA ROSA E O RECRUTAMENTO DE LUSO-VENEZUELANOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

A grave crise política, económica e social que tem assolado a Venezuela nos últimos anos, tem impelido o retorno de milhares de luso-venezuelanos ao território nacional, sobretudo à Madeira, região autónoma de onde é oriunda a maioria do quase meio milhão de emigrantes portugueses que vivem neste país da América do Sul.

Estima-se que no ano passado, tenham chegado à “pérola do Atlântico" quase quatro mil lusodescendentes vindos do país liderado por Nicolas Maduro, e que se encontrem inscritos mil lusodescendentes no Instituto de Emprego da Madeira.

Com mais ou menos dificuldades, são públicos e notórios os esforços que as autoridades, e os serviços públicos regionais e nacionais, têm encetado na tentativa de procurar apoiar os cidadãos portugueses que regressaram ao país vindos da Venezuela, designadamente nas áreas da educação, da saúde, da segurança social e da inserção profissional.

Estes esforços não se esgotam nas esferas públicas regionais e nacionais, antes pelo contrário, têm colhido também apoio e recetividade na sociedade civil, mormente nos meios associativos e empresariais, que têm procurado dentro das suas possibilidades contribuir para a integração dos compatriotas que regressam da Venezuela em contexto de precariedade.

Um dos melhores exemplos desse apoio foi recentemente expresso pela Herdade Vale de Rosa, uma empresa agrícola do Baixo Alentejo que produz e comercializa uva de mesa, particularmente uva sem grainha, que através de um protocolo assinado com o Governo Regional da Madeira permite a emigrantes luso-venezuelanos terem acesso a oportunidades de emprego. Esta parceria imbuída de uma meritória responsabilidade social da Herdade Vale de Rosa, que já tem a trabalhar na sua estrutura cerca de 30 luso-venezuelanos, permite desde logo ao maior produtor nacional de uva de mesa suprir falta de mão-de-obra que não encontra na região onde se encontra implantada.

A necessidade de recrutamento da empresa, que prevê poder empregar cerca de 100 luso-venezuelanos, constitui um importante sinal de apoio à inserção socioprofissional de compatriotas regressados da Venezuela, assim como um sinal de esperança num futuro e uma vida melhor.

OS EMPRESÁRIOS DA DIÁSPORA E A VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO NACIONAL

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do mês de setembro, foi conhecido que um grupo de emigrantes madeirenses, que até à data não pretendem ser identificados, adquiriu o Forte de São José, também conhecido como Forte do Ilhéu, Forte da Pontinha ou Bateria da Pontinha, uma histórica fortificação madeirense localizada na freguesia da Sé, na cidade e concelho do Funchal.

Construído em meados do século XVIII, o Forte de São José é o local da primeira fortificação madeirense, na época do seu descobrimento. Espaço primevo de abrigo aos descobridores da ilha, o antigo baluarte foi com o decurso do tempo pouco valorizado enquanto património histórico, arquitetónico e cultural regional e nacional, tendo no final do séc. XX o mesma sido adquirido por um particular, e recentemente por um grupo empresarial de emigrantes que tem em vista a recuperação e valorização desta original estrutura patrimonial, cultural e histórica.

A ação benemérita e empreendedora deste grupo de emigrantes, cuja intenção visa a breve trecho abrir o Forte de São José ao público, com um núcleo museológico e com um bar de apoio, é reveladora das potencialidades da diáspora portuguesa, e em particular dos emigrantes-empresários na recuperação e valorização de património imobiliário público nacional.

Conquanto o conhecimento, estudo, proteção, valorização e divulgação do património cultural, constituam um dever do Estado, que assim assegura a transmissão de uma herança nacional, cuja continuidade e enriquecimento visa unir as gerações num percurso civilizacional singular, a escassez de recursos aliada à inadiável necessidade de salvaguardar património público que se encontra devoluto, impeliu o Governo a criar nesta área de atuação o programa Revive.

Lançado em 2016 pelos ministérios das Finanças, Cultura e Economia, o programa Revive permite concessionar a investidores privados património público que se encontra devoluto tornando-o apto para afetação a uma atividade económica com finalidade turística, e assim gerar riqueza e postos de trabalho. Trata-se de um projeto importante para a salvaguarda da identidade histórica, cultural e social do país, e um elemento potenciador do turismo e riqueza das regiões, que pode seguramente alcançar uma maior atratividade e dinâmica se for bem divulgado junto dos empresários portugueses espalhados pelo mundo.

AGOSTO, EMIGRANTES E ECONOMIA

  • Crónica de Daniel Bastos

Os dados mais recentes do desempenho da economia portuguesa, que tem mantido nos últimos anos uma trajetória de incremento, sustentam que no passado mês de agosto assistiu-se a uma forte dinâmica de crescimento alavancada no costumado regresso dos emigrantes à terra natal durante o período estival.

Daniel Bastos

A dinâmica económica resultante do regresso a casa nas férias de Verão de milhares de compatriotas que vivem e trabalham no estrangeiro, teve um impacto considerável ao nível da restauração e hotelaria, assim como ao nível do comércio. Segundo a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), a maior confederação empresarial do país, no segmento alimentar há inclusivamente lojas que registaram vendas em agosto superiores às habitualmente obtidas na quadra natalícia, época em que os estabelecimentos anseiam pelo potencial aumento de consumo.

As palavras de João Vieira Lopes, presidente da CCP, são inequívocas sobre o impacto económico do regresso dos emigrantes no Verão ao território nacional, com particular incidência no Centro e Norte, e sobretudo nas áreas do segmento alimentar:” Há lojas que conseguem faturar mais em agosto, com a vinda dos emigrantes, do que em dezembro, com o Natal”.

O dirigente da CCP salienta em especial, as vendas de vinho do Porto que os emigrantes “compram muito para levar e oferecer aos patrões e amigos”, assim como vestuário e calçado, “com preços mais atrativos em Portugal”, e eletrodomésticos e mobiliário.

A dinâmica que se verificou em agosto foi transversal a outras áreas da economia nacional, como por exemplo, no imobiliário, setor onde muitos emigrantes próximos da reforma e do regresso definitivo a Portugal continuam a aplicar as suas remessas, que continuam a aumentar não obstante o número de portugueses a saírem para o estrageiro estarem a recuar. Neste último campo, os dados continuam a indicar a França como a principal fonte das remessas dos emigrantes portugueses, embora o Reino Unido seja agora o principal destino dos novos emigrantes.

Pelos contributos atuais e vindouros, mas também pelas dinâmicas do passado, malgrado as causas e consequências negativas da emigração, o país contínua a ter nos emigrantes importantes catalisadores do seu desenvolvimento, e justos merecedores da nossa profunda admiração e respeito pelas suas trajetórias de vida.

MINHOTOS NA ARGENTINA DESFILAM EM BUENOS AIRES

Buenos Aires celebra Portugal!

Sob a divisa “Buenos Aires celebra Uruguay e Portugal”, as comunidades portuguesa e uruguaia saíram ondem à rua para mostrar as suas tradições e dar a conhecer os seus produtos tradicionais, símbolos da sua identidade. E, como não podia deixar de suceder, os minhotos estiveram na primeira linha, com a beleza e colorido dos seus trajes característicos, numa orgulhosa manifestação de identidade.

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A associação com o Uruguai não foi feita ao acaso. A começar pela Colónia do Sacramento, cidade fundada pelos portugueses e cuja zona histórica está classificada pela UNESCO como património mundial, o Uruguai possui inúmeras marcas da identidade portuguesa. Com a independência do Brasil, ficou integrado neste país constituindo a província da Cisplatina,

Fotos: Colectividades Argentinas

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PRESIDENTE DO MUNICÍPIO DE MONÇÃO DESEJA BOM REGRESSO AOS EMIGRANTES MONÇANENSES

Publicamos a mensagem do presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, desejando um bom regresso aos emigrantes e dizendo-lhes que, caso pretendam regressar definitivamente, o Município de Monção está de portas abertas e braços estendidos para os receber.

Presidente CMM, António Barbosa

BOM REGRESSO. VOLTEM SEMPRE!

“Depois de um merecido período de férias, os nossos emigrantes regressam ao país de acolhimento. Uns fizeram-no no passado fim-de-semana. Outros fazem-no neste. “O trabalho está à espera” ou “os filhos tem escola”, são algumas das frases que mais tenho ouvido nos últimos dias.

Apesar de a mobilidade e a comunicação estar mais facilitada nos dias de hoje, permitindo mais viagens à terra natal durante o ano e contactos permanentes com os familiares, a despedida é sempre um momento de angústia e tristeza para quem vai e para quem fica.

Nesta hora, quero desejar-vos uma boa viagem, feita com tranquilidade e segurança, e um regresso ao trabalho em total normalidade. Quero também dizer-vos que o Município de Monção está de portas abertas e braços estendidos, caso pretendam regressar definitivamente.

Durante o mês, falei com vários casais e empresários com vontade de regressarem a Monção. Fiquei satisfeito porque entendem que a nossa terra tem futuro para eles e para os seus filhos. Manifestei-lhes a minha total confiança no progresso de Monção. Esclareci-os sobre os projetos em curso e as expetativas para os próximos anos.

E disse-lhes também que podem contar com o apoio da autarquia através do Gabinete de Apoio ao Emigrante e do Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo. Queremos um concelho com potencial para a população viver com dignidade e os empresários investirem com segurança. Queremos uma terra de sucesso, onde todos se sintam bem. O nosso objetivo é firme e claro. Contamos com vocês”.

António Barbosa

Presidente da Câmara Municipal de Monção

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ PROMOVE FORMAÇÃO DE JOVENS EMIGRANTES NO CONCELHO

O Município de Arcos de Valdevez com a colaboração da EPRALIMA– Escola Profissional do Alto Limapretende dar a conhecer à comunidade de emigrantes em França, Suíça, Bélgica e Luxemburgo e outros países da União Europeia, que os emigrantes ou os seus descendentes podem obter um diploma profissional em Portugal, similar ao BacPro (BaccalauréatProfessionnel).De referir que, entre outros apoios, a estadia, os transportes e o material didáticosão gratuitos.

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Pretende-secom esta iniciativa, dar um contributo para aumentar o número de jovens com formação certificada; disponibilizar pessoas com formação profissional às empresas que se debatem com falta de trabalhadores qualificados; divulgar as oportunidades de formação e emprego no concelho; e apoiar a fixação e o regresso de pessoas ao concelho.

A região está, neste momento, em expansão. São, cada vez mais, as empresas, nomeadamente francesas, que se instalam e têmnecessidades de mãos-de-obra em diferentes áreas.

A EPRALIMA oferece um leque alargado de 9 cursos, tem 500 alunos e oferece estágios em empresas e instituições que permitem aos alunos demonstrar as suas capacidades profissionais.

Aos jovens interessados emestudaremArcos de Valdevez e obter um certificado profissional, a EPRALIMA tem os seguintes Cursos Profissionais Técnico de:

  • Cozinha/Pastelaria;
  • Restaurante-Bar;
  • Eletrónica, Automação e Comando;
  • Desporto;
  • Informática, Instalação e Gestão de Redes;
  • Proteção Civil;
  • Animação de Turismo;
  • Design – Design de Interiores/Exteriores;

Os alunos que vierem de França ou outro país da União Europeia podem usufruir de:

  • Subsídio de refeição gratuito;
  • Alojamento gratuito, com todas as despesas associadas;
  • Transporte gratuito;
  • Todos os materiais pedagógicos gratuitos;
  • Seguro de acidentes pessoais gratuito;
  • Estágios em empresas portuguesas e estrangeiras gratuitos.

Pretende-secriar condições para que os emigrantes ou os seus descendentes possam regressar à sua Terra, obterem formação e desenvolverem a sua atividade profissional!

Os interessados poderão contactar a EPRALIMA pelo telefone 258520320, pelo email info@epralima.pt, consultar o site www.epralima.pt ou na sua sede na Rua Dr. António Pimenta Ribeiro, Apartado 102, 4970-457 Arcos de Valdevez.

A PEREGRINAÇÃO DO MIGRANTE E DO REFUGIADO EM FÁTIMA

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos passados dias 12 e 13 de agosto realizou-se, mais uma vez, a tradicional Peregrinação do Migrante e do Refugiado em Fátima, um dos mais importantes santuários marianos do mundo, e um dos mais emblemáticos locais de peregrinação cristã e devoção católica em todo o mundo.

A jornada de fé e devoção, que assinala a quarta Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, marcou o arranque da Semana Nacional das Migrações, congregando na Cova da Iria, migrantes de várias partes do mundo.

Este ano, o tema da 46.ª Semana Nacional das Migrações promovida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, da Conferência Episcopal Portuguesa, centrou-se na frase basilar “Cada forasteiro é ocasião de encontro – Migrantes e refugiados no caminho para Cristo”. Na esteira da mensagem e da ação que o Papa Francisco tem dedicado aos migrantes e refugiados, e no reiterado pedido do chefe da Igreja Católica à comunidade internacional e aos fiéis para não abandonarem os migrantes e refugiados.

A opção por esta temática atual e premente, que a comunidade internacional parece incapaz de resolver, foi modelarmente elucidada por D. António Vitalino, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana: “Perante o drama dos refugiados, que fogem à guerra, à fome, à seca e à pobreza, muitos morrendo pelos caminhos perigosos, vítimas de máfias sem escrúpulos, como cristãos e seres humanos não podemos ficar insensíveis a tudo isto”.

Ainda na conferência de imprensa que antecedeu as cerimónias, o Cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, vincou o “drama humanitário da transmigração epocal de povos que se dirigem à Europa, vindos do Médio-Oriente e de África”. Caraterizando as vagas crescentes destes refugiados e migrantes que todos os dias tentam entrar no Velho Continente, como “um exército de pobres que aqui chega, após dois anos de viagem pelo norte de África. Não estão em causa os números, mas pessoas concretas, com uma história, uma cultura, uma família, sentimentos, dramas e aspirações”.

Neste sentido, é de enaltecer a defesa reiterada do respeito e dignidade dos migrantes e refugiados que a Igreja Católica tem sustentado no mundo atual, assim como o seu papel de coesão e identidade que ao longo dos anos tem desempenhado no seio das comunidades portuguesas.

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ PROMOVEU ENCONTRO ANUAL COM A DIÁSPORA

Encontro visou unir a comunidade e dar a conhecer diferentes realidades do concelho, reforçar o orgulho e incentivar o investimento em Arcos de Valdevez

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A Câmara Municipal levou a cabo, pela quarta vez consecutiva, o Encontro com a Diáspora.

Foram dezenas os arcuenses que são dirigentes associativos em países de acolhimento que disseram sim ao convite, tendo estado presentes emigrantes vindos de países, como França, Canadá, Bélgica, Suíça, Estados Unidos da América, Andorra, Luxemburgo, Alemanha, Venezuela e Brasil.

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O ponto de encontro foi o Paço de Giela, onde o Autarca Arcuense, João Esteves, fez uma breve resenha das potencialidades do concelho ao nível da saúde, educação, ação social, turismo, cultura, e dos incentivos concedidos pela Autarquia no sentido de captar mais investimentos em termos empresariais e ao nível da reabilitação urbana.

Para a Autarquia é deveras importante que as relações com a comunidade se estreitem, sendo esta uma forma muito mais rápida de dar a conhecer o concelho no exterior, permitindo intensificar as relações culturais, económicas e turísticas e atrair investimento.

O encontro culminou com uma visita a Sistelo, dando a conhecer os projetos previstos para esta zona do concelho, que é Paisagem Cultural e Monumento Nacional, bem como umas das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de Aldeias.

A comunidade emigrante reveste-se de grande importância para o Município por ser um elemento fulcral na promoção da cultura, no reforço da identidade local e um meio excelente de divulgação do concelho e das suas potencialidades. Uma importância que “está bem patente na participação da Câmara Municipal, de várias empresas e produtores locais, nas muitas iniciativas promovidas pelas comunidades de emigrantes”, atestou o Presidente da Câmara Municipal.

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OS DENTISTAS PORTUGUESES E A VIA DA EMIGRAÇÃO

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

O fenómeno da emigração de profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas e farmacêuticos), alvo de aceso debate na sociedade portuguesa ao longo da última década, é revelador de um país que continua enleado nas suas próprias contradições.

Um país que investe parte significativa dos seus recursos na formação das gerações “mais bem preparadas de sempre”, que por falta de emprego, ou atraídas por melhores condições financeiras e a garantia de progressão na carreira, têm na emigração uma via para a construção dos seus projetos de vida. Um país, dos mais envelhecidos da União Europeia, que precisa de contratar profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, mas cuja escassez de recursos financeiros entrava a abertura de vagas, a fixação de população jovem e o incremento da natalidade.

Os dados recentemente divulgados pelo estudo “Números da Ordem”, promovido pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), são um espelho destas contradições. Segundo o mesmo, Portugal atingiu no ano passado um rácio de um médico dentista por 1.033 habitantes, praticamente o dobro do que é recomendado a nível internacional.

A desadequação do curso de medicina dentária ao mercado de trabalho, porquanto em Portugal existem sete faculdades de Medicina Dentária que todos os anos colocam no mercado de trabalho entre 500 a 600 profissionais, concorre amplamente para que estes profissionais de saúde não encontrem colocação no território nacional e tenham na emigração um caminho de realização socioprofissional.

Como acentua o bastonário dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, ao longo dos últimos anos tem-se assistido a um contínuo aumento da emigração no seio desta classe profissional. Neste momento, existem cerca de dois milhares de médicos dentistas portugueses a exercerem no estrageiro, sobretudo no Reino Unido, França, Suíça e vários países da Escandinávia, países europeus cujas condições salariais e valorização da carreira, estão a atrair estes profissionais de saúde.

No entanto, como alerta a OMD, os Médicos dentistas chegam apenas a metade dos agrupamentos de centros de saúde em Portugal, sendo ainda necessário um esforço para alargar os cuidados de saúde oral à população, particularmente a que não possui recursos financeiros para contratar um seguro de saúde ou ir a uma clínica privada.