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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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A GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.   

Como apontam Miguel Monteiro e Maria Beatriz da Rocha-Trindade no artigo “Emigração e Retorno”, o processo de musealização da memória histórica e social da emigração nacional, além de fomentar o conhecimento e a investigação, promove igualmente “a pesquisa do papel dos emigrantes nos territórios de emigração e de retorno na arquitetura, indústria, comércio, filantropia, jornalismo, associativismo, artes, no trânsito das ideias em Portugal e nos territórios de destino”.

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ CRIA GABINETE DE APOIO AO EMIGRANTE

O Município de Arcos de Valdevez, que se mostra empenhado em intensificar o envolvimento dos emigrantes no desenvolvimento do concelho, criou o GAE - Gabinete de Apoio ao Emigrante.

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Uma vez que, para a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez assume particular relevância a relação com a comunidade de emigrantes arcuenses, este gabinete surge para prestar apoio no regresso e reinserção dos emigrantes no país.

Dirigido aos emigrantes, àqueles que já regressaram, assim como todos os cidadãos e empresas que pretendam iniciar um processo migratório, com o GAE - Gabinete de Apoio ao Emigrante, o Município pretende oferecer um atendimento de grande proximidade e dar apoio em várias áreas, fomentando a inter-relação entre o Município e as Comunidades Portuguesas.

O GAE está capacitado para responder a questões inerentes ao regresso dos cidadãos e reinserção em todas as suas vertentes, seja social, jurídica, económica, investimento, emprego, estudos, entre outras. Para além disso, o serviço encontra-se apto a apoiar os emigrantes em matérias da competência da Câmara Municipal, nomeadamente nos Licenciamentos, Alvarás, Projetos e Ação Social, assim como prestar apoio junto de outros organismos públicos.

Desta forma, com a criação deste Gabinete, o Município pretende congregar os talentos das comunidades arcuenses, o seu dinamismo, o seu apego às raízes e aos valores que a distinguem, em prol do progresso do concelho de Arcos de Valdevez.

VILA VERDE: VILA DE PRADO RECEBE EMIGRANTES

3ª edição do Prado Day assinala a ‘Receção ao Emigrante’

O comércio da Vila de Prado continua unido em torno de uma série de iniciativas conjuntas para dinamizar a economia local no pós-confinamento e o Prado Day regressa já no próximo sábado, 8 de agosto.

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As lojas abrem as portas aos visitantes em horário alargado, das 9h às 20h, com oportunidades e descontos imperdíveis.

Desta vez, para assinalar a chegada do mês de agosto e o regresso de muitos emigrantes à terra natal, a vila vai vestir-se a rigor com as cores nacionais e os símbolos e tradições mais típicos de Portugal.

A praça da alimentação volta ao largo de São Sebastião, durante os dias 7 e 8, com os cafés e restaurantes locais a marcarem presença e a servirem os clientes numa esplanada ao ar livre, ideal para conviver e reencontrar amigos, com o devido distanciamento social.

Durante a tarde de sábado, a Associação Etnográfica e Cultural Rancho Folclórico Da Vila de Prado vai desfilar charme, cultura e tradição pelo centro da vila. Segue-se um pequeno espetáculo para animar a festa, só com canto ou dança, sem contacto físico.

E porque os mais pequenos também não ficam esquecidos, a tarde continua com a atuação de um palhaço que promete fazer as delícias dos miúdos e arrancar muitas gargalhadas.

Estão todos convidados a fazerem parte deste dia e a celebrarem o regresso dos nossos emigrantes, em mais uma excelente oportunidade para apoiar e dinamizar o comércio local.

FAMALICÃO ASSINALA DIA DO EMIGRANTE COM FAMALICENSES NO MUNDO

Sessão decorre no sábado, 8 de agosto, a partir das 11h00, em S. Miguel de Seide

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão vai assinalar no próximo sábado, 8 de agosto, o Dia do Emigrante, com uma cerimónia simbólica dedicada aos “Famalicenses no Mundo”.

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A sessão vai realizar-se a partir das 11h00, no auditório da Casa de Camilo – Centro de Estudos, em S. Miguel de Seide, e vai ficar marcada pela entrega – por parte do presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha – dos primeiros ID Cards aos emigrantes famalicenses presentes na iniciativa.

O ID card é um cartão de identificação que formaliza a pertença à rede Famalicenses no Mundo, constituindo um importante instrumento de dinamização e divulgação da rede, fomentando um sentimento de partilha e pertença entre todos os membros que a integram e permitindo que se deem a conhecer dentro, mas também fora da rede. 

A cerimónia será condicionada às regras de seguranças estipuladas pela DGS dada a situação de pandemia em que vivemos, sendo transmitida em live streaming, na página do Facebook dos Famalicenses no Mundo (https://www.facebook.com/FamalicensesNoMundo/). Muitos dos Famalicenses no Mundo, impossibilitados de participar, estarão nas suas cidades de acolhimento a partilhar o momento.

Refira-se que o município de Vila Nova de Famalicão tem vindo a desenvolver o Projeto Famalicenses no Mundo, integrado na Agenda de Diplomacia Urbana e na Estratégia Municipal de Internacionalização.

Este projeto tem vindo a consubstanciar-se na criação de uma Rede que integra já mais de uma centena de concidadãos espalhados pelo mundo, da Ásia à América do Norte, passando pela Europa, África e América do Sul. Estes Famalicenses, embora envolvidos na execução dos seus projetos pessoais e profissionais nos locais que escolheram para viver e trabalhar, muitas vezes longínquos, não esquecem as suas origens e os fortes laços que os unem a Famalicão.

O objetivo do projeto Famalicenses no Mundo é o de conhecer e manter contacto com os cidadãos de Famalicão que se encontram espalhados pelo Mundo, abrindo um canal de comunicação e de informação direta entre Vila Nova de Famalicão e a diáspora famalicense, incentivando a que cada um dos Famalicenses no Mundo possa ser um “Embaixador” informal do nosso concelho na cidade ou região onde reside.

CARLOS MATOS, UM EMPRESÁRIO PORTUGUÊS DA DIÁSPORA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

Nos vários exemplos de empresários portugueses da Diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do empresário Carlos de Matos.

Originário da freguesia de Carvide, no concelho de Leiria, Carlos de Matos emigrou “a salto” para França em 1969, então com 18 anos, após uma transição entre a infância e a idade adulta marcada por experiências como moço de recados e operário numa fábrica de vidro. Como grande parte dos portugueses que vivenciaram a epopeia da emigração para França nos anos 60, o leiriense chegou à região parisiense com uma mão à frente e outra atrás, conseguindo o seu primeiro trabalho como eletricista e a sua primeira solução de habitação no bidonville (bairro de lata) de Champigny.

As dificuldades de adaptação e o desejo de conhecer África, trouxeram ainda em 1972 Carlos de Matos ao torrão natal para fazer a tropa, da qual tinha fugido, e ser mandado para a guerra colonial em Moçambique. Após o 25 de Abril e depois de uma curta experiência ao volante de um dos táxis do pai em Leiria, voltou para França onde foi eletricista por uns anos, até se tornar no alvorecer dos anos 80 dono da sua primeira empresa, que batizou de ERA, especializada em reboco, e que através da sua vontade de vencer e dedicação ao trabalho se tornaria a maior empresa do ramo no território gaulês.

As vicissitudes da vida levaram o empresário e empreendedor luso nos anos 90 a criar o Grupo Saint Germain, direcionado para o ramo imobiliário, que em pleno séc. XXI viria a ser o responsável pelo gigantesco centro de negócios “Paris-Ásia Center”, junto ao aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, destinado a promover trocas comerciais e profissionais entre a França, a Europa e a China.

Nunca abdicando da coragem, frontalidade e audácia de pensar, dizer e fazer, Carlos de Matos tem ao longo dos últimos anos contribuído igualmente para o impulso da economia nacional, revelando a importância e potencialidade dos empresários das Comunidades Portuguesas no desenvolvimento do país.

Presentemente, o empresário luso-francês que parece seguir o lema do célebre magnata Jean Paul Getty: “O empresário verdadeiramente bem-sucedido é essencialmente um dissidente, um rebelde que raramente ou nunca está satisfeito com o status quo”-, prepara-se para levar a cabo dois relevantes projetos imobiliários em Portugal, num investimento global que ronda dos 90 milhões de euros. Um é no concelho do Barreiro, onde o Grupo Saint Germain vai reabilitar a Quinta Braamcamp, o outro é em Monte Gordo, no Algarve, um dos melhores destinos de férias da Europa.

CAMÕES RÁDIO & TV, UMA ESTAÇÃO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Ao longo do anos a comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes na nação canadiana, tem sido palco de uma notável multiplicidade de meios de comunicação social produzidos pelos emigrantes lusos e seus descendentes.

Como destaca a investigadora Sónia Ferreira em A emigração portuguesa e os seus meios de comunicação social: breve caraterização, no termo da primeira década do séc. XXI “existiam na província do Ontário cerca de seis rádios com difusão em português: cinco estações consideradas portuguesas e uma estação multicultural que dispõe de programação em língua portuguesa. Em termos de imprensa portuguesa foram contabilizados, para o Canadá, 22 publicações. O Canadá apresenta-se mesmo como um exemplo relevante pela multiplicidade de meios de comunicação social migrantes existentes”.

No profícuo campo dos órgãos de comunicação social luso-canadianos, uma das estações que mais se tem destacado ao longo da última década tem sido indubitavelmente a Camões Radio & TV. Uma estação radiofónica e televisiva integrada na empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade portuguesa, inclusive lusófona, no território canadiano.

Ao longo da última década a Camões Radio & TV tem-se destacado no panorama da imprensa luso-canadiana em Toronto através do lançamento de novos programas de rádio e televisão, novas secções de informação temática e novos conteúdos, inovando e seguindo os principais desafios da comunicação social da Diáspora. Prosseguindo uma missão e visão ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto, a Camões Radio & TV destaca-se atualmente por produzir informação de qualidade, de forma ética e independente, que ajuda a promover a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana.

A dimensão social, estreitamente ligada à solidariedade, é mesmo uma das marcas mais características da Camões Radio & TV, indelevelmente ligadas aos valores preconizados, em geral, pela MDC Media Group, e em particular pelo seu presidente, o comendador Manuel da Costa.

Presentemente, nestes tempos difíceis que atravessamos devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise mundial sem precedentes, e que também afetou a comunidade luso-canadiana, a Camões Radio & TV, em linha com a MDC Media Group, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada, procurando assim ajudar a minimizar os efeitos da crise socioeconómica que bateu à porta de muitos concidadãos. Uma campanha de solidariedade, entre várias outras já dinamizadas pela Camões Radio & TV ao longo dos anos, que sublima a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.

VALORIZAR OS PORTUGUESES NO MUNDO

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O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, na sessão de apresentação em 2019 na Livraria Lello, do livro “Valorizar os Portugueses no Mundo”, do antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro (dir.)

 

  • Crónica de Daniel Bastos

Há sensivelmente um ano foi apresentado na Livraria Lello, um emblemático espaço da cidade do Porto e uma das mais afamadas livrarias do mundo, o livro “Valorizar os Portugueses no Mundo: Por uma visão estratégica partilhada 2015-2019”, da autoria de José Luís Carneiro, então Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

A obra, que tinha sido já lançada na Biblioteca da Imprensa Nacional em Lisboa, e que é prefaciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, constitui-se como um relatório de balanço do mandato entre 2015-2019 do ex-governante na Secretaria de Estado das Comunidades, estrutura governativa que foi no início da atual legislatura assumida pela antiga autarca de Alfândega da Fé, Berta Nunes.

O livro inclui cinco capítulos dedicados às áreas de ação e prioridade política empreendida pela Secretaria de Estado das Comunidades durante o mandato de José Luís Carneiro. Nomeadamente, “A rede consular do MNE”, “As prioridades de política da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, “Iniciativas promovidas pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas em cooperação com outras áreas governativas”, “Alguns eventos promovidos pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, e “As visitas ao estrangeiro e o contacto com as comunidades portuguesas no mundo”.

Como garante nas palavras de abertura, com “a profunda convicção de que os Portugueses nas comunidades vivem a sua relação com Portugal de modo muito especial”, o então governante ao longo da obra sintetiza um conjunto de medidas políticas que foram delineadas durante o seu mandato e que procuraram conferir às comunidades lusas espalhadas pelo mundo “uma mais ampla cidadania e uma mais forte vinculação a Portugal”.

Além um original meio de prestação de contas do seu mandato, uma prática que ainda não é seguida por todos os governantes, o livro assinado pelo antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, tem o condão de recordar-nos a importância da Diáspora. Como sustenta Manuel Filipe Correia de Jesus em “Comunidades Portuguesas – um novo enfoque”, estas além “da sua importância cultural, económica e social nos respectivos países de acolhimento, suscitam uma vasta e complexa rede de relações bilaterais, multilaterais e até mesmo supranacionais, cujo acompanhamento não pode ser dissociado da actuação do Ministério dos Negócios Estrangeiros”.

MELGAÇO ALERTA EMIGRANTES PARA UM REGRESSO EM SEGURANÇA

«Sejam todos bem-vindos a Melgaço, em segurança e com responsabilidade!» - Manoel Batista

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Aos poucos, Melgaço volta a receber os seus conterrâneos. As saudades são muitas e há o desejo de todos abraçar, mas este ano o abraço terá de ser substituído por um olhar. A autarquia lançou uma campanha de boas-vindas aos emigrantes, apelando a que façam um regresso em segurança e com responsabilidade. A campanha será divulgada em vários suportes espalhados pelo concelho e também nas redes sociais, chegando assim a todos.

Por esta altura do ano, os emigrantes, acompanhados das famílias, regressam à sua terra natal para estarem com os amigos e família da terra. O regresso é motivo de festa e de muita alegria. Este ano, também vai ser assim, apenas com cuidados redobrados, a bem da saúde de todos. «Atravessamos tempos difíceis, mas somos fortes e estaremos à altura do desafio, não colocando os que mais gostamos em perigo. A festa do regresso tem de ser feita com cuidados reforçados. Temos de nos proteger e proteger os outros. As saudades apertam, mas não podem colocar em causa a saúde, que é, afinal, o bem mais precioso que todos temos.», alerta o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista.

Neste regresso, a autarquia recorda as medidas que todos devem seguir:

  • Usar máscara nos locais indicados e usá-la corretamente;
  • Manter o distanciamento social;
  • Cumprir as regras de etiqueta respiratória;
  • Lavar frequentemente as mãos;
  • Em caso de sintomas: permanecer em isolamento e ligar para o SNS 21 (808 24 24 24).

De realçar que o confinamento é obrigatório para doentes e pessoas em vigilância ativa. «O novo coronavírus está em todo o lado. Só cumprindo todas as regras será possível vencê-lo.», salienta o autarca melgacense.

LIVRARIA TFM – UM ESPAÇO EMBLEMÁTICO DA CULTURA LUSÓFONA NA ALEMANHA

  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada no dia 2 de maio de 1980 na cidade de Frankfurt, uma das maiores cidades da Alemanha, pela ação visionária do português nascido em Moçambique, Teo Ferrer de Mesquita, a livraria TFM - Centro do Livro e do Disco de Língua Portuguesa, permanece ao longo das últimas quatro décadas como um espaço emblemático da cultura lusófona no coração da Europa.

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A viver no território germânico há mais de meio século, o provecto livreiro além de responsável pela criação da primeira livraria lusa na Alemanha, tem sido ao longo dos anos um prodigioso dinamizador e mobilizador cultural. Ativismo expresso, por exemplo, no seu trabalho durante mais de 20 anos com a Alte Oper de Frankfurt, que permitiu levar ao público alemão grandes nomes da música portuguesa, entre eles, Amália Rodrigues, Carlos Paredes e José Mário Branco.

Assim como na presença lusa na Feira do Livro de Frankfurt, o maior encontro mundial do setor editorial, contexto que levou a que em 1998 estivesse no certame ao lado de José Saramago, quando este recebeu a notícia do Prémio Nobel da Literatura, e tenha estado a convite do mesmo na cerimónia de entrega do galardão em Estocolmo.

Este dinamismo impulsionou a TFM na organização de várias leituras com escritores de referência da língua portuguesa, como José Saramago, António Lobo Antunes ou José Cardoso Pires. Mas também a assumir inclusive uma vertente editorial no seio do espaço lusófono, que esteve já na base de edições bilingues, português e alemão, de consagrados autores brasileiros, como Manoel de Barros ou João Ubaldo Ribeiro.

Atualmente gerida por Petra Noack, colaboradora de longa data de Teo Ferrer de Mesquita, a TFM prossegue como um espaço de referência da cultura lusófona na Alemanha, colaborando por exemplo, regularmente com o Camões – Centro Cultural Português em Berlim na organização de leituras com autores como Patrícia Portela, Rui Cardoso Martins, Kalaf Epalanga, Isabela Figueiredo ou João Paulo Cuenca.

O papel de relevo e promoção cultural desempenhado pela Livraria TFM ao longo das últimas quatro décadas na Alemanha concorreu para que em 2015, este verdadeiro baluarte da língua portuguesa no coração da Europa, fosse distinguido com o Prémio Alemão das Livrarias, que distingue pequenas livrarias germânicas  com uma oferta literária selecionada e uma programação cultural especial.

RÁDIO ALFA, A EMISSORA DOS PORTUGUESES EM PARIS

  • Crónica de Daniel Bastos

No ar desde 5 de outubro de 1987, a Rádio Alfa, uma estação de rádio lusófona situada em Paris e dirigida à comunidade portuguesa em França, a maior comunidade de portugueses no estrangeiro, desempenha um papel fundamental na manutenção e promoção da identidade lusa em terras gaulesas.

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Localizada atualmente em Créteil, é consensualmente reconhecida como a emissora mais popular dos portugueses em Paris, para o que muito contribui o facto de ser a única rádio da comunidade portuguesa que abrange a região de França, 24 horas por dia.

Se tivermos em linha de conta que os dados mais recentes apontam para que vivam em França mais de meio milhão de portugueses e que, se considerarmos a comunidade contando com os descendentes de segunda e terceira geração, o número sobe para quase um milhão e meio, elevando-a assim à maior comunidade estrangeira a viver em França, percebe-se que a Rádio Alfa além de emitir para um enorme auditório, constitui-se como a voz de intervenção da comunidade portuguesa na Cidade Luz.  

Enquanto palco privilegiado de intervenção, a grelha da estação emite programas que dedicam espaços à resolução de problemas, à promoção da música, cultura e língua portuguesa, à divulgação das atividades realizadas pelo meio associativo e à difusão de notícias que visam a informação junto da comunidade portuguesa em França.

Como sustenta Carla Laureano, na tese “A rádio Alfa e a comunidade portuguesa em França: estudo de caso sobre a relação entre média e identidades”, a emissora ao desempenhar um papel importante junto da comunidade portuguesa em terras gaulesas, impulsiona a “partilha de uma identidade cultural portuguesa entre os emigrantes”. Particularmente junto da primeira geração, uma geração que se encontra intimamente ligada à Rádio Alfa, pelo que a emissora deve ter como uma das prioridades e desafios para o futuro a sua interligação com os lusodescendentes, de modo a conseguir “fazer um cruzamento de culturas e tentar direcionar-se para as diferentes expectativas dos seus diferentes ouvintes”.

Uma outra importante faceta da Rádio Alfa é a sua dimensão solidária, ainda recentemente expressa nestes tempos difíceis que atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, e que também afetou duramente a comunidade portuguesa em França. No decurso deste contexto, em meados do mês passado a emissora promoveu a iniciativa “Todos juntos”, tendo conseguido através da mesma recolher junto comunidade lusa na capital francesa, dez toneladas de alimentos, 50 caixotes de roupa e mais de 10 mil euros em donativos para ajudar compatriotas que neste momento sofrem os efeitos da covid-19 na região de Paris.

No passado, e sobretudo no presente e no futuro, a Rádio Alfa continuará a ser a antena da comunidade portuguesa em Paris, ou como salientou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no 30.º aniversário da estação, a “Rádio Alfa é Portugal”.

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A INCESSANTE GENEROSIDADE DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM TEMPO DE CORONAVÍRUS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nestes tempos difíceis que todos atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus que gerou num curto espaço de tempo uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, a generosidade das comunidades portuguesas tem sido a todos os títulos notável e inspiradora.

Uma generosidade que perpassa a geografia universal das várias comunidades lusas, e que se revela fundamental para mitigar o espectro de desemprego, as perdas de rendimento e as grandes dificuldades de vida que bateram à porta de muitos compatriotas.

Os exemplos deste sentimento coletivo de solidariedade são muitos e variados. Na semana passada, por exemplo, a comunidade portuguesa em Paris, seguramente, a maior comunidade lusa no estrangeiro, recolheu através da iniciativa “Todos juntos” da Rádio Alfa, a emissora mais popular dos portugueses na capital francesa, dez toneladas de alimentos, 50 caixotes de roupa e mais de 10 mil euros em donativos para ajudar compatriotas que neste momento sofrem os efeitos da covid-19 na região de Paris.

Por esta altura, mas em Toronto, a maior cidade do Canadá, onde reside uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas da América do Norte, uma outra relevante plataforma de comunicação social lusa. Designadamente, a MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários luso-canadianos, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada.

Ainda na América do Norte, mais concretamente em Newark, Nova Jérsia, onde vive uma das maiores comunidades portuguesas nos Estados Unidos, o Sport Club Português de Newark, um dos mais antigos e dinâmicos dos EUA, tem presentemente através dos seus dirigentes colaborado regularmente na distribuição de cabazes por várias famílias luso-americanas.

Estes exemplos de generosidade, e muitos outros que estão atualmente a ser dinamizados no seio das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, provam que a pandemia de coronavírus não impede a solidariedade, antes pelo contrário, e que todos nós podemos contribuir, na medida das nossas possibilidades e disponibilidade, para o bem comum.

HOSPITAIS E SAÚDE NO OITOCENTOS: DIÁLOGOS ENTRE BRASIL E PORTUGAL

  • Crónica de Daniel Bastos

Há sensivelmente dois anos, a editora Fiocruz, que concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, e uma das principais instituições mundiais de pesquisa em saúde pública, localizada no Rio de Janeiro, lançou o livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”.

Organizado pelo arquiteto Renato Gama-Rosa, investigador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e Cybelle Miranda, investigadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), o livro é constituído por sete capítulos. Designadamente, “Edifícios da Saúde no Rio de Janeiro Oitocentista” de Inês El-Jaick Andrade, Renato da Gama-Rosa Costa e Éric Alves Gallo; “Hospitais na Belém Oitocentista: classicismo e diálogo entre matrizes luso-brasileiras” de Cybelle Salvador Miranda; “Da Instituição Asilar ao Movimento Antimanicomial: a reconstituição da memória do Hospital Juliano Moreira do Pará” de Emanuella da Silva Piani Godinho e Cybelle Salvador Miranda; “Arquitetura da Saúde como Patrimônio: Hospital D. Luiz I da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará” de Cibelly Alessandra Rodrigues Figueiredo; “A Casa da Misericórdia no Contexto da Arquitetura Portuguesa da Saúde na Centúria do Oitocentos em Portugal”  de Joana Balsa de Pinho e Fernando Grilo; “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX” de Daniel Bastos; e “A Arquitetura Assistencial em Portugal no Início do Século XX: o Sanatório de Sant’Ana” de Maria João Bonina e Fernando Grilo.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação em junho de 2019, do livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”, na Santa Casa da Misericórdia de Fafe, acompanhado do arquiteto e urbanista brasileiro Renato Gama-Rosa

 

Ao longo dos sete capítulos do livro, que no decurso dos últimos dois anos foi já apresentado em diversas cidades brasileiras e portuguesas, os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de hospitais e associações de beneficência, que emigrantes portugueses na transição do séc.XIX para o séc. XX construíram em várias localidades brasileiras, principal destino da emigração lusa na época, que originalmente se destinavam à ajuda mútua entre os sócios, membros da comunidade portuguesa, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil e na América do Sul. Assim como o contributo da filantropia dos “brasileiros de torna-viagem”, emigrantes portugueses enriquecidos no Brasil, que no alvorecer do séc. XX estiveram, entre outras obras beneméritas, na base da construção de hospitais nas suas terras de origem, e que na atualidade, numa época tão marcada pela pandemia de coronavírus que afeta o mundo, como é o caso das comunidades portuguesas, não podem deixar de ser recordados como exemplos inspiradores de solidariedade.

CÂNDIDO FARIA: EMPRESÁRIO E BENEMÉRITO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM FRANÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso da semana passada, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento em Paris do empresário Cândido Faria, um dos mais destacados empresários e beneméritos da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas no Velho Continente, rondando um milhão de pessoas.

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Natural de Riba de Ave, vila do concelho minhoto de Famalicão, Manuel Cândido Faria chegou França aos 12 anos, onde começou a trabalhar no ramo da construção civil aos 16 anos, tendo pouco tempo depois, aos 22 anos, adquirido a empresa onde obteve o seu primeiro trabalho.

Exemplo genuíno de um self-made man, o sucesso que alcançou ao longo das décadas no mundo dos negócios foi constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa no território gaulês. Como foi o caso das obras da Casa de Portugal em Paris, construída na década de 1960, por iniciativa de Azeredo Perdigão, então diretor da Fundação Calouste Gulbenkian, e recentemente renovada, graças entre outros, a Cândido Faria cuja filantropia revelou-se decisiva na renovação das salas Fernando Pessoa e Vieira da Silva que acolhem anualmente mais de uma centena de eventos culturais.

A dimensão benemérita do empresário português radicado em França beneficiou ainda ultimamente a renovação da igreja de Gentilly, no sul de Paris, entregue no final dos anos 70 à comunidade portuguesa, e encontra-se igualmente plasmada na construção da Casa de Portugal em Plaisir, nos arredores de Paris, e na Casa do Benfica na capital francesa.

A trajetória de sucesso e o cariz altruísta de Cândido Faria foram reconhecidas em 2016, durante as comemorações oficiais do 10 de junho em Paris, tendo o empresário recebido das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o grau de oficial da Ordem de Mérito.

Numa época em que as comunidades portuguesas enfrentam dificuldades devido à pandemia, evocar o exemplo e memória de Cândido Faria constitui um lampejo de esperança e de empenho coletivo na construção de um futuro melhor assente em princípios basilares de entreajuda, progresso e solidariedade.

O ENTRECRUZAMENTO DA GUERRA COLONIAL COM A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

A Guerra Colonial (1961-1974), época de confrontos bélicos entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, representa um dos acontecimentos mais marcantes da história nacional e africana de expressão portuguesa do séc. XX.

Conflito bélico dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de portugueses, que prestaram serviço militar nas três frentes de combate, onde tombaram cerca de 8.300 soldados, assim como para as populações angolanas, guineenses e moçambicanas, cujo número total de vítimas, entre guerrilheiros e civis, terá sido superior a 100 mil mortos, a Guerra do Ultramar ou Guerra da Libertação desencadeou profundas alterações demográficas, económicas, sociais, culturais e politicas.

Em Portugal, o desgaste provocado pela Guerra Colonial, que esteve na base do derrube do regime ditatorial salazarista que imperou entre 1933 e 1974, entrecruzou-se com o fenómeno da emigração. Nas décadas de 1960-70, a miséria, a pobreza e a fuga ao serviço militar de milhares de jovens como forma de escapar à incorporação na Guerra do Ultramar, impeliram a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao centro da Europa, em particular para França.  

O fim da Guerra Colonial e a descolonização recrudesceriam o fenómeno migratório, não só por via da chegada ao território nacional de mais de meio milhão de portugueses de África, conhecidos como “retornados”. Mas também, pelo facto da independência das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, terem tornado no final dos anos 70, a África do Sul como o principal destino dos portugueses em África.

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Em 2019, o historiador Daniel Bastos (dir), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, visitou o monumento de homenagem aos militares portugueses e canadianos mortos em situações de guerra no cemitério Glen Oak Memorial Garden, na cidade de Oakville, junto a Toronto, na companhia do ex-combatente da Guerra Colonial, Artur Jesus (esq.), e atual Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural 25 de Abril em Toronto

 

No entanto, no campo historiográfico do entrecruzamento da Guerra Colonial com a emigração portuguesa, existe ainda uma dimensão de conhecimento pouco ou nada estudada, designadamente a emigração nos anos 70 e 80 de milhares de antigos combatentes da Guerra do Ultramar. O impacto da emigração, ainda pouco conhecido, de milhares de homens que estiveram na Guerra Colonial, pode ser aferido pelo papel de assistência e preservação de memória dinamizado pela Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, a segunda maior província do Canadá onde vivem cerca de meio milhão de portugueses, entre eles, mais de 20 mil antigos combatentes da Guerra do Ultramar, segundo dados veiculados pelo Núcleo de Ontário.

10 DE JUNHO: UM DIA DE REFLEXÃO SOBRE O FUTURO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Perante as circunstâncias atuais da pandemia Covid-19, cujos efeitos de isolamento social se fazem sentir à escala global, as comemorações que anualmente se realizam do Dia de Portugal no seio das Comunidades Portuguesas, e que constituem as mais genuínas manifestações de amor à pátria de Camões, estão a ser consequentemente canceladas.

Como no território nacional, onde o 10 de junho será assinalado com uma cerimónia simbólica, através de uma singela sessão no Mosteiro dos Jerónimos, que substitui assim os três dia de celebrações oficiais que este ano estavam previstas ocorrer no Funchal e junto das comunidades portuguesas na África do Sul, também nos núcleos da Diáspora as comemorações prosseguirão seguramente este modelo mais minimalista.

Este é portanto, o momento das comemorações simbólicas do Dia de Portugal, um momento de incontornável recurso às plataformas digitais como meio de mitigar o isolamento social. Mas é também um momento oportuno para uma ampla reflexão aquém e além-fronteiras sobre o futuro das Comunidades Portuguesas, tanto que são notórios vários casos de dificuldades no seu movimento associativo, um dos mais importantes, senão o mais importante pilar da Diáspora.  

Dificuldades resultantes das medidas de contenção da pandemia, que entravam a realização de eventos e iniciativas, como é o exemplo cimeiro do Dia de Portugal, e que são essenciais para a obtenção de receitas que permitem custear o normal funcionamento das associações, como seja o pagamento da água, luz, rendas dos espaços ou a sua manutenção.

O risco de fecho definitivo de diversas associações no seio das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, nunca foi tão real, e é ainda agravado pela problemática do envelhecimento dos seus quadros dirigentes, da maioria dos seus associados e da escassa participação dos lusodescendentes.

Este perigo acrescido de encerramento, deve impelir as forças vivas do movimento associativo das Comunidades Portuguesas a colocar definitivamente em cima da mesa, não só, quando a vida voltar a normalizar, a diversificação de atividades capazes de conciliarem a cultura tradicional enraizada nas coletividades com novas dimensões socioculturais, como o cinema, a literatura ou a moda, de modo a atrair as jovens gerações de lusodescendentes. Como também a adoção de um novo modelo de atuação e organização das associações, que necessariamente terá que passar por um paradigma de partilha de uma “casa comum”, capaz de reunir num só espaço com dignidade e dimensão a valiosa argamassa identitária da Diáspora.

Um modelo de “Casa de Portugal”, de portas sempre abertas às várias nacionalidades, e em particular, naturalmente, à comunidade portuguesa, através de parcerias com agremiações, escolas e universidades onde se ensina a língua portuguesa. Uma “Casa de Portugal”, com uma agenda capaz de congregar as diversas sinergias do movimento associativo, de diluir as diferenças e egos, e potenciar o coletivo, a união, os parcos recursos humanos e financeiros, em prol da cultura portuguesa.

Uma “Casa de Portugal“, na esteira da Maison du Portugal – André de Gouveia, em Paris, capital francesa onde se encontra a maior comunidade portuguesa fora de Portugal, onde se organizem vários eventos culturais do movimento associativo. Desde as festas e festivais de folclore, à programação de artes plásticas, cinema, dança, literatura, teatro, ciclos de conferências ou divulgação de trabalhos dos investigadores que cada vez mais proliferam na lusodescendência.

OS MINHOTOS NAS PORTARIAS DE PARIS

A região de Paris constitui desde há muito tempo um dos destinos preferidos dos emigrantes naturais de Ourém e de outros concelhos vizinhos. Pode-se com relativa facilidade encontrar minhotos um pouco por toda a região parisiense, empregando-se sobretudo na construção civil.

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A sua sociabilidade leva-os a participar activamente nas associações portuguesas, integrar grupos folclóricos e a organizar festas de convívio juntamente com outros compatriotas oriundos de outras regiões do país.

A sua capacidade de integração é plenamente demonstrada pelos luso-descendentes que se fazem eleger para diversos cargos autárquicos. Apesar da emigração não constituir por si algo de agradável, distantes vão os tempos miseráveis de Champigny-sur-Marne, tão eloquentemente fotografados por Gérald Blouncourt.

Mas, em plena Paris, por entre aquele frenesi diário que marca o ritmo da cidade repleta de turistas, circulam discretas muitas portuguesas que asseguram o funcionamento das portarias dos prédios. São as concierges que recebem e distribuem o correio, abrem a porta ao empregado do gás e da electricidade, ao canalizador e ao distribuidor de encomendas. Pela sua proximidade e função vigilante, é a concierge que frequentemente zela pela segurança e bem-estar dos inquilinos, sobretudo dos mais idosos.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, existiam em Paris cerca de quarenta mil concierges. Porém, com o aparecimento dos códigos digitais e dos videofones, a maior parte dos senhorios têm vindo a prescindir dos seus serviços, não existindo actualmente mais do que dez mil. Não obstante, elas existem em Paris desde os finais da Idade Média, tendo ficado celebrizadas nas obras de grandes escritores como Emile Zola, Eugène Sue e Robert Doisneau. Com efeito, a concierge parisiense é uma instituição cuja existência se encontra bastante ligada à emigração portuguesa em geral e das gentes da nossa região em particular.

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A SOLIDARIEDADE DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM TEMPO DE PANDEMIA

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  • Crónica de Daniel Bastos

O espírito de solidariedade remanesce como uma das, senão mesmo, a mais importante manifestação da identidade humana, como demonstram as notáveis ondas de entreajuda que nestes tempos de pandemia têm emergido nas comunidades portuguesas.

Se é nas alturas mais difíceis que se conhecem, por vezes, os melhores amigos, nesta fase de grandes dificuldades socioeconómicas devido à covid-19, não faltam, felizmente, exemplos de genuína solidariedade no seio das comunidades portuguesas, quer para com os nossos concidadãos no estrangeiro, assim como para com portugueses residentes no território nacional.

Ainda na semana passada, a empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, dinamizou nas suas plataformas uma emissão especial de apelo a donativos para a bebé luso-canadiana Eva Batista, que padece de atrofia muscular espinal (AME). Denominada “Songs for Eva”, a iniciativa solidária reuniu músicos da América do Norte e de Portugal, que realizaram um concerto online, procurando assim angariar junto da comunidade luso-canadiana um milhão de dólares, verba que falta à família da bebé luso-canadiana para alcançar o Zolgensma, o remédio mais caro do mundo.

Também na América do Norte e no início deste mês, foi conhecido que o luso-americano Sérgio Granados, vereador eleito no estado americano de Nova Jérsia, tem dado um importante contributo na promoção de programas de ajuda à população luso-americana e aos trabalhadores no combate à covid-19, no condado de Union, um dos mais afetados pela pandemia nos Estados Unidos.

É através destes exemplos solidários, e de muitos outros que se estão a operar no âmago das comunidades portuguesas, como o da comunidade lusa em Macau que no mês passado arrecadou milhares de euros para comprar material médico para ajudar Portugal no combate à pandemia, ou de associações de emigrantes no Luxemburgo que lançaram uma campanha de angariação de fundos destinados a comprar material e equipamentos para hospitais nacionais, que encontramos a necessária inspiração, coragem e esperança para ultrapassar a crise, e refundarmos os alicerces do humanismo.

MUSEU DA EMIGRAÇÃO AÇORIANA – UM ESPAÇO DE MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

A emigração tem sido ao longo do tempo um fenómeno constante no modo de vida de milhares de açorianos. Embora as suas origens remontem aos primórdios do povoamento do arquipélago português situado no Atlântico nordeste, o seu carácter sistemático consubstanciou-se entre os séculos XIX e XX com o surgimento dos cinco grandes destinos da emigração açoriana: Brasil, Estados Unidos da América, Bermudas, Havai e Canadá.

Atualmente estima-se que cerca de 1,5 milhões de açorianos e seus descendentes residam no estrangeiro, números reveladores da grandeza da diáspora açoriana, muito mais se considerarmos que residem no arquipélago cerca de 250 mil pessoas, e que ajudam a compreender a razão destas numerosas comunidades serem denominadas “a 10.ª ilha dos Açores”.

Como sustenta António Machado Pires, acerca da Emigração, Cultura e Modo de Ser Açoriano, os “açorianos da emigração são hoje, pelo seu número e pela sua diversidade, um vasto prolongamento da unidade e da diversidade dos Açores. São continuadores, descendentes, representantes de um conjunto de tradições, de uma língua e de uma cultura”.

A mundividência e relevância da diáspora açoriana encontram-se plasmadas na missão e objetivos do Museu da Emigração Açoriana. Inaugurado em 2005, no antigo Mercado de Peixe da Ribeira Grande, o espaço museológico, aberto à união de esforços e trabalhos em parceria no âmbito da história da emigração portuguesa, preserva através de fotografias, documentos, roupas e memórias de diversos tipos, as trajetórias de milhares de açorianos que ao longo do devir histórico saíram do arquipélago para o estrangeiro em busca de melhores condições de vida.

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O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, visitou em 2019 o MEA-Museu da Emigração Açoriana, acompanhado de Rui Faria (dir.), coordenador do espaço museológico e presidente da AEA-Associação dos Emigrantes Açorianos

 

O Museu da Emigração Açoriana, ao estruturar uma visão geral sobre as razões e destinos da diáspora açoriana, constitui não só, um elemento-chave na história da emigração açoriana, como valida a sua considerável base de dados com fichas de emigrantes e os requerimentos para emigração realizados no século XIX. Como também representa um elemento-chave para a compreensão e identidade do arquipélago, e do demais território nacional, ou não fosse a emigração um fenómeno constante da vida portuguesa.