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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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FUNDAÇÃO NOVA ERA JEAN PINA DOOU QUATRO TONELADAS DE BENS A INSTITUIÇÕES DE FAFE

A Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição presidida pelo empresário benemérito luso-francês, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, que no mês passado durante uma visita ao concelho de Fafe firmou várias parcerias com associações locais, doou no início desta semana quatro toneladas de bens à Cruz Vermelha de Fafe e à Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF).

A Delegação de Fafe da Cruz Vermelha, instituição local que presta assistência humanitária e social, em especial aos mais vulneráveis, e que atualmente, conta com a colaboração de uma equipa de mais de duas dezenas de elementos nas mais variadas áreas de intervenção, recebeu três toneladas de alimentos e roupa. Com a particularidade, de uma tonelada de alimentos ter sido adquirida diretamente no comércio local de Fafe, mormente o Mercado Antunes, através de um apoio benemérito do empresário fafense de restauração em Paris, Jorge Costa, membro associado da Fundação Nova Era Jean Pina.

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O historiador fafense Daniel Bastos, embaixador da Fundação Nova Era Jean Pina junto das Comunidades Portuguesas, no armazém da Cruz Vermelha de Fafe, acompanhado do presidente da instituição local, Capitão António Fernandes, e de Sílvia Freitas, coordenadora do projeto Família+Feliz

A Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF), uma associação local sem fins lucrativos dedicada à proteção animal, e à promoção da adoção de cães e gatos abandonados e negligenciados, e que presentemente é a entidade responsável pelo trabalho de voluntariado no canil municipal, recebeu uma tonelada de ração para cães e lixívia.

Refira-se que a instituição luso-francesa ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol de diversas associações de cariz social, e que os custos de transporte dos bens que chegaram ao concelho provenientes de França, via a associação portuguesa Lusibanda, sediada em Le Havre, foram suportados pelos Transportes Mesquita, uma empresa de transportes internacionais em camião TIR, com sede na região norte, ambos membros associado da Fundação Nova Era Jean Pina.

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A ARTE PÚBLICA E A REPRESENTAÇÃO IDENTITÁRIA DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM TORONTO

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos, temos assistido ao nível do espaço urbano nacional a uma cada vez maior interação entre arte e cidade, contexto que no âmbito da promoção de uma cidadania ativa e de uma gestão socialmente consciente do espaço público, tem impulsionado vários artistas a desenvolver uma série de obras, como por exemplo murais, em parceria com as comunidades locais.  

A arte pública, liberta dos códigos mais formais e específicos dos museus e galerias, tem feito também o seu caminho no seio da geografia da diáspora lusa. Assumindo mesmo, na linha preconizada pela socióloga Ágata Dourado Sequeira, um “papel de destaque na construção de um espaço público consciente da sua história, presente e futuro, e sobretudo dos cidadãos que o constroem simbolicamente”.

É o caso da comunidade portuguesa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, que nas últimas décadas tem dinamizado uma série de intervenções artísticas no espaço público, visando através da sua representação identitária aproximar-se ainda mais da cidade e dar-se a conhecer melhor à comunidade canadiana em geral.

Ainda no mês passado, foi inaugurado no “Little Portugal” de Toronto, um mural do artista português Alexandre Farto, conhecido por Vhils, cuja inspiração centra-se na história do movimento feminino Cleaners Action, da década de 1970, liderado por trabalhadoras portuguesas. Como foi o caso de Idalina Azevedo, uma das líderes da greve conhecida por ‘Wildcat’, nas Torres TD, em Toronto, em 1974, que viabilizou alguns direitos para as empregadas de limpeza.

Além deste projeto da iniciativa da vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, a luso-canadiana Ana Bailão, da Associação Comercial do Little Portugal na Dundas, presidida por Anabela Taborda, e da Embaixada de Portugal no Canadá, o bairro português alberga desde o início de outubro, um galo de Barcelos gigante, um dos mais conhecidos símbolos da cultura popular lusa. Com quase três metros, e inserido no ano da arte pública promovido pela autarquia de Toronto, o mais icónico símbolo de Portugal é simultaneamente uma homenagem à comunidade luso-canadiana, e uma forma de revitalizar a Business Improvement Area (BIA), procurando assim atrair os consumidores ao pequeno comércio.

A zona entre as ruas Bathurst e Dufferin, conhecida desde os anos 70 como “Little Portugal”, tem sido pela sua ligação umbilical à comunidade luso-canadiana, alvo de várias manifestações culturais no campo de ação da arte urbana. Há sensivelmente um ano, o coração urbano da comunidade portuguesa em Toronto, foi palco da inauguração de um mural com mais de seis metros de altura, dedicado à fadista Amália Rodrigues, figura maior da cultura portuguesa do século XX, e referência e símbolo da portugalidade.

Criado no âmbito do projeto do empresário de Montreal, Herman Alves, que tem como objetivo criar uma aldeia global virtual colocando 25 murais em pontos centrais da diáspora portuguesa no mundo, este imponente mural junta-se a um outro instalado em Mississauga. Na mesma esteira, a Camões Square em Toronto, que tem desempenhado nas últimas décadas um papel notável na exaltação da portugalidade no centro da cidade, acolhe um enorme mural que retrata o ensino da língua portuguesa e o primeiro barco que levou emigrantes portugueses para o Canadá, o Saturnia.

É neste espaço simbólico, que se encontra o Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente, por ação do empresário e filantropo Manuel DaCosta, laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, assim como, a fonte dos pioneiros portugueses, um mural de azulejos e um pequeno jardim. Ainda neste entrecho, refira-se que desde 2003, foi instalado na estação de metro Queen’s Park em Toronto, um painel de azulejos, fabricado em Lisboa, da autoria de Ana Vilela, que aborda a exploração portuguesa no Novo Mundo.

Estes exemplos de intervenções artísticas no espaço urbano de Toronto, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados, assumem-se claramente como uma importante mais-valia cultural e identitária da comunidade luso-canadiana, uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas na América do Norte.

FUNDAÇÃO "NOVA ERA JEAN PINA" ASSINA PROTOCOLO PARA DISTRIBUIÇÃO DE CABAZES DE NATAL À COMUNIDADE PORTUGUESA NA VENEZUELA

  • Crónica de Daniel Bastos

A Fundação “Nova Era Jean Pina”, representada pelo presidente da instituição, o empresário luso em França, João Pina, o Governo português, através da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e do presidente da Federação Iberoamericana de Luso Descendentes, Jany Ferreira, assinaram no passado dia 10 de novembro, em Lisboa, um protocolo que vai resultar na distribuição de 200 cabazes de Natal a famílias portuguesas e lusodescendentes residentes na Venezuela.

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Cerimónia de assinatura do protocolo, em Lisboa, com a presença da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas e do presidente da Fundação Nova Era Jean Pina

Este apoio, concretizado através da oferta de 200 cabazes de Natal por parte da Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição que assume como principal missão a promoção de uma cultura e rede de solidariedade na Diáspora, será entregue e operacionalizado pela Federação Iberoamericana de Luso Descendentes, em articulação com a rede diplomática e consular de Portugal na Venezuela, tem como objetivo melhorar o Natal de famílias portuguesas que vivem com graves dificuldades na Venezuela.

Refira-se que a cerimónia de assinatura do protocolo realizou-se em paralelo em Lisboa e em Caracas, e que a Fundação Nova Era Jean Pina ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol das pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças institucionalizadas e desempregados.

EROSÃO: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

A freguesia de Cepães, uma povoação do concelho de Fafe, distrito de Braga, com intensa atividade industrial e aptidão agrícola, ao longo dos últimos quatro anos foi palco de um original projeto comunitário em rede que envolveu toda a comunidade local em torno de histórias e memórias da emigração.

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Partindo dos percursos migratórios do final do século XIX e do século XX para o Brasil e França, assim como das expressões materiais e simbólicas do ciclo de retorno dos emigrantes que marcam indelevelmente a região do Vale do Ave. E em particular o concelho de Fafe, contexto que impeliu a edilidade minhota a instituir no clarear do séc. XXI o Museu das Migrações e Comunidades, o grupo local EnfimTeatro, núcleo dramático da Sociedade de Recreio Cepanense, desenvolveu desde o primeiro trimestre de 2017 o projeto comunitário Erosão, tendo em vista a dinamização de atividades culturais.

Entre as várias atividades impulsionadas destacou-se a realização do filme Erosão. Uma pelicula inspirada no texto dramático “Terra Firme”, de Miguel Torga, um dos mais influentes escritores portugueses do século XX, ele próprio emigrante no Brasil nos anos 20, que retrata a longa e penosa espera de um filho há vinte anos ausente.

Os pilares fundamentais do filme Erosão, cuja antestreia ocorreu no decurso deste mês no Teatro Cinema de Fafe, assentam num profundo compromisso com as metamorfoses, linguagens, hábitos e tradições da comunidade local, assim como nos termos viagem, emigração, esperança, utopia, paisagem, património material e imaterial.

Como defendem os responsáveis da pelicula cinematográfica, estamos perante um trabalho planeado, suportado e executado, todo ele, por não-atores e elementos que pela primeira vez experimentaram determinados meios técnicos e materiais, pessoas que nunca haviam conhecido o caminho de aproximação, senão em sonho, à ideia de um filme.

Mais que uma abordagem original ao fenómeno migratório, o filme Erosão, que se encontra disponível para ser visualizado no território nacional e nas comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, é um reflexo coletivo da valorização da emigração portuguesa, parte integrante da nossa história e da nossa identidade.

IN MEMORIAM MIGUEL MONTEIRO

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 3 de novembro, assinalaram-se doze anos do falecimento do saudoso historiador e professor, Miguel Monteiro (1955-2009), um dos mais reputados investigadores no campo do estudo dos “brasileiros de torna-viagem” na região noroeste do continente português, e em particular, no concelho de Fafe, uma cidade situada no distrito de Braga, cuja história e identidade está intrinsecamente ligada ao fluxo migratório para o Brasil no alvorecer do séc. XX.

Natural da freguesia do Rego, município de Celorico de Basto, onde concluiu a instrução primária, Miguel Monteiro, finalizou os estudos liceais na capital do Minho, tendo, no início dos anos 80, obtido a Licenciatura em História na Faculdade de Letras do Porto. Com uma profícua carreira no campo do ensino básico, secundário e superior, foi no entanto, no campo da investigação histórica, que o Mestre em História das Populações pela Universidade do Minho (1996), instituição onde foi doutorando em Sociologia e investigador do Núcleo de Estudos da População e Sociedade, deixou a suas principais marcas.

Mormente, ao nível da contribuição dos “brasileiros” de torna-viagem no noroeste de Portugal, e em particular, as suas marcas na Sala de Visitas do Minho. Como asseverou apaixonadamente, recuando localmente à segunda metade do séc. XIX, encontramos nos “brasileiros” de Fafe aqueles que alcançando fortuna no Brasil, “construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural”.

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Mestre Miguel Monteiro (1955-2009)

Especialista na área da emigração portuguesa para o Brasil no decurso do séc. XIX para o séc. XX, contexto que levou a que em meados de 2000 tenha integrado o Comissariado Científico da exposição “Os Brasileiros de Torna-Viagem no Noroeste de Portugal”, da iniciativa da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, o investigador é autor, entre outras, das obras Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial, e Migrantes, Emigrantes e Brasileiros (1834-1926) – Territórios, itinerários e trajectórias.

O seu trabalho original em torno da figura do “brasileiro de torna-viagem”, e em particular, o contributo relevante que infundiu para a preservação e conhecimento do património que os “brasileiros” de Fafe deixaram no concelho, contribuiu decisivamente para que, em 12 de julho de 2001, por deliberação da Câmara Municipal de Fafe, fosse criado o Museu das Migrações e das Comunidades.

Percursor no seu género em Portugal, o espaço museológico assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

Agraciado pela edilidade fafense com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, no âmbito da sessão solene comemorativa do 5 de outubro de 2008, o trabalho e percurso de vida de Miguel Monteiro, alma mater do Museu das Migrações e das Comunidades, inspira-nos a máxima do jornalista e escritor britânico Graham Greene: “Os historiadores são pessoas que se interessam pelo futuro quando este já é passado”.

PROCESSO DE REQUERIMENTO DE PASSAPORTE DE JOSÉ RODRIGUES DIAS COM DESTINO A ANGOLA

José Rodrigues Dias era natural da Freguesia de Santa Marinha de Forjães; concelho de Esposende. Em 1886 tinha 44 anos de idade quando requereu ao Governo ao Governo Civil de Lisboa passaporte com destino a Luanda, em Angola.

Apesar da idade, declarou serem seus acompanhantes Maria dos Santos; Teresa da Conceição e Olinda.

O esposendense José Rodrigues dos Santos era filho de António Rodrigues Dias Cadete e Maria dos Santos. E o seu processo decorreu de 24 de Agosto a 18 de Outubro de 1886.

Fonte: ANTT

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GÉRALD BLONCOURT: O FOTÓGRAFO QUE IMORTALIZOU A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

No ocaso do mês de outubro, assinalaram-se três anos do falecimento do saudoso fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt (1926-2018), um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado coletivo.

Colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, o antigo fotojornalista que esteve radicado em Paris mais de meio século, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Igualmente relevantes são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as dos primeiros dias de liberdade em Portugal, como as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, acontecimento que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração e a génese da democracia portuguesa constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história nacional que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

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Gérald Bloncourt, em 2016, durante uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades

O trabalho e percurso do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, e cujo espólio faz parte do arquivo do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o reputado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Numa mensagem na página oficial da Presidência da República, aquando do falecimento de Gérald Bloncourt, o mais alto magistrado da nação portuguesa asseverou que "há um dever de memória" em evocar o trabalho com a emigração lusa do fotógrafo francês, “uma das testemunhas do duro quotidiano dos compatriotas que viveram os primeiros anos da maior vaga de emigração para França, sendo simultaneamente amigo e companheiro de tantos portugueses que ali construíram o seu futuro”.

MANUEL CARVALHO: UM OLHAR ATENTO SOBRE A COMUNIDADE PORTUGUESA DE MONTREAL

  • Crónica de Daniel Bastos

O Canadá, uma nação que abrange grande parte da América do Norte e se estende desde o oceano Atlântico, a leste, até o oceano Pacífico, a oeste, alberga uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas, que se destaca hodiernamente pela sua diversa atividade associativa, económica e sociopolítica.

Estima-se que atualmente vivam no Canadá mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

Em Montreal, a segunda maior cidade do Canadá e a primeira da região de Quebeque, onde o número total de portugueses e lusodescendentes deverá ser superior a 60.000 pessoas, ao longo das últimas décadas, o escritor Manuel Carvalho tem mantido um olhar atento sobre a realidade da comunidade luso-canadiana nesta região marcada historicamente pela tradição e cultura francesa.

Manuel Carvalho nasceu em 1946, em Cicouro, um povoado situado no extremo norte do concelho de Miranda do Douro, confinante com território espanhol. Depois de viver grande parte da juventude nos Outeiros da Gândara dos Olivais, nos arredores de Leiria, período em que se iniciou nas letras através da imprensa local, participou na Guerra do Ultramar em Angola, tendo emigrado para Montreal no alvorecer dos anos 80, onde exerceu a função de designer industrial.

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Manuel Carvalho, profícuo escritor luso-canadiano

Desde então, promoveu entre 1983 e 1985, os Jogos Florais Luso-Canadianos, e foi responsável em Montreal pela organização de bibliotecas, concursos, coletâneas literárias e festas culturais direcionadas para a comunidade portuguesa. Com uma vasta colaboração literária espalhada por diversos jornais e revistas no seio das comunidades portuguesas este genuíno cultor das artes e letras é coordenador da revista online “Satúrnia – Letras e Estudos Luso-Canadianos” onde tem divulgado dezenas de autores.

No decurso deste ano, Manuel Carvalho lançou o seu mais recente trabalho, o livro Horizontes, com chancela da Escritório Editora e capa da pintora Maria João Sousa (Majão), também ela emigrante no Canadá. O livro, que é dedicado aos portugueses de Montreal, reúne várias crónicas que o escritor mirandês tem ao longo dos últimos anos escrito nas páginas da imprensa luso-canadiana, e que espelham singularmente a mundividência da comunidade lusa em Montreal.

Na esteira de Onésimo Teotónio Almeida, professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University, nos Estados Unidos, que assina o prefácio da obra: “Há décadas que venho lendo com prazer a escrita de Manuel Carvalho. Narrativas curtas, incisivas, feita de traços fortes e certeiros que, numa penada, economicamente desenham personagens e situações, esboçam cenas vivas, prenhes de humanidade, colocando o leitor por dentro de momentos fortes da experiência emigrante portuguesa no Canadá francês – mais precisamente Montreal - mas que poderiam se de qualquer canto da diáspora portuguesa – Newark, Paris, Dusseldorf, Londres, Johannesburg ou Sydney. Tudo narrado num português tão puro como o melhor tinto do Douro”.

FUNDAÇÃO NOVA ERA JEAN PINA ABRE PORTAS A PARCERIAS NO CONCELHO DE FAFE

Na passada segunda-feira (18 de outubro), o Presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, um dos mais dinâmicos e beneméritos empresários portugueses em França, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, um grupo empresarial com atividades em áreas como a construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, que tem dinamizado relevantes iniciativas no território gaulês e nacional, esteve de visita ao concelho de Fafe.

Acompanhado do historiador fafense Daniel Bastos, embaixador da instituição junto das comunidades portuguesas, e atualmente consultor do município minhoto na área da emigração, o empresário luso-francês manteve vários encontros e reuniões de trabalho com dirigentes de instituições do concelho de Fafe, tendentes ao lançamento de bases para parcerias e protocolos culturais empresariais e sociais.

Durante a manhã, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina foram recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, a quem foram apresentadas as atividades e missão da instituição, e a sua disponibilidade para o estabelecimento de parcerias locais. Assim como,  pelo Presidente da Direção da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, José Hernâni Costa, numa reunião de trabalho que permitiu o lançamento de um futuro protocolo que visa a promoção de produtos e empresas de Fafe num dos mais importantes mercados da diáspora portuguesa.

1- Encontro nos Paços do Concelho com o President

Encontro nos Paços do Concelho com o Presidente do Município de Fafe

2-Reunião com o Presidente da Direcção da Assoc

Reunião com o Presidente da Direcção da Associação Empresarial de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto

Na parte da tarde, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina foram recebidos pelo Presidente da Delegação de Fafe da Cruz Vermelha Portuguesa, António Manuel Fernandes, na sede da instituição de assistência humanitária e social, e com a qual foram alinhavados os termos de uma parceria que irá assegurar o envio regular de diversos donativos em espécie. A agenda de trabalhos computou ainda uma visita ao Museu das Migrações e das Comunidades, tendo sido asseverado junto da Vereadora do Município de Fafe, Paula Nogueira, a disponibilidade da Fundação Nova Era Jean Pina para promover o espaço museológico junto da comunidade portuguesa em França.

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Visita à Delegação de Fafe da Cruz Vermelha Portuguesa

4-Visita ao Museu das Migrações e das Comunidade

Visita ao Museu das Migrações e das Comunidades

5-Reunião com responsáveis da Associação de De

Reunião com responsáveis da Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta

Refira-se que ao final da tarde, os responsáveis da Fundação Nova Era Jean Pina, estiveram ainda reunidos com dirigentes da Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta – ADDAF, com quem delinearam um protocolo de colaboração que permitirá o envio regular de ração para aninais a esta associação responsável pelo trabalho de voluntariado no Canil Municipal.

DANIEL BASTOS É O NOVO EMBAIXADOR DA FUNDAÇÃO “NOVA ERA JEAN PINA”

O escritor e historiador Daniel Bastos, que ao longo dos últimos anos tem publicado vários livros no domínio da História e Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as Comunidades Portuguesas, é o novo embaixador da Fundação “Nova Era Jean Pina”.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), acompanhado do empresário benemérito João Pina, instituidor da Fundação “Nova Era Jean Pina”

A Fundação “Nova Era Jean Pina”, constituída em 2019, por um dos mais dinâmicos e beneméritos empresários portugueses em França, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, um grupo empresarial com atividades em áreas como a construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, que tem dinamizado relevantes iniciativas de ação social no território francês e nacional, assume como principal missão a promoção de uma cultura e rede de solidariedade nas Comunidades Portuguesas.

Sob o lema “Solidariedade em Movimento”, e sustentando que “a solidariedade não tem fronteiras”, a Fundação “Nova Era Jean Pina”, que tem vários membros dos seus órgãos sociais espalhados pela França, Bélgica, Estados Unidos da América e Brasil, visa com o convite endereçado ao escritor e historiador Daniel Bastos para embaixador da instituição, reforçar no seio da Diáspora, a promoção, apoio e desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol das pessoas mais desfavorecidas ou vulneráveis, como idosos, crianças institucionalizadas e desempregados.

GALA DA CAP MAGELLAN: O ENCONTRO DA COMUNIDADE PORTUGUESA EM FRANÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das mais antigas e numerosas comunidades lusas no estrangeiro, a comunidade portuguesa em França, que ronda um milhão de pessoas, tem-se destacado ao longo dos anos pela sua notável dinâmica associativa, económica e sociopolítica, que muito tem contribuído para o desenvolvimento das pátrias de Victor Hugo e de Camões.

Essa intensa atividade tem impelido, desde 2010, ano em que a propósito do centenário da proclamação da Primeira República Portuguesa, os então presidentes da Câmara de Paris e Lisboa, Bertrand Delanoë e António Costa, acordaram receber a comunidade franco-portuguesa numa noite especial no Hôtel de Ville de Paris, a realização anual de uma Gala oferecida pela Câmara de Paris à comunidade luso-francesa.

Gala Cap Magellan 2021 – Entrega do Prémio Jean

Gala Cap Magellan 2021 – Entrega do Prémio Jean Pina Entreprise

 

Organizada pela Cap Magellan, uma associação de jovens luso-descendentes, fundada no princípio dos anos 90 em Paris, e que ao longo das últimas décadas tem assumido um papel ativo no desenvolvimento das relações entre a França e Portugal, a iniciativa tem como principal propósito homenagear as pessoas ou instituições que se têm distinguido no seio da comunidade luso-francesa.

No início deste mês, após as restrições impostas pela pandemia, realizou-se a 11.ª celebração desta Gala no Salão de Honra da Câmara de Paris, que uma vez mais computou a presença das forças vivas da comunidade portuguesa em França. Mais de 650 pessoas, entre elas, vários artistas, empresários, dirigentes associativos, políticos e estudantes, aplaudiram numa constante atmosfera de exaltação da cultura pátria, os diferentes premiados.

Foi o caso do jovem Hugo Augusto, distinguido como melhor aluno de liceu, Adeline Afonso, reconhecida como melhor estudante universitária, a associação “Dona Beatriz”, considerada a melhor associação, a coletividade “Des ailes pour le Portugal”, enaltecida como melhor projeto associativo, Christophe Paredes, realçado como melhor jovem empresário, ou Carlos Lopes, nomeado o artista revelação.

Uma das particularidades dos prémios da Cap Magellan, é que estes são apoiados por empresas lusas em França, como as seguradoras Império e Fidelidade, e por empresários lusodescendentes, como é o caso de Jean Pina, que robustecem assim o associativismo, a participação e o espirito comunitário dos portugueses no território no território gaulês.

FILME "EROSÃO" ESTREIA EM FAFE E RETRATA A MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO

O filme Erosão, rodado em Fafe, desde 2018, retrata a história e memória da emigração

Um filme feito a partir da obra de Miguel Torga, ‘Terra Firme’, que envolveu 12 instituições, 4 freguesias e 2 paróquias de Fafe, cuja história se embrenha na comunidade. Ou seja, uma longa-metragem, com cerca de duas horas, que fala de hábitos e tradições deste povo, virtudes e dificuldades, e regista a paisagem local, o património natural, e a sua ruralidade.

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Participaram mais de 200 pessoas no projecto desenvolvido em rede, com várias entidades e comunidades locais.

Erosão está pronto e passa em antestreia a 12 de Novembro, pelas 21h30, no Teatro-Cinema. A estreia está agendada para o dia 13 de Novembro.

GABRIEL MARTINEZ: O FOTÓGRAFO DOS EMIGRANTES PORTUGUESES EM HENDAIA NOS ANOS 60

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na história da emigração lusa para França nos anos 60, época em que a miséria rural e a ausência de liberdade, num país amordaçado pela ditadura, impeliram a saída legal ou clandestina de mais de um milhão de portugueses, a cidade de Hendaia, na fronteira franco-espanhola, ocupa um dos capítulos mais simbólicos dessa gesta.

Estima-se que cerca de um em cada dois emigrantes cruzou nesse período a fronteira a “salto”, ou como se dizia então com “passaporte de coelho”, isto é, sem passaporte, através de uma viagem clandestina, na maioria da vezes feita ao cair da noite. A arriscada jornada por montanhas, rios e veredas, feita com o apoio dos chamados “passadores”, não raras vezes marcada por episódios trágicos, foi feita por centenas de milhares de portugueses, que após atravessarem os Pirenéus alcançavam a cidade fronteiriça francesa de Hendaia, onde compravam o almejado bilhete de comboio para a Gare de Austerlitz, cais de desembarque da emigração portuguesa em Paris.

Este momento simbólico de espera no cais da estação de Hendaia, onde milhares de emigrantes portugueses extenuados aguardaram ansiosamente o embarque para a viagem que os levou rumo a uma vida melhor, foi profusamente captado no final da década de 1960 pelo fotógrafo francês Gabriel Martinez.

Apaixonado por pintura e desenho, Gabriel Martinez, que tinha assumido a loja de fotografia do pai em Saint-Jean-de-Luz, comuna francesa na região administrativa da Nova Aquitânia, no departamento dos Pirenéus Atlânticos, retratou singularmente, nas palavras do mesmo, “um drama humano, um grande drama humano, famílias inteiras com a casa às costas”.

Nas fotografias a preto e branco, captadas há mais de meio século, o artista oriundo da costa basca, captou numa sala de espera e no cais da estação de Hendaia, homens, mulheres e crianças a dormirem em bancos, braços cruzados em cima de sacos, e muitas malas espalhadas pelo chão ou em cima de mesas, carregadas de sonhos e esperança.

Em 2008, com o apoio de Manuel Dias Vaz, presidente da Rede da Aquitânia para a História e Memória da Imigração, Gabriel Martinez publicou este valioso repositório ilustrado dos emigrantes portugueses em trânsito para Paris no livro “Sala de Espera”, da editora francesa Atlantica, ano em que as imagens foram também adquiridas pelo Museu da Aquitânia, que tem promovido ao longo dos últimos anos várias exposições itinerantes sobre esta etapa marcante da emigração portuguesa para França.

EMIGRATECA PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A emigração lusa, ao longo das últimas décadas, tem recebido uma crescente atenção por parte dos investigadores, que nas suas múltiplas formações e ângulos de análise têm dado um importante contributo para a compreensão deste fenómeno constante na sociedade portuguesa.

Um desses investigadores, que mais tem contribuído para o estudo e conhecimento da emigração portuguesa é seguramente o Professor Catedrático na Universidade de Aveiro, atualmente aposentado, Jorge Arroteia. Com uma formação de base em Geografia, e doutoramento em Ciências Sociais, Jorge Arroteia, que integrou órgãos científicos de vários estabelecimentos de ensino superior, é autor de diversos estudos e projetos de referência no campo da emigração portuguesa.

Natural da freguesia de Monte Redondo, no concelho de Leiria, um território fortemente marcado pelo fenómeno emigratório para o Brasil no início do séc. XX, e nos anos 60 para França, o investigador leiriense fundou em 2009 a “Emigrateca Portuguesa”, uma biblioteca digital especializada em assuntos da emigração lusa.

Constituída por amostras de trabalhos académicos sobre a emigração de nacionais, isoladamente e no seu contexto internacional, assim como por estudos sobre a população e a sociedade portuguesa, as comunidades luso-descendentes residentes no estrangeiro e a imigração em território nacional, este fundo bibliográfico especializado sobre o fenómeno migratório luso tem sido promovido pelo Museu do Casal de Monte Redondo. Um espaço museológico, administrado pela Associação de Defesa do Património Cultural de Monte Redondo, que se encontra instalado na terra natal do investigador leiriense, em edifício próprio, com espaço expositivo, biblioteca e reserva técnica.

A diversidade de trabalhos disponíveis e o interesse em facultar a sua consulta a um público mais vasto justificou, entretanto, a oferta de parte da documentação recolhida à Biblioteca José Saramago - Instituto Politécnico de Leiria, uma instituição de ensino superior, mantendo-se no entanto a divulgação on-line de um conciso acervo digital.

Enriquecida com um repositório de textos agrupados em tornos dos eixos temáticos - Memorial da Emigração Portuguesa / Lusitanis in Diáspora / Migrações e Desenvolvimento -, e uma listagem de sites de instituições nacionais e internacionais relacionadas com o estudo das migrações, a plataforma digital “Emigrateca Portuguesa” constitui uma ferramenta de trabalho útil e prática para o aprofundamento do conhecimento e estudo da emigração portuguesa.

A (IN)VISIBILIDADE DOS EMIGRANTES TRANSMONTANOS NAS FOTOGRAFIAS DE EDUARDO PEREZ SANCHEZ

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  • Crónida de Daniel Bastos

No decurso do mês de setembro, o fotógrafo autodidata Eduardo Perez Sanchez, nascido em Barcelona, mas há mais de meio século a viver na cidade invicta, apresentou na Cooperativa Árvore, no Porto, o seu primeiro livro, intitulado Trás-os-Montes, Uma Visão a Preto e Branco sobre as Gentes e o seu Viver na Década de 1980.

A obra, resultado de incursões fotográficas que Eduardo Perez Sanchez realizou na década de 1980 em aldeias de Trás-os-Montes, no Nordeste de Portugal continental, como Agordela, Calvo, Sá, Santa Valha e Vilarandelo, destaca-se não só pelo sentido estético, mas também, pelos detalhes descritivos que traduzem a realidade socio-histórica de uma das regiões mais periféricas e deprimidas do país.

Uma realidade de profundo ambiente rural, ainda muito marcante no limiar dos anos 80, um período de consolidação da democracia portuguesa, onde se praticava ainda uma agricultura de subsistência e as estruturas de habitação rural em pedra possuíam diminutas condições de habitabilidade e de conforto, designadamente falta de luz elétrica, água canalizada e saneamento básico.

Nesses “lugares de memória” transmontanos, captados há cerca de 40 anos pelo fotógrafo luso-catalão, que veem agora a luz dia, abundam essencialmente rostos, expressões, sentimentos e experiências da vida quotidiana de carências e dureza, por que passaram as povoações rurais do interior do país.

A presença constante de mulheres, crianças e idosos nas fotografias realizadas pelo fotógrafo septuagenário autodidata,  na região transmontana na década de 1980, recorda o fenómeno maciço da emigração portuguesa da segunda metade do séc. XX para os países industrializados da Europa Ocidental, especialmente para França, que esvaziou as aldeias do interior nortenho de homens na força na idade.

Um fenómeno marcante na sociedade portuguesa, sobretudo nos anos 60 e 70 durante a ditadura salazarista, quando mais de um milhão de portugueses partiram a “salto” motivados pela procura de melhores condições de vida ou em fuga à Guerra Colonial, e que foi particularmente incisivo em Trás-os-Montes, uma região fronteiriça onde o fardo da ruralidade e a estreiteza de horizontes impeliu uma forte vaga migratória.

A (in)visibilidade dos emigrantes trasmontanos nas fotografias de Eduardo Perez Sanchez, acentua a importância destes na história e identidade da região. A comparação do tempo transcorrido nas imagens a preto e branco do fotógrafo luso-catalão, com a realidade do presente, permite, quarenta anos depois apreender que o fenómeno migratório, malgrado a ligação ao processo de desertificação do interior, possibilitou a canalização de remessas para o sustento das famílias dos emigrantes que permaneceram nas terras de origem, e incrementou o desenvolvimento destes lugares desfavorecidos, ao nível da construção de casas, da aquisição de propriedades ou de estabelecimentos comerciais.

MUSEU DAS MIGRAÇÕES E DAS COMUNIDADES: UM ESPAÇO DE MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A dimensão e impacto da emigração no país, nas palavras abalizadas de Vitorino Magalhães Godinho, uma “constante estrutural” da demografia portuguesa, têm impelido a construção nas últimas décadas, no seio dos territórios municipais, de vários núcleos museológicos dedicados à salvaguarda da memória do processo histórico do fenómeno migratório nacional.

É o caso, por exemplo, do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, uma cidade do interior norte de Portugal, situada no distrito de Braga, no coração do Minho, cujo desenvolvimento contemporâneo teve um forte cunho de emigrantes locais enriquecidos no Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX. Também conhecidos como "brasileiros de torna-viagem", que na esteira da trajetória transoceânica empreendida por mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914, conseguiram voltar engrandecidos à sua terra natal, e assim sustentaram a criação das primeiras indústrias, a construção de casas apalaçadas, e a edificação de obras filantrópicas ligadas à saúde, ao ensino e à caridade.

Estas marcas identitárias do ciclo do retorno dos "brasileiros de torna-viagem", singularmente presentes no centro urbano da "Sala de visitas do Minho", e profusamente estudadas pelo saudoso mestre Miguel Monteiro, impulsionaram o Município de Fafe a instituir no início do séc. XXI o Museu das Migrações e das Comunidades.

Percursor no seu género em Portugal, o espaço museológico assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

Entre os acervos documentais que compõem o Museu das Migrações e das Comunidades, que tem o reconhecimento da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e integra a AEMI (Association of European Migration Institutions), destaca-se uma coleção de mais de uma centena de fotografias oferecidas ao Museu pelo consagrado fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para a (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.

Como realça a socióloga Maria Beatriz Rocha-Trindade, no artigo Museus de Migrações – Porquê e para quem?, a instituição sediada no coração do Minho, um território fortemente marcado pela emigração, e da qual a autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as migrações é consultora científica, o Museu das Migrações e das Comunidades, ao longo dos últimos anos, tem desempenhado um papel fundamental na “conservação e transmissão da memória que faz parte da própria história portuguesa”.

A CULTURA MARÍTIMA AÇORIANA NO MUSEU DA BALEAÇÃO EM NEW BEDFORD

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  • Crónica de Daniel Bastos

No seio da fértil cultura marítima açoriana, a baleação, também conhecida como pesca ou caça às baleias, ocupa um papel basilar na memória coletiva de muitas localidades açorianas, em particular, na ilha do Pico, o grande centro do antigo complexo baleeiro insular.

As raízes históricas da baleação açoriana remontam ao ocaso do séc. XVIII quando navios baleeiros da Nova Inglaterra, região no nordeste dos então recém-independentes Estados Unidos da América (EUA), que abrange os estados de Maine, Vermont, Nova Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island, recrutavam no arquipélago tripulação para as suas longas campanhas.

A experiência adquirida a bordo dos navios americanos foi decisiva para o estabelecimento da atividade baleeira nos Açores, uma atividade indissociável da cultura e da história arquipelágica, ou no conceito de Vitorino Nemésio da açorianidade.

Uma atividade que tendo perdurado até ao termo da década de 1980, época em que Portugal entrou para a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a caça comercial seria entretanto proibida pela Comissão Baleeira Internacional, foi concomitantemente percursora da diáspora açoriana nos EUA, cuja presença no território se adensou a partir da segunda metade do séc. XIX, através da emigração de milhares de açorianos ligados aos negócios da pesca da baleia.

Um dos exemplos paradigmáticos do fenómeno migratório açoriano para a América impulsionado pela baleação encontra-se em New Bedford, uma cidade costeira situada no estado de Massachusetts. Com uma população de 100 mil habitantes, da qual cerca de 40% terá ascendência portuguesa, os pescadores açorianos constituíram a primeira vaga da imigração lusa em New Bedford a partir de 1870, época em que a cidade que detém um dos portos de pesca mais importantes dos EUA era um centro mundial da indústria baleeira.

Este relevante legado histórico esteve na base da edificação do Museu da Baleação de New Bedford, um espaço administrado pela Sociedade Histórica Old Dartmouth, fundada em 1903, e que tem como principal missão avançar no entendimento da influência da indústria baleeira e do porto de New Bedford na história, economia, ecologia, artes e culturas da região, da nação e do mundo.

Foi nesse sentido que, em 2010, foi inaugurado no Museu da Baleação de New Bedford, uma ala dedicada aos baleeiros dos Açores, designada de Galeria do Baleeiro Açoriano, e que se assume como o único espaço de exposição permanente nos EUA que presta homenagem aos portugueses, mormente açorianos, e o seu significativo contributo para a herança marítima norte-americana.  

O projeto da Galeria do Baleeiro Açoriano teve a sua génese em 1999, quando a saudosa professora universitária luso-descendente, Mary T. Vermette, apresentou uma proposta ao então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, para que Portugal ajudasse a abrir o núcleo museológico. Diligência que levou o Estado português a aprovar uma contribuição de cerca de 700 mil dólares, e o Governo dos Estados Unidos a contribuir com 1,2 milhões para a renovação da ala do museu dedicada à galeria.

Constituída por mais de uma centena de objetos, a Galeria do Baleeiro Açoriano além de conter peças de arte, artefactos, filmes e fotografias sobre os laços marítimos, culturais e sociais que unem os dois lados do Atlântico, homenageia ainda figuras históricas da comunidade açoriana de New Bedford, designadamente marinheiros, mestres, proprietários de embarcações e empresários marítimos.

Mais recentemente, através de fundos provenientes de uma bolsa atribuída pela fundação William M. Wood, criada por um magnata da indústria têxtil filho de um baleeiro açoriano, a Galeria do Baleeiro Açoriano foi enriquecida com dois relevantes elementos, nomeadamente um modelo em grande escala de um bote baleeiro açoriano e um posto de vigia recriado.

Como realça Ricardo Manuel Madruga da Costa, em A ilha do Faial na logística da frota baleeira americana no “Século Dabney”, a Galeria do Baleeiro Açoriano no Museu da Baleação em New Bedford, constitui “um admirável tributo que retrata, com criterioso uso de recursos ao nível das peças e da icnografia expostas, o que representou, de facto, a presença tão significativa do baleeiro das ilhas dos Açores”.