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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O CRESCIMENTO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NOS PAÍSES NÓRDICOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Os dados mais recentes sobre a emigração portuguesa apontam que os países nórdicos, uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta por países como a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, ao longo do ano de 2018 atraíram cada vez mais portugueses. 

Comumente considerados como dos melhores países do mundo para se viver e trabalhar, como sustentam os seus elevados índices de qualidade de vida, democracia e competitividade. Os números revelam que a emigração lusa para a Noruega aumentou 20%, para a Dinamarca (19%), para a Suécia (9%), para a Islândia (23%) e para a Finlândia, ainda que não sejam conhecidos os valores do ano transato, os dados de 2017 revelam que nesse período as entradas de portugueses tiveram um incremento na casa dos 10%.

No caso, por exemplo, da emigração portuguesa para a Noruega, as autoridades estatísticas da nação que amiúde lidera o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, indicam que embora seja um fenómeno recente e represente apenas 1% da imigração neste país nórdico, a entrada de portugueses chegou em 2018 aos 450 cidadãos.

No conjunto dos países nórdicos que o longo da última década tem acolhido cidadãos nacionais, a Suécia, o mais populoso e o maior país nórdico, revela uma clara tendência de crescimento desde o início do séc. XXI. Nos últimos anos a Embaixada de Portugal em Estocolmo contabiliza a presença de mais de quatro milhares de portugueses na nação escandinava, muitos deles profissionais qualificados a desempenhar funções nas áreas das tecnologias de informação e comunicação (TIC), saúde, engenharias, arquitetura e investigação.

O recente crescimento da presença portuguesa nos países nórdicos, como é o caso da Suécia, deve-se também em grande medida ao número de estudantes lusos envolvidos em programas de pós-graduação e programas de mobilidade. Como o programa Erasmus, que contempla um conjunto de atividades onde se inclui a mobilidade de estudantes universitários para efetuar um período de estudos ou estágio em países da União Europeia e outros países associados ao projeto, e cuja experiência formativa no domínio pessoal e profissional, é uma indubitável mais-valia no mercado laboral.

PONTE DE LIMA RECEBE EMIGRANTES

Tempo de Verão, os tradicionais meses de receber os nossos emigrantes aí estão, este, corrente de Julho, e o seguinte, onde milhares de compatriotas, conterrâneos e luso –descendentes se cruzam nas nossas estradas, comércios, repartições públicas, praias e outros locais.

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É tempo de convívio, de visitar familiares e amigos, de reviver o ambiente de onde partiram há meses, anos, parte da sua vida, para fazer outra vida, melhor para um Futuro também mais risonho aos filhos e netos.

Da Europa a África, e do outro lado do Atlântico, Ponte de Lima está pressente há mais de cinco séculos. A diáspora, os Limianos, também poucos, mas alguns, partiram para a Ásia, mas é do velho continente a maior proveniência para gozo de férias.

Com o aproximar da vinda de nossos patrícios, também as Festas e Romarias mais importantes enchem-se como locais de culto, diversão e convívio. Evoquemos, entre outras, a de Nossa Senhora da Boa Morte, na freguesia da Correlhã, santuário de muitos devotos por geração radicados no Brasil e na França, ou o Senhor da Saúde, em Sá, no primeiro fim de semana de Agosto.

Outras entidades como as autarquias locais, organizam programas, ou parte deles dedicados ao emigrante, á gente da terra ausente, mas que nesta época do ano nos visitam.

É o caso da freguesia da Seara, onde o Presidente Filipe Lima e seus colegas, preparam mais uma edição da Semana da Seara, a decorrer de 10 a 19 de Agosto próximo. Mas também em Rebordões Souto, haverá este ano, igualmente por iniciativa do colega autarca Filipe Amorim, uma evocação dos conterrâneos radicados na Europa, através do futebol, no âmbito do ressurgimento da equipe local – Águias de Souto – numa comissão liderada pelo jovem João Gomes.

É assim, Ponte de Lima veste – se de gala para receber, conviver, perceber, que ser emigrante é também gostar da terra, e como tal, participar nas suas tradições e demais usos e costumes, através das programações já divulgadas, e outras a caminho!...

Mas, entre centenas e milhares de Pontelimenses expatriados, permitam que deixe aqui um abraço às comunidades mais salientes em suas terras adoptivas. A razão, é que a eles, ou associações que dirigem, se devem muitas recordações, digamos eventos etnográficos e gastronómicos nessas paragens, costumes de suas origens. São exemplos, entre outros, na região de Paris: Drancy, Ivry Sur Seine e Saint Cyr l École (Versalhes). Mais longe, a uma centena de quilómetros, Chalette Sur Loing (Órleães), geminada com Ponte de Lima, assim como no norte, a uma centena de quilómetros do Luxemburgo, a mais antiga cidade – irmã de Ponte de Lima: Vandoeuvre Les Nancy, cujos trinta anos foram assinalados em 22 de Junho último, com deslocação do Órfeão Limiano e da Edilidade.

Tito Morais / https://www.luso.eu/

OS “BRASILEIROS DE TORNA-VIAGEM”

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transoceânico que se prolongou de meados do século XIX até ao primeiro quartel do século XX, e que teve como principal destino o Brasil.

Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Noroeste de Portugal.

Como menciona Miguel Monteiro, no artigo “O Museu da Emigração e os “Brasileiros” do Rio: o público e o privado na construção de modernidade em Portugal”, recuando à segunda metade do séc. XIX, encontramos nos “brasileiros” aqueles que alcançando fortuna no Brasil, “construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural”.

Numa época, em que a nova geração de emigrantes que deixa Portugal não tem como principal propósito o regresso vindouro, mas antes a procura de melhor qualidade de vida e emprego na sua área, a feição benemérita e empreendedora dos “brasileiros de torna-viagem”, que permitiu mitigar os parcos recursos financeiros do país no aclarar do séc. XX, é um exemplo inspirador que não pode deixar de ser recordado e enaltecido.

A COMUNIDADE PORTUGUESA NA ÁFRICA DO SUL

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso das últimas Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o primeiro-ministro António Costa confirmou que as comemorações do 10 de Junho em 2020, além de se celebrarem oficialmente na Madeira, decorrerão igualmente junto da comunidade portuguesa na África do Sul, possibilidade que tinha sido já aludida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A confirmação da decisão pelas mais altas instâncias da Nação tem desde logo o condão de destacar o papel e a importância da numerosa comunidade portuguesa que vive e trabalha no país mais meridional do continente africano. Segundo a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, estima-se que atualmente a comunidade portuguesa e de luso-descendentes na África do Sul, ronde o meio milhão de pessoas, na sua maioria com raízes madeirenses e estabelecida em Joanesburgo, a maior cidade sul-africana.

Ainda que como revele o investigador Paulo Bessa na obra “A Comunidade Lusíada em Joanesburgo”, a presença portuguesa na Nação Arco-Íris remonte “aos Descobrimentos, existindo contactos há mais de meio milénio, materializados nas viagens transoceânicas e na proximidade das colónias lusas”, o primeiro grande momento da emigração lusa, particularmente madeirense, para a África do Sul iniciou-se durante a década de 1940, durante a II Guerra Mundial, devido ao acentuar de privações geradas pelo conflito militar.

Foi neste contexto, que os pioneiros madeirenses se instalaram no alvorecer da segunda metade do séc. XX na África do Sul, passando a dedicarem-se à agricultura, em grandes quintas, e ao comércio, abrindo, mais tarde, lojas para venda dos produtos cultivados e supermercados. Sendo que, o segundo grande momento de emigração lusa para a África do Sul, ocorreu no início do quarto quartel do séc. XX, com a independência das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, período em que a África do Sul se tornou o principal destino dos portugueses em África.

As comemorações oficiais do Dia de Portugal em 2020 na Madeira e na África do Sul, são assim um momento simbólico de valorização da língua e cultura lusa no continente africano, elos antigos, atuais e vindouros da ligação umbilical portuguesa a África.

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM TORONTO NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

No passado sábado foi apresentado em Toronto, no Canadá, o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação do livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, acompanhado do comendador luso-canadiano Manuel da Costa

A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na Galeria dos Pioneiros Portugueses, um museu que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá.

A sessão muito concorrida, que contou com a presença de vários representantes da comunidade luso-canadiana e órgãos de comunicação social da diáspora, esteve a cargo do comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que enalteceu o trabalho que o investigador da nova geração de historiadores nacionais tem realizado em prol das Comunidades Portuguesas.

Segundo Manuel da Costa, a iniciativa promovida pela Galeria dos Pioneiros Portugueses, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, visou enriquecer a história, cultura e cidadania da comunidade luso-canadiana, incentivando nessa esteira Daniel Bastos, a conceber novos trabalhos junto da comunidade portuguesa, porquanto uma comunidade sem memória é uma comunidade sem história.

Refira-se que no decurso da tertúlia, ocorreram várias intervenções por parte de representantes da comunidade luso-canadiana, como foi o caso de Armando Branco, presidente da Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, e de Artur Jesus, representante da Associação Cultural 25 de Abril de Toronto, que explanaram a missão destas relevantes coletividades e destacaram as conquistas de Abril no desenvolvimento de Portugal.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

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A MEMÓRIA HISTÓRICA DOS “BIDONVILLES” PORTUGUESES EM FRANÇA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Um dos capítulos mais marcantes da história da emigração portuguesa é seguramente o ciclo da emigração lusa para França nos anos 60, derivado ao processo de reconstrução gaulês do pós-guerra. Que em parte, foi suportado por um enorme contingente de mão-de-obra portuguesa pouco qualificada, que encontrou nos setores da construção civil e de obras públicas da região de Paris o seu principal sustento.

Num país estruturalmente condicionado pelo regime autoritário e conservador que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, a miséria rural, a ausência de liberdade, a fuga ao serviço militar e a procura de melhores condições de vida, impeliram entre 1954 e 1974, a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao território francês

Essencialmente masculino e oriundo das regiões rurais do norte e centro do país, o fluxo migratório em massa com destino à França, ficou desde logo assinalado pela vida difícil dos portugueses nos “bidonvilles” dos arredores de Paris. Enormes bairros de lata, com condições de habitalidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil, como os de Saint-Denis ou Champigny, que na década de 60 albergou mais de uma dezena de milhares de portugueses, tornando-se um dos principais centros de distribuição de trabalhadores de nacionalidade lusa em França.

Embora os “bidonvilles” não tenham constituído a residência predominante dos emigrantes lusitanos em território francês, como aponta o investigador em Geografia Humana, Hélder Diogo, “menos de 20% dos portugueses chegaram a viver nestes espaços”, a crise do alojamento francês no pós-guerra, e o projeto pessoal do emigrante de amealhar e poupar o máximo para regressar à terra de origem com o sonho de construir uma casa, esta forma de habitação e acolhimento marcou a primeira fase de chegada dos emigrantes portugueses a França.

O vislumbre dos tempos em que muitos portugueses viveram nos “bidonvilles”, constituiu na atualidade um dever de memória e de homenagem aqueles que com sacrifício alcançaram o direito a uma vida melhor, e um alerta à consciência das novas gerações lusas que não se podem afastar do espirito de solidariedade entre os povos e nações, porquanto essa é uma marca indelével da mundividência dos seus antepassados.

O ACERVO BIBLIOGRÁFICO SOBRE A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno emigratório nacional tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto diversificado de documentos que ampliam o estudo e conhecimento sobre a relevância da emigração portuguesa.

Neste conjunto diversificado de trabalhos, onde se cruzam os olhares interdisciplinares das ciências sociais, encontram-se livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas, artigos em atas de congressos, conferências e outros tipos de encontros científicos, relatórios, assim como dissertações de licenciatura, mestrado e doutoramento. 

Como sustentam os vários investigadores sociais responsáveis pelo levantamento bibliográfico “Emigração portuguesa: bibliografia comentada (1980-2013)”, este relevante acervo documental “constitui um contributo importante para o conhecimento da emigração”.

Dentro da categoria temática dos livros, que na linha de pensamento do ensaísta Jorge Luis Borges, são “a grande memória dos séculos... se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”, são vários os exemplos que asseveram a importância que muitas publicações têm tido na compreensão e enriquecimento do fenómeno emigratório nacional.

É o caso, por exemplo, da obra “Portugal Querido”, um livro da autoria do argentino Mario dos Santos Lopes, filho de um português emigrante, que foi lançado em 2014 na Argentina. Uma edição que tem o condão de retratar as vivências dos portugueses no segundo maior país da América do Sul, através de testemunhos reais, e que recupera a memória de milhares de compatriotas provenientes na sua maioria dos distritos do Algarve e da Guarda, que durante a primeira metade do séc. XX se estabeleceram na Argentina, à época dos países mais ricos do mundo, em busca de uma vida melhor.

Ainda nesta esteira, enquadram-se dois livros lançados em 2015, designadamente, “A Vida numa Mala – Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias”, e “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que resgatam da penumbra do esquecimento, respetivamente, a epopeia da emigração portuguesa para a Alemanha e França nos anos 60.

MUNICÍPIO ARCUENSE COM OS EMIGRANTES A PROMOVER ARCOS DE VALDEVEZ EM TERRAS DE FRANÇA

Entre os dias 7 e 9 junho, o Município de Arcos de Valdevez, representado pelo Presidente da Câmara, João Manuel Esteves, pelo Vereador Olegário Gonçalves e pela ARDAL, voltou a participar em mais uma edição da Feira Anual de Artesanato e Gastronomia Portuguesa de Cenon, promovida pela Associação Alegria Portuguesa de Gironde e pelo município de Cenon e da Feira Lusitana de Gastronomia e Artesanato de Toulouse, promovida pela Associação Nossa Senhora de Fátima, a Associação A Cabana e o Rancho Folclórico “Vila Rosa”.

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Para o autarca “Estes são momentos de encontro com a comunidade portuguesa, e em especial a arcuense, bem como um forte veículo de promoção de Arcos de Valdevez”, referiu, adiantando também que “Nestes certames promovemos a nossa cultura, as nossas potencialidades, o nosso saber fazer e o nosso tecido empresarial. Transmitimos além-fronteiras as vantagens de pertencermos a um concelho onde é bom viver, trabalhar, investir e visitar.”

João Esteves aproveitou ainda para “felicitar e agradecer o empenho de todos os promotores e participantes, pela dinâmica e proximidade criada entre comunidades.”

A Câmara Municipal tem participado, incentivado e apoiado a realização destas e de outras iniciativas em vários países, pois está empenhada no reforço de laços e na criação de dinâmicas sociais, culturais e económicas, indispensáveis ao desenvolvimento e promoção do concelho de Arcos de Valdevez.

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O PASSEIO DA FAMA DE PORTUGUESES NO CANADÁ

No âmbito das comemorações do 10 de junho, uma vez mais assinalaram-se um pouco por todo o mundo, as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

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Este ano as comemorações do Dia de Portugal, abriram oficialmente em Portalegre, capital de distrito do Alto Alentejo, e na senda dos três anos de mandato do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estenderam-se às comunidades portugueses, mormente a Cabo Verde, arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental, onde residem quase 20 mil compatriotas.

A singularidade das comemorações do Dia de Portugal junto das comunidades lusas, além de reveladora do papel essencial da Diáspora na afirmação da pátria de Camões, é um justo e merecido reconhecimento às trajetórias de vida dos inúmeros compatriotas que pelos quatro cantos do mundo alteiam o amor pátrio. 

Um destes prodigiosos exemplos de amor pátrio e exaltação da cultura e língua portuguesa além-fronteiras encontra-se nas celebrações do Dia de Portugal promovido pela comunidade portuguesa de Toronto, no Canadá. Território na América do Norte, onde uma vez mais, milhares de participantes e espectadores participaram na Parada de Portugal, uma das maiores manifestações de orgulho luso, no Mundo.

É também no seio da comunidade lusa em Toronto, estimada em cerca de 300 mil portugueses e luso-descendentes, que desde 2013, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, se assinala o Portuguese Canadian Walk of Fame. Uma iniciativa carregada de enorme simbolismo, impulsionada pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que tem como principal objetivo realçar os percursos de sucesso de luso-canadianos para que sirvam de inspiração às gerações vindouras.

O passeio da fama de portugueses no Canadá, localizado na Camões Square, onde pontifica uma estátua em homenagem ao poeta da epopeia dos descobrimentos, em pleno âmago de uma nação diversa e multicultural, espelha publicamente a notável capacidade de afirmação da comunidade lusa no Canadá. Um dos maiores países do mundo, onde os portugueses através da argamassa da cultura e língua de Camões, honram o seu passado, constroem o seu presente e projetam o seu futuro.

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM BRUXELAS NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

Na passada sexta-feira (31 de maio), foi apresentada na capital da Europa o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro.), na sessão de apresentação do livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”, ladeado de Elisabete Soares, representante da livraria luso-belga, e de Paulo Pisco, deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa

A obra, concebida e realizada pelo historiador minhoto Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na livraria portuguesa em Bruxelas “La Petite Portugaise”.

No decurso da sessão, a representante da livraria luso-belga, Elisabete Soares, caracterizou o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, como um fautor de várias iniciativas cívicas para a cidadania ativa, e Paulo Pisco, deputado eleito pelo círculo da emigração na Europa que apresentou a obra, destacou o trabalho desenvolvido por Daniel Bastos em prol do conhecimento e valorização da emigração portuguesa. E em particular, este novo livro como um importante contributo para a preservação da memória do fotógrafo humanista Gérald Bloncourt, recentemente falecido em Paris, um homem que amou e honrou os portugueses.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

Refira-se que durante o presente mês de junho, o livro vai ser apresentado no dia 7 de junho (sexta-feira), na FNAC em Braga, às 21h00, e no dia 10 de junho (segunda-feira), Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na FNAC-Santa Catarina no Porto, às 17h00. Ainda no dia 22 de junho (sábado), no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, será apresentado às 10h00 na Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto.

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MONUMENTOS AO EMIGRANTE EM PORTUGAL

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  • Crónica de Daniel Bastos

A dimensão e relevância da emigração no território nacional, uma constante estrutural da sociedade portuguesa, têm impelido a construção nos últimos anos, um pouco por todo o país, de vários monumentos ao emigrante, com o objetivo de reconhecer e homenagear o contributo que prestam ao desenvolvimento das suas terras de origem.

Como observam as sociólogas Alice Tomé e Teresa Carreira, este fenómeno de construção de monumentos ao emigrante “marca na atualidade a paisagem portuguesa”, sendo em grande medida o reflexo da “alma de um povo lutador, trabalhador, fazedor de mitos que, pelas mais variadas razões, não hesita em dobrar fronteiras”.

São muitos e variados os exemplos de monumentos aos emigrantes que povoam a paisagem portuguesa, como facilmente se comprova através de uma simples pesquisa na Internet. No Minho, por exemplo, alfobre tradicional da emigração portuguesa, ainda no ano passado foi inaugurado na freguesia de Belinho, concelho de Esposende, uma estátua que celebra os emigrantes da povoação, e cuja simbologia alarga-se ao município numa homenagem a todos aqueles que "deram novos mundos ao mundo".

No concelho de Ourém, um município localizado na região do Centro que se construiu com a emigração, ergueu-se no início da presente década, na freguesia de Espite, num território que é conhecido como o “berço” dos franceses, um monumento ao emigrante. No Funchal, capital do arquipélago da Madeira, região indelevelmente marcada pelo fenómeno da emigração, desde a década de 1980 que subsiste um monumento ao emigrante madeirense, e que homenageia os emigrantes naturais da “Pérola do Atlântico” instalados por todo o mundo. Na mesma esteira, em Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, existe desde o fim do séc. XX, um monumento aos emigrantes e que laureia o povo açoriano disperso pelo mundo.

Nesta última região autónoma, foi lançado recentemente na Ribeira Grande, um concurso público para a obra de construção da Praça do Emigrante, um futuro espaço de homenagem aos emigrantes açorianos que partiram em busca de melhores condições de vida. Uma praça, cujo centro será ocupado por uma peça de arte pública intitulada “Saudades da Terra”, expressão que Gaspar Frutuoso, personagem insigne do passado da Ilha de São Miguel utilizou no século XVI, para resumir um sentimento maior, comum não só aos emigrantes açorianos, mas a todos os emigrantes portugueses.

A ASSOCIAÇÃO DE APOIO À COMUNIDADE PORTUGUESA NA SUÍÇA

  • Crónica de Daniel Bastos

Dentro do espaço europeu, a Suíça, oficialmente Confederação Suíça, uma república federal composta por vinte e seis estados, chamados de cantões, perdura como um dos principais destinos da emigração portuguesa, como comprovam os mais de 200 mil lusos que vivem e trabalham no território helvético, essencialmente na hotelaria, restauração, construção civil, indústria manufaturada, serviços de limpeza e agricultura.

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A dinâmica da emigração portuguesa na Suíça, que se desenvolveu, sobretudo, a partir de meados dos anos 80, está patente na existência de mais de duas centenas de associações lusas disseminadas pelo território helvético. Como listou há poucos anos o investigador Eduardo Araújo na sua tese de mestrado "Transnacionalismo e Etnicidade. O Movimento Associativo Português na Suíça".

Na última década, no seio do numeroso movimento associativo luso-suíço, tem-se destacado o papel ativo da Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa na Suíça (AACP). Uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2011, que tem como principais objetivos defender os interesses dos emigrantes portugueses na Suíça, favorecer, informar e orientar a integração dos emigrantes, divulgar a língua e a cultura portuguesa, e criar iniciativas para reforçar a compreensão e a colaboração intercultural.

Presidida atualmente pelo diligente dirigente associativo luso-suíço Nuno Domingos, e com instalações e várias valências recentemente inauguradas em Vevey, uma cidade localizada no Cantão de Vaud, a Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa na Suíça tem prestado um valioso auxílio a compatriotas que vivem com dificuldades no território helvético. O inestimável apoio social, jurídico, psicológico e alimentar que a AACP presta a vários portugueses na Suíça, como por exemplo, a compatriotas que se encontram detidos em prisões helvéticas, revela a existência de vários casos de dificuldades e insucesso da emigração portuguesa.

Situações de insucesso, que no caso helvético muitas das vezes são olvidadas pela imagem de Eldorado da Suíça, designadamente de país onde as oportunidades de emprego são grandes e os salários são altos. No entanto, a realidade quotidiana luso-suíça é também marcada pela precariedade, desemprego e elevado custo de vida, contexto que demanda um reforço do apoio das autoridades portuguesa e helvéticas às estruturas associativas que como a AACP lidam diariamente com as dificuldades reais.

VIDAS COM SENTIDO – 225 HSTÓRIAS DE EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do presente mês, foi apresentada na capital portuguesa a obra “Vidas Com Sentido - 225 histórias de emigração”, um livro que retrata mais de duas centenas de histórias de emigrantes portugueses nos Estados Unidos, uma por cada um dos anos do consulado luso em Nova Iorque, e que é coordenado pela antiga cônsul-geral de Portugal do estado americano, Manuela Bairos.

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A conceção e realização da obra provieram da comemoração do 225.º aniversário do Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque, uma avoenga estrutura consular lusa cujo percurso histórico e diplomático é revelador da presença portuguesa nos Estados Unidos.

Estima-se, que desde o primeiro quartel do séc. XIX, até ao último quartel do séc. XX, tenham emigrado para a América cerca de meio milhão de portugueses, a maior parte deles oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, e que ao nível socioeconómico se inseriram em atividades ligadas à pesca, indústria têxtil, pecuária e pequena indústria. Atualmente, a população luso-americana ultrapassará já um milhão de pessoas, estando a maioria concentrada na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia.

O recente projeto editorial, que foi desenvolvido durante dois anos, e contou com a colaboração do coordenador-adjunto do ensino de Português nos Estados Unidos da América, de professores e alunos de três escolas comunitárias portuguesas (Farmingville, Brentwood e Mineola), assim como de vários membros de clubes portugueses, assentou na recolha de testemunhos de emigrantes lusos, em particular das mais antigas gerações de emigrantes portugueses em Nova Iorque. Segundo a diplomata, atualmente embaixadora de Portugal no Chipre, o foco principal deste trabalho foi concentrado na primeira geração de emigrantes portugueses em Nova Iorque, porque “era muito importante fixar estas histórias” de compatriotas que “estão a acabar”.

Um trabalho que a mesma caracterizou como “comovente”, dado que permitiu aos filhos e netos conhecer melhor os percursos migratórios e de vida dos seus pais e avós, e que simultaneamente demonstra como as representações diplomáticas e consulares são fundamentais para a dinamização da história, cultura e língua portuguesa no mundo.

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM PARIS NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

Na passada quinta-feira (2 de maio), foi apresentada na capital francesa o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro.), na sessão de apresentação do livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, no Consulado Geral de Portugal em Paris, ladeado da jornalista Isabelle Bloncourt, do livreiro e editor João Heitor, do empresário natural de Fafe, Manuel Pinto Lopes, e do tradutor fafense Paulo Teixeira

 

A obra, concebida e realizada pelo historiador fafense Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada no Consulado Geral de Portugal em Paris.

No decurso da sessão muito concorrida, que contou com a presença da viúva do perecido fotógrafo franco-haitiano, a jornalista francesa Isabelle Bloncourt, e de representantes da comunidade e diplomacia portuguesa em terras gaulesas, como o Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, e o Cônsul-Geral de Portugal em Paris, António Albuquerque Moniz, assim como do Vereador da Cultura do Município de Fafe, Pompeu Martins, concelho onde se encontra sediado o Museu das Migrações e das Comunidades, que alberga mais de uma centena de fotografias do fotógrafo franco-haitiano sobre a emigração lusa, todos foram unânimes em considerar que este novo livro sobre Gérald Bloncourt revela que o mesmo “foi um espetador privilegiado dos primeiros dias de liberdade em Portugal”, considerando que o trabalho do fotógrafo sobre este período é “uma pequena cápsula do tempo da história portuguesa preservada”.

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Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

Refira-se que o lançamento da obra na capital francesa incluiu uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector. E que o mesmo abrangeu ainda na tarde de 4 de maio (sábado), através de uma parceria com a Associação Memória das Migrações, presidida pelo dirigente associativo fafense Parcídio Peixoto, uma sessão de apresentação do livro na Livraria Portuguesa & Brasileira de Paris.

Uma livraria de referência, junto ao Panteão de Paris, não só sobre Portugal e o Brasil, mas também sobre todo o mundo lusófono, onde pode ser adquirida a obra, assim como outros livros assinados pelo investigador da nova geração de historiadores lusos.

Refira-se que a edição da obra deveu-se em grande parte ao mecenato de empresas da diáspora que partilham uma visão de responsabilidade social e um papel de apoio à cultura. E que no dia 31 de maio, às 18h30, o livro será apresentado em Bruxelas, na livraria portuguesa “La petite portugaise”, um espaço cultural de referência da comunidade luso-belga na capital da Europa.

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AS CELEBRAÇÕES DE ABRIL NAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

A Revolução de 25 de Abril de 1974, também conhecida como Revolução dos Cravos, uma data estruturante na história contemporânea portuguesa, porquanto norteou o país na senda da liberdade e da democracia, é uma das principais datas comemorativas de Portugal.

Ainda este ano, no decurso das recentes celebrações evocativas do 45.º aniversário do 25 de Abril foram várias as iniciativas que desde o meio associativo, ao poder local até à sessão solene na Assembleia da República, deram corpo à comemoração desta efeméride por todo o território nacional.

A preservação da memória da Revolução de 25 de Abril de 1974 tem tido igualmente uma considerável dinâmica e impulso no seio das comunidades portuguesas, como manifestam ao longo das últimas décadas as muitas iniciativas que são realizadas nesta época pelos quatro cantos do mundo.

Ainda este ano, um coletivo de músicos de Portugal e do Luxemburgo assinalaram o 25 de Abril com concertos nos dois países, homenageando os "cantautores" da Revolução dos Cravos. No espetáculo "Abri'Lux", que incluiu Fado e jazz, participaram a cantora de jazz Luísa Vieira e músicos do Luxemburgo, que trouxeram ao palco temas de Zeca Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, Mário Laginha e Carlos Paredes.

Em Londres, outro dos principais destinos da emigração portuguesa, desde há alguns anos que um coletivo de juventude conhecido por Migrantes Unidos, e um grupo de portugueses a residir em Londres por várias décadas, festejam simbolicamente o 25 de Abril.

A divulgação e defesa dos valores da Revolução dos Cravos estiveram inclusivamente, por exemplo, na base da formação na Suíça da Associação 25 de Abril em Genebra, no passado dia 27 de abril em colaboração com o Atlier-Histoire en mouvement organizaram uma sessão dedicada ao “Balanço das modificações em Portugal 45 anos depois da queda da ditadura e o papel das mulheres no processo revolucionário”.

Na esteira dos valores democráticos e da liberdade, desde 1994 que subsiste em Toronto, onde reside e trabalha uma das maiores comunidades lusas na América do Norte, a Associação Cultural 25 de Abril, que tem como principal missão preservar a memória da revolução portuguesa de Abril de 1974.

HISTORIADOR DANIEL BASTOS VAI A FRANÇA APRESENTAR LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT

Paris vai ser palco de apresentação de livro sobre Gérald Bloncourt e o nascimento da democracia portuguesa

No próximo dia 2 de maio (quinta-feira), é apresentado em Paris o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

A obra, concebida pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido na capital francesa, é apresentada às 18h30 no Consulado Geral de Portugal em Paris.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro) foi em 2015 o responsável pela realização do livro de Gérald Bloncourt (dir.) “O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que retrata a emigração portuguesa para França nos anos 60 e 70, e que contou com prefácio de Eduardo Lourenço e tradução de Paulo Teixeira (esq.)

A apresentação da obra, uma edição trilingue (português, francês e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, estará a cargo do livreiro e editor João Heitor.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, uma das instituições de referência do Portugal democrático, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa em França nos anos 60 e 70, mas que foi também um espectador privilegiado da explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

A publicação do livro, que contou com a colaboração de Isabelle Repiton, viúva de Gérald Bloncourt, e é enriquecida com memórias e testemunhos do fotojornalista franco-haitiano, representa cerca de meio século após a Revolução de Abril um novo contributo e oportunidade para revisitar a génese da democracia portuguesa.

Segundo Vasco Lourenço, esta obra ilustrada pela lente humanista de Bloncourt, fotógrafo que em 2016 foi agraciado pelo Presidente República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, constitui uma viagem ao “tempo dos sonhos cheios de esperança, da afirmação da cidadania, da construção de uma sociedade mais livre e mais justa, do fim e do regresso de uma guerra sem sentido com a ajuda ao nascimento de novos países independentes, onde a língua portuguesa continuou a ser o principal factor congregador”.

Refira-se que a apresentação do livro realiza-se simbolicamente 45 anos depois do regresso, a 2 de maio de 1974, de Bloncourt da capital portuguesa a Paris, após fotografar os primeiros dias de liberdade em Portugal. E que, em função disso, a sessão, que conta com o apoio da Associação Memória das Migrações, constitui a título póstumo, uma homenagem a Gérald Bloncourt, um homem que amou e honrou os portugueses.

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O I CONGRESSO MUNDIAL DAS REDES DA DIÁSPORA PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nos dias 13 e 14 de julho realiza-se, na cidade do Porto, o I Congresso Mundial das Redes da Diáspora Portuguesa, uma relevante iniciativa que tem como objetivo reunir e colocar em interação os protagonistas das Redes dos Portugueses da Diáspora, enquanto agentes particularmente ativos e reconhecidos, quer na comunidade portuguesa em que se inserem, quer na sociedade do respetivo país de acolhimento, para proceder a uma reflexão alargada sobre o trabalho realizado até ao presente com as comunidades portuguesas e, sobretudo, debater perspetivas de colaboração futura, com formulação de sugestões e recomendações.

O congresso, que é organizado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, e Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, e conta com o apoio Câmara Municipal do Porto e da Ordem dos Contabilistas Certificados, computa sessões de trabalho temáticas dedicadas às redes de Associativismo da Diáspora, Ciência e Conhecimento – Investigadores e Académicos da Diáspora; Economia e Desenvolvimento – Empreendedores da Diáspora; Cidadania – Luso Eleitos e Conselheiros das Comunidades Portuguesas; Apoio Local - Gabinetes de Apoio ao Emigrante; e Órgãos de Comunicação Social da Diáspora.

Aquando da sessão de apresentação da iniciativa, que decorreu no início do presente ano, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, sustentou a realização da iniciativa com o contributo incontornável da diáspora portuguesa no desenvolvimento e afirmação do país por todo o mundo.

Segundo o governante o contributo da diáspora portuguesa é "um dos mais importantes alicerces de afirmação linguística, cultural, económica e empresarial, política e institucional" nacional à escala global. Pelo que “reunir todas estas redes na cidade do Porto, avaliar o trabalho que tem sido desenvolvido com cada uma e termos uma leitura prospetiva para o futuro, ou seja, como poderemos dar outra eficácia de inserção de Portugal na vida internacional", é indubitavelmente um mais-valia para o esforço contínuo de desenvolvimento e afirmação do país por todo o mundo.

Subscrevendo as palavras do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, acrescentaria que num mundo altamente interligado e em incessante interconexão global, o contributo da diáspora portuguesa é primordial para o provir nacional.