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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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O QUE SENTE QUEM VIVE EMIGRADO

  • Crónica de Daniel Bastos

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O imperioso processo sociocultural de reconhecimento, valorização e dignificação da emigração que se tem encetado na sociedade portuguesa ao longo das últimas décadas, aliado ao peso estruturante que o fenómeno ocupa no provir nacional, tem concorrido para o surgimento de um conjunto significativo de teses de doutoramento e dissertações de mestrado sobre a emigração lusa.

Este relevante conjunto de trabalhos académicos, sustentados ainda com a realização de seminários, congressos e artigos científicos, representam um novo conhecimento para a área de estudo da emigração, tanto que os mesmos perpassam várias áreas de investigação e de conhecimento, como é o caso, da História, da Sociologia, da Linguística ou da Psicologia.

É no campo desta última ciência que estuda o comportamento e os processos mentais dos indivíduos, que decorre neste momento um original estudo / projeto, no âmbito do Doutoramento em Psicologia Social do académico Carlos Barros. O investigador do Centro de Investigação em Ciência Psicológica da Universidade de Lisboa pretende com a sua tese de especialização, saber como é que as pessoas (emigrantes e família em Portugal) se sentem integradas e “conectadas”, como se veem em família e como cidadãos.

Para atingir estes objetivos, o jovem investigador criou um inquérito com questões cuidadosamente elaboradas e adaptadas de autores de referência, que pretendem ir ao encontro dos temas mais importantes de se conhecer nestas realidades. No caso concreto dos emigrantes, procura também, através da construção e desenvolvimento dos dados abonados pelo inquérito, saber como estes se sentem nos países onde vivem.

Não sendo ainda conhecidas as conclusões deste original trabalho académico, compartilho o excerto vivencial do fotógrafo e contador de histórias, Marco Gil, que aventa que "O coração de um emigrante tem residência fixa, conhece o cheiro do país pelo detalhe e, se olharmos para o lado, vive sempre um perto de nós. E ainda que não lhe conheçamos a presença nunca na verdade lhes sentimos a ausência. Sei que nós, os que ficamos, sentimos a amargura daquela gente mas a dimensão da tristeza de quem tem que partir e ficar para trás é de um sentimento avassalador."

MUSEU DA EMIGRAÇÃO AÇORIANA: UM ESPAÇO DE MEMÓRIAS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

O historiador Daniel Bastos (esq.) no MEA-Museu da Emigração Açoriana, acompanhado de Rui Faria, coordenador do espaço museológico e presidente da AEA-Associação dos Emigrantes Açorianos, estabeleceu no início do presente mês de março uma parceria de cooperação com o MEA e tornou-se sócio da AEA.

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A emigração tem sido ao longo do tempo um fenómeno constante no modo de vida de milhares de açorianos. Embora as suas origens remontem aos primórdios do povoamento do arquipélago português situado no Atlântico nordeste, o seu carácter sistemático consubstanciou-se entre os séculos XIX e XX com o surgimento dos cinco grandes destinos da emigração açoriana: Brasil, Estados Unidos da América, Bermudas, Havai e Canadá.

Atualmente estima-se que cerca de 1,5 milhões de açorianos e seus descendentes residam no estrangeiro, números reveladores da grandeza da diáspora açoriana, muito mais se considerarmos que residem no arquipélago cerca de 250 mil pessoas, e que ajudam a compreender a razão destas numerosas comunidades serem denominadas “a 10.ª ilha dos Açores”.

Como sustenta António Machado Pires, acerca da “Emigração, Cultura e Modo de Ser Açoriano”, os “açorianos da emigração são hoje, pelo seu número e pela sua diversidade, um vasto prolongamento da unidade e da diversidade dos Açores. São continuadores, descendentes, representantes de um conjunto de tradições, de uma língua e de uma cultura”.

A mundividência e relevância da diáspora açoriana encontram-se plasmadas na missão e objetivos do Museu da Emigração Açoriana. Inaugurado em 2005, no antigo Mercado de Peixe da Ribeira Grande, o espaço museológico, aberto à união de esforços e trabalhos em parceria no âmbito da história da emigração portuguesa, preserva através de fotografias, documentos, roupas e memórias de diversos tipos, as trajetórias de milhares de açorianos que ao longo do devir histórico saíram do arquipélago para o estrangeiro em busca de melhores condições de vida.

O Museu da Emigração Açoriana, ao estruturar uma visão geral sobre as razões e destinos da diáspora açoriana, constitui não só, um elemento-chave na história da emigração açoriana, como valida a sua considerável base de dados com fichas de emigrantes e os requerimentos para emigração realizados no século XIX. Como também representa um elemento-chave para a compreensão e identidade do arquipélago, e do demais território nacional, ou não fosse a emigração um fenómeno constante da vida portuguesa.

FAMALICÃO QUER DIÁSPORA EM REDE DE PARTILHA E DE CUMPLICIDADE

Projeto apresentado no lançamento da segunda geração do Gabinete de Apoio ao Emigrante com a presença do Secretário de Estado

Os famalicenses que estão espalhados pelo mundo têm a partir de agora um novo lugar onde se podem encontrar diariamente, partilhar experiências e apoiar mutuamente. Trata-se de uma nova plataforma digital lançada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e que pretende aproximar cidadãos famalicenses que se encontrem a residir e trabalhar fora do país.

“Queremos encurtar distâncias em todos os sentidos. Aproximando os famalicenses da sua terra através da partilha de informações e de notícias, fortalecendo os laços de pertença, mas também aproximá-los uns dos outros, porque na realidade estão muitas vezes perto, mas sem terem conhecimento, e assim criar condições para que possam ajudar-se reciprocamente, integrando uma rede de partilha de experiências e de promoção de relações de cooperação profissional e empresarial com parceiros do município”, explicou o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha.

O novo projeto “Famalicenses pelo Mundo” foi apresentado pelo autarca à margem da cerimónia de assinatura do protocolo com a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, para a criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante de segunda geração, que contou a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

A nova plataforma já está disponível a partir do portal oficial do município emwww.vilanovadefamalicao.org, dando a possibilidade aos emigrantes de se registarem e se associarem a este projeto comunitário. Para facilitar o contacto e a partilha de experiências e de informações está já também disponível uma página na rede social Facebook com o nome Famalicenses no Mundo.

Este é um projeto que vai de encontro também às novas funções e tarefas do Gabinete de Apoio ao Emigrante de 2.ª geração lançado nesta sexta-feira e que funciona no Balcão Único de Atendimento, do município.

De acordo com o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, esta nova geração de Gabinetes de Apoio ao Emigrante pretende acrescentar novas funções no âmbito do investimento e da economia. “Até agora estes gabinetes tinham uma função essencialmente social, apoiando nomeadamente no que diz respeito à recuperação de pensões e subsídios, também na formação, reconhecimento e validação de competências educativas, assim como na importação de bens pessoais. A partir de agora, os gabinetes vão inserir uma unidade de apoio ao investidor da diáspora, assumindo funções económicas e apoiando e promovendo o investimento”.

O governante destacou a “força da diáspora na internacionalização económica e na atração de investimento estrangeiro”, fazendo a ligação com as exportações e com o turismo. “As exportações crescem mais para os países onde existem comunidades portuguesas, sendo um motor de internacionalização do país”, por outro lado “os portugueses no estrangeiro são uma força motriz de atração de investimento que se verifica também no setor do turismo, com cerca de 25 por cento dos que visitam Portugal com ascendentes portugueses”.

José Luís Carneiro adiantou ainda que “o contributo da diáspora para a capitalização do país faz-se também com as remessas financeiras que todos os anos atingem números muitos impressionantes, e que este ano ultrapassaram os 3 mil e oitocentos milhões de euros”, e que “nos últimos dez anos a diáspora transferiu perto de 35 mil milhões de euros para Portugal”.

Refira-se que o Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) de Vila Nova de Famalicão foi criado em 2009 mediante um protocolo entre o município de Vila Nova de Famalicão e a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

FAMALICÃO TEM MAIS RESPOSTAS PARA OS NOVOS EMIGRANTES E DIÁSPORA

Assinatura de protocolo com a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, realiza-se esta sexta-feira, pelas 10h00, no Salão Nobre, com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, convida os órgãos de comunicação social para a assinatura do protocolo com a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, para a criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante de segunda geração. A cerimónia realiza-se esta sexta-feira, dia 8 de março, pelas 10h00, no Salão Nobre do município e conta com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

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Refira-se que Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) de Vila Nova de Famalicão foi criado em 2009 e com este salto para a segunda geração  passará a dispor de outras valências, nomeadamente de aconselhamento aos utentes sobre matérias relacionadas com investimento em Portugal, em articulação com o Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora (GAID), integrado na Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, que está vocacionado para identificar, apoiar e facilitar o micro e pequeno investimento com origem nas Comunidades Portuguesas em Portugal.

Os GAE têm por missão apoiar cidadãos portugueses que tenham estado emigrados, pretendendo responder às questões inerentes ao seu regresso e reintegração em todas as suas vertentes: social, jurídica, profissional e educativa, entre outras, mas também apoiam os cidadãos que continuam a viver no estrangeiro. Os GAE prestam ainda apoio aos cidadãos que pretendem iniciar um processo migratório, para que possam sair do país na posse de mais informação útil sobre o país de destino.

Esta aproximação, apoio e interação com  diáspora famalicense é mesmo uma das principais apostas do município de Vila Nova de Famalicão, como o município a avançar inclusivamente com o projeto Famalicenses no mundo que vai amanhã ser explicado pelo Presidente da Câmara Municipal no decurso da cerimónia.

Foto: Expresso

O FUTURO DO MOVIMENTO ASSOCIATIVO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

  • Crónica de Daniel Bastos

O movimento associativo das comunidades portuguesas constitui um dos mais importantes elos de ligação dos inúmeros compatriotas espalhados pelos quatro cantos do mundo à língua, cultura, história e memória da pátria de origem, e simultaneamente uma das marcas mais expressivas da inserção nos territórios de acolhimento onde encetaram os seus percursos de vida e de trabalho.

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Espaços privilegiados de cultura e participação cívica, o movimento associativo é a argamassa identitária que une as comunidades portuguesas, catapultando as mesmas para um patamar de “verdadeiras embaixadoras de Portugal pelo mundo fora”, como sobrelevou numa das últimas comemorações do 10 de Junho o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No entanto, é percetível no seio das comunidades portuguesas que o movimento associativo da diáspora enfrenta, hoje, um desafio fundamental para a sua própria sobrevivência futura, que advém essencialmente do envelhecimento dos seus quadros dirigentes e das dificuldades em captar a participação dos lusodescendentes. Este último ponto está inclusivamente neste momento, a ser alvo de uma pesquisa por parte do conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, Daniel Loureiro, luso-canadiano a residir em Montreal, que pretende através desta via "descobrir porque não há uma maior adesão dos lusodescendentes aos eventos da comunidade".

Segundo o mais jovem dos conselheiros das Comunidades Portuguesas, os jovens da comunidade "são orgulhos das suas raízes e de pertencerem à comunidade portuguesa", porém há que "preencher esse orgulho" com atividades para "manterem viva a comunidade" que dentro de 40 ou 50 anos terá que se "rejuvenescer".

O rejuvenescimento do movimento associativo das comunidades portuguesas é condição sine qua non para a sua sobrevivência, exigindo aos seus membros uma vivência cultural que seja capaz de ultrapassar os impactos e conflitos geracionais. Torna-se assim, indispensável a diversificação de atividades de animação sociocomunitária, que possam conciliar a cultura tradicional enraizada no movimento associativo, com novas dimensões socioculturais, como o cinema, a literatura, o design, a dança, o teatro, a arte ou a moda, entre outros, de modo a atrair as jovens gerações de lusodescendentes e as mesmas impulsionarem a presença portuguesa no mundo.

GÉRALD BLONCOURT HOMENAGEADO NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOTOGRAFIA DE AVINTES

O início do presente mês de fevereiro assinalou o arranque da 6.ª edição do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, um dos eventos culturais mais importantes de Portugal que decorre até 3 de março.

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A contar da direita, o historiador Daniel Bastos, acompanhado do fotógrafo Pereira Lopes, organizador do festival iNstantes, no decurso da conferência da homenagem a Gérald Bloncourt

 

Enriquecendo-se com diversas propostas dentro do mundo da fotografia artística, conceptual e de autor, a iniciativa cultural promove este ano 26 exposições de fotógrafos de 11 países (Portugal, Espanha, Brasil, Colômbia, França, Suíça, Grécia, Roménia, Haiti, Indonésia e Macau).

No conjunto dos trabalhos patentes, destaca-se a exposição “O Olhar de Compromisso com os Filhos dos Grandes Descobridores”, do fotógrafo Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista, recentemente falecido em Paris, e cujas imagens imortalizam a história da emigração portuguesa para França.

No decurso da programação do festival, o trabalho e percurso de vida do fotógrafo franco-haitiano, que nas Comemorações do 10 de Junho de 2016 em Paris recebeu do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, foi no dia 8 de fevereiro homenageado através de uma conferência proferida pelo historiador Daniel Bastos. O investigador da nova geração de historiadores lusos, caraterizou Gérald Bloncourt como “uma personalidade ímpar que durante várias décadas do séc. XX fotografou a vida dos descendentes dos grandes descobridores do mundo, em França e em Portugal. Um homem que amou e honrou os portugueses”.

Refira-se, que o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio das comunidades portuguesas, e que em 2016 lançou o livro sobre a emigração portuguesa em França a partir do espólio de Gérald Bloncourt, está neste momento a ultimar uma nova obra sobre o consagrado fotógrafo dedicado a um outro período marcante da história contemporânea portuguesa. Designadamente a Revolução de Abril de 1974 da qual Bloncourt foi um espectador privilegiado, e cujas imagens praticamente inéditas revisitam a génese da democracia portuguesa, estando o lançamento oficial marcado para abril e maio deste ano no território nacional e lusófono.

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PRESIDENTE DA CÂMARA DE ARCOS DE VALDEVEZ VISITOU COMUNIDADE ARCUENSE EM NEWARK

O Município continua a relevar as boas relações com a Diáspora, marcando presença nas principais atividades promovidas pelas várias comunidades de emigrantes.

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Recentemente, o presidente da Câmara Municipal, João Esteves deslocou-se a Newark, nos Estados Unidos, para participar no 9º Aniversário do Rancho da Casa de Arcos de Valdevez no Palácio Europa, em Newark.

Esta festa, onde o dinamismo e valorização das nossas raízes e tradições Portuguesas foram destacadas pelo Rancho da Casa de Arcos de Valdevez, contou com a participação de mais de 600 pessoas.

Nesta ida a Newark, o autarca foi ainda recebido na Câmara Municipal de Newark, pelo Vereador Augusto Amador e no Consulado Geral de Portugal em Newark pelo Cônsul Pedro Monteiro.

Teve ainda oportunidade de dar uma entrevista ao jornalista Luis Pires da SIC internacional, onde referiu a importância das comunidades e da proximidade que a Câmara Municipal tenta manter com as mesmas, de forma a aprofundar os laços e manter a memória, as tradições e a cultura de Arcos de Valdevez vivas em cada um dos emigrantes arcuenses.

Nestas iniciativas promove-se o Concelho, o orgulho na nossa terra e na nossa gente, sendo a comunidade emigrante um meio excelente de divulgação do País e das suas potencialidades, contribuindo ao mesmo tempo para a atração de investimento e visitantes, e, para a criação de emprego e rendimento.

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MEMÓRIAS E RECORDAÇÕES DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NA ALEMANHA

Ao longo dos últimos anos a Alemanha tem-se tornado um dos principais destinos da emigração portuguesa, contexto para que muito concorre o facto de ser um dos principais motores da economia europeia, e um dos países mais desenvolvidos do mundo.

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Em 2015, segundo dados do Observatório da Emigração, residiam no território alemão mais de 130 mil cidadãos portugueses, maioritariamente em idade ativa, com uma proporção de homens ligeiramente superior à de mulheres, sobretudo concentrados no estado da Renânia do Norte-Vestefália e em Bade-Vurtemberga.

 A emigração portuguesa para a Alemanha remonta à década de 1960, durante o período dos acordos de recrutamento de trabalhadores do Governo alemão, que visavam suprir o défice de trabalhadores de que a República Federal Alemã não dispunha para a sua reconstrução. É nesta época, que se enquadra a conhecida história do português Armando Rodrigues de Sá, natural de Vale de Madeiros, distrito de Viseu, que a 10 de setembro de 1964, ao desembarcar na estação de Colónia-Deutz recebeu o título de milionésimo imigrante na Alemanha, numa receção que incluiu banda de música e até a oferta de uma motorizada que hoje se encontra na Casa da História de Bona.

A génese da emigração portuguesa para a Alemanha encontra-se vertida no livro "A Vida Numa Mala - Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias" da jornalista portuguesa Cristina Dangerfield-Vogt e da historiadora alemã Svenja Länder, que abordam as histórias dos emigrantes lusos nos anos 60 em território alemão, e em particular do português que ainda figura nos manuais escolares alemães como o milionésimo imigrante a entrar na Alemanha.

No ocaso do ano passado, as memórias e recordações da primeira vaga da emigração portuguesa para a Alemanha foram revisitadas na exposição "Heimat|Fremde", do  Museu Humpis-Quartier, na cidade de Ravensburg. Através de fotografias antigas e testemunhos gravados em vídeos das primeiras gerações lusas que se deslocaram para esta região no sul da Alemanha, próxima da Suíça, Áustria e França, revalorizou-se o contributo relevante que os emigrantes portugueses ao longo de mais de meio século têm dado para o progresso da sociedade alemã.

ALEXANDRE FRANCO: UM DOS GRANDES ROSTOS DO JORNALISMO LUSO-CANADIANO

  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso desta semana, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 73 anos, de Alexandre Franco, um dos grandes rostos do jornalismo na comunidade portuguesa no Canadá. Uma comunidade que se destaca na América do Norte pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, e que já no ano transato assistiu ao desaparecimento de uma outra figura incontornável do jornalismo luso-canadiano, mormente Fernando Cruz Gomes, decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto.

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Natural da cidade moçambicana da Beira, num período em que o território localizado no sudeste do continente africano permanecia uma província ultramarina portuguesa, Alexandre Franco, iniciou no final dos anos 60 a sua profícua carreira jornalística em Lourenço Marques, hoje Maputo, na Rádio Clube de Moçambique.

O conturbado processo de descolonização trá-lo-ia numa primeira fase à pátria lusitana onde começou a trabalhar na Antena 1 e a treinar o Basquetebol Queluz, uma outra área em que se destacou como atleta e treinador, e que marcou a sua predileção pelo jornalismo desportivo. Pouco tempo depois emigraria para a América do Norte, primeiro para Montreal a maior cidade da província do Quebeque e a segunda cidade mais populosa do Canadá, onde foi colaborador da Rádio Portugal de Montreal.

E posteriormente para Toronto, a maior cidade canadiana, onde foi gerente da Rádio Clube Português de Toronto em 1983 e pouco mais tarde após licença para uma rádio FM na CIRV. Trabalhou ainda a partir dos finais dos anos 90 na OMNI-TV, onde esteve como apresentador das notícias desportivas, década em que começou a publicar um jornal luso-canadiano, na altura designado Stadium, apenas desportivo.

 Presentemente o generalista Milénio Stadium, assume-se como um jornal de referência da comunidade luso-canadiana, integrado na MDC Group do comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Rosto público e estimado no seio da comunidade luso-canadiana, Alexandre Franco, que foi distinguido em 2010 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal como o melhor jornalista da diáspora lusa, sublimou ao longo da sua vida a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.

O NOVO CICLO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA ORTUGUESA

  • Crónica de Daniel Bastos

O início de 2019 assinalou oficialmente a entrada em funções do novo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o diplomata Francisco Ribeiro Telles, cargo que pela primeira vez nos mais de vinte anos da organização, é assumido por um português.

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Fundada em 1996, a CPLP é atualmente uma organização formada por nove países espalhados pelos cinco continentes, cuja língua oficial ou uma delas, é a língua portuguesa. Nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que se encontram irmanados no desígnio da língua portuguesa, a quinta mais falada do mundo, enquanto vínculo histórico e património comum dos Estados-membros, assim como da amizade e cooperação.

Num mundo profundamente globalizado e interligado, onde surgem constantes desafios e oportunidades, a CPLP assume assim um papel relevante na dimensão e concertação que confere aos países que a compõem, como é o caso de Portugal. A enorme vitória diplomática que constituiu a eleição do português António Guterres para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016, não pode ser dissociado do dinamismo e magistratura de influência da CPLP. 

O papel da CPLP no mundo atual foi modelarmente expresso por António Guterres, no ano passado, no âmbito do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP (5 de maio). No discurso que então proferiu nos jardins da ONU, o secretário-geral sustentou: “É necessário dizer que nós na CPLP nos orgulhamos da nossa diversidade, reconhecemos que as nossas próprias sociedades são multiétnicas, multiculturais, multirreligiosas, e que isso é um bem, não é uma ameaça, e que isso deve ser valorizado, e afirmado, e que isso deve ser uma lição para outras partes do mundo, outros povos, outras culturas. E penso que a CPLP tem aqui um papel essencial a desempenhar".

Neste sentido, o novo ciclo que agora se inicia na CPLP é da maior importância para a prossecução da missão da organização. As prioridades do mandato assumidas por Francisco Ribeiro Telles, como a livre circulação de pessoas, a projeção da língua portuguesa e o diálogo sobre os oceanos, parecem ir ao encontro deste papel essencial que a CPLP deve continuar a desempenhar no mundo.

MINHOTOS EM NEWARK RECEBEM ANO NOVO À MODA DO MINHO

A comunidade minhota em Newark prepara-se para receber o Ano Novo 2019. E a festa tem lugar na Casa do Minho, em Newark, no Estado de New Jersey.

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A festa vale pela confraternização e cimento das gentes minhotas radicadas nos Estados Unidos da América – mas os produtos endógenos do Minho devem marcar presença mais acentuada e não serem substituídos por produtos de outros países de diferentes culturas. A título de exemplo, o “champanhe” jamais deverá substituir o vinho verde da nossa região!

O BLOGUE DO MINHO endereça a todos os minhotos radicados nos Estados Unidos da América os melhores votos de um Ano Novo de Paz, Saúde e Alegria!

Fotos: Casa do Minho

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2019 VAI SER O ANO DE HOMENAGEM A GÉRALD BLONCLOURT

O ano que agora termina fica marcado pela morte de um dos grandes nomes da fotografia humanista, Gérald Bloncourt, cujo espólio singular, formado por um conjunto iconográfico da maior importância para a história portuguesa do séc. XX, constitui um acervo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado recente.

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França, que agora assina uma

O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador sobre a epopeia da emigração portuguesa para França, que agora assina uma nova obra intitulada “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”

 

Caminhava outubro para o seu fim quando o país recebeu a notícia da morte do nonagenário fotógrafo franco-haitiano que imortalizou a história da emigração portuguesa para França. Como assinala Eduardo Lourenço, “esses filhos da antiga raça dos navegadores não soçobraram à vista do porto», uma vez que a «título póstumo tiveram sorte em ter como companhia o sorriso aberto de marinheiro de Gérald Bloncourt. E a sua máquina para os lembrar para sempre nos retratos com que os salvou do esquecimento”.

Nesse sentido, e tendo como base o trabalho e percurso de vida do fotógrafo franco-haitiano que durante as Comemorações do 10 de Junho de 2016 em Paris foi distinguido com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, o ano de 2019 que agora se aproxima, assinalará a realização de várias indicativas de homenagem a Gérald Bloncourt.

Entre 1 de fevereiro e 3 de março, as imagens de Bloncourt serão um dos destaques do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, um dos eventos culturais mais importantes de Portugal, enriquecendo-se com diversas propostas dentro do mundo da fotografia artística, conceptual e de autor. Nas 25 exposições de fotógrafos de 10 países (Portugal, Espanha, Brasil, Colômbia, França, Suiça, Grécia, Roménia, Indonésia e Macau), avultará a exposição “O Olhar de Compromisso com os Filhos dos Grandes Descobridores”, que paralelamente com uma palestra abordará a vida dos portugueses em França nos anos 60.

O mês de abril assinalará ainda o lançamento do livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, dedicado a um outro período marcante da história contemporânea portuguesa. Designadamente a Revolução de Abril de 1974 da qual Bloncourt foi um espectador privilegiado, e cujas imagens praticamente inéditas revisitam a génese da nossa democracia.

JOHN PHILIP SOUSA, UM INSIGNE LUSO-AMERICANO

  • Crónica de Daniel Bastos

No início do mês passado assinalaram-se os 164 anos do nascimento de John Philip Sousa, insigne compositor e maestro de banda luso-americano, do romantismo tardio, popularmente conhecido como “O Rei das Marchas”, como The Stars and Stripes Forever, marcha oficial dos Estados Unidos.

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John Philip Sousa nasceu em Washington, a 6 de novembro de 1854, terceiro dos dez filhos do português, natural dos Açores, João António Sousa e de uma austríaca, Marie Elisabeth Trinkaus. A sua precoce vocação musical levou a que ainda muito jovem se iniciasse nos estudos musicais, tocando violino, e aprendendo composição musical.

Em 1892, o musicógrafo luso-americano apresentou, em New Jersey, a sua própria banda, a “Sousa Band”, encetando um percurso musical fulgurante. Desde essa data até à década de 1930, realizou mais de quinze mil concertos, sendo que no ocaso do séc. XIX a sua banda representou os Estados Unidos da América na Exposição Universal de Paris.

Antes em 1888, tinha já composto a marcha “Semper Fidelis” que foi adotada como hino da Marinha dos Estados Unidos da América. A 14 de maio de 1897, em Filadélfia, no decurso da inauguração solene de uma estátua de George Washington, primeiro Presidente dos Estados Unidos da América, em que esteve presente o presidente norte-americano dessa época, William McKinley, foi tocada pela primeira vez em público a marcha intitulada The Stars and Stripes Forever (Estrelas e Barras para Sempre), considerada a obra-prima do luso-americano, e que mereceu as honras, por lei do Congresso dos Estados Unidos, de marcha nacional do país.

Afamado compositor e maestro, John Philip Sousa, escreveu também obras poéticas, de ficção, manuais, crónicas jornalísticas e uma autobiografia, tendo inclusivamente idealizado um instrumento de sopro da família dos metais, o Sousafone, uma tuba especial que o executante apoia no ombro para que possa executá-la enquanto anda ou marcha, e que é o maior dos instrumentos de sopro.

John Philip de Sousa, que faleceu no dia 6 de março de 1932, e foi sepultado com honras oficiais em Washington, no Cemitério do Congresso, é meritoriamente uma das figuras luso-americanas de maior destaque na cultura e história norte-americana.

A REDE MUNDIAL DE LUSO-ELEITOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decurso dos últimos anos tem sido pública e notória a intervenção de portugueses e lusodescendentes na vida política além-fronteiras, fenómeno revelador da admirável integração das comunidades portuguesas e do papel importante que as mesmas desempenham no desenvolvimento das sociedades de acolhimento.

Este fenómeno crescente de participação cívica e política perpassa as várias comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. No rescaldo das recentes eleições intercalares dos Estados Unidos da América, subiu para quatro o número de congressistas de origem lusa com assento na Câmara dos Representantes, em Washington, naquela que é já considerada a maior representação de sempre de legisladores a nível federal saídos de comunidades portuguesas.

Em França, destino tradicional da emigração portuguesa, a ação cívica e política lusa logrou no alvorecer do séc. XXI a criação da Associação CÍVICAAssociação dos Autarcas Portugueses em França, que conta com mais de trezentos membros ativos e cerca de dois milhares que enviam informações, num universo de quatro milhares de autarcas de origem portuguesa em território gaulês.

Nas últimas eleições autárquicas de Ontário, a província mais populosa do Canadá, cinco lusodescendentes foram eleitos numa região onde vive e trabalha uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas da América do Norte. Um cenário similar ao que ocorreu nas eleições municipais belgas, onde foram eleitos sete candidatos portugueses e lusodescendentes, ou no Reino Unido, onde foi eleito o primeiro “Mayor” português, em Bridgwater, e um vereador de origem lusa na cidade de Oxford.

A ideia comummente aceite que os portugueses no Mundo, que totalizam mais de cinco milhões, são a mais importante e eficaz fonte de inserção nacional, tem nos muitos e bons exemplos de portugueses e lusodescendentes que exercem funções decorrentes do exercício democrático além-fronteiras, um dos pilares fundamentais na afirmação da pátria de Camões no concerto das nações. A rede universal de luso-eleitos constitui uma incontornável mais-valia na inserção de Portugal dos diferentes espaços, provendo o país de uma potencial magistratura de influência que as autoridades lusas não podem desaproveitar, antes pelo contrário, devem incentivar e dinamizar na promoção e projeção de Portugal no Mundo.

AS VIAGENS DOS AUTARCAS ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos temos assistido no seio das comunidades portuguesas disseminadas pelos quatro cantos do mundo, a um conjunto frequente de visitas de autarcas às pátrias para onde emigraram muitos filhos das suas terras à procura de melhores condições de vida.

A ligação forte entre o poder local, designadamente os seus representantes, e as populações, uma das maiores realizações do regime democrático português, impulsionaram ao longo das últimas décadas ao estabelecimento de laços de geminação de muitos municípios com cidades além-fronteiras onde estão presentes as comunidades lusas.

Os protocolos de geminação, que visam criarem relações de amizade, solidariedade e intercâmbio, e em vários casos relações aos níveis económico e cultural, têm sido um dos principais motivos das viagens dos autarcas às suas comunidades emigrantes. Muitas das vezes reforçadas pela existência nessas comunidades de associações e clubes vincadamente marcados pela sua terra de origem, que adotaram inclusive a denominação da sua proveniência, e de forma bairrista e desprendida muitos dos seus associados se constituem como genuínos embaixadores dos seus territórios de berço.

Embora sintomática de debilidades estruturais do país, como a queda demográfica ou o despovoamento, muitos autarcas de territórios fortemente marcados pelo fenómeno migratório, desde há muito tempo perceberam as potencialidades das suas comunidades emigrantes na dinamização e valorização da economia local.

As potencialidades do mercado da saudade têm levado inúmeros autarcas a participarem nas mais variadas iniciativas, festas e feiras realizadas periodicamente no seio das comunidades portuguesas, quase sempre animadas por espetáculos e músicas típicas das regiões dos emigrantes. Procurando deste modo promover e levar para junto da comunidade emigrante produtos e atividades económicas do seu concelho de forma a dinamizar a economia local.

Esta ligação dos autarcas às suas comunidades emigrantes são fundamentais para o progresso dos seus territórios, onde muitos emigrantes continuam a ter um papel fundamental no seu desenvolvimento, assim como um meio capaz de impulsionar o tecido socioeconómico, atrair investimentos e fortalecer a coesão e identidade local.  

PRESIDENTE DO MUNICÍPIO ARCUENSE FOI À SUIÇA LEVAR UM ABRAÇO DE ARCOS DE VALDEVEZ AOS NOSSOS CONTERRÂNEOS QUE ALI ESTÃO EMIGRADOS

Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez visita conterrâneos na Suíça. Autarca participou na 10ª edição da Festa do Pedro da Concertina e Amigos e realizou contactos com autarcas Suíços

O Presidente da Câmara Municipal, João Esteves, marcou presença no 10º encontro de concertinas promovido pelo Pedro da Concertina e seus amigos.

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Uma festa que ano após anos reúne centenas de pessoas e para o autarca é de extrema importância para a promoção da cultura, os usos, costumes e tradições minhotas.

O autarca felicitou o Pedro da Concertina pela realização deste encontro, o maior do género da Suíça, e fez votos para que continuem a concretizá-lo, pois é um forte meio de “valorização do nosso património cultural”.

Atestou ainda contar com o contributo de todos os arcuenses, “os residentes no concelho e os emigrantes, para legarmos às gerações vindouras um concelho cada vez mais solidário, com mais oportunidades e com mais qualidade de vida para todos.”

Nesta ida à Suíça esteve também na Câmara Municipal de Lausanne, em reunião com o gabinete do Presidente da Câmara e a Conselheira Municipal Sandra Pernet a promover a cooperação com Arcos de Valdevez e com a nossa comunidade na Suíça.

Teve também a oportunidade de se encontrar com outros conselheiros municipais portugueses José Martinho, bem como com Domingos Nuno da Associação de Apoio à Comunidade Portuguesa.

Esta foi mais uma oportunidade de reforçar a ligação com esta comunidade, promover o concelho e os produtos locais, bem como realizar contactos com a Câmara Municipal local.

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MUNICÍPIO ARCUENSE JUNTO DA DIÁSPORA EM CENON (FRANÇA)

Celebrada parceria económica entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

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O Vice-presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Hélder Barros, esteve recentemente em Cenon para representar o Município em vários atos, entre os quais a assinatura da convenção de parceria entre o Município de Arcos de Valdevez, a Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus Gironde (CCIBG) e o Município de Cenon (Bordéus).

Através desta Geminação de cariz económico será feita a dinamização do trabalho articulado de promoção e desenvolvimento do comércio, indústria, turismo e de outras iniciativas económicas, sociais, culturais e desportivas de interesse para todos.

A CCIB trará para esta parceria toda a sua experiência na implementação de possíveis ações através da promoção de produtos locais emblemáticos, nas várias iniciativas em que participa, nomeadamente Thank You For Coming, Manacom, Asso Bordelaises e nas suas escolas.

Já Arcos de Valdevez e Cenon comprometem-se a apoiar intercâmbios entre os signatários, assim como, a desenvolver conjuntamente atividades de cariz económico, cultural e desportivo e provir os recursos humanos necessários para atingir esses objetivos.

Estas idas ao estrangeiro por parte da Câmara Municipal refletem a valorização que o Municipio imprime ao papel das comunidades arcuenses e pretendem fortalecer os laços que nos unem em torno de um propósito comum: o melhor para Arcos de Valdevez e para os Arcuenses.

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MEMÓRIAS DE SÃO ROQUE DO FAIAL: AS VOZES DOS EMIGRANTES

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na freguesia de São Roque do Faial, uma freguesia do concelho de Santana, ao norte da Ilha da Madeira, encravada na base do Maciço Montanhoso Central, entre a Ribeira da Metade e a Ribeira do Castelejo, está a ser dinamizado nos últimos anos um projeto comunitário singular em torno da temática da emigração.

Intitulado “Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes”, o projeto é fruto de uma ideia inspirada nos fluxos emigratórios desta povoação madeirense conhecida pela sua ruralidade e fantásticos miradouros. Esta realidade sócio histórica conduziu à criação de um espaço de partilha, conhecimento e informação sobre as tradições e cultura da freguesia com o principal objetivo de estabelecer um elo de ligação entre os residentes e emigrantes de São Roque do Faial.

Procurando preservar, respeitar e transmitir a cultura e tradição associada à pitoresca freguesia madeirense, bem como contactar diretamente e ativamente com os seus usos e costumes, de forma a manter vivas as tradições, como é o caso das vindimas, das romagens no Natal, das festas do verão, designadamente o dia do padroeiro S. Roque, das lendas e das imensas belezas naturais misturadas com aromas e cores, o projeto assenta parte significativa do seu trabalho no levantamento das histórias de vida e testemunhos dos emigrantes.

Não poderia ser de outra forma, porquanto numa povoação fortemente marcada pela emigração, como reconhecem os responsáveis do projeto comunitário, não há casa que não tenha família emigrante ou residentes que tenham sido emigrantes no Brasil, Venezuela, Austrália, África do Sul, Estados Unidos ou Inglaterra.

Neste sentido, este projeto comunitário que tem sido dinamizado ao longo dos últimos anos na freguesia de São Roque do Faial, reveste-se de um valor cultural de importância local, regional e nacional. Pois além de preservar aspetos culturais de carácter etnográfico da povoação e da região, e de divulgar junto das novas gerações a cultura tradicional, através da recolha e registo de usos e costumes, saberes e fazeres, histórias e memórias, existe um claro propósito de reconhecer, valorizar e dignificar as sucessivas gerações locais, que à imagem e semelhança de muitos compatriotas, um dia deixaram o país para demandarem outras paragens à procura de uma vida melhor.

MUNICÍPIO DE FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCLOURT

Alunos do concelho ficaram a conhecer vida e obra do fotógrafo

Gérald Bloncourt, conceituado fotógrafo, falecido no passado dia 29 de Outubro, foi homenageado, hoje, em Fafe. Pompeu Martins, Vereador da Cultura do Município de Fafe, e Artur Coimbra, historiador e diretor dos Museus de Fafe, distribuíram, junto da comunidade escolar, uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se lê um breve resumo daquilo que foi a vida do artista. Os alunos ficaram, assim, a conhecer a vida e obra de Gérald Bloncurt e o contributo imenso que o fotógrafo teve no retrato da emigração em todo o mundo.

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Nos Paços do Concelho, está em exposição um conjunto de fotografias de Gérald Bloncourt e foi colocada, na fachada do edifício, umretrato do fotógrafo, homenageando, desta forma, todo o seu legado, e em especial, a sua dedicação e carinho a Fafe.

Pompeu Martins salientou que “Gérald Bloncourt foi um grande amigo de Fafe. Ofereceu-nos 104 fotografias, um espólio extraordinário que é a herança maior e a cobertura mais bem conseguida da emigração portuguesa para França na década de 60. É considerado um dos maiores fotógrafos do mundo a tratar este assunto. Foi acompanhando, passo a passo, a vida dos nossos emigrantes, com uma sensibilidade muito especial.”

Quando Gérald conheceu o Museu das Migrações, confidenciou-me ‘Agora já posso partir em paz que a dignidade destas pessoas nunca se perderá’. Ele acreditava que a emigração, a saída das pessoas para outros países à procura de uma vida melhor, prendia-se sobretudo com uma luta pela dignidade humana.”

O que hoje estamos a fazer em todas as escolas do concelho é a nossa homenagem e uma forma de dizer ‘Obrigado Gérald Bloncourt’. Um homem que foi um lutador, de uma coerência extraordinária.”

Isabel Bloncourt, esposa de Gérald Bloncourt, revelou-nos, ontem, depois de saber desta homenagem que hoje lhe fazemos, que trazermos a obra dele às novas gerações representa a razão da vida dele, que foi sempre acreditar ‘no dia que virá’, como escreveu num dos seus versos.”, acrescentou.

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Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu a 29 de Outubro, em Paris, cidade onde, hoje, decorreram as suas cerimónias fúnebres.

Ontem, completaria, 92 anos de uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.

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FAFE HOMENAGEIA GÉRALD BLONCOURT

Município de Fafe homenageia Gérald Bloncourt

Na próxima segunda-feira, 5 de Novembro, aquando das cerimónias fúnebres de Gérald Bloncourt, em Paris, o Município de Fafe homenageia o conceituado fotógrafo com uma iniciativa nas escolas, junto da comunidade escolar.

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O Vereador da Cultura e Educação, Pompeu Martins, vai deslocar-se a várias escolas do concelho para distribuir pelos alunos uma recordação de Gérald Bloncourt, onde se poderá ler um breve resumo daquilo que foi a vida do artista, querendo, com isso, devolver aos jovens a obra do homenageado.

Recorde-se que mítico franco-haitiano fotógrafo Gérald Bloncourt, o grande repórter da emigração clandestina dos portugueses para França nos anos de 1960 e 1970, faleceu esta segunda-feira, 29 de Outubro, em Paris. Em 4 de Novembro próximo, faria 92 anos. Uma longa vida de combate pela liberdade, pela democracia e pelos direitos humanos.

Um humanista e grande defensor da justiça e da dignidade, Bloncourt está ligado a Fafe por uma inolvidável amizade e pelas 104 fotografias que doou ao Museu das Migrações em 2009 e que constituem a base iconográfica daquele.