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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA: A CASA COMUM DA LUSOFONIA

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  • Crónica de Daniel Bastos

O Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006 na megametrópole brasileira de São Paulo, a maior cidade lusófona do mundo, assume-se desde a primeira década do séc. XXI, como a casa comum da vasta comunidade formada por todos os povos e nações que compartilham a cultura e a língua de Camões.

Desde a sua origem, o único Museu de Língua Portuguesa do mundo tem como missão e objetivos valorizar a diversidade da língua portuguesa, celebrá-la como elemento fundamental e fundador da cultura, e aproximá-la dos falantes do idioma em todo o mundo.

Um idioma que é atualmente dos mais falados à escala planetária, abrangendo a língua oficial de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, e que desde 2010 foi sancionado como a terceira língua oficial da Guiné Equatorial. Como destacam os organizadores da obra “A Língua Portuguesa no Mundo - Passado, Presente e Futuro”, a língua de Camões ocupa hodiernamente um dos lugares cimeiros na lista dos idiomas que ostentam uma dimensão mundial, assim como um incomensurável potencial de expansão.

As singulares características linguístico-culturais e a diversidade dos públicos-alvo do Museu de Língua Portuguesa, que praticamente numa década recebeu cerca de quatro milhões visitantes, sofreram um duro revés no ocaso do ano de 2015, quando um incêndio de grandes proporções atingiu o edifício do espaço museológico situado no complexo da Estação da Luz.

No entanto, a enorme onda de solidariedade que se gerou a nível mundial, e em particular lusófona, tem permitido desde a fatídica data encetar um processo sustentado de reconstrução, que está a procurar contribuir decisivamente para o alargamento do estudo, preservação, valorização e divulgação da cultura e língua portuguesa.

Estimando a reabertura do Museu de Língua Portuguesa no próximo ano, os responsáveis da sua reconstrução, de acordo com recentes declarações públicas, asseguram que o espaço museológico será modernizado com várias novidades tecnológicas e interativas, mantendo simultaneamente a sala de exposições temporárias, e a icónica Praça da Língua e o Auditório.

AS VIVÊNCIAS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NOS PALCOS DO TEATRO

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  • Crónica de Daniel Bastos

Realidade incontornável na sociedade portuguesa, o fenómeno da emigração tem merecido cada vez mais a atenção de diversos campos de produção artística, como é o caso do Teatro, umas das principais manifestações artísticas, e um fenómeno cultural de enorme alcance na formação e desenvolvimento da cidadania.

Em Portugal, ao longo da última década, é notório o interesse que várias companhias e estruturas teatrais têm dedicado a este elemento estruturante da identidade coletiva nacional, como comprovam as inúmeras peças que têm sido levadas à cena inspiradas nas experiências e vivências da emigração.

Os exemplos são variados e perpassam o território nacional, na esteira da transversalidade do fenómeno migratório na sociedade portuguesa. No ocaso de 2011, por exemplo, o Teatro Municipal da Guarda (TMG), encetou um espetáculo sobre a odisseia da emigração lusa dos anos 60 para França, justificando então o seu diretor artístico a aposta no mesmo, pela atualidade da temática e a ligação muito forte da mesma com a região.

Em 2014, ano em que a emigração portuguesa se manteve num patamar elevado, o Teatro Experimental do Porto, levou a cena no Auditório Municipal de Gaia a peça “Nós somos os Rolling Stones”, que se assumiu como um manifesto geracional sobre a emigração de jovens lusos. Este novo paradigma da emigração portuguesa foi retratado no ciclo Migrações, que decorreu em 2018 no Teatro Maria Matos, em Lisboa, onde foi abordada a experiência de emigrantes portugueses em Great Yarmouth, uma pequena vila na costa leste de Inglaterra, através do espetáculo “Provisional figures Great Yarmouth”, que tinha sido já apresentado no Reino Unido e no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no Porto.

Presentemente, ainda no fim-de-semana passado, a Casa da Cultura de Câmara de Lobos, na Madeira, acolheu a produção teatral “Nas entrelinhas da emigração”, que retratou as vivências de um emigrante na África do Sul, um dos principais destinos da emigração madeirense nas décadas de 60 e 70, que no próximo ano, em conjunto com a pérola do Atlântico, será palco das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

ANÍBAL MORGADO, O CONSTRUTOR DA CIDADE DE GUYANA NA VENEZUELA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Numa época em que chegam diariamente a Portugal notícias sobre a grave crise política, económica e social em que mergulhou a Venezuela, nação onde vivem cerca de meio milhão de compatriotas que não são imunes aos efeitos da turbulência que atravessa este país da América do Sul, sobressaiu recentemente nos meios públicos de comunicação nacionais, um exemplo de esperança e resiliência de um dos mais considerados representantes da comunidade luso-venezuelana.

Mormente, o do empresário Aníbal Morgado, um aveirense que emigrou para a Venezuela há mais de seis décadas, e que é um dos principais responsáveis pela construção da cidade de Guayana, a metrópole mais povoada do Estado de Bolívar e do  Município de Caroní, com uma população de mais de um milhão de habitantes.

Um dos mais importantes centros industriais, económicos e financeiros da Venezuela, a cidade encerra a particularidade de ter sido construída de raiz nos anos 60 para responder à necessidade do poder central de criar uma metrópole no sul do país, com apoio do Instituto de Tecnologia do Massachussetts (MIT).

Ao longo do último meio século, o esforço de planificação, construção e desenvolvimento de Guayana, onde se encontram as principais barragens elétricas da Venezuela e as processadoras de ferro, alumínio, aço, bauxite e outros minerais, deve muito ao empreendedorismo de Aníbal Morgado, que através do Consórcio Empresarial Morgado (CEM), erigiu 80% do que é a metrópole em estradas, edificações, obras industriais e barragens.

Abordando o seu percurso de vida, marcado pela chegada à Venezuela em 1957, com 16 anos, território onde o irmão, Manuel Morgado, já vivia há dois anos. O empresário afirmou aos meios públicos de comunicação nacionais, que embora a Venezuela fosse “um país de muita esperança e neste momento essa esperança está bastante truncada”, está confiante que "depois de passar esta tempestade, o país ressurgirá porque a Guayana sempre tem sido uma zona de muita riqueza" e que por isso não pensa “ir embora”, acreditando que em Guayana “há futuro".

O exemplo de constância e resiliência perfilhado por Aníbal Morgado pode e deve constituir um renovado sinal de esperança no futuro da numerosa comunidade portuguesa, que tem enfrentado vários dilemas e momentos de incerteza na Venezuela.

SARRABULHO JUNTOU EMIGRANTES NO SOLAR DO TABERNEIRO EM PONTE DE LIMA

No seguimento do Mini – Torneio de Futebol de 11 realizado no passado dia 10 no campo do Águias de Souto, no qual participaram representações da comunidade Luso – portuguesa da região de Paris, realizou-se ontem um outro convívio, desta vez à mesa!

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O prato escolhido, naturalmente – Sarrabulho á moda de Ponte de Lima – no restaurante Solar do Taberneiro, com o grupo acolhido pela simpatia constante dos proprietários: Álvaro Araújo e D. Cassilda Quezado e a filha Joana.

Como entradas, pontificaram uma chouriça caseira de Perre, paio do cachaço, do lombo, chouriça de carne e a mui medalhada alheira de galo, tudo da MinhoFumeiro na Correlhã, e o Folar Limiano, uma Bola de enchidos já reconhecida Europa fóra e mais além, produzida pelo Chef Victor Lima, na Baldrufa, próximo ao cruzamento da Ponte Senhora da Guia.

Para molhar esses entreténs e seguidamente o jantar, foram selecionados dois Loureiros: o da Casa da Cuca, em Moreira de Lima, e o da Aromas4U, com sede no pólo empresarial da Gemieira.

O grupo de dúzia e meia de amigos era constituído por dirigentes das principais associações de emigrantes na metrópole parisiense e na Córsega: Luis Esteves, Presidente da Associação Luso – Francesa de Saint Cyr L´ École, do Rancho Os Lusitanos e Grupo de Cordas, Versalhes; Glória Silva, Presidente Emérita da dos Amigos de Portugal - Drancy e do grupo Romarias do Minho, Paris; Margarida Ribeiro, do mais antigo grupo folclórico português em França, a Ronda Típica de Chalette– Sur – Loing Margarida Ribeiro (Órleães), cidade geminada em 1988 com Ponte de Lima; Clara Fernandes, Presidente do Rancho Folclórico dos Emigrantes Portugueses de Ajaccio (Córsega). Completaram as presenças, o Presidente da Casa do Minho em Lisboa, Paulo Duque e o Director de Jornalismo do CESE (Comité Económico e Social) em Bruxelas, António Fernandes, um “ embaixador” da cultura popular portuguesa na Bélgica, com participação ou organizador de numerosos eventos anuais como tocador de concertina, acordéon, guitarra, viola e cavaquinho.

A rematar o repasto, uma surpresa da Pastelaria Doce Encontro, da Feitosa, cruzamento para os Bombeiros Voluntários: o mestre Bruno Alves, autor do doce típico Maravilha do Lima, então ao serviço d ”O Farinheiro”, na Seara, agora empresário, deliciou os comensais com uma Torta de Limão. Trata-se de um doce que atravessa ainda a fase de testes, e poderá ser a base para um outro, representativo da tradição doceira entre nós, sublinhou.

A festa terminaria no Villa Club, a convite do jovem João Gomes, Presidente do renascido futebol do Águias de Souto, com escolhas no seu mundo de conhecimento dos Gin´s e de cervejas belgas para fechar a noite.

Tito Morais / https://www.luso.eu/

A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA PARA A HOLANDA

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  • Crónica de Daniel Bastos

Os dados mais recentes sobre a emigração lusa revelam que a Holanda, um dos países mais desenvolvidos do mundo, situado no litoral da planície do Norte da Europa, tem-se tornado ao longo das últimas décadas, um dos principais destinos dos emigrantes portugueses.

Segundo o Observatório da Emigração, a Holanda encerra o pódio das dez nações para onde mais portugueses emigram na atualidade. Ainda que os mesmos representem apenas cerca de 1% da população estrangeira que reside no território, desde o início do séc. XXI que o número de portugueses emigrados no país conhecido pela sua liberdade e tolerância, tem aumentado gradualmente, passando de 9.509, em 2000, para 16.456, em 2015.

No ano passado, este fluxo migratório atingiu um novo recorde, com a entrada de 2.800 portugueses, que escolheram esta região dos Países Baixos para iniciar um novo projeto de vida no estrangeiro.

As razões dessa escolha, não são certamente alheias, ao facto da Holanda possuir um dos salários mínimos mais altos da Europa, atualmente 1.600 euros, duas vezes superior ao que se encontra estabelecido em Portugal. Assim como, um sistema de educação, saúde e mobilidade que a tornam uma das nações com melhor qualidade de vida, como sustenta a sua constante presença nos rankings do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas

Outro dos principais motivos, que podem ajudar a explicar que este território no noroeste da Europa se tenha tornado num dos principais destinos da emigração lusa, encontram-se na sua moderna indústria tecnológica, cujas condições de trabalho, formação, progressão e remuneração exercem grande capacidade de atração sobre a mão-de-obra qualificada portuguesa.

Como no passado, com as devidas salvaguardas, quando milhares de judeus portugueses no século XVI emigraram para a Holanda, na sequência da expulsão ordenada por D. Manuel I, vicissitude histórica que contribuiu para que a mesma se tornasse a principal potência marítima e comercial no séc. XVII, em detrimento dos reinos ibéricos, os portugueses na sua demanda hodierna por melhores condições de vida remanescem como um fator relevante no desenvolvimento socioeconómico da pátria holandesa.

ARCOS DE VALDEVEZ ACOLHEU 6º ENCONTRO COM A DIÁSPORA

6º Encontro com a Diáspora juntou 40 associações de 7 países

Convívio representa a vontade do município, do movimento associativo e dos emigrantes em participar no desenvolvimento dos Arcos de Valdevez.

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Mais de 80 conterrâneos, representantes de 40 associações sedeadas em 7 países, marcaram presença na 6ª edição do Encontro com a Diáspora, levado a cabo pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez.

A receção ao grupo teve lugar no salão nobre da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, depois seguiram rumo ao Centro Interpretativo do Barroco, terminando em Soajo com uma visita pela vila e à eira dos espigueiros.

Este encontro, que ano após ano tem mostrado a sua força, tem como principal objetivo reforçar os laços entre a vasta comunidade de emigrantes e a sua terra natal, em termos culturais, sociais, turísticos e empresariais. Por outro lado, permite também dar mais notoriedade ao concelho e atrair mais investimento empresarial e turístico.

Para a Autarquia este encontro é muito importante porque permite “Uma maior proximidade com a Diáspora, essencial no reforço da nossa identidade, na promoção da nossa cultura e é um meio de divulgação do nosso concelho e das nossas potencialidades, atraindo mais pessoas, nomeadamente conterrâneos, investidores e visitantes para Arcos de Valdevez”.

“Queremos que Arcos de Valdevez seja cada vez mais um bom concelho para viver, trabalhar, visitar e regressar”, diz também o autarca, afirmando que o concelho tem várias oportunidades para a comunidade emigrante.

O autarca arcuense para reforçar o envolvimento com a comunidade emigrante criou um pelouro específico dedicado às relações com a Diáspora, para promover um diálogo mais intenso entre a Autarquia e a nossa vasta comunidade de emigrantes espalhada pelo mundo.

Outra das medidas foi a criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) para esclarecer e encaminhar os emigrantes na resolução dos problemas de uma forma mais rápida e eficaz (www.cmav.pt/p/gae).

A Câmara Municipal tem visitado as comunidades no estrangeiro, participado em iniciativas de promoção cultural, recreativa e económicas organizadas pelos nossos conterrâneos e tem celebrado protocolos de cooperação com autarquias estrangeiras.

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O ENTRECRUZAMENTO DA GUERRA COLONIAL COM A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos

A Guerra Colonial (1961-1974), época de confrontos bélicos entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, representa um dos acontecimentos mais marcantes da história nacional e africana de expressão portuguesa do séc. XX.

Conflito bélico dramático, trágico e traumatizante para mais de um milhão de portugueses, que prestaram serviço militar nas três frentes de combate, onde tombaram cerca de 8.300 soldados, assim como para as populações angolanas, guineenses e moçambicanas, cujo número total de vítimas, entre guerrilheiros e civis, terá sido superior a 100 mil mortos, a Guerra do Ultramar ou Guerra da Libertação desencadeou profundas alterações demográficas, económicas, sociais, culturais e politicas.

Em Portugal, o desgaste provocado pela Guerra Colonial, que esteve na base do derrube do regime ditatorial salazarista que imperou entre 1933 e 1974, entrecruzou-se com o fenómeno da emigração. Nas décadas de 1960-70, a miséria, a pobreza e a fuga ao serviço militar de milhares de jovens como forma de escapar à incorporação na Guerra do Ultramar, impeliram a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao centro da Europa, em particular para França.  

O fim da Guerra Colonial e a descolonização recrudesceriam o fenómeno migratório, não só por via da chegada ao território nacional de mais de meio milhão de portugueses de África, conhecidos como “retornados”. Mas também, pelo facto da independência das antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, terem tornado no final dos anos 70, a África do Sul como o principal destino dos portugueses em África.

No entanto, no campo historiográfico do entrecruzamento da Guerra Colonial com a emigração portuguesa, existe ainda uma dimensão de conhecimento pouco ou nada estudada, designadamente a emigração nos anos 70 e 80 de milhares de antigos combatentes da Guerra do Ultramar. O impacto da emigração, ainda pouco conhecido, de milhares de homens que estiveram na Guerra Colonial, pode ser aferido pelo papel de assistência e preservação de memória dinamizado pela Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, a segunda maior província do Canadá onde vivem cerca de meio milhão de portugueses, entre eles, mais de 20 mil antigos combatentes da Guerra do Ultramar, segundo dados veiculados pelo Núcleo de Ontário.

O AUMENTO DA EMIGRAÇÃO DE ENFERMEIROS PORTUGUESES

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  • Crónica de Daniel Bastos

No decorrer das últimas décadas tem sido impactante a tendência da emigração de jovens qualificados portugueses que perante a precariedade laboral, baixos salários e obstáculos à progressão de carreira, têm optado pela construção no estrangeiro dos seus projetos de vida.

Neste campo, tem-se destacado o fenómeno da emigração de profissionais de saúde, em particular os enfermeiros, tanto que desde 2010, números oficiais apontam para que mais de 14 mil destes profissionais de nível superior com competências técnicas, científicas e humanas tenham optado por sair de Portugal.

A grave crise económica e financeira que o país viveu a partir de 2011, e que obrigou à intervenção da troika em Portugal, atingiu duramente este grupo socioprofissional, assistindo-se nesse período à saída de 1.175 profissionais, valor que só seria ultrapassado em 2015, com a saída de 2.715 enfermeiros para o estrangeiro.

A trajetória de recuperação da economia portuguesa, e o incremento da contratação de profissionais de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ainda que aquém das necessidades do SNS, parecia estar nos últimos anos a contribuir para o decréscimo da emigração de enfermeiros portugueses.

No entanto, dados apresentados no início deste mês pela Ordem dos Enfermeiros, instituição que emite as declarações de habilitação que estes profissionais precisam para exercer lá fora, há cada vez mais enfermeiros portugueses a procurar melhores condições de trabalho e de progressão na carreira em países como os Estados Unidos, Arábia Saudita, Inglaterra, Irlanda, França, Bélgica, Suíça ou Alemanha. Segundo a mesma, em 2018 a instituição recebeu um total de 2.736 pedidos de profissionais para exercer no estrangeiro, e o ano de 2019 pode mesmo ver este número ser superado, dado que nos primeiros seis meses do ano, a Ordem já recebeu 2.321 pedidos para obter a declaração de habilitação que permite trabalhar noutro país.

Numa época em que Portugal assiste a iniciativas que procuram apoiar o regresso de emigrantes ou lusodescendentes ao país, estas só terão verdadeiro impacto no nosso futuro coletivo, quando os responsáveis políticos e os agentes económicos concertarem uma agenda e estratégia que desde logo, não permita a constante emigração de jovens qualificados, como é o caso dos profissionais de enfermagem.

FAMALICÃO APOIA REGRESSO DOS EMIGRANTES

Gabinete de Apoio ao Emigrante presta informações sobre o programa Regressar

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através do seu Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE), está a prestar informações e eventuais esclarecimentos no que diz respeito às candidaturas ao programa nacional Regressar.

O programa Regressar arrancou no final do mês de julho com a abertura das candidaturas a todos os emigrantes que saíram do país até dezembro de 2015 e que pretendem regressar.

O Programa envolve todas as áreas governativas e inclui medidas concretas como um regime fiscal mais favorável para quem regressa, apoio financeiro para os emigrantes ou familiares de emigrantes que venham trabalhar para Portugal e uma linha de crédito para apoiar o investimento empresarial e a criação de novos negócios em território nacional.

Toda a informação sobre o Programa Regressar está disponível em www.programaregressar.gov.pt

O FUTEBOL E A EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

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  • Crónica de Daniel Bastos
  • Uma das modalidades, senão a mais importante modalidade desportiva do país, o futebol ocupa um papel fulcral na sociedade portuguesa que muitas das vezes parece viver ao ritmo do futebol e da sua omnipresença mediática, e não tanto da sua valorização enquanto festa e prática desportiva universal, capaz de aproximar povos e culturas.

    A genuína dimensão cultural do futebol, expressa numa força geradora de laços e vínculos identitários, encontra-se plasmada nas comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, onde o futebol nacional, os clubes e a seleção, constituem um incontornável elemento de identidade popular portuguesa.

    Esta realidade da identificação futebolística como um vínculo capital da diáspora portuguesa ao país foi modelarmente analisada há poucos anos pela investigadora alemã Nina Clara Tiesler, através do projeto de investigação internacional “Diasbola”, dedicado ao papel do futebol entre emigrantes portugueses e lusodescendentes na Alemanha, França, Inglaterra, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Brasil e Moçambique.

    Tendo como principal objetivo caracterizar o futebol em comparação com outros elementos culturais utilizados pelos emigrantes como meios de ligação ao país de origem, a coordenadora, do trabalho “Diasbola: futebol e emigração portuguesa”, sustenta que “a identificação futebolística e a gastronomia são os dois elementos da cultura popular mais visíveis na diáspora portuguesa”. E com “maior capacidade de reunir pessoas de classes sociais diferentes, de gerações diferentes e de sexo diferente”.

    A terminante conclusão do meio académico, de que o futebol é o principal elemento de identidade entre gerações de emigrantes, atingiu o seu apogeu quando a seleção portuguesa de futebol ganhou o Campeonato da Europa 2016 em França, onde vive a maior comunidade lusa no estrangeiro. E manifesta-se nos dias de hoje, no empenho que os principais clubes portugueses têm tido na inauguração de casas, ou na assunção de protocolos e parcerias para a abertura de escolas, nas comunidades portuguesas.

    Empenho esse que tem levado a estágios e a participações em torneios futebolísticos cada vez mais frequentes em territórios onde a emigração portuguesa está fortemente implantada, e que por força da distância e saudade dilui as diferentes cores dos clubes portugueses no verde-rubro que compõem a bandeira e a seleção nacional.

VALORIZAR OS PORTUGUESES NO MUNDO

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O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, esteve presente na sessão de apresentação, que decorreu na Livraria Lello, do livro “Valorizar os Portugueses no Mundo”, do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro (dir.)

No passado dia 27 de junho, foi apresentado na Livraria Lello, um emblemático espaço da cidade do Porto e uma das mais afamadas livrarias do mundo, o livro “Valorizar os Portugueses no Mundo: Por uma visão estratégica partilhada 2015-2019”, da autoria de José Luís Carneiro, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

A obra, que tinha sido já lançada na semana transata, na Biblioteca da Imprensa Nacional em Lisboa, e que conta com prefácio do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, assume-se como um relatório de balanço dos quatro anos de mandato da Secretaria de Estado das Comunidades, estrutura governativa que foi assumida pelo antigo autarca do Município de Baião no início da legislatura que agora finda.

O livro inclui cinco capítulos dedicados às áreas de ação e prioridade política da Secretaria de Estado das Comunidades durante o recente mandato de José Luís Carneiro. Nomeadamente, “A rede consular do MNE”, “As prioridades de política da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, “Iniciativas promovidas pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas em cooperação com outras áreas governativas”, “Alguns eventos promovidos pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas”, e “As visitas ao estrangeiro e o contacto com as comunidades portuguesas no mundo”.

Como garante nas palavras de abertura, com “a profunda convicção de que os Portugueses nas comunidades vivem a sua relação com Portugal de modo muito especial”, o governante ao longo da obra sintetiza um conjunto de medidas políticas que foram empreendidas durante o seu mandato e que procuraram conferir às comunidades lusas espalhadas pelo mundo “uma mais ampla cidadania e uma mais forte vinculação a Portugal”.

Comungando do desiderato do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, é de enaltecer, desde logo, este modelo de prestar contas do seu mandato, uma prática que ainda não é seguida por todos os governantes. Assim como, a ligação estreita que manteve com as comunidades lusas, como sustentam as suas constantes visitas ao estrangeiro, como por exemplo, à Venezuela, ou as várias iniciativas tendentes à modernização das estruturas consulares, características distintivas do seu mandato. 

DANIEL BASTOS APRESENTOU EM GUIMARÃES NOVO LIVRO SOBRE GÉRALD BLONCOURT E O NASCIMENTO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA

Foi ontem apresentado na cidade berço de Portugal, o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

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O historiador Daniel Bastos (dir.), na sessão de apresentação do livro “Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”, no fórum da FNAC-Guimarães, acompanhado do deputado na Assembleia da República, Joaquim Barreto (centro), e do tradutor Paulo Teixeira (esq.)

 

A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada no fórum da Fnac-Guimarães.

A sessão de apresentação, que computou a presença do vereador Seara de Sá, em representação do Município de Guimarães, esteve a cargo do deputado na Assembleia da República, Joaquim Barreto, que caraterizou o livro como um importante contributo para a história do nascimento e construção da democracia em Portugal.

Refira-se que, neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

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QUAIS SÃO OS MELHORES PAÍSES PARA EMIGRAR?

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* Crónica de Daniel Bastos

Recentemente foram divulgados os dados do relatório que o banco global britânico HSBC realizou no decurso deste ano sobre a qualidade de vida de milhares de expatriados disseminados pelos quatro cantos do mundo.

A análise dos resultados do inquérito Expat Explorer, que a instituição financeira e bancária tem dinamizado anualmente, permite, desde logo, constatar que a segurança no trabalho, o crescimento salarial, a proteção e qualidade de vida constituem as principais motivações de quem enceta uma trajetória socioprofissional no estrangeiro.

A avaliação ponderada destas motivações leva assim o HSBC a sustentar que presentemente, os cinco melhores territórios para emigrar, são respetivamente, a Suíça, Singapura, o Canadá, Espanha e a Nova Zelândia.

No caso de Singapura, Canadá e Nova Zelândia, estados que já no ano de 2018 ocupavam posições cimeiras no ranking de regiões onde os emigrantes têm melhor qualidade de vida social e profissional, o relatório revela que a cidade-estado de Singapura, situada ao sul da Malásia, um centro financeiro global formado por uma população multicultural, destaca-se ao longo dos últimos dois anos pelas inúmeras oportunidades que tem gerado ao nível da promoção e progressão na carreira, incremento salarial, e condições de saúde e bem-estar familiar.

Esta capacidade de atração socioprofissional é transversal a todas estas nações, e no caso particular da Suíça e Canadá, países onde vivem e trabalham milhares de portugueses, são elucidativas sobre os motivos que concorrem para que a Europa Central e a América do Norte sejam um dos principais destinos da emigração lusa.

Por exemplo, no Canadá, o papel e importância da comunidade portuguesa, atualmente constituída por mais de meio milhão de luso-canadianos, impeliu em 2017, o Parlamento Federal a aprovar uma lei que declarou junho o Mês do Património Português no Canadá. Sendo que, há poucos dias, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, no âmbito de uma entrevista ao canal canadiano multicultural Omni Television, no programa Focus Portuguese, asseverou “reconhecemos que a onda de imigração de portugueses que chegaram aqui inicialmente nas décadas de 60 e 70 construíram esta cidade (Toronto) e este país”

HISTORIADOR DANIEL BASTOS APRESENTA EM GUIMARÃES O LIVRO "GERÁLD BLONCOURT - DIAS DE LIBERDADE EM PORTUGAL"

Guimarães recebe apresentação do livro “Geráld Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”

No próximo dia 26 de julho (sexta-feira), é apresentado em Guimarães o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.

A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes mundiais da fotografia humanista, recentemente falecido na capital francesa, é apresentada às 21h30 no fórum da Fnac Guimarães.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro) foi em 2015 o responsável pela realização do livro de Gérald Bloncourt (dir.) “O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que retrata a emigração portuguesa para França nos anos 60 e 70, e que contou com prefácio de Eduardo Lourenço e tradução de Paulo Teixeira (esq.)

 

A apresentação da obra, uma edição trilingue (português, francês e inglês) prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, estará a cargo do deputado na Assembleia da República, Joaquim Barreto.

Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, uma das instituições de referência do Portugal democrático, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa nos anos 60 e 70, mas que foi também um espectador privilegiado da explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

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Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

A publicação do livro, que contou com a colaboração de Isabelle Repiton, viúva de Gérald Bloncourt, e é enriquecida com memórias e testemunhos do fotojornalista franco-haitiano, representa cerca de meio século após a Revolução de Abril um novo contributo e oportunidade para revisitar a génese da democracia portuguesa.

Segundo Vasco Lourenço, esta obra ilustrada pela lente humanista de Bloncourt, fotógrafo que em 2016 foi agraciado pelo Presidente República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, constitui uma viagem ao “tempo dos sonhos cheios de esperança, da afirmação da cidadania, da construção de uma sociedade mais livre e mais justa, do fim e do regresso de uma guerra sem sentido com a ajuda ao nascimento de novos países independentes, onde a língua portuguesa continuou a ser o principal factor congregador”.

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O CRESCIMENTO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NOS PAÍSES NÓRDICOS

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  • Crónica de Daniel Bastos

Os dados mais recentes sobre a emigração portuguesa apontam que os países nórdicos, uma região da Europa setentrional e do Atlântico Norte, composta por países como a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, ao longo do ano de 2018 atraíram cada vez mais portugueses. 

Comumente considerados como dos melhores países do mundo para se viver e trabalhar, como sustentam os seus elevados índices de qualidade de vida, democracia e competitividade. Os números revelam que a emigração lusa para a Noruega aumentou 20%, para a Dinamarca (19%), para a Suécia (9%), para a Islândia (23%) e para a Finlândia, ainda que não sejam conhecidos os valores do ano transato, os dados de 2017 revelam que nesse período as entradas de portugueses tiveram um incremento na casa dos 10%.

No caso, por exemplo, da emigração portuguesa para a Noruega, as autoridades estatísticas da nação que amiúde lidera o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, indicam que embora seja um fenómeno recente e represente apenas 1% da imigração neste país nórdico, a entrada de portugueses chegou em 2018 aos 450 cidadãos.

No conjunto dos países nórdicos que o longo da última década tem acolhido cidadãos nacionais, a Suécia, o mais populoso e o maior país nórdico, revela uma clara tendência de crescimento desde o início do séc. XXI. Nos últimos anos a Embaixada de Portugal em Estocolmo contabiliza a presença de mais de quatro milhares de portugueses na nação escandinava, muitos deles profissionais qualificados a desempenhar funções nas áreas das tecnologias de informação e comunicação (TIC), saúde, engenharias, arquitetura e investigação.

O recente crescimento da presença portuguesa nos países nórdicos, como é o caso da Suécia, deve-se também em grande medida ao número de estudantes lusos envolvidos em programas de pós-graduação e programas de mobilidade. Como o programa Erasmus, que contempla um conjunto de atividades onde se inclui a mobilidade de estudantes universitários para efetuar um período de estudos ou estágio em países da União Europeia e outros países associados ao projeto, e cuja experiência formativa no domínio pessoal e profissional, é uma indubitável mais-valia no mercado laboral.

PONTE DE LIMA RECEBE EMIGRANTES

Tempo de Verão, os tradicionais meses de receber os nossos emigrantes aí estão, este, corrente de Julho, e o seguinte, onde milhares de compatriotas, conterrâneos e luso –descendentes se cruzam nas nossas estradas, comércios, repartições públicas, praias e outros locais.

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É tempo de convívio, de visitar familiares e amigos, de reviver o ambiente de onde partiram há meses, anos, parte da sua vida, para fazer outra vida, melhor para um Futuro também mais risonho aos filhos e netos.

Da Europa a África, e do outro lado do Atlântico, Ponte de Lima está pressente há mais de cinco séculos. A diáspora, os Limianos, também poucos, mas alguns, partiram para a Ásia, mas é do velho continente a maior proveniência para gozo de férias.

Com o aproximar da vinda de nossos patrícios, também as Festas e Romarias mais importantes enchem-se como locais de culto, diversão e convívio. Evoquemos, entre outras, a de Nossa Senhora da Boa Morte, na freguesia da Correlhã, santuário de muitos devotos por geração radicados no Brasil e na França, ou o Senhor da Saúde, em Sá, no primeiro fim de semana de Agosto.

Outras entidades como as autarquias locais, organizam programas, ou parte deles dedicados ao emigrante, á gente da terra ausente, mas que nesta época do ano nos visitam.

É o caso da freguesia da Seara, onde o Presidente Filipe Lima e seus colegas, preparam mais uma edição da Semana da Seara, a decorrer de 10 a 19 de Agosto próximo. Mas também em Rebordões Souto, haverá este ano, igualmente por iniciativa do colega autarca Filipe Amorim, uma evocação dos conterrâneos radicados na Europa, através do futebol, no âmbito do ressurgimento da equipe local – Águias de Souto – numa comissão liderada pelo jovem João Gomes.

É assim, Ponte de Lima veste – se de gala para receber, conviver, perceber, que ser emigrante é também gostar da terra, e como tal, participar nas suas tradições e demais usos e costumes, através das programações já divulgadas, e outras a caminho!...

Mas, entre centenas e milhares de Pontelimenses expatriados, permitam que deixe aqui um abraço às comunidades mais salientes em suas terras adoptivas. A razão, é que a eles, ou associações que dirigem, se devem muitas recordações, digamos eventos etnográficos e gastronómicos nessas paragens, costumes de suas origens. São exemplos, entre outros, na região de Paris: Drancy, Ivry Sur Seine e Saint Cyr l École (Versalhes). Mais longe, a uma centena de quilómetros, Chalette Sur Loing (Órleães), geminada com Ponte de Lima, assim como no norte, a uma centena de quilómetros do Luxemburgo, a mais antiga cidade – irmã de Ponte de Lima: Vandoeuvre Les Nancy, cujos trinta anos foram assinalados em 22 de Junho último, com deslocação do Órfeão Limiano e da Edilidade.

Tito Morais / https://www.luso.eu/

OS “BRASILEIROS DE TORNA-VIAGEM”

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transoceânico que se prolongou de meados do século XIX até ao primeiro quartel do século XX, e que teve como principal destino o Brasil.

Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Noroeste de Portugal.

Como menciona Miguel Monteiro, no artigo “O Museu da Emigração e os “Brasileiros” do Rio: o público e o privado na construção de modernidade em Portugal”, recuando à segunda metade do séc. XIX, encontramos nos “brasileiros” aqueles que alcançando fortuna no Brasil, “construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural”.

Numa época, em que a nova geração de emigrantes que deixa Portugal não tem como principal propósito o regresso vindouro, mas antes a procura de melhor qualidade de vida e emprego na sua área, a feição benemérita e empreendedora dos “brasileiros de torna-viagem”, que permitiu mitigar os parcos recursos financeiros do país no aclarar do séc. XX, é um exemplo inspirador que não pode deixar de ser recordado e enaltecido.