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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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SECRETÁRIO DE ESTADO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS INICIA AMANHÃ PRIMEIRA VISITA OFICIAL AO BRASIL

  • Crónica de Ígor Lopes

Paulo Cafôfo visita as instalações da Casa do Minho do Rio de Janeiro e será recebido pelo Rancho Folclórico Maria da Fonte

O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), Paulo Cafôfo, inicia amanhã, dia 26, a sua primeira viagem oficial ao Brasil. O programa inclui o contacto com portugueses e lusodescendentes residentes no país e prevê passagens por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Belo Horizonte e Salvador. A deslocação decorre de 26 de janeiro a 4 de fevereiro.

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De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a visita de Cafôfo ao Brasil “enquadra-se no conjunto de iniciativas junto da diáspora, para este mandato, denominado “Portugal no Mundo: Caminhos para a Valorização das Comunidades Portuguesas”, e tem por objetivo “reforçar laços, aproximando os portugueses residentes no estrangeiro ao nosso país e, simultaneamente, contribuir para uma visão atual da nossa diáspora”.

Detalhes do intenso programa

A agenda tem início no dia 26 na capital brasileira, onde está previsto um encontro com o responsável pelas Comunidades do Itamaraty, o Secretário Leonardo Gorgulho, no Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores do Brasil, além de um encontro com membros da Comunidade Portuguesa e com a imprensa na Chancelaria da Embaixada Portuguesa em Brasília.

No dia 27, Cafôfo estará no Rio de Janeiro, onde irá visitar, à tarde, o Liceu Literário Português. Nessa oportunidade, Cafôfo irá conhecer o Centro Cultural e as instalações da sede da Associação Luiz de Camões. No dia seguinte, 28, o SECP participa numa visita guiada ao Real Gabinete Português de Leitura, acompanhado por Francisco Gomes da Costa, presidente da referida Associação. De seguida, Cafôfo terá um almoço reservado, seguido de reunião, na Casa da Vila da Feira e Terras de Santa Maria, onde irá abordar, juntamente com outros responsáveis, questões referentes à dinâmica e à conjuntura atual da Associação Luís de Camões na cidade maravilhosa. Nesse mesmo dia, este responsável português vai conhecer as instalações da Casa do Minho do Rio de Janeiro. A nossa reportagem sabe que a comitiva portuguesa será rececionada por integrantes trajados do Rancho Folclórico Maria da Fonte e pelo atual presidente desta Casa, Joaquim Fernandes, que irá entregar a Paulo Cafôfo, ao embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, e à cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Gabriela Soares de Albergaria, o título de sócio honorário desta entidade. No dia 29, decorre uma visita ao Espaço Cultural da Marinha no Rio e ao monumento do centenário da Primeira Travessia aérea do Atlântico Sul.

No dia 30, Cafôfo encontra com autoridades do governo do Estado e da prefeitura de São Paulo. Haverá agenda ainda com dirigentes do movimento associativo português e membros da comunidade lusa em São Paulo nas instalações da Casa de Portugal. No dia 31, Cafôfo visita a Casa da Ilha da Madeira e participa numa receção com empresários portugueses e brasileiros promovida pela Câmara Portuguesa de São Paulo. Na maior cidade do Brasil, Cafôfo irá encontrar o novo cônsul-geral de Portugal em São Paulo, António Pedro da Vinha Rodrigues da Silva, que atuava anteriormente em Camberra, na Austrália.

No dia 1 de fevereiro, o SECP desloca-se a Santos, onde encontra autoridades na prefeitura local e visita o Museu Rei Pelé.

No dia seguinte, 2, decorre um encontro com autoridades do governo Estadual de Minas Gerais e com autoridades da prefeitura de Belo Horizonte. Há ainda agenda com a direção da Câmara Portuguesa de Minas Gerais, que será representada por Cláudio Motta. No final do dia, Cafôfo visita as instalações do Centro da Comunidade Luso-Brasileira, onde encontrará a direção desta entidade em Belo Horizonte.

No dia 3, a passagem será pela Bahia, onde Cafôfo irá encontrar as autoridades do Estado da Bahia e as autoridades da prefeitura de Salvador. Está prevista uma receção à comunidade portuguesa local.

O último dia da visita do Secretário de Estado português ao Brasil, 4 de fevereiro, conta no programa com visita ao Gabinete de Leitura de Salvador, onde Cafôfo será recebido por Abel Travassos, responsável pelo local, e será convidado a assinar o livro de honra da instituição que, nos últimos dias, recebeu a assinatura do cantor brasileiro Caetano Veloso, que gravou uma entrevista no local. Ainda em Salvador, o SECP irá visitar o Hospital Português da Bahia, cuja diretoria é presidida por Orlando Manuel Cunha da Silva, filho de Orlando de Sousa da Silva, presidente da Casa dos Açores da Bahia. A Casa Jorge Amado encerra a lista de visitas de Cafôfo a esse estado do nordeste brasileiro.

Aposta na diplomacia

Em solo brasileiro, Paulo Cafôfo irá conhecer os Consulados-Gerais de Portugal no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador e o Escritório Consular de Santos, numa “clara demonstração” de apoio aos funcionários consulares de Portugal no Brasil, e ainda para demonstrar que o Estado português está presente junto da sua diáspora.

“A valorização dos profissionais da área governativa dos Negócios Estrangeiros está no centro da atenção deste ministério, ciente de que a formulação, coordenação e execução da política externa portuguesa, em todas as suas dimensões, assenta em recursos humanos reforçados e reconhecidos”, frisou o MNE, que recordou que a viagem de Cafôfo ao Brasil tem a intenção de promover o seu contacto com diferentes instituições e associações, na perspetiva de “aprofundar o conhecimento, nas diferentes dimensões, da comunidade portuguesa no Brasil”.

“A agenda, dedicada às áreas da Educação, Cultura, Social e da Economia, prevê assim encontros com representantes das Comunidades Portuguesas e Conselheiros das Comunidades, empreendedores e empresários portugueses e brasileiros, e visitas a instituições associativas, bem como para conhecimento em proximidade da oferta social, cultural e do ensino da língua e da cultura portuguesa. Destacam-se também encontros com as autoridades brasileiras, nomeadamente o encontro de cortesia com o seu homólogo Secretário do Itamaraty, responsável pelas Comunidades, Embaixador Leonardo Gorgulho, bem como com representantes do Governo Estadual de São Paulo, de Minas Gerais e da Bahia, das Prefeituras de São Paulo, Santos, Salvador da Bahia e de Belo Horizonte”, explicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que comentou, também, que o programa no Brasil contempla um jantar com membros do corpo diplomático acreditado em Brasília, que contará com a presença do Diretor-Geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino.

Recorde-se que, segundo dados da diplomacia portuguesa, a comunidade lusa no Brasil conta hoje com cerca de um milhão de cidadãos nacionais.

O NOTÁVEL DINAMISMO DAS COMUNIDADES LUSO-AMERICANAS DA CALIFÓRNIA

  • Crónica de Danies Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel socioeconómico-cultural na principal potência mundial.

Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, sendo que só no estado mais populoso do país, a Califórnia, residem mais de 300 mil luso-americanos, na sua maioria oriundos dos Açores, que trabalham por conta de outrem, na indústria. Embora, sejam muitos, os que trabalham nos serviços ou se destacam na área científica, no ensino, nas artes, nas profissões liberais e nas atividades políticas.

No seio das numerosas comunidades luso-americanas da Califórnia, o estado com maior diáspora de origem portuguesa nos EUA, proliferam dezenas de associações recreativas e culturais, meios de comunicação social, clubes desportivos e sociais, fundações para a educação, bibliotecas, grupos de teatro, bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, casas regionais, sociedades de beneficência e religiosas. E inclusive, um espaço museológico que homenageia e perpetua a herança cultural portuguesa na Califórnia, mormente, o Museu Histórico de São José, que alberga desde os anos 90 um conjunto de várias exposições que perpassam a história da emigração lusa para a Costa Oeste dos Estados Unidos da América.

Este notável dinamismo foi o leitmotiv que impulsionou a recente visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aos principais centros da emigração portuguesa na Califórnia, um itinerário que incluiu deslocações a San Diego, Artesia (perto de Los Angeles), São José e São Francisco, e passagens pelas comunidades do vale central em Turlock e Gustine.

Ao longo da visita de cinco dias a uma das maiores comunidades portuguesas no estrangeiro, o Chefe de Estado conviveu com as forças vivas das comunidades luso-americanas da Costa Oeste, conheceu o seu profundo apego à pátria de Camões, os seus projetos, os seus anseios e as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho. Verdadeiros self-made man, como o comendador Manuel Bettencourt, um reputado dentista que tem empreendido relevantes contributos em prol da comunidade luso-americana; o comendador Manuel Eduardo Vieira, o maior produtor mundial de batata-doce biológica; o comendador Batista Sequeira Vieira, uma das figuras mais proeminentes da comunidade portuguesa nos EUA; ou o dirigente associativo, criador de gado e produtor de leite no Vale de São Joaquim, João Borges Pires, que foi distinguido pelo mais alto magistrado da Nação com a comenda da Ordem do Mérito, durante um encontro no salão português de Gustine.

Estes são apenas alguns, dos vários “portugueses que conquistaram a Califórnia”, na esteira conselheiro das comunidades, produtor e realizador luso-americano Nelson Ponta-Garça, que ao longo dos últimos anos tem procurado documentar a história e o legado da comunidade portuguesa na Califórnia.

Estes são alguns dos fautores do notável dinamismo das numerosas comunidades luso-americanas da Califórnia, que constitui também o leitmotiv para a apresentação no próximo ano, entre 31 de março e 7 de abril, na Califórnia, do livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”. Uma obra que reúne as crónicas que o historiador Daniel Bastos tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, e onde o autor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem. Como é o caso da comunidade lusa na Califórnia, a mais numerosa das comunidades portuguesas nos EUA e uma das maiores comunidades portuguesas no estrangeiro.

Um livro, que nas palavras de Luís Marques Mendes, conhecido advogado e comentador que assina o prefácio da obra, é “o espelho da homenagem que Daniel Bastos quer prestar aos milhões de portugueses que, fora do nosso país, honram, servem e prestigiam Portugal. E fá-lo como deve ser: com simplicidade e com verdade, com entusiasmo e com realismo, com autenticidade e com pragmatismo, com respeito pelo passado mas sem descurar a ambição do futuro”.

A HOMENAGEM DA COMUNIDADE LUSO-CANADIANA AO COMENDADOR MANUEL DaCOSTA

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 5 de novembro, o Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM), uma representativa agremiação lusa na província do Ontário, no Canadá, promoveu a Gala Community Spirit Award, um importante momento de justíssima homenagem ao Comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto.

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Sessão de homenagem ao Comendador Manuel DaCosta no decurso da Gala Community Spirit Award promovida pelo PCCM

Empresário multifacetado, com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, premissas que estão na base das insígnias do grau de comendador que lhe foram atribuídas pelas autoridades portuguesas, Manuel DaCosta, natural de Castelo do Neiva, concelho de Viana do Castelo, dirige presentemente uma das mais importantes empresas de comunicação social luso-canadianas, designadamente, a MDC Media Group.

O sucesso que tem alcançado ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no segundo maior país em área do mundo.

Entre outras iniciativas, é fautor do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano. Assim como, dGaleria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

Sempre longe dos holofotes mediáticos, o empresário e filantropo “Cidadão de Honra de Viana do Castelo” tem sido dinamizador e patrocinador de várias atividades, e projetos de cariz sociocultural e solidário. Como o que promete vir a ser um dos mais relevantes da comunidade luso-canadiana, mormente a Magellen Community Charities, uma organização sem fins lucrativos que pretende inaugurar em 2025 um centro orçado em vários milhões de dólares, capaz de acolher mais de duas centenas de idosos, especialmente direcionado para a comunidade portuguesa.

Nesse sentido, a justa e merecida homenagem na Gala Community Spirit Award ao Comendador Manuel DaCosta, cujo percurso de vida relembra-nos a máxima do escritor António Lobo Antunes “é preciso viver, viver como homem comum entre homens comuns. Só um homem comum pode fazer grandes coisas”, além de abarcar um dever de gratidão e de reconhecimento por tudo quanto o mesmo tem feito de forma devotada e desprendida em prol da comunidade luso-canadiana. É ainda um exemplo inspirador e um agradecimento coletivo a todos os compatriotas espalhados pela diversa geografia da diáspora, que afincadamente demonstram como a solidariedade remanesce uma marca genética das comunidades portuguesas.

IN MEMORIAM MIGUEL MONTEIRO

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 3 de novembro, assinalaram-se treze anos do falecimento do saudoso historiador e professor, Miguel Monteiro (1955-2009), um dos mais reputados investigadores no campo do estudo dos “brasileiros de torna-viagem” na região noroeste do continente português. E, em particular, no concelho de Fafe, uma cidade situada no distrito de Braga, cuja história e identidade está intrinsecamente ligada ao fluxo migratório para o Brasil no alvorecer do séc. XX.

Natural da freguesia do Rego, município de Celorico de Basto, onde concluiu a instrução primária, Miguel Monteiro, finalizou os estudos liceais na capital do Minho, tendo, no início dos anos 80, obtido a Licenciatura em História na Faculdade de Letras do Porto. Com uma profícua carreira no campo do ensino básico, secundário e superior, foi no entanto, no campo da investigação histórica, que o Mestre em História das Populações pela Universidade do Minho (1996), instituição onde foi doutorando em Sociologia e investigador do Núcleo de Estudos da População e Sociedade, deixou a suas principais marcas.

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O investigador Miguel Monteiro (ao centro), no âmbito da coordenação do seminário internacional “Memórias e Migrações” que decorreu em 2007 na Sala de Visitas do Minho

Mormente, ao nível da contribuição dos “brasileiros” de torna-viagem no noroeste de Portugal, e principalmente, as suas marcas na Sala de Visitas do Minho. Como asseverou apaixonadamente, recuando localmente à segunda metade do séc. XIX, encontramos nos “brasileiros” de Fafe aqueles que alcançando fortuna no Brasil, “construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural”.

Especialista na área da emigração portuguesa para o Brasil no decurso do séc. XIX para o séc. XX, contexto que levou a que em meados de 2000 tenha integrado o Comissariado Científico da exposição “Os Brasileiros de Torna-Viagem no Noroeste de Portugal”, da iniciativa da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, o investigador é autor, entre outras, das obras Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial, e Migrantes, Emigrantes e Brasileiros (1834-1926) – Territórios, itinerários e trajectórias.

O seu trabalho original em torno da figura do “brasileiro de torna-viagem”, e sobretudo, o contributo relevante que infundiu para a preservação e conhecimento do património que os “brasileiros” de Fafe deixaram no concelho, contribuiu decisivamente para que, em 12 de julho de 2001, por deliberação da Câmara Municipal de Fafe, fosse criado o Museu das Migrações e das Comunidades.

Percursor no seu género em Portugal, o espaço museológico assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

Agraciado pela edilidade fafense com a Medalha de Prata de Mérito Concelhio, no âmbito da sessão solene comemorativa do 5 de outubro de 2008, o trabalho e percurso de vida do alma mater do Museu das Migrações e das Comunidades, encontra-se sintetizado nas palavras abalizadas do bibliotecário Henrique Barreto Nunes, no prefácio que então escreveu no livro Fafe dos Brasileiros (1860-1930) – Perspectiva histórica e patrimonial: “Miguel Monteiro, é um dos elementos que mais se tem dedicado ao conhecimento, ao estudo, à preservação e à divulgação do património cultural e natural de Fafe”.

COMENDADOR CARLOS DE LEMOS: UM PALADINO DA COMUNIDADE LUSO-AUSTRALIANA

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas é a sua dimensão empreendedora e benemérita, como corroboram os percursos de diversos compatriotas que dinamizam atividades de relevo a nível económico, político, cultural e social.

Nos vários exemplos de patrícios que compõem e engrandecem a diáspora lusa, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia na promoção do país, destaca-se a trajetória do comendador Carlos de Lemos, antigo Cônsul Honorário de Portugal em Melbourne, na Austrália, e um dos mais devotados paladinos da cultura e história portuguesa no continente-ilha.

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O comendador Carlos de Lemos, acompanhado do historiador Daniel Bastos, no decurso de uma visita no mês de outubro à Capital do Minho

Natural de Melgaço, vila raiana no distrito de Viana do Castelo, onde nasceu em 1926, Carlos Pereira de Lemos iniciou a sua vida profissional como topógrafo em Portugal, trabalhando depois em Moçambique, África do Sul, Timor e na Austrália. No périplo que encetou pelo mundo, o alto-minhoto que começou a trabalhar com apenas 12 anos de idade numa loja em Melgaço, e já adolescente num café em Monção, conheceu personalidades marcantes como Nelson Mandela, Samora Machel, Rui Cinatti ou José Ramos-Horta.

Detentor de uma formação eclética, Carlos de Lemos foi estudante na África do Sul – Rhodes University e University of South Africa, onde se licenciou em Ciências Políticas e Sociologia. E pós-graduou-se em Pedagogia na Universidade de Melbourne, tendo sido professor de Sociologia e Ciências Políticas no Royal Melbourne Institute of Technology, e de línguas na Universidade de Monash, assim como representante do Banco Borges em Melbourne.

A chegada ao território australiano na década de 80, onde viria a estabelecer-se, marcou o princípio de uma profunda ligação à comunidade luso-australiana, atualmente constituída por cerca de 50 mil portugueses, essencialmente disseminados por metrópoles como Perth, Melbourne ou Sydney.

Paralelamente à sua atividade profissional, Carlos de Lemos tornou-se um importante dirigente associativo luso-australiano, através da criação de uma escola de português e de um programa de rádio. Em 1988, foi nomeado Cônsul Honorário de Portugal em Melbourne, incumbência que exerceu durante três décadas com intenso trabalho, num verdadeiro espirito de missão em prol da comunidade luso-australiana.

Nesse âmbito, foi o grande impulsionador do Festival Português de Warrnambool, uma cidade na costa sudoeste de Vitória, onde pelo seu incansável labor foi inaugurado em 2001 um padrão de homenagem aos navegadores portugueses, tendo inclusive sido dado a uma das ruas de Warrnambool o seu nome, “De Lemos Court”. Ainda, no alvorecer deste ano, o dinâmico nonagenário luso-australiano proferiu no Museu Marítimo de Warrnambool uma palestra onde abordou a tese da descoberta portuguesa da Austrália, que escora que terá sido o navegador Cristóvão Mendonça, por volta de 1522, o primeiro português a avistar as costas australianas, quando navegava na zona por ordem de D. Manuel I, dois séculos e meio antes do capitão inglês James Cook.

O notável percurso de vida de Carlos de Lemos, patenteado no seu livro História de Uma Vida, publicado em 2016 e prefaciado pela antiga secretária de Estado da Emigração, Manuela Aguiar, foi distinguido em 2002 com a Ordem de Mérito, no grau de Comendador, pelo então Presidente da República Jorge Sampaio. Mais recentemente Carlos de Lemos foi condecorado pelo Estado de Timor-Leste e pelo governo australiano com a Ordem da Austrália, assim como pelo Município de Melgaço com a atribuição da medalha de Cidadão de Mérito.

Uma das figuras mais conhecidas da comunidade luso-australiana, o exemplo de vida do comendador Carlos de Lemos, devotado paladino da cultura e história portuguesa no continente-ilha, relembra-nos a interpelação de Nelson Mandela: “Será que alguém pensa genuinamente que se não conseguiu algo foi por não ter tido o talento, a força, a resistência e a determinação nesse sentido?”.

DAVID OLIVEIRA: O EXEMPLO DE UM “SELF-MADE MAN” LUSO-AMERICANO

  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças a capacidades extraordinárias de trabalho, mérito e resiliência, destaca-se o percurso de sucesso do empresário e dirigente associativo David Oliveira, umas das figuras mais proeminentes da comunidade luso-americana em Yonkers, a quarta maior cidade do estado de Nova Iorque.

Natural da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, concelho de Ourém, David Oliveira emigrou na década de 1980 para os Estados Unidos da América, na esperança de vir a construir um futuro melhor numa época em que Portugal vivia uma crise profunda, com níveis de inflação e de desemprego elevados. A chegada ao território americano, no início da idade adulta, adveio após passagem da fronteira com o México, tendo-se estabelecido na cidade de Yonkers, burgo do estado de Nova Iorque, onde encontraria trabalho como serralheiro no ramo das estruturas metálicas.

Atividade profissional, em que celeremente começou a trabalhar por conta própria, e cuja técnica, conhecimentos precisos e específicos o catapultou para um renomado empresário da metalurgia alicerçado na sua empresa de sucesso, a Westchester Metal Works Inc., fundada no alvorecer dos anos 90 e que hoje emprega cerca de meia centena de funcionários.

Entre as obras mais emblemáticas do self-made man luso-americano, muitas delas em Manhattan, o distrito mais conhecido e importante de Nova Iorque, encontram-se o restauro do carrossel de Coney Island, uma das incontornáveis atrações do Luna Park, na “Big Apple”, ou o restauro do Fulton Market.

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O empresário e dirigente associativo luso-americano David Oliveira, com o Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, em 2018 no âmbito da Gala anual da PUSCC, no Harvard Club em Nova Iorque 

Empresário e empreendedor com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, o sucesso que o emigrante oureense alcançou têm sido acompanhados de um apoio constante à comunidade luso-americana em Yonkers. Cidade onde tem sido no decurso dos últimos anos, um dos principais dinamizadores do Centro Comunitário Português, uma das mais ativas associações luso-americanas, conhecida pela sua escola portuguesa, bar, restaurante, sala de festas, rancho folclórico e clube de futebol, e que tem sido frequentemente distinguido pelo Conselho Municipal.

Nunca esquecendo as suas raízes, frequentemente visita o seu torrão natal, e ainda em 2019 no âmbito das cerimónias do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Estado de Nova Iorque, na qualidade de presidente do Clube de Yonkers, recebeu a delegação dos bombeiros de Ourém, na comemoração do 40.º aniversário da Fanfarra, aos EUA, o percurso de vida do empresário luso-americano David Oliveira recorda-nos a máxima do arquiteto Frank Lloyd Wright: “Eu sei o preço do sucesso - dedicação, trabalho duro, e uma incessante devoção às coisas que você quer ver acontecer”.

HAVAI: HISTÓRIAS DE PORTUGALIDADE

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado sábado (15 de outubro), o Centro Cultural John Dos Passos, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura, através da Direção Regional da Cultura da Madeira, que homenageia desde o alvorecer do séc. XXI o escritor americano com raízes lusas e localizado no centro da vila da Ponta do Sol, promoveu o evento “Havai: histórias de portugalidade”.

A iniciativa, aberta à comunidade, incluiu a projeção dos documentários “Mandem saudades”, realizado em 1997, do jornalista de cinema, escritor e apresentador de televisão, Mário Augusto, e “Portuguese in Hawaii”, rodado em 2018, pelo realizador luso-descendente Nelson Ponta-Garça, assim como um painel com intervenientes em presença e também online desde o Havai.

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O painel presencial e online no decurso do evento “Havai: histórias de portugalidade” no Centro Cultural John Dos Passos

No painel, moderado pelo coordenador do Centro Cultural John dos Passos, Bernardo de Vasconcelos, participaram, presencialmente, além de Mário Augusto e Nelson Ponta-Garça, que apresentaram livros de sua autoria concebidos no âmbito dos documentários; Daniel Bastos, autor do livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”, já em segunda edição, que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo; Danny Abreu, descendente de madeirenses, da ilha de Oahu e de visita à Madeira propositadamente nesta altura para este evento, e que está atualmente envolvido na dinamização do Centro Histórico e Cultural Português no arquipélago americano; e Susana Caldeira, investigadora madeirense que tem centrado o seu trabalho na emigração de naturais da Pérola do Atlântico para o Havai.

Participaram também no painel, mas em formato online desde o Havai, Audrey Rocha Reed, descendente de madeirenses e com um papel fundamental na preservação da cultura lusa através do Centro Cultural Português e do Heritage Hall em Maui; Tyler Dos Santos-Tam, cônsul honorário de Portugal em Honolulu; e Paul Neves, havaiano a residir em Hilo, neto de emigrantes madeirenses e mestre de dança Hula.

Numa fase em que se perspetiva a curto prazo a assinatura de um acordo de geminação entre a Região Autónoma da Madeira e o Estado do Havai. A iniciativa promovida pelo Centro Cultural John Dos Passos, e que contou na sessão de encerramento com a presença do Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, teve o condão de homenagear os cerca de 27 mil portugueses que, no final do século XIX e até 1913, muitos deles madeirenses, fizeram uma longa rota de emigração para o meio do Pacífico, e cujos milhares de descendentes são hodiernos pilares da sociedade havaiana.

Concomitantemente, esta linha de ação do Centro Cultural John Dos Passos, mormente o da diáspora madeirense, ao salientar a importância do fenómeno emigratório num território em que muitos dos seus naturais se encontram espalhados por nações como a África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, França, Reino Unido ou Venezuela. Lança quiçá, as bases vindouras para a dinamização, por exemplo, no Centro Cultural John Dos Passos, de um núcleo museológico no arquipélago, que possa homenagear, estudar, preservar e comunicar as expressões materiais e simbólicas da emigração madeirense, que pelas suas enormes potencialidades culturais e turísticas seria seguramente uma mais-valia para a região e para o país. 

DANIEL BASTOS APRESENTOU NA MADEIRA LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

No passado sábado (15 de outubro), foi apresentado na Madeira, o livro “Crónicas-Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

A obra, já na segunda edição, prefaciada pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e que reúne as crónicas que o escritor e historiador fafense Daniel Bastos tem escrito nos últimos anos em diversos meios de comunicação dirigidos para diáspora, foi apresentada no Centro Cultural John Dos Passos, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura da Madeira.

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O historiador Daniel Bastos no decurso da sessão de apresentação no Centro Cultural John Dos Passos

A sessão de apresentação, que decorreu no âmbito do ciclo de conferências “Havai: histórias de portugalidade”, no qual o investigador abordou a dinâmica associativa, cultural e histórica de várias instituições e personalidades ligadas à diáspora madeirense vertidas em várias crónicas do seu mais recente livro, contou ainda com a participação do jornalista de cinema, escritor e apresentador de televisão, Mário Augusto, e do escritor e realizador luso-descendente Nelson Ponta-Garça.

Historiador, professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

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JOSÉ CESÁRIO ABORDOU OS PROBLEMAS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA DURANTE INICITIVA DA CÂMARA DE COMÉRCIO DA REGIÃO DAS BEIRAS

  • Crónica de Ígor Lopes

“Somos um país de emigrantes, já é tempo de sabermos lidar com os problemas da emigração. Mas, temos avanços e recuos nas políticas do país. Ainda não temos, por exemplo, uma diplomacia económica que nos permita captar investimento de uma geração de emigrantes que são economicamente possantes nos países onde vivem”, defendeu José Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, durante mais uma edição de “Dois pratos de conversa com…”, evento promovido pela Câmara de Comércio da Região das Beiras, deste vez em Amarante, no último dia 8 de outubro.

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O antigo deputado eleito pelo círculo de Fora da Europa e atual Secretário Nacional do Partido Social Democrata (PSD) para as Comunidades Portuguesas criticou ainda “o excesso de burocracias” que se colocam a emigrantes que querem investir em Portugal.

“Deviam ser apoiados, não afastados com burocracias e constantes alterações de leis”, frisou este responsável.

Alguns luso-brasileiros que participaram no almoço deram também exemplos de dificuldade no reconhecimento de títulos académicos, algo que trava a entrada de profissionais credenciados que o país necessita.

Outros empresários mostraram a dificuldade em legalizar trabalhadores, quando lutam com dificuldades de pessoal para fazerem avançar os seus investimentos.

Segundo Ana Correia, presidente da CCRB, José Cesário é um “forte conhecedor da diáspora portuguesa e mostrou a sua vasta experiência no campo das políticas públicas voltadas para as Comunidades Portuguesas e se disponibilizou para colaborar com a CCRB, já que a nossa entidade tem vários protocolos assinados com entidades que atuam nas comunidades portuguesas dentro e fora da Europa”.

O almoço, que decorreu na Quinta do Outeiro de Baixo, em Amarante, com o apoio da autarquia local, ficou marcado ainda pelo encontro de várias entidades, empresários e autarcas como Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu, que deu conta da força migratória que chegou ao seu município e que tem aumentado a população e o número de empresas instaladas. A CCRB já sinalizou que o próximo encontro empresarial deverá decorrer em Viseu.

Neste evento, esteve também presente Aristides Gomes, ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, o vice-presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da mesma autarquia, Pedro Cunha, bem como empresários como Manuel Pinheiro, CEO do Porto Coliseum Hotel e do restaurante O Gaveto; Pedro Renan, CEO da PRTE Tecnologias e Soluções; Fabiano de Abreu, neurocientista e empresário luso-brasileiro; Bruno Gutman, diretor da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX); António Carlos, premiado pela atuação no ramo imobiliário, dentre outros nomes que movimentam o turismo e o movimento associativo e empresarial em Portugal.

Segundo apurámos, a CCRB está a preparar a receção de um representante da Câmara de Comércio de Santa Catarina, Brasil, que, no final do mês de outubro, deverá correr o tecido empresarial da zona Centro para identificar oportunidades de investimento. Estão já previstas reuniões com algumas CIM’s e Câmara Municipais.

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GALERIA DOS PIONEIROS PORTUGUESES: UM ESPAÇO DE MEMÓRIA DA EMIGRAÇÃO LUSA NO CANADÁ

  • Crónica de Daniel Bastos

Fundada em 2003 pelos emigrantes lusos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel DaCosta, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.

1- Daniel Bastos

Conquanto a presença regular de portugueses neste território da América do Norte remonte ao início do séc. XVI, a emigração lusa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes portugueses.

Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo. 

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade lusa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel DaCosta, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel DaCosta, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente galardoa portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades lusas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro.

COMUNIDADE PORTUGUESA EM PARIS ACOLHE EXPOSIÇÃO DO ARTISTA FAFENSE ORLANDO POMPEU

  • Crónida de Daniel Bastos

No passado sábado (8 de outubro), no âmbito do lançamento da segunda edição do livro “Crónicas-Comunidades, Emigração e Lusofonia”, foi inaugurada na Pastelaria Belém, um espaço icónico da comunidade luso-francesa em Paris, uma exposição do mestre-pintor Orlando Pompeu dedicada à temática da emigração portuguesa.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro), acompanhado de Paulo Pisco (esq.), deputado eleito pelo Círculo da Europa, e dos empresários luso-franceses, Manuel Pinto Lopes e Natália Martins, e do dirigente associativo Parcídio Peixoto, no decurso da inauguração da exposição de Orlando Pompeu na Pastelaria Belém

A curadoria da exposição esteve a cargo do historiador e escritor Daniel Bastos, autor da obra e que tem divulgado os trabalhos do artista plástico junto da diáspora. Composta por mais de uma dezena de desenhos concebidos propositadamente para o livro, a exposição de Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, está patente à comunidade luso-francesa durante os próximos meses. 

No decurso da iniciativa cultural, que se encheu de membros da comunidade portuguesa em Paris, Daniel Bastos, que agradeceu a sensibilidade de Natália Martins, proprietária da Pastelaria Belém para a realização de uma exposição que honra e dignifica os emigrantes portugueses, justificou a ausência do mestre-pintor por compromissos de agenda. Assegurando o mesmo, que os desenhos expostos refletem um estilo pictórico singular, heterogéneo, criativo e contemporâneo.

Refira-se que Orlando Pompeu, detentor de uma obra que está representada em variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Suíça, Inglaterra, Alemanha, Croácia, Austrália, Brasil, México, Dubai, Canadá, Itália, EUA e Japão, recebe no próximo dia 16 de outubro, em Paris, o Diploma de Membro e a Medalha de Bronze da Academia Francesa das Artes, Ciências e Letras.

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DANIEL BASTOS APRESENTOU EM PARIS LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Na passada quinta-feira (6 de outubro), foi lançada junto da comunidade portuguesa em Paris, a segunda edição do livro “Crónicas-Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

A segunda edição da obra, revista e aumentada, que reúne as crónicas que o historiador Daniel Bastos tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, foi apresentada no Consulado Geral de Portugal em Paris.

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O historiador Daniel Bastos (ao centro), acompanhado de Paulo Pisco, deputado eleito pelo Círculo da Europa, e dos empresários luso-franceses, Manuel Pinto Lopes e Natália Martins, no decurso da sessão de apresentação na capital francesa

A sessão de apresentação, que encheu o salão Eça de Queirós, no Consulado Geral de Portugal em Paris, de emigrantes, lusodescendentes, empresários, dirigentes associativos, autoridades consulares e órgãos de informação da diáspora, esteve a cargo de Paulo Pisco, deputado eleito pelo Círculo da Europa, que destacou o livro como “um trabalho extraordinário que compila pedaços dispersos da memória dos portugueses no mundo”. Segundo o deputado, Daniel Bastos tem contribuído ao longo dos últimos anos para “a valorização e dignificação da emigração portuguesa, uma força transformadora com enorme potencial económico, cultural, político e linguístico”.

Nesta segunda edição da obra, composta por mais de duas centenas de crónicas, e prefaciada pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, o escritor e historiador revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem.

Refira-se que ao longo deste e do próximo ano, estão previstas várias sessões de apresentação do livro, cuja capa é assinada pelo mestre-pintor Orlando Pompeu, junto das comunidades portuguesas. E que a segunda edição da obra deveu-se ao mecenato de empresas e instituições da diáspora que partilham uma visão de responsabilidade social e um papel de apoio à cultura.

Historiador, professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

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FAFE ACOLHEU A 32ª CONFERÊNCIA ANUAL DA ASSOCIAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES EUROPEIAS DE MIGRAÇÃO (AEMI)

  • Crónica de Daniel Bastos

Entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro, decorreu a 32ª. Conferência Anual da AEMI - Associação das Instituições Europeias de Migração, uma rede de quarenta organizações europeias, fundada na Alemanha em 1991, que trabalham no campo da História das Migrações.

Este ano, a conferência, subordinada à temática "Refúgio e Acolhimento - Caminhos para a Inserção", teve lugar no concelho de Fafe, uma cidade do interior norte de Portugal, situada no distrito de Braga, no coração do Minho, que desde o início do séc. XXI alberga o Museu das Migrações e das Comunidades. Um espaço museológico que integra a AEMI, e cuja missão assenta no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil do século XIX e primeiras décadas do XX, e na emigração para os países europeus da segunda metade do século XX.

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A Presidente da AEMI, Cathrine Kyø Hermansen, no decurso da abertura da 32.ª Conferência Anual em Fafe

No decurso dos três dias da conferência anual, dezenas de investigadores e especialistas provenientes de países como Espanha, Eslovénia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Luxemburgo, Polónia, Itália, Finlândia e Portugal, analisaram e debateram temáticas prementes e comuns, mormente eixos de investigação e trabalho relacionados com migrações, asilo, fronteiras e refugiados.

Como foi o caso, por exemplo, do Município de Fafe que apresentou no decorrer da iniciativa, o programa de acolhimento criado para refugiados ucranianos que foram recebidos no concelho poucas semanas após o início do conflito. Por esta altura a “Sala de Visita do Minho”, na esteira de várias localidades no território nacional, acolhe várias famílias e cidadãos ucranianos que já se encontram perfeitamente integrados, tendo providenciado, entre outros mecanismos de suporte, cursos de português, colocação das crianças nas escolas locais e apoio à entrada dos jovens no ensino superior, entre muitas outras ações de apoio social e saúde implementadas em articulação com os programas nacionais.

Num período em que o número de ucranianos que deixaram o seu país desde a invasão russa ultrapassa já os 6,8 milhões, tornando-se a mais grave crise de refugiados da atualidade. E que o mundo vive imerso nas implicações socioeconómicas do conflito, a 32.ª Conferência Anual da AEM, assim como a onda portuguesa de solidariedade com a Ucrânia, que perpassa o país de Norte a Sul, robustecem o apelo lançado recentemente pelo Papa Francisco no âmbito Dia Mundial do Migrante e Refugiado: “a construção dum mundo onde todos possam viver em paz e com dignidade”.

CCRB CONVIDA JOSÉ CESÁRIO PARA NOVA EDIÇÃO DA INICIATIVA “DOIS PRATOS DE CONVERSA…” EM AMARANTE

  • Crónica de Ígor Lopes

A Câmara do Comércio da Região das Beiras (CCRB) vai promover no dia 8 de outubro, às 12h, na Quinta do Outeiro de Baixo, em Amarante, uma nova edição da iniciativa “Dois Pratos de Conversa com…”, que visa promover iguarias regionais e as potencialidades das Beiras.

O convidado de honra deste encontro será José Cesário, Coordenador do Secretariado Nacional do PSD para as Comunidades Portuguesas, “um nome bastante conhecido no seio da diáspora lusa”, uma vez que já foi Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito, por diversas vezes, pelo círculo de Fora da Europa. O prato que irá acompanhar a conversa é a “Vitela Assada” e os doces conventuais de Amarante.

A ideia desta nova edição do projeto “Dois Pratos de Conversa com…”, que é já reconhecido a nível nacional, segundo Ana Correia, presidente da CCRB, é “abordar o atual cenário das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, as dificuldades pelas quais passam esses cidadãos, as políticas públicas necessárias e em destaque, bem como a internacionalização de empresas atuantes em vários setores”.

Estarão presentes autarcas, empresários e membros de entidades comerciais, turísticas, culturais e associativas.

Sobre a CCRB

A CCRB, cuja sede está localizada na região das Beiras, tem protocolos institucionais assinados com entidades nacionais, mas também internacionais, incluindo as que atuam nas comunidades portuguesas dentro e fora da Europa.

No âmbito da iniciativa “Dois Pratos de Conversa com…”, a Câmara do Comércio da Região das Beiras pretende promover o que de melhor a terra das Beiras tem e que gera riqueza para os concelhos, sendo potenciador de um turismo identitário e autêntico. Nas edições passadas de “Dois pratos de conversa com…”, foram intervenientes principais José Maria Costa, Secretário de Estado do Mar de Portugal, e a escritora portuguesa Deana Barroqueiro.

Informações sobre inscrições podem ser obtidas através do e-mail ccrbeiras@gmail.com

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DANIEL BASTOS LANÇA SEGUNDA EDIÇÃO DE LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM PARIS

No próximo dia 6 de outubro (quinta-feira), o escritor e historiador Daniel Bastos lança junto da comunidade portuguesa em Paris, a segunda edição do seu mais recente livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

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A segunda edição da obra, agora revista e aumentada dada a anterior se encontrar esgotada, e que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, é apresentada às 18h30 no Consulado-Geral de Portugal em Paris.

A apresentação do livro, que é prefaciado pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e conta com posfácios de Maria Beatriz Rocha-Trindade, Presidente da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, e de Isabelle Oliveira, Presidente do Instituto do Mundo Lusófono, estará a cargo de Paulo Pisco, deputado eleito pelo Círculo da Europa.

Nesta nova obra, composta por mais de duas centenas de crónicas, e realizada com o apoio da Sociedade de Geografia de Lisboa - Comissão de Migrações, uma das mais relevantes instituições culturais do país, Daniel Bastos pretende dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que, por razões muito diversas, saíram de Portugal.

Através de uma assumida visão de compromisso com os emigrantes, o autor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem. Como é o caso da comunidade lusa em França, a mais numerosa das comunidades portuguesas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoas.

Refira-se que a capa da obra é assinada pelo mestre-pintor Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade. E que no âmbito da ilustração do livro, no dia 8 de outubro (sábado), às 15h00, será inaugurada na Pastelaria Belém, um espaço icónico da comunidade luso-francesa em Paris, uma exposição cuja curadoria estará a cargo do escritor e historiador, alusiva aos desenhos concebidos propositadamente para a obra.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

EMIGRANTE BENEMÉRITO LUSO-AMERICANO HOMENAGEOU BOMBEIROS DE VIDAGO

  • Crónica de Daniel Bastos

Na passada quinta-feira (22 de outubro), o emigrante benemérito luso-americano John Guedes, natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, homenageou a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago.

Empresário de sucesso há mais de 40 anos em Bridgeport, a cidade mais populosa do estado americano do Connecticut, onde gere uma firma de arquitetura especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos, o arquiteto luso-americano tem mantido um constate apego à região trasmontana, torrão a quem devota um constante sentimento benemérito.

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O emigrante benemérito luso-americano John Guedes (ao centro), no decurso do jantar-convívio de homenagem aos Bombeiros de Vidago, acompanhado do vereador flaviense, Nuno Chaves, do presidente dos Bombeiros de Vidago, Francisco Oliveira (esq.) e do historiador Daniel Bastos (dir.)

Como é o caso da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, a quem já apoiou com a compra de um monitor de sinais vitais para equipar uma ambulância, assim como de uma ambulância de emergência e de uma ambulância de transporte múltiplo (ABTM).

Tendo sido já condecorado com a medalha de prata da Associação Humanitária, John Guedes promoveu nessa noite um jantar-convívio no Hotel Rural Quinta de Samaiões, em Chaves, onde ofereceu aos órgãos sociais da corporação. Assim como, às forças vivas da sua terra natal, uma recordação em prata, enaltecendo o papel da corporação que desenvolve a sua atividade em várias freguesias, a sul do concelho de Chaves, distrito de Vila Real.

Refira-se que no final do jantar-convívio promovido pelo emigrante benemérito, que contou com a presença de Nuno Chaves, Vereador da Câmara Municipal de Chaves, e de Daniel Bastos, historiador com várias obras ligadas à emigração portuguesa, o Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, Francisco Oliveira, agradeceu o gesto de John Guedes, e a sua constante generosidade em prol da Associação Humanitária e das populações locais.

GÉRALD BLONCOURT: O FOTÓGRAFO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA “A SALTO”

  • Crónica de Daniel Bastos

A breve trecho assinalam-se quatro anos desde o falecimento do saudoso fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt (1926-2018), um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado recente.

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Gérald Bloncourt (1926-2018)

Colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, o antigo fotojornalista que esteve radicado em Paris mais de meio século, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Igualmente relevantes são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as dos primeiros dias de liberdade em Portugal, como as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, acontecimento que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração e a génese da democracia portuguesa constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história nacional que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o aclamado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

FAFE: O CENTENÁRIO JARDIM DO CALVÁRIO – UMA OBRA DE UM BENEMÉRITO “BRASILEIRO DE TORNA-VIAGEM”

  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transatlântico que se prolongou de meados do século XIX até ao primeiro quartel do século XX, e que teve como principal destino o Brasil.

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Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Norte de Portugal.

Como é o caso paradigmático de Fafe, uma cidade situada no distrito de Braga, no coração do Minho, cujo desenvolvimento contemporâneo teve um forte cunho de emigrantes locais enriquecidos no Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX.  

Entre as várias iniciativas de natureza empreendedora e filantrópica dos emigrantes “brasileiros” de Fafe, destaca-se a construção do Jardim Público, símbolo do romantismo, conhecido como o Jardim do Calvário que assinala este ano o seu 130.º aniversário.

Concluído em 1892, num local onde existiu a capela do Senhor do Calvário, o Jardim do Calvário, um espaço público de cultura, lazer e recreio que abrange uma localização privilegiada no centro da Sala de Visitas do Minho, e é caraterizado pela frondosa arborização, um lago curvilíneo com ponte e um coreto de estilo Arte Nova, deve a sua construção ao “brasileiro” comendador Albino de Oliveira Guimarães, uma das personagens mais influentes na comunidade portuguesa do Rio de Janeiro no último quartel do séc. XIX.

Natural da freguesia de Golães, concelho de Fafe, Albino de Oliveira Guimarães nasceu em setembro de 1833. Emigrou, para o Rio de Janeiro, em 1847, com 14 anos de idade, regressando definitivamente ao torrão natal, por volta de 1890, vindo a falecer em 6 de março de 1908, com 74 anos de idade.

Desde a sua chegada à metrópole carioca começou a trabalhar como caixeiro na casa comercial de António Mendes Oliveira Castro, também natural de Fafe, que se dedicava ao ramos de ferragens, drogarias e materiais de construção civil e para quem levava carta de recomendação, vindo a ser o seu braço direito e seu futuro genro.

Em 1858, casou com Luiza Mendes de Oliveira Castro, filha do patrão e influente capitalista, e de Castorina Angélica de Jesus Alves Pereira, senhorios da propriedade rural da Chácara dos Macacos, propriedade que hoje abriga a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Atualmente, uma das mais importantes instituições brasileiras de cultura e preservação de documentos com acervos inscritos no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO.

 No trajeto de retorno o comendador Albino de Oliveira Guimarães, cuja ação foi essencial na instituição do Hospital de São José, teria ainda um papel importante na Fundação dos Bombeiros, na edificação da Igreja Nova e na construção do Jardim do Calvário.

Na esteira da memória do saudoso historiador e professor Miguel Monteiro, um dos mais reputados investigadores no campo do estudo dos “brasileiros de torna-viagem” na região noroeste do continente português, e em particular, no concelho de Fafe, ao comendador Albino de Oliveira Guimarães ”ficou a dever-se o financiamento da construção do Passeio Público de Fafe, cujo contrato foi assinado em 2 de Março de 1890 com Domingues Fernandes e Francisco Pereira”. Tendo a inauguração sido efetuada “ em 1892, com a ausência em Lisboa do seu financiando, tendo aCâmara deliberado mandar agradecer por telegrama ao Comendador a obra que promovera”.

Um local de eleição e de fruição para a comunidade local, e para todos que visitam o território, que como destaca o “alma mater” do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, no artigo O Museu da Emigração e os “Brasileiros” do Rio: o públicoe o privado na construção de modernidade em Portugal, constitui “um símbolo do romantismo português. Este espaço apresenta características idênticas aos que se encontram na Casa de Rui Barbosa e no Palácio que hoje é Museu da República no Rio de Janeiro: o lago curvilíneo, as pontes e guardas naturalista e os gradeamentos, dando ao espaço protecção e isolando-o do espaço exterior”.

DANIEL BASTOS APRESENTOU NO PORTO LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Foi ontem apresentado no Porto, o livro “Crónicas-Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

A obra, prefaciada pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e que reúne as crónicas que o escritor e historiador Daniel Bastos tem escrito nos últimos anos em diversos meios de comunicação dirigidos para Diáspora, foi apresentada na FNAC de Santa Catarina, na capital do norte de Portugal.

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O historiador Daniel Bastos (esq.), acompanhado do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, no decurso da sessão de apresentação na capital do norte de Portugal

A sessão de apresentação, que contou com a presença no Fórum da FNAC de Santa Catarina, no Porto, de dirigentes associativos e culturais, investigadores, empresários e emigrantes, esteve a cargo do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, que assegurou que as “constatações, descrições e muitíssimas opiniões dadas nesta obra” contribuem para “melhorar e valorizar os portugueses espalhados pelo mundo, ou seja, valorizar Portugal”. O antigo proprietário da Livraria Orfeu, em Bruxelas, destacou o percurso do autor na promoção e dignificação das comunidades portuguesas, apontando que este “tem sido de uma utilidade notável ao acentuar esse factor civilizacional dos nossos no mundo e este livro é disso mais uma prova”.

Refira-se que neste novo livro, composto por cerca de centena e meia de crónicas, e realizado com o apoio da Sociedade de Geografia de Lisboa - Comissão de Migrações, uma das mais relevantes instituições culturais do país, Daniel Bastos revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

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O historiador Daniel Bastos

JOHN GUEDES: UM LUSO-AMERICANO DE SUCESSO COM APEGO ÀS RAÍZES TRANSMONTANAS

  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

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No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada nos EUA e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o exemplo inspirador de empreendedorismo e benemérito de John Guedes.

Natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, João Guedes emigrou para a América no alvorecer da década de 1960, com 10 anos de idade. Numa época em que o fardo da pobreza, da interioridade e a estreiteza de horizontes na região trasmontana durante o Estado Novo compeliu uma forte vaga migratória para o centro da Europa e para a América.

Detentor de um percurso educacional que computou nos anos 70 a formação académica em arquitetura no Norwalk State College, na cidade de Norwalk, no estado americano do Connecticut, John Guedes fundou no ocaso dessa década a Primrose Companies. Uma empresa de arquitetura e construção, sediada em Bridgeport, a cidade mais populosa do Connecticut, com cerca de meia centena de trabalhadores e especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos no Connecticut e em Nova Iorque.

Com mais de mais de 40 anos de experiência e sucesso no setor da construção e design, o arquiteto luso-americano tem mantido um constate apego à região trasmontana, torrão a quem devota um extraordinário sentimento benemérito. Na sua aldeia natal, onde regressa amiúde, entre outros exemplos notáveis de filantropia, pagou o terreno onde está o campo de futebol, financiou a abertura de um caminho e a construção de um parque de lazer, patrocina jornadas culturais e doou cem mil euros para a construção da sede da associação cultural local.  

O espírito generoso de John Guedes tem-se estendido também, por exemplo, ao longo dos últimos anos, ao Patronato de São José, em Vilar de Nantes, uma instituição flaviense de solidariedade que acolhe crianças do sexo feminino. E à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, a quem já apoiou com a compra de um monitor de sinais vitais para equipar uma ambulância, assim como de uma ambulância de emergência e de uma ambulância de transporte múltiplo (ABTM).

Contexto que levou a corporação, que desenvolve a sua atividade em várias freguesias, a sul do concelho de Chaves, distrito de Vila Real, a atribuir ao arquiteto luso-americano na primeira década do séc. XXI a medalha de prata da Associação Humanitária.

Ilustre filho da terra transmontana, o exemplo de vida do arquiteto luso-americano John Guedes, lembra-nos o excerto do poema “Da minha aldeia” de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa: “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo.../ Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer/ Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura...”.