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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

BLOGUE DO MINHO

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PETER FRANCISCO, O HERÓI PORTUGUÊS DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

  • Crónica de Daniel Bastos

No passado dia 4 de julho, assinalou-se o Dia da Independência dos Estados Unidos da América, um dos principais, senão mesmo o principal feriado da nação norte-americana, que evoca a Declaração de Independência de 1776, ano em que as Treze Colónias declararam a separação formal do Império Britânico.

Daniel Bastos

O processo de independência dos EUA, ao corporalizar as aspirações à emancipação dos povos, ao triunfo dos direitos inalienáveis do homem, designadamente o direito à vida, liberdade, felicidade e segurança, constituiu um marco indelével para a humanidade. Nesse arrojado processo, abalizado pela Guerra da Independência, iniciada em 1775 entre os colonos americanos e a Coroa Inglesa, e o reconhecimento da emancipação com o Tratado de Versalhes em 1783, destaca-se a figura heroica do português Peter Francisco, a quem chamaram “o Gigante da Virgínia”, “o Gigante da Revolução”, “o Hércules da Virgínia”.

Pedro Francisco ou Peter Francisco terá nascido a 9 de Julho de 1760, na freguesia de Porto Judeu, na Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores, de onde foi raptado ainda em criança por corsários que o abandonaram na costa norte-americana. Após passar pelo orfanato de Prince George County, foi acolhido pelo juiz Anthony Winston, magistrado que em março de 1775 participou na Convenção da Virgínia, acompanhado do seu protegido de raízes lusas.

Com uma imponente estampa física de mais de dois metros altura e cem quilos de peso, Peter Francisco, desde cedo decidiu combater pela independência dos Estados Unidos, alistando-se no 10º Regimento de Virgínia, às ordens de George Washington, que viria a ser o primeiro Presidente dos EUA, distinguindo-se nas várias baralhas em que participou pelos seus atos de heroísmo e bravura.

Quando ainda recentemente as comunidades portuguesas de Boston e Providence acolheram as comemorações oficiais do Dia de Portugal, e o Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se a Washington para uma visita oficial que contou com um encontro com o Presidente dos EUA, Donald Trump, a figura heroica de Peter Francisco é um elo histórico memorável dos laços entre Portugal e os Estados Unidos da América.

SÃO PAULO (BRASIL): UM BERÇÁRIO DE PORTUGUESES NO MUNDO

  • Crónica de Daniel Bastos

A imprensa lusófona divulgou recentemente que o Consulado Geral de Portugal em São Paulo, maior cidade do Brasil, do continente americano e do mundo de língua portuguesa, foi ao longo dos últimos dois anos um espaço proficiente na atribuição da nacionalidade portuguesa.

Daniel Bastos

Nas palavras do Cônsul-geral de Portugal em São Paulo e Mato Grosso do Sul, Paulo Lourenço, que se encontra de despedida do posto, "este consulado tem sido o grande berçário de portugueses no mundo." A afirmação concludente do diplomata é sustentada na realidade dos números que indicam que o posto paulista foi o serviço consular que mais atribuiu cidadanias portuguesas no mundo, cerca de 50 mil desde 2016.

Este aumento da procura de pedidos de nacionalidade portuguesa no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, em linha com o número cada vez maior de descendentes de portugueses a querer obter a dupla nacionalidade, está intrinsecamente ligado à situação de instabilidade política, económica e social que atravessa o Brasil. Como advertia no início deste ano Ricardo Amaral, presidente da Associação Brasileira de Portugal, “Hoje quem tem algum dinheiro só quer sair do Brasil, pois quando sai de casa de manhã não sabe se volta à tarde”.

Esta procura da nacionalidade portuguesa em terras de Vera Cruz, facilitada pela língua comum, a proximidade entre culturas e a aprovação em 2017 da lei que atribui dupla nacionalidade a cidadãos descendentes em segundo grau de nacionalidade portuguesa, é paralela ao aumento de imigrantes brasileiros no território nacional, tanto que a nacionalidade brasileira mantém-se como a maior comunidade estrangeira residente em Portugal, com mais de 80 mil residentes.

A redescoberta de Portugal por parte dos nossos irmãos brasileiros, malgrado o contexto de profunda crise em que vive atualmente imerso o Brasil, não pode deixar de constituir uma oportunidade importante para a Pátria de Camões, uma das nações mais envelhecidas da União Europeia e do Mundo, começar a inverter o declínio populacional que se tem observado nas últimas décadas, assim como um ensejo relevante para o equilíbrio da balança migratória, e um catalisador fulcral no campo do desenvolvimento social, económico e cultural.

COMUNIDADE BRACARENSE DE SAINT-BRIEUC MERECE O EMPENHO DO MUNICÍPIO DE BRAGA

Delegação de Saint-Brieuc visita Braga.

Uma delegação da cidade francesa de Saint-Brieuc, liderada pela presidente da Câmara, Marie-Claire Diouron, foi recebida esta quarta-feira pelo presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, tendo o Autarca destacado que “é importante conhecer e aprofundar relações com esta região onde vivem tantos Bracarenses”.

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Situada na Bretanha, no Norte da França, Saint-Brieuc possui uma forte comunidade portuguesa, com especial incidência de Braga, de onde são oriundas mais de duas mil pessoas. Este facto foi o que levou os dois municípios a assinarem uma carta de amizade em 2016, tendo Braga já participado no ano passado numa feira de turismo em Saint-Brieuc, estando neste momento previstas mais iniciativas de conjuntas.

Ricardo Rio destacou a “importância que Saint-Brieuc tem para Braga, pois é essencial ter relações com as cidades que no estrangeiro recebem os Bracarenses que decidem emigrar. É por isso que em 2016 considerámos fundamental estabelecer relações com Saint-Brieuc, quando assinámos a carta da amizade e pretendemos aumentar ainda mais os laços de cooperação entre as duas cidades”. Este encontro serviu também para aprofundar o conhecimento entre os responsáveis autárquicos dos dois territórios. 

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A presidente da Câmara de Saint-Brieuc reforçou a importância de Braga para a cidade francesa, sobretudo porque “a comunidade portuguesa, incluindo a Bracarense, é muito relevante para vida económica, social e cultural, estando complemente integrada na sociedade e constituindo uma enorme mais-valia para toda a região”. Daí, realçou Marie-Claire Diouron, “considerámos fundamental vir a Braga para a conhecer e as suas instituições, para podermos preparar melhor os próximos passos”.

No futuro, espera-se que as relações entre as duas cidades aumentem, tendo ficado acordado manter canais de comunicação activos e criar programas de intercâmbio na área da juventude, da cultura e da economia.  Marie-Claire Diouron convidou também Ricardo Rio a visitar brevemente Saint-Brieuc, para conhecer a cidade e comunidade Bracarense residente.

Este encontro inseriu-se numa visita que esta delegação está a efectuar a Braga, tendo visitado diversas instituições da Cidade, como o Forum Braga, o INL ou o Lar de Idosos do Conde de Agrolongo, além de uma visita promovida pela Junta de Mire de Tibães a esta freguesia.

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EROSÃO, UM PROJETO COMUNITÁRIO DEDICADO À EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

Na freguesia de Cepães, uma freguesia do concelho de Fafe, situada no distrito de Braga, com intensa atividade industrial e aptidão agrícola, está a ser dinamizado um original projecto comunitário em rede que está a envolver toda a comunidade local em torno da história e memória da emigração. 

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Partindo dos percursos migratórios do final do século XIX e do século XX para o Brasil e França, assim como das expressões materiais e simbólicas do ciclo de retorno dos emigrantes que marcam indelevelmente a região do Vale do Ave. E em particular o concelho de Fafe, contexto que impeliu o município minhoto a instituir no início do séc. XXI o Museu das Migrações e Comunidades, o grupo local EnfimTeatro, núcleo dramático da Sociedade de Recreio Cepanense, está a desenvolver desde o primeiro trimestre de 2017 o projeto comunitário Erosão, tendo em vista a dinamização de atividades culturais nas áreas do teatro e cinema.

Tendo como objetivos capitais o desenvolvimento, formação, divulgação, produção e ação artística, cultural e educativa, através de um amplo, exigente e democrático acesso à cultura, o EnfimTeatro tem projetado em 2020 o lançamento do filme Erosão. Ano em que se celebrarão os 25 anos da morte de Miguel Torga, um dos mais influentes escritores portugueses do século XX, cujo percurso de vida e literário foi marcado pela sua experiência nos anos 20 como emigrante no Brasil.

No projecto Erosão, a comunidade é protagonista, e os termos viagem, emigração, esperança, utopia, tradições, memória, identidade e património são os pilares fundamentais da estrutura do argumento do filme que funciona simultaneamente como catalisador de uma rede cultural, porquanto a iniciativa conta com a colaboração de diversas instituições, associações e grupos comunitários.

Como sustentam os seus responsáveis, o projeto Erosão embrenha-se na comunidade, nas suas metamorfoses, linguagens, hábitos e tradições, comprometendo-se com as suas virtudes e dificuldades, ou seja, está vinculado com a paisagem, o património material e imaterial, as pessoas, enfim, o território.

Mais que uma abordagem singular ao fenómeno migratório, o projeto Erosão dinamizado pelo grupo comunitário EnfimTeatro, constitui uma necessária valorização da emigração portuguesa que é parte integrante da nossa história e da nossa identidade.

O OBSERVATÓRIO DOS LUSO-DESCENDENTES

  • Crónica de Daniel Bastos

Simbolicamente constituído no dia 10 de junho de 2010, o Observatório dos Lusodescendentes, assume-se como uma organização sem fins lucrativos e apartidária, que tem como principal objetivo identificar, unir, representar e apoiar os filhos de portugueses nascidos no estrangeiro (lusodescendentes) que optem por regressar a Portugal ou que, a residir nas comunidades da diáspora, queiram manter uma ligação com o país das suas origens.

1- Daniel Bastos

Na esteira do seu ideário, o Observatório demanda um movimento de cidadania positiva, de lusodescendentes para lusodescendentes, de Portugal para o resto do mundo, visando estreitar relações com as novas gerações e divulgar a identidade, cultura e língua portuguesas.

No âmbito da sua missão, a instituição organizou no decurso do mês passado, na Sociedade de Geografia de Lisboa, o Fórum Luso-Estudos "Temas atuais e perspetivas futuras".

A tertúlia, realizada num dos espaços emblemáticos da história contemporânea portuguesa, teve o condão de reunir mais de oito dezenas de lusodescendentes provenientes dos cinco continentes, assim como dos Embaixadores da França e do Luxemburgo, e o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que em conjunto refletiram sobre a lusodescendência.

Uma reflexão motivada essencialmente pela necessidade de constituir uma plataforma privilegiada para o diálogo e partilha de experiências e redes de contacto dos investigadores sociais e da comunidade científica sobre esta temática, procurando desse modo dar conhecer os  estudos existentes e a produzir, discutir a disseminação e divulgação dos resultados, aprofundar a importância das Comunidades Portuguesas, quer no desenvolvimento dos países em que se encontram inseridas, quer para a própria política externa nacional.

Numa época em que a afirmação internacional de Portugal é uma causa da sociedade portuguesa no seu todo, e uma condição sine qua non para o país prosseguir uma visão de futuro moderna e progressista, esta iniciativa dinamizada pelo Observatório dos Lusodescendentes demonstra o extraordinário ativo que os jovens lusodescendentes podem constituir ao nível da afirmação e inovação da pátria dos seus avoengos.

O TRUMPISMO DOS JOVENS LUSODESCENDENTES NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Daniel Bastos

  • Crónica de Daniel Bastos

Na sua recente passagem por Lisboa, para participar no Diálogo de Legisladores Luso-Americanos da FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento), o presidente do CPAC - Califórnia Portuguese American Coalition, um grupo de lóbi pró português criado em 2016, concedeu ao Diário de Notícias uma entrevista elucidativa sobre a realidade sociopolítica dos jovens lusodescendentes nos Estados Unidos.

Ao longo da entrevista num dos títulos incontornáveis no panorama da imprensa nacional, Diniz Borges, que é também professor e cônsul honorário de Portugal em Tulare, na Califórnia, manifesta a sua inquietude perante a forma como os jovens lusodescendentes nos Estados Unidos "entram num trumpismo que vai contra os princípios" portugueses.

Não se coibindo de criticar o discurso anti-imigração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável por “uma clivagem entre os imigrantes”, Diniz Borges, revela que ao mesmo tempo que se orgulham das suas raízes portugueses, muitos jovens lusodescendentes procuram passar uma mensagem que as histórias das suas famílias são diferentes das dos outros imigrantes, mormente dos hispânicos. Nas palavras do presidente do grupo de lóbi pró português na Califórnia "Tentam dizer que os pais ou os avós foram imigrantes mas não assim. Vieram legais".

A retórica e encantamento de jovens lusodescendentes pelo discurso anti-imigração está longe de ser um exclusivo da atual realidade norte-americana. A mesma encontra-se muito presente, por exemplo, em França, onde foi notória nas últimas eleições presidenciais a disposição de muitos jovens lusodescendentes para votarem na extrema-direita liderada por Marine Le Pen, que teve claramente em Donald Trump um aliado e uma motivação supletiva durante o ato eleitoral de abril de 2017.

Nesse sentido, a chamada de atenção de Diniz Borges, ele próprio filho de emigrantes açorianos, sobre a sedução do discurso populista de Donald Trump nos jovens lusodescendentes nos Estados Unidos, ou o feitiço de Marine Le Pen entre os jovens com raízes na comunidade portuguesa em França, tem que ser devidamente tido em conta e dissipado. As jovens gerações de lusodescendentes espalhadas pelos quatro cantos do mundo não podem olvidar que a história coletiva das suas raízes familiares entronca na clandestinidade, em vários casos, e na busca comum de uma vida melhor.

MANUEL NUNES, O INVENTOR DO UKULELE

  • Crónica de Daniel Bastos

O arquipélago da Madeira, cais singular de chegadas e partidas no oceano Atlântico, tem sido, ao longo da história portuguesa, um dos territórios nacionais mais fortemente marcado pelo fenómeno da emigração.

Daniel Bastos

Impelidos pelo desígnio de uma vida melhor coligida às necessidades de mão-de-obra por parte do mercado estrageiro, os madeirenses encontram-se espalhados pelos quatro cantos do mundo. Com particular incidência na África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, E.U.A., França, Reino Unido e Venezuela, onde reside atualmente uma das maiores comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo.

No quadro da presença histórica de madeirenses no mundo, como revela a investigadora Susana Caldeira, destaca-se o pioneirismo da chegada de naturais da pérola do Atlântico ao Havai, um dos cinquenta estados norte-americanos localizado num arquipélago em pleno Oceano Pacifico, cuja capital e maior cidade é Honolulu.  

Como sustenta Susana Caldeira na obra Da Madeira para o Hawaii: A Emigração e o Contributo Cultural Madeirense, a emigração portuguesa para este arquipélago norte-americano “começou com o primeiro grupo de 120 madeirenses que chegaram lá no dia 29 de Setembro de 1878, a bordo do navio Priscilla, respondendo a uma crescente demanda de mão-de-obra para as plantações de açúcar. Depois desse primeiro embarque, milhares de madeirenses seguiram o seu sonho de uma vida melhor no que eles chamavam a "Terra Nova". De longe, o maior grupo de portugueses era oriundo da Madeira tendo, assim, constituído o corpo principal dos antepassados da comunidade portuguesa”.

É nesta leva primitiva de portugueses para o Havai, que se enquadra a trajetória migratória do madeirense Manuel Nunes (1843-1922), marceneiro e fabricante, considerado o inventor oficial do ukulele, afamado instrumento musical havaiano. Figura incontornável da história da emigração madeirense no crepúsculo do séc. XIX, Manuel Nunes, tornou-se um dos mais importantes fabricantes de ukuleles e o seu inigualável labor manteve-se no mercado durante mais de quatro décadas, sendo que muitos dos seus instrumentos feitos à mão ostentam uma etiqueta onde se pode ler "M. Nunes, Inventor of the Ukulele and Taro Patch Fiddles in Honolulu in 1879".

MUNICÍPIO DE ARCOS DE VALDEVEZ MANTÉM SEMPRE A PROXIMIDADE COM OS EMIGRANTES ARCUENSES

Câmara arcuense junto dos emigrantes

O Presidente da Câmara Municipal, João Esteves, voltou a marcar presença numa das maiores feiras de produtos regionais, realizada pela Associação Recreativa e Cultural dos Originários de Portugal em Nanterre, França, a “Feira de Produtos Regionais Portugueses e da Ruralidade”, ocorrida nos dias 23, 24 e 25 de Março.

Esta trata-se de uma feira essencialmente destinada a levar para junto da comunidade emigrante em Paris produtos de Portugal, e, em termos de atividades, é sempre uma ligação da exposição, degustação e comercialização de produtos, com animação popular e tradicional.

No decurso da visita teve encontros com várias Associações, nomeadamente com a Casa dos Arcos de St. Maur e com a Associação da Casa dos Arcos de Paris.

Também no fim de semana de 17 e 18 de Março o Vereador da Câmara Municipal, Olegário Gonçalves, marcou presença na comemoração do 10º aniversário da Casa dos Arcos em Bordéus, em representação do Município.

Tal como tem vindo a acontecer ano após ano, a Câmara Municipal marcou presença nestes eventos comemorativos para demonstrar o forte apreço que o Município sente pela comunidade arcuense no estrangeiro, para reforçar a identidade arcuense e promover o concelho, os seus produtos e as suas empresas.

PEDRO SILVA, O PRIMEIRO CARTEIRO DO CANADÁ ERA PORTUGUÊS

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das maiores nações do mundo em área total, o Canadá preserva uma história prodigamente ligada à emigração portuguesa que se manifesta na atualidade na presença neste país, que ocupa grande parte da América do Norte, de mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica.

Daniel Bastos

Ainda que a emigração portuguesa para o Canadá só tenha alcançado expressão a partir do início da segunda metade do séc. XX, a presença de portugueses neste território que se estende desde o oceano Atlântico, a leste, até ao Oceano Pacífico, a oeste, e é limitado a norte pelo Oceano Ártico, e a sul e a noroeste possui fronteira terrestre com os EUA, remonta ao início do séc. XVI.

Essa presença antiga de portugueses no Canadá encontra-se paradigmaticamente condensada na figura de Pedro da Silva, personagem histórica lusa que chegou entre 1672 e 1673 à Nova França, onde hoje se localiza a província do Quebeque, tendo depois sido responsável pelas primeiras expedições de correio do país.

A história do português Pedro da Silva encontra-se profusamente apreendida pela comunidade luso-canadiana. Como comprova por exemplo, o documentário histórico de homenagem ao primeiro carteiro do Canadá, realizado pelo produtor e realizador Bill Moniz, a biografia histórica assinada pelo investigador lusodescendente Carlos Taveira, ou a iniciativa dos Serviços Postais canadianos que lhe dedicaram no princípio do séc. XX um selo.

Os vários olhares sobre Pedro da Silva, que nasceu em Lisboa em 1647 e faleceu a 2 de agosto de 1717, registam que nos primórdios do séc. XVIII, o carteiro de origem lusa assegurava a entrega de cartas e pacotes postais entre Montreal e o Quebeque, naquela foi a primeira expedição de correio no Canadá. Existem, inclusivamente, registos que Pedro da Silva efetuou o transporte de correio e mercadorias pelo rio São Lourenço durante a guerra entre a França e os iroqueses, um grupo nativo que apoiava o império inglês, contexto que terá contribuído nesse período para o que o rei francês Luís XIV o tenha nomeado como "Mensageiro Real" na Nova França.

Conhecido como "Le Portugais", Pedro da Silva é um dos mais insignes antepassados da comunidade portuguesa no Canadá, uma comunidade que se destaca hodiernamente pela sua relevante integração, empreendedorismo e papel económico e sociopolítico. 

RADIO ALFA, A EMISSORA DOS PORTUGUESES EM PARIS

  • Crónica de Daniel Bastos

No ar desde 5 de outubro de 1987, a Rádio Alfa, uma estação de rádio lusófona situada em Paris e dirigida à comunidade portuguesa em França, a maior comunidade de portugueses no estrangeiro, desempenha um papel fundamental na manutenção e promoção da identidade lusa em terras gaulesas.

Daniel Bastos

Localizada atualmente em Créteil, é consensualmente reconhecida como a emissora mais popular dos portugueses em Paris, para o que muito contribui o facto de ser a única rádio da comunidade portuguesa que abrange a região de França, 24 horas por dia.

Se tivermos em linha de conta que os dados mais recentes apontam para que vivam em França mais de meio milhão de portugueses e que, se considerarmos a comunidade contando com os descendentes de segunda e terceira geração, o número sobe para quase 1 milhão e meio, elevando-a assim à maior comunidade estrangeira a viver em França, percebe-se que a Rádio Alfa além de emitir para um enorme auditório, constitui-se como a voz de intervenção da comunidade portuguesa na Cidade Luz.   

Enquanto palco privilegiado de intervenção, a grelha da estação emite programas que dedicam espaços à resolução de problemas, à promoção da música, cultura e língua portuguesa, à divulgação das atividades realizadas pelo meio associativo e à difusão de notícias que visam a informação junto da comunidade portuguesa em França.

Como sustenta Carla Laureano, na tese A rádio Alfa e a comunidade portuguesa em França: estudo de caso sobre a relação entre média e identidades, a emissora ao desempenhar um papel importante junto da comunidade portuguesa em terras gaulesas, impulsiona a “partilha de uma identidade cultural portuguesa entre os emigrantes”. Particularmente junto da primeira geração, uma geração que se encontra intimamente ligada à Rádio Alfa, pelo que a emissora deve ter como uma das prioridades e desafios para o futuro a sua interligação com os lusodescendentes, de modo a conseguir “fazer um cruzamento de culturas e tentar direccionar-se para as diferentes expectativas dos seus diferentes ouvintes”.

No passado, e sobretudo no presente e no futuro, a Rádio Alfa continuará a ser a antena da comunidade portuguesa em Paris, ou como salientou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no 30.º aniversário da estação, a “ Rádio Alfa é Portugal".

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DANIEL BASTOS VAI A PARIS APRESENTAR O LIVRO “TERRAS DE MONTELONGO”, ANTIGA DENOMINAÇÃO DO COCNELHO DE FAFE

No dia 17 de março (sábado), é apresentada na capital francesa o livro Terras de Monte Longo”.

A obra, concebida pelo historiador minhoto Daniel Bastos a partir do espólio de um dos mais aclamados fotógrafos portugueses da sua geração, José de Andrade (1927-2008), fotógrafo de renome internacional, premiado e exposto em vários cantos do mundo, é apresentada às 15h00 no espaço Portologia em Paris.

Autor - Daniel Bastos

A apresentação da obra, uma edição trilingue traduzida para português, francês e inglês com prefácio do conhecido fotógrafo franco-haitiano que imortalizou a história da emigração portuguesa, Gérald Bloncourt, estará a cargo do empresário português radicado em Paris, Manuel Pinto Lopes.

Neste novo livro, realizado com o apoio do Centro Português de Fotografia, instituição pública que assegura a conservação, valorização e proteção legal do património fotográfico nacional, Daniel Bastos esboça um retrato histórico conciso e ilustrado do interior norte de Portugal em meados dos anos 70.

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Através de imagens até aqui inéditas, que José de Andrade captou nessa época em povoados rurais entre o Minho e Trás-os-Montes, o historiador e autor de livros sobre a emigração, aborda as memórias do passado, não muito distante, do Portugal profundo e rural na transição da ditadura para a democracia, um período fundamental da história contemporânea portuguesa, marcado por décadas de carências, isolamento, condições de vida duras e incontáveis episódios de emigração “a salto”.

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Segundo Gérald Bloncourt, neste livro ilustrado pela objetiva humanista de José de Andrade, são-nos reveladas “fotografias sentidas de Portugal, do seu povo, da sua história”, repletas de “sentimentos de dignidade evidenciados por uma forma de estar serena e humana”.

Refira-se que esta iniciativa cultural no Portologia, um dos novos espaços de referência da comunidade portuguesa em Paris, conta com a colaboração da Associação Memória das Migrações, presidida pelo antigo conselheiro das comunidades portuguesas em França, Parcídio Peixoto.

Convite

HISTORIADOR DANIEL BASTOS APRESENTA EM VIANA DO CASTELO CONFERÊNCIA SOBRE MIGRAÇÕES, CIDADANIA E ENSINO

Na passada terça-feira (27 de fevereiro), o historiador Daniel Bastos foi um dos oradores convidados da 9.ª edição dos “Contornos da Palavra”, uma iniciativa cultural organizada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, que durante uma semana proporciona momentos culturais a todos os alunos, professores e educadores das escolas do concelho do Alto Minho.

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A contar da esquerda, o historiador Daniel Bastos, o moderador Manuel António Vitorino, e a investigadora Irene Flunser Pimentel

 

No decurso da iniciativa, que decorreu na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, no âmbito do Encontro de Bibliotecas Escolares – Conhecer, Respeitar e Incluir, e que computou a presença a investigadora portuguesa dedicada ao estudo do período contemporâneo de Portugal, Irene Flunser Pimentel, o historiador minhoto apresentou em representação da Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, uma comunicação intitulada “Migrações, Cidadania e Ensino”.

Partindo da enunciação de Almada Negreiros “Nós hoje estamos ao mesmo tempo na melhor época da humanidade e na pior”, artista multidisciplinar português homenageado na iniciativa, Daniel Bastos sustentou que por um dever de memória histórica e de dignidade humana, a Europa em geral, e Portugal em particular, tem que integrar e proteger os migrantes. Para o investigador da nova geração de historiadores portugueses, as migrações hodiernas representam um desafio para as políticas dos Estados democráticos, sendo urgente repensar a educação para a cidadania enquanto meio para a promoção da democracia e dos direitos humanos.

RUI OCHÔA APRESENTA EM FAMALICÃO “PORTUGUESES DA AMÉRICA”

O Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, tem patente a partir deste sábado, dia 3 de março, a exposição de fotografia “Portugueses da América”, da autoria do repórter fotográfico português Rui Ochôa.

A mostra, que vai estar disponível ao público até dia 3 de abril, baseia-se no livro homónimo escrito por Margarida Marante e é um projeto da FLAD – Fundação Luso-Americano para o Desenvolvimento com vista a dar voz e conferir visibilidade a portugueses que se destacaram na vida política, económica e social dos Estados Unidos da América.

A exposição é de entrada gratuita e pode ser visitada às quintas e sextas, entre as 10h00 e as 17h30, e aos sábados e domingos, entre as 14h30 e as 17h30.

OS DESCENDENTES DOS JUDEUS SEFARDITAS PORTUGUESES

  • Crónica de Daniel Bastos

No final do ano passado, a Comunidade Israelita do Porto, revelou que mais de mil descendentes de judeus expulsos de Portugal no século XV obtiveram nacionalidade portuguesa desde março de 2015, data da entrada em vigor de um decreto-lei que veio permitir a concessão da nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas.

Daniel Bastos

Os chamados judeus sefarditas são descendentes das antigas comunidades judaicas da Península Ibérica, cuja presença imemorial no território é anterior à formação dos reinos ibéricos cristãos, como por exemplo de Portugal no século XII.

No ocaso quatrocentista, após o Édito de Alhambra de 1492, também conhecido como Édito de Granada e Édito de Expulsão, um decreto régio promulgados pelos Reis Católicos, inúmeros judeus perseguidos pela Inquisição Espanhola refugiaram-se em Portugal. Porém, a partir de 1496, o monarca português D. Manuel, que inicialmente havia promulgado uma lei que lhes garantia proteção, acabou por determinar a expulsão de todos os judeus sefarditas que não aderissem ao batismo cristão.

Assim, numerosos judeus sefarditas foram expulsos de Portugal na transição do séc. XV para o séc. XVI, tendo encontrado sobretudo em países como a Holanda, o Reino Unido e a Turquia, e em regiões do Norte de África e, mais tarde, em territórios americanos, mormente no Brasil, Argentina, México e Estados Unidos da América, as suas pátrias de acolhimento.

Malgrado as perseguições e o afastamento do vetusto território ibérico, muitos judeus sefarditas de origem lusa e os seus descendentes mantiveram não só a língua portuguesa, mas também os ritos tradicionais do antigo culto judaico em Portugal, conservando, ao longo de gerações, os seus apelidos de família, objetos e documentos comprovativos da sua origem portuguesa, a par de uma forte relação memorial que os leva a denominarem-se a si mesmos como “judeus portugueses” ou “judeus da Nação portuguesa”.

Nesse sentido, o hodierno decreto-lei que veio permitir a concessão da nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas, é um ato legislativo de inteira justiça que mais do que procurar reparar os erros do passado, constitui uma reconciliação do país com um capítulo pouco conhecido da sua história, e um sinal eminente que o futuro de Portugal constrói-se na base do diálogo e de pontes entre as diversas culturas e comunidades.

A PRESENÇA PORTUGUESA NA BIRMÂNIA

  • Crónica de Daniel Bastos

Durante o primeiro trimestre deste ano vai ser lançada, pela Gradiva e a Macaulink, com o apoio do Instituto Internacional de Macau, a versão portuguesa do livro “Cannon Soldiers of Burma”, de James Myint Swe, uma obra incontornável sobre a presença multissecular portuguesa na Birmânia.

Daniel Bastos

Situada a sul da Ásia continental, e limitada ao norte e nordeste pela China, a leste pelo Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia, a Birmânia, oficialmente República da União de Myanmar, encerra ainda hoje como sustenta James Myint Swe, marcas vivas da presença pioneira dos portugueses na Ásia.

O investigador formado em Ciência Política pela Universidade de Western Ontário no Canadá, salienta a existência neste território asiático, nas mesmas zonas onde os portugueses se estabeleceram nos sécs. XVI e XVII, de populações descendentes dos navegadores, mercadores, exploradores e soldados do período da expansão marítima.

Como anota o autor com raízes birmanesas, a presença pioneira dos portugueses na Ásia no séc. XVI e XVII, catalisadora dos primeiros contactos entre a Europa e o Oriente, subsiste nas atuais comunidades bayingys, uma etnia birmanesa conhecida como o “povo de olhos verdes”, cujas populações de cabelo e pele clara, maioritariamente católicas, conservam afinidades com o imaginário coletivo português.   

Num período em que a diplomacia e a projeção cultural têm desempenhado um papel fundamental na política externa portuguesa, e a língua de Camões é uma das mais faladas no mundo, é importante que o país não deixe cair no esquecimento o seu contributo ecuménico na história mundial.

É a partir do valioso legado histórico da diáspora portuguesa, que Portugal deve continuar a afirmar-se no seio das nações como um país construtor de pontes de diálogo e cooperação entre povos, que no caso da antiga Birmânia pode ter um importante contributo na consolidação da democracia na atual Myanmar. Este estreitar de laços de amizade e cooperação, por via de um passado comum na Ásia, um imenso território de oportunidades e crescimento, pode inclusivamente revelar-se estratégico na prossecução da internacionalização da economia portuguesa e da afirmação de Portugal no mundo.

NA PONTA DA LÍNGUA – HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E INOVAÇÃO NA EMIGRAÇÃO

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos a emigração portuguesa tem captado o interesse dos investigadores sociais e da comunidade académica, como demonstra a realização de diversas iniciativas e projetos de investigação, que não são alheias ao peso estruturante que o fenómeno migratório ocupa em Portugal. 

Daniel Bastos

Um dos projetos de pesquisa mais recentes sobre a emigração portuguesa está a ser dinamizado no âmbito da atividade científica do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC). Intitulado “Na Ponta da Língua: Histórias, Memórias e Inovação na Emigração”, este projeto pioneiro tem como objetivo geral aplicar uma metodologia inovadora de ensino e preservação da língua e cultura portuguesas através da recolha e análise de histórias da emigração portuguesa.

Trata-se de uma metodologia participativa através da qual a socialização - oral, escrita e encenada-, das histórias da emigração portuguesa narradas na primeira pessoa como experiências biográficas passam a servir um propósito didático e cívico.

O trabalho de investigação tem incidido sobre três destinos da emigração lusa, designadamente Newark (EUA), Paris (França) e São Paulo (Brasil). Territórios onde a equipa feminina multidisciplinar, composta pelas investigadoras Elsa Lechner (CES), Clara Keating (CES), Graça Capinha (CES), Deolinda Adão (UC Berkeley), Graça dos Santos (Université Paris Nanterre), Karen Worcman (Museu da Pessoa) e Kimberly DaCosta Holton (Rutgers-Newark University), tem desenvolvido trabalhos dedicados às histórias de emigração portuguesa.

Articulando pessoas e instituições culturais e académicas, este projeto convida assim a um novo olhar sobre as histórias de emigração portuguesa, que segundo o grupo de cientistas sociais, constitui um património invisível da língua e cultura portuguesas, amplamente presente nas narrativas e histórias de vida dos emigrantes.

Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, uma relevante fundação portuguesa com a missão filantrópica de fomentar o conhecimento e melhorar a qualidade de vida através das artes, ciência e educação, este projeto singular evidencia igualmente as enormes potencialidades e peculiaridades de trabalho do mundo académico no seio da diáspora portuguesa, um enorme e fecundo universo socio-histórico que tem necessariamente que ser estudado nas suas diversas dimensões e vertentes.

RÁDIO ALFA NÃO VAI ESTE ANO REALIZAR A TRADICIONAL FESTA QUE JUNTA MILHARES DE PORTUGUESES EM PARIS

COMUNICADO - 2018 SEM FESTA DA RÁDIO ALFA

É com grande tristeza que - depois de 29 anos de festas anuais consecutivas que se transformaram ao longo dos tempos num acontecimento de referência das culturas portuguesa e lusófonas em França e na Europa - vos informo que, neste ano de 2018, a Rádio Alfa não realizará a sua habitual festa do mês de junho.

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Em termos musicais, durante todos estes anos, a Rádio Alfa apresentou ao vivo à Comunidade Portuguesa de França o que de melhor se produzia em Portugal e noutros países lusófonos. Mas fez mais do que isso: reuniu emigrantes e lusodescendentes em convívios extraordinários, ajudou a reforçar os laços entre todos e, num só dia, chegou várias vezes a reunir mais de 20 000 pessoas num ambiente emocionante de alegria e de grande fraternidade.

Apesar do sucesso inegável de cada uma destas 29 edições da nossa festa, a conjuntura atual leva-nos a tomar esta decisão e é, repito, com grande tristeza que a anuncio.

Na esperança de ver renascer um dia a festa da Rádio Alfa - a emissora portuguesa e lusófona de Paris que fez 30 anos em 2017 - quero, neste momento difícil, agradecer com grande amizade a vossa preciosa ajuda e todo o interesse que por ela manifestaram.

O Presidente da Rádio Alfa,

Armando Lopes

EMIGRAR OU NÃO? A QUESTÃO QUE SE COLOCA AOS JOVENS MÉDICOS DO NORTE

  • Crónica de Daniel Bastos

A constância do fenómeno da emigração qualificada portuguesa ao longo dos últimos anos tem colocado a Portugal cenários e desafios (des)estruturantes do ponto de vista socioeconómico.

Daniel Bastos

Dentro desse quadro socioprofissional, um dos grupos onde tem sido notória a apetência pelo estrangeiro é o dos profissionais de saúde portugueses. Segundo dados das Ordens da Saúde, no final do ano de 2015 havia 13 mil enfermeiros, 5 mil médicos, 2 mil farmacêuticos e mil dentistas emigrados no estrangeiro, mormente no Reino Unido, na França, na Holanda, na Bélgica e na Suíça.

As motivações da saída destes profissionais de saúde são transversais e continuam a marcar a agenda nacional. Ainda no termo do ano passado foi divulgado um estudo intitulado A carreira médica e os factores determinantes da saída do SNS, baseado em inquéritos a três grupos distintos de profissionais inscritos na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, que aponta que metade dos médicos a fazer a formação na especialidade admite a possibilidade de emigrar no final do internato.

O estudo, conduzido pela investigadora Marianela Ferreira, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), em colaboração com o bastonário da Ordem dos Médicos, revela que a maioria dos jovens médicos do Norte estão genericamente insatisfeitos com as longas jornadas de trabalho, a falta de oportunidades de progressão e a escassa remuneração que usufruem.

Estando previsto a breve trecho o alargamento deste primeiro grande trabalho sobre a carreira médica realizado em Portugal, a outras regiões do país (Centro e Sul), cujas conclusões provavelmente não serão muito diferentes destas, o estudo conduzido pela investigadora Marianela Ferreira mostra a urgência do país encontrar soluções para não continuar a perder o valioso capital humano que constituem as jovens gerações qualificadas portuguesas.

Nenhum país, e Portugal não é exceção, antes pelo contrário, consegue projetar o seu futuro com confiança e crescimento sustentado se não tiver capacidade de fixar os seus jovens qualificados, como é o caso paradigmático dos profissionais de saúde que asseguram diariamente a prestação de cuidados de saúde à população.

O PELOURO DA DIÁSPORA NAS AUTARQUIAS

  • Crónica de Daniel Bastos

Um dos principais pilares da democracia portuguesa, e um dos elementos mais representativos das conquistas de abril, a autonomia do Poder Local tem sido fundamental ao longo dos últimos quarenta anos no incremento do desenvolvimento sustentado do território nacional e na promoção da qualidade de vida das populações.

Daniel Bastos

Foi só a partir da afirmação do poder local democrático que nas diversas localidades disseminadas pelo território nacional se rasgaram caminhos, pavimentaram-se quilómetros de vias, quebrou-se o isolamento de populações, eletrificaram-se aldeias, distribui-se a água, implantou-se o saneamento, edificaram-se pontes, construíram-se escolas, colocaram-se a funcionar bibliotecas, museus, pavilhões, piscinas, multiusos, centros de dia, multiplicaram-se associações, enfim sobreveio um pulsar vigoroso da sociedade portuguesa.

Assente na proximidade aos cidadãos, e na resolução dos problemas do seu bem-estar e qualidade de vida, as autarquias locais têm, em geral, ao longo da sua existência democrática reconhecido o papel da emigração no desenvolvimento das suas localidades. Vários municípios portugueses têm dinamizado projetos que promovem a criação de redes com a diáspora e prestam apoio e acompanham o regresso dos emigrantes.

É o caso dos muitos protocolos de geminação estabelecidos entre municípios portugueses e várias cidades espalhadas pelo mundo onde existem marcas fortes da emigração portuguesa, ou dos Gabinetes de Apoio ao Emigrante (GAE), criados em 2002, e que funcionam atualmente em mais de uma centena de municípios como estruturas de apoio aos emigrantes residentes ou não em Portugal.

No entanto, raros são os municípios portugueses onde os presidentes da câmara tenham criado pelouros específicos dedicados às relações com a diáspora, de modo a procurar estreitar ainda mais os laços entre as comunidades das terras de origem e de acolhimento. Uma dessas salvas raras exceções, encontra-se no Município de Arcos de Valdevez, uma vila raiana portuguesa no distrito de Viana do Castelo, cujo presidente assumiu recentemente o pelouro da Diáspora como um elemento fulcral na promoção da cultura, no reforço da identidade local e um meio excelente de divulgação do concelho e das suas potencialidades.

OS INVESTIMENTOS DOS EMPRESÁRIOS DA DIÁSPORA EM PORTUGAL

  • Crónica de Daniel Bastos

No final do ano passado foi veiculada publicamente informação que revela que o volume de investimentos lançados, nos últimos dois anos, em Portugal, por empresários portugueses e lusodescendentes residentes em diferentes países, ronda os 100 milhões de euros.

Daniel Bastos

Segundo dados da Secretaria de Estado das Comunidades, os projetos em que os empresários da diáspora mais têm investido são sobretudo na área do turismo, e concentram-se no Porto, Lisboa, Leiria, Viana do Castelo, Aveiro, Guarda e Setúbal.

Num período em que as projeções para a economia portuguesa apontam a continuação de uma trajetória de recuperação e crescimento, em linha com o projetado para o conjunto da área do euro, o investimento realizado no território nacional por empresários portugueses e lusodescendentes residentes em diferentes países, constitui assim um importante contributo para a riqueza nacional, e simultaneamente uma promissora oportunidade de negócio.  

O impulso da diáspora na economia portuguesa tem robustecido essencialmente um dos principais motores das exportações nacionais e do crescimento do país, o turismo, contribuindo decisivamente para que Portugal continue um destino turístico de eleição.

Os efeitos destes investimentos têm igualmente um enorme impacto no desenvolvimento socioeconómico das regiões de origem dos empresários da diáspora, que por apego à sua terra canalizam muito dos seus capitais para os lugares que os viram nascer.

Os exemplos deste tipo de investimento bairrista com grande potencial de retorno por parte de empresários da diáspora abundam pelo território nacional. Ainda, por exemplo, no decurso do ano transato foi inaugurado mais um hotel do grupo Pestana na Madeira, designadamente o Santa Cruz Village Hotel, o primeiro investimento de um grupo de emigrantes na Venezuela que têm impulsionado o renascimento da hotelaria na Pérola do Atlântico.

O empreendedorismo da diáspora constitui deste modo não só um valioso ativo no desenvolvimento e coesão territorial nacional, mas também um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do nosso país, que tem nas suas comunidades espalhadas pelo mundo agentes dinâmicos da portugalidade.