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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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DANIEL BASTOS LANÇA SEGUNDA EDIÇÃO DE LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS EM PARIS

No próximo dia 6 de outubro (quinta-feira), o escritor e historiador Daniel Bastos lança junto da comunidade portuguesa em Paris, a segunda edição do seu mais recente livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

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A segunda edição da obra, agora revista e aumentada dada a anterior se encontrar esgotada, e que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, é apresentada às 18h30 no Consulado-Geral de Portugal em Paris.

A apresentação do livro, que é prefaciado pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e conta com posfácios de Maria Beatriz Rocha-Trindade, Presidente da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, e de Isabelle Oliveira, Presidente do Instituto do Mundo Lusófono, estará a cargo de Paulo Pisco, deputado eleito pelo Círculo da Europa.

Nesta nova obra, composta por mais de duas centenas de crónicas, e realizada com o apoio da Sociedade de Geografia de Lisboa - Comissão de Migrações, uma das mais relevantes instituições culturais do país, Daniel Bastos pretende dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que, por razões muito diversas, saíram de Portugal.

Através de uma assumida visão de compromisso com os emigrantes, o autor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem. Como é o caso da comunidade lusa em França, a mais numerosa das comunidades portuguesas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoas.

Refira-se que a capa da obra é assinada pelo mestre-pintor Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade. E que no âmbito da ilustração do livro, no dia 8 de outubro (sábado), às 15h00, será inaugurada na Pastelaria Belém, um espaço icónico da comunidade luso-francesa em Paris, uma exposição cuja curadoria estará a cargo do escritor e historiador, alusiva aos desenhos concebidos propositadamente para a obra.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

EMIGRANTE BENEMÉRITO LUSO-AMERICANO HOMENAGEOU BOMBEIROS DE VIDAGO

  • Crónica de Daniel Bastos

Na passada quinta-feira (22 de outubro), o emigrante benemérito luso-americano John Guedes, natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, homenageou a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago.

Empresário de sucesso há mais de 40 anos em Bridgeport, a cidade mais populosa do estado americano do Connecticut, onde gere uma firma de arquitetura especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos, o arquiteto luso-americano tem mantido um constate apego à região trasmontana, torrão a quem devota um constante sentimento benemérito.

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O emigrante benemérito luso-americano John Guedes (ao centro), no decurso do jantar-convívio de homenagem aos Bombeiros de Vidago, acompanhado do vereador flaviense, Nuno Chaves, do presidente dos Bombeiros de Vidago, Francisco Oliveira (esq.) e do historiador Daniel Bastos (dir.)

Como é o caso da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, a quem já apoiou com a compra de um monitor de sinais vitais para equipar uma ambulância, assim como de uma ambulância de emergência e de uma ambulância de transporte múltiplo (ABTM).

Tendo sido já condecorado com a medalha de prata da Associação Humanitária, John Guedes promoveu nessa noite um jantar-convívio no Hotel Rural Quinta de Samaiões, em Chaves, onde ofereceu aos órgãos sociais da corporação. Assim como, às forças vivas da sua terra natal, uma recordação em prata, enaltecendo o papel da corporação que desenvolve a sua atividade em várias freguesias, a sul do concelho de Chaves, distrito de Vila Real.

Refira-se que no final do jantar-convívio promovido pelo emigrante benemérito, que contou com a presença de Nuno Chaves, Vereador da Câmara Municipal de Chaves, e de Daniel Bastos, historiador com várias obras ligadas à emigração portuguesa, o Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, Francisco Oliveira, agradeceu o gesto de John Guedes, e a sua constante generosidade em prol da Associação Humanitária e das populações locais.

GÉRALD BLONCOURT: O FOTÓGRAFO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA “A SALTO”

  • Crónica de Daniel Bastos

A breve trecho assinalam-se quatro anos desde o falecimento do saudoso fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt (1926-2018), um dos grandes nomes da fotografia humanista, cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo fundamental para uma melhor compreensão e representação do nosso passado recente.

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Gérald Bloncourt (1926-2018)

Colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, o antigo fotojornalista que esteve radicado em Paris mais de meio século, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses a França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Igualmente relevantes são as imagens que Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as dos primeiros dias de liberdade em Portugal, como as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, acontecimento que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração e a génese da democracia portuguesa constitui um valioso repositório do último meio século nacional, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história nacional que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o aclamado fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

FAFE: O CENTENÁRIO JARDIM DO CALVÁRIO – UMA OBRA DE UM BENEMÉRITO “BRASILEIRO DE TORNA-VIAGEM”

  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transatlântico que se prolongou de meados do século XIX até ao primeiro quartel do século XX, e que teve como principal destino o Brasil.

O centenário Jardim do Calvário - Município de Fafe (1).jpg

Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Norte de Portugal.

Como é o caso paradigmático de Fafe, uma cidade situada no distrito de Braga, no coração do Minho, cujo desenvolvimento contemporâneo teve um forte cunho de emigrantes locais enriquecidos no Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX.  

Entre as várias iniciativas de natureza empreendedora e filantrópica dos emigrantes “brasileiros” de Fafe, destaca-se a construção do Jardim Público, símbolo do romantismo, conhecido como o Jardim do Calvário que assinala este ano o seu 130.º aniversário.

Concluído em 1892, num local onde existiu a capela do Senhor do Calvário, o Jardim do Calvário, um espaço público de cultura, lazer e recreio que abrange uma localização privilegiada no centro da Sala de Visitas do Minho, e é caraterizado pela frondosa arborização, um lago curvilíneo com ponte e um coreto de estilo Arte Nova, deve a sua construção ao “brasileiro” comendador Albino de Oliveira Guimarães, uma das personagens mais influentes na comunidade portuguesa do Rio de Janeiro no último quartel do séc. XIX.

Natural da freguesia de Golães, concelho de Fafe, Albino de Oliveira Guimarães nasceu em setembro de 1833. Emigrou, para o Rio de Janeiro, em 1847, com 14 anos de idade, regressando definitivamente ao torrão natal, por volta de 1890, vindo a falecer em 6 de março de 1908, com 74 anos de idade.

Desde a sua chegada à metrópole carioca começou a trabalhar como caixeiro na casa comercial de António Mendes Oliveira Castro, também natural de Fafe, que se dedicava ao ramos de ferragens, drogarias e materiais de construção civil e para quem levava carta de recomendação, vindo a ser o seu braço direito e seu futuro genro.

Em 1858, casou com Luiza Mendes de Oliveira Castro, filha do patrão e influente capitalista, e de Castorina Angélica de Jesus Alves Pereira, senhorios da propriedade rural da Chácara dos Macacos, propriedade que hoje abriga a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Atualmente, uma das mais importantes instituições brasileiras de cultura e preservação de documentos com acervos inscritos no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO.

 No trajeto de retorno o comendador Albino de Oliveira Guimarães, cuja ação foi essencial na instituição do Hospital de São José, teria ainda um papel importante na Fundação dos Bombeiros, na edificação da Igreja Nova e na construção do Jardim do Calvário.

Na esteira da memória do saudoso historiador e professor Miguel Monteiro, um dos mais reputados investigadores no campo do estudo dos “brasileiros de torna-viagem” na região noroeste do continente português, e em particular, no concelho de Fafe, ao comendador Albino de Oliveira Guimarães ”ficou a dever-se o financiamento da construção do Passeio Público de Fafe, cujo contrato foi assinado em 2 de Março de 1890 com Domingues Fernandes e Francisco Pereira”. Tendo a inauguração sido efetuada “ em 1892, com a ausência em Lisboa do seu financiando, tendo aCâmara deliberado mandar agradecer por telegrama ao Comendador a obra que promovera”.

Um local de eleição e de fruição para a comunidade local, e para todos que visitam o território, que como destaca o “alma mater” do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, no artigo O Museu da Emigração e os “Brasileiros” do Rio: o públicoe o privado na construção de modernidade em Portugal, constitui “um símbolo do romantismo português. Este espaço apresenta características idênticas aos que se encontram na Casa de Rui Barbosa e no Palácio que hoje é Museu da República no Rio de Janeiro: o lago curvilíneo, as pontes e guardas naturalista e os gradeamentos, dando ao espaço protecção e isolando-o do espaço exterior”.

DANIEL BASTOS APRESENTOU NO PORTO LIVRO DEDICADO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Foi ontem apresentado no Porto, o livro “Crónicas-Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

A obra, prefaciada pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e que reúne as crónicas que o escritor e historiador Daniel Bastos tem escrito nos últimos anos em diversos meios de comunicação dirigidos para Diáspora, foi apresentada na FNAC de Santa Catarina, na capital do norte de Portugal.

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O historiador Daniel Bastos (esq.), acompanhado do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, no decurso da sessão de apresentação na capital do norte de Portugal

A sessão de apresentação, que contou com a presença no Fórum da FNAC de Santa Catarina, no Porto, de dirigentes associativos e culturais, investigadores, empresários e emigrantes, esteve a cargo do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva, que assegurou que as “constatações, descrições e muitíssimas opiniões dadas nesta obra” contribuem para “melhorar e valorizar os portugueses espalhados pelo mundo, ou seja, valorizar Portugal”. O antigo proprietário da Livraria Orfeu, em Bruxelas, destacou o percurso do autor na promoção e dignificação das comunidades portuguesas, apontando que este “tem sido de uma utilidade notável ao acentuar esse factor civilizacional dos nossos no mundo e este livro é disso mais uma prova”.

Refira-se que neste novo livro, composto por cerca de centena e meia de crónicas, e realizado com o apoio da Sociedade de Geografia de Lisboa - Comissão de Migrações, uma das mais relevantes instituições culturais do país, Daniel Bastos revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

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O historiador Daniel Bastos

JOHN GUEDES: UM LUSO-AMERICANO DE SUCESSO COM APEGO ÀS RAÍZES TRANSMONTANAS

  • Crónica de Daniel Bastos

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

John Guedes - Presidente e CEO da Primrose Companies (1).jpg

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada nos EUA e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o exemplo inspirador de empreendedorismo e benemérito de John Guedes.

Natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, João Guedes emigrou para a América no alvorecer da década de 1960, com 10 anos de idade. Numa época em que o fardo da pobreza, da interioridade e a estreiteza de horizontes na região trasmontana durante o Estado Novo compeliu uma forte vaga migratória para o centro da Europa e para a América.

Detentor de um percurso educacional que computou nos anos 70 a formação académica em arquitetura no Norwalk State College, na cidade de Norwalk, no estado americano do Connecticut, John Guedes fundou no ocaso dessa década a Primrose Companies. Uma empresa de arquitetura e construção, sediada em Bridgeport, a cidade mais populosa do Connecticut, com cerca de meia centena de trabalhadores e especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos no Connecticut e em Nova Iorque.

Com mais de mais de 40 anos de experiência e sucesso no setor da construção e design, o arquiteto luso-americano tem mantido um constate apego à região trasmontana, torrão a quem devota um extraordinário sentimento benemérito. Na sua aldeia natal, onde regressa amiúde, entre outros exemplos notáveis de filantropia, pagou o terreno onde está o campo de futebol, financiou a abertura de um caminho e a construção de um parque de lazer, patrocina jornadas culturais e doou cem mil euros para a construção da sede da associação cultural local.  

O espírito generoso de John Guedes tem-se estendido também, por exemplo, ao longo dos últimos anos, ao Patronato de São José, em Vilar de Nantes, uma instituição flaviense de solidariedade que acolhe crianças do sexo feminino. E à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, a quem já apoiou com a compra de um monitor de sinais vitais para equipar uma ambulância, assim como de uma ambulância de emergência e de uma ambulância de transporte múltiplo (ABTM).

Contexto que levou a corporação, que desenvolve a sua atividade em várias freguesias, a sul do concelho de Chaves, distrito de Vila Real, a atribuir ao arquiteto luso-americano na primeira década do séc. XXI a medalha de prata da Associação Humanitária.

Ilustre filho da terra transmontana, o exemplo de vida do arquiteto luso-americano John Guedes, lembra-nos o excerto do poema “Da minha aldeia” de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa: “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo.../ Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer/ Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura...”.

DANIEL BASTOS APRESENTA NO PORTO LIVRO SOBRE A DIÁSPORA PORTUGUESA

No próximo dia 11 de setembro, o escritor e historiador Daniel Bastos apresenta no Porto o seu mais recente livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

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A obra, que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos em diversos meios de comunicação dirigidos para a diáspora, é apresentada às 17h00 no Fórum da FNAC Santa Catarina, no Porto.

A apresentação do livro, que é prefaciado pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, e conta com posfácios de Maria Beatriz Rocha-Trindade, Presidente da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa, e de Isabelle Oliveira, Presidente do Instituto do Mundo Lusófono, estará a cargo do ativista cultural Joaquim Pinto da Silva.

Nesta nova obra, composta por cerca de centena e meia de crónicas, e realizada com o apoio da Sociedade de Geografia de Lisboa - Comissão de Migrações, uma das mais relevantes instituições culturais do país, Daniel Bastos pretende “dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que, por razões muito diversas, saíram de Portugal”.

Através de uma assumida visão de compromisso com os emigrantes, o historiador revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem. Uma visão que para o autor “emanando do legado histórico português, antevê os emigrantes como argonautas indispensáveis ao desígnio nacional de desbravar os mares desconhecidos do futuro, e antepara a Lusofonia como um espaço indispensável para a afirmação de Portugal no concerto das Nações”.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

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JOSÉ CESÁRIO FALA SOBRE OS PROJETOS QUE TEM EM MENTE PARA AS COMUNIDADES PORTUGUESAS

  • Entrevista conduzida por Ígor Lopes

Nome forte no PSD, José Cesário assume coordenação de área voltada para as comunidades portuguesas

José Cesário é um antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e ex-deputado eleito pelo círculo de Fora da Europa pelo Partido Social Democrata (PSD). Hoje, este responsável atua pelo seu partido como coordenador do Secretariado Nacional do PSD para as Comunidades Portuguesas, com o intuito de reestruturar o partido nas ações voltadas para a diáspora lusa e “reconquistar a confiança do eleitorado”.

Em entrevista à nossa reportagem, José Cesário falou sobre os projetos que tem em mente, as dificuldades enfrentadas pelas comunidades portuguesas e lusodescendentes no mundo e solicitou o envolvimento dessa mesma comunidade para apontar propostas.

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Que trabalho pretende desenvolver na condição de Coordenador do Secretariado Nacional do PSD para as Comunidades Portuguesas?

Antes de mais, um cumprimento muito especial aos membros das nossas comunidades espalhadas um pouco por todo o mundo. Estas funções, que agora assumo, implicam a coordenação e o acompanhamento de toda a rede de estruturas do meu Partido, o PSD, em variadíssimas áreas geográficas.

Já desempenhou estas funções no passado?

Sim. Isso aconteceu entre finais de 1999 e início de 2002 e, mais tarde, entre 2006 e 2011.

Como o seu trabalho pode ajudar a alterar os resultados do PSD em futuras eleições?

Espero ser capaz de ajudar a recuperar a estrutura do PSD junto das diversas comunidades de um estado de grande desorganização e de muita desmotivação, em que caiu nos últimos anos. Penso que será igualmente necessário garantir um mínimo de acompanhamento das dinâmicas comunitárias e dos principais problemas que afetam os portugueses no mundo, apoiando o Grupo Parlamentar na fiscalização da ação do Governo e na preparação de iniciativas legislativas que consigam responder às principais questões identificadas.

Como avalia hoje o estado das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo?

As nossas comunidades estão cheias de problemas, tal como os portugueses que residem no território nacional. A pandemia e os novos conflitos a que assistimos hoje vieram trazer para o nosso dia a dia um conjunto de novos problemas, que pensávamos estarem totalmente arredados das nossas preocupações. Claro que a estes novos problemas juntam-se aqueles que são já crónicos e que, em parte, resultam da dificuldade de respostas consistentes a problemas antigos por parte dos últimos governos. Por tudo isto, as nossas comunidades estão fortemente condicionadas por uma rede consular que nunca funcionou tão mal, por enormes dificuldades de subsistência das nossas associações tradicionais, por mecanismos de representatividade política desajustados, pela falta de canais de comunicação com os novos emigrantes e com os milhões de lusodescendentes que estão espalhados pelo mundo, por uma burocracia paralisante da nossa administração que, sem dúvida, se agravou com a pandemia, pela inexistência de um programa de apoio social devidamente estruturado e pela falta de uma política cultural e de Língua, devidamente estruturada, que envolva de facto as nossas comunidade, os agentes culturais e os nossos empresários.

As suas funções prendem-se com as comunidades em geral ou com as que estão fora da Europa ou no continente europeu?

Trabalharei com todas as comunidades, dentro e fora da Europa.

O senhor é um profundo conhecedor das comunidades portuguesas, até mesmo pelo seu passado em vários cargos neste ramo na política. Quais são hoje, na sua opinião, as grandes dificuldades enfrentadas pelas comunidades portuguesas?

Infelizmente, são imensas, tal como já lhe referi numa anterior resposta... Os consulados funcionam pessimamente, a legislação eleitoral tem graves lacunas, o Conselho das Comunidades Portuguesas e os conselhos consultivos não são devidamente aproveitados, a burocracia é cada vez mais grave, muitas associações estão falidas, a pobreza aumenta em muitos países, a nossa presença cultural no exterior não aposta na produção criativa das próprias comunidades, não há mecanismos de mobilização dos lusodescendentes, a realidade dos novos emigrantes é ignorada, etc., etc...

Estuda auxiliar de alguma forma na divulgação dos meios de apoio ao cidadão português residente no exterior que queira voltar a viver em Portugal?

Em primeiro lugar, há que ter em consideração que os não residentes só virão viver para Portugal se nós tivermos mais desenvolvimento e crescimento económico, que permita às nossas empresas pagar salários semelhantes aos que se praticam no resto da Europa. Para isso, é necessário um novo Governo, que se liberte de complexos ideológicos esquerdistas e que aposte realmente na iniciativa privada e no empreendedorismo dos jovens. Depois, é importante garantir a eficácia de programas como o atual "Regressar" ou outros anteriores, de forma a ajudar a fixar novos residentes em Portugal. Finalmente, como também já disse, a redução drástica da burocracia é absolutamente determinante.

Como os cidadãos podem lhe ajudar neste momento?

Conto com todos para me fazerem chegar sugestões sobre os problemas que condicionam a vida de cada comunidade. Também é importante que nos façam propostas sobre a forma de o PSD estar mais próximo dos cidadãos em geral e das suas organizações comunitárias. Ninguém consegue nada sozinho e, por isso, conto com todos os que quiserem ajudar.

Hoje, as comunidades portuguesas residentes na Europa contam com dois deputados eleitos do PS. Como o PSD pode atuar junto das comunidades residentes na Europa diante deste cenário?

Esse vai ser um dos nossos principais trabalhos. Eu, o ex-deputado Carlos Gonçalves e as estruturas do partido vamos fazer esse trabalho de forma estruturada.

No círculo de Fora da Europa, apenas está em atuação, neste momento, o deputado António Maló, o que pode ser muito positivo para o PSD, mas muito negativo para a representação das comunidades, já que o segundo deputado eleito, Augusto Santos e Silva, decidiu enveredar por outras funções. Esta situação está a fazer com que a comunidade residente Fora da Europa critique essa representatividade "diminuída", digamos. Qual a estratégia do PSD para atuar nesta frente?

Permita-me que lhe diga, desde já, que o deputado Santos Silva tem os instrumentos indispensáveis e o poder suficiente, como presidente da Assembleia da República, para ajudar a resolver muitos dos problemas com que as nossas comunidades se confrontam. Aliás, espero que ele consiga influenciar o governo para cumprir os compromissos que assumiu na campanha eleitoral e nos últimos anos. Estaremos muito atentos à ação do Governo, na certeza de que não haverá desculpas para erros ou inação tendo em conta a maioria absoluta conseguida. Posso garantir que faremos um escrutínio rigoroso da ação do executivo, exigindo eficácia e respeito pela isenção da rede consular e do sistema público de ensino.

Anunciou que Carlos Gonçalves desempenhará as funções de Secretário Executivo do Secretariado. Quais serão as ações deste ex-deputado eleito pelo círculo europeu?

Ele trabalhará diretamente comigo na coordenação de todo o trabalho que temos pela frente um pouco por todo o mundo.

Tem dados sobre a comunidade portuguesa no Brasil?

Sabemos que é uma comunidade estável, com poucos novos emigrantes, mas com muitas dezenas de milhões de lusodescendentes. Tem um potencial económico, político e cultural impressionante.

Tem dados sobre a comunidade portuguesa nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)?

São comunidades muito heterogéneas, com um misto de novos emigrantes, de muitos empresários e de pessoas que por lá ficaram desde antes das respetivas independências. Têm alguns problemas de segurança e muita instabilidade económica, que condiciona a sua vida.

Por fim, quais ações serão levadas a cabo de imediato e o que esperam para o futuro?

Em agosto, em Ourém, realizamos um encontro de verão das comunidades portuguesas do PSD, com a presença do nosso presidente. Seguir-se-á um conjunto de eleições e de reuniões de reorganização de diversas estruturas ao nível das secções e dos núcleos. Temos muito para fazer. Vamos ao trabalho com alegria, convicção e humildade.

TAMEM DIGO – UMA HISTÓRIA DE MIGRAÇÕES

  • Crónica de Daniel Bastos

Nos últimos anos o panorama literário sobre o fenómeno migratório tem sido profusamente enriquecido com um conjunto expressivo de obras de autores nacionais ou lusodescendentes residentes no estrangeiro, que através do mundo dos livros têm dado um importante contributo para o conhecimento de múltiplas dimensões da realidade emigratória portuguesa.

Neste panorama, destacam-se cada vez mais os contributos literários que procuram aclarar o papel das mulheres no seio da emigração. Um dos lados, como refere a investigadora no domínio da História das mulheres e do género, Irene Vaquinhas, “menos conhecido e estudado do fenómeno migratório”.

É o caso do livro Tamem Digo – Uma História de Migrações, recentemente lançado, do escritor e ativista natural de Amarante, e atualmente a residir em Bruxelas, Jorge Pinto. Coautor em 2019 do livro Rendimento Básico Incondicional: Uma Defesa da Liberdade, ano em que venceu o Prémio Ensaio de Filosofia da Sociedade Portuguesa de Filosofia; e das bandas desenhadas Amadeo e Liberdade Incondicional 2049, Jorge Pinto apresenta no seu novo livro uma homenagem à sua avó e às mulheres que ficaram para trás durante a vaga de emigração para França na década de 1960.

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Capa do livro Tamem Digo – Uma História de Migrações

Profusamente ilustrada pela artista lusodescendente Júlia da Costa, a obra biográfica com chancela da Officina Noctua, conta a história de Maria do Carmo, avó do autor, natural da freguesia de Olo, que no limiar dos anos 60 foi uma de milhares de mulheres que asseguraram a retaguarda familiar em Portugal, enquanto os homens emigravam.

Num país estruturalmente condicionado pelo regime autoritário e conservador que vigorou entre 1933 e 1974, a miséria rural, a ausência de liberdade, a fuga ao serviço militar e a procura de melhores condições de vida, impeliram entre 1954 e 1974, a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao território francês

Essencialmente masculino e oriundo das regiões rurais do norte e centro do país, o fluxo migratório em massa com destino à França, como sustenta Mélanie Mélinda Dias Lopes na tese de mestrado Memórias do salto: memórias da emigração ilegal para França, entre 1954 e 1974, “foi um factor de aumento da probabilidade de celibato para a população feminina (…) ou às chamadas viúvas de vivos”. Ainda que, a partir dos anos 60 as mulheres tenham começado “a emigrar para França
com os maridos ou juntar-se a eles posteriormente, e assim assiste-se a um reagrupamento familiar”.

Como realça Jorge Pinto na introdução do seu novo livro Tamem Digo – Uma História de Migrações, aMaria do Carmo, a Avó Carmo, foi e é uma mulher como tantas outras, com uma vida que poderia ter sido a das vossas avós, das vossas mães ou das vossas irmãs. Nasceu pobre numa aldeia no Norte de Portugal, sobreviveu, emigrou, regressou, tentou viver, amou e foi amada. Onde esteve, foi sempre uma entre muitos. E é por isso que quero falar dela. A História está cheia de heróis, falta-nos falar da gente comum, dos seus sucessos e falhanços, das suas alegrias e tristezas”.

EMPREENDEDORISMO LUSO NA AUSTRÁLIA: O CASAL JOSÉ E MARIA PEREIRA

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.

Nos vários exemplos de empresários lusos da diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do casal luso-australiano José e Maria Pereira.

Originários do arquipélago da Madeira, José e Maria Pereira emigraram no final da década de 1980 para a Austrália, um país continental cercado pelos oceanos Índico e Pacífico, onde vivem atualmente cerca de 55 mil portugueses disseminados por metrópoles como Perth, Melbourne ou Sydney.

O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos no torrão natal, impulsionaram José Pereira, mais conhecido como Joe Pereira, um ano após a chegada ao continente-ilha, a comprar ao seu antigo patrão um pequeno talho chamado Sunshine Meats em Redfern, um subúrbio no centro da cidade de Sydney, apenas com três meses de experiência profissional no ramo e 500 dólares no bolso,

De modo a não sucumbir à concorrência das cadeias de supermercados, e a ultrapassar as dificuldades de um mercado extremamente competitivo e muito suscetível aos impactos das crises económicas, o casal optou por uma aposta estratégica na qualidade e diferenciação da gama de produtos. Fazendo uso da experiência de Maria Pereira em charcutaria desde os 16 anos, o casal oriundo da pérola do Atlântico, passou a oferecer uma panóplia de produtos como massas, pães frescos, óleos e queijos, para complementar a base de carne fresca.

O conceito diferenciador estabelecido pelo casal luso-australiano passou ainda pela criação de produtos fumados e assados ​​no forno, inspirados nos sabores gastronómicos da Madeira. Produtos premium assentes na herança portuguesa, como peito de frango defumado à portuguesa”, ou as tradicionais morcelas, farinheiras e enchidos gourmet, levaram José e Maria Pereira no alvorecer do séc. XXI a mudarem-se para uma fábrica em Marrickville, um subúrbio no Inner West de Sydney, e em 2011 a erigirem uma fábrica, com uma pastelaria-café, em Milperra, um subúrbio da cidade de Canterbury-Bankstown, na região sudoeste de Sydney.

A notável capacidade empreendedora do casal luso tem sido ao longo dos últimos anos alvo de várias distinções em terras australianas, como em 2014, quando os produtos Sunshine Meats e The Charcuterie Room @ Sunshine Meats foram premiados pela Australian Pork Corporation como o melhor presunto artesanal da Austrália. E em 2018, quando um dos seus produtos de eleição, o “peito de pato defumado” foi o produto mais inovador no Food and Beverage Industry Awards, durante o Sydney Royal Fine Food Show.

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O casal José e Maria Pereira - Sunshine Meats

O sucesso que o casal madeirense alcançou nas últimas décadas no mundo dos negócios, e que leva a que os seus produtos diferenciados e de qualidade possam ser encontrados em supermercados e lojas especializadas em Sydney, Melbourne, Brisbane e Perth, tem sido acompanhado de um importante apoio à comunidade luso-australiana.

Destacando-se, por exemplo, a ligação de Maria Pereira, e da filha Celina Pereira, também ela envolvida na gestão da empresa familiar, ao Portuguese Australian Women's Association NSW, uma associação que se assume como um fórum para a participação ativa e de empoderamento das mulheres luso-australianas.

Ainda no decurso deste Verão, no seguimento da visita de José e Maria Pereira à Quinta da Vigia, a convite do Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, o governante madeirense destacou de modo elucidativo o percurso de vida do casal luso-australiano: “Este madeirense, que emigrou para a Austrália no final dos anos 80, comprou um pequeno talho um ano após lá ter chegado e, com a sua visão, resiliência e inovação, criando produtos inspirados nos sabores e cheiros da sua terra natal, expandiu-se, sendo hoje um grande e reputado empresário no país que o acolheu. Dono de uma empresa de sucesso, a Sunshine Meats, que gere com a sua mulher e filha, este emigrante, que nos deixa tão orgulhosos, é mais um exemplo da perseverança e da capacidade de luta madeirenses. São, além de tudo o mais, um casal simpático e afável”.

ARCOS DE VALDEVEZ MARCA ENCONTRO COM A DIÁSPORA

Iniciativa juntou 70 representantes de associações de sete países

As Comunidades de emigrantes arcuenses desempenham um papel importante na promoção do que é viver, visitar e investir em Arcos de Valdevez, divulgando a cultura e as potencialidades do nosso Concelho e contribuindo decisivamente para que Arcos de Valdevez fortaleça a sua atratividade.

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Neste sentido, aproveitando a presença da nossa comunidade de emigrantes e luso-descendentes em Arcos de Valdevez, a Câmara Municipal promoveu um encontro com cerca de 70 membros dos órgãos sociais de Associações espalhadas pelos quatro cantos do mundo, bem como outras personalidades que se distinguem pela sua ação no exterior.

Foram dezenas os que disseram sim ao convite, tendo estado presentes arcuenses vindos de França, do Canadá, Suíça, Estados Unidos da América, Andorra e Venezuela. Também marcou presença o Presidente da Casa dos Arcos de Valdevez em Lisboa.

O objetivo deste encontro consiste em congregar os esforços e os talentos das nossas comunidades, o seu dinamismo, o seu apego à terra, o seu espírito de fidelidade às raízes e aos valores que a distinguem.

Por outro lado, permite também dar mais notoriedade ao concelho e atrair mais investimento empresarial e turístico.

Esta edição do Encontro com a Diáspora teve início nas Oficinas de Criatividade Himalaya, depois seguiram rumo ao Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo, terminando com uma visita à Porta do Mezio.

Para a Autarquia “Este convívio representa a vontade do município, do movimento associativo e dos emigrantes em participar no desenvolvimento de Arcos de Valdevez”.

Para João Esteves, Presidente da Câmara Municipal, o concelho tem várias oportunidades para a comunidade emigrante, por isso, “continua a ser muito importante manter esta proximidade e fortalecer o relacionamento com a Diáspora Arcuense, pois ela é um dos grandes promotores das potencialidades e das oportunidades de Arcos de Valdevez.”

A proximidade e apoio à comunidade são uma constante e, reflexo disso, é a participação da Câmara Municipal e de várias empresas e produtores locais nas muitas iniciativas promovidas pelos emigrantes nos países de acolhimento, assim como a celebração de protocolos de cooperação com autarquias estrangeiras.

De notar que para reforçar o envolvimento com a comunidade emigrante foi criado um pelouro específico dedicado às relações com a Diáspora, para promover um diálogo mais intenso entre a Autarquia e a nossa vasta comunidade de emigrantes espalhada pelo mundo.

Outra das medidas foi a criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) para esclarecer e encaminhar os emigrantes na resolução dos problemas de uma forma mais rápida e eficaz (www.cmav.pt/p/gae).

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REPRESENTAÇÕES DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA NA OBRA DO PINTOR ORLANDO POMPEU

Um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, Orlando Pompeu nasceu a 24 de maio de 1956, na freguesia de Cepães, no concelho minhoto de Fafe. Estudou desenho, pintura e escultura em Barcelona, Porto e Paris, e nos anos 90 progrediu no seu percurso artístico ao ir trabalhar para os Estados Unidos da América, onde expôs na Galeria Eight Four, em Nova Iorque, e depois, Japão, tendo exposto na TIAS – Tokio International Art Show e na Galeria Garou Monogatari em Tóquio.

Detentor de uma carreira de quase quarenta anos, bem como um currículo nacional e internacional ímpar, a sua obra consta de variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Suíça, Inglaterra, Alemanha, Croácia, Austrália, Brasil, México, Dubai, Canadá, Itália, EUA e Japão.

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O pintor Orlando Pompeu no seu atelier em Cepães (Fafe)

Dentro do estilo pictórico singular, heterogéneo, criativo e contemporâneo que perpassam as diversas fases e dimensões temáticas da obra do artista plástico, encontram-se várias representações alusivas à emigração portuguesa.

Em 1989, o artista concebeu uma obra hiper-realista, acrílico sobre tela 130 x100, atualmente na posse de um colecionador particular, intitulada “Portugueses, Emigrantes e Heróis”, que constitui uma grandiosa alegoria da emigração lusa para França nas décadas de 1960-70. Nesse quadro de grandes dimensões, Orlando Pompeu, pinta numa estação de comboios, uma família carregada de malas e de sonhos na demanda de melhores condições de vida, impulso maior que levou mais de um milhão de portugueses a emigrar “a salto” para o território gaulês nesse período.

Em 2018, no âmbito do programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Canadá, nação que alberga uma das mais dinâmicas comunidades lusas na América do Norte, a Peach Gallery, uma das mais vibrantes galerias de arte em Toronto, deu a conhecer à numerosa comunidade luso-canadiana uma exposição composta por 40 aguarelas sobre papel do reputado pintor.

Uma exposição cujas aguarelas foram pintadas com várias representações de símbolos identitários da cultura portuguesa, como a bandeira nacional e a guitarra, que muito contribuem para a construção e reforço da portugalidade. Assim como, com diversos elementos canadianos, como por exemplo, a CN Tower, um símbolo de Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes neste território da América do Norte.

No decurso do presente mês, no âmbito da Festa do Emigrante promovida pelo Município de Fafe, uma iniciativa que congregou um conjunto diversificado de acontecimentos de cariz cultural, social e identitário que pretendeu homenagear os emigrantes locais num período em que visitam a Sala de Visitas do Minho, o artista plástico inaugurou uma exposição composta pelos desenhos concebidos propositadamente para a ilustração do livro “Crónicas – Comunidades, Emigração e Lusofonia”.

Os desenhos, que arrebataram no Salão Nobre do Teatro Cinema de Fafe, antigos e atuais emigrantes no Brasil, Canadá, França, Inglaterra e Suíça, na esteira da missão primordial do livro, procuram dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que saíram de Portugal.

MUDAR

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  • Crónica de Daniel Bastos

No ocaso do passado mês de julho, o júri da 26.ª edição do Prémio Nacional de Ilustração, atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que tem como objetivo reconhecer e incentivar o trabalho de artistas portugueses ou residentes em Portugal no domínio da ilustração de livros, anunciou que a artista plástica Ana Ventura venceu, por unanimidade, este relevante galardão com o livro Mudar.

Ilustradora e artista plástica multifacetada, Ana Ventura, que nasceu em Lisboa, em 1972, e é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), tem ao longo dos últimos anos deixado a sua marca nos mais diversos suportes, desde livros, serigrafias, postais, roupa e acessórios.

Artista da galeria do Centro Português de Serigrafia, com o qual trabalha regularmente desde 2006, técnica que usou nas ilustrações do livro Nove storie sull'amore, de Giovanna Zoboli, assim como no livro Os Pensamentos não fazem barulho, de Magikon Forlag, e O rapaz que não se tinha quieto, de Rita Taborda Duarte. A vencedora da recente edição do Prémio Nacional de Ilustração, constituído por um prémio de 10.000 euros, acrescido de 1500 euros destinados a apoiar uma deslocação à Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, em Itália, assina e ilustra o livro Mudar, publicado no ano transato pela editora Pato Lógico.

Uma das singularidades do livro, composto sobretudo em duas cores – amarelo e azul – que dialogam em contrastes, entre luz e sombra, é que o mesmo assume-se como uma metáfora da emigração portuguesa do séc. XXI, tanto que foi inspirado na própria história de vida da artista plástica, que emigrou em 2015 para a Bélgica, onde vive e trabalha.

Segundo Ana Ventura, «Mudar coincide com a minha experiência pessoal de sair de Portugal e ir para a Bélgica. A ideia para a história surgiu quando, numa tarde de Outono ao atravessar o parque da cidade em Antuérpia, apanhei uma folha do chão. Pensei: "Está a mudar de cor, está a adaptar-se a uma nova realidade". Para representar esta mudança, recorri à utilização de duas cores, o amarelo e o azul. Mudar fala de alguém que, por qualquer razão, decide partir, ir para um território desconhecido à procura de uma vida melhor. Sair da zona de conforto, escolher o que levar, o que deixar, as incertezas, o entusiasmo da aventura, a reacção dos que ficam e dos que nos recebem são coisas que fazem parte dum processo complexo de adaptação. Este livro é uma metáfora sobre os dias de hoje em que todos nós, seja pela aventura, pelo trabalho, pela religião, pela guerra, por amor, pela família, pela curiosidade, viajamos, circulamos, mudamos e nos misturamos pelo mundo fora.  As ilustrações foram inspiradas em locais, casas, lojas, plantas, amigos e familiares que vou conhecendo».

Neste sentido, o recente trabalho da artista plástica portuguesa expresso no livro Mudar, renova a linha de força defendida pelo seu congénere mexicano Felipe Baeza, que vive e trabalha em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América: “Acredito que a arte tem um papel crucial em transformar, redefinir e repensar o fenómeno global da imigração”.

FAFE REALIZA FESTA DO EMIGRANTE

Festa do Emigrante: jantar de confraternização para as boas-vindas

As boas-vindas aos emigrantes serão assinaladas com a "Festa do Emigrante", que regressa dois anos após a pausa forçada devido à conjuntura pandémica. O programa arranca esta sexta-feira, com o jantar de confraternização, que decorrerá no Pavilhão Multiusos e será animado pelo grupo Ases d'Ouro.

As inscrições para o jantar podem ser feitas na Loja de Turismo de Fafe (9h00 às 13h00 e 14h30 às 17h30), até esta quinta-feira, 4 de agosto. A inscrição é gratuita, mediante pagamento de uma caução de cinco euros por pessoa, caução essa que será devolvida no final do jantar.

O programa prolonga-se até 10 de agosto. São cinco dias marcados pela tradição, pela música e, pela primeira vez neste âmbito, por iniciativas ligadas ao mundo artístico, como pintura, literatura e cinema.

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MUNICÍPIO ARCUENSE INTENSIFICA GAE – GABINETE DE APOIO AO EMIGRANTE

A relação com a comunidade de emigrantes arcuenses assume particular relevância para a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. A Autarquia tem visitado as comunidades no estrangeiro, participando em iniciativas de promoção cultural, recreativa e económica, organizadas pelos nossos conterrâneos. O Município tem celebrado protocolos de cooperação com autarquias estrangeiras. Tem, igualmente criado várias medidas, no sentido de criar uma maior proximidade com as comunidades portuguesas, nomeadamente através da criação de um pelouro específico dedicado às relações com a diáspora, bem como com a dinamização do GAE - Gabinete de Apoio ao Emigrante, para prestar apoio no regresso e reinserção dos emigrantes no país.

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Dirigido aos emigrantes, àqueles que já regressaram, assim como a todos os cidadãos e empresas que pretendam iniciar um processo migratório, através do GAE, o Município oferece um atendimento de grande proximidade e dá apoio em várias áreas, fomentando a inter-relação entre o Município e as Comunidades Portuguesas.

O GAE está capacitado para responder a questões inerentes ao regresso dos cidadãos e reinserção em todas as suas vertentes, seja social, jurídica, económica, investimento, emprego, estudos, entre outras. Para além disso, o serviço encontra-se apto a apoiar os emigrantes em matérias da competência da Câmara Municipal, nomeadamente nos Licenciamentos, Alvarás, Projetos e Ação Social, assim como prestar apoio junto de outros organismos públicos.

Com este Gabinete, o Município pretende congregar os talentos das comunidades arcuenses, o seu dinamismo, o seu apego às raízes e aos valores que a distinguem, em prol do progresso do concelho de Arcos de Valdevez.

Toda a informação poderá ser consultada em https://www.cmav.pt/p/gae

FAFENSE JOSÉ RODRIGUES É UM DOS MAIORES PRODUTORES DE VINHOS DE BORDÉUS

  • Crónica de Daniel Bastos

A França, um dos principais países produtores de vinho no mundo, tem na região de Bordéus, uma das suas mais afamadas regiões vinícolas, a origem de um dos mais emblemáticos símbolos da cultura e gastronomia gaulesa: o vinho de Bordéus.

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José Rodrigues, natural de Fafe e um dos maiores produtores do vinho de Bordéus. Foto: Carlos Pereira / https://radioalfa.net/

Com uma produção anual de mais de 700 milhões de garrafas, a região de Bordéus, no sudoeste de França, produz uma enorme quantidade de vinhos de mesa para o dia-a-dia, assim como, também dos mais prestigiados e conhecidos vinhos de luxo a nível mundial.

Entre os maiores produtores de vinhos de Bordéus, destaca-se o franco-português José Rodrigues, detentor de quatro propriedades, “châteaux”, identificadas como Domaines Rodrigues-Lalande, com mais de 70 hectares de vinha e uma produção anual de mais de 500 mil garrafas.

Natural da freguesia de Vinhós, concelho de Fafe, território minhoto fortemente marcado pelo fenómeno migratório para o Brasil no alvorecer do séc. XX, e para França na década de 1960, época em que José de Matos Rodrigues chegou ao território gaulês com os pais, apenas com meio ano de idade, e onde tinha já um avô instalado desde 1929 no promontório de Cap Ferret.

O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos no seio familiar,impulsionaram o jovem oriundo de Fafe, numa primeira fase a formar-se em engenharia química, que o levou a trabalhar durante oito anos na indústria da energia, e mais tarde, a seguir a paixão do vinho, herdada do avô, e a formar-se como enólogo em Bordéus.

Tendo começado por adquirir o setecentista Château de Castres, e depois o Château de Beau-Site e de Roche-Lalande, e mais recentemente o Château du Pont Saint Martin, onde se encontra uma bandeira portuguesa hasteada à entrada, José Rodrigues tem-se destacado pela dedicação, tradição e inovação na produção de vinhos. Premissas que concorrem para que os mesmos sejam servidos em cerca de uma centena de restaurantes em Bordéus, e estejam presentes em todo o mundo, desde a Tailândia a Nova Iorque.

Mantendo uma relação estreita com a família portuguesa, e também com a que vive no Brasil, José Rodrigues tem nos últimos anos apostado também no enoturismo, através da oferta de alojamento, espaços para seminários, reuniões e provas de vinhos. Simultaneamente tem procurado estreitar os laços com a comunidade luso-francesa, constituída por milhares de compatriotas, como por exemplo, através da iniciativa que ocorreu no ano transato, quando a associação “O Sol de Portugal” de Bordéus, no âmbito do seu 40.º aniversário organizou uma sessão de fotografias, seguida de uma prova de vinhos no Château Pont Saint-Martin.

Uma das figuras mais conhecidas da comunidade lusa em Bordéus, o exemplo de vida do produtor de vinho franco-português, José Rodrigues, que a breve trecho tem intenção de comprar uma quinta no Douro, uma zona vinícola portuguesa de eleição, recorda-nos a máxima do escritor renascentista francês Rabelais: “O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia”.

FAFE REALIZA FESTA DO EMIGRANTE

Fafe promove Festa do Emigrante de 5 a 10 de agosto

Boas-vindas aos emigrantes marcadas pelo habitual jantar de confraternização, música popular e, pela primeira vez, por iniciativas ligadas ao universo das artes.

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Dois anos após um interregno devido à pandemia, a Festa do Emigrante em Fafe regressa, de 5 a 10 de agosto. São cinco dias de um programa marcado por convívio, música popular, tradições e, pela primeira vez neste âmbito, iniciativas ligadas ao mundo artístico, como pintura, literatura e cinema.

O programa tem início no dia 5 de agosto, sexta-feira, com o habitual jantar de confraternização, que terá lugar no Pavilhão Multiusos e que será animado pelo grupo Ases d'Ouro. As inscrições para o jantar podem ser feitas na Loja de Turismo de Fafe, até 4 de agosto. No sábado, dia 6, e até domingo, começa, na Praça 25 de Abril, a Feira de Artesanato e Produtos Locais. Às 21h30, apresenta-se o espetáculo de danças latinas “Olé”, protagonizado pelo grupo "Sabor Latino", às 21h30, também na Praça 25 de Abril.

No domingo, 7 de agosto, o dia começa com um passeio e exposição de automóveis clássicos, na Praça 25 de abril, organizado pelo CAF Clube Automóvel de Fafe. A tarde de domingo será de muito animação na presença do programa "Somos Portugal" da TVI, que fará emissão em direto, a partir da Arcada, das 14h00 às 20h00.

Programa cultural da Festa do Emigrante

Pela primeira vez desde a sua realização, a Festa do Emigrante integra um conjunto de iniciativas culturais na sua agenda. A primeira acontece no 8 de agosto, segunda-feira, e será uma sessão de cinema na Sala Manoel de Oliveira, às 21h30, onde será apresentado o filme "Erosão, Um olhar sobre a Emigração". A película foi realizada pelo grupo EnfimTeatro, núcleo dramático da Sociedade de Recreio Cepanense.

No dia seguinte, 9 de agosto, terça-feira, às 21h00, no Salão Nobre do Teatro Cinema de Fafe, será inaugurada uma mostra de arte da autoria do mestre pintor Orlando Pompeu. Trata-se de “Ensaios sobre a Emigração”, uma exposição de desenhos alusivos ao livro "Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia", escrito por Daniel Bastos, obra que será apresentada na mesma data e local, às 21h30.

O livro reúne as cerca de centena e meia de crónicas que o escritor, historiador e atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, tem redigido nos últimos anos em diversos meios de comunicação, dirigidos para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Para o dia de encerramento do programa, quarta-feira, 10 de agosto, está reservada uma apresentação de "Folclore do Mundo", na Arcada, a partir das 21h00.

O PASTEL DE NATA NA GEOGRAFIA MÚLTIPLA DOS DESTINOS DOS EMIGRANTES PORTUGUESES

  • Crónica de Daniel Bastos

Uma das mais populares especialidades da doçaria portuguesa, os pastéis de nata, também muito conhecido por pastéis de Belém, um verdadeiro símbolo nacional aquém e além fonteiras, encontram-se fortemente implantados no seio das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Muitas são as pastelarias lusas disseminadas pela geografia da diáspora que ao longo das últimas décadas têm ampliado o sabor inconfundível do mais internacional bolo português, e que através do mesmo têm gerado uma das suas mais importantes fontes de receitas.

Em vários países europeus, que acolhem emigrantes portugueses, facilmente se encontram pastelarias onde se pode saborear a especialidade mais prestigiada da doçaria nacional. Em França, o país do mundo com o maior número de portugueses emigrados, a “Pastelaria Belém”, a “Comme à Lisbonne” ou a “Canelas”, são conhecidos espaços onde se pode comer pastéis de nata em Paris.

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A Pastelaria Belém, no centro de Paris, é um dos espaços de referência na capital francesa onde se pode degustar um pastel de nata

Na rota do pastel de nata, entre os portugueses emigrados na Europa, encontram-se também, por exemplo, a “Pasteleria Lisboa”, na capital espanhola; a “Lisboa Patisserie”, na capital inglesa; a “Pâtisserie Garcia”, na capital belga; a “Pastel de Nata”, na capital norueguesa; a “Pastelaria A Galão”, na capital alemã; ou a “Nata Lisboa”, na capital austríaca.

O cenário de diversidade e qualidade deste genuíno cartão-de-visita da doçaria nacional nas comunidades lusas fora da Europa é idêntico. Desde a América do Norte, onde no Canadá, em Toronto, por exemplo, encontramos a “Nova Era Bakery” a “Caldense Bakery & Pastries” ou “Doce Minho Pastry And Bakery”; e nos Estados Unidos, a “Taunton Ave Bakery”, em East Providence, o “Portuguese Tasty Desserts” na Califórnia, a “Tia Maria's European Cafe", em New Bedford, ou a “Jordan's Bakery”, no Ironbound. Até ao maior país sul-americano, mormente no Brasil, onde a “Casa Mathilde”em São Paulo, ou aCasa das Natas Copacabana”, no Rio de Janeiro, são pontos afamados para degustar uma das maravilhas da doçaria portuguesa.

Nesta esteira, encontramos também, por exemplo, a “Lord Stow's Bakery”, em Macau, na China; o “Nata de Cristiano’s” em Tóquio, no Japão; o “Café Contienental”, em Moçambique; a “Sweet Belem Cake Boutique”, em Sydney, na Austrália; ou o “Nattas”, no Dubai.

Como destaca, o mestrando Chak Hoi Tong, na tese Pastel de Nata – Marco da Gastronomia de Macau, o “pastel é sem dúvida em Portugal um símbolo nacional, motivo de orgulho e representação da cultura portuguesa”, e encontra-se profusamente presente na geografia múltipla dos destinos dos emigrantes portugueses.

EMIGRANTE ALTINA RIBEIRO APRESENTA EM FAFE O ROMANCE BIOGRÁFICO “DONA ZEZINHA – A VIDA SINGULAR DE UMA PROFESSORA”

O romance biográfico “Dona Zezinha – A vida singular de uma professora”, de Altina Ribeiro, natural de Chaves e emigrante em França há mais de meio século, é apresentado esta sexta-feira, 22 de Julho, pelas 21h30, no exterior da Biblioteca Municipal de Fafe, se o tempo o permitir, numa iniciativa do Município, no âmbito das atividades do Museu das Migrações.

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A anteceder, regista-se a atuação do Grupo de Cavaquinhos da AAPAEIF.

Este quarto livro de Altina Ribeiro é uma biografia de «Dona Zezinha», uma professora que ensinou entre Guarda e Sabugal no tempo da ditadura de Salazar. A história foi contada à escritora pelo filho da docente que, naquela altura, foi para França, a salto, para fugir à guerra colonial.

Em Fafe, será o primeiro lançamento do livro. Depois, será apresentado em Sabugal, Chaves e Lisboa.

Altina Ribeiro nasceu em São Vicente, uma aldeia do concelho de Chaves. Tinha apenas dois anos quando o seu pai emigrou para a França, a salto. Seis anos mais tarde, em 1969, o pai reúne toda a família em Paris.

Decorridos mais de trinta anos de vida em França, cresceu em Altina o desejo de contar a sua própria história em francês. Assim, a sua autobiografia «Le fado pour seul bagage» foi publicada em 2005.

Após este lançamento, outra emigrante, Alice Neto, que também queria partilhar a sua viagem de armadilhas, confiou-lhe alguns episódios da sua vida. Assim, a biografia «Alice au pays de Salazar» nasceu cinco anos depois.

Em Julho de 2011, saiu uma nova versão do seu primeiro livro «Le fado pour seul bagage”. Dado o interesse despertado pela sua obra, Altina Ribeiro traduziu-a e adaptou-a para português, sob o título “De São Vicente a Paris”.

A autora escreveu ainda a biografia do autor, compositor e intérprete Dan Inger dos Santos, co-escrita com o músico, sob o título “Trois notes de blues pour un fado - Dan Inger – À conversa com Altina Ribeiro”.

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A ARQUITETURA DOS “BRASILEIROS DE TORNA-VIAGEM” EM FAFE

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  • Crónica de Daniel Bastos

Na senda das vagas contemporâneas de emigrantes portugueses para vários países do mundo, evidencia-se o ciclo transatlântico na passagem do séc. XIX para o séc. XX, e que teve como principal destino o Brasil.

Pressionados pela carestia de vida e baixos salários agrícolas, mais de um milhão de portugueses entre 1855 e 1914 atravessaram o oceano Atlântico, essencialmente seduzidos pelo crescimento económico da antiga colónia portuguesa. Procedente do mundo rural e eminentemente masculino, o fluxo migratório foi particularmente incisivo no Minho, um dos principais torrões de origem da emigração portuguesa para o Brasil.

Enobrecidos pelo trabalho, maioritariamente centrado na atividade comercial, e após uma vintena de anos geradores de um processo de interação social que os colocou em contacto com novas realidades, hábitos, costumes e posses, o regresso de “brasileiros de torna-viagem” a Portugal, trouxe consigo um espírito burguês empreendedor e filantrópico marcado pela fortuna, pelo gosto de viajar, e pelo fascínio cosmopolita da cultura e língua francesa.

Ainda que sintomática das debilidades estruturais do país, a emigração portuguesa para o Brasil entre o séc. XIX e XX, facultou através do retorno dos “brasileiros de torna-viagem”, os meios e recursos necessários para a transformação contemporânea do território nacional, com particular incidência no Noroeste de Portugal.

Como menciona Miguel Monteiro, no artigo O Museu da Emigração e os “Brasileiros” do Rio: o público e o privado na construção de modernidade em Portugal, recuando à segunda metade do séc. XIX, encontramos nos “brasileiros” aqueles que alcançando fortuna no Brasil, “construíram residências, compraram quintas, criaram as primeiras indústrias, contribuíram para a construção de obras filantrópicas e participaram na vida pública e municipal, dinamizando a vida económica, social e cultural”.

Estas marcas identitárias do ciclo do retorno dos "brasileiros de torna-viagem", encontram-se singularmente presentes no centro urbano de Fafe, uma cidade do interior norte de Portugal, situada no distrito de Braga, no coração do Minho, nomeadamente, ao nível arquitetónico, onde sobressaem belos edifícios e palacetes.

Estas antigas moradias, símbolos da afirmação, do prestígio dos “brasileiros de torna-viagem” e da sua fortuna, apresentam-se rebocadas e caiadas, ou cobertas com azulejos, estando presentes as cores do Brasil, com beirais de faiança, varandas estreitas com guardas de ferro forjado ou fundido, claraboias e estatuetas, átrios decorados com azulejo e escadarias de madeiras preciosas. Ao nível do seu interior, como sustenta Alda Neto em As Casas de Brasileiros: os movimentos migratórios e a construção de itinerários no Norte de Portugal, este é “é ocupado por um mobiliário rico, pela decoração das paredes inspirada nos postais ilustrados trazidos do Brasil, por porcelanas inglesas compradas através dos catálogos existentes na época. Os estuques são um outro elemento utilizado na decoração do interior destes edifícios. Estes são utilizados na decoração dos tetos e das paredes das principais divisões da casa, nomeadamente as salas de jantar e de estar. Os principais temas representados são animais e objetos característicos ou mesmo simbólicos ou motivos florais e geométricos”.

A arquitetura dos “brasileiros de torna-viagem” é hoje um dos ex-libris da “Sala de Visitas do Minho”, e um dos elementos centrais que impulsionaram o Município de Fafe a instituir no clarear do séc. XXI o Museu das Migrações e das Comunidades. Um espaço museológico, percursor no seu género em Portugal, que assenta a sua missão no estudo, preservação e comunicação das expressões materiais e simbólicas da emigração portuguesa, detendo-se particularmente na emigração para o Brasil na transição do séc. XIX para o séc. XX.