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BLOGUE DO MINHO

Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes do Minho e Galiza

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NATAL NO MINHO NÃO DISPENSA A DOÇARIA TRADICIONAL DE ARCOS DE VALDEVEZ

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O concelho de Arcos de Valdevez é um dos concelhos minhotos que possui uma das mais ricas e variada doçaria tradicional. A sua fama ultrapassa inclusive os limites da nossa região. E, no Natal, não existe no Minho lar que dispense as guloseimas tradicionais deste concelho alto-minhoto.

São elas os Charutos dos Arcos e o Pão de Ló do Soajo, o Bolo de discos e os Calhaus do Soajo, o Bolo de Mel e, como não podia deixar de ser, os tão característicos Rebuçados dos Arcos.

A doçaria tradicional de Arcos de Valdevez também possui os seus guardiães que não deixam os seus méritos por mãos alheias. Encontram-se entre eles a Padaria do Soajo e a Doçaria Central, localizada na rua General Norton de Matos, na vila de Arcos de Valdevez.

Em relação à Doçaria Central é justo fazer-lhe uma referência especial. E, para isso, nada melhor do que transcrever o seu própria historia oficial.

“Fundada em 1830 a Doçaria Central tem como especialidades o Doce Sortido; Pão de Ló; Charutos dos Arcos e Rebuçados dos Arcos.

Desde que foi fundada por Francisca Doceira, em 1830, que cada doce guarda o saber e o sabor dos ensinamentos que recebeu num convento. O lento passar do tempo permitia mil e uma experiencias com açúcar, ovos, amêndoa, chocolate e coco transformando as receitas em verdadeiros tesouros.

Mantendo os segredos sempre em família, de geração em geração, entrar na Doçaria Central é recuar á época das balanças decimais, dos fornos a lenha e das batedeiras á manivela. Utensílios com mais de cem anos que guardam o sabor de sempre”.

Arcos de Valdevez torna mais doce o nosso Natal!

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BARCELOS: DOCES DE NATAL ENCERRAM PROGRAMA ANUAL DE GASTRONOMIA

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Concurso e workshop no próximo sábado

O Município de Barcelos promove, no dia 6 de dezembro, às 10h00, no Mercado de Natal, a 15.ª edição do concurso Barcelos Doce – Tentações de Natal.

Esta atividade acontece no âmbito do programa “A Magia de Natal” e pretende promover a excelência dos doces tradicionais desta quadra festiva, confecionados pelas pastelarias e confeitarias do concelho de Barcelos e que são presença obrigatória nas mesas das famílias de Barcelos.

Com esta atividade, o Município de Barcelos pretende também divulgar e fomentar a mestria do trabalho realizado pelos pasteleiros barcelenses.

Também no próximo sábado, a partir das 15h00, no Posto de Turismo, vai decorrer um workshop de doçaria de Natal “Bombons de Chocolate”, dinamizado por Rita Veloso.

As inscrições para este workshop são gratuitas e podem ser feitas através do link https://shorturl.at/KKzNM.

A edição de 2025 do concurso Barcelos Doce – Tentações de Natal vai premiar o melhor Bolo-Rei, Pão de ló e Rabanadas, e conta com a participação de oito pastelarias, padarias e confeitarias do concelho: Macieira Doce (Macieira de Rates), Padaria Avenida (Arcozelo), Padaria e Pastelaria Cristo Rei (Barcelos), Padaria Flor de Durrães (Durrães), Pastelaria Paniprogresso (Barcelos), Regresso Pastelaria e Salão de Chá (Arcozelo), Sabor & Arte (Barcelos), e S. Bento – Fabrico Próprio (Airó).

PONTE DE LIMA É A CAPITAL DO LEITE-CREME – UM DOS PALADARES MAIS APRECIADOS DE PORTUGAL!

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De textura leve e aveludado, o leite-creme é a sobremesa de eleição da Gastronomia Limiana, fazendo de Ponte de Lima a capital da doçaria minhota.

Confecionado com base na qualidade dos produtos endógenos desta Terra de saberes e de sabores, a receita do leite-creme assenta numa herança que transitou entre famílias, atraindo todos aqueles que gostam de doces e que não podem deixar de saborear a textura do leite-creme queimado pela férrea - um ferro em brasa com o qual se queima açúcar espalhado à superfície do creme. “Sarrabulho sem remate de leite-creme é como mesa sem pão, que só no inferno a dão”, escrevia o poeta Manuel Couto Viana, conferindo a excelente combinação do leite-creme com o ex-libris da Gastronomia limiana.

É um doce tradicional minhoto bastante apreciado pela sua cremosidade e sabor. A receita básica envolve leite, gemas, açúcar, farinha ou amido de milho, pau de canela e casca de limão. O processo inclui aquecer o leite com os aromatizantes, misturado com as gemas e engrossado em lume brando. Depois de arrefecido, o leite creme é polvilhado com açúcar e queimado com um ferro ou maçarico para criar uma camada caramelizada no topo.

A restauração da vila continua a confecionar esta especialidade doceira confirmando Ponte de Lima como um dos maiores polos gastronómicos e doceiros de Portugal!

VALENÇA: ONDE O NATAL TEM SABOR A CHOCOLATE!

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Entre 28 de novembro e 8 de dezembro, a mágica Fortaleza de Valença volta a vestir-se de sabor e encanto para receber o evento mais doce do ano: Valença Fortaleza de Chocolate.

Durante 11 dias irresistíveis, o aroma do cacau vai envolver as ruas e muralhas desta cidade histórica, transformando-a no paraíso dos amantes de chocolate.
Deixe-se perder pelos percursos deliciosos que unem a Praça da República, o Largo do Governo Militar, o Baluarte do Faro e o Largo do Bom Jesus — cada recanto promete uma experiência única, onde o chocolate se reinventa em formas surpreendentes, texturas tentadoras e sabores inesquecíveis.

Prepare-se para degustações exclusivas, produtos inovadores, demonstrações ao vivo e animação constante que vão conquistar miúdos e graúdos.

Esta edição promete ser uma verdadeira celebração sensorial, onde o chocolate é arte, prazer e magia, tudo num só lugar, a Fortaleza de Valença.

Este Natal, Valença será o destino onde o chocolate ganha vida. Venha viver esta doçura, partilhar momentos únicos e deixar-se levar pela magia da Valença Fortaleza de Chocolate!

O evento enquadra-se nas celebrações natalícias de Valença, que arrancam a 28 de novembro e se prolongam até 6 de janeiro, num total de 41 dias de pura magia. Um convite irrecusável para celebrar o Natal com sabor, tradição e um toque irresistível de chocolate.

PONTE DE LIMA ABRE INSCRIÇÕES PARA BOLO REI E PÃO DE LÓ NA HAVANEZA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Fundada cerca de 1930, a Confeitaria Havaneza em Ponte de Lima, prossegue o seu trabalho de doçaria excepcional perante uma clientela geograficamente diversificada, mormente pela comunidade Limiana radicada nas regiões de Lisboa e Porto, além da regional e local, mercê de tradição desse produto de qualidade de seus fornos, especialmente a partir da década de cinquenta do século passado. Foi o saudoso empresário António Martins quem redimensionou o fabrico com novos equipamentos ou novidades ao tempo, exigência que seus filhos seguem na senda do bom serviço ao público e a dinâmica do gerente, Paulo Martins Marlene.

Embora ainda estejamos a um mês da quadra natalícia, os famosos doces de época festiva, isto é o Pão de Ló na Páscoa e o Bolo – Rei no Natal já são motivo de encomenda por parte dos seus amantes. De dentro e de fóra do concelho, de aquém e além território nacional, os pedidos são provenientes também da comunidade portuguesa radicada por essa Europa, com especial proveniência na Espanha e França. E, no âmbito de suas acções caritativas, a Havaneza colabora para a Ceia de Natal dos mais necessitados, com destaque para a associação – Muda Tu – de Arcozelo, frente á sede do concelho.

E, com a contratação de um novo pasteleiro, o jovem Lohan Mendes, formado pela escola de hotelaria Nova Safra, de Minas Gerais, Brasil, a linha de fabrico desses doces especiais mantêm a qualidade, e até alguma inovação no que concerne a frutos secos.

Aproveitamos a crónica para referir, que o novo elemento nas artes doceiras da mais antiga confeitaria do concelho e uma das de vanguarda também de existência no Minho, já introduziu também novos doces na montra da Havaneza.

No doce sortido, propomos o limonete, um bolinho em formato de parafuso ou trança, feito de massa com farinha de ovos, raspa de limão e manteiga. Johan, completou o seu rol de novas proposta na montra, com a oferta do queque de frutos vermelhos, os cubos de côco amanteigados, a panadilla de atum e azeitona, o pastel de Chaves e as mini – pizzas.

Para encerrar o texto de hoje, uma curiosidade: o fabrico de Pão de Ló para o público, o mais famoso de Portugal, saído da sucedânea casa de Leonor Rosa, em Margaride, Felgueiras, fornecedora das casas reais de D. Luis e D. Carlos, remonta a 1730. Mas, parece que antes já existia em receituário caseiro, a avaliar pela descoberta de um documento da Casa do Bárrio, em Moreira do Lima. O papelinho é datável de antes de 1700, segundo a directora do Arquivo de Ponte de Lima, Cristiana Freitas, que catalogou esse acervo da família Norton de Matos Prego, lá depositado para consulta de interessados.

E, também na vizinha Arcozelo, em casa das saudosas – Senhoras da Renda – local de recolha de rendas agrícolas para o Colégio de São Caetano, em Braga, o livro de receitas regista também uma proposta do obrigatório doce pascal, fabricado para consumo doméstico e ofertas a amigos nas décadas de sessenta e setenta do século passado.

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BOLO-REI TEM ORIGENS PAGÃS… UMA DAS GULOSEIMAS MAIS APRECIADAS!

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À semelhança do que sucede com a generalidade dos costumes da atualidade, perde-se no tempo a verdadeira origem do bolo-rei, da mesma maneira que também este apresenta formas e designações variadas consoante as culturas. Assim, em Inglaterra mantém-se a tradição de comer e efectuar corridas com panquecas por ocasião da Terça-feira Gorda. Tratam-se, na realidade, de festividades de origem pagã que se encontram ligadas a rituais de fertilidade que outrora se realizavam por ocasião do Entrudo e visavam preparar a chegada da Primavera e, como ela, o renascimento dos vegetais.

A própria designação de Terça-feira Gorda remete-nos para o antigo costume de fazer desfilar pela cidade um boi gordo antes de sacrificá-lo, prática cujas reminiscências ainda se preservam nomeadamente através das largadas de touros e na corrida da Vaca das Cordas. Da mesma forma que nos festejos carnavalescos se preserva a figura do respectivo Rei que cabia outrora àquele que no bolo encontrasse a fava ou o feijão dourado, sendo como tal tratado durante o ano inteiro.

Por seu turno, os romanos introduziram tal prática por ocasião das saturnais que eram as festividades que se realizavam em 25 de Dezembro, em celebração do solstício de Inverno, também eles elegendo um rei da festa escolhido á sorte pelo método da fava. À semelhança do que se verifica com a Coroa do Advento, a sua forma circular remete para antigos ritos solares perfeitamente enquadrados nas festividades solsticiais e nas saturnais romanas.

Com vista à conversão dos povos do Império Romano que preservavam em geral as suas crenças pagãs, o Cristianismo passou a identificar o “bolo-rei” com a celebração da Epifania e, consequentemente, aos Reis Magos. E, assim, aos seus enfeites e condimentos passaram a associar-se as prendas simbólicas oferecidas ao Messias ou seja, a côdea, as frutas secas e cristalizadas e o aroma significam respectivamente o ouro, a mirra e o incenso. Apesar disso e atendendo a que eram três os reis magos, esta iguaria não passou a ser identificada como “bolo dos reis”, conservando apenas a sua designação como “bolo-rei” ou seja, contrariando a sua própria conversão.

Durante a Idade Média, este costume enraizou-se na Europa devido à influência da Igreja a tal ponto que passou a ser celebrado na própria corte dos reis de França e a ser conhecido como Gâteau des Rois. Porém, com a revolução francesa, o mesmo veio a ser proibido em virtude da sua alusão á figura real, o mesmo tendo sucedido entre nós, imediatamente após a instauração da República, tendo alguns republicanos passado a designá-lo por “bolo-presidente” e até “bolo Arriaga”, em homenagem ao então Presidente da República.

Quanto aos seus condimentos e método de confecção, é usual associar-se à tradição da pastelaria francesa a sul do Loire, o que parece corroborar com a informação de que foi a Confeitaria Nacional a primeira casa que em Portugal produziu e vendeu o bolo-rei a partir de uma receita trazida de França, por volta de 1870. Resta-nos saber, até que ponto, também esta não terá buscado inspiração no tradicional bolo inglês.

Com a aproximação da Páscoa associada à chegada da Primavera e, com ela, o renascimento da Vida, o tradicional folar não trará favas escondidas no seu interior mas ovos que simbolizarão a fertilidade, de novo a evocar ritos ancestrais a um tempo anterior à nossa conversão ao Cristianismo. 

FEIJÓS DA SUÉCIA EM PONTE DE LIMA: AS BOLAS DE BERLIM DA BIJOU – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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A sua introdução na pastelaria portuguesa ocorreu no início da década de quarenta do século passado, com os refugiados judeus a fixarem-se em Portugal, fugindo da saga da II Guerra Mundial e da perseguição e morte do domínio nazi. As – Bolas de Berlim – designação aportuguesada, mas Berliner Ballen na sua nomenclatura originária, ou Krapfen na Áustria, ou Kobliha na República Checa, e simplesmente Sonho  no Brasil, é uns doces mais conhecidos e catalogados pelo Taste Atlas World Food.

Entre desejo de provar ou repetir, como acompanhante de pequeno almoço ou lanche, principalmente, a Bola de Berlim não existe na Europa do Norte! Que o digam os representantes do ilustre diplomata, poeta e gastrónomo António Feijó, há três semanas aquando de suas miniférias na Pátria chica do antepassado.

A família Wesslén [Feijó] amesou na Bijou, local recomendado para degustar o típico doce de origem germânica e introduzido na mescla doceira nacional há uns oitenta anos, cujos pasteleiros residentes são exímios no seu fabrico, e como tal reconhecidos pelo seu trabalho, com encomendas em período de Páscoa e Natal para Espanha, França e Alemanha.

Mas, e agora comentários do painel de provadores da Suécia na Bijou? Óptimo sabor na relação massa e creme, este na versão original de côr amarela (o creme de pasteleiro),e polvilhado medianamente de açúcar, salientou-nos Erik, trineto de Feijó, portanto com ADN herdado um pouco de gulodice…

Voltando à tal enciclopédia de sabores ou de comida e doces do mundo acima citada – ATLAS – a Bola de Berlim ocupa o honroso 26º lugar na lista deste ano de 2025, catalogados que estão dez mil produtos e bebidas, com Portugal também a receber a 39ª posição com a carne de porco à alentejana.

E, soubemos, que entre familiares e amigos suecos, a Bola de Berlim passará a ser recomendada pelos Feijós da Suécia, em roteiro português e Limiano, pois Ponte de Lima que já se encontra no mapa de turismo gastronómico sueco desde há uns anos, acrescentará agora um doce de predominância nacional também com fabrico na terra originária do sangue dos Wesselén.

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PAREDES DE COURA TEM MEL… EM CORNO DO BICO!

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A quase 900 metros de altitude situa-se a área da Paisagem Protegida do Corno do Bico, no concelho de Paredes de Coura.

Isolada em relação aos grandes aglomerados urbanos e vias de comunicação, o Corno do Bico beneficia de extraordinárias condições ambientais que lhe permitem nomeadamente a cultura apícola.

Tal como o povo de Israel foi conduzido à terra prometida onde jorraria o leite e o mel, também os limianos foram abençoados com uma terra fértil na qual se produz uma das maiores riquezas do Minho – o mel!

De acordo com pesquisas científicas e históricas, a produção do mel por abelhas remonta há quase 20 milhões de anos, portanto a uma época bastante mais recuada à existência do próprio Homem. Porém, o começo da apicultura deverá ter ocorrido há mais de 4 mil anos no Antigo Egipto. De resto, foram em 1922 encontradas no túmulo de Tutankhamón várias vasilhas com mel em perfeitas condições, apesar do tempo decorrido.

No século I, os chineses, hindus, árabes e celtas tratavam a hidrofobia com o recurso ao chá de abelhas. De igual modo, os romanos utilizavam-no para a conservação de frutas e peixe que era guardado em ânforas e coberto de mel. E, finalmente, é num antigo costume romano que tem origem a designação “Lua de Mel”. A mãe da noiva tinha por regra deixar na alcova nupcial um pote de mel para os recém-casados recuperarem energias, mantendo-se esta prática durante toda a lua, ou seja, a semana lunar.

A produção de mel ocupa um lugar de destaque na economia, da mesma forma que a apicultura é da maior importância para o aumento da produção frutícola e riqueza dos pomares.

Na área da Paisagem Protegida do Corno do Bico encontram-se inventariadas 439 espécies florais, o que confere uma notável riqueza ao mel – qual néctar dos deuses apenas comparável ao ouro com que as laboriosas abelhas nos presenteiam. Qual Terra Prometida, Paredes de Coura é, pois, uma terra onde corre o leite e o mel!

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ARCOS DE VALDEVEZ E PONTE DE LIMA COM MOSTRA GASTRONÓMICA EM BRUXELAS – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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O município de Arcos de Valdevez é o convidado de honra na Mostra Gastronómica de Portugal, juntamente com Ponte de Lima, a realizar na embaixada em Bruxelas, uma iniciativa da Confraria dos Vinhos de Portugal na Bélgica, nomeadamente o seu embaixador, Victor Alves Gomes, oriundo daquele concelho alto-minhoto.

Com dezenas de convidados aderentes ao evento, há a salientar a participação de diplomatas da Europa e da Ásia, de autarcas de Portugal, Bélgica e do Luxemburgo, eurodeputados, Câmara de Comércio Bélgica e Portugal, funcionários portugueses na Comissão e Parlamento Europeu e confrarias gastronómicas. Aqui, destacamos dirigentes da Confraria de Sabores de Portugal no Luxemburgo, a dos Vinhos de Portugal na Bélgica – Ordem de São Vicente e também a Academia do Bacalhau em Bruxelas e a Ordem Gambrinus da cerveja, instituições que preservam e promovem a gastronomia tradicional de seus territórios no mundo.

Uma equipa de logística nomeada pelo edil arcoense, Olegário Gonçalves, integrando o Chefe da Divisão Sociocultural Nuno Soares e a técnica superior Cláudia Guimarães, procederam á selecção de produtos e material de difusão turística. Entre as iguarias para prova, foram elencados os célebres rebuçados da Páscoa, enchidos e fumados com carne cachena da Serra da Peneda, charutos de massa de ovos moles, o bolo de discos e o Loureiro premiado Muros de Grade, com colaboração do Chefinho Diogo Nascimento d “O Braseiro”.

Quanto a Ponte de Lima, também o nosso Clube de Gastronomia colabora com a responsabilidade do serviço confiada ao Chef Domingos Gomes, proprietário do “Rio Lima” em Cardielos, Viana do Castelo e ao Chefinho João Leonardo Matos, da equipa de cozinha do “Na Brasa”, em Subportela, Viana do Castelo. E, do concelho Limiano estarão para o painel de provadores, disponíveis várias iguarias ainda em fase final de selecção, pois haverá algumas novidades para apresentação, face a anteriores Mostras Gastronómicas organizadas na capital europeia.

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CLUBE DE GASTRONOMIA DE PONTE DE LIMA PROVOU ESPECIALIDADES DE TAIWAN – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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O Clube de Gastronomia de Ponte de Lima, o grupo de amigos que promove a culinária de Portugal, afincadamente do Alto Minho, no país e estrangeiro, provou especialidades de Taiwan com o objectivo de selecionar entradas e sobremesas para o Encontro Gastronómico e Cultural a realizar a 19 de Outubro, Domingo, na Casa de Tomar em Lisboa.

As iguarias foram encomendadas pela embaixadora Grace Chang no restaurante taiwanês Le Jardim Café & Bistrô, em Cascais, onde também as provamos no passado domingo na companhia do Secretário da representação diplomática da pequena nação asiática neste cantinho da Europa, David Lai, e o assessor jurídico no município da capital, Inácio Faria, recordemos.

Transportada por via rodoviária durante quatro horas, a saborosa comidinha de influência da China e Japão, foi aplaudida por elementos da nossa equipa de cozinha. Os rolinhos Primavera, produto taiwanês com base no Haruyaki da vizinha pátria nipónica e recheados de legumes ou camarão, abriram a prova, seguida de frango de pipoca taiwanês; contudo, os colegas Chef Domingos Gomes e ajudante e proprietário da Pipa de Sabores, Guilherme Galante, onde decorreu o ensaio gastronómico, sugeriram menos piripiri no produto. Completou a ementa o arroz frito, confecionado á base de legumes, onde a cenoura, ervilha e feijão verde predominam, para além de ovos cozinhados sob a forma de omelete. Mas, ainda haverá sugestão para os comensais na Casa de Tomar: ovos marinados á moda de Taiwan, entre outras delícias daquela República Democrática da China.

Hoje, terá lugar um novo encontro no Laboratório de Gastronomia do Clube, substituto, para análise de sobremesas, pois o Morgado´ s Tavern encontra-se de férias. Da parte de Taiwan, sabemos que serão servidos em Lisboa doces típicos, como o Bolo de roda recheado com feijão vermelho e um outro com nata; das escolhas a apresentar por Ponte de Lima, o Chef Paulo Santos já fez teste com o seu Pudim de Laranja (foto 2), e o Chefinho João Matos, com o de Abade de Piscos,(foto 3) enquanto que de Arcos de Valdevez, o Chefinho Diogo Nascimento d “O Braseiro “, apresentará o Bolo de discos e os rebuçados tradicionais da Páscoa.

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FEIJÓS DA SUÉCIA EM PONTE DE LIMA: OS DOCES DA HAVANEZA – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Iniciamos hoje uma série de pequenas crónicas sobre a estadia de quatro dias dos descendentes directos de António Feijó (1859 – 1917) em Ponte de Lima, regressados á Suécia no Domingo último, 21 do corrente mês de Setembro.

Tal como revelamos na nossa colaboração deste Blogue do Minho na edição de ontem, a família segue o sentido e pecado da gula do seu ascendente, e com regresso ás origens, prosseguem o gosto e desejo de degustar a cozinha tradicional portuguesa, especialmente do Minho e Ponte de Lima. As comezainas e os lanchinhos, as provas e repetições de produtos, assinalaram a presença dos quatro amigos da Escandinávia nas suas miniférias por cá.

Mas, a fim de documentar o papel desempenhado pelo diplomata Feijó no Brasil, e depois nos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, na promoção dos comeres lusitanos e exportação de alguns dos seus produtos, nomeadamente Vinho do Porto, elencamos seguidamente uma recolha em alguma da sua correspondência para familiares e amigos. Para além de referências ao néctar precioso do Douro, a epistolografia selecionada para hoje, revela-nos algum do cardápio a sue gosto, bem como nomeações oficiais guardadas na sua pasta no Arquivo Histórico do Ministério dos Negócios Estrangeiros, as quais permitiram simplificar a entrada de produtos da gastronomia do seu país naqueles onde representava as Cortes de D. Carlos I e D. Manuel II. Eis então os apontamentos respigados da correspondência:

1891, 15 de Setembro – em carta de Estocolmo, solicita 4 dúzias de garrafas de vinho do Porto, seco, de 500 réis, e mais uma dúzia de garrafas, de 200, 300… réis, “para oferecer como amostras a diferentes negociantes”.

1896, (?) Dezembro – propõe ementa para jantar em casa do amigo Luís de Magalhães, na Maia, um “bom prato de bacalhau de congregados, e grelos, muitos grelos, que é uma coisa que só há em Portugal”.

1896, 28 de Novembro – poderes concedidos por Lisboa para assinar Convenção Comercial com a Dinamarca.

1901, 20 de Julho – Decreto de nomeação de Enviado Especial e Ministro Plenipotenciário junto das Cortes de Estocolmo e Copenhaga.

1908, 15 de Maio – informa que entregou as credenciais em Cristiania (Oslo, Noruega) e amanhã aqui (Copenhaga, Dinamarca).

E, esse palato está no sangue e na alma dos nossos Wesslén Feijós, pois nos quatro dias e quatro noites, provamos, repetimos, guardamos saudades gustativas desses paladares. Um deles foi o lanchinho na Havaneza, renomada confeitaria no centro de Ponte de Lima, sucedânea do Café Camões, onde o antepassado era cliente, encerrado em 1914, e reaberto cerca de vinte anos depois com a actual designação pelo saudoso Limianista e poeta autor do Rio Azul, entre outros livros, António Vieira Lisboa, padrinho do saudoso empresário António Martins.

Para além da cerveja nacional, branca ou preta, os ilustres convidados apreciaram a doçaria da casa, mormente novidades : os muffins red (queques) de frutos vermelhos, o chausson de maçã, originário de França,  e o caracol de frutas cristalizadas; este último, é uma espécie de cópia do Kanelbulle que provamos e comprovamos em Estocolmo em Maio último, na recepção na embaixada de Portugal. Todavia, na especialidade sueca é apenas adicionada á massa fermentada, canela, e na Dinamarca, esse pequeno bolo tem variante, pois também é usado no seu fabrico o tipo folhado.

Mas, a preferência de marca de cerveja nacional pelos netos e bisnetos do filho do poeta, diplomata e gastrónomo, António Malcom Xisto Feijó, falecido em Palma de Maiorca em 1956, é de tal forma que os acompanha em vários momentos. Até mesmo na caminhada efectuada no Sábado de tarde ao miradouro de Santo Ovídio, margem direita do Lima, freguesia de Arcozelo.

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PONTE DE LIMA: CHEFINHO JOÃO MATOS RELEMBRA AINDA HÁ 44 PUDINS PARA COMER – CRÓNICA DE TITO DE MORAIS

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Jovem a celebrar dentro de meses um quarteirão de aniversários e uma dezena de anos na dedicação à cozinha regional portuguesa.

João Leonardo Matos e uma referência no domínio da culinária no concelho limiano e mais além. Nas últimas semanas várias entradas e sobremesas tem ocupado algum do seu tempo livre. O realce vai para testes da lista de 50 pudins receitas recolhidas durante longos meses pelo nosso Clube de Gastronomia de Ponte de Lima em casas fidalgas da Ribeira Lima para recriação histórica. Do arrolamento elaborado João Leonardo Matos relembrou em reunião que ainda faltam comer ou provar 44 pudins.

O jovem cozinheiro e os colegas Chefs Paulo Santos e Domingos Gomes e esposa Alexandrina (Xana) já fizeram seis deles como sobremesas, no Luxemburgo e no jantarinho ao gosto de Eça de Queirós e António Feijó na quinta de Vilar em Arcozelo no mês passado. Agora em próximo evento com alguns convidados internacionais teremos outros pudins com história para reduzir a lista. O chefinho João já selecionou os seus e perante um painel de provadores haverá notação, mas muitos amigos apreciadores sabemos que ele sabe que nós sabemos ele faz bem tudo e com gosto.

Portanto aguardemos o dia ou festim gastronómico a realizar brevemente para a jovem promessa na arte dos sabores deliciar os convidados com suas receitas.

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